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<journal-title><![CDATA[GOT, Revista de Geografia e Ordenamento do Território]]></journal-title>
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<article-id>S2182-12672016000100006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2016.9.005</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O espaço público na construção da cidade portuguesa recente: três décadas em balanço]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The public space in the construction of recent portuguese city: three decades in perspective]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Centro de Estudos da Faculdade de Arquitetura ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Due to the fragmented and discontinuous spread of urbanization, Portuguese cities have seen in the last three decades their urban condition dramatically changed, leading to the disfiguring of the urban landscape and the territory around the main urban centers. In this paper we intend to frame the urban project and, in particular, the project of public space in this transformation dynamics, and understand how the recent interventions in public space tackle the current Portuguese urban reality, in order to provide consistency, structure and readability to the less consolidated and fragmented urban sectors. Finally we seek to assess the role of public space in a possible and desirable process of redesigning the Portuguese city, suggesting hypotheses to &#8220;think the project of public space&#8221;.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cidade Portuguesa contemporânea]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[urban recomposition]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O espa&ccedil;o p&uacute;blico na constru&ccedil;&atilde;o da cidade portuguesa recente: tr&ecirc;s d&eacute;cadas em balan&ccedil;o</b></p>     <p><b>The public space in the construction of recent portuguese city: three decades in perspective</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Coelho, Rodrigo<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro de Estudos da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto / CEAU-FAUP;&nbsp;Via Panor&acirc;mica S/N, 4150-564, Porto, Portugal;&nbsp;<a href="mailto:rodrigo.coelho@arq.up.pt">rodrigo.coelho@arq.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Devido ao alastramento fragmentado e descont&iacute;nuo da mancha urbanizada, as cidades portuguesas viram nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas a sua condi&ccedil;&atilde;o urbana profundamente alterada, conduzindo &agrave; desconfigura&ccedil;&atilde;o e altera&ccedil;&atilde;o da paisagem urbana e do territ&oacute;rio em redor dos principais centros urbanos. Neste texto pretende-se enquadrar, em particular, o projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico nesta din&acirc;mica de transforma&ccedil;&atilde;o, e compreender de que forma as mais recentes interven&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;o p&uacute;blico foram ou n&atilde;o capazes de interpretar a realidade urbana portuguesa atual, no sentido de restituir alguma estrutura e legibilidade aos sectores urbanos em quest&atilde;o. Por fim procuraremos explicitar algumas hip&oacute;teses para pensar o projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico num poss&iacute;vel e desej&aacute;vel processo de reconstru&ccedil;&atilde;o da cidade portuguesa contempor&acirc;nea.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: Cidade Portuguesa contempor&acirc;nea, projeto urbano, espa&ccedil;o p&uacute;blico, <i>recomposi&ccedil;&atilde;o</i> urbana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Due to the fragmented and discontinuous spread of urbanization, Portuguese cities have seen in the last three decades their urban condition dramatically changed, leading to the disfiguring of the urban landscape and the territory around the main urban centers. In this paper we intend to frame the urban project and, in particular, the project of public space in this transformation dynamics, and understand how the recent interventions in public space tackle the current Portuguese urban reality, in order to provide consistency, structure and readability to the less consolidated and fragmented urban sectors. Finally we seek to assess the role of public space in a possible and desirable process of redesigning the Portuguese city, suggesting hypotheses to &ldquo;think the project of public space&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: Portuguese Contemporary city, urban design, public space, urban <i>recomposition</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o &ndash; A cidade portuguesa contempor&acirc;nea: antecedentes</b></p>     <p>&ldquo;<i>Desaparece o passeio, quebram-se as continuidades e a fluidez da mobilidade pedonal, perde-se a percep&ccedil;&atilde;o da cidade vista como um todo; (...) Na cidade-estrada amontoam-se os conflitos entre usos e tr&aacute;fegos, sucedem-se cont&iacute;nuos constru&iacute;dos, aberturas, aproxima&ccedil;&otilde;es e distanciamentos dos edif&iacute;cios, afunilamentos, cruzamentos com vias que, lateralmente, d&atilde;o acesso a outros conjuntos edificados que se encerram na sua morfologia ou se v&atilde;o dissolvendo em gradientes de maior ou menor densidade, variedade tipol&oacute;gica, usos e fun&ccedil;&otilde;es. Na urbaniza&ccedil;&atilde;o difusa, a &ldquo;poeira urbana&rdquo; espalha-se sem sentido aparente, quebrando as velhas dicotomias entre cidade e campo, entre urbano e rural</i>&ldquo; (Domingues, &Aacute;lvaro<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Devido ao alastramento fragmentado e descont&iacute;nuo da mancha urbanizada (sob diferentes formas e graus de intensidade distintos), as cidades portuguesas viram nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas a sua condi&ccedil;&atilde;o urbana profundamente alterada, revelando-nos l&oacute;gicas e modelos de desenvolvimento e urbaniza&ccedil;&atilde;o muito diferentes daquelas que est&atilde;o na base de urbaniza&ccedil;&atilde;o do nosso territ&oacute;rio, tendo como resultado mais vis&iacute;vel a desconfigura&ccedil;&atilde;o e altera&ccedil;&atilde;o da paisagem urbana e do territ&oacute;rio em redor dos principais centros urbanos<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>.</p>     <p>A forte <i>puls&atilde;o urbanizadora</i> a que assistimos nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas (protagonizada particularmente pelo sector imobili&aacute;rio privado, com ou sem base especulativa - e sem um controlo eficaz e efetivo por parte das administra&ccedil;&otilde;es locais) coincide, como se sabe, com um per&iacute;odo de vigor econ&oacute;mico no nosso pa&iacute;s, que beneficia da entrada massiva de fundos da Comunidade Europeia, que permitem a realiza&ccedil;&atilde;o de obras p&uacute;blicas e equipamentos, designadamente, de infraestruturas rodovi&aacute;rias, cujo impacto se faz sentir de forma evidente na morfologia urbana e no tamanho dos nossos centros urbanos mais importantes.</p>     <p>Este processo est&aacute;, como sabemos, simultaneamente marcado pela especializa&ccedil;&atilde;o funcional e mobilidade geogr&aacute;fica, pela terciariza&ccedil;&atilde;o e internacionaliza&ccedil;&atilde;o da economia e pelo aparecimento de redes de fluxos diversificados que tamb&eacute;m detectamos na maioria das cidades europeias, com a consequente reconfigura&ccedil;&atilde;o dos sistemas urbanos e das suas morfologias.</p>     <p>Considerando o caso portugu&ecirc;s, a constru&ccedil;&atilde;o de infraestruturas e o desenvolvimento de sistemas e tecnologias da mobilidade (colmatando, de facto, defici&ecirc;ncias existentes na articula&ccedil;&atilde;o intra-territorial<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>), constituem, justamente, o principal elemento de ruptura com a l&oacute;gica de crescimento e da forma&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de aglomera&ccedil;&atilde;o da cidade hist&oacute;rica. A este facto vemos associado n&atilde;o apenas um aumento de escala da cidade, mas tamb&eacute;m a fragiliza&ccedil;&atilde;o do papel dos n&uacute;cleos urbanos originais, <i>dissolvidos</i> pelo crescimento ilimitado e extensivo da cidade &ndash; que se vai urbanizando ao longo dos grandes eixos estruturadores definidos pelas principais infraestruturas de tr&aacute;fego - com todas as consequ&ecirc;ncias que daqui decorrem, ao n&iacute;vel da articula&ccedil;&atilde;o com as realidades f&iacute;sicas locais<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>&nbsp; (topografia, morfologia, escala urbana e a mem&oacute;ria dos lugares) e com os antigos tra&ccedil;ados<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Perante estas tend&ecirc;ncias gerais de transforma&ccedil;&atilde;o, constatamos, no entanto, que os fen&oacute;menos de expans&atilde;o e de fragmenta&ccedil;&atilde;o dos aglomerados urbanos t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias distintas no contexto erritorial portugu&ecirc;s, assistindo-se ao refor&ccedil;o de uma urbaniza&ccedil;&atilde;o mais difusa, de car&aacute;cter extensivo, ao longo da faixa litoral entre Viana do Castelo e Set&uacute;bal, de onde se destacam as &aacute;reas metropolitanas de Lisboa (AML) e do Porto (AMP), onde se evidenciam e se amplificam muitas das consequ&ecirc;ncias que a referida <i>puls&atilde;o urbanizadora</i> gerou<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>.</p>     <p>Como observa Manuel Fernandes de S&aacute;, como resultado da intera&ccedil;&atilde;o destes factores <i>&ldquo;(...)</i> <i>a cidade centrifuga-se e estilha&ccedil;a-se num territ&oacute;rio vasto, desigualmente ocupado em termos de quantidade, diversidade de usos e qualidade da ocupa&ccedil;&atilde;o urbana (&hellip;)&rdquo;, o</i> que se traduz no surgimento de in&uacute;meras frentes de urbaniza&ccedil;&atilde;o e infraestrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, cujos tra&ccedil;ados e formas, frequentemente desligados de qualquer pol&iacute;tica urban&iacute;stica, criaram novos embri&otilde;es de polaridade<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>.</p>     <p>Provavelmente, um dos mais vis&iacute;veis e importantes efeitos que se processa no &acirc;mbito destas transforma&ccedil;&otilde;es, est&aacute; ligado ao surgimento de <i>novas centralidades</i> e de grandes &aacute;reas n&atilde;o constru&iacute;das que, de forma mais ou menos espont&acirc;nea, se foram formando em torno dos principais aglomerados urbanos. Estas &uacute;ltimas constituem sem d&uacute;vida uma nova categoria de espa&ccedil;os abertos, que se diferencia claramente dos &ldquo;vazios tradicionais&rdquo; - traduzidos em espa&ccedil;os p&uacute;blicos como a pra&ccedil;a, a rua e o jardim - e que, pela sua dimens&atilde;o, configura&ccedil;&atilde;o e car&aacute;cter indefinido, se assumem, em muitos casos, como as sobras que retiram a leitura de continuidade ou de conjunto &agrave; cidade (ao n&atilde;o permitirem a leitura dos seus limites e da sua unidade formal)<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A debilidade do desenho urbano e o d&eacute;fice de regula&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica</b></p>     <p>Se as recentes e profundas transforma&ccedil;&otilde;es que podemos observar na cidade portuguesa podem ser enquadradas &agrave; luz de uma nova condi&ccedil;&atilde;o urbana comum &agrave; maioria dos pa&iacute;ses europeus, temos de reconhecer que, no caso portugu&ecirc;s, outros factores ligados aos instrumentos de planeamento urban&iacute;stico foram decisivos para o rumo que estas transforma&ccedil;&otilde;es acabaram por assumir.</p>     <p>Entre os m&uacute;ltiplos factores que est&atilde;o na base da transforma&ccedil;&atilde;o profunda do territ&oacute;rio e das cidades portuguesas verificada nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, um dos mais decisivos ter&aacute; sido a aus&ecirc;ncia ou defici&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica, acompanhada de uma altera&ccedil;&atilde;o do papel do estado central e local na constru&ccedil;&atilde;o da cidade.</p>     <p>Esta circunst&acirc;ncia pode ser observada na progressiva &ldquo;demiss&atilde;o&rdquo; do papel do Estado enquanto promotor, regulador e licenciador que, no caso portugu&ecirc;s, a maioria dos autores associa &agrave; entrada em vigor do primeiro diploma regulamentador das opera&ccedil;&otilde;es de loteamento em 1965 &ndash; Decreto-Lei n&ordm; 46 673 de 29 de Novembro de 1965 (que conduziu, genericamente, &agrave; &ldquo;privatiza&ccedil;&atilde;o do planeamento&rdquo; que, na maioria dos casos, retiram coer&ecirc;ncia e credibilidade &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es reguladoras que o Estado passou a assumir).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &ldquo;<i>privatiza&ccedil;&atilde;o dos loteamentos</i>&rdquo;, al&eacute;m da conhecida e nefasta possibilidade que abriu de especular sobre os solos periurbanos<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>, reduziu de forma dr&aacute;stica a coer&ecirc;ncia e articula&ccedil;&atilde;o entre as diferentes partes da cidade, cingindo-se, na maioria dos casos de forma burocr&aacute;tica e sem uma perspectiva de conjunto, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos sectores urbanos onde o desenho da rede vi&aacute;ria, dos espa&ccedil;os livres e arborizados (assim como das zonas de estacionamento e de ced&ecirc;ncia de terreno para equipamento urbano) se submetem inevitavelmente &agrave; maximiza&ccedil;&atilde;o das volumetrias, concentrando os seus esfor&ccedil;os na obten&ccedil;&atilde;o de mais valias<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ou seja, num cen&aacute;rio onde os interesses privados se sobrep&otilde;em ao interesse p&uacute;blico, e onde a ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio se realiza visando o seu maior rendimento (privilegiando portanto as &aacute;reas destinadas &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o privada e desconsiderando na maioria dos casos a qualidade dos espa&ccedil;os colectivos, bem como o dimensionamento das redes de infraestruturas e equipamentos), em geral, ao desenho urbano e ao tratamento do espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; conferido um tratamento secund&aacute;rio, concebido numa &oacute;ptica do curto prazo, desprovido de uma vis&atilde;o de conjunto da cidade.</p>     <p>Por outro lado, &eacute; unanimemente reconhecido que, mesmo a partir da d&eacute;cada de 90, momento em que pass&aacute;mos a ter a um enquadramento mais rigoroso e efetivo de interven&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o urban&iacute;stica (designadamente quando foi adoptado o PDM como instrumento generalizado e obrigat&oacute;rio de planeamento), em muitos casos, assistiu-se por parte da administra&ccedil;&atilde;o local &agrave; deslegitima&ccedil;&atilde;o ou enfraquecimento de alguns instrumentos de planeamento em virtude do grau de determina&ccedil;&atilde;o que alguns destes instrumentos imp&otilde;em relativamente ao desenho da cidade<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>.</p>     <p>Preferiu-se assim, em muitas situa&ccedil;&otilde;es, a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o abstracta e gen&eacute;rica, em detrimento de planos desenhados como o Plano de Pormenor que, como se sabe, se considera o instrumento privilegiado para estabelecer regras sobre a forma da edifica&ccedil;&atilde;o privada, o tra&ccedil;ado das vias e das infraestruturas, o desenho dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos e a localiza&ccedil;&atilde;o ou inser&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica dos equipamentos de utiliza&ccedil;&atilde;o colectiva<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>.</p>     <p>A estas d&uacute;vidas levantadas relativamente &agrave; adop&ccedil;&atilde;o de figuras de plano mais desenhadas e vinculativas do ponto de vista do seu desenho urbano, soma-se a &ldquo;escassez&rdquo; de objectivos pol&iacute;ticos e a reduzida descoordena&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o urban&iacute;stica entre as diferentes entidades e os servi&ccedil;os p&uacute;blicos envolvidos no desenho da cidade e do territ&oacute;rio.</p>     <p>Estes factores, conjuntamente com a aus&ecirc;ncia de uma cultura e de uma pr&aacute;tica consistente do planeamento urban&iacute;stico e do desenho urbano, ajudam a explicar o alastramento disperso, desconexo e avassalador da mancha urbanizada, a escassez ou mesmo aus&ecirc;ncia de espa&ccedil;os p&uacute;blicos qualificados e estruturadores nas novas expans&otilde;es urbanas, o rompimento dos equil&iacute;brios ecol&oacute;gicos, etc.<a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este diagn&oacute;stico cr&iacute;tico (que resulta, como vimos, de acumula&ccedil;&atilde;o de d&eacute;fices v&aacute;rios ao longo de d&eacute;cadas) leva-nos a reconhecer, com alguma nostalgia, que os exemplos mais consistentes do urbanismo portugu&ecirc;s do s&eacute;culo XX remontem &agrave; primeira metade do s&eacute;culo XX e que os bairros mais equilibrados e mais qualificados do ponto de vista dos seus espa&ccedil;os p&uacute;blicos sejam os que resultam da iniciativa p&uacute;blica. Contudo, devemos reconhecer que, com maior ou menor sucesso, a partir da d&eacute;cada de 90, coincidindo com a implementa&ccedil;&atilde;o de diversas pol&iacute;ticas urbanas apoiadas financeiramente pela Uni&atilde;o Europeia<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a>, a maioria das administra&ccedil;&otilde;es locais procurou estancar e atenuar o impacto dos processos <i>urbanizadores </i>anteriormente referidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>3. O espa&ccedil;o p&uacute;blico na (re)constru&ccedil;&atilde;o da cidade portuguesa recente</p>     <p>A progressiva resolu&ccedil;&atilde;o de problemas b&aacute;sicos e a consciencializa&ccedil;&atilde;o, por parte dos cidad&atilde;os e das autoridades, dos <i>problemas</i> causados &agrave; cidade e ao territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, abriu no entanto espa&ccedil;o (por vezes apenas medi&aacute;tico) para o reconhecimento dos problemas da qualidade urbana e arquitect&oacute;nica na cidade, ligados &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico<a href="#_ftn15" name="_ftnref15">[15]</a>.</p>     <p>Com efeito, foi apenas na &uacute;ltima d&eacute;cada, ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da Exposi&ccedil;&atilde;o Mundial de 1998 (Expo 98) em Lisboa e com a cria&ccedil;&atilde;o do Programa Polis em 1999<a href="#_ftn16" name="_ftnref16">[16]</a>, que ganharam visibilidade a requalifica&ccedil;&atilde;o urbana e a valoriza&ccedil;&atilde;o ambiental das cidades, fortemente ancoradas na requalifica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico<a href="#_ftn17" name="_ftnref17">[17]</a>.</p>     <p>A visibilidade e o sucesso que experi&ecirc;ncias como a da Expo 98 alcan&ccedil;aram, estabelece um <i>standard de qualidade</i> que, de forma clara e irrevers&iacute;vel, marca muitos dos projetos de requalifica&ccedil;&atilde;o urbana subsequentes, que se desenvolveram em territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, constituindo-se como a refer&ecirc;ncia (de <i>qualidade</i> e de <i>gest&atilde;o</i>) para os projetos e programas de requalifica&ccedil;&atilde;o urbana que se seguiram, como se sabe, em grande parte ao abrigo do Programa Polis.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com efeito, na &aacute;rea correspondente ao recinto Expo 98, podemos reconhecer um momento de inflex&atilde;o importante, que se traduz na import&acirc;ncia que a partir deste momento (sobretudo em termos da opini&atilde;o p&uacute;blica) passa a ser dedicada ao desenho e &agrave; qualidade dos <i>espa&ccedil;os abertos</i>. O exemplo da Expo 98 vem, por outro lado, colocar em evid&ecirc;ncia a possibilidade de compatibilizar um projeto imobili&aacute;rio com um projeto de um recinto de grandes dimens&otilde;es para uma exposi&ccedil;&atilde;o, onde se reconhece uma estrutura ao espa&ccedil;o p&uacute;blico, capaz de condicionar a implanta&ccedil;&atilde;o e o desenho do edificado e de constituir simultaneamente um espa&ccedil;o leg&iacute;vel, hierarquizado e qualificado do ponto de vista dos componentes que o desenham<a href="#_ftn18" name="_ftnref18">[18]</a>.</p>     <p>&Eacute; com base nesta voca&ccedil;&atilde;o estruturadora e qualificadora que o espa&ccedil;o p&uacute;blico assume no projeto do recinto da Expo 98 que devem ser compreendidos os projetos que consubstanciaram o Programa Polis numa primeira fase. Considerados como 18 &ldquo;<i>interven&ccedil;&otilde;es exemplares</i>&rdquo;, estes projetos remetem-nos claramente para um modelo de interven&ccedil;&atilde;o pr&oacute;ximo ao da Expo 98, que havia, por sua vez, resultado de uma considera&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima daquela utilizada em Barcelona nas d&eacute;cadas de 80 e 90. Ou seja, trata-se de um conjunto de projetos que afirma a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o do Estado Central enquanto promotor de a&ccedil;&otilde;es sectoriais a partir de um entendimento mais global da cidade (mas tamb&eacute;m como coordenador dos agentes que a&iacute; interv&ecirc;m), visando a cria&ccedil;&atilde;o e/ou requalifica&ccedil;&atilde;o intensiva de infraestruturas e espa&ccedil;o p&uacute;blico, bem como na constru&ccedil;&atilde;o de equipamentos colectivos.</p>     <p>Mas n&atilde;o podemos ignorar que programas ou projetos urbanos como a <i>Expo 98</i>, o <i>Polis </i>ou outros ligados &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de grandes eventos internacionais (como foi o caso do Plano das Antas realizado no &acirc;mbito da organiza&ccedil;&atilde;o do Euro 2004 em Portugal ou mesmo da requalifica&ccedil;&atilde;o da Baixa do Porto ao abrigo da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura), constitu&iacute;ram um mecanismo de interven&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter intensivo e excepcional em zonas mais ou menos consolidadas, cujos resultados, embora sob alguns pontos de vista possam ser objecto de cr&iacute;tica, na maioria dos casos se traduziram num factor de valoriza&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o dos sectores das cidades em causa<a href="#_ftn19" name="_ftnref19">[19]</a>.</p>     <p>J&aacute; no que diz respeito &agrave; <i>interven&ccedil;&atilde;o mais corrente</i> no espa&ccedil;o p&uacute;blico da cidade portuguesa, do nosso ponto de vista, a aprecia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o optimista. O aspecto que julgamos importante reter &eacute; que, num ambiente de aceleradas mudan&ccedil;as, o espa&ccedil;o p&uacute;blico <i>produzido</i> ou requalificado na &uacute;ltima d&eacute;cada em Portugal em zonas de transi&ccedil;&atilde;o ou expans&atilde;o, tal como sucedeu um pouco por toda a Europa, espelha toda uma s&eacute;rie de sintomas e de consequ&ecirc;ncias, pr&oacute;prias de um processo em geral levado a cabo demasiado r&aacute;pido e sem a devida pondera&ccedil;&atilde;o quanto &agrave;s consequ&ecirc;ncias futuras de tais decis&otilde;es.</p>     <p>As explica&ccedil;&otilde;es para o relativo insucesso podem encontrar-se tanto dentro como fora do nosso &acirc;mbito disciplinar. Como j&aacute; atr&aacute;s observ&aacute;mos, alguns dos factores, de ordem mais geral, residem na relativa inefic&aacute;cia, aus&ecirc;ncia ou utiliza&ccedil;&atilde;o incorreta dos instrumentos de planeamento. A vis&atilde;o parcial e a escassa cultura urbana de muitos t&eacute;cnicos, decisores e outros intervenientes no desenho do espa&ccedil;o p&uacute;blico, a press&atilde;o dos calend&aacute;rios eleitorais (associada, por exemplo, ao cumprimento de prazos impostos para a utiliza&ccedil;&atilde;o de fundos estruturais e de outros programas de financiamento europeu para a requalifica&ccedil;&atilde;o urbana), constitu&iacute;ram, em muitas situa&ccedil;&otilde;es, obst&aacute;culos ao desenvolvimento consistente e equilibrado dos projetos, colocando consequentemente em causa os pr&oacute;prios resultados finais.</p>     <p>Por outro lado, no que diz respeito mais especificamente ao campo disciplinar da arquitetura e do urbanismo, o projeto e desenho do espa&ccedil;o p&uacute;blico passaram a ser assumidos em muitas situa&ccedil;&otilde;es (quer no panorama nacional, quer no internacional), como uma pr&aacute;tica<i> de experimenta&ccedil;&atilde;o</i> <i>aut&oacute;noma</i><a href="#_ftn20" name="_ftnref20">[20]</a>; nesta pr&aacute;tica, em muitos casos, a arbitrariedade, a incoer&ecirc;ncia e a aus&ecirc;ncia de crit&eacute;rios urban&iacute;sticos, morfol&oacute;gicos, formais e funcionais, t&ecirc;m sido a regra e n&atilde;o a exce&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o da cidade recente, constituindo-se como um dos factores para a fragiliza&ccedil;&atilde;o da estrutura e do desenho da cidade e dos seus espa&ccedil;os p&uacute;blicos.</p>     <p>De entre este conjunto de <i>projetos correntes</i>, temos no entanto de estabelecer uma distin&ccedil;&atilde;o entre as realiza&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;o p&uacute;blico que resultam de uma vis&atilde;o mais integrada (ou seja, planeada) da cidade, e aquelas que resultam de interven&ccedil;&otilde;es pontuais sem uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica e articulada.</p>     <p>Num primeiro grupo, podemos incluir algumas interven&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pelas autarquias que, reconhecendo a import&acirc;ncia estruturadora do espa&ccedil;o p&uacute;blico e colectivo na cidade, implementaram projetos urbanos coerentes e articulados, pensados a m&eacute;dio e longo prazo (como ocorreu, por exemplo, em cidades como a Maia).</p>     <p>Num segundo grupo, podemos englobar toda uma s&eacute;rie de interven&ccedil;&otilde;es de pequena e m&eacute;dia escala, onde de um modo geral, se exceptuarmos os projetos de requalifica&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos em zonas hist&oacute;ricas, as interven&ccedil;&otilde;es em sectores menos consolidados - de transi&ccedil;&atilde;o ou de expans&atilde;o &ndash; se resumem ao tratamento de rotundas, ao embelezamento do espa&ccedil;o urbano e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;espa&ccedil;os verdes&rdquo;, deixando a estrutura&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico, nestas partes da cidade, dependente da maior ou menor aten&ccedil;&atilde;o que &eacute; atribu&iacute;da ao espa&ccedil;o p&uacute;blico por parte dos loteamentos privados.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Neste conjunto de interven&ccedil;&otilde;es menos consistentes, n&atilde;o pode deixar de ser referido um n&uacute;mero significativo de projetos ligados &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novas infraestruturas rodovi&aacute;rias, que,&nbsp; &ldquo;escapando&rdquo; em geral ao controlo dos arquitetos, tem tido um impacto maioritariamente negativo na qualidade urbana e paisag&iacute;stica de novos sectores de cidade e consequentemente dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos a eles associados.</p>     <p>&Eacute; sobretudo a partir da an&aacute;lise destes &uacute;ltimos exemplos, que continuamos a associar as cidades portuguesas, no seu conjunto, a uma certa ideia de <i>desordem e aus&ecirc;ncia de qualidade urban&iacute;stica</i>, onde a interven&ccedil;&atilde;o na cidade a partir do espa&ccedil;o p&uacute;blico se tem traduzido, na pr&aacute;tica, pela sobreposi&ccedil;&atilde;o violenta e indiferenciada de modelos, escalas e prop&oacute;sitos muito diferentes (para n&atilde;o dizer antag&oacute;nicos), criando e acumulando outro tipo de tens&otilde;es e desequil&iacute;brios.</p>     <p>Nesta perspectiva, podemos apontar exemplos recentes, que t&ecirc;m vindo a revelar-se oportunidades perdidas de regenerar alguns sectores de cidade, de estruturar novas expans&otilde;es, de criar centralidades, de construir verdadeiros lugares p&uacute;blicos, ou seja, de redesenhar cidade. Referimo-nos a planos, projetos ou interven&ccedil;&otilde;es urbanas que se desenvolveram de forma isolada, sem uma perspectiva mais global de redesenho da cidade e do espa&ccedil;o p&uacute;blico, como por exemplo, a urbaniza&ccedil;&atilde;o do Vale de Chelas em Lisboa, a urbaniza&ccedil;&atilde;o da zona envolvente ao recinto da Expo 98, a inser&ccedil;&atilde;o urbana do Metro de superf&iacute;cie em Almada ou a urbaniza&ccedil;&atilde;o do N&oacute; da Arr&aacute;bida em Vila Nova de Gaia. Poder&iacute;amos tamb&eacute;m referir interven&ccedil;&otilde;es de menor dimens&atilde;o levadas a cabo em sectores &ldquo;nobres e vitais&rdquo; (como s&atilde;o o caso das frentes de mar e de rio) de cidades como Vila Nova de Gaia (no Cais de Gaia), P&oacute;voa do Varzim (arranjo do espa&ccedil;o p&uacute;blico na frente mar&iacute;tima) ou Angra do Hero&iacute;smo (Ba&iacute;a de Angra) , cujos resultados, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o constitu&iacute;ram melhorias para as cidades em causa, como desqualificaram urbanisticamente os sectores em causa.</p>     <p>Em qualquer dos exemplos apontados, julgamos que a maior dificuldade, ou debilidade, na materializa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico parece residir na incapacidade de sustentar decis&otilde;es ao n&iacute;vel do desenho da cidade no <i>longo prazo</i>. Como refere Nuno Portas, num tempo em que, ao contr&aacute;rio do que sucedia no passado, vemos ampliadas as op&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e os padr&otilde;es culturais, parece estar em causa a aus&ecirc;ncia de consensos culturais e t&eacute;cnicos ou disciplinares relativamente aos modelos de edifica&ccedil;&atilde;o e do espa&ccedil;o p&uacute;blico que devem sustentar a constru&ccedil;&atilde;o ou reconstru&ccedil;&atilde;o da cidade (com reflexos, por exemplo, ao n&iacute;vel da rela&ccedil;&atilde;o entre tra&ccedil;ado e edifica&ccedil;&atilde;o, decisiva, como sabemos, para a consist&ecirc;ncia do desenho urbano)<a href="#_ftn21" name="_ftnref21">[21]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Um contributo para pensar o projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico na (re)constru&ccedil;&atilde;o da cidade portuguesa contempor&acirc;nea</b></p>     <p>Perante o cen&aacute;rio tra&ccedil;ado anteriormente, de constante urbaniza&ccedil;&atilde;o extensiva e desestruturada (sobretudo da franja litoral do nosso territ&oacute;rio), perante o <i>d&eacute;fice de urbanidade</i> das partes de cidade que vimos crescer ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas e perante a aus&ecirc;ncia de coer&ecirc;ncia, de beleza dos (novos) espa&ccedil;os urbanos, n&atilde;o podemos deixar de reconhecer como necess&aacute;rio e urgente, sobretudo questionar os objectivos, as metodologias e as pr&aacute;ticas de projeto e de desenho urbano, capazes de restituir alguma coer&ecirc;ncia, estrutura e legibilidade aos sectores urbanos que resultaram das transforma&ccedil;&otilde;es urbanas ocorridas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ou seja, perante uma realidade urbana como aquela que apresenta a maioria das cidades portuguesas, a principal quest&atilde;o que julgamos importante colocar ser&aacute;: ainda &eacute; poss&iacute;vel conferir uma forma ou um desenho &agrave; cidade? Qual o papel do espa&ccedil;o p&uacute;blico num poss&iacute;vel e desej&aacute;vel processo de redesenho da cidade portuguesa<a href="#_ftn22" name="_ftnref22">[22]</a> ?</p>     <p>De um modo geral, o enquadramento desta problem&aacute;tica, que de resto extravasa a realidade portuguesa, tem colocado desde logo uma quest&atilde;o importante, que se prende com a dificuldade que constitui o confronto com uma realidade t&atilde;o diversa e incaracter&iacute;stica como a da cidade contempor&acirc;nea.<a href="#_ftn23" name="_ftnref23">[23]</a></p>     <p>A este prop&oacute;sito julgamos especialmente l&uacute;cida a observa&ccedil;&atilde;o de Bernardo Secchi, quando afirma que &ldquo;(...) <i>a imagem da cidade contempor&acirc;nea &eacute; a de uma cidade que j&aacute; existe, mas que est&aacute; &agrave; espera de um projeto.&rdquo;</i><a href="#_ftn24" name="_ftnref24"><i><b>[24]</b></i></a> Desenvolvendo esta ideia, Carlos Mart&iacute; sugere que, deste ponto de vista, o <i>projeto</i> constitui n&atilde;o apenas uma forma de <i>indaga&ccedil;&atilde;o sobre o sentido das coisas</i>, mas tamb&eacute;m um <i>procedimento intelectual que nos permite operar sobre o mundo e ao mesmo tempo de o compreender&rdquo;</i><a href="#_ftn25" name="_ftnref25"><i><b>[25]</b></i></a>.</p>     <p>Seguindo esta linha de pensamento julgamos que, tamb&eacute;m no caso portugu&ecirc;s, o <i>avan&ccedil;o</i> no estudo e no conhecimento da realidade urbana atual ser&aacute; tanto mais rico e operativo se formos capazes de, criteriosamente, selecionar os espa&ccedil;os, os lugares e os projetos que possam sintetizar ou condensar os des&iacute;gnios ou problemas urbanos que interessem ao desenho da cidade no seu conjunto.</p>     <p>Consideramos assim como <i>hip&oacute;tese de partida</i> para a an&aacute;lise e interven&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico na cidade portuguesa contempor&acirc;nea, a necessidade de investigar e aprofundar <i>seletivamente</i> determinados sectores de cidade que, porventura assumindo entre si diferentes escalas, formas e usos, nos permitam pensar estarmos em presen&ccedil;a de <i>componentes (re)fundadores</i> ou estruturadores da cidade atual, sobretudo enquanto espa&ccedil;os potencialmente significativos para experi&ecirc;ncia colectiva da cidade e potencialmente transformadores e ordenadores da forma urbana.</p>     <p>A hip&oacute;tese que colocamos para estudar e aprofundar a problem&aacute;tica do espa&ccedil;o p&uacute;blico na cidade atual dever&aacute; em primeiro lugar considerar uma matriz de an&aacute;lise abrangente, mas seletiva ou multi-focalizada, que nos permita identificar os problemas ou des&iacute;gnios que julgamos relevantes para a revaloriza&ccedil;&atilde;o da voca&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica do projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico, orientando-o para um projeto mais global e integrado de cidade<a href="#_ftn26" name="_ftnref26">[26]</a>.</p>     <p>Ao partir desta matriz de an&aacute;lise, estamos por um lado a reconhecer a exist&ecirc;ncia de temas invariantes - cronicamente prementes - reconhecendo, por outro, a cidade contempor&acirc;nea e as diferentes partes que a constituem como <i>projetos em si mesmos</i>, pass&iacute;veis de serem tratados como problemas espec&iacute;ficos<a href="#_ftn27" name="_ftnref27">[27]</a> e concretos no interior de uma realidade diversa (tal como Bernardo Secchi e Carlos Mart&iacute; nos sugerem). Nesta perspectiva julgamos fundamental, desde logo, uma distin&ccedil;&atilde;o clara entre quatro des&iacute;gnios principais para o espa&ccedil;o p&uacute;blico:</p> <ul>     <li>o espa&ccedil;o p&uacute;blico como elemento ordenador das expans&otilde;es urbanas,</li>     <li>o espa&ccedil;o p&uacute;blico como elemento de reconstru&ccedil;&atilde;o da cidade sem plano,</li>     <li>o espa&ccedil;o p&uacute;blico como elemento de reestrutura&ccedil;&atilde;o da cidade metropolitana</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>e o espa&ccedil;o p&uacute;blico como elemento de exce&ccedil;&atilde;o de escala geogr&aacute;fica.</li>     </ul>     <p>Estes des&iacute;gnios ou t&oacute;picos de reflex&atilde;o (ligados a temas de an&aacute;lise mais operativa e a problemas de projeto espec&iacute;ficos e individualiz&aacute;veis) constituem-se assim n&atilde;o apenas como afirma&ccedil;&otilde;es de princ&iacute;pio quanto &agrave; import&acirc;ncia urban&iacute;stica que reconhecemos ao espa&ccedil;o p&uacute;blico no contexto da cidade atual, como nos permitem ainda, do ponto de vista da an&aacute;lise e do projeto, individualizar e tornar mais claro os diferentes pap&eacute;is que o espa&ccedil;o p&uacute;blico pode ou deve cumprir.<a href="#_ftn28" name="_ftnref28">[28]</a></p>     <p>Tendo sido sucintamente delimitados os principais temas e os des&iacute;gnios que consideramos priorit&aacute;rios de atua&ccedil;&atilde;o da cidade a partir do projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico, podemos, por fim, questionarmo-nos sobre quais os crit&eacute;rios morfol&oacute;gicos ou as refer&ecirc;ncias tipol&oacute;gicas que poder&atilde;o ou dever&atilde;o materializar os espa&ccedil;os p&uacute;blicos na Cidade Portuguesa contempor&acirc;nea.</p>     <p>Muito embora reconhe&ccedil;amos a necessidade de conferir ao espa&ccedil;o p&uacute;blico atributos formais e funcionais, que permitam recuperar a sua dimens&atilde;o estruturadora e o seu estatuto de lugar significativo na cidade, julgamos que os diferentes pap&eacute;is, hierarquias e significados que o espa&ccedil;o p&uacute;blico deve assumir, podem justificar algumas diferen&ccedil;as na defini&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios de constru&ccedil;&atilde;o da sua forma e da sua caracteriza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim, no que diz respeito aos <i>espa&ccedil;os p&uacute;blicos de estrutura&ccedil;&atilde;o</i> <i>e de expans&atilde;o</i> - os que devem, fundamentalmente, criar e consolidar os novos itiner&aacute;rios significativos da vida urbana em sectores menos consolidados - julgamos que estes se devem concretizar, tanto quanto poss&iacute;vel, como espa&ccedil;os definidos a partir de uma <i>arquitetura do espa&ccedil;o p&uacute;blico</i> que permita uma defini&ccedil;&atilde;o inequ&iacute;voca da sua forma (isto &eacute;, da escala e dos volumes dos componentes que a constituem e dos sistemas que os suportam), remetendo-nos para a sua considera&ccedil;&atilde;o sobretudo como <i>marcos urbanos</i> e refer&ecirc;ncias perenes para o espa&ccedil;o urbano presente e futuro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A principal quest&atilde;o ou dificuldade que se coloca nestes casos &eacute; que, ao contr&aacute;rio das ruas, das pra&ccedil;as e dos monumentos que conformam na <i>cidade can&oacute;nica</i> (espa&ccedil;os contidos por um tecido residencial relativamente denso e homog&eacute;neo), os <i>componentes</i> da nova realidade urbana emergente s&atilde;o agora mais diversificados e descont&iacute;nuos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta circunst&acirc;ncia, associada ao facto das grandes infraestruturas e das <i>arquiteturas</i> dos equipamentos colectivos se materializarem tendencialmente como elementos desligados do <i>continuum</i> urbano, obrigam-nos a ter de considerar, tal como Secchi e Portas defendem, o <i>desenho do ch&atilde;o</i> como o elemento que, complementarmente, em muitos casos, pode ajudar a conformar os <i>novos espa&ccedil;os p&uacute;blicos de estrutura&ccedil;&atilde;o</i> <i>e de expans&atilde;o</i>. Nestes casos, o <i>desenho do ch&atilde;o</i> pode ser assim entendido como um componente potencialmente ativo na modela&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o urbano tendencialmente mais aberto e menos articulado, tal como Bernardo Secchi defende.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente aos espa&ccedil;os p&uacute;blicos de <i>exce&ccedil;&atilde;o</i>, mais do que reivindicar a sua voca&ccedil;&atilde;o <i>ordenadora</i>, o que na maioria das vezes ser&aacute; igualmente necess&aacute;rio e desej&aacute;vel, julgamos fundamental criar verdadeiros <i>lugares p&uacute;blicos</i> que se definam pela presen&ccedil;a de formas e de tipos significantes, pensados no sentido de proporcionar experi&ecirc;ncias qualificadas e significativas dos lugares.</p>     <p>Este entendimento poder&aacute; significar, em certos casos, colocar o indiv&iacute;duo no centro das preocupa&ccedil;&otilde;es, remetendo-nos para uma ideia expressa por Carlos Mart&iacute;, quando nos fala da intimidade e recolhimento que alguns <i>lugares p&uacute;blicos</i> suscitam, fazendo prevalecer a rela&ccedil;&atilde;o individual com o s&iacute;tio (presente, por exemplo, no jardim ou no parque), em detrimento da dimens&atilde;o colectiva presente na pra&ccedil;a<a href="#_ftn29" name="_ftnref29">[29]</a>.</p>     <p>Nesta medida, em muitas circunst&acirc;ncias, como faz igualmente notar este autor, os lugares p&uacute;blicos de exce&ccedil;&atilde;o da cidade contempor&acirc;nea poder&atilde;o n&atilde;o ser pensados como pontos de condensa&ccedil;&atilde;o da cidade t&atilde;o caracter&iacute;sticos da cidade densa (mas invi&aacute;veis em muitos dos fragmentos de uma cidade mais dispersa e especializada), mas sim como recintos ou cen&aacute;rios dispostos na natureza &ldquo;(...) <i>que se abrem aos &acirc;mbitos que nos transportam &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o (</i>...)&rdquo;<a href="#_ftn30" name="_ftnref30">[30]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a06f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seguindo Mart&iacute;, tamb&eacute;m julgamos que os espa&ccedil;os p&uacute;blicos de <i>exce&ccedil;&atilde;o</i> devem come&ccedil;ar por ser pensados, justamente, a partir desta no&ccedil;&atilde;o de <i>cen&aacute;rio</i>, de <i>suporte excepcional</i>, onde se coloca a &ecirc;nfase na qualidade da experi&ecirc;ncia, atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es que se podem estabelecer com a cidade, com a natureza e com a geografia em sentido lato. A natureza entendida n&atilde;o como par&acirc;metro quantitativo ou como suporte indiferenciado ou exclusivo para o desporto, para o &oacute;cio e para o descanso, mas sim como valor escasso e excepcional, que nos remete para uma rela&ccedil;&atilde;o estreita e insepar&aacute;vel entre natureza e cultura<a href="#_ftn31" name="_ftnref31">[31]</a>.</p>     <p>A este prop&oacute;sito, o exemplo do <i>o&aacute;sis</i> a que Carlos Mart&iacute; alude, &eacute; particularmente sugestivo e revelador da rela&ccedil;&atilde;o estreita, que, desde sempre, existiu entre natureza e cultura, e que na perspectiva etimol&oacute;gica - como Mart&iacute; nos lembra - t&ecirc;m a mesma raiz - <i>colere</i> (a&ccedil;&atilde;o de cuidar de algo de cultivar)<a href="#_ftn32" name="_ftnref32">[32]</a>. Esta met&aacute;fora do <i>o&aacute;sis</i> parece-nos especialmente adequada para podermos pensar o espa&ccedil;o p&uacute;blico na cidade menos consolidada ou na <i>cidade sem forma e sem estrutura</i>. Tamb&eacute;m aqui, tal como no o&aacute;sis a que Mart&iacute; se refere, o espa&ccedil;o p&uacute;blico pode surgir como artif&iacute;cio, como o espa&ccedil;o &ldquo;<i>f&eacute;rtil</i>&rdquo; ou &ldquo;<i>fecundante</i>&rdquo; que surge no meio de uma terra &ldquo;<i>assolada</i>&rdquo; e &ldquo;<i>est&eacute;ril</i>&rdquo;. Um lugar de refer&ecirc;ncia, capaz de integrar natureza e cultura e capaz de permitir o estabelecimento de uma viv&ecirc;ncia qualificada em partes do territ&oacute;rio, onde condi&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis parecem impedir qualquer assentamento &ldquo;est&aacute;vel&rdquo; e &ldquo;significativo&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>&Aacute;BALOS, I. (2005). <i>Atlas pintoresco. </i><i>Vol. 1: el observatorio</i>. Barcelona, Gustavo Gili,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733695&pid=S2182-1267201600010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <p>BINGRE, P. (2008). &ldquo;1965: O ano da morte do Urbanismo Portugu&ecirc;s&rdquo;. <i>JA - Jornal Arquitectos</i> 232: 18-21.</p>     <p>BUSQUETS, J. (2004). &ldquo;Presente y perspectivas del urbanismo&rdquo;. <i>Sociedade e Territorio</i><i> 37-38</i>: 46-60.</p>     <p>BUSQUETS, J.(2005). &ldquo;Entrevistas: 20 visiones&rdquo;. <i>Papers. Regi&oacute; Metropolitana de Barcelona 43</i>:&nbsp; 26-29.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CABRAL, J. (2002). &ldquo;Para uma pol&iacute;tica de Cidades &ndash; Os imperativos, as novas pol&iacute;ticas urbanas, as quest&otilde;es &eacute;ticas&rdquo;. <i>Sociedade e Territ&oacute;rio 33</i>: 24-35.</p>     <p>CORBOZ, Andr&eacute; (2004). &ldquo;El territorio como palimpsesto<i>&rdquo;. Lo urbano en 20 autores contempor&aacute;neos</i> (&Aacute;ngel Martin Ramos ed.). Barcelona: Edicions UPC: 25-34.</p>     <p>DOMINGUES, A. (2005). &ldquo;Novas paisagens urbanas&rdquo;. <i>JA - Jornal Arquitectos</i> 218-219: 267-272.</p>     <!-- ref --><p>DOMINGUES, A. (2006). <i>Cidade e democracia:&nbsp;30 anos de transforma&ccedil;&atilde;o urbana em Portugal</i>. Lisboa:&nbsp;Argumentum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733703&pid=S2182-1267201600010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, F.; BENTO, J. (2008). &ldquo;Politica sem arquitectura, territ&oacute;rio sem mem&oacute;ria&rdquo;. <i>JA - Jornal Arquitectos</i> 232 : 22-25.</p>     <p>MART&Igrave; ARIS, C. (2005). &ldquo;Lugares P&uacute;blicos en la Naturaleza&rdquo;. <i>La Cimbra y el Arco</i>. Fundaci&oacute;n Caja de Arquitectos (eds). Barcelona:&nbsp; 55-72.</p>     <p>MART&Igrave; ARIS, C. (2001). &ldquo;Lugares P&uacute;blicos&rdquo;. <i>Confer&ecirc;ncia no Colegio de Arquitectos de Madrid em 26-04-01</i>, Edi&ccedil;&atilde;o policopiada do autor.</p>     <p>MART&Igrave; ARIS, C. &ldquo;Lugares P&uacute;blicos en la Naturaleza&rdquo;. <i>Confer&ecirc;ncia na Faculdade de Arquitectura do Porto em 18-11-02</i>, Edi&ccedil;&atilde;o policopiada do autor.</p>     <p>PORTAS, N. (2005). &ldquo;Planeamento Urbano: Morte e Transfigura&ccedil;&atilde;o&rdquo;. <i>Arquitecturas:&nbsp;teoria e desenho, investiga&ccedil;&atilde;o e projecto</i>. Faup Publica&ccedil;&otilde;es (eds).&nbsp;Porto: 54.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PORTAS, N. (2005). <i>Arquitecturas:&nbsp;teoria e desenho, investiga&ccedil;&atilde;o e projecto</i>. Porto:&nbsp;FAUP publica&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733710&pid=S2182-1267201600010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>S&Aacute;, M. F. De (2002). &ldquo;Planos operativos de escala interm&eacute;dia &ndash; caracteriza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e arquitect&oacute;nica&rdquo;.&nbsp; <i>Sociedade e Territ&oacute;rio</i> 33: 46-56.</p>     <p>S&Aacute;, M. F. De (2001). &ldquo;Da Cidade ao Sistema Urbano&rdquo; (Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada ao congresso CIALP Maputo, Julho de 2001). <i>Planos operativos de escala interm&eacute;dia:&nbsp;caracteriza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e arquitect&oacute;nica,&nbsp;Porto:&nbsp;FAUP,&nbsp;2004, Documento expressamente elaborado para instruir o processo de professor agregado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Provas de Agrega&ccedil;&atilde;o (Vol. 5 - publica&ccedil;&otilde;es).</i></p>     <!-- ref --><p>SALGUEIRO, T. B. (1992). <u>A cidade em Portugal. Uma Geografia Urbana</u>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733714&pid=S2182-1267201600010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SECCHI, B. (2000). <i>Prima lezioni di urbanistica</i>. Roma: Laterza.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733716&pid=S2182-1267201600010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SOL&Agrave;-MORALES, M. (1987). &ldquo;La segunda historia del proyecto urbano&rdquo;. <i>UR</i> 5 : 21-27.</p>     <p>SOL&Agrave;-MORALES, M. (2010). &ldquo;The Impossible Project of Public Space&rdquo;. <i>In favour of public space:&nbsp;ten years of the european prize</i> (Magda Angl&egrave;s ed.).&nbsp;Barcelona:&nbsp;Actar: 24-32.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>T&Aacute;VORA, F. (1982- 2&ordf; ed). <i>Da organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o</i>. Porto: ESBAP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1733720&pid=S2182-1267201600010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> &Aacute;lvaro Domingues, &ldquo;Cidade e Democracia. Os anos da Mudan&ccedil;a&rdquo;, in <i>Cidade e democracia:&nbsp;30 anos de transforma&ccedil;&atilde;o urbana em Portugal</i>, (&Aacute;lvaro Domingues, coord.), Lisboa:&nbsp;Argumentum,&nbsp;2006, p. 37.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Importa salientar que esta percep&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de ordem e coer&ecirc;ncia na organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano portugu&ecirc;s n&atilde;o resulta exclusivamente das transforma&ccedil;&otilde;es mais recentes que o nosso territ&oacute;rio sofreu. Como refere Teresa Barata Salgueiro &eacute; depois da Segunda Guerra Mundial que o movimento de <i>suburbaniza&ccedil;&atilde;o</i> adquire maior vigor em Portugal, invadindo outras &aacute;reas: &ldquo;<i>Grande parte do crescimento suburbano alicer&ccedil;ou-se em n&uacute;cleos de povoamento pr&eacute;-existente que, progressivamente, se viram cercados de edif&iacute;cios novos (...) frutos de iniciativas, de pequena dimens&atilde;o, a constru&ccedil;&atilde;o progredia e, com ela, ia aumentando continuamente a popula&ccedil;&atilde;o. Na segunda metade dos anos sessenta, fazem entrada na regi&atilde;o de Lisboa os grandes promotores imobili&aacute;rios respons&aacute;veis por urbaniza&ccedil;&otilde;es de grande dimens&atilde;o</i>&rdquo;. Teresa Barata Salgueiro, <i>A cidade em Portugal&nbsp;:&nbsp;uma geografia urbana</i>,&nbsp;Porto:&nbsp;Afrontamento,&nbsp;1992, p. 201.</p>     <p>O impacto desta urbaniza&ccedil;&atilde;o mais disseminada leva a que, j&aacute; em 1962, Fernando T&aacute;vora afirmasse: &ldquo;<i>Todos os que se debru&ccedil;am sobre o panorama atual portugu&ecirc;s e a uma escala nacional, s&atilde;o concordes em reconhecer a desarmonia e o desequil&iacute;brio que ele apresenta ao verificarem no seu conjunto a exist&ecirc;ncia de zonas em intenso desenvolvimento, mais ou menos ordenado, zonas paralisadas, zonas em decad&ecirc;ncia cont&iacute;nua</i>.&rdquo; Fernando T&aacute;vora, <i>Da organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o</i>, Porto: ESBAP, 1982, p. 61. Fernando T&aacute;vora &eacute; igualmente expl&iacute;cito quanto aos problemas que a disciplina do urbanismo enfrenta &agrave; &eacute;poca e quanto &agrave; debilidade que a sua pr&aacute;tica apresenta face &agrave;s din&acirc;micas urbanas: <i>&ldquo;Um ponto que importa focar &eacute; o que se refere aos limites das zonas atingidas pelos planos locais, pois acontece que, em certos sectores do pa&iacute;s em maior desenvolvimento, nem sempre o limite administrativo ou estabelecido para o respectivo plano, coincide com o limite da expans&atilde;o prov&aacute;vel e d&aacute;-se o caso, muito comum, de n&atilde;o se encontrarem assim planeadas - nem mesmo a uma escala regional, o que j&aacute; de si, ali&aacute;s seria insuficiente - zonas de grande potencialidade urban&iacute;stica, pelo facto de estarem situadas fora dos limites convencionais ou legais do aglomerado&rdquo;.</i> Fernando T&aacute;vora, <i>Da organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o</i>, Porto: ESBAP, 1982, p. 65.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Como &eacute; sabido, ap&oacute;s a ades&atilde;o Portugal &agrave; Uni&atilde;o Europeia (que ocorreu em 1986) e em particular na d&eacute;cada de 90, observou-se em Portugal um surto de infraestrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio que a maioria dos pa&iacute;ses europeus conheceu no per&iacute;odo de reconstru&ccedil;&atilde;o do Segundo P&oacute;s-Guerra.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Refira-se que muitas destas obras, desprovidas de uma estrat&eacute;gia urban&iacute;stica, foram projetadas e realizadas sob a responsabilidade de organismos tutelados pelo Estado Central (designadamente pela Junta Aut&oacute;noma das Estradas e pelas Estradas de Portugal), sem a devida articula&ccedil;&atilde;o com as estruturas de &acirc;mbito local, facilitando a tomada de muitas decis&otilde;es de forma menos ponderada.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Como salienta Andr&eacute; Corboz, nas circunst&acirc;ncias atuais (e a realidade portuguesa n&atilde;o constituir&aacute; uma exce&ccedil;&atilde;o),&nbsp; talvez o dado fundamental a reter&nbsp; seja o facto do &ldquo;(...) <i>territ&oacute;rio</i>, <i>e por muito vaga que possa ser a sua defini&ccedil;&atilde;o, constitui a unidade de medida dos fen&oacute;menos urbanos</i>&rdquo;. Andr&eacute; Corboz, &ldquo;El territorio como palimpsesto&rdquo; in <i>Lo urbano en 20 autores contempor&aacute;neos</i> (&Aacute;ngel Martin Ramos ed.), Barcelona : Edicions UPC, 2004, p. 27.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Assistimos assim, de forma particular e incisiva, sobretudo nestes dois casos, ao forte crescimento de &aacute;reas urbanas dormit&oacute;rio (com o progressivo esvaziamento e perda de popula&ccedil;&atilde;o do seu n&uacute;cleo central), consolidando o desenvolvimento de um modo de vida dependente do transporte privado. Simultaneamente, verificamos o aparecimento dos condom&iacute;nios fechados, de parques industriais e empresariais e estabelecimentos comerciais de grande dimens&atilde;o - <i>shopping centers</i> - que se traduzem de forma muito direta na organiza&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os, bem como nos h&aacute;bitos de consumo e na forma como experimentamos a cidade.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> &ldquo;<i>A cidade centrifuga-se e estilha&ccedil;a-se num territ&oacute;rio vasto, desigualmente ocupado em termos de quantidade, diversidade de usos e qualidade da ocupa&ccedil;&atilde;o urbana. O centro, a forma, os limites, enquanto referenciais urbanos tradicionais perdem a clareza. Os limites diluem-se em sistemas territoriais mais vastos, a forma desdobra-se em composi&ccedil;&otilde;es heterog&eacute;neas, dissonantes, descont&iacute;nuas em permanente muta&ccedil;&atilde;o</i>&rdquo;. Manuel Fernandes de S&aacute;, &ldquo;Da Cidade ao Sistema Urbano&rdquo; (Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada ao congresso CIALP Maputo, Julho de 2001), in <i>Planos operativos de escala interm&eacute;dia:&nbsp;caracteriza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e arquitect&oacute;nica</i>,&nbsp;Porto:&nbsp;FAUP,&nbsp;2004, <i>Documento expressamente elaborado para instruir o processo de professor agregado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto</i>, Provas de Agrega&ccedil;&atilde;o (Vol. 5 - publica&ccedil;&otilde;es), p. 177.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Como refere &Aacute;lvaro Domingues, o car&aacute;cter n&atilde;o definido ou n&atilde;o codificado dos vazios residuais e de outros espa&ccedil;os associados aos novos tra&ccedil;ados de infraestruturas rodovi&aacute;rias arteriais (projetados segundo crit&eacute;rios que decorrem da velocidade, da seguran&ccedil;a, e de m&eacute;tricas e hierarquias funcionais r&iacute;gidas e pr&eacute;-definidas), determinam uma mudan&ccedil;a de paradigma, onde o esquema formal e mental, que associamos &agrave; defini&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o dos vazios da cidade can&oacute;nica, perde o sentido. Segundo este autor os &ldquo;novos vazios&rdquo; n&atilde;o podem apenas ser definidos por<i> oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, </i>&ldquo;(...) <i>j&aacute; que possuem qualidades e potencialidades pr&oacute;prias (&ldquo;naturais&rdquo; e culturais, incluindo a carga simb&oacute;lica que da&iacute; deriva) que devem ser apreendidas no contexto da descontinuidade formal e do estilha&ccedil;ar do espa&ccedil;o urbano emergente</i>.&rdquo;. &Aacute;lvaro Domingues, &ldquo;Cidade e Democracia. Os anos da Mudan&ccedil;a&rdquo;, in <i>Cidade e democracia:&nbsp;30 anos de transforma&ccedil;&atilde;o urbana em Portugal</i>, (&Aacute;lvaro Domingues, coord.), Lisboa:&nbsp;Argumentum,&nbsp;2006, p. 38.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Pedro Bingre, &ldquo; 1965: O ano da morte do Urbanismo Portugu&ecirc;s&rdquo;, <i>JA</i>, n&ordm; 232, p. 18.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Sobre as implica&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica de solos e da economia imobili&aacute;ria no desenho da cidade portuguesa ver: Pedro Bingre, &ldquo; 1965: O ano da morte do Urbanismo Portugu&ecirc;s&rdquo;, <i>JA</i>, n&ordm; 232, p. 18-21.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> O argumento invocado assenta, na maioria dos casos, na alegada falta de operatividade demonstrada pelo Plano de Pormenor, que (do ponto de vista de alguns dos atores inquiridos num estudo coordenado por Manuel Fernandes de S&aacute;) s&oacute; ser&aacute; operativo &ldquo;(...)<i>se existir ou se permitir criar capacidade de investimento no local a curto prazo. Caso contr&aacute;rio arrisca-se a tornar-se num instrumento de </i>&acute;<i>congela&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea</i>`<i> por ele abrangida</i>.&rdquo; Manuel Fernandes de S&aacute;, &ldquo;Planos operativos de escala interm&eacute;dia - caracteriza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e arquitect&oacute;nica&rdquo; in <i>Sociedade e Territ&oacute;rio,</i> n&ordm; 33 (Fevereiro de 2002), p. 52.</p>     <p>Esta posi&ccedil;&atilde;o de algum cepticismo relativamente aos Planos de Pormenor, tamb&eacute;m &eacute; expressa por Nuno Portas, que questiona o seu grau de operatividade e a sua utiliza&ccedil;&atilde;o generalizada, quando n&atilde;o est&atilde;o criadas as condi&ccedil;&otilde;es de programa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o existem agentes promotores para a sua efetiva&ccedil;&atilde;o, ou sequer defini&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos encargos de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Nuno Portas, &ldquo;Urbanismo e Ordenamento do Territ&oacute;rio: Balan&ccedil;o dos Anos 1970-2000&rdquo; (Entrevista por Ant&oacute;nio Fonseca Ferreira), <i>Arquitectura(s):&nbsp;teoria e desenho, investiga&ccedil;&atilde;o e projecto</i>, Porto:&nbsp;Faup Publica&ccedil;&otilde;es,&nbsp;2005, p. 298.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Estamos de acordo com Fernando Gon&ccedil;alves e Jo&atilde;o Bento quando reconhecem que, ao contr&aacute;rio de um plano de pormenor (que obriga os cidad&atilde;os mas tamb&eacute;m lhes confere uma maior autonomia face &agrave; administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica), &ldquo;(...) <i>um regulamento dificilmente ultrapassa o horizonte de normas relativamente gerais e abstractas,</i> (...) <i>constituindo um modo expedito e barato de disciplinar a presen&ccedil;a de constru&ccedil;&otilde;es na paisagem</i> (...)&rdquo;. Fernando Gon&ccedil;alves, Jo&atilde;o Bento, &ldquo;Politica sem arquitectura, territ&oacute;rio sem mem&oacute;ria&rdquo;, <i>JA, </i>n&ordm; 232 (Julho-Setembro 2008), p. 22-25.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> N&atilde;o podemos deixar de referir que, para o diagn&oacute;stico que acabamos de tra&ccedil;ar para a cidade e territ&oacute;rio portugueses, muito ter&atilde;o certamente contribu&iacute;do uma s&eacute;rie de op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas adoptadas a partir dos anos 80, ligadas ao modelo de econ&oacute;mico e territorial seguido, com destaque para o "desinvestimento" no sector produtivo (em especial no sector agr&iacute;cola e industrial), e a aposta na ind&uacute;stria da constru&ccedil;&atilde;o civil como motor de desenvolvimento. A este respeito deve ainda assinalar-se o desequil&iacute;brio entre o investimento realizado no litoral do pa&iacute;s em detrimento do interior, designadamente ao n&iacute;vel das infraestruturas rodovi&aacute;rias, que conduziram a um incremento do transporte rodovi&aacute;rio privado em desfavor da aposta numa pol&iacute;tica integrada de transporte p&uacute;blico.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> Foram muitos e variados os programas e as pol&iacute;ticas urbanas entretanto implementados, orientados &agrave; requalifica&ccedil;&atilde;o e ao planeamento mais sistem&aacute;tico e integrado da cidade e do territ&oacute;rio portugueses. Um dos primeiros programas diz respeito &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas degradadas (Programa de Recupera&ccedil;&atilde;o de &Aacute;reas Urbanas Degradadas,PRAUD, 1988), a que se segue o Programa Especial de Realojamento (PER, 1993). Correspondendo &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o do II Quadro Comunit&aacute;rio de apoio da Uni&atilde;o Europeia, em 1994, &eacute; criado o programa PROSIURB, desenvolvido com o objectivo de desenvolver os centros estrat&eacute;gicos na organiza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio nacional, a que se segue o programa URBAN (1995), destinado a apoiar a revitaliza&ccedil;&atilde;o e a requalifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas urbanas degradadas das &aacute;reas metropolitanas, o REHABITA (1996) e o RECRIA (1999) destinados &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o e beneficia&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis em zonas urbanas hist&oacute;ricas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> &Eacute; importante salientar o car&aacute;cter pioneiro de opera&ccedil;&otilde;es como o projeto de requalifica&ccedil;&atilde;o da Zona Hist&oacute;rica de Guimar&atilde;es (levado a cabo pelo GTL, sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Fernando T&aacute;vora) e de experi&ecirc;ncias desenvolvidas em &Eacute;vora ou em Angra do Hero&iacute;smo, ainda na d&eacute;cada de 80, que se constituem como exemplos de interven&ccedil;&atilde;o urbana onde o espa&ccedil;o p&uacute;blico foi objecto de um tratamento de conjunto.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16">[16]</a> Lan&ccedil;ado em 1999 e dotado de uma gest&atilde;o pr&oacute;pria (tutelada &agrave; &eacute;poca pelo Minist&eacute;rio das Cidades, do Ordenamento do Territ&oacute;rio&nbsp; e do Ambiente), o Programa Polis (Programa Nacional de Requalifica&ccedil;&atilde;o Urbana e Valoriza&ccedil;&atilde;o Ambiental das Cidades), adoptando a parceria com os munic&iacute;pios e com os privados como modelo de interven&ccedil;&atilde;o intensiva em sectores estrat&eacute;gicos, de acordo com objectivos urban&iacute;sticos bem definidos, constitui o primeiro programa que adopta a requalifica&ccedil;&atilde;o urbana e a valoriza&ccedil;&atilde;o ambiental como um objectivo fundamental.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a> Num &acirc;mbito distinto mas igualmente inserido num programa de interven&ccedil;&atilde;o urbana de car&aacute;cter excepcional, devemos tamb&eacute;m mencionar o projeto de requalifica&ccedil;&atilde;o urbana desenvolvido no &acirc;mbito da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, que em certa medida se constituiu igualmente como uma refer&ecirc;ncia importante para os projetos subsequentes de requalifica&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o p&uacute;blico desenvolvidos em sectores de cidade consolidada, particularmente nas suas zonas hist&oacute;ricas.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18">[18]</a> Ao converter-se no <i>territ&oacute;rio do pe&atilde;o</i> (beneficiando da rela&ccedil;&atilde;o com o rio Tejo, e de uma quantidade significativa de espa&ccedil;os abertos simultaneamente bem definidos e bem caracterizados), o sector correspondente ao recinto da exposi&ccedil;&atilde;o transformou-se num espa&ccedil;o urbano de refer&ecirc;ncia, usado intensamente, refletindo os benef&iacute;cios que podem resultar do investimento no espa&ccedil;o p&uacute;blico, elevando este projeto urbano &agrave; categoria de <i>caso exemplar</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> Uma das cr&iacute;ticas que v&aacute;rios autores apontam a estes programas de interven&ccedil;&atilde;o excecional prende-se com o facto da op&ccedil;&atilde;o da (re)qualifica&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o da cidade a partir de projetos de exce&ccedil;&atilde;o e de car&aacute;cter intensivo implicar sempre, ou quase sempre, como salienta Jo&atilde;o Cabral, uma forma de promo&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o de um sector de cidade cuja escolha parte do estado central (tornando amb&iacute;gua a defini&ccedil;&atilde;o de responsabilidades dos diferentes poderes pol&iacute;ticos nesta escolha); sendo este facto, consequentemente &ldquo;(...) <i>desmobilizador da capacidade de interven&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e dos agentes a atores locais, comprometendo a valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos end&oacute;genos e a capacidade da cidade ser simultaneamente competitiva e coesa</i>.&ldquo; Jo&atilde;o Cabral, &ldquo;Para uma pol&iacute;tica de Cidades &ndash; Os imperativos, as novas pol&iacute;ticas urbanas, as quest&otilde;es &eacute;ticas&rdquo; in&nbsp; Sociedade e Territ&oacute;rio. N&ordm; 33 (Fevereiro 2002), p. 33.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20">[20]</a> Neste sentido estamos de acordo com Manuel de Sol&agrave;-Morales quando denuncia o entendimento recente do projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico, caracterizando-o como uma &ldquo;(...) <i>pr&aacute;tica profissional aut&oacute;noma de uma arquitetura</i> <i>da cota zero, desenvolvida a c&eacute;u aberto&rdquo;,</i> onde parece n&atilde;o haver programa, custos, fun&ccedil;&otilde;es, estrutura ou cliente. Manuel de Sol&agrave;-Morales, &ldquo;The Impossible Project of Public Space&rdquo;, &ldquo;In favour of public space:&nbsp;ten years of the european prize&rdquo; (Magda Angl&egrave;s ed.),&nbsp;Barcelona:&nbsp;Actar, p. 27.</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21">[21]</a> Nuno Portas, &ldquo;Planeamento Urbano: Morte e Transfigura&ccedil;&atilde;o&rdquo; in <i>Arquitectura(s):&nbsp;teoria e desenho, investiga&ccedil;&atilde;o e projecto</i>. Porto:&nbsp;Faup publica&ccedil;&otilde;es,&nbsp;2005, p. 64, 65.</p>     <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22">[22]</a> Alguma investiga&ccedil;&atilde;o tem vindo a ser desenvolvida em torno deste problema nos &uacute;ltimos anos. No &acirc;mbito da &aacute;rea disciplinar da arquitetura e do urbanismo, de forma mais ou menos sistem&aacute;tica, alguns autores portugueses t&ecirc;m vindo a fornecer elementos novos, seja ao n&iacute;vel da compreens&atilde;o dos processos de transforma&ccedil;&atilde;o urbana, seja a um n&iacute;vel mais propositivo, apontando-nos alguns exemplos e pistas sobre onde e como atuar perante uma condi&ccedil;&atilde;o urbana com as especificidades da portuguesa. De entre os estudos mais recentes, diretamente ligados ao tema da constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico da cidade portuguesa contempor&acirc;nea, um dos contributos te&oacute;ricos mais relevantes &eacute;-nos apresentado por Nuno Portas, &Aacute;lvaro Domingues e Jo&atilde;o Cabral em <i>Pol&iacute;ticas Urbanas. Tend&ecirc;ncias, estrat&eacute;gias e oportunidades</i>. Uma parte deste estudo &eacute; dedicada, justamente, &agrave; compreens&atilde;o de poss&iacute;veis estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o na cidade a partir do espa&ccedil;o p&uacute;blico/colectivo, procurando indagar (a partir da refer&ecirc;ncia a exemplos concretos) novos pap&eacute;is que este pode desempenhar em contextos urbanos mais indefinidos.</p>     <p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23">[23]</a> &Aacute;lvaro Domingues defende que a dificuldade em abordar a quest&atilde;o da cidade portuguesa e dos seus espa&ccedil;os p&uacute;blicos est&aacute; em muitos casos ligada &agrave; &ldquo;dificuldade de aceitar&rdquo; o processo de transforma&ccedil;&atilde;o &ldquo;da cidade em urbano&rdquo;, criador de uma nova ordem urbana de escala territorial, que &eacute; comum a grande parte das cidades m&eacute;dias portuguesas, em especial nas conurba&ccedil;&otilde;es descont&iacute;nuas e extensivas que comp&otilde;em as duas maiores &aacute;reas metropolitanas e as aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas do litoral portugu&ecirc;s. &Aacute;lvaro Domingues, &ldquo;Novas paisagens urbanas&rdquo; in <i>JA</i>, n&ordm; 218-219 (Janeiro-Junho 2005), p. 268.</p>     <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24">[24]</a> Bernardo Secchi citado por Carlos Mart&iacute; em &ldquo;Lugares P&uacute;blicos&rdquo;, Confer&ecirc;ncia proferida no Colegio de Arquitectos de Madrid em 26-04-2001, edi&ccedil;&atilde;o policopiada do autor, p. 1.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25">[25]</a>&nbsp; Carlos Mart&iacute; Aris (2001) &ldquo;Lugares P&uacute;blicos&rdquo;, Confer&ecirc;ncia proferida no Colegio de Arquitectos de Madrid em 26-04-2001, Edi&ccedil;&atilde;o policopiada do autor, p.1.</p>     <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26">[26]</a> Tendo em conta este entendimento, Joan Busquets salienta justamente a necessidade de resgatar a ideia &ldquo;<i>de projeto ou vis&atilde;o a m&eacute;dio prazo do plano</i>&rdquo; a partir da interven&ccedil;&atilde;o sobre<i> &ldquo;alguns espa&ccedil;os, em determinados sistemas ou em certas estrat&eacute;gias</i>&rdquo;, o que n&atilde;o deixa de implicar a necessidade de, como refere, estudar &ldquo;<i>quase tudo</i>&rdquo; e a &ldquo;<i>fundo</i>&rdquo;. Segundo este autor, este entendimento est&aacute; diretamente ligado &agrave; necessidade de recuperar o esfor&ccedil;o &ldquo;(...) <i>conceptual e abstracto do projeto de plano como forma de enfocar a quest&atilde;o da forma urbana sem ter de cair na fal&aacute;cia do desenho de todas as suas partes</i> (...)&rdquo;. Joan Busquets, &ldquo;Entrevistas: 20 visiones&rdquo; in <i>Papers. Regi&oacute; Metropolitana de Barcelona, </i>n&ordm; 43, Junho 2005, p. 26, 27.</p>     <p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27">[27]</a> Esta proposta de interpreta&ccedil;&atilde;o converge com a aproxima&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica proposta, por exemplo, por Joan Busquets, quando este autor defende e prop&otilde;e como m&eacute;todo mais relevante para a an&aacute;lise da cidade e aprofundamento da pr&aacute;tica do urbanismo e do desenho urbano o estudo de &ldquo;(...) <i>linhas de projecto urban&iacute;stico</i> <i>dotados de uma certa especificidade metodol&oacute;gica e instrumental que nos permite pensar que a sua incid&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o da cidade no futuro pode ser mais relevante</i>&rdquo;. Joan Busquets. &ldquo;Presente y perspectivas del urbanismo&rdquo;. <i>Sociedade e Territ&oacute;rio</i>, n.&ordm; 37-38 (2004), p. 47.</p>     <p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28">[28]</a> Este entendimento tem subjacente o <i>projeto urbano de escala interm&eacute;dia</i> como o instrumento de aproxima&ccedil;&atilde;o que julgamos mais consistente e adequado para intervir na cidade a partir do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Ou seja, n&atilde;o se trata portanto de pensar o projeto do espa&ccedil;o p&uacute;blico de forma aut&oacute;noma e objetual (como se de um equipamento ou de uma pe&ccedil;a de arquitetura se tratasse), como tamb&eacute;m n&atilde;o se trata de o pensar a partir da l&oacute;gica do plano. Trata-se essencialmente, como refere Manuel de Sol&agrave;-Morales (destacando justamente &agrave; <i>longa tradi&ccedil;&atilde;o do projeto urbano</i>), &ldquo;(...) <i>de partir da geografia e da cidade dada, das suas solicita&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es, e de introduzir com a arquitetura elementos de linguagem que deem forma ao s&iacute;tio (...) &eacute; tamb&eacute;m trabalhar de forma indutiva, generalizando o particular, o estrat&eacute;gico, o local, o generativo, o mod&eacute;lico</i>&ldquo;. DE SOL&Agrave;-MORALES, Manuel (1987) &ldquo;La segunda historia del proyecto urbano&rdquo; <i>UR</i> n&ordm;5 (1987), p. 22.</p>     <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29">[29]</a> MART&Iacute; ARIS, Carlos (2005) &ldquo;Lugares P&uacute;blicos en la Naturaleza&rdquo; in <i>La Cimbra y el Arco</i>, Barcelona: Fundaci&oacute;n Caja de Arquitectos, p. 63.</p>     <p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30">[30]</a> MART&Iacute; ARIS, Carlos (2005) &ldquo;Lugares P&uacute;blicos en la Naturaleza&rdquo; in <i>La Cimbra y el Arco</i>, Barcelona: Fundaci&oacute;n Caja de Arquitectos, 2005, p. 69. Marti associa esta ideia (de contempla&ccedil;&atilde;o) aos espa&ccedil;os p&uacute;blicos desenhados por Luis Barragan, caracterizando-os como espa&ccedil;os de &ldquo;<i>solid&atilde;o, serenidade e alegria&rdquo;</i>; espa&ccedil;os para a &ldquo;<i>espera</i>&rdquo;, &ldquo;<i>dispositivos visuais</i>&rdquo; &ldquo;(...) <i>que nos preparam para encontrar o Outro</i> (...) <i>que</i> <i>n&atilde;o necessitam a presen&ccedil;a da multid&atilde;o; (...) basta que algu&eacute;m se situe no seu interior para que o cen&aacute;rio ganhe vida e se ative a sua carga de teatralidade. </i><i>Ent&atilde;o algo pode acontecer&rdquo;</i>. Carlos Mart&iacute; Aris, &ldquo;Lugares P&uacute;blicos en la Naturaleza&rdquo; in <i>La Cimbra y el Arco</i>, Barcelona: Fundaci&oacute;n Caja de Arquitectos, 2005, p. 69.</p>     <p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31">[31]</a> Podemos reconhecer estes pressupostos na origem da concep&ccedil;&atilde;o do Central Park em Nova Iorque, onde, na opini&atilde;o de I&ntilde;aki &Aacute;balos, a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;p&uacute;blico&rdquo;, para Olmsted,&nbsp; tinha sem d&uacute;vida passado a ser uma &ldquo;<i>emana&ccedil;&atilde;o do natural</i>&rdquo;. Na sua acep&ccedil;&atilde;o, ambos os conceitos - p&uacute;blico e natureza - ficavam ligados a uma concep&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da cidade. Olmsted estava empenhado em construir no centro da cidade um &ldquo;<i>&Aacute;gora Natural&rdquo;,</i> cuja fun&ccedil;&atilde;o primordial era a &ldquo;<i>educativa</i>&rdquo;, no sentido em que, acrescenta Abalos, os <i>transcendentalistas</i> entendiam que a natureza era educativa: &ldquo;(...) <i>o lugar onde se revelava que as leis &eacute;ticas e morais do homem e da cidade eram uma emana&ccedil;&atilde;o das leis f&iacute;sicas da natureza, entendida como um verdadeiro foro, o lugar onde resplandecesse o p&uacute;blico&rdquo;</i>. I&ntilde;aki &Aacute;balos, <i>Atlas pintoresco, Vol. 1: el observatorio</i>, Barcelona: Gustavo Gili, 2005, p. 11.</p>     <p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32">[32]</a> Carlos Mart&iacute; Aris, &ldquo;Lugares P&uacute;blicos en la Naturaleza&rdquo; in <i>La Cimbra y el Arco</i>, Barcelona: Fundaci&oacute;n Caja de Arquitectos, 2005, p. 56.</p>      ]]></body><back>
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