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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Segurança rodoviária nas estradas da responsabilidade municipal: radiografia geral de uma problemática (ainda) inquietante]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is part of a research project that intended to collect information on the municipal measures, existing in the 278 municipalities of continental Portugal, concerning the road safety in roads under their responsibility. This data allowed a reflection on the panorama about the fight against traffic accidents. Besides several findings evidenced during the research development, it is intended to present the major conclusions resulting from a national inquiry to the municipalities. The collected data allowed a unique set of very relevant information, bringing important illations about the country planning, in order to allow an auto-reflection by the municipalities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nas estradas da responsabilidade municipal: radiografia geral de uma problem&aacute;tica (ainda) inquietante</b></p>     <p><b>Road safety in municipal roads: radiography of a (still) disturbing problematic</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Neff, Lu&iacute;s<sup>1</sup>; Santos, Joaquim dos<sup>1/2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>ADPA &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento e a Promo&ccedil;&atilde;o da Autonomia;&nbsp;Urbaniza&ccedil;&atilde;o Orlamar, 86 - Manta Rota, 8900-038 Vila Nova de Cacela, Vila Real de Santo Ant&oacute;nio - Portugal;&nbsp;<a href="mailto:luisneff@gmail.com">luisneff@gmail.com</a></p>     <p><sup>2</sup>ARTIS - Instituto de Hist&oacute;ria da Arte / Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;&nbsp;Alameda da Universidade, 1600-214 Lisboa - Portugal;&nbsp;<a href="mailto:joaquimr.santos@gmail.com">joaquimr.santos@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente estudo insere-se no &acirc;mbito de um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o que pretendeu efectuar uma recolha sistematizada, junto dos 278 munic&iacute;pios de Portugal continental, das medidas municipais existentes no que concerne &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nas vias sob a sua responsabilidade, servindo os dados apurados para uma reflex&atilde;o sobre o panorama do combate &agrave; sinistralidade em estradas municipais. Al&eacute;m de diversas constata&ccedil;&otilde;es evidenciadas ao longo do desenvolvimento do projecto, pretendem-se apresentar as principais dedu&ccedil;&otilde;es que decorreram desse inqu&eacute;rito nacional aos munic&iacute;pios, o qual possibilitou obter um in&eacute;dito conjunto de informa&ccedil;&otilde;es muito relevantes que, ap&oacute;s devidamente analisadas, permitem extrair ila&ccedil;&otilde;es sobre o modo como o ordenamento territorial ao n&iacute;vel do tr&acirc;nsito tem sido realizado, tendo em vista a pr&oacute;pria auto-reflex&atilde;o por parte dos munic&iacute;pios.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, planeamento urbano, sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito, espa&ccedil;o p&uacute;blico, responsabilidade municipal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article is part of a research project that intended to collect information on the municipal measures, existing in the 278 municipalities of continental Portugal, concerning the road safety in roads under their responsibility. This data allowed a reflection on the panorama about the fight against traffic accidents. Besides several findings evidenced during the research development, it is intended to present the major conclusions resulting from a national inquiry to the municipalities. The collected data allowed a unique set of very relevant information, bringing important illations about the country planning, in order to allow an auto-reflection by the municipalities.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Keywords</b>: road safety, urban planning, traffic signs, public space, municipal responsibility.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Portugal<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> possui uma estrutura de responsabilidade/gest&atilde;o dividida em dois grandes sectores no que respeita &agrave;s infra-estruturas rodovi&aacute;rias: as estradas de hierarquia superior, geridas pela Estradas de Portugal, S.A. (EP) ou por si concessionadas, e as estradas de hierarquia inferior, de gest&atilde;o municipal. Esta &uacute;ltima hierarquia engloba a maior percentagem relativa &agrave; estrutura rodovi&aacute;ria, encontrando-se dividida pelos 278 munic&iacute;pios de Portugal continental. Esta responsabilidade atribu&iacute;da aos munic&iacute;pios traduz-se num conjunto de quil&oacute;metros cuja extens&atilde;o &eacute;, ainda hoje, dif&iacute;cil de definir com exactid&atilde;o, bem como o seu n&iacute;vel hier&aacute;rquico &ndash; e ainda menos o estado de conserva&ccedil;&atilde;o dessas infra-estruturas e respectivos equipamentos de seguran&ccedil;a.</p>     <p>Ap&oacute;s uma an&aacute;lise dos relat&oacute;rios elaborados com base nos boletins estat&iacute;sticos de acidentes rodovi&aacute;rios ao longo dos &uacute;ltimos anos<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>, podemos concluir que Portugal tem desenvolvido com relativo sucesso um enorme esfor&ccedil;o, assente numa estrat&eacute;gia nacional que visa a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de feridos graves e v&iacute;timas mortais nas nossas estradas. No entanto, apesar de entre 2001 e 2010 ter existido uma diminui&ccedil;&atilde;o de 49% de v&iacute;timas mortais e de 56% de feridos graves, fazendo uma an&aacute;lise espec&iacute;fica em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de v&iacute;timas segundo a localiza&ccedil;&atilde;o e o tipo de via, podemos concluir que continua a existir uma elevada incid&ecirc;ncia de acidentes e v&iacute;timas nas vias da responsabilidade dos munic&iacute;pios. Ou seja, existe um n&uacute;mero bastante elevado de sinistros com v&iacute;timas dentro das localidades, em vias na sua maioria da responsabilidade dos munic&iacute;pios, e se a esses valores somarmos as v&iacute;timas localizadas fora das localidades tamb&eacute;m em estradas municipais, podemos desde logo concluir que estes valores s&atilde;o substancialmente maiores (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Foi precisamente este fen&oacute;meno de elevado n&uacute;mero de acidentes com v&iacute;timas que correspondem &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o/responsabilidade municipal, que motivou a realiza&ccedil;&atilde;o do recentemente finalizado projecto de investiga&ccedil;&atilde;o <i>Melhores Meios, Mais Seguran&ccedil;a nas Estradas da Responsabilidade Municipal</i>, desenvolvido pela ADPA - Associa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento e a Promo&ccedil;&atilde;o da Autonomia. Este estudo efectuou uma sistem&aacute;tica recolha e inventaria&ccedil;&atilde;o, in&eacute;dita no nosso pa&iacute;s, dos meios e metodologias que s&atilde;o aplicados, nos v&aacute;rios munic&iacute;pios de Portugal continental, para a gest&atilde;o municipal na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>. Os dados foram recolhidos mediante um inqu&eacute;rito efectuado aos 278 munic&iacute;pios de Portugal continental, os quais foram depois devidamente analisados, tendo em conta o seu cruzamento com obras de refer&ecirc;ncia e com dados provenientes de outros estudos efectuados nesta &aacute;rea, aliado ainda a um exame cr&iacute;tico dos instrumentos e pol&iacute;ticas de planeamento existentes no seio dos munic&iacute;pios portugueses e a sua implementa&ccedil;&atilde;o no terreno. Esse aturado exame foi proporcionado pela experi&ecirc;ncia profissional de t&eacute;cnicos da ADPA com vasta experi&ecirc;ncia na &aacute;rea do planeamento urbano e ordenamento do territ&oacute;rio (incluindo a &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria) em entidades p&uacute;blicas, privadas e acad&eacute;micas, em conjuga&ccedil;&atilde;o com diversos contactos estabelecidos com t&eacute;cnicos exteriores &agrave; ADPA. Tal permitiu extrair um valioso conjunto de ila&ccedil;&otilde;es extremamente relevantes sobre os recursos municipais existentes e o modo como &eacute; concretizado o ordenamento territorial, ao n&iacute;vel da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, nos munic&iacute;pios portugueses.</p>     <p>O per&iacute;odo em estudo no projecto foi o ano de 2013, onde al&eacute;m da recolha, processamento e tratamento dos dados apurados no inqu&eacute;rito, em pesquisas incidindo sobre outros estudos efectuados e sobre obras de refer&ecirc;ncia, na an&aacute;lise de casos de estudo previamente definidos e na pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia profissional dos t&eacute;cnicos abordados, se pretendeu realizar tamb&eacute;m uma reflex&atilde;o sobre a estrat&eacute;gia e meios actualmente existentes e a sua efic&aacute;cia no que concerne ao incremento da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria e ao combate &agrave; sinistralidade nas vias da responsabilidade dos munic&iacute;pios de Portugal continental, focando tamb&eacute;m a realidade interna individual dos munic&iacute;pios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existiu por isso o desejo de alcan&ccedil;ar uma metodologia de an&aacute;lise que possibilitasse comparar a ac&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria entre os v&aacute;rios munic&iacute;pios, tendo-se estabelecido um conjunto de par&acirc;metros (demasiado extensos para aqui serem expostos, mas consult&aacute;veis no relat&oacute;rio final do projecto) que permitisse comparar de modo coerente realidades t&atilde;o distintas como, por exemplo, os casos dos munic&iacute;pios de Lisboa ou de Barrancos, t&atilde;o d&iacute;spares em v&aacute;rias das suas caracter&iacute;sticas. Como objectivo final, pretende-se proporcionar um leque de informa&ccedil;&atilde;o &uacute;til, facilmente dispon&iacute;vel e acess&iacute;vel ao p&uacute;blico, que permita uma auto-reflex&atilde;o por parte dos munic&iacute;pios relativamente aos instrumentos por si disponibilizados para a &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria no &acirc;mbito municipal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Enquadramento geral: seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nos munic&iacute;pios</b></p>     <p>Para a melhoria dos n&iacute;veis de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, considera-se indispens&aacute;vel o conhecimento da realidade da entidade gestora da infra-estrutura rodovi&aacute;ria &ndash; neste caso, as autarquias &ndash; que tem responsabilidades na programa&ccedil;&atilde;o, elabora&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da maior percentagem de vias rodovi&aacute;rias em Portugal. No que respeita &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nas vias sob sua compet&ecirc;ncia, a responsabilidade de uma autarquia &eacute; igual seja para um pequeno munic&iacute;pio como Barrancos (de 1.924 habitantes), seja para um de grande dimens&atilde;o populacional como a Amadora (de 175.136 habitantes). No entanto, os meios t&eacute;cnico-financeiros ao dispor para cada um dos munic&iacute;pios s&atilde;o distintos, n&atilde;o existindo uma rela&ccedil;&atilde;o directa entre a dimens&atilde;o da infra-estrutura rodovi&aacute;ria e as verbas dispon&iacute;veis afectas a cada munic&iacute;pio, quer para a contrata&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos qualificados, quer para o desenvolvimento de ac&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da melhoria da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria.</p>     <p>Do ponto de vista da estrutura org&acirc;nica, &eacute; f&aacute;cil perceber que um munic&iacute;pio com mais meios t&eacute;cnico-financeiros possa ter maiores possibilidades de possuir na sua org&acirc;nica uma direc&ccedil;&atilde;o municipal, um departamento ou uma divis&atilde;o de tr&acirc;nsito com responsabilidades no &acirc;mbito da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria; no entanto, a maioria das autarquias do pa&iacute;s n&atilde;o possui no seu organograma uma estrutura funcional pr&oacute;pria para esta mat&eacute;ria, n&atilde;o constando igualmente, nos seus quadros de pessoal, um t&eacute;cnico qualificado com forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para a &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria. O maior problema prende-se com a aus&ecirc;ncia de t&eacute;cnicos com conhecimentos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, que sejam respons&aacute;veis por todas as mat&eacute;rias municipais neste campo. Algo agravado ainda mais pelo facto dos munic&iacute;pios n&atilde;o disporem, na maior parte dos casos, de verbas para a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os qualificados externos que possam garantir complementaridade e continuidade no apoio t&eacute;cnico a este n&iacute;vel.</p>     <p>O desenvolvimento socioecon&oacute;mico que se tem verificado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas reflectiu-se tamb&eacute;m nas redes rodovi&aacute;rias, tanto na rede rodovi&aacute;ria nacional, como na rede rodovi&aacute;ria de responsabilidade municipal. Com o r&aacute;pido aumento das &aacute;reas urbanas no &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XX &ndash; que a aprova&ccedil;&atilde;o da primeira gera&ccedil;&atilde;o dos Planos Directores Municipais (PDM) veio tentar ordenar &ndash;, assistiu-se a um exponencial crescimento de constru&ccedil;&otilde;es novas no sector da habita&ccedil;&atilde;o, ind&uacute;stria, servi&ccedil;os ou equipamentos. Este fen&oacute;meno de crescimento r&aacute;pido, fortemente alicer&ccedil;ado numa press&atilde;o imobili&aacute;ria de &iacute;ndole privada, teve como consequ&ecirc;ncia, entre muitas outras, o de ter provocado uma ruptura dos servi&ccedil;os t&eacute;cnicos em muitos munic&iacute;pios, que na altura dos PDM de primeira gera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estavam ainda suficientemente preparados para dar resposta a esta s&uacute;bita press&atilde;o. Este fen&oacute;meno teve maior visibilidade em munic&iacute;pios onde o crescimento urbano foi mais acentuado, o que se reflectiu tamb&eacute;m, necessariamente, nas respectivas redes rodovi&aacute;rias municipais, que cresceram sem o planeamento necess&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Crescimento urbano recente: (des)regulado?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os gabinetes t&eacute;cnicos municipais andaram, durante os primeiros anos de r&aacute;pido crescimento urbano, a aprovar compulsivamente novas expans&otilde;es urbanas, sem contudo existir uma capacidade para planeamento a um n&iacute;vel inferior &agrave;s directivas dos PDM, isto &eacute;, a uma escala maior, mais pormenorizada. Este acontecimento de r&aacute;pido crescimento urbano levou a que, na generalidade dos casos, as solu&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas apresentadas pelos pr&oacute;prios promotores fossem consideradas como solu&ccedil;&atilde;o para o crescimento das zonas urbanas, muitas vezes possuindo desenho urbano deficiente e preocupa&ccedil;&otilde;es economicistas dominantes. Ressalvando que n&atilde;o se pode generalizar este fen&oacute;meno, considera-se contudo que, num n&uacute;mero consider&aacute;vel de munic&iacute;pios, esta pr&aacute;tica foi corrente durante largos anos.</p>     <p>Com uma estrat&eacute;gia de crescimento caracterizada, em muitos casos, por ser pouco sustent&aacute;vel, os munic&iacute;pios na sua grande maioria ambicionaram tornar-se cada vez mais competitivos, aprovando projectos ambiciosos e promovendo o sector habitacional e industrial. Para isso criaram espa&ccedil;os que, muitas vezes, n&atilde;o previam acessibilidades adequadas &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es a&iacute; instaladas, como dimensionamento e localiza&ccedil;&atilde;o correctas. Por sua vez, muitos equipamentos colectivos foram frequentemente implantados em terrenos longe da popula&ccedil;&atilde;o que alegadamente pretenderiam servir, obrigando por isso a desloca&ccedil;&otilde;es constantes, muitas delas em ve&iacute;culos motorizados. Esta situa&ccedil;&atilde;o deve-se em parte a uma pol&iacute;tica errada de gest&atilde;o dos solos: muitos terrenos com boas localiza&ccedil;&otilde;es e oferecendo melhores condi&ccedil;&otilde;es de edificabilidade foram alvo de processos urban&iacute;sticos destinados a habita&ccedil;&atilde;o ou a grandes unidades comerciais, pois ofereciam melhor rentabilidade.</p>     <p>As respostas &agrave;s necessidades das popula&ccedil;&otilde;es e a instala&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias infra-estruturas inerentes eram concedidas mediante aprova&ccedil;&atilde;o e posterior constru&ccedil;&atilde;o das mesmas, em opera&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas promovidas por promotores privados. N&atilde;o &eacute; por isso de espantar que, em incont&aacute;veis casos, o actual cen&aacute;rio das nossas cidades e vilas reflicta a car&ecirc;ncia ou descontinuidade de factores que contribuem para a qualidade de vida por parte de quem vive ou visita estes espa&ccedil;os. Por exemplo, na an&aacute;lise de ortofotomapas representando povoa&ccedil;&otilde;es portuguesas, &eacute; f&aacute;cil observar os limites das v&aacute;rias opera&ccedil;&otilde;es de loteamento realizadas em zonas de expans&atilde;o urbana no &uacute;ltimo meio s&eacute;culo, pois o desenho do limite do artigo loteado permite mostrar que, em excessivos casos, existe falta de articula&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias opera&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas. Tal facto condiciona a actua&ccedil;&atilde;o do gestor do territ&oacute;rio, que encontra por isso dificuldade em promover uma continuidade urbana, inclusivamente na infra-estrutura rodovi&aacute;ria dessas opera&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas.</p>     <p>&Eacute; certo que o processo de crescimento, embora r&aacute;pido, n&atilde;o foi feito num &uacute;nico momento, levando a que as opera&ccedil;&otilde;es de loteamento sucessivamente aprovadas e a sua respectiva consolida&ccedil;&atilde;o surgissem desfasadas temporalmente. Este aspecto veio agravar e evidenciar, em geral, a falta de uniformidade e continuidade urban&iacute;stica nessas novas &aacute;reas de expans&atilde;o, incluindo a infra-estrutura rodovi&aacute;ria. Em grande medida, este aspecto acontece pela aus&ecirc;ncia de instrumentos orientadores para o desenvolvimento urbano a um n&iacute;vel inferior aos PDM. Como &eacute; sabido, por princ&iacute;pio os PDM n&atilde;o definem par&acirc;metros como os alinhamentos fora das vias estruturantes previstas nos referidos planos. Existe por isso um conjunto de factores que importa analisar, como a correcta hierarquiza&ccedil;&atilde;o vi&aacute;ria, o estacionamento adequado &agrave; via, a cria&ccedil;&atilde;o de corredores para implementa&ccedil;&atilde;o de pistas cicl&aacute;veis ou de reserva para ac&ccedil;&otilde;es futuras (que devem de ser alvo de estudos e reflex&otilde;es em sede do desenvolvimento de planos ou estudos de hierarquia inferior), os acessos directos a vias estruturantes, etc. (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Registamos por isso nos nossos dias, em muitas cidades e vilas no nosso pa&iacute;s, a exist&ecirc;ncia de uma estrutura vi&aacute;ria pouco coerente, denotando claramente falta de planeamento e hierarquiza&ccedil;&atilde;o incorrecta. Recorre-se frequentemente a impasses rodovi&aacute;rios como solu&ccedil;&atilde;o para distribui&ccedil;&atilde;o e remate de uma malha urbana, existindo vias com perfil vari&aacute;vel, intersec&ccedil;&otilde;es com defici&ecirc;ncias, usos inapropriados e acessibilidades desajustadas &agrave; infra-estrutura. Os &ldquo;espa&ccedil;os canais&rdquo; previstos nos Planos Municipais de Ordenamento do Territ&oacute;rio (PMOT) foram sempre vistos como um fen&oacute;meno que punha em causa a realiza&ccedil;&atilde;o e qualidade da obra particular. Poder-se-ia afirmar que, para a maioria dos promotores, a ced&ecirc;ncia para infra-estruturas rodovi&aacute;rias prevista na legisla&ccedil;&atilde;o existente deveria ser a mais reduzida poss&iacute;vel, pois &eacute; costume alegarem que a &aacute;rea sobrante nunca &eacute; suficiente para o desenvolvimento do empreendimento; quanto mais constru&ccedil;&atilde;o e menos infra-estruturas tiverem que colocar nos terrenos, maior o lucro da&iacute; obtido. Embora existam &aacute;reas m&iacute;nimas de ced&ecirc;ncia para espa&ccedil;os verdes e equipamentos, a verdade &eacute; que em muitos munic&iacute;pios se utilizou o expediente de substituir a ced&ecirc;ncia em g&eacute;nero pela ced&ecirc;ncia em numer&aacute;rio; noutros casos contabilizou-se a &aacute;rea de ced&ecirc;ncia para arruamentos como &aacute;rea englobada na parcela a ceder para equipamento. Cabe por isso aos munic&iacute;pios gerir este conflito de interesses.</p>     <p>Actualmente, ap&oacute;s mais de 30 anos de crescimento entr&oacute;pico, podemos verificar que as nossas vilas e cidades possuem problemas ao n&iacute;vel da circula&ccedil;&atilde;o autom&oacute;vel, nos transportes colectivos, no estacionamento, e na mobilidade dos pe&otilde;es, muito embora mais recentemente este fen&oacute;meno se tenha vindo a atenuar. Os modos suaves de locomo&ccedil;&atilde;o, como as pistas cicl&aacute;veis, representam grandes desafios t&eacute;cnicos, devido &agrave; inexist&ecirc;ncia de espa&ccedil;o com medidas m&iacute;nimas exig&iacute;veis para a sua implementa&ccedil;&atilde;o; em muitos casos, n&atilde;o existe tamb&eacute;m continuidade do seu trajecto, pondo em causa a seguran&ccedil;a de quem utiliza aquele equipamento. O espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; hoje escasso para as necessidades, existindo uma enorme press&atilde;o para o seu uso; relativamente ao espa&ccedil;o p&uacute;blico n&atilde;o rodovi&aacute;rio, os estacionamentos, os espa&ccedil;os ajardinados, os v&aacute;rios equipamentos existentes ou mesmo uma simples caldeira de &aacute;rvore s&atilde;o obst&aacute;culos para a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es para uma correcta circula&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Um territ&oacute;rio (ainda) por planear</b></p>     <p>Todos os munic&iacute;pios portugueses possuem (ou deveriam possuir) PDM eficazes, onde est&atilde;o representadas &ndash; pelo menos no campo te&oacute;rico &ndash; estrat&eacute;gias de desenvolvimento e mecanismos de planeamento. A verdade, por&eacute;m, &eacute; que na pr&aacute;tica, e ap&oacute;s 30 anos da implementa&ccedil;&atilde;o desses planos, foram poucos os planos de hierarquia inferior (planos de urbaniza&ccedil;&atilde;o e planos de pormenor) elaborados, aprovados e implementados. Tal deveu-se, em parte, pelas seguintes raz&otilde;es:</p> <ul>     <li>Exist&ecirc;ncia de insufici&ecirc;ncias t&eacute;cnicas que possibilitem a sua correcta elabora&ccedil;&atilde;o;</li>     <li>Inexist&ecirc;ncia de vontade pol&iacute;tica ou aus&ecirc;ncia de maiorias qualificadas nos elencos municipais que permitam a sua aprova&ccedil;&atilde;o;</li>     <li>A aprova&ccedil;&atilde;o de um determinado plano num ciclo pol&iacute;tico pode levar a que, no ciclo pol&iacute;tico seguinte, o novo executivo eleito n&atilde;o se reveja na estrat&eacute;gia desse plano, pondo em causa a sua aprova&ccedil;&atilde;o (em muitos casos estes planos s&atilde;o simplesmente considerados assuntos n&atilde;o priorit&aacute;rios);</li>     <li>Incapacidade de gest&atilde;o dos interesses pr&oacute;prios dos promotores por parte dos munic&iacute;pios, algo agravado ainda mais pelo facto de existir um n&uacute;mero elevado de propriet&aacute;rios;</li>     <li>Inadequa&ccedil;&atilde;o dos PDM aos planos de hierarquia superior;</li>     <li>Frequente altera&ccedil;&atilde;o das leis habilitantes ou introdu&ccedil;&atilde;o de novos requisitos t&eacute;cnicos por parte do poder central.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Constata-se assim que a maior parte dos planos de urbaniza&ccedil;&atilde;o e dos planos de pormenor foram sendo desenvolvidos pelos pr&oacute;prios promotores, situa&ccedil;&atilde;o ali&aacute;s prevista na lei. Estes instrumentos de planeamento de hierarquia inferior t&ecirc;m a virtude de ordenar e planear o territ&oacute;rio a uma escala com maior grau de pormenor, extravasando inclusivamente os per&iacute;metros definidos desses planos: reflectindo e materializando solu&ccedil;&otilde;es sobre a estrutura vi&aacute;ria, definindo uma clara hierarquia e funcionalidade das vias, e tornando a estrutura vi&aacute;ria coerente, eficaz e adequada ao crescimento previsto.</p>     <p>O crescimento urbano do territ&oacute;rio previsto nos PDM foi materializado na sua maioria atrav&eacute;s de opera&ccedil;&otilde;es de loteamento ou pelo simples licenciamento, conforme mostram os planos de execu&ccedil;&atilde;o. Importa por isso, longe da press&atilde;o processual no interior dos servi&ccedil;os t&eacute;cnicos municipais, reflectir e criar instrumentos de gest&atilde;o ao n&iacute;vel das infra-estruturas rodovi&aacute;rias e espa&ccedil;o p&uacute;blico, que possam vir a ser eficazes na consolida&ccedil;&atilde;o e futura expans&atilde;o das nossas cidades e vilas, visando tamb&eacute;m uma melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de circula&ccedil;&atilde;o de pessoas e ve&iacute;culos. S&atilde;o v&aacute;rios os problemas da inexist&ecirc;ncia de planeamento ao n&iacute;vel da estrutura vi&aacute;ria e espa&ccedil;o p&uacute;blico:</p> <ul>     <li>Aprova&ccedil;&atilde;o casu&iacute;stica de loteamentos (e mesmo de planos de pormenor);</li>     <li>Aprova&ccedil;&atilde;o de estruturas vi&aacute;rias tendo como condicionante principal o desenho do artigo a lotear;</li>     <li>Descontinuidade do perfil das vias de circula&ccedil;&atilde;o;</li>     <li>Inflex&otilde;es desconformes nas vias, provocadas pelo desenho dos artigos ou por ajustes entre os v&aacute;rios loteamentos;</li>     <li>Comprometimento de futuros projectos de expans&atilde;o, devido &agrave; aus&ecirc;ncia de "espa&ccedil;os canal" previamente programados.</li>     </ul>     <p>Torna-se ainda necess&aacute;rio referir que a participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os em quest&otilde;es p&uacute;blicas em Portugal n&atilde;o se tem revelado nos &uacute;ltimos anos um instrumento auxiliar eficaz de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e de interven&ccedil;&atilde;o para com os problemas comuns na sociedade, e neste caso concreto no que respeita ao crescimento do territ&oacute;rio. Isso &eacute; agravado ainda pelo facto do crescimento urbano assentar na sua maioria em aprova&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas de opera&ccedil;&otilde;es de loteamento que dispensam discuss&atilde;o p&uacute;blica ou participa&ccedil;&atilde;o directa dos cidad&atilde;os, os quais desconhecem por isso o andamento dos processos ou sentem-se impotentes perante factos que se apresentam quase como se fossem consumados.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>5. A qualidade do espa&ccedil;o p&uacute;blico no planeamento</b></p>     <p>A import&acirc;ncia de um bom ordenamento do territ&oacute;rio traduz-se directamente na qualidade do espa&ccedil;o p&uacute;blico e no desenho urbano em geral. As preocupa&ccedil;&otilde;es de desenho das vias (rodovi&aacute;rias, cicl&aacute;veis ou pedonais), assim como a localiza&ccedil;&atilde;o dos equipamentos, t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o directa com a qualidade de vida e a seguran&ccedil;a dos pe&otilde;es e automobilistas.</p>     <p>Durante as d&eacute;cadas de 1980 e 1990, per&iacute;odo de grande crescimento urban&iacute;stico, a maioria dos projectos de urbaniza&ccedil;&atilde;o geralmente n&atilde;o contemplava preocupa&ccedil;&otilde;es como a correcta implanta&ccedil;&atilde;o das travessias pedonais, estacionamento adequado ao desempenho das vias, ou localiza&ccedil;&atilde;o de contentores de reciclagem e saneamento. Problemas que acabaram por ser herdados pelos munic&iacute;pios, quando estes tomaram posse da gest&atilde;o desses espa&ccedil;os p&uacute;blicos. Algo que ainda hoje se procura resolver, existindo consequentemente uma perda de qualidade nas solu&ccedil;&otilde;es encontradas, da qualidade do espa&ccedil;o p&uacute;blico e elevados custos para a implementa&ccedil;&atilde;o dessas solu&ccedil;&otilde;es de recurso.</p>     <p>O t&atilde;o ambicionado crescimento e desenvolvimento por parte dos munic&iacute;pios portugueses nestas &uacute;ltimas d&eacute;cadas teve um elevado pre&ccedil;o na gest&atilde;o, manuten&ccedil;&atilde;o e sustentabilidade ambiental do territ&oacute;rio, dif&iacute;cil de contabilizar. Por raz&otilde;es estrat&eacute;gicas, a grande maioria dos PDM estabeleceram &aacute;reas urbanas e urbaniz&aacute;veis em muito maior &aacute;rea do que at&eacute; ent&atilde;o existia. Nos dias de hoje, podemos concluir que o crescimento ou expans&atilde;o urbana traduziu-se num aumento significativo de novas vias rodovi&aacute;rias, que na sua quase totalidade representam novas responsabilidades e encargos financeiros para os munic&iacute;pios, verificando-se como consequ&ecirc;ncia directa um aumento nas desloca&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias por parte dos respectivos mun&iacute;cipes. Por isso mesmo, quando se pretende planear uma rede vi&aacute;ria de um dado munic&iacute;pio, &eacute; indispens&aacute;vel determinar os p&oacute;los de atractividade das &aacute;reas em estudo, analisando quais os melhores, mais eficazes e mais c&oacute;modos acessos a estes a partir dos diversos pontos do conglomerado urbano e envolvente pr&oacute;xima.</p>     <p>O correcto planeamento das redes vi&aacute;rias municipais, nomeadamente ao n&iacute;vel da hierarquiza&ccedil;&atilde;o da sua estrutura vi&aacute;ria, permite tamb&eacute;m uma articula&ccedil;&atilde;o com os munic&iacute;pios vizinhos numa l&oacute;gica de ordenamento territorial a uma escala mais vasta, melhorando a fluidez e performance dos volumes de tr&aacute;fego, tornando assim mais competitivos os investimentos locais ou regionais. A hierarquiza&ccedil;&atilde;o da estrutura vi&aacute;ria, quando bem articulada, permite racionalizar os pr&oacute;prios investimentos na rede, assegurando melhores condi&ccedil;&otilde;es de mobilidade, acessibilidade e seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, al&eacute;m de ajustar a fun&ccedil;&atilde;o da via ao uso directo ou indirecto por parte dos seus utilizadores (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Referindo-nos mais concretamente &agrave; parte da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, o facto dos projectos de sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito serem elaborados em paralelo com as especialidades de um projecto de urbaniza&ccedil;&atilde;o e implementados na fase final do processo de obra, tal n&atilde;o deveria dispensar que houvesse uma aten&ccedil;&atilde;o especial dada a esta &aacute;rea por parte dos t&eacute;cnicos municipais. Importa por isso que os projectos de sinaliza&ccedil;&atilde;o elaborados por ac&ccedil;&atilde;o dos promotores (t&eacute;cnicos exteriores do munic&iacute;pio) se adaptem ao contexto municipal, devendo ser utilizados os mesmos crit&eacute;rios que os implementados no resto do munic&iacute;pio. A falta de uniformidade dos crit&eacute;rios traduz-se concomitantemente numa perda de qualidade nos par&acirc;metros da sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito. Sempre que poss&iacute;vel, deveriam ser criadas metodologias internas que promovessem a emiss&atilde;o de pareceres t&eacute;cnicos relativamente aos processos de loteamento, a serem elaborados por t&eacute;cnicos da &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria para que assim se salvaguarde a correcta elabora&ccedil;&atilde;o dos projectos e eficaz acompanhamento na sua implementa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. &Acirc;mbito do inqu&eacute;rito aos munic&iacute;pios portugueses</b></p>     <p>No &acirc;mbito do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o <i>Melhores Meios, Mais Seguran&ccedil;a nas Estradas da Responsabilidade Municipal</i>, realizou-se um extenso inqu&eacute;rito efectuado a todos os 278 munic&iacute;pios de Portugal continental<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>. Este inqu&eacute;rito pretendeu fazer um exaustivo levantamento e posterior avalia&ccedil;&atilde;o, a n&iacute;vel nacional, dos meios t&eacute;cnicos, humanos e financeiros disponibilizados pelos munic&iacute;pios para a &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, sabendo-se de antem&atilde;o que existe uma realidade t&eacute;cnica e financeira d&iacute;spar entre os diversos munic&iacute;pios. No entanto, quer se trate de um munic&iacute;pio com or&ccedil;amento elevado ou reduzido, a responsabilidade das autarquias nesta &aacute;rea &eacute; id&ecirc;ntica. O inqu&eacute;rito tem tamb&eacute;m como objectivo obter o envolvimento do respons&aacute;vel pol&iacute;tico por esta &aacute;rea, sabendo-se que compete a este a procura de melhores meios para o eficaz desenvolvimento e cumprimento das suas obriga&ccedil;&otilde;es (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A disparidade de meios, a dimens&atilde;o vari&aacute;vel da rede vi&aacute;ria sobre a sua responsabilidade e a sua complexidade, entre outros factores, tornam a abordagem a esta mat&eacute;ria delicada. No entanto, esta an&aacute;lise afigura-se fundamental para perceber a realidade dos meios envolvidos nesta problem&aacute;tica, com intuito de lan&ccedil;ar fundamentos que permitam resolver, desde a sua base, os problemas da sinistralidade em Portugal nas vias sob jurisdi&ccedil;&atilde;o municipal, as quais representam a maior percentagem de vias na rede rodovi&aacute;ria nacional.</p>     <p>&Eacute; imprescind&iacute;vel o desenvolvimento deste tipo de documentos, que visam n&atilde;o apenas criticar sem consequ&ecirc;ncias posteriores, mas antes contribuir para uma melhoria do combate &agrave; sinistralidade nas nossas estradas. O projecto <i>Melhores Meios, Mais Seguran&ccedil;a nas Estradas da Responsabilidade Municipal</i> teve por isso como primeira fase a elabora&ccedil;&atilde;o do mencionado inqu&eacute;rito a n&iacute;vel nacional (Portugal continental), tendo-se estabelecido como objectivos espec&iacute;ficos analisar:</p> <ul>     <li>Os recursos cabimentados pelas autarquias para a &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria;</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>A caracteriza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio;</li>     <li>A caracteriza&ccedil;&atilde;o do decisor t&eacute;cnico e pol&iacute;tico;</li>     <li>A caracteriza&ccedil;&atilde;o da estrutura interna da autarquia e respectivas metodologias;</li>     <li>A avalia&ccedil;&atilde;o de recursos humanos / forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos t&eacute;cnicos / ac&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o / etc.;</li>     <li>A aferi&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, campanhas e projectos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria.</li>     </ul>     <p>O question&aacute;rio directo (primeiramente atrav&eacute;s da <i>internet</i>, tendo sido posteriormente contactados por telefone os munic&iacute;pios que n&atilde;o responderam, sendo-lhes postas exactamente as mesmas quest&otilde;es numa atitude neutra por parte do inquiridor) foi o m&eacute;todo adoptado para a recolha de informa&ccedil;&atilde;o. Constituindo-se como uma fonte prim&aacute;ria por excel&ecirc;ncia para o desenvolvimento parcial do projecto, este inqu&eacute;rito consistiu na recolha sistem&aacute;tica de dados mediante um conjunto de 60 quest&otilde;es colocadas aos munic&iacute;pios. Na base para a elabora&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio estiveram os seguintes princ&iacute;pios: de imparcialidade, libertando o inquirido de ju&iacute;zos de valor ou preconceitos por parte do inquiridor; de coer&ecirc;ncia, procurando que as respostas sejam coerentes com a inten&ccedil;&atilde;o da pergunta; e de clareza, sendo colocadas quest&otilde;es claras, concisas e un&iacute;vocas. O conte&uacute;do do inqu&eacute;rito foi subdividido em sete grupos de quest&otilde;es, a saber: Caracteriza&ccedil;&atilde;o do concelho; Decisor; Estrutura interna; Instrumentos de gest&atilde;o/planeamento; Comunica&ccedil;&atilde;o externa; Comunica&ccedil;&atilde;o interna; Meios financeiros afectos &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria ou similar.</p>     <p>Os dados obtidos no &acirc;mbito do inqu&eacute;rito foram apresentados sob a forma de tabelas, gr&aacute;ficos e mapas. O estudo recorreu tamb&eacute;m a t&eacute;cnicas de geoprocessamento &ndash; Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o Geogr&aacute;fica (SIG) &ndash;, que permitiu incorporar num mesmo sistema o processo de recolha, armazenamento, gest&atilde;o, an&aacute;lise e visualiza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es recolhidas, distribuindo-as geograficamente. Para uma aprecia&ccedil;&atilde;o qualitativa do desempenho dos munic&iacute;pios como parte integrante de uma estrat&eacute;gia de mitiga&ccedil;&atilde;o dos riscos da sinistralidade nas estradas de responsabilidade municipal, foram definidas como vari&aacute;veis mais relevantes: Atribui&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia espec&iacute;fica; Organiza&ccedil;&atilde;o da estrutura interna; Apoio de consultor ou assessor t&eacute;cnico; Forma&ccedil;&atilde;o da chefia; Descentraliza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias nas freguesias; Coordena&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica das equipas no terreno; Meios ao dispor; Cadastro da sinaliza&ccedil;&atilde;o; Regulamento de tr&acirc;nsito; Plano Municipal de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria; Registo dos pontos negros de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria; Projectos, planos e estudos desenvolvidos; Presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os por empresas externas para a elabora&ccedil;&atilde;o de projectos; Equipamentos espec&iacute;ficos de medi&ccedil;&atilde;o e controlo de tr&aacute;fego e da infra-estrutura rodovi&aacute;ria; Softwares espec&iacute;ficos; Cartografia; Arquivo de propostas; Acompanhamento processual; Aprova&ccedil;&atilde;o de propostas; Comiss&atilde;o Municipal de Tr&acirc;nsito; Parcerias com entidades externas; Comunica&ccedil;&atilde;o das novas propostas de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria; Divulga&ccedil;&atilde;o de projectos e ac&ccedil;&otilde;es; Possibilidade de reclama&ccedil;&atilde;o ou pedidos v&aacute;rios em local pr&oacute;prio; Promo&ccedil;&atilde;o de semin&aacute;rios ou ac&ccedil;&otilde;es; Comemora&ccedil;&atilde;o da Semana/Dia Europeu Sem Carros; Projectos ou ac&ccedil;&otilde;es realizadas; Candidaturas a financiamentos para projectos ou/e ac&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Desta forma, criou-se uma escala de classifica&ccedil;&atilde;o para medir a atitude dos munic&iacute;pios perante as quest&otilde;es relativas &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>. Foram seleccionadas as quest&otilde;es entendidas como mais relevantes, e a cada item foi associado um determinado valor, que possibilitaria assim efectuar uma an&aacute;lise comparativa entre os diversos munic&iacute;pios. Esta an&aacute;lise permite avaliar at&eacute; que ponto s&atilde;o tomadas medidas suficientes pelos munic&iacute;pios para que, dentro das suas compet&ecirc;ncias, os respectivos servi&ccedil;os e ac&ccedil;&otilde;es tomadas concorram para a preven&ccedil;&atilde;o da sinistralidade e consequente limita&ccedil;&atilde;o dos danos, ou seja, para uma crescente seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nas estradas sob a sua responsabilidade. A classifica&ccedil;&atilde;o do desempenho dos munic&iacute;pios no que respeita &agrave; preven&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o dos riscos de sinistralidade rodovi&aacute;ria teve em conta o estabelecimento de categorias para cada munic&iacute;pio de acordo com a sua popula&ccedil;&atilde;o, possibilitando hierarquizar os resultados.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>7. Alguns factos mais relevantes patentes no inqu&eacute;rito</b></p>     <p>No que concerne &agrave; medi&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de quil&oacute;metros de vias sob responsabilidade dos munic&iacute;pios, registou-se uma dificuldade sentida por parte de 18 munic&iacute;pios em registar a quilometragem, por falta de meios t&eacute;cnicos e/ou humanos; considera-se grave esta situa&ccedil;&atilde;o de desconhecimento t&eacute;cnico do n&uacute;mero de quil&oacute;metros de vias sob a responsabilidade dos munic&iacute;pios, visto serem os munic&iacute;pios a &uacute;nica entidade que gere essa rede vi&aacute;ria (<a href="#f5">Figura 5</a>). Em rela&ccedil;&atilde;o aos valores apresentados, existe uma clara rela&ccedil;&atilde;o entre a densidade populacional e o n&uacute;mero de vias sob responsabilidade municipal. Outro factor importante a registar &eacute; o tipo de ocupa&ccedil;&atilde;o existente em Portugal continental, sendo que os concelhos com maior n&uacute;mero de quil&oacute;metros de vias municipais concentram-se na faixa litoral (Sintra afirma-se como o concelho com o maior n&uacute;mero de quil&oacute;metros de vias do pa&iacute;s, facto justificado por se tratar de um concelho com uma forte componente urbana).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Verifica-se que o pelouro com compet&ecirc;ncias na &aacute;rea do tr&acirc;nsito e seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria em 35% dos munic&iacute;pios &eacute; assumido por vereadores, e em cerca de 22% e 21% pelo presidente ou vice-presidente (1.&ordm; vereador eleito) de c&acirc;mara, respectivamente. Em cerca de 54% dos munic&iacute;pios as compet&ecirc;ncias em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria est&atilde;o integradas em pelouro pr&oacute;prio, contra cerca de 33% que integra essas compet&ecirc;ncias noutras &aacute;reas (<a href="#f6">Figura 6</a>); quase metade dos munic&iacute;pios n&atilde;o tem na sua org&acirc;nica uma estrutura pr&oacute;pria para tratar das quest&otilde;es associadas &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria. Por&eacute;m, o que de alguma forma preocupa na informa&ccedil;&atilde;o recolhida &eacute; o desconhecimento, em muitos munic&iacute;pios, de quem &eacute; o respons&aacute;vel pol&iacute;tico nesta mat&eacute;ria, parecendo por vezes ser um n&atilde;o-assunto dentro da estrutura municipal.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi poss&iacute;vel aferir que apenas 26 munic&iacute;pios recorrem ao apoio t&eacute;cnico de um assessor ou consultor na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria (<a href="#f7">Figura 7</a>). Este factor reveste-se de especial import&acirc;ncia sobre o qual importa reflectir: como &eacute; sabido, existe uma grande dificuldade em constituir dentro das estruturas municipais grupos de trabalho com habilita&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias para o desempenho de fun&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, podendo-se alegar para tal a falta de meios financeiros ou mesmo a dificuldade em recrutar t&eacute;cnicos qualificados com conhecimento para trabalhar nestas mat&eacute;rias no interior dos munic&iacute;pios.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na sec&ccedil;&atilde;o da estrutura municipal onde se insere a seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, existem profissionais formados em diversas &aacute;reas, com destaque para os engenheiros em cerca de 70% dos munic&iacute;pios, os arquitectos em 8,6%, os urbanistas em 2,16%, e os ge&oacute;grafos em 1,08%. Em cerca de 9% dos munic&iacute;pios a chefia &eacute; assegurada por t&eacute;cnicos com outra forma&ccedil;&atilde;o ou, em alguns casos, sem qualquer forma&ccedil;&atilde;o superior ou espec&iacute;fica. A &aacute;rea da engenharia tem por base um conhecimento que, &agrave; partida, poder&aacute; trazer uma mais-valia clara para o desempenho das fun&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o e planeamento, visto que &eacute; sabido que n&atilde;o existe uma forma&ccedil;&atilde;o de primeiro grau acad&eacute;mico espec&iacute;fico nesta mat&eacute;ria. Constata-se tamb&eacute;m que a maioria das chefias directas da estrutura, cerca de 86%, n&atilde;o possui qualquer forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica complementar; as chefias com p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es e mestrados representam uma percentagem residual de 8,63% e 3,24%, respectivamente. No que respeita a cursos de forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, cerca de 34% dos munic&iacute;pios possibilitaram a frequ&ecirc;ncia de cursos de forma&ccedil;&atilde;o por parte dos t&eacute;cnicos da estrutura, sendo sabido que n&atilde;o existem ofertas de cursos ou ac&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o em n&uacute;mero suficiente e uniformemente distribu&iacute;das pelo pa&iacute;s (<a href="#f8">Figura 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que respeita aos meios ao dispor da estrutura com compet&ecirc;ncias na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, aferiu-se que em cerca de 42% dos munic&iacute;pios a sala &eacute; partilhada com outros servi&ccedil;os, existindo apenas 26% de munic&iacute;pios cuja estrutura tem uma sala pr&oacute;pria. No que respeita aos meios ao dispor da estrutura com compet&ecirc;ncias na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, aferiu-se que em cerca de 36% dos munic&iacute;pios a estrutura tem viatura pr&oacute;pria; cerca de 62,59% dos munic&iacute;pios n&atilde;o possuem viatura dedicada a este servi&ccedil;o (talvez por isso, somente em cerca de 37,4% dos munic&iacute;pios existem fiscais).</p>     <p>No que respeita ao cadastro da sinaliza&ccedil;&atilde;o, pela an&aacute;lise dos dados verifica-se que cerca de 62% dos munic&iacute;pios n&atilde;o disp&otilde;em de um arquivo ou registo da sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito (<a href="#f9">Figura 9</a>); de referir que o cadastro de sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito &eacute; obrigat&oacute;rio por lei. Relativamente &agrave;s posturas municipais ou regulamentos de circula&ccedil;&atilde;o e tr&acirc;nsito, verifica-se que apenas 39% dos munic&iacute;pios disp&otilde;e desse instrumento de gest&atilde;o. Constata-se que apenas 24 munic&iacute;pios (cerca de 9%) disp&otilde;em de Plano Municipal de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> (<a href="#f10">Figura 10</a>). No que respeita ao levantamento e registo dos pontos negros relativos &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, verifica-se que a percentagem de munic&iacute;pios com essa preocupa&ccedil;&atilde;o e rotina &eacute; muito baixa, sendo que a sul do Tejo a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais not&oacute;ria (<a href="#f11">Figura 11</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f9">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f9.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f10">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f10.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f11">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f11.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tendo como intervalo temporal os &uacute;ltimos cinco anos (2009-2013), verifica-se que cerca de 2/3 dos munic&iacute;pios n&atilde;o desenvolveu qualquer estudo ou plano na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, ainda que a elabora&ccedil;&atilde;o de projectos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria tenha sido uma preocupa&ccedil;&atilde;o de quase metade dos munic&iacute;pios, estando estes concentrados na faixa litoral sul e oeste, na zona fronteiri&ccedil;a e em torno das capitais de distrito do Alentejo e Beiras. Constata-se que para a elabora&ccedil;&atilde;o dos mesmos &eacute; recorrente a contrata&ccedil;&atilde;o de empresas particulares e externas, representando a realidade em cerca de 46% dos munic&iacute;pios.</p>     <p>Cerca de 70% dos munic&iacute;pios disp&otilde;em de cartografia digital actualizada, mas no que respeita &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de <i>software</i> espec&iacute;fico para a gest&atilde;o de tr&acirc;nsito, apenas quatro munic&iacute;pios disp&otilde;em desta ferramenta espec&iacute;fica<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>, e no que respeita ao controlo e gest&atilde;o de tr&aacute;fego, apenas 10 munic&iacute;pios disp&otilde;em de equipamento espec&iacute;fico para a recolha de informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>. Relativamente ao processo de arquivamento de propostas, verifica-se que cerca de 67% dos munic&iacute;pios ainda n&atilde;o possui um arquivo informatizado da informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A responsabilidade de aprova&ccedil;&atilde;o das propostas de tr&acirc;nsito &eacute; tutelada na sua maioria pelo presidente da c&acirc;mara ou pelo vereador (aproximadamente em partes iguais), existindo um pequeno n&uacute;mero de munic&iacute;pios em que a aprova&ccedil;&atilde;o recai sobre as chefias t&eacute;cnicas, sendo que por vezes as propostas s&atilde;o aprovadas somente em reuni&atilde;o de c&acirc;mara (cerca de 70% dos munic&iacute;pios), Assembleia Municipal ou Comiss&atilde;o Municipal de Tr&acirc;nsito; as propostas de tr&acirc;nsito s&atilde;o aprovadas em sede de reuni&atilde;o da Assembleia Municipal em 35,25% dos casos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apenas 66 munic&iacute;pios (cerca de 24%) t&ecirc;m constitu&iacute;da a Comiss&atilde;o Municipal de Tr&acirc;nsito cujo regular funcionamento permite debater, apresentar e informar, em sede pr&oacute;pria, sobre quest&otilde;es espec&iacute;ficas relacionadas com a seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, sendo uma realidade mais presente no interior sul e regi&atilde;o algarvia (<a href="#f12">Figura 12</a>). Na grande maioria as Comiss&otilde;es Municipais de Tr&acirc;nsito n&atilde;o integram t&eacute;cnicos especialistas na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, j&aacute; que tal tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;rio; a presen&ccedil;a dos t&eacute;cnicos verifica-se em cerca de 20% das Comiss&otilde;es Municipais de Tr&acirc;nsito.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f12">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f12.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente a parcerias com entidades externas, como por exemplo institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, centros de investiga&ccedil;&atilde;o e outras associa&ccedil;&otilde;es, verifica-se que apenas 23% dos munic&iacute;pios t&ecirc;m efectivado essas parcerias. Pode-se ainda observar que apenas 41% dos munic&iacute;pios tem como pr&aacute;tica sistem&aacute;tica informar os agentes que actuam directamente na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, como os agentes da PSP, GNR, bombeiros ou outros agentes, sobre as altera&ccedil;&otilde;es efectuadas, sendo que todas as decis&otilde;es que impliquem a altera&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito ou a aplica&ccedil;&atilde;o de nova sinaliza&ccedil;&atilde;o deveriam ser comunicadas.</p>     <p>Os <i>sites</i> oficiais das c&acirc;maras municipais come&ccedil;aram, nos &uacute;ltimos anos, a dar algum destaque e import&acirc;ncia &agrave; &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria; no entanto, o n&uacute;mero &eacute; ainda pouco relevante, sendo que apenas cerca de 19 % dos munic&iacute;pios o fazem. Nos <i>sites</i> oficiais das c&acirc;maras municipais, &eacute; poss&iacute;vel apresentar uma exposi&ccedil;&atilde;o/reclama&ccedil;&atilde;o para cerca de 63% dos munic&iacute;pios. Observa-se que a din&acirc;mica de realiza&ccedil;&atilde;o de projectos e ac&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria que sejam financiados por entidades externas &eacute; diminuta ou inexistente na maioria dos munic&iacute;pios, na generalidade por falta de recursos financeiros afectos. Finalmente, constata-se que menos de 40% dos munic&iacute;pios aderem &agrave; iniciativa do Dia Europeu Sem Carros, evento que visa sensibilizar a popula&ccedil;&atilde;o em geral para a necessidade de reduzir o tr&aacute;fego rodovi&aacute;rio nos centros urbanos, de modo a aumentar a qualidade de vida e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais optando por alternativas de transporte colectivo, como os transportes p&uacute;blicos, e menos poluentes, como as bicicletas.</p>     <p>Como referido anteriormente, foi estabelecido um crit&eacute;rio para a selec&ccedil;&atilde;o e respectiva pontua&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es do inqu&eacute;rito, com o intuito de classificar o grau de desempenho dos munic&iacute;pios. Neste sentido, e para uma melhor avalia&ccedil;&atilde;o, foram estabelecidas oito categorias de acordo com o n&uacute;mero de habitantes dos munic&iacute;pios: 0-10.000; 10.000-20.000; 20.000-40.000; 40.000-80.000; 80.000-120.000; 120.000-160.000; 160.000-200.000 e &gt;200.000. Com base no quadro de pontua&ccedil;&atilde;o das perguntas, onde se estabelecem os crit&eacute;rios para a classifica&ccedil;&atilde;o dos mesmos, elaborou-se um quadro final de classifica&ccedil;&atilde;o nacional onde se listaram os melhores e piores desempenhos dos munic&iacute;pios de acordo com as categorias em n&uacute;mero de habitantes (<a href="#f13">Figura 13</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f13">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f13.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>8. Principais dedu&ccedil;&otilde;es decorrentes do inqu&eacute;rito</b></p>     <p>As conclus&otilde;es do inqu&eacute;rito &ndash; incorporando-o no contexto da responsabilidade dos munic&iacute;pios e em contraponto com o actual cen&aacute;rio da sinistralidade nacional &ndash; permitem determinar que existe um enorme caminho a percorrer na forma de reduzir os actuais n&uacute;meros da sinistralidade nas nossas estradas, sobretudo nas de responsabilidade municipal. A sinistralidade com v&iacute;timas nessas vias atinge hoje valores elevados no contexto geral das v&iacute;timas nas estradas de Portugal continental. Estes valores devem ser analisados tendo em considera&ccedil;&atilde;o o desempenho dos munic&iacute;pios no combate &agrave; sinistralidade. N&atilde;o podemos desde logo deixar de comentar o facto do total dos munic&iacute;pios analisados n&atilde;o agir de forma uniforme em situa&ccedil;&otilde;es similares, tanto no que se refere a metodologias de actua&ccedil;&atilde;o, como na pr&oacute;pria aplica&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios diplomas em vigor. Vejamos as quest&otilde;es decorrentes da an&aacute;lise aos dados do inqu&eacute;rito:</p> <ul>     <li>Elabora&ccedil;&atilde;o/aprova&ccedil;&atilde;o e arquivo das propostas de sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito ou outras.</li>     </ul> <ol>     <li>Como deve ser aprovada uma proposta de tr&acirc;nsito?</li>     <li>Quem tem compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica para elaborar uma proposta?</li>     </ol> <ul>     <li>Quem pode aprovar uma proposta?</li>     </ul> <ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Devem as propostas serem aprovadas em acto p&uacute;blico?</li>     <li>&Eacute; obrigado o munic&iacute;pio informar os v&aacute;rios agentes envolvidos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria sobre as decis&otilde;es tomadas por si?</li>     <li>Devem os munic&iacute;pios ser periodicamente obrigados a elaborar auditorias &agrave;s infra-estruturas ou aos projectos elaborados?</li>     </ol> <ul>     <li>Comiss&atilde;o Municipal de Tr&acirc;nsito</li>     </ul> <ol>     <li>A constitui&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Municipal de Tr&acirc;nsito &eacute; obrigat&oacute;ria?</li>     <li>Qual a periodicidade m&iacute;nima para a realiza&ccedil;&atilde;o das suas reuni&otilde;es?</li>     </ol> <ul>     <li>Regulamentos ou posturas municipais</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul> <ol>     <li>&Eacute; obrigat&oacute;rio a exist&ecirc;ncia de um Regulamento Municipal de Circula&ccedil;&atilde;o e de Estacionamento?</li>     <li>Qual a implica&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o exist&ecirc;ncia de um regulamento eficaz?</li>     </ol> <ul>     <li>Cadastro da sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito</li>     </ul> <ol>     <li>&Eacute; obrigat&oacute;rio a exist&ecirc;ncia do cadastro de sinaliza&ccedil;&atilde;o vertical e horizontal (marcas rodovi&aacute;rias)?</li>     <li>Um sinal de tr&acirc;nsito ou marca rodovi&aacute;ria que n&atilde;o esteja registado num cadastro &eacute; legal?</li>     </ol> <ul>     <li>Plano Municipal de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul> <ol>     <li>O munic&iacute;pio &eacute; obrigado a elaborar e aprovar o Plano Municipal de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria?</li>     <li>Quem acompanha e aprova os planos?</li>     </ol> <ul>     <li>Compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas</li>     </ul> <ol>     <li>&Eacute; obrigat&oacute;ria a exist&ecirc;ncia de um t&eacute;cnico qualificado em cada munic&iacute;pio para elabora&ccedil;&atilde;o de propostas ou emiss&atilde;o de pareceres na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria?</li>     </ol> <ul>     <li>Supervis&atilde;o</li>     </ul> <ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>A entidade que fiscaliza a actua&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria tem meios para o correcto exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o?</li>     <li>&Eacute; obrigado o munic&iacute;pio elaborar medidas para mitigar ou eliminar os pontos negros existentes no concelho?</li>     </ol> <ul>     <li>Devem os munic&iacute;pios elaborar periodicamente auditorias &agrave;s infra-estruturas ou projectos?</li>     </ul>     <p>Importa por isso esclarecer estas quest&otilde;es relativas &agrave;s metodologias aplicadas pelos v&aacute;rios munic&iacute;pios, de forma a existir um tratamento uniforme por parte de todos eles. Pelo que se sugere a elabora&ccedil;&atilde;o de um decreto regulamentar (ou pe&ccedil;a similar com for&ccedil;a de lei) que estabele&ccedil;a as metodologias e procedimentos a aplicar.</p>     <p>A an&aacute;lise do inqu&eacute;rito permitiu verificar tamb&eacute;m que existem quest&otilde;es que dever&atilde;o ser debatidas sem reservas, nomeadamente visando elaborar um &ldquo;livro branco&rdquo; para a seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria de &acirc;mbito municipal, que envolva na sua concretiza&ccedil;&atilde;o o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de agentes que trabalham com estas mat&eacute;rias. Este documento deveria ser um documento oficial publicado pelo governo que serviria de guia para se propor e implementar, a m&eacute;dio prazo, linhas de ac&ccedil;&atilde;o que visem corrigir e uniformizar a actua&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios nesta &aacute;rea.</p>     <p>Foi poss&iacute;vel concluir tamb&eacute;m, pelos n&uacute;meros recolhidos, um n&atilde;o envolvimento dos munic&iacute;pios no des&iacute;gnio da Estrat&eacute;gia Nacional de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria (ENSR); a luta contra as v&iacute;timas da sinistralidade rodovi&aacute;ria em Portugal n&atilde;o conta na sua maioria com a ac&ccedil;&atilde;o programada dos v&aacute;rios munic&iacute;pios. O trabalho desenvolvido por estes visa apenas a gest&atilde;o da sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito, a programa&ccedil;&atilde;o de novas vias e a sua manuten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se desenvolvendo qualquer ac&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas da sua responsabilidade, como por exemplo:</p> <ul>     <li>Promo&ccedil;&atilde;o e sensibiliza&ccedil;&atilde;o junto das popula&ccedil;&otilde;es de medidas que visem diminuir a sinistralidade;</li>     <li>Actua&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica, ap&oacute;s um acidente, no diagn&oacute;stico da sua causa e aplica&ccedil;&atilde;o de medidas para eliminar futuros acidentes;</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Desenvolvimento de estrat&eacute;gias pr&oacute;prias no combate &agrave; sinistralidade (elabora&ccedil;&atilde;o de um Plano Municipal de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria, por exemplo);</li>     <li>Cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos de gest&atilde;o e planeamento para combater a sinistralidade nas vias em meio urbano;</li>     <li>Dota&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios com quadros t&eacute;cnicos qualificados para dar resposta &agrave;s responsabilidades que lhe foram atribu&iacute;das na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>9. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Muitos dos problemas existentes ao n&iacute;vel da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nas vias rodovi&aacute;rias sob responsabilidade municipal tiveram como origem defici&ecirc;ncias detectadas ao n&iacute;vel do planeamento urbano e ordenamento territorial, especialmente perante a falta de capacidade em lidar com o fen&oacute;meno de r&aacute;pido crescimento urbano das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Se por um lado as autarquias n&atilde;o tiveram, na sua maioria, capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o a esta nova realidade, por outro a intensa press&atilde;o econ&oacute;mica associada &agrave; especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria teve como consequ&ecirc;ncia que em in&uacute;meras cidades o crescimento urbano tivesse sido realizado sobre uma base de planos parcelares de loteamento privado que, em muitos casos, n&atilde;o possu&iacute;am conectividade entre si a uma escala maior, provocando incoer&ecirc;ncias urbanas nomeadamente ao n&iacute;vel das redes de tr&acirc;nsito, entre outras. De facto, existe um hiato na aplica&ccedil;&atilde;o dos PDM ao n&iacute;vel dos planos de hierarquia inferior, tendo como consequ&ecirc;ncia incongru&ecirc;ncias no ordenamento territorial.</p>     <p>Os problemas ao n&iacute;vel das infra-estruturas rodovi&aacute;rias (circula&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego, sinaliza&ccedil;&atilde;o, estacionamento, pedonaliza&ccedil;&atilde;o, transportes p&uacute;blicos ou de modos suaves de locomo&ccedil;&atilde;o, equipamentos colectivos em espa&ccedil;os p&uacute;blicos de circula&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o por isso evidentes nas vilas e cidades do nosso pa&iacute;s, cuja resolu&ccedil;&atilde;o exige solu&ccedil;&otilde;es muitas vezes dispendiosas ou somente de compromisso parcial. E essa aparente incapacidade em encarar estas problem&aacute;ticas como uma prioridade para o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es reflecte-se no pr&oacute;prio alheamento participativo (premeditado ou n&atilde;o) da sociedade civil nos processos de decis&atilde;o.</p>     <p>Todos n&oacute;s temos consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia do papel desenvolvido pelos munic&iacute;pios na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria. A aplica&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o em vigor nas vias sob responsabilidade dos munic&iacute;pios depende exclusivamente dos procedimentos, projectos e ac&ccedil;&otilde;es que estes levam a cabo. No entanto, &eacute; percept&iacute;vel que todo este esfor&ccedil;o n&atilde;o est&aacute; directamente relacionado com os meios financeiros e t&eacute;cnicos que os munic&iacute;pios possuem. A realidade dos munic&iacute;pios em Portugal continental, no que respeita aos meios financeiros e humanos ao servi&ccedil;o da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, &eacute; bastante d&iacute;spar: de facto, existem munic&iacute;pios que se estruturaram internamente ao longo dos &uacute;ltimos anos para dar uma resposta eficaz aos problemas di&aacute;rios que surgem na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria sob compet&ecirc;ncia municipal, a qual tem implica&ccedil;&otilde;es na vida das popula&ccedil;&otilde;es, quer na salvaguarda do pe&atilde;o, quer do automobilista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Actuar preventivamente neste territ&oacute;rio &eacute; um esfor&ccedil;o di&aacute;rio complexo que implica meios espec&iacute;ficos. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a um t&eacute;cnico desempenhar correctamente estas fun&ccedil;&otilde;es sem habilita&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias ou complementares espec&iacute;ficas na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria. A altera&ccedil;&atilde;o gradual do cen&aacute;rio de actua&ccedil;&atilde;o, os diferentes agentes que interagem com as infra-estruturas, e a press&atilde;o constante na gest&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico s&atilde;o alguns aspectos que fazem desta complexa mat&eacute;ria uma disciplina de rigor, que exige coer&ecirc;ncia na actua&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, no quadro das suas obriga&ccedil;&otilde;es, os munic&iacute;pios deveriam enquadrar metas e objectivos nas suas prioridades, os quais teriam que se reflectir necessariamente nos planos e or&ccedil;amentos de cada autarquia, como: encontrar mecanismos financeiros pr&oacute;prios para alcan&ccedil;ar esses des&iacute;gnios; coopera&ccedil;&atilde;o com entidades de ensino superior; aumento da qualifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos agentes que trabalham nesta &aacute;rea; e responsabiliza&ccedil;&atilde;o na actua&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos.</p>     <p>Concluindo, verifica-se que, para existir uma melhoria do actual cen&aacute;rio da sinistralidade rodovi&aacute;ria em Portugal, &eacute; importante conhecermos cada vez melhor as nossas infra-estruturas rodovi&aacute;rias, os meios e procedimentos dos gestores das vias, o estado do parque autom&oacute;vel, o comportamento dos utentes, a efic&aacute;cia da fiscaliza&ccedil;&atilde;o e a adequa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o em vigor. O inqu&eacute;rito concretizado no &acirc;mbito do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o <i>Melhores Meios, Mais Seguran&ccedil;a nas Estradas da Responsabilidade Municipal</i>, foi desenvolvido com base em informa&ccedil;&atilde;o obtida directamente junto dos munic&iacute;pios de Portugal continental atrav&eacute;s da colabora&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos e respons&aacute;veis pol&iacute;ticos municipais, tendo sido realizada uma inventaria&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos meios disponibilizados pelos munic&iacute;pios para a &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria (<a href="#f14">Figura 14</a>). Tal possibilitou que fossem extra&iacute;das conclus&otilde;es pertinentes relativamente &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o dos meios envolvidos e metodologias aplicadas pelos munic&iacute;pios na &aacute;rea da gest&atilde;o das infra-estruturas rodovi&aacute;rias e da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f14">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a12f14.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De facto, foi poss&iacute;vel, pela primeira vez e de modo sistematizado, aferir v&aacute;rias ila&ccedil;&otilde;es que antes apenas se suspeitava existirem: falta de uniformidade dos crit&eacute;rios da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria ao n&iacute;vel municipal, bem como aus&ecirc;ncia de t&eacute;cnicos com conhecimentos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria na maioria dos munic&iacute;pios de Portugal continental, sendo que quase metade destes n&atilde;o tem uma estrutura pr&oacute;pria associada &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria e apenas 1/4 possuem uma Comiss&atilde;o Municipal de Tr&acirc;nsito (e apenas 1/5 das comiss&otilde;es existentes incorporam no seu seio t&eacute;cnicos especialistas na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria); apenas 1/3 dos munic&iacute;pios possibilitaram a frequ&ecirc;ncia de cursos de forma&ccedil;&atilde;o por parte dos seus t&eacute;cnicos ligados &agrave; seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, que por sua vez s&atilde;o maioritariamente da &aacute;rea da engenharia; cerca de 2/3 dos munic&iacute;pios n&atilde;o possui cadastro de sinaliza&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito (desrespeitando desse modo a lei portuguesa), e o mesmo valor &eacute; aplicado aos munic&iacute;pios que n&atilde;o possuem posturas municipais ou regulamentos de circula&ccedil;&atilde;o e tr&acirc;nsito, ou que n&atilde;o desenvolveram estudos ou planos na &aacute;rea da seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, sendo que somente uma &iacute;nfima minoria possui um Plano Municipal de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria.</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel afirmar, tendo em conta os resultados do projecto, que a maioria dos munic&iacute;pios de Portugal continental n&atilde;o possui um adequado envolvimento (quando este existe) na Estrat&eacute;gia Nacional de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria contra as v&iacute;timas da sinistralidade rodovi&aacute;ria. E sem esse forte compromisso, n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel baixar, de modo aceit&aacute;vel, esses n&uacute;meros (ainda) negros associados aos acidentes em vias rodovi&aacute;rias municipais. Este estudo procurou assim contribuir para o desiderato nacional como fazer mais e melhor em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria nas estradas sob jurisdi&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios portugueses. Pretende-se que o mesmo forne&ccedil;a um conjunto de informa&ccedil;&atilde;o valiosa que possa servir de base para uma profunda reflex&atilde;o na &aacute;rea, potenciando o desenvolvimento de solu&ccedil;&otilde;es inclusivas e agregadoras de todos os munic&iacute;pios portuguesas, com vista a resolver um dos flagelos com que ainda se debate o nosso pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>10. Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ADPA - Associa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento e a Promo&ccedil;&atilde;o da Autonomia. <i>Melhores Meios, Mais Seguran&ccedil;a nas Estradas da Responsabilidade Municipal</i>. Relat&oacute;rio de Projecto de Investiga&ccedil;&atilde;o, Autoridade Nacional de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria / Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna, 2014&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735203&pid=S2182-1267201600010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>BAI&Atilde;O, Mariana Fragoso&nbsp;de Rhodes. <i>Sinistralidade Rodovi&aacute;ria Urbana, Caso de Estudo do Montijo</i>. Tese de Mestrado, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, 2010&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735204&pid=S2182-1267201600010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>CERTU - Centre d'&Eacute;tudes sur les R&eacute;seaux, les Transports, l'Urbanisme et les Constructions Publiques. <i>Recommandations pour les Am&eacute;nagements Cyclables</i>. Lyon: Centre d&rsquo;&Eacute;tudes sur le R&eacute;seaux, les Transports, l&rsquo;Urbanisme et les Constructions Publiques, 2007</p>     <!-- ref --><p>COSTA, Jos&eacute; Lu&iacute;s Cardoso. <i>O Planeamento das Redes Vi&aacute;rias Municipais, Vila Real</i>. Tese de Mestrado, Universidade de Tr&aacute;s-os-Montes e Alto Douro, 2008&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735206&pid=S2182-1267201600010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GREG&Oacute;RIO, Nuno Duarte Ferreira. <i>Sinaliza&ccedil;&atilde;o Rodovi&aacute;ria em Meio Urbano, Lisboa</i>. Tese de Mestrado, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, 2011&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735207&pid=S2182-1267201600010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GOMES, Sandra Cristina Gil Vieira. <i>Medidas Correctivas da Infra-Estrutura para Melhoria da Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria</i>. Tese de Mestrado, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, 2004&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735208&pid=S2182-1267201600010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INSTITUTION OF HIGHWAYS AND TRANSPORTATION / DEPARTMENT OF TRANSPORT. <i>Roads and Traffic in Urban Areas</i>. Londres: HMSO - Her Majesty's Stationery Office, 1987&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735209&pid=S2182-1267201600010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MONDERMAN, Hans, CLARKE, Emma, HAMILTON-BAILLIE, Ben. Shared Space - The Alternative Approach to Calming. <i>Traffic Engineering &amp; Control</i>. 2006, vol.47, n&ordm;8, pp.290-292&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735210&pid=S2182-1267201600010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MCGEE, Hugh W., HUGHES, Warren Edward, DAILY, K.. <i>Effect of Highways Standards on Safety</i>. Washington: Transportation Research Board / National Research Council, 1995&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735211&pid=S2182-1267201600010001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ROQUE, Carlos de Almeida. <i>Manual de Boas Pr&aacute;ticas em Sinaliza&ccedil;&atilde;o Urbana</i>. Lisboa: Preven&ccedil;&atilde;o Rodovi&aacute;ria Portuguesa, 2005&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735212&pid=S2182-1267201600010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>SECO, &Aacute;lvaro Jorge Maia, MACEDO, Joaquim Miguel Gon&ccedil;alves, COSTA, Am&eacute;rico Henrique Pires da. <i>Manual do Planeamento de Acessibilidades e Transportes</i>. Porto: Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional do Norte, 2008&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735213&pid=S2182-1267201600010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> O texto encontra-se redigido pelos autores segundo as normas anteriores ao novo Acordo Ortogr&aacute;fico.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> No que respeita aos dados existentes relativos &agrave; sinistralidade nas estradas, possu&iacute;mos hoje instrumentos de monitoriza&ccedil;&atilde;o eficazes produzidos pela Autoridade Nacional da Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria (ANSR), em concreto atrav&eacute;s do Observat&oacute;rio de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria (OSR). Apresentam-se aqui apenas os valores contidos nos relat&oacute;rios para os anos de 2011 e 2012, anos em que sa&iacute;ram os &uacute;ltimos dados imediatamente anteriores ao in&iacute;cio do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> O projecto de investiga&ccedil;&atilde;o <i>Melhores Meios, Mais Seguran&ccedil;a nas Estradas da Responsabilidade Municipal</i>, financiado pelo Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna sob acompanhamento da Autoridade Nacional de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria no &acirc;mbito do &ldquo;Concurso de Preven&ccedil;&atilde;o e Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;rias 2010&rdquo;, foi desenvolvido pela ADPA - Associa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento e a Promo&ccedil;&atilde;o da Autonomia, em parceria com a Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias. Para melhor complemento da informa&ccedil;&atilde;o do presente texto, o relat&oacute;rio final do projecto poder&aacute; ser consultado na sede da Autoridade Nacional de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> De referir que no universo dos 278 munic&iacute;pios de Portugal continental, apenas quatro n&atilde;o deram o seu contributo para a an&aacute;lise nacional, apesar de repetidamente solicitada a sua participa&ccedil;&atilde;o: s&atilde;o eles Melga&ccedil;o, Penalva do Castelo, Peso da R&eacute;gua e Tarouca. Desta forma, verifica-se que 98,56% dos munic&iacute;pios contribu&iacute;ram activamente para a recolha de dados, sendo que apesar de tudo, os restantes 1,44% n&atilde;o desvirtuaram os objectivos do inqu&eacute;rito.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Conforme referido anteriormente, os par&acirc;metros que permitiram criar uma escala de classifica&ccedil;&atilde;o foram definidos tendo em conta um vasto conjunto de factores, demasiado extensos para serem aqui convenientemente explicitados. Estes par&acirc;metros podem ser consultados no relat&oacute;rio final do projecto.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Condeixa-a-Nova, Mafra, Torres Vedras, Amarante, Bai&atilde;o, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Maia, Matosinhos, Pa&ccedil;os de Ferreira, Penafiel, P&oacute;voa de Varzim, Trofa, Valongo, Vila Nova de Gaia, Barreiro e Set&uacute;bal.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Lisboa, Barreiro, Fund&atilde;o e Porto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Set&uacute;bal, Barreiro, Lisboa, Alcoba&ccedil;a, Coimbra, Porto, Maia, Santo Tirso, Viana do Castelo e Mon&ccedil;&atilde;o.</p>      ]]></body><back>
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