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<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2014.6.013</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Acessibilidade e ocupação do solo em regiões de fronteira da Guiné-Bissau]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study aims to evaluate the road network’s accessibility and to analyze land cover in borderlands of Guinea Bissau, using techniques of remote sensing, Geographic Information Systems (GIS) and basic concepts of network analysis and was developed within the project “Geospatial Tools on Demarcation and Management of Guinea Bissau Boundary - GEOBOUND”¹. The analysis focuses on two regions where the boundary is, in part, demarcated by river valleys, one located in the northern sector with Senegal and another in the eastern sector with Guinea-Conakry. The results show that the road network and land cover have continuity between countries and also reveal a certain similarity, in each of the regions, in terms of cross-border accessibility, without the interference of the valleys.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Regiões de Fronteira]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Acessibilidade e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo em regi&otilde;es de fronteira da Guin&eacute;-Bissau</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Melo, Ana<sup>1</sup>; Costa, Fernando<sup>1</sup>; Cabral, Ana<sup>1</sup>; Nunes, Maria<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica Tropical; <a style="color: #000080;" href="mailto:a.raquel.melo@gmail.com">a.raquel.melo@gmail.com</a>; <a style="color: #000080;" href="mailto:flcosta1955@gmail.com">flcosta1955@gmail.com</a>; <a style="color: #000080;" href="mailto:anaicabral70@gmail.com">anaicabral70@gmail.com</a>; <a style="color: #000080;" href="mailto:mcarmonunes15@gmail.com">mcarmonunes15@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo tem como objectivo avaliar a acessibilidade da rede vi&aacute;ria e analisar o coberto do solo nas regi&otilde;es de fronteira da Guin&eacute;-Bissau, utilizando t&eacute;cnicas de detec&ccedil;&atilde;o remota, Sistemas de Informa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica (SIG) e conceitos b&aacute;sicos de an&aacute;lise de redes, tendo sido desenvolvido no &acirc;mbito do projecto &ldquo;Tecnologias Geoespaciais na Demarca&ccedil;&atilde;o e Gest&atilde;o da Fronteira da Guin&eacute;-Bissau - GEOBOUND&rdquo;.</p>     <p>A an&aacute;lise centra-se em duas regi&otilde;es onde a linha de fronteira foi demarcada, em parte, por vales de rios, uma localizada no sector norte com o Senegal e outra no leste com a Guin&eacute;-Conacri. Os resultados mostram que a rede vi&aacute;ria e o coberto do solo t&ecirc;m continuidade e similitude entre os pa&iacute;ses em cada uma das &aacute;reas, em termos de acessibilidade transfronteiri&ccedil;a, n&atilde;o existindo interfer&ecirc;ncia dos cursos de &aacute;gua.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: Regi&otilde;es de Fronteira; Acessibilidade; Coberto do solo; SIG; Guin&eacute;-Bissau.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study aims to evaluate the road network&rsquo;s accessibility and to analyze land cover in borderlands of Guinea Bissau, using techniques of remote sensing, Geographic Information Systems (GIS) and basic concepts of network analysis and was developed within the project &ldquo;Geospatial Tools on Demarcation and Management of Guinea Bissau Boundary &ndash; GEOBOUND&rdquo;.</p>     <p>The analysis focuses on two regions where the boundary is, in part, demarcated by river valleys, one located in the northern sector with Senegal and another in the eastern sector with Guinea-Conakry. The results show that the road network and land cover have continuity between countries and also reveal a certain similarity, in each of the regions, in terms of cross-border accessibility, without the interference of the valleys.</p>     <p><b>Keywords: </b>Borderlands; Accessibility; Land cover; GIS; Guinea Bissau.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b><a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a></p>     <p>Na &Aacute;frica pr&eacute;-colonial as organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais (fam&iacute;lia alargada, tribo, etnia e na&ccedil;&atilde;o) eram muito diversificadas mas bem marcadas. O espa&ccedil;o territorial e a defini&ccedil;&atilde;o de fronteira, separando entidades pol&iacute;ticas, eram estabelecidos por factores, como o sistema pol&iacute;tico e econ&oacute;mico ou a propor&ccedil;&atilde;o entre a terra e a popula&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o dependiam de unidades &eacute;tnicas, culturais ou lingu&iacute;sticas. As fronteiras sempre existiram delimitando espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos de acordo com as organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais locais, que englobavam v&aacute;rias etnias e diversas l&iacute;nguas, sendo as fronteiras &eacute;tnicas e pol&iacute;ticas raramente coincidentes (Amaral, 1994).</p>     <p>Os espa&ccedil;os territoriais de 52 dos estados africanos foram delimitados pelas suas administra&ccedil;&otilde;es coloniais da Europa, ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia de Berlim, em 1885, tendo sido a maioria conclu&iacute;da nas duas d&eacute;cadas seguintes. O Egipto e a Eti&oacute;pia, as mais antigas entidades pol&iacute;ticas da hist&oacute;ria do Homem, s&atilde;o as &uacute;nicas excep&ccedil;&otilde;es (Amaral, 1995).</p>     <p>&Aacute;frica est&aacute; dividida por 109 fronteiras internacionais, cerca de metade das quais s&atilde;o definidas por coordenadas geogr&aacute;ficas, sendo um ter&ccedil;o por linhas geom&eacute;tricas e um quarto por elementos naturais, como limites de bacias hidrogr&aacute;ficas, linhas de &aacute;gua ou talvegues, montanhas ou linhas de cumeada. As linhas de fronteira t&ecirc;m uma grande diversidade de formas, combinando sectores ao longo dos paralelos e meridianos, segmentos de recta com v&aacute;rias orienta&ccedil;&otilde;es, arcos de c&iacute;rculo, linhas de &aacute;gua e de interfl&uacute;vios e alinhamentos de relevo (Amaral, 1985; Amaral, 1994).</p>     <p>Os novos pa&iacute;ses africanos, como a Guin&eacute;-Bissau, adoptaram o modelo de estado na&ccedil;&atilde;o europeu ao qual tentaram ajustar as sociedades pluriculturais e multi-&eacute;tnicas, que integram o espa&ccedil;o definido pelas fronteiras artificiais coloniais (Amaral, 1994). Esses pa&iacute;ses mantiveram uma certa tradi&ccedil;&atilde;o africana pr&eacute;-colonial de espa&ccedil;os pol&iacute;ticos com uma grande diversidade cultural, que integram v&aacute;rias l&iacute;nguas e etnias, havendo mesmo casos de coincid&ecirc;ncia dos limites fronteiri&ccedil;os coloniais com os de jurisdi&ccedil;&atilde;o de dirigentes locais africanos (D&ouml;pcke, 1999).</p>     <p>A maioria dos investigadores que se dedicaram ao estudo das fronteiras em &Aacute;frica admitiu, no entanto, que os novos pa&iacute;ses independentes s&atilde;o verdadeiros puzzles pela sua multiplicidade de l&iacute;nguas e pela sua diversidade de etnias, sem uma hist&oacute;ria comum (Amaral, 1994). Em &Aacute;frica existe um total de 834 grupos &eacute;tnico-lingu&iacute;sticos, (Murdock, 1959), 358 dos quais se encontram distribu&iacute;dos por mais do que um pa&iacute;s (Michalopoulos e Papaioannou, 2011). A divis&atilde;o de espa&ccedil;os culturais, associada ao elevado n&uacute;mero de fronteiras com um tra&ccedil;ado segundo linhas rectas, podem sugerir um total desrespeito pelas realidades sociais pr&eacute;-coloniais na delimita&ccedil;&atilde;o das fronteiras.</p>     <p>A Guin&eacute;-Bissau faz fronteira a norte com o Senegal, na regi&atilde;o de Casaman&ccedil;a, ao longo de cerca de 338 km, e &eacute; caracterizada pela inexist&ecirc;ncia de acidentes naturais. A leste e a sudeste com a Guin&eacute;-Conacri, numa extens&atilde;o de aproximadamente 386 km, foi delimitada por talvegues de curso de &aacute;gua e segmentos de recta.</p>     <p>A linha de fronteira divide espa&ccedil;os &eacute;tnicos entre pa&iacute;ses vizinhos, como o dos fulas no leste, com a Guin&eacute;-Conacri, e os dos balantas, fulas e mandingas, no tro&ccedil;o norte com o Senegal. A fronteira n&atilde;o constitui na realidade uma barreira, sendo muito perme&aacute;vel aos movimentos da popula&ccedil;&atilde;o e ao tr&aacute;fego de mercadorias com fins comerciais. A circula&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a &eacute; frequente para desenvolver actividades agro-pecu&aacute;rias quotidianas, aceder a mercados e a servi&ccedil;os ou participar em eventos culturais e religiosos, de acordo com v&aacute;rios estudos realizados (Fanchette, 2001; Arragain e Salliot, 2006; Tom&aacute;s, 2010; Dione, 2013).</p>     <p>As actividades concertadas entre as popula&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses vizinhos s&atilde;o frequentes e visam, por exemplo, o ordenamento agr&iacute;cola de vales transfronteiri&ccedil;os (Tam-Tam, 2009) ou ac&ccedil;&otilde;es concretas em termos de seguran&ccedil;a e resolu&ccedil;&atilde;o de pequenos delitos (Arragain e Salliot, 2006). A ocorr&ecirc;ncia de actividades comuns e de tr&aacute;fego pedonal e de ve&iacute;culos s&atilde;o mais frequentes no caso particular da fronteira norte, sobretudo devido &agrave;s afinidades &eacute;tnico-lingu&iacute;sticas entre os povos da Guin&eacute;-Bissau e os da regi&atilde;o de Casaman&ccedil;a (Tom&aacute;s, 2010). As frequentes desloca&ccedil;&otilde;es transfronteiri&ccedil;as ocorrem ainda na depend&ecirc;ncia das condi&ccedil;&otilde;es do com&eacute;rcio em termos de mercado e pre&ccedil;os, em particular nos mercados semanais de cada pa&iacute;s (Fanchette, 2001). Encontra-se tamb&eacute;m na origem destas movimenta&ccedil;&otilde;es, a boa qualidade dos servi&ccedil;os prestados naquela regi&atilde;o do Senegal, nomeadamente em termos de cuidados de sa&uacute;de (Dione, 2013).</p>     <p>A fronteira &eacute; muito perme&aacute;vel pois, para al&eacute;m das liga&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e &eacute;tnicas, n&atilde;o foi delimitada por acidentes naturais muito acentuados, particularmente no tro&ccedil;o norte. Estes aspectos facilitam a acessibilidade que, por sua vez, associada &agrave; atractividade do com&eacute;rcio dos servi&ccedil;os, se reflectem no desenvolvimento da rede vi&aacute;ria nas regi&otilde;es transfronteiri&ccedil;as e na similitude de ocupa&ccedil;&atilde;o do solo entre os pa&iacute;ses vizinhos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em trabalho anterior, os mesmos autores (Costa et al., 2014) estudaram &aacute;reas onde a linha de fronteira n&atilde;o foi definida por acidentes naturais. Constataram que a fronteira n&atilde;o constitui uma barreira, pois a rede vi&aacute;ria, a acessibilidade e o coberto do solo s&atilde;o semelhantes entre pa&iacute;ses lim&iacute;trofes e t&ecirc;m continuidade transfronteiri&ccedil;a. No presente trabalho, na sequ&ecirc;ncia daqueles resultados, decidiram analisar outras &aacute;reas em que a linha de fronteira foi delimitada, em parte, por cursos de &aacute;gua, para avaliar, deste modo, quais os poss&iacute;veis impactos da fronteira na ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. &Aacute;rea de estudo e informa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica</b></p>     <p>A selec&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de estudo foi realizada de acordo com as caracter&iacute;sticas da fronteira e a informa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica existente. A fronteira terrestre entre a Guin&eacute;-Bissau e o Senegal n&atilde;o &eacute; delimitada por acidentes naturais, mas por segmentos de recta, sendo a topografia, de um modo geral, plana nas regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as (<a href="#f1">figura 1</a>). Apenas existe um sector, de cerca de 10 km, onde em pleno territ&oacute;rio do Senegal, o talvegue de um curso de &aacute;gua, a norte da regi&atilde;o de Cuntima, tem um tra&ccedil;ado paralelo &agrave; linha de fronteira com a Guin&eacute;-Bissau, a cerca de 500 m de dist&acirc;ncia desta. A fronteira com a Guin&eacute;-Conacri &eacute; delimitada por linhas de &aacute;gua em cerca de metade da sua extens&atilde;o. A topografia nas regi&otilde;es de fronteira &eacute; mais acidentada, excepto nos sectores leste e no mais pr&oacute;ximo do litoral sul (<a href="#f1">figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Neste trabalho comparam-se as acessibilidades, bem como o coberto do solo em duas &aacute;reas de estudo da fronteira entre a Guin&eacute;-Bissau e cada um dos pa&iacute;ses vizinhos. O estudo das acessibilidades foi baseado na cartografia da Guin&eacute;-Bissau, na escala de 1:50000 (JMGIU/IICT, 1950-1965), a maior escala produzida, onde a delimita&ccedil;&atilde;o da linha de fronteira e a posi&ccedil;&atilde;o dos respectivos marcos se encontram com uma maior precis&atilde;o. Estas cartas cont&ecirc;m tamb&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o, sobre a rede vi&aacute;ria e aldeias, que se estende aos pa&iacute;ses lim&iacute;trofes. Construiu-se, com estes tipos de informa&ccedil;&atilde;o, uma base de dados geogr&aacute;fica, em ambiente SIG. Os mapas de coberto do solo foram obtidos a partir de imagens Landsat Thematic Mapper Plus (ETM+), relativas ao ano de 2010, com uma resolu&ccedil;&atilde;o espacial de 30 m. Estes mapas foram reamostrados para um pixel de 25 metros, de forma a estabelecer a &aacute;rea m&iacute;nima cartografada de 1 ha (4x4 pixels).</p>     <p>Para a obten&ccedil;&atilde;o dos indicadores de centralidade e acessibilidade seleccionaram-se dois pol&iacute;gonos com cerca de 20 km de comprimento e aproximadamente 2 km de largura, para cada lado da linha de fronteira (<a href="#f2">figura 2</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O comprimento dos pol&iacute;gonos foi definido para incluir dois sectores, um onde a linha de fronteira foi delimitada por talvegues de cursos de &aacute;gua e outro por segmentos de recta. Os cursos de &aacute;gua na &aacute;rea leste n&atilde;o constituem o limite fronteiri&ccedil;o apenas em cerca de 10 km de extens&atilde;o e na &aacute;rea a norte restringem-se s&oacute; a 10 km da regi&atilde;o de fronteira. Perante este facto e para que as duas &aacute;reas de estudo possam ser compar&aacute;veis, optou-se por definir uma extens&atilde;o m&aacute;xima de 20 km, condicionada pelo comprimento daqueles dois tipos de limites de fronteira. A sua largura ficou limitada a um total de 4 km, uma vez que na cartografia de base a informa&ccedil;&atilde;o sobre a rede vi&aacute;ria e aldeias nos pa&iacute;ses vizinhos abrange apenas uma extens&atilde;o de cerca de 2 km.</p>     <p>As &aacute;reas de estudo localizam-se na fronteira norte, com o Senegal, na regi&atilde;o de Cuntima, e na leste, com a Guin&eacute;-Conacri, pr&oacute;ximo de Buruntuma (<a href="#f2">figura 2</a>). Estes sectores da fronteira encontram-se entre os que disp&otilde;em de maior fluxo transfronteiri&ccedil;o entre a Guin&eacute;-Bissau e os dois pa&iacute;ses vizinhos, o que se reflecte no elevado n&uacute;mero de eixos vi&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Metodologia e resultados</b></p>     <p>Este estudo tem como objectivos principais comparar as acessibilidades entre aldeias em duas regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as da Guin&eacute;-Bissau e avaliar a similitude do coberto do solo, entre os pa&iacute;ses lim&iacute;trofes. Tem como objectivos espec&iacute;ficos: contribuir para a caracteriza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es transfronteiri&ccedil;as, utilizando cartografia de base (aldeias e eixos vi&aacute;rios) e imagens de sat&eacute;lite; analisar a distribui&ccedil;&atilde;o espacial do povoamento entre pa&iacute;ses cont&iacute;guos nas regi&otilde;es de fronteira, recorrendo a Sistemas de Informa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica (SIG) e a conceitos b&aacute;sicos de an&aacute;lise de redes (Teoria dos Grafos); avaliar o poss&iacute;vel impacto da linha de fronteira no coberto do solo, utilizando t&eacute;cnicas de detec&ccedil;&atilde;o remota.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.1. Avalia&ccedil;&atilde;o de acessibilidade</b></p>     <p>O m&eacute;todo utilizado na an&aacute;lise da organiza&ccedil;&atilde;o espacial do territ&oacute;rio baseou-se na teoria dos grafos, em fun&ccedil;&atilde;o das aldeias e da rede vi&aacute;ria, para cada uma das &aacute;reas de estudo. De acordo com esta teoria foram usados dois tipos de medidas: as de conectividade e liga&ccedil;&atilde;o e as de acessibilidade e centralidade, conforme se esquematiza na <a href="#f3">figura 3</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este estudo apoiou-se sobretudo em Sousa (2010) que sistematizou os aspectos fundamentais daquela teoria e desenvolveu aplica&ccedil;&otilde;es SIG para a rede de transportes.</p>     <p>As medidas de conectividade e liga&ccedil;&atilde;o permitem analisar a estrutura geral da rede, atrav&eacute;s do grau de conectividade (n&uacute;mero total de arcos / n&uacute;mero total de n&oacute;s), definido por Shimbel (1953), e do n&uacute;mero de liga&ccedil;&otilde;es. Neste tipo de medidas, as liga&ccedil;&otilde;es (arcos) s&atilde;o directas, ou seja s&atilde;o feitas somente entre dois n&oacute;s (aldeias) da rede.</p>     <p>Elaborou-se uma rede topol&oacute;gica definida por n&oacute;s e arcos, estabelecendo as liga&ccedil;&otilde;es entre as aldeias (<a href="#f4">figuras 4a e b</a>). Na &aacute;rea norte 11 aldeias pertencem &agrave; Guin&eacute;-Bissau e 13 ao Senegal, enquanto na leste 19 cabem &agrave; Guin&eacute;-Bissau e 10 &agrave; Guin&eacute;-Conacri. A partir da rede de liga&ccedil;&otilde;es entre os n&oacute;s, produziu-se a matriz de conectividade (<a href="#t1">tabela 1</a>), da qual se obteve o n&uacute;mero de liga&ccedil;&otilde;es para cada n&oacute;, atrav&eacute;s do somat&oacute;rio de cada linha da matriz.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f4.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A &aacute;rea da fronteira com o Senegal tem 72 arcos e 24 n&oacute;s (<a href="#t1">tabela 1a</a>), pelo que o grau de conectividade &eacute; de 3,0 e com a Guin&eacute;-Conacri disp&otilde;e de 93 arcos e 29 n&oacute;s (<a href="#t1">tabela 1b</a>), de que resulta um grau de conectividade de 3,2. Como em ambas as &aacute;reas o valor &eacute; superior a 1, podem ser consideradas redes completas e de forte conectividade, consequentemente bem estruturadas, o que pode ser um indicador do n&iacute;vel de desenvolvimento das regi&otilde;es e da complexidade das rela&ccedil;&otilde;es espaciais.</p>     <p>Na fronteira com o Senegal, 15 das 24 aldeias t&ecirc;m mais de 15 liga&ccedil;&otilde;es directas (<a href="#f5">figura 5a</a>), enquanto na fronteira com a Guin&eacute;-Conacri, 19 das 29 t&ecirc;m entre 6 e 10 liga&ccedil;&otilde;es directas e apenas uma aldeia disp&otilde;e de 12, correspondendo ao n&uacute;mero mais elevado (<a href="#f5">figura 5b</a>). No conjunto estes valores s&atilde;o inferiores aos da &aacute;rea de estudo da fronteira norte com o Senegal.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na &aacute;rea situada a norte, uma estrada principal e outros 17 eixos vi&aacute;rios atravessam a fronteira. No Senegal existe uma estrada secund&aacute;ria paralela &agrave; linha de fronteira, em cerca de metade da extens&atilde;o da &aacute;rea de estudo, que estabelece a liga&ccedil;&atilde;o entre as aldeias mais importantes (<a href="#f5">figura 5a</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rea leste, uma estrada principal e 14 caminhos cruzam a fronteira com a Guin&eacute;-Conacri (<a href="#f5">figura 5b</a>), pa&iacute;s onde se encontra uma estrada secund&aacute;ria ao longo de cerca de dois ter&ccedil;os da fronteira. Na Guin&eacute;-Bissau, existe uma estrada secund&aacute;ria paralela a quase toda a extens&atilde;o da linha de fronteira.</p>     <p>As medidas de acessibilidade e centralidade permitem fazer uma an&aacute;lise interna da rede. Ao contr&aacute;rio das medidas de conectividade e liga&ccedil;&atilde;o, estes indicadores apontam o n&uacute;mero de caminhos poss&iacute;veis de um n&oacute; a qualquer outro da rede, ou seja estabelecem as liga&ccedil;&otilde;es indirectas entre os n&oacute;s (aldeias). Para cada uma das &aacute;reas construiu-se uma matriz de acessibilidade (<a href="#t2">tabela 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A partir da matriz obteve-se o &Iacute;ndice de Shimbel (IS), que corresponde ao somat&oacute;rio em linha da matriz das dist&acirc;ncias topol&oacute;gicas, e o N&uacute;mero de K&ouml;ning (NK), que equivale ao valor m&aacute;ximo de cada linha. De ambas as colunas se retira o valor m&iacute;nimo para obter, respectivamente, a aldeia com maior acessibilidade e centralidade. Num determinado espa&ccedil;o geogr&aacute;fico a aldeia mais acess&iacute;vel &eacute; a que tiver o menor valor de IS e a mais central a que tiver menor valor de NK.</p>     <p>A matriz de acessibilidade para a &aacute;rea de estudo do Senegal (<a href="#t2">tabela 2a</a>) mostra que o valor mais baixo para o IS &eacute; de 38 e para o NK de 3. Estes valores significam, respectivamente, que a aldeia mais acess&iacute;vel &eacute; Sare Cub&eacute; (<a href="#f6">figura 6a</a>) e as mais centrais s&atilde;o Lenquerim e Sare Quej&atilde; (<a href="#f6">figura 6b</a>), todas localizadas no Senegal. Pode-se tamb&eacute;m observar que o IS com maior valor &eacute; 91 referente a Sare N&rsquo;Diaye e Sare Conco, que correspondem &agrave;s aldeias menos acess&iacute;veis, tamb&eacute;m situadas no Senegal (<a href="#f6">figura 6a</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em s&iacute;ntese, verifica-se que a aldeia mais acess&iacute;vel, a menos acess&iacute;vel e as mais centrais se encontram no territ&oacute;rio do Senegal, bem como tr&ecirc;s das quatro menos centrais. A acessibilidade e a centralidade s&atilde;o decrescentes para a periferia da &aacute;rea de estudo, sem qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a linha de fronteira (<a href="#f6">figuras 6a e b</a>).</p>     <p>Relativamente &agrave; matriz de acessibilidade para a &aacute;rea de estudo da fronteira com a Guin&eacute;-Conacri (<a href="#t2">tabela 2b</a>) verifica-se que o valor mais baixo de NK &eacute; 4 e de IS &eacute; 58, o que significa que Cambe S&ecirc;uro (Guin&eacute;-Conacri) e Sinch&atilde; Bolama (Guin&eacute;-Bissau) s&atilde;o as aldeias mais centrais, sendo esta &uacute;ltima tamb&eacute;m a mais acess&iacute;vel. O valor mais elevado de IS &eacute; de 108, o que equivale &agrave;s aldeias menos acess&iacute;veis da regi&atilde;o de Demba Danejo (Guin&eacute;-Bissau).</p>     <p>Em resumo, tanto a aldeia mais acess&iacute;vel como as menos acess&iacute;veis se encontram no territ&oacute;rio da Guin&eacute;-Bissau. As duas mais centrais distribuem-se pelos dois pa&iacute;ses, cabendo as tr&ecirc;s menos centrais &agrave; Guin&eacute;-Bissau (<a href="#f7">figuras 7a e b</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Analisando em conjunto as duas &aacute;reas &eacute; de referir que no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico da fronteira com o Senegal tanto a aldeia mais acess&iacute;vel como a mais central se localizam no Senegal e, em contrapartida, na fronteira com a Guin&eacute;-Conacri encontram-se repartidas por ambos os pa&iacute;ses vizinhos. Estes aspectos sugerem um maior desenvolvimento da rede vi&aacute;ria do Senegal em detrimento da Guin&eacute;-Bissau, na &aacute;rea de estudo norte, e da Guin&eacute;-Bissau em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Guin&eacute;-Conacri, na leste. Este facto &eacute; igualmente corroborado pelo n&uacute;mero de aldeias existentes em cada pa&iacute;s, como j&aacute; foi referido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.2. An&aacute;lise do coberto do solo</b></p>     <p>Na elabora&ccedil;&atilde;o do mapa de coberto do solo foi definida uma legenda com seis classes: floresta aberta, savana arb&oacute;rea, bolanha, ardido, &aacute;gua e solo nu. Este mapa foi obtido aplicando um m&eacute;todo de classifica&ccedil;&atilde;o supervisada de m&aacute;xima verosimilhan&ccedil;a, sendo a precis&atilde;o global resultante de 84.5% (Vasconcelos et al., 2014).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na &aacute;rea norte (<a href="#f8">figura 8a</a>) as manchas de coberto do solo mostram continuidade entre a Guin&eacute;-Bissau e o Senegal. A savana arb&oacute;rea &eacute; o tipo de coberto predominante que ocupa cerca de 81% da superf&iacute;cie na Guin&eacute;-Bissau e 72% no Senegal (<a href="#f9">figuras 9a e b</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9">     <p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f9.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As &aacute;reas de rizicultura (bolanhas) cobrem cerca de 11% e 21% da superf&iacute;cie, respectivamente na Guin&eacute;-Bissau e no Senegal (<a href="#f9">figuras 9a e b</a>). Em ambos os pa&iacute;ses ocupam a maioria dos fundos de vales, na proximidade dos quais se localizam preferencialmente as povoa&ccedil;&otilde;es e se verifica um adensamento da rede vi&aacute;ria. A maior &aacute;rea de bolanhas que se observa no Senegal deve-se &agrave; exist&ecirc;ncia de um vale mais extenso e amplo, com condi&ccedil;&otilde;es de drenagem adequadas a culturas alagadas.</p>     <p>Na &aacute;rea leste na fronteira com a Guin&eacute;-Conacri, praticamente s&oacute; a savana arb&oacute;rea tem continuidade entre os dois pa&iacute;ses (<a href="#f8">figura 8b</a>), ocupando 54,5% e 69,6% respectivamente na Guin&eacute;-Conacri e na Guin&eacute;-Bissau (<a href="#f10">figuras 10a e b</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n6/n6a13f10.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Resumindo, os tipos de coberto do solo predominantes s&atilde;o semelhantes em ambos os pa&iacute;ses e s&atilde;o essencialmente savana arb&oacute;rea, floresta aberta e bolanha (<a href="#f10">figura 10</a>). A rede vi&aacute;ria e a distribui&ccedil;&atilde;o das aldeias disp&otilde;em-se paralelamente ao longo da linha de fronteira, em parte condicionada pelo vale encaixado do rio que a delimita (<a href="#f8">figura 8b</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Discuss&atilde;o e conclus&otilde;es</b></p>     <p>Este estudo, baseado na an&aacute;lise topol&oacute;gica de redes, mostra que a densidade da rede vi&aacute;ria, o n&uacute;mero de aldeias, a acessibilidade entre elas e a conectividade da rede s&atilde;o semelhantes na Guin&eacute;-Bissau e nos pa&iacute;ses lim&iacute;trofes, embora com contrastes bem marcados conforme o sector da fronteira.</p>     <p>Apesar de nas duas &aacute;reas de estudo existirem cursos de &aacute;gua nas regi&otilde;es de fronteira, estes n&atilde;o exercem uma influ&ecirc;ncia significativa na acessibilidade entre as aldeias dessas &aacute;reas. Por outro lado, verifica-se que nas duas e sobretudo na leste, com a Guin&eacute;-Conacri, grande parte da rede vi&aacute;ria tem continuidade entre os dois pa&iacute;ses vizinhos e os cursos de &aacute;gua n&atilde;o constituem qualquer barreira.</p>     <p>Entre os pa&iacute;ses lim&iacute;trofes, nas duas &aacute;reas, uma estrada principal constitui um importante eixo de tr&aacute;fego e um n&uacute;mero semelhante de eixos vi&aacute;rios cruzam a fronteira. Nos dois casos as redes de estradas s&atilde;o bem estruturadas, com boas liga&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel interno de cada pa&iacute;s e entre pa&iacute;ses.</p>     <p>No conjunto, as aldeias em que existe uma maior concentra&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&otilde;es, acessibilidade e centralidade s&atilde;o coincidentes (figuras <a href="#f5">5</a>, <a href="#f6">6</a>&nbsp;e <a href="#f7">7</a>). Este facto leva a concluir que sendo as liga&ccedil;&otilde;es directas ou indirectas, entre os n&oacute;s da rede, as aldeias mais acess&iacute;veis s&atilde;o praticamente as mesmas. No entanto, as medidas de an&aacute;lise interna da rede (acessibilidade e centralidade) reflectem melhor o seu impacto no territ&oacute;rio do que as de an&aacute;lise da estrutura geral (conectividade e de liga&ccedil;&atilde;o), dado que analisam sobretudo os n&oacute;s e n&atilde;o apenas a rede em geral.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verifica-se, assim, que a fronteira n&atilde;o influencia significativamente a continuidade da rede vi&aacute;ria nem a acessibilidade entre as aldeias de pa&iacute;ses vizinhos, nem mesmo quando &eacute; delimitada por cursos de &aacute;gua. Tendo em conta o comportamento do coberto do solo, a fronteira tamb&eacute;m n&atilde;o constitui uma barreira, pois, na realidade, os v&aacute;rios tipos e a sua distribui&ccedil;&atilde;o espacial tem continuidade transfronteiri&ccedil;a quer a norte quer a leste, embora mais evidente entre a Guin&eacute;-Bissau e o Senegal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Amaral, I. (1985). Fronteiras, estado e na&ccedil;&atilde;o em &Aacute;frica. Apontamentos de geografia pol&iacute;tica. Lisboa, Mem&oacute;rias da Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, Classe de Letras: 43-68.</p>     <p>Amaral, I. (1994). New reflexions on the theme of international boundaries. Global boundaries. World boundaries. Scholfield, C.H. (ed). Londres, Routledge, 1: 16-23.</p>     <p>Amaral, I. (1995). A Africa no limiar do s&eacute;culo XXI: um continente em crise. Enciclop&eacute;dia Luso-Brasileira de Cultura Verbo, Lisboa, Editorial Verbo, 23: 387-418.</p>     <p>Arragain, F. e Salliot, E. (2006). Forums de dialogue transfrontalier. Fronti&egrave;re S&eacute;n&eacute;gal &ndash; Guin&eacute;e Bissau. Fronti&egrave;res et Int&eacute;grations en Afrique de l&rsquo;Ouest, 35 p..</p>     <p>Costa, F.L.; Melo, A.R.; Cabral, A.I. e Nunes, M.C.. (2014). Acessibilidade e povoamento nas regi&otilde;es de fronteira da Guin&eacute;-Bissau. Guimar&atilde;es, Actas. XIV Col&oacute;quio Ib&eacute;rico de Geografia, &lsquo;A Jangada de Pedra&rsquo;. Geografias Ibero-Afro-Americanas, 6 p..</p>     <p>Dione, I. (2013). Sant&eacute; et territoire en Haute Casamance: Logiques socio-&eacute;conomiques et territoriales d&rsquo;acc&egrave;s aux soins dans un espace commun &agrave; la Gambie, la Guin&eacute;e Bissau, le S&eacute;n&eacute;gal et la Guin&eacute;e. ESO, Travaux &amp; Documents, 36: 67-77.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>D&ouml;pcke, W. (1999). A vida longa das linhas retas: cinco mitos sobre as fronteiras na &Aacute;frica Negra. Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional, 42 (1): 77-109. (<a href="http://pt.scribd.com/doc/52967155/HG-Cinco-mitos-sobre-as-fronteiras-da-Africa"target="_blank">http://pt.scribd.com/doc/52967155/HG-Cinco-mitos-sobre-as-fronteiras-da-Africa</a>).</p>     <p>Fanchette, S. (2001). D&eacute;sengagement de l&rsquo;&eacute;tat et recomposition d'un espace d'&eacute;change transfrontalier: la Haute-Casamance et ses voisins. Autrepart, (2001/3), 19: 91-91. DOI : 10.3917/autr.019.0091.</p>     <!-- ref --><p>Michalopoulos, S. e Papaioannou, E. (2011). The long-run effects of the scramble for Africa. National Bureau of Economic Research, Working Paper 17620, 72 p. (<a href="http://www.nber.org/papers/w17620"target="_blank">http://www.nber.org/papers/w17620</a>).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S2182-1267201400020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Murdock, G. P. (1959). Africa: Its peoples and their culture history. McGraw Hill Text. In: <a href="http://peterslarson.com/2011/01/19/african-conflict-and-ethnic-distribution/"target="_blank">http://peterslarson.com/2011/01/19/african-conflict-and-ethnic-distribution/</a>(16-5-2012).</p>     <p>Shimbel, A., (1953). Structural parameters of communication networks. Bulletin of Mathematical Biophysics, Vol. 15.</p>     <!-- ref --><p>Sousa, P. (2010). Efeito estruturante das redes de transporte no territ&oacute;rio. Modelo de an&aacute;lise. Doutoramento em Geografia Humana, Instituto de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio, 313 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S2182-1267201400020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <p>Tam-Tam. (2009). Tam-tam. O eco da actualidade transfronteiri&ccedil;a. Procas e Enda Diapol, N&ordm; 1-2, 3 e 4.</p>     <p>Tom&aacute;s, J. (2010). Porqu&eacute; un rey joola cruza la frontera y el outro no? Pinceladas sobre una investigaci&oacute;n en curso en la frontera entre Guineaâ€Bissau y Senegal. Lisboa, 7&ordm; Congresso Ib&eacute;rico de Estudos Africanos, 13 p.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vasconcelos, M.; Cabral, A.; Melo, J.; Pearson, T.; Pereira, H.; Cassam&aacute;, V. e Yudelman, T. (2014). Can blue carbon contribute to clean development in West-Africa? The case of Guinea-Bissau. Mitigation and Adaptation Strategies for Global Change, 23 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S2182-1267201400020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a> Financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (FCT), PTDC/ATP-GEO/4645/2012.</p>      ]]></body><back>
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