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<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2016.9.013</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uso do solo e infraestrutura viária na relação com as dinâmicas produtivas em assentamentos agroextrativistas no Amapá]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper analyzes aspects of land use and the general conditions of the land road network in relation to the productive dynamics in Agroextractive Settlements Project of Cedro, Bom Jesus dos Fernandes and Governador Janary in the municipality of Tartarugalzinho, center / east of Amapá. The research used documentary data from government agencies such as INCRA, IBAMA and IMAP, data surveys and information in the field and processing of SRTM images and vector files in GIS. Was identified and characterized land use, relief altimetry, hydrography, and the conditions of the road infrastructure. Although there are possibilities for beneficial changes, nowadays, the productive activities practiced in the settlements result from traditional models implemented in the Brazilian Amazon, unsustainable and ineffective to provide improvements in existing infrastructure and quality of life in the settlements.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Amazônia Brasileira]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Social exclusion]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Uso do solo e infraestrutura vi&aacute;ria na rela&ccedil;&atilde;o com as din&acirc;micas produtivas em assentamentos agroextrativistas no Amap&aacute;</b></p>     <p><b>Land use and road infrastructure in relation to the productive dynamics in agro-extractive settlements in Amap&aacute;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Silva, Olavo<sup>1/2</sup>; Cunha, L&uacute;cio<sup>1</sup>; Trindade Jr., Saint-Clair<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras, </i><i>Departamento de Geografia / CEGOT;&nbsp;</i>3004-530, Coimbra, Portugal;&nbsp;<a href="mailto:olavo@unifap.br">olavo@unifap.br</a>;&nbsp;<a href="mailto:luciogeo@ci.uc.pt">luciogeo@ci.uc.pt</a></p>     <p><sup>2</sup>Universidade Federal do Par&aacute;, N&uacute;cleo de Altos Estudos Amaz&ocirc;nicos,;&nbsp;</i>Av. Perimetral, Numero 1 - Guam&aacute;, Bel&eacute;m - PA&nbsp; 68904-386, Macap&aacute;, Brasil;&nbsp;<a href="mailto:stclair@ufpa.br">stclair@ufpa.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este trabalho analisa aspectos de uso do solo e as condi&ccedil;&otilde;es gerais da rede vi&aacute;ria terrestre na rela&ccedil;&atilde;o com as din&aacute;micas produtivas nos Projetos de Assentamentos Agroextrativistas do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary no munic&iacute;pio de Tartarugalzinho, centro/leste do Amap&aacute;. A pesquisa utilizou-se de dados documentais de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos como INCRA, IBAMA e IMAP, levantamentos de dados e informa&ccedil;&otilde;es em campo e processamento de imagens SRTM e arquivos vetoriais em SIG. Identificou-se e caracterizou-se o uso do solo, altimetria do relevo, hidrografia, e as condi&ccedil;&otilde;es da infraestrutura vi&aacute;ria terrestre. Embora existam possibilidades de mudan&ccedil;as ben&eacute;ficas, atualmente, as atividades produtivas praticadas nos assentamentos resultam de modelos implantados na Amaz&ocirc;nia Brasileira de forma tradicional, pouco sustent&aacute;veis e ineficazes para prover melhoria nas infraestruturas existentes e na qualidade de vida nos assentamentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Amaz&ocirc;nia Brasileira. Assentamentos rurais. Estradas. Extrativismo. Exclus&atilde;o social</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper analyzes aspects of land use and the general conditions of the land road network in relation to the productive dynamics in Agroextractive Settlements Project of Cedro, Bom Jesus dos Fernandes and Governador Janary &nbsp;in the municipality of Tartarugalzinho, center / east of Amap&aacute;. The research used documentary data from government agencies such as INCRA, IBAMA and IMAP, data surveys and information in the field and processing of SRTM images and vector files in GIS. Was identified and characterized land use, relief altimetry, hydrography, and the conditions of the road infrastructure. Although there are possibilities for beneficial changes, nowadays, the productive activities practiced in the settlements result from traditional models implemented in the Brazilian Amazon, unsustainable and ineffective to provide improvements in existing infrastructure and quality of life in the settlements.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: Brazilian Amazon. Rural settlements. Roads. Extraction. Social exclusion</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>No que concerne ao meio f&iacute;sico e a estrutura da paisagem, as li&ccedil;&otilde;es do passado e do presente tem apontado que a pol&iacute;tica agr&aacute;ria adotada pelo Estado Brasileiro para Amaz&ocirc;nia deve conter alguns elementos que a diferenciem daquela adotada para outras regi&otilde;es do pa&iacute;s. Por sua extens&atilde;o e pela diversidade dos seus ecossistemas, a Amaz&ocirc;nia necessita de instrumentos de controle ambiental espec&iacute;ficos, que permitam o uso do solo em conson&acirc;ncia com mecanismos que maximizem a sustentabilidade social e ambiental.</p>     <p>Como os demais estados da Amaz&ocirc;nia Brasileira, o Amap&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o da vasta disponibilidade de recursos naturais, possui uma voca&ccedil;&atilde;o natural para atividades produtivas de base rural. Com aproximadamente 71% de seus 143.453,7 km<sup>2</sup> constitu&iacute;dos por &aacute;reas protegidas legalmente, os assentamentos rurais ganham no estado import&acirc;ncia para o aproveitamento dos recursos naturais e para a implanta&ccedil;&atilde;o de atividades produtivas extrativas rurais. Nesse contexto, a extra&ccedil;&atilde;o florestal madeireira e tamb&eacute;m a extra&ccedil;&atilde;o mineral&oacute;gica em escala industrial constituem-se como duas das principais atividades produtivas do estado.</p>     <p>Por for&ccedil;a de mecanismos legais recentes abriu-se a possibilidade para que as atividades extrativistas, madeireira e mineral possam tamb&eacute;m ser desenvolvidas em assentamentos rurais, apesar de pouco se identificarem com as atividades fim priorit&aacute;rias para serem desenvolvidas nessas &aacute;reas. Contudo, &eacute; fato que ambas carregam a id&eacute;ia de um significativo incremento de renda para os trabalhadores nos assentamentos rurais. Ainda assim, pesa negativamente &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o da extra&ccedil;&atilde;o industrial madeireira e mineral&oacute;gica o fato de que tradicionalmente na Amaz&ocirc;nia Brasileira, ambas s&atilde;o realizadas quase sempre em car&aacute;ter economicamente e socialmente pouco sustent&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;Sobre a sustentabildade econ&ocirc;mica de uma atividade produtiva, Castro (1998) lembra que para mant&ecirc;-la, o processo produtivo e a efic&aacute;cia econ&oacute;mica devem obrigatoriamente &ldquo;respeitar os limites e restri&ccedil;&otilde;es do meio ambiente&rdquo;. De igual maneira, uma atividade produtiva para ser sustent&aacute;vel socialmente, deve ser desenvolvida de forma a atender &ldquo;as necessidades b&aacute;sicas da popula&ccedil;&atilde;o em termos materiais, de servi&ccedil;os e conviv&ecirc;ncia&rdquo;. No Amap&aacute;, s&oacute; recentemente algumas medidas como a exig&ecirc;ncia dos planos de manejo, tem procurado mudar o quadro de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e social que tradicionalmente acompanha as atividades da ind&uacute;stria madeireira e mineral&oacute;gica.</p>     <p>O debate sobre a necessidade de repensar o velho modelo produtivo na Amaz&ocirc;nia, baseado na extra&ccedil;&atilde;o de madeira nativa e min&eacute;rio, surgiu em meados da d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo XX. Naquele momento o Estado Brasileiro procurava de todas as formas, cumprir os acordos e compromissos assumidos ap&oacute;s a ECO 92 - Conven&ccedil;&atilde;o sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e Meio Ambiente, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro em 1992 (CORDANI <i>et.al.</i> 1997). Como parte das pol&iacute;ticas federais para mudan&ccedil;a dos modelos de apropria&ccedil;&atilde;o madeireira, foram criados e implantados nos estados Amaz&ocirc;nicos os Projetos de Assentamentos Agro-extrativistas (PAE).</p>     <p>Um dos objetivos da cria&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o dos PAE era conciliar a pol&iacute;tica de reforma agr&aacute;ria com modelos de apropria&ccedil;&atilde;o que conjugassem o aproveitamento das terras cedidas aos assentados com a conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. O uso da floresta pressupunha na l&oacute;gica da cria&ccedil;&atilde;o dos PAE, a conserva&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es gerais de reprodu&ccedil;&atilde;o da floresta e do meio f&iacute;sico que a envolve como um todo sist&ecirc;mico. Uma das medidas tomadas com objetivo de regular a utiliza&ccedil;&atilde;o das florestas em terras p&uacute;blicas e, portanto, tamb&eacute;m nos PAE, foi a institui&ccedil;&atilde;o da Autoriza&ccedil;&atilde;o Pr&eacute;via &agrave; An&aacute;lise T&eacute;cnica de Plano de Manejo Florestal Sustent&aacute;vel (APAT) atrav&eacute;s da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa N&ordm; 4, de 11 de dezembro de 2006 do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (BRASIL,2006) .</p>     <p>Com as APATs os Projetos de Assentamentos Agro-extrativistas puderam ser contemplados com a possibilidade de legaliza&ccedil;&atilde;o e ordenamento da extra&ccedil;&atilde;o madeireira e de outros Produtos Florestais n&atilde;o Madeireiros (PFNM), dentre estes, a castanha da Amaz&ocirc;nia e o a&ccedil;a&iacute;. Do ponto de vista legal, o Plano de Manejo Florestal Sustent&aacute;vel (PMFS) abriu tamb&eacute;m possibilidades para o desenvolvimento de outras atividades produtivas al&eacute;m daquelas relacionadas aos produtos florestais propriamente. Para Soares (2008, p.146) a falta de planejamento adequado dos PAE na Amaz&ocirc;nia acabou por priorizar atividades extrativistas&nbsp; pouco sustent&aacute;veis, a resultar na maioria dos casos em degrada&ccedil;&atilde;o socioambiental.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tradicional modalidade de assentamentos rurais no Brasil &eacute; voltada principalmente para atividades produtivas ligadas &agrave; agropecu&aacute;ria com a finalidade de produ&ccedil;&atilde;o de excedentes e pressup&otilde;e a apropria&ccedil;&atilde;o e uso coletivo do solo rural. Essa modalidade de assentamento rural nunca emplacou completamente na Amaz&ocirc;nia, pois nessa regi&atilde;o do pa&iacute;s, a fixa&ccedil;&atilde;o do homem ao meio rural tende a conjugar uma diversidade de fatores. Dentre os mais relevantes destaca-se a voca&ccedil;&atilde;o quase natural para o desenvolvimento de atividades extrativas ou de coleta, seja pelo modo de vida, herdado dos antepassados, seja pela abund&acirc;ncia e conhecimento intr&iacute;nseco dos recursos florestais. Outro fator que deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o no processo de fixa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es rurais na Amaz&ocirc;nia &eacute; a habitual dispers&atilde;o no territ&oacute;rio, esse fator se configura como uma das bases do processo de territorializa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es rurais na imensid&atilde;o Amaz&ocirc;nica.</p>     <p>No Amap&aacute;, &eacute; fato que desde os prim&oacute;rdios da apropria&ccedil;&atilde;o portuguesa, a rela&ccedil;&atilde;o do ribeirinho ou do homem do interior com os solos e as florestas, sempre conjugou a atividade agropecu&aacute;ria de subsist&ecirc;ncia com o extrativismo, notadamente aquele voltadado para a coleta ou extra&ccedil;&atilde;o de PFNM<b>. </b>Esse tipo de atividade, com fortes alicerces no sul do estado, acabou por levar &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de um processo produtivo com base em Sistemas Agroflorestais (SAF). Esse modelo produtivo foi replicado em grande parte dos assentamentos rurais do estado.</p>     <p>Os SAF, de acordo com Moraes (2011),s&atilde;o sistemas produtivos agropecu&aacute;rios cuja resen&ccedil;a de um componente arb&oacute;reo ou lenhoso tem influ&ecirc;ncia primordial sobre a estrutura e a fun&ccedil;&atilde;o do sistema. Esse sistema produtivo, por priorizar uma rela&ccedil;&atilde;o mais harmoniosa entre o uso produtivo do solo rural e a conserva&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es naturais da biota,&nbsp; tornou-se carro chefe da pol&iacute;tica de desenvolvimento produtivo nos assentamentos rurais na Amaz&ocirc;nia. Os SAF ainda que constituam uma forma de uso do solo mais adequada aos objetivos dos assentamentos rurais, com a implanta&ccedil;&atilde;os das APATs e a forte voca&ccedil;&atilde;o natural do estado para atividades industriais de base extrativa mineral e florestal, passaram a concorrer naquilo que parece ser uma mudan&ccedil;a no processo produtivo no interior de alguns PAE.</p>     <p>A princ&iacute;pio n&atilde;o h&aacute; qualquer contradi&ccedil;&atilde;o entre a minera&ccedil;&atilde;o industrial e a atividade fim dos PAE. Entretanto, a falta de di&aacute;logo entre os agentes envolvidos nesse processo de apropria&ccedil;&atilde;o pode significar o aceite de velhas pr&aacute;ticas de explora&ccedil;&atilde;o com m&aacute;xima retirada dos recursos minerais e reduzida agrega&ccedil;&atilde;o de valor social e econ&oacute;mico, como bem salienta Carvalho (2008, p.46).&nbsp; No caso do Amap&aacute;, essa pr&aacute;tica teve sua express&atilde;o mais significativa com a instala&ccedil;&atilde;o do polo mineral&oacute;gico de Serra do Navio. A explora&ccedil;&atilde;o do min&eacute;rio de mangan&ecirc;s pela Ind&uacute;stria e Comercio de Min&eacute;rios S/A (ICOMI), iniciado em fins da d&eacute;cada de 50 e encerrado no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo XX, tornou-se um cl&aacute;ssico exemplo dos ativos sociais e econ&oacute;micos, quase sempre negativos em longo prazo, que empreendimentos mineral&oacute;gicos deixariam posteriormente na Amaz&ocirc;nia Brasileira e mais especificamente no estado do Amap&aacute;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. Problem&aacute;tica, objetivos e &aacute;rea de estudo</b></p>     <p>Quais os usos preponderantes do solo rural nos assentamentos agroextrativistas do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary no Amap&aacute; e que rela&ccedil;&atilde;o existe entre esses usos, as condi&ccedil;&otilde;es do sistema vi&aacute;rio terrestre e o modo de vida dos assentados? Esse &eacute; um questionamento central para compreender o atual contexto social e econ&oacute;mico em que se encontram essas &aacute;reas de apropria&ccedil;&atilde;o coletiva. O objetivo do trabalho foi identificar os usos preponderantes do solo, as condi&ccedil;&otilde;es do sistema vi&aacute;rio e sua rela&ccedil;&atilde;o com as din&aacute;micas produtivas e condi&ccedil;&otilde;es atuais de vida nos assentamentos. A partir da an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es sociais e econ&oacute;micas que envolvem as atividades produtivas nos SAF e no extrativismo madeireiro e mineral e sua atua&ccedil;&atilde;o na amplia&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o do sistema vi&aacute;rio interno, procurou-se avaliar esse contexto.</p>     <p>&Eacute; fato que o sistema de rodovias n&atilde;o pavimentadas, respons&aacute;vel pela mobilidade e interliga&ccedil;&atilde;o nos assentamentos com o mundo exterior, espelha em boa medida o grau de desenvolvimento social e econ&oacute;mico alcan&ccedil;ado nessas &aacute;reas desde sua cria&ccedil;&atilde;o. Aparentemente h&aacute; uma letargia geral que se revela diante do quadro de precariedade da estrutura vi&aacute;ria. Esse quadro por sua vez demonstra uma condi&ccedil;&atilde;o limitante de grande peso no processo de desenvolvimento socioecon&oacute;mico dos PAE e na melhoria da qualidade de vida dos assentados.</p>     <p>Os assentamentos, Bom Jesus dos Fernandes, Cedro e Governador Janary constituem o conjunto de assentamentos adjacentes com maior &aacute;rea na regi&atilde;o centro/leste do Amap&aacute;. A &aacute;rea total somada dos tr&ecirc;s assentamentos &eacute; de 1035,84 km<sup>2</sup>, sendo 592,22 km<sup>2</sup> do assentamento Cedro, 330,67 km<sup>2</sup> do assentamento Bom Jesus dos Fernandes e 112,95 km<sup>2</sup> do assentamento Governador Janary. Os tr&ecirc;s assentamentos ocupam 15,36 % da &aacute;rea do munic&iacute;pio de Tartarugalzinho que &eacute; de 6742 km<sup>2</sup>. Esse conjunto de assentamentos est&aacute; situado no oeste do munic&iacute;pio de Tartarugalzinho mais ou menos no centro/leste do estado, sendo limitados a leste pela BR 156 e pelas terras da SPG Minera&ccedil;&atilde;o e a norte, oeste e sul pela Floresta Estadual de Produ&ccedil;&atilde;o-FLOTA (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Metodologia</b></p>     <p>Para Santos (1999), as estruturas espacializadas no territ&oacute;rio definem a configura&ccedil;&atilde;o territorial e esta expressa em boa medida as din&aacute;micas sociais e econ&oacute;micas que nele se processam.&nbsp; A organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e as din&aacute;micas que se imprimem na paisagem s&atilde;o produto e processo das for&ccedil;as sociais e sociais naturais atuantes ao longo do tempo. Portanto, a condi&ccedil;&atilde;o estrutural revela em boa medida a din&aacute;mica social impressa ao longo do tempo hist&oacute;rico.</p>     <p>Os sistemas produtivos se configuram como &ldquo;sistemas de a&ccedil;&otilde;es&rdquo; que s&atilde;o ao mesmo tempo causa e efeito da estrutura na paisagem, que se configura como &ldquo;sistema de objetos&rdquo; sociais e sociais-naturais. As condi&ccedil;&otilde;es desses sistemas indissoci&aacute;veis expressa , portanto a din&aacute;mica na paisagem sob a perspectiva da atua&ccedil;&atilde;o dos grupos sociais como delineadores da efic&aacute;cia ou n&atilde;o das din&aacute;micas no processo desenvolvimento regional pret&eacute;rito e&nbsp; presente.</p>     <p>Sob a pespectiva da an&aacute;lise das estruturas no tempo hist&oacute;rico, a pesquisa incluiu visitas t&eacute;cnicas para levantamentos documentais de dados e informa&ccedil;&otilde;es no Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (INCRA), no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA) e Instituto do Meio Ambiente e Ordenamento Territorial do Amap&aacute; (IMAP). Tamb&eacute;m foram realizados trabalhos de campo nos assentamentos para registro de dados e informa&ccedil;&otilde;es relativas a estradas, trilhas, pontes, meio f&iacute;sico em geral e realidade socioecon&oacute;mica. Para percorrer as estradas dos assentamentos foram realizadas previamente algumas entrevistas informais com moradores das vilas do Cedro e Entrerios cujo objetivo foi obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as condi&ccedil;&otilde;es gerais de trafegabilidade das vias terrestres nos assentamentos.</p>     <p>Ap&oacute;s avalia&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es registradas durante as entrevistas foi confeccionado o mapa vi&aacute;rio pr&eacute;vio, para o deslocamento em campo, tamb&eacute;m inserido no aparelho receptor GPS. Dadas as condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o informadas previamente nas entrevistas, optou-se por deslocamentos em ve&iacute;culo tipo passeio de pequenas dimens&otilde;es com a finalidade de possibilitar a passagem nos poss&iacute;veis trechos cr&iacute;ticos de estradas e pontes deterioradas a serem eventualmente percorridas.</p>     <p>Durante os deslocamentos pelas estradas realizaram-se registros de pontos, pol&iacute;gonos e fei&ccedil;&otilde;es lineares utilizando-se aparelho receptor GPS modelo ETREX 20, da marca GARMIM. As medidas de avalia&ccedil;&atilde;o das estradas, trilhas e pontes foram realizadas utilizando-se trena de 30 metros e cones sinalizadores al&eacute;m da percep&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica e registro em caderneta de campo e com m&aacute;quina digital, das condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas de manuten&ccedil;&atilde;o das vias.</p>     <p>Para a classifica&ccedil;&atilde;o do sistema vi&aacute;rio dos assentamentos utiizou-se a metodologia estabelecida no Projeto Geom&eacute;trico de Rodovias Rurais (BRASIL, 1999) e no Manual B&aacute;sico de Estradas e Rodovias Vicinais (S&atilde;o Paulo, 2012). A classifica&ccedil;&atilde;o estabelecida nos dois documentos tem como principal crit&eacute;rio a funcionaliadade das vias (<a href="#f2">Figura 2</a>), mas diferem quanto a crit&eacute;rios como extens&atilde;o e caracter&iacute;sicas geom&eacute;tricas e de fluxos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Sendo a funcionalidade um crit&eacute;rio comum aos dois documentos optou-se pelo seu uso na classifica&ccedil;&atilde;o do sistema vi&aacute;rio que serve aos assentamentos. Por efectuar a conex&atilde;o das vias locais a uma via arterial secund&aacute;ria, as tr&ecirc;s principais vias foram classificadas como vias coletoras.</p>     <p>Os dados e informa&ccedil;&otilde;es obtidos durante as visitas t&eacute;cnicas e trabalho de campo foram tratados estatisticamente com aux&iacute;lio do Software EXCEL e posteriormente inseridos e tratados nos SIG: ARCGIS 9.3 (de c&oacute;digo fonte fechado) e Quantum GIS, vers&atilde;o Lisboa (de c&oacute;digo fonte aberto). A imagem de caracteriza&ccedil;&atilde;o do relevo foi obtida ap&oacute;s confec&ccedil;&atilde;o do mosaico das imagens SRTM fornecidas gentilmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria - EMBRAPA (MIRANDA, 2013). Ap&oacute;s constru&ccedil;&atilde;o, a paleta de cores do mosaico foi redefinida em SIG.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>A capacidade populacional total estimada pelo INCRA para os tr&ecirc;s assentamentos &eacute; de aproximadamente 1250 fam&iacute;lias. Algumas dessas fam&iacute;lias assentadas est&atilde;o distribu&iacute;das ao longo das estradas e rios que cortam os assentamentos, com destaque para o rio Tartarugalgrande e os pequenos rios que formam sua bacia. Entretanto a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; concentrada em cinco agrovilas, sendo quatro no PAE Cedro: Vila do Cedro, Vila Entre Rios, Vila Progresso e Vila do Mutum. No assentamento Bom Jesus dos Fernandes a vila hom&ocirc;nima. Todas as vilas s&atilde;o servidas por uma linha de distribui&ccedil;&atilde;o de energia que quase sempre segue o mesmo percurso das principais rodovias existentes no interior dos assentamentos. As vilas do Cedro e Bom Jesus s&atilde;o as maiores e melhor organizadas, contando com escolas, igrejas, centros comunit&aacute;rios, sistemas de distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.1. Aspectos f&iacute;sicos</b></p>     <p>O relevo que configura os assentamentos &eacute; constitu&iacute;do na por&ccedil;&atilde;o leste pelas colinas do Amap&aacute; com altitudes m&eacute;dias que na &aacute;rea dos assentamentos, variam entre 40 e 107 metros aproximadamente. Esse relevo ondulado de topo bastante aplainado ocorre sobre terrenos terci&aacute;rios formando vales encaixados que constituem uma drenagem abundante.&nbsp; Em pontos mais interiores, sobre a capa flor&iacute;stica de transi&ccedil;&atilde;o entre o cerrado e a floresta latifoliada, as altitudes podem chegar a um pouco mais de 200 metros (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A oeste ocorrem serranias de baixas altitudes que fazem parte do planalto dissecado do norte do Amap&aacute;, essas forma&ccedil;&otilde;es alcan&ccedil;am cotas um pouco acima dos 300 metros de altitude. Essa &eacute; a &uacute;nica por&ccedil;&atilde;o do relevo classificado como acidentado na &aacute;rea dos assentamentos (AMAPA, 2008) compreendendo dois pequenos corredores de montanhas com topos de crista nas dire&ccedil;&otilde;es sudoeste/nordeste.&nbsp; Essas forma&ccedil;&otilde;es estendem-se sobre um prolongamento dos terrenos da crosta antiga at&eacute; o contato com a forma&ccedil;&atilde;o terci&aacute;ria.</p>     <p>O rio Tartarugalgrande &eacute; o principal curso d&rsquo;&aacute;gua da rede hidrogr&aacute;fica que drena o conjunto de assentamentos. Esse rio des&aacute;gua na regi&atilde;o dos grandes lagos no leste do estado e em seu alto curso corta os tr&ecirc;s assentamentos agroextrativistas correndo em sentido sudoeste/nordeste. O Tartarugalgrande forma uma rede dentr&iacute;tica que verte as &aacute;guas a partir de dois grandes divisores, um a leste constitu&iacute;do pelas colinas do Amap&aacute; e outro a oeste formado pelo conjunto de serranias de baixas altitudes, residuais dos planaltos dissecados do centro/norte (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>A geologia local est&aacute; compreendida na por&ccedil;&atilde;o oeste por terrenos da crosta antiga, constituidos por rochas gn&aacute;issicas, migmatitoss, granit&oacute;ides e pegmatios de complexos arqueanos (SPIER e FERREIRA FILHO, 1999). Esses terrenos que se disp&otilde;e sob a cadeia de serranias centrais s&atilde;o compostos por rochas com grande potencial mineral&oacute;gico. Ao centro ocorrem os terrenos transicionais entre a crosta antiga e o terci&aacute;rio, tamb&eacute;m com grande potencial mineral&oacute;gico.&nbsp; A leste ocorre a forma&ccedil;&atilde;o barreiras propriamente, s&atilde;o sobre esses terrenos sedimentares terci&aacute;rios que ocorre a forma&ccedil;&atilde;o flor&iacute;stica do cerrado (savana) amapaense (AMAPA, 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.2. Formas tradicionais e novas formas de uso do solo em assentamentos rurais no Amap&aacute; </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O extrativismo de PFNM, agricultura e pecu&aacute;ria de subsist&ecirc;ncia, h&aacute; muito tempo, configuram-se como formas tradicionais de uso dos solos na Amaz&ocirc;nia e tamb&eacute;m em terras amapaenses.&nbsp; Essas formas de uso do solo, tamb&eacute;m passaram a caracterizar-se como as principais atividades produtivas durante o processo de cria&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o dos PAE no Amap&aacute;. Desde a cria&ccedil;&atilde;o desses assentamentos rurais, ainda na d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo XX, as primeiras fam&iacute;lias beneficiadas pelo processo de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, j&aacute; praticavam em suas terras essas atividades.</p>     <p>Na maioria dos casos, a cria&ccedil;&atilde;o dos PAE, foi apenas uma maneira de regularizar a situa&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria de pequenos produtores rurais. Regra geral, os &ldquo;assentados&rdquo;, h&aacute; muito desenvolviam atividades de subsist&ecirc;ncia nas terras onde foram criados e implantados os assentamentos rurais. Esse &ldquo;cercamento&rdquo;, por assim dizer, ocorreu principalmente no sul e oeste do estado e posteriormente estendeu-se para outras regi&otilde;es onde de fato pouco se praticava atividade extrativista florestal ou lavoura de subsist&ecirc;ncia.</p>     <p>A &aacute;rea onde foi implandado o conjunto de PAE em Tartarugalzinho apresenta caracter&iacute;sticas de apropria&ccedil;&atilde;o e uso do solo, bem diferenciada. Esse conjuto de Assentamentos foi criado para de fato, receber e alocar fam&iacute;lias deslocadas de outros lugares do estado e at&eacute; mesmo de fora deste, que pouco se identificavam com as atividades extrativas, pressupondo-se sua voca&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento de atividades produtivas voltadas para a agricultura e/ou pecu&aacute;ria.</p>     <p>O esfor&ccedil;o inicial do INCRA e dos assentados foi a prioriza&ccedil;&atilde;o do uso do solo atrav&eacute;s da implanta&ccedil;&atilde;o de Sistemas agroflorestais. Os SAF nesse conjunto de assentamentos est&atilde;o voltados para cultivos permanentes de frutas, como laranja, cupua&ccedil;u e graviola ou cultivos tempor&aacute;rios de frutas como banana, abacaxi, a&ccedil;a&iacute; (<a href="#f4">Figura 4</a>) e tub&eacute;rculos regionalmente consumidos <i>in natura</i> como a macaxeira e a mandioca, utilizada para fazer farinha d&aacute;gua e tucupi, insumos alimentares que fazem parte da culin&aacute;ria local e, portanto, teriam grande aceita&ccedil;&atilde;o local. Entretanto, ao que tudo indica , o baixo desempenho das vendas, a falta de planeamento ou adequa&ccedil;&atilde;o desse planeamento e de informa&ccedil;&otilde;es sobre o mercado, acabaram por levar a uma gradativa frustra&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de excedentes nos SAF, cujo objetivo era sustentar-se a partir dessas vendas no mercado local.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Assim como em outros assentamentos no Amap&aacute;, a renda m&eacute;dia dos assentados quase sempre est&aacute; vinculada ao que &eacute; produzido atrav&eacute;s dos Sistemas Agro-florestais. De acordo com Moraes (2011) ao avaliar a efici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica de SAF de cultivos tempor&aacute;rios e permanentes, constatou que nos anos iniciais, os custos de manuten&ccedil;&atilde;o em ambos os casos , tornam os custos totais superiores aos benef&iacute;cios financeiros. Portanto, do ponto de vista econ&oacute;mico, mesmo em situa&ccedil;&otilde;es onde h&aacute; forte tradi&ccedil;&atilde;o no uso do solo com SAF, esses sistemas s&oacute; s&atilde;o vi&aacute;veis com adequado planeamento e s&oacute;lidos investimentos.</p>     <p>Segundo Maciel (2014), no Amap&aacute;, em aproximadamente 6,1 hectares de solo em SAF com cultivos permanentes e tempor&aacute;rios, abatidos os custos de manuten&ccedil;&atilde;o, a renda m&eacute;dia mensal gira em torno de US$ 787,27. A considerar que o grupo familiar na regi&atilde;o norte do pa&iacute;s &eacute; constitu&iacute;do, segundo o DIEESE (2011) por 3,8 pessoas, a renda m&eacute;dia <i>per capta</i> resultante da conjuga&ccedil;&atilde;o de cultivos permanentes e tempor&aacute;rios em SAF nos assentamentos do Amap&aacute; gira em torno de US$ 207,17 mensais (<a href="#f1">Tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Deve-se, entretanto salientar que nem sempre os cultivos permanentes e tempor&aacute;rios est&atilde;o presentes nas propriedades dos assentados e mesmo quando est&atilde;o, a produtividade depende da perfeita disponibilidade de recursos para a sua manuten&ccedil;&atilde;o. Infere-se, portanto, que essa &eacute; uma renda mensal em condi&ccedil;&otilde;es normais de produ&ccedil;&atilde;o, sujeita a variar em fun&ccedil;&atilde;o de fatores f&iacute;sicos como o clima ou s&oacute;cio-econ&oacute;micos como a falta de recursos financeiros e insumos para manuten&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No caso do conjunto de assentamentos do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary essas condi&ccedil;&otilde;es apresentam certa especificidade. Ao que tudo indica, nesses assentamentos, os SAF depois de implantados, se tiveram um planeamento, parece n&atilde;o ter sido adequado &agrave;s vari&aacute;veis benef&iacute;cio/custo, de maneira a impedir sua consolida&ccedil;&atilde;o de fato nos anos posteriores a sua implanta&ccedil;&atilde;o. Ainda que existissem linhas de cr&eacute;dito que pudessem servir para financiar a manuten&ccedil;&atilde;o ou aumento e diversifica&ccedil;&atilde;o da lavoura, esses recursos s&oacute; poderiam ser liberados ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o &agrave;s entidades financiadoras, de um projeto adequado a cada realidade.&nbsp;</p>     <p>A exig&ecirc;ncia de projetos de financiamento para pequenos agricultores em assentamentos &eacute; um dos grandes gargalos ao desenvovimento das comunidades nele assentadas, uma vez que quase a totalidade das pessoas, n&atilde;o possui escolariza&ccedil;&atilde;o (DIEESE,2011) ou conhecimento t&eacute;cnico necess&aacute;rio para elaborar documentos com a complexidade que se exige em um projeto, ainda que este requeira crit&eacute;rios m&iacute;nimos para sua viabiliza&ccedil;&atilde;o. Ademais, o aux&iacute;lio que poderia ser dado pelos t&eacute;cnicos do INCRA ou outra institui&ccedil;&atilde;o voltada para a assit&ecirc;ncia rural, quase sempre se restringe a uns poucos assentados, uma vez que estes se distribuem nos PAE, que tem grandes extens&otilde;es. Na maioria dessas propriedades o acesso &eacute; dificultado por um sistema de rodovias mal planeadas, com manuten&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria e totalmente dependende das verbas p&uacute;blicas federais. Essas verbas, administradas pelo INCRA, s&atilde;o utilizadas para resolver problemas nos assentamentos sob supervis&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o em todo o estado Amap&aacute;.&nbsp;</p>     <p>As p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de acesso e mobilidade do sistema rodovi&aacute;rio interno aos assentamentos est&atilde;o, portanto, em grande medida, relacionadas &agrave; inefic&aacute;cia no uso do solo para cultivos nos SAF. A frusta&ccedil;&atilde;o das receitas que estes cultivos poderiam gerar reverteu-se na deprecia&ccedil;&atilde;o gradativa da qualidade de vida dos assentados. Isso tamb&eacute;m levou ao sucateamento das estruturas implantadas e ao que se percebe, na acomoda&ccedil;&atilde;o de um modelo de subsist&ecirc;ncia em torno de umas poucas lavouras em Sistemas agroflorestais de baixa efici&ecirc;ncia econ&oacute;mica.</p>     <p>Recentemente o conjunto de PAE do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary, tamb&eacute;m acabaram por ver instalarem-se outras atividades produtivas como a minera&ccedil;&atilde;o industrial e a extra&ccedil;&atilde;o madeireira em escala comercial, que at&eacute; pouco tempo n&atilde;o eram cogitadas para serem desenvolvidas nesses modelos de assentamentos rurais. No caso espec&iacute;fico da minera&ccedil;&atilde;o, no conjunto de assentamentos, Cedro Governador Janary e Bom Jesus dos Fernandes, essa atividade est&aacute; claramente institu&iacute;da com apoio formal da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amap&aacute; (SEMA-AP), que assina a concess&atilde;o de licen&ccedil;a ambiental para pesquisa na regi&atilde;o. Embora a maior parte dessas pesquisas esteja concentrada em &aacute;reas de propriedade da SPG Minera&ccedil;&atilde;o, no entorno dos assentamentos, alguns dos pontos de prospec&ccedil;&atilde;o para a pequisa mineral se encontram no interior da &aacute;rea dos assentamentos Governador Janary e Bom Jesus dos Fernandes (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>A pesquisa mineral com o objetivo de extra&ccedil;&atilde;o futura do min&eacute;rio de ferro tem sido realizada desde 2006. Desde aquele ano, a SPG Minera&ccedil;&atilde;o, empresa mineral&oacute;gica sediada em Macap&aacute;, registrou no Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) sete lotes de terra, num total de 436,23 km<sup>2 </sup>para fins de mineralogia (SPG MINERA&Ccedil;&Atilde;O, 2013). Apesar de grande parte dos pontos de pesquisa estarem no entorno, a sede de apoio log&iacute;stico da mineradora est&aacute; situada no interior do PAE Bom Jesus dos Fernandes, na estrada que liga a Vila de Bom Jesus &agrave; localidade do Mutum (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;As &aacute;reas informadas pela SPG Minera&ccedil;&atilde;o ao DNPM como sendo de sua propriedade compreendem o entorno leste dos PAE Cedro, Governador Janary e Bom Jesus dos Fernandes. As perspectivas de implanta&ccedil;&atilde;o de um polo mineral&oacute;gico trazem tanto a expectativa de investimentos quanto de impactos f&iacute;sico-ambientais e socioecon&oacute;micos. Do ponto de vista f&iacute;sico esses impactos poderiam afetar diretamente toda a &aacute;rea compreendida pela bacia hidrogr&aacute;fica do rio Tartarugalgrande.&nbsp; Embora os impactos indiretos no meio f&iacute;sico sejam mais dif&iacute;ceis de serem estimados, os impactos diretos afetariam as popula&ccedil;&otilde;es dos tr&ecirc;s assentamentos. Essa &aacute;rea de impacto, calculada atrav&eacute;s do tra&ccedil;ado de uma linha de entorno de 10 km a partir dos pontos de pesquisa mineral informados pela SPG at&eacute; 2010 compreende aproximadamente 1105 km<sup>2</sup>, num pol&iacute;gono que se estende no sentido sul-norte (<a href="#f3">Figura 3</a>, &aacute;rea em destaque com linhas diagonais em cor marron).</p>     <p>A extra&ccedil;&atilde;o madeireira j&aacute; consolidada vem sendo praticada por in&uacute;meros empres&aacute;rios madeireiros que atuam principalmente no com&eacute;rcio de madeira a varejo de Macap&aacute; e Santana, munic&iacute;pios cujas sedes s&atilde;o as duas cidades mais populosas do Amap&aacute;. Entre 2011 e 2013, foram formalizadas junto ao INCRA para o PAE Cedro, 28 solicita&ccedil;&otilde;es de projetos de extra&ccedil;&atilde;o madeireira (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A quantidade de autoriza&ccedil;&otilde;es de extra&ccedil;&atilde;o madeireira deferidas no PAE Cedro representam 23,52 % do total de autoriza&ccedil;&otilde;es realizadas para os Projetos de Assentamentos rurais em todo o estado do Amap&aacute;. Desse total, 70% representam autoriza&ccedil;&otilde;es onde n&atilde;o h&aacute; plano de manejo definido, ou este est&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o e apenas os 30% restantes das solicita&ccedil;&otilde;es contemplam um plano de manejo. A exist&ecirc;ncia do plano de manejo significa a defini&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros que permitam retirar a madeira da floresta nativa com o m&iacute;nimo de impactos ambientais e seguindo procedimentos que permitam a manuten&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de recomposi&ccedil;&atilde;o da floresta.</p>     <p>Embora a exig&ecirc;ncia do plano de manejo seja uma das condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a obten&ccedil;&atilde;o da licen&ccedil;a de extra&ccedil;&atilde;o madeireira, em muitas &aacute;reas o manejo &eacute; realizado de forma bastante prec&aacute;ria, com pouca preocupa&ccedil;&atilde;o com a capacidade de regenera&ccedil;&atilde;o da floresta ou conserva&ccedil;&atilde;o dos solos. No interior dos assentamentos isso parece ser reflexo da aus&ecirc;ncia de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica especializada que permita aos assentados retirar a madeira com t&eacute;cnicas apropriadas e de forma racional. Em fun&ccedil;&atilde;o do objetivo final dos PAE, que &eacute; o desenvolvimento social e econ&ocirc;mico aliado &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, faz-se necess&aacute;rio conjugar a extra&ccedil;&atilde;o da madeira com o aproveitamento da biomassa da floresta como subs&iacute;dio f&iacute;sico &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos solos para posterior implanta&ccedil;&atilde;o de sistemas de cultivos agroflorestais.</p>     <p>Mas a retirada predat&oacute;ria da madeira das florestas no interior dos assentamentos tem sido inclusive incentivada com a abertura de novos pequenos trechos de estradas. Um desses trechos possui aproximadamente 4 km de extens&atilde;o e foi aberto com aux&iacute;lio da Mineradora SPG (<a href="#f5">Figura 5</a>). Esse ramal foi aberto em meio a uma &aacute;rea florestada no trecho da rodovia que liga as Vilas Bom Jesus dos Fernandes e Mutum. Essa pequena estrada foi implantada no interior do Assentamento Bom Jesus, onde n&atilde;o existem autoriza&ccedil;&otilde;es formalizadas junto ao INCRA, para a extra&ccedil;&atilde;o madeireira, mas onde se constatou a retirada e beneficiamento prim&aacute;rio (<a href="#f5">Figura 5 A</a>).&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esses registros da extra&ccedil;&atilde;o ilegal de madeira demonstram a interface constru&iacute;da entre as atividades madeireira e mineral no que concerne &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o produtiva nos assentamentos. Essa sinestesia entre as atividades extrativistas, pode representar uma nova forma de apropria&ccedil;&atilde;o da terra nos assentamentos, que tende a consolidar-se na medida em que as demandas dos mercados justificarem um aporte maior de recursos. Localmente, as perspectivas econ&ocirc;micas e sociais dependem de como os assentados e &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores como INCRA e Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA-AP) ir&atilde;o interagir no contexto dessa apropria&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda que haja incertezas quanto aos impactos sociais e ambientais que as atividades extrativas da ind&uacute;stria madeireira e mineral estejam a causar ou ainda possam vir a causar, em geral, as duas abrem possibilidades de renda mais substanciais que aquela gerada com o uso do solo em Sistemas Agloflorestais. De acordo com dados do DIEESE (2014) a renda m&eacute;dia mensal do trabalhador na ind&uacute;stria mineral era de aproximadamente US$ 2410,26.&nbsp; J&aacute; na atividade extrativa com manejo florestal, Franco e Esteves (2008) ao avaliar duas experi&ecirc;ncias em PAE do estado do Acre, constataram que a renda l&iacute;quida m&eacute;dia mensal com venda de madeira manejada foi de aproximadamente US$ 1550,34 (<a href="#t3">Tabela 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14t3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quando se considera apenas a capacidade de agrega&ccedil;&atilde;o de renda, as atividades extrativistas industriais ou de larga escala (que imprimem novos usos do solo) possibilitam aumento significativo de renda para a popula&ccedil;&atilde;o local em rela&ccedil;&atilde;o ao cultivo em SAF, forma tradicional de uso do solo. Na atividade extrativa de madeira manejada, o acr&eacute;scimo de renda, mesmo quando se considera apenas uma pessoa a trabalhar no grupo familiar m&eacute;dio de 3,8 pessoas (DIEESE, 2011) pode agregar-se at&eacute; 49,23% em rela&ccedil;&atilde;o ao valor da renda <i>per capta</i> obtida no uso tradiconal com cultivo em SAF. Na atividade extrativa mineral com apenas uma pessoa no grupo familiar empregada a renda <i>per capta</i> pode ser de at&eacute; 67,34% maior do que a obtida no cultivo em SAF (<a href="#t3">tabela 3</a>).</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>3.3. Caracteriza&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&atilde;o atual da rede vi&aacute;ria nos assentamentos do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary.</b></p>     <p>A rede vi&aacute;ria terrestre nos assentamentos soma aproximadamente 155 km de extens&atilde;o de rodovias n&atilde;o pavimentadas, quase todas implantadas com pouca ou nenhuma adi&ccedil;&atilde;o de camada de material sobre o leito natural. Essa rede corresponde aproximadamente 40% do total das estradas do munic&iacute;pio de Tartarugalzinho que &eacute; de aproximadamente 400 km.</p>     <p>Os assentamentos do Cedro, Bom Jesus e Governador Janary por serem adjacentes possuem uma rede vi&aacute;ria tra&ccedil;ada inicialmente para proporcionar a sua interliga&ccedil;&atilde;o. De acordo com as defini&ccedil;&otilde;es do Projeto Geom&eacute;trico de Estradas Rurais (BRASIL, 1999) a rede de rodovias interna aos assentamentos pode ser classificada, de acordo com sua funcionalidade em tr&ecirc;s pequenos sistemas coletores conectados &agrave; rodovia BR 156 que funciona como uma via arterial (expressa) secund&aacute;ria (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro sistema coleta fluxos de pequenas vias nos Assentamentos do Bom Jesus dos Fernandes e Cedro ligando as vilas do Mutum e Bom Jesus dos Fernandes a BR 156 e &agrave; Via Coletora 2 (<a href="#f6">Figura 6</a>, pol&iacute;gono A). O segundo sistema coleta fluxos de pequenas vias locais nos assentamentos Govenador Janary e Cedro, e conecta a Vila do cedro a BR 156 e &agrave; Via Coletora 1 (Pol&iacute;gono B). O terceiro sistema coleta fluxos de vias locais no Assentamento do Cedro e conecta as vilas de Entrerios e Progresso entre s&iacute; e &agrave; BR 156 (Pol&iacute;gono C).</p>     <p>Os tr&ecirc;s sistemas Coletores foram projetados para serem inteconectados atrav&eacute;s de duas pequenas vias locais (<a href="#f6">Figura 6</a>, linhas 1 e 2), mas em fun&ccedil;&atilde;o da intrafegabilidade da estrada local 2 (<a href="#f6">Figura 6</a>, Linha 2) que deveria conectar os sistemas Coletores B e C, essa conectividade n&atilde;o pode ser realizada atualmente, comprometendo os fluxos intra-assentamentos.</p>     <p>Cortadas pelo rio Tartarugalgrande e seus tribut&aacute;rios as estradas possuem 19 pontes sobre os trechos onde a drenagem &eacute; muito significativa. Essas pontes, todas constru&iacute;das em madeira, tem extens&otilde;es que variam entre 3 e 30 metros. Dadas &agrave;s prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de sua manuten&ccedil;&atilde;o (<a href="#f7">Figura 7</a> D e E), apenas 11 pontes nos sistemas Coletores A e B e 4 pontes no sistema Coletor C, permitem o tr&aacute;fego de ve&iacute;culos durante o per&iacute;odo de estiagem que ocorre entre os meses de agosto a setembro. No per&iacute;odo chuvoso, que ocorre entre os meses de dezembro a junho, em fun&ccedil;&atilde;o da deteriora&ccedil;&atilde;o do terrapleno das vias esse tr&aacute;fego &eacute; realizado de forma bastante prec&aacute;ria sendo eventualmente interrompido por determinados intervalos de dias (<a href="#f7">Figura 7</a>, B e C).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Dos 155 km de rodovias internas aos assentamentos, aproximadamente 100 constituem vias em estado geral bastante prec&aacute;rio, cuja manuten&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada com pouca t&eacute;cnica e muito boa vontade da popula&ccedil;&atilde;o. Essa manuten&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada atrav&eacute;s de opera&ccedil;&otilde;es tapa-buracos com adi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;pi&ccedil;arras&rdquo; (pedras de pequenas dimens&otilde;es extra&iacute;das nas &aacute;reas de cerrado pr&oacute;ximas). Esse material &eacute; coletado em terrenos terci&aacute;rios ricos em laterita ferruginosa e transportado durante o per&iacute;odo chuvoso (inverno) at&eacute; as partes mais afetadas pela eros&atilde;o h&iacute;drica nas estradas (<a href="#f7">Figura 7</a>, B e C).</p>     <p>As rodovias Coletoras, que propiciam o acesso &agrave;s principais vilas foram abertas sobre terrenos terci&aacute;rios atrav&eacute;s do descapeamento do cerrado nativo. O solo later&iacute;tico e o relevo suavemente ondulado proporcionou a abertura de estradas que oferecem boas condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o, com largura de aproximadamente 6,5 metros para a rodovia do cedro e 6,3 metros para a rodovia que leva &agrave; Vila de Bom Jesus (<a href="#f8">Figura 8</a> A).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8">     <p><img src="/img/revistas/got/n9/n9a14f8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O in&iacute;cio da rodovia Coletora 1 que leva &agrave; Vila de Bom Jesus dos Fernandes fica na rodovia BR 156 a apenas 600 metros ao sul da Vila de Tartarugalgrande.&nbsp; Esse trecho tem uma extens&atilde;o de 13 km e &eacute; cortado por um pequeno riacho que faz parte da bacia hidrogr&aacute;fica do rio Tartarugalgrande. Sobre esse riacho, situado a aproximadamente 5 km do in&iacute;cio da rodovia h&aacute; uma ponte constru&iacute;da em madeira com 3 metros de largura por 8 de extens&atilde;o. A ponte apresenta boas condi&ccedil;&otilde;es de trafegabilidade para ve&iacute;culos de pequeno porte, entretanto, dada a imprecis&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es atuais da estrutura, a possibilidade de um aumento da carga requer um estudo de avalia&ccedil;&atilde;o de impacto.&nbsp;</p>     <p>A rodovia coletora 2 que leva &agrave; vila do Cedro, desde o in&iacute;cio na BR 156 at&eacute; a entrada da vila tem uma extens&atilde;o de 10,5 km.&nbsp; O in&iacute;cio dessa rodovia fica a uma dist&acirc;ncia de 11 km da Vila de Tartarugalgrande e a 35 km da cidade de Tartarugalzinho (<a href="#f8">Figura 8</a>B).</p>     <p>O estado de manuten&ccedil;&atilde;o relativamente satisfat&oacute;rio das rodovias coletoras, principais vias dos assentamentos do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary acontece apenas at&eacute; as vilas. Os trechos restantes encontram-se em situa&ccedil;&otilde;es bastante diferenciadas de manuten&ccedil;&atilde;o, mas em geral apresentam caracter&iacute;sticas que denotam o relativo estado de abandono. As larguras n&atilde;o ultrapassam os 3 metros em grande parte do tra&ccedil;ado, por falta de manuten&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica em seu terrapleno essas estradas apresentam muitas ravinas em quase toda extens&atilde;o, acentuando-se nos trechos de maior inclina&ccedil;&atilde;o do relevo do terreno onde foram abertas (<a href="#f7">Figura 7</a> B e C).</p>     <p>A rodovia local que deveria fazer a liga&ccedil;&atilde;o entre a Rodovia Coletora 2 no Cedro e a Rodovia Coletora 3 entre as Vilas de Entrerios e Progresso, apresenta-se em estado intrafeg&aacute;vel e de completo abandono (<a href="#f4">Figura 4</a>, Linha 2). Essa via, com aproximadamente 11 km de extens&atilde;o, corta o assentamento do cedro nas dire&ccedil;&otilde;es norte/sul, sob um relevo relativamente plano nas extremidades e com angula&ccedil;&otilde;es consider&aacute;veis em sua parte central. Todas as pontes nessa estrada est&atilde;o completamente interditadas para o tr&aacute;fego de ve&iacute;culos, com a madeira da estrutura em estado de completa deteriora&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No interior da &aacute;rea dos assentamentos foram registrados 15 km de vias n&atilde;o catalogadas no mapeamento vi&aacute;rio do Amap&aacute; em 2010. Desse total 4,2 km s&atilde;o de estradas com pequena largura, abertas de forma prec&aacute;ria apenas com a retirada da capa de vegeta&ccedil;&atilde;o e raspagem do horizonte &ldquo;A&rdquo; do solo (<a href="#f7">Figura 7</a>C). O restante da extens&atilde;o de estradas registradas (10,8 km) corresponde a um trecho aberto a partir do limite sul do assentamento Cedro. Esse trecho adentra a Floresta Estadual de Produ&ccedil;&atilde;o (FLOTA) e termina &agrave;s margens de um riacho que constitui o limite de uma &aacute;rea demarcada com piquetes e arame, a sinalizar a exist&ecirc;ncia de uma propriedade privada no interior dessa unidade de conserva&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os limites da FLOTA foram inicialmente tra&ccedil;ados de forma a garantir uma circunscri&ccedil;&atilde;o que permitisse que essa unidade de conserva&ccedil;&atilde;o servisse como corredor ecol&oacute;gico. Esse imenso corredor funciona tamb&eacute;m como &aacute;rea de amortecimento para grandes unidades de conserva&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o integral como os PARNA Montanhas do Tumucumaque e Cabo Orange e grandes UCs de uso sustent&aacute;vel como a RDS Iratapuru e a FLONA. Entretanto, ao que tudo indica, a exist&ecirc;ncia de propriedades como a fazenda encontrada dentro desses limites, pr&oacute;ximo aos assentamentos, pode revelar a falta de crit&eacute;rios de exclus&atilde;o de &aacute;reas j&aacute; apropriadas, ou ainda a inefic&aacute;cia de fiscaliza&ccedil;&atilde;o na FLOTA. Pesam ainda, a grande extens&atilde;o de terras protegidas e a car&ecirc;ncia de recursos humanos e log&iacute;sticos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>O processo de constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o nos assentamentos configura-se como um mosaico que expressa formas tradicionais e novas formas de uso do solo, mas com pouca coes&atilde;o no que concerne &agrave;s medidas que incentivem a melhoria na qualidade de vida dos assentados. De um lado a relativa in&eacute;rcia produtiva no conjunto de assentamentos est&aacute; em boa medida, relacionada &agrave; inefic&aacute;cia no modelo de planeamento e gest&atilde;o, tanto da estrutura administrativa dos assentamentos quanto nos Sistemas produtivos agroflorestais ainda existentes. Por outo lado, a explora&ccedil;ao madeireira em escala industrial, atrav&eacute;s do manejo florestal e a explora&ccedil;ao mineral&oacute;gica, ainda n&atilde;o foram adequadamente discutidas, nem seus objetivos ou benef&iacute;cios claramente partilhados com a popula&ccedil;&atilde;o local.</p>     <p>Se h&aacute; um embate velado de for&ccedil;as no espa&ccedil;o dos assentamentos, h&aacute; tamb&eacute;m uma profus&atilde;o de oportunidades de luta por melhoria da qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o local. Embora no Amap&aacute; os processos miner&aacute;rios e madeireiros tenham hist&oacute;rico de grandes impactos negativos no que concerne a agrega&ccedil;&atilde;o de valor localmente, &eacute; preciso pensar e instigar formas de apropria&ccedil;&atilde;o mais participativas e inclusivas. A perspectiva de conjuga&ccedil;&atilde;o dos setores, madeireiro e miner&aacute;rio em vez de ser considerada como fator negativo sob os aspectos ambientais e sociais deve ser transformada no campo do debate, numa possibilidade de desenvolvimento social regional.</p>     <p>Deve-se assegurar um programa de desenvolvimento para esses assentamentos que permita a total participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local nos processos decis&oacute;rios e executivos. A capacita&ccedil;&atilde;o funcional deve ser incentivada como forma de garantir a inclus&atilde;o de jovens e adultos como m&atilde;o de obra local para atuar nas atividades produtivas. Os investimentos praticados de forma tradicional nos setores madeireiro e mineral&oacute;gico constituem na ess&ecirc;ncia, ativos pouco sustent&aacute;veis. Entretanto, essas atividades, se planeadas e instigadas a serem desenvolvidas de forma a incluir a participa&ccedil;&atilde;o ativa da popula&ccedil;&atilde;o local, podem ser revestidas em possibilidades de reinvestimentos da renda gerada nos modelos mais adequados como os SAF de maneira a prover sustentabilidade social e ambiental. Deve-se, portanto, no planeamento dos PAE , considerar a atividade madeireira tradicional e mineral&oacute;gica, como a base para se repensarem os investimentos necess&aacute;rios para se prover a inclus&atilde;o e desenvolvimento social das popula&ccedil;&otilde;es locais.</p>     <p>Um planeamento participativo e inclusivo requer a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos diversos agentes que ordenam o territ&oacute;rio. Se nos Projetos de Assentamentos Extrativistas, as comunidades de assentados constituem o alvo da inclus&atilde;o social, devem ser tamb&eacute;m o principal agente do processo. S&atilde;o as pr&oacute;prias comunidades que devem capitanear os processos de ordenamento do territ&oacute;rio, que implicar&atilde;o ou poder&atilde;o ser revestidos em investimentos econ&oacute;micos e sociais localmente.</p>     <p>Deve-se priorizar o estabelecimento de parcerias com as pr&oacute;prias empresas de extra&ccedil;&atilde;o madeireira e mineradoras, que possibilitem ampliar e melhorar a infraestrura vi&aacute;ria, t&atilde;o necess&aacute;ria ao desenvolvimento social e econ&ocirc;mico nesses assentamentos rurais. Faz-se necess&aacute;rio, com certa urg&ecirc;ncia, de um programa que possibilite tanto a manuten&ccedil;&atilde;o das estradas quanto das pontes que as interligam. De igual maneira, deve-se vislumbrar ainda a substitui&ccedil;&atilde;o gradativa das estruturas em madeira das pontes, por outras de maior seguran&ccedil;a e vida &uacute;til, como as de concreto.</p>     <p>A responsabilidade sobre a manuten&ccedil;&atilde;o da estrutura vi&aacute;ria, como se p&ocirc;de perceber, tem sido encampada pelos pr&oacute;prios assentados, ainda que de forma prec&aacute;ria. Mas essas estruturas h&aacute; muito t&ecirc;m servido de suporte a atividade de extra&ccedil;&atilde;o madeireira e mais recentemente &agrave; atividade mineral&oacute;gica. Esses grandes agentes do processo produtivo intra-assentamentos devem ter papel de destaque na manuten&ccedil;&atilde;o e melhoria dessa estrutura vi&aacute;ria, tanto pela necessidade de uso para a extra&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais quanto pela apropria&ccedil;&atilde;o de um bem coletivo, que pertence em primeiro plano aos assentados e cujo principal mantenedor sempre foi o Estado.</p>     <p>A situa&ccedil;&atilde;o atual da rede vi&aacute;ria indica o estado dos descaminhos no processo de desenvolvimento social e econ&ocirc;mico nos grandes Projetos de Assentamentos no Amap&aacute;, e mais especificamente no conjunto do Cedro, Bom Jesus dos Fernandes e Governador Janary. &Eacute; preciso vencer a insipi&ecirc;ncia inerente ao uso atual dos recursos naturais nesses assentamentos, notadamente quando se percebe as possibilidades de agrega&ccedil;&atilde;o de renda que a extra&ccedil;&atilde;o madeireira e de min&eacute;rio, podem proporcionar. Mas n&atilde;o se pode deixar de debater os preju&iacute;zos ambientais e sociais que esses processos produtivos poder&atilde;o ocasionar caso n&atilde;o sejam monitorados e discutidos pela popula&ccedil;&atilde; local. Exemplos desses preju&iacute;zos j&aacute; ocorreram em outras regi&otilde;es do Amap&aacute;, notadamente na por&ccedil;&atilde;o centro-leste onde essas atividades encontram-se consolidadas.</p>     <p>O cen&aacute;rio atual aponta para uma expropria&ccedil;&atilde;o dos assentados no que concerne aos usos tradicionais como os SAF. Alguns assentados, por for&ccedil;a da baixa efici&ecirc;ncia econ&oacute;mica dos SAF t&ecirc;m migrado para a atividade extrativa florestal e mineral como for&ccedil;a de trabalho de apoio, com menor qualifica&ccedil;&atilde;o e renda. Alguns descendentes dos assentados para auxiliar na renda das fam&iacute;lias tamb&eacute;m executam atividades no setor de com&eacute;rcio e servi&ccedil;os na sede do munic&iacute;pio de tartarugalzinho. As mudan&ccedil;as sem planeamento e as incertezas no que concerne aos processos produtivos vi&aacute;veis social e ambientalmente no conjunto de assentamentos s&atilde;o consequ&ecirc;ncia tanto da falta de divis&atilde;o de responsabilidades e comprometimento por parte da mineradora atuante (SPG Minera&ccedil;&atilde;o) e madeireiros, como tamb&eacute;m pela aus&ecirc;ncia ou inoper&acirc;ncia dos agentess governamentais, e ainda, ao que tudo indica, pela aliena&ccedil;&atilde;o e anestesiamento das lideran&ccedil;as locais nos assentamentos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>AMAP&Aacute;. Macro diagn&oacute;stico do Estado do Amap&aacute;: primeira aproxima&ccedil;&atilde;o do ZEE/ Equipe T&eacute;cnica do ZEE - AP. -- 3. ed. rev. ampl. --Macap&aacute;: IEPA, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735550&pid=S2182-1267201600010001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARCO-VERDE, Marcelo Francia e AMARO George.&nbsp; C&aacute;lculo de Indicadores Financeiros para Sistemas Agroflorestais. Embrapa Roraima, 2011. ISSN 1981 - 6103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735552&pid=S2182-1267201600010001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BRASIL. Minist&eacute;rio dos Transportes Departamento, Nacional de Estradas de Rodagem. Diretoria de Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico, Divis&atilde;o de Capacita&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica. Manual de Projeto Geom&eacute;trico de Rodovias Rurais. Rio de Janeiro: IPR. publ. 706, 1999.</p>     <p>BRASIL. Minist&eacute;rio dos Transportes Departamento, Nacional de Estradas de Rodagem. Diretoria de Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico, Divis&atilde;o de Capacita&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica. Manual de Projeto Geom&eacute;trico de Rodovias Rurais. Rio de Janeiro: IPR. publ. 706, 1999.</p>     <!-- ref --><p>BRASIL. Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. Instru&ccedil;&atilde;o normativa N&ordm; 4, Disp&otilde;e sobre a Autoriza&ccedil;&atilde;o Pr&eacute;via &agrave; An&aacute;lise T&eacute;cnica de Plano de Manejo Florestal Sustent&aacute;vel- APAT, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Bras&iacute;lia, 11 de dezembro de 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735556&pid=S2182-1267201600010001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRASIL. Instituto Brasileiro de Geogrfia e Estat&iacute;stica. Produto Interno dos Munic&iacute;pios 2011. Dispon&iacute;vel em: &lt; <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2011/default.shtm" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2011/default.shtm</a> &gt;. Acesso em 18 de agosto de 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735558&pid=S2182-1267201600010001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735559&pid=S2182-1267201600010001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CARVALHO M&aacute;rcia Siqueira de. Da economia do excedente &agrave; sujei&ccedil;&atilde;o da renda ao capital: um breve coment&aacute;rio sobre a obra de Jos&eacute; de Souza Martins. Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, jan./jun. 1999, p. 37- 58.</p>     <!-- ref --><p>CASTRO, Manoel Cabral. Desenvolvimento sustent&aacute;vel e gest&atilde;o ambiental na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas - a experi&ecirc;ncia do estado do Amap&aacute;. Macap&aacute;: CEFORH/SEMA, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735562&pid=S2182-1267201600010001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORDANI Umberto G.; MARCOVITCH Jacques e SALATI En&eacute;as. Avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es brasileiras ap&oacute;s a Rio-92. Estudos Avan&ccedil;ados 11 (29), 1997, p.309-408.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735564&pid=S2182-1267201600010001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DE MATOS Bentes-Gama <i>et.al.</i> An&aacute;lise econ&ocirc;mica de sistemas agroflorestais na Amaz&ocirc;nia ocidental, Machadinho d&acute;Oeste- RO. Revista &Aacute;rvore, vol. 29, n&uacute;m. 3, maio-junho, 2005, pp. 401-411. ISSN: 0100-6762.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735566&pid=S2182-1267201600010001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIEESE. Estat&iacute;sticas do meio rural 2010-2011. 4.ed. / Departamento Intersindical de Estat&iacute;stica e Estudos Socioecon&ocirc;micos; N&uacute;cleo de Estudos Agr&aacute;rios e Desenvolvimento Rural; Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio. -- S&atilde;o Paulo: DIEESE; NEAD; MDA, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735568&pid=S2182-1267201600010001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DIEESE. O Mercado de Trabalho Formal Brasileiro . Resultados da Rais 2012<b>.</b> Nota T&eacute;cnica N&uacute;mero 133 &ndash; mar&ccedil;o 2014.</p>     <p>FRANCO, Carlos Alberto e ESTEVES, Lara Torchi. Impactos econ&ocirc;micos e ambientais do manejo florestal comunit&aacute;rio no acre: Duas experi&ecirc;ncias, resultados distintos. XLVI Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administra&ccedil;&atilde;o e Sociologia Rural. Rio Branco &ndash; Acre, 20 a 23 de julho de 2008.</p>     <p>MACIEL Hilaires lima. Arranjos agroflorestais no contexto da agroecologia &ndash; o caso dos agricultores do assentamento agroextrativista do Marac&aacute;, M&eacute;dio Rio Preto, Munic&iacute;pio do Mazag&atilde;o &ndash; Amap&aacute; /DISSERTA&Ccedil;&Atilde;O DE MESTRADO. Macap&aacute;, 2014.</p>     <!-- ref --><p>MORAES, Luiz Fernando Duare de .&nbsp; Sistemas agroflorestais para uso sustent&aacute;vel do solo: considera&ccedil;&otilde;es agroecol&oacute;gicas e socioecon&ocirc;micas. Serop&eacute;dica: Embrapa Agrobiologia, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735573&pid=S2182-1267201600010001400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>MIRANDA, E. E. de; (Coord.).&nbsp;&nbsp; Brasil em Relevo.&nbsp;&nbsp; Campinas: Embrapa Monitoramento por Sat&eacute;lite, 2005.&nbsp; Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br" target="_blank">http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br</a>&gt;. Acesso em 24 de junho de 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735575&pid=S2182-1267201600010001400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SANTOS, Milton. A natureza do espa&ccedil;o: t&eacute;cnica e tempo, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o. 3. ed.&nbsp; S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735577&pid=S2182-1267201600010001400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>S&Atilde;O PAULO. Manual B&aacute;sico de Estradas e Rodovias Vicinais. Volume I. Planejamento, projeto, constru&ccedil;&atilde;o, opera&ccedil;&atilde;o. Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de S&atilde;o Paulo. DER- S&atilde;o Paulo: 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735579&pid=S2182-1267201600010001400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOARES Jorge Lu&iacute;s Nascimento. A organiza&ccedil;&atilde;o territorial de assentamentos rurais para atender a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental na Amaz&ocirc;nia. Campo-Territ&oacute;rio: revista de geografia agr&aacute;ria, v.3, n. 6. Agosto. 2008, p. 143-155.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735581&pid=S2182-1267201600010001400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SPG MINERA&Ccedil;&Atilde;O S.A. Tartarugal Grande Iron Ore. Dispon&iacute;vel em: &lt;<<a href="http://www.spgmineracao.com.br/SPG_MineracaoAN.pdf" target="_blank">http://www.spgmineracao.com.br/SPG_MineracaoAN.pdf</a>&gt;. Acesso em 06 de setembro de 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735583&pid=S2182-1267201600010001400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SPIER, Carlos Alberto e FERREIRA FILHO, C&eacute;sar Fonseca. Geologia, estratigrafia e dep&oacute;sitos minerais do Projeto Vila Nova, escudo das guianas, Amap&aacute;, Brasil. Revista Brasileira de Geoci&ecirc;ncias 29(2) junho de 1999, p. 173-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735585&pid=S2182-1267201600010001400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>AMAPÁ</collab>
<source><![CDATA[Macro diagnóstico do Estado do Amapá: primeira aproximação do ZEE/ Equipe Técnica do ZEE]]></source>
<year>2008</year>
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