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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Letras Departamento de Geografia]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fernandes</b>, <b>Jos&eacute;</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>CEGOT | Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Via Panor&acirc;mica s/n, 4150-564 Porto, Portugal; <a href="mailto:jariofernandes@gmail.com">jariofernandes@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estamos de parab&eacute;ns.</p>     <p>A GOT &ndash; Revista de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio atinge com esta publica&ccedil;&atilde;o a dezena de conjuntos de textos que, regular e atempadamente, chegam a milhares de endere&ccedil;os electr&oacute;nicos e s&iacute;tios institucionais, dando a conhecer o que investigam e sobre que refletem ge&oacute;grafos e muitos outros investigadores que conferem import&acirc;ncia &agrave; dimens&atilde;o espacial, &agrave; qual associam frequentemente as preocupa&ccedil;&otilde;es de ordenamento, na sua rela&ccedil;&atilde;o com planeamento e desenvolvimento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este &eacute; um n&uacute;mero especial por ser o d&eacute;cimo.</p>     <p>Mas, &eacute;-o sobretudo por outros motivos.</p>     <p>O primeiro deles tem a ver com o facto de incluir textos de dois convidados, ge&oacute;grafos ambos, n&atilde;o portugueses tamb&eacute;m, mas luso-falantes (na sua raiz galaica e no seu desenvolvimento americano de al&eacute;m equador).</p>     <p>Rub&eacute;n Lois apresenta um texto espl&ecirc;ndido na sua profundidade e alcance, que nos transporta desde as ra&iacute;zes da cultura galaico-lusitana, ao repensar da sua continuidade no futuro e nas vantagens da sua proje&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o mundial da Lusofonia. Trata-se dum artigo a merecer reflex&atilde;o, desde logo a ge&oacute;grafos portugueses e galelos, mas n&atilde;o s&oacute;.</p>     <p>A GOT est&aacute; agradecida tamb&eacute;m a Pedro de Almeida Vasconcelos por ter aceite publicar um texto que realizou a partir da magn&iacute;fica confer&ecirc;ncia que deu em encontro de ge&oacute;grafos ocorrido em Santiago de Compostela, a atestar a vantagem de uma fertiliza&ccedil;&atilde;o triangular Galiza-Portugal-Brasil que merece ser aprofundada e expandida. O seu texto &eacute; uma pe&ccedil;a marcante para a compreens&atilde;o de base geogr&aacute;fica da hist&oacute;ria de &ldquo;descobertas&rdquo; e coloniza&ccedil;&atilde;o, ultrapassando vis&otilde;es grandiosas e europoc&ecirc;ntricas, bem como as simplifica&ccedil;&otilde;es, regra geral anacr&oacute;nicas, dos que t&ecirc;m dificuldade em vencer o complexo de inferioridade de ex-colonizado e endeusam uma rela&ccedil;&atilde;o dual, n&atilde;o apenas simplificadora e por vezes auto-desculpabilizadora, como redutoramente simplista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A segunda raz&atilde;o porque este d&eacute;cimo n&uacute;mero &eacute; especial deve-se a que, pela primeira vez, se incorporam textos selecionados num encontro cient&iacute;fico, &ldquo;A Geografia na Constru&ccedil;&atilde;o do Futuro Desejado&rdquo;, mas que todavia passaram o processo de revis&atilde;o cient&iacute;fica por dupla arbitragem cega. Por isso, este n&uacute;mero da GOT conta com tr&ecirc;s textos especialmente preocupados em contribuir para a compreens&atilde;o do tempo que est&aacute; para vir, dando conta de como a Geografia pode contribuir que este seja melhor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vasco Cardoso, investigador do CEGOT, trata de futuros desejados, dando conta de como se fez o percurso do sonho &agrave; realidade na cidade do Porto, entre 1936 e 1974. A abordagem, importante para o conhecimento urban&iacute;stico, faz-se desde o estudo de tr&ecirc;s &aacute;reas da cidade e dos &ldquo;confrontos que o sonho foi tendo com a realidade&rdquo;. Mas, se o texto trata &ldquo;o passado de alguns futuros desejados&rdquo;, a sua leitura contribui tamb&eacute;m para uma melhor reflex&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o &ndash; e a&ccedil;&atilde;o &ndash; para uma melhor cidade no futuro.</p>     <p>A coordenadora do CEGOT, Teresa Marques, assina com Diogo Ribeiro, Catarina Maia e H&eacute;lder Santos um texto que nos traz a preocupa&ccedil;&atilde;o com o futuro desde a leitura do passado, tomando por centro a dimens&atilde;o espacial. No caso, s&atilde;o abordadas quest&otilde;es ligadas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e ao povoamento, dando-se conta do envelhecimento e do refor&ccedil;o das assimetrias, para sublinhar-se o papel das migra&ccedil;&otilde;es na compreens&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, assim como da distribui&ccedil;&atilde;o das pessoas no territ&oacute;rio portugu&ecirc;s. O que resulta &eacute; o sublinhar da vantagem em refor&ccedil;ar a atra&ccedil;&atilde;o de novos residentes, num alerta que parece especialmente bem-vindo, em tempo de fechamentos, xenofobias e outro tipo de ego&iacute;smos, numa Europa envelhecida e com crescimento econ&oacute;mico an&eacute;mico.</p>     <p>Por fim, Andr&eacute; Silva, fala-nos de transportes e do futuro da cidade a partir do estudo que fez para tese de doutoramento sobre o Rio de Janeiro. O realce, que pretende ser tamb&eacute;m, como nos outros casos, um convite &agrave; leitura, vai para o entendimento da acessibilidade e da mobilidade como bem mais do que assunto de engenharia. Tomando a equidade como a primeira das palavras-chave, o texto convida-nos a uma leitura das recentes pol&iacute;ticas de mobilidade associadas ao transporte p&uacute;blico, como aponta linhas de pol&iacute;tica para uma cidade mais sustent&aacute;vel e para todos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este n&uacute;mero 10 da GOT &eacute; tamb&eacute;m o n&uacute;mero com mais textos.</p>     <p>Desde a sua cria&ccedil;&atilde;o que se procurou que n&atilde;o inclu&iacute;sse mais de 15 nem menos de 10 artigos. Todavia, neste n&uacute;mero, al&eacute;m dos 12 &ldquo;normais&rdquo; que ficam dentro deste intervalo, h&aacute;, como se disse, mais dois que decorrem de convite a estimados e prestigiados ge&oacute;grafos e aos tr&ecirc;s melhores textos apresentados em congresso organizado pelo CEGOT, donde um total de 17 artigos.</p>     <p>Estes doze textos, como &eacute; normal numa revista que tem resistido &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de n&uacute;meros tem&aacute;ticos, tratam temas diversos, assim como s&atilde;o diversos os contextos e as escalas de an&aacute;lise. Destaca-se, compreensivelmente, a preocupa&ccedil;&atilde;o com o planeamento, a gest&atilde;o e o desenvolvimento do territ&oacute;rio.</p>     <p>Maria Bessa e Rui Pedro Juli&atilde;o abordam a gest&atilde;o do territ&oacute;rio municipal, a prop&oacute;sito do invent&aacute;rio dos im&oacute;veis, tarefa obrigat&oacute;ria mas esquecido, e da import&acirc;ncia que para tal pode ter o recurso aos SIG.</p>     <p>A pensar no desenvolvimento de base territorial e em particular de conceitos encantat&oacute;rios, Lu&iacute;s Carvalho e Catarina Maia trazem-nos uma muito pertinente reflex&atilde;o, considerando que a constru&ccedil;&atilde;o de <i>smart<u>er</u> cities</i> (cidades <i>mais </i>inteligentes) n&atilde;o pode apelar apenas &agrave;s grandes empresas e aos mais talentosos e tecnologicamente avan&ccedil;ados, mas envolve necessariamente, tamb&eacute;m &ndash; ou sobretudo? &ndash; &ldquo;comunidades de cidad&atilde;os comprometidos com a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas urbanos&rdquo;.</p>     <p>Em Portugal, numa altura em que se rev&ecirc; o PNPOT (Programa Nacional de Planeamento e Ordenamento Territorial), o planeamento do territ&oacute;rio confunde-se ainda muito com os planos diretores municipais (PDM), dada a sua import&acirc;ncia e centralidade na (desejada) articula&ccedil;&atilde;o entre poder central e poder local. &Eacute; sobre eles que trata o texto de Lu&iacute;s Grave e Margarida Pereira, com reflex&otilde;es a partir da sua revis&atilde;o na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ana Queiroz do Vale e Sofia Silvano trazem-nos tamb&eacute;m reflex&otilde;es desde a AML e do planeamento, tomando o aspeto, essencial &agrave; pertin&ecirc;ncia do planeamento (e sua transforma&ccedil;&atilde;o em ordenamento), que &eacute; o da sua interfer&ecirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o do valor do solo. De facto, em tempo de crise &ndash; ou estagna&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica de p&oacute;s-crise &ndash; vale bem a pena debater o modo como evolui o custo do solo e como o planeamento pode contribuir, como deve, para uma maior justi&ccedil;a espacial.</p>     <p>A quest&atilde;o do ordenamento do territ&oacute;rio e dos instrumentos de planeamento &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m na Argentina. Para a cidade de Mendoza, Melina Guardamagna fala-nos sobretudo da import&acirc;ncia e forma como se faz &ndash; ou n&atilde;o faz... &ndash; a participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, ambi&ccedil;&atilde;o de todos, mas pr&aacute;tica ainda com muito espa&ccedil;o de aprendizagem e progresso.</p>     <p>Apesar de nos finais do s&eacute;culo XX o planeamento do territ&oacute;rio ser muito confundido com a expans&atilde;o urbana, numa compreens&atilde;o muitas vezes redutora e pobre entre o urbano e o rural, sempre os mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas n&atilde;o urbaniz&aacute;veis foi importante. Quando hoje &eacute; para quase todos claro que o desenvolvimento se associa, entre outros aspectos, &agrave; biodiversidade e &agrave; mitiga&ccedil;&atilde;o dos efeitos de altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, considera-se que as &aacute;reas protegidas t&ecirc;m uma import&acirc;ncia acrescida no nosso desenvolvimento, incluindo quando estas s&atilde;o de propriedade privada. &Eacute; sobre elas que trata o texto de Giulia Iannuzzi, no qual real&ccedil;a a sua distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e os modelos e pr&aacute;tica de governan&ccedil;a.</p>     <p>Todavia, por vezes at&eacute; em &aacute;reas protegidas &ndash; como o Parque Nacional da Peneda-Ger&ecirc;s &ndash; fixam-se e expandem-se esp&eacute;cies consideradas invasoras, conquanto a expans&atilde;o das esp&eacute;cies tenha existido desde sempre e n&atilde;o haja acordo relativamente &agrave; sua identifica&ccedil;&atilde;o como &ldquo;invasora&rdquo;. No caso, &eacute; a esp&eacute;cie Ac&aacute;cia que volta &agrave; GOT, agora pela m&atilde;o de Jorge Oliveira-Costa, Albano Figueiredo, Ant&oacute;nio Campar de Almeida e Ad&eacute;lia Nunes, que nos d&atilde;o conta dos resultados de um interessante estudo realizado na bacia do Rio Arouce, na regi&atilde;o Centro de Portugal, onde se verifica a evolu&ccedil;&atilde;o ao longo de meio s&eacute;culo da expans&atilde;o da A. <i>dealbata</i> e da A. <i>melanoxylon</i>.</p>     <p>&Eacute; sabido que em muitos lugares do mundo, a cidade se voltou de novo para a &aacute;gua, revalorizando o interface terra-&aacute;gua. Todavia, o conceito de frente ribeirinha n&atilde;o tem ainda consolida&ccedil;&atilde;o nem a correspondente capacidade de delimita&ccedil;&atilde;o, o que, lembram-nos Andr&eacute; Fernandes e Jo&atilde;o Figueira de Sousa, tem consequ&ecirc;ncias de planeamento e gest&atilde;o. &Eacute; a pensar nisso que avan&ccedil;am com uma proposta, com aplica&ccedil;&atilde;o ao que chamam de Arco Ribeirinho Sul do Estu&aacute;rio do Tejo, que merece considera&ccedil;&atilde;o de todos os interessados por esta franja de terra, cada vez mais central em aspetos diversos, desde logo ambientais e econ&oacute;micos.</p>     <p>A frente de &aacute;gua &eacute; o tema tamb&eacute;m de um trabalho que tem por territ&oacute;rio de estudo a costa das ilhas Fiji e duas aldeias em concreto, aqui a prop&oacute;sito da import&acirc;ncia da governan&ccedil;a da sua gest&atilde;o, ou melhor, do que os autores, Serupepeli Tagivakatini, C&aacute;rmen Ferreira e F&aacute;tima Matos, consideram ser uma m&aacute; governa&ccedil;&atilde;o, marcada por &ldquo;esfor&ccedil;os descoordenados&rdquo;.</p>     <p>Chegam-nos do Brasil dois textos que ajudam a compreender a realidade de uma &ldquo;na&ccedil;&atilde;o-continente&rdquo; e tamb&eacute;m a diversidade da escala mundo. Diego Soares, Halle Marques, Ot&aacute;vio Chaves e Val&eacute;ria Zago tra&ccedil;am um retrato do sistema de recolha de res&iacute;duos s&oacute;lidos em Belo Horizonte e procuram, a partir duma muito conhecida t&eacute;cnica de diagn&oacute;stico do planeamento estrat&eacute;gico, refletir sobre os principais problemas e o que pode ser feito. Por seu lado, Ronaldo Sodr&eacute; e Jos&eacute; Mattos, desde o Maranh&atilde;o, d&atilde;o conta dos muitos e graves problemas de posse de terra e dos conflitos que dai resultam, ampliados por desigualdades econ&oacute;micas e heterogeneidades sociais, num contexto de expans&atilde;o do espa&ccedil;o agricultado.</p>     <p>Por fim, Susana Mo&ccedil;o, Jos&eacute; Ventura e Manuela Malheiro enriquecem a revista com uma liga&ccedil;&atilde;o entre a ci&ecirc;ncia e o ensino-aprendizagem, dando conta de trabalho realizado no dom&iacute;nio da &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento sustent&aacute;vel&rdquo; e em particular das potencialidades&nbsp; dos jogos pedag&oacute;gicos na consciencializa&ccedil;&atilde;o &ldquo;de que todos somos parte de um problema e em simult&acirc;neo a solu&ccedil;&atilde;o do mesmo&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>H&aacute; ainda uma quarta raz&atilde;o para celebrar: a GOT foi aceite no DOAJ, o <i>Directory of Open Access Journals</i>, no que constitui um passo mais num percurso determinado para um reconhecimento internacional que favorece a leitura da investiga&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o dos textos que edita.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Resta-me, em nome da revista, apresentar alguns agradecimentos neste d&eacute;cimo n&uacute;mero. Antes de mais, a todos os que submeteram os seus textos, al&eacute;m disso, de uma forma muito especial aos revisores, naturalmente a toda a comiss&atilde;o cient&iacute;fica e em particular ao pequeno n&uacute;cleo que me apoia de forma mais direta e, por fim, ao Pedro Chamusca, pela qualidade (e quantidade) do seu trabalho e pela enorme dedica&ccedil;&atilde;o que tem &agrave; revista enquanto adjunto ao editor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Em v&eacute;speras de passagem para um Novo Ano, os meus desejos a todos &eacute; que aproveitam com a leitura deste n&uacute;mero e que 2017 traga o que desejam, assim como algumas surpresas boas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Porto, 30 de Dezembro de 2016</p>     <p>O editor</p>     <p>Jos&eacute; Alberto Rio Fernandes</p>     ]]></body>
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