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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Galiza no espaço lusófono: Uma aproximação a partir da Geografia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this work points the cultural and linguistic similarity between Galician and Portuguese, as well as the proximity to which gives the streak of Minho, lets reinterpret close the geopolitics of Galicia, Portugal and lusophony. Galicia is Spain closer to Portugal in many senses. It constitutes also a continuity of urban Atlantic axis that since Setubal until A Coruña-Ferrol defines the largest urban and economic concentration of the Iberian Peninsula. Galicia and Portugal formed a Kingdom and a common language at the beginning of the middle age. Today their economic affairs, Foreign Direct Investments and measures in foreign trade, have multiplied since the soul integration in the European Community. The birth and consolidation of a Euroregion between the Autonomous Community of Galicia and the Northern Region of Portugal, but say the interest an inter-territorial cooperation added. Geography should understand and explain this important process that introduces a reality the different scales in the globalized world of the 21ST century starts.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>AUTOR CONVIDADO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Galiza no espa&ccedil;o lus&oacute;fono. Uma aproxima&ccedil;&atilde;o a partir da Geografia</b></p>     <p><b>Galicia in the Lusophone space. An approach from the Geography</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lois-Gonz&aacute;lez</b>, <b>Rub&eacute;n</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>Universidade de Santiago de Compostela /Facultade de Xeograf&iacute;a e Hist&oacute;ria/Departamento de Xeografia; Pza Universidade, 1. 15782 &ndash; Santiago de Compostela. Galiza. Espanha; <a href="mailto:rubencamilo.lois@usc.es">rubencamilo.lois@usc.es</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>No presente trabalho aponta-se como a semelhan&ccedil;a cultural e lingu&iacute;stica entre o galego e o portugu&ecirc;s, assim como a proximidade que outorga a raia do Minho, permite reinterpretar a geopol&iacute;tica da Galiza, Portugal e a lusofonia, a prol de um maior achegamento e integra&ccedil;&acirc;o. De fato, a Galiza &eacute; o territ&oacute;rio espanhol mais pr&oacute;ximo a Portugal em muitos sentidos. Tamb&eacute;m constitue uma continuidade do eixo urbano atl&acirc;ntico que, desde Set&uacute;bal at&eacute; A Corunha-Ferrol define o corredor de maior concentra&ccedil;&acirc;o urbana e econ&ocirc;mica da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. A Galiza e o Portugal formaram um reino e uma l&iacute;ngua comum nos in&iacute;cios da Idade M&eacute;dia. Na atualidade as suas rela&ccedil;&ocirc;es econ&ocirc;micas, medidas em Investimentos Exteriores Diretos e com&eacute;rcio exterior, multiplicaram-se desde a integra&ccedil;&acirc;o nas Comunidades Europeias. O nascimento e consolida&ccedil;&acirc;o duma Eurtorregi&acirc;o entre a Comunidade Aut&ocirc;noma de Galiza e a Regi&acirc;o Norte de Portugal ele faz, mas afirmar, o interesse duma coopera&ccedil;&acirc;o interterritorial acrescentada. A Geografia deve compreender e explicar este importante processo recente que introduz uma realidade a diferentes escalas no mundo globalizada dos come&ccedil;os do s&eacute;culo XXI.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Lusofonia, integra&ccedil;&acirc;o territorial, geopol&iacute;tica, afinidade lingu&iacute;stica, Galiza, Portugal</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In this work points the cultural and linguistic similarity between Galician and Portuguese, as well as the proximity to which gives the streak of Minho, lets reinterpret close the geopolitics of Galicia, Portugal and lusophony. Galicia is Spain closer to Portugal in many senses. It constitutes also a continuity of urban Atlantic axis that since Setubal until A Coru&ntilde;a-Ferrol defines the largest urban and economic concentration of the Iberian Peninsula. Galicia and Portugal formed a Kingdom and a common language at the beginning of the middle age. Today their economic affairs, Foreign Direct Investments and measures in foreign trade, have multiplied since the soul integration in the European Community. The birth and consolidation of a Euroregion between the Autonomous Community of Galicia and the Northern Region of Portugal, but say the interest an inter-territorial cooperation added. Geography should understand and explain this important process that introduces a reality the different scales in the globalized world of the 21ST century starts.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords: </b>Lusophony, territorial integration, geopolitics, linguistic affinity, Galicia, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise hist&oacute;rica das &uacute;ltimas d&eacute;cadas<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> mudou profundamente a partir dos trabalhos de v&aacute;rios autores anglo-sax&oacute;nicos, que conseguiram recuperar o protagonismo esquecido da hist&oacute;ria pol&iacute;tica a partir dos conceitos "inven&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o" e "comunidade imaginada" (Anderson, 1983; Howsbann, 1983). &nbsp;Em fun&ccedil;&atilde;o dos mesmos, o passado dos territ&oacute;rios e a constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados-na&ccedil;&atilde;o, j&aacute; n&atilde;o responde a uma acumula&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias seculares sobre a integra&ccedil;&atilde;o de pequenos lugares e regi&otilde;es at&eacute; acabar na dimens&atilde;o de um pa&iacute;s completo. As na&ccedil;&otilde;es e o nacionalismo surgem antes como ideias contempor&acirc;neas (popularizadas desde Fran&ccedil;a e da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa), e essa vontade iniciada no s&eacute;culo XIX de justificar a exist&ecirc;ncia imemorial de um Estado, conduziu &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de identidades nacionais <i>inventadas </i>nos distintos pa&iacute;ses e territ&oacute;rios nacionais, que n&atilde;o possu&iacute;am nesse momento aparato estatal pr&oacute;prio, no sentido contempor&acirc;neo do termo. A constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria nacional foi um modelo em Fran&ccedil;a, Alemanha, It&aacute;lia e Portugal, por distintas raz&otilde;es. A Espanha, ou o Estado Espanhol, seguiu um processo mais turbulento como t&ecirc;m analisado de forma autorizada diversos historiadores (&Aacute;lvarez Junco, 2001; Moreno y N&uacute;&ntilde;ez Seixas, 2013). Na realidade, a defini&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia de Espanha, no seu longo caminho em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; <i>unidade nacional</i>, coincidiu no tempo com a afirma&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria e hist&oacute;rica de outros territ&oacute;rios inclu&iacute;dos nela, tais como a Catalunha, o Pa&iacute;s Basco ou Galiza. Nesta &uacute;ltima, junto ao papel dos autores do <i>rexurdimento</i> como R. Castro, E. Pondal ou Curros Enr&iacute;quez, os tratadistas M.Murguia e B. Vicetto constru&iacute;ram o passado do pa&iacute;s a partir das suas ra&iacute;zes c&eacute;lticas por oposi&ccedil;&atilde;o aos iberos de Espanh&atilde; (Beramendi, 2008). Nestes momentos precoces da segunda metade do s&eacute;culo XIX j&aacute; se produziu a justaposi&ccedil;&atilde;o de dois processos de constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria nacional, o espanhol e o galego, remarcando os aspetos antag&oacute;nicos relativos ao territ&oacute;rio que definia o Estado-na&ccedil;&atilde;o de perten&ccedil;a.</p>     <p>Se esta primeira etapa de constru&ccedil;&atilde;o discursiva da na&ccedil;&otilde;es foi muito importante, os dec&eacute;nios dos anos 1920 e 1930 n&atilde;o o ser&atilde;o menos. Nesta &eacute;poca, uma nova declara&ccedil;&atilde;o do pensamento galeguista/nacionalista articula-se a partir do <i>Semin&aacute;rio de Estudos Galegos</i> e da revista <i>N&oacute;s</i>, onde se elaborar&aacute; uma aut&ecirc;ntico discurso acad&eacute;mico sobre a Galiza, com refer&ecirc;ncia &agrave; hist&oacute;ria, &agrave; etnografia, &agrave; arqueologia, &agrave; geografia, e evidentemente &agrave; l&iacute;ngua, assim como ao direito pr&oacute;prio, entre outras. A <i>Xeraci&oacute;n N&oacute;s</i>, com l&iacute;deres pol&iacute;ticos de tanta relev&acirc;ncia como A.R. Castelao ou te&oacute;ricos como V. Risco e R. Otero Pedrayo, ainda que n&atilde;o o afirmasem explicitamente, abrem uma leitura da realidade nacional da Galiza como contraposta a Castela e unida de forma natural a Portugal (Beramendi e Maiz, 1991; Beramendi, 2008). Castela &eacute; a imagem negativa, com mon&oacute;tonas paisagens ocres, com uma experi&ecirc;ncia traum&aacute;tica da emigra&ccedil;&atilde;o temporal dos galegos para a sega e com uma cidade esmagadora como Madrid. Pelo contr&aacute;rio, o pa&iacute;s vizinho luso possui a mesma l&oacute;gica de um velho complexo agr&aacute;rio como o pr&oacute;prio, especialmente no Norte, mostra um enorme protagonismo das freguesias ou da propriedade comum, fala uma l&iacute;ngua pr&oacute;xima (particularmente as suas variantes minhotas) e coincide com a Galiza em m&uacute;ltiplos aspetos culturais. O progressivo descobrimento de uma tradi&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica medieval conjunta ser&aacute; uma evidente afirma&ccedil;&atilde;o desta vincula&ccedil;&atilde;o sempre reivindicada.</p>     <p>Como tive a ocasi&atilde;o de assinalar h&aacute; anos (Lois, 2002), os galegos foram lusistas, iberistas (no sentido de reivindicar a unidade pol&iacute;tica federal ou confederal da Pen&iacute;nsula), sempre pr&oacute;ximos do irm&atilde;o do sul, procurando sublinhar as suas diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao resto dos espanh&oacute;is. Essas coincid&ecirc;ncias mantiveram-se com intensidade no eixo pol&iacute;tico, muito influenciado pela enorme satisfa&ccedil;&atilde;o e car&aacute;ter exemplar que adquiriu a Revolu&ccedil;&atilde;o do 25 de abril entre os jovens universit&aacute;rios e os opositores a Franco ao longo do pa&iacute;s. N&atilde;o obstante, desde os anos 1970 toda a intensa vincula&ccedil;&atilde;o Galiza-Portugal viu-se mediatizada pelo debate lingu&iacute;stico &agrave; volta da condi&ccedil;&atilde;o do galego, como l&iacute;ngua pr&oacute;pria, essencial para um pequeno territ&oacute;rio e isolada, ou pertencente &agrave; fam&iacute;lia lus&oacute;fona. Este debate sobre normas e modelo de normaliza&ccedil;&atilde;o do galego refor&ccedil;ou o papel dos fil&oacute;logos como mediadores da interpreta&ccedil;&atilde;o da Galiza como integrada ou n&atilde;o nos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa e, em certa medida, da Galiza e do galego desde Portugal, Brasil ou Cabo Verde ( de facto, sempre sem a desvincular de uma espanholidade consubstancial). De forma muito esquem&aacute;tica poderia dizer-se que a Filologia adquiriu um papel central no discurso perante a import&acirc;ncia da Hist&oacute;ria, da Economia pol&iacute;tica e, evidentemente, da Geografia.</p>     <p>E, contudo, nos &uacute;ltimos dec&eacute;nios voltaram a situar a dimens&acirc;o territorial, o geogr&aacute;fico, como um poderoso fator explicativo da unidade, ou da converg&ecirc;ncia de interesses entre Galiza e a lusofonia. As recentes din&acirc;micas de integra&ccedil;&atilde;o territorial operadas na Europa e, muito especialmente, o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, introduziram novas possibilidades de afirma&ccedil;&atilde;o da personalidade pr&oacute;pria da Galiza junto a Portugal e, em geral, ao mundo lus&oacute;fono. Por um lado, a incorpora&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios ib&eacute;ricos nas comunidades Europeias no ano 1986 fez desaparecer a fronteira entre Espanha e Portugal, pelo menos no que a limita&ccedil;&otilde;es de tr&acirc;nsito de pessoas e de mercadorias se refere. Este facto, unido &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o de consider&aacute;veis volumes de fundos europeus de coopera&ccedil;&atilde;o transnacional (ou transfronteiri&ccedil;a), refletiu-se numa melhoria substancial das infraestruturas de comunica&ccedil;&atilde;o, no surgimento de experi&ecirc;ncias conjuntas de desenvolvimento local e num melhor conhecimento dos respons&aacute;veis p&uacute;blicos de um e de outro lado da fronteira, entre outros efeitos (Papeles de Econom&iacute;a Espa&ntilde;ola, 1994; Meixide e De Castro, 2001; Eixo Atl&aacute;ntico, 2004). No caso da Galiza e de Portugal, duas entidades nacionais vizinhas, com uma l&iacute;ngua e cultura marcadas pelas afinidades, este novo per&iacute;odo trouxe uma multiplica&ccedil;&atilde;o dos contatos entre ambos territ&oacute;rios. As desloca&ccedil;&otilde;es de galegos para Portugal, e de cidad&atilde;os portugueses para a Galiza, s&atilde;o cont&iacute;nuos, quantifica-se em centenas de milhares por motivos tur&iacute;sticos de lazer ou de compras todos os anos. Ao mesmo tempo, os interc&acirc;mbios de produtos elaborados entre os dois pa&iacute;ses s&atilde;o 20 ou 25 vezes maiores atualmente que nos anos 1980 (Lois, 2007), enquanto que os investimentos exteriores diretos justificam a cria&ccedil;&atilde;o de grandes grupos empresariais ( na madeira, no cimento, no t&ecirc;xtil, etc.) que operam nas duas na&ccedil;&otilde;es de forma indiferenciada. Talvez um indicador que expresse esta comunidade de interesses seja o n&uacute;mero de trabalhadores que vivem de um lado da fronteira e se deslocam para o outro lado todos os dias, profissionais da sa&uacute;de galegos ou trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil portugueses, estar&acirc;o entre os exemplos mais destacados, emvalres que, como veremos mais adiante, refletem perfeitamente a supera&ccedil;&atilde;o da fronteira na dimens&acirc;o pr&aacute;tica e na vida quotidiana (EuroEures, 2007-2012).</p>     <p>Se a integra&ccedil;&atilde;o de vizinhan&ccedil;a (&agrave; escala do local-nacional) resulta muito significativa no contexto de uma Europa mais unida, talvez mais relevante seja a op&ccedil;&atilde;o que se abre &agrave; Galiza no contexto do mundo globalizado do presente. Sem d&uacute;vida, e seguindo os par&acirc;metros cl&aacute;ssicos da Geografia pol&iacute;tica (Taylor, 1994), a perten&ccedil;a da Galiza a Espanha justificou, pelo menos de forma massiva desde o s&eacute;culo XVIII, um fluxo de migra&ccedil;&atilde;o para uma s&eacute;rie de pa&iacute;ses americanos como Argentina, Uruguai, Cuba ou Venezuela, entre outros, vinculou a este territ&oacute;rio do Noroeste ib&eacute;rico com a Am&eacute;rica hispana, onde o <i>gallego </i>foi sin&oacute;nimo de espanhol rec&eacute;m chegado. Obviamente, os emigrantes adaptaram-se &agrave; forma de falar espanhola e &agrave; cultura desses pa&iacute;ses, que de uma forma ou de outra reintroduziam nas suas aldeias de origem de forma matizada. Este efeito, unido &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o massiva iniciada pelo Estado Espanhol no decorrer do s&eacute;culo XIX e XX, sup&ocirc;s a implanta&ccedil;&atilde;o de um modelo mental hispano em milhares de galegos que estudavam a hist&oacute;ria nacional comum e o mapa de Espanha (com Portugal quase sempre em branco) (Garc&iacute;a &Aacute;lvarez, 2001), e sentiam-se vinculados aos territ&oacute;rios irm&atilde;os do ultramar (Garc&iacute;a Sebastiani e Marcilhacy, 2013). Os fluxos migrat&oacute;rios dirigistas do per&iacute;odo de 1050-1973 em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa mais desenvolvida refor&ccedil;aram esta perce&ccedil;&atilde;o, se bem que os vizinhos portugueses sempre seguiam um comportamento paralelo (em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Am&eacute;rica, tamb&eacute;m a do Norte, e obviamente Fran&ccedil;a, B&eacute;lgica ou Alemanha, desde vilas e de aldeias muito semelhantes &agrave;s que ficam a Norte do Minho). Os galegos emigraram para Portugal no s&eacute;culo XVIII e mais tarde para o Brasil (Gonz&aacute;lez Lopo, 2006), mas esta experi&ecirc;ncia foi minimizada em rela&ccedil;&atilde;o ao enorme contingente humano que se deslocou para os pa&iacute;ses do Esteiro da Plata, ou a Cuba. Na Galiza, a hispaniza&ccedil;&atilde;o natural e induzida foi progredindo, mas sem se perder o contacto com outro mundo pr&oacute;ximo (pelo menos pela l&iacute;ngua, cultura e interesses comuns) da lusofonia.</p>     <p>Os &uacute;ltimos anos redesenharam o mapa. A leitura hispana da Galiza mant&eacute;m-se, agora com uma realidade reconhecida como Comunidade Aut&oacute;noma (nacionalidade hist&oacute;rica), se bem que ao mesmo tempo as rela&ccedil;&otilde;es de todo o tipo com Portugal e pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa n&atilde;o deixassem de progredir. Sem d&uacute;vida, isto resulta evidentemente nos &acirc;mbitos culturais e universit&aacute;rios, mas tamb&eacute;m em alguns c&iacute;rculos econ&oacute;micos, como &eacute; o exemplo destacado da pesca e da ind&uacute;stria associada, pelos not&aacute;veis interesses e neg&oacute;cios comuns que se foram densificando entre si e tamb&eacute;m com Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Angola e Mo&ccedil;ambique. Alem disso, h&aacute; a considerar a afirma&ccedil;&atilde;o de um significativo <i>lobby</i> galego no Brasil, com neg&oacute;cios em hotelaria e de divers&atilde;o noturna no Rio de Janeiro, comerciais, de constru&ccedil;&atilde;o civil ou da energia em Salvador da Bahia e em S&atilde;o Paulo, entre outros. Consequentemente, no mundo globalizado atual a leitura, o c&oacute;digo geopol&iacute;tico da Galiza come&ccedil;a a aproveitar uma dupla perten&ccedil;a, como j&aacute; referimos ao hispano, mas tamb&eacute;m ao luso. Esta componente portuguesa que oferece muitas possibilidades com o vizinho europeu do Sul, mas que sobretudo permite numerosos contactos, oportunidades de neg&oacute;cio e cumplicidades com uma nova potencia emergente do Sul, o Brasil. A possibilidade de que um pa&iacute;s com a capacidade de decis&atilde;o no eixo mundial utilizar uma l&iacute;ngua muito pr&oacute;xima e possuir uma cultura irm&atilde; mudou profundamente a leitura de milhares de galegos sobre a lusofonia, que tamb&eacute;m se estende por terras cheias de possibilidades como Angola ou Mo&ccedil;ambique, entre outros. Portanto, o mundo globalizado que se desenvolveu recentemente recolocou a Galiza num espa&ccedil;o que nunca lhe foi alheio, como o luso; talvez com uma novidade, a partir de um conjunto de possibilidades econ&oacute;micas, de coopera&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e cultural, ou simplesmente de vizinhan&ccedil;a, da qual j&aacute; s&atilde;o conscientes os setores historicamente desvinculados do galeguismo ou do nacionalismo hist&oacute;rico, mas que apreciam as potencialidades que oferece uma regi&atilde;o mundial que fala galego-portugu&ecirc;s, e que cada vez tem mais capacidades de decis&atilde;o em f&oacute;runs relevantes no mundo atual.</p>     <p>A partir desta longa apresenta&ccedil;&atilde;o que fizemos, o nosso discurso organiza-se em fun&ccedil;&atilde;o de quatro grandes apartados, que enunciamos em seguida. Em primeiro lugar, reflexionaremos sobre o car&aacute;ter da Galiza como confim Norte das &aacute;reas de cultura e l&iacute;ngua lus&oacute;fonas. Num segundo ep&iacute;grafe, aborda-se a inser&ccedil;&atilde;o da Galiza no contexto ib&eacute;rico para, seguidamente, colocar o tema das suas rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, comerciais e tur&iacute;sticas com pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa; isto &eacute;, para centrarmos em terceiro lugar nas realidades tang&iacute;veis que oferece a lusofonia para esta Comunidade Aut&oacute;noma situada no Noroeste do espa&ccedil;o estatal espanhol. Por fim, aludiremos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio luso, como um novo &acirc;mbito relacional da Galiza, procurando nas conclus&otilde;es procurar&atilde;o retomar algumas ideias j&aacute; formuladas, a partir do argumento central do texto que insiste na defini&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios de futuro para o territ&oacute;rio galego, baseado na sua tripla voca&ccedil;&atilde;o europeia, atl&acirc;ntica e lus&oacute;fona.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. No confim Norte das &aacute;reas de l&iacute;ngua e cultura lus&oacute;fona. Apontamentos de Geografia Hist&oacute;rica.</b></p>     <p>O historiador e geopol&iacute;tico catal&atilde;o J. Vicens Vives afirmou h&aacute; quase setenta e cinco anos que, enfrentando no&ccedil;&otilde;es dominantes e dominadas pela exist&ecirc;ncia de dois Estados-na&ccedil;&atilde;o, que a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica podia explicar-se segundo uma organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o meridiana, em dire&ccedil;&atilde;o Norte-Sul (Vicens Vives, 1952). Desta forma, o alongamento da Coroa de Arag&oacute;n ou dos Pa&iuml;sos Catal&aacute;ns fazia-se evidente em rela&ccedil;&atilde;o ao Reino de Valencia e Mallorca, o Principado de Asturias teve a sua continuidade no Reino de Le&oacute;n, logo no que a Castela e posteriormente na Nova Castela que sempre foi Andaluzia; da mesma forma, o <i>Reino de Galicia </i>foi a origem do Condado, que muito em breve seria Reino, de Portugal, organizando um espa&ccedil;o continuo na fachada atl&acirc;ntica da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Sem d&uacute;vida, a Reconquista, entendida mais no sentido portugu&ecirc;s de repovoa&ccedil;&atilde;o e nova ordena&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio deste o Norte em rela&ccedil;&atilde;o ao Sul (Ribeiro, 1945), contra uma mais discut&iacute;vel interpreta&ccedil;&atilde;o castelhana ou aragonesa de avan&ccedil;o militar demorado durante s&eacute;culos, ajuda a entender a organiza&ccedil;&atilde;o territorial da Ib&eacute;ria. Uma organiza&ccedil;&atilde;o que, no caso espanhol, priorizou uma leitura desde a Meseta central em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s periferias (Bel, 2010; Boira, 2013), e que desde Portugal contrap&ocirc;s as regi&otilde;es setentrionais &agrave;s meridionais, mais recentemente o litoral e interior (Ferr&atilde;o, 2002), mas talvez deva ter em conta uma l&oacute;gica de crescimento em grande eixos atl&acirc;ntico e mediterr&acirc;neo, urbanos e muito din&acirc;micos, que seguem uma continuidade iniciada h&aacute; aproximadamente mil anos. De facto, as fronteira entre o galego e o minhoto eram muito dif&iacute;ceis de determinar no rural, os fluxos demogr&aacute;ficos foram cont&iacute;nuos ao longo da hist&oacute;ria e s&oacute; a adscri&ccedil;&atilde;o de cidades e vila a uma determinada monarquia, a s&uacute;a fortifica&ccedil;ao e, mais recentemente, o tratado de limites de 1864, o cartografado cuidadoso da fronteira e a militariza&ccedil;&atilde;o da mesma no tempo das ditaduras ib&eacute;ricas do s&eacute;culo XX ( o franquismo e o Estado Novo), conseguiram num breve per&iacute;odo romper a continuidade natural atrav&eacute;s do vale do Minho ou das eleva&ccedil;&otilde;es montanhosas das Serras Meridionais e Tr&aacute;s-Os-Montes entre as &aacute;reas de Ourense, Chaves e Bragan&ccedil;a (Lois, 2002).</p>     <p>Sem d&uacute;vida, um aspeto no que dever&atilde;o aprofundar os estudos consiste em conhecer at&eacute; que ponto as falas populares do Sul da Galiza e do Minho foram muito semelhantes, perfeitamente compreens&iacute;veis entre si, at&eacute; a um momento tardio do s&eacute;culo XX. &Eacute; certo que atualmente, a imposi&ccedil;&atilde;o de uma norma de dom&iacute;nio lisboeta do portugu&ecirc;s padr&atilde;o (favorecida pola televis&acirc;o) ou de formulas parcialmente castelhanizadas no galego normativo, e a sua difus&atilde;o nos dois territ&oacute;rios atrav&eacute;s do sistema escolar aprofundou as divis&otilde;es. Por&eacute;m, n&atilde;o se pode negar que ainda assim as proximidades l&eacute;xicas e gramaticais entre as falas galegas e as portuguesas s&atilde;o not&aacute;veis, e que a partir de est&iacute;mulos m&iacute;nimos que tendam para a reintegra&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica, a mesma reafirmar-se-ia sem dificuldades em diversos &acirc;mbitos. Os empres&aacute;rios e negociantes galegos que visitam Portugal rapidamente se adaptam a expressar-se como os seus vizinhos lusos, os trabalhadores de constru&ccedil;&atilde;o civil portugueses conversam sem dificuldades com os seus companheiros galegos no trabalho e no tempo comum de lazer, professores e investigadores comunicam-se sem renunciar &agrave;s suas falas originais e sem grandes dificuldades, e assim poder&iacute;amos continuar com m&uacute;ltiplos exemplos. Portanto, ainda que sem d&uacute;vida a fixa&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea de uma fronteira pol&iacute;tica internacional galego-portuguesa ten tido repercuss&otilde;es para a separa&ccedil;&atilde;o dos povos e sociedades raianas durante v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es, parece revers&iacute;vel historicamente, pelas possibilidades que oferece tanto a Europa unida como o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o. E, neste sentido, as falas usadas pelas pessoas constituem um magn&iacute;fico indicador da separa&ccedil;&atilde;o/aproxima&ccedil;&atilde;o que se vai produzindo ao longo do tempo. Outro aspeto de entidade para compreender a dist&acirc;ncia gerada entre a Galiza e Portugal ( evidentemente, entre o galego e o portugu&ecirc;s) remete-nos &agrave; hist&oacute;ria pol&iacute;tica de ambos os territ&oacute;rios, especialmente na Idade Moderna (Lois, 2002). Entre os s&eacute;culos XVI e XIX a Galiza foi perdendo peso econ&oacute;mico e institucional at&eacute; praticamente desaparecer nas representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas da Coroa de Castela (Torres Villegas, 1852). Por um lado, a crise do Caminho de Santiago originada tanto pela Reforma protestante como pela situa&ccedil;&atilde;o de conflito permanente hispano-franc&ecirc;s do mesmo per&iacute;odo, assinalou o declive do poder galego e compostelano em termos econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos e de articula&ccedil;&atilde;o territorial. Neste &acirc;mbito, o eixo predominante de comunica&ccedil;&atilde;o do Oeste europeu durante a Idade M&eacute;dia, que conectava Santiago e Finisterra galega com o resto da Europa atrav&eacute;s da rota jacobeia, foi substitu&iacute;do por uma nova via hegem&oacute;nica, a que ligava Sevilha (lugar de entrada das riquezas e dos produtos americanos) com os portos do Cant&aacute;brico dependentes do Reino de Castela (Gij&oacute;n, Santander, etc.). Por tanto, Galiza abandonou a sua posi&ccedil;&atilde;o central e tornou-se perif&eacute;rica, as suas elites cl&aacute;ssicas declinaram (como o arcebispado de Santiago) e algumas das modernas deslocaram-se para viver na Corte, agora imperial, de Castela. Resulta evidente que a Galiza beneficiou muito da moderniza&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria que acompanhou a introdu&ccedil;&atilde;o de alguns cultivos americanos (nomeadamente o milho) (Villares, 1984), mas tamb&eacute;m &eacute; certo que o seu protagonismo pol&iacute;tico ou simplesmente <i>regional </i>diminuiu at&eacute; n&iacute;veis extremos (como no longo per&iacute;odo do s&eacute;culo XVII em que a sua representa&ccedil;&atilde;o nas Cortes de Castela correspondia a Zamora). O galego desapareceu praticamente de moda na escrita, e converteu-se numa l&iacute;ngua unicamente popular. Pelo contr&aacute;rio, em toda esta etapa Portugal afirmou-se como um dos territ&oacute;rios mais din&acirc;micos da Europa, na vanguarda das descobertas ultramarinas e conseguiu manter a sua soberania nacional, primeiro com um pacto com Filipe II e posteriormente mediante uma Guerra da Restaura&ccedil;&atilde;o da qual saiu vitorioso. Consequentemente, a compara&ccedil;&atilde;o de um novo Reino pujante, que come&ccedil;ava a aproveitar a sua presen&ccedil;a na Am&eacute;rica, &Aacute;sia e &Aacute;frica, com um territ&oacute;rio do confim Noroeste da Pen&iacute;nsula relegado e uma posi&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica no castelhano (no espanhol), n&atilde;o fez sen&atilde;o desaparecer a este &uacute;ltimo das imagens portuguesas; em todo o caso, reduzindo-se ao <i>galego</i>, aos galegos, a um qualificativo n&atilde;o muito long&iacute;nquo da imagem depreciativa que os habitantes deste territ&oacute;rio recebiam por esta &eacute;poca em Madrid (consultem-se a este respeito as obras de autores t&atilde;o emblem&aacute;ticos como Cervantes, Quevedo, etc.).</p>     <p>Esta posi&ccedil;&atilde;o subordinada da Galiza tamb&eacute;m se expressou nos primeiros fluxos migrat&oacute;rios dos seus habitantes para Lisboa, Porto ou Douro no s&eacute;culo XVIII, muito bem caraterizados pelo historiador D. Gonz&aacute;lez Lopo (Gonz&aacute;lez Lopo, 2006). Uma migra&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o dos portugueses que partiam para o Brasil e outras col&oacute;nias que, por&eacute;m, n&atilde;o oculta que as sociedades portuguesa e galega foram desde h&aacute; muito tempo fornecedoras de homens e mulheres para a Am&eacute;rica e posteriormente outros pa&iacute;ses mais desenvolvidos da Europa e de outros continentes. Como se tem reiterado, as regi&otilde;es da fachada atl&acirc;ntica da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica definiram um conjunto de sociedades emigrantes ao longo da hist&oacute;ria, da mesma forma que centenas de milhares de irlandeses, bret&otilde;es, escoceses, galeses ou noruegueses tamb&eacute;m partiram para o exterior em per&iacute;odos conhecidos do passado, na procura de uma melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. Sem d&uacute;vida, todos estes territ&oacute;rios acusaram tradicionalmente o seu car&aacute;ter perif&eacute;rico, menos desenvolvido que alguns espa&ccedil;os centrais do continente, ao que adicionaram umas elevadas densidades rurais, que se traduziam claramente na disponibilidade de um volume insuficiente de terras em muitos casos, ou da aus&ecirc;ncia das mesmas para muitos em &aacute;reas de grandes propriedades. A tradi&ccedil;&acirc;o migrat&oacute;ria galega e portuguesa que une os dois povos, tanto na recria&ccedil;&atilde;o (e mitifica&ccedil;&atilde;o) popular da mesma como pela exist&ecirc;ncia de uns comportamentos muito semelhantes dos que partiram nas sociedades de acolhimento (Bacelar, 1994; Lois e Verdugo, 2006). Tamb&eacute;m os efeitos que teve o retorno na moderniza&ccedil;&atilde;o das comunidades alde&atilde;s de origem e o investimento em grandes volumes de capital gerados pelas remessas s&atilde;o muito semelhantes, e contribu&iacute;ram para acentuar as mudan&ccedil;as no mundo rural e de vila de toda a Galiza e de boa parte de Portugal.</p>     <p>Uma consequ&ecirc;ncia da migra&ccedil;&atilde;o ultramarina dos galegos foi a distin&ccedil;&atilde;o que desde o inicio puderam fazer entre o mundo luso europeu (exemplificado por Portugal) e extraeuropeu (que possui como principal referente o Brasil, mas tamb&eacute;m as coletividades de portugueses presentes na Venezuela, Am&eacute;rica do Norte, costa africana, etc.). Assim, a leitura da lusofonia foi-se construindo cada vez mais complexa e matizada desde meados do s&eacute;culo XX, e a imagem do Brasil come&ccedil;ou a afirmar-se como bem diferenciada (tamb&eacute;m muito atrativa) da do pa&iacute;s vizinho do Sul da Ib&eacute;ria. Sem d&uacute;vida, o Brasil &eacute; bastante diferente de Portugal, cada vez se interpreta mais como uma aut&ecirc;ntica potencia emergente, oferecendo inquestion&aacute;veis possibilidades de fazer neg&oacute;cio, onde grandes cidades como Salvador da Baia, Rio de Janeiro ou S&atilde;o Paulo n&atilde;o s&atilde;o completamente estranhas pela presen&ccedil;a de coletivos galegos assentados nas mesmas desde h&aacute; v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es. No que diz respeito aos PALOP, a descoberta tem sido mais ser&ocirc;dia . Somente quando os galegos come&ccedil;aram a procurar novos bancos de pesca, de crust&aacute;ceos e polvo na costa africana, se teve conhecimento direto, primeiro de Angola e Mo&ccedil;ambique, posteriormente da Guin&eacute; Bissau e Cabo Verde. Al&eacute;m disso, este conhecimento refor&ccedil;ou-se porque as popula&ccedil;&otilde;es destes lugares falavam algo muito semelhante ao galego e a comunica&ccedil;&atilde;o facilitava as possibilidades de chegar a acordos. Por outro lado, as rotas internacionais de emigra&ccedil;&atilde;o dos cabo-verdianos chegaram a Galiza, sobretudo como m&atilde;o de obra para a constru&ccedil;&atilde;o de uma grande f&aacute;brica de alum&iacute;nio na costa norte do territ&oacute;rio, e em seguida para o trabalho na pesca, o que tem gerado a exist&ecirc;ncia de uma coletividade bastante reconhecida e estudada desse pa&iacute;s em povoa&ccedil;&otilde;es como Burela (Fern&aacute;ndez Gonz&aacute;lez, 2006). Alem disso, a identidade galego-cabo-verdiana de centenas de filhos da primeira corrente migrat&oacute;ria situou este pa&iacute;s insular na perce&ccedil;&atilde;o de proximidade da Galiza em &eacute;pocas recentes.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A Galiza atual no contexto ib&eacute;rico.</b></p>     <p>Nas p&aacute;ginas anteriores refletirmos sobre a personalidade especial que manifesta a Galiza dentro da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, pelo seu particular v&iacute;nculo com Portugal, ao mesmo tempo que constitui um territ&oacute;rio perif&eacute;rico, mas integrado desde h&aacute; s&eacute;culos na estrutura do Estado Espanhol. Se nos debru&ccedil;armos sobre estas ideias, importa dizer que em &eacute;pocas recentes o territ&oacute;rio galego afirmou-se como uma Comunidade Aut&oacute;noma hist&oacute;rica, isto &eacute; uma nacionalidade, das dezassete que conformam Espanha (Aja, 1999). Entre as mesmas, podemos assinalar tamb&eacute;m que se encontra no primeiro grau dos espa&ccedil;os que alcan&ccedil;aram a autonomia, juntamente com o Pa&iacute;s Basco e Catalunha. Nestes casos a manuten&ccedil;&atilde;o de uma l&iacute;ngua pr&oacute;pria e, sobretudo, ter aprovado um Estatuto que fixava o autogoverno no passado (nomeadamente na II Rep&uacute;blica, entre 1931 e 1936), foram determinantes para materializar esta considera&ccedil;&atilde;o mais positiva (Garc&iacute;a &Aacute;lvarez, 2002). N&atilde;o obstante, e como &eacute; evidente, o n&iacute;vel de sentimento diferencial na sociedade galega &eacute; inferior ao expressado pelos bascos e pelos catal&atilde;es. Sem d&uacute;vida, a minora&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio na Idade Moderna e a consci&ecirc;ncia (real ou n&atilde;o) de que nos encontramos perante um pa&iacute;s mais pobre que o conjunto espanhol, ajudaram a explicar esta realidade (Lois, 2013). Na Galiza, em rela&ccedil;&atilde;o ao Pa&iacute;s Basco e &agrave; Catalunha, o sentimento independentista &eacute; muito d&eacute;bil, da mesma forma que as reivindica&ccedil;&otilde;es de um n&iacute;vel de autonomia maior est&atilde;o limitadas. E isto num contexto onde o galego, tal como o can&aacute;rio noutras latitudes, se sente como singular, bastante diferente no contexto estatal e ib&eacute;rico. Talvez recorrendo a esta raz&atilde;o, alguns polit&oacute;logos (Subiela, 2013), insistem em sublinhar o forte sentimento <i>galeguista </i>ou mesmo <i>nacionalista</i> da sociedade que habita a Galiza, ao mesmo tempo que os partidos de adscri&ccedil;&atilde;o espanhola foram e s&atilde;o claramente hegem&oacute;nicos em todas as consultas eleitorais que se t&ecirc;m vindo a fazer desde o come&ccedil;o do s&eacute;culo XX. O territ&oacute;rio galego constitui uma autonomia n&iacute;tida no contexto espanhol. singular pela sua proximidade com o atl&acirc;ntico e com o portugu&ecirc;s, mais ib&eacute;rica que a m&eacute;dia, e pouco problem&aacute;tica para as decis&otilde;es governamentais tomadas em Madrid que, em todo o caso, n&atilde;o conseguiram corrigir o <i>atraso hist&oacute;rico</i> desta Comunidade situada no confim noroeste e isolado por montanhas do restante Estado Espanhol.</p>     <p>Ao mesmo tempo que a Galiza funciona como uma realidade auton&oacute;mica, configura um espa&ccedil;o pr&oacute;prio onde as conex&otilde;es com Portugal se fazem mais evidentes. Como t&ecirc;m destacado diversos autores, na fachada atl&acirc;ntica da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica produziu-se um intenso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica as &aacute;reas litorais, que permite falar de uma <i>cidade continua</i> que se estende desde Ferrol - A Coru&ntilde;a at&eacute; Lisboa e &agrave; pen&iacute;nsula de Set&uacute;bal (Medeiros, 1987; Barata, 1992; Lois, 2004; Pi&ntilde;eira e Santos, 2011). Mesmo autores de renome internacional como o canadiano R. Florida insistem em que, a partir das imagens de ilumina&ccedil;&atilde;o noturna proporcionadas pelos sat&eacute;lites artificiais, o eixo urbano atl&acirc;ntico reflete uma maior intensidade de urbaniza&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o humana que o corredor mediterr&acirc;neo alongado de M&aacute;laga a Barcelona e, evidentemente, que a regi&atilde;o metropolitana de Madrid (L&oacute;pez Carro, 2014). Segundo esta evid&ecirc;ncia, a &aacute;rea metropolitana do Porto situa-se numa posi&ccedil;&atilde;o central do eixo, com&nbsp; uma popula&ccedil;&atilde;o que supera os dois milh&otilde;es e meio de habitantes (incluindo o C&aacute;vado e o Ave), alongam-se em dire&ccedil;&atilde;o ao Norte para ligar em pouco mais de 100 quil&oacute;metros com a &aacute;rea de Vigo, que se estende pelo espa&ccedil;o urbanizado de Pontevedra-R&iacute;as Baixas, e em 300 km, com Lisboa, atrav&eacute;s de &aacute;reas organizadas por Aveiro, Coimbra, Figueira da Foz, Leiria ou Santar&eacute;m, para rematar numa regi&atilde;o metropolitana que se expande para o Sul em dire&ccedil;&atilde;o a set&uacute;bal e contabiliza quase 3 milh&otilde;es de residentes. Mais a Norte, Santiago de Compostela, e as suas periferias, e A Coru&ntilde;a-Ferrol expressam a continuidade urbana, da mesma forma que os concelhos situados na primeira parte da rota ente Porto e Vila Real, entre Vigo e Ourense ou entre Lisboa e &Eacute;vora. Por tanto, encontramos uma das &aacute;reas que mais riqueza, emprego, capacidade de atrair investimentos e artificializa&ccedil;&atilde;o do solo demonstra em todo o Sul da Europa. Para a nossa argumenta&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia deste eixo litoral n&atilde;o faz mais do que corroborar o processo de forte integra&ccedil;&atilde;o territorial que os espa&ccedil;os urbanos e de economia diversificada do presente mostram entre a Galiza e Portugal. Uma integra&ccedil;&atilde;o que se expressa na mobilidade continua da popula&ccedil;&atilde;o de um lado para o outro da fronteira, em din&acirc;micas de deslocaliza&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o empresarial e laboral, e que possui uma intensidade incomparavelmente maior que a estabelecida entre as cidades e vilas galegas e as suas hom&oacute;nimas de Castela e Le&oacute;n ou Ast&uacute;rias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como se tem insistido, as continuidades entre os espa&ccedil;os galego e portugu&ecirc;s no contexto ib&eacute;rico contrastam com relativo isolamento do eixo urbano atl&acirc;ntico em rela&ccedil;&atilde;o aos territ&oacute;rios do interior, em particular em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Regi&atilde;o Metropolitana de Madrid. De facto, para a desloca&ccedil;&atilde;o por autoestrada ou por ferrovia desde A Coru&ntilde;a, Santiago de Compostela, Vigo, Porto ou Lisboa para a capital do Estado Espanhol ou de outras cidades de Castela, Ast&uacute;rias ou Andaluzia devem percorrer-se quase sempre mais de 200 quil&oacute;metros de &aacute;reas pouco povoadas, rurais e caraterizadas pelo declive. Perante a litoraliza&ccedil;&atilde;o galego-lusa, amplos espa&ccedil;os interiores expressam a dist&acirc;ncia subjetiva com outras &aacute;reas urbanas e metropolitanas da Pen&iacute;nsula. Precisamente neste confim orientar do galego (e do portugu&ecirc;s) encontramos comarcas de identidade dupla ou de transi&ccedil;&atilde;o, que alguns autores batizaram como <i>a Galicia irredenta </i>&nbsp;(L&oacute;pez Mira, 1998). A mesma estender-se-ia desde o ocidente asturiano de falas galegas que chegam ao rio Navia, ainda que ningu&eacute;m questione a sua perten&ccedil;a &agrave; Comunidade Aut&oacute;noma do Norte, at&eacute; a alta Sanabria correspondente &agrave; prov&iacute;ncia de Zamora e raiana com Tr&aacute;s-Os-Montes, passando por todo o Bierzo, uma comarca de mais de 150.000 habitantes, de forte personalidade e com uns tra&ccedil;os paisag&iacute;sticos, culturais e de organiza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio que se assemelham muito mais ao mundo galego que ao leon&ecirc;s e castelhano (Fern&aacute;ndez Rei y Hermida, 1996; Babarro, 2003). Em todos estes setores se conservam falas galego-portuguesas, manifesta&ccedil;&otilde;es folcl&oacute;ricas e comunit&aacute;rias muito semelhantes aos dos territ&oacute;rios situados no ocidente e bem individualizadas nas correspondentes &agrave; Meseta Espanhola. Estes tra&ccedil;os, por vezes reconhecidos simbolicamente (escolariza&ccedil;&atilde;o optativa em galego, gemina&ccedil;&acirc;o entre munic&iacute;pios, etc), s&atilde;o a constata&ccedil;&atilde;o de que o galego vai mais al&eacute;m dos seus estritos limites administrativos. Mas, este facto indiscut&iacute;vel muito dificilmente se afirmar&aacute; no futuro, j&aacute; que implicaria reconhecer que a lusofonia entra mesmo em territ&oacute;rios pertencentes a Ast&uacute;rias e Castela e Le&oacute;n, algo inconceb&iacute;vel desde o imagin&aacute;rio tradicional espanhol. Na verdade, no ano de 2006 quando se realizaram alguns atos de defesa da candidatura do patrim&oacute;nio imaterial galego-luso para a sua considera&ccedil;&atilde;o como mundial pela UNESCO, surgiram v&aacute;rios protestos airados e crises de conte&uacute;do pol&iacute;tico (sobretudo no ocidente asturiano), j&aacute; que n&atilde;o se podia admitir a <i>galeguizaci&oacute;n </i>(em certa medida, lusofoniza&ccedil;&atilde;o) de uma parte desta Comunidade Aut&oacute;noma (Valcarcel, 2007). Em contrapartida, importa assinalar que mais ao Sul na fronteira hispano-lusa existem exemplos de afirma&ccedil;&atilde;o lus&oacute;fona ou do castelhano fora das suas fronteiras (Rio de Onor, Oliven&ccedil;a, Barrancos, etc.) (Lois, Valc&aacute;rcel e Escudero, 2000), uns exemplos que ou se ignoram desde as inst&acirc;ncias oficiais ou procuram reduzir-se a simples manifesta&ccedil;&otilde;es pontuais e folcl&oacute;ricas.</p>     <p>Um &uacute;ltimo apontamento sobre as rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a galego portuguesas no marco geral definido por uma Ib&eacute;ria dividida entre Espanha e Portugal, refere-se &agrave; leitura hegemonicamente espanhola que se faz da Galiza desde a sociedade portuguesa. Quando um visitante luso se dirige a Tui, Vigo ou Santiago de Compostela considera, e assim o verbaliza de forma frequente que "vai a Espanha". S&oacute; uma pequena minoria de habitantes da regi&atilde;o do Minho ou da &aacute;rea do Porto percebem certa diferen&ccedil;a (refletida num quadro de autonomia pol&iacute;tica) entre o galego e o restante espanhol. Desta forma, o galego n&atilde;o se concebe como uma l&iacute;ngua pr&oacute;pria &agrave; margem do espanhol ou da divis&atilde;o hispano-lusa em dois Estados-na&ccedil;&atilde;o ib&eacute;ricos definidos pelos seus pr&oacute;prios idiomas, e a hist&oacute;ria da Galiza nunca &eacute; divergente da oficial de Espanha, ainda que uma abafante maioria de estudos sobre os per&iacute;odos medieval e moderno demonstrem que o que se entende como <i>espa&ntilde;ol</i> n&atilde;o deixa de ser castelhano ou resultado direto da a&ccedil;&atilde;o de uns monarcas que s&oacute; concebiam os seus territ&oacute;rios dependentes como um patrim&oacute;nio pr&oacute;prio (&Aacute;lvarez Junco, 2001). A imagem do galego em Portugal &eacute; muito d&eacute;bil, sempre menor do que a proporcionada pela cidade e o Caminho de Santiago, e contudo a nossa tese de uma melhor leitura da Galiza seria enormemente ben&eacute;fica para a lusofonia. Isto por diferentes motivos: a) Como assinalamos em diversas ocasi&otilde;es, a Galiza pode ser interpretada como um territ&oacute;rio de interse&ccedil;&atilde;o entre o espanhol e o portugu&ecirc;s. Pertencente a um Estado-Na&ccedil;&atilde;o determinado, mant&eacute;m os tra&ccedil;os culturais, lingu&iacute;sticos e de vizinhan&ccedil;a intensos com outro pa&iacute;s ib&eacute;rico, e isto deve ser tomado como uma vantagem no marco de um bom entendimento entre todas as partes, b) Com a consolida&ccedil;&atilde;o do eixo urbano atl&acirc;ntico de Ferrol - <i>A Coru&ntilde;a</i> at&eacute; Lisboa, as possibilidades de desenvolvimento deste amplo espa&ccedil;o aumentar&atilde;o muito. Todo o planeamento estrat&eacute;gico que se materializa deve entender esta nova realidade, como j&aacute; o fazem atualmente numerosos atores privados na altura de impulsionar os seus neg&oacute;cios; c) Neste espa&ccedil;o sem d&uacute;vida emergente, a rela&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o entre Porto e Vigo deve converter-se numa prioridade. Na realidade, com este amplo eixo urbano bem articulado, a posi&ccedil;&atilde;o central e metropolitano do Porto fica sublinhada, abrindo novas perspetivas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o espacial da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica; d) Claramente, uma intensifica&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos Galiza-Portugal contribuiria a uma redefini&ccedil;&atilde;o territorial de Espanha, hoje marcada pela hegemonia das regi&otilde;es mediterr&acirc;neas; e) Neste contexto, uma excelente oportunidades para aprofundar o descobrimento e impulso da interpreta&ccedil;&atilde;o lusa da realidade galega deve ser a Estrat&eacute;gia 2020 da UE, onde se insiste em favorecer o crescimento inteligente, sustent&aacute;vel e integrador, precisamente tr&ecirc;s aspetos onde as sinergias Galiza-Portugal se evidenciar&atilde;o muito.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. As rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, comerciais e tur&iacute;sticas com os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa.</b></p>     <p>Como complemento necess&aacute;rio &agrave;s reflex&otilde;es elaboradas sobre o papel da Galiza atual no mundo ib&eacute;rico, &eacute; para n&oacute;s fundamental a quest&acirc;o da vizinhan&ccedil;a geogr&aacute;fica e irmandade cultural de Galiza com Portugal e o resto do mundo lus&oacute;fono. Isto &eacute;, como a cultura e a mem&oacute;ria hist&oacute;rica levam &agrave; conforma&ccedil;&atilde;o de redes e espa&ccedil;os econ&oacute;micos bem definidos no quadro luso-galego num contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o. Esta procura s&oacute; ser&aacute; inicial no presente artigo; deve ser completada por estudos que possam estabelecer modelos num&eacute;ricos relativos &agrave; maior proximidade entre a Galiza, Portugal, Brasil e os PALOP pelo seu fator diferencial lingu&iacute;stico. Para este objetivo, abordaremos cinco aproxima&ccedil;&otilde;es complementares e breves no presente apartado. Em primeiro lugar, observaremos o que os dados nos oferecem sobre o com&eacute;rcio exterior e os Investimentos Exteriores Diretos (IED) entre a Galiza e a lusofonia numa perspetiva comparativa. Em segundo lugar, iremos repassar alguns registos gerais sobre a mobilidade quotidiana e os fluxos tur&iacute;stico-excursionistas com Portugal, o que se complementar&aacute; com uma terceira quest&atilde;o sobre a acessibilidade tendo por refer&ecirc;ncia a rela&ccedil;&acirc;o Galiza-Portugal. Em quarto lugar, procuraremos isolar alguns tra&ccedil;os gerais das rela&ccedil;&otilde;es com o Brasil, e terminaremos apontando que interesses setoriais e emergentes mostra a Galiza em rela&ccedil;&atilde;o aos PALOP.</p>     <p>Para analisar os principais dados referidos aos interc&acirc;mbios econ&oacute;micos e de capital entre a Galiza e Portugal iremos recorrer a um extraordin&aacute;rio documento, o anu&aacute;rio <i>A Economia Galega</i> coeditado tradicionalmente pelo <i>Instituto Universitario de Estudios para o Desenvolvemento de Galicia </i>( IDEGA) da Universidade de Santiago de Compostela e a <i>Fundacion Caixa Galicia</i>, que na se&ccedil;&atilde;o referida &agrave; ind&uacute;stria e elaborado por Joam Lopes Facal recolhe de uma forma precisa, e detalhada, o estado das rela&ccedil;&otilde;es entre a Galiza e o seu vizinho do Sul regularmente desde os anos 1980 ( IDEGA e Caixa Galicia, 1987-2013). Neste Anu&aacute;rio e em alguns trabalho que elaboramos h&aacute; algum tempo, constatou-se a multiplica&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio exterior bilateral desde a integra&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses ib&eacute;ricos na CE em 1986 e at&eacute; ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, momento a partir do qual se deve falar de uma tend&ecirc;ncia para a estabiliza&ccedil;&atilde;o (Lois, 2007). Durante os &uacute;ltimos dez ou doze anos &eacute; importante reter um dado sobre o comercio exterior da Galiza em dire&ccedil;&atilde;o a Portugal: o Estado luso situa-se, sempre e destacado, como segundo importador e exportador na balan&ccedil;a comercial atr&aacute;s de Fran&ccedil;a, relarivamente &agrave; qual os interesses comuns na ind&uacute;stria automobil&iacute;stica justificam a sua preemin&ecirc;ncia (referimo-nos &agrave; presen&ccedil;a da f&aacute;brica da empresa PSA em Vigo e os fluxos que gera). Este perfil difere do espanhol onde Fran&ccedil;a e Alemanha aparecem como principais clientes e provedores, verificando-se que a import&acirc;ncia de Portugal nos interc&acirc;mbios &eacute; reduzida.</p>     <p>A n&iacute;vel quantitativo, as exporta&ccedil;&otilde;es para Portugal representam o 17%, o 13,1% e o 13,0% em 2010, 2011 e 2012 respetivamente, enquanto que as importa&ccedil;&otilde;es alcan&ccedil;aram os 12,7%, 11,2% e 11,9% nesses mesmos tr&ecirc;s anos, o que corresponde a volumes de neg&oacute;cio entre 1600 e 1800 milh&otilde;es de euros para as importa&ccedil;&otilde;es galegas e um valor mais vari&aacute;vel de 2.000 a 3.000 milh&otilde;es de euros nas exporta&ccedil;&otilde;es. Como j&aacute; foi referido, esta sequ&ecirc;ncia do com&eacute;rcio exterior sempre se traduz num <i>superavit</i> para a economia galega, continuo desde os anos de 1980 e que mostra o seu car&aacute;ter mais competitivo em setores como o autom&oacute;vel, o t&ecirc;xtil ou mais recentemente a energia (Meixide e De Castro, 1999; Lois, 2007; IDEGA e Caixa Galicia, 1987-2013). No que se refere &agrave; din&acirc;mica expressada por estes dados, importa apontar duas ideias. A primeira, que a diminui&ccedil;&atilde;o das compras realizadas na Galiza pelos portugueses no ano 2011 e 2012 est&aacute; muito relacionada com a situa&ccedil;&atilde;o de crise econ&oacute;mica aguda que est&aacute; a sofrer o pa&iacute;s (tamb&eacute;m constat&aacute;vel na Galiza) e que se traduz numa redu&ccedil;&atilde;o global dos n&uacute;meros do com&eacute;rcio exterior. A segunda, que o pico do valor das exporta&ccedil;&otilde;es galegas em 2010 explica-se por um aumento das vendas de petr&oacute;leo refinado da Corunha no mercado luso, importante transa&ccedil;&atilde;o que se mant&eacute;m em 2011 e 2012, mas numas quantidades mais modestas (IDEGA e Caixa Galicia, 2011-2013).</p>     <p>Se passarmos a outro indicador relevante, os fluxos de capital expressados em Investimentos Exteriores Diretos (IED) para a Galiza, novamente se volta a demonstrar o protagonismo de Portugal, Brasil e o conjunto da lusofonia, assinalando outra vez um perfil distintivo relativamente ao conjunto espanhol. Por um lado, e este ser&aacute; o primeiro dado a reter, nos valores agregados de 1992 a 2012, Portugal destaca como a origem do 38% dos IED registados na Galiza, sem d&uacute;vida em grande parte como consequ&ecirc;ncia da aquisi&ccedil;&atilde;o da empresa <i>Cementos Cosmos</i> e a sua integra&ccedil;&atilde;o na CINPOR, a companhia l&iacute;der deste setor em Portugal (IDEGA e Caixa Galicia, 1987-2013). A CINPOR utilizou esta compra para se instalar em Espanha, atrav&eacute;s da empresa <i>Corporaci&oacute;n Noroeste</i>, que possui a sua base operativa na cidade de Vigo na Galiza e contabiliza um total de 26 f&aacute;bricas de cimento. Na realidade, a CINPOR apresenta-se como uma importante companhia transnacional deste setor com presen&ccedil;a em at&eacute; 12 pa&iacute;ses. Talvez seja por esta raz&atilde;o e pela profunda crise que sofre Portugal (pela quest&atilde;o da d&iacute;vida p&uacute;blica), uma companhia que &eacute; emblem&aacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o estatal na economia tenha sido privatizada progressivamente at&eacute; &agrave; situa&ccedil;&atilde;o posterior a 2010 quando a maior das a&ccedil;&otilde;es das suas a&ccedil;&ocirc;es est&acirc;o na posse&nbsp; de empresas brasileiras e uma por&ccedil;&atilde;o menor de entidades portuguesas. Concretamente, o <i>Anuario da Econom&iacute;a Galega </i>de 2011 lembra-nos que a CINPOR os grupos Camargo Correa e Votosantin de Brasil j&aacute; possuem 32% e o 21,1% da companhia, frente a 10,7% do portugu&ecirc;s Manuel Fino, 10% do Fundo de Pens&otilde;es do BCP e 9,58% da Caixa Geral de Dep&oacute;sitos (IDEGA e Caixa Galicia, 2011). Neste exemplo, estamos perante constitui&ccedil;&atilde;o de um importante grupo internacional baseado na lusofonia, mas n&atilde;o s&oacute; no mais frequente eixo Brasil-Portugal, sen&atilde;o tamb&eacute;m com recurso &agrave; Galiza como porta de entrada ao mercado espanhol. De facto, os maus resultados da <i>Corporaci&oacute;n Noroeste</i> durante a crise ( que afetou de uma forma muito destacada o setor da constru&ccedil;&atilde;o), estimados em 12,3 milh&otilde;es de euros em 2010, justificam a forte contribui&ccedil;&atilde;o do capital brasileiro e portugu&ecirc;s nesses anos na Galiza desde a matriz de CINPOR (IDEGA e Caixa Galicia, 2012). No <i>Anuario </i>de 2013 j&aacute; se estima que os IED exteriores com destino &agrave; Galiza procedentes do Brasil e de Portugal representaram &agrave; volta dos 85% do total no exerc&iacute;cio anterior (IDEGA e Caixa Galicia, 2013).</p>     <p>Outro &acirc;mbito onde a coopera&ccedil;&atilde;o galego-lusa &eacute; relevante e gera cont&iacute;nuos fluxos de capital &eacute; a ind&uacute;stria mec&acirc;nica, inicialmente centrada no setor autom&oacute;vel, mas nos &uacute;ltimos anos se estendeu tamb&eacute;m &aacute; aeron&aacute;utica. De facto, a capacidade empresarial dos concelhos fronteiri&ccedil;os como o de Vila Nova de Cerveira, com tr&ecirc;s parques industriais, explica-se pelo processo de expans&atilde;o do setor de acess&oacute;rios de ve&iacute;culos desde a &aacute;rea de Vigo. Assim, no <i>Anuario da</i> <i>Econom&iacute;a Galega</i> de 2011 comenta-se como a importante companhia americana TRW, que fabrica airbags e volantes, j&aacute; aparecia situada em Vigo (com duas f&aacute;bricas), no Porri&ntilde;o e em Cerveira, expressando um processo natural de difus&atilde;o do potencial industrial da grande cidade do sul da Galiza por espa&ccedil;os a sul da fronteira, no que se refere &agrave;s empresas auxiliares do autom&oacute;vel (IDEGA e CAIXA Galicia, 2011). Um movimento oposto, semelhante ao da CINPOR , mas tamb&eacute;m na ind&uacute;stria da mec&acirc;nica &eacute; o constatado na COASA, progressivamente especializada na aeron&aacute;utica (fabrica&ccedil;&otilde;es de <i>flaps </i>e<i> &nbsp;ailerons </i>estabilizadores de avi&otilde;es). A mesma colabora com a brasileira EMBRAER atrav&eacute;s da sua f&aacute;brica em &Eacute;vora, que estabeleceu liga&ccedil;&otilde;es com esta empresa de Ourense fortemente participada por capital portugu&ecirc;s. Por tanto, estamos perante outro exemplo do eixo empresarial brasileiro-luso-galego (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um terceiro setor econ&oacute;mico onde a conex&atilde;o lus&oacute;fona se observa sem dificuldade atrav&eacute;s de v&aacute;rios exemplos &eacute; o agroalimentar. Sem d&uacute;vida, dentro do mesmo a empresa que melhor simbolizou esta aposta foi a PESCANOVA de Vigo, especializada na comercializa&ccedil;&atilde;o de peixe congelado e refrigerado, assim como pratos preparados. Tradicionalmente PESCANOVA moveu-se com &agrave;-vontade no espa&ccedil;o galego-portugu&ecirc;s, ampliado aos PALOP onde sempre manteve barcos a trabalhar. Uma das suas &uacute;ltimas grandes apostas investidoras consistiu em impulsionar uma importante unidade de aquicultura em Portugal, na Praia de Mira, que por ter problemas t&eacute;cnicos acabou por provocar enormes perdas. Estas perdas que antecedem a forte crise na que se afundou a empresa desde 2013, e que perspectiva na atualidade um futuro incerto para a mesma. Com uma especializa&ccedil;&atilde;o produtiva pr&oacute;xima, e n&iacute;veis de solv&ecirc;ncia financeira muito mais elevados, situa-se as conserveiras galegas CALVO de Carballo e Jealsa de Boiro, bem introduzidas no mercado brasileiro. CALVO comprou no Brasil o grupo Gomes de Costa em finais de 2004 e na atualidade uma grande parte da sua fatura&ccedil;&atilde;o gera-se neste pa&iacute;s, onde controla 40% do mercado da sardinha enlatada e 50% do atum (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012). Por sua parte, Jealsa tamb&eacute;m est&aacute; no Brasil atrav&eacute;s da conserveira Crosoe Foods desde 2010 e, como &uacute;ltimo apontamento relevante no setor agroalimentar, importa lembrar um movimento inverso: a import&acirc;ncia do leite processado na Galiza por companhias de capital portugu&ecirc;s, como &eacute; o caso de Celta-Lactogal (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012).</p>     <p>Numa an&aacute;lise mais conjuntural, marcada pela gravidade da crise, podemos completar esta leitura da importante interpenetra&ccedil;&atilde;o das economias galega e portuguesa noutros setores empresariais, extens&iacute;vel a toda a lusofonia. Assim, segundo os dados de 2012 os IED portugueses na Galiza situaram-se como sextos por volume e os brasileiros em d&eacute;cimo. No primeiro caso, devido &agrave; compra da metal&uacute;rgica galega Megasa por uma empresa p&uacute;blica portuguesa, num quadro de investimento que se mantivera em 2013, a pesar das enormes dificuldades que enfrentou este pa&iacute;s, no fornecimento de energia el&eacute;trica e com&eacute;rcio grossista (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012-2013). Uma r&aacute;pida revis&atilde;o &agrave; dimens&acirc;o do investimento galego no exterior, neste &uacute;ltimo per&iacute;odo caraterizado pela contra&ccedil;&atilde;o dos fluxos, permite-nos encontrar opera&ccedil;&otilde;es em pesca e em servi&ccedil;os financeiros em Portugal em 2011. Posteriormente, os fluxos de capital da Galiza para o Sul do Minho foram muito dirigidos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e ao setor das embarca&ccedil;&otilde;es de recreio. Por &uacute;ltimo, os registos dispon&iacute;veis para 2013 colocam os IED em Portugal como os quartos por volumes, d&eacute;beis pela conjuntura econ&oacute;mica, mas ainda asim num posto destacado no <i>ranking </i>total de pa&iacute;ses com os quais se faz neg&oacute;cio neste caso concentrado no aluguer imobili&aacute;rio (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012-2013).</p>     <p>Neste &uacute;ltimo per&iacute;odo de dificuldades, e logo voltaremos a esta quest&atilde;o, o que sim se nota &eacute; um refor&ccedil;o das opera&ccedil;&otilde;es empresariais que implicam compras e vendas com o resto dos pa&iacute;ses da lusofonia, especialmente com o Brasil. Efetivamente, em 2012 esta potencia latino-americana colocou-se no quarto posto por volume de IED galegos recebidos, s&oacute; atr&aacute;s de Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e &Aacute;frica do Sul. O capital dirigido a este pa&iacute;s concentrou-se no setor el&eacute;trico, na obten&ccedil;&atilde;o de energia e&oacute;lica e hidroel&eacute;trica. No ano seguinte, o Brasil ascendeu ao segundo posto com investimentos preferenciais na ind&uacute;stria, nas &aacute;reas da metal&uacute;rgica e de fabrica&ccedil;&atilde;o de cimento e a&ccedil;o. (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012-2013). Como se pode comprovar, os neg&oacute;cios Galiza-Brasil t&ecirc;m uma componente estrat&eacute;gica, pois s&atilde;o os setores da grande empresa e da produ&ccedil;&atilde;o fabril estrita onde se encontram a maioria dos fluxos de capital contabilizados. O Brasil &eacute; um territ&oacute;rio muito apetecido pelas ind&uacute;strias galegas para operar, ao mesmo empo que a Galiza v&ecirc; como uma porta n&atilde;o menor de chegada de dinheiro brasileiro empregando Portugal como primeira escala europeia. No ano de 2013 os dados do IED tamb&eacute;m nos surpreendem pela apari&ccedil;&atilde;o de outros territ&oacute;rios de l&iacute;ngua portuguesa nas listas de IED, com o que se ratifica a nossa ideia de cultura/l&iacute;ngua e economia, correndo em paralelo em tempos da globaliza&ccedil;&atilde;o. Assim, Timor Lesta foi o 4&ordm; destino de investimento exteriores galegos para esse ano, e Macau o 22&ordm;, sendo que neste &uacute;ltimo caso, &eacute; mais uma vez a Corpora&ccedil;&atilde;o Noroeste est&aacute; na origem de uma aproxima&ccedil;&atilde;o de capital para a constru&ccedil;&atilde;o de uma f&aacute;brica de cimento (IDEGA e CAIXA Galicia, 2012-2013).</p>     <p>Outro aspeto onde se pode medir a intensidade das rela&ccedil;&otilde;es galego-portuguesas &eacute; na mobilidade de popula&ccedil;&atilde;o, tanto a quotidiana do domicilio ao lugar de trabalho que atravessa a fronteira, como a gerada pelas desloca&ccedil;&otilde;es por motivo comercial ou tur&iacute;stica. No que se refere ao primeiro caso, o observat&oacute;rio transfronteiri&ccedil;o Euro-Eures, financiado pela UE, elabora estat&iacute;sticas bastante precisas (Euro-Eures, 2003-2012), o que permite ver que, no ano de 2012, 7.229 portugueses possu&iacute;am contratos de trabalho na Galiza enquanto existiam 1.668 galego na mesma situa&ccedil;&acirc;o em Portugal, ou seja, que h&aacute; quase 9.000 pessoas nacionais de um dos territ&oacute;rios que trabalham no outro, mesmo num per&iacute;odo de aguda crise econ&oacute;mica. A composi&ccedil;&atilde;o do contingente continua a ser maioritariamente de oper&aacute;rios da constru&ccedil;&atilde;o civil portugueses no Norte do Minho e de trabalhadores qualificados, um bom n&uacute;mero deles m&eacute;dicos e enfermeiros galegos no territ&oacute;rio vizinho do Sul (Euro-Eures, 2003-2012; Carballo, 2014). Este fluxo, como adiantamos, sup&ocirc;s uma certa contra&ccedil;&atilde;o do existente em &eacute;pocas de crescimento econ&oacute;mico j&aacute; que em 2007 e 2008 16.626 e 20.644 portugueses tiveram contratos laborais na Galiza (da corrente inversa n&atilde;o se disp&otilde;e de registos da altura, ainda que parece que variou muito pouco). Dentro deste coletivo, a mesma fonte estima que para 2012 s&oacute; 844 oper&aacute;rios portugueses atravessavam a fronteira para desenvolver a sua jornada laboral na Galiza todos os dias ( eram 2.017 em 2007, o m&aacute;ximo hist&oacute;rico) frente a 615 galegos em dire&ccedil;&atilde;o oposta (Euro-Eures, 2003-2012). Isto implica que para uma grande parte dos portugueses que v&atilde;o para a Galiza a desloca&ccedil;&atilde;o possui um car&aacute;ter semanal, o qeu acontece com aproximadamente 60% de galegos com emprego a Sul do Minho.</p>     <p>Outro dado relevante do fluxo galego-portugu&ecirc;s quotidiano &eacute; o das Intensidades M&eacute;dias Di&aacute;rias (IMD) de circula&ccedil;&atilde;o por estrada e autoestrada nas vias transfronteiri&ccedil;as. Neste sentido, importa lembrar que este tipo de mobilidade &eacute; amplamente hegem&oacute;nica perante uma escassa utiliza&ccedil;&atilde;o da ferrovia, condicionado por um servi&ccedil;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ainda muito deficiente. Nas vias rodovi&aacute;rias, destaca-se a predomin&acirc;ncia do eixo do Minho, com 17.783 ve&iacute;culos que utilizaram a ponte nova Tui-Valen&ccedil;a em 2009, um n&uacute;mero muito destacado, representativo de um eixo de comunica&ccedil;&otilde;es estruturante. Este valor refor&ccedil;a-se com os 5.463 que o fizeram entre Mon&ccedil;&atilde;o e Salvaterra, os 4863 tamb&eacute;m entre Melga&ccedil;o e Arbo. Esta intensidade de tr&aacute;ficos que traduz a import&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es entre ambos os lados no Minho/Mi&ntilde;o, muito superior aos valores registados pela parte interior da fronteira: 755 carros entre Ponte Barxas e S&atilde;o Greg&oacute;rio, 767 na passagem de Lindoso, 787 entre Aceredo e Lindoso, 670 entre Baltar e Montalegre, 508 entre A Xironda e Santo Andr&eacute; (Montalegre), nas passagems que superaram os 500 carros ou autocarros de tr&acirc;nsito di&aacute;rio, j&aacute; que em 14 estradas Galiza-Portugal (no tro&ccedil;o Ourense- Tr&aacute;s-Os-Montes) nem se alcan&ccedil;am estes valores. Apenas entre Chaves e Ver&iacute;n importa referir um fluxo tamb&eacute;m destacado, de 7.075 ve&iacute;culos por dia, o que refor&ccedil;a o papel central no transito deste setor menos habitado e desenvolvido da raia (Carballo, 2014). De todas as formas, o conjunto de IMD reflete uma mobilidade sobressaliente entre territ&oacute;rios cada vez mais pr&oacute;ximos e acess&iacute;veis, onde os eixos de desenvolvimento de disposi&ccedil;&atilde;o meridiana se impuseram ao velho tra&ccedil;ado da fronteira Oeste-Leste.</p>     <p>Nesta revis&atilde;o da mobilidade transfronteiri&ccedil;a, apenas nos resta comentar outra fonte de estat&iacute;sticas num&eacute;ricas, a elaborada por TURGALICIA que desde os ano 1990 at&eacute; 2010 publicou question&aacute;rios de origem e destino tur&iacute;stico entre a Galiza e Portugal, que permitiram contabilizar com muita aproxima&ccedil;&atilde;o o volume de portugueses que vinham &agrave; Galiza aproveitar as suas f&eacute;rias ou simplesmente para compras ou lazer (mas neste caso n&atilde;o inclu&iacute;a dormida) (TURGALICIA, 1987-2010). Estes dados foram elaborados desde o Departamento de Estat&iacute;stica da Universidade de Santiago de Compostela e, desgra&ccedil;adamente, a s&eacute;rie foi interrompida em 2010 por problemas or&ccedil;amentais. Dos valores obtidos no dec&eacute;nio anterior, e j&aacute; utilizados em trabalhos pr&eacute;vios, deduz-se que os cidad&atilde;os de Portugal realizavam aproximadamente tr&ecirc;s milh&otilde;es de desloca&ccedil;&otilde;es para a Galiza por ano. Mais de noventa por cento desta mobilidade tinha por motivo declarado a realiza&ccedil;&acirc;o de compras (sobretudo em dire&ccedil;&atilde;o a Vigo, mas tamb&eacute;m a Ourense, Tui ou Ver&iacute;n) e de lazer (restaurantes, locais noturnos, etc.) (Lois, 2007). Estes valores refletem umas rela&ccedil;&otilde;es muito intensas de vizinhan&ccedil;a pelo menos entre os portugueses que moram a Norte do Douro e os galegos, rela&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o sempre alterando-se de acordo com a conjuntura econ&oacute;mica de cada territ&oacute;rio: a oscila&ccedil;&atilde;o que marca as s&eacute;ries hist&oacute;ricas recolhidas vai de dois at&eacute; seis milh&otilde;es de viagens. A este respeito, deve-se referir que o fluxo de desloca&ccedil;&otilde;es para a Galiza era vinte vezes superior desde Portugal que desde outras Comunidades Aut&oacute;nomas vizinhas de Ast&uacute;rias e Castela-Le&oacute;n, o que ratifica a ideia j&aacute; expressa de uma l&oacute;gica meridiana de articula&ccedil;&atilde;o regional do enquadramento noroeste da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica (Lois, 2007). Na desagrega&ccedil;&atilde;o dos dados &agrave; escala de NUT III verifica-se que a maior das pessoas que vinham &agrave; Galiza comprar ou aproveitar o seu tempo livre procediam do Minho-Lima, Alto Douro, de Tr&aacute;s-Os-Montes e do Grande Porto, por esta ordem. Contudo, tratando-se de de turismo (viagens de mais de um dia) os valores situavam em primeiro lugar o Grande Porto, e a dist&acirc;ncia ao Ave e ao T&acirc;mega (Lois, 2007). Relativamente aos perfis territoriais estudados, a percentagem das desloca&ccedil;&otilde;es (sobre a popula&ccedil;&atilde;o residente) eram muito mais elevadas no Minho-Lima (perto de 30% das viagens de menos de um dia), do que em Tr&aacute;s-Os-Montes e Alto Douro (menos do 15%) e o C&aacute;vado, Grande Porto e Ave (8-10% do total). Por &uacute;ltimo, a s&eacute;rie consultada ratifica-nos que o gasto em compras era o predominante (uns 40 euros em 2006), em rela&ccedil;&atilde;o aos dedicados &agrave; comida, viagem e lazer que n&atilde;o chegavam a 5 euros em cada caso (Lois, 2007).</p>     <p>Num registo de dados anual e mais recente (TURGALICIA, 2008), obt&ecirc;m-se valores complementares. Assim, segundo o inqu&eacute;rito tur&iacute;stico sobre o total de visitantes estrangeiros, cerca de 18,2% eram portugueses, sendo a nacionalidade mais representada ( &agrave; frente do Reino Unido e da Alemanha). Em rela&ccedil;&atilde;o aos motivos da desloca&ccedil;&atilde;o, o mais significativo era conhecer a cultura e os costumes (t&iacute;pico do turismo cultural e urbano), seguido da tranquilidade e o descanso e dos interesses simplesmente de f&eacute;rias (TURGALICIA, 2008). Isto &eacute;, expressado de forma diferente, um comportamento que lhe concedia muita import&acirc;ncia ao destino de Santiago e do Caminho, ao disfrute de outras cidades, mas que claramente mantinha o seu interesse por destinos de sol e praia vizinhos (e transfronteiri&ccedil;os) de grande prest&iacute;gio como Sanxenxo ou Baiona, entre outros. Por fim, note-se que os registos tamb&eacute;m afirmam dois perfis de estadias de f&eacute;rias, uma mais curta de 3 a 10 dias, junto a uma segunda cl&aacute;ssica de 13/15 jornadas de m&eacute;dia (TURGALICIA, 2008).</p>     <p>Tal como se pode deduzir nos par&aacute;grafos precedentes, Galiza e Portugal (especialmente o Norte do pa&iacute;s) s&atilde;o dois territ&oacute;rios muito acess&iacute;veis, vizinhos e que aproveitam a proximidade. Esta acessibilidade traduz-se sobretudo em viagens de menos de duas horas, por autoestradas ou outras vias r&aacute;pidas, a um lugar diferente mas com o qual se partilham m&uacute;ltiplas afinidades culturais e lingu&iacute;sticas. Adicionalmente, como se comprovou, a comunica&ccedil;&atilde;o entre os dois territ&oacute;rios segue uma dominante meridiana (N-S ou S-N), e reflete a hegemonia urbana e demogr&aacute;fica das &aacute;reas litorais. Segundo o modelo que foi priorizado pela UE desde 1986, ano de incorpora&ccedil;&atilde;o da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica nas institui&ccedil;&otilde;es europeias, esta boa conex&atilde;o realiza-se maioritariamente por vias terrestres de alta capacidade, autoestradas ou outras vias, j&aacute; que a ferrovia continua a estar marginalizada nas pol&iacute;ticas de transporte de Espanha e Portugal. Uma novidade que trouxe consigo esta not&aacute;vel melhoria da acessibilidade consiste na utiliza&ccedil;&atilde;o comum de grandes terminais de transporte. O caso mais destacado, e n&atilde;o isento de pol&eacute;mica jornal&iacute;stica, &eacute; o suscitado pelo aeroporto S&aacute; Carneiro do Porto, utilizado por dezenas de milhares de galegos para as suas desloca&ccedil;&otilde;es por via a&eacute;rea ou os portos de interesse geral e pesqueiro de Vigo, Mar&iacute;n, Viana do Castelo e Leix&otilde;es utilizados por empresas do outro pa&iacute;s para movimentar mercadorias. Por &uacute;ltimo, a acessibilidade tamb&eacute;m se reflete na utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os especializados das cidades galegas e portuguesas empregados por cidad&atilde;os do outro pa&iacute;s, como determinados centros universit&aacute;rios (a Faculdade de Medicina de Santiago de Compostela, por alunos portugueses ou escolas superiores de arquitetura e enfermagem por galegos)e hospitais ( num fluxo importante em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade de Vigo).</p>     <p>Num plano diferente &agrave;s intensas rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a e integra&ccedil;&atilde;o entre Galiza e Portugal ( sobretudo desde a Regi&acirc;o Norte) importa referir brevemente os v&iacute;nculos comerciais existentes com o gigante lus&oacute;fono, Brasil. Para esta aproxima&ccedil;&atilde;o, complement&aacute;ria de alguns dados de neg&oacute;cios m&uacute;tuos tratados nos par&aacute;grafos anteriores, empregaremos os registos publicados pelo <i>Instituto de Comercio Exterior (ICEX) de Espa&ntilde;a (ICEX, 2014).</i> Nos mesmos, o primeiro que se ressalta apuntar para um forte progresso dos interc&acirc;mbios hispano-brasileiros no &uacute;ltimo dec&eacute;nio, quando se triplicaram as exporta&ccedil;&otilde;es desde o pa&iacute;s europeu e aumentaram &agrave; volta de 70% as compras de produtos brasileiros. Sem d&uacute;vida, o car&aacute;ter de pot&ecirc;ncia emergente do Brasil expressa-se em volumes de neg&oacute;cio cada vez mais altos para um pa&iacute;s com uma forte voca&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica orientada &agrave; Am&eacute;rica Latina. Entre as importa&ccedil;&otilde;es destaca-se sobretudo os frutos oleaginosos (provavelmente soja), os minerais e combust&iacute;veis, e entre as exporta&ccedil;&otilde;es espanholas tamb&eacute;m os combust&iacute;veis e lubrificantes, e os equipamentos, componentes e assess&oacute;rios de autom&oacute;veis (ICEX, 2014). Desta forma, parece que ainda se conserva um perfil de com&eacute;rcio t&iacute;pico das rela&ccedil;&ocirc;es Norte-Sul ou centro-periferia, entre recursos n&atilde;o elaborados por um lado e a maioria de bens industriais por outro. Nos &uacute;ltimos exerc&iacute;cios contabilizados na sua totalidade (de 2011 a 2013) o Brasil situa-se entre os postos 15 e 20 do <i>ranking</i> de pa&iacute;ses que comercializam produtos para Espanha, e numa posi&ccedil;&atilde;o similar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s vendas para este grande mercado ib&eacute;rico (ICEX, 2014). Em fun&ccedil;&atilde;o da mesma fonte, se nos centrarmos nos valores expressados pelo com&eacute;rcio exterior Galiza-Brasil, importa dizer que esta Comunidade Aut&oacute;noma contabilizou entre 5% a 6,5% do total de exporta&ccedil;&otilde;es espanholas para o Brasil nos anos 2011 a 2013, um n&uacute;mero equivalente &agrave; sua import&acirc;ncia econ&oacute;mica dentro do Estado, se bem que importa considera-la como mais elevada do que a generalidade das demais comunidaees, se considerarmos que a Catalunha arrecadou cerca de 30% dos registos totais do per&iacute;odo analisado. No que se refere &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es desde o Brasil, e lembrando a sua componente principal de recursos alimentares e minero-energ&eacute;ticos, deteta-se um menor peso da Galiza que se estima entre um 1,7% e um 3,1% do total de compras espanholas de 2011 a 2013. Aqui, novamente se destacam os registos de Catalunha, e na Galiza o forte dom&iacute;nio das prov&iacute;ncias ocidentais dotadas de portos (A Coru&ntilde;a e Pontevedra, com Ferrol, A Coru&ntilde;a, Vilagarc&iacute;a, Mar&iacute;n e Vigo como instala&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas) neste com&eacute;rcio exterior com a pot&ecirc;ncia americana lus&oacute;fona.&nbsp;</p>     <p>Por &uacute;ltimo, a consulta da mesma fonte do ICEX relativa a interc&acirc;mbios recentes, tamb&eacute;m nos mostra a apari&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es emergentes muito localizadas entre Galiza e alguns dos PALOP, nomeadamente Mo&ccedil;ambique e Angola (quadruplicaram-se as exporta&ccedil;&otilde;es e quase se multiplicam-se as importa&ccedil;&otilde;es), se bem que a posi&ccedil;&atilde;o deste pa&iacute;s no <i>ranking</i> comercial &eacute; irrelevante: entre o lugar 70 e 75 em importa&ccedil;&otilde;es e o 120/130 em exporta&ccedil;&otilde;es (ICEX, 2014). Para o que nos interessa aqui, surpreende que entre um 15% e um 22% das compras espanholas a Mo&ccedil;ambique se realizem desde as prov&iacute;ncias galegas no per&iacute;odo de 2011-2014, em particular desde Pontevedra que praticamente totaliza o conjunto deste valor, o que se compreende pelas destacadas importa&ccedil;&otilde;es de alum&iacute;nio abundante no territ&oacute;rio africano e que sustenta um setor de transforma&ccedil;&atilde;o especializado no litoral galego. No que se refere &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es, Galiza apresenta valores muito flutuantes ano a ano, mas com certo significado (quase sempre a cima do 5% do total). Provavelmente se trate de um com&eacute;rcio pontual de produtos, novamente concentrado na sua quase totalidade na prov&iacute;ncia de Pontevedra. Em rela&ccedil;&atilde;o a Angola, os seus interc&acirc;mbios com Espanha multiplicaram-se nos &uacute;ltimos anos (por seis as exporta&ccedil;&otilde;es e por doze as importa&ccedil;&otilde;es). As compras de hidrocarbonetos, e a muita dist&acirc;ncia de peixe e marisco, e as vendas de instrumentos para o sector da sa&uacute;de e de autom&oacute;veis, s&atilde;o os principais respons&aacute;veis desta pujan&ccedil;a comercial, que situa Angola nos postos 65 a 70 do ranking de pa&iacute;ses para os quais exporta Espanha e entre o 20 e o 25 dos que importa. Se nos centrarmos na Galiza, novamente os valores de venda de bens ao territ&oacute;rio africano s&atilde;o extraordinariamente vari&aacute;veis de um exerc&iacute;cio para o outro, enquanto que as importa&ccedil;&otilde;es, focalizadas em Pontevedra, s&oacute; tem um valor marginal no consumo do Estado. Assim, os PALOP come&ccedil;am a ser uns mercados interessantes, se bem que a Galiza n&atilde;o reflete um perfil de especializa&ccedil;&atilde;o, exceto no caso do alum&iacute;nio mo&ccedil;ambicano, e nos portos de Vigo, Mar&iacute;n e talvez Vilagarc&iacute;a de Arousa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. A constru&ccedil;&atilde;o de um novo espa&ccedil;o relacional: o imagin&aacute;rio lus&oacute;fono desde a Galiza.</b></p>     <p>&Eacute; evidente que a afirma&ccedil;&atilde;o de que Portugal fica muito mais perto da Galiza que a Galiza de Portugal &eacute; certa, e os recentes dados de mobilidade transfronteiri&ccedil;a (na Euro-regi&atilde;o Norte de Portugal-Galiza), de professores e investigadores universit&aacute;rios no marco do Programa IACOBUS assim o confirmam (as estadias concedidas a estudantes, docentes e funcion&aacute;rios das universidades de Santiago de Compostela, A Coru&ntilde;a e Vigo duplicaram a dos portugueses procedentes dos polit&eacute;cnicos e universidades p&uacute;blicas do Norte abaixo do Minho). Como j&aacute; se indicou, este desigual comportamento est&aacute; muito relacionado com a leitura hist&oacute;rica e cultural de um territ&oacute;rio desde o outro. Destacados pensadores afirmaram em diversas ocasi&otilde;es que o imagin&aacute;rio <i>galeguista</i> ou simplesmente nacionalista galego sublimou todo o que era portugu&ecirc;s, ao mesmo tempo que se constru&iacute;a uma imagem negativa de Castela (Beramendi e Maiz, 1991). Portugal &eacute; vista como irm&atilde; separada pelos avatares hist&oacute;ricos que se deveriam superar nos novos tempos, e Castela como express&atilde;o de uma Espanha dominadora, colonial, que submeteu a Galiza &agrave;s suas formas de express&atilde;o desde finais do s&eacute;culo XV (Castelao, 1944; M&aacute;iz, 1991; Beramendi, 2008). Contudo, esta leitura n&atilde;o se corresponde com a habitual em Portugal, Estado-na&ccedil;&atilde;o afirmado ap&oacute;s uma guerra de independ&ecirc;ncia no s&eacute;culo XVII, que se preocupou em defender de uma poss&iacute;vel invas&atilde;o espanhola, unificou todas as hist&oacute;rias regionais do pa&iacute;s vizinho numa s&oacute; (inclu&iacute;da a galega), e projetou todo o seu potencial econ&oacute;mico e pol&iacute;tico al&eacute;m mar, no Atl&acirc;ntico, atrav&eacute;s de um importante imp&eacute;rio colonial e de uma alian&ccedil;a estrat&eacute;gica com os ingleses desde o XVIII. Pouco importava em Portugal a evolu&ccedil;&atilde;o de um pequeno territ&oacute;rio nos seus confins setentrionais, onde se falava um dialeto muito influenciado pelo espanhol (Lois, 2002). S&oacute; com a incorpora&ccedil;&atilde;o dos dois pa&iacute;ses &agrave; Europa unida &eacute; que esta leitura come&ccedil;a a mudar, mas para umas minoria, subretudo ligada &agrave; cultura portuguesa m&aacute;is atenta &agrave;s express&otilde;es &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; liter&aacute;rias ou cientifica al&eacute;m Minho (talvez a consolida&ccedil;&atilde;o da Universidade do Minho tenha ajudado bastante nisso). E minorit&aacute;ria na medida em que a generalidade dos cidad&atilde;os portugueses continua a pensar o mesmo em rela&ccedil;&atilde;o a uma Espanha concebida como unit&aacute;ria e monol&iacute;tica, ainda que nos territ&oacute;rios minhotos e transmontanos esta interpreta&ccedil;&atilde;o apare&ccedil;a substancialmente alterada, e as noticias provenientes de Catalunha levem a uma nova reflex&acirc;o por alguns outros sobre a diversidade interior do que &eacute; visto como unidade pol&iacute;tica.</p>     <p>Partindo desta diferente perce&ccedil;&atilde;o entre as sociedades galega e portuguesa, n&atilde;o se pode negar uma evid&ecirc;ncia na que insistimos ao longo de todo o presente texto: a utilidade do galego-portugu&ecirc;s para os cidad&atilde;os de um e do outro lado da fronteira. Por um lado, os galegos que cruzam o Minho ou os postos fronteiri&ccedil;os do Alto Douro compreendem sem exce&ccedil;&atilde;o, com maior ou menor grau de familiaridade, a forma de falar dos seus vizinhos do Sul. Mesmo em &eacute;pocas recentes tem-se observado que os galegos que empregam habitualmente o espanhol na sua vida quotidiana passam a expressar-se com frases bem pensadas em galego quando v&atilde;o a uma localidade portuguesa. Do outro lado, talvez ainda muitas pessoas que chegam a Vigo, Santiago ou a alguma povoa&ccedil;&atilde;o costeira continuem a entender que quase todos os seus interlocutores se expressam em espanhol ou em <i>portunhol</i>, quando o fazem em galego. N&atilde;o obstante, e a pesar do que &eacute; visto como uma estranha insist&ecirc;ncia de bastantes portugueses em continuar a falar na l&iacute;ngua oficial do grande pa&iacute;s vizinho, &eacute; incontest&aacute;vel que os mesmos sentem claramente uma maior familiaridade lingu&iacute;stica e comunicativa na Galiza do que em Andaluzia, Estremadura e Castela-Le&oacute;n. Nas nossas observa&ccedil;&otilde;es constatamos que este problema n&atilde;o surge com interlocutores brasileiros, que descobrem na Galiza uma l&iacute;ngua irm&atilde;, n&atilde;o submetida a uma leitura espanholizante ou dialetal&nbsp; que muitos portugueses fazem como express&atilde;o da sua leitura de um mapa ib&eacute;rico constitu&iacute;do por dois Estados-Na&ccedil;&atilde;o equivalente, na maioria dos seus personagens. Neste contexto, o que n&atilde;o se pode negar &eacute; que quando existe algum neg&oacute;cio, intercambio ou empresa que se desenvolve do outro lado da fronteira, a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se acompanha de nenhum problema, &eacute; flu&iacute;da, e costuma fazer-se em galego-portugu&ecirc;s. Tamb&eacute;m acontece o mesmo entre as pessoas, bastantes numerosas como vimos, que atravessam di&aacute;ria ou semanalmente o limite pol&iacute;tico Galiza/Portugal por motivo de trabalho, de compras e, em menor medida, de estudo e de lazer. Sem d&uacute;vida, construir da parte portuguesa uma imagem de proximidade, lus&oacute;fona, do galego ajudaria muito a evitar certas disfun&ccedil;&otilde;es comunicativas, que s&atilde;o no m&iacute;nimo curiosas.</p>     <p>Como se apontou no par&aacute;grafo precedente, o com&eacute;rcio e os neg&oacute;cios unificam as falas do Norte e do Sul do Minho de forma natural. Por isso, uma quest&atilde;o relevante baseia-se em considerar que o portugu&ecirc;s &eacute; uma l&iacute;ngua &uacute;til para a economia. Esta facto surge como evidente para os muitos empreendedores galegos que fazem neg&oacute;cio ou trabalham em Portugal, Brasil ou na &Aacute;frica Austral. Os mesmos, inequ&iacute;vocamente, comportam-se de uma forma semelhante aos estudantes portugueses que chegam a Santiago de Compostela para estudar medicina e descobrem uma cidade muito pr&oacute;xima simb&oacute;lica e culturalmente, aos de enfermagem e arquitetura galegos que recorrem a Escolas Superiores situadas perto da fronteira e em Portugal, que em nenhum caso t&ecirc;m problemas de adapta&ccedil;&atilde;o ou compreens&atilde;o lingu&iacute;stica no seu processo formativo. N&atilde;o obstante, esta aceita&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua portuguesa no Norte do Minho poderia ser maior se os estudos da ortografia e da fon&eacute;tica desta variedade lingu&iacute;stica nacional do Sul se generalizassem como op&ccedil;&atilde;o no ensino secund&aacute;rio dentro do sistema educativo institucionalizado galego. A este respeito, a aprova&ccedil;&atilde;o da Iniciativa Legislativa Popular "Paz Andrade" pelo Parlamento Galego pode converter-se num come&ccedil;o nesta linha, se bem que a implementa&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica dos seus conte&uacute;dos ainda &eacute; muito d&eacute;bil. Quando algum produto de massas dirigido aos mais novos reconheceu a exist&ecirc;ncia de uma comunidade lingu&iacute;stica galego-portuguesa comum, n&atilde;o apenas n&atilde;o causou problemas, como houve grande recetividade e seguimento, como aconteceu com o programa infantil Xabar&iacute;n Club emitido v&aacute;rios anos pela <i>Televisi&oacute;n de Galicia</i> (TVG). Por outro lado, em Portugal tamb&eacute;m se avan&ccedil;ar&aacute; notavelmente quando se interprete o territ&oacute;rio galego como uma prolonga&ccedil;&atilde;o natural l&oacute;gica e sem ruturas da &aacute;rea de neg&oacute;cio de numerosas empresas radicadas no Minho e nos espa&ccedil;os metropolitanos de Porto e de Lisboa.</p>     <p>Uma das nossas teses insiste em que o desaparecimento efetivo das fronteiras pol&iacute;ticas favorece a mobilidade quotidiana de pessoas atrav&eacute;s da mesma. Esta mobilidade e aumento exponencial dos contatos normalizados entre galegos e portugueses refor&ccedil;a a utilidade da conforma&ccedil;&atilde;o de uma cultura, uma l&iacute;ngua e express&atilde;o, e um espa&ccedil;o econ&oacute;mico de lazer comuns. O Brasil facilita-se de forma natural (e refor&ccedil;a-se pela presen&ccedil;a de comunidades hist&oacute;ricas de emigrantes) e as possibilidades de ampliar os v&iacute;nculos com os PALOP por parte da Galiza, constituem uma porta aberta para o futuro. O mesmo se pode dizer da potencial proje&ccedil;&atilde;o de Portugal em rela&ccedil;&atilde;o aos territ&oacute;rios c&eacute;lticos e atl&acirc;nticos do Oeste europeu (Esc&oacute;cia, Irlanda, Bretanha, etc.) com que os galegos mant&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o mais s&oacute;lida, ou com os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina com uma forte pegada hist&oacute;rica das coletividades de <i>gallegos</i>, nome com a que os <i>rioplatenses</i> (no Uruguai e na Argentina) e os cubanos definem aos chegados de todo o Norte espanhol, assim como alguns brasileiros do Nordeste chaman galegos a todos os loiros.</p>     <p>Consequentemente, a op&ccedil;&atilde;o por um galego integrado na lusofonia possui inumer&aacute;veis virtudes. Sai-se de um contexto de l&iacute;ngua local ou <i>rexional</i> muito rica, bastante bem conservada, mas com amea&ccedil;as evidentes devido &agrave; exist&ecirc;ncia de um sentimento <i>nacional</i> galego muito mais d&eacute;bil que nos casos da Catalunha ou do Pa&iacute;s Basco, para um outro contexto amplificado de uma das fam&iacute;lias idiom&aacute;ticas globais, faladas por centenas de milh&otilde;es de pessoas, que t&ecirc;m muito a dizer no mundo crescentemente interrelacionado e intercomunicado atual. De uma forma similar, e como se apontou (Valc&aacute;rcel, 2007), evita o risco evidente &agrave; dialetiza&ccedil;&atilde;o do galego no espa&ccedil;o envolvente do espanhol, com um mudan&ccedil;a geopol&iacute;tica de indubit&aacute;vel interesse. Para a sociedade e as elites portuguesas (e brasileiras) aceitar a proximidade de todo o galego constitui uma oportunidade expans&atilde;o cultural, econ&oacute;mica e territorial muito importante para uma na&ccedil;&atilde;o encravada uma long&iacute;nqua esquina do sudeste europeu. Adicionalmente, na Galiza e em Portugal a presen&ccedil;a vis&iacute;vel ou subjacente do espanhol, permite formar coletividades de pessoas com habilidades bilingues em dois sistemas idiom&aacute;ticos que, conjuntamente, som usadas por perto de 1.000 milh&otilde;es de homens de mulheres em todo o Mundo.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. Como forma de conclus&atilde;o. Os cen&aacute;rios de futuro para a Galiza: o refor&ccedil;o do seu perfil europeu, ib&eacute;rico e lus&oacute;fono.</b></p>     <p>Ao longo do presente artigo defendeu-se que a integra&ccedil;&atilde;o entre Espanha e Portugal nas Comunidades Europeias em 1986 abriu uma nova fase nas rela&ccedil;&otilde;es entre a Galiza e o seu pa&iacute;s vizinho do Sul. A fronteira pol&iacute;tica foi superada e agora importa insistir na melhoria das rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, culturais e de vizinhan&ccedil;a de todo o tipo. Para tanto, a quest&atilde;o europeia entendida no seu sentido tradicional de cidadania comum dos habitantes do mesmo continente revela-se num instrumento b&aacute;sico para refor&ccedil;ar as rela&ccedil;&otilde;es. Em maior medida, importa aproveitar os programas espec&iacute;ficos da UE para o desenvolvimento territorial conjunto e a especializa&ccedil;&atilde;o inteligente (Interreg, POCTEP, RIS3, etc.). Sem d&uacute;vida, o velho sonho iberista de h&aacute; mais de um s&eacute;culo pode reinterpretar-se na l&oacute;gica de integra&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios e pa&iacute;ses lim&iacute;trofes de Espanha e Portugal, que durante muito tempo (em particular no franquismo e no Estado Novo) estiveram for&ccedil;ados a viver de costas voltadas pelas autoridade governamentais dos dois Estados-na&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste contexto, as complementaridades econ&oacute;micas, a vizinhan&ccedil;a e a facilidade nas comunica&ccedil;&otilde;es, uma organiza&ccedil;&atilde;o tradicional do espa&ccedil;o muito semelhante e a simpatia existente entre as duas comunidades ajuda muito a uma crescente integra&ccedil;&atilde;o. Desta forma, e como insistimos na tese central deste artigo, a reivindica&ccedil;&atilde;o da perten&ccedil;a a uma fam&iacute;lia lingu&iacute;stica e cultural comum galego-portuguesa &eacute; o fator mais importante para a constru&ccedil;&atilde;o deste territ&oacute;rio transnacional. De facto, que os galegos comecem a compreender que s&atilde;o uma parte espec&iacute;fica da lusofonia &eacute; fundamental, num processo paralelo &agrave; assun&ccedil;&atilde;o por parte da sociedade portuguesa de que existe um territ&oacute;rio bastante individualizado em Espanha, onde se conserva uma forma de falar pr&oacute;xima &aacute; sua, e que sup&otilde;e uma&nbsp; prolonga&ccedil;&atilde;o natural do espa&ccedil;o econ&oacute;mico nacional por toda a fachada atl&acirc;ntica da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Os passos para a incorpora&ccedil;&atilde;o da Galiza no mundo lus&oacute;fono beneficiam todas as pates; agora importa defend&ecirc;-lo com intensidade, ao mesmo tempo que se articulam campanhas positivas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, capazes de demonstrar que Galiza mais Portugal &eacute; muito mais do que a soma dos dois.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>AJA, E. (1999): <i>El Estado Auton&oacute;mico. Federalismo y hechos diferenciales</i>. Madrid: Alianza Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735880&pid=S2182-1267201600020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>&Aacute;LVAREZ JUNCO, J. (2001): <i>Mater Dolorosa. La idea de Espa&ntilde;a en el siglo XIX</i>. Madrid: Taurus&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735882&pid=S2182-1267201600020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ANDERSON, B. (1983): <i>Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism</i>. Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735883&pid=S2182-1267201600020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BABARRO GONZ&Aacute;LEZ, X. (2003): <i>Galego de Asturias. Delimitaci&oacute;n, caracterizaci&oacute;n e situaci&oacute;n socioling&uuml;&iacute;stica</i> (2 volumes). A Coru&ntilde;a: Fundaci&oacute;n Barri&eacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735885&pid=S2182-1267201600020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BACELAR, J. (1994): <i>Galegos no para&iacute;so racial</i>. Salvador de Bahia: Centro Editorial e Did&aacute;ctico-UFBA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735887&pid=S2182-1267201600020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARATA SALGUEIRO, T. (1992): <i>A Cidade em Portugal. Uma Geografia urbana</i>. Lisboa: Ed. Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735889&pid=S2182-1267201600020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BEL, G. (2010): <i>Espa&ntilde;a, capital Par&iacute;s. Origen y apoteosis del Estado radial: del Madrid sede cortesana a la "capital total"</i>. Barcelona: Ed. Destino.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735891&pid=S2182-1267201600020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERAMENDI, X. (2008): <i>De Provincia a Naci&oacute;n. Historia do galeguismo pol&iacute;tico</i>. Vigo: Xerais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735893&pid=S2182-1267201600020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERAMENDI, X. G e M&Aacute;IZ, R. (Comp. ) (1991): <i>Los nacionalismos en la Espa&ntilde;a de la II&ordf; Rep&uacute;blica</i>. Madrid: Siglo XX Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735895&pid=S2182-1267201600020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BOIRA, J.V. (2013): "Infraestructuras y financiaci&oacute;n en Espa&ntilde;a: hacia un nuevo paradigma", en J. G&Oacute;MEZ-MENDOZA, R.C. LOIS y O. NEL.LO (Eds.), <i>Repensar el Estado. 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Buenos Aires: Artes Gr&aacute;ficas Bartolom&eacute; U.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735900&pid=S2182-1267201600020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EIXO ATL&Aacute;NTICO (2004): <i>Galicia, Norte de Portugal: d&uacute;as rexi&oacute;ns. Unha rexi&oacute;n constru&iacute;ndo a Europa dos cidad&aacute;ns</i>. Santiago de Compostela: Eixo Atl&aacute;ntico do Noroeste Peninsular e Comunidade de Traballo da Eurorrexi&oacute;n Galicia-Norte de Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735902&pid=S2182-1267201600020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><i>&nbsp; </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>EURO-EURES (2007-2012): <i>Informes peri&oacute;dicos de movilidad laboral transfronteriza</i>. Vigo y Valen&ccedil;a do Minho: Euroeures. <a href="https://www.ec.europa.eu/eures/public/" target="_blank">https://www.ec.europa.eu/eures/public/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735904&pid=S2182-1267201600020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>FERN&Aacute;NDEZ GONZ&Aacute;LEZ, L. (2006): "Evolu&ccedil;ao da comunidade cabo-verdiana residente na Marinha luguesa", en LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C. e VERDUGO MATES, R.M. (Eds.), <i>As Migraci&oacute;ns en Galiza e Portugal. Contributos desde as Ciencias Sociais</i>. Pp. 217-237. Santiago de Compostela: Candeia Ed.</p>     <!-- ref --><p>FERN&Aacute;NDEZ REI, F. e HERMIDA GUL&Iacute;AS, C. (1996): <i>A nosa fala. Bloques e &aacute;reas ling&uuml;&iacute;sticas do galego</i>. Santiago de Compostela: Consello da Cultura Galega&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735906&pid=S2182-1267201600020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>FERRAO, J. (2002): "Portugal, tr&egrave;s geografias em recombina&ccedil;&agrave;o; espacialidades, mapas cognitivos e identidades territoriais", en Lusotopie. Portugal, une identit&eacute; dans la longue dur&eacute;e. Num. 10, 2002/2. Pp. 151-159. Paris: Ed. Karthala.</p>     <p>GARC&Iacute;A &Aacute;LVAREZ, J. (2001): "La naci&oacute;n visualizada: cartograf&iacute;a, propaganda y ense&ntilde;anza escolar en la Espa&ntilde;a del franquismo", AGE y Universidad de Oviedo, Departamento de Geograf&iacute;a, <i>Actas del XVII Congreso de Ge&oacute;grafos Espa&ntilde;oles</i>. 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(2006): "Se se mudasem embora nao haveriaquem servisse...Os galegos en Portugal: un exemplo t&iacute;pico de mobilidade en &eacute;poca preindustrial", en R.C. Lois e R.M&ordf;. Verdugo (Ed.), <i>As migraci&oacute;ns en Galiza e Portugal: contributos desde as Ciencias Sociais</i>. Pp. 237-265. Santiafo de Compostela: Candeia Ed.</p>     <!-- ref --><p>HOWSBANN, E. (1983): <i>The Invention of Tradition</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735913&pid=S2182-1267201600020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ICEX (2014): <i>Estad&iacute;sticas del comercio exterior espa&ntilde;ol</i>. Madrid: Gobierno de Espa&ntilde;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735915&pid=S2182-1267201600020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>IDEGA-Caixa Galicia (1987-3013): <i>Informe da Econom&iacute;a Galega</i> (anuarios). Fundaci&oacute;n Caixa Galicia: A Coru&ntilde;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735917&pid=S2182-1267201600020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C. (2002): "As rela&ccedil;&oacute;ns de Portugal com a Ib&eacute;ria: uma olhada desde a Galiza&rdquo;. <i>Lusotopie</i>, n&ordm;. 10, 2002/02. Pp. 193-211. Paris: Karthala.</p>     <p>LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C. (2004): &ldquo;Estructura territorial de Galicia&rdquo;, en R. Rodr&iacute;guez Gonz&aacute;lez (Dir.), <i>Os concellos galegos para o s&eacute;culo XXI. </i><i>An&aacute;lise dunha reestructuraci&oacute;n do territorio e o goberno local. Vols. I e II</i>. Pp. 100-161. Santiago de Compostela: IDEGA-Universidade de Santiago.</p>     <!-- ref --><p>LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C. (2007):<i> Fronteras y an&aacute;lisis geogr&aacute;fico; la raya galego-portuguesa</i>. Trabajo Original e In&eacute;dito presentado a la Habilitaci&oacute;n para el Cuerpo de Catedr&aacute;ticos de Universidad, del &aacute;rea de conocimiento de An&aacute;lisis Geogr&aacute;fico Regional. Granada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735921&pid=S2182-1267201600020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C. (2013): "Recursos econ&oacute;mico-financieros y equidad territorial en Espa&ntilde;a" en J. G&oacute;mez-Mendoza, R.C. Lois y O. Nel.Lo (Eds.), <i>Repensar el Estado. Crisis econ&oacute;mica, conflictos territoriales e identidades pol&iacute;ticas en Espa&ntilde;a</i>. Pp. 63-77. Santiago de Compostela: Grupo ANTE y Servicio de Publicaci&oacute;ns da USC.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C.; VALC&Aacute;RCEL RIVEIRO, C. e ESCUDERO G&Oacute;MEZ, L.A. (2000): "El hecho diferencial en el Estado Espa&ntilde;ol: un estudio geogr&aacute;fico desde la periferia", en Lois, R., Mart&iacute;n Lou, M&ordf;.A., Mata, R y Valenzuela, M., <i>Vivir la diversidad en Espa&ntilde;a. Aportaci&oacute;n espa&ntilde;ola al XXIX Congreso de la Uni&oacute;n Geogr&aacute;fica Internacional, Seul 2000</i>. Pp. 219-243. Madrid: Comit&eacute; Espa&ntilde;ol de la Uni&oacute;n Geogr&aacute;fica Internacional.</p>     <!-- ref --><p>LOIS GONZ&Aacute;LEZ, R.C. e VERDUGO MATES, R.M. (Eds.) (2006): <i>As Migraci&oacute;ns en Galiza e Portugal. Contributos desde as Ciencias Sociais</i>. Santiago de Compostela: Candeia Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735925&pid=S2182-1267201600020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&Oacute;PEZ CARRO, M.R. (2014): <i>Lectura xeogr&aacute;fica da cidade de Porto</i>. Traballo Fin do Grao de Xeograf&iacute;a e Ordenaci&oacute;n do Territorio. Presentado en la Facultade de Xeograf&iacute;a e Historia. Universidade de Santiago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735927&pid=S2182-1267201600020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&Oacute;PEZ MIRA, A.X. (1998): <i>A Galicia Irredenta</i>. Vigo: Ed. Xerais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735929&pid=S2182-1267201600020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>M&Aacute;IZ, R.(1991): "Federalismo y naci&oacute;n en el discurso del nacionalismo gallego de la II&ordf; Rep&uacute;blica", en Beramendi, X. G e M&aacute;iz, R. (Comp. ) (1991): <i>Los nacionalismos en la Espa&ntilde;a de la II&ordf; Rep&uacute;blica</i>. Pp. 377-405. Madrid: Siglo XX Ed.</p>     <!-- ref --><p>MEDEIROS, C.A. (1987): <i>Introdu&ccedil;&acirc;o &agrave; Geogragia de Portugal</i>. Lisboa: Ed. Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735932&pid=S2182-1267201600020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MEIXIDE, A.. e DE CASTRO, A. (Coords.): <i>Galicia e a Rexi&oacute;n Norte de Portugal: un espacio econ&oacute;mico europeo</i>. A Coru&ntilde;a: Fundaci&oacute;n Caixa Galicia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735934&pid=S2182-1267201600020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MORENO LUZ&Oacute;N, J. r N&Uacute;&Ntilde;EZ SEIXAS, X.M. (2013): <i>Ser Espa&ntilde;oles</i>.<i> Imaginarios nacionalistas en el siglo XX</i>.&nbsp; Barcelona: RBA Eds.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735936&pid=S2182-1267201600020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PAPELES DE ECONOM&Iacute;A ESPA&Ntilde;OLA (1994): <i>Galicia y Norte de Portugal. Claves econ&oacute;micas de una eurorregi&oacute;n</i>. N&uacute;m. 22. Madrid: Fundaci&oacute;n de las Cajas de Ahorros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735938&pid=S2182-1267201600020000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PI&Ntilde;EIRA MANTI&Ntilde;&Aacute;N. M&ordf;.J. e SANTOS SOLLA, X.M. (2011): <i>Xeograf&iacute;a de Galicia</i>. Vigo: Ed. Xerais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735940&pid=S2182-1267201600020000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RIBEIRO, O. (1945): <i>Portugal, o Mediterr&aacute;neo e o Atl&aacute;ntico</i>. Lisboa: S&aacute; da Costa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735942&pid=S2182-1267201600020000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SUBIELA, X. (2013): <i>Para qu&eacute; nos serve Galicia?</i> Vigo: Ed. Galaxia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735944&pid=S2182-1267201600020000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TAYLOR, P. (1994): <i>Geograf&iacute;a Pol&iacute;tica: Econom&iacute;a-Mundo, Estado Naci&oacute;n y Localidad</i>. Madrid: Trama Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735946&pid=S2182-1267201600020000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TORRES VILLEGAS, J. de (1852): <i>El Mapa pol&iacute;tico de Espa&ntilde;a</i>. Imp. de Jos&eacute; M&ordf;. Alonso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735948&pid=S2182-1267201600020000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TURGALICIA (1987-2010): <i>Enquisa en orixe e Enquisa en destino. An&aacute;lise estat&iacute;stica sobre o turismo en Galicia, series anuais</i>. Santiago de Compostela: Xunta de Galicia e Universidade de Santiago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735950&pid=S2182-1267201600020000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VALC&Aacute;RCEL RIVEIRO, C. (2007): <i>Xeoling&uuml;&iacute;stica da periferia rom&aacute;nica atl&aacute;ntica: l&iacute;nguas e lugares</i>. Tese de Doutoramento. Departamento de Filolox&iacute;a Galega. Universidade de Santiago de Compostela.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735952&pid=S2182-1267201600020000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VICENS VIVES, J. (1952): <i>Aproximaci&oacute;n a la Historia de Espa&ntilde;a</i>. Madrid: Centro de Estudios Hist&oacute;ricos Internacionales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735954&pid=S2182-1267201600020000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VILLARES, R. (1984):<i> A Historia</i>. Vigo: Ed. Galaxia, Biblioteca B&aacute;sica da Cultura Galega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1735956&pid=S2182-1267201600020000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Este trabalho surge de uma d&iacute;vida acad&eacute;mica contra&iacute;da com os meus amigos El&iacute;as Torres Feij&oacute; e Jose A. Rio Fernandes. Para escrev&ecirc;-lo tomei a decis&atilde;o de rever durante muito tempo todos os conte&uacute;dos da revista Veredas e da Alg&aacute;lia, editada pela Asocia&ccedil;om Galega da L&iacute;ngua. Com este trabalho pude verificar uma marcada hegemonia do discurso lingu&iacute;stico, de cr&iacute;tica liter&aacute;ria e, em menor medida, dos estudos culturais, e de uma quase aus&ecirc;ncia da an&aacute;lise geogr&aacute;fica e/ou cartogr&aacute;fica nestes dois meios t&atilde;o influentes no mundo lus&oacute;fono, em geral, e entre os partid&aacute;rios da reintegra&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica do galego com o portugu&ecirc;s em particular. H&aacute; not&aacute;veis exce&ccedil;&otilde;es a esta regra como as aporta&ccedil;&otilde;es de Camilo Nogueira e Joam Bernardes Vilar em Alg&aacute;lia, mas considero que a an&aacute;lise espacial e territorial &eacute; deficit&aacute;ria. Por isso, trato de elaborar um discurso da Galiza na lusofonia partindo de um racioc&iacute;nio geogr&aacute;fico.</p>      ]]></body><back>
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