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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A dieta mediterrânica - a criação de uma cadeia de valor multifuncional: Para uma nova inteligência territorial no rural tradicional algarvio. Uma abordagem exploratória]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Algarve Faculdade de Economia Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações (CIEO)]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The information and knowledge society shows the way for a new value system, a system which can be named as the &#8220;Co society&#8221; where the collaborative and intelligent networks play an outstanding role. The Mediterranean Diet label, the world immaterial heritage, awarded by UNESCO, is an excellent opportunity to reopen the development process of the so called rural traditional societies. The label &#8220;immaterial heritage&#8221; reverses the order of the conventional value chain and places the &#8220;iconomy&#8221; at the heart of the local production system. The concept of multifunctional value chain is well suited for this fundamental shift and therefore the final discussion which opens the debate on this refreshed approach.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A dieta mediterr&acirc;nica &ndash; a cria&ccedil;&atilde;o de uma cadeia de valor multifuncional. Para uma nova intelig&ecirc;ncia territorial no rural tradicional algarvio. Uma abordagem explorat&oacute;ria<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Covas, Ant&oacute;nio<sup>1</sup>, Covas, Maria<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o sobre o Espa&ccedil;o e as Organiza&ccedil;&otilde;es (CIEO), Universidade do Algarve, Faculdade de Economia; Edif&iacute;cio 9, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal; <a style="color: #000080;" href="mailto:acovas@ualg.pt">acovas@ualg.pt</a>; <a style="color: #000080;" href="mailto:mcovas@ualg.pt">mcovas@ualg.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento abre-nos a porta para um novo sistema de valores. A esse sistema de valores atribu&iacute;mos o nome de &ldquo;sociedade CO&rdquo;, uma sociedade onde as redes inteligentes e colaborativas desempenham um papel fundamental. A apela&ccedil;&atilde;o Dieta Mediterr&acirc;nica, Patrim&oacute;nio Imaterial da Humanidade, atribu&iacute;da pela UNESCO, &eacute; uma boa oportunidade para reaprender os processos de desenvolvimento de sociedades ou regi&otilde;es ditas &rdquo;tradicionais&rdquo;. A apela&ccedil;&atilde;o &ldquo;patrim&oacute;nio imaterial&rdquo; inverte a ordem estabelecida das cadeias de valor convencionais e coloca a &ldquo;<i>iconomia</i>&rdquo; no cora&ccedil;&atilde;o do sistema local de produ&ccedil;&atilde;o. O conceito de cadeia de valor multifuncional d&aacute; conta dessa altera&ccedil;&atilde;o fundamental e a discuss&atilde;o final incide, justamente, sobre o alcance dessa mudan&ccedil;a de orienta&ccedil;&atilde;o</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: Sociedade &ldquo;Co&rdquo;, redes inteligentes e colaborativas, dieta mediterr&acirc;nica,<i> iconomia</i>, territ&oacute;rios-rede, cadeia de valor multifuncional.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The information and knowledge society shows the way for a new value system, a system which can be named as the &ldquo;Co society&rdquo; where the collaborative and intelligent networks play an outstanding role. The Mediterranean Diet label, the world immaterial heritage, awarded by UNESCO, is an excellent opportunity to reopen the development process of the so called rural traditional societies. The label &ldquo;immaterial heritage&rdquo; reverses the order of the conventional value chain and places the &ldquo;<i>iconomy</i>&rdquo; at the heart of the local production system. The concept of multifunctional value chain is well suited for this fundamental shift and therefore the final discussion which opens the debate on this refreshed approach.</p>     <p><b>Keywords: </b>&ldquo;Co&rdquo; society, intelligent and collaborative networks, Mediterranean Diet, <i>iconomy,</i> territorial networks, multifunctional value chain.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Vivemos na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento onde as redes inteligentes e a economia do imaterial desempenham, cada vez mais, um papel decisivo. A apela&ccedil;&atilde;o Dieta Mediterr&acirc;nica, que nos foi atribu&iacute;da pela UNESCO, n&atilde;o &eacute;, ainda, um conceito funcional e muito menos um quadro de actua&ccedil;&atilde;o territorial. Todavia, a apela&ccedil;&atilde;o &ldquo;patrim&oacute;nio imaterial da humanidade&rdquo; encerra um complexo de evoca&ccedil;&otilde;es, intui&ccedil;&otilde;es, sentimentos e factos simb&oacute;licos que, uma vez reagrupados em redor dos conceitos de cadeia de valor e economia das redes, nos pode ajudar a desbravar um caminho muito prometedor para o desenvolvimento de regi&otilde;es mais desfavorecidas. Em grande medida, a denomina&ccedil;&atilde;o &ldquo;patrim&oacute;nio imaterial&rdquo; n&atilde;o s&oacute; inverte a ordem habitual das cadeias de valor, geralmente de montante para jusante, como nos remete para um &ldquo;grande movimento de transi&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos territ&oacute;rios onde a economia das redes desempenha um papel crucial e onde a combina&ccedil;&atilde;o entre recursos materiais e recursos imateriais ocupa um lugar central pela forma como pode recriar uma cadeia de valor multifuncional. A constru&ccedil;&atilde;o de um territ&oacute;rio-rede para a Dieta Mediterr&acirc;nica inscreve-se neste grande movimento de transi&ccedil;&atilde;o para a &ldquo;Sociedade CO&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. O grande movimento de transi&ccedil;&atilde;o para a &ldquo;Sociedade CO&rdquo;</b></p>     <p>Na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento, a emerg&ecirc;ncia, lenta mas sustentada, de uma cultura digital e colaborativa &eacute; um sinal dos tempos e uma evid&ecirc;ncia irrecus&aacute;vel nas sociedades actuais. Ela come&ccedil;a na inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, passa para as plataformas tecnol&oacute;gicas e redes inteligentes e, em seguida, para as comunidades <i>online</i> e redes sociais diversas que interagem com as comunidades <i>offline </i>e as pessoas concretas que habitam um territ&oacute;rio em particular. As obras de v&aacute;rios autores, entre elas, as de Jeremy Rifkin (2001, 2014), Joel de Rosnay (2012, 2010, 2008, 2006, 1995), Gon&ccedil;alo R. Telles, (2011, 2003), Miguel Altieri (2008, 2004), Paul Virilio (1977), Pierre Bourdieu (2013), Zygmunt Bauman (2000), Ulrick Beck (1999, 2002, 2009), U. Beck, Anthony Giddens e Scott Lash (2004), Karl Polanyi (2000, 1944), Michel Certeau (1990), Mancur Olson (1999), Joan Martin&eacute;z Alier (2007), Ant&oacute;nio Covas e Merc&ecirc;s Covas (2014, 2014a, 2013, 2012, 2011), entre outros, alertam-nos, cada uma a seu tempo e a seu modo, para os sinais emergentes de uma sociedade mais &ldquo;liquida, fluida e reticular&rdquo;. Quer dizer, no seio da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento, nesse novo caldo de cultura, nasce progressivamente a &ldquo;Sociedade Co&rdquo;, um grande movimento societal e social em redor dos valores do conhecimento, colabora&ccedil;&atilde;o, comunidade, comunica&ccedil;&atilde;o, comunh&atilde;o, confian&ccedil;a, convivialidade e congratula&ccedil;&atilde;o. Vejamos, neste contexto em transi&ccedil;&atilde;o, como se apresentam os candidatos a territ&oacute;rios-rede (T-R) que queremos construir tendo como pano de fundo a obra <i>Os territ&oacute;rios-Rede </i>(Covas e Covas, 2014), onde os autores fazem um primeiro balan&ccedil;o dos requisitos necess&aacute;rios para ser territ&oacute;rio-rede.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Os territ&oacute;rios s&atilde;o cada vez menos um stock e cada vez mais um fluxo.</b></p>     <p>Por isso, n&atilde;o devem ser pensados exclusivamente de &ldquo;dentro para dentro&rdquo;, como at&eacute; aqui, mas de &ldquo;dentro para fora&rdquo; e de &ldquo;fora para dentro&rdquo;. Enquanto fluxos os Territ&oacute;rios-Rede s&atilde;o, simultaneamente, comunidades <i>online e offline</i>, isto &eacute;, o campo das suas possibilidades est&aacute; para l&aacute; dos seus limites e fronteiras e &eacute; esse &ldquo;campo de compossibilidade&rdquo; que define os territ&oacute;rios-rede como espa&ccedil;os de constru&ccedil;&atilde;o de arranjos colaborativos.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Os territ&oacute;rios parecem sofrer do paradoxo da coopera&ccedil;&atilde;o entre vizinhos.</b></p>     <p>O paradoxo da coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel na baixa interac&ccedil;&atilde;o/intensidade das redes convencionais de vizinhan&ccedil;a e pode ser descrito desta forma: a coopera&ccedil;&atilde;o entre vizinhos e entre interesses semelhantes &eacute; mais superficial e corporativa por compara&ccedil;&atilde;o com a coopera&ccedil;&atilde;o dissemelhante ou complementar que &eacute; mais intensa e colaborativa; ora, o Territ&oacute;rio-Rede, como n&oacute;s o entendemos, pertence a esta segunda categoria (Covas e Covas, 2014).</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A coopera&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o &eacute; um produto virtuoso de circunst&acirc;ncias especialmente favor&aacute;veis ou uma caracter&iacute;stica ou atributo dos actores em presen&ccedil;a.</b></p>     <p>A coopera&ccedil;&atilde;o territorial &eacute; mais processo e procedimento do que <i>output</i> e <i>input</i> no jogo de for&ccedil;as entre grupos sociais para moldar as regras do jogo &agrave; sua vontade; ao interferir directamente na forma&ccedil;&atilde;o dos significados em torno dos quais se organiza a ac&ccedil;&atilde;o, a regula&ccedil;&atilde;o do processo de coopera&ccedil;&atilde;o exige especiais compet&ecirc;ncias ao actor-rede, o <i>pivot </i>do territ&oacute;rio-rede.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>A grande quest&atilde;o dos Territ&oacute;rios-Rede &eacute; a forma e o processo de liga&ccedil;&atilde;o entre recursos tang&iacute;veis e recursos intang&iacute;veis.</b></p>     <p>A grande quest&atilde;o j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o as velhas polariza&ccedil;&otilde;es, dicotomias, bin&oacute;mios, dualidades, (entre rural e urbano, entre moderno e tradicional, entre cidade e campo); a grande quest&atilde;o dos T-R &eacute; despertar a intelig&ecirc;ncia colectiva do territ&oacute;rio e criar uma economia colaborativa onde as comunidades virtuais estejam ao servi&ccedil;o da comunidade e da economia reais; estamos a falar do <i>Paradigma da Iconomia</i> feito de internet, informa&ccedil;&atilde;o, intelig&ecirc;ncia, inova&ccedil;&atilde;o, imaterial e intang&iacute;vel.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>No plano metodol&oacute;gico e operativo, os T-R t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de conhecer a distin&ccedil;&atilde;o entre territ&oacute;rios normativos e territ&oacute;rios cognitivos.</b></p>     <p>Os territ&oacute;rios, tal como os conhecemos e praticamos, est&atilde;o muito assentes no <i>problem-solving </i>e na<i> policy</i>, isto &eacute;, s&atilde;o mais normativistas; pelo contr&aacute;rio, os territ&oacute;rios cognitivos assentam mais no <i>problem-saving,</i> ou seja, numa abordagem assente mais na <i>politics</i> e na <i>polity.</i> Os T-R e o actor-rede que os administra t&ecirc;m de possuir a sabedoria de uma dosagem apropriada entre factores normativos e factores cognitivos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Os T-R ser&atilde;o o instrumento de uma economia criativa e colaborativa com um suporte avan&ccedil;ado na cultura digital.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &ldquo;coopera&ccedil;&atilde;o dissemelhante&rdquo; de geometria vari&aacute;vel promovida pelos T-R pode mobilizar de forma criativa e colaborativa os recursos imateriais e intang&iacute;veis que valorizam muito o cabaz de produtos de uma regi&atilde;o; doravante, passaremos a ouvir falar mais de <i>sharing economy</i>, <i>crowd economy</i>, <i>peer to peer production</i>, <i>collaborative commons</i>, <i>territorial networking</i>, <i>moedas criativas e sociais</i>, <i>internet das coisas,</i> etc.</p>     <p>Estes atributos fazem parte do movimento de transi&ccedil;&atilde;o para a &ldquo;Sociedade CO&rdquo; que, de forma muito esquem&aacute;tica, se apresenta na <a href="#f1">Figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n7/n7a06f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Acreditamos que a transi&ccedil;&atilde;o para a &ldquo;Sociedade CO&rdquo; &eacute; o enquadramento adequado para o desenvolvimento da Dieta Mediterr&acirc;nica, em toda a sua densidade e complexidade, material e imaterial, em especial pelo modo como entende a forma&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor. Com efeito, estamos habituados a cadeias de valor do tipo &ldquo;silo&rdquo;, completamente verticalizadas e debaixo de um complexo de rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as que, com frequ&ecirc;ncia, produz externalidades negativas sobre o ambiente e o territ&oacute;rio e esmaga margens comerciais j&aacute; reduzidas de pequenos produtores. Por isso, a cria&ccedil;&atilde;o de uma cadeia de valor multifuncional que seja a express&atilde;o da utilidade social do respeito interpares, assente em valores e redes colaborativos e numa economia circular 4R (redu&ccedil;&atilde;o, repara&ccedil;&atilde;o, reciclagem e reutiliza&ccedil;&atilde;o) de produ&ccedil;&atilde;o conjunta de bens agro-industriais e servi&ccedil;os ecossist&eacute;micos remunerados, &eacute; um imperativo de sociedade e cultura que a Dieta Mediterr&acirc;nica dever&aacute; observar como veremos mais adiante.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Dieta Mediterr&acirc;nica, uma apela&ccedil;&atilde;o imaterial de prest&iacute;gio</b></p>     <p>A Dieta Mediterr&acirc;nica, recentemente proclamada <i>patrim&oacute;nio imaterial da humanidade</i> pela UNESCO, foi uma candidatura transnacional de sete pa&iacute;ses (Portugal, Espanha, It&aacute;lia Gr&eacute;cia, Chipre, Cro&aacute;cia e Marrocos) liderada pela cidade algarvia de Tavira. A aprova&ccedil;&atilde;o recente desta candidatura em Dezembro de 2013 &eacute; uma excelente ocasi&atilde;o para provar a pertin&ecirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o social de um territ&oacute;rio-rede que seja a retaguarda e o suporte territorial desta prestigiada apela&ccedil;&atilde;o internacional e que funcione como um laborat&oacute;rio de ensaio de muitas especifica&ccedil;&otilde;es contidas nesta denomina&ccedil;&atilde;o territorial.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.1. Dieta Mediterr&acirc;nica, uma apela&ccedil;&atilde;o territorial de prest&iacute;gio.</b></p>     <p>A Dieta Mediterr&acirc;nica &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social e cultural milenar. Desde sempre, o homem mediterr&acirc;nico necessitou de todo o seu engenho e arte para lutar contra a escassez de &aacute;gua e alimentos. &Eacute; deste relacionamento intenso e atrav&eacute;s desta aprendizagem constante que se v&atilde;o modelar os h&aacute;bitos alimentares dos diferentes povos desta regi&atilde;o. A dieta mediterr&acirc;nica &eacute;, portanto, uma cultura alimentar adaptada &agrave; escassez, &eacute; um modo de produ&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o de alimentos ajustado a uma natureza hostil, &eacute;, finalmente, um modo de viver a vida, pela sua convivialidade e especial sociabilidade.</p>     <p>No artigo 2&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o da UNESCO sobre patrim&oacute;nio cultural imaterial pode ler-se:</p>     <blockquote>     <p>1. Entende-se por &ldquo;patrim&oacute;nio cultural imaterial&rdquo; as pr&aacute;ticas, representa&ccedil;&otilde;es, express&otilde;es, conhecimentos e aptid&otilde;es &ndash; bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espa&ccedil;os culturais que lhes est&atilde;o associados &ndash; que as comunidades, os grupos e, sendo o caso, os indiv&iacute;duos reconhe&ccedil;am como fazendo parte integrante do seu patrim&oacute;nio cultural. Esse patrim&oacute;nio cultural imaterial, transmitido de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o, &eacute; constantemente recriado pelas comunidades e grupos em fun&ccedil;&atilde;o do seu meio, da sua interac&ccedil;&atilde;o com a natureza e da sua hist&oacute;ria, incutindo-lhes um sentimento de identidade e de continuidade, contribuindo, desse modo, para a promo&ccedil;&atilde;o do respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana. Para os efeitos da presente Conven&ccedil;&atilde;o, tomar-se-&aacute; em considera&ccedil;&atilde;o apenas o patrim&oacute;nio cultural imaterial que seja compat&iacute;vel com os instrumentos internacionais existentes em mat&eacute;ria de direitos do homem, bem como com as exig&ecirc;ncias de respeito m&uacute;tuo entre comunidades, grupos e indiv&iacute;duos.</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>2. O &ldquo;patrim&oacute;nio cultural imaterial&rdquo;, tal como definido no n&uacute;mero anterior, manifesta-se nomeadamente nos seguintes dom&iacute;nios:</blockquote>     <blockquote>     <p style="padding-left: 60px;">a) Tradi&ccedil;&otilde;es e express&otilde;es orais, incluindo a l&iacute;ngua como vector do patrim&oacute;nio cultural imaterial;</p>     <p style="padding-left: 60px;">b) Artes do espect&aacute;culo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="padding-left: 60px;">c) Pr&aacute;ticas sociais, rituais e eventos festivos;</p>     <p style="padding-left: 60px;">d) Conhecimentos e pr&aacute;ticas relacionadas com a natureza e o universo;</p>     <p style="padding-left: 60px;">e) Aptid&otilde;es ligadas ao artesanato tradicional.</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>3. Entende-se por &ldquo;salvaguarda&rdquo; as medidas que visem assegurar a viabilidade do patrim&oacute;nio cultural imaterial, incluindo a identifica&ccedil;&atilde;o, documenta&ccedil;&atilde;o, pesquisa, preserva&ccedil;&atilde;o, protec&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o, valoriza&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o, essencialmente atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o formal e n&atilde;o formal, bem como a revitaliza&ccedil;&atilde;o dos diferentes aspectos desse patrim&oacute;nio.</blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode observar, as defini&ccedil;&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o reportam-se a um conceito de patrim&oacute;nio imaterial que n&atilde;o se reduz a um mero acto conservacionista. Estamos a falar de um patrim&oacute;nio imaterial que poder&iacute;amos designar de comunit&aacute;rio ou comunitarista, um patrim&oacute;nio do quotidiano e, como tal, um patrim&oacute;nio din&acirc;mico, criativo e em permanente muta&ccedil;&atilde;o. Todavia, esta perspectiva abrangente do patrim&oacute;nio imaterial levanta s&eacute;rias quest&otilde;es cient&iacute;ficas, t&eacute;cnicas, processuais e procedimentais que colocar&atilde;o grandes dificuldades ao trabalho de intermedia&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria UNESCO, em especial, a harmoniza&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima necess&aacute;ria a uma base comum de inventaria&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o dos bens e servi&ccedil;os culturais e patrimoniais.</p>     <p>De acordo, ainda, com a decis&atilde;o da UNESCO de Dezembro de 2013:</p>     <blockquote>     <p>A dieta mediterr&acirc;nica envolve uma s&eacute;rie de compet&ecirc;ncias, conhecimentos, rituais, s&iacute;mbolos e tradi&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave;s colheitas, &agrave; safra, &agrave; pesca, &agrave; pecu&aacute;ria, &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o, processamento, confec&ccedil;&atilde;o e, em particular, &agrave; partilha, &agrave; convivialidade e ao consumo dos alimentos. Comer em conjunto &eacute; a base da identidade cultural e da sobreviv&ecirc;ncia das comunidades por toda a bacia do Mediterr&acirc;neo.</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&nbsp;</i></p>     <p>Numa entrevista de Samuel Silva a Pedro Gra&ccedil;a, no Jornal <i>P&uacute;blico</i>, em 4/12/2014, &ldquo;Alimenta&ccedil;&atilde;o desequilibrada tem impacto negativo no rendimento escolar dos estudantes&rdquo; (Gra&ccedil;a, 2014), pode ler-se:</p>     <blockquote>     <p>&hellip; Assim, n&atilde;o &eacute; de estranhar a refer&ecirc;ncia constante &agrave; recolec&ccedil;&atilde;o de produtos silvestres (os carac&oacute;is, moluscos, cogumelos), a tradi&ccedil;&atilde;o na recolha de produtos vegetais selvagens (beldroegas, espargos e agri&otilde;es), o estatuto da ca&ccedil;a, a exist&ecirc;ncia de uma enorme tradi&ccedil;&atilde;o de pastoreio para fornecer a prote&iacute;na animal e o recurso a alimentos sazonais frescos ou conservados que forneciam a energia necess&aacute;ria quando faltavam as outras fontes de energia (figos secos, am&ecirc;ndoas, gr&atilde;o, favas e outras leguminosas, alfarroba, bolotas, etc.) (Gra&ccedil;a, 2014).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&hellip; Esta constante adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; escassez est&aacute; na origem de uma arte culin&aacute;ria muito rica que &eacute;, afinal, um desafio vegetariano &agrave; escassez de prote&iacute;na animal. Devido &agrave;s temperaturas elevadas, a arte culin&aacute;ria do mediterr&acirc;neo utiliza a cozedura com frequ&ecirc;ncia nas sopas, ensopados, estufados, jardineiras e caldeiradas. Outra forma de reduzir a contamina&ccedil;&atilde;o dos frescos e das saladas &eacute; atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o frequente de subst&acirc;ncias &aacute;cidas como o vinagre, o lim&atilde;o ou a laranja amarga. Nas bebidas, o vinho, simples ou tra&ccedil;ado, tem o equivalente no ch&aacute; de hortel&atilde; ou de outras ervas arom&aacute;ticas do sul da bacia mediterr&acirc;nica. Nas carnes e no pescado o sal &eacute; o conservante. Nas frutas &eacute; a presen&ccedil;a do a&ccedil;&uacute;car e do mel que funcionam como conservante (Gra&ccedil;a, 2014).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Estamos na regi&atilde;o do Algarve, sede da candidatura &agrave; UNESCO atrav&eacute;s da cidade de Tavira. Entretanto, o ano 2014 foi considerado o Ano Internacional da Agricultura Familiar. A associa&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre a promo&ccedil;&atilde;o da Dieta Mediterr&acirc;nica e o relan&ccedil;amento da agricultura familiar levanta-nos as seguintes interroga&ccedil;&otilde;es:</p>     <p>Como &eacute; que a apela&ccedil;&atilde;o &ldquo;patrim&oacute;nio imaterial da humanidade&rdquo;, proveniente de uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional como a UNESCO, pode aproveitar &agrave; agricultura familiar e promover as pequenas economias locais da regi&atilde;o algarvia?</p>     <p>Como &eacute; que as especifica&ccedil;&otilde;es e o plano de salvaguarda desta certifica&ccedil;&atilde;o internacional podem ajudar a modernizar e a promover a agricultura familiar e as pequenas economias da regi&atilde;o do Algarve sem as segregar ou excluir?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Que estrat&eacute;gias, regional e multilocal, podemos desenhar para levar a cabo a &ldquo;grande alian&ccedil;a&rdquo; entre educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de alimentar, o desenvolvimento da agricultura familiar e das pequenas economias locais do interior e a promo&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial das suas culturas respectivas?</p>     <p>Como proceder, desde j&aacute;, para evitar que a eros&atilde;o do padr&atilde;o alimentar da dieta mediterr&acirc;nica se acentue, que uma apela&ccedil;&atilde;o internacional de prest&iacute;gio seja trocada, com ligeireza, por festivais de culin&aacute;ria mediterr&acirc;nica, que as economias locais e a agricultura familiar sejam abandonadas &agrave; sua sorte e os pequenos aglomerados do interior desertificados, que as culturas locais sejam abastardadas ainda mais dando lugar ao mau gosto e ao <i>kitch</i> mediterr&acirc;nico para &ldquo;turista ver&rdquo;?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.2. Dieta Mediterr&acirc;nica, uma promessa de futuro.</b></p>     <p>Para l&aacute; dos aspectos mais utilit&aacute;rios, produtivos e comerciais, a classifica&ccedil;&atilde;o de <i>patrim&oacute;nio imaterial da humanidade</i> &eacute;, antes de mais, uma promessa de futuro para uma regi&atilde;o, o Algarve, se quisermos, um <i>cr&eacute;dito por conta</i> do que falta fazer na regi&atilde;o se, para tanto, seguirmos o caderno de encargos e especifica&ccedil;&otilde;es que acompanha a classifica&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da. A Dieta Mediterr&acirc;nica &eacute;, digamos, um conceito que atravessa a regi&atilde;o em toda a sua extens&atilde;o, do patrim&oacute;nio imaterial como representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica at&eacute; ao patrim&oacute;nio material como suporte da dieta mediterr&acirc;nica. &Eacute; preciso, pois, perceber que n&atilde;o se trata de duas realidades distintas, mas de duas faces da mesma realidade e que preservar o patrim&oacute;nio imaterial equivale a conservar e desenvolver o patrim&oacute;nio material.</p>     <p>Este registo e esta exig&ecirc;ncia s&atilde;o tanto mais importantes quanto sabemos que, em nome do progresso econ&oacute;mico e social, se observam, com frequ&ecirc;ncia, ocorr&ecirc;ncias preocupantes: uma edifica&ccedil;&atilde;o dispersa recorta o territ&oacute;rio de forma desordenada e degrada a utiliza&ccedil;&atilde;o do capital fundi&aacute;rio; o poder de controlo do capital imobili&aacute;rio afecta a conserva&ccedil;&atilde;o e o uso m&uacute;ltiplo do capital natural; uma intensifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e tecnol&oacute;gica empobrece os atributos biof&iacute;sicos dos ecossistemas e do territ&oacute;rio, ao mesmo tempo que reduz a provis&atilde;o de servi&ccedil;os ambientais na regi&atilde;o. No final, a crescente velocidade de rota&ccedil;&atilde;o do capital financeiro acaba por entrar em rota de colis&atilde;o com os ritmos de regenera&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria dos sistemas biof&iacute;sicos. &Eacute; preciso que nos preocupemos mais com a temporalidade das tecnologias porque o planeta n&atilde;o est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de ser indefinidamente reconstitu&iacute;do pelos ritmos que elas imp&otilde;em.</p>     <p>A Dieta Mediterr&acirc;nica, como promessa de futuro, &eacute; a express&atilde;o cultural e simb&oacute;lica de um equil&iacute;brio delicado entre a natureza e a actividade humana, que o tempo porfiou e o homem confiou. No cerne da quest&atilde;o, em nome do progresso e da tecnologia, teremos a dissemina&ccedil;&atilde;o de monoculturas, a monotonia biof&iacute;sica e a redu&ccedil;&atilde;o da diversidade social, as diversas facetas do mesmo problema. A cada velocidade a sua cultura. Ora, a Dieta Mediterr&acirc;nica precisa, com alguma urg&ecirc;ncia, de um plano de preserva&ccedil;&atilde;o que a proteja dos &ldquo;riscos morais&rdquo; de curto prazo, pois h&aacute; sempre algu&eacute;m disposta a sacrific&aacute;-la no altar da hipervelocidade e do consumo indiscriminado.</p>     <p>A Dieta Mediterr&acirc;nica tem aqui um dos seus maiores desafios. Depois da biopol&iacute;tica do s&eacute;culo XX feita de limpeza, higiene, rastreabilidade e certifica&ccedil;&atilde;o, na biopol&iacute;tica do s&eacute;culo XXI a engenharia gen&eacute;tica e a biotecnologia molecular, as terapias gen&eacute;ticas mas, tamb&eacute;m, os alimentos nutric&ecirc;uticos, a bio&eacute;tica e os novos c&oacute;digos da vida, adquirem uma condi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica elevada. Ao mesmo tempo, a natureza &eacute; um imenso campo de possibilidades de manipula&ccedil;&atilde;o &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o. O mundo natural e biol&oacute;gico torna-se, portanto, um universo cultural, isto &eacute;, pode ser produzido e reproduzido. Cuidado, pois, com a diversidade de biologias de acordo com diferentes programas de investiga&ccedil;&atilde;o, cuidado, pois, com a domestica&ccedil;&atilde;o de plantas e animais, cuidado, pois, com a fabrica&ccedil;&atilde;o da vida por via de alimentos, f&aacute;rmacos e interven&ccedil;&otilde;es de inspira&ccedil;&atilde;o muito diversa.</p>     <p>Neste contexto, que lugar pode ocupar a Dieta Mediterr&acirc;nica? Uma presa f&aacute;cil da pol&iacute;tica de velocidade e das tecnologias de substitui&ccedil;&atilde;o, um local de ref&uacute;gio para os mais avisados, ou, um estilo de vida e um padr&atilde;o alimentar geralmente aceites pela popula&ccedil;&atilde;o? Escapar&aacute; a dieta mediterr&acirc;nica &agrave; pol&iacute;tica de normaliza&ccedil;&atilde;o do capitalismo actual que visa transformar-nos a todos numa esp&eacute;cie de &ldquo;prolet&aacute;rios do sistema capitalista em modo monocultural&rdquo;?</p>     <p>O capitalismo est&aacute;, por raz&otilde;es imanentes ao seu funcionamento, obrigado a criar permanentemente novas oportunidades de neg&oacute;cio. A Dieta Mediterr&acirc;nica pode emergir, portanto, como mais uma oportunidade de neg&oacute;cio interessante. Neste contexto, a dieta mediterr&acirc;nica pode j&aacute; estar, sem o saber, em rota de colis&atilde;o com o capitalismo regional e internacional. Ela &eacute; uma esp&eacute;cie de contracultura e contra-racionalidade, em luta muito desigual contra o &ldquo;regime estabelecido&rdquo; que, entretanto, aproveita para fazer o elogio p&uacute;blico de &ldquo;uma nova promessa&rdquo; de desenvolvimento regional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A atribui&ccedil;&atilde;o desta apela&ccedil;&atilde;o internacional pela UNESCO &eacute;, pois, um desafio muito interessante para a &ldquo;sociologia pol&iacute;tica local e regional&rdquo; e, nesse sentido, ningu&eacute;m aprovaria que a dieta mediterr&acirc;nica fosse conhecida como a hist&oacute;ria de uma captura e de uma enorme dissimula&ccedil;&atilde;o, por mais sucesso e brilhantismo de que a opera&ccedil;&atilde;o fosse coroada. Resta, ent&atilde;o, a possibilidade que todos aguardam, a saber, a Dieta Mediterr&acirc;nica como o exemplo eloquente de uma produ&ccedil;&atilde;o social de qualidade, que melhora o bem-estar material das popula&ccedil;&otilde;es locais e valoriza o patrim&oacute;nio material em que assenta, justificando, dessa forma, a apela&ccedil;&atilde;o internacional que lhe foi concedida. Este &eacute; o desafio que temos pela frente, um desafio para uma nova intelig&ecirc;ncia territorial no rural tradicional algarvio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. A forma&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor multifuncional do territ&oacute;rio-rede da Dieta Mediterr&acirc;nica</b></p>     <p>Se a dieta mediterr&acirc;nica, pelo valor potencial que encerra, &eacute; uma promessa de futuro, ent&atilde;o a nossa pergunta de partida &eacute; a seguinte: como fazer a convers&atilde;o de uma &ldquo;expectativa positiva&rdquo;, a Dieta Mediterr&acirc;nica, num processo participativo de sucesso e numa produ&ccedil;&atilde;o social de qualidade e como operar essa convers&atilde;o atrav&eacute;s de uma cadeia de valor que liga um <i>patrim&oacute;nio imaterial da Humanidade</i> a um patrim&oacute;nio material regional, de tal modo que pode transformar, de forma relevante, a estrutura econ&oacute;mica, social e empresarial de uma comunidade ou regi&atilde;o? (Covas e Covas, 2014: 204).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.1.Uma produ&ccedil;&atilde;o social de qualidade.</b></p>     <p>Sabemos que a produ&ccedil;&atilde;o de qualidade n&atilde;o existe em abstracto e duas abordagens s&atilde;o poss&iacute;veis. Na primeira, o &ldquo;mercado sabe&rdquo; melhor do que ningu&eacute;m o que o cliente precisa. Mercado e cliente, duas no&ccedil;&otilde;es abstractas ao servi&ccedil;o de uma &ldquo;ideologia da qualidade&rdquo;. Na segunda, a qualidade &eacute; um atributo que pode ser negociado por sucessivas "conven&ccedil;&otilde;es ou regras de procedimento", desde a produ&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao consumo e num processo interactivo e negocial em que est&atilde;o implicados diversos actores com estrat&eacute;gias diferenciadas. O que se pretende &eacute; que a qualidade passe a ser o resultado de um consenso social e de um processo de aprendizagem com implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e organizacionais, no sentido em que existem e s&atilde;o reconhecidos diversos modos alternativos de &ldquo;produzir socialmente qualidade&rdquo; (Covas e Covas, 2014: 205).</p>     <p>Sabemos j&aacute; que a economia de mercado, ela pr&oacute;pria, usa in&uacute;meras conven&ccedil;&otilde;es ou regras, desde as normas t&eacute;cnicas &agrave;s marcas e certifica&ccedil;&otilde;es, j&aacute; para n&atilde;o falar do pr&oacute;prio mecanismo de pre&ccedil;os. Tamb&eacute;m sabemos que estas regras e procedimentos convencionais j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o suficientes para assegurar a qualidade e a tranquilidade dos consumidores. A pergunta que se imp&otilde;e &eacute; a seguinte: pode a Dieta Mediterr&acirc;nica estar na origem de uma &ldquo;economia convencional emergente&rdquo;, de um &ldquo;inovador sistema produtivo local&rdquo;, de um &ldquo;territ&oacute;rio-rede de alto valor acrescentado&rdquo; com base em mercados de proximidade e circuitos curtos, mas, tamb&eacute;m, em rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e nos valores e princ&iacute;pios de uma economia solid&aacute;ria e colaborativa? (Covas e Covas, 2014: 205).</p>     <p>Ou, ainda, ao criar uma &ldquo;contra-racionalidade socio-territorial protegida&rdquo; por uma apela&ccedil;&atilde;o internacional de prest&iacute;gio, pode a Dieta Mediterr&acirc;nica estar na origem de um contra ou alter-movimento local e regional que alargue o campo de possibilidades do territ&oacute;rio e estenda a &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o social de qualidade&rdquo; para outras &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o e consumo que at&eacute; a&iacute; estavam quase blindadas pela &ldquo;ordem local&rdquo; do capitalismo reinante? (Covas e Covas, 2014: 205).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A produ&ccedil;&atilde;o e o consumo s&atilde;o sempre localizados e realizados por produtores e consumidores concretos em algum lugar, o que permite estabelecer conven&ccedil;&otilde;es ou procedimentos sempre que a qualidade seja considerada um &ldquo;bem comum&rdquo; repartido e baseado na confian&ccedil;a m&uacute;tua. Neste sentido, a &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o social de qualidade&rdquo; pode ser usada para promover uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento rural, feita de uma pluralidade de agriculturas com base em produtos tradicionais de alto valor biol&oacute;gico, ecossist&eacute;mico e paisag&iacute;stico. Evidentemente, levamos em conta o arsenal dispon&iacute;vel no local como sejam as indica&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas, denomina&ccedil;&otilde;es, marcas colectivas, selos, etiquetas, de processo e qualidade, que, elas tamb&eacute;m, podem ser objecto de negocia&ccedil;&atilde;o e conven&ccedil;&atilde;o. (Covas e Covas, 2014: 205).</p>     <p>Em s&iacute;ntese, uma &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o social de qualidade&rdquo; pode e deve ser um excelente pretexto, n&atilde;o apenas para rever os programas de desenvolvimento, investiga&ccedil;&atilde;o e extens&atilde;o agro-rurais, mas, sobretudo, para relan&ccedil;ar a economia e a sociedade locais. A Dieta Mediterr&acirc;nica &eacute; um excelente pretexto para inovar localmente em mat&eacute;ria de intelig&ecirc;ncia territorial, por interm&eacute;dio do instrumento &ldquo;economia das conven&ccedil;&otilde;es&rdquo;, um pacto territorial para dar &agrave; luz um sistema agro-alimentar local e uma cultura simb&oacute;lica assertiva que respeitem e valorizem a apela&ccedil;&atilde;o de prest&iacute;gio internacional que lhe foi concedida (Covas e Covas, 2014: 206).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.2. A forma&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor multifuncional.</b></p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor da dieta mediterr&acirc;nica dever&aacute; ocorrer na zona de interface entre a economia dos agroecossistemas, a montante, a economia do imaterial e do simb&oacute;lico, a jusante, e a economia do lazer e da visita&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios pontos da cadeia. Na <a href="#f2">Figura 2</a> o &ldquo;silo vertical&rdquo; pr&oacute;prio das cadeias agro-industriais convencionais, com produ&ccedil;&atilde;o de externalidades positivas e negativas em todas as direc&ccedil;&otilde;es, d&aacute; lugar a uma economia circular de redes inteligentes e colaborativas (bens comuns colaborativos) em que as externalidades e internalidades s&atilde;o uma &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o conjunta&rdquo; do territ&oacute;rio-rede que estamos a considerar.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n7/n7a06f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A t&iacute;tulo de exemplo, pensemos na verticaliza&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor da cabra algarvia e nas tarefas que essa op&ccedil;&atilde;o acarreta, sempre numa perspectiva de valoriza&ccedil;&atilde;o das economias locais e dos seus ecossistemas mais sens&iacute;veis, l&aacute; onde a cabra algarvia tem o seu nicho ecol&oacute;gico preferido (quem diz cabra diz mel, medronho, frutos silvestres, pomar tradicional de sequeiro, citrinos, flores, cogumelos, corti&ccedil;a, ca&ccedil;a, etc.).</p>     <p>No que diz respeito &agrave;s tarefas a realizar, a verticaliza&ccedil;&atilde;o da cadeia de valor exige:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- Em primeiro lugar, trata-se de reagrupar os produtores da ra&ccedil;a aut&oacute;ctone da cabra algarvia tendo em vista apurar e valorizar a biodiversidade local da esp&eacute;cie e do seu nicho ecol&oacute;gico;</p>     <p>- Em segundo lugar, trata-se de organizar a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, associativa e p&uacute;blica, nessa linha de abordagem mais agroecol&oacute;gica e ecossist&eacute;mica;</p>     <p>- Em terceiro lugar, trata-se de rejuvenescer o capital social envolvido, seja no plano familiar dos produtores, seja convidando &ldquo;novas entradas&rdquo; para o agrupamento;</p>     <p>- Em quarto lugar, trata-se de melhorar o processo de produ&ccedil;&atilde;o, de alargar as fun&ccedil;&otilde;es da cadeia de valor e de acrescentar as suas internalidades tendo em vista reduzir os seus custos de transac&ccedil;&atilde;o internos: ra&ccedil;a, pastagem, biodiversidade, limpeza de matos, compostagem, etc.;</p>     <p>- Em quinto lugar, trata-se de diversificar a linha de produtos finais da cabra algarvia e de diversificar os mercados-alvo por via de uma comercializa&ccedil;&atilde;o e <i>marketing </i>mais inteligentes;</p>     <p>- Finalmente, trata-se de capitalizar a fileira de produ&ccedil;&atilde;o e de articular a cadeia de valor da cabra algarvia com a explora&ccedil;&atilde;o florestal das zonas de interven&ccedil;&atilde;o florestal (ZIF), acrescentando, por essa via, a massa, o m&uacute;sculo e o sistema nervoso deste sistema produtivo local regional.</p>     <p>Por&eacute;m, esta metodologia multissectorial para a verticaliza&ccedil;&atilde;o da fileira da cabra algarvia s&oacute; ser&aacute; inteiramente bem-sucedida se, ao mesmo tempo, tivermos em m&atilde;os um projecto de territ&oacute;rio-rede em constru&ccedil;&atilde;o, inspirado nos princ&iacute;pios de desenvolvimento territorial que sustentam a filosofia da Dieta Mediterr&acirc;nica. Nesta segunda linha de actua&ccedil;&atilde;o, mais circular, estamos a robustecer a ecosocioeconomia rural e local e a estruturar as &aacute;reas de trabalho que, em si mesmas, constituem o tecido privilegiado para a forma&ccedil;&atilde;o das redes colaborativas e as amenidades locais:</p>     <p>- O alargamento das &aacute;reas da agroecologia e da agricultura biol&oacute;gica;</p>     <p>- O alargamento das actividades criativas e culturais, desde as artes culin&aacute;ria e gastron&oacute;mica, &agrave; artesania tradicional, os materiais locais e as oficinas de artes e of&iacute;cios;</p>     <p>- A considera&ccedil;&atilde;o das artes da paisagem e da terra associadas ao turismo de natureza mas, tamb&eacute;m, &agrave; provis&atilde;o dos servi&ccedil;os ecossist&eacute;micos;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- O desenvolvimento dos produtos e servi&ccedil;os tur&iacute;sticos nas tipologias do turismo de sa&uacute;de e bem-estar para a sociedade s&eacute;nior;</p>     <p>- O desenvolvimento das actividades de ecodesign, associadas &agrave; economia verde e &agrave;s artes dos 4R, (redu&ccedil;&atilde;o, repara&ccedil;&atilde;o, reciclagem e reutiliza&ccedil;&atilde;o);</p>     <p>- A promo&ccedil;&atilde;o das artes do lazer e do recreio, dos espa&ccedil;os pedag&oacute;gicos, l&uacute;dicos e terap&ecirc;uticos, por exemplo, para a sociedade s&eacute;nior, onde se incluem os campos de f&eacute;rias e as resid&ecirc;ncias seniores;</p>     <p>- O desenvolvimento das artes multim&eacute;dia e performativas e a cria&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncias art&iacute;sticas e culturais, assim como os eventos ligados &agrave; hist&oacute;ria local, a literatura oral, a poesia, as paisagens liter&aacute;rias, etc.</p>     <p>Para serem bem-sucedidas, todas estas actividades podem e devem ser objecto de uma &ldquo;conven&ccedil;&atilde;o territorial&rdquo; que passar&aacute; a ser a lei fundamental da constru&ccedil;&atilde;o social do futuro territ&oacute;rio-rede (Covas e Covas, 2014). Esta abordagem da cadeia de valor multifuncional exige, por&eacute;m, uma &ldquo;ecologia institucional e comunit&aacute;ria&rdquo; muito complexa, sobretudo no que diz respeito &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o do actor-rede (Covas e Covas, 2014: 179-184).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Discuss&atilde;o e Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Voltamos aqui &agrave; emerg&ecirc;ncia dos valores da &ldquo;Sociedade CO&rdquo; inicialmente referidos. Desde logo, no plano local, municipal e intermunicipal. A este n&iacute;vel, esta nova ecologia institucional das redes inteligentes e colaborativas faz exig&ecirc;ncias muito rigorosas. Assim, no futuro pr&oacute;ximo, iremos, muito provavelmente, revisitar o conceito de &ldquo;poder aut&aacute;rquico&rdquo; no sentido de um poder mais lateral e colaborativo, de um par <i>inter </i>pares, agindo, simultaneamente, em comunidades reais, em plataformas digitais, redes sociais e comunidades <i>online</i>. Esta abertura aumentar&aacute; o espa&ccedil;o de liberdade e o campo das possibilidades e solu&ccedil;&otilde;es do munic&iacute;pio do s&eacute;culo XXI, em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios-rede de geometria mais vari&aacute;vel. Teremos, assim, um munic&iacute;pio &ldquo;sem fronteiras&rdquo; e mais cosmopolita, mais interactivo com os seus concidad&atilde;os, com mais economia verde e economia azul, mais criativo e cultural, menos fiscalista e mais contratualista no plano financeiro. Em consequ&ecirc;ncia, a sua organiza&ccedil;&atilde;o interna e a sua gest&atilde;o sofrer&atilde;o uma &ldquo;pequena revolu&ccedil;&atilde;o&rdquo;, n&atilde;o apenas na estrutura org&acirc;nico-funcional e na rela&ccedil;&atilde;o entre o <i>back office e o front office</i> mas, sobretudo, na sua cultura digital e colaborativa, isto &eacute;, na estrat&eacute;gia de informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o face &agrave;s redes colaborativas de que far&aacute; parte e que, doravante, constituir&atilde;o o seu novo ecossistema institucional de acolhimento.</p>     <p>No plano do desenvolvimento territorial, esta nova ecologia institucional e comunit&aacute;ria dos territ&oacute;rios-rede faz, igualmente, muitas exig&ecirc;ncias. Diz respeito, em primeiro lugar, &agrave; aprendizagem da cultura digital e colaborativa, logo, &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o de comunidades cognitivas de autogoverno e autogest&atilde;o e de clubes de produtores e consumidores; diz respeito, tamb&eacute;m, a mercados solid&aacute;rios e sociais, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de moedas paralelas, &agrave; interac&ccedil;&atilde;o de comunidades <i>online e offline</i>, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de mercados de trabalho para l&aacute; dos &ldquo;mercados oficiais do emprego&rdquo;, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de amenidades em &iacute;ntima articula&ccedil;&atilde;o com a provis&atilde;o de servi&ccedil;os ecossist&eacute;micos, finalmente, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de actividades criativas e culturais a coroar todo o edif&iacute;cio do territ&oacute;rio-rede.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em conclus&atilde;o, a apela&ccedil;&atilde;o &ldquo;Dieta Mediterr&acirc;nica, patrim&oacute;nio imaterial da humanidade&rdquo; afigura-se como uma oportunidade &uacute;nica para realizar o <i>up-grade</i> da economia local e regional algarvia, em especial a promo&ccedil;&atilde;o da economia do barrocal algarvio e da economia serrana. Esta convic&ccedil;&atilde;o deve, por&eacute;m, conter uma expectativa contida e moderada. Para o efeito, a regi&atilde;o precisa urgentemente, no plano da microgeoeconomia territorial e dos territ&oacute;rios-rede, de levar a cabo um ensaio experimental, uma rede tem&aacute;tica e territorial, que possa lan&ccedil;ar as primeiras sementes do que ser&aacute;, no futuro pr&oacute;ximo, uma pol&iacute;tica de certifica&ccedil;&atilde;o regional da dieta mediterr&acirc;nica. Este &eacute; um desafio de longo alcance e um bem comum inestim&aacute;vel para o pa&iacute;s e a regi&atilde;o do Algarve. Os valores culturais, patrimoniais, naturais e paisag&iacute;sticos do mundo rural s&atilde;o um bem p&uacute;blico inestim&aacute;vel cuja fragilidade e vulnerabilidade importa contrariar a todo o custo. A desertifica&ccedil;&atilde;o, as secas prolongadas, os inc&ecirc;ndios florestais, a degrada&ccedil;&atilde;o das reservas naturais de futuro, s&atilde;o uma ferida a c&eacute;u aberto nos ecossistemas agro-rurais da regi&atilde;o do Algarve. At&eacute; que ponto, o sistema produtivo local e as cadeias de valor da Dieta Mediterr&acirc;nica poder&atilde;o contribuir para mitigar e contrariar os riscos clim&aacute;ticos e ambientais associados a um despovoamento destes territ&oacute;rios? Fica a interroga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>AAVV, Mediterra (2012). <i>La di&egrave;te M&eacute;diterran&eacute;enne pour un d&eacute;velopement r&eacute;gional durable</i>. CIHEAM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S2182-1267201500010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALIER, J. M. (2007). <i>O ecologismo dos pobres</i>. S. Paulo. Editora Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S2182-1267201500010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALTIERI, M. (2008). <i>Agroecologia, a din&acirc;mica produtiva da agricultura sustent&aacute;vel</i>. Porto Alegre. Editora UFRGS (5&ordf; edi&ccedil;&atilde;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S2182-1267201500010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ALTIERI, M. (2004). <i>Agroecologia</i>. Porto Alegre. Editora UFRGS (4&ordf; edi&ccedil;&atilde;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S2182-1267201500010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARROS, V. (2014). <i>Dieta Mediterr&acirc;nica e desenvolvimento rural</i>. Lisboa. ANIMAR Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S2182-1267201500010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU, P. (2013). <i>Une revolution symbolique</i>. Paris. Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S2182-1267201500010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAUMAN, Z. (2000). <i>Liquide modernity</i>. Cambridge. Cambridge Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S2182-1267201500010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BECK, U. (2009). <i>World at risk</i>,. Cambridge. Cambridge Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S2182-1267201500010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BECK, U. (2002). <i>Ecological politics in an age at risk</i>. Cambridge. Cambridge Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S2182-1267201500010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BECK, U. (1999). <i>World risk society</i>. Cambridge. Cambridge Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S2182-1267201500010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CERTEAU, M. (1990). <i>L&rsquo;Invention du quotidien</i>. Paris. Gallimard.</p>     <!-- ref --><p>COVAS, A. e COVAS, M. (2014). <i>Os territ&oacute;rios-rede, a intelig&ecirc;ncia territorial da 2&ordf; ruralidade.</i> Lisboa. Editora Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S2182-1267201500010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COVAS, A. e COVAS, M. (2014a). <i>A constru&ccedil;&atilde;o social dos territ&oacute;rios-rede: a intelig&ecirc;ncia territorial da 2&ordf; ruralidade</i>. EBook. Editora Liber Ars.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S2182-1267201500010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>COVAS, A. e COVAS, M. (2013). A constru&ccedil;&atilde;o social dos territ&oacute;rios-rede da 2&ordf; ruralidade: dos territ&oacute;rios-zona aos territ&oacute;rios-rede - construir um territ&oacute;rio de m&uacute;ltiplas territorialidades. <i>Revista de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio </i><b>3</b>: 7-40. (Junho). PDF: 43-66. <a href="http://cegot.org/ojs/index.php/GOT/issue/current"target="_blank">http://cegot.org/ojs/index.php/GOT/issue/current</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>COVAS, A. e COVAS, M. (2012). <i>A caminho da 2&ordf; ruralidade, uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; tem&aacute;tica dos sistemas territoriais</i>. Lisboa. Editora Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S2182-1267201500010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COVAS, A. e COVAS, M. (2011). <i>A Grande Transi&ccedil;&atilde;o, pluralidade e diversidade no mundo rural</i>. Lisboa. Editora Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S2182-1267201500010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COVAS, A. e COVAS, M. (2010). <i>Ruralidades V: Moderniza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, servi&ccedil;os ecossist&eacute;micos e riscos globais.</i> Faro. Edi&ccedil;&otilde;es da Universidade do Algarve.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S2182-1267201500010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EC (2009). <i>Provision of public goods through agriculture in the EU</i>. Institute for European Environmental Policy. UK.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S2182-1267201500010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FLIGSTEIN, N. (2012). <i>Theory of fields</i>. Oxford. Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S2182-1267201500010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>GRA&Ccedil;A, P. (2014). &ldquo;Alimenta&ccedil;&atilde;o desequilibrada tem impacto negativo no rendimento escolar dos estudantes&rdquo;. <i>P&uacute;blico</i>. (4/12/2014).</p>     <!-- ref --><p>HAESBAERT, R. (2006). <i>O mito da desterritorializa&ccedil;&atilde;o</i>. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S2182-1267201500010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUYLENBROECK, G. and DURAND, G. (2003). <i>Multifunctional agriculture</i>. Aldershot. Ashgate Pub.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S2182-1267201500010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLSON, M. (1999). <i>A l&oacute;gica da ac&ccedil;&atilde;o colectiva</i>. S. Paulo. EDUSP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S2182-1267201500010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PECQUEUR, B. et ZIMMERMANN, J. (2004). <i>Economies de proximit&eacute;</i>. Paris. Herm&eacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S2182-1267201500010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PECQUEUR, B. (1996). <i>Dynamiques territoriales et mutations economiques</i>. Paris. L&rsquo;Harmattan.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PEREIRA, H. <i>et al</i>., (Eds.) (2009). <i>Ecossistemas e bem-estar humano: avalia&ccedil;&atilde;o para Portugal do Millenium Ecosystem Assessment</i>. Lisboa. Escolar Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S2182-1267201500010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POLANYI, K. (2000). <i>A</i> <i>grande transforma&ccedil;&atilde;o, as origens da nossa &eacute;poca</i>. Rio de Janeiro. Editora Campus. 9&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. (1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o 1944).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S2182-1267201500010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RIFKIN, J. (2014). <i>A Terceira Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial: Como a nova era da informa&ccedil;&atilde;o mudou a energia, a economia e o mundo</i>. Lisboa. Bertrand Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S2182-1267201500010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RIFKIN, J. (2001). <i>A Era do Acesso.</i> Lisboa. Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S2182-1267201500010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSNAY, J. (2012). <i>Surfer La Vie</i>. &Eacute;ditions LLL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S2182-1267201500010000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ROSNAY, J., PAPILLON, F. (2010). <i>Et l'Homme cr&eacute;a la vie: la folle aventure des architectes et des bricoleurs du vivant.</i> &Eacute;ditions LLL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S2182-1267201500010000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSNAY, J. (2008). <i>2020 : Les Sc&eacute;narios du Futur.</i> Paris. Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S2182-1267201500010000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSNAY, J. (2006). <i>La r&eacute;volte du Pron&eacute;tariat</i>. Paris. Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S2182-1267201500010000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>ROSNAY, J. (1995). <i>L&rsquo;homme symbiotique, regarde sur le troisi&egrave;me mill&eacute;naire</i>. Paris. Seuil.</p>     <!-- ref --><p>SUKDEV, Pavan (2008). <i>The report on the economics of ecosystem and biodiversity</i>. UNEP. TEEB Group.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S2182-1267201500010000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TEEB Report (2009). <i>TEEB for policy-makers.</i> UNEP. TEEB Group.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S2182-1267201500010000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>TELLES, G. R. (2011). Paisagem global, conceito para o futuro. <i>Filosofia da Paisagem</i>:&nbsp; 476-485. Lisboa. Universidade de Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>TELLES, G. R. (2003). <i>A utopia e os p&eacute;s na terra</i>. Lisboa. Edi&ccedil;&atilde;o do Instituto dos Museus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S2182-1267201500010000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>UNESCO (2003). Conven&ccedil;&atilde;o para a Salvaguarda do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial.<a href="http://www.unesco.org/culture/ich/doc/src/00009-PT-Portugal-PDF.pdf"target="_blank">http://www.unesco.org/culture/ich/doc/src/00009-PT-Portugal-PDF.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S2182-1267201500010000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>VIRILIO, P. (1977). <i>Vitesse et politique, essai de dromologie</i>. Paris. Galil&eacute;e.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S2182-1267201500010000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Este texto est&aacute; escrito de acordo com a antiga ortografia.</p>     ]]></body>
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