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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Feiras e mercados no Porto: velhos e novos formatos de atividade económica e animação urbana]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Despite the scarcity of scientific literature on urban fairs and markets, this economic activity is recognized by international institutions and local bodies as a driver of local economic development and urban experiences and animation. This research is intended to make a contribution to the study of this issue by analyzing the official markets and fairs that exist in Oporto. The methodological approach is based on observation, interviews and complementary sources. The goal is to analyze the format, features, partnerships, community involvement and marketing and communication strategies of urban fairs and markets.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Feiras e mercados no Porto: velhos e novos formatos de atividade econ&oacute;mica e anima&ccedil;&atilde;o urbana</b></p>     <p><b>Fairs and markets in Oporto: old and new formats of economic activity and urban animation</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ferreira, C&eacute;lia<sup>1</sup>;&nbsp;Marques, Teresa<sup>1</sup>;&nbsp;Guerra, Paula<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>CEGOT / Faculdade de Letras da Universidade do Porto.&nbsp;Via Panor&acirc;mica s/n&ordm;, 4150-564, Porto, Portugal.&nbsp;<a href="mailto:celiamarisaferreira@gmail.com">celiamarisaferreira@gmail.com</a>;&nbsp;<a href="mailto:teresasamarques@gmail.com">teresasamarques@gmail.com</a>&nbsp;</p>     <p><sup>2</sup>CEGOT / Faculdade de Letras da Universidade do Porto;&nbsp;IS &ndash;UP / Instituto de Sociologia / Universidade do Porto; Griffith Centre for Cultural Research / Griffith University / Australia.&nbsp;4150-564, Porto, Portugal.&nbsp;<a href="mailto:mariadeguerra@gmail.com">mariadeguerra@gmail.com</a>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Apesar da escassez de literatura cient&iacute;fica sobre feiras e mercados urbanos, esta atividade econ&oacute;mica &eacute; reconhecida por institui&ccedil;&otilde;es internacionais e organismos locais como uma for&ccedil;a motriz do desenvolvimento econ&oacute;mico local e das viv&ecirc;ncias e anima&ccedil;&atilde;o urbanas. Com esta pesquisa pretende-se dar um contributo para a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea, atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos mercados e feiras existentes oficialmente na cidade do Porto. A abordagem metodol&oacute;gica assenta na observa&ccedil;&atilde;o, na realiza&ccedil;&atilde;o de um conjunto de entrevistas e em fontes complementares. O objetivo &eacute; analisar os formatos, as caracter&iacute;sticas, as parcerias, o envolvimento com a comunidade local e as estrat&eacute;gias de marketing e comunica&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados urbanos.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Mercados urbanos, Feiras de rua, Feiras de artesanato, Cidade do Porto, Din&acirc;micas econ&oacute;micas, Viv&ecirc;ncias culturais, Anima&ccedil;&atilde;o urbana</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Despite the scarcity of scientific literature on urban fairs and markets, this economic activity is recognized by international institutions and local bodies as a driver of local economic development and urban experiences and animation. This research is intended to make a contribution to the study of this issue by analyzing the official markets and fairs that exist in Oporto. The methodological approach is based on observation, interviews and complementary sources. The goal is to analyze the format, features, partnerships, community involvement and marketing and communication strategies of urban fairs and markets.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: Urban Markets, Street Fairs, Craft Fairs, City of Oporto, Economic dynamics, Cultural experiences, Urban life</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A literatura cient&iacute;fica sobre feiras e mercados urbanos &eacute; escassa. O tema &eacute; abordado de forma dispersa e, regra geral, enquadrado em an&aacute;lises de &acirc;mbito mais alargado sobre as din&acirc;micas econ&oacute;micas e culturais das cidades (Costa 2014; Crane 1992). Faltam abordagens espec&iacute;ficas destas formas de com&eacute;rcio com origem e car&aacute;ter tradicional, mas com novos formatos, caracter&iacute;sticas e envolvendo diferentes viv&ecirc;ncias. Existem lacunas ao n&iacute;vel da defini&ccedil;&atilde;o e uniformiza&ccedil;&atilde;o de conceitos, da exist&ecirc;ncia de um corpo te&oacute;rico de refer&ecirc;ncia e de um quadro anal&iacute;tico que sustente compara&ccedil;&otilde;es em termos de formatos, caracter&iacute;sticas, causas e implica&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, n&atilde;o sabemos qual &eacute; o papel e o real impacto destas formas de atividade econ&oacute;mica e das viv&ecirc;ncias culturais, sociais e l&uacute;dicas a elas associadas. Ali&aacute;s, estes espa&ccedil;os de com&eacute;rcio e sociabilidade econ&oacute;mica s&atilde;o matizados por din&acirc;micas de afirma&ccedil;&atilde;o <i>do-it-yourself</i> (DIY) resultantes, na maioria das vezes, da reconfigura&ccedil;&atilde;o profissional e art&iacute;stica de muitos dos seus protagonistas (Costa 2000; Costa 2008).</p>     <p>&Eacute; consensual, n&atilde;o obstante, na documenta&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es internacionais e de organismos locais que os mercados trazem vida aos lugares urbanos e favorecem a cria&ccedil;&atilde;o de sinergias entre agentes e a comunidade, constituindo experi&ecirc;ncias &uacute;nicas de compras e sociabiliza&ccedil;&atilde;o. Os mercados e as feiras urbanos envolvem diferenciados atores locais, que interagem em redes formais, atrav&eacute;s de parcerias institucionais, ou de rela&ccedil;&otilde;es informais, atrav&eacute;s de conhecimentos individuais ou colabora&ccedil;&otilde;es organizacionais. Atraem consumidores e empreendedores e geram fluxos de pessoas que animam os espa&ccedil;os. Neste sentido, s&atilde;o considerados for&ccedil;as motrizes das viv&ecirc;ncias e do desenvolvimento econ&oacute;mico local.</p>     <p>Na cidade do Porto, e em particular na Baixa portuense, t&ecirc;m surgido, em anos recentes, novos formatos de feiras e mercados, realizados em locais fechados ou ao ar livre, fixos ou m&oacute;veis, e que t&ecirc;m associada uma maior ou menor componente cultural e l&uacute;dica. Nalguns casos, os mercados s&atilde;o variantes modernas das feiras de rua ou feiras de artesanato tradicionais, comercializando produtos tradicionais locais, regionais ou nacionais; noutros casos constituem formas de novos empreendedores (associados por vezes a microempresas) darem a conhecer o seu trabalho, alargando mercados de coloca&ccedil;&atilde;o dos produtos e chegando a novos p&uacute;blicos-alvo.</p>     <p>A presente pesquisa pretende ser um contributo para o estudo desta quest&atilde;o, atrav&eacute;s da sistematiza&ccedil;&atilde;o de aspetos anal&iacute;ticos pertinentes. Focando o estudo na cidade do Porto, na atualidade, pretende-se apresentar um quadro de an&aacute;lise das feiras e mercados que constitua um contributo para outras investiga&ccedil;&otilde;es sobre o tema. Pretende-se tamb&eacute;m apresentar algumas evid&ecirc;ncias dos impactos das feiras e mercados na dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e social da cidade em geral e, em particular, dos locais (edif&iacute;cios, ruas ou pra&ccedil;as e respetiva &aacute;rea envolvente) onde ocorrem. Para o efeito foram utilizadas abordagens metodol&oacute;gicas diversificadas mas complementares: explora&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ginas eletr&oacute;nicas institucionais e de p&aacute;ginas eletr&oacute;nicas e do Facebook (quando existentes) das feiras e mercados da cidade; realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas a respons&aacute;veis pela gest&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados e observa&ccedil;&atilde;o direta dos mesmos. Nesta pesquisa, consideram-se todas as feiras e mercados da cidade que apresentam estas designa&ccedil;&otilde;es e que s&atilde;o reconhecidos legalmente pelo munic&iacute;pio para efeitos de atividade comercial retalhista, independentemente do seu car&aacute;ter sedent&aacute;rio ou m&oacute;vel, da sua periodicidade de ocorr&ecirc;ncia (peri&oacute;dicos e permanentes) ou da sua realiza&ccedil;&atilde;o dentro de estruturas pr&oacute;prias ou em locais autorizados para o efeito (ruas e pra&ccedil;as).</p>     <p>Em termos de estrutura, este artigo est&aacute; organizado da seguinte forma: primeiro ser&aacute; feito um enquadramento de car&aacute;ter te&oacute;rico e anal&iacute;tico desta atividade econ&oacute;mica; segue-se a an&aacute;lise das feiras e mercados existentes oficialmente na cidade do Porto na atualidade e, por fim, ser&atilde;o sistematizadas as principais conclus&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. As feiras e mercados urbanos na atualidade</b></p>     <p>O setor retalhista sempre foi, &eacute; e ser&aacute;, pelo menos num futuro pr&oacute;ximo, uma atividade urbana por excel&ecirc;ncia (Cachinho 2014). Nas cidades europeias este setor &eacute; complexo, multifacetado e diversificado, o que se deve &agrave;s diferen&ccedil;as em termos de tipo de prestadores, modelos e organiza&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cios, dimens&atilde;o e formato dos pontos de venda, tipos de produtos, entre outros aspetos (CE 31/01/2013). Aqui enquadram-se todas as atividades de revenda de bens novos ou usados, destinados ao consumo de pessoas, empresas ou institui&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s de formatos diversos, entre os quais os estabelecimentos, as feiras e mercados, a venda ao domic&iacute;lio ou por correspond&ecirc;ncia, a venda ambulante ou o com&eacute;rcio eletr&oacute;nico (Barreta junho 2012). O setor retalhista &eacute; um elemento fulcral na viv&ecirc;ncia das cidades. A sua diversifica&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a os la&ccedil;os da comunidade, promove a coes&atilde;o e contribui para a melhoria da qualidade de vida. A vitalidade e viabilidade do setor s&oacute; podem ser conseguidas pela resili&ecirc;ncia de diferentes e diversificadas atividades retalhistas (Barata-Salgueiro 2014). S&atilde;o vis&iacute;veis, na atualidade, as fortes liga&ccedil;&otilde;es entre regenera&ccedil;&atilde;o urbana e o planeamento e resili&ecirc;ncia do setor retalhista. As pol&iacute;ticas urbanas s&atilde;o cada vez mais centradas na sustentabilidade das cidades, suportada pelo equil&iacute;brio entre as dimens&otilde;es econ&oacute;mica, social e ambiental. Neste &acirc;mbito, &eacute; tido em conta o papel e import&acirc;ncia das atividades retalhistas no desempenho econ&oacute;mico das cidades (nomeadamente em termos de emprego e de suprimento das necessidades dos cidad&atilde;os) e na inclus&atilde;o social (Fernandes and Chamusca 2014).</p>     <p>A atividade comercial desempenha um importante papel no desenvolvimento econ&oacute;mico dos pa&iacute;ses e dos centros urbanos (OXIRM abril 2014). A atividade comercial retalhista tem uma longa tradi&ccedil;&atilde;o na Europa, estando na origem e acompanhando o desenvolvimento de muitas cidades (DCLG setembro 2010a; ENPI/CBCMED Sem data; URBACT mar&ccedil;o 2015), onde constitui a atividade econ&oacute;mica principal, com um ineg&aacute;vel impacto no que respeita ao emprego que gera (Fernandes 1997).</p>     <p>Na Europa, h&aacute; registos da ocorr&ecirc;ncia de feiras e mercados pelo menos desde o s&eacute;culo XII, enquanto locais de encontro peri&oacute;dico de mercadores profissionais e compradores (Pirenne 1946). No caso espec&iacute;fico dos mercados p&uacute;blicos, a sua constru&ccedil;&atilde;o generalizou-se sobretudo a partir do s&eacute;culo XIX, quando novos materiais e tecnologias construtivas se tornaram mais acess&iacute;veis e quando emergiu uma conce&ccedil;&atilde;o burguesa de organiza&ccedil;&atilde;o urbana, pautada pelo fortalecimento da separa&ccedil;&atilde;o funcional das atividades. Desde meados do s&eacute;culo XX, com as melhorias tecnol&oacute;gicas ao n&iacute;vel da conserva&ccedil;&atilde;o dos alimentos, com a produ&ccedil;&atilde;o massificada e diversificada de bens, com o maior controlo da qualidade dos produtos e com a maior facilidade e rapidez da desloca&ccedil;&atilde;o de mercadorias, os mercados foram preteridos em prol de outros formatos comerciais, como os supermercados ou hipermercados (Pintaudi 1/08/2006). Face a esta realidade muitos mercados sucumbiram, mas outros conseguiram sobreviver no tempo. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, em Portugal, as preocupa&ccedil;&otilde;es em torno dos mercados municipais t&ecirc;m-se centrado sobretudo nas condi&ccedil;&otilde;es higino-sanit&aacute;rias, no estacionamento, na quest&atilde;o das acessibilidades e na concorr&ecirc;ncia das m&eacute;dias e grandes superf&iacute;cies comerciais. S&oacute; muito recentemente se tem vindo a reconhecer o seu papel e import&acirc;ncia enquanto atividade comercial retalhista (Barreta 11/03/2014).</p>     <p>Assim, as feiras e mercados tiveram desde sempre uma importante fun&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, social e cultural para as cidades e para os seus cidad&atilde;os enquanto formas ou locais de com&eacute;rcio, de compra e venda de provis&otilde;es e de bens di&aacute;rios ou n&atilde;o di&aacute;rios, de festivais, de rela&ccedil;&otilde;es sociais em comunidade e de fluxos de pessoas e informa&ccedil;&atilde;o. Constituem oportunidades de emprego, complementam a oferta comercial local, tornando a comunidade comercialmente mais atrativa. Para alguns segmentos de residentes, nomeadamente os grupos economicamente mais vulner&aacute;veis, estes formatos alternativos aos canais de distribui&ccedil;&atilde;o moderna constituem modos de partilharem com os restantes segmentos da popula&ccedil;&atilde;o a experi&ecirc;ncia do consumo de massas, com os signos, os c&oacute;digos e a imag&eacute;tica cultural que lhe est&aacute; associada (Cachinho 2006). Para os idosos ou para os grupos pouco relacionados socialmente, o mercado (e aqui referimo-nos sobretudo ao mercado municipal, que se realiza de forma permanente, numa estrutura pr&oacute;pria) pode representar uma das formas cruciais n&atilde;o s&oacute; de aceder a bens do dia-a-dia como tamb&eacute;m de manter ou refor&ccedil;ar rela&ccedil;&otilde;es humanas e de amizade. Mais ou menos especializados, realizando-se dentro de edif&iacute;cios (<i>indoor markets</i>) ou ocupando uma ou mais ruas ou pra&ccedil;as, nas feiras e mercados da atualidade comercializa-se uma grande variedade de produtos. N&atilde;o obstante, o seu impacto econ&oacute;mico e social tem sido frequentemente subvalorizado (URBACT mar&ccedil;o 2015; WUWM 16/02/2011).</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas testemunhou-se o incremento na oferta comercial e a altera&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos de consumo. As lojas tradicionais retalhistas que dominaram os centros urbanos europeus at&eacute; aos anos 60 do s&eacute;c. XIX foram perdendo sucessivamente import&acirc;ncia. Multiplicaram-se e diversificaram-se especializa&ccedil;&otilde;es, formas e formatos e alteraram-se modos de opera&ccedil;&atilde;o, a dimens&atilde;o financeira das empresas e as rela&ccedil;&otilde;es entre produtores e consumidores (Fernandes and Chamusca 2014). Os modos de pagamento s&atilde;o atualmente diversos e o acesso a bens e servi&ccedil;os tornou-se mais f&aacute;cil. Em paralelo com os canais de distribui&ccedil;&atilde;o tradicionais, existe hoje um leque de novas possibilidades que alteraram o mundo do com&eacute;rcio. Perante estas transforma&ccedil;&otilde;es, as feiras e mercados mantiveram-se quase est&aacute;ticos (URBACT mar&ccedil;o 2015).</p>     <p>As feiras e mercados com simbolismo hist&oacute;rico t&ecirc;m tido grande significado na revitaliza&ccedil;&atilde;o e no desenvolvimento econ&oacute;mico e social das cidades, constituindo um elemento de anima&ccedil;&atilde;o urbana. Em muitos centros urbanos, as feiras e mercados tradicionais foram reinventados transformando-se em locais de moderniza&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o, quer pelos produtos comercializados quer pela forma de comercializa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, representam polos de com&eacute;rcio de car&aacute;ter &uacute;nico e simultaneamente um patrim&oacute;nio hist&oacute;rico e cultural (ENPI/CBCMED Sem data). Refira-se a este respeito, a import&acirc;ncia que o mercado municipal ou algumas feiras tradicionais (de influ&ecirc;ncia regional e/ou local) t&ecirc;m ainda nos dias de hoje na din&acirc;mica dos centros das cidades, constituindo &acirc;ncoras destas &aacute;reas (Barreta junho 2012).</p>     <p>Reconhecendo a import&acirc;ncia das feiras e mercados nos planos econ&oacute;mico, social e cultural existem diversos projetos internacionais que se debru&ccedil;am sobre a potencializa&ccedil;&atilde;o de feiras e mercados. A n&iacute;vel europeu, o projecto <i>URBACT Markets</i> permitiu que nove cidades explorassem e partilhassem conhecimento e experi&ecirc;ncias quanto ao papel dos mercados urbanos enquanto for&ccedil;as motrizes do desenvolvimento econ&oacute;mico local, da coes&atilde;o social, da viv&ecirc;ncia e da regenera&ccedil;&atilde;o urbana. O projeto &eacute; liderado por Barcelona (Espanha) e conta como parceiros Turim (It&aacute;lia), Attica (Gr&eacute;cia), Suceava (Rom&eacute;nia), P&eacute;cs (Hungria), Wroclaw (Pol&oacute;nia), Londres (Reino Unido), Dublin (Irlanda) e Toulouse (Fran&ccedil;a).<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> Utilizando uma abordagem participativa e envolvendo uma grande diversidade de agentes, cada cidade, num processo de aprendizagem em rede com as outras cidades, construiu o seu pr&oacute;prio plano de a&ccedil;&atilde;o local, adaptado &agrave;s suas especificidades territoriais e aos seus pr&oacute;prios modelos de gest&atilde;o e abordagem cultural dos mercados (URBACT mar&ccedil;o 2015). Tamb&eacute;m &agrave; escala europeia, o projeto <i>Marakanda</i> visa potencializar os mercados hist&oacute;ricos do Mediterr&acirc;neo atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas e da transfer&ecirc;ncia de conhecimento entre os parceiros. O projeto &eacute; coordenado pela cidade de Floren&ccedil;a (It&aacute;lia) e conta com a parceria do munic&iacute;pio e da universidade de Genoa (It&aacute;lia), da Uni&atilde;o Regional de Munic&iacute;pios da Maced&oacute;nia Oriental e Thrace (Maced&oacute;nia e Gr&eacute;cia), do munic&iacute;pio de Limassol (Chipre), do Instituto Municipal de Mercados de Barcelona (Espanha), do munic&iacute;pio de Favara (It&aacute;lia), da <i>Souk El Tayeb Association</i> (L&iacute;bano), do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o Nacional do Egito e do PLURAL &ndash; Centro de Estudos Europeus.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>     <p>A n&iacute;vel internacional, a <i>World Union of Wholesale Markets</i> (WUWM) &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos que procura o reconhecimento da import&acirc;ncia dos mercados grossistas e retalhistas nas cadeias de distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos a n&iacute;vel local, nacional e internacional. Visa promover a partilha de informa&ccedil;&atilde;o, conhecimento, experi&ecirc;ncias e compet&ecirc;ncias sobre estes mercados, tendo em vista potencializar a sua constru&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o e promover a comunica&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o entre autoridades p&uacute;blicas, entidades gestoras, produtores e vendedores.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2.1. Conceitos, formatos e formas de gest&atilde;o</b></p>     <p>Tornando os centros das cidades mais vibrantes, os mercados podem assumir diversos formatos, dimens&otilde;es e formas de gest&atilde;o (NABMA Sem data).</p>     <p>Segundo a WUWM (16/02/2011), os mercados retalhistas consistem em unidades comerciais que, em local coberto ou ao ar livre, sob uma mesma unidade de gest&atilde;o, representam estabelecimentos comerciais ou empreendedores retalhistas, providenciando uma oferta comercial variada de produtos alimentares e n&atilde;o alimentares. A <i>National Association of British Market Authorities</i> (NABMA) apresenta defini&ccedil;&otilde;es para diferentes tipos de mercados. Segundo esta associa&ccedil;&atilde;o, existem os &ldquo;Mercados generalistas&rdquo;, que n&atilde;o s&atilde;o especializados em nenhum produto, sendo abertos a todos os tipos de vendedores; os &ldquo;Mercados de produ&ccedil;&atilde;o local&rdquo; que s&atilde;o focados em produtos locais (alimenta&ccedil;&atilde;o, artesanato, etc.) e os &ldquo;Mercados especializados&rdquo;, que consistem numa mistura dos dois tipos de mercado anteriores, sendo distinguidos pelo facto de terem uma tem&aacute;tica associada (mercado de arte, mercado de artesanato, mercado de produtos alimentares tradicionais, mercado de produtos vintage, etc.) (NABMA Sem data). O projeto<i> Marakanda</i> define mercado de forma mais generalista, como sendo um local de encontro entre vendedores ou lojistas e consumidores ou visitantes, com uma localiza&ccedil;&atilde;o determinada e datas espec&iacute;ficas de realiza&ccedil;&atilde;o (ENPI/CBCMED Sem data).</p>     <p>A n&iacute;vel nacional, no Regime Jur&iacute;dico de Acesso e Exerc&iacute;cio de Atividades de Com&eacute;rcio, Servi&ccedil;os e Restaura&ccedil;&atilde;o (RJACSR)<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>, que regulamenta, entre outras atividades, a explora&ccedil;&atilde;o de mercados municipais, de com&eacute;rcio a retalho n&atilde;o sedent&aacute;rio exercido por feirantes e a organiza&ccedil;&atilde;o de feiras por entidades privadas, a defini&ccedil;&atilde;o de feira &eacute; a seguinte: <i>evento que congrega peri&oacute;dica ou ocasionalmente, no mesmo recinto, v&aacute;rios retalhistas ou grossistas que exercem a atividade com car&aacute;cter n&atilde;o sedent&aacute;rio, na sua maioria em unidades m&oacute;veis ou amov&iacute;veis, excetuados os arraiais, romarias, bailes, provas desportivas e outros divertimentos p&uacute;blicos, os mercados municipais e os mercados abastecedores, n&atilde;o se incluindo as feiras dedicadas de forma exclusiva &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o de armas.</i> No mesmo regulamento, mercado municipal constitui um <i>recinto fechado e coberto, explorado pela c&acirc;mara municipal ou junta de freguesia, especificamente destinado &agrave; venda a retalho de produtos alimentares, organizado por lugares de venda independentes, dotado de zonas e servi&ccedil;os comuns e possuindo uma unidade de gest&atilde;o comum</i>. A n&iacute;vel local, a C&acirc;mara Municipal do Porto considera que uma feira &eacute; uma <i>atividade de com&eacute;rcio a retalho n&atilde;o sedent&aacute;ria, exercida por pessoa que vende em recintos p&uacute;blicos ou privados, onde se realizem feiras</i> e mercado consiste numa <i>atividade de com&eacute;rcio a retalho, em recinto fechado (loja) ou estrutura inamov&iacute;vel (banca), destinado fundamentalmente &agrave; venda de produtos alimentares e de outros produtos de consumo di&aacute;rio generalizado</i> (CMP &ndash; Balc&atilde;o Virtual, consulta em 19/06/2015).<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a> O RJACSR designa de feira todos os eventos que, no que se verifica na realidade, designadamente no caso da cidade do Porto, podem assumir publicamente quer a designa&ccedil;&atilde;o de feira quer a de mercado. Apesar de fazer esta distin&ccedil;&atilde;o, as defini&ccedil;&otilde;es apresentadas pelo munic&iacute;pio n&atilde;o permitem perceber com clareza o que &eacute; feira e o que &eacute; mercado (nos casos dos mercados que n&atilde;o se realizam em edif&iacute;cios pr&oacute;prios).</p>     <p>No caso espec&iacute;fico dos eventos com designa&ccedil;&atilde;o de mercados, segundo o URBACT, estes podem ser permanentes, realizando-se, regra geral, em local fixo e com estrutura pr&oacute;pria, ou podem ser m&oacute;veis, realizando-se ao ar livre, em ruas ou pra&ccedil;as, ou aproveitando edif&iacute;cios de utilidade diversa. Quanto &agrave; periodicidade, podem ser perenes (&eacute; o caso dos mercados fixos), peri&oacute;dicos ou espor&aacute;dicos. Existem mercados onde se encontra um leque diversificado de produtos e outros que assumem um car&aacute;ter especializado. Nestes &uacute;ltimos, encontram-se os mercados ou feiras de antiguidades, de produtos agr&iacute;colas, os mercados de peixe, de flores, de artesanato ou os <i>Flea Markets</i> (URBACT mar&ccedil;o 2015).</p>     <p>Um dos aspetos chave para a viabilidade e sucesso dos mercados &eacute; a forma como s&atilde;o geridos (DCLG setembro 2010b). As situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o diversas. Os principais modelos de gest&atilde;o das feiras e mercados europeus s&atilde;o (DCLG setembro 2010b; ENPI/CBCMED Sem data; URBACT mar&ccedil;o 2015):</p> <ul>     <li>Autoridades locais / setor p&uacute;blico: este modelo tem como vantagem a considera&ccedil;&atilde;o direta das feiras e mercados nos objetivos estrat&eacute;gicos locais, reconhecendo-se o bem p&uacute;blico que constituem; em termos de desvantagens podem estar rodeados de demasiada burocracia, os recursos financeiros podem ser mais escassos e o tempo de resposta a desafios e problemas pode ser maior.</li>     <li>Setor privado: neste modelo as feiras ou mercados podem ser de iniciativa privada ou, no caso de iniciativas p&uacute;blicas, concessionados a privados. As vantagens deste modelo relacionam-se sobretudo com a reduzida burocracia necess&aacute;ria para interven&ccedil;&otilde;es e com um elevado foco no <i>core business</i>, bem como com a capacidade de investir capital financeiro de forma direta. As desvantagens podem estar relacionadas com a reduzida responsabilidade social e numa menor prote&ccedil;&atilde;o dos vendedores.</li>     <li>Parcerias p&uacute;blico-privadas: podem assumir diversos formatos (p. ex. a gest&atilde;o estrat&eacute;gica pode ser da responsabilidade da institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e a gest&atilde;o operacional feita pelo setor privado) e dura&ccedil;&otilde;es; este modelo &eacute; &uacute;til sobretudo quando falta &agrave;s autoridades locais capacidade para a gest&atilde;o eficaz e eficiente do mercado e quando faz falta investimento financeiro; este modelo tem ainda a vantagem da concerta&ccedil;&atilde;o de interesses p&uacute;blicos e privados no desenvolvimento local, de uma maior disponibilidade, &agrave; partida, de recursos financeiros e da cria&ccedil;&atilde;o de economias de escala. A concilia&ccedil;&atilde;o dos interesses p&uacute;blicos e dos interesses privados, no entanto, pode constituir um desafio.</li>     <li>Parcerias entre o setor p&uacute;blico: s&atilde;o uma varia&ccedil;&atilde;o das parcerias p&uacute;blico-privadas, mas neste caso envolvendo diferentes organismos p&uacute;blicos.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias ou de caridade, cooperativas ou empresas com fins sociais: uma vez que o enfoque destas organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as quest&otilde;es sociais, a vantagem deste modelo consiste no compromisso para que a atividade comercial se processe de forma &eacute;tica, gerando valor social e/ou benef&iacute;cios ambientais, podendo haver uma maior proximidade com a comunidade face a outros modelos. O acesso a investimentos alternativos pode ser potencializado por via dos conhecimentos e liga&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o gestora com outros agentes. Como desvantagem principal, poder&aacute; ocorrer falta de experi&ecirc;ncia na gest&atilde;o de mercados.</li>     <li>Vendedores / comerciantes: a principal vantagem consiste no forte envolvimento no sucesso do mercado e no sentimento de perten&ccedil;a e apropria&ccedil;&atilde;o do mesmo, bem como na relativa reduzida burocracia; quanto &agrave;s desvantagens, de referir que os recursos financeiros para investir podem ser escassos, pode haver lacunas ao n&iacute;vel das compet&ecirc;ncias em gest&atilde;o de neg&oacute;cios e podem ocorrer conflitos de interesses que se n&atilde;o forem resolvidos podem p&ocirc;r em causa o objetivo comum do sucesso do mercado.</li>     <li>Voluntariado: alguns mercados, geralmente focados na comunidade, com periodicidade pouco frequente e de relativa pequena dimens&atilde;o, s&atilde;o geridos por volunt&aacute;rios, com as vantagens de se criar um sentimento de perten&ccedil;a &agrave; comunidade e de redu&ccedil;&atilde;o dos custos operacionais. Como desvantagens, apontam-se a limitada frequ&ecirc;ncia de ocorr&ecirc;ncia, a falta de capacidade de investimento e a possibilidade de haver lacunas ao n&iacute;vel da gest&atilde;o dos mercados.</li>     </ul>     <p>Um mercado s&oacute; pode funcionar eficazmente a longo prazo se for economicamente sustent&aacute;vel. Para isso, &eacute; importante que todas as decis&otilde;es tomadas ao n&iacute;vel da sua gest&atilde;o tenham em vista assegurar que os vendedores t&ecirc;m um neg&oacute;cio proveitoso e que a oferta do mercado vai ao encontro das necessidades e expectativas dos consumidores. No caso da abertura de novos mercados, existem alguns fatores a ter em considera&ccedil;&atilde;o para que sejam bem-sucedidos, como por exemplo a localiza&ccedil;&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o entre qualidade e pre&ccedil;o dos produtos, o hor&aacute;rio, as facilidades e comodidades (bancos, casas de banho, etc.), o profissionalismo na rela&ccedil;&atilde;o comerciante &ndash; consumidor ou a estrat&eacute;gia de promo&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o e a manuten&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio ou espa&ccedil;o p&uacute;blico. Uma gest&atilde;o eficaz deve ter lideran&ccedil;a e ser vision&aacute;ria e inovadora. Deve refletir as aspira&ccedil;&otilde;es locais e capacitar os agentes envolvidos, ser cred&iacute;vel aos olhos da comunidade, ter capacidade de atrair e manter investimento e tornar o mercado um foco central da &aacute;rea envolvente e da cidade (URBACT mar&ccedil;o 2015).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. Oportunidades e desafios para o desenvolvimento local</b></p>     <p>As feiras e mercados apresentam in&uacute;meras oportunidades e benef&iacute;cios: econ&oacute;micos, sociais, culturais e ambientais (DCLG setembro 2010a; NABMA Sem data; URBACT mar&ccedil;o 2015). Criam e mant&ecirc;m oportunidades de emprego e de empreendedorismo. Em termos de empreendedorismo, constituem oportunidades para pessoas com neg&oacute;cios mostrarem os seus trabalhos, produtos e compet&ecirc;ncias (NABMA Sem data; URBACT mar&ccedil;o 2015). A cria&ccedil;&atilde;o de emprego &eacute; feita quer por via de pessoas que trabalham diretamente nos mercados, quer atrav&eacute;s da cadeia de produ&ccedil;&atilde;o, transporte e distribui&ccedil;&atilde;o dos produtos, com toda a log&iacute;stica e servi&ccedil;os envolvidos. Deste modo, os mercados direta e indiretamente geram emprego para trabalhadores com baixas qualifica&ccedil;&otilde;es profissionais, bem como para trabalhadores mais especializados. Muitos mercados europeus s&atilde;o aut&ecirc;nticas atra&ccedil;&otilde;es tur&iacute;sticas (<a href="#f1">Figura 1</a>).<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> A sua atratividade tur&iacute;stica prende-se com o facto de darem uma perspetiva concentrada dos produtos tradicionais locais e, atrav&eacute;s deles, da vida t&iacute;pica local, dos h&aacute;bitos e valores sociais e culturais. A maior aflu&ecirc;ncia de consumidores habituais ou de visitantes e turistas pode significar o aumento do volume de venda do mercado e at&eacute; mesmo do com&eacute;rcio envolvente, contribuindo, assim, para o crescimento econ&oacute;mico local.</p>     <p>Os mercados podem complementar e melhorar a oferta retalhista existente na comunidade ou at&eacute; na cidade, sobretudo quando existem liga&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o entre o mercado e os estabelecimentos comerciais da envolvente. Podem contribuir para aumentar a competitividade interna (entre os vendedores) ou externa (com outros retalhistas), trazendo benef&iacute;cios para os consumidores em termos de rela&ccedil;&atilde;o qualidade-pre&ccedil;o dos produtos. Em comunidades deprimidas, os produtos &ndash; em particular os frescos &ndash; s&atilde;o muitas vezes vendidos a pre&ccedil;os mais acess&iacute;veis, ligeiramente mais baratos do que nos supermercados ou hipermercados. A quest&atilde;o da seguran&ccedil;a &eacute; de toda a pertin&ecirc;ncia. Sendo locais com elevada concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas, podem propiciar certos tipos de criminalidade (como roubos, entre outros), pelo que assegurar que a seguran&ccedil;a &eacute; um facto e transmitir essa mensagem &eacute; tornar os mercados mais convidativos para os visitantes. Quer os mercados permanentes que se realizam em estruturas pr&oacute;prias quer os mercados m&oacute;veis ocupam uma por&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do espa&ccedil;o urbano, tendo implica&ccedil;&otilde;es no fluxo de pessoas e bens e, nalguns casos, no tr&aacute;fego autom&oacute;vel. Qualquer interven&ccedil;&atilde;o a este n&iacute;vel, enquadrada nas pol&iacute;ticas de planeamento urbano, pode contribuir para a gera&ccedil;&atilde;o de mais-valias, pela cria&ccedil;&atilde;o ou renova&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico, criando-se novos polos de atra&ccedil;&atilde;o de pessoas ou desenhando-se novos elementos ic&oacute;nicos na cidade, e pela melhoria da qualidade de vida urbana. A realiza&ccedil;&atilde;o de mercados e feiras pode constituir um est&iacute;mulo para a reabilita&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios hist&oacute;ricos, alavancando a reabilita&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas envolventes. Os espa&ccedil;os p&uacute;blicos renovados, quando convidativos &agrave; frui&ccedil;&atilde;o, podem ser utilizados pelos cidad&atilde;os para l&aacute; do hor&aacute;rio de funcionamento das feiras ou mercados, constituindo assim espa&ccedil;os de sociabiliza&ccedil;&atilde;o e de viv&ecirc;ncias urbanas (URBACT mar&ccedil;o 2015; WUWM 16/02/2011).</p>     <p>As feiras e mercados podem estabelecer com a envolvente liga&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, sociais, ambientais e culturais fortes e positivas, com as quais lucram n&atilde;o s&oacute; as feiras e mercados, mas tamb&eacute;m a envolvente. Com base nestas liga&ccedil;&otilde;es, as feiras e mercados podem contribuir para o desenvolvimento urbano sustent&aacute;vel (NABMA Sem data). N&atilde;o obstante a situa&ccedil;&atilde;o dos mercados e feiras variar consideravelmente nas cidades europeias devido a diferentes regulamenta&ccedil;&otilde;es, modelos de gest&atilde;o e fatores culturais, &eacute; poss&iacute;vel apontar alguns desafios chave, como sejam a orienta&ccedil;&atilde;o para o consumidor; a elevada competi&ccedil;&atilde;o exercida por supermercados e hipermercados; a exist&ecirc;ncia de uma gest&atilde;o eficaz e eficiente; a cria&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de comunica&ccedil;&atilde;o com o com&eacute;rcio retalhista de proximidade; de uma estrat&eacute;gia de marketing para atra&ccedil;&atilde;o de consumidores; o investimento, nalgumas cidades, em infraestruturas ou na reabilita&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios (no caso dos mercados <i>indoor</i>) e, por fim, a exist&ecirc;ncia de compromisso pol&iacute;tico e a valoriza&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios dos mercados (que muitas vezes n&atilde;o acontece por falta de dados e informa&ccedil;&atilde;o que comprovem a sua import&acirc;ncia). Recentemente algumas cidades europeias apostaram fortemente na imagem dos seus mercados, criando marcas, log&oacute;tipos, <i>newsletters</i>, publica&ccedil;&otilde;es, programas educacionais para escolas e divulga&ccedil;&atilde;o na imprensa ou nas redes sociais (como o Facebook ou o Twitter). As formas de divulga&ccedil;&atilde;o mais simples e baratas s&atilde;o muitas vezes bastante eficientes: o passa palavra continua a ser eficaz, a participa&ccedil;&atilde;o em concursos e outros eventos e o convite de algu&eacute;m conhecido para vir ao mercado s&atilde;o formas de aumentar a sua visibilidade (NABMA Sem data; URBACT mar&ccedil;o 2015; WUWM 16/02/2011).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2.3. Estrat&eacute;gias de desenvolvimento e potencializa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Aspeto fundamental para o desenvolvimento de uma estrat&eacute;gia de a&ccedil;&atilde;o eficaz &eacute; o di&aacute;logo entre os agentes, a fim de haver coordena&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel das suas necessidades, interligando-as com as oportunidades de desenvolvimento dos mercados. Os agentes devem ser envolvidos, desde o in&iacute;cio, no desenvolvimento da estrat&eacute;gia. Podem ser elencadas quatro etapas neste processo: i) construir um grupo de suporte &agrave; defini&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia que represente os agentes envolvidos; ii) efetuar o diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o; iii) definir a vis&atilde;o, os objetivos e as a&ccedil;&otilde;es e iv) desenvolver estruturas e procedimentos. O grupo de suporte representa os agentes relevantes para o desenvolvimento conjunto de uma estrat&eacute;gia de a&ccedil;&atilde;o, permitindo o reconhecimento, a compreens&atilde;o e a coordena&ccedil;&atilde;o dos interesses e das necessidades uns dos outros e o desenvolvimento de solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis pr&oacute;ximas aos mesmos. O envolvimento de todos num prop&oacute;sito comum permite que estes atores se identifiquem com a vis&atilde;o, os objetivos e as a&ccedil;&otilde;es. A vis&atilde;o consiste nas aspira&ccedil;&otilde;es para o mercado no futuro. Reflete o modo como o munic&iacute;pio, a entidade gestora e os restantes agentes veem o mercado e a sua rela&ccedil;&atilde;o com a comunidade a longo prazo. Constitui o quadro de refer&ecirc;ncia para a dedu&ccedil;&atilde;o de objetivos e de a&ccedil;&otilde;es. Um dos m&eacute;todos para identificar a vis&atilde;o consiste em transformar os desafios, as oportunidades e as necessidades identificadas durante o diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o em mensagens positivas. A discuss&atilde;o e o debate p&uacute;blicos podem ser ferramentas importantes na constru&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o s&oacute;lida e com a qual agentes e cidad&atilde;os se identifiquem. Os objetivos operacionalizam a vis&atilde;o no que diz respeito ao desenvolvimento do mercado, &agrave; sua integra&ccedil;&atilde;o na comunidade e apropria&ccedil;&atilde;o pela mesma. As a&ccedil;&otilde;es concretas s&atilde;o definidas com base nos objetivos e tendo em vista a concretiza&ccedil;&atilde;o destes. Uma estrat&eacute;gia de potencializa&ccedil;&atilde;o dos mercados funciona eficazmente se tiver um car&aacute;ter integrado, isto &eacute;, se n&atilde;o for uma estrat&eacute;gia para o mercado, mas sim uma estrat&eacute;gia para o com&eacute;rcio local, que considere o mercado e todas as outras formas de com&eacute;rcio como diferentes formas de oferta capazes de atrair consumidores (ENPI/CBCMED Sem data; URBACT mar&ccedil;o 2015).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. As feiras e mercados na cidade do Porto</b></p>     <p>O com&eacute;rcio a retalho est&aacute; interligado &agrave; cidade do Porto desde a sua origem, sendo um aspeto fulcral na compreens&atilde;o do seu desenvolvimento (Fernandes 1997). As feiras e mercados t&ecirc;m uma longa hist&oacute;ria no Porto, dinamizando e acompanhando o crescimento econ&oacute;mico da cidade e promovendo a anima&ccedil;&atilde;o urbana. Ao longo do tempo, e face &agrave; crescente import&acirc;ncia dos estabelecimentos comerciais fixos e dos novos formatos de com&eacute;rcio retalhista, as feiras e mercados foram perdendo vitalidade e relev&acirc;ncia. Na atualidade, subsistem ainda feiras e mercados de car&aacute;ter tradicional, herdadas de h&aacute; muito tempo atr&aacute;s. Ao mesmo tempo, nos &uacute;ltimos anos, t&ecirc;m surgido novas formas de mercadejar, voltadas n&atilde;o s&oacute; para a pr&aacute;tica comercial mas tamb&eacute;m para a anima&ccedil;&atilde;o e a viv&ecirc;ncia cultural e social do espa&ccedil;o urbano. Constitui nosso objetivo caracterizar e compreender a diversidade de mercados e feiras que existem no Porto nos dias de hoje, enquadrando-as no tempo e no espa&ccedil;o e analisando diferen&ccedil;as e similitudes. Nesta pesquisa, consideramos todas as feiras e mercados da cidade que apresentam estas designa&ccedil;&otilde;es e que s&atilde;o reconhecidos legalmente pelo munic&iacute;pio para efeitos de atividade comercial retalhista, independentemente do seu car&aacute;ter sedent&aacute;rio ou m&oacute;vel, da sua periodicidade de ocorr&ecirc;ncia (peri&oacute;dicos e permanentes) ou da sua realiza&ccedil;&atilde;o dentro de estruturas pr&oacute;prias ou em locais autorizados para o efeito (ruas e pra&ccedil;as).</p>     <p>Constituem objetivos desta investiga&ccedil;&atilde;o, por um lado, sistematizar um quadro de an&aacute;lise das feiras e mercados que constitua um contributo para outros estudos em torno deste tema, aplicando-o ao caso das feiras e mercados ativos na atualidade no Porto. Por outro lado, pretende-se apresentar evid&ecirc;ncias de que as feiras e mercados contribuem para uma maior viv&ecirc;ncia dos espa&ccedil;os onde ocorrem e da sua envolvente e, deste modo, para a sua dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e social.</p>     <p>Em termos metodol&oacute;gicos, foram utilizados procedimentos diversos mas complementares: i) consulta de literatura cient&iacute;fica, p&aacute;ginas eletr&oacute;nicas e relat&oacute;rios relativos a projetos relacionados com esta atividade econ&oacute;mica como suporte para o enquadramento te&oacute;rico e conceptual e para a defini&ccedil;&atilde;o do quadro anal&iacute;tico do estudo de caso aqui apresentado; ii) consulta de bibliografia sobre a evolu&ccedil;&atilde;o dos mercados e feiras na cidade do Porto, a fim de ter uma perspetiva evolutiva desta atividade econ&oacute;mica na cidade; iii) explora&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos conte&uacute;dos de s&iacute;tios eletr&oacute;nicos institucionais (o da C&acirc;mara Municipal do Porto e o Portal do Turismo do Munic&iacute;pio), de not&iacute;cias recentes e dos s&iacute;tios eletr&oacute;nicos e p&aacute;ginas das redes sociais dos mercados e feiras, quando existentes; iv) pedidos de informa&ccedil;&atilde;o ao munic&iacute;pio; v) entrevistas aos respons&aacute;veis pela gest&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados e vi) observa&ccedil;&atilde;o direta dos eventos.</p>     <p>Em termos anal&iacute;ticos interessa analisar em que locais ocorrem (sejam m&oacute;veis ou fixos, <i>indoor</i> ou <i>outdoor</i>), com que periocidades, hor&aacute;rios e tipos de produtos comercializados, quais os modelos e entidades de gest&atilde;o (setor p&uacute;blico, setor privado ou outras institui&ccedil;&otilde;es; entidade &uacute;nica ou parceria). Interessa avaliar as motiva&ccedil;&otilde;es que sustentam a realiza&ccedil;&atilde;o de eventos em simult&acirc;neo, quais os mecanismos de financiamento e as estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o e marketing que utilizam. &Eacute; tamb&eacute;m importante analisar as redes de parcerias institucionais e as colabora&ccedil;&otilde;es informais e os n&iacute;veis de envolvimento das comunidades locais e do com&eacute;rcio retalhista da proximidade.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3.1. Breve evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica</b></p>     <p>Desde in&iacute;cios do s&eacute;culo XV que h&aacute; registos da realiza&ccedil;&atilde;o de feiras e mercados na cidade do Porto (Fernandes 1989/90), constituindo os principais locais de troca de bens e de escoamento do que era produzido na cidade (Fernandes 1997). Desempenhavam ent&atilde;o um importante papel no abastecimento di&aacute;rio das popula&ccedil;&otilde;es (residentes na cidade ou nos espa&ccedil;os circundantes), numa &eacute;poca em que n&atilde;o estava ultrapassado o problema da conserva&ccedil;&atilde;o dos alimentos (Silva janeiro 2015). Para al&eacute;m disso, eram um importante fator de desenvolvimento econ&oacute;mico e de afirma&ccedil;&atilde;o do Porto &agrave; escala regional (Fernandes 1997). Foi sobretudo a partir do s&eacute;culo XVII que se deu um incremento nesta forma de vender e adquirir produtos, que assumiam um car&aacute;ter ef&eacute;mero ou continuado no tempo, mas com altera&ccedil;&atilde;o de localiza&ccedil;&atilde;o. Ocorriam feiras francas e feiras especializadas, com periodicidades diversas (anuais, bianuais, mensais, semanais e di&aacute;rias). Representavam n&atilde;o s&oacute; um evento mercantil para vendedores e consumidores, mas tamb&eacute;m um h&aacute;bito social, uma forma de conv&iacute;vio e sociabiliza&ccedil;&atilde;o para os residentes do Porto ou para os que se deslocavam &agrave; cidade para &ldquo;ir &agrave; feira&rdquo;. Em termos econ&oacute;micos, contribu&iacute;ram para refor&ccedil;ar o papel da cidade enquanto polo central de trocas comerciais, num tempo em que os estabelecimentos fixos tinham ainda pouca representatividade. O s&eacute;culo XVIII ficou marcado pelo processo de crescimento da cidade e de afirma&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, urban&iacute;stica e arquitet&oacute;nica (Fernandes 1989/90). O edificado passou a simbolizar o elemento de estrutura&ccedil;&atilde;o urbana, fundamental para a delinea&ccedil;&atilde;o de novos arruamentos, procurando-se a especializa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os, ao contr&aacute;rio da multifuncionalidade de ruas, pra&ccedil;as e largos que caracterizou todo o per&iacute;odo medieval (Silva janeiro 2015). Ao longo do s&eacute;culo XIX, verificou-se um aumento significativo do n&uacute;mero de feiras, o que pode ao que parece ser atribu&iacute;do &agrave; procura crescente resultante do crescimento populacional que ocorreu no Porto at&eacute; ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XX e ao qual os estabelecimentos comerciais fixos n&atilde;o conseguiam dar ainda eficazmente resposta. As feiras impulsionaram o desenvolvimento econ&oacute;mico da cidade, ditando a ocupa&ccedil;&atilde;o funcional de muitas ruas e pra&ccedil;as e, nalguns casos, contribuindo para a especializa&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio fixo de determinados arruamentos. N&atilde;o obstante, o refor&ccedil;o da import&acirc;ncia do com&eacute;rcio fixo e a moderniza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e urban&iacute;stica que ocorrem simultaneamente v&atilde;o ditando o decl&iacute;nio e afastamento das feiras para a periferia, para fora de um centro onde come&ccedil;am a surgir estabelecimentos de requinte e portanto considerado impr&oacute;prio para ocupa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter &ldquo;rural&rdquo; (Fernandes 1989/90; Fernandes 1997). Decorrendo do aumento da atividade comercial verificada no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX e do tr&aacute;fego crescente de pessoas, bens e animais, caracter&iacute;stico de uma cidade em crescimento, apareceram novos produtos e novos tipos de com&eacute;rcio e servi&ccedil;os (Fernandes 1989/90). Num quadro de industrializa&ccedil;&atilde;o capitalista liberal, o com&eacute;rcio fixo afirmou-se face &agrave; atividade comercial n&atilde;o fixa, associada em larga medida &agrave; produ&ccedil;&atilde;o oficinal pr&eacute;-industrial, num per&iacute;odo marcado por transforma&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel da reestrutura&ccedil;&atilde;o funcional do espa&ccedil;o urbano do Porto (Zilh&atilde;o 2015). No mesmo per&iacute;odo, foram aplicadas novas regulamenta&ccedil;&otilde;es, nomeadamente relativas &agrave; venda ambulante, tendo-se criado espa&ccedil;os cobertos pr&oacute;prios para o efeito (Silva janeiro 2015). Estes espa&ccedil;os, os mercados, funcionavam nos dias &uacute;teis da semana, surgindo sobretudo de preocupa&ccedil;&otilde;es higienistas e com a centraliza&ccedil;&atilde;o das feiras que se realizavam de forma avulsa. Entre eles contavam-se os Mercados do Anjo (aberto em 1839), do Bolh&atilde;o (aberto em 1841), do Peixe (aberto em 1874) e os Mercados da Aguardente, do Campo 24 de Agosto (ambos a funcionar em 1880) e o de Ferreira Borges (constru&iacute;do em 1885 e em funcionamento em 1888) (Fernandes 1989/90; Fernandes 1997). O s&eacute;culo XX pauta-se pelo desaparecimento de muitas feiras e pelo encerramento de mercados. Sobrevive o Mercado do Bolh&atilde;o (remodelado e ampliado em 1915) e s&atilde;o abertos os Mercados do Bom Sucesso (em 1952) e da Foz. O Mercado Ferreira Borges, apesar de n&atilde;o ser destru&iacute;do, deixa de ter a fun&ccedil;&atilde;o comercial. A partir da d&eacute;cada de 60 do mesmo s&eacute;culo s&atilde;o criados mercados de levante de pequena dimens&atilde;o por toda a cidade, sobrevivendo algumas feiras tradicionais. Na d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo XX, d&aacute;-se um ressurgimento e revaloriza&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados (Fernandes 1989/90; Fernandes 1997). Os mercados em edif&iacute;cios s&atilde;o de dimens&atilde;o e influ&ecirc;ncia diferenciadas. Os Mercados do Bolh&atilde;o e do Bom Sucesso t&ecirc;m claramente uma &aacute;rea de influ&ecirc;ncia superior aos demais: o primeiro, dada a localiza&ccedil;&atilde;o central, &eacute; utilizado n&atilde;o s&oacute; pela popula&ccedil;&atilde;o que reside na parte central e oriental da cidade, como por muitas pessoas que se deslocam ao Porto para fazer compras; o do Bom Sucesso atrai sobretudo residentes da parte ocidental da cidade e dos concelhos de Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Maia. Neste per&iacute;odo, os mercados e feiras surgem na ordem do dia enquanto preocupa&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o considerados fatores de anima&ccedil;&atilde;o urbana e de qualidade de vida e n&atilde;o meramente como equipamentos ou eventos ao servi&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; reconhecida a sua import&acirc;ncia para a revitaliza&ccedil;&atilde;o das cidades, sobretudo dos centros urbanos (Fernandes 1989/90). O seu desenvolvimento e reconhecida import&acirc;ncia est&atilde;o associados n&atilde;o s&oacute; ao abastecimento de produtos frescos e aos baixos pre&ccedil;os praticados como tamb&eacute;m &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima entre vendedor e comprador proporcionada por esta atividade comercial (Fernandes 1997).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.2. Velhos e novos formatos de mercadejar na atualidade</b></p>     <p>Atualmente, o Porto tem 24 feiras e mercados (<a href="#f3">Figura 3</a>) a operar de forma oficial no setor retalhista. A sua localiza&ccedil;&atilde;o &eacute; concentrada sobretudo na parte central da cidade (<a href="#f2">Figura 2</a>). Do total, 21 t&ecirc;m um local de realiza&ccedil;&atilde;o fixo; 2 mercados de rua ocorrem frequentemente num local, no entanto, podem, em caso de oportunidade, realizarem-se noutros locais pelo que foram classificados como &ldquo;Fixa / M&oacute;vel&rdquo; quanto ao tipo de localiza&ccedil;&atilde;o; o restante mercado &eacute; realmente itinerante.</p>     <p>Em termos de mercados permanentes com estrutura fixa, existem na cidade quatro edif&iacute;cios com a designa&ccedil;&atilde;o de Mercado. Dois deles &ndash; Mercado Ferreira Borges<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a> e Mercado Abastecedor<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a> &ndash; t&ecirc;m especificidades que n&atilde;o se enquadram no foco de an&aacute;lise deste trabalho. Os outros dois s&atilde;o o Mercado do Bolh&atilde;o e o Mercado do Bom Sucesso que pela sua singularidade e por constitu&iacute;rem espa&ccedil;os simb&oacute;licos da cidade ser&atilde;o aqui apresentados de forma mais detalhada.</p> <ul>     <li>O Mercado do Bolh&atilde;o (<a href="#f4e5">Figura 4</a>), localizado em pleno centro do Porto, representou durante d&eacute;cadas um &iacute;cone comercial da cidade devido &agrave; sua localiza&ccedil;&atilde;o central, &agrave;s suas caracter&iacute;sticas populares e &agrave; variedade, qualidade e pre&ccedil;o dos produtos vendidos. A partir, sobretudo, dos anos 80 do s&eacute;culo XX, com o desenvolvimento de outras formas de com&eacute;rcio e face aos novos h&aacute;bitos de consumo, tem vindo a sofrer uma progressiva desvitaliza&ccedil;&atilde;o e perda de import&acirc;ncia enquanto local de abastecimento de bens alimentares perec&iacute;veis (CMP 1992). Paralelamente, as estruturas degradaram-se e acumularam-se condi&ccedil;&otilde;es de insalubridade. Continua, no entanto, a ser o mercado mais emblem&aacute;tico do Porto, tendo sido classificado como im&oacute;vel de interesse p&uacute;blico em 2006. Em abril deste ano foi divulgada publicamente pela autarquia a inten&ccedil;&atilde;o de iniciar a curto prazo o processo de reabilita&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio.</li>     <li>O Mercado do Bom Sucesso (<a href="#f4e5">Figura 5</a>) sofreu uma reabilita&ccedil;&atilde;o recente ao n&iacute;vel da sua estrutura, reabrindo em 2013 com novas val&ecirc;ncias &ndash; hotel e escrit&oacute;rios. Na atualidade apresenta um novo conceito de mercado, mais moderno e voltado para um com&eacute;rcio mais sofisticado. Em 2011, foi classificado como im&oacute;vel de interesse patrimonial e monumento de interesse p&uacute;blico pelo Minist&eacute;rio da Cultura e IGESPAR. Em 2014, o edif&iacute;cio do mercado conquistou o Pr&eacute;mio Nacional de Reabilita&ccedil;&atilde;o Nacional e foi um dos vencedores dos <i>Global Awards for Excellence, </i>promovidos pelo Urban Land Institute de Nova Iorque.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A C&acirc;mara Municipal do Porto, atrav&eacute;s da Porto Lazer em articula&ccedil;&atilde;o com o Pelouro da Fiscaliza&ccedil;&atilde;o e com a Pol&iacute;cia Municipal, est&aacute; a desenvolver uma avalia&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o dos mercados de cariz mais moderno a fim de criar uma marca &ndash; &ldquo;<i>Mercados Urbanos/Urban Markets &ndash; Porto</i>&rdquo; (MUUMP) &ndash; que constitui uma forma de associa&ccedil;&atilde;o institucional com o objetivo de garantir visibilidade e identidade comum a estes eventos. Os mercados enquadrados nesta estrat&eacute;gia s&atilde;o atualmente apoiados pela Porto Lazer, no decorrer do reconhecimento dos seguintes fatores: i) necessidade de revitaliza&ccedil;&atilde;o/conquista de novos espa&ccedil;os na cidade; ii) promo&ccedil;&atilde;o da anima&ccedil;&atilde;o geral; iii) refor&ccedil;o da programa&ccedil;&atilde;o em momentos altos de oferta da cidade e iv) alavancagem de novos eventos.</p>     <p>Em termos de responsabilidade pela gest&atilde;o, 15 mercados e feiras s&atilde;o geridos pela administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (12 pela C&acirc;mara Municipal do Porto e/ou participadas &ndash; Porto Lazer e Funda&ccedil;&atilde;o Porto Social &ndash; e 3 por juntas de freguesia), 5 s&atilde;o geridos por empresas, 1 mercado &eacute; gerido por uma associa&ccedil;&atilde;o, 2 mercados s&atilde;o geridos por particulares e 1 mercado &eacute; gerido atrav&eacute;s de uma parceria entre um instituto de ensino superior e uma associa&ccedil;&atilde;o. Quanto &agrave; periodicidade de ocorr&ecirc;ncia as situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito vari&aacute;veis: h&aacute; mercados e feiras que se realizam diariamente, outros que se realizam todos os fins de semana, outros ainda que s&atilde;o mensais; o Mercado Cedofeita Viva pela sua especificidade n&atilde;o tem uma periodicidade definida e, por fim, a Feira do Livro &eacute; um evento anual. Coexistem na cidade feiras e mercados de cariz tradicional com formatos mais modernos (Guras<a href="#f6e7">6</a>, <a href="#f6e7">7</a>, <a href="#f8e9">8</a> e <a href="#f8e9">9</a>). As feiras e mercados de car&aacute;ter tradicional constituem oportunidades de encontrar produtos a pre&ccedil;os mais acess&iacute;veis (por exemplo no caso dos bens alimentares perec&iacute;veis) ou pechinchas, constituindo, nessa medida, uma op&ccedil;&atilde;o sobretudo para pessoas economicamente mais desfavorecidas ou, ent&atilde;o, para curiosos ou colecionadores. Os formatos mais modernos s&atilde;o-no porque s&atilde;o inovadores, pelo menos na cidade, e porque apresentam novas formas de comprar e vender produtos tradicionais. Estes mercados e feiras s&atilde;o mais seletivos quanto aos produtos ou &ldquo;marcas&rdquo; expostas, selecionados e selecionadas com base em crit&eacute;rios espec&iacute;ficos em linha com os objetivos dos eventos. Por outro lado, constitui seu objetivo divulgar esses produtos e promover pequenos neg&oacute;cios ou trabalhos de artes&atilde;os, abrindo novos mercados e dando-os a conhecer a novos p&uacute;blicos. Regra geral, estes mercados e feiras, comparativamente com os mais antigos, est&atilde;o mais divulgados nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&oacute;nica, atrav&eacute;s de p&aacute;ginas web espec&iacute;ficas e, sobretudo, atrav&eacute;s de p&aacute;ginas no Facebook.</p>     <p>A aplica&ccedil;&atilde;o do quadro de an&aacute;lise permitiu identificar alguns pontos fracos, nos quais seria pertinente atuar para a potencializa&ccedil;&atilde;o desta atividade econ&oacute;mica. Desde logo, a informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave;s feiras e mercados do Porto est&aacute; incompleta e desatualizada no Portal do Turismo do Munic&iacute;pio<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>. A responsabilidade de gest&atilde;o das feiras e mercados da compet&ecirc;ncia da C&acirc;mara Municipal do Porto encontra-se dividida entre um servi&ccedil;o municipal e uma empresa participada da autarquia, o que n&atilde;o facilita a coordena&ccedil;&atilde;o e uma estrat&eacute;gia de gest&atilde;o integrada dos mesmos. Foi solicitada informa&ccedil;&atilde;o a diversos servi&ccedil;os (at&eacute; se conseguir chegar ao servi&ccedil;o respons&aacute;vel na atualidade), sendo que o confronto dos dados obtidos s&atilde;o incoerentes nalgumas situa&ccedil;&otilde;es, o que se pode dever &agrave;s diferentes datas de refer&ecirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o. No entanto, denota a exist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o dispersa e desatualizada e a incapacidade de resposta eficaz e cabal a um pedido de informa&ccedil;&atilde;o sobre os mercados e feiras. Verificou-se ainda que a abertura e celeridade para responder a quest&otilde;es e esclarecer d&uacute;vidas quanto aos mercados e feiras foram muito maiores nas situa&ccedil;&otilde;es em que a organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; a cargo de uma empresa de eventos ou entidade coletiva / associa&ccedil;&atilde;o do que nas situa&ccedil;&otilde;es a cargo do munic&iacute;pio ou juntas de freguesia (neste &uacute;ltimo caso n&atilde;o se obteve qualquer resposta).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.3. Mercados urbanos: a perspetiva dos respons&aacute;veis pela organiza&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os denominados mercados urbanos, de cariz mais moderno e inovador, que se diferenciam das feiras e mercados tradicionais pelos produtos comercializados, pela promo&ccedil;&atilde;o de pequenos neg&oacute;cios e marcas, pela anima&ccedil;&atilde;o que lhes est&aacute; associada e por trazerem novos p&uacute;blicos e viv&ecirc;ncias aos espa&ccedil;os urbanos, come&ccedil;aram a surgir em 2009 no Porto. A sua realiza&ccedil;&atilde;o surge da consci&ecirc;ncia de que havia falta, na cidade, de iniciativas semelhantes &agrave;s verificadas noutras cidades europeias.</p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o de 4 entrevistas semiestruturadas<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>, entre janeiro e setembro de 2015, &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de mercados urbanos permitiu aferir aspetos que se explanar&atilde;o de seguida.</p>     <p>O objetivo principal por tr&aacute;s do esfor&ccedil;o de organiza&ccedil;&atilde;o dos mercados prende-se em termos gerais com a dinamiza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os urbanos, a revitaliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas mais ou menos esquecidas e a anima&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica e cultural de locais ou ruas, gerando fluxos de pessoas - residentes, visitantes e turistas &ndash; e atraindo novos p&uacute;blicos, novos neg&oacute;cios, novas viv&ecirc;ncias.</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O Urban Market surgiu da perce&ccedil;&atilde;o da quantidade de talentos escondidos, de amigos com projetos criativos que confidenciavam n&atilde;o saber como os promover, porque n&atilde;o se reviam nas feiras existentes mais tradicionais para promover o seu tipo de produto. Um conceito diferente dos j&aacute; conhecidos mercados da cidade, com um posicionamento direcionado a produtos de autor, servi&ccedil;os, ativa&ccedil;&otilde;es de marca, lan&ccedil;amento de bandas de m&uacute;sica, Dj&rsquo;s, entre outros. O Urban Market tem funcionado como uma rampa de lan&ccedil;amento para diversos criadores, uma forma de gerar micro neg&oacute;cios, de chegar a v&aacute;rios p&uacute;blicos (portugueses e estrangeiros). Nalguns casos tem permitido a exporta&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um desafio na inova&ccedil;&atilde;o dos produtos, na exposi&ccedil;&atilde;o, no branding e nas tend&ecirc;ncias do mercado. Cada vez mais, em tempos de crise ou n&atilde;o, &eacute; importante cruzar &aacute;reas aparentemente distintas. Promover o contacto entre diversos neg&oacute;cios e val&ecirc;ncias, p&ocirc;r as pessoas a conversar, p&ocirc;r ideias a mexer. </i>(Extracto da entrevista ao Urban Market)</p>     <p><i>N&atilde;o existe lugar ideal, o nosso foco &eacute; o centro hist&oacute;rico do Porto, e dar a conhecer lugares e espa&ccedil;os que consideramos especiais, muitas vezes escondidos, outros desconhecidos, espa&ccedil;os que n&atilde;o s&atilde;o habitualmente frequentados, e que merecem ser partilhados, quer aos turistas quer aos habitantes da cidade. Misturar para encontrar: como por exemplo entrar num Hotel e descobrir o Urban Market, passear pela Esta&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Bento e seguir a m&uacute;sica que vem de uma ruela e maravilhar-se com a colorida Pra&ccedil;a das Cardosas e o Urban Market. </i>(Extracto da entrevista ao Urban Market)</p>     <p><i>Tentamos sempre ter tamb&eacute;m uma vertente mais social e por isso costumamos sempre apoiar projetos de apoio social. Neste momento temos sempre connosco a Elsa Brilhante com o seu projeto Todos Juntos Pelo Jo&atilde;o. Dependendo do tamanho do evento e tamb&eacute;m das propostas que nos cheguem, podemos chegar a ter mais que um projeto por evento. Temos tamb&eacute;m sempre algum tipo de anima&ccedil;&atilde;o em conjunto com o mercado para dinamizar um pouco mais o evento, desde aulas e performances de dan&ccedil;a, concertos, oficinas, etc. Temos tamb&eacute;m sempre m&uacute;sica ambiente. </i>(Extracto da entrevista ao Pink Market)</p> </blockquote>     <p><i>&nbsp;</i></p>     <p>Muito embora usufruam da pujan&ccedil;a da atividade tur&iacute;stica na cidade, ao contr&aacute;rio do que se verifica noutras cidades europeias, as feiras e mercados do Porto n&atilde;o s&atilde;o voltados principalmente para a capta&ccedil;&atilde;o de turistas. Embora atraiam algum consumo tur&iacute;stico, n&atilde;o se regista infla&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os dos produtos, nem uma oferta direcionada maioritariamente para a procura tur&iacute;stica. O objetivo principal &eacute; captar pessoas, da cidade, do pa&iacute;s, do estrangeiro. A Porto Lazer (empresa participada da C&acirc;mara Municipal do Porto) &eacute; uma parceira institucional fundamental. O seu apoio prende-se sobretudo com quest&otilde;es t&eacute;cnicas (som e alimenta&ccedil;&atilde;o) e burocr&aacute;ticas, com a concess&atilde;o de licen&ccedil;as para utiliza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os, bem como com a divulga&ccedil;&atilde;o dos mercados. Outras parcerias s&atilde;o estabelecidas pontualmente com empresas, organiza&ccedil;&otilde;es diversas ou pessoas individuais (m&uacute;sicos, atores, pintores, dan&ccedil;arinos e outros artistas) tendo em vista uma dada realiza&ccedil;&atilde;o dos mercados numa determinada data. A liga&ccedil;&atilde;o com a comunidade envolvente e, em particular, com os comerciantes da &aacute;rea, &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante, no sentido de gerar mais-valias rec&iacute;procas. Trazer os comerciantes para a rua ou local no dia do mercado e contribuir para a dinamiza&ccedil;&atilde;o das suas lojas atrav&eacute;s do seu envolvimento no pr&oacute;prio mercado &eacute; um desafio tido em grande considera&ccedil;&atilde;o pela organiza&ccedil;&atilde;o dos mercados.</p>     <blockquote>     <p><i>O com&eacute;rcio tradicional &eacute; um fator importante nos espa&ccedil;os onde vamos; &eacute; a liga&ccedil;&atilde;o que criamos com quem j&aacute; est&aacute; no espa&ccedil;o, sejam lojas, restaurantes, respeitando e criando parcerias em que todos saem a ganhar. </i>(Extracto da entrevista ao Urban Market)</p> </blockquote>     <p>Apesar de estar por estudar os impactos econ&oacute;micos que a realiza&ccedil;&atilde;o dos mercados t&ecirc;m na envolvente e, at&eacute; mesmo na cidade, os entrevistados, pela sua experi&ecirc;ncia e pelo que vivenciam na organiza&ccedil;&atilde;o e durante a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos, apontam alguns impactos vis&iacute;veis da sua realiza&ccedil;&atilde;o. Antes de mais, colocam as ruas ou os locais onde se realizam no &ldquo;mapa da cidade&rdquo;. Geram maior movimento de pessoas nas ruas ou espa&ccedil;os, o que pode, na opini&atilde;o dos entrevistados, gerar maior afluxo de clientes ao com&eacute;rcio na envolvente ou ent&atilde;o tornar esse com&eacute;rcio conhecido de uma maior quantidade e diversidade de p&uacute;blicos. Este efeito &eacute; considerado prevalecente a eventuais queixas de comerciantes de que nesses dias n&atilde;o vendem tanto porque as pessoas compram nos mercados e n&atilde;o nos estabelecimentos comerciais fixos. Por outro lado, referem que h&aacute; uma maior ades&atilde;o ao longo do tempo por parte de vendedores (j&aacute; existem listas de espera) e compradores.</p>     <blockquote>     <p><i>Coincid&ecirc;ncia ou n&atilde;o (com o in&iacute;cio do Projeto), de h&aacute; 2 anos para c&aacute;, fruto da dinamiza&ccedil;&atilde;o do centro da cidade, come&ccedil;ou a circular mais gente na rua, come&ccedil;aram a surgir novos neg&oacute;cios&hellip; Considero que o Projeto ao dinamizar a rua, um pouco afastada do Centro Hist&oacute;rico, colocou-a no &laquo;mapa da cidade&raquo;. A C&acirc;mara come&ccedil;ou a v&ecirc;-los como parceiros e a envolver-se nas suas atividades. Nos &uacute;ltimos tempos come&ccedil;aram a ser requalificados edif&iacute;cios, neg&oacute;cios a fechar mas outros a abrir, convivendo com comerciantes resistentes cujos neg&oacute;cios sobrevivem h&aacute; muitos anos&hellip; O impacto &eacute; bom n&atilde;o tanto pelo volume de vendas, que n&atilde;o est&aacute; quantificado, mas sim pelo maior fluxo de gente na rua. Isto &eacute; que &eacute; impactante e se reflete nos outros dias, sem ser os dos mercados. H&aacute; por isso efeitos induzidos na economia da rua, que n&atilde;o ocorrem propriamente no dia, mas depois (pessoas que ao visitarem o mercado v&ecirc;em determinada loja que lhes interessa e voltam l&aacute; mais tarde) e que se manifestam na circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, no facto de Cedofeita se manter na cabe&ccedil;a das pessoas e constar do mapa da cidade. </i>(Extracto da entrevista ao Mercado Cedofeita Viva)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Atualmente &eacute; uma das maiores feiras/mercados urbanos realizados na cidade, que move mais de 200 vendedores e cerca de 1000 visitantes em cada edi&ccedil;&atilde;o. Acreditamos que o impacto na Baixa &eacute; grande e que ajudou a mudar o paradigma da segunda m&atilde;o na cidade. </i>(Extracto da entrevista ao FleaMarket)</p> </blockquote>     <p>O estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es sociais entre vendedores, entre estes e clientes ou mesmo entre as pessoas que se encontram nos eventos, &eacute; considerado um impacto real e positivo dos mercados. Trata-se de promover o contacto entre pessoas e neg&oacute;cios, de criar condi&ccedil;&otilde;es para o estabelecimento de redes pessoais e profissionais que podem resultar em futuras liga&ccedil;&otilde;es e trata-se tamb&eacute;m de criar um ambiente prop&iacute;cio ao surgimento de novas ideias.</p>     <p>As p&aacute;ginas web e no Facebook s&atilde;o formas preferenciais de divulga&ccedil;&atilde;o pelo seu alcance exponencial. A men&ccedil;&atilde;o dos mercados em revistas de divulga&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica ou as entrevistas concedidas pela organiza&ccedil;&atilde;o contribuem para a maior visibilidade dos mesmos. Tamb&eacute;m recorrem a <i>press releases </i>que enviam para a comunica&ccedil;&atilde;o social e recorrem ainda a f<i>lyers</i> e cartazes que s&atilde;o difundidos em locais estrat&eacute;gicos por toda a cidade (postos de turismo, ag&ecirc;ncias de viagens, estabelecimentos hoteleiros ou de restaura&ccedil;&atilde;o, etc.).</p>     <p>Os entrevistados referem que na implementa&ccedil;&atilde;o da sua iniciativa sentiram dificuldades ao n&iacute;vel da obten&ccedil;&atilde;o das licen&ccedil;as necess&aacute;rias, processo considerado bastante burocr&aacute;tico. Na atualidade, as condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas s&atilde;o um problema para a realiza&ccedil;&atilde;o de feiras e mercados ao ar livre e nem sempre &eacute; f&aacute;cil encontrar locais apropriados &ndash; ou porque s&atilde;o privados e os propriet&aacute;rios n&atilde;o t&ecirc;m interesse em deixar ocupar o espa&ccedil;o, ou porque os espa&ccedil;os s&atilde;o pequenos ou, ainda, tratando-se de espa&ccedil;os p&uacute;blicos, a autarquia nem sempre est&aacute; de acordo com os locais escolhidos. Por fim, referem a falta de apoio financeiro como um obst&aacute;culo na melhoria das condi&ccedil;&otilde;es dos eventos, quer para os vendedores quer para os compradores e demais visitantes e a inexist&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia p&uacute;blica efetiva e eficaz de dinamiza&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados urbanos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>A literatura sobre feiras e mercados urbanos &eacute; escassa, existindo lacunas ao n&iacute;vel da defini&ccedil;&atilde;o e uniformiza&ccedil;&atilde;o de conceitos, de um corpo te&oacute;rico de refer&ecirc;ncia e de um quadro anal&iacute;tico que sustente an&aacute;lises comparativas. &Eacute;, n&atilde;o obstante, consensual por parte de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que as feiras e mercados tiveram e t&ecirc;m uma importante fun&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, social e cultural nos centros urbanos, para al&eacute;m das refer&ecirc;ncias simb&oacute;licas que lhes est&atilde;o associadas. Para al&eacute;m de constitu&iacute;rem de forma global formatos de com&eacute;rcio de car&aacute;ter mais tradicional que resistem &agrave;s formas de distribui&ccedil;&atilde;o mais recentes, constituem tamb&eacute;m, na atualidade, atrativos tur&iacute;sticos.</p>     <p>Nesta pesquisa pretende-se apresentar um contributo para a investiga&ccedil;&atilde;o neste tema atrav&eacute;s da an&aacute;lise das feiras e mercados a operar de forma oficial na cidade do Porto. Na atualidade, coexistem, na cidade, feiras e mercados mais tradicionais com formatos mais inovadores, quer pela seletividade dos produtos quer pela preocupa&ccedil;&atilde;o em promover pequenos neg&oacute;cios ou artes&atilde;os empreendedores, dando-os a conhecer a novos e diversificados p&uacute;blicos. As din&acirc;micas recentes das feiras e mercados do Porto, refletidas no seu ganho de import&acirc;ncia e proje&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos, podem dever-se, em certa medida, a uma aposta, ainda que embrion&aacute;ria, por parte do munic&iacute;pio no apoio institucional a eventos com a marca &ldquo;Mercados Urbanos&rdquo;. No entanto, a pesquisa desenvolvida mostra tamb&eacute;m o seu contributo para atenuar os efeitos da crise econ&oacute;mico-financeira, pela oferta de produtos usados e pelos pre&ccedil;os praticados (produtos mais baratos comparativamente com outros formatos de com&eacute;rcio retalhista). A dinamiza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os urbanos, a revitaliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas &ldquo;esquecidas&rdquo;, a anima&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica e cultural, a cria&ccedil;&atilde;o de viv&ecirc;ncias urbanas e o envolvimento com o com&eacute;rcio envolvente s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es dos respons&aacute;veis pela organiza&ccedil;&atilde;o de mercados e feiras de car&aacute;ter mais moderno. As parcerias institucionais ou com empresas ou outras organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fundamentais, nalguns casos decisivas at&eacute;, para a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos. Por outro lado, as liga&ccedil;&otilde;es e colabora&ccedil;&otilde;es informais que se estabelecem e dinamizam s&atilde;o importantes quer para a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos quer para a cria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos entre pessoas e neg&oacute;cios, podendo resultar em colabora&ccedil;&otilde;es futuras. Como aspetos menos positivos ou, se quisermos, desafios que se colocam para a potencializa&ccedil;&atilde;o desta atividade econ&oacute;mica, sobressai a falta de informa&ccedil;&atilde;o atualizada e concentrada no caso das feiras e mercados da gest&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o local, a significativa burocracia associada ao processo de cria&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o de uma feira ou mercado e a falta de apoio financeiro.</p>     <p>Por fim, a defini&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia integrada para dinamiza&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados constitui, por um lado, um desafio que se coloca &agrave; autarquia, tendo em vista a concerta&ccedil;&atilde;o de interesses p&uacute;blicos e privados num mesmo objetivo - o desenvolvimento desta atividade econ&oacute;mica na cidade. Por outro lado, a considera&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados na estrat&eacute;gia global de desenvolvimento econ&oacute;mico do Porto &eacute; simultaneamente um desafio e uma oportunidade tendo em vista obter resultados mais eficazes e eficientes nesta mat&eacute;ria a curto e a longo prazo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>BARATA-SALGUEIRO, T. Retail planning and urban resilience &ndash; An introduction to the special issue. <i>Citie</i>s,&nbsp; 2014, 36, 107-111.</p>     <!-- ref --><p>BARRETA, J. <i>Mercados Municipais em Portugal - Pouco(s) sabem dos seus e algu&eacute;m querer&aacute; saber de todos?</i> 11/03/2014. Available from Internet: <a href="http://www.jornalarquitecturas.com/canal/detalhe/opiniao-de-joao-barreta-mercados-municipais-em-portugal--poucos-sabem-dos-seus-e-alguem-querera-saber-de-todos-" target="_blank">http://www.jornalarquitecturas.com/canal/detalhe/opiniao-de-joao-barreta-mercados-municipais-em-portugal--poucos-sabem-dos-seus-e-alguem-querera-saber-de-todos-</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731143&pid=S2182-1267201500020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BARRETA, J. <i>Com&eacute;rcio de proximidade e regenera&ccedil;&atilde;o urbana</i>. Edtion ed.: CIP &ndash; Confedera&ccedil;&atilde;o Empresarial de Portugal, junho 2012. 87 p. ISBN 978-989-98323-1-2.</p>     <p>CACHINHO, H. Consumactor: da Condi&ccedil;&atilde;o do Indiv&iacute;duo na Cidade P&oacute;s-Moderna. <i>Finisterra</i>,&nbsp; 2006, XLI(81), 33-56.</p>     <!-- ref --><p>CACHINHO, H. Consumerscapes and the resilience assessment of urban retail systems. <i>Cities</i>,&nbsp; 2014, 36, 131-144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731147&pid=S2182-1267201500020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Comunica&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social e ao Comit&eacute; das Regi&otilde;es: <i>Cria&ccedil;&atilde;o de um Plano de A&ccedil;&atilde;o Europeu para o Setor Retalhista</i>. In<i>. </i>Bruxelas: Comiss&atilde;o Europeia, 31/01/2013, p. 22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731149&pid=S2182-1267201500020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CMP <i>Sentir e Pensar os Mercados e Feiras do Porto</i>. Edtion ed.: C&acirc;mara Municipal do Porto/Pelouro dos Mercados, Equipamentos e Servi&ccedil;os T&eacute;cnicos, 1992. 210 p. ISBN 972-9147-06-X.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731151&pid=S2182-1267201500020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, P. Centros e margens: produ&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;ticas culturais na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa. <i>An&aacute;lise Social</i>,&nbsp; 2000, xxxiv(154), 957-983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731153&pid=S2182-1267201500020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, P. Creativity, innovation and territorial agglomeration in cultural activities: the roots of the creative city. In <i>Creative cities, cultural clusters and local development. </i>Cheltenham: Edward Elgar, 2008, p. 183-210.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731155&pid=S2182-1267201500020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>COSTA, P. 2014. Cultural districts and the evolving geographies of underground music scenes: the Bairro Alto case. In <i>Proceedings of the KISMIF International Conference &ldquo;Keep It Simple, Make It Fast: Underground Music Scenes and DIY Cultures&rdquo;</i>, Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Casa da M&uacute;sica - Porto - 8 a 11 de julho2014.</p>     <!-- ref --><p>CRANE, D. <i>The Production of Culture: Media and the Urban Arts</i>. Edtion ed. Newbury Park: Sage, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731158&pid=S2182-1267201500020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DCLG. Retail Markets: <i>A good practice guide</i> [online]. Communities and Local Government Publications. Department for Communities and Local Government / UK Government, setembro 2010a. Available from World Wide Web: <a href="https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/5986/1712975.pdf" target="_blank">https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/5986/1712975.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731160&pid=S2182-1267201500020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DCLG. Retail Markets: <i>Management models</i> [online]. Department for Communities and Local Government / UK Government, setembro 2010b. Available from World Wide Web:<a href="https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/6014/1712972.pdf" target="_blank">https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/6014/1712972.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731162&pid=S2182-1267201500020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Decreto-Lei n.&ordm; 10/2015 de 16 de janeiro - Aprova o Regime Jur&iacute;dico de Acesso e Exerc&iacute;cio de Atividades de Com&eacute;rcio, Servi&ccedil;os e Restaura&ccedil;&atilde;o. In<i>.</i>: Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 1.&ordf; s&eacute;rie, 16/01/2015, p. 454-499.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731164&pid=S2182-1267201500020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ENPI/CBCMED. <i>Marakanda - Mediterranean Historical Markets: Historical city markets guidelines</i>. Sem data.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731166&pid=S2182-1267201500020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERNANDES, J. A. R. As Feiras e os Mercados no Tecido Comercial do Porto. In <i>Boletim Cultural. </i>Porto: C&acirc;mara Municipal do Porto, 1989/90, vol. Volume 7/8, 2&ordf; S&eacute;rie, p. 351-377.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731168&pid=S2182-1267201500020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERNANDES, J. A. V. R. <i>Porto: Cidade e Com&eacute;rcio</i>. Edtion ed. Porto: Arquivo Hist&oacute;rico da C&acirc;mara Municipal do Porto, 1997. 295 p. ISBN 972-605-045-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731170&pid=S2182-1267201500020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERNANDES, J. R. AND P. CHAMUSCA Urban policies, planning and retail resilience. <i>Cities</i>, 2// 2014, 36, 170-177.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731172&pid=S2182-1267201500020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NABMA. <i>A toolkit for setting up a local market</i>. Sem data.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731174&pid=S2182-1267201500020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OXIRM. <i>Retail &amp; wholesale: key sectors for the European economy</i>. abril 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731176&pid=S2182-1267201500020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PINTAUDI, S. M. Os mercados p&uacute;blicos: metamorfoses de um espa&ccedil;o na hist&oacute;ria urbana. <i>Scripta Nova </i>[Type of Work]. 1/08/2006, vol. Vol. X, N.&ordm; 218 (81), pp. 13. Available from Internet: <a href="http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-81.htm" target="_blank">http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-81.htm</a>. ISSN 1138-9788.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731178&pid=S2182-1267201500020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PIRENNE, H. <i>Medieval cities: Their origins and the revival of trade</i>. Edtion ed. Princeton: Princeton University Press, 1946. 253 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731180&pid=S2182-1267201500020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, R. Espa&ccedil;o Urbano - O mais emblem&aacute;tico mercado da cidade. In <i>O Tripeiro. </i>Porto: Associa&ccedil;&atilde;o Comercial do Porto, janeiro 2015, vol. 7&ordf; S&eacute;rie, N&ordm; 1, p. 10-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731182&pid=S2182-1267201500020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>URBACT. <i>Urban markets: heart, soul and motor of cities.</i> C.O. BARCELONNA, mar&ccedil;o 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731184&pid=S2182-1267201500020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WUWM. <i>The Role and Importance of the Wholesale and Retail Market Sectors for the European Union</i>. 16/02/2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731186&pid=S2182-1267201500020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ZILH&Atilde;O, A. <i>O Centro do Porto: Forma&ccedil;&atilde;o e Evolu&ccedil;&atilde;o (1850-2001)</i>. Edtion ed.: Editorial Novembro, 2015. 237 p. ISBN 978-989-8136-92-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731188&pid=S2182-1267201500020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Mais informa&ccedil;&otilde;es em <a href="http://www.urbact.eu/urbact-markets" target="_blank">http://www.urbact.eu/urbact-markets</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Mais informa&ccedil;&otilde;es em <a href="http://www.marakanda.eu/" target="_blank">http://www.marakanda.eu/</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Mais informa&ccedil;&otilde;es em <a href="http://www.wuwm.org/" target="_blank">http://www.wuwm.org/</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Decreto-Lei n.&ordm; 10/2015 de 16 de janeiro - Aprova o Regime Jur&iacute;dico de Acesso e Exerc&iacute;cio de Atividades de Com&eacute;rcio, Servi&ccedil;os e Restaura&ccedil;&atilde;o. In.: Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 1.&ordf; s&eacute;rie, 16/01/2015, p. 454-499.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em <a href="http://www.balcaovirtual.cm-porto.pt/PT/cidadaos/guiatematico/atividadeseconomicas/feirasmercadosevendaambulante/Paginas/default.aspx" target="_blank">http://www.balcaovirtual.cm-porto.pt/PT/cidadaos/guiatematico/atividadeseconomicas/feirasmercadosevendaambulante/Paginas/default.aspx</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> A t&iacute;tulo exemplificativo, referimos os mercados de <i>Sant Antoni</i>, <i>Santa Caterina</i> e <i>La Boqueria </i>em Barcelona (Espanha), o <i>Borough Market</i>, o <i>Camden Lock</i>, o <i>Portobello Market</i>, e o <i>Brick Lane</i> em Londres (Reino Unido), o <i>Saint John Market</i> em Wroclaw (Pol&oacute;nia), o <i>Saint-Cyprien</i> em Toulouse (Fran&ccedil;a) e os famosos mercados da pulga de Paris (Fran&ccedil;a) &ndash; <i>Saint-Ouen</i>, <i>Montreuil</i> e <i>Aligre</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> O Mercado Ferreira Borges foi concessionado ao Hard Club por um per&iacute;odo de 17 anos, tendo neste seguimento sofrido obras de reabilita&ccedil;&atilde;o que se iniciaram em meados de 2009 e terminaram em setembro de 2010. Desde ent&atilde;o, o espa&ccedil;o interior &eacute; constitu&iacute;do por n&uacute;cleos diferenciados. Disp&otilde;e de uma nave central que serve para albergar exposi&ccedil;&otilde;es, para a realiza&ccedil;&atilde;o de pequenos concertos, declama&ccedil;&atilde;o de poesia ou para a realiza&ccedil;&atilde;o de feiras artesanais. As naves laterais est&atilde;o compartimentadas em espa&ccedil;os que se destinam a uma livraria, a sala de ensaios, est&uacute;dios de grava&ccedil;&atilde;o e a salas principais onde se realizam concertos, sess&otilde;es de teatro e outras performances diversas. No piso superior situa-se a cafetaria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> O Mercado Abastecedor do Porto abriu a 8 de janeiro de 1988. &Eacute; gerido por uma empresa de interesse p&uacute;blico, constitu&iacute;da sob a forma jur&iacute;dica de sociedade an&oacute;nima. Constitui uma plataforma comercial grossista que &eacute; sede de cerca de 250 empresas que l&aacute; desenvolvem a sua atividade comercial. Com uma &aacute;rea total de 12 hectares, tem 6 pavilh&otilde;es hortofrut&iacute;colas, 2 pavilh&otilde;es de Cash &amp; Carry, um pavilh&atilde;o de carne e peixe, um pavilh&atilde;o de flores e um pavilh&atilde;o de servi&ccedil;os t&eacute;cnicos. Tem ainda dois restaurantes, um stand de exposi&ccedil;&otilde;es, um audit&oacute;rio e um posto de abastecimento de combust&iacute;veis. Tem ainda 1.100 lugares de estacionamento para diversas categorias de ve&iacute;culos, desde ligeiros at&eacute; grandes cami&otilde;es frigor&iacute;ficos. Os principais clientes do Mercado s&atilde;o comerciantes retalhistas e grandes consumidores do Porto, Grande Porto e at&eacute; Regi&atilde;o Norte. Integra a Uni&atilde;o Mundial dos Mercados Grossistas.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> A t&iacute;tulo exemplificativo, refira-se que no portal (<a href="http://www.visitporto.travel/Visitar/Paginas/Descobrir/ListaVisit.aspx?AreaType=3&amp;Area=30" target="_blank">http://www.visitporto.travel/Visitar/Paginas/Descobrir/ListaVisit.aspx?AreaType=3&amp;Area=30</a>) &eacute; feita refer&ecirc;ncia &agrave; feira o &ldquo;Artesanato Urbano do Parque&rdquo; que deixou de se realizar em 2012 (de acordo com o constante em <a href="http://www.artesanatourbanonoparque.blogspot.pt/" target="_blank">http://www.artesanatourbanonoparque.blogspot.pt/</a>, consulta a 24/06/2015).</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Foram entrevistadas as organiza&ccedil;&otilde;es dos seguintes mercados: Mercado Cedofeita Viva, Flea Market, Urban Market e Pink Market. Foram contactadas outras entidades, n&atilde;o se tendo obtido qualquer resposta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Agradecemos a disponibilidade e aten&ccedil;&atilde;o do Eng.&ordm; Jos&eacute; Magano (dinamizador do Mercado Cedofeita Viva), da equipa da S.P.O.T. (Flea Market), da equipa da Portugal Lovers, Marketing &amp; Comunica&ccedil;&atilde;o (Urban Market) e da equipa do Pink Movement (Pink Market).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Anexos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a06f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a06f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a06f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4e5">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a06f4e5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f6e7">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a06f6e7.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8e9">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a06f8e9.gif"></p>     
 ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[BARATA-SALGUEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Retail planning and urban resilience: An introduction to the special issue]]></article-title>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>2014</year>
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<issue>36</issue>
<page-range>107-111</page-range></nlm-citation>
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