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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Solo agrícola e agricultura em espaço urbano: dinâmicas. O exemplo de Évora]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of the article is to improve the understanding of agriculture in urban areas for societies and to outline strategies to promote agricultural soils patrimony and the maintenance and sustainability of agricultural use in urban space. The methodology followed includes the analysis of the urban dynamics, related with the presence of agriculture in the urban area of Évora, in a perspective that includes its significance in historical, social, economic, ecological and aesthetic domains.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Solo agr&iacute;cola e agricultura em espa&ccedil;o urbano: din&acirc;micas. O exemplo de &Eacute;vora<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Freire, Maria<sup>1</sup>; Ramos, Isabel<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento (DPAO),&nbsp; Escola de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia (ECT), Centro de Hist&oacute;ria de Arte e Investiga&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica (UE-CHAIA), Universidade de &Eacute;vora (UE); <a style="color: #000080;" href="mailto:mcmf@uevora.pt">mcmf@uevora.pt</a>&nbsp;</p>     <p><sup>2</sup>Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento (DPAO),&nbsp; Escola de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia (ECT), Centro de Estudos de Sociologia (UNL-CESNOVA), Universidade de &Eacute;vora (UE); <a style="color: #000080;" href="mailto:iar@uevora.pt">iar@uevora.pt</a> &nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo do artigo &eacute; melhorar o entendimento sobre o significado da componente agr&iacute;cola em espa&ccedil;o urbano para as sociedades e perspetivar estrat&eacute;gias no sentido de promover o patrim&oacute;nio solo agr&iacute;cola e a perman&ecirc;ncia e sustentabilidade do uso agr&iacute;cola em espa&ccedil;o urbano.</p>     <p>A metodologia de trabalho seguida compreende a an&aacute;lise da din&acirc;mica de evolu&ccedil;&atilde;o urbana, associada &agrave; presen&ccedil;a da agricultura em espa&ccedil;o urbano em &Eacute;vora, numa perspetiva que inclui o seu significado nos dom&iacute;nios hist&oacute;ricos, sociais, econ&oacute;micos, ecol&oacute;gicos e est&eacute;ticos.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: agricultura, espa&ccedil;o urbano, solo agr&iacute;cola, paisagem global</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The aim of the article is to improve the understanding of agriculture in urban areas for societies and to outline strategies to promote agricultural soils patrimony and the maintenance and sustainability of agricultural use in urban space.</p>     <p>The methodology followed includes the analysis of the urban dynamics, related with the presence of agriculture in the urban area of &Eacute;vora, in a perspective that includes its significance in historical, social, economic, ecological and aesthetic domains.</p>     <p><b>Keywords:</b> agriculture, urban space, agricultural soils, global landscape</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A afirma&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da cidade foi desde sempre acompanhada por uma significativa componente agr&iacute;cola, assegurada nas &aacute;reas de maior proximidade ao n&uacute;cleo urbano, em situa&ccedil;&otilde;es mais baixas e assim mais frescas e em solos mais f&eacute;rteis. Nas paisagens mais meridionais, entre esses espa&ccedil;os inclu&iacute;am-se as tipologias de hortas, pomares, ferragiais, olivais, vinhas e as quintas, onde se produziam os produtos fundamentais para abastecer a cidade de frescos e mat&eacute;rias primas, comercializados pela atividade mercantil. No presente, muitas destas tipologias ainda perduram nos nossos espa&ccedil;os abertos, uma presen&ccedil;a que &eacute; ainda refor&ccedil;ada pela topon&iacute;mia.</p>     <p>Mais recentemente, a agricultura em espa&ccedil;o urbano expressa-se com objetivos e modos de realiza&ccedil;&atilde;o distintos da agricultura tradicionalmente praticada nos campos agr&iacute;colas ligados &agrave; cidade. Correspondem-lhe ocorr&ecirc;ncias espont&acirc;neas ou organizadas, em espa&ccedil;os p&uacute;blicos ou privados, individuais ou coletivos e localiza-se dentro do per&iacute;metro urbano ou na periferia, uma atividade agr&iacute;cola que inclui agricultores a tempo parcial ou total e com ou sem prepara&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e/ou cient&iacute;fica.</p>     <p>O objetivo da investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; melhorar o entendimento sobre o significado da componente agr&iacute;cola em espa&ccedil;o urbano para as sociedades e perspetivar estrat&eacute;gias no sentido de promover o patrim&oacute;nio solo agr&iacute;cola e a perman&ecirc;ncia e sustentabilidade do uso agr&iacute;cola em espa&ccedil;o urbano.</p>     <p>Se, no passado, a componente agr&iacute;cola urbana estava intrinsecamente ligada aos dom&iacute;nios sociais e econ&oacute;micos, no presente relaciona-se ainda com os dom&iacute;nios ecol&oacute;gicos e pedag&oacute;gicos. Esta presen&ccedil;a traduz-se assim numa maior proximidade &agrave; natureza, como forma de procura de maior qualidade de vida urbana, combinando-se com os anteriores dom&iacute;nios sociais e econ&oacute;micos, desde sempre mais pronunciadas em tempo de crise.</p>     <p>Reconhecem-se que s&atilde;o muito diversas as dificuldades de implanta&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de atividades agr&iacute;colas em espa&ccedil;o urbano. Desde a n&atilde;o integra&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o produtiva agr&iacute;cola no ordenamento e planeamento urbano (planos diretores, planos estrat&eacute;gicos, planos de urbaniza&ccedil;&atilde;o e planos de pormenor), &agrave;s dificuldade de acesso aos terrenos vazios (devolutos ou onde as anteriores fun&ccedil;&otilde;es/atividades entraram em processo de decad&ecirc;ncia e/ou abandono), aos obst&aacute;culos legislativos que se relacionam com a valoriza&ccedil;&atilde;o dos solos com maiores potencialidades para a produ&ccedil;&atilde;o de biomassa em espa&ccedil;o urbano e, naturalmente ainda, aos conhecidos problemas relacionados com o acesso &agrave; &aacute;gua.</p>     <p>Argumenta-se nesta investiga&ccedil;&atilde;o a necessidade de legitimar a maior visibilidade que a agricultura urbana tem vindo a ganhar, atrav&eacute;s de um enquadramento legal que garanta maior operacionalidade desta fun&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;o urbano. Assim, por um lado lan&ccedil;a-se o desafio da ativa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, que n&atilde;o s&oacute; legitimem a fun&ccedil;&atilde;o produtiva na cidade, integrando-o entre as fun&ccedil;&otilde;es urbanas, como favore&ccedil;am a sua reconvers&atilde;o funcional, fundamental no solucionar de alguns problemas urbanos decorrentes de op&ccedil;&otilde;es irracionais e/ou especulativas; por outro lado, esse desafio sustenta-se no pressuposto da necessidade de din&acirc;micas integradas, com articula&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rias dom&iacute;nios que est&atilde;o associados &agrave; presen&ccedil;a da agricultura em espa&ccedil;o urbano &ndash; os econ&oacute;micos, sociais, culturais e ecol&oacute;gicos.</p>     <p>A metodologia de trabalho seguida compreende a an&aacute;lise da din&acirc;mica de evolu&ccedil;&atilde;o urbana, associada &agrave; presen&ccedil;a da agricultura em espa&ccedil;o urbano, numa perspetiva que inclui o seu significado nos dom&iacute;nios hist&oacute;ricos, sociais, econ&oacute;micos, ecol&oacute;gicos e est&eacute;ticos. Uma pesquisa que &eacute; centrada no caso-estudo de uma cidade antiga, de m&eacute;dia dimens&atilde;o, localizada no interior sul de Portugal &ndash; a cidade de &Eacute;vora.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Conceitos</b></p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o assenta em tr&ecirc;s conceitos basilares &ndash; o de <b><i>agricultura</i></b>, o de <b><i>solo agr&iacute;cola</i></b> e o de <b><i>urbano-rural</i></b> &ndash;, no&ccedil;&otilde;es que refletem o espa&ccedil;o, os recursos, as atividades e os atributos que se envolvem e aprofundam na tem&aacute;tica tratada.</p>     <p><b>Agricultura</b> compreende a atividade que consiste em cultivar a terra para dela se obterem vegetais &uacute;teis ao Homem (frutas, legumes, hortali&ccedil;as,...) e/ou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de animais. Uma produ&ccedil;&atilde;o que pode ser de mercado ou de autoconsumo.</p>     <p><b>Solo agr&iacute;cola</b> &eacute; o recurso a que se associa a atividade agr&iacute;cola ou a mat&eacute;ria prima para o cultivo de alimentos. Compreende os solos com maiores aptid&otilde;es para a produ&ccedil;&atilde;o de biomassa e, simultaneamente, os solos particularmente importantes sob o ponto de vista ecol&oacute;gico, econ&oacute;mico e social, dado constitu&iacute;rem o produto da din&acirc;mica integrada entre agentes f&iacute;sicos e processos humanos.</p>     <p>O conceito de <b><i>urbano/rural </i></b>(ou de <b><i>cidade/campo</i></b>), traduz dicotomias, e muitas vezes oposi&ccedil;&otilde;es, relativas &agrave; paisagem, entendida enquanto espa&ccedil;o, cultura, economia, tradi&ccedil;&otilde;es, modos de vida, etc. No <b><i>rural</i></b> (ou no <b><i>campo</i></b>) sup&otilde;e-se ser a agricultura o suporte principal da economia sendo o atributo cultural da sociedade que se inscreve no territ&oacute;rio marcado pela atividade agr&iacute;cola (Domingues, 2011). Uma concep&ccedil;&atilde;o que na atualidade &eacute; mais integrada ao verem-se-lhe valorizadas outras fun&ccedil;&otilde;es (culturais, recreativas, prote&ccedil;&atilde;o,...). O <b>urbano</b> (ou a<b> <i>cidade</i></b>) envolve outras fun&ccedil;&otilde;es principais (econ&oacute;micas, sociais, pol&iacute;ticas, culturais), outras atividades dominantes (comerciais, recreativas, educativas,....) e traduz sempre o dom&iacute;nio do ambiente constru&iacute;do, inerte e do artificial, sobre as caracter&iacute;sticas naturais do territ&oacute;rio<b>. </b>Esta concep&ccedil;&atilde;o &eacute; cada vez mais contrariada pela teoria e pela <i>praxis, </i>em termos de planeamento da paisagem urbanizada, ao se considerar o funcionamento dos espa&ccedil;os e estruturas dentro de um sistema global integrado - natural e cultural - de que s&atilde;o exemplificativos os trabalhos e/ou investiga&ccedil;&otilde;es de Hough (1995), Ruano (1999), Forman (2004) Waldheim (2006) e, entre n&oacute;s, os de Telles (1996), Magalh&atilde;es (2001) e Batista (2009). Em s&iacute;ntese, tratam-se de dois universos que nos remetem para a ideia de transforma&ccedil;&atilde;o &ndash; s&atilde;o identidades mut&aacute;veis, considere-se o rural ou o urbano (tradicional ou contempor&acirc;neo) ou o metamorfosear do rural em urbano.</p>     <p>Globalmente, toda a abordagem ao tema <i>agricultura em espa&ccedil;o urbano</i> aprofunda-se noutros dois conceitos &ndash; o de <b><i>paisagem global</i></b> e o de <b><i>patrim&oacute;nio</i></b> &ndash; dada a perspetiva de integra&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os, de uso e de valores que rege a leitura que fazemos. A <b><i>paisagem global</i></b> pressup&otilde;e a inexist&ecirc;ncia de barreiras r&iacute;gidas entre espa&ccedil;os urbanos e rurais, reconhecendo as interdepend&ecirc;ncias entre estes, com apelo &agrave; dissolu&ccedil;&atilde;o gradual da distin&ccedil;&atilde;o cidade, periferia e campo, incentiva a interliga&ccedil;&atilde;o entre elementos vivos e inertes e resgata o retorno &agrave; ideia de continuidade da paisagem e &agrave; sua multifuncionalidade (Telles, 1996). O conceito de <b><i>patrim&oacute;nio</i></b> &eacute; explorado na perspetiva em que se valoriza o bem-comum, associado ao recurso solo agr&iacute;cola, &agrave; mem&oacute;ria coletiva e &agrave; identidade da paisagem. &Eacute; com base nestes pressupostos que se procura legitimar a presen&ccedil;a de usos agr&iacute;colas em espa&ccedil;o urbano, atrav&eacute;s da integra&ccedil;&atilde;o e dinamiza&ccedil;&atilde;o de uma nova fun&ccedil;&atilde;o na cidade, expressa na inclus&atilde;o de &aacute;reas agr&iacute;colas no modelo de desenvolvimento urbano.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. O espa&ccedil;o urbano e a agricultura</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As atividades agr&iacute;colas estiveram sempre presentes nas cidades e expressaram, ao longo dos tempos, um importante significado econ&oacute;mico (Marques, 1968; Beirante, 1995; Donadieu e Fleury 2003). Correspondem-lhe produ&ccedil;&otilde;es de natureza agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria, decorrentes de iniciativas das comunidades urbanas e tamb&eacute;m das rurais envolventes &agrave; cidade; com efeito, nas cidades mediterr&acirc;nicas a economia urbana inclui a do seu espa&ccedil;o em redor (Beirante, 1995; Caldas, 1994; Donadieu e Fleury 2003). A cidade vernacular envolvia assim uma rela&ccedil;&atilde;o complementar com a sua envolvente rural, onde imperaram os determinismos naturais (derivados do meio natural) e os culturais (econ&oacute;micos, sociais e hist&oacute;ricos, de entre os quais se real&ccedil;a a disponibilidade de m&atilde;o-de-obra).</p>     <p>Cultivavam-se ent&atilde;o, no interior protegido da cidade bem como na sua periferia (mais rural ou de car&aacute;cter mais agr&aacute;rio), cereais, produtos hort&iacute;colas e frut&iacute;colas e ocorria a cria&ccedil;&atilde;o de animais (bovino, ovino, su&iacute;no, equino, caprino e aves, entre outros). Os produtos resultantes dessas atividades agropecu&aacute;rias &ndash; que expressam um car&aacute;cter marcadamente intensivo &ndash; eram usados para autoconsumo ou eram inseridos no mercado local, uma vez que a cidade era um importante centro de consumo, consistindo o com&eacute;rcio desses produtos uma importante fonte de rendimentos dos habitantes (Beirante, 1995).</p>     <p>A essa presen&ccedil;a produtiva associa-se um padr&atilde;o paisag&iacute;stico singular que evolui sob a a&ccedil;&atilde;o conjugada de fatores naturais (topografia, solo, &aacute;gua, topo-clima e vegeta&ccedil;&atilde;o) e humanos (os culturais, expressos na estrutura da propriedade, na rede de caminhos/vias ou na ocupa&ccedil;&atilde;o do solo):</p> <ul>     <li>no interior da cidade integram-se espa&ccedil;os da tipologia horto-pomar, que asseguraram importantes fun&ccedil;&otilde;es produtivas e sociais ao longo do tempo. Esta presen&ccedil;a acompanha diversos elementos urbanos, seja na agrega&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o dos lotes e edif&iacute;cios em sistema fechado (os quarteir&otilde;es) deixando livre o interior privado ou semi-p&uacute;blico (onde ocorrem hortos, pomares e jardins), seja na constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios com logradouro (ou o designado quintal, onde est&aacute; presente a horta, o pomar e/ou o pequeno jardim), ou ainda nas situa&ccedil;&otilde;es mais f&eacute;rteis, perif&eacute;ricas ao interior dos recintos muralhados (<a href="#f1">Figura 1</a>);</li>     <li>fora do per&iacute;metro da cidade o padr&atilde;o decorre das caracter&iacute;sticas naturais (frequentemente situa&ccedil;&otilde;es mais aplanadas e baixas, por isso mais h&uacute;midas e solos mais f&eacute;rteis) que se harmonizam com dois agro-sistemas singulares (o <i>ager </i>e o <i>saltus</i>) bem como com a estrutura da propriedade:</li>     <li>o primeiro, na envolvente imediata da &aacute;rea urbana, desenhava um aro bem delimitado de campos abertos, agr&iacute;cola, compartimentado, onde se situam as hortas, as quintas, os pomares, os ferragiais mas tamb&eacute;m frequentemente a vinha e o olival. A esta &aacute;rea mais f&eacute;rtil e vi&ccedil;osa corresponde uma malha densa e de pequenos pr&eacute;dios r&uacute;sticos, de explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria, onde &eacute; comum a presen&ccedil;a do edif&iacute;cio destinado &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. Nessa estrutura, frequentemente murada ou simplesmente vedada, de prote&ccedil;&atilde;o, dominavam as culturas mimosas e de bom rendimento, aquelas que requeriam bastante m&atilde;o de obra e vigil&acirc;ncia constante. Correspondem-lhe assim pequenas unidades de cultura, intensivas, onde estavam presente os legumes, as frutas e tamb&eacute;m algumas vezes os cereais (<a href="#f2">Figura 2</a>);</li>     <li>numa situa&ccedil;&atilde;o mais afastada &agrave; cidade, e imediatamente ap&oacute;s o mencionado primeiro aro, expressa-se um espa&ccedil;o mais amplo de malha mais larga, onde a produ&ccedil;&atilde;o &eacute; assim extensiva e onde impera a produ&ccedil;&atilde;o de cereais, os prados e a mata (<a href="#f2">Figura 2</a>).</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>S&oacute; mais recentemente, a partir do processo de industrializa&ccedil;&atilde;o, &eacute; que esse equil&iacute;brio foi mais comprometido, resultado de um conjunto de novos valores, fen&oacute;menos e din&acirc;micas. &Eacute; assim a partir do final do s&eacute;culo XIX que se inicia o fen&oacute;meno de expans&atilde;o cont&iacute;nua e mais acelerada da cidade, a que se associam quebras significativas no mencionado equil&iacute;brio, resultado de altera&ccedil;&otilde;es muito profundas a v&aacute;rios n&iacute;veis (ecol&oacute;gicos, sociais, econ&oacute;micos e est&eacute;ticos). Da economia agr&aacute;ria passou-se a uma economia industrial, com consequente altera&ccedil;&atilde;o da paisagem, expressa nos valores, na emerg&ecirc;ncia de novos fen&oacute;menos urbanos e modos de vida; crescimento e dispers&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o e de atividades produtivas e transformadoras, consumo em massa, explos&atilde;o de servi&ccedil;os e de com&eacute;rcio, crescente significado da mobilidade e afastamento das popula&ccedil;&otilde;es urbanas da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e da natureza, encontram-se entre as principais din&acirc;micas sentidas - mudan&ccedil;as que configuram a passagem de uma sociedade predominantemente rural para uma outra, marcadamente urbana (Batista, 2009). Tal reorganiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e social deu lugar a configura&ccedil;&otilde;es espaciais e estruturais marcadas pela acentuada fragmenta&ccedil;&atilde;o, descontinuidade e mesmo destrui&ccedil;&atilde;o da estrutura ecol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m da estrutura cultural, expressos numa significativa destrui&ccedil;&atilde;o dos solos e profunda altera&ccedil;&atilde;o do seu uso, na perda da biodiversidade da paisagem e elimina&ccedil;&atilde;o de elementos e estruturas do patrim&oacute;nio urbano e rural.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     <p>Como antes referido, ainda que haja alguma especificidade quanto ao tipo de atividades associadas &agrave; paisagem com caracter&iacute;sticas mais urbanas ou rurais, a constru&ccedil;&atilde;o milenar da paisagem incluiu sempre uma certa diversidade de atividades e fun&ccedil;&otilde;es, com considera&ccedil;&atilde;o das suas especificidades e valores &ndash; ao espa&ccedil;o urbano atribui-se um papel pol&iacute;tico-administrativo, socioecon&oacute;mico e cultural; e ao espa&ccedil;o rural &eacute; atribu&iacute;do o papel de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, que abastece o espa&ccedil;o urbano, em conjuga&ccedil;&atilde;o com outras fun&ccedil;&otilde;es, como as de prote&ccedil;&atilde;o e de recreio. A essas paisagens multifuncionais tradicionais associa-se assim uma estrutura, um significado e uma certa ordem e equil&iacute;brio. Uma combina&ccedil;&atilde;o que &eacute; resultante de processos naturais, que configuram a estrutura ecol&oacute;gica que caracteriza um dado espa&ccedil;o (referimo-nos &agrave; matriz geol&oacute;gica, hidrol&oacute;gica e biol&oacute;gica) e da manipula&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o operada pelo Homem nesse suporte, que configura a estrutura cultural (referimo-nos &agrave; matriz hist&oacute;rica, arqueol&oacute;gica, social e econ&oacute;mica) (McHarg, 1969; Magalh&atilde;es, 2001).</p>     <p>Globalmente, a r&aacute;pida urbaniza&ccedil;&atilde;o das &uacute;ltimas d&eacute;cadas tem sido acompanhada por problemas graves ao n&iacute;vel da transforma&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e da constru&ccedil;&atilde;o da paisagem urbana &ndash; expressos numa artificializa&ccedil;&atilde;o antes impens&aacute;vel, numa fragmenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o edificado e n&atilde;o edificado, numa forte separa&ccedil;&atilde;o da sociedade da natureza, numa quase total impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo, com destrui&ccedil;&atilde;o dos solos mais f&eacute;rteis, no desemprego e pobreza, e numa dilui&ccedil;&atilde;o (ou mesmo desvaloriza&ccedil;&atilde;o) da imagem da cidade e da sua sustentabilidade.</p>     <p>Consequentemente, surgiram pol&iacute;ticas de ordenamento e gest&atilde;o do territ&oacute;rio que promovem a organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o concelhio e espa&ccedil;o urbano num determinado horizonte temporal, designadamente os Planos Diretores Municipais (PDM) e os Planos de Urbaniza&ccedil;&atilde;o (PU). A que acrescem outros instrumentos que visam proteger legalmente os solos de maior capacidade agr&iacute;cola e outras &aacute;reas de elevada import&acirc;ncia ecol&oacute;gica. Em Portugal, essas preocupa&ccedil;&otilde;es determinaram a publica&ccedil;&atilde;o das leis relativas &agrave; Reserva Agr&iacute;cola Nacional (RAN, 1982) e &agrave; Reserva Ecol&oacute;gica Nacional (REN, 1983).<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a> Pretendia-se que, em conjunto, estas duas condicionantes ao uso do solo travassem a utiliza&ccedil;&atilde;o desregrada de &aacute;reas de elevado valor natural, levando a um maior respeito pelos seus valores. Foi, no entanto, a partir de 1990 que estas condicionantes passaram a ter maior for&ccedil;a legal, ao ser determinada a obrigatoriedade de todos os munic&iacute;pios aprovarem o seu PDM e integrarem nas cartas de condicionantes essas duas &aacute;reas de Reservas. Contudo, como veremos adiante, nem sempre a sua efic&aacute;cia foi (&eacute;) vis&iacute;vel, dada a imediata desafeta&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas daquelas reservas, sempre que integrassem &aacute;reas interiores ao per&iacute;metro urbano (portanto a sua exclus&atilde;o das &aacute;reas que integram o PU).</p>     <p>Simult&acirc;nea &agrave; mencionada urbaniza&ccedil;&atilde;o das &uacute;ltimas d&eacute;cadas e &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es com o que consideramos o bem comum solo, t&ecirc;m-se vindo a observar um ganho de visibilidade (mais do que renascer do interesse) da agricultura em espa&ccedil;o urbano.</p>     <p>A <i>agricultura urbana</i> envolve agora uma produ&ccedil;&atilde;o predominantemente de autoconsumo, familiar e, com menor express&atilde;o, de base empresarial, mais t&eacute;cnica e cient&iacute;fica. Desenvolve-se de forma espont&acirc;nea ou organizada, em espa&ccedil;os p&uacute;blicos ou privados, individuais ou coletivos, com uma localiza&ccedil;&atilde;o que &eacute; sobretudo interior ao per&iacute;metro urbano, mas que tamb&eacute;m pode ocorrer na periferia.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a> Praticada em &aacute;reas relativamente pequenas, realiza-se por agricultores a tempo parcial ou total, com poucos conhecimentos t&eacute;cnicos, uma vez que essa n&atilde;o &eacute; (ou n&atilde;o era) a sua atividade principal (Pinto, 2007). Estas &aacute;reas s&atilde;o, agora, cada vez mais procuradas por parte das popula&ccedil;&otilde;es de caracter&iacute;sticas urbanas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os argumentos invocados para o incentivo e incremento das pr&aacute;ticas de agricultura urbana incluem (e muitas vezes articulam) princ&iacute;pios ecol&oacute;gicos, socioecon&oacute;micos e culturais. No essencial, decorrem das ideias que integram o ambiente natural na cidade e de preocupa&ccedil;&otilde;es sociais, relacionadas com a necessidade de obten&ccedil;&atilde;o de alimentos b&aacute;sicos a uma popula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Demonstram-no as preocupa&ccedil;&otilde;es ou argumentos umas vezes mais centrados:</p> <ul>     <li>nos processos naturais e/ou biol&oacute;gicos, especialmente manifestados nas quest&otilde;es ecol&oacute;gicas ou ambientais (manuten&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea perme&aacute;vel, redu&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, aumento da fertilidade e biodiversidade urbana);</li>     <li>outras em quest&otilde;es sociais e econ&oacute;micas (autoconsumo, combate &agrave; pobreza);</li>     <li>e, mais pontualmente, relacionam-se com quest&otilde;es culturais (transmiss&atilde;o de um saber fazer, de um modo de ser, identidade de um povo, espa&ccedil;o de ref&uacute;gio e de descanso, de observa&ccedil;&atilde;o dos ritmos da natureza, educa&ccedil;&atilde;o ambiental e na procura de uma vida mais saud&aacute;vel, muitas vezes assente na produ&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica).</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. A cidade de &Eacute;vora</b></p>     <p><b>4.1 Agricultura e a cidade &ndash; din&acirc;mica e evolu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&Eacute;vora &eacute; uma cidade portuguesa antiga, de interior e de m&eacute;dia dimens&atilde;o, essencialmente terci&aacute;ria, resultado de um processo de transforma&ccedil;&atilde;o que foi ocorrendo ao longo dos s&eacute;culos. O territ&oacute;rio em que se inscreve foi desde sempre privilegiado com &aacute;gua suficiente para a explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e a cria&ccedil;&atilde;o de gado, reunindo assim boas condi&ccedil;&otilde;es para a cria&ccedil;&atilde;o de uma cidade. Apesar dos muitos vest&iacute;gios romanos, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o territ&oacute;rio se organizava segundo uma trama ortogonal e regular romana, supondo-se que as terras se organizavam de acordo com as atividades nelas desenvolvidas e delimitadas por elementos naturais, determinando uma divis&atilde;o de propriedade irregular, adaptada &agrave; paisagem e ao valor do espa&ccedil;o. Coexistem a grande e a pequena propriedade (esta sobretudo a norte) e a agricultura adquire particular import&acirc;ncia (sendo os cereais e a vinha as culturas dominantes) (Ramos, Sobral e Abreu, 1997).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir do s&eacute;culo XIII, &Eacute;vora come&ccedil;a a definir com maior precis&atilde;o o seu <i>termo</i>, respeitando os limites naturais &ndash; fluviais e orogr&aacute;ficos. No que se refere &agrave; cidade propriamente dita, constr&oacute;i-se uma cidade de plano radioconc&ecirc;ntrico, a partir do n&uacute;cleo urbano mais antigo (Beirante, 1995). Dentro da cerca urbana existem in&uacute;meros espa&ccedil;os abertos privados &ndash; almuinhas, hortas e ferragiais, espa&ccedil;os que &ldquo;(...) constitu&iacute;am parte integrante da paisagem urbana e eram o complemento natural da economia citadina. Sendo espa&ccedil;os de apropria&ccedil;&atilde;o privada, n&atilde;o deixam de beneficiar toda a comunidade, proporcionando-lhe abund&acirc;ncia de frutos, frescura de &aacute;guas e pureza dos ares.&rdquo; (<i>idem:</i>117). Carapinha (1995:37-40) refor&ccedil;a esta afirma&ccedil;&atilde;o ao referir que &ldquo;Hortas, pomares, verg&eacute;is e quintais distribuem-se aleatoriamente pelo miolo das constru&ccedil;&otilde;es, embora se note uma maior densidade de quintais e verg&eacute;is &ndash; espa&ccedil;os mais confinados &ndash;, no interior das cercas velhas, do que no espa&ccedil;o delimitado pelas cercas novas, onde um espa&ccedil;o mais amplo proporciona uma maior express&atilde;o dos elementos vegetais (...) Hortas e almuinhas distribuem-se sobretudo nos recintos delimitados pelas cercas novas&rdquo; .</p>     <p>Como j&aacute; mencionado, a afirma&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da cidade &eacute; acompanhada pela componente agr&iacute;cola, especialmente assegurada nas &aacute;reas de maior proximidade aos centros urbanos e complementadas por algumas &aacute;reas que lhe s&atilde;o interiores. Tamb&eacute;m em &Eacute;vora, a circundar o recinto urbano encontrava-se uma utiliza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola do solo que desenhava zonas agr&iacute;colas, conc&ecirc;ntricas, de produ&ccedil;&atilde;o distinta, onde as quintas representaram, juntamente com as m&uacute;ltiplas hortas, ferragiais, vinhas e pomares, um importante meio de fornecimento de frutas e legumes frescos &agrave; cidade (Beirante, 1995; Carapinha, 1995). Asseguravam-lhe assim o abastecimento di&aacute;rio de produtos de consumo frequente e facultavam um ambiente apraz&iacute;vel para o recreio dos habitantes da cidade, expressos nas pr&aacute;ticas de ca&ccedil;a, no gozo de um espa&ccedil;o de ref&uacute;gio no campo ou na procura de momentos de conv&iacute;vio e contempla&ccedil;&atilde;o (Carapinha, 1995).</p>     <p>Atualmente, esta zona conc&ecirc;ntrica constitui uma &ldquo;coroa&rdquo; irregular de pequenas propriedades, que se associam &agrave; agricultura, manifestada nas quintas de produ&ccedil;&atilde;o e/ou recreio e nas hortas, a que se ligam algumas constru&ccedil;&otilde;es dispersas sobretudo a norte, onde a dimens&atilde;o da propriedade &eacute; menor e significativamente antiga. &Eacute; a&iacute; que se conservam os velhos solares do s&eacute;culo XVIII, onde ainda se encontram hortas, pomares, olivais, terras de sequeiro e alguma vinha (Beirante, 1995).</p>     <p>Nos princ&iacute;pios do s&eacute;culo XIX, Moniz (1995) refere a exist&ecirc;ncia de duas zonas distintas no territ&oacute;rio circundante de &Eacute;vora: uma primeira zona imediata &agrave; muralha, f&eacute;rtil, de pequena propriedade de culturas hort&iacute;colas, frutos, legumes, vinhas e olivais, explora&ccedil;&otilde;es destinadas quase exclusivamente ao abastecimento da popula&ccedil;&atilde;o citadina; a seguir a esta zona de quintas, segue-se de imediato a &aacute;rea das grandes explora&ccedil;&otilde;es, as grandes herdades (latif&uacute;ndios). Entre estas duas ocorrem quart&eacute;is e courelas, parcelas de pequena dimens&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o diferenciada.</p>     <p>No final do s&eacute;culo XIX, a instala&ccedil;&atilde;o da esta&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria a sul foi determinante na estrutura&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o urbana, favorecendo a expans&atilde;o de novas &aacute;reas urbanas nessa dire&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Ocorrem tamb&eacute;m nesta altura algumas mudan&ccedil;as nos modos de explora&ccedil;&atilde;o, distinguindo-se duas formas:</p> <ul>     <li>nas herdades localizadas na parte de relevos mais expressivos - onde predominavam o montado e a charneca - a explora&ccedil;&atilde;o centrava-se no aproveitamento do azinho e sobro (gado, corti&ccedil;a e lenha) e nas pastagens das charnecas como invernadouros para o gado, sendo o cereal uma atividade secund&aacute;ria;</li>     <li>nas herdades situadas nas zonas de baixa, a produ&ccedil;&atilde;o organizava-se em duas partes; uma cuja &aacute;rea de ocupa&ccedil;&atilde;o foi aumentando na segunda metade do s&eacute;culo XIX, era formada por terrenos que n&atilde;o entravam no afolhamento e eram utilizados para hortas, pomares, e/ou vinha e olival; uma outra, de maior superf&iacute;cie, submetida a afolhamento, sendo a principal explora&ccedil;&atilde;o os cereais e os legumes e onde a cria&ccedil;&atilde;o de gado era considerada uma atividade industrial auxiliar, que aproveitava as pastagens de pousio.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante esta diversifica&ccedil;&atilde;o, a agricultura manteve sempre uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque durante o s&eacute;culo XIX (Fonseca, 1996 <i>in </i>Ramos, Sobral e Abreu, 1997). A primeira imagem cartogr&aacute;fica do termo rural de &Eacute;vora (segundo Daveau, 1995), assim o evidencia (<a href="#f3">Figura 3</a>). A ocupa&ccedil;&atilde;o do solo expressa, mais a oeste e norte (na &aacute;rea assinalada com uma trama) o dom&iacute;nio das vinhas e dos olivais; mais a sul e a este, dominam as culturas extensivas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A expans&atilde;o urbana para al&eacute;m das muralhas fez-se de forma muito lenta at&eacute; meados do s&eacute;culo XX. &Eacute; a partir daqui que a mecaniza&ccedil;&atilde;o da agricultura, com a consequente diminui&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra no campo, determina o deslocar da popula&ccedil;&atilde;o rural para a cidade, em busca de novas oportunidades de trabalho. S&atilde;o assim criados os primeiros bairros (clandestinos e n&atilde;o planificados) em redor da cidade, onde se replicam as caracter&iacute;sticas das povoa&ccedil;&otilde;es rurais de origem (Carvalho, 1990; Ramos, Sobral e Abreu, 1997; Simpl&iacute;cio, 2009) mantendo-se a pequena agricultura, o cultivo de produtos hort&iacute;colas em quintais, hortas e pomares, espa&ccedil;os intersticiais entre moradias e espa&ccedil;os vazios entre bairros.</p>     <p>As din&acirc;micas dos anos &rsquo;70 do s&eacute;culo passado levaram ao aparecimento de outro tipo de bairros clandestinos, como resposta a uma procura de pessoas da cidade e imigrantes. S&atilde;o criados lotes de maiores dimens&otilde;es e com caracter&iacute;sticas e tipologias de habita&ccedil;&atilde;o diferentes. Associada a esta din&acirc;mica de procura, assiste-se tamb&eacute;m &agrave; compra de lotes para especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, numa perspectiva da sua valoriza&ccedil;&atilde;o com o tempo e n&atilde;o para constru&ccedil;&atilde;o imediata. Verifica-se assim uma baixa densidade de constru&ccedil;&atilde;o, com a consequente cria&ccedil;&atilde;o de vazios dentro dos bairros e muitos terrenos expectantes, a par do parcelamento da propriedade na envolvente da cidade (Carvalho, 1990).</p>     <p>No final dos anos &rsquo;70 do s&eacute;culo XX, a elabora&ccedil;&atilde;o do PDM<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a> e consequente elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Urbaniza&ccedil;&atilde;o (PGU), determinaram regras concretas de ordenamento concelhio. Nomeadamente o Plano Negativo da &Aacute;rea Urbana (pe&ccedil;a integrante do PGU), determina condicionantes &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o do solo no sentido de impedir a destrui&ccedil;&atilde;o de solos agr&iacute;colas protegidos, para o que identifica &ldquo;as &aacute;reas que n&atilde;o podem ver o seu uso alterado, as infra-estruturas existentes e propostas e os elementos da estrutura natural indispens&aacute;veis ao bom equil&iacute;brio biol&oacute;gico da &aacute;rea urbana. Consideram-se, neste plano, (...) &aacute;reas de solos de boa qualidade que se dever&atilde;o reservar para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola; (...)&rdquo; (Simpl&iacute;cio, 2009:17). Por sua vez, o Plano de Usos dos Solos da &Aacute;rea Urbana (tamb&eacute;m parte integrante do PGU) tem como princ&iacute;pio, entre outros, a cria&ccedil;&atilde;o de uma estrutura verde penetrando at&eacute; ao Centro Hist&oacute;rico (<i>idem</i>). Estas determina&ccedil;&otilde;es revelam desde logo a necessidade de travar um processo de transforma&ccedil;&atilde;o acelerada da cidade, nomeadamente na envolvente &agrave; muralha, com a consequente impermeabiliza&ccedil;&atilde;o de vastas &aacute;reas, a destrui&ccedil;&atilde;o de solos agr&iacute;colas e perdendo-se a diferencia&ccedil;&atilde;o entre o espa&ccedil;o rural e o espa&ccedil;o urbano &ndash; uma identidade at&eacute; ent&atilde;o marcada pelo respeito pelos valores naturais e culturais.</p>     <p>Carvalho (2003:131-132) refere que esta diferencia&ccedil;&atilde;o entre rural e urbano se tornou mais amb&iacute;gua ao longo do s&eacute;culo XX, mesmo quando os per&iacute;metros urbanos s&atilde;o definidos legalmente em Planos de Urbaniza&ccedil;&atilde;o, indispens&aacute;veis &agrave; gest&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o municipal: &ldquo;(...) o plano-zonamento n&atilde;o se mostra suficiente. O caso de &Eacute;vora demonstra-o bem. O Plano de Urbaniza&ccedil;&atilde;o, elaborado nos anos 70, foi respeitado e, no entanto, a Cidade n&atilde;o se mostra suficientemente estruturada, exatamente porque cresceu por zonas, de forma aut&oacute;noma aos eixos vi&aacute;rios estruturantes, antigas estradas sob as quais pendiam servid&otilde;es (...)&rdquo;. Tal atendeu a uma l&oacute;gica de defini&ccedil;&atilde;o que fica muito aqu&eacute;m da valoriza&ccedil;&atilde;o do potencial do territ&oacute;rio e da paisagem em presen&ccedil;a (Freire e Ramos, 2014).</p>     <p>Entre o in&iacute;cio dos anos &rsquo;80 e meados da d&eacute;cada de &rsquo;90 do s&eacute;culo XX, o crescimento da cidade manteve a sua estrutura radioconc&ecirc;ntrica, ocorrendo o crescimento em &aacute;reas adjacentes aos pequenos bairros, ampliando-os ou estabelecendo continuidades urbanas com eles e entre eles, tendendo para uma maior concentra&ccedil;&atilde;o (Carvalho, 2003). Os bairros clandestinos s&atilde;o recuperados e o crescimento da cidade faz-se de forma planeada. No final dos anos &rsquo;80 e in&iacute;cio dos anos &rsquo;90, assiste-se a uma expans&atilde;o da cidade para sul, com os parque e zona industrial e depois com o mercado abastecedor, ocupando vastas &aacute;reas de solos f&eacute;rteis, para o efeito desafectados do seu estatuto de prote&ccedil;&atilde;o (RAN).</p>     <p>O atual Plano de Urbaniza&ccedil;&atilde;o tem como objectivo central a qualifica&ccedil;&atilde;o da cidade como um todo, articulando atividades do Centro Hist&oacute;rico e do espa&ccedil;o extramuros (com a necess&aacute;ria reestrutura&ccedil;&atilde;o funcional da cidade).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir do momento em que o munic&iacute;pio redefiniu o seu per&iacute;metro urbano e comprovou a necessidade de utiliza&ccedil;&atilde;o dos solos classificados como RAN, para dar resposta &agrave; estrat&eacute;gia de desenvolvimento municipal, as &aacute;reas inicialmente classificadas como solo rural passaram a solo urbano, perdendo o enquadramento legal de prote&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o e alterando profundamente o seu uso &ndash; desaproveitando a sua voca&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola inicial e criando vastas &aacute;reas impermeabilizadas pela edifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como corol&aacute;rio, atualmente &Eacute;vora apresenta um n&uacute;cleo urbano antigo &ndash; denso e coeso mas em processo de despovoamento &ndash; em torno do qual se desenvolve a cidade contempor&acirc;nea &ndash; uma cintura descont&iacute;nua, fragmentada, de bairros e &aacute;reas industriais e de terci&aacute;rio que se expandiram em manchas isoladas (<a href="#f4">Figura 4</a>), onde s&atilde;o particularmente evidentes as &aacute;reas de reserva e as expectantes ao uso e ao investimento, &aacute;reas quase todas agr&iacute;colas, abandonadas ou pouco cultivadas. A l&oacute;gica da ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o marcada pela defini&ccedil;&atilde;o em sectores funcionais imp&ocirc;s-se aos factores naturais e caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias culturais da cidade.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Durante o mais recente processo de ordenamento e gest&atilde;o urbana, os sistemas tradicionais de agricultura ficaram &lsquo;adormecidos&rsquo; ou foram claramente abandonados, resultado da conjuga&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fen&oacute;menos:</p> <ul>     <li>por um lado, a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria (com os planos de ordenamento, o solo antes rural passa entretanto a ser classificado em urbano, o que constitui um investimento muito interessante para citadinos);</li>     <li>por outro, os agricultores abandonaram a atividade agr&iacute;cola, de explora&ccedil;&atilde;o de pequenas a m&eacute;dias explora&ccedil;&otilde;es, pouco produtivas e muito pouco lucrativas e foram desenvolver outras atividades principais;</li>     <li>ou ainda, o conhecido fen&oacute;meno de alguns citadinos procurarem habitar um espa&ccedil;o com caracter&iacute;sticas ainda rurais, evidenciando uma procura nost&aacute;lgica do campo (por exemplo no sector este da cidade, numa situa&ccedil;&atilde;o de transi&ccedil;&atilde;o para o espa&ccedil;o rural, onde v&aacute;rias propriedades foram divididas em grandes lotes, como resposta a este tipo de procura).</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante as diversas e profundas transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas em &Eacute;vora ao longo dos s&eacute;culos, em termos de crescimento urbano e de padr&otilde;es de vida, a componente agr&iacute;cola fez sempre &ndash; e continua a fazer &ndash; parte da sua evolu&ccedil;&atilde;o e din&acirc;mica de crescimento. A confirm&aacute;-lo, surgem agora novas formas de agricultura em espa&ccedil;o urbano, como apresentado no subcap&iacute;tulo seguinte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.2. A recente reabilita&ccedil;&atilde;o de agricultura em espa&ccedil;o urbano &ndash; hortas urbanas</b></p>     <p>As v&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es ocorridas em &Eacute;vora ao longo dos s&eacute;culos resultam, como vimos, das din&acirc;micas sociais e econ&oacute;micas instaladas em cada &eacute;poca. &Agrave;s mais recentes l&oacute;gicas de crescimento urbano, associadas ao aumento do edificado e de terrenos expectantes com vista &agrave; sua rentabiliza&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;am agora a associar-se outras, de car&aacute;cter mais ecol&oacute;gico, ambiental, pedag&oacute;gico e sociocultural, que se traduzem, entre outros, numa maior proximidade &agrave; natureza, como forma de procura de maior qualidade de vida urbana &ndash; din&acirc;micas de sinal contr&aacute;rio ao percurso seguido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, procurando-se atividades mais sustent&aacute;veis relacionadas com a agricultura em espa&ccedil;o urbano.</p>     <p>Uma das mais atuais e crescentes formas de express&atilde;o do que afirmamos &eacute; a recupera&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola em meio urbano, atrav&eacute;s das designadas hortas urbanas ou hortas sociais.</p>     <p>Em &Eacute;vora, esta pr&aacute;tica recente come&ccedil;ou a ser dinamizada em 2011 pelo munic&iacute;pio, dando resposta programada a iniciativas espont&acirc;neas que ocorrem um pouco por toda a cidade, em reduzidas faixas de terreno p&uacute;blico, na proximidade ou adjacentes &agrave; habita&ccedil;&atilde;o ou outros espa&ccedil;os vazios que o permitam (<a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O programa de cria&ccedil;&atilde;o de hortas urbanas tem como objetivos: disponibilizar gratuitamente uma parcela de terreno a todos os interessados, destinado exclusivamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o hort&iacute;cola e floricultura para consumo pr&oacute;prio; criar complementos ao rendimento econ&oacute;mico das fam&iacute;lias; promover h&aacute;bitos de alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel; fomentar pr&aacute;ticas de consumo mais equilibradas; potenciar a conviv&ecirc;ncia familiar e comunit&aacute;ria; contribuir para uma melhor consci&ecirc;ncia ambiental; promover a biodiversidade; sensibilizar e educar para o desenvolvimento sustent&aacute;vel; e potenciar o recurso compostagem, sensibilizando para a necessidade de redu&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O terreno e a &aacute;gua s&atilde;o oferecidos, gratuitamente, por um per&iacute;odo (renov&aacute;vel) de um ano cabendo &agrave; autarquia a gest&atilde;o global das hortas. As suas dimens&otilde;es podem variar entre os 25 e os 50 m<sup>2</sup>, tendo a autarquia optado, at&eacute; agora, por talh&otilde;es de 45m<sup>2</sup>, &aacute;rea que se tem revelado adequada &ndash; os horticultores conseguem ter sempre toda a parcela tratada e retiram produ&ccedil;&atilde;o suficiente para o consumo familiar (produ&ccedil;&atilde;o de frescos para uma fam&iacute;lia de quatro pessoas). As hortas s&atilde;o vedadas e dotadas de um ponto de &aacute;gua.</p>     <p>A localiza&ccedil;&atilde;o das hortas n&atilde;o est&aacute; previamente definida mas a proximidade de &aacute;reas urbanas e, sobretudo, de pontos de &aacute;gua, &eacute; determinante para a sua localiza&ccedil;&atilde;o. Atualmente existem duas &aacute;reas agr&iacute;colas deste tipo, situadas pr&oacute;ximas uma da outra, perto do aqueduto da &Aacute;gua de Prata, no sector norte da cidade (Monte e Forte de Santo Ant&oacute;nio) (<a href="#f6">Figura 6</a>), estando previsto novo espa&ccedil;o agr&iacute;cola no bairro da Malagueira, no sector oeste da cidade (onde j&aacute; se verificam ocupa&ccedil;&otilde;es espont&acirc;neas junto &agrave;s habita&ccedil;&otilde;es) (<a href="#f5">Figura 5</a>) (<a href="#f7">Figura 7</a>). De real&ccedil;ar que todas estas hortas se localizam em terrenos baldios municipais e em solos cujas caracter&iacute;sticas n&atilde;o s&atilde;o integr&aacute;veis nas &aacute;reas de RAN. Acresce o facto de n&atilde;o deterem car&aacute;cter permanente, podendo a autarquia determinar a sua extin&ccedil;&atilde;o caso necessite destas &aacute;reas para outros usos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a08f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente aos horticultores interessados, constata-se que n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre a idade ou a profiss&atilde;o e o interesse por este projeto. H&aacute; horticultores novos, de meia-idade e alguns reformados, e de todos os sectores de atividade (prim&aacute;rio, secund&aacute;rio e terci&aacute;rio).<b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </b></p>     <p>Foi atribu&iacute;do um talh&atilde;o a todos os mun&iacute;cipes inscritos nas duas primeiras hortas. De acordo com informa&ccedil;&atilde;o prestada pela autarquia, 50 mun&iacute;cipes aguardam porque s&oacute; est&atilde;o interessados caso a horta seja na sua zona de resid&ecirc;ncia (freguesia da Malagueira). Os servi&ccedil;os municipais t&ecirc;m registo de outros 30 mun&iacute;cipes interessados caso o projeto tenha continuidade. Demonstra-se, assim, a necessidade de refor&ccedil;ar as &aacute;reas disponibilizadas, ainda pouco expressivas em termos absolutos mas de grande significado face a uma oferta ainda diminuta para superar a procura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Uma proposta para a perman&ecirc;ncia e sustentabilidade do uso agr&iacute;cola em espa&ccedil;o urbano</b></p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o verificada nas din&acirc;micas urbanas ao longo dos tempos demonstram que, apesar de o crescimento urbano estar associado ao aumento do edificado, a agricultura em espa&ccedil;o urbano &eacute; uma constante &ndash; ainda que assumindo import&acirc;ncia e forma diferenciadas decorrentes da evolu&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas enunciadas, confirmados no caso estudo.</p>     <p>Atualmente, assiste-se a um renascer do interesse da atividade agr&iacute;cola em espa&ccedil;o urbano, onde se evidenciam preocupa&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas, pedag&oacute;gicas e culturais, a par das socioecon&oacute;micas, como anteriormente afirmado.</p>     <p>A integra&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas agr&iacute;colas no modelo de desenvolvimento urbano &ndash; constituindo uma nova fun&ccedil;&atilde;o na cidade, dando resposta programada a uma procura existente e ainda insuficiente e tirando partido dos benef&iacute;cios que estas &aacute;reas proporcionam no espa&ccedil;o urbano &ndash; tem vindo a ser equacionada e defendida por diferentes autores de diversas &aacute;reas disciplinares.</p>     <p>Telles (1996) defende essa integra&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do conceito de <i>paisagem global</i>, que expressa a inexist&ecirc;ncia de barreiras r&iacute;gidas entre espa&ccedil;os urbanos e rurais. Uma proposta que, por um lado, reconhece as interdepend&ecirc;ncias entre esses espa&ccedil;os e, por outro, pode ser observada como estrutura fundamental ao desenho da paisagem, convocando a integra&ccedil;&atilde;o das componentes naturais e culturais. Esta ideia &eacute; tamb&eacute;m defendida por Alexander <i>et al.</i> (1997), simbolizando-a nos <i>dedos urbanos e dedos rurais</i> entrela&ccedil;ados. Carvalho (2003) apresenta uma ideia an&aacute;loga, ao explorar o conceito de <i>cidade campestre</i>, que corresponde &agrave; interpenetra&ccedil;&atilde;o cidade/campo, ideia ainda valorizada no conceito de <i>campo urbano</i> por Donadieu e Fleury (2003) ou por Forman (2004) no conceito de <i>mosaico paisag&iacute;stico</i>, ensaiado para a regi&atilde;o de Barcelona.</p>     <p>Matos (2010:286) considera a agricultura urbana &ldquo;n&atilde;o apenas como um factor de produ&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m como detentora de um grande potencial para o recreio sob o ponto de vista social, econ&oacute;mico, ecol&oacute;gico, cultural e est&eacute;tico [considerando-a] como uma estrutura fundamental na re-conceptualiza&ccedil;&atilde;o do projecto do espa&ccedil;o urbano.&rdquo;.</p>     <p>Numa perspetiva de concretiza&ccedil;&atilde;o destas ideias, Donadieu e Fleury (2003) defendem a necessidade de legitimar pol&iacute;tica e socialmente o regresso da agricultura nos espa&ccedil;os urbanos. Carvalho (2003:515) concretiza-o na proposta de cria&ccedil;&atilde;o do estatuto de <i>&aacute;reas agr&iacute;colo-florestais de cidade</i>, referindo que &ldquo;(...) elas existem, actualmente, no territ&oacute;rio urbano, quase sempre expectantes, muitas vezes em processo de degrada&ccedil;&atilde;o, espreitando a oportunidade de se tornarem urbaniz&aacute;veis&rdquo;. O autor refere que estas &aacute;reas seriam constitu&iacute;das pelas &aacute;reas de RAN e de REN intercalares ao espa&ccedil;o urbano (que poderiam ser revistas), complementadas com outras &aacute;reas onde as antigas estruturas agr&iacute;colas ainda est&atilde;o presentes (podendo ser consideradas patrim&oacute;nio) e por outras que conferissem estrutura e coer&ecirc;ncia ao conjunto. Com um estatuto espec&iacute;fico traduzido em regras de ocupa&ccedil;&atilde;o claras, estas &aacute;reas &ldquo;e, sobretudo, os seus programas de ocupa&ccedil;&atilde;o corresponderiam &agrave; recusa de &lsquo;vazios&rsquo;, &agrave; ideia de que n&atilde;o basta proibir a constru&ccedil;&atilde;o, de que &eacute; necess&aacute;rio que todos os espa&ccedil;os da cidade tenham uma fun&ccedil;&atilde;o, e de que &eacute; necess&aacute;rio, tamb&eacute;m, planear [todos os espa&ccedil;os da] paisagem.&rdquo; (idem:516).</p>     <p>Nesta perspectiva, no sentido de dar resposta &agrave;quela integra&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante criar mecanismos que a possam concretizar de forma programada. Considera-se assim que, &agrave; semelhan&ccedil;a de outras categorias de usos e fun&ccedil;&otilde;es estabelecidos nos diferentes planos &ndash; como espa&ccedil;os comerciais, industriais e habitacionais, entre outros &ndash; tamb&eacute;m a agricultura seja considerada uma classe de espa&ccedil;os, com &aacute;reas e regras de ocupa&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o claras e bem definidas, dentro do per&iacute;metro urbano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m da cria&ccedil;&atilde;o de novas &aacute;reas para este fim, considera-se fundamental, no momento presente, reavaliar as fun&ccedil;&otilde;es existentes e os valores em presen&ccedil;a &ndash; particularmente nas &aacute;reas que no interior do per&iacute;metro urbano inicialmente se inscreviam dentro dos solos mais aptos &agrave; agricultura (RAN) e que entretanto foram desafectados. A proposta assenta na ideia de reconverter usos existentes e espa&ccedil;os programados associados a fun&ccedil;&otilde;es &lsquo;consideradas urbanas&rsquo; &ndash; outrora criados numa l&oacute;gica de resposta (excessiva) a uma procura (tamb&eacute;m excessiva) por espa&ccedil;os edificados (habita&ccedil;&atilde;o, com&eacute;rcio e ind&uacute;stria) &ndash; &aacute;reas fortemente impermeabilizadas e presentemente em processo de decl&iacute;nio ou abandono e outras que se mant&ecirc;m expectantes ao longo dos anos, face &agrave; realidade atual.</p>     <p>A esta <b>reconvers&atilde;o funcional</b> de usos existentes e/ou previstos, acrescem valores de import&acirc;ncia &uacute;nica para a manuten&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade das cidades &ndash; revigorar a cultura da terra, com valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio natural e cultural, nomeadamente o patrim&oacute;nio solo agr&iacute;cola.</p>     <p>A nossa proposta vai assim mais longe na medida em que se considera que, para al&eacute;m das atuais &aacute;reas acima identificadas, as &aacute;reas edificadas em solo inicialmente rural e transformado em solo urbano (muitas delas com potencialidades para ser integradas em &aacute;reas RAN e que perderam o seu estatuto de prote&ccedil;&atilde;o), sejam reconvertidas em &aacute;reas de solo rural e integradas nesta nova classe de espa&ccedil;os agr&iacute;colas a integrar na cidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Alexander, C., Ishikawa, S., Silverstein, M., Jacobson, M., Fiksdahl-King, I. &amp; Angel, S. (1997). A Pattern Language: Towns, Buildings, Construction. New York, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S2182-1267201400020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Batista, D. (2009). Paisagem, cidade e patrim&oacute;nio. O sistema urbano Olh&atilde;o- Faro-Loul&eacute;. Doutoramento, Universidade de &Eacute;vora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S2182-1267201400020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Beirante, A. (1995). &Eacute;vora na Idade M&eacute;dia, Textos Universit&aacute;rios de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas. Lisboa, FCG/JNICT.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S2182-1267201400020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Caldas, E. (1994). A evolu&ccedil;&atilde;o da paisagem agr&aacute;ria. Paisagem. M. Cancela D&rsquo;abreu (coord.). Lisboa, Dire&ccedil;&atilde;o Geral do Ordenamento do Territ&oacute;rio e Desenvolvimento Urbano: 11-28.</p>     <!-- ref --><p>C&acirc;mara Municipal &Eacute;vora (2011). Plano de Urbaniza&ccedil;&atilde;o. &Eacute;vora, C&acirc;mara Municipal de &Eacute;vora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S2182-1267201400020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Carapinha, A. (1995). Da ess&ecirc;ncia do Jardim Portugu&ecirc;s. Doutoramento, Universidade de &Eacute;vora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S2182-1267201400020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carvalho, J. (1990). &Eacute;vora, Administra&ccedil;&atilde;o Urban&iacute;stica. &Eacute;vora, C&acirc;mara Municipal de &Eacute;vora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S2182-1267201400020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carvalho, J. (2003). Ordenar a cidade. Coimbra, Quarteto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S2182-1267201400020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Daveau, S. (1995). Portugal Geogr&aacute;fico. Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Jo&atilde;o S&aacute; Da Costa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S2182-1267201400020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Domingues, A. (2011). Vida no campo. Porto, Dafne Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S2182-1267201400020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Donadieu P. &amp; Fleury A. (2003). &ldquo;La construction contemporaine de la ville-campagne en Europe / The modern construction of a &laquo;country town&raquo; in Europe&rdquo;. G&eacute;ographie Alpine, <b>91</b>(4): 19-29.</p>     <!-- ref --><p>Forman, R. (2004). Land Mosaic for the Greater Barcelona Region: Planning a Future. Barcelona, Gustavo Gili.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S2182-1267201400020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Freire, M. &amp; Ramos, I. (2014). &ldquo;Shocking ShoppingScapes&rdquo;. Arquitectura e Educa&ccedil;&atilde;o, <b>0</b>(8-9): 407-426.</p>     <!-- ref --><p>Hough, M. (1995). Cities and Natural Process. New York, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S2182-1267201400020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jorge, F. (coord.) (2007). Portugal visto do C&eacute;u. Lisboa, Editora <i>Argumentum</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S2182-1267201400020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Machado, J. (1991). Grande Dicion&aacute;rio da L&iacute;ngua Portuguesa, vol. VI. Lisboa, Circulo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S2182-1267201400020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Magalh&atilde;es, M. (2001). A arquitectura paisagista. Morfologia e complexidade. Lisboa, Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S2182-1267201400020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Magalh&atilde;es, M. (2011). &ldquo;Agricultura urbana e peri-urbana. Porqu&ecirc;?&rdquo;. Resumo Semin&aacute;rio A agricultura &agrave; volta da cidade, Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Horticultura, Lisboa, 8 julho.</p>     <!-- ref --><p>Marques, A. (1968). Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria da agricultura em Portugal. Lisboa, Cosmos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S2182-1267201400020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Matos, R. (2010). A Reinven&ccedil;&atilde;o da Multifuncionalidade da Paisagem em Espa&ccedil;o Urbano &ndash; Reflex&otilde;es. Doutoramento, Universidade de &Eacute;vora.</p>     <!-- ref --><p>McHarg, I. (1969). Design with Nature. New York, John Willey &amp; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S2182-1267201400020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Moniz, M. (1995). &ldquo;Os sub&uacute;rbios de &Eacute;vora nos princ&iacute;pios do s&eacute;culo XXI&rdquo;. Revista de Guimar&atilde;es, 105: 219-250.</p>     <!-- ref --><p>Pinto, R. (2007). Hortas urbanas: Espa&ccedil;os para o desenvolvimento sustent&aacute;vel de Braga. Mestrado, Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S2182-1267201400020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramos, I., Sobral, J. E Abreu, A. (1997). O desenvolvimento urbano de cidades m&eacute;dias e a articula&ccedil;&atilde;o territorial com o mundo rural - o exemplo de &Eacute;vora. JNICT/DGOT, Universidade de &Eacute;vora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S2182-1267201400020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Reserva Agr&iacute;cola Nacional (2009), Decreto-Lei n.&ordm; 73/2009, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 1.&ordf; s&eacute;rie, n&ordm; 63, 31 Mar&ccedil;o 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S2182-1267201400020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Reserva Ecol&oacute;gica Nacional (2012), Decreto-Lei n.&ordm; 239/2012, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 1.&ordf; s&eacute;rie, n&ordm; 212, 2 Novembro 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S2182-1267201400020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ruano, M. (1999). Ecourbanismo, entornos humanos sostenibles: 60 proyectos<i>. </i>Barcelona, Editorial Gustavo Gili.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S2182-1267201400020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Simpl&iacute;cio, M. (2009). &ldquo;Evolu&ccedil;&atilde;o da Estrutura Urbana de &Eacute;vora: o s&eacute;culo XX e a transi&ccedil;&atilde;o para o s&eacute;culo XXI&rdquo;. A Cidade de &Eacute;vora, 7, II s&eacute;rie.</p>     <p>Telles, G. R. (1996). Um novo conceito de cidade: a paisagem global. Confer&ecirc;ncias de Matosinhos, C.M. Matosinhos, Matosinhos, Contempor&acirc;nea Editora, 7-20.</p>     <!-- ref --><p>Waldheim, C. (2006). The Landscape Urbanism Reader. New York, Prince.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S2182-1267201400020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Vers&atilde;o adaptada do artigo apresentado no &ldquo;6th International Conference on Urbanism Research (VISIIU)&rdquo;,&nbsp;Escola de Arquitetura de Barcelona, 19-20 Junho de&nbsp;2014, com o titulo &ldquo;Agricultura em espa&ccedil;o urbano: din&acirc;micas antigas e recentes. O caso estudo da cidade de &Eacute;vora&rdquo;</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Enquanto a RAN integra os melhores solos agr&iacute;colas a REN integra as &aacute;reas de maior sensibilidade ecol&oacute;gica (cursos de &aacute;gua e faixas envolventes, &aacute;reas de m&aacute;xima infiltra&ccedil;&atilde;o, &aacute;reas com declives muito acentuados, entre outras situa&ccedil;&otilde;es).&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> &Agrave; <i>agricultura periurbana</i>, correspondem outras caracter&iacute;sticas e objetivos. Ao contr&aacute;rio da agricultura urbana, trata-se de uma agricultura comercial, decorre de um uso planeado, assumido pelos munic&iacute;pios ou pelo poder central, preconizada nas &aacute;reas de maior sensibilidade e valor ecol&oacute;gico, onde se defende que edifica&ccedil;&atilde;o seja proibida (Magalh&atilde;es, 2011).</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Ratificado apenas em 1985.</p>      ]]></body><back>
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