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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Repercussões das hidrelétricas binacionais na região das Missões Jesuíticas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In South American history, regional integration projects are commonly followed by developmental speeches advocating economic growth. The Tri-Border Area between Brazil, Argentina and Paraguay, the historical region of the Jesuit reductions, has been suffering the consequences of energy integration projects that take place since the 1970s. The emergence of IIRSA-COSIPLAN initiative in the beginning of the XXI century has opened a new market for large companies involved in integration projects of infrastructure. The current energy integration projects have negative effects, such as environmental damages, removals, gentrification and social exclusion. People affected by projects as the new hydroelectric power stations Panambi and Garabi have been fighting on behalf of their rights. In this struggle they need to organize themselves in social movements, such as MAB.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Repercuss&otilde;es das hidrel&eacute;tricas binacionais na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas</b></p>     <p><b>Reverberations of the binational hydroelectric power stations in the region of the Jesuit reductions</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carneiro, Camilo<sup>1</sup>; Fonseca, Ludmila<sup>2</sup>; R&uuml;ckert, Aldoma<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>UFRGS, Faculdade de Economia, Programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Estudos Estrat&eacute;gicos Internacionais;&nbsp;Av. Jo&atilde;o Pessoa, 52 sala 33A, CEP 90040-000, Porto Alegre, Brasil;&nbsp;<a href="mailto:pereiracarneiro.camilo@gmail.com">pereiracarneiro.camilo@gmail.com</a></p>     <p><sup>2</sup>UFRGS, Instituto de Geoci&ecirc;ncias, Programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia;&nbsp;Av. Bento Gon&ccedil;alves, 9500, pr&eacute;dio 43113 sala 203, CEP 91501-900, Porto Alegre, Brasil;&nbsp;<a href="mailto:ludmila.losada@gmail.com">ludmila.losada@gmail.com</a>;&nbsp;<a href="mailto:Aldomar.ruckert@gmail.com">Aldomar.ruckert@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Na Am&eacute;rica do Sul, historicamente, os projetos de integra&ccedil;&atilde;o regional s&atilde;o acompanhados de discursos desenvolvimentistas que defendem o crescimento econ&ocirc;mico. A zona transfronteiri&ccedil;a entre Brasil, Argentina e Paraguai, a regi&atilde;o hist&oacute;rica das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas, vem sofrendo as consequ&ecirc;ncias de projetos de integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica que ocorrem desde a d&eacute;cada de 1970. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, o advento da IIRSA-COSIPLAN abriu um novo mercado a grandes empresas envolvidas nos projetos de integra&ccedil;&atilde;o de infraestruturas na Am&eacute;rica do Sul. N&atilde;o obstante, obras em nome da integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica geram efeitos negativos, como danos ambientais, remo&ccedil;&otilde;es, gentrifica&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o social. Na defesa de seus direitos, popula&ccedil;&otilde;es atingidas pelas novas hidrel&eacute;tricas de Panambi e Garabi precisam se organizar por meio de movimentos sociais, como o MAB.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas; hidrel&eacute;tricas; Yacyret&aacute;; IIRSA-COSIPLAN.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In South American history, regional integration projects are commonly followed by developmental speeches advocating economic growth. The Tri-Border Area&nbsp;between Brazil, Argentina and Paraguay, the historical region of the Jesuit reductions, has been suffering the consequences of energy integration projects that take place since the 1970s. The emergence of IIRSA-COSIPLAN initiative in the beginning of the XXI century has opened a new market for large companies involved in integration projects of infrastructure. The current energy integration projects have negative effects, such as environmental damages, removals, gentrification and social exclusion. People affected by projects as the new hydroelectric power stations Panambi and Garabi have been fighting on behalf of their rights. In this struggle they need to organize themselves in social movements, such as MAB.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Keywords</b>: Jesuit reductions; hydroelectric power stations; Yacyret&aacute;; IIRSA-COSIPLAN.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os grandes projetos de infraestrutura que visam &agrave; integra&ccedil;&atilde;o de Estados fronteiri&ccedil;os impactam de diversas formas as localidades onde s&atilde;o implementados. Tais impactos s&atilde;o percept&iacute;veis nos campos econ&ocirc;mico, social e ambiental. Na Am&eacute;rica do Sul, desde a d&eacute;cada de 1970, a hist&oacute;rica regi&atilde;o transnacional das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas vem sofrendo os efeitos da constru&ccedil;&atilde;o de grandes usinas hidrel&eacute;tricas, sendo as principais delas: Itaipu e Yacyret&aacute;. A primeira, uma parceria entre Brasil e Paraguai, teve o in&iacute;cio das obras em 1975 e a inaugura&ccedil;&atilde;o em 1984; a segunda, um empreendimento argentino-paraguaio, come&ccedil;ou a ser constru&iacute;da em 1983 e foi inaugurada em 1998. As obras custaram vultosos montantes de recursos aos pa&iacute;ses envolvidos. No caso de Itaipu, os recursos captados para a constru&ccedil;&atilde;o, incluindo as rolagens financeiras, totalizaram US$ 27 bilh&otilde;es. Por sua vez, Yacyret&aacute; custou US$ 15 bilh&otilde;es aos cofres de Paraguai e Argentina. As obras das duas usinas foram envolvidas em uma s&eacute;rie de den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o obstante, os governos de Brasil, Argentina e Paraguai levaram a cabo os projetos das hidrel&eacute;tricas pautando-se em discursos desenvolvimentistas, de interesse nacional e seguran&ccedil;a energ&eacute;tica.</p>     <p>Ao final dos anos 70, o governo militar brasileiro, em parceria com o capital internacional, implementou a constru&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s grandes hidrel&eacute;tricas no pa&iacute;s &ndash; Sobradinho, Tucuru&iacute; e a maior delas, Itaipu &ndash; e expulsou milhares de agricultores e suas fam&iacute;lias de suas terras. Uma parcela dos indiv&iacute;duos removidos em fun&ccedil;&atilde;o das obras das usinas se organizou e deu in&iacute;cio a um movimento de reivindica&ccedil;&atilde;o de seus direitos. Nesse contexto surgiu o MAB<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> (Movimento dos Atingidos por Barragens).</p>     <p>O ano de 2011 marcou a retomada dos projetos hidrel&eacute;tricos binacionais na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas. As presidentes de Brasil e Argentina autorizaram as estatais Ebisa (argentina) e Eletrobras (brasileira) a darem in&iacute;cio aos estudos de viabilidade da constru&ccedil;&atilde;o de duas novas hidrel&eacute;tricas no rio Uruguai, na fronteira entre os dois pa&iacute;ses: as usinas Garabi e Panambi. O progn&oacute;stico para as popula&ccedil;&otilde;es locais &eacute; preocupante, haja vista que a barragem de Garabi ter&aacute; cerca de 40 metros de altura e 3,2 mil metros de comprimento, enquanto a barragem de Panambi ter&aacute; cerca de 40 metros de altura e mil metros de comprimento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas e as hidrel&eacute;tricas</b></p>     <p>A regi&atilde;o hist&oacute;rica das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas ocupa um per&iacute;metro que corresponde &agrave; zona transfronteiri&ccedil;a entre Argentina, Paraguai, Brasil e Bol&iacute;via. Os vest&iacute;gios desse momento hist&oacute;rico s&atilde;o ru&iacute;nas de um territ&oacute;rio que chegou a abrigar cerca de 100 mil ind&iacute;genas guaranis catequizados pelos jesu&iacute;tas. Apesar da destrui&ccedil;&atilde;o ocasionada por batalhas e pela a&ccedil;&atilde;o do tempo, algumas redu&ccedil;&otilde;es que se encontram em melhor estado de conserva&ccedil;&atilde;o receberam da UNESCO o t&iacute;tulo de Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico da Humanidade: S&atilde;o Miguel Arcanjo, no Brasil; San Ign&aacute;cio Min&iacute;, Nuestra Se&ntilde;ora de Loreto, Santa Ana e Santa Maria la Mayor, na Argentina; Jesus de Tavarangu&eacute; e La Sant&iacute;sima Trinidad del Paran&aacute;, no Paraguai; e Chiquitos, na Bol&iacute;via (SANTOS, 2013).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que tange ao turismo hist&oacute;rico, considera-se que a regi&atilde;o n&atilde;o est&aacute; culturalmente integrada, pois n&atilde;o &eacute; fornecido aos turistas um roteiro que integre as ru&iacute;nas missioneiras dos tr&ecirc;s pa&iacute;ses, o que possibilitaria um aumento de renda para as regi&otilde;es, bem como um maior reconhecimento internacional. A regi&atilde;o transnacional convive com a falta de op&ccedil;&otilde;es de transporte e a restri&ccedil;&atilde;o de hor&aacute;rios de balsas e de aduanas nos passos fronteiri&ccedil;os. Situa&ccedil;&atilde;o que configura um entrave &agrave; circula&ccedil;&atilde;o de pessoas entre os pa&iacute;ses que possuem territ&oacute;rios na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas.</p>     <p>Apesar da integra&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria no campo do turismo, a zona transfronteiri&ccedil;a entre Brasil, Paraguai e Argentina vem testemunhando, desde o final do s&eacute;culo XX, o desenvolvimento de importantes empreendimentos binacionais no setor da gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade, a saber: Itaipu e Yacyret&aacute;, em opera&ccedil;&atilde;o; e Garabi e Panambi, cuja constru&ccedil;&atilde;o est&aacute; prevista para iniciar nos pr&oacute;ximos anos (<a href="#f1">figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a03f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; not&oacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o das hidrel&eacute;tricas instaladas na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas na gera&ccedil;&atilde;o de energia dos pa&iacute;ses da Bacia do Prata. Em 2014, Itaipu forneceu 75% da energia consumida no Paraguai e 17% da energia consumida no Brasil (ITAIPU BINACIONAL, 2014). Por sua vez, Yacyret&aacute; responde atualmente por 22% da eletricidade consumida na Argentina.</p>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o dessas usinas demandou v&aacute;rios anos e gerou impactos importantes nas &aacute;reas circunvizinhas aos locais de instala&ccedil;&atilde;o. A forma&ccedil;&atilde;o dos reservat&oacute;rios elevou os n&iacute;veis dos rios e desalojou muitos moradores de &aacute;reas mais baixas. Parte desse contingente de pessoas removidas contra sua vontade se organizou em movimentos de luta e resist&ecirc;ncia, como o MAB. Por configurar um foro que possibilita a defesa dos interesses das classes menos favorecidas, impactadas pelas hidrel&eacute;tricas, o MAB possui um papel de destaque entre os movimentos sociais no Brasil.</p>     <p>A luta pelos direitos das comunidades atingidas pelas grandes barragens faz parte de uma busca constante por uma sociedade justa. Para Castoriadis (1982), uma sociedade justa &eacute; aquela onde a quest&atilde;o da justi&ccedil;a permanece aberta, havendo sempre a possibilidade efetiva de interroga&ccedil;&atilde;o da lei e do fundamento desta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. O discurso desenvolvimentista e a integra&ccedil;&atilde;o regional</b></p>     <p>A ideia de integra&ccedil;&atilde;o regional em voga na Am&eacute;rica do Sul se fundamenta no conceito do Novo Regionalismo, que emergiu da necessidade dos Estados nacionais de ampliar o espa&ccedil;o de circula&ccedil;&atilde;o de suas mercadorias dentro de um mercado capitalista e globalizado. Esse conceito foi consolidado no decorrer da d&eacute;cada de 1990, ap&oacute;s o fim da Guerra-Fria, sendo fruto do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o e dos efeitos imprevis&iacute;veis deste sobre as rela&ccedil;&otilde;es multilaterais. Caracterizou-se ainda pelo surgimento de novos blocos regionais de pa&iacute;ses, bem como pela consolida&ccedil;&atilde;o de diversas &aacute;reas de livre com&eacute;rcio em diferentes continentes.</p>     <p>Atualmente, na Am&eacute;rica do Sul h&aacute; diferentes projetos de integra&ccedil;&atilde;o regional sendo desenvolvidos no &acirc;mbito de blocos de pa&iacute;ses, como a UNASUL e o MERCOSUL. Este &uacute;ltimo tem como objetivo principal a forma&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o comum de com&eacute;rcio. Os benef&iacute;cios n&atilde;o se limitam apenas &agrave; seara econ&ocirc;mica, s&atilde;o sentidos tamb&eacute;m na circula&ccedil;&atilde;o de pessoas entre os pa&iacute;ses membros (os cidad&atilde;os sul-americanos podem viajar pelos pa&iacute;ses do MERCOSUL usando apenas o documento de identifica&ccedil;&atilde;o civil do pa&iacute;s de origem). No entanto, a circula&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis &eacute; dificultada com a exig&ecirc;ncia do seguro denominado carta verde, documento que autoriza o tr&acirc;nsito de ve&iacute;culos em &aacute;rea internacional. Em virtude de suas limita&ccedil;&otilde;es e de sua morosidade, o processo de integra&ccedil;&atilde;o sul-americano tem recebido diversas cr&iacute;ticas. Entre os principais problemas est&aacute; a falta de di&aacute;logo entre os proponentes dos projetos e as popula&ccedil;&otilde;es atingidas, isto &eacute;, vem ocorrendo uma s&eacute;rie de imposi&ccedil;&otilde;es por parte dos governos.</p>     <p>A inser&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica do Sul nas rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas internacionais e seu desenvolvimento interno v&ecirc;m sendo anunciados e prometidos pelos defensores de iniciativas como a IIRSA, um programa para a constru&ccedil;&atilde;o de infraestruturas<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a> de transportes, comunica&ccedil;&otilde;es e energia no continente. Nascida em 2000, a IIRSA, que foi incorporada pela UNASUL em 2008, por meio do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN), tem como objetivo a planifica&ccedil;&atilde;o territorial.</p>     <p>Quando do seu surgimento, a IIRSA cumpria a fun&ccedil;&atilde;o de ser uma articuladora dos blocos existentes na Am&eacute;rica do Sul, onde a infraestrutura servia como incentivador para o desenvolvimento econ&ocirc;mico dos pa&iacute;ses (SCHIMIED, 2007). Por sua vez, o COSIPLAN configura um espa&ccedil;o de discuss&atilde;o sobre as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias relacionadas a programas e projetos para a integra&ccedil;&atilde;o da infraestrutura regional dos pa&iacute;ses da UNASUL (IIRSA, 2012). O COSIPLAN conta com nove Eixos de Integra&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (os EIDs), alguns surgidos com a IIRSA, onde s&atilde;o desenvolvidos os projetos. Nesse sentido, a zona transfronteiri&ccedil;a entre Brasil, Paraguai e Argentina &eacute; contemplada por dois dos nove eixos de integra&ccedil;&atilde;o (EIDs): o eixo MERCOSUL-Chile e o eixo Hidrovia Paraguai-Paran&aacute; (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a03t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Idealizados com o objetivo de facilitar a integra&ccedil;&atilde;o territorial, os projetos da IIRSA-COSIPLAN possibilitam a circula&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a por meio da constru&ccedil;&atilde;o de pontes, rodovias e ferrovias, al&eacute;m disso, tamb&eacute;m promovem a interconex&atilde;o energ&eacute;tica, intensificando as rela&ccedil;&otilde;es entre os pa&iacute;ses sul-americanos.&nbsp;</p>     <p>A iniciativa objetiva uma integra&ccedil;&atilde;o dos mercados de energia da Am&eacute;rica do Sul, o que levaria a regi&atilde;o a uma situa&ccedil;&atilde;o de autossufici&ecirc;ncia e autofinanciamento de seu crescimento energ&eacute;tico futuro, com potencial de exporta&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o excedente. A carteira de projetos contempla a constru&ccedil;&atilde;o de gasodutos, usinas termoel&eacute;tricas, hidrel&eacute;tricas e linhas de transmiss&atilde;o. As interconex&otilde;es el&eacute;tricas permitiriam a diminui&ccedil;&atilde;o de custos e ocasionariam o aumento dos n&iacute;veis de seguran&ccedil;a do fornecimento de energia, solucionando os problemas dos pa&iacute;ses que possuem d&eacute;ficit energ&eacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos &uacute;ltimos anos, a ret&oacute;rica estatal tem qualificado as obras de infraestrutura vinculadas &agrave; IIRSA-COSIPLAN como propulsoras do desenvolvimento sul-americano. Os l&iacute;deres pol&iacute;ticos envolvidos nos projetos afirmam que os mesmos promovem a integra&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de regi&otilde;es mais afastadas e isoladas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Yacyret&aacute;: impactos sofridos em Encarnaci&oacute;n</b></p>     <p>A hidrel&eacute;trica binacional de Yacyret&aacute;, idealizada na d&eacute;cada de 1970, foi constru&iacute;da no rio Paran&aacute;, na fronteira entre Argentina e Paraguai, nas proximidades dos munic&iacute;pios de Posadas (ARG) e Encarnaci&oacute;n (PAR), tendo sido inaugurada em 1998. A usina foi criada com a finalidade de aproveitar o aporte de &aacute;gua do Paran&aacute; para a gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica; no entanto, a constru&ccedil;&atilde;o de Yacyret&aacute; provocou alguns efeitos negativos ao meio ambiente e &agrave;s &aacute;reas vizinhas &agrave; represa. Dentre os impactos, podem ser citados: a remo&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local, com a altera&ccedil;&atilde;o da estrutura social e econ&ocirc;mica que vigorava at&eacute; ent&atilde;o; a mortandade de peixes que habitavam o rio; e a gentrifica&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> dos bairros de Encarnaci&oacute;n que se localizam nas proximidades da represa.</p>     <p>Na d&eacute;cada de 1990 foi atingido o preenchimento de 1220 km&sup2; da represa e a primeira turbina foi colocada em funcionamento. Desse momento em diante, ocorreriam muitos problemas ambientas e de reassentamentos necess&aacute;rios. Somente em 2011 a obra foi completamente conclu&iacute;da (AIDA, 2009). O projeto de Yacyret&aacute; promoveu novos investimentos na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas, o que pode ser notado pelo n&uacute;mero de projetos da IIRSA-COSIPLAN vinculados &agrave; hidrel&eacute;trica (Reconstru&ccedil;&atilde;o da rodovia Garup&aacute;-Posadas; Porto de Encarnaci&oacute;n; Acessos vi&aacute;rios a Encarnaci&oacute;n; Relocaliza&ccedil;&atilde;o da malha ferrovi&aacute;ria; e Desvio do c&oacute;rrego Aguapey).</p>     <p>De acordo com Vainer (2001), o modelo de planejamento urbano que vem sendo difundido na Am&eacute;rica Latina &eacute; inspirado em conceitos e t&eacute;cnicas oriundas do planejamento empresarial, que tem sua origem na <i>Harvard Business School. </i>Um planejamento estrat&eacute;gico que, segundo seus defensores, deve ser adotado pelos governos locais em virtude das cidades estarem submetidas a condi&ccedil;&otilde;es e desafios similares aos das empresas. O autor defende a ideia de que vender a cidade passou a ser uma das fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas dos governantes locais. Os neo-planejadores urbanos enxergam a cidade como uma mercadoria a ser vendida em um mercado competitivo, onde outras cidades est&atilde;o &agrave; venda, configurando uma disputa pelos investimentos de empresas multinacionais do grande capital. O governo local, nesse contexto, passa a promover a cidade para o exterior, criando uma imagem positiva, apoiada em oferta de infraestruturas e servi&ccedil;os que atraiam visitantes e investidores. Todavia, essa abertura para o exterior &eacute; seletiva, n&atilde;o sendo bem-vindos migrantes pobres e popula&ccedil;&otilde;es rurais expulsas do campo, j&aacute; que a cidade possui um p&uacute;blico consumidor muito espec&iacute;fico e qualificado. Porter (1990), por sua vez, entende que n&atilde;o s&atilde;o as cidades que competem, mas sim as empresas e setores industriais que nela possuem suas bases. No exemplo de Encarnaci&oacute;n, Yacyret&aacute; exerceria esse papel.</p>     <p>Outro tema importante no &acirc;mbito do planejamento urbano &eacute; a mis&eacute;ria, que &eacute; definida pela l&oacute;gica neoliberal como um problema paisag&iacute;stico. A pobreza urbana e a marginaliza&ccedil;&atilde;o influem nas decis&otilde;es dos agentes econ&ocirc;micos e na atratividade da cidade (BORJA &amp; CASTELLS, 1997 <i>apud </i>VAINER, 2001). A cidade n&atilde;o &eacute; apenas uma mera mercadoria, mas uma mercadoria de luxo destinada a um grupo de elite, de potenciais compradores. O plano estrat&eacute;gico deve contemplar uma opera&ccedil;&atilde;o de <i>citymarketing, </i>mediante produtos como interven&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas (parques, grandes avenidas, equipamentos urbanos etc.), campanhas de promo&ccedil;&atilde;o do turismo, de projetos culturais, de incentivos a constru&ccedil;&atilde;o de hot&eacute;is e da venda da imagem de uma cidade segura e atrativa. Essa cidade que se transforma em mercadoria, como o exemplo de Encarnaci&oacute;n, altera sua rela&ccedil;&atilde;o com a pobreza, culminando comumente na expuls&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es indesejadas das &aacute;reas de interesse do grande capital.</p>     <p>Nesse sentido, as fam&iacute;lias que habitavam as &aacute;reas vizinhas &agrave; represa de Yacyret&aacute; come&ccedil;aram a ser impactadas j&aacute; no fim da d&eacute;cada de 1970, tendo que ser realocadas devido &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es causadas pelas obras da usina (Korol, 2011). Essa situa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; presente na vida dos que moram nos arredores da represa. Milhares de pessoas ainda aguardam realoca&ccedil;&atilde;o, fato que fica evidente ao se analisar o n&uacute;mero de bairros de Encarnaci&oacute;n atingidos pela hidrel&eacute;trica. Dos 50 bairros existentes na cidade, 35 deles foram afetados com a subida das &aacute;guas do rio Paran&aacute;.</p>     <p>O setor econ&ocirc;mico de Encarnaci&oacute;n tamb&eacute;m foi impactado pelo surgimento da represa, pois alguns dos bairros afetados eram respons&aacute;veis por parte consider&aacute;vel da economia local, j&aacute; que neles estavam instaladas as olarias da cidade. Al&eacute;m disso, muitos comerciantes que perderam seus estabelecimentos n&atilde;o foram inseridos no plano de realoca&ccedil;&atilde;o. Esse quadro demonstra a incapacidade da Entidade Binacional Yacyret&aacute; de solucionar os problemas sociais causados pelo empreendimento. O fato de a empresa n&atilde;o ter buscado uma solu&ccedil;&atilde;o comum e dialogada com a popula&ccedil;&atilde;o atingida fez com que a sociedade civil se organizasse em uma luta por direitos b&aacute;sicos, como a moradia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A remo&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias, a extin&ccedil;&atilde;o de bairros, a forma&ccedil;&atilde;o de bairros novos e a mudan&ccedil;a de fun&ccedil;&atilde;o de tantos outros lugares circundantes &agrave; Yacyret&aacute; d&atilde;o margem para o entendimento de que nos bairros de Encarnaci&oacute;n pr&oacute;ximos &agrave; represa ocorreu uma gentrifica&ccedil;&atilde;o, o que segundo o ge&oacute;grafo marxista Neil Smith corresponde a um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o urbana, marcado pela reestrutura&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica caracter&iacute;stica do capitalismo tardio (SMITH, 2007).</p>     <p>Cabe lembrar ainda que o espa&ccedil;o urbano n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico ou imut&aacute;vel, sendo condicionado &agrave; economia capitalista internacional. Este fato explica por que &eacute; poss&iacute;vel encontrar a mesma paisagem urbana em diferentes pa&iacute;ses. Nesse sentido, um tipo de paisagem sem identidade end&ecirc;mica surgiu na orla de Encarnaci&oacute;n ap&oacute;s as obras de revitaliza&ccedil;&atilde;o urbana realizadas na Avenida Costanera Jos&eacute; Asunci&oacute;n Flores (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a03f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Alguns bairros situados nas proximidades da orla de Encarnaci&oacute;n anteriormente abrigavam uma popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda, composta, sobretudo, por lavadeiras e pescadores, que foram removidos para possibilitar a constru&ccedil;&atilde;o de avenidas largas e asfaltadas, contempladas com equipamentos urbanos e at&eacute; praias artificiais, que alteraram completamente a paisagem e passaram a dar novas fun&ccedil;&otilde;es &agrave;quelas localidades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Novos projetos hidrel&eacute;tricos na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas: Garabi e Panambi</b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, os governos de Brasil e Argentina v&ecirc;m idealizando projetos no sentido de aproveitar o potencial hidrel&eacute;trico da regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas. A articula&ccedil;&atilde;o em torno dos atuais projetos de integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, como no exemplo das hidrel&eacute;tricas Panambi e Garabi, se d&aacute; entre as institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis em cada pa&iacute;s. No Brasil ela &eacute; feita pela Eletrobras (respons&aacute;vel pela gera&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de energia) e conta com financiamento do Programa da Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento. J&aacute; do lado argentino, essa a&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada pela Ebisa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com as proje&ccedil;&otilde;es oficiais, as duas usinas, que t&ecirc;m um custo total estimado em US$ 5,2 bilh&otilde;es, quando aptas a entrar em opera&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o uma capacidade instalada de 2200 Mw. No entanto, uma parcela dos habitantes cujas cidades ser&atilde;o atingidas pela eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel das &aacute;guas do rio Uruguai est&aacute; descontente com os empreendimentos.</p>     <p>As hidrel&eacute;tricas de Garabi e Panambi causar&atilde;o a inunda&ccedil;&atilde;o de cerca de 70 mil hectares e grandes impactos socioambientais. As localidades que ser&atilde;o afetadas podem ser divididas em dois grupos, as de influ&ecirc;ncia direta (um total de 18 munic&iacute;pios) e as de influ&ecirc;ncia indireta (outros 18), totalizando 36 os munic&iacute;pios que ser&atilde;o atingidos de alguma forma pelas novas hidrel&eacute;tricas.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos impactos ambientais, est&aacute; previsto o alagamento de parte do Parque Estadual do Rio do Turvo, no munic&iacute;pio ga&uacute;cho de Derrubadas. O parque possui uma rica biodiversidade, preserva o bioma Mata Atl&acirc;ntica e abriga uma fauna em risco de extin&ccedil;&atilde;o. No tocante aos impactos sociais, as previs&otilde;es s&atilde;o de que 12600 pessoas residentes na zona fronteiri&ccedil;a entre o sudeste da prov&iacute;ncia de Misiones e o noroeste do estado do Rio Grande do Sul ser&atilde;o atingidas pelas novas hidrel&eacute;tricas (GERHARDT, 2011). De acordo com o MAB (2014), aproximadamente 15 mil fam&iacute;lias de 30 munic&iacute;pios diferentes dever&atilde;o ser removidas. A economia da regi&atilde;o, que tem na pesca uma das principais atividades, tamb&eacute;m ser&aacute; abalada, pois existe a expectativa de que algumas esp&eacute;cies de peixes ir&atilde;o desaparecer ap&oacute;s a conclus&atilde;o das novas barragens.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O investimento em energia renov&aacute;vel no Brasil nunca foi t&atilde;o beneficiado e nunca teve uma imagem t&atilde;o boa frente ao governo, &agrave; sociedade e aos empres&aacute;rios. Ao contr&aacute;rio da pol&iacute;tica energ&eacute;tica brasileira dos anos 70, que promoveu a implanta&ccedil;&atilde;o de grandes hidrel&eacute;tricas, atualmente est&atilde;o sendo preferidas obras menores, mas em maior quantidade. Dessa maneira, os impactos se diluem pelo territ&oacute;rio.</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o aumento do n&uacute;mero de hidrel&eacute;tricas, n&atilde;o apenas na regi&atilde;o das Miss&otilde;es Jesu&iacute;ticas como em outros rinc&otilde;es sul-americanos, tem como objetivo fornecer um suporte energ&eacute;tico ao crescimento econ&ocirc;mico dos Estados. A melhoria e a expans&atilde;o das infraestruturas previstas pela IIRSA-COSIPLAN s&atilde;o de interesse do Estado brasileiro, uma vez que tais obras abrem e consolidam novos mercados para as maiores empreiteiras do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, as grandes empresas brasileiras tamb&eacute;m poder&atilde;o contar com os mercados dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul para escoar os produtos oriundos dos setores da ind&uacute;stria, do agroneg&oacute;cio e de energia.</p>     <p>Essa din&acirc;mica se explica pela premissa de que as demandas criadas pelo capital internacional s&atilde;o cumpridas pelos Estados a fim de que se insiram, cada vez mais, na din&acirc;mica capitalista. No entanto, esses investimentos p&uacute;blicos (e raramente privados), cujos maiores contemplados s&atilde;o as grandes empresas, geram muitos e diversos impactos. Mesmo quando dilu&iacute;dos espacialmente, tais impactos s&atilde;o intensamente sentidos em escala local. No &acirc;mbito social as consequ&ecirc;ncias mais graves s&atilde;o as remo&ccedil;&otilde;es das popula&ccedil;&otilde;es que vivem nas &aacute;reas vizinhas aos locais onde os empreendimentos ser&atilde;o constru&iacute;dos.</p>     <p>&Eacute; certo que Panambi e Garabi se concretizar&atilde;o em breve e alguns outros projetos surgir&atilde;o como suporte para o crescimento econ&ocirc;mico do Brasil e da Am&eacute;rica do Sul. Todavia, &eacute; importante lembrar que tais projetos representam os interesses de grupos de poder espec&iacute;ficos. Por fim, cabe destacar a import&acirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es como o MAB, que terminam por assumir o papel de foro de reivindica&ccedil;&otilde;es dos direitos fundamentais das camadas mais vulner&aacute;veis da sociedade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>7. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>AIDA &ndash; Asociaci&oacute;n Interamericana para la Defensa del Ambiente. Proyecto Binacional Yacyret&aacute;, Argentina y Paraguay. <i>Informe Grandes Represas en Am&eacute;rica, &iquest;Peor el remedio que la Enfermedad?</i>, Novembro 2009.</p>     <!-- ref --><p>CASTORIADIS, C. <i>A institui&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria da sociedade.</i> Rio de Janeiro: editora Paz e Terra. 3&ordf; ed.. 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733973&pid=S2182-1267201600010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ESTIGARRIBIA, C. Encarnaci&oacute;n: <i>200 a&ntilde;os de historia</i>. 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lacostaneradeencarnaciondelparaguay.blogspot.com.br" target="_blank">http://www.lacostaneradeencarnaciondelparaguay.blogspot.com.br</a>. Acesso em 19 ago. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733975&pid=S2182-1267201600010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GERHARDT, Milton C. Garabi: para qu&ecirc; e para quem? <i>Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB)</i>. Julho 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mabnacional.org.br" target="_blank">http://www.mabnacional.org.br</a>. Acesso em 20 ago. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733977&pid=S2182-1267201600010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>IIRSA - <i>Iniciativa para a Integra&ccedil;&atilde;o da Infraestrutura Regional Sul-Americana. Eixo da Hidrovia Paraguai-Paran&aacute;</i>, 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.iirsa.org" target="_blank">http://www.iirsa.org</a>. Acesso em 11 out. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733979&pid=S2182-1267201600010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ITAIPU BINACIONAL. <i>O que representa a energia da Itaipu para o Brasil e o Paraguai?</i> Itaipu Binacional, 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.itaipu.gov.br" target="_blank">http://www.itaipu.gov.br</a>. Acesso em 20 out. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733981&pid=S2182-1267201600010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KOROL, Sebasti&aacute;n. Los "da&ntilde;os colaterales" de Yacyret&aacute;. Aguacidio en la provincia de Misiones. <i>Revista Superficie</i>, Agosto 2009. Dispon&iacute;vel em: <<a href="http://www.rebelion.org/noticia.php?id=90306" target="_blank">http://www.rebelion.org/noticia.php?id=90306</a>. Acesso em 14 out. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733983&pid=S2182-1267201600010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAB. <i>Garabi e Panambi: o &uacute;ltimo suspiro do rio Uruguai</i>. Movimento dos Atingidos por Barragens, Novembro 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mabnacional.org.br" target="_blank">http://www.mabnacional.org.br</a>. Acesso em 11 out. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733985&pid=S2182-1267201600010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PORTER, M. <i>The competitiveadventage of nations.</i> 1&ordf; ed.. New York: The Free Press.1990. ISBN: 0029253616&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733987&pid=S2182-1267201600010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>SANTOS, Cristiano R. Turismo hist&oacute;rico na regi&atilde;o transfronteiri&ccedil;a das Miss&otilde;es/Misiones. <i>Revista Confins</i>, Julho 2013. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.confins.revues.org" target="_blank">https://www.confins.revues.org</a>. Acesso em 13 out. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733988&pid=S2182-1267201600010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCHEIBE, Eduarda. <i>Integra&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Integra&ccedil;&atilde;o Regional: a iniciativa para integra&ccedil;&atilde;o da infraestrutura regional sul-americana (IIRSA) como instrumento multiescalar de integra&ccedil;&atilde;o</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, UFRGS. Porto Alegre, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733990&pid=S2182-1267201600010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCHIMIED, Julie. Cen&aacute;rios da integra&ccedil;&atilde;o regional: os desafios da Uni&atilde;o de Na&ccedil;&otilde;es Sul-americanas (UNASUL) o novo caminho da integra&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica do Sul. <i>Cadernos Adenauer</i>, 2007, n&ordm; 1,p. 105-126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733992&pid=S2182-1267201600010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SMITH, Neil. Gentrifica&ccedil;&atilde;o, a Fronteira e a Reestrutura&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Urbano. In: <i>GEOUSP - Espa&ccedil;o e Tempo</i>, S&atilde;o Paulo, 2007, n&ordm; 21, p. 15 - 31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733994&pid=S2182-1267201600010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VAINER, C. P&aacute;tria, Empresa e Mercadoria: Notas sobre a estrat&eacute;gia discursiva do planejamento estrat&eacute;gico urbano. <i>Revista Mundo Urbano</i>, Dezembro 2001, n&ordm;14, p. 1-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733996&pid=S2182-1267201600010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Em 1989, foi realizado o I Encontro Nacional de Trabalhadores Atingidos por Barragens e em 1991 ocorreu a funda&ccedil;&atilde;o formal do MAB. Em 2015 o movimento representava mais de 20 mil fam&iacute;lias (MAB, 2014).</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> A IIRSA surgiu em 2000 e em 2005 foi fundada a CASA &ndash; Comunidade Sul-Americana de Na&ccedil;&otilde;es, que daria origem &agrave; UNASUL, em 2008. No ano de seu surgimento a UNASUL incorporou a IIRSA.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> O termo gentrifica&ccedil;&atilde;o (do ingl&ecirc;s&nbsp;<i>gentrification</i>) corresponde ao processo de mudan&ccedil;a imobili&aacute;ria, nos perfis residenciais e padr&otilde;es culturais, seja de um bairro, regi&atilde;o ou cidade. Nesse processo ocorre a substitui&ccedil;&atilde;o de um grupo por outro com maior poder aquisitivo em um determinado espa&ccedil;o. No caso de Encarnaci&oacute;n, a popula&ccedil;&atilde;o tradicional de baixa renda deixou os bairros pr&oacute;ximos &agrave; represa, que passaram a ser habitados por um contingente de pessoas de classes mais favorecidas.</p>      ]]></body><back>
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