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<journal-title><![CDATA[GOT, Revista de Geografia e Ordenamento do Território]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Universidade do Porto - Faculdade de Letras]]></publisher-name>
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<article-id>S2182-12672016000200003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2016.10.002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De redes a territórios: o Império colonial português]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From networks to territories: the Portuguese Colonial Empire]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal da Bahia Programa de Pós-Graduação em Geografia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this article is to raise geographical issues to understand the integration of Brazil in the Portuguese Colonial Empire. The "discovery" of Brazil was part of the Portuguese imperial expansion that was focused on the search for spices and for the establishment of commercial monopolies, which resulted in the establishment of a network of marine flows supported by ports and fortifications along the route between Lisbon and the Indies. The colonization of Brazil, with its huge geographical extent, forced the Portuguese to adopt different territorial logic and at the same time finding an economic activity to keep the new colony. The text is divided into two parts: the first examines the situation of Brazil in the Portuguese Colonial Empire, and in the second, the roles of the State and the Catholic Church during the colonial period in Brazil are analyzed briefly.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Império Colonial Português]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Portuguese Colonial Empire]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>AUTOR CONVIDADO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>De redes a territ&oacute;rios: o Imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s</b></p>     <p><b>From networks to territories: the Portuguese Colonial Empire</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Vasconcelos, Pedro</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia, Universidade Federal da Bahia; Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social, Universidade Cat&oacute;lica de Salvador; Rua Bar&atilde;o de Jeremoabo, s/n - Ondina, 40170-290 - Salvador &ndash; Brasil; <a href="mailto:pavascon@uol.com.br">pavascon@uol.com.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo do artigo &eacute; o de levantar quest&otilde;es geogr&aacute;ficas para entender a integra&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro no Imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s. A &ldquo;descoberta&rdquo; do Brasil fez parte de uma progress&atilde;o imperial portuguesa que estava voltada para a busca de especiarias e para o estabelecimento de monop&oacute;lios comerciais, o que resultou na implanta&ccedil;&atilde;o de uma rede de fluxos mar&iacute;timos apoiada em portos e fortifica&ccedil;&otilde;es ao longo da rota entre Lisboa e as &Iacute;ndias. A coloniza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro, com sua enorme extens&atilde;o geogr&aacute;fica, obrigou os portugueses a adotar outra l&oacute;gica, a territorial e ao mesmo tempo encontrar uma atividade econ&ocirc;mica para manter a nova col&ocirc;nia. O texto &eacute; dividido em duas partes: na primeira &eacute; examinada a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil no contexto do Imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s, e em seguida s&atilde;o analisados, de forma resumida, os pap&eacute;is do Estado e da Igreja Cat&oacute;lica durante o per&iacute;odo colonial no Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> rede; territ&oacute;rio; Imp&eacute;rio Colonial Portugu&ecirc;s</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b><b>&nbsp;</b></p>     <p>The objective of this article is to raise geographical issues to understand the integration of Brazil in the Portuguese Colonial Empire. The "discovery" of Brazil was part of the Portuguese imperial expansion that was focused on the search for spices and for the establishment of commercial monopolies, which resulted in the establishment of a network of marine flows supported by ports and fortifications along the route between Lisbon and the Indies. The colonization of Brazil, with its huge geographical extent, forced the Portuguese to adopt different territorial logic and at the same time finding an economic activity to keep the new colony. The text is divided into two parts: the first examines the situation of Brazil in the Portuguese Colonial Empire, and in the second, the roles of the State and the Catholic Church during the colonial period in Brazil are analyzed briefly.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords:</b> network; territory; Portuguese Colonial Empire</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p>O objetivo deste artigo<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> n&atilde;o &eacute; o de avaliar o passado colonial portugu&ecirc;s, nem de fazer uma cr&iacute;tica do processo colonizador, mas o de levantar quest&otilde;es geogr&aacute;ficas para entender a integra&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro no Imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s.</p>     <p>Uma quest&atilde;o preliminar &eacute; sobre a tradi&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica de examinar o Brasil de forma separada do Imp&eacute;rio portugu&ecirc;s<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> ou de discutir apenas a rela&ccedil;&atilde;o bilateral col&ocirc;nia/metr&oacute;pole. A Geografia Hist&oacute;rica, dando &ecirc;nfase ao espa&ccedil;o, pode trazer uma vis&atilde;o mais ampliada, com destaque aos antecedentes e experi&ecirc;ncias efetuadas pelos portugueses, antes mesmo da coloniza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro.</p>     <p>De fato, a &ldquo;descoberta&rdquo; do Brasil fez parte de uma progress&atilde;o imperial portuguesa que estava voltada para a busca de especiarias e para o estabelecimento de monop&oacute;lios comerciais, o que resultou na implanta&ccedil;&atilde;o de uma rede de fluxos mar&iacute;timos apoiada em portos e fortifica&ccedil;&otilde;es ao longo da rota entre Lisboa e as &Iacute;ndias, processo que foi iniciado antes da tomada de Constantinopla pelos turcos-otomanos em 1453.</p>     <p>A coloniza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro com sua enorme extens&atilde;o geogr&aacute;fica obrigou os portugueses a adotar uma l&oacute;gica territorial<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, considerando de um lado as tentativas de outras na&ccedil;&otilde;es de ocuparem parte do territ&oacute;rio descoberto, sobretudo franceses e holandeses, e do outro, encontrar uma atividade econ&ocirc;mica para manter a nova col&ocirc;nia, na aus&ecirc;ncia da descoberta de metais preciosos, como no caso dos castelhanos.</p>     <p>O texto &eacute; dividido em duas partes: na primeira &eacute; examinada a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil no contexto do Imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s, e em seguida s&atilde;o analisados, de forma resumida, os pap&eacute;is do Estado e da Igreja Cat&oacute;lica durante o per&iacute;odo colonial no Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A expans&atilde;o mar&iacute;tima portuguesa</b></p>     <p>Analisando a expans&atilde;o colonial portuguesa uma s&eacute;rie de fatos mostra uma continuidade, ao longo de s&eacute;culos, de uma ocupa&ccedil;&atilde;o pontual ao longo de linhas de navega&ccedil;&atilde;o, ou no m&aacute;ximo, de pontos fortificados em ilhas, no litoral do Oceano Atl&acirc;ntico e do Oceano &Iacute;ndico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Observam-se dois movimentos iniciais: uma tentativa de ocupa&ccedil;&atilde;o de cidades no litoral marroquino e uma &ldquo;descida&rdquo; em dire&ccedil;&atilde;o ao sul, tanto atrav&eacute;s das ilhas do Atl&acirc;ntico,&nbsp; como do litoral africano.</p>     <p>Estabelecida a paz com Castela em 1411 os portugueses conquistaram Ceuta no norte do Marrocos (1415), com uma enorme frota de 200 navios, levando 19.000 combatentes e 1700 marinheiros (Saraiva, 1993, p. 131)<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>. Em seguida foram conquistadas Alc&aacute;cer-Ceguer em 1458; T&acirc;nger e Arzila em 1471 e Aguer em 1505. O castelo de Safim foi constru&iacute;do em 1508 e em 1513 e 1514 foram ocupadas Azamor e Mazag&atilde;o. Por outro lado, em 1513 os portugueses foram derrotados em Mamora<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>.</p>     <p>A partir de 1541 o movimento se inverteu: os portugueses come&ccedil;am a evacuar Arguer, Azamor e Safim, devido a press&atilde;o &aacute;rabe-moura. Esta &uacute;ltima chegou a ser sede de bispado. Entre 1549 e 1550 foram tamb&eacute;m evacuadas Arzila e Alc&aacute;cer-Ceguer (Saraiva, op. Cit). Em 1578 na grande batalha de Alc&aacute;cer Quibir, os portugueses, que contaram com 17.000 combatentes (sendo 5.000 mercen&aacute;rios estrangeiros), foram derrotados<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> (Ibid., p. 174.), com a morte do rei D. Sebasti&atilde;o, o que teve como consequ&ecirc;ncia a Uni&atilde;o Ib&eacute;rica, com a passagem da coroa de Portugal para Filipe II da Espanha.</p>     <p>O Marrocos deixou de ser prioridade em fun&ccedil;&atilde;o das dificuldades de abastecimento por via mar&iacute;tima, pela resist&ecirc;ncia local e pelos novos interesses da Coroa portuguesa. Em 1640, com o fim da Uni&atilde;o Ib&eacute;rica, Ceuta ficou sob dom&iacute;nio espanhol. T&acirc;nger foi doada aos ingleses em 1662 (Saraiva, 1993). Os portugueses abandonam a &uacute;ltima pra&ccedil;a do Marrocos, Mazag&atilde;o, em 1769, quando os 2.000 habitantes da cidade foram cercados pelo enorme contingente de 120.000 &aacute;rabes e berberes. Os habitantes da cidade foram transferidos para a Amaz&ocirc;nia, uma rara transfer&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o de uma cidade inteira para outro continente, com condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas bem diversas<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>. Esse &uacute;ltimo epis&oacute;dio marcou o &uacute;nico impacto direto da experi&ecirc;ncia marroquina para o Brasil. Por outro lado, a experi&ecirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o de fortifica&ccedil;&otilde;es em territ&oacute;rio hostil pode ter servido para aplica&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio brasileiro.</p>     <p>A posse do arquip&eacute;lago da Madeira teria se dado em 1419. As ilhas foram doadas ao infante D. Henrique. As referidas ilhas foram desbravadas por um capit&atilde;o donat&aacute;rio e o povoamento foi iniciado em 1433. Em 1424 os portugueses chegaram &agrave;s ilhas Can&aacute;rias e em 1426 aos A&ccedil;ores. Em 1439 foi iniciada a coloniza&ccedil;&atilde;o dos A&ccedil;ores (Boxer, 2014). O a&ccedil;&uacute;car produzido na Madeira come&ccedil;ou a ser vendido na Inglaterra em 1456. Com o tratado de Alc&aacute;&ccedil;ovas, em 1479, os portugueses renunciaram &agrave;s ilhas Can&aacute;rias, &uacute;nico arquip&eacute;lago atl&acirc;ntico na &eacute;poca que ficou sob o controle de Castela. Em 1514 Funchal, na ilha Madeira, foi elevada ao n&iacute;vel de Diocese (Saraiva, op. Cit).</p>     <p>As ilhas do Atl&acirc;ntico, v&atilde;o servir de experimenta&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car assim como do estabelecimento de capitanias heredit&aacute;rias, que ser&atilde;o ampliadas no Brasil.</p>     <p>Em dire&ccedil;&atilde;o ao sul os portugueses chegaram em Arguim (atual Maurit&acirc;nia) em 1443, quando D. Henrique recebeu o monop&oacute;lio do Com&eacute;rcio da Guin&eacute;. No ano seguinte escravos da regi&atilde;o foram vendidos em Lagos, dando in&iacute;cio ao longo com&eacute;rcio de escravos africanos pelos europeus<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>. Uma feitoria foi estabelecida em torno de 1445 (Boxer, 2014), visando &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de escravos, marfim e ouro, trazidos pelas caravanas, juntamente com a constru&ccedil;&atilde;o de uma fortaleza em 1448.</p>     <p>Em 1444 os portugueses alcan&ccedil;aram &agrave;s ilhas do Cabo Verde ao largo do Senegal<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a> (Saraiva, op. cit).</p>     <p>Dez anos depois, em 1455 a Constitui&ccedil;&atilde;o <i>Romanus Pontifex</i> autorizou o rei de Portugal a escravizar &ldquo;mouros e pag&atilde;os&rdquo; (Enders, 1995, p. 25), o que inclu&iacute;a os africanos.</p>     <p>No ano seguinte, 1456, os portugueses chegaram mais ao sul, &agrave;s ilhas Bijagos (na atual Guin&eacute; Bissau). Em 1462 come&ccedil;ou o povoamento da ilha de Santiago, em Cabo Verde (Saraiva, 1993; Caldeira, 2013), cujos habitantes foram autorizados a comerciar com o continente. Podemos destacar aqui uma primeira rela&ccedil;&atilde;o entre uma col&ocirc;nia e territ&oacute;rios vizinhos sem passar pela metr&oacute;pole.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1469 foi passado um contrato do com&eacute;rcio da Guin&eacute; que foi arrendado por Fern&atilde;o Gomes. Aqui tamb&eacute;m deve ser destacada uma primeira transfer&ecirc;ncia do monop&oacute;lio da Coroa para um particular.</p>     <p>Em 1470 os portugueses ocuparam as ilhas de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, bem mais ao sul<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a> (Boxer, op. Cit). A ilha de S&atilde;o Tom&eacute; chegou a ser o maior produtor de a&ccedil;&uacute;car do mundo no s&eacute;culo XVI (Russell-Wood, 2014). Em 1485 os comerciantes de S&atilde;o Tom&eacute; foram autorizados, por contrato, para realizar o com&eacute;rcio de escravos nos &ldquo;rios da Guin&eacute;&rdquo;, o que tornou essas ilhas um centro de tr&aacute;fico de escravos regional.</p>     <p>Em 1481 os portugueses, numa expedi&ccedil;&atilde;o de 10 caravelas e duas urcas, levaram 600 homens, incluindo artes&otilde;es, soldados, comiss&aacute;rios do com&eacute;rcio, membros do clero, marinheiros e pessoal feminino para trabalhos dom&eacute;sticos, assim como artilharia, alimentos e material para construir o forte ou castelo de S&atilde;o Jorge da Mina (Ballong-Wen-Mewuda, 1993, p. 58), o que confirma o interesse de fixa&ccedil;&atilde;o no litoral africano, numa &aacute;rea de produ&ccedil;&atilde;o de ouro. Em 1486 o pequeno povoado de Mina recebeu o status de cidade. Em 1503 foi constru&iacute;do um segundo forte em Axim. Al&eacute;m do interesse pelo ouro, o tr&aacute;fico de escravos africanos vai ter uma import&acirc;ncia fundamental devido &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o intensiva na produ&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car brasileiro.</p>     <p>Em 1483 os portugueses estabeleceram contato com o reino do Congo (Boxer, op. Cit) e enviaram uma embaixada a capital do reino, Mbanza Congo, em 1491. Ao contr&aacute;rio da regi&atilde;o da Mina, agora os portugueses encontraram um estado africano organizado, com estados suseranos no seu entorno<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>. Em 1485 contato foi estabelecido com o reino do Benim, situado na atual Nig&eacute;ria<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>.</p>     <p>Em 1487 os portugueses realizaram a proeza da travessia do cabo da Boa Esperan&ccedil;a, alcan&ccedil;ando, portanto, o Oceano &Iacute;ndico (Boxer, 2014).</p>     <p>S&oacute; em 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas, que estabeleceu a divis&atilde;o do Mundo, na &eacute;poca, entre as coroas portuguesa e espanhola, ano da &ldquo;descoberta&rdquo; das Am&eacute;ricas por Crist&oacute;v&atilde;o Colombo.</p>     <p>Em 1498 a armada chefiada por Vasco da Gama chegou a Calicute, na &Iacute;ndia, objetivo principal dos portugueses, para tentar estabelecer o monop&oacute;lio do com&eacute;rcio das especiarias (Saraiva, 1993).</p>     <p>A &ldquo;descoberta&rdquo;<a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a> do Brasil em 1500 levou ao debate da intencionalidade ou n&atilde;o da viagem de Cabral e sua frota, que se dirigia para as &Iacute;ndias. No ano seguinte, uma expedi&ccedil;&atilde;o explorat&oacute;ria foi enviada ao litoral brasileiro e o com&eacute;rcio do pau brasil foi contratado com Fern&atilde;o de Loronha, com a obriga&ccedil;&atilde;o de implantar feitorias no litoral, ou seja, uma sess&atilde;o de territ&oacute;rio a ser administrado por particular.</p>     <p>Os portugueses continuam investindo no litoral africano com a implanta&ccedil;&atilde;o de uma feitoria na ilha de Mo&ccedil;ambique, porto de abastecimento das viagens para a &Iacute;ndia. O porto de Sofala foi tomado e um forte foi constru&iacute;do em 1505, buscando contato com a produ&ccedil;&atilde;o de ouro no vizinho Zimb&aacute;bue. Quiloa e Momba&ccedil;a, no atual Qu&ecirc;nia, foram conquistadas no mesmo ano (Moraes, 2000). Em 1507 a ilha de Mo&ccedil;ambique foi fortificada (Boxer, op. cit) e feitorias foram estabelecidas no interior, em Sena (1531) e Tete (1544).</p>     <p>Em 1533, Ribeira Grande, no Cabo Verde, foi elevada &agrave; cidade e tornou-se sede de um bispado. No ano seguinte, 1534, um segundo bispado foi criado em S&atilde;o Tom&eacute; com jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre a terra firme, incluindo o Congo<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a> (Enders, 1995).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na &Iacute;ndia, em 1503, foi iniciada a fortifica&ccedil;&atilde;o de Cochin, ano que a Casa da &Iacute;ndia foi fundada em Lisboa. Dom Manuel acrescentou ao seu t&iacute;tulo o de &ldquo;<i>senhor da Guin&eacute; e da conquista, da navega&ccedil;&atilde;o e do com&eacute;rcio da Eti&oacute;pia, Ar&aacute;bia, P&eacute;rsia e &Iacute;ndia</i>&rdquo; (Boxer, 2014, p. 52; Saraiva, 1993, p. 160). Um Vice-Rei da &Iacute;ndia foi nomeado em 1505, confirmando a import&acirc;ncia e a prioridade dessas conquistas em compara&ccedil;&atilde;o ao abandono do litoral brasileiro no mesmo per&iacute;odo. Goa foi conquistada em 1510 (Boxer, op. cit.; Saraiva, op. cit). Uma feitoria foi estabelecida em Chaul em 1516, cujo forte foi conclu&iacute;do em 1524. Em 1534 Bassaim foi cedida aos portugueses e Goa foi elevada ao n&iacute;vel de bispado, passando ao de Arcebispado em 1557, confirmando a import&acirc;ncia do Oriente nesse per&iacute;odo. Em 1559 Dam&atilde;o foi conquistada. Em pouco mais de meio s&eacute;culo os portugueses tinham estabelecido uma rede de cidades no subcontinente indiano.</p>     <p>As ambi&ccedil;&otilde;es portuguesas n&atilde;o se restringiam a esse subcontinente. O chamado &ldquo;Estado da &Iacute;ndia&rdquo; ia desde o Cabo da Boa Esperan&ccedil;a e o golfo p&eacute;rsico at&eacute; o Timor e o Jap&atilde;o (Boxer, op. cit.; Saraiva, op. cit.; Enders, 1995). Em 1513 os portugueses atacaram Aden, na pen&iacute;nsula ar&aacute;bica, mas sofreram derrota em Mamora, dois anos depois. Ormuz, na atual P&eacute;rsia, foi tomada em 1515, mas foi retomada pelos persas em 1622. Em paralelo, em 1505, ocuparam parte do litoral do Ceil&atilde;o. Em 1511 submeteram a cidade de Malaca (na atual Mal&aacute;sia) e chegaram na ilha Ternate, nas Molucas (na atual Indon&eacute;sia), j&aacute; em &aacute;reas que seriam de Castela. Pelo tratado de Sarago&ccedil;a os portugueses tomaram posse das ilhas Molucas, em 1529. Por&eacute;m em 1575 o sult&atilde;o local recuperou a ilha Ternate (Boxer, op. cit).</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es com o Jap&atilde;o foram estabelecidas em 1543 e a feitoria de Nagas&aacute;qui foi fundada em 1571. Apenas em 1588 foi criada a primeira diocese no Jap&atilde;o. Em 1639 os portugueses foram expulsos do Jap&atilde;o pelas autoridades locais.&nbsp;</p>     <p>Em 1557 os portugueses receberam do governo chin&ecirc;s a pen&iacute;nsula de Macau (Boxer, 2014), cuja diocese foi autorizada em 1575 (Saraiva, 1993). Um com&eacute;rcio foi estabelecido entre as duas feitorias asi&aacute;ticas. &nbsp;Em pouco mais de meio s&eacute;culo os portugueses tinham estabelecido uma rede comercial que se estendia das ilhas do Atl&acirc;ntico at&eacute; a China e o Jap&atilde;o, com seus principais estabelecimentos implantados no subcontinente indiano.</p>     <p>S&oacute; entre 1530 e 1533 a expedi&ccedil;&atilde;o comandada por Martim de Souza foi enviada ao litoral brasileiro e a primeira vila, S&atilde;o Vicente, foi fundada em 1532, quando foram implantados os primeiros engenhos de a&ccedil;&uacute;car. Em 1534 foram criadas as capitanias heredit&aacute;rias no Brasil, seguindo o modelo das ilhas do Atl&acirc;ntico, porem em uma escala territorial bem mais ampla.</p>     <p>A eleva&ccedil;&atilde;o de vice-reinado na &Iacute;ndia e a implanta&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo dos bispados de Funchal, de Goa, de Cabo Verde e de S&atilde;o Tom&eacute;, mostram a pouca import&acirc;ncia inicial dada ao territ&oacute;rio brasileiro pelos portugueses.</p>     <p>Devido ao fracasso da maior parte da experi&ecirc;ncia das capitanias heredit&aacute;rias, em 1549 a Coroa portuguesa implantou o Governo Geral no Brasil e fundou a cidade de Salvador, em um processo semelhante &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o do castelo da Mina. Dois anos depois foi criado o bispado em Salvador, por&eacute;m subordinado ao de Funchal.</p>     <p>Apesar do estabelecimento do Governo Geral, os franceses desembarcaram no Rio de Janeiro, em 1555, com a pretens&atilde;o de criar uma &ldquo;Fran&ccedil;a Ant&aacute;rtica&rdquo;, mas foram derrotados e expulsos cinco anos depois. Em 1567 foi fundada a cidade de S&atilde;o Sebasti&atilde;o do Rio de Janeiro. Em 1611 os franceses tentaram implantar a &ldquo;Fran&ccedil;a Equinocial&rdquo; no Maranh&atilde;o, mas tamb&eacute;m foram expulsos em 1615.</p>     <p>O per&iacute;odo da Uni&atilde;o Ib&eacute;rica (1580-1640) foi muito importante para o Brasil e teve consequ&ecirc;ncias tr&aacute;gicas para Imp&eacute;rio portugu&ecirc;s, tendo em vista os ataques realizados em quatro continentes pela armada dos comerciantes e do Estado dos Pa&iacute;ses Baixos, que j&aacute; estavam em guerra contra a Espanha. &nbsp;</p>     <p>Os portugueses ocuparam o Par&aacute; em 1616, com a implanta&ccedil;&atilde;o do forte do Pres&eacute;pio, que deu origem a cidade de Bel&eacute;m, e passaram a controlar a foz e a enorme bacia do rio Amazonas, territ&oacute;rios muito al&eacute;m da linha das Tordesilhas. Em 1621 foi criado o Estado do Maranh&atilde;o, independente do Estado do Brasil at&eacute; 1652. Essa divis&atilde;o, em parte, era resultado das dificuldades de navega&ccedil;&atilde;o a vela entre a regi&atilde;o norte e as regi&otilde;es nordeste e sul do Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na &Aacute;frica os portugueses enviaram embaixada ao N&acute;Gola, na atual Angola, em 1560. O primeiro capit&atilde;o donat&aacute;rio foi nomeado para Angola em 1570, sendo Luanda fundada em 1575 (Boxer, 2014). O Governo Geral foi implantado em 1592, quando terminaram as capitanias heredit&aacute;rias nesse territ&oacute;rio (Russell-Wood, 2014).</p>     <p>Em 1570 os jagas foram derrotados quando atacaram a capital do Congo, agora denominada S&atilde;o Salvador, com ajuda de tropas portuguesas. Em 1587 a cidade foi elevada a sede de bispado.</p>     <p>Na Guin&eacute; os portugueses estabeleceram uma feitoria em Cacheu em 1588 (Caldeira, 2013) e a elevaram a categoria de cidade em 1600.</p>     <p>O territ&oacute;rio restrito sob a ocupa&ccedil;&atilde;o portuguesa em Angola foi ampliado com a funda&ccedil;&atilde;o de Benguela em 1617 (Saraiva, 1993), e o bispado de S&atilde;o Salvador no Congo foi transferido para Luanda em 1623, indicando a maior import&acirc;ncia de Angola do que o Congo para os portugueses.</p>     <p>A partir desse per&iacute;odo h&aacute; um forte paralelismo entre as a&ccedil;&otilde;es portuguesas no Brasil e na regi&atilde;o Congo-Angola, complementares pela produ&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car e pelo tr&aacute;fico de escravos.</p>     <p>No Mo&ccedil;ambique os portugueses foram atacados em Dambarare em 1593 e Momba&ccedil;a foi cercada pelos &aacute;rabes em 1596. Foram enviados 400 soldados da Bahia para socorrer essa cidade em 1700, mas o litoral dos atuais territ&oacute;rios de Qu&ecirc;nia e Tanz&acirc;nia j&aacute; tinha sido evacuado entre 1696-1698 (Enders, 1995). O envio de tropas do Brasil para a &Aacute;frica mostra a interdepend&ecirc;ncia das regi&otilde;es do imp&eacute;rio.</p>     <p>Em 1598 e 1599 come&ccedil;aram os ataques holandeses a S&atilde;o Tom&eacute; e em 1607 e 1608 eles tamb&eacute;m tentaram conquistar Mo&ccedil;ambique (Boxer, 2014). Em 1609 os holandeses tomaram o Ceil&atilde;o (Saraiva, 1993). Em 1622 atacaram Macau, na China, e foram repelidos (Boxer, op. cit). Em 1624 os holandeses invadiram Salvador da Bahia e foram expulsos no ano seguinte, mas voltaram em 1630 quando ocuparam Pernambuco, com um efetivo de 7.000 homens (Marcad&eacute; em Mauro, 1991, p. 25). Em 1637 os holandeses ainda conquistaram os fortes da Mina e de Axim, no atual Gana e limitaram o com&eacute;rcio dos portugueses aos portos de Grande Popo, Ajud&aacute;, Jaquin e Apa (Enders, 1995), atrav&eacute;s do pagamento em fumo produzido na Bahia.</p>     <p>Em 1640 acaba a Uni&atilde;o Ib&eacute;rica com a restaura&ccedil;&atilde;o da Coroa portuguesa, mas os holandeses continuaram suas a&ccedil;&otilde;es: ainda conquistaram S&atilde;o Tom&eacute;, Luanda e Benguela em 1641, com expedi&ccedil;&atilde;o enviada de Recife, com cerca de 3.000 homens em 21 navios<a href="#_ftn15" name="_ftnref15">[15]</a>, controlando assim o tr&aacute;fico de escravos entre a &Aacute;frica e o Brasil. Os holandeses tamb&eacute;m ocuparam a long&iacute;nqua Malaca no mesmo ano (Saraiva, 1993).</p>     <p>Com a restaura&ccedil;&atilde;o da coroa portuguesa foi nomeado o primeiro Vice-Rei no Brasil em 1640, um s&eacute;culo e meio ap&oacute;s o vice-reinado ter sido implantado na &Iacute;ndia.</p>     <p>Em 1644 foi autorizado o tr&aacute;fico negreiro direto entre o Brasil e a Costa da Mina (Verger, 1987, p. 21 e 56), devido &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o holandesa de Angola. No ano seguinte, 1645, foi enviada for&ccedil;a expedicion&aacute;ria da Bahia para socorrer Angola, mas a mesma foi derrotada pelos canibais jagas (Boxer, op. cit., p. 241)<a href="#_ftn16" name="_ftnref16">[16]</a>. Em 1648 aconteceu um evento excepcional: Angola foi tomada por uma expedi&ccedil;&atilde;o luso-brasileira, com 15 navios, com uma estimativa de 1.000 a 2.000 homens, que saiu do Rio de Janeiro comandada por Salvador de S&aacute; (Boxer, op. cit). Os holandeses, enfraquecidos com a guerra com a Inglaterra, iniciada em 1652, tamb&eacute;m foram derrotados e expulsos do Brasil por tropas luso-brasileiras em 1654 (Ibid, p. 415), ap&oacute;s 24 anos de ocupa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1652, a Rela&ccedil;&atilde;o, Tribunal de Justi&ccedil;a, foi reestabelecido em Salvador da Bahia com autoridade sobre Angola e S&atilde;o Tom&eacute;, extrapolando, portanto, o territ&oacute;rio brasileiro (Schwartrz, S. in Silva, 1994). Como exemplo, em 1744, sete l&iacute;deres da revolta em S&atilde;o Tom&eacute; foram julgados em Salvador (Vasconcelos, 2002). O arcebispado da Bahia foi fundado em 1676 com jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre os bispados de S&atilde;o Tom&eacute; e Luanda (at&eacute; 1717) (Mauro, 1977; Enders, 1995). Em 1707 o bispo de Angola participou de S&iacute;nodo organizado pelo Arcebispo de Salvador. Essas novas medidas mostram uma organiza&ccedil;&atilde;o territorial que extrapola o territ&oacute;rio brasileiro, e confirma a eleva&ccedil;&atilde;o de status da cidade do Salvador<a href="#_ftn17" name="_ftnref17">[17]</a>.</p>     <p>Outro fato excepcional foi o do Vice-Rei do Brasil, D. Vasco de Mascarenhas, ordenar a funda&ccedil;&atilde;o de feitoria e constru&ccedil;&atilde;o de forte em Ajud&aacute;, no atual Benim, em 1721, com aprova&ccedil;&atilde;o do rei local<a href="#_ftn18" name="_ftnref18">[18]</a>, refor&ccedil;ando os v&iacute;nculos entre o Brasil e o continente africano. Em 1743 esse forte foi destru&iacute;do pelas tropas do rei do Daom&eacute;. O liberto africano Jo&atilde;o de Oliveira, voltou para a Costa da Mina em 1733 e abriu Porto Novo (Ardra) e Onim (Lagos) como portos de tr&aacute;fico (Caldeira, op. cit), ampliando a rela&ccedil;&atilde;o direta entre a &Aacute;frica ao norte do Equador e a Bahia. Em 1807 os portugueses tinham abandonado o reconstru&iacute;do forte de Ajud&aacute;, que ficou sob os cuidados do brasileiro Francisco Felix de Souza, que passou a dominar o tr&aacute;fico local, monopolizando o tr&aacute;fico origin&aacute;rio do Daom&eacute; (Silva, 2013; Enders, op. cit).</p>     <p>Em 1762 tropas foram enviadas da Bahia contra os sobas em Angola (Vasconcelos, op. cit), registrando uma rela&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m com as &aacute;reas ao sul do Equador.</p>     <p>Estados africanos enviaram embaixadas para Salvador com a inten&ccedil;&atilde;o de manter os monop&oacute;lios da exporta&ccedil;&atilde;o de escravos: do rei do Daom&eacute; em 1750, 1805 e 1811 para Salvador e em 1795 para Lisboa; do rei de Onim para Salvador em 1770 e 1807; e do Rei de Ardra, em 1810, para a mesma cidade (Verger, 1987).</p>     <p>Na &Iacute;ndia Bombaim foi doada aos ingleses, fortalecendo a alian&ccedil;a entre os dois pa&iacute;ses em 1662 (Saraiva, 1993) e os holandeses ainda conquistam Cochin, no ano seguinte. Os portugueses perderam ainda para os maratas indianos as cidades de Ba&ccedil;aim e Chaul em 1739 e 1740, reduzindo ainda mais suas posi&ccedil;&otilde;es na &Iacute;ndia. Em 1750, no per&iacute;odo pombalino a costa oriental da &Aacute;frica, incluindo Mo&ccedil;ambique, foi desligada da jurisdi&ccedil;&atilde;o de Goa, confirmando a redu&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da &Iacute;ndia portuguesa.</p>     <p>Na &Aacute;frica os congoleses foram derrotados pelos portugueses na batalha d&acute;Ambouila em 1665 (Boxer, 2014), e o reino do Congo tornou-se uma esp&eacute;cie de protetorado portugu&ecirc;s (Russell-Wood, 2014). O reino de Ndongo, na atual Angola, caiu sob o dom&iacute;nio portugu&ecirc;s em 1671. Em Angola, em 1698 Luanda ganha status de cidade (Ibid). Entre 1764 e 1772, o governador Francisco Coutinho fundou uma academia para forma&ccedil;&atilde;o de engenheiros, implantou uma fundi&ccedil;&atilde;o de ferro e deu in&iacute;cio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o naval, numa tentativa de diversificar a economia baseada na exporta&ccedil;&atilde;o de escravos.</p>     <p>Foram criadas as companhias de Cacheu e Rios da Costa da Guin&eacute; (1676), de Cacheu e Cabo Verde (1690) e a Real da Guin&eacute; e &Iacute;ndias (1693), essa &uacute;ltima para fornecer escravos ao <i>assiento</i> espanhol (at&eacute; 1701). A capitania de Bissau foi restabelecida em 1753.</p>     <p>A capitania geral de Mo&ccedil;ambique foi criada em 1752 (Boxer, op. cit) e foi estabelecido um sistema enfiteutico de &ldquo;prazos&rdquo;, que deu origem a senhores quase aut&ocirc;nomos da Coroa portuguesa, que mantinham tropas formadas de escravos armados (Capela, 1995). Louren&ccedil;o Marques foi fundada apenas em 1782 (Saraiva, 1993). Tamb&eacute;m foi iniciada a constru&ccedil;&atilde;o naval (brigues) em Mo&ccedil;ambique.</p>     <p>Em 1778 os portugueses cederam aos espanh&oacute;is as ilhas de Fernando P&oacute; e Ano Bom (atual Guin&eacute; Equatorial), em troca de territ&oacute;rios no sul do Brasil (Ibid).</p>     <p>Os portugueses fundaram a Col&ocirc;nia do Sacramento em 1680 numa tentativa de chegar ao rio da Prata, no atual Uruguai, mas perderam a mesma em 1778, quando recuperaram a regi&atilde;o de Santa Catarina e Rio Grande do Sul na referida troca de ilhas africanas. Mas o evento mais importante do per&iacute;odo foi a descoberta do ouro nas minas gerais, em 1698-1699, tornado, definitivamente o Brasil a principal col&ocirc;nia portuguesa (Mauro, 1977)<a href="#_ftn19" name="_ftnref19">[19]</a>, ao tempo que o interior do territ&oacute;rio brasileiro ia sendo ocupado de forma sistem&aacute;tica. Em 1729 tamb&eacute;m foram descobertos diamantes na regi&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na Amaz&ocirc;nia o forte de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Negro foi fundado em 1669, seguido pelo de Macap&aacute; em 1764. O Estado do Gr&atilde;o-Par&aacute; e Maranh&atilde;o foi criado em 1751, separado do Estado do Brasil (at&eacute; 1774). A funda&ccedil;&atilde;o da Companhia Geral do Gr&atilde;o-Par&aacute; e Maranh&atilde;o foi voltada para atuar na Guin&eacute; e Cabo Verde em 1755 (at&eacute; 1778) e a Companhia de Pernambuco e Para&iacute;ba para atuar na Costa da Mina e em Angola. A Companhia obteve o governo de Cabo Verde, em 1759 (Enders, 1995): ou seja, trata-se do caso in&eacute;dito de controle de governo colonial por uma companhia comercial.</p>     <p>Como consequ&ecirc;ncia da import&acirc;ncia do escoamento da produ&ccedil;&atilde;o do ouro e dos interesses e conflitos portugueses no rio da Prata, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763, ou seja, um pouco mais de dois s&eacute;culos depois de sua funda&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em 1808, finalmente, diante da invas&atilde;o das tropas napole&ocirc;nicas, o pr&iacute;ncipe D. Jo&atilde;o transferiu a sede do Imp&eacute;rio de Lisboa para o Rio de Janeiro. Pela primeira vez na hist&oacute;ria, uma col&ocirc;nia torna-se sede de um imp&eacute;rio, o que vai resultar no fim do status colonial e na independ&ecirc;ncia do Brasil em 1822. Os reis do Benim e de Onim foram os primeiros soberanos a reconhecer a independ&ecirc;ncia do Brasil (Silva, 2013). S&oacute; em 1825 o governo portugu&ecirc;s reconheceu independ&ecirc;ncia, mediante indeniza&ccedil;&atilde;o. Os v&iacute;nculos do tr&aacute;fico de escravos entre o continente africano e o Brasil s&atilde;o demonstrados pelo reconhecimento da independ&ecirc;ncia do Brasil por dois estados africanos assim como pelo interesse demonstrado por traficantes angolanos e mo&ccedil;ambicanos de vincular essas col&ocirc;nias ao novo estado independente.&nbsp;</p>     <p>O que podemos destacar depois da complexidade de eventos em diferentes contextos hist&oacute;ricos e geogr&aacute;ficos, &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o de um imp&eacute;rio mercantil implantado por uma s&eacute;rie de feitorias, fortes e cidades portu&aacute;rias, em um imp&eacute;rio cuja base principal &eacute; o imenso territ&oacute;rio brasileiro, que s&oacute; foi poss&iacute;vel consolid&aacute;-lo com a implanta&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car voltada para a exporta&ccedil;&atilde;o, em grandes propriedades, baseada no trabalho escravo, cujas repercuss&otilde;es sobre a sociedade e economia brasileiras foram fundamentais at&eacute; o momento presente.&nbsp;&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A governa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro</b></p>     <blockquote>     <p>Se vamos &agrave; ess&ecirc;ncia de nossa forma&ccedil;&atilde;o, veremos que na realidade nos constitu&iacute;mos para fornecer a&ccedil;&uacute;car, tabaco, alguns outros g&ecirc;neros; mais tarde ouro e diamantes; depois algod&atilde;o, e em seguida caf&eacute;, para o com&eacute;rcio europeu. Nada mais que isto. E com tal objetivo, objetivo exterior, voltado par fora do pa&iacute;s e sem aten&ccedil;&atilde;o a considera&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o fossem o interesse daquele com&eacute;rcio, que se organizar&atilde;o a sociedade e a economias brasileiras. Tudo se dispor&aacute; naquele sentido: a estrutura, bem como as atividades do pa&iacute;s (Prado Jr., 2000, p. 20).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os portugueses deram origem a uma nova forma de organiza&ccedil;&atilde;o social e territorial: uma col&ocirc;nia voltada para produzir e exportar mercadorias de interesse dos mercados europeus, como o a&ccedil;&uacute;car. Essa orienta&ccedil;&atilde;o foi agravada pela concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade fundi&aacute;ria e, sobretudo, pela utiliza&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica, em todo o territ&oacute;rio, do trabalho escravo.</p>     <p>Como governar um complexo Imp&eacute;rio disperso em quatro continentes? Como passar da l&oacute;gica de redes para a l&oacute;gica territorial? A Coroa portuguesa tentou v&aacute;rios expedientes, sendo um dos principais a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Ultramarino em 1642. Como vimos, as capitanias heredit&aacute;rias foram experimentadas nas ilhas do Atl&acirc;ntico e no continente africano. O governo geral tamb&eacute;m foi experimentado na &Aacute;frica. O Estado da &Iacute;ndia foi iniciado com a nomea&ccedil;&atilde;o de um Vice-Rei.</p>     <p>Mas no Brasil, com um imenso territ&oacute;rio, com fronteiras imprecisas, e com o estabelecimento do sistema escravista, al&eacute;m da gest&atilde;o das outras partes do Imp&eacute;rio, era necess&aacute;rio controlar e colonizar a col&ocirc;nia. Foram realizadas tentativas de centraliza&ccedil;&atilde;o e descentraliza&ccedil;&atilde;o administrativa, como nas experi&ecirc;ncias de cria&ccedil;&atilde;o de Estado separado do Brasil na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, devido a maior acessibilidade com Lisboa, assim como nas experi&ecirc;ncias de separa&ccedil;&atilde;o de governos do norte (sede em Salvador) e do sul da col&ocirc;nia (sede no Rio de Janeiro).</p>     <p>Vamos destacar nesta segunda parte o papel do Estado, em seus diferentes n&iacute;veis e o papel da Igreja no governo do territ&oacute;rio, com &ecirc;nfase no per&iacute;odo colonial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O Estado</b></p>     <p>Consideramos o papel do Estado no controle do territ&oacute;rio da Am&eacute;rica portuguesa em diferentes n&iacute;veis: a Coroa portuguesa e suas institui&ccedil;&otilde;es; os representantes da Coroa no Brasil; e os representantes da administra&ccedil;&atilde;o local: o papel importante das C&acirc;maras.</p>     <p>Segundo Prado Junior para a administra&ccedil;&atilde;o metropolitana o Brasil era composto de v&aacute;rias col&ocirc;nias, administradas pelo referido Conselho Ultramarino (Prado Jr., 2000, p. 313). Os mesmos referenciais jur&iacute;dicos de Portugal se aplicavam a col&ocirc;nia: Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas (1467), Manuelinas (1514-1521) e Filipinas (1603), que tiveram continuidade at&eacute; 1917, j&aacute; no per&iacute;odo republicano.</p>     <p>A primeira divis&atilde;o territorial do Brasil foi experimentada pelas capitanias heredit&aacute;rias, a partir de uma divis&atilde;o do litoral em faixas de cerca de 50 l&eacute;guas de comprimento que ficaram a cargo dos donat&aacute;rios, que foram respons&aacute;veis pela sua ocupa&ccedil;&atilde;o, coloniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento. Essa experi&ecirc;ncia em geral n&atilde;o foi satisfat&oacute;ria, com a exce&ccedil;&atilde;o de duas capitanias: Pernambuco e S&atilde;o Vicente.</p>     <p>A Coroa passou ent&atilde;o a formar um governo geral, sediado em Salvador, atrav&eacute;s da funda&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o da cidade (1549). A capitania foi adquirida dos herdeiros do primeiro donat&aacute;rio, derrotado e eliminado pelos aut&oacute;ctones. O Governo Geral foi implantado em paralelo as demais capitanias heredit&aacute;rias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os governadores faziam doa&ccedil;&otilde;es de sesmarias aos colonos importantes, sobretudo membros da nobreza com algumas exig&ecirc;ncias para a implanta&ccedil;&atilde;o de engenhos de a&ccedil;&uacute;car. Na produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car, portanto, os maiores investimentos eram voltados para a constru&ccedil;&atilde;o de engenhos e a compra de escravos, pois as terras eram recebidas em sesmarias. Em seguida as sesmarias come&ccedil;aram a ser subdivididas sendo arrendadas aos pequenos colonos.</p>     <p>Com a doa&ccedil;&atilde;o de sesmarias nas &aacute;reas interioranas de cria&ccedil;&atilde;o de gado, no Sert&atilde;o, propriedades gigantescas ficaram nas m&atilde;os de fam&iacute;lias poderosas, que criaram conflitos com os mission&aacute;rios e que o Estado n&atilde;o tinha meios de controle eficiente. Algumas propriedades atingiram 260 l&eacute;guas (1.560 km), como a Casa da Torre, da fam&iacute;lia de Garcia d&acute;&Aacute;vila, ou 160 l&eacute;guas (960 km), como a Casa da Ponte, ambas ao longo do rio S&atilde;o Francisco (Freire, 2000, p. 34-35, citando Antonil). Esses abusos foram limitados a partir de 1729, com provis&atilde;o que proibiu a doa&ccedil;&atilde;o de sesmarias com mais de tr&ecirc;s l&eacute;guas de comprimento e uma de largura. Tamb&eacute;m a partir de 1780 os sesmeiros passaram a condi&ccedil;&atilde;o de simples foreiros, perdendo a propriedade plena (Ibid).</p>     <p>O governador geral tinha como prioridade a defesa da col&ocirc;nia. Os militares eram divididos em tropas de linha (profissional, em geral portugueses); mil&iacute;cias (tropas auxiliares formadas pelos colonos e segregadas por cor); e corpos de ordenan&ccedil;as (o resto da popula&ccedil;&atilde;o) (Prado Jr., op. cit). Com o estabelecimento da aula de fortifica&ccedil;&otilde;es em Salvador, em 1699, foi dado in&iacute;cio a forma&ccedil;&atilde;o de engenheiros militares na Col&ocirc;nia, um dos quais, Jos&eacute; Antonio Caldas, construiu um forte na ilha de S&atilde;o Tom&eacute;, na &Aacute;frica.</p>     <p>A implanta&ccedil;&atilde;o de um sistema de fortifica&ccedil;&otilde;es nas cidades e portos do litoral, como Salvador (1549), Rio de Janeiro (1567), assim como Para&iacute;ba (1585), Natal (1599), S&atilde;o Lu&iacute;s (1612), Bel&eacute;m (1616) e Sacramento (1680) (Araujo, R. in Moreira, 1989), teve continuidade com o estabelecimento de fortifica&ccedil;&otilde;es ao longo das fronteiras interiores, sobretudo no s&eacute;culo XVIII, em S&atilde;o Joaquim do Rio Branco, S&atilde;o Gabriel da Cachoeira, S&atilde;o Joaquim de Marabitenas e S&atilde;o Francisco Xavier da Tabatinga, na Amaz&ocirc;nia nos anos 1750-1760; Macap&aacute; foi fortificada em 1764 e na long&iacute;nqua capitania de Mato Grosso foram implantados os fortes de Coimbra e Pr&iacute;ncipe da Beira (1775-1776) (Lemos, C. in Moreira, 1989).</p>     <p>A Coroa Portuguesa ordenou a constru&ccedil;&atilde;o de navios de guerra no Arsenal de Salvador. Dois exemplos: em 1659 foi lan&ccedil;ada a nau <i>Capitania Real</i>, com 1.000 toneladas e em 1716 foi constru&iacute;do um navio com 84 canh&otilde;es e com capacidade para 700 homens (Vasconcelos, no prelo)<a href="#_ftn20" name="_ftnref20">[20]</a>.</p>     <p>O judici&aacute;rio era composto pelas Rela&ccedil;&otilde;es da Bahia e do Rio de Janeiro. A jurisdi&ccedil;&atilde;o das Comarcas era de responsabilidade dos ouvidores.</p>     <p>A Junta da Fazenda era o principal &oacute;rg&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o fazend&aacute;ria e o principal tributo era o d&iacute;zimo. A arrecada&ccedil;&atilde;o era normalmente efetuada por contratantes. Com a produ&ccedil;&atilde;o do ouro, o quinto (20%) passou a ser a principal forma de arrecada&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas mineradoras.</p>     <p>As capitanias eram divididas em comarcas (divis&otilde;es judiciais), que eram por sua vez divididas em termos, cujas sedes estavam em cidades e vilas. Os termos eram divididos por freguesias.</p>     <p>&nbsp;No n&iacute;vel municipal, nas vilas e nas cidades, os Senados das C&acirc;maras tiveram um papel fundamental de gest&atilde;o da vida cotidiana atrav&eacute;s de posturas, assim como na doa&ccedil;&atilde;o de terras (datas) nos seus territ&oacute;rios (termos). O mesmo sistema funcionou em todo imp&eacute;rio portugu&ecirc;s. Compunha-se de um juiz-de-fora (nomeado pelo rei) ou dois ju&iacute;zes ordin&aacute;rios, tr&ecirc;s vereadores e um procurador. Tamb&eacute;m havia ainda um juiz do povo e dois representantes dos mestres artes&atilde;os (1581-1713).</p>     <p>A C&acirc;mara de Salvador teve um papel destacado na forma&ccedil;&atilde;o da nacionalidade brasileira e na tentativa de ordenamento da cidade. Alguns exemplos podem ser destacados: depois da invas&atilde;o holandesa em 1625 os membros da C&acirc;mara se reuniram para reconstituir de mem&oacute;ria as posturas de ordenamento da cidade, tendo em vista que os holandeses tinham destru&iacute;do todos os documentos existentes. Uma das consequ&ecirc;ncias foi a ocupa&ccedil;&atilde;o das terras da sesmaria da C&acirc;mara sem pagamento de foro. Em 1671 os membros da C&acirc;mara solicitaram diretamente ao rei de Portugal &ldquo;<i>reparar Decreto</i>&rdquo; que impedia que os nascidos no Brasil fossem desembargadores, considerando o que parecia &ldquo;<i>huma ofensa que Vossa Magestade faz aos filhos deste Estado e principalmente aos daBahia</i>&rdquo; (Vasconcelos, no prelo). Para eles, escrevendo em nome do conjunto dos brasileiros, n&atilde;o deveria haver discrimina&ccedil;&atilde;o entre os nascidos no Brasil e os rein&oacute;is.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>A Igreja</b></p>     <p>A Igreja Cat&oacute;lica teve um papel fundamental na quest&atilde;o do controle do territ&oacute;rio no Brasil colonial. Em alguns casos, ela teve mais import&acirc;ncia que o pr&oacute;prio Estado.</p>     <p>Devemos lembrar, em primeiro lugar, que o regime do Padroado da Ordem de Cristo foi passado para a Coroa portuguesa em 1515. Como as terras brasileiras estavam sob a jurisdi&ccedil;&atilde;o da Ordem de Cristo e sendo o Rei de Portugal o seu representante, a cobran&ccedil;a de d&iacute;zimos ficou sob a administra&ccedil;&atilde;o da Coroa, que ao mesmo tempo era respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o da Igreja e do clero secular na col&ocirc;nia.</p>     <p>O primeiro bispado de Salvador foi implantado em 1551, e teve sua jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre parte do territ&oacute;rio brasileiro (o Norte ficou vinculado a Lisboa, devido &agrave;s dificuldades de navega&ccedil;&atilde;o). O arcebispado, implantado em 1676, inclu&iacute;a tamb&eacute;m territ&oacute;rios africanos, como Angola e S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, j&aacute; comentados.</p>     <p>A import&acirc;ncia do arcebispado de Salvador pode ser destacada com a reuni&atilde;o do S&iacute;nodo em 1707, que aprovou as Constitui&ccedil;&otilde;es Primeiras do Arcebispado da Bahia. O referido s&iacute;nodo contou com a presen&ccedil;a do bispo de Angola, enquanto que o do Rio de Janeiro n&atilde;o compareceu por estar doente. As constitui&ccedil;&otilde;es estabeleceram normas para a Igreja e para a sociedade, ao tempo que o Estado n&atilde;o dispunha de documento espec&iacute;fico para a Am&eacute;rica Portuguesa. Entre as regras, podem ser destacadas as discrimina&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas da &eacute;poca, atrav&eacute;s da proibi&ccedil;&atilde;o do sacerd&oacute;cio de candidatos que &ldquo;<i>tem parte da na&ccedil;&atilde;o Hebrea, </i>[...]<i> ou de outra qualquer infecta </i>[...]<i> ou de Negro ou Mulato</i>&rdquo;; da necessidade do candidato ter um patrim&ocirc;nio, que &ldquo;<i>renda ao menos cada ano vinte e cinco mil r&eacute;is </i>[...]&rdquo;. Quanto aos requerimentos urban&iacute;sticos foi determinado que &ldquo;<i>As Igrejas se devem fundar, e edificar em lugares decentes, e acommodados</i>&rdquo;; e, sobretudo, normas foram adaptadas &agrave; sociedade escravista: &ldquo;<i>N&atilde;o goz&atilde;o de immunidade da Igreja </i>[...]<i> o escravo </i>(<i>ainda que seja Christ&atilde;o</i>)<i> que fugir a seu senhor para se livrar do captiveiro</i>&rdquo; (Vide, S. in Vasconcelos, no prelo).</p>     <p>Um destaque especial do papel da Igreja nas cidades foi o da divis&atilde;o administrativa a partir do estabelecimento dos territ&oacute;rios paroquiais, que at&eacute; hoje servem de base aos sub-distritos da administra&ccedil;&atilde;o municipal.</p>     <p>As ordens religiosas tamb&eacute;m tiveram um papel fundamental, tanto no ensino, como no papel mission&aacute;rio junto aos &Iacute;ndios, sobretudo na implanta&ccedil;&atilde;o de aldeias. As ordens tamb&eacute;m receberam grandes sesmarias, como os jesu&iacute;tas, que utilizaram o trabalho escravo e experimentaram a implanta&ccedil;&atilde;o de plantas ex&oacute;ticas originadas das &Iacute;ndias e do continente africano.</p>     <p>Houve conflitos entre o Estado e a Igreja: conventos n&atilde;o foram autorizados na regi&atilde;o de Minas Gerais (Martini&egrave;re in Mauro, 1991). Os jesu&iacute;tas foram expulsos em 1759, em parte devido aos conflitos sobre as &aacute;reas mission&aacute;rias no sul do Brasil<a href="#_ftn21" name="_ftnref21">[21]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Procurei inserir a discuss&atilde;o da coloniza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro em um contexto mais amplo, o do Imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s, tendo em vista as experi&ecirc;ncias em governan&ccedil;a realizadas em outros espa&ccedil;os e em per&iacute;odos anteriores ao &ldquo;descobrimento&rdquo; do Brasil. Governadores, vice-reis, e outros funcion&aacute;rios de grau elevado exerciam suas autoridades em diferentes partes do territ&oacute;rio do imp&eacute;rio. Um exemplo excepcional: o mulato Jo&atilde;o Fernandes Vieira, nascido em Madeira, residiu em Pernambuco durante a ocupa&ccedil;&atilde;o holandesa. Ele enriqueceu com o com&eacute;rcio com os holandeses, mudou de lado durante a guerra e participou das batalhas para a expuls&atilde;o dos invasores, e recebeu, como pr&ecirc;mio, o governo de Angola (Raminelli, A. in Vainfas, 2000).</p>     <p>A pr&oacute;pria expans&atilde;o do territ&oacute;rio brasileiro muito al&eacute;m da linha do Tratado de Tordesilhas, se deu pela iniciativa dos brasileiros, seja de mesti&ccedil;os de &iacute;ndios, como os bandeirantes, mas tamb&eacute;m pelo trabalho das ordens religiosas, como na ocupa&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia e do sert&atilde;o brasileiro, regi&otilde;es em que o Estado tinha menor dom&iacute;nio.&nbsp;</p>     <p>O tr&aacute;fico de escravos entre a &Aacute;frica e o Brasil, ao longo de tr&ecirc;s s&eacute;culos e meio, extrapolando o per&iacute;odo colonial, &eacute; certamente, o maior exemplo de que n&atilde;o se pode estudar o Brasil de forma isolada, e que suas consequ&ecirc;ncias, no longo prazo, resultaram numa das na&ccedil;&otilde;es mais desiguais do Mundo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>ALENCASTRO, Luiz F. <i>O Trato dos Viventes</i>: forma&ccedil;&atilde;o do Brasil no Atl&acirc;ntico Sul. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736139&pid=S2182-1267201600020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BALLONG-WEN-MEWUDA, J. Bato&acute;ora. <i>S&atilde;o Jorge da Mina 1482-1637</i>. Lisboa: Fondation C. Gulbenkian; Paris: EHESS, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736141&pid=S2182-1267201600020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOXER, Charles R. <i>Portuguese Society in the Tropics. The Municipal Councils of Goa, Macao, Bahia, and Luanda, 1510-1800</i>. Madison, Univ. of Wisconsin Press, 1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736143&pid=S2182-1267201600020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOXER, Charles R. <i>O Imp&eacute;rio Mar&iacute;timo Portugu&ecirc;s 1414-1825</i>. Lisboa: Eds. 70, 2014 [1969].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736145&pid=S2182-1267201600020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOXER, Charles R. <i>Salvador de S&aacute; e a luta pelo Brasil e Angola, 1602-1686</i>. S&atilde;o Paulo: Nacional; Edusp, 1973 [1952].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736147&pid=S2182-1267201600020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CALDEIRA, Arlindo Manuel. <i>Escravos e traficantes no Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s</i>. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736149&pid=S2182-1267201600020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CAPELA, Jos&eacute;. <i>Donas, Senhores e Escravos</i>. Porto: Afrontamento, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736151&pid=S2182-1267201600020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ENDERS, Armelle. <i>Histoire de l&acute;Afrique Lusophone</i>. Paris: Chandeigne, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736153&pid=S2182-1267201600020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ENDERS, Armelle. <i>Nouvelle Histoire du Br&eacute;sil</i>. Paris: Chandeigne, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736155&pid=S2182-1267201600020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FREIRE, Felisbello. <i>Historia Territorial do Brazil</i>. Salvador: S.C.T.; IGHB, 2000 [1906].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736157&pid=S2182-1267201600020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JOHNSON, H.; SILVA, M. B. N. (Org.) <i>O Imp&eacute;rio Luso-Brasileiro</i> (<i>1500-1620</i>). Lisboa: Estampa, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736159&pid=S2182-1267201600020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MAURO, Fr&eacute;d&eacute;ric. <i>Portugal, o Brasil e o Atl&acirc;ntico </i>(<i>1570-1670</i>). Lisboa: Estampa, 1989 [1957].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736161&pid=S2182-1267201600020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAURO, Fr&eacute;d&eacute;ric. <i>Le Br&eacute;sil du XVe a la fin du XVIIIe si&egrave;cle</i>. Paris: S.E.D.E.S., 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736163&pid=S2182-1267201600020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAURO, Fr&eacute;d&eacute;ric. (Org.) <i>O Imp&eacute;rio Luso-Brasileiro</i> (<i>1620-1750</i>). Lisboa: Estampa, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736165&pid=S2182-1267201600020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MORAES, Antonio Carlos R. <i>Bases da Forma&ccedil;&atilde;o Territorial do Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736167&pid=S2182-1267201600020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MORAES, Antonio Carlos R. <i>Territ&oacute;rio e Hist&oacute;ria no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736169&pid=S2182-1267201600020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MOREIRA, Rafael (dir.) <i>Hist&oacute;ria das Fortifica&ccedil;&otilde;es Portuguesas no Mundo</i>. Lisboa: Alfa, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736171&pid=S2182-1267201600020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PRADO J&uacute;nior, Caio. <i>Forma&ccedil;&atilde;o do Brasil Contempor&acirc;neo</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense; Publifolha, 2000 [1942].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736173&pid=S2182-1267201600020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RUSSELL-WOOD. <i>Hist&oacute;rias do Atl&acirc;ntico portugu&ecirc;s</i>. S&atilde;o Paulo: Unesp, 2014 [2009].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736175&pid=S2182-1267201600020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SARAIVA, Jos&eacute; Hermano. <i>Hist&oacute;ria de Portugal.</i> Lisboa: Alfa, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736177&pid=S2182-1267201600020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, Alberto da Costa e. <i>Um rio chamado Atl&acirc;ntico</i>: a &Aacute;frica no Brasil e o Brasil na &Aacute;frica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; UFRJ, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736179&pid=S2182-1267201600020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SILVA, Maria Beatriz N. da. (Org.) <i>O Imp&eacute;rio Luso-Brasileiro</i> (<i>1750-1822</i>). Lisboa: Estampa, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736181&pid=S2182-1267201600020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, Maria Beatriz N. da (Org.) <i>Dicion&aacute;rio da Hist&oacute;ria da Coloniza&ccedil;&atilde;o Portuguesa no Brasil</i>. Lisboa: Verbo, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736183&pid=S2182-1267201600020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VAINFAS, Ronaldo (org.) <i>Dicion&aacute;rio do Brasil Colonial</i> (<i>1500-1808</i>). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736185&pid=S2182-1267201600020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VASCONCELOS, Pedro de A. <i>Salvador</i>: transforma&ccedil;&otilde;es e perman&ecirc;ncias (1549-1999). Ilh&eacute;us: Editus, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736187&pid=S2182-1267201600020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VASCONCELOS, Pedro de A. <i>Salvador</i>: transforma&ccedil;&otilde;es e perman&ecirc;ncias (1549-1999). 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o revisada e ampliada. Salvador: Edufba, no prelo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736189&pid=S2182-1267201600020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VERGER, Pierre. <i>Fluxo e Refluxo do tr&aacute;fico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos</i>: dos s&eacute;culos XVII a XIX. S&atilde;o Paulo: Currupio, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736191&pid=S2182-1267201600020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIDAL, Laurent. <i>Mazag&atilde;o. La ville qui traversa l&acute;Atlantique. Du Maroc &agrave; l&acute;Amazonie</i> (<i>1769-1783</i>). Paris: Aubier, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736193&pid=S2182-1267201600020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><a href="http://www.japassei.pt/pt/1-1-o-imperio-portugues-no-seculo-xviii" target="_blank">http://www.japassei.pt/pt/1-1-o-imperio-portugues-no-seculo-xviii</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1736195&pid=S2182-1267201600020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Esse artigo corresponde a texto revisto da Confer&ecirc;ncia apresentada no II Semin&aacute;rio Internacional SETED-ANTE Estado, Territ&oacute;rio e Desenvolvimento: &ldquo;A Governa&ccedil;&atilde;o dos Territ&oacute;rios&rdquo;, na Universidade de Santiago de Compostela, em 07/2015.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Com exce&ccedil;&atilde;o, sobretudo, de historiadores anglo-sax&otilde;es como Boxer e Russell-Wood, entre outros e de ge&oacute;grafos como Moraes.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Posteriormente adotada tamb&eacute;m em Angola e Mo&ccedil;ambique.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a>Deve ser destacado que a conquista de Ceuta foi muito anterior &agrave; queda de Granada, &uacute;ltimo basti&atilde;o &aacute;rabe-mouro na Espanha (1492).</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> O que custou a morte de 4.000 portugueses (Russell-Wood, 2014, p. 99).</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Enders (1995, p. 36) informou que os combatentes foram transportados em 600 navios.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Vidal (2005) registrou 2.092 pessoas embarcadas em 14 navios.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Importante o destaque dado por Russell-Wood (2014) que o com&eacute;rcio de escravos africanos &eacute; anterior &agrave; chegada de Colombo na Am&eacute;rica.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Caldeira (2013) informou que as descobertas ocorreram no per&iacute;odo 1456 a 1562.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> As ilhas ficam pr&oacute;ximas ao litoral dos atuais estados da Guin&eacute; Equatorial e do Gab&atilde;o. Em 1493 cerca de 2.000 crian&ccedil;as judias foram enviadas a S&atilde;o Tom&eacute; (Enders, op. cit).</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Presentes eram trocados entre os reis: em 1515 o rei do Congo enviou 78 escravos para D. Manoel (Russell-Wood, 2014, p. 42).</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Os portugueses em seguida exportaram escravos do Benim para Elmina para &ldquo;atender a demanda africana por m&atilde;o de obra em regi&otilde;es florestais de extra&ccedil;&atilde;o de ouro e por carregadores [...]&rdquo; (Russell-Wood, op. cit., p. 40)</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> Segundo Saraiva &ldquo;descobrir&rdquo; tinha sentido na &eacute;poca de &ldquo;obter informa&ccedil;&otilde;es sobre o que dantes era desconhecido&rdquo; (op. cit., p. 146).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> Segundo Alencastro ((2000), em S&atilde;o Tom&eacute; a Irmandade do Ros&aacute;rio dos Negros (1526) &eacute; anterior a mesma irmandade de Salvador (1581).</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> Boxer (1973) acrescentou que &iacute;ndios tamoios participaram das tropas enviadas pelos holandeses. Alencastro (2000, p. 124) estimou um total de 200 &iacute;ndios potiguares.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16">[16]</a> Dos 107 soldados sobreviveram apenas quatro (Alencastro, op. cit., p. 225).</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a> Devido a dimens&atilde;o do Imp&eacute;rio, Goa passou a administrar a regi&atilde;o de Mo&ccedil;ambique.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18">[18]</a> Enders, op. cit.. Caldeira (2013, p. 67) informou que o forte foi financiado pelos traficantes de escravos da Bahia.</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> Em 1699 foram enviados 500 kg. de ouro para Lisboa. Em 1720 o total alcan&ccedil;ou 25 toneladas (Saraiva, op. cit., p. 240)</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20">[20]</a> No Rio de Janeiro Salvador de S&aacute; construiu um dos maiores navios da &eacute;poca: o <i>Padre Eterno</i>, com 2.000 toneladas e 114 canh&otilde;es. Em 1665 o navio participou da frota do Brasil (Mauro, 1989, I, p. 65).</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21">[21]</a> O poder dos jesu&iacute;tas pode ser mensurado pelo fato de que o Provincial da ordem tinha uma fragata para seus deslocamentos (Mauro, 1977).</p>      ]]></body><back>
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