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<article-id>S2182-12672015000200003</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Políticas públicas no Nordeste do Brasil: a produção de enclaves e de desigualdades socioespaciais]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes Departamento de Geografia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the public policies in Northeast Brazil and its relation with the production enclaves and socio-spatial inequalities in the regional context. Public policy is an important tools for regional planning. The article is based on the criticism of theoretical approaches who impute autonomy to the region, both in terms of practice and planning, and claim that the alternative criterion is only to explain the spatial phenomena considering them as a model of demonstrations and needs domestic and international capital accumulation in different situations. Thinking public policies in the Northeast requires consider them from their inclusion in the accumulation system, while peripheral region and therefore understand their results in the context of territory and society.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Nordeste]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Nordeste do Brasil: a produ&ccedil;&atilde;o de enclaves e de desigualdades socioespaciais</b></p>     <p><b>Public Policies in the Brazilian northeast: the production of enclaves and inequalities social spatial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>C&aacute;ssia, Rita de<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas, Letras e Artes/Departamento de Geografia.&nbsp;59086-005, L&rsquo;acqua Condom&iacute;nio Clube, Rua L&uacute;cio Viveiros, n. 649, bloco I, apt 1502, Ne&oacute;polis, Natal &ndash; RN, Brasil.&nbsp;<a href="mailto:ricassiacg@gmail.com">ricassiacg@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O trabalho trata das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Nordeste do Brasil e sua rela&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o de enclaves e de desigualdades socioespaciais no contexto regional. A pol&iacute;tica p&uacute;blica &eacute; relevante por ser um dos instrumentos importantes para o ordenamento territorial. Baseia-se nas cr&iacute;ticas aos enfoques espacialistas que atribuem uma autonomia pr&oacute;pria &agrave; regi&atilde;o, tanto no n&iacute;vel da pr&aacute;tica quanto do planejamento, e afirmam que o crit&eacute;rio alternativo &eacute; &uacute;nico para explicar os fen&ocirc;menos espaciais considerando-os como manifesta&ccedil;&otilde;es do modelo e das necessidades nacionais e internacionais de acumula&ccedil;&atilde;o de capital em diferentes conjunturas. Pensar o Nordeste e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas requer consider&aacute;-lo a partir de sua inser&ccedil;&atilde;o no sistema de acumula&ccedil;&atilde;o, enquanto regi&atilde;o perif&eacute;rica, buscando compreender os resultados dessa inser&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio e na sociedade.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Nordeste. Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas. Desigualdades Socioespaciais. Estado</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article analyzes the public policies in Northeast Brazil and its relation with the production enclaves and socio-spatial inequalities in the regional context. Public policy is an important tools for regional planning. The article is based on the criticism of theoretical approaches who impute autonomy to the region, both in terms of practice and planning, and claim that the alternative criterion is only to explain the spatial phenomena considering them as a model of demonstrations and needs domestic and international capital accumulation in different situations. Thinking public policies in the Northeast requires consider them from their inclusion in the accumulation system, while peripheral region and therefore understand their results in the context of territory and society.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Keywords: </b>Northeast. Public Policy. Socio-spatial inequalities. State.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1.&nbsp;Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O Nordeste brasileiro, ao longo da hist&oacute;ria do desenvolvimento socioecon&ocirc;mico do Brasil, tem sido objeto de diversos estudos e an&aacute;lises, nas mais variadas &aacute;reas do conhecimento. Sendo assim, muitas quest&otilde;es sobre essa regi&atilde;o j&aacute; foram devidamente esclarecidas, enquanto outras ainda s&atilde;o merecedoras de esfor&ccedil;os no sentido de melhor compreend&ecirc;-las, e assim contribuir para que solu&ccedil;&otilde;es e/ou alternativas de solu&ccedil;&otilde;es possam ser evidenciadas. &Eacute; com esse objetivo que estamos nos propondo a discutir as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas p&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o da Superintend&ecirc;ncia do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), com vistas ao desenvolvimento regional, considerando que tais pol&iacute;ticas propiciaram, de um lado, a forma&ccedil;&atilde;o de enclaves econ&ocirc;micos, os quais favoreceram a inser&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o Nordeste no processo de reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada do capital via processo de industrializa&ccedil;&atilde;o; e de outro, a produ&ccedil;&atilde;o de profundas desigualdades socioespaciais.&nbsp;</p>     <p>Sendo assim, tomamos como pressuposto a ideia de qua as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas pelo Estado brasileiro ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o da Superintend&ecirc;ncia do Desenvolvimento do Nordeste &ndash; SUDENE, com o objetivo de promover o desenvolvimento regional via processo de industrializa&ccedil;&atilde;o, ao dinamizarem a economia, contribuiram significativamente para a forma&ccedil;&atilde;o de enclaves, constitu&iacute;dos de &aacute;reas din&acirc;micas, no dizer de Araujo (2000); ou espa&ccedil;os luminosos, no dizer de Santos (1996), ao mesmo tempo em que n&atilde;o apenas aprofundaram as desigualdades socioespaciais at&eacute; ent&atilde;o existentes, mas tamb&eacute;m criaram novas desigualdades, reafirmando, desse modo, o car&aacute;ter contradit&oacute;rio do desenvolvimento capitalista, o qual, na sua ess&ecirc;ncia, &eacute; desigual e combinado.</p>     <p>&nbsp;A leitura que fazemos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas direcionadas para a regi&atilde;o Nordeste do Brasil &eacute; tribut&aacute;ria da cr&iacute;tica feita aos enfoques espacialistas, que compreendem os processos regionais como resultantes da autonomia inerente &agrave; pr&oacute;pria regi&atilde;o. Assim, o entendimento exposto toma como caminho para a explica&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos espaciais o modelo de acumula&ccedil;&atilde;o do capital, seja nacional ou internacional segundo as diversas conjunturas de sua reprodu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Desse modo, torna-se necess&aacute;rio considerar o car&aacute;ter das rela&ccedil;&otilde;es internacionais; e, sobretudo, o dado real inerente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses latino-americanos no contexto mundial. Ou seja, pensar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Nordeste brasileiro requer, de certo modo, consider&aacute;-las a partir de sua inser&ccedil;&atilde;o no sistema das demandas nacionais e internacionais de acumula&ccedil;&atilde;o, enquanto regi&atilde;o perif&eacute;rica.</p>     <p>O Nordeste ao qual vamos nos referir &eacute; o Nordeste que nasce com o novo nacionalismo, baseado na cria&ccedil;&atilde;o de cinco regi&otilde;es &ndash; Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste &ndash; e valoriza&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as geoecon&ocirc;micas e socioculturais institu&iacute;das pelo Estado Novo, como espa&ccedil;o territorial que tem data de nascimento; mas tamb&eacute;m, &eacute; o Nordeste que ganhou identidade com a obra de Gilberto Freyre, ao discutir as rela&ccedil;&otilde;es sociais existentes na sociedade escravista; de Manoel Correia de Andrade, &ldquo;A terra e o Homem no Nordeste&rdquo;; e de Durval Munis, quando tratou da reinven&ccedil;&atilde;o do Nordeste. &Eacute; ainda o Nordeste de uma gera&ccedil;&atilde;o de romancistas, como: Jos&eacute; Lins do R&ecirc;go, que retratou o Nordeste da cana de a&ccedil;&uacute;car, e tamb&eacute;m do sert&atilde;o; Rachel de Queiroz, que com sua obra &ldquo;O Quinze&rdquo;, colocou em debate um dos mais discutidos temas relativo &agrave; regi&atilde;o Nordeste: a seca; Graciliano Ramos, que tamb&eacute;m falou da seca nordestina em seu cl&aacute;ssico livro: Vidas Secas; e de tantos outros &nbsp;brasileiros que descreveram, em tom realista, as condi&ccedil;&otilde;es de vida e os impasses da sociedade, seja aquela ralidade que se reproduzia no litoral, no contexto da cana de a&ccedil;&uacute;car, demarcado pelo engenho, casa grande e senzala; seja aquela que vivia a realidade da seca no sert&atilde;o, tamb&eacute;m com demarca&ccedil;&otilde;es bem definidas, expressas pela rela&ccedil;&atilde;o latif&uacute;ndio versus minif&uacute;ndio.</p>     <p>A op&ccedil;&atilde;o de Nordeste retratada acima se apoia no fato de que &eacute; esse Nordeste m&uacute;ltiplo que merece ser compreendido, dado o fato de que a seca, o canga&ccedil;o, o messianismo e as lutas entre fam&iacute;lias fazem parte do imagin&aacute;rio que fundamentou as obras de den&uacute;ncia, que desde os anos da d&eacute;cada de 1930, abordam a referida regi&atilde;o, embora fazendo parte de um mundo aparentemente decadente, ainda se fazem presentes por meio das rela&ccedil;&otilde;es sociais marcadas por desigualdes sociais e riqueza.</p>     <p>Essa imagem de um mundo violento e cruel se fez presente, por exemplo, nos filmes O cangaceiro, de Lima Barreto (1953); O pagador de promessas, de Anselmo Duarte (1960), baseado na pe&ccedil;a de Dias Gomes, que conquistou a Palma de Ouro, em Cannes, em 1962; e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos (1963), baseado no livro de Graciliano Ramos.</p>     <p>Tanto em uma quanto na outra concep&ccedil;&atilde;o, a ideia de Nordeste foi sendo constru&iacute;da sob a marca da seca, considerada como a causa maior da problem&aacute;tica social vivenciada pela popula&ccedil;&atilde;o dessa regi&atilde;o; e, portanto, explica&ccedil;&atilde;o da pobreza absoluta da maioria da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; por meio dessa ideia de que o Nordeste passa a ser percebido no contexto nacional como o lugar do atraso, do rural e do passado que resiste &agrave;s mudan&ccedil;as, contrapondo-se &agrave; imagem constru&iacute;da a respeito da regi&atilde;o Sudeste; isto &eacute;, a regi&atilde;o do progresso, da ind&uacute;stria e do futuro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Combater as secas e seus efeitos se configurou ent&atilde;o como objetivo maior. A cada seca que ocorria, mais evidente ficava a pobreza da regi&atilde;o Nordeste, pois a forte migra&ccedil;&atilde;o, acompanhada da mendic&acirc;ncia, alastrava-se em todo o espa&ccedil;o regional. E assim, os nordestinos se tornaram os principais agentes na constru&ccedil;&atilde;o de Bras&iacute;lia, do mesmo modo que foram importantes, enquanto for&ccedil;a de trabalho no processo de industrializa&ccedil;&atilde;o promovido pelo governo de Juscelino Kubitschek (JK), norteado pelo <i>slogan</i>, &ldquo;cinquenta anos em cinco&rdquo;. Foram os nordestinos os principais construtores da cidade de S&atilde;o Paulo, que j&aacute; na d&eacute;cada de 1970 foi considerada a maior cidade da Am&eacute;rica Latina, bem como a mais industrializada.</p>     <p>Na obra &ldquo;Geografia da Fome&rdquo;, publicada em 1952, o m&eacute;dico Josu&eacute; de Castro fez um alerta para as autoridades governamentais sobre a problem&aacute;tica social e econ&ocirc;mica emergente, como resultante da pobreza e da desigualdade social, apresentando a fome como a problem&aacute;tica social mais preocupante. Esse alerta, e mais os diversos estudos sobre a realidade nordestina, dentre eles, o relat&oacute;rio do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) foram basilares para a discuss&atilde;o e levantamento da quest&atilde;o regional, sugerindo o Nordeste como uma regi&atilde;o problema, de cujo entendimento emergiu o grande projeto pol&iacute;tico econ&ocirc;mico capitaneado pelo economista Celso Furtado, que por meio de suas ideias, levou o Nordeste a ganhar relev&acirc;ncia enquanto objeto de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica espec&iacute;fica enquanto regi&atilde;o, simbolizada na cria&ccedil;&atilde;o da SUDENE. Era uma decis&atilde;o importante no contexto da pol&iacute;tica de ordenamento territorial, que embora n&atilde;o explicitada, procurava ordenar o territ&oacute;rio para que o Nordeste fizesse parte do processo de expans&atilde;o econ&ocirc;mica capitalista.</p>     <p>Essas considera&ccedil;&otilde;es sobre a ideia de Nordeste nos conduzem &agrave; compreens&atilde;o de regi&atilde;o segundo Oliveira, ao afirmar ser essa</p>     <blockquote>     <p>(...) um espa&ccedil;o onde se imbricam dialeticamente uma forma especial de reprodu&ccedil;&atilde;o do capital e, por consequ&ecirc;ncia uma forma especial de luta de classe, onde o econ&ocirc;mico e o pol&iacute;tico se fusionam e assumem uma forma especial de aparecer no produto social e nos pressupostos da reposi&ccedil;&atilde;o. (OLIVEIRA, 1981, p29)</p> </blockquote>     <p>A busca incessante desse espa&ccedil;o para a reprodu&ccedil;&atilde;o do capital pode ser apontada como um vetor da participa&ccedil;&atilde;o efetiva do Estado por meio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, as quais t&ecirc;m sido vistas como de fundamental import&acirc;ncia para resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas inerentes &agrave; regi&atilde;o Nordeste. Mas tamb&eacute;m, como um dos vetores da reprodu&ccedil;&atilde;o da realidade socioespacial ainda hoje existente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. O Nordeste e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</b></p>     <p>Para descortinar a trajet&oacute;ria de atua&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro na regi&atilde;o do Nordeste, inclusive sob a perspectiva da seca, o ponto de partida foi o per&iacute;odo imperial. Nesse per&iacute;odo, as secas j&aacute; se apresentaram como um fen&ocirc;meno devastador e provocador de problemas sociais. Da&iacute;, o surgimento da pol&iacute;tica das &aacute;guas, vista como pouco eficaz, j&aacute; que, na realidade, a sua maior contribui&ccedil;&atilde;o, em especial, nos primeiros anos ap&oacute;s a sua cria&ccedil;&atilde;o, foi o favorecimento e a reprodu&ccedil;&atilde;o dos coron&eacute;is, que implantaram, sob a sua ordem, formas de dom&iacute;nios que at&eacute; hoje perduram na pol&iacute;tica regional, mesmo que se apresentem sob nova apar&ecirc;ncia e tenham uma escala de abrang&ecirc;ncia menor. Foram essas formas de dom&iacute;nios, associadas a outras pr&aacute;ticas sociais, como o paternalismo e a estrutura oligarca, respons&aacute;veis pelo atraso ao qual foi submetida a regi&atilde;o Nordeste em toda a sua hist&oacute;ria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pol&iacute;tica das &aacute;guas, que perdura ainda hoje &ndash; 2015 &ndash; tornou-se uma das pol&iacute;ticas mais marcantes para o surgimento de um sujeito emblem&aacute;tico no cen&aacute;rio pol&iacute;tico e social nordestino: o coronel; e com ele, o coronelismo, que segundo Leal (1975, p. 252) constitui &ldquo;um sistema pol&iacute;tico (...) dominado por uma rela&ccedil;&atilde;o de compromisso entre o poder privado decadente e o poder p&uacute;blico fortalecido&rdquo;.</p>     <p>Durante o governo de Vargas (1930 &ndash; 1945) mudan&ccedil;as significativas ocorreram, ainda que sem promover transforma&ccedil;&otilde;es radicais, seja do ponto de vista pol&iacute;tico, seja do ponto de vista social. Tais mudan&ccedil;as se refletiram na passagem de um Estado autorit&aacute;rio, passivo, para um Estado autorit&aacute;rio, ativo.</p>     <p>No contexto do governo Vargas, a seca foi ent&atilde;o diagnosticada como o principal e mais grave problema da regi&atilde;o Nordeste, sendo a sua solu&ccedil;&atilde;o vista algo emergencial. Para tal, a compreens&atilde;o que prevalecia era a de que, por meio de uma a&ccedil;&atilde;o sistematizada, o Estado deveria implementar a&ccedil;&otilde;es voltadas para os setores espec&iacute;ficos da sociedade,&nbsp; buscando a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento. Sob essa dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; que foi criado, em 1945, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), substituindo a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS).</p>     <p>Tamb&eacute;m no governo Vargas, deu-se a cria&ccedil;&atilde;o do Instituto do A&ccedil;&uacute;car e do &Aacute;lcool &shy;(IAA), em 1933, que tinha por objetivos incentivar o consumo e regular o mercado de a&ccedil;&uacute;car e &aacute;lcool. Esse feito por meio da implanta&ccedil;&atilde;o de cotas de produ&ccedil;&atilde;o, limitando a produ&ccedil;&atilde;o da usina a uma quantidade m&aacute;xima 60% de toda a cana em suas pr&oacute;prias terras, devendo o restante ser fornecido por produtores independentes.&nbsp;</p>     <p>Embora o marco da pol&iacute;tica regional de combate &agrave;s secas no Nordeste tenha se manifestado desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, quando foi criada, em 1909, a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), transformada, em 1919, em Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), foi a cria&ccedil;&atilde;o da SUDENE que passou a fomentar uma pol&iacute;tica de industrializa&ccedil;&atilde;o, como resposta ao diagn&oacute;stico efetuado pelo Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), divulgado por meio de documento institucional intitulado GTDN, segundo o qual o desenvolvimento industrial seria a &uacute;nica forma de combater a mis&eacute;ria no Nordeste, e colocar essa regi&atilde;o rumo ao desenvolvimento. Assim compreendendo, apresentava-se como meta fundamental promover o crescimento do setor industrial.</p>     <p>Desse modo, a SUDENE, inserida no projeto amplo de desenvolvimento brasileiro, foi tomada como o principal instrumento para o exerc&iacute;cio dessa pol&iacute;tica em busca da moderniza&ccedil;&atilde;o dos processos produtivos e sociais, da&iacute; o duplo objetivo: econ&ocirc;mico e social local; e o outro, associado ao compartilhamento dos imperativos globais da acumula&ccedil;&atilde;o de capital, com suas necessidades de legitima&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As pol&iacute;ticas ent&atilde;o implementadas, focalizadas no desenvolvimento da ind&uacute;stria, promoveu mudan&ccedil;as significativas no contexto espacial da regi&atilde;o Nordeste, como a passagem do mundo rural para o mundo urbano industrial, com profundas repercuss&otilde;es em v&aacute;rios aspectos da vida do pa&iacute;s. A evid&ecirc;ncia dessa realidade se expressa pelo acelerado processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o que ocorreu Nordeste como pode ser visto por meio dos dados da <a name="t1"><a href="/img/revistas/got/n8/n8a03t1.gif">tabela 1<a/>.</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Fazendo a leitura dos dados da <a href="/img/revistas/got/n8/n8a03t1.gif">tabela 1<a/>, podemos perceber o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana e a diminui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o rural. Esse crescimento ainda se torna mais expl&iacute;cito quando o expressamos em n&uacute;meros percentuais. Segundo os dados apresentados, em 1960, o Nordeste do Brasil possu&iacute;a apenas 34,24 % de sua popula&ccedil;&atilde;o na zona urbana; e em 2010, o percentual aumentou para 72,12 %.&nbsp;</p>     
<p>Essa nova realidade foi favor&aacute;vel ao crescimento econ&ocirc;mico, bem como &agrave; expans&atilde;o de cidades, fato que ocorreu de forma r&aacute;pida, por&eacute;m, bastante desordenada. O crescimento da cidade, motivado pelo expressivo movimento da popula&ccedil;&atilde;o rural para a zona urbana propiciou o crescimento urbano de cidades nordestinas, como Sobral, no Cear&aacute;. Caic&oacute; e Mossoro, no Rio Grande do Norte (RN); Campina Grande, na Paraiba; Caruaru, em Pernambuco (PE); al&eacute;m de outras, as quais se constituem em importantes centros urbanos do Nordeste, os quais desempenham fun&ccedil;&otilde;es urbanas importants, al&eacute;m de se apresentarem como espa&ccedil;os econ&ocirc;micos importantes, gra&ccedil;as ao mercado consumidor que cada um representa na economia regional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse crescimento se deu gra&ccedil;as &agrave;s pol&iacute;ticas desenvolvidas pelo Estado, as quais permitiram &agrave; regi&atilde;o Nordeste acompanhar o intenso processo de "moderniza&ccedil;&atilde;o" pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica que ocorria em todo o territ&oacute;rio brasileiro. No entanto, assim como os demais processos que ocorrem no contexto da sociedade capitalista em prol da reprodu&ccedil;&atilde;o do capital, as contradi&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m se fizeram presentes, da&iacute; resultando &aacute;reas com dinamismos econ&ocirc;micos e sociais totalmente diferenciados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Pol&iacute;tica p&uacute;blica no Nordeste e suas contradi&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>A seca no Nordeste foi uma refer&ecirc;ncia para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas territoriais e espec&iacute;ficas, uma vez que o fen&ocirc;meno foi apontado como o principal vetor dos problemas que ocorriam na referida regi&atilde;o; e, desse modo a causa maior das desigualdades sociais e espaciais existentes, seja no &acirc;mbito intrarregional, seja no &acirc;mbito nacional. Assim compreendida, resolver a problem&aacute;tica da seca seria resolver os problemas do Nordeste. Mas, como resolver o problema da seca?</p>     <p>Solucionar o problema da seca sempre se apresentava como a resposta mais fact&iacute;vel. Por isso, as pol&iacute;ticas implementadas para o Nordeste seguiam essa dire&ccedil;&atilde;o. E assim, surgiu um dos &oacute;rg&atilde;os mais emblem&aacute;ticos da pol&iacute;tica das &aacute;guas: o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS).</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o do DNOCS, em 1945, em nada mudou a interven&ccedil;&atilde;o do Estado, feita at&eacute; ent&atilde;o sob a tutela do IOCS, e depois da IFOCS. Por&eacute;m, o DNOCS promoveu o fortalecimento da estrutura produtiva e social, baseada tanto no latif&uacute;ndio quanto no minif&uacute;ndio, que reproduziu as economias algodoeira e pecu&aacute;ria, propiciando as condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis &agrave; captura do Estado pelo poder olig&aacute;rquico vigente, como assinala Oliveira (1981).</p>     <p>A Pol&iacute;tica do DNOCS, sem fugir daquela j&aacute; efetuada pela IFOCS, era voltada para a constru&ccedil;&atilde;o de barragens, perfura&ccedil;&atilde;o de po&ccedil;os, constru&ccedil;&atilde;o de estradas e elabora&ccedil;&atilde;o de estudos ecol&oacute;gicos: a ecologia, a geologia, a pedologia, a hidrologia e a bot&acirc;nica. O uso da irriga&ccedil;&atilde;o, uma das sa&iacute;das apontadas por v&aacute;rios estudiosos, n&atilde;o parecia ser um dos objetivos marcantes desse &oacute;rg&atilde;o, fato que pode ser constatado por meio da localiza&ccedil;&atilde;o de importantes reservat&oacute;rios de &aacute;gua constru&iacute;dos pelo DNOCS, que n&atilde;o permitiram tal pr&aacute;tica. &Eacute; o caso do a&ccedil;ude Cedro, no Estado do Cear&aacute;; da barragem de Coremas, na Para&iacute;ba; e do a&ccedil;ude de Gargalheiras, no Rio Grande do Norte. Assim, ap&oacute;s 50 anos da cria&ccedil;&atilde;o do DNOCS, a &aacute;rea irrigada no Nordeste n&atilde;o ultrapassava 5.000 hectares (ha).</p>     <p>Na realidade, o que podemos afirmar &eacute; que esse &oacute;rg&atilde;o refor&ccedil;ou a estrutura arcaica, baseada no coronelismo, e expandiu a pecu&aacute;ria dos grandes e m&eacute;dios fazendeiros, al&eacute;m de contribuir para refor&ccedil;ar a exist&ecirc;ncia de um fundo de acumula&ccedil;&atilde;o, t&iacute;pico da acumula&ccedil;&atilde;o primitiva. No cerne dessa estrutura arcaica, estavam moradores, meeiros, parceiros e pequenos sitiantes, produzindo culturas alimentares para a subsist&ecirc;ncia, ao mesmo tempo em que se tornavam m&atilde;o de obra barata a ser recrutada para a constru&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;udes e benfeitorias nas grandes propriedades, tornando-se tamb&eacute;m um dos pilares da pol&iacute;tica exercida pelos coron&eacute;is e oligarcas que se reproduziam no poder.</p>     <p>Assim, a pol&iacute;tica p&uacute;blica advinda com a cria&ccedil;&atilde;o do DNOCS em nada modificou a estrutura pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica do Nordeste brasileiro. Ao contr&aacute;rio, tornou essa pol&iacute;tica mais forte, de modo que ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial, quando novas estruturas econ&ocirc;micas mundiais come&ccedil;aram a se consolidar, tendo os Estados Unidos &agrave; frente do processo de expans&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o do capital, novas demandas socioterritoriais passaram a ser efetivadas. O sistema coronel&iacute;stico ent&atilde;o existente n&atilde;o respondia satisfatoriamente a essas demandas. Era preciso que mudan&ccedil;as fossem efetivadas. Surgiram ent&atilde;o pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de car&aacute;ter desenvolvimentista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento industrial no &acirc;mbito regional fazia-se necess&aacute;rio que pol&iacute;ticas de infraestrutura fossem efetivadas com a maior brevidade poss&iacute;vel. Da&iacute;, a cria&ccedil;&atilde;o da Companhia Hidrel&eacute;trica do Vale do S&atilde;o Francisco (CHESF); e da Companhia do Vale do S&atilde;o Francisco &shy;(CVSF), criada em 30 de agosto de 1948. Caberia &agrave; CVSF o desenvolvimento do Vale do Rio S&atilde;o Francisco, assim como ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que assumiria a fun&ccedil;&atilde;o de agente catalisador do desenvolvimento do Nordeste, integrando-o &agrave; din&acirc;mica da economia nacional. A centraliza&ccedil;&atilde;o de toda essa pol&iacute;tica ficou a cargo da SUDENE, criada sob Lei n&ordm; 3.692, de 15 de dezembro de 1959, assinada pelo ent&atilde;o Presidente da Rep&uacute;blica, Juscelino Kubistchek.</p>     <p>Criada em um contexto de descontentamento com as a&ccedil;&otilde;es do IAA e do DNOCS, a SUDENE, enquanto forma de interven&ccedil;&atilde;o do Estado no Nordeste, tinha como objetivo principal promover e coordenar o desenvolvimento da regi&atilde;o Nordeste, objetivo esse apontado pelo GTDN como fundamental para responder &agrave; crise social que tinha sua origem na estrutura de produ&ccedil;&atilde;o vigente e no subdesenvolvimento da pr&oacute;pria regi&atilde;o, sendo a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento industrial a principal a&ccedil;&atilde;o a ser desenvolvida.</p>     <p>Para atingir esse objetivo, diversos programas, projetos e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas foram ent&atilde;o efetivados, todos direcionados &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento do Nordeste. Na ess&ecirc;ncia, a fun&ccedil;&atilde;o maior da SUDENE era mudar a realidade social do Nordeste. Isto &eacute;, criar as condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis a pr&aacute;ticas vinculados ao pensamento urbano industrial, e assim contribuir e fazer parte efetiva do processo de acumula&ccedil;&atilde;o do capital numa escala global.</p>     <p>Durante a seca de 1970, a SUDENE come&ccedil;ou a apresentar sinais de enfraquecimento pol&iacute;tico; e, por conseguinte, econ&ocirc;mico. Nesse contexto, emergiram novos instrumentos da pol&iacute;tica p&uacute;blica, como o sistema de cr&eacute;dito rural, o fortalecimento do cooperativismo, a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e extens&atilde;o rural, frentes de emerg&ecirc;ncia, pol&iacute;ticas de fomento e de condicionamento da produ&ccedil;&atilde;o, o Programa de Integra&ccedil;&atilde;o Nacional (PIN), o Programa de Distribui&ccedil;&atilde;o de Terra (PROTERRA), o POLONORDESTE e o Projeto Sertanejo, dentre outros.</p>     <p>Todos esses instrumentos da pol&iacute;tica p&uacute;blica foram bastante eficientes na condu&ccedil;&atilde;o de um projeto modernizador do campo, promovendo de um lado, uma diferencia&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito dos produtores, que ao serem contemplados com tais pol&iacute;ticas, diferenciaram-se no contexto espacial; e do outro, promovendo ainda mais o empobrecimento de parte dos produtores. Aqueles que ingressaram nos projetos referidos anteriormente transformaram-se em devedores do sistema de cr&eacute;dito. J&aacute; os expropriados, tornaram-se boias frias nas grandes propriedades, cujos propriet&aacute;rios, ao serem subsidiados pelo Estado, modernizaram seus empreendimentos, passando a constituir a chamada burguesia agr&aacute;ria.</p>     <p>Essa realidade pode ser exemplificada com os pequenos produtores que enveredaram em diversos projetos, como: os projetos de coloniza&ccedil;&atilde;o criados pelo DNOCS, desenvolvidos no entorno dos a&ccedil;udes p&uacute;blicos, a exemplo do projeto de irriga&ccedil;&atilde;o no a&ccedil;ude de Cruzeta/RN, ou mesmo produtores que ingressaram no Projeto Sertanejo e no POLONORDESTE, dentre outros.</p>     <p>No contexto das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas, vale ainda destacar o fortalecimento do cooperativismo incentivado desde os anos de 1970, quando a agricultura brasileira foi submetida a fortes processos de moderniza&ccedil;&atilde;o no processo produtivo.&nbsp; O cooperativismo seria a forma pela qual a mentalidade empresarial substituiria a mentalidade &ldquo;pr&eacute;-capitalista&rdquo; dos produtores rurais (camponeses).</p>     <p>Desse modo, a divulga&ccedil;&atilde;o e o incentivo ao cooperativismo foram necess&aacute;rios para viabilizar uma estrutura de organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, possibilitando os prop&oacute;sitos modernizantes do planejamento, tais como a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e a extens&atilde;o rural, que funcionaram como instrumentos de implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas agr&iacute;colas, aplicadas sob a forma de pacotes tecnol&oacute;gicos espec&iacute;ficos para cada &aacute;rea e cada tipo de produtor.</p>     <p>Em 1971, foi aprovada a lei n&ordm; 5.764, concedendo vantagens econ&ocirc;micas &agrave;s cooperativas por meio do Banco Nacional de Cr&eacute;dito Cooperativo, criado em 1951, para estimular e apoiar as cooperativas, mediante financiamento. Essas cooperativas passaram a funcionar na regi&atilde;o Nordeste como empresas, orientando-se pelas leis de mercado, sujeitando-se &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, e pagando aos associados pre&ccedil;os n&atilde;o compat&iacute;veis com o valor dos produtos. Na realidade, o cooperativismo se tornou um instrumento pol&iacute;tico, com vista a evitar o choque frontal entre classes, mascarando assim a luta de classes sob o v&eacute;u da defesa dos mesmos objetivos.</p>     <p>Ainda associada &agrave; pol&iacute;tica de industrializa&ccedil;&atilde;o podem ser destacadas as seguintes pol&iacute;ticas: o Programa de redistribui&ccedil;&atilde;o de Terras no Nordeste (PROTERRA) e o POLONORDESTE.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O POLONORDESTE tinha por objetivo maior promover o desenvolvimento e a moderniza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas priorit&aacute;rias, transformando progressivamente a agropecu&aacute;ria tradicional do Nordeste em economia moderna, voltada totalmente para o mercado. Neste sentido, foram criados alguns polos rurais de desenvolvimento, espalhados estrategicamente pelo territ&oacute;rio regional, de maneira que, nesses n&uacute;cleos nos quais a organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o era mais pura em termos capitalistas, os problemas de fluxo migrat&oacute;rio e o fornecimento de alimentos para os centros urbanos seriam resolvidos sem que fosse realizada uma reestrutura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A realidade de atua&ccedil;&atilde;o do POLONORDESTE o consagrou como um forte mecanismo de moderniza&ccedil;&atilde;o da estrutura produtiva em suas &aacute;reas de a&ccedil;&atilde;o, tanto em n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o quanto ao aumento da produtividade. No entanto, suas a&ccedil;&otilde;es foram concentradas na prepara&ccedil;&atilde;o dos centros urbanos locais, de modo que esses pudessem absorver o excedente de m&atilde;o de obra que migrava para as cidades, j&aacute; que o campo se tecnificava. Assim, esse programa procurou modernizar pequenos neg&oacute;cios urbanos, transformando-os em pequenas empresas, as quais deveriam empregar parte da m&atilde;o de obra.</p>     <p>Diante dos seus objetivos e das a&ccedil;&otilde;es implementadas, o POLONORDESTE se destacou tamb&eacute;m pelas contradi&ccedil;&otilde;es por ele geradas, quais sejam: ao mesmo tempo em que procurava facilitar o acesso &agrave; terra, a valoriza&ccedil;&atilde;o que se dava por meio da constru&ccedil;&atilde;o de infraestrutura elevava o seu pre&ccedil;o, dificultando o acesso dos trabalhadores rurais pobres a essa mesma terra.</p>     <p>Dada a sua dimens&atilde;o, os mais beneficiados foram os grandes propriet&aacute;rios e comerciantes urbanos, pois a moderniza&ccedil;&atilde;o, ao contr&aacute;rio do que fora propalado, gerou uma grande quantidade de popula&ccedil;&atilde;o desempregada, paralela a um aumento de demanda por terra, garantindo assim a sobreviv&ecirc;ncia da estrutura tradicional, j&aacute; que a renda da terra aumentava.</p>     <p>Outro instrumento da pol&iacute;tica p&uacute;blica para o Nordeste com objetivo de solucionar a problem&aacute;tica regional foi o Projeto Sertanejo, criado em 1976, que tinham como objetivos centrais aumentar a resist&ecirc;ncia dos estabelecimentos agr&iacute;colas contra os efeitos das secas e incentivar a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e a boviniza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O Projeto Sertanejo assumiu import&acirc;ncia diferente das frentes de emerg&ecirc;ncia por ser um criador de patr&otilde;es e de assalariados. Para tal, recorreu aos instrumentos j&aacute; conhecidos pela sociedade, como: constru&ccedil;&atilde;o de barragens e a&ccedil;udes, prepara&ccedil;&atilde;o de infraestrutura para irriga&ccedil;&atilde;o e cooperativismo.</p>     <p>&Eacute; importante destacar o discurso do acesso &agrave; terra por meio da ren&uacute;ncia dos grandes propriet&aacute;rios, de parte de suas terras que quisessem fazer parte do projeto em benef&iacute;cio dos sem terra, articulado no &acirc;mbito do Projeto Sertanejo. Na realidade, esse era um instrumento populista e demag&oacute;gico, uma vez que havia a possibilidade da divis&atilde;o da propriedade por parte do latifundi&aacute;rio em parcelas inferiores a 500 ha, de modo que driblava a norma, e beneficiava-se.</p>     <p>Por fim, era a pol&iacute;tica de industrializa&ccedil;&atilde;o, entendida como a grande sa&iacute;da para toda a problem&aacute;tica nordestina que se refletia nas estat&iacute;sticas que apontavam o avan&ccedil;o da ind&uacute;stria no centro; e, por conseguinte, a menor participa&ccedil;&atilde;o do NE em diversos setores de exporta&ccedil;&atilde;o, resultado de um o crescimento econ&ocirc;mico nordestino insignificante, ficando muito inferior ao da regi&atilde;o do Centro-Sul. Associado a esse elemento, a alta concentra&ccedil;&atilde;o de renda se apresentava como outro componente adverso, demonstrando a aus&ecirc;ncia de um mercado de consumo, j&aacute; que prevalecia uma economia de subsist&ecirc;ncia.</p>     <p>A pol&iacute;tica de industrializa&ccedil;&atilde;o teria que intensificar os investimentos industriais, visando a criar, no Nordeste, um centro aut&ocirc;nomo de expans&atilde;o manufatureira. Para tal, seriam utilizadas mat&eacute;rias primas regionais, a fim de tornar as ind&uacute;strias competitivas como as do Centro-Sul, tanto no mercado regional quanto no mercado nacional, associadas ao aproveitamento do fator regional, a m&atilde;o de obra barata.</p>     <p>Assim, a moderniza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria tradicional, sobretudo, a t&ecirc;xtil, seria uma das metas a ser atingida por essa pol&iacute;tica que passou a ser operacionalizada a partir da cria&ccedil;&atilde;o dos distritos industriais, que apresentavam as melhores e mais modernas condi&ccedil;&otilde;es de infraestrutura existentes. S&atilde;o exemplos dessa realidade: O Centro Industrial de Aratu; o P&oacute;lo Petroqu&iacute;mico de Cama&ccedil;ari, na Bahia (BA); O Distrito Industrial de Natal, no RN; o Distrito Industrial de Jaboat&atilde;o, em PE; e tantos outros, localizados nas demais capitais nordestinas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pol&iacute;tica industrial pensada para o Nordeste brasileiro se baseou em diferentes mecanismos, dentre os quais, os incentivos fiscais, especialmente, o 34/18, bem como os incentivos financeiros, que propiciaram um expressivo movimento de invers&otilde;es industriais, proporcionado pelo baixo custo do capital. Em outros termos, as pessoas jur&iacute;dicas poderiam deixar de pagar ao Tesouro Nacional at&eacute; 50% do montante de seus impostos.</p>     <p>Assim, o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o que ocorreu no Nordeste, motivado pela interven&ccedil;&atilde;o do Estado, provocou um impacto significativo sobre os servi&ccedil;os urbanos, al&eacute;m de promover demandas de infraestruturas especializadas, com rebatimentos de grande magnitude no territ&oacute;rio das cidades. Ressaltamos as mudan&ccedil;as que ocorreram no contexto de alguns servi&ccedil;os, como: sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, energia e transportes, dando origem &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do capital fixo no setor p&uacute;blico.</p>     <p>A pol&iacute;tica de industrializa&ccedil;&atilde;o dinamizou a regi&atilde;o Nordeste, de modo que, no global, nas d&eacute;cadas de 1960, 1970 e 1980, ela apresentou a mais elevada taxa m&eacute;dia de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do pa&iacute;s; e de 1960 a 1988, a economia nordestina superou a taxa de crescimento m&eacute;dia do pa&iacute;s em 10%. J&aacute; nos anos de 1970, houve um expressivo investimento p&uacute;blico no Nordeste, al&eacute;m da presen&ccedil;a da Petrobras, da Companhia Vale do Rio Doce e do Complexo de Caraj&aacute;s, no Estado do Maranh&atilde;o. Segundo IBGE, em 2010, a participa&ccedil;&atilde;o do Nordeste no PIB brasileiro era da ordem de 13,5%.</p>     <p>Nos anos de 1990, foi sistematizada uma pol&iacute;tica p&uacute;blica na esfera federal, expressa pelos programas estruturantes &ldquo;Brasil em A&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;Avan&ccedil;a Brasil&rdquo;, que privilegiaram um ordenamento territorial a partir de eixos nacionais de integra&ccedil;&atilde;o e de desenvolvimento, divididos em quatro grandes setores: Desenvolvimento Social (Programa Brasil Mais Justo); Infraestrutura Econ&ocirc;mica (Brasil Mais Forte); Informa&ccedil;&atilde;o e Conhecimento (Brasil Mais Competitivo); e Meio Ambiente (Brasil Preservado).</p>     <p>A leitura dessa pol&iacute;tica esclarece que os maiores beneficiados foram os projetos de grandes investimentos; a vis&atilde;o articulada do planejamento regional foi totalmente descartada; as regi&otilde;es com maior potencial foram refor&ccedil;adas, n&atilde;o tendo sido criado qualquer est&iacute;mulo que potencializasse a integra&ccedil;&atilde;o competitiva.&nbsp;</p>     <p>A escolha do ordenamento do territ&oacute;rio via eixos de desenvolvimento revela uma pretens&atilde;o de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas dos centros j&aacute; din&acirc;micos. No Nordeste, foram contempladas as &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o voltadas para os mercados internacionais, bem como as &aacute;reas tur&iacute;sticas, em especial, as litor&acirc;neas, uma vez que o turismo de sol e praia passou a ser um setor importante na gera&ccedil;&atilde;o de divisas, ao se transformar em uma atividade de atra&ccedil;&atilde;o de consumo internacional. Para viabilizar esse turismo foi criado o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE), cuja atua&ccedil;&atilde;o ocorreu em quase todo o litoral nordestino.</p>     <p>Em 2007, foi lan&ccedil;ado o Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o de Crescimento (PAC-1); e em 2011, ocorreu o lan&ccedil;amento do PAC-2. Trata-se de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que prop&otilde;e um crescimento econ&ocirc;mico associado &agrave; melhoria das condi&ccedil;&otilde;es sociais, expressa num programa de governo, que coloca como prioridades: investimento em infraestrutura; melhoria do ambiente de investimento; medidas fiscais de longo prazo; desonera&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento do sistema tribut&aacute;rio; est&iacute;mulo ao cr&eacute;dito e ao financiamento.</p>     <p>O PAC tem como objetivos: aumentar o investimento em infraestrutura para eliminar os principais gargalos que podem restringir o crescimento da economia; reduzir custos e aumentar a produtividade das empresas; estimular o aumento do investimento privado; e reduzir as desigualdades.</p>     <p>No contexto desse programa, &eacute; importante ressaltar que j&aacute; foram realizados in&uacute;meros investimentos. No caso espec&iacute;fico do Nordeste brasileiro, merecem destaque os incentivos feitos na &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o, como a expans&atilde;o dos Institutos Federais; a amplia&ccedil;&atilde;o, expans&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o das Universidades P&uacute;blicas Federais, por meio do Projeto de Reestrutura&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o das Universidades Federais (REUNI); e, principalmente, a implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica social, marcada pela presen&ccedil;a do programa Bolsa Fam&iacute;lia, sendo este um programa de redistribui&ccedil;&atilde;o de renda para as popula&ccedil;&otilde;es carentes.</p>     <p>&nbsp;N&atilde;o podemos negar que t&ecirc;m sido expressivas as mudan&ccedil;as efetivadas no contexto do territ&oacute;rio nordestino ap&oacute;s a instala&ccedil;&atilde;o do PAC. Os investimentos em infraestrutura, em especial, aqueles voltados para a constru&ccedil;&atilde;o e melhorias/moderniza&ccedil;&atilde;o das rodovias s&atilde;o marcantes. A infraestrutura no setor da educa&ccedil;&atilde;o, bem como a expans&atilde;o dos ensinos t&eacute;cnico e universit&aacute;rio tem promovido mudan&ccedil;as espaciais de grande magnitude, principalmente, nos espa&ccedil;os urbanos. De 2000 a 2010, a varia&ccedil;&atilde;o do crescimento de matr&iacute;culas no ensino superior foi de 175,90%, sendo considerado o mais elevado no quadro das regi&otilde;es brasileiras.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas cidades contempladas com essa expans&atilde;o do ensino universit&aacute;rio, &eacute; percept&iacute;vel a din&acirc;mica do com&eacute;rcio e dos servi&ccedil;os, atreladas a mudan&ccedil;as de pr&aacute;ticas sociais, sendo as pr&aacute;ticas de consumo as que mais chamam a aten&ccedil;&atilde;o, gra&ccedil;as &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o da atividade comercial.</p>     <p>Outra pol&iacute;tica que merece relevo &eacute; a pol&iacute;tica social. Essa pol&iacute;tica tem apresentado rebatimentos importantes no territ&oacute;rio, em especial, das pequenas cidades, algo que pode ser visualizado na din&acirc;mica destas cidades, no que diz respeito ao com&eacute;rcio e aos servi&ccedil;os. Por&eacute;m, apesar de ser uma pol&iacute;tica importante para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel visualizar um desenvolvimento socioespacial que contemple as diversas dimens&otilde;es de reprodu&ccedil;&atilde;o do ser humano e do cidad&atilde;o com um todo: sa&uacute;de, lazer, trabalho, educa&ccedil;&atilde;o, dentre outros aspectos.</p>     <p>O atendimento &agrave; sa&uacute;de ainda &eacute; muito prec&aacute;rio, n&atilde;o do ponto de vista t&eacute;cnico em si mesmo, mas do ponto de vista do alcance da assist&ecirc;ncia. Essa realidade, em parte, expressa a forma concentrada que as pol&iacute;ticas de infraestrura assumiram, sobrecarregando os equipamentos de sa&uacute;de das cidades grandes e m&eacute;dias, ficando uma grande quantidade de cidades sem condi&ccedil;&otilde;es de prestar qualquer servi&ccedil;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o que busca, em outras cidades, servi&ccedil;os de maior complexidade para o atendimento de suas necessidades. Realidade semelhante acontece quando est&aacute; em pauta a dimens&atilde;o do trabalho, do lazer, e outras dimens&otilde;es da sociedade.</p>     <p>O quadro delineado e explorado a partir das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nos conduz a inferir que a reprodu&ccedil;&atilde;o da sociedade, no &acirc;mbito da regi&atilde;o Nordeste, fomentada e motivada pelas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, ainda que tenha favorecido uma din&atilde;mica econ&ocirc;mica e social positiva, foi marcada por contradi&ccedil;&otilde;es geradas pelas pr&oacute;prias pol&iacute;ticas, que se manifestam por meio da inser&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o no mundo do consumo de mercadorias, ao mesmo tempo em que promoveu a fragmenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, expressa pela segrega&ccedil;&atilde;o espacial e pela exclus&atilde;o social, mas tamb&eacute;m pela forma&ccedil;&atilde;o de enclaves que se reproduzem em conson&acirc;ncia ao desenvolvimento t&eacute;cnico cient&iacute;fico e informacional, coexistindo com realidades pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas que n&atilde;o apenas reproduzem as desigualdades ent&atilde;o existentes, mas tamb&eacute;m reproduzem novas desigualdades, como nos aponta Martins (1997); da&iacute;, o surgimento de enclaves. Nesse sentido, destacamos como enclaves econ&ocirc;micos as seguintes &aacute;reas:</p> <ol style="list-style-type: lower-alpha;">     <li>Polo agr&iacute;cola do sul do Maranh&atilde;o, onde se desenvolve a produ&ccedil;&atilde;o de soja;</li>     <li>&aacute;rea de produ&ccedil;&atilde;o de celulose em Imperatriz, tamb&eacute;m no estado do Maranh&atilde;o;</li>     <li>Complexo agroindustrial de Petrolina-PE/Juazeiro/BA, que surgiu nos anos de 1970, gra&ccedil;as &agrave; pol&iacute;tica de incentivo &agrave; irriga&ccedil;&atilde;o de frutas tropicais. Nessa &aacute;rea, se destaca a produ&ccedil;&atilde;o de uva voltada n&atilde;o apenas para exporta&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m para a produ&ccedil;&atilde;o de vinhos. &Eacute; importante salientar que a produ&ccedil;&atilde;o de uva no Nordeste se constitu&iacute;a at&eacute; ent&atilde;o como algo impossivel, dadas as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas da regi&atilde;o;</li>     <li>oeste baiano, onde tamb&eacute;m se destaca aprodu&ccedil;&atilde;o de soja. Trata-se de uma &aacute;rea de condi&ccedil;&otilde;es morfoclim&aacute;tica do cerrado, onde a soja encontrou condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis, as quais, associadas &agrave; tecnologia, garante destaque para esse espa&ccedil;o na produ&ccedil;&atilde;o de soja em n&iacute;vel nacional;</li>     <li>Vale do A&ccedil;u, no RN. Nessa &aacute;rea, o destaque &eacute; para a produ&ccedil;&atilde;o de frutas tropicais destinadas aos mercados europeu e americano, sendo o mel&atilde;o e a banana os principais produtos. A irriga&ccedil;&atilde;o sempre foi vista como a principal sa&iacute;da para o estado de pobreza do Nordeste brasileiro. Por&eacute;m, em nossa compreens&atilde;o, o resultado das pol&iacute;ticas voltadas para a produ&ccedil;&atilde;o de tais espa&ccedil;os foi a forma&ccedil;&atilde;o de verdadeiras ilhas de prosperidade, as quais t&ecirc;m uma produ&ccedil;&atilde;o voltada totalmente para o mercado externo, produzindo frutas tropicais com o uso de alta tecnologia, empregando a for&ccedil;a de trabalho assalariada, em especial, tempor&aacute;ria ou mesmo diarista, que, expropriada, n&atilde;o lhe restou outra alternativa;</li>     <li>&aacute;reas de desenvolvimento tur&iacute;stico. Nestes locais, o destaque &eacute; para os grandes <i>resorts</i>, os quais se cosntituem espa&ccedil;os localizados em grandes &aacute;reas do litoral nordestino, sendo a maioria deles de capital internacional, como &eacute; o caso da rede de <i>resort</i> Vila Gal&eacute;. Trata-se de uma rede de capital portugu&ecirc;s, que se faz presente nos estados de Pernambuco, Bahia, Cear&aacute;; e, em 2017, dar&aacute; in&iacute;cio &agrave; constru&ccedil;ao de um <i>resort</i> na praia de Touros, no RN.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Em todas essas &aacute;reas, os processos tecnol&oacute;gicos desenvolvidos s&atilde;o de alta complexidade, o que permite uma elevada produtividade e garantia de inser&ccedil;&atilde;o nos mercados nacional e internacional. No entanto, paralelo a essa realidade avan&ccedil;ada tecnologicamente, reproduz-se uma sociedade marcada pela pobreza; e, portanto pelas desigualdades sociais. Um bom exemplo dessa realidade &eacute; o vale do A&ccedil;u, onde podem ser encontrados os mais baixos &iacute;ndices de desenvolvimento humano do RN, da&iacute; porque entendemos serem essas &aacute;reas, enclaves econ&ocirc;micos que se reproduzem articulados aos espa&ccedil;os de pobreza e de desigualdade social. A baixa renda mensal considerada pelo IBGE nos estudos da distribui&ccedil;&atilde;o da Popula&ccedil;&atilde;o Economicamente Ativa- PEA das pessoas com mais de 10 anos &eacute; um indicador importantre da pobreza e das desigualdades. De acordo com os dados do Censo Demogr&aacute;fico do IBGE, em 2010, no conjunto do Nordeste brasileiro, 52,6% ganhavam at&eacute; 2 sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Essa realidade se soma aos elevados &iacute;ndices de analfabetismo, que embora tenha diminu&iacute;do desde o ano 2000, quando era de 24,6%; ainda &eacute; bastante elevada, apresentando o &iacute;ndice de 17,6% em 2010, sendo a regi&atilde;o de mais elevado n&uacute;mero percentual de analfabetos.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Para n&atilde;o concluir</b></p>     <p>O t&iacute;tulo dado a este t&oacute;pico se justifica pelo entendimento de que, embora o debate tenha ra&iacute;zes num passado distante, ainda &eacute; atual, frente aos novos processos que se desencadeiam; e por isso, o resgate por meio do qual algumas infer&ecirc;ncias se apresentam de forma compuls&oacute;ria; e, portanto, n&atilde;o podem deixar de ser explicitadas.</p>     <p>Como foi referenciado no texto, o Brasil, e particularmente, o Nordeste, vive um momento de expressiva mudan&ccedil;a em sua base social e econ&ocirc;mica na atualidade, ainda que esteja ocorrendo uma crise, que sem sombra de d&uacute;vida, possui um car&aacute;ter mais pol&iacute;tico que econ&ocirc;mico.</p>     <p>Assistimos, ao longo da hist&oacute;ria de interven&ccedil;&atilde;o do Estado, a uma superposi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, as quais pouco dialogavam entre si. Na tentativa de constru&ccedil;&atilde;o de outro cen&aacute;rio, o governo Lula (2003&ndash;2011) lan&ccedil;ou o Programa Fome Zero, cujo objetivo maior era trabalhar com uma pol&iacute;tica que funcionasse como carro chefe na condu&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es dos problemas que historicamente assolavam a realidade brasileira. O Estado assumiu ent&atilde;o o papel de locomotiva da transforma&ccedil;&atilde;o acelerada da sociedade local, sendo tamb&eacute;m respons&aacute;vel pela incorpora&ccedil;&atilde;o de setores sociais &ldquo;arcaicos&rdquo; na moderna economia de mercado.</p>     <p>O resultado da pol&iacute;tica desenvolvida pelo Programa Fome Zero, associada ao PAC, foi a emerg&ecirc;ncia de um conjunto de mudan&ccedil;as de conte&uacute;do social, como o aumento da expans&atilde;o do ensino t&eacute;cnico, expans&atilde;o do ensino universit&aacute;rio, maior acesso da popula&ccedil;&atilde;o aos bens de consumo, gra&ccedil;as &agrave; pol&iacute;tica social, e tamb&eacute;m econ&ocirc;mico; da&iacute; o aumento da participa&ccedil;&atilde;o do nordeste no PIB nacional, al&eacute;m de passar a atrair alguns investimentos.</p>     <p>No entanto, o Nordeste brasileiro continua sendo uma das regi&otilde;es de maior desigualdade social e de maior n&uacute;mero de pobres. Essa afirma&ccedil;&atilde;o se sustenta na associa&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da estrutura de poder local a uma estrutura de poder centralizado. Desse modo, as duas teses cl&aacute;ssicas que procuraram explicar essa estrutura de poder: a localista, defendida por Gilberto Freyre e por Maria Isaura Queiroz; e a centralista, defendida por Raimundo Faoro se complementam, e portanto, n&atilde;o se apresentam como antag&ocirc;nicas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Diante dessa realidade, inferimos que os resultados das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento, sempre se constitu&iacute;ram em vetores importantes para duas realidades espaciais distintas: os espa&ccedil;os nos quais o capital se reproduz de forma ampliada, em bases estruturais modernas; espa&ccedil;os estes aos quais denominamos enclaves; e os espa&ccedil;os economicamente e socialmente atrasados.</p>     <p>Assim, a distribui&ccedil;&atilde;o de investimentos p&uacute;blicos ocorreu de forma diferenciada, selecionando os espa&ccedil;os marcados por condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao crescimento das economias com maiores e melhores condi&ccedil;&otilde;es de reprodu&ccedil;&atilde;o da sociedade capitalista.</p>     <p>Portanto, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, em especial, aquelas voltadas para a produ&ccedil;&atilde;o de infraestrutura, assim como as de conte&uacute;do econ&ocirc;mico e tecnol&oacute;gico, produziram tamb&eacute;m e de forma acentuada, as desigualdades socioespaciais, a exclus&atilde;o social e a segrega&ccedil;&atilde;o; ou seja, proporcionaram a coexist&ecirc;ncia de espa&ccedil;os opacos e espa&ccedil;os luminosos, conforme a ideia de Santos (2006).</p>     <p>Al&eacute;m desse aspecto, os dados apresentados e a leitura que podemos fazer por meio de incurs&otilde;es emp&iacute;ricas no territ&oacute;rio, evidenciam tamb&eacute;m que, no plano geral, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Brasil, em especial, as de base territorial e econ&ocirc;mica, promoveram a inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no processo de reprodu&ccedil;&atilde;o do capital, subordinada &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o financeira e comercial, com a destrui&ccedil;&atilde;o de setores e regi&otilde;es inteiras, garantindo a abertura cada vez maior do mercado brasileiro ao capital internacional, fato esse que tamb&eacute;m &eacute; responsavel pelas desigualdades socioespaciais.</p>     <p>O resultado dessa op&ccedil;&atilde;o foi o abandono das &aacute;reas consideradas perif&eacute;ricas, frente ao desenvolvimento industrial, conjugando desintegra&ccedil;&atilde;o, car&ecirc;ncia e depress&atilde;o econ&ocirc;mica, de tal modo que faz sentido a afirma&ccedil;&atilde;o de que a atua&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas no Nordeste brasileiro ocorre em duas frentes, produzindo e reproduzindo a diversidade regional, a qual, para Ara&uacute;jo (2008), &ldquo;&eacute; um patrim&ocirc;nio brasileiro que far&aacute; a diferen&ccedil;a no s&eacute;culo XXI&rdquo;.</p>     <p>Por fim, inferimos que como resultante desse processo desigual, ainda prevalece uma expressiva desvantagem do Nordeste em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regi&atilde;o Sudeste, quando se trata de investimentos a serem efetuados no contexto territorial brasileiro. O Nordeste ainda &eacute; pouco competitivo nesse sentido, de modo que a atra&ccedil;&atilde;o de empreendimentos produtivos ocorre em um contexto de seletividade espacial bem demarcado no &acirc;mbito da pol&iacute;tica p&uacute;blica, o que muito contribuiu para as grandes diferen&ccedil;as regionais tamb&eacute;m.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>ANDRADE, Manoel Correia de. <i>A terra e o homem no Nordeste</i>, S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1963. 336 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730503&pid=S2182-1267201500020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDRADE, Manoel Correia de . Poder Pol&iacute;tico e Produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o. Recife: Massangana, 1984. 129p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730505&pid=S2182-1267201500020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Andrade, Ilza Ara&uacute;jo Le&atilde;o de. Pol&iacute;tica urbana e poder local em cidades do Nordeste. <i>Viv&ecirc;ncia</i>. 1996 v. 10, n.1/2, p. 117-128.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730507&pid=S2182-1267201500020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARA&Uacute;JO, T&acirc;nia Bacelar de. <i>Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro</i>: <i>heran&ccedil;as e urg&ecirc;ncias</i>. Rio de Janeiro: Revan,fase, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730509&pid=S2182-1267201500020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARA&Uacute;JO, T&acirc;nia Bacelar de.A diversidade regional &eacute; um dos patrim&ocirc;nios brasileiros que far&atilde;o diferen&ccedil;a no s&eacute;culo XXI.<i>Revista de informa&ccedil;&otilde;es e debates do IPEA</i>. Maio de 2008, ed. 45&ordf;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730511&pid=S2182-1267201500020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>CASTRO, In&aacute; Elias de. <i>O mito da necessidade</i>: <i>discurso e pr&aacute;tica do regionalismo nordestino</i>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992. 247 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730513&pid=S2182-1267201500020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, Ademir Ara&uacute;jo da. <i>Tecnologia e desemprego</i>: <i>o caso da regi&atilde;o salineira de Macau - RN</i>. Natal: UFRN, CCHLA, 1993. 142p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730515&pid=S2182-1267201500020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COHN, Am&eacute;lia. <i>Crise regional e planejamento</i>: <i>o processo de cria&ccedil;&atilde;o da SUDENE</i>.&nbsp; S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1976.&nbsp; 165 p. (Cole&ccedil;&atilde;o Debates).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730517&pid=S2182-1267201500020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOMES, Gustavo Maia. Ideias para a moderniza&ccedil;&atilde;o do Nordeste. In: VELOSO, Jo&atilde;o Paulo dos Reis. (org.) <i>Brasil em mudan&ccedil;a</i>: <i>F&oacute;rum Nacional</i>. S&atilde;o Paulo, Nobel, 1991. p.&nbsp; 235- 250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730519&pid=S2182-1267201500020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOMES, Gustavo Maia. <i>Velhas secas em novos sert&otilde;es</i>: c<i>ontinuidade e mudan&ccedil;as na economia do semi&aacute;rido e dos cerrados nordestinos</i>. Bras&iacute;lia: IPEA, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730521&pid=S2182-1267201500020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GOMES, Rita de C&aacute;ssia da Concei&ccedil;&atilde;o; FELIPE, Jos&eacute; Lacerda Alves. <i>Rio Grande do Norte e outras Geografias</i>. Natal &ndash; RN: UFRN, CCHLA, 1994. (Cole&ccedil;&atilde;o Humanas Letras) (Cole&ccedil;&atilde;o mossoroense).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>INDOVINA, Francesco; CALABI, Donatella. Sobre o uso capitalista do territ&oacute;rio. <i>Orienta&ccedil;&atilde;o.</i> 1992, n&ordm; 9,&nbsp; p. 37-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730524&pid=S2182-1267201500020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEAL, Victor Nunes. <i>Coronelismo, enxada e voto</i>. 5&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Alfa-Omega, 1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730526&pid=S2182-1267201500020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARTINS, Jos&eacute; de Souza. <i>Exclus&atilde;o social e a nova desigualdade</i>. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Paulus, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730528&pid=S2182-1267201500020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLIVEIRA, Francisco de. <i>Elegia para uma re(li)gi&atilde;o</i>: <i>SUDENE, Nordeste, planejamento e conflito de classes</i>. 3.ed.&nbsp; Rio de Janeiro:&nbsp; Paz e Terra, 1981. 132 p. (Estudos sobre o Nordeste, v. 1).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730530&pid=S2182-1267201500020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POCHMANN, M&aacute;rcio; AMORIM, Ricardo. <i>Atlas da exclus&atilde;o social no Brasil</i>. 1&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730532&pid=S2182-1267201500020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PONTES, Beatriz Maria Soares. Estado brasileiro: territ&oacute;rio natureza e sociedade em conflito. In PONTES, Beatriz Maria Soares. <i>Estado e planejamento urbano</i>: <i>"na pr&aacute;tica a teoria &eacute; outra"</i>. Natal: UFRN, 1994. ( Cole&ccedil;&atilde;o Humanas Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730534&pid=S2182-1267201500020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>     <!-- ref --><p>Rolnik, Raquel. Planejamento urbano nos anos 90: novas perspectivas para velhos temas. In RIBEIRO, Luiz C&eacute;sar de Queiroz; J&Uacute;NIOR, Orlando Alves dos Santos. <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o, fragmenta&ccedil;&atilde;o e reforma urbana</i>: <i>o futuro das cidades brasileiras na crise</i>. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1994. p. 351-360.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730536&pid=S2182-1267201500020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SALES, Tereza. Ra&iacute;zes da desigualdade social na cultura pol&iacute;tica brasileira. <i>Revista brasileira de ci&ecirc;ncias sociais. </i>1994, n&ordm; 25, p. 26-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730538&pid=S2182-1267201500020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Milton. <i>A Natureza do Espa&ccedil;o</i>: <i>T&eacute;cnica e Tempo, Raz&atilde;o e Emo&ccedil;&atilde;o</i>. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1730540&pid=S2182-1267201500020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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