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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O pensamento geográfico nos alunos do ensino básico, com base na taxonomia do pensamento espacial]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The discipline of Geography has a descriptive component that reveals the construction&#8217;s processes of geographical thought of the students and their knowledge structures. The analysis of geographical descriptions and interpretations of students&#8217; Basic Education, at Dr.º Francisco Sanches School, in Braga, allowed us to observe the types of spatial concepts, representations and reasoning that students mobilize the formulation of geographical thought. According to the taxonomy of spatial thinking by Jo and Bednarz (2009) reveals the prevalence of simple-spatial concepts, the use of geographic representations and the mobilization of cognitive process and lower intermediate level. It was still observed the realization of inferences in an autonomous and creative mode.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O pensamento geogr&aacute;fico nos alunos do ensino b&aacute;sico, com base na taxonomia do pensamento espacial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Freitas, Rui<sup>1</sup>; Almeida, Marisa<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade do Minho; <a href="mailto:ruifreitas79@hotmail.com">ruifreitas79@hotmail.com</a>&nbsp;</p>     <p><sup>2</sup>Universidade do Porto; <a href="mailto:marisalmeida87@gmail.com">marisalmeida87@gmail.com</a> &nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>A disciplina de Geografia possui uma componente descritiva atrav&eacute;s da qual se observam os processos de constru&ccedil;&atilde;o do pensamento geogr&aacute;fico dos alunos e as suas estruturas de conhecimento. A an&aacute;lise das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas dos alunos do Ensino B&aacute;sico, de Escola Dr.&ordm; Francisco Sanches, em Braga, teve como intuito observar a tipologia de conceitos espaciais, representa&ccedil;&otilde;es e racioc&iacute;nios que os alunos mobilizam na formula&ccedil;&atilde;o do pensamento geogr&aacute;fico.</p>     <p>Atrav&eacute;s da taxonomia do pensamento espacial de Jo e Bednarz (2009) constatou-se a preval&ecirc;ncia de conceitos espaciais simples, a utiliza&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de processos cognitivos de n&iacute;vel inferior e interm&eacute;dio. Foi ainda observada a realiza&ccedil;&atilde;o de infer&ecirc;ncias e a resolu&ccedil;&atilde;o das atividades de modo aut&oacute;nomo e criativo.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: educa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica; descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas; pensamento espacial; taxonomia.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The discipline of Geography has a descriptive component that reveals the construction&rsquo;s processes of geographical thought of the students and their knowledge structures. The analysis of geographical descriptions and interpretations of students&rsquo; Basic Education, at Dr.&ordm; Francisco Sanches School, in Braga, allowed us to observe the types of spatial concepts, representations and reasoning that students mobilize the formulation of geographical thought.</p>     <p>According to the taxonomy of spatial thinking by Jo and Bednarz (2009) reveals the prevalence of simple-spatial concepts, the use of geographic representations and the mobilization of cognitive process and lower intermediate level. It was still observed the realization of inferences in an autonomous and creative mode.</p>     <p><b>Keywords:</b> geographical education; geographical descriptions and interpretations; spatial thinking; taxonomy.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Na disciplina de Geografia a mobiliza&ccedil;&atilde;o de conceitos geogr&aacute;ficos, a contextualiza&ccedil;&atilde;o, a argumenta&ccedil;&atilde;o e a infer&ecirc;ncia de dados geogr&aacute;ficos possibilitam a an&aacute;lise das experi&ecirc;ncias e das aprendizagens espec&iacute;ficas dos alunos na constru&ccedil;&atilde;o de esquemas concetuais, a partir de informa&ccedil;&otilde;es assimiladas, categorizadas e manipuladas. O modelo taxon&oacute;mico de Jo e Bednarz (2009), usado para avaliar manuais escolares nos EUA, permitiu observar &ldquo;the use of spatial concepts such as distance, direction and region; tools of representation like maps and graphs; along with the appropriate thinking processes, to conceptualize and solve problems&rdquo; (Jo, Bednarz e Metoyer, 2010: 49) baseado no NRC (2006) &ndash; <i>National Research Council</i> dos EUA. O estudo dos manuais escolares de Geografia constitui, neste sentido, um importante contributo para o desenvolvimento do <i>spatial thinking</i> nos alunos (Jo &amp; Bednarz,2009). Acredita-se que a taxonomia do pensamento espacial pode ser um instrumento norteador pertinente na an&aacute;lise da constru&ccedil;&atilde;o do pensamento geogr&aacute;fico dos alunos e, por esta via, permitir avaliar a literacia espacial (Martinha, 2011).</p>     <p>Por conseguinte, o presente estudo procurou determinar <i>como os alunos do Ensino B&aacute;sico constroem o pensamento geogr&aacute;fico? Que tipo de conhecimentos e informa&ccedil;&otilde;es mobilizam? </i></p>     <p>O objetivo geral foi caraterizar o tipo de descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas que os alunos adotam na formula&ccedil;&atilde;o e na transmiss&atilde;o de conhecimentos. A tem&aacute;tica escolhida foi o relevo: as diferentes formas de relevo e a sua forma&ccedil;&atilde;o, conforme o Programa da disciplina de Geografia do Ensino B&aacute;sico. A ficha como proposta de exerc&iacute;cio foi implementada em contexto real de sala de aula, depois da exposi&ccedil;&atilde;o, an&aacute;lise e debate da mat&eacute;ria em sum&aacute;rio.</p>     <p>Procur&aacute;mos, assim, observar o tipo de conceitos geogr&aacute;ficos e de racioc&iacute;nios mobilizados pelos alunos, a partir da an&aacute;lise do conte&uacute;do das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas elaboradas por eles. Por fim, equacion&aacute;mos o modo como o pensamento geogr&aacute;fico pode ser incorporado no estudo da Geografia, atrav&eacute;s da formula&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o de perguntas de pensamento geogr&aacute;fico e quest&otilde;es de n&iacute;vel superior que permitam o desenvolvimento de processos de racioc&iacute;nio mais prop&iacute;cios &agrave; concetualiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de problemas.</p>     <p>Em Portugal, o estudo dos manuais escolares de Geografia foi desenvolvido por Martinha (2011) com o intuito de determinar em que medida estes materiais did&aacute;ticos contribuem para o desenvolvimento do denominado <i>spatial thinking</i>. Seguindo o contributo te&oacute;rico e cient&iacute;fico de estudos anteriores, pretendeu-se observar, em contexto real de sala de aula, como se processa o pensamento geogr&aacute;fico dos alunos do Ensino B&aacute;sico e a forma como estes mobilizam as diferentes categorias de conceitos propostos pela Taxonomia de Pensamento Espacial (Jo &amp; Bednarz,2009), dimens&atilde;o pela qual salientamos o car&aacute;ter inovador deste estudo em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. A Educa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica no Ensino B&aacute;sico</b></p>     <p>Atendendo ao Curr&iacute;culo do Ensino B&aacute;sico, o objetivo do ensino da Geografia consiste na forma&ccedil;&atilde;o do pensamento espacial dos alunos enquanto instrumento de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade e de constru&ccedil;&atilde;o da cidadania do indiv&iacute;duo. Neste processo, cabe portanto ao professor propiciar os elementos te&oacute;ricos e os meios cognitivos e operacionais necess&aacute;rios ao desenvolvimento da consci&ecirc;ncia do espa&ccedil;o, dos fen&oacute;menos e dos processos integrantes da pr&aacute;tica social. Ambiciona-se &ldquo;o desenvolvimento do pensamento espacial e forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os geograficamente competentes, ativos e intervenientes na sociedade&rdquo; (CNEB, 2001: 18).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As compet&ecirc;ncias essenciais da Geografia foram definidas de modo a centrar a aprendizagem da disciplina na procura de informa&ccedil;&atilde;o, na observa&ccedil;&atilde;o, na elabora&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses, na tomada de decis&otilde;es, no desenvolvimento do pensamento cr&iacute;tico, na prossecu&ccedil;&atilde;o do trabalho em equipa e na realiza&ccedil;&atilde;o de projetos, assim como na forma&ccedil;&atilde;o para a cidadania:</p>     <p><b>&ldquo;A educa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica utiliza as dimens&otilde;es conceptual e instrumental do conhecimento geogr&aacute;fico para proporcionar aos alunos oportunidades de desenvolverem compet&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas e, nessa medida, a geografia desempenha um papel formativo no desenvolvimento e forma&ccedil;&atilde;o para a cidadania&rdquo; (CNEB, 2001: 5).</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Esse modo de pensar geogr&aacute;fico &eacute; importante para a realiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas sociais variadas, uma vez que as mesmas s&atilde;o sempre pr&aacute;ticas socio-espaciais. Souza (2011) aponta, neste sentido, que a constru&ccedil;&atilde;o do pensamento espacial decorre de processos epist&eacute;micos pr&oacute;prios da did&aacute;tica da Geografia que, por sua vez, se fundamentam nas teorias e metodologias pr&oacute;prias da Filosofia, da Psicologia e da Educa&ccedil;&atilde;o. Isso significa que a no&ccedil;&atilde;o de Geografia como ci&ecirc;ncia que compreende a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, a no&ccedil;&atilde;o de media&ccedil;&atilde;o da psicologia hist&oacute;rico-cultural de Vygotski (1998) e a no&ccedil;&atilde;o de retifica&ccedil;&atilde;o do erro da filosofia bachelardiana s&atilde;o, para o autor, os fundamentos para um pensamento espacial cr&iacute;tico.</p>     <p>Vygotski (1998) refere que o meio social e cultural ocupa espa&ccedil;os significativos no entendimento da participa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo no espa&ccedil;o, bem como o processo de aprendizagem. Para isso, ele cria a no&ccedil;&atilde;o de estrutura&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas superiores, um princ&iacute;pio que prop&otilde;em a an&aacute;lise de como o meio social age no indiv&iacute;duo, criando fun&ccedil;&otilde;es superiores de origem essencialmente social. Com esta posi&ccedil;&atilde;o, Vygotski (1998) op&otilde;e-se &agrave; teoria de Piaget por conceber que o desenvolvimento segue, n&atilde;o no sentido da socializa&ccedil;&atilde;o, mas no da convers&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais em fun&ccedil;&otilde;es mentais.</p>     <p>Na mesma linha, Jodelet (1985) concebeu as representa&ccedil;&otilde;es sociais como modalidades de conhecimento pr&aacute;tico orientadas para a comunica&ccedil;&atilde;o e para a compreens&atilde;o do contexto social, material e concetual em que vivemos. Apesar de se manifestar atrav&eacute;s dos elementos cognitivos &mdash; imagens, conceitos, categorias, teorias &mdash; o conhecimento n&atilde;o se reduz aos seus componentes cognitivos: &eacute; tamb&eacute;m socialmente elaborado e partilhado. Por conseguinte, &ldquo;a<i>s representa&ccedil;&otilde;es sociais devem ser estudadas articulando elementos afetivos, mentais, sociais, integrando a cogni&ccedil;&atilde;o, a linguagem e a comunica&ccedil;&atilde;o &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais que afetam as representa&ccedil;&otilde;es sociais e &agrave; realidade material, social e ideativa sobre a qual elas interv&ecirc;m</i>&rdquo; (Jodelet, 1989).</p>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o vivido resultam, assim, de representa&ccedil;&otilde;es dos fen&oacute;menos sociais que, n&atilde;o obstante o seu conte&uacute;do cognitivo, t&ecirc;m de ser entendidos a partir do seu contexto de produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A teoria das representa&ccedil;&otilde;es sociais de Moscovici (1988) partia da premissa de que existem formas diferentes de conhecer e de comunicar o conhecimento &ndash; eram estas estruturas din&acirc;micas, distinguidas pela sua flexibilidade e permeabilidade, ao contr&aacute;rio das representa&ccedil;&otilde;es coletivas de Durkheim ou, mesmo, das representa&ccedil;&otilde;es culturais de Sperber (1989).</p>     <p>Segundo Moscovici (1988) as representa&ccedil;&otilde;es sociais constituem uma reabilita&ccedil;&atilde;o do senso comum, do saber popular, do conhecimento do cotidiano e do conhecimento pr&eacute;-te&oacute;rico de que falavam Berger e Luckmann (1978). Moscovici (1988) reconhece assim que, ao enfatizar o poder de cria&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es sociais, assumindo o seu car&aacute;ter duplo de &ldquo;estruturas estruturadas&rdquo; e &ldquo;estruturas estruturantes&rdquo;, inscreve a sua abordagem no construtivismo, ou num &acirc;mbito mais geral no &ldquo;terceiro movimento das teorias do conhecimento&rdquo; que surgiu em simult&acirc;neo com o paradigma da &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o social da realidade&rdquo; de Berger &amp; Luckmann (1966) (Spink, 1993: 303).</p>     <p>O Curr&iacute;culo Nacional para o Ensino B&aacute;sico reconhece, no mesmo sentido, que &ldquo; a<i> intera&ccedil;&atilde;o que cada indiv&iacute;duo estabelece diariamente com o meio ajuda a construir o conhecimento do espa&ccedil;o&rdquo; tal como acontece, por exemplo, com a compet&ecirc;ncia da localiza&ccedil;&atilde;o que se desenvolve desde o nascimento</i> (C&acirc;mara, et. al, 2001: 6). A Geografia n&atilde;o se apresenta como um cat&aacute;logo composto com base na memoriza&ccedil;&atilde;o e na localiza&ccedil;&atilde;o de factos geogr&aacute;ficos isolados mas antes como &ldquo;um livro aberto&rdquo; sobre o Homem, sobre a forma como ele se organiza no espa&ccedil;o e sobre as rela&ccedil;&otilde;es que estabelece com o meio (Bailly et al., 2009: 19).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deste modo, a Geografia cumpre o seu prop&oacute;sito de tornar os alunos capazes de visualizar os factos e de os descrever atrav&eacute;s de mapas mentais. Al&eacute;m disso, pretende o Curr&iacute;culo que o aluno seja capaz de analisar e interpretar de forma cr&iacute;tica as informa&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e de relacionar conceitos como &ldquo;identidade territorial&rdquo;, &ldquo;patrim&oacute;nio&rdquo;, &ldquo;individualidade regional&rdquo; e &ldquo;cultura&rdquo; (CNEB, 2001: 108-109).</p>     <p>A Geografia &eacute;, assim, a disciplina consagrada ao estudo do espa&ccedil;o terrestre e da sua influ&ecirc;ncia na identidade, na hist&oacute;ria e no sentimento de perten&ccedil;a a um povo, assim como a ordem regional e as formas do homem se organizar no espa&ccedil;o. O dom&iacute;nio da Geografia permite-nos, por conseguinte, desenvolver o &ldquo;pensamento geogr&aacute;fico&rdquo; enquanto capacidade de reunir e mobilizar um conjunto de conceitos e de ideias que nos permitem estabelecer conex&otilde;es entre os lugares, analisar a sua organiza&ccedil;&atilde;o humana, as formas de intera&ccedil;&atilde;o e as escalas que implicam, sendo para tal mobilizado conhecimento pr&eacute;vio e subjetivo do espa&ccedil;o vivido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2. O pensamento geogr&aacute;fico e a literacia espacial</b></p>     <p>O prop&oacute;sito da Geografia consiste, como vimos no ponto anterior, na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos sistematizados e geograficamente enquadrados num determinado espa&ccedil;o, onde se cruzam as experi&ecirc;ncias vividas e os conceitos geogr&aacute;ficos, motivo pelo qual a Geografia &eacute; considerada como uma disciplina que se encontra entre as Ci&ecirc;ncias Naturais e as Ci&ecirc;ncias Sociais. &Eacute; atrav&eacute;s dela e nela que se procuram respostas para as quest&otilde;es que o Homem coloca sobre o Meio F&iacute;sico e Humano, reunindo e transmitindo conhecimentos acerca das diferentes culturas e o modo como os espa&ccedil;os est&atilde;o relacionados (CNEB, 2001: 107).</p>     <p>Assim, se por um lado importa conhecer a altitude da ilha do Pico (2351m), no arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores, ou o ponto mais alto de Portugal Continental, na Serra da Estrela (1993m), &eacute; ainda mais relevante compreender a forma&ccedil;&atilde;o e a evolu&ccedil;&atilde;o destes maci&ccedil;os montanhosos, bem como a sua influ&ecirc;ncia no clima, no aprovisionamento da &aacute;gua, no desenvolvimento da vegeta&ccedil;&atilde;o, na fixa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, na atratividade tur&iacute;stica e na afirma&ccedil;&atilde;o de uma identidade territorial.</p>     <p>Segundo Castellar (2005) a literacia visual geogr&aacute;fica constitui-se como uma estrat&eacute;gia de express&atilde;o, a montante e a jusante do conhecimento geogr&aacute;fico. Tal explica-se, no caso dos mapas, por estes poderem apresentar-se como o ponto a partir do qual se explana e se interpreta o conhecimento geogr&aacute;fico e, por outro lado, como uma ferramenta utilizada, desde a Antiguidade, para representar o conhecimento geogr&aacute;fico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p><i>&ldquo;Os mapas e as imagens presentes nas aulas s&atilde;o procedimentos, ou seja, estrat&eacute;gias de aprendizagem que possibilitam aos alunos trazer para a discuss&atilde;o o conhecimento pr&eacute;vio e ao mesmo tempo mobilizam habilidades mentais (classificar, analisar, relacionar, sintetizar&hellip;) e estimulam a percep&ccedil;&atilde;o, bem como a observa&ccedil;&atilde;o e a compara&ccedil;&atilde;o das influ&ecirc;ncias culturais existentes nos diferentes lugares. Permitem ainda que os alunos entendam os mapas como constru&ccedil;&otilde;es sociais que transmitem ideias e conceitos sobre o mundo, apesar da pretendida neutralidade e objetividade que os meios t&eacute;cnicos utilizam para confecion&aacute;-los</i>&rdquo; (Castellar, 2005: 221).</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Como tal, o estudo da Geografia permite formar cidad&atilde;os capazes de integrar diversos saberes &ndash; ambiental, social, econ&oacute;mico e cultural &ndash; cujo impacto em cada unidade de territ&oacute;rio s&atilde;o capazes de identificar, permitindo a forma&ccedil;&atilde;o de um saber integrado e coerente. O Ensino da Geografia constitui-se, assim, fundamental na compreens&atilde;o de problemas atuais uma vez que estes possuem uma forte componente territorial, como acontece com as tem&aacute;ticas da Geopol&iacute;tica.</p>     <p>O objetivo do ensino da Geografia &eacute; o de tornar os alunos capazes de visualizar os factos e de os descrever atrav&eacute;s de mapas mentais (Melo, Coelho &amp; Santos, 2010). A Geografia tem como miss&atilde;o fazer compreender a organiza&ccedil;&atilde;o do Homem, as atividades na Terra, assim como explicar as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre o meio e a sociedade e, por fim, aplicar os conhecimentos reunidos na organiza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel e equilibrada do espa&ccedil;o.</p>     <p>Uma reflex&atilde;o sobre a literacia espacial e o pensamento geogr&aacute;fico &eacute; essencial para a compreens&atilde;o da tomada de decis&otilde;es e da aprendizagem dos alunos. A literacia espacial &eacute; apontada como uma forma fundamental de literacia na medida em que incorpora um leque alargado de disciplinas e carreiras, n&atilde;o s&oacute; para especialistas geoespaciais, como tamb&eacute;m para toda a sociedade nas suas realiza&ccedil;&otilde;es e na forma como esta utiliza os recursos de que disp&otilde;e (Bednarz &amp; Kemp, 2011). H&aacute; ainda um reconhecimento crescente de que a literacia espacial &eacute; t&atilde;o importante como a literacia matem&aacute;tica (num&eacute;rica) e a literacia cl&aacute;ssica (a capacidade de ler e escrever).</p>     <p>Nos EUA, a Academia Nacional de Ci&ecirc;ncias (2006) definiu o pensamento espacial como uma componente-chave da literacia espacial, ou seja, como "o cerne de muitas grandes descobertas em ci&ecirc;ncia, que est&atilde;o na base de muitas das atividades da for&ccedil;a de trabalho moderna, e que permeia as atividades quotidianas da vida moderna". Neste sentido, a literacia espacial &eacute; um componente de muitas profiss&otilde;es e carreiras como a arquitetura, a engenharia, a medicina, ao controle de tr&aacute;fego a&eacute;reo e as artes, por exemplo. Para os ge&oacute;grafos, e outros estudiosos envolvidos no estudo do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico, ser capaz de pensar em, com e atrav&eacute;s do espa&ccedil;o &eacute; ser espacialmente proficiente e, portanto, &eacute; algo cada vez mais valioso.</p>     <p>De acordo com a concetualiza&ccedil;&atilde;o de Goodchild e Janelle (2010), definimos a literacia espacial como &ldquo;uma ampla gama de perspetivas, conhecimentos, habilidades e h&aacute;bitos da mente, ou disposi&ccedil;&otilde;es&rdquo;. A aplica&ccedil;&atilde;o destes conhecimentos e perspetivas pode ser caracterizada como racioc&iacute;nio espacial, isto &eacute;, a habilidade de pensar de forma sub-espacial, aplicando processos espec&iacute;ficos para resolver problemas e tomar decis&otilde;es. A literacia espacial surge, assim, como o resultado do pensamento espacial e do racioc&iacute;nio espacial e, portanto, se podemos pensar e raciocinar <i>como</i> e <i>sobre</i> o espa&ccedil;o, ent&atilde;o, existe literacia espacial.</p>     <p>O estudo do <i>National Research Council</i>, dos EUA, designado <i>Learning to Think Spatially </i>(2006), prop&ocirc;s um conjunto de tr&ecirc;s componentes espaciais do <i>pensamento geogr&aacute;fico</i>. S&atilde;o elas: 1) os conceitos de espa&ccedil;o, 2) os instrumentos de representa&ccedil;&atilde;o e 3) os processos de racioc&iacute;nio. Assim, ocorre pensamento geogr&aacute;fico na medida em que s&atilde;o mobilizados conceitos espaciais, representa&ccedil;&otilde;es espaciais (como diagramas, mapas e gr&aacute;ficos) e processos cognitivos. O racioc&iacute;nio espacial passa, assim, por uma conjuga&ccedil;&atilde;o de conceitos, habilidades e abordagens cognitivas que permitem aos indiv&iacute;duos usar o espa&ccedil;o para modelar o mundo, real e imagin&aacute;rio, em pontos importantes e produtivos. Ocorre, portanto, que as formas de pensamento pr&aacute;tico s&atilde;o, concomitantemente, campos socialmente estruturados que s&oacute; podem ser compreendidos quando referidos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da sua produ&ccedil;&atilde;o e aos n&uacute;cleos estruturantes da realidade social que integram, tendo em vista seu papel na cria&ccedil;&atilde;o desta realidade (Spink, 1993: 304). O pensamento espacial surge, por conseguinte, como um processo que promove e efetiva o desenvolvimento da literacia espacial (Bednarz &amp; Bednarz, 2008).</p>     <p>Neste sentido, as quest&otilde;es formuladas, verbal ou textualmente, s&atilde;o ferramentas fundamentais para estimular o pensamento dos alunos. No entanto, importa perceber que tipologia de quest&otilde;es devem ser adotadas no sentido de facilitar o desenvolvimento das habilidades cognitivas de pensamento geogr&aacute;fico. Jo, Bednarz e Metoyer (2010) apontam um conjunto de contribui&ccedil;&otilde;es sobre como os professores de Geografia podem incorporar nas suas aulas uma ferramenta concreta para a elabora&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es prop&iacute;cias ao desenvolvimento do pensamento geogr&aacute;fico nos alunos.</p>     <p>Atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados de um estudo emp&iacute;rico e de uma revis&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas da literatura, estes investigadores sugeriram formas de incorporar o pensamento geogr&aacute;fico no estudo da Geografia, atrav&eacute;s da formula&ccedil;&atilde;o, da avalia&ccedil;&atilde;o e da aplica&ccedil;&atilde;o de perguntas de pensamento geogr&aacute;fico e de quest&otilde;es de n&iacute;vel superior que estimulam no aluno a utiliza&ccedil;&atilde;o de conceitos espaciais como a dist&acirc;ncia, a regi&atilde;o e a dire&ccedil;&atilde;o; ferramentas de representa&ccedil;&atilde;o, como os mapas e os gr&aacute;ficos; e os processos de racioc&iacute;nio adequados &agrave; concetualiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de problemas (Jo, Bednarz &amp; Metoyer, 2010: 49).</p>     <p>Os autores retomam, assim, o conceito de &ldquo;<i>pensar geogr&aacute;fico</i>&rdquo; para propor um modelo de formula&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es prop&iacute;cias ao desenvolvimento do pensamento geogr&aacute;fico, tamb&eacute;m identificado com um pensamento inferencial, abstrato e mobilizador de diferentes conceitos e perspetivas (Jo, Bednarz &amp; Metoyer, 2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com o <i>National Geography Standards</i> (1994), o pensamento espacial pode ser enquadrado atrav&eacute;s de duas quest&otilde;es: o que os alunos conhecem (sobre o espa&ccedil;o e as ferramentas de representa&ccedil;&atilde;o) e o que eles podem fazer (processos de racioc&iacute;nio) a partir dos conhecimentos que possuem.</p>     <p>Na constru&ccedil;&atilde;o do pensamento geogr&aacute;fico e partindo da aplica&ccedil;&atilde;o das ferramentas da literacia espacial cruzam-se, portanto, o conhecimento objetivo e o conhecimento subjetivo do campo socialmente estruturado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.3. A taxonomia do pensamento espacial</b></p>     <p>A taxonomia do pensamento espacial de Jo e Bednardz incorpora tr&ecirc;s componentes do pensamento espacial: (1) conceitos espaciais, (2) a utiliza&ccedil;&atilde;o de ferramentas de representa&ccedil;&atilde;o e (3) processos cognitivos. As tr&ecirc;s categorias est&atilde;o posicionadas tridimensionalmente na estrutura taxon&oacute;mica e variam segundo diferentes n&iacute;veis de abstra&ccedil;&atilde;o e dificuldade dentro de cada categoria de an&aacute;lise (Jo, Bednarz, &amp; Metoyer, 2010) conforme ilustra e exemplifica a <a href="#f1">Figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a09f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A categoria dos <i>conceitos </i>foi formulada com base na categoriza&ccedil;&atilde;o de conceitos proposta por Golledge (2002) que distingue os conceitos n&atilde;o espaciais, os conceitos espaciais primitivos, os conceitos espaciais simples e os conceitos espaciais complexos, organizados segundo uma abstra&ccedil;&atilde;o e complexidade crescentes.</p>     <p>Os <i>conceitos espaciais primitivos</i> como os de &ldquo;localiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;magnitude&rdquo;, &ldquo;escala&rdquo; e &ldquo;regi&atilde;o&rdquo; s&atilde;o fundamentais para a an&aacute;lise espacial, assim como os <i>conceitos espaciais simples,</i> como os de &ldquo;dist&acirc;ncia&rdquo; (que resulta do intervalo entre duas localiza&ccedil;&otilde;es), ou &ldquo;rede de vizinhan&ccedil;a&rdquo; (Graves, 1984). Estes conceitos constituem a base para desenvolver o pensamento geogr&aacute;fico dos alunos e, em conjunto com as ferramentas espaciais apropriadas, fornecem uma base para a conce&ccedil;&atilde;o da pesquisa, a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e a estrutura&ccedil;&atilde;o dos programas de educa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os <i>conceitos espaciais complexos</i>, por sua vez, s&atilde;o aqueles que derivam da conjuga&ccedil;&atilde;o de conceitos espaciais simples, enquanto <i>rede</i> (uma conjuga&ccedil;&atilde;o de localiza&ccedil;&otilde;es) ou <i>hierarquia</i> (que combina os conceitos de localiza&ccedil;&atilde;o, magnitude e conetividade). Por sua vez, os <i>conceitos n&atilde;o espaciais</i> s&atilde;o aqueles que <i>n&atilde;o representam qualquer no&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o</i>, como Produto Interno Bruto (PIB) e popula&ccedil;&atilde;o, por exemplo (Jo, Bednarz, &amp; Metoyer, 2010).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s <i>ferramentas de representa&ccedil;&atilde;o</i>, s&atilde;o utilizadas duas categorias na estrutura taxon&oacute;mica, que correspondem ao <i>uso</i> e ao <i>n&atilde;o uso de representa&ccedil;&atilde;o</i>, respetivamente. Segundo os autores (Jo, Bednarz, &amp; Metoyer, 2010), uma distin&ccedil;&atilde;o em termos do tipo de representa&ccedil;&atilde;o utilizada nas quest&otilde;es n&atilde;o &eacute; significativa porque tornaria mais complexa e dificultaria a an&aacute;lise. A este n&iacute;vel trata-se, antes, de identificar a utiliza&ccedil;&atilde;o, ou a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o, de uma representa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica.</p>     <p>A terceira categoria de an&aacute;lise, <i>os processos cognitivos</i>, foi segmentada em tr&ecirc;s n&iacute;veis de an&aacute;lise segundo o modelo proposto por Costa (2001): o n&iacute;vel dos <i>inputs</i>, <i>outputs</i> e <i>processing</i>. O n&iacute;vel dos <i>inputs</i> representa processos como o <i>reconhecimento</i>, a <i>defini&ccedil;&atilde;o</i>, a <i>identifica&ccedil;&atilde;o</i>, a <i>nomea&ccedil;&atilde;o</i> e a <i>listagem</i> <i>de informa&ccedil;&atilde;o</i> que foi memorizada &ndash; neste n&iacute;vel, os processos cognitivos n&atilde;o implicam um julgamento, mas lan&ccedil;am as bases para que tal seja poss&iacute;vel em n&iacute;veis superiores. Ao n&iacute;vel dos <i>outputs</i> realiza-se a produ&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos a partir da informa&ccedil;&atilde;o obtida nos n&iacute;veis inferiores de pensamento, segundo um processo de <i>avalia&ccedil;&atilde;o</i>, <i>generaliza&ccedil;&atilde;o</i> e <i>cria&ccedil;&atilde;o</i> &ndash; este tipo de racioc&iacute;nio implica j&aacute; a formula&ccedil;&atilde;o de um julgamento e corresponde a um n&iacute;vel superior de dificuldade e complexidade. No n&iacute;vel de <i>processamento</i> os alunos <i>analisam</i>, <i>classificam</i>, <i>explicam</i> e <i>comparam</i> a informa&ccedil;&atilde;o adquirida no n&iacute;vel dos <i>inputs</i>. Encontramo-nos aqui perante processos cognitivos que exigem o reconhecimento de informa&ccedil;&atilde;o assimilada no n&iacute;vel anterior (Jo, Bednarz, &amp; Metoyer, 2010).</p>     <p>As tr&ecirc;s componentes do pensamento espacial s&atilde;o representadas na estrutura tridimensional da taxonomia que &eacute; constitu&iacute;da por 24 c&eacute;lulas. Cada c&eacute;lula &eacute; &uacute;nica e cruza as tr&ecirc;s componentes do pensamento espacial que envolve (segundo a organiza&ccedil;&atilde;o tridimensional da mesma).</p>     <p>Por exemplo, a c&eacute;lula 1 representa um conceito n&atilde;o espacial, que n&atilde;o mobiliza uma representa&ccedil;&atilde;o, nem um n&iacute;vel de entrada e de processamento cognitivo, assim n&atilde;o tem nada que estimule o pensamento espacial. No extremo oposto, a c&eacute;lula 24 representa um conceito espacial complexo que mobiliza a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o espacial e implica um n&iacute;vel de processamento cognitivo que est&aacute; associado a um n&iacute;vel mais complexo de pensamento espacial.</p>     <p>Como vimos pelos exemplos demonstrados, a taxonomia proposta por Jo e Bednarz (2009) constitui-se como uma ferramenta para a conce&ccedil;&atilde;o e a sele&ccedil;&atilde;o de perguntas que integram os tr&ecirc;s componentes do espa&ccedil;o, evoluindo em termos de n&iacute;veis compar&aacute;veis de conceitos, processos cognitivos e de representa&ccedil;&atilde;o espacial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Metodologia</b></p>     <p>O estudo pretendeu analisar, numa perspetiva qualitativa, a constru&ccedil;&atilde;o das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas dos alunos do 7&ordm; ano do Ensino B&aacute;sico (com idades compreendidas entre os 12 e os 13 anos). O estudo foi realizado na EB 2,3 Dr.&ordm; Francisco Sanches, em Braga, que albergava um total 1465 alunos e integrava os Territ&oacute;rios Educativos de Interven&ccedil;&atilde;o Priorit&aacute;ria (TEIP). A Escola EB 2,3 Dr.&ordm; Francisco Sanches integra a maior percentagem de popula&ccedil;&atilde;o escolar do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome, pelo que foi estudada uma amostra constitu&iacute;da por 25 alunos que frequentavam o 7&ordm; ano do Ensino B&aacute;sico, da no ano letivo de 2011/ 2012. Foram obtidas 20 respostas v&aacute;lidas (N=20).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a implementa&ccedil;&atilde;o do estudo foi proposta a realiza&ccedil;&atilde;o de uma ficha de leitura subordinada ao tema do revelo. O objetivo do estudo foi caraterizar as descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas que os alunos adotaram na formula&ccedil;&atilde;o e na transmiss&atilde;o dos conhecimentos, atendendo &agrave; Taxonomia do Pensamento Espacial de Jo e Bednardz (2009).</p>     <p>A an&aacute;lise tridimensional permitiu, por esta via, perceber quais as posi&ccedil;&otilde;es taxon&oacute;micas mais frequentemente utilizadas pelos alunos participantes no estudo, quer atrav&eacute;s da apreens&atilde;o de unidades parcelares de informa&ccedil;&atilde;o, quer atrav&eacute;s da elabora&ccedil;&atilde;o de argumentos pessoais.</p>     <p>Em termos de procedimentos anal&iacute;ticos opt&aacute;mos por recorrer a uma an&aacute;lise do conte&uacute;do substantivo das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas dos alunos (Berelson, 1984: 18). A categoriza&ccedil;&atilde;o das unidades de an&aacute;lise foi feita com base na estrutura tridimensional (espacialidade do conceito, uso de ferramentas de representa&ccedil;&atilde;o e processo cognitivo). Significa, portanto, que na classifica&ccedil;&atilde;o de cada unidade de an&aacute;lise foi necess&aacute;rio a classificar nestes tr&ecirc;s diferentes dom&iacute;nios. Primeiramente atenta-se ao conceito espacial que a atividade envolve (que pode variar desde &ldquo;n&atilde;o espacial&rdquo; a &ldquo;espacial primitivo&rdquo;, &ldquo;espacial simples&rdquo; e &ldquo;espacial complexo&rdquo;) (Jo &amp; Bednarz, 2009).</p>     <p>Trata-se de uma estrutura testada e validade que define categorias de an&aacute;lise para a elabora&ccedil;&atilde;o e a avalia&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es, ao mesmo tempo que constitui uma ferramenta de estudo. A pertin&ecirc;ncia do estudo apresentado reside, ainda, na possibilidade de conhecer os processos de apreens&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento, a fim de estabelecer poss&iacute;veis ila&ccedil;&otilde;es para o ensino da Geografia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. As unidades de constru&ccedil;&atilde;o das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas dos alunos do Ensino B&aacute;sico &ndash; resultados do caso de estudo</b></p>     <p>A an&aacute;lise das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas revelou que os conceitos espaciais simples foram os mais frequentes na an&aacute;lise e corresponderam a 60% dos conceitos utilizados. Igualmente frequente foi a categoria dos conceitos espaciais complexos que registou 31% de observa&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, a mobiliza&ccedil;&atilde;o de conceitos n&atilde;o espaciais e espaciais primitivos foi a mais residual, com 5% e 4% respetivamente.</p>     <p>Os alunos utilizaram sobretudo conceitos simples no n&iacute;vel de <i>input</i> e no n&iacute;vel do <i>processamento cognitivo</i>, por esta ordem, sendo que tamb&eacute;m aplicaram, em ambos os n&iacute;veis de pensamento espacial, o instrumento de representa&ccedil;&atilde;o sugerido pela ficha de trabalho: o Mapa Hipsom&eacute;trico de Portugal Continental.</p>     <p>Os conceitos simples no n&iacute;vel de <i>input</i> foram os mais frequentes em toda a an&aacute;lise e referiam-se sobretudo a top&oacute;nimos e a nomes das serras e montanhas de Portugal Continental: &ldquo;S&atilde;o Mamede&rdquo;, &ldquo;Serra d&rsquo;Aire&rdquo;, &ldquo;Algarve&rdquo;, &ldquo;Espinha&ccedil;o de C&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Ger&ecirc;s&rdquo; e &ldquo;Alentejo&rdquo;. No n&iacute;vel de <i>input</i> encontr&aacute;mos tamb&eacute;m a refer&ecirc;ncia a designa&ccedil;&otilde;es e defini&ccedil;&otilde;es, nomeadamente, os conceitos de fronteira, plan&iacute;cie, montanhas e montes. Observou-se, por exemplo, a defini&ccedil;&atilde;o (<i>input</i>) de conceitos simples, como &ldquo;plan&iacute;cies&rdquo; e &ldquo;planaltos&rdquo;, associada &agrave; descri&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie terrestre &ndash; conceito complexo &ndash; como se verifica na seguinte descri&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>&ldquo;A superf&iacute;cie terrestre apresenta plan&iacute;cies (s&atilde;o regi&otilde;es planas com altitudes inferiores a 200 metros) e planaltos (s&atilde;o regi&otilde;es planas com altitudes superiores a 200 metros)&rdquo; (Sara).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Podemos apontar mais exemplos de descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas sobre o relevo que recorrem a conceitos simples (no n&iacute;vel de <i>processamento cognitivo</i>) e que se socorrem do Mapa enquanto instrumento de representa&ccedil;&atilde;o espacial, como por exemplo: &ldquo;Plan&iacute;cies alentejanas &hellip; extensas e com raros percursos de &aacute;gua&rdquo; (Sascha) &ndash; uma descri&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica que implicou a organiza&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise da informa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de forma localizada.</p>     <p>Ainda na categoriza&ccedil;&atilde;o dos conceitos simples, encontr&aacute;mos os que mobilizam <i>processos cognitivos </i>como a an&aacute;lise, o contraste, a distin&ccedil;&atilde;o e a s&iacute;ntese, com as seguintes descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas: &ldquo;a maior eleva&ccedil;&atilde;o de Portugal chamada Elbrus&rdquo; (Catarina); &ldquo;na parte interior h&aacute; mais montanhas do que no litoral, na parte litoral h&aacute; mais plan&iacute;cies&rdquo; (Agatha), assim como a utiliza&ccedil;&atilde;o dos conceitos eleva&ccedil;&atilde;o, como os de &ldquo;altura&rdquo;, &ldquo;Portugal Continental&rdquo;, &ldquo;Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica&rdquo; e &ldquo;Pico da Estrela&rdquo;.</p>     <p>Ao n&iacute;vel dos <i>conceitos n&atilde;o espaciais</i> registou-se a utiliza&ccedil;&atilde;o dos conceitos &ldquo;paisagens&rdquo; e &ldquo;cascatas&rdquo;, cuja refer&ecirc;ncia mobilizou um pensamento de ordem inicial, assim como a utiliza&ccedil;&atilde;o do instrumento de representa&ccedil;&atilde;o sugerido no enunciado.</p>     <p>Contrariamente, os demais conceitos n&atilde;o espaciais registados na an&aacute;lise, como os de &ldquo;clima&rdquo;, &ldquo;quente&rdquo;, &ldquo;frio&rdquo;, &ldquo;Ver&atilde;o&rdquo; e &ldquo;Inverno&rdquo;, n&atilde;o mobilizaram a utiliza&ccedil;&atilde;o do instrumento de representa&ccedil;&atilde;o sugerido, pelo que surgem ao n&iacute;vel dos <i>inputs</i>.</p>     <p>De entre os conceitos primitivos, apont&aacute;mos os de &ldquo;rio&rdquo;, &ldquo;praia&rdquo; e &ldquo;cidade&rdquo;, posicionados ao n&iacute;vel do <i>input</i> e, pelo contexto em que foram empregues, revelam a utiliza&ccedil;&atilde;o do Mapa Hipsom&eacute;trico proposto. Por outro lado, os conceitos de "fauna", "flora" e "neve" encontram-se no n&iacute;vel de processamento cognitivo, nomeadamente pela descri&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica que refere &ldquo;o Ger&ecirc;s&hellip; com bastante fauna e flora&rdquo; (Sascha), estabelecendo uma liga&ccedil;&atilde;o entre a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, o relevo e a vida animal e vegetal.</p>     <p>Associado ao pensamento espacial complexo, verific&aacute;mos a compara&ccedil;&atilde;o (<i>processamento cognitivo</i>) entre o Norte e o Sul de Portugal, em termos de relevo, nas seguintes descri&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas:</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;A sul de Portugal predominam as plan&iacute;cies e os planaltos de baixa altitude&rdquo; (Pedro);</p>     <p>&ldquo;A parte Norte &eacute; mais montanhosa que a central&rdquo; (Adelaide);</p>     <p>&ldquo;O Ger&ecirc;s &eacute; a 3&ordf; maior serra de Portugal&rdquo; (S&eacute;rgio)</p>     <p>&nbsp;&ldquo;O Ger&ecirc;s &eacute; a 2&ordf; serra mais alta do Norte de Portugal&rdquo; (Sara);</p>     <p>&ldquo;A Serra da Estrela &eacute; a montanha mais alta de Portugal continental&rdquo;.</p> </blockquote>     <p>Ainda no n&iacute;vel de processamento cognitivo apont&aacute;mos a mobiliza&ccedil;&atilde;o de conceitos espaciais complexos como os de &ldquo;altitude&rdquo;, &ldquo;zona central&rdquo;, &ldquo;zona extensa&rdquo;, &ldquo;zona montanhosa&rdquo;, &ldquo;hemisf&eacute;rio norte&rdquo;, &ldquo;hemisf&eacute;rio sul&rdquo;, &ldquo;Norte&rdquo;, &ldquo;Sul&rdquo; e &ldquo;Nor-Nordeste&rdquo;. No n&iacute;vel de <i>input</i>, por sua vez, verific&aacute;mos que os alunos utilizaram conceitos complexos como os de &ldquo;relevo&rdquo;, &ldquo;hemisf&eacute;rio&rdquo; e &ldquo;superf&iacute;cie terrestre&rdquo;.</p>     <p>Ao n&iacute;vel dos <i>outputs</i>, observ&aacute;mos a utiliza&ccedil;&atilde;o de um pensamento avaliativo e criativo nas respostas dos alunos na seguinte descri&ccedil;&atilde;o que associa o Inverno na Serra da Estrela a f&eacute;rias e viagens: &ldquo;A Serra da Estrela no Inverno &eacute; um centro tur&iacute;stico, porque neva constantemente&rdquo; (Sascha).</p>     <p>A <a href="#t1">tabela 1</a>&nbsp;apresenta uma s&iacute;ntese da distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias relativas &agrave;s diferentes posi&ccedil;&otilde;es taxon&oacute;micas mobilizadas pelos alunos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a09t1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Conforme os dados da <a href="#t1">tabela 1</a>, observ&aacute;mos que os conceitos espaciais simples foram a categoria de conceitos mais referida pelos alunos, designadamente, na posi&ccedil;&atilde;o taxon&oacute;mica 16 &ndash; que corresponde ao n&iacute;vel de <i>input</i> &ndash; 56,4% dos conceitos geogr&aacute;ficos utilizados posicionam-se nesta categoria de an&aacute;lise.</p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o 17 da Taxonomia refere-se tamb&eacute;m aos conceitos simples, mas no n&iacute;vel de processamento cognitivo &ndash; apenas 6,3% dos conceitos geogr&aacute;ficos utilizados se posicionam nesta c&eacute;lula. A segunda categoria de conceitos mais utilizada posiciona-se na c&eacute;lula 22 &ndash; os conceitos espaciais complexos, no n&iacute;vel de <i>input</i>. Tamb&eacute;m significativa foi a percentagem de conceitos posicionados na c&eacute;lula 23 (11,0%) e que corresponde a conceitos espaciais complexos no n&iacute;vel de processamento cognitivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Discuss&atilde;o e Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Recorrendo &agrave; Taxonomia de Jo e Bednarz (2009) foi &eacute; poss&iacute;vel analisar a tipologia de conceitos e de racioc&iacute;nios mobilizados pelos do Ensino B&aacute;sico, da Escola Francisco Sanches, em Braga.</p>     <p>A observa&ccedil;&atilde;o das descri&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas revelou a apropria&ccedil;&atilde;o predominante de conceitos espaciais simples, como os top&oacute;nimos (as designa&ccedil;&otilde;es de localidades, serras e montanhas), tendo sido tamb&eacute;m vis&iacute;vel a utiliza&ccedil;&atilde;o progressiva dos conceitos espaciais complexos, ao n&iacute;vel do <i>output</i> e sobretudo do <i>input</i>. A topon&iacute;mia, surgindo num contexto de espa&ccedil;o e tempo, permite uma abordagem da distribui&ccedil;&atilde;o espacial dos lugares, do seu contexto hist&oacute;rico e pol&iacute;tico, bem como do seu significado na representa&ccedil;&atilde;o cartogr&aacute;fica (Seemann, 2005).</p>     <p>Prevaleceram, ainda, ao longo do objeto de an&aacute;lise as refer&ecirc;ncias a saberes memorizados relacionados com factos geogr&aacute;ficos isolados. Foi pouco frequente, no entanto, a an&aacute;lise multidimensional e cr&iacute;tica do espa&ccedil;o, associada a processos cognitivos de n&iacute;vel superior, prop&iacute;cios ao desenvolvimento da literacia e do pensamento geogr&aacute;ficos (C&acirc;mara <i>et al.</i>, 2001; CNEB, 2001). Sabemos que &eacute; a intera&ccedil;&atilde;o entre o indiv&iacute;duo e o espa&ccedil;o que o tornar&aacute; um cidad&atilde;o consciente da sua participa&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o, n&atilde;o apenas na capacidade de visualizar os factos e de os descrever atrav&eacute;s de mapas mentais (Goodchild &amp; Janelle, 2010; Melo, Coelho &amp; Santos, 2010), como tamb&eacute;m pela possibilidade de agir sobre esse mesmo espa&ccedil;o no sentido de obter os recursos e o conhecimento de que necessita (Bednarz &amp; Kemp, 2011; Bednarz &amp; Bednarz, 2008).</p>     <p>O estudo desenvolvido permitiu, ainda, promover a leitura e a produ&ccedil;&atilde;o de textos como atividades potenciadoras do pensamento espacial cr&iacute;tico (Souza, 2009; Vygotski, 1998). Por outro lado, a escrita tem a mais-valia de contribuir para um maior sentimento de seguran&ccedil;a na produ&ccedil;&atilde;o escrita, na apropria&ccedil;&atilde;o dos conceitos e na tomada de posi&ccedil;&atilde;o. Embora as ila&ccedil;&otilde;es formuladas n&atilde;o possam ser extrapoladas para outras unidades do real, consider&aacute;mos que o estudo permitiu avaliar a literacia espacial e o pensamento geogr&aacute;fico dos alunos da escola estudada, e por esta via perspetivar a concretiza&ccedil;&atilde;o dos objetivos curriculares da disciplina de Geografia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sabemos que a disciplina de Geografia cumpre o seu prop&oacute;sito se proporcionar a apropria&ccedil;&atilde;o de conceitos espaciais, progressivamente mais complexos, que impliquem um processamento cognitivo associado &agrave; formula&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses, an&aacute;lises e infer&ecirc;ncias, com sentido cr&iacute;tico, pertin&ecirc;ncia e criatividade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bailly, Antoine et al. (2009). Viagem &agrave; Geografia. Uma geografia para o mundo, uma geografia para todos. Mirandela, Jo&atilde;o Azevedo Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S2182-1267201400020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bednarz, Sarah &amp; Kemp, Karen (2011). &ldquo;Understanding and nurturing spatial literacy&rdquo;. In Procedia Social and Behavioral Sciences <b>21</b>: 18-23.</p>     <p>Bednarz, Robert &amp; Bednarz, Sarah (2008). "The Importance of Spatial Thinking in an Uncertain World". Geospatial Technologies and Homeland Security - Research Frontiers and Future Challenges. S. Daniel (Ed.). Texas, Springer Publishers: 315-330.</p>     <!-- ref --><p>Berelson, B. (1984). Content analysis in communication research. Nova Iorque, Editora Hafner.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S2182-1267201400020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>C&acirc;mara, <i>et. al</i> (2008). Geografia, Orienta&ccedil;&otilde;es Curriculares 3&ordm; Ciclo. Lisboa, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S2182-1267201400020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Committee on Support for Thinking Spatially (2006). Learning to Think Spatially<i>. </i>Washington D.C., National Research Council.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S2182-1267201400020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Costa, A. L. (2001). &ldquo;Teacher behaviors that enable student thinking&rdquo;. Developing Minds: A Resource Book for Teaching Thinking. A. L. Costa (Ed.). Alexandria, VA, Association for Supervision and Curriculum Development: 359-369.</p>     <p>Jo, I. &amp; Bednarz, S. (2009). &ldquo;Evaluating Geography Textbook Questions from a Spatial Perspective: Using Concepts of Space, Tools of Representation, and Cognitive Processes to Evaluate Spatiality&rdquo;. Journal of Geography <b>108</b> (1): 4-13.</p>     <p>Jo, I.; Bednarz, S. &amp; Metoyer, S. (2010). &ldquo;Selecting and Designing Questions to Facilitate Spatial Thinking&rdquo;. The Geography Teacher <b>7</b> (2): 49-55.</p>     <p>Golledge, R. G. 2002. &ldquo;The nature of geographic knowledge&rdquo;. Annals of the Association of American Geographers <b>92</b> (1):1-14.</p>     <p>Goodchild, M. F &amp; Janelle, D. G. (2010). &ldquo;Toward critical spatial thinking in the social sciences and humanities&rdquo;. <i>GeoJournal</i> <b>75</b>: 3-13.</p>     <!-- ref --><p>Graves, N. (1984). Geography in Education. London: Heinemann Educational Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S2182-1267201400020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Hubert, B. (1973). &Eacute;tudes de geographie tropicale offertes &agrave; Pierre Gourou. <a href="http://econpapers.repec.org/article/prsrtiers/"target="_blank">Revue Tiers Monde</a>, <b>14 </b>(54): 442-442.</p>     <!-- ref --><p>Martinha, Cristiana (2011). A forma&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o geograficamente competente - aspectos da mudan&ccedil;a de paradigma pedag&oacute;gico em Did&aacute;tica da Geografia. Tese de Doutoramente em Geografia. Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S2182-1267201400020000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Melo, M.; Coelho, B. &amp; Santos, C. (2010). &ldquo;Do riso ao siso: A leitura e a interpreta&ccedil;&atilde;o de cartazes e <i>cartoons</i> pol&iacute;ticos na aula de Hist&oacute;ria&rdquo;. Hist&oacute;ria, Imagens e Narrativas <b>10</b>.</p>     <p>Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o &ndash; Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Educa&ccedil;&atilde;o (2001). Curr&iacute;culo Nacional do Ensino B&aacute;sico - Compet&ecirc;ncias Essenciais. Lisboa, DGE.</p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, O. (1972). &Eacute;tudes de geographietropicaleoffertes &agrave; Perre Gourou. Paris, Mutton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S2182-1267201400020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Seemann, J. (2005). &ldquo;A topon&iacute;mia como constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cultural: o exemplo dos munic&iacute;pios do Estado Cear&aacute;&rdquo;. Viv&ecirc;ncia, <b>29</b>, 207-224.</p>     <p>Souza, V. (2011). &ldquo;Fundamentos Te&oacute;ricos, Epistemol&oacute;gicos e Did&aacute;cticos no Ensino da Geografia: bases para forma&ccedil;&atilde;o do pensamento espacial cr&iacute;tico&rdquo;. Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o em Geografia <b>1</b>(1): 47-67.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Souza, V. (2009). O processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento geogr&aacute;fico na forma&ccedil;&atilde;o do professor de Geografia. Tese de Doutorado em Geografia. IESA/UFG, Goi&acirc;nia, GO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S2182-1267201400020000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Spink, M. J. P. (1993). The Concept of Social Representations in Social Psychology. Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica, Rio de Janeiro, <b>9</b> (3): 300-308, julho/setembro.</p>     <!-- ref --><p>Vygotski, L. S. (1998). A forma&ccedil;&atilde;o Social da Mente. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S2182-1267201400020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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