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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Setores de atividade, emprego e renda nos municípios brasileiros estratificados por classe de tamanho entre 2000 e 2010]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article examines some changes in the spatial structure of employment in Brazil, from demographic data from the last two censuses. The analysis is based on the configuration of the urban network by information disaggregated by size classes of municipalities. The results show that medium-sized cities sedimented trends previously observed: the protagonists are of great weight in the internalization process of urbanization, the spread reaching effects on the spatial structure of employment in the city network. The growth of the urban services sector and changes in the configuration of the main incomes of working men and women are particularly aspects explored in the analysis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Setores de atividade, emprego e renda nos munic&iacute;pios brasileiros estratificados por classe de tamanho entre 2000 e 2010</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Matos, Ralfo<sup>1</sup>; Ferreira, Rodrigo<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Geografia / Instituto de Geoci&ecirc;ncias / Universidade Federal de Minas Gerais; <a href="mailto:ralfo@igc.ufmg.br">ralfo@igc.ufmg.br</a>&nbsp;</p>     <p><sup>2</sup>Doutorando do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia/ Instituto de Geoci&ecirc;ncias / Universidade Federal de Minas Gerais; <a href="mailto:rodrigonunesferreira@gmail.com">rodrigonunesferreira@gmail.com</a>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo examinam-se algumas mudan&ccedil;as na estrutura espacial do emprego no Brasil a partir de dados demogr&aacute;ficos dos dois &uacute;ltimos censos. As an&aacute;lises baseiam-se na configura&ccedil;&atilde;o da rede urbana, mediante informa&ccedil;&otilde;es desagregadas por classes de tamanho dos munic&iacute;pios brasileiros. Os resultados evidenciam que as cidades de porte m&eacute;dio sedimentaram tend&ecirc;ncias anteriormente observadas: s&atilde;o protagonistas de grande peso no processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o, chegando a disseminar efeitos na estrutura espacial do emprego na rede de cidades. O crescimento do setor de servi&ccedil;os urbanos e as mudan&ccedil;as na configura&ccedil;&atilde;o das rendas do trabalho principal de homens e mulheres s&atilde;o aspectos particularmente explorados nas an&aacute;lises.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: mercado de trabalho; renda do trabalho; desigualdade; rede urbana.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The article examines some changes in the spatial structure of employment in Brazil, from demographic data from the last two censuses. The analysis is based on the configuration of the urban network by information disaggregated by size classes of municipalities. The results show that medium-sized cities sedimented trends previously observed: the protagonists are of great weight in the internalization process of urbanization, the spread reaching effects on the spatial structure of employment in the city network. The growth of the urban services sector and changes in the configuration of the main incomes of working men and women are particularly aspects explored in the analysis.</p>     <p><b>Keywords:</b> labor market; labor income; inequality; urban network.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mudan&ccedil;as na distribui&ccedil;&atilde;o das atividades, emprego e renda podem ser cotejadas com o processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o no Brasil contempor&acirc;neo. S&atilde;o v&aacute;rios os estudos sobre o aumento do emprego formal no pa&iacute;s nos &uacute;ltimos 10 a 15 anos, embora poucos associem esse aumento aos processos de desconcentra&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica e econ&ocirc;mica que o pa&iacute;s experimenta nos &uacute;ltimos 30 anos.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></p>     <p>A urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira, em pouco mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas, trouxe um avan&ccedil;o expressivo das atividades do terci&aacute;rio e isso refletiu no padr&atilde;o de consumo e no aparecimento de novos estilos de vida, mais afeitos &agrave;s sociedades de consumo de massa. Essas mudan&ccedil;as s&atilde;o similares &agrave;s que modificaram a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas que beneficiara por s&eacute;culos velhas oligarquias rurais do passado.</p>     <p>Nesse processo, a socioeconomia ganhou novas tessituras e o tamanho do Estado aumentou e diminuiu. Mas hoje, mesmo ap&oacute;s a onda de privatiza&ccedil;&otilde;es do per&iacute;odo 1994-2002, a m&aacute;quina p&uacute;blica &eacute; de grande tamanho e o Estado continua sendo um fator determinante, capaz de gerar incentivos (ou desincentivos) econ&ocirc;micos, boa parte deles associados ao incremento da interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira.</p>     <p>Paralelamente, aspectos sociais e territoriais &ndash; pa&iacute;s de ec&uacute;meno extenso e com hist&oacute;rico de popula&ccedil;&otilde;es migrantes sem acesso a terra &ndash; perpassam as evid&ecirc;ncias de dispers&atilde;o de milh&otilde;es de pessoas pelo interior da rede de cidades, <i>vis-&agrave;-vis</i> a intensa moderniza&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira a partir de 1980. O avan&ccedil;o da transi&ccedil;&atilde;o urbana juntamente com a progress&atilde;o da transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica fez declinar as taxas de crescimento da popula&ccedil;&atilde;o; muitas regi&otilde;es e cidades aumentaram seu peso demogr&aacute;fico &agrave; custa de fluxos migrat&oacute;rios n&atilde;o mais de tipo campo-cidade, mas principalmente causados por movimentos migrat&oacute;rios entre cidades de uma rede urbana crescentemente mais densa. Novos polos urbanos emergiram apoiados por redes de transporte e de circula&ccedil;&atilde;o e por investimentos setoriais, boa parte deles derivados da presen&ccedil;a de empresas e &oacute;rg&atilde;os do Estado. Esses movimentos contribu&iacute;ram para expandir significativamente os servi&ccedil;os do alto e do baixo terci&aacute;rio em muitos centros urbanos n&atilde;o metropolitanos. As pr&oacute;prias regi&otilde;es metropolitanas, que viveram processos explosivos de crescimento econ&ocirc;mico-demogr&aacute;ficos, participaram dos movimentos centr&iacute;fugos, porquanto muitos dos novos moradores das cidades m&eacute;dias s&atilde;o migrantes procedentes de &aacute;reas metropolitanas.</p>     <p>A despeito da exist&ecirc;ncia de quest&otilde;es n&atilde;o negligenci&aacute;veis de teoria econ&ocirc;mica que discutem crescimento e desenvolvimento, parte delas ancoradas no paradigma cepalino, o fato &eacute; que o pa&iacute;s viveu por d&eacute;cadas uma vigorosa expans&atilde;o industrial, sucedida pelo incremento do setor de servi&ccedil;os n&atilde;o necessariamente nos moldes can&ocirc;nicos de teses como as de Kaldor (1966). Acrescente-se que a desindustrializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma evid&ecirc;ncia posta &agrave; prova no Brasil atual. N&atilde;o h&aacute; um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o em curso. Os dados de emprego formal da CAGED mostram que o estoque de m&atilde;o de obra atra&iacute;do pela ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o perdeu participa&ccedil;&atilde;o para o setor terci&aacute;rio. Entretanto, <i>&ldquo;a an&aacute;lise intraindustrial mostrou que os setores classificados como de alta intensidade mantiveram suas participa&ccedil;&otilde;es no emprego total&rdquo; </i>(SQUEFF. 2012, p. 49).</p>     <p>A despeito das considera&ccedil;&otilde;es de Pochmann (2012), &eacute; bem prov&aacute;vel que algumas controv&eacute;rsias sobre a nova classe m&eacute;dia brasileira s&oacute; ganhem mais clareza quando se levar em conta o rol de mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas de largo alcance espacial que impactaram a sociedade urbano-industrial que o pa&iacute;s viu aflorar nos &uacute;ltimos 50 anos.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>     <p>De outra parte, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, com o passar do tempo repercutiu na din&acirc;mica social e econ&ocirc;mica do Brasil atual: influiu na trajet&oacute;ria de parte da economia real, revigorou a vida de rela&ccedil;&otilde;es em cidades e regi&otilde;es e fortaleceu um leque de a&ccedil;&otilde;es do Estado (na linha dos te&oacute;ricos do <i>statecrafting</i>). Uma s&eacute;rie de iniciativas governamentais e n&atilde;o governamentais retoma, sob novas perspectivas, a quest&atilde;o do desenvolvimento econ&ocirc;mico e planejamento territorial, a despeito da falta de clareza sobre como construir um projeto nacional bem pactuado.</p>     <p>Enfim, a interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; tema instigante e permite a explora&ccedil;&atilde;o de dados regionalizados de emprego e renda, como os disponibilizados pela Rela&ccedil;&atilde;o Anual de Informa&ccedil;&otilde;es Sociais (RAIS). Alguns estudos publicados nos &uacute;ltimos 15 anos tratam da redistribui&ccedil;&atilde;o do emprego por cidades m&eacute;dias din&acirc;micas, a maioria deles no setor de servi&ccedil;os, tais como Matos (2000), Matos e Braga (2002), Matos e Ferreira (2004, 2005, 2013), Ferreira e Matos (2005, 2010)<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>. Esses trabalhos identificam mudan&ccedil;as no mercado de trabalho do Brasil n&atilde;o metropolitano que acabam por beneficiar milh&otilde;es de pessoas da rede de cidades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Metodologia</b></p>     <p>O presente artigo d&aacute; prosseguimento &agrave;s an&aacute;lises supracitadas quando examina algumas mudan&ccedil;as na estrutura espacial do emprego no Brasil recente com base em dados demogr&aacute;ficos dos dois &uacute;ltimos censos. As an&aacute;lises procuram visualizar essas mudan&ccedil;as na rede urbana representada por meio de quatro classes de tamanho dos munic&iacute;pios: i) at&eacute; 50.000 habitantes; ii) de 50.000 a 500.000 habitantes; iii) de 500.000 a 1.000.000 habitantes; iv) mais de 1.000.000 de habitantes).<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a></p>     <p>A estratifica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o que auferiu renda do trabalho nos Censos de 2000 e 2010 por classes de rendimentos corrigidos pelo INPC (&Iacute;ndice Nacional de Pre&ccedil;os ao Consumidor) deixa evidente que os munic&iacute;pios de porte m&eacute;dio (com popula&ccedil;&atilde;o entre 50 e 500 mil habitantes) sedimentaram tend&ecirc;ncias observadas nos &uacute;ltimos 20 anos: s&atilde;o protagonistas de grande peso no processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o, chegando a disseminar efeitos na estrutura espacial do emprego na rede de cidades. Essa leitura &eacute; resultante de dados de varia&ccedil;&atilde;o dos rendimentos de trabalho no per&iacute;odo 2000-2010 acima da m&eacute;dia nacional, como visto nas conclus&otilde;es de Matos, Ferreira e Garcia (2013): a expans&atilde;o do emprego nas cidades m&eacute;dias &eacute; uma evid&ecirc;ncia verific&aacute;vel nos dois &uacute;ltimos censos e as diferen&ccedil;as em termos de qualidade de vida com as metr&oacute;poles praticamente desaparecem. Nas cidades m&eacute;dias, apesar da inferioridade em termos de infraestrutura b&aacute;sica e dos reflexos vari&aacute;veis das desigualdades regionais h&aacute; menos constrangimentos socioespaciais, os quais resultam em ganhos de renda e de qualidade de vida.</p>     <p>De todo o modo, as an&aacute;lises ainda devem rastrear outras dimens&otilde;es da geografia econ&ocirc;mica atual, de modo a mapear os setores de atividade que participam mais explicitamente do incremento dos rendimentos do trabalho em &aacute;reas urbanas de alta centralidade na rede de cidades. Cabe indagar se, afinal, &eacute; o setor terci&aacute;rio quem mais emprega e dinamiza os polos n&atilde;o metropolitanos, ou se a agricultura, a ind&uacute;stria e a agroind&uacute;stria s&atilde;o os setores mais decisivos na reconfigura&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os econ&ocirc;micos. Assim, tanto o crescimento do setor de servi&ccedil;os &ndash; do alto e baixo terci&aacute;rio &ndash; e suas correla&ccedil;&otilde;es com a expans&atilde;o da agricultura e ind&uacute;stria s&atilde;o temas examinados e discutidos no artigo, a despeito de o foco das an&aacute;lises fixar-se nas mudan&ccedil;as na configura&ccedil;&atilde;o das rendas do trabalho no terci&aacute;rio urbano.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Resultados</b></p>     <p><b>3.1. Pessoal ocupado por setores de atividade</b></p>     <p>No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, entre os anos 2000 e 2010, as compara&ccedil;&otilde;es entre o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o e da renda trazem resultados que sinalizam para um contexto de prosperidade econ&ocirc;mica. O rendimento total da popula&ccedil;&atilde;o empregada com 15 ou mais anos de idade cresceu 3,9% ao ano, tr&ecirc;s vezes mais que o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o total (1,2% a.a.). Se a compara&ccedil;&atilde;o for feita com a popula&ccedil;&atilde;o empregada de 15 ou mais anos de idade, o que soa mais condizente, ainda assim a renda cresceu bem mais que o estoque de pessoas empregadas entre 2000 e 2010.</p>     <p>E se excluirmos as rendas individuais n&atilde;o derivadas do trabalho nessas compara&ccedil;&otilde;es o que os dados nos dizem? Al&eacute;m de mostrarem que a renda do trabalho principal &eacute; a mais importante entre as demais rendas, deixa evidente que a popula&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia (15 anos e mais) teve sua renda aumentada pelo trabalho principal em 3,4% a.a., bem mais que os 2,8% a.a., n&uacute;mero que ainda expressa um crescimento de uma popula&ccedil;&atilde;o ativa herdeira de &eacute;pocas de n&iacute;veis mais altos de fecundidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como esse estudo procura sondar diferenciais socioecon&ocirc;micos na rede de cidades do pa&iacute;s, utiliza-se o conhecido mecanismo de estratificar as localidades de acordo com diferentes classes de tamanho dos munic&iacute;pios (todo munic&iacute;pio possui uma cidade segundo legisla&ccedil;&atilde;o do IBGE ainda vigente) como observado na introdu&ccedil;&atilde;o. Tendo em conta que na atualidade quanto mais populoso &eacute; o munic&iacute;pio maior &eacute; o seu grau de urbaniza&ccedil;&atilde;o, o que nos dizem as compara&ccedil;&otilde;es das taxas de crescimento demogr&aacute;fico e da renda individual?</p>     <p>Em primeiro lugar, os munic&iacute;pios que re&uacute;nem a maioria das cidades de porte m&eacute;dio do pa&iacute;s (entre 50 e 500 mil habitantes) s&atilde;o os mais din&acirc;micos porque experimentaram o maior crescimento da renda total e da renda do trabalho principal (4,3% a.a. e 3,9% a.a.) e os maiores crescimentos da popula&ccedil;&atilde;o empregada com 15 anos ou mais de idade (3,4% a.a. contra 1,5% a.a. da popula&ccedil;&atilde;o total dessa classe de tamanho).</p>     <p>Curiosamente, &agrave; medida que diminui o tamanho dos munic&iacute;pios maior foi o crescimento do rendimento da popula&ccedil;&atilde;o ativa. Isso deve se explicar pela disparidade da base de compara&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica: at&eacute; muito recentemente os munic&iacute;pios de pequeno porte estavam desprovidos de oportunidades de trabalho e neg&oacute;cios o que teria come&ccedil;ado a alterar-se nos &uacute;ltimos dec&ecirc;nios.</p>     <p>Os dados da <a href="#t1">Tabela 1</a>&nbsp;tamb&eacute;m apontam decl&iacute;nio da participa&ccedil;&atilde;o relativa das grandes cidades na popula&ccedil;&atilde;o total e na popula&ccedil;&atilde;o empregada do pa&iacute;s, decorrente de taxas de crescimento inferiores &agrave;s m&eacute;dias nacionais. Al&eacute;m disso, somente no grupo de munic&iacute;pios de 1 milh&atilde;o ou mais de habitantes a popula&ccedil;&atilde;o empregada com 15 ou mais anos de idade cresceu a uma taxa superior &agrave; taxa de crescimento do rendimento do trabalho principal, 2,8% a.a. contra 2,7% a.a., respectivamente. A maior oferta de m&atilde;o de obra estaria deprimindo os sal&aacute;rios? Ou h&aacute; um gargalo entre trabalho pouco qualificado e oferta de emprego em setores de tamb&eacute;m baixos requerimentos de qualifica&ccedil;&atilde;o? &Eacute; prov&aacute;vel que ambas as situa&ccedil;&otilde;es sejam encontradas nas metr&oacute;poles.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a11t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Adicionalmente, uma conclus&atilde;o que j&aacute; deve ser assinalada diz respeito &agrave; diferen&ccedil;a entre as taxas de crescimento da renda total e da renda do trabalho principal (nas grandes cidades esse n&uacute;mero &eacute; a diferen&ccedil;a entre 3,5% e 2,7%). Ou no per&iacute;odo muita gente possu&iacute;a mais de um emprego ou, o que &eacute; mais prov&aacute;vel, a concentra&ccedil;&atilde;o de renda nas grandes cidades &eacute; maior por rendimentos origin&aacute;rios de ganhos financeiros, alugueis, heran&ccedil;as etc.</p>     <p>Discriminando os dados dessa tabela de modo a que os principais setores de atividade sejam visualizados, pode-se responder a uma das indaga&ccedil;&otilde;es desse trabalho a prop&oacute;sito da exist&ecirc;ncia de uma conex&atilde;o entre a interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o e a expans&atilde;o do setor terci&aacute;rio. Afinal, o processo de interioriza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; muito mais consistente se for acompanhado pela expans&atilde;o significativa do setor de servi&ccedil;os (inclusive o com&eacute;rcio) conforme sugerem alguns cl&aacute;ssicos da literatura de geografia urbana. Para tanto, conv&eacute;m organizar os dados como se apresentam na <a href="#t2">Tabela 2</a>, excluindo as &ldquo;atividades mal definidas&rdquo;. Registre-se que a ordem de grandeza aqui examinada refere-se &agrave; 63.662.727 pessoas ocupadas no ano 2000 e 80.071.087 ocupados no ano 2010, o que significa um incremento de mais de 16,4 milh&otilde;es de postos de trabalho, popula&ccedil;&atilde;o superior &agrave; de muitos pa&iacute;ses.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;<img src="/img/revistas/got/n6/n6a11t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A primeira conclus&atilde;o a ser destacada confirma o avan&ccedil;o do terci&aacute;rio nas classes de menor tamanho de munic&iacute;pio. De fato, o incremento da participa&ccedil;&atilde;o do terci&aacute;rio foi maior no rol dos pequenos munic&iacute;pios (4,8 pontos percentuais entre 2000 e 2010), sucedido pela participa&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios de porte m&eacute;dio (aumentaram 2,8 pontos percentuais em rela&ccedil;&atilde;o ao ano 2000) e, por &uacute;ltimo, entre os maiores munic&iacute;pios, que de 79,3% em 2000 evolu&iacute;ram para uma participa&ccedil;&atilde;o de 81,5% em 2010. Ressalte-se que o aumento dos postos de trabalho nos munic&iacute;pios intermedi&aacute;rios foi o mais expressivo entre as quatro classes de tamanho (varia&ccedil;&atilde;o relativa de 32,4%).</p>     <p>Afora a classe dos munic&iacute;pios de menor tamanho, onde &eacute; alta a presen&ccedil;a das atividades agropecu&aacute;rias e not&oacute;ria a exist&ecirc;ncia de atividades industriais de processamento de insumos do agro; ind&uacute;strias de extra&ccedil;&atilde;o mineral, e outras plantas industriais que requisitam muito espa&ccedil;o f&iacute;sico, nas tr&ecirc;s outras classes de tamanho a ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o e extra&ccedil;&atilde;o perdeu participa&ccedil;&atilde;o relativa: quanto mais aumenta a classe de tamanho mais perde participa&ccedil;&atilde;o, mesmo mantendo varia&ccedil;&atilde;o relativa positiva (0,5% no rol dos grandes munic&iacute;pios).</p>     <p>Contudo, h&aacute; um ramo industrial cujo comportamento na gera&ccedil;&atilde;o de empregos diferiu dos demais. De fato, a ind&uacute;stria da constru&ccedil;&atilde;o &ndash; capaz de gerar significativos efeitos de encadeamento a montante e a jusante do processo produtivo &ndash; expandiu vigorosamente entre 2000 e 2010 em todas as classes de tamanho de munic&iacute;pios em termos de participa&ccedil;&atilde;o e de varia&ccedil;&atilde;o relativa. Esse tipo de ind&uacute;stria, pouco modernizada e ainda fortemente intensiva em m&atilde;o de-obra, ao exibir incrementos na oferta de ocupa&ccedil;&otilde;es da ordem de 27,8% (nas grandes cidades) e 43,2% (no rol dos pequenos munic&iacute;pios) deve ser um dos alicerces do processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o. Isso por causa dos variados tipos de empreendimentos imobili&aacute;rios que o setor incorpora e, por via de consequ&ecirc;ncia, deve estar subsidiando a expans&atilde;o do pr&oacute;prio terci&aacute;rio e do consumo<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> familiar em &aacute;reas urbanas do interior, uma vez que os n&uacute;meros do setor s&atilde;o mais proeminentes nas classes de munic&iacute;pios de menor tamanho.</p>     <p>&Eacute; digna de nota a expans&atilde;o relativa da constru&ccedil;&atilde;o civil e do terci&aacute;rio no rol dos munic&iacute;pios das cidades de porte m&eacute;dio, 40,8% e 38,2% respectivamente. Essa eleva&ccedil;&atilde;o conjunta &eacute; bem maior do que nas classes de tamanho subsequentes (33,3% e 31,3%; 27,8% e 26,5%). E isso representava em 2010 o <i>quantum</i> de 22.759.093 pessoas ocupadas com 15 ou mais anos de idade.</p>     <p>H&aacute;, portanto, correla&ccedil;&otilde;es entre a desconcentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e demogr&aacute;fica e a expans&atilde;o do terci&aacute;rio em munic&iacute;pios onde o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o vem se intensificando no per&iacute;odo 2000/2010. Resta examinar melhor a composi&ccedil;&atilde;o intrasetorial e a renda do trabalho, notadamente no com&eacute;rcio e servi&ccedil;os.</p>     <p>O detalhamento da estratifica&ccedil;&atilde;o aqui estudada por meio dos dados da <a href="#t3">Tabela 3</a>, agora incluindo as atividades &ldquo;mal definidas&rdquo; <a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>, ratifica conclus&otilde;es anteriormente expostas: o incremento de pessoal ocupado entre os dois &uacute;ltimos censos foi da seguinte magnitude: 24,0% entre os munic&iacute;pios at&eacute; 50 mil habitantes; 39,3% entre os munic&iacute;pios de 50 a 500 mil habitantes; 36,8% na classe 500 a 1000.000 de habitantes; e 31,8% no grupo que re&uacute;ne os munic&iacute;pios com mais de um milh&atilde;o de habitantes.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a11t3.gif">&nbsp;</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>As atividades comerciais, mais especificamente, experimentaram um forte incremento no per&iacute;odo, notadamente entre os munic&iacute;pios de pequeno tamanho e os munic&iacute;pios das cidades de porte m&eacute;dio (47,8%). Nas demais classes de tamanho o setor cresceu em n&iacute;veis pr&oacute;ximos de 30%.</p>     <p>No interior do terci&aacute;rio foi, sem d&uacute;vida, o setor de servi&ccedil;os (desagregado em quatro categorias na <a href="#t3">Tabela 3</a>) o que ocupou maior n&uacute;mero de pessoas em todas as classes de tamanho de cidades, notadamente no grupo que inclui as grandes e m&eacute;dias cidades. A varia&ccedil;&atilde;o relativa da ocupa&ccedil;&atilde;o em atividades de servi&ccedil;os foi maior no grupo de munic&iacute;pios que inclui os munic&iacute;pios 50 a 500 mil habitantes (34,8%), secundado pela classe de munic&iacute;pios com tamanhos entre 500 e 1,0 milh&atilde;o de habitantes. A menor varia&ccedil;&atilde;o (25,8%) nos grandes munic&iacute;pios explica-se pelo fato de que, historicamente, as cidades desses munic&iacute;pios j&aacute; possuem muito mais estabelecimentos no setor de servi&ccedil;os do que nas classes de menor tamanho. Contudo, ressalte-se que entre 2000 e 2010 o setor evoluiu de 8.837.521 ocupados para 11.119.433 no rol dos grandes munic&iacute;pios, n&uacute;meros s&oacute; ultrapassados pelos registrados no grupo de munic&iacute;pios de 50 a 500 mil (10.791.012 ocupados em 2000 e 14.549.685 em 2010).</p>     <p>Como anteriormente assinalado, a interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o resultou na expans&atilde;o das atividades comerciais e de servi&ccedil;os, conviria, no entanto indagar sobre o tipo de servi&ccedil;os que se expande na rede de localidades, afinal, para alguns analistas a entrada de cerca de 40 milh&otilde;es de indiv&iacute;duos na classe m&eacute;dia &eacute; reflexo da ocupa&ccedil;&atilde;o em atividades pior remuneradas e de baixa qualifica&ccedil;&atilde;o. Isso explicaria porque essa &ldquo;nova&rdquo; classe m&eacute;dia gasta tudo que ganha: uma caracter&iacute;stica marcante das classes populares trabalhadoras, que ao elevar o rendimento ampliam imediatamente o padr&atilde;o de consumo (Pochmann, 2012, p. 10). Ao n&atilde;o possuir rendimentos suficientes para a compra de ativos e constitui&ccedil;&atilde;o de poupan&ccedil;a, pulveriza seus ganhos no consumo de bens n&atilde;o essenciais. Essas evid&ecirc;ncias s&atilde;o observadas nos dados aqui examinados? Se fra&ccedil;&otilde;es da classe m&eacute;dia emergiram economicamente entre 2000 e 2010 isso pode ser comprovado pela estratifica&ccedil;&atilde;o em classes de tamanho?</p>     <p>Os dados aqui organizados n&atilde;o corroboram essas assertivas. Os servi&ccedil;os &ldquo;produtivos&rdquo; e os intitulados &ldquo;social e administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>, os que requisitam pessoal mais qualificado, s&atilde;o os que mais se expandiram no per&iacute;odo (maior varia&ccedil;&atilde;o relativa), sobretudo entre os munic&iacute;pios que sediam cidades intermedi&aacute;rias, apesar de o grupo dos ocupados nos &ldquo;servi&ccedil;os pessoais&rdquo; ter se incrementado tamb&eacute;m em todas as classes de tamanho. Esmiu&ccedil;ando essa conclus&atilde;o e dando express&atilde;o aos n&uacute;meros absolutos pode-se dizer que, de fato, o crescimento das atividades pior remuneradas e de menor qualifica&ccedil;&atilde;o sediadas nos &ldquo;servi&ccedil;os pessoais&rdquo; foi particularmente not&aacute;vel nos munic&iacute;pios intermedi&aacute;rios (varia&ccedil;&atilde;o de 25,6%) e no rol dos com popula&ccedil;&atilde;o entre 500 e 1,0 milh&atilde;o de habitantes (23,7%), o que, respectivamente, significou 5.077.156 e 1.331.917 de ocupados em 2010 (ver <a href="#t3">Tabela 3</a>). Aqui os c&eacute;ticos poder&atilde;o arguir: esses n&uacute;meros s&atilde;o muito maiores que os discriminados nos servi&ccedil;os de maior qualifica&ccedil;&atilde;o. Novamente as infer&ecirc;ncias emp&iacute;ricas n&atilde;o d&atilde;o for&ccedil;a a essa afirmativa. Se, de fato, os n&uacute;meros dos ocupados nos &ldquo;servi&ccedil;os produtivos&rdquo; (os que mais se expandiram, chegando a 48,8% nos munic&iacute;pios intermedi&aacute;rios) s&atilde;o bem menores que os dos servi&ccedil;os pessoais (da ordem de 2,4 milh&otilde;es nos munic&iacute;pios intermedi&aacute;rios) os n&uacute;meros do pessoal ocupado nos &ldquo;servi&ccedil;os sociais e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; s&atilde;o de outra ordem de grandeza: em 2010 foram 3.779.210 nos pequenos munic&iacute;pios; 5.077.156 ocupados nos munic&iacute;pios m&eacute;dios; 1.331.917 na classe subsequente; e 3.712.979 no rol dos maiores munic&iacute;pios. Nesse universo h&aacute; muitos trabalhadores que n&atilde;o possuem alto n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a> e de qualifica&ccedil;&atilde;o, mas foi significativo o incremento dos ocupados entre 2000 e 2010 (39,4% no rol dos intermedi&aacute;rios) e deve ser muito alta a propor&ccedil;&atilde;o dos que fizeram concurso p&uacute;blico nas tr&ecirc;s esferas do poder publico (federal, estadual e municipal). Enfim, a a&ccedil;&atilde;o direta do Estado sobre o mercado de trabalho continua sendo muito relevante. Entre os dois &uacute;ltimos censos os &ldquo;servi&ccedil;os sociais e da administra&ccedil;&atilde;o&rdquo; cresceram &agrave; taxa de 2,9% a.a., muito superior ao crescimento demogr&aacute;fico do pa&iacute;s, e incidiu principalmente na classe de munic&iacute;pios de porte m&eacute;dio.</p>     <p>E o que dizer da renda dos ocupados entre 2000 e 2010? Apesar das dificuldades de obten&ccedil;&atilde;o de dados fidedignos sobre renda para todos os munic&iacute;pios brasileiros &eacute; poss&iacute;vel fazer algumas infer&ecirc;ncias aproximadas com base nos dados censit&aacute;rios. Para tanto, a organiza&ccedil;&atilde;o em sequencia estratifica a renda auferida no trabalho principal dos ocupados com 15 ou mais anos de idade e a renda mediana foi utilizada como medida de tend&ecirc;ncia central.</p>     <p>Procurando focalizar principalmente as atividades instaladas em &aacute;reas urbanas, as conclus&otilde;es retiradas do exame da <a href="#t4">Tabela 4</a>&nbsp;podem ser sumarizadas como se segue: a) os aumentos da renda mediana<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a> contemplaram uma ampla gama de setores de atividades entre 2000 e 2010 (com varia&ccedil;&otilde;es relativas de dois d&iacute;gitos), e as remunera&ccedil;&otilde;es mais altas concentraram-se nos servi&ccedil;os &ldquo;social e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;, sucedidas pelos ganhos dos ocupados nos &ldquo;servi&ccedil;os produtivos&rdquo; (o que se ajusta &agrave;s an&aacute;lises anteriores sobre trabalhadores mais qualificados); b) Entre os menos qualificados, as remunera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o bem menores, mas ainda assim expressam incrementos significativos no per&iacute;odo, notadamente no grupo dos &ldquo;servi&ccedil;os pessoais&rdquo; entre os pequenos munic&iacute;pios e cidades m&eacute;dias; c) focalizando as grandes cidades e as cidades m&eacute;dias, os diferenciais de remunera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o muito significativos: s&atilde;o id&ecirc;nticas as medianas da renda do pessoal ocupado na ind&uacute;stria, na constru&ccedil;&atilde;o civil e nos servi&ccedil;os distributivos. Nas maiores cidades a renda mediana &eacute; superior entre os ocupados no com&eacute;rcio, nos servi&ccedil;os &ldquo;produtivo&rdquo;, &ldquo;pessoais&rdquo; e &ldquo;sociais e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;. Contudo, &eacute; principalmente na classe de munic&iacute;pios de maior tamanho que se verificou os menores aumentos de remunera&ccedil;&atilde;o, com varia&ccedil;&otilde;es relativas inferiores a um d&iacute;gito na ind&uacute;stria, constru&ccedil;&atilde;o civil, com&eacute;rcio e servi&ccedil;os (nos servi&ccedil;os distributivos a varia&ccedil;&atilde;o chegou a ser negativa, -5,7%!). Por outro lado, em ocupa&ccedil;&otilde;es nas quais os diferenciais a favor das grandes cidades foi maior, os ganhos monet&aacute;rios devem ter se dissolvido nos crescentes custos de deslocamento que as grandes metr&oacute;poles imp&otilde;em aos trabalhadores na atualidade.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a11t4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.2. Retratos das diferen&ccedil;as espaciais cotejadas pelo emprego e renda do trabalho</b></p>     <p>Diante do exposto caberia averiguar onde foi maior a expans&atilde;o do emprego no pa&iacute;s entre 2000 e 2010, preferentemente particularizando o total de empregos do terci&aacute;rio (marca de urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerada), e finalmente, como se configuram as desigualdades de renda proveniente do trabalho nas quatro classes de tamanho de munic&iacute;pios aqui discriminadas.</p>     <p>O <a href="#f1">mapa</a>&nbsp;em sequ&ecirc;ncia deixa evidente que o crescimento do terci&aacute;rio nas 15 principais metr&oacute;poles do pa&iacute;s foi relativamente modesto se comparado &agrave;s demais cidades dos munic&iacute;pios com mais de 50 mil habitantes. As evid&ecirc;ncias indicam pelo menos tr&ecirc;s tend&ecirc;ncias. A primeira, visualmente muito clara, diz respeito &agrave; expressiva expans&atilde;o do terci&aacute;rio de uma mir&iacute;ade de &aacute;reas urbanas que fazem parte das grandes periferias das principais metr&oacute;poles brasileiras. A regi&atilde;o sudeste &eacute; particularmente not&aacute;vel pela presen&ccedil;a das metr&oacute;poles de S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A segunda evid&ecirc;ncia refere-se &agrave; expans&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o no &ldquo;grande oeste&rdquo; do Brasil atual. S&atilde;o muitas as sedes de munic&iacute;pios nas franjas do arco da pr&eacute;-Amaz&ocirc;nia, no cintur&atilde;o do agroneg&oacute;cio que, se de um lado ocupa imensas &aacute;reas de cerrado do Centro Oeste-Norte, tamb&eacute;m viabiliza a forte expans&atilde;o de um conjunto expressivo de cidades de porte m&eacute;dio. A terceira conclus&atilde;o derivada da observa&ccedil;&atilde;o do cartograma diz respeito &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o em uma &aacute;rea antiga do interior da regi&atilde;o Nordeste, mas que exibe na atualidade significativa expans&atilde;o do emprego no com&eacute;rcio e servi&ccedil;os.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a11f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Diante dessas evid&ecirc;ncias resta averiguar os diferenciais de desigualdade socioespacial, ou seja, no interior das discuss&otilde;es sobre mudan&ccedil;as no mercado de trabalho na rede de cidades h&aacute; um ponto que merece aten&ccedil;&atilde;o: os rendimentos do trabalho s&atilde;o muito desiguais e extremamente vari&aacute;veis conforme o tamanho das localidades?</p>     <p>Retomando a mesma metodologia de explora&ccedil;&atilde;o dos dados do censo conviria examinar os dados de rendimento de 2000 e 2010 com mais detalhe. Uma forma de se fazer isso &eacute; associar a representa&ccedil;&atilde;o da rede de cidades por classe de tamanho de munic&iacute;pios com as pir&acirc;mides de renda conforme mostra a <a href="#g1">Cole&ccedil;&atilde;o de Gr&aacute;ficos 1</a>. Aqui o que se procura &eacute; visualizar a distribui&ccedil;&atilde;o de renda derivada do trabalho principal<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a> da popula&ccedil;&atilde;o com 15 anos ou mais de idade por sexo. Os dados graficados permitem retirar as seguintes conclus&otilde;es gerais e espec&iacute;ficas:</p> <ol>     <li><i>i)</i> &ndash; ao lado do aumento de pessoas ocupadas em cada faixa de rendimento houve um incremento da renda do trabalho entre 2000 e 2010 em todas as Classes de Tamanho de munic&iacute;pios nas faixas de renda que chegam at&eacute; 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos (s.m.);</li>     <li><i>ii)</i> &ndash; esse incremento &eacute; mais expressivo na faixa de renda de 1 a 2 sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Acima de tr&ecirc;s s.m. os n&uacute;meros absolutos declinam significativamente;</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p><i>iii)</i> &ndash; no grande conjunto de pequenos munic&iacute;pios (at&eacute; 50 mil habitantes) os dados indicam que os trabalhadores auferem rendas mais baixas que em todas as demais Classes de Tamanho. Isso n&atilde;o causa surpresa ao se observar que esses munic&iacute;pios re&uacute;nem uma grande quantidade de ocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o qualificadas nas atividades agr&iacute;colas tradicionais;</p> <ol>     <li>iv) &ndash; a Classe que agrega os munic&iacute;pios de porte m&eacute;dio se destaca frente &agrave;s demais ao exibir o maior contingente de pessoas na faixa de renda de 2 a 3 s.m. &Eacute; prov&aacute;vel que boa parte desses trabalhadores tenha melhorado seu n&iacute;vel de renda no per&iacute;odo ainda que estejam localizados na base da pir&acirc;mide de renda (provavelmente muitos deles auferiam no ano 2000 menos de dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos);</li>     <li>v) &ndash; o exame da composi&ccedil;&atilde;o da renda por sexo traz &agrave; luz duas evid&ecirc;ncias marcantes: a quantidade de mulheres inseridas no mercado de trabalho aumenta significativamente em termos proporcionais &agrave; medida que cresce o tamanho do munic&iacute;pio de resid&ecirc;ncia, embora em todos os casos a presen&ccedil;a num&eacute;rica dos homens lhe seja superior. Nas faixas de maior remunera&ccedil;&atilde;o o n&uacute;mero de homens &eacute;, em todos os casos, bastante superior ao das mulheres. De forma semelhante ao j&aacute; observado, no rol das cidades m&eacute;dias aumentou muito a presen&ccedil;a de mulheres trabalhadoras na faixa de renda de 2 a 3 sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Esse dado constitui um indicador de redinamiza&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho no Brasil.</li>     </ol>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a11g1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Conclus&otilde;es</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Algumas das conclus&otilde;es mais importantes desse trabalho s&atilde;o as seguintes: a) houve melhora generalizada nos rendimentos entre 2000 e 2010 e as mulheres, mais numerosas nas maiores cidades, melhoraram suas rendas. A feminiza&ccedil;&atilde;o de parte do mercado de trabalho nas grandes cidades se faz evidente; b) &eacute; grande a dist&acirc;ncia de nossas pir&acirc;mides com os conhecidos &ldquo;losangos&rdquo; dos pa&iacute;ses desenvolvidos. Os dados indicam dois pontos de discrep&acirc;ncia nos desenhos dos gr&aacute;ficos de barra. O primeiro refere-se ao &ldquo;fosso&rdquo; que separa os remunerados de 1 a 2 s.m. dos remunerados com 2 a 3 s.m. O segundo diz respeito &agrave; dist&acirc;ncia que separa os que ganham mais ou menos de 10 s.m. Os munic&iacute;pios com mais de um milh&atilde;o de habitantes do Brasil conformam a Classe de Tamanho com o mercado de trabalho mais desigual. Nestes, 59,5% da popula&ccedil;&atilde;o empregada de 15 anos ou mais recebe at&eacute; 2 s.m. e participa com apenas 20% da renda auferida no trabalho principal, enquanto 6,4% recebe 10 ou mais s.m e abarca 37,7% dos rendimentos.</p>     <p>O Brasil experimentou, de fato, um importante incremento da renda do trabalho entre 2000 e 2010, mas paradoxalmente a desigualdade &eacute; ou continua marcante nas grandes cidades, embora s&oacute; nelas existam mulheres vis&iacute;veis nas faixas de alta renda.</p>     <p>No interior das atividades industriais instaladas no Brasil do in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI h&aacute; indica&ccedil;&otilde;es de clara expans&atilde;o do emprego a despeito de haver incrementos de produtividade em alguns setores e redu&ccedil;&atilde;o relativa do estoque de empregos. Uma desindustrializa&ccedil;&atilde;o, entretanto n&atilde;o tipifica a situa&ccedil;&atilde;o brasileira. Destarte, a agricultura comercial e o agroneg&oacute;cio, o avan&ccedil;o recente da ind&uacute;stria de extra&ccedil;&atilde;o mineral e de transforma&ccedil;&atilde;o em uma mir&iacute;ade de pequenos munic&iacute;pios, al&eacute;m do formid&aacute;vel incremento da constru&ccedil;&atilde;o civil devem ter impulsionado vigorosamente o terci&aacute;rio urbano na rede de cidades como os dados demonstraram. Uma fra&ccedil;&atilde;o significativa da popula&ccedil;&atilde;o beneficiada com a expans&atilde;o do emprego no setor de servi&ccedil;os deve integrar segmentos intermedi&aacute;rios formadores da chamada nova classe m&eacute;dia. Residem nos interst&iacute;cios derivados da interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira, fora das metr&oacute;poles.</p>     <p>O volume de empregos e o rendimento do trabalho relativamente alto entre os protagonistas da interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o, particularmente as cidades de porte m&eacute;dio, sinalizam para mudan&ccedil;as na estrutura espacial do emprego; para um novo padr&atilde;o de distribui&ccedil;&atilde;o do emprego e renda que pode estar desencadeando altera&ccedil;&otilde;es estruturais sens&iacute;veis na inser&ccedil;&atilde;o ocupacional no Brasil.</p>     <p>As mudan&ccedil;as s&atilde;o significativas, a expans&atilde;o da renda e do emprego foram not&aacute;veis, embora os empregos sediados na ind&uacute;stria moderna foram e est&atilde;o sendo no momento bem inferiores aos do alto e baixo terci&aacute;rios, o que, a longo prazo, poder&aacute; comprometer a pr&oacute;pria expans&atilde;o dos setor de servi&ccedil;os e a interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o, uma vez que a agroind&uacute;stria n&atilde;o tem envergadura para suprir a demanda futura de empregos, futuro que seria muito pior se n&atilde;o houvesse o decl&iacute;nio tendencial do volume da popula&ccedil;&atilde;o em idade ativa.</p>     <p>A elasticidade dos investimentos industriais foi e continua sendo essencial ao desenvolvimento e os gargalos do setor e sua redu&ccedil;&atilde;o de competitividade s&atilde;o desafios que fazem parte da agenda pol&iacute;tica do Brasil atual. Inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica implica ganhos de produtividade e novos impactos no mercado de trabalho. Se isso amedronta os pol&iacute;ticos profissionais, conv&eacute;m pensar nos requerimentos de qualquer capitalismo que se pretende competitivo internacionalmente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Cano, W. Ensaios sobre a crise urbana do Brasil. Editora Unicamp. Campinas. 2011&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-1267201400020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CEDEPLAR - Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional. Projeto Belo Horizonte no S&eacute;culo XXI. Relat&oacute;rio do M&Oacute;DULO 4 - Servi&ccedil;os e a rede urbana metropolitana. Belo Horizonte, 20 de julho de 2004, dispon&iacute;vel em <a href="http://web.cedeplar.ufmg.br/cedeplar/site/pesquisas/pbh/arquivos/mod4.pdf"target="_blank">http://web.cedeplar.ufmg.br/cedeplar/site/pesquisas/pbh/arquivos/mod4.pdf</a>, acessado em 16 de maio de 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S2182-1267201400020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ferreira, R. N.; Matos, R. E. S. Dinamismo do mercado de trabalho formal e mobilidade espacial de trabalhadores. In: MATOS, Ralfo; SOARES, Weber. (Org.). Desigualdades socioespaciais, redes e espacialidades emergentes no Brasil. 1 ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2010, v. 1, p. 137-162.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S2182-1267201400020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ferreira, R. N.; Matos, R. E. S. &ldquo;A din&acirc;mica do emprego formal no Brasil da d&eacute;cada de 1990 e as tend&ecirc;ncias de reestrutura&ccedil;&atilde;o territorial&rdquo;. In: XI Encontro Nacional da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional - ANPUR, 2005, Salvador-BA. Anais... Salvador: ANPUR, 2005.</p>     <!-- ref --><p>IPEAD - Funda&ccedil;&atilde;o Instituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas, Administrativas e Cont&aacute;beis de Minas Gerais. Desenvolvimento de metodologia e c&aacute;lculo de indicadores socioecon&ocirc;micos de Belo Horizonte (Relat&oacute;rios 10,11,12). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/files.do?evento=download&amp;urlArqPlc=Indicadores_Socioeconomicos_de_Belo_Horizonte.pdf"target="_blank">http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/files.do?evento=download&amp;urlArqPlc=Indicadores_Socioeconomicos_de_Belo_Horizonte.pdf</a>, acessado em 16 de maio de 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S2182-1267201400020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kaldor, N. Causes of the slow rate of economic growth in the United Kingdom. Cambridge University Press, 1966.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S2182-1267201400020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Maricato, E. &ldquo;&Eacute; a quest&atilde;o urbana, est&uacute;pido!&rdquo;. Le Monde Diplomatique Brasil, ano 7, n. 73, p. 6-7,&nbsp; agosto de 2013.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Matos, R. E. S. &ldquo;Aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas, rede de cidades e desconcentra&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica no Brasil&rdquo;. In: X Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 2000, Caxambu-MG. Anais...Belo Horizonte: ABEP, 2000.</p>     <p>Matos, R.; Braga, F. &ldquo;Rede Urbana e redistribui&ccedil;&atilde;o espacial da popula&ccedil;&atilde;o brasileira&rdquo;. In: XIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 2002, Ouro Preto-MG. Anais... Ouro Preto: ABEP, 2002.</p>     <p>Matos, R.; Ferreira, R. N.. &ldquo;Inser&ccedil;&atilde;o ocupacional de emigrantes das &Aacute;reas Metropolitanas de S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro&rdquo;. Revista Brasileira de Estudos da Popula&ccedil;&atilde;o, Campinas, v. 21, p. 83-100, 2004.</p>     <p>Matos, R.; Ferreira, R. N. &ldquo;De qual centro e periferia estamos falando? Evid&ecirc;ncias acerca de &ldquo;mobilidades&rdquo; da for&ccedil;a de trabalho e condi&ccedil;&otilde;es de vida em regi&otilde;es metropolitanas selecionadas&rdquo;. In XV Encontro Nacional da ANPUR, 2013, Recife-PE. Anais... Recife: ANPUR, 2013.</p>     <p>Matos, R.; Ferreira, R. N.; Garcia, R. A.. &ldquo;Padr&atilde;o de vida, qualidade de vida e status migrat&oacute;rio na rede de cidades do Brasil atual&rdquo;. In: VIII Encontro Nacional sobre Migra&ccedil;&otilde;es, 2013, Belo Horizonte. Anais ... Belo Horizonte: ABEP, 2013.</p>     <!-- ref --><p>Pochmann, M. Nova Classe M&eacute;dia? O trabalho na base da pir&acirc;mide social brasileira. S&atilde;o Paulo. Boitempo Editorial. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S2182-1267201400020001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Squeff, G. C. &ldquo;Desindustrializa&ccedil;&atilde;o: luzes e sombras no debate brasileiro&rdquo;. Texto para discuss&atilde;o 1747. IPEA. Brasilia, 2012</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> A despeito da exist&ecirc;ncia dos c&eacute;ticos que analisam a conjuntura econ&ocirc;mica do pa&iacute;s ignorando a expans&atilde;o da rede urbana brasileira e seus efeitos sobre a economia nacional.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Pesquisa do IPEA, intitulada &ldquo;Pobreza e Riqueza no Brasil Metropolitano&rdquo;, coordenada por M&aacute;rcio Pochmann, revelou que nas seis principais regi&otilde;es metropolitanas do pa&iacute;s mais de tr&ecirc;s milh&otilde;es de indiv&iacute;duos haviam deixado de ser pobres entre 2002 e 2006,&nbsp; o que correspondia a uma significativa queda de 8,8 pontos percentuais na taxa de pobreza &ndash; que chegava a 24,1%.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Na atualidade poucos discordam da relev&acirc;ncia da dispers&atilde;o do emprego no pa&iacute;s. Jornais de S&atilde;o Paulo notificam esse fato como se fosse um fato inaudito. Concluem que melhorou substancialmente a condi&ccedil;&atilde;o social da popula&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o do maior acesso a uma s&eacute;rie de bens de consumo. Renato Meirelles, do <i>Data Popular</i> declarou ao <i>Estado de S&atilde;o Paulo</i> que houve uma forte redu&ccedil;&atilde;o do contingente de pobres e decl&iacute;nio das participa&ccedil;&otilde;es das classes E e D na estrutura social. Nossos estudos exp&otilde;em tend&ecirc;ncias como essas, com base em dados do Censo e da RAIS, desde meados da d&eacute;cada passada.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Nesse artigo a classe dos munic&iacute;pios com popula&ccedil;&atilde;o entre 50 e 500 mil habitantes ser&aacute; indistintamente denominada de &ldquo;grupo dos munic&iacute;pios intermedi&aacute;rios&rdquo;, &ldquo;classe dos munic&iacute;pios de porte m&eacute;dio&rdquo;, &ldquo;classe dos munic&iacute;pios de cidades m&eacute;dias&rdquo;, ou eventualmente &ldquo;grupo das cidades m&eacute;dias&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Acrescente-se que o debate sobre localiza&ccedil;&atilde;o e caracter&iacute;sticas da chamada nova classe m&eacute;dia brasileira est&aacute; longe de se esgotar e pode associar-se ao mesmo processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o aqui discutido.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> A constru&ccedil;&atilde;o civil, ao ocupar grande n&uacute;mero de trabalhadores, demanda uma vasta gama de bens e servi&ccedil;os necess&aacute;rios no dia a dia dos canteiros de obra. Ap&oacute;s o t&eacute;rmino das obras, parte expressiva do mobili&aacute;rio dos pr&eacute;dios habitados &eacute; adquirida nos estabelecimentos comerciais e de servi&ccedil;os existentes nas localidades onde s&atilde;o erguidas as edifica&ccedil;&otilde;es. Note-se que, mesmo em um per&iacute;odo no qual a constru&ccedil;&atilde;o predial se recuperou e alcan&ccedil;ou altas taxas de crescimento no pa&iacute;s, diante do processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o a demanda por im&oacute;veis deve ter sido relevante nas duas primeiras classes de tamanho de munic&iacute;pios. Os dados comprovam essa assertiva, as varia&ccedil;&otilde;es foram significativamente positivas: 43,2% e 40,8%, respectivamente.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> As atividades &ldquo;mal definidas&rdquo; tiveram um aumento explosivo entre 2000 e 2010, o que pode indicar o surgimento de novas ocupa&ccedil;&otilde;es de dif&iacute;cil defini&ccedil;&atilde;o de acordo com as existentes no C&oacute;digo Brasileiro de Ocupa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> A subdivis&atilde;o do setor de servi&ccedil;os aqui adotada foi adaptada de IPEAD (2014) e Cedeplar (2004).</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Dados n&atilde;o apresentados nesse estudo mostram ter havido ente 2000 e 2010 um aumento significativo de trabalhadores de maior n&iacute;vel de escolaridade em todas as classes de tamanho de munic&iacute;pios, em especial os com Ensino M&eacute;dio e Superior nos munic&iacute;pios de pequeno e m&eacute;dio porte.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Os n&uacute;meros inteiros da mediana em 2010 e fracionados em 2000 foram revisados e est&atilde;o corretos. O que explica os valores exatos em 2010 &eacute; a prefer&ecirc;ncia por n&uacute;meros inteiros nas respostas ao recenseador. Como &eacute; alto o numero de respondentes que declaram a renda como um n&uacute;mero redondo (2 mil, 3 mil ...), torna-se alta a probabilidade de a mediana "cair" em um n&uacute;mero redondo. Probabilidade ampliada na medida em que o artigo utiliza a informa&ccedil;&atilde;o da renda no trabalho principal, apurada em uma &uacute;nica pergunta. N&atilde;o se trata, portanto, do somat&oacute;rio de rendimentos declarados em v&aacute;rios quesitos sobre renda e subsequente divis&atilde;o por um n&uacute;mero de pessoas (renda per capita, renda m&eacute;dia). Quanto aos valores quebrados de 2000 a explica&ccedil;&atilde;o &eacute; a seguinte: todos os valores de 2000 foram multiplicados pelo deflator do INPC acumulado entre 2000 e 2010, n&uacute;mero equivalente a 1,9645958. &Eacute; a multiplica&ccedil;&atilde;o pelo deflator que transforma os n&uacute;meros inteiros em fracionados. Por exemplo: sem a corre&ccedil;&atilde;o&nbsp; pelo INPC os valores medianos das rendas auferidas no trabalho principal para o grupo com ensino superior completo por Classe de Tamanho de munic&iacute;pios eram, respectivamente, R$894,00, R$1.200,00, R$1300,00 e R$1800,00.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> No Brasil, ap&oacute;s a onda de protestos de junho de 2013, a urbanista Erm&iacute;nia Maricato escreveu um artigo com o provocativo e sugestivo t&iacute;tulo <b><i>&ldquo;<b>&Eacute; a quest&atilde;o urbana, est&uacute;pido!&rdquo;. </b></i><b>Nele</b>,</b> a autora indica os grandes problemas que atingem as maiores cidades do pa&iacute;s e observa que melhores sal&aacute;rios n&atilde;o asseguram melhoria nas condi&ccedil;&otilde;es de vida ou redu&ccedil;&atilde;o das disparidades na distribui&ccedil;&atilde;o de renda. Isso porque as condi&ccedil;&otilde;es de vida s&atilde;o superiores se houver pol&iacute;ticas p&uacute;blicas urbanas eficazes nas &aacute;reas de transporte, saneamento, moradia, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a, lazer, coleta de lixo. Na verdade a cidade representa um grande patrim&ocirc;nio material constru&iacute;do, mas sua apropria&ccedil;&atilde;o &eacute; desigual e comumente as rendas imobili&aacute;rias e de localiza&ccedil;&atilde;o explicam boa parte das desigualdades socioespaciais existentes. (Maricato, 2013, p. 6)</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Adicionalmente, uma conclus&atilde;o deve ser assinalada: a diferen&ccedil;a entre as taxas de crescimento da renda total e da renda do trabalho principal nas grandes cidades &eacute; grande (3,5% contra 2,7%). Dados aqui n&atilde;o apresentados mostram, para a popula&ccedil;&atilde;o de 15 anos ou mais empregada nas metr&oacute;poles, um decl&iacute;nio da participa&ccedil;&atilde;o relativa do rendimento do trabalho principal na renda total entre 2000 e 2010, de 89% para 82%. Isso deve se explicar pela amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o dos rendimentos origin&aacute;rios de outras fontes, como heran&ccedil;as, ganhos financeiros, alugueis, etc.</p>      ]]></body><back>
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