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<journal-title><![CDATA[GOT, Revista de Geografia e Ordenamento do Território]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2017.11.002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Globalização e o seu impacto no mercado residencial]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Globalization and its impact on the residential market]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Câmara Municipal de Lisboa Departamento de Planeamento Divisão de Plano Diretor Municipal]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the international discussion on the globalization process dominates the economical slope, from which the integration is linked in the world-wide economy, the elimination of commercial barriers and the permission for the interaction freedom. The legitimacy of these conceptions consolidate the capitalist power and drives the process of urbanization. In the last decades, this process besides fulfilling a crucial paper in the absorption of excesses of capitals, as advocated by Harvey (2010; 2012), it has been contributing, equally, so that the construction of the urban space is an integrant part of the dynamic of accumulation of capital, not only in function of the changes of the movements of the capital in the territories, but fundamentally for the urban planning and economical potentialities caused by these flows of investment.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Globalização]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Globaliza&ccedil;&atilde;o e o seu impacto no mercado residencial</b></p>     <p><b>Globalization and its impact on the residential market</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Ara&uacute;jo, Lu&iacute;sa</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>C&acirc;mara Municipal de Lisboa/Departamento de Planeamento/ Divis&atilde;o de Plano Diretor Municipal; Curso de Doutoramento da Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa; Campo Grande, n&ordm; 25, 1749-099 Lisboa, Portugal; <a href="mailto:luisa.araujo@cm-lisboa.pt">luisa.araujo@cm-lisboa.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No debate internacional sobre o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o domina a vertente econ&oacute;mica, a partir da qual &eacute; vinculada a integra&ccedil;&atilde;o na economia mundial, a elimina&ccedil;&atilde;o de barreiras comerciais e a permiss&atilde;o para a liberdade de intera&ccedil;&atilde;o. A legitimidade, destas conce&ccedil;&otilde;es consolidam o poder capitalista e impulsionam o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, este processo para al&eacute;m de desempenhar um papel crucial na absor&ccedil;&atilde;o de excedentes de capitais, conforme argumenta Harvey (2010; 2012), tem contribu&iacute;do, igualmente, para que a constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano seja parte integrante da din&acirc;mica de acumula&ccedil;&atilde;o de capital, n&atilde;o apenas em fun&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as dos movimentos do capital nos territ&oacute;rios, mas fundamentalmente pelas potencialidades urban&iacute;sticas e econ&oacute;micas suscitadas por esses fluxos de investimento.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras &ndash; Chave: </b>Globaliza&ccedil;&atilde;o; Constru&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Urbano, Mercado Residencial, Investimento.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the international discussion on the globalization process dominates the economical slope, from which the integration is linked in the world-wide economy, the elimination of commercial barriers and the permission for the interaction freedom. The legitimacy of these conceptions consolidate the capitalist power and drives the process of urbanization. In the last decades, this process besides fulfilling a crucial paper in the absorption of excesses of capitals, as advocated by Harvey (2010; 2012), it has been contributing, equally, so that the construction of the urban space is an integrant part of the dynamic of accumulation of capital, not only in function of the changes of the movements of the capital in the territories, but fundamentally for the urban planning and economical potentialities caused by these flows of investment.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>KeyWords</b>: Globalization; Construction of Urban Space; Market Residential, Investment.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquadrado no projeto de investiga&ccedil;&atilde;o em curso denominado: &ldquo;O Impacto da Pol&iacute;tica de Austeridade no Sector Imobili&aacute;rio e os Seus Efeitos no Territ&oacute;rio Urbano da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa&rdquo;, este artigo apresenta alguns resultados e reflex&otilde;es sobre o trabalho desenvolvido durante as primeiras etapas do projeto. Neste artigo, &eacute; dado particular enfoque ao modo como o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o pode influenciar o comportamento dos mercados imobili&aacute;rios nacionais e globais, particularmente ao n&iacute;vel da vertente habitacional (ou residencial). O recurso &agrave; an&aacute;lise de alguns indicadores estat&iacute;sticos, procura evidenciar empiricamente o impacto desse processo no territ&oacute;rio nacional, na AML, e na cidade de Lisboa, em particular.</p>     <p>No &acirc;mbito da literatura revista sobre esta tem&aacute;tica, destaca-se David Harvey, que tem analisado com particular acuidade as din&acirc;micas geogr&aacute;ficas e temporais do investimento imobili&aacute;rio e as suas repercuss&otilde;es nos processos de desenvolvimento urbano. Tendo como principal refer&ecirc;ncia as suas obras sobre este assunto, pode-se argumentar que as teorias neoliberais, enquanto modelo econ&oacute;mico dominante nas sociedades capitalistas atuais, tiveram necessidade de anular ou reduzir as barreiras espaciais entre diferentes geografias, facilitando e tornando mais r&aacute;pida a circula&ccedil;&atilde;o de capitais. Mais especificamente, o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o tem desempenhado um papel crucial na absor&ccedil;&atilde;o de excedentes de capitais nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Contudo, para a concretiza&ccedil;&atilde;o desses processos, exigentes em termos financeiros e com retornos a longo prazo, o envolvimento do Estado no apoio a um sistema financeiro forte - &laquo;nexo Estado-Finan&ccedil;as<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>&raquo; - revelaram-se fundamentais n&atilde;o apenas para alavancar as a&ccedil;&otilde;es, como tamb&eacute;m para aguardar &lsquo;pacientemente&rsquo; pelo retorno do investimento (Harvey, 2010; 2012). Face a estas condi&ccedil;&otilde;es e &agrave; crescente necessidade de existir maior fluxo de liquidez que permita dar continuidade e ampliar o processo de constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, v&atilde;o sendo criadas e implementadas diferentes inova&ccedil;&otilde;es financeiras que concretizam esse modelo.</p>     <p>No entanto, conforme alerta Harvey (2010), a circula&ccedil;&atilde;o de capital n&atilde;o &eacute; cont&iacute;nua, &eacute; processada por ciclos, surgindo circunst&acirc;ncias que retardam ou interrompem a sua continuidade, incitando o surgimento de crises, que se refletem na desvaloriza&ccedil;&atilde;o ou perda de capital. O autor imputa estas mudan&ccedil;as &agrave; trajet&oacute;ria evolutiva do capitalismo, ao desequil&iacute;brio, &agrave;s tens&otilde;es e antagonismos que surgem entre as diferentes esferas de atividade. Ou seja, de acordo com Harvey (2010), a evolu&ccedil;&atilde;o do capitalismo depende da intera&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica de sete fatores que constituem as esferas de atividade. Representando cada um deles uma parte da complexidade dos sistemas sociais e econ&oacute;micos que fazem parte do mundo contempor&acirc;neo, nomeadamente: <b>i)</b> as tecnologias e formas de organiza&ccedil;&atilde;o; <b>ii)</b> as rela&ccedil;&otilde;es sociais; <b>iii)</b> os arranjos institucionais e administrativos; <b>iv)</b> os processos de produ&ccedil;&atilde;o e de trabalho; <b>v)</b> as rela&ccedil;&otilde;es com a natureza; <b>vi)</b> os processos de reprodu&ccedil;&atilde;o social e de reprodu&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos e <b>vii)</b> as conce&ccedil;&otilde;es mentais do mundo. Argumentando que nesse processo nenhuma das esferas &eacute; dominante e independente das outras, evoluindo cada uma delas autonomamente, mas sempre em intera&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica, interligadas pela circula&ccedil;&atilde;o e acumula&ccedil;&atilde;o de capital. E com esta perspetiva, defendendo que os per&iacute;odos de crise surgem quando existe uma altera&ccedil;&atilde;o nesse equil&iacute;brio, comprometendo a rela&ccedil;&atilde;o entre as diversas esferas.</p>     <p>Apesar da relev&acirc;ncia e abrang&ecirc;ncia da perspetiva te&oacute;rica de Harvey (2010), com o prop&oacute;sito de elucidar sobre os motivos que podem levar a interrup&ccedil;&otilde;es na circula&ccedil;&atilde;o do capital, n&atilde;o pode ser negligenciado o facto do investimento associado a projetos de cariz urbano ser muito vulner&aacute;vel ao ambiente econ&oacute;mico existente, bem como &agrave;s pol&iacute;ticas financeiras e macroecon&oacute;micas adotadas<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>. Se atendermos &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o habitacional nos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA) ao longo dos &uacute;ltimos cem anos &eacute; evidente o caracter c&iacute;clico deste tipo de investimento, sens&iacute;vel a fatores de natureza econ&oacute;mica e financeira, como ocorreu na Grande Depress&atilde;o, em 1930, suscitada pela queda da bolsa de valores e por um ambiente de superprodu&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, ou pelas crises financeiras ocorridas a partir da d&eacute;cada de 70, que embora de menor impacto, foram provocadas por excessos no mercado imobili&aacute;rio. O caracter c&iacute;clico deste tipo de investimento, estudado por Brinley Thomas<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a> para a realidade dos EUA, entre 1810 e 1950, e relembrado por Harvey (2010), admitia a exist&ecirc;ncia de grandes oscila&ccedil;&otilde;es nos ciclos de constru&ccedil;&atilde;o residencial com uma periodicidade m&eacute;dia de 19,5 anos e um desvio padr&atilde;o de 5 anos. Neste sentido, e corroborando as conclus&otilde;es de Brinley Thomas, Bringe (2011), tendo por base estudos efetuados aos ciclos imobili&aacute;rios ocorridos em alguns pa&iacute;ses anglo-sax&oacute;nicos<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>, admite existir um per&iacute;odo constante, de sensivelmente 18 anos, entre o in&iacute;cio da subida de pre&ccedil;os do imobili&aacute;rio e o momento em que, atingido o pico de valoriza&ccedil;&atilde;o, este come&ccedil;a a desvalorizar. O ritmo da fase descendente do ciclo imobili&aacute;rio depende, segundo o autor, do regime fiscal e da natureza do sistema de cr&eacute;dito hipotec&aacute;rio.</p>     <p>Todavia, conforme refere Stiglitz (2014), no rescaldo da Grande Depress&atilde;o foram implementadas pol&iacute;ticas de regula&ccedil;&atilde;o do sistema econ&oacute;mico e financeiro americano, consideradas suficientemente fortes e eficazes para evitar o despoletar de outra grande crise e os seus efeitos negativos na sociedade. Com a elimina&ccedil;&atilde;o dessas medidas de regula&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro, em 1999, o escudo de prote&ccedil;&atilde;o deixa de existir, compactuando com uma excessiva financiariza&ccedil;&atilde;o da economia que eclodir&aacute; poucos anos mais tarde na crise de 2007/2008.</p>     <p>Importa enfatizar que o impacto destas crises nas sociedades para al&eacute;m de ser desolador, alterar completamente os padr&otilde;es de vida e acentuar as desigualdades sociais, cria em simult&acirc;neo uma superacumula&ccedil;&atilde;o de investimentos no ambiente constru&iacute;do, de dif&iacute;cil e lenta supera&ccedil;&atilde;o para as economias nacionais. Contudo, para que seja poss&iacute;vel suscitar novamente o crescimento &eacute; necess&aacute;rio implementar um novo quadro que absorva o capital e crie riqueza. E neste sentido, a globaliza&ccedil;&atilde;o vem criar novas perspetivas de desenvolvimento urbano, possibilitando trajet&oacute;rias diferentes e novos espa&ccedil;os essenciais para o seu investimento (Harvey, 2010).</p>     <p>Richardson (2005), num processo de reflex&atilde;o sobre o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, tendo por base um estudo realizado a algumas cidades e seus sistemas urbanos, de diferentes contextos geogr&aacute;ficos e culturais<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>, apesar de admitir que as consequ&ecirc;ncias da globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ben&eacute;ficas para muitos territ&oacute;rios, podendo gerar novas oportunidades para o desenvolvimento urbano, &lsquo;&lsquo;<i>there will be room for some new entrants to the market for global manufactures and services, and some well-located cities in countries that reform their policies, institutions, and infrastructure will surely develop successful clusters</i>&rdquo; (Richardson, 2005; p. 2), &eacute; perent&oacute;rio ao assumir que este processo tem inerente alguns impactos negativos resultantes da reestrutura&ccedil;&atilde;o dos fatores de competitividade e das estruturas econ&oacute;micas e de emprego, gerando desemprego, precaridade, e desigualdades sociais, nos pa&iacute;ses desenvolvidos e em desenvolvimento. N&atilde;o obstante, conforme ressalva o autor, este processo vem beneficiar o desenvolvimento econ&oacute;mico e urbano das cidades de maior dimens&atilde;o, fundamentalmente porque se encontram melhor dotadas de infraestruturas, de qualifica&ccedil;&atilde;o escolar e profissional, de maiores recursos financeiros e de adequadas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de incentivo ao dinamismo econ&oacute;mico e urbano. No processo de competi&ccedil;&atilde;o entre os territ&oacute;rios e a necessidade de atrair investimento, o sector p&uacute;blico (Estado) assume um papel relevante na cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es para que essa atra&ccedil;&atilde;o se torne exequ&iacute;vel, e contribua para aumentar a base econ&oacute;mica e tribut&aacute;ria local (Richardson, 2005; Harvey, 2010).</p>     <p>No seguimento destas reflex&otilde;es te&oacute;ricas, importa antes de mais perceber como &eacute; que este processo pode dinamizar e condicionar os mercados residenciais nacionais e globais e como podem estes contribuir para a fragmenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, elitizando o territ&oacute;rio e conferindo-lhe uma forma arquipel&aacute;gica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. O Mercado Imobili&aacute;rio Global na Perspetiva Residencial</b></p>     <p>O mercado imobili&aacute;rio representa todo o conjunto de transa&ccedil;&otilde;es efetuadas num determinado pa&iacute;s ou regi&atilde;o, cuja din&acirc;mica e orienta&ccedil;&atilde;o podem estar subjugadas &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as globais, sob a perspetiva de serem criadas novas oportunidades para a absor&ccedil;&atilde;o de excedentes por parte de investidores globais. Sendo este processo mais acutilante para os investidores de regi&otilde;es com expressivos crescimentos econ&oacute;micos e que necessitam consequentemente de reinvestir os excedentes de capital. Se atendermos &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da economia mundial nos &uacute;ltimos anos verifica-se que existe uma nova geografia da produ&ccedil;&atilde;o e do poder econ&oacute;mico, passando a hegemonia dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, para outras regi&otilde;es que na &uacute;ltima d&eacute;cada registaram ritmos expressivos de crescimento econ&oacute;mico, com particular incid&ecirc;ncia geogr&aacute;fica no Sudeste Asi&aacute;tico e na India. &ldquo; &hellip;O r&aacute;pido crescimento da China depois de 1980, mais tarde acompanhados por surtos de industrializa&ccedil;&atilde;o na Indon&eacute;sia, India, Vietname, Tail&acirc;ndia e Mal&aacute;sia durante a d&eacute;cada de 1990, alteraram o centro de gravidade do desenvolvimento capitalista, mesmo que esse n&atilde;o tenha sido um processo suave&rdquo; (Harvey, 2010; p.37).</p>     <p>Esta r&aacute;pida mudan&ccedil;a que se reflete numa nova geografia do capital, para al&eacute;m de gerar outro quadro geopol&iacute;tico, vem acentuar a competi&ccedil;&atilde;o entre as regi&otilde;es e for&ccedil;ar o investimento no desenvolvimento urbano. No caso particular do investimento no mercado imobili&aacute;rio residencial, para al&eacute;m de estar dependente da rela&ccedil;&atilde;o entre din&acirc;mica demogr&aacute;fica e oferta de habita&ccedil;&atilde;o, &eacute; fortemente condicionado pela avalia&ccedil;&atilde;o de fatores estruturais que, na &oacute;tica de Savills (2015), est&atilde;o associados a aspetos pol&iacute;ticos, a particularidades culturais, a pol&iacute;ticas urbanas e de ordenamento do territ&oacute;rio, ao regime fiscal e jur&iacute;dico e a custos de financiamento. Fatores que n&atilde;o s&atilde;o apenas determinantes para o investidor, como contribuem tamb&eacute;m para que o mercado de habita&ccedil;&atilde;o funcione de forma distinta nos diversos pa&iacute;ses e regi&otilde;es.</p>     <p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, a tend&ecirc;ncia dos investidores no mercado global tem incidido particularmente nalgumas das principais cidades mundiais, referenciadas em estudo realizado pela Cushman &amp; Wakefield (2015) <a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>, refletindo a import&acirc;ncia que &eacute; dada ao processo de planeamento e de gest&atilde;o das cidades, &agrave; notoriedade que &eacute; concedida &agrave; arquitetura e &agrave; requalifica&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os urbanos, assim como &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es que oferecem garantias para que o investimento se concretize sem grandes riscos. Face a este contexto, Bourdain (2011) admite que o liberalismo econ&oacute;mico imp&otilde;e-se nas sociedades, traduzindo-se num pensamento (narrativa) urban&iacute;stico que se apoia no essencial em: (i) convic&ccedil;&otilde;es e m&eacute;todos de fazer cidade suportados por novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o; (ii) realiza&ccedil;&atilde;o de grandes opera&ccedil;&otilde;es urbanas e (iii) import&acirc;ncia do espa&ccedil;o p&uacute;blico como um grande desafio para as cidades, convocando grandes investimentos, &laquo;opera&ccedil;&otilde;es farol&raquo;<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>, como forma de converter as cidades em refer&ecirc;ncias-chave ao n&iacute;vel global. A ideia de cidade como obra de arte, de esplendor arquitet&oacute;nico e urban&iacute;stico, ganha for&ccedil;a, fazendo com que as atividades e os equipamentos ligados &agrave; cultura atraiam portadores de inova&ccedil;&atilde;o e as cidades produzam assim a inova&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para &ldquo;&hellip;criar os c&iacute;rculos virtuosos de riqueza &ldquo; (Bourdain, 2011; p. 49).</p>     <p>As atra&ccedil;&otilde;es e potencialidades arquitet&oacute;nicas das cidades, se contribuem, por um lado, para o aumento da autoestima coletiva e individual, dos residentes, dos que trabalham e dirigem a gest&atilde;o e o ordenamento das cidades, por outro, despertam o interesse de investidores internacionais, cuja atua&ccedil;&atilde;o se reflete num primeiro momento em altera&ccedil;&otilde;es na din&acirc;mica do mercado residencial local, e num segundo tempo, na valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio, em determinadas &aacute;reas das cidades, decorrente do acr&eacute;scimo da procura e do interesse em investir. Neste contexto, tendo por base o mercado residencial global de algumas cidades, referenciado por Savills (2015), verifica-se existir na perspetiva do investidor uma discrep&acirc;ncia entre os valores do mercado prim&aacute;rio e do secund&aacute;rio<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>, considerando que o primeiro &eacute; direcionado para um segmento de popula&ccedil;&atilde;o de maior n&iacute;vel econ&oacute;mico e de escolaridade (segmento alto), e o segundo, ligado a um perfil social com caracter&iacute;sticas de n&iacute;vel ligeiramente inferior (segmento m&eacute;dio).</p>     <p>Comparando o mercado residencial prim&aacute;rio com o secund&aacute;rio em cada cidade considerada<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>, verifica-se que a diferen&ccedil;a de pre&ccedil;os entre os dois mercados &eacute; francamente expressiva nas cidades de Hong Kong, de Paris, do Dubai, de Xangai e de Londres. Representando os pre&ccedil;os da habita&ccedil;&atilde;o no mercado prim&aacute;rio de Hong Kong e de Paris, respetivamente 10 e 8 vezes o pre&ccedil;o da habita&ccedil;&atilde;o do mercado secund&aacute;rio, praticado em cada uma das cidades. Tal situa&ccedil;&atilde;o deve-se em grande parte ao facto de nestes &uacute;ltimos anos terem sido alvo de um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o e de reorienta&ccedil;&atilde;o das atividades econ&oacute;micas, tendo em vista o aumento da sua competitividade, e atualmente ocuparem os primeiros lugares na rede das <i>global cities</i>. Surgindo as cidades como motor de desenvolvimento dessas atividades econ&oacute;micas e servi&ccedil;os de apoio, contribuindo n&atilde;o apenas para aumentar a sua import&acirc;ncia funcional como exigindo adequadas, e em algumas situa&ccedil;&otilde;es, inovadoras abordagens de planeamento urbano. Resultando, em grande medida, a conjuga&ccedil;&atilde;o destes fatores numa consider&aacute;vel apet&ecirc;ncia para o investimento estrangeiro, concomitante com os resultados obtidos no estudo da Cushman &amp; Wakefield (2015), e por uma expressiva valoriza&ccedil;&atilde;o do mercado imobili&aacute;rio.</p>     <p>Tendencialmente os valores do mercado prim&aacute;rio seriam mais elevados face aos do secund&aacute;rio, mas na realidade esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se aplica &agrave; totalidade das situa&ccedil;&otilde;es consideradas e analisadas pela Savills (2015). Identificando-se algumas cidades com mercados secund&aacute;rios mais elevados, como &eacute; o caso de Singapura, de Nova Iorque, de T&oacute;quio, de Sidney e as restantes cidades dos Estados Unidos consideradas na an&aacute;lise. Embora at&iacute;pica, esta situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; indiciar alguma altera&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica dos mercados, possivelmente no sentido de estabiliza&ccedil;&atilde;o, ou crescimento mais lento, dos valores praticados no mercado prim&aacute;rio, ou poder&aacute; eventualmente refletir o impacto do crescimento urbano para outras &aacute;reas, perif&eacute;ricas &agrave;s principais cidades, potenciando e valorizando novas centralidades urbanas, com elevada qualidade urban&iacute;stica e construtiva, fortemente atrativa para o segmento populacional, alvo do mercado prim&aacute;rio. E contribuindo deste modo, para a desacelera&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os praticados nessas cidades, ao n&iacute;vel do segmento residencial prim&aacute;rio.</p>     <p>Estas tend&ecirc;ncias de mudan&ccedil;a no mercado residencial global se revelam por um lado, um carater din&acirc;mico do investimento, sempre atento a novas oportunidades com potencial de crescimento econ&oacute;mico, por outro, refletem os efeitos imediatos que determinadas mudan&ccedil;as urban&iacute;sticas ocorridas nos territ&oacute;rios podem suscitar no comportamento do mercado residencial dos sistemas urbanos, valorizando ou diminuindo o valor do patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio de determinadas &aacute;reas e desta forma, segmentando o espa&ccedil;o urbano.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. O Impulso do Investimento Estrangeiro e de Instrumentos Estatais</b></p>     <p>Para que o capitalismo neoliberal se possa afirmar nos territ&oacute;rios, &eacute; necess&aacute;rio existirem pol&iacute;ticas e instrumentos p&uacute;blicos que apoiem as suas inten&ccedil;&otilde;es, surgindo a Autoriza&ccedil;&atilde;o de Resid&ecirc;ncia para Atividade de Investimento, vulgo &laquo;Vistos Gold ou Golden Visa&raquo; e a cria&ccedil;&atilde;o do estatuto de Residente N&atilde;o Habitual (RNH) associada &agrave; concess&atilde;o de benef&iacute;cios fiscais, como um meio eficaz para a sua operacionalidade. O primeiro instrumento, deriva de um programa europeu de investimento que obedece a crit&eacute;rios espec&iacute;ficos definidos por cada pa&iacute;s que o adotou, embora existam muitas regras an&aacute;logas, conforme se poder&aacute; observar na <a href="#f1">Figura 1</a>. Objetivamente, este programa facilita a entrada e perman&ecirc;ncia nos pa&iacute;ses com dispensa de visto de resid&ecirc;ncia, com possibilidade de aceder posteriormente &agrave; nacionalidade, desde que se encontrem salvaguardadas as condi&ccedil;&otilde;es de investimento definidas pelo pa&iacute;s requerido. Relativamente ao segundo, representa um regime fiscal <a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a> concebido para atrair para Portugal profissionais n&atilde;o residentes qualificados em atividades de elevado valor acrescentado, de carater cient&iacute;fico, art&iacute;stico ou t&eacute;cnico, assim como, benefici&aacute;rios de pens&otilde;es obtidas no estrangeiro. Para a obten&ccedil;&atilde;o do estatuto de RNH ser residente de forma habitual e permanente em Portugal, constitui um dos requisitos obrigat&oacute;rios, e nesse sentido, a aquisi&ccedil;&atilde;o ou o arrendamento imobili&aacute;rio representa uma das etapas do procedimento. De referir, que para al&eacute;m de estes instrumentos facilitarem o investimento externo em determinados sectores de atividade, como &eacute; o caso do imobili&aacute;rio, e gerar efeitos multiplicadores nas economias nacionais, fundamentalmente ao n&iacute;vel de atividades econ&oacute;micas complementares, tem inerente um grande potencial de atra&ccedil;&atilde;o de outro tipo de investimento e de investidores<b>.</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Efetivamente, apesar da relev&acirc;ncia e do impacto econ&oacute;mico do regime de RNH, no territ&oacute;rio nacional, admite-se que a abrang&ecirc;ncia dos Vistos Gold &eacute; notoriamente maior. Conforme argumenta Quintela (2014), os Vistos Gold expressam uma vontade pol&iacute;tica em atrair investimento estrangeiro com o objetivo de estimular a atividade econ&oacute;mica e o desenvolvimento dos territ&oacute;rios atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia de capitais para o pa&iacute;s de acolhimento, em troca de concess&atilde;o de resid&ecirc;ncia ou de direitos de cidadania. Com efeito, este processo est&aacute; associado a um programa de cidadania essencialmente econ&oacute;mico, vinculado ao capital de potenciais investidores ou de imigrantes (econ&oacute;micos) que o querem transferir para outro pa&iacute;s. A recente utiliza&ccedil;&atilde;o deste tipo de programa, por parte de alguns pa&iacute;ses perif&eacute;ricos da Europa, particularmente os mais atingidos pela crise econ&oacute;mica e financeira, onde se inclui Portugal, para al&eacute;m da possibilidade de atrair talentos e de criar emprego mais qualificado, surge como catalisador de din&acirc;micas econ&oacute;micas e urbanas, e contribuindo para atenuar o impacto da crise nesses territ&oacute;rios.</p>     <p>&Eacute; ineg&aacute;vel que a implementa&ccedil;&atilde;o deste programa em diversos pa&iacute;ses n&atilde;o s&oacute; contribui para redirecionar os fluxos de investimento globais, como possibilita alavancar o sector da constru&ccedil;&atilde;o, e com isso estimular e proporcionar novas din&acirc;micas aos mercados residenciais dos pa&iacute;ses de acolhimento. No caso particular de Portugal, a implementa&ccedil;&atilde;o do programa, desde Outubro de 2012 <a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>, para al&eacute;m da forte ades&atilde;o registada, particularmente em 2014, ano que regista 58% do total de autoriza&ccedil;&otilde;es concedidas at&eacute; &agrave; data (Fonte: SEF<a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a>, 2015), confirma existir uma hegemonia da nacionalidade chinesa na concess&atilde;o dos vistos (87% face ao total; Fonte: SEF, 2015).</p>     <p>A grande ader&ecirc;ncia a este programa e ao regime de RNH<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a> manifestada nos &uacute;ltimos anos poder&aacute; levar-nos a questionar sobre as reais motiva&ccedil;&otilde;es dos investidores na elei&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio nacional para a aplica&ccedil;&atilde;o dos seus capitais. Efetivamente, para al&eacute;m das motiva&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas inerentes a este &laquo;modelo de imigra&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cios&raquo; <a href="#_ftn15" name="_ftnref15">[15]</a> e de obten&ccedil;&atilde;o de direitos de cidadania, que possibilitem o acesso a novos mercados e a outras oportunidades de neg&oacute;cio, existem, contudo outros des&iacute;gnios essencialmente de natureza social e pessoal. No estudo de Quintela (2014), s&atilde;o enfatizados fatores que se relacionam com a facilidade em viajar e circular em espa&ccedil;o Schengen, com a possibilidade de possuir patrim&oacute;nio fora do pa&iacute;s de origem, com as vantagens fiscais e econ&oacute;micas do investimento imobili&aacute;rio, e com o interesse sobre as caracter&iacute;sticas end&oacute;genas do pa&iacute;s de acolhimento (clima e ordenamento do territ&oacute;rio). Neste &acirc;mbito, &eacute; de referir ainda, que na perspetiva do investidor a estabilidade econ&oacute;mica e fiscal dos pa&iacute;ses &eacute; determinante para que o investimento se concretize com seguran&ccedil;a e transpar&ecirc;ncia.</p>     <p>Com efeito, estes instrumentos estatais para al&eacute;m de terem auxiliado a economia nacional, durante o per&iacute;odo em que foi aplicado o programa de assist&ecirc;ncia financeira, representando, no caso do programa Vistos Gold, um investimento at&eacute; finais de 2015, de aproximadamente 1,6 mil milh&otilde;es de euros<a href="#_ftn16" name="_ftnref16">[16]</a>, e ser apontado como um dos motores da retoma do sector imobili&aacute;rio nacional, expresso por 1,4 mil milh&otilde;es de euros relacionados com a transa&ccedil;&atilde;o de bens im&oacute;veis em territ&oacute;rio nacional, n&atilde;o representa a totalidade do investimento direto do exterior em Portugal realizado nos &uacute;ltimos anos, revelando contudo, uma capacidade de atrair fluxos de investimento apesar da crise sentida no pa&iacute;s e na Europa.</p>     <p>O total de investimento direto do exterior em Portugal (IDE), entre 2008 e 2015 (<a href="#f2">Figura 2</a>), foi de 31 mil milh&otilde;es de euros, dos quais 65% foram realizados nos &uacute;ltimos 4 anos (a partir de 2012). O valor m&aacute;ximo de investimento captado por Portugal ocorreu em 2012 (7 mil milh&otilde;es de euros), enquanto em 2009 e 2010 foi em termos m&eacute;dios de 1,5 mil milh&otilde;es de euros, refletindo de forma c&aacute;ustica o impacto da crise econ&oacute;mica e financeira expressa pela desacelera&ccedil;&atilde;o do investimento. De notar que apesar de em 2013 se observar uma retra&ccedil;&atilde;o no investimento realizado, o comportamento da vari&aacute;vel nos anos seguintes indicia uma tend&ecirc;ncia de crescimento mais consistente, concomitante com a progressiva melhoria dos indicadores econ&oacute;micos nacionais, favorecendo e transmitindo confian&ccedil;a aos investidores estrangeiros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em termos de sectores de atividades, a maior apet&ecirc;ncia do investimento recai nos servi&ccedil;os, expondo 84% de IDE nos 7 anos considerados (varia&ccedil;&atilde;o de 43% em 2008-2010, contra -79% em 2011-2013, e 13% em 2014-2015). Relativamente aos sectores mais diretamente ligados ao imobili&aacute;rio, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e &agrave;s atividades imobili&aacute;rias, importa referir que a primeira representa 3% do total de IDE realizado em Portugal (896 milh&otilde;es de euros), entre 2008-2015, evidenciando uma tend&ecirc;ncia crescente de capta&ccedil;&atilde;o de investimento, a partir de 2012 (varia&ccedil;&atilde;o de -24% em 2008-2010, contra 1,5% em 2011-2013, e 45% em 2014-2015). N&atilde;o obstante, constata-se que essa tend&ecirc;ncia de crescimento &eacute; mais acentuada a partir de 2014. E as atividades imobili&aacute;rias, representando 5,5% de IDE, entre 2008-2015, manifestam uma tend&ecirc;ncia crescente na capta&ccedil;&atilde;o de investimento exterior, a partir de 2012 (varia&ccedil;&atilde;o de -110%, em 2008-2011, contra 233% em 2012-2015), o que poder&aacute; indiciar alguma influ&ecirc;ncia da implementa&ccedil;&atilde;o do programa Vistos Gold e do regime de RNH na orienta&ccedil;&atilde;o do investimento estrangeiro. Reconhecendo que essa tend&ecirc;ncia de crescimento, em termos absolutos, &eacute; maior no sector da constru&ccedil;&atilde;o, e no caso das atividades imobili&aacute;rias ainda n&atilde;o tenha atingido os n&iacute;veis de investimento realizados, entre 2008 e 2010.</p>     <p>Se atendermos &agrave; proveni&ecirc;ncia do investimento em Portugal (Figuras <a href="#f3">3</a> e <a href="#f4">4</a>), constata-se existir uma supremacia do peso do investimento europeu (85,7%), particularmente dos pa&iacute;ses que fazem parte da Uni&atilde;o Europeia (81,8%), no total de investimento realizado, entre 2008 e 2015. Fora do contexto europeu, embora com menor expressividade, &eacute; de assinalar o investimento procedente de outros continentes, particularmente o dos continentes asi&aacute;tico, africano e da am&eacute;rica do sul, correspondendo respetivamente a 10,2%, 3,2% e 1,8% do total de investimento realizado no territ&oacute;rio nacional, para o per&iacute;odo em an&aacute;lise. Destes, destaca-se o investimento de origem chinesa, brasileira e angolana. Sublinhando o aumento de investimento chin&ecirc;s, a partir de 2013, e do Brasil, entre 2013 e 2014, expondo um montante de investimento da ordem dos 2,6 mil milh&otilde;es de euros, cujo impacto se reflete em 20% do total de investimento operado no territ&oacute;rio nacional, entre 2013 e 2015. Relativamente ao investimento angolano, cuja assertividade foi mais intensa, a partir de 2012, representou entre 2012 e 2015, 4% do total de IDE concretizado no territ&oacute;rio nacional (aproximadamente 841,7 milh&otilde;es de euros).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel no Banco de Portugal, at&eacute; &agrave; data, n&atilde;o permita estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o entre a origem dos investidores e promotores estrangeiros e o objetivo do investimento, n&atilde;o pode ser negligenciado o facto de recentemente existirem sinais que indiciam alguma din&acirc;mica urban&iacute;stica no territ&oacute;rio nacional, para a qual a conjuntura econ&oacute;mica e financeira interna continua a ser pouco favor&aacute;vel, e neste medida, podendo admitir-se a possibilidade de existir uma rela&ccedil;&atilde;o entre a evolu&ccedil;&atilde;o dos fluxos de IDE, a implementa&ccedil;&atilde;o do programa Vistos Gold e regime de RNH, e as altera&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas registadas no territ&oacute;rio.</p>     <p>Neste &acirc;mbito, refira-se que a progressiva melhoria dos indicadores econ&oacute;micos e o maior controle da divida p&uacute;blica nacional, fundamentalmente a partir do segundo semestre de 2013, surgem como contributos cruciais para a recupera&ccedil;&atilde;o do sector e para suscitar o interesse dos investidores estrangeiros no mercado nacional (Quintela, 2014). Por outro lado, a implementa&ccedil;&atilde;o dos programas estatais vem potenciar ainda mais o investimento no sector, quer atrav&eacute;s do incentivo &agrave; atividade construtiva quer no aumento de im&oacute;veis transacionados. Por&eacute;m, admite-se existir uma certa dificuldade em estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o entre as din&acirc;micas urban&iacute;sticas ocorridas no per&iacute;odo p&oacute;s implementa&ccedil;&atilde;o dos programas que adv&eacute;m, por um lado da obrigatoriedade de sigilo quanto ao requerente da inten&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica, e por outro, ao facto de grande parte dos investidores estrangeiros estarem associados a empresas e fundos imobili&aacute;rios, recorrentemente utilizados para transa&ccedil;&otilde;es e outras opera&ccedil;&otilde;es imobili&aacute;rias. Apesar destas limita&ccedil;&otilde;es, &eacute; relevante perceber quais as din&acirc;micas urban&iacute;sticas que ocorreram no territ&oacute;rio nacional, antes e depois da crise, tendo tamb&eacute;m em aten&ccedil;&atilde;o os anos p&oacute;s 2012 onde se registou uma maior intensidade de investimento estrangeiro (IDE) e a ocorr&ecirc;ncia de pedidos de concess&atilde;o de resid&ecirc;ncia ou de direitos de cidadania. Tendo subjacente este prop&oacute;sito, elegeram-se alguns indicadores considerados como representativos da din&acirc;mica urban&iacute;stica e do mercado residencial nacional, com incid&ecirc;ncia geogr&aacute;fica ao n&iacute;vel do Pa&iacute;s, da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML) e do munic&iacute;pio de Lisboa, cuja leitura e an&aacute;lise permitem destacar os seguintes aspetos:</p>     <p>i) A constata&ccedil;&atilde;o de que ocorreu uma diminui&ccedil;&atilde;o acentuada quanto ao n&uacute;mero de edif&iacute;cios licenciados, no territ&oacute;rio nacional e na Grande Lisboa, entre 2006 e 2015 (<a href="#f5">Figura 5</a>). Sendo essa tend&ecirc;ncia de decr&eacute;scimo bem mais expressiva na Grande Lisboa, entre 2012-2015 (varia&ccedil;&atilde;o de -30% em Portugal, contra -51% na Grande Lisboa). No caso particular do munic&iacute;pio de Lisboa, o comportamento registado ao n&iacute;vel do processo de licenciamento, &eacute; manifestamente diferente, observando-se por um lado, uma tend&ecirc;ncia de aumento progressivo do n&uacute;mero de edif&iacute;cios licenciados, entre 2006- 2012 (varia&ccedil;&atilde;o de 31%) e por outro, de decr&eacute;scimo, entre 2012-2015 (-42%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o obstante, se atendermos ao n&uacute;mero de processos entrados no munic&iacute;pio de Lisboa para aprova&ccedil;&atilde;o de licenciamento para constru&ccedil;&atilde;o nova e obras de reabilita&ccedil;&atilde;o, verifica-se que a partir de 2012 existe um novo impulso nas inten&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas a realizar na cidade (varia&ccedil;&atilde;o de -5% em 2009-2011, contra 44%, em 2012-2014), particularmente ao n&iacute;vel de processos de interven&ccedil;&atilde;o associados &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, representando 43% do total de processos entrados a partir desse ano (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ii) No per&iacute;odo p&oacute;s-crise o licenciamento para habita&ccedil;&atilde;o familiar associado a processos de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana come&ccedil;a a ter alguma visibilidade, particularmente not&oacute;ria em Lisboa, a partir de 2012-2014, embora esta tend&ecirc;ncia surja &ldquo;timidamente&rdquo; no territ&oacute;rio nacional e na Grande Lisboa (<a href="#f7">Figura 7</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>iii) De acordo com a informa&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE), o n&uacute;mero de contratos de compra e venda de pr&eacute;dios urbanos, diminuiu significativamente, entre 2004 e 2012, em todo o territ&oacute;rio nacional, sendo esse decr&eacute;scimo mais expressivo na AML (varia&ccedil;&atilde;o de -64,3%) do que em Lisboa (-59, 9%) e em Portugal (-58,6%). A partir de 2012, ocorre uma invers&atilde;o dessa tend&ecirc;ncia negativa, registando-se as maiores varia&ccedil;&otilde;es positivas em Lisboa (57,1%) e na AML (26,5%) face ao territ&oacute;rio nacional (8,4%) (<a href="#f8">Figura 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De facto, o impacto da crise e as consequentes altera&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio econ&oacute;mico e financeiro que afetou Portugal e outros pa&iacute;ses europeus contribuiu para reduzir drasticamente a atividade econ&oacute;mica nacional, o investimento exterior e o interesse no investimento imobili&aacute;rio, refletindo-se no decr&eacute;scimo de contratos de compra e venda celebrados em Portugal, com particular acuidade, entre 2008-2012 (-47,7%). Todavia, a invers&atilde;o desta situa&ccedil;&atilde;o, registada pelo comportamento ocorrido entre 2012-2014 (+8,5%), se pode expressar por um lado, o impacto do aumento do investimento exterior, do crescente interesse pelo regime de RNH, e da implementa&ccedil;&atilde;o do programa Vistos Gold no territ&oacute;rio nacional, na din&acirc;mica do sector imobili&aacute;rio, por outro, poder&aacute; refletir um aumento do n&iacute;vel de confian&ccedil;a dos aut&oacute;ctones, quanto &agrave; situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e financeira do pa&iacute;s, incitando o investimento imobili&aacute;rio.</p>     <p>Relativamente aos valores m&eacute;dios dos pr&eacute;dios urbanos transacionados observa-se que, entre os anos de 2002 a 2008, registou-se um aumento significativo em todo o territ&oacute;rio nacional. Tendo, contudo, esse acr&eacute;scimo ocorrido de forma mais acentuada no munic&iacute;pio de Lisboa (varia&ccedil;&atilde;o de 95%) (<a href="#f9">Figura 9</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f9">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f9.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es conjunturais verificadas no per&iacute;odo p&oacute;s crise, n&atilde;o s&oacute; se refletem na redu&ccedil;&atilde;o da procura imobili&aacute;ria, e no n&uacute;mero de contratos celebrados no territ&oacute;rio, como tamb&eacute;m contribuem para que a oferta existente seja alvo de desvaloriza&ccedil;&atilde;o, expressando-se naturalmente pela diminui&ccedil;&atilde;o do valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis transacionados, processo que se disseminou por todo o territ&oacute;rio nacional. Por&eacute;m, a diminui&ccedil;&atilde;o do valor m&eacute;dio dos pr&eacute;dios urbanos transacionados foi mais acutilante no territ&oacute;rio nacional e em Lisboa, do que na AML, registando-se uma varia&ccedil;&atilde;o de respetivamente (-8,9%) e (-10%), nos dois primeiros, e de (-3%) na AML. Contudo, admite-se, embora com alguma cautela, que a persist&ecirc;ncia desta situa&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio, possa ser encarada como uma oportunidade de investimento, se atendermos &agrave; tend&ecirc;ncia de crescimento do n&uacute;mero de contratos de compra e venda, ocorrida entre 2012-2014 (<a href="#f8">Figura 8</a>).</p>     <p>iv) Tendo por base a avalia&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria efetuada sobre os alojamentos constata-se que o valor m&eacute;dio por metro quadrado das habita&ccedil;&otilde;es em Portugal e na AML, em junho de 2016, eram de respetivamente 1.065 e 1.291 euros por metro quadrado (INE, Julho 2016). No munic&iacute;pio de Lisboa, esse valor atingia os 1.941 euros por metro quadrado, sendo 45% acima do valor m&eacute;dio nacional. De notar, que a evolu&ccedil;&atilde;o deste indicador em todo o territ&oacute;rio nacional sofreu oscila&ccedil;&otilde;es, de janeiro de 2012 a agosto de 2014. N&atilde;o obstante, a partir de agosto de 2014 observa-se uma tend&ecirc;ncia de crescimento mais constante dos valores m&eacute;dios de avalia&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria dos alojamentos da AML e do Pa&iacute;s, reconhecendo que a varia&ccedil;&atilde;o desses valores, entre agosto de 2014 e junho de 2016, &eacute; superior na AML (4,2%) face &agrave; do Pa&iacute;s (3,2%).</p>     <p>Tamb&eacute;m na cidade de Lisboa a evolu&ccedil;&atilde;o dos valores m&eacute;dios de avalia&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria sinalizam, a partir de agosto de 2014, um comportamento mais est&aacute;vel, menos oscilante, revelando uma tend&ecirc;ncia de crescimento progressivo, mas mais expressivo (varia&ccedil;&atilde;o de 12,3% entre agosto de 2014 e junho de 2016), denunciando uma atividade imobili&aacute;ria mais din&acirc;mica e atrativa, aspetos que na &oacute;tica do investidor podem ser encarados como indicadores de confian&ccedil;a e de rentabiliza&ccedil;&atilde;o, motivos suficientemente encorajadores ao investimento (<a href="#f10">Figura 10</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f10.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>v) A retoma do investimento estrangeiro no pa&iacute;s, sentida a partir de 2012 (embora com uma inflex&atilde;o em 2013), e a perspetiva de investimento imobili&aacute;rio associada &agrave; necessidade de aquisi&ccedil;&atilde;o de imobili&aacute;rio no territ&oacute;rio nacional para a obten&ccedil;&atilde;o de visto de resid&ecirc;ncia e de estatuto de RNH, para al&eacute;m de &ldquo;ressuscitar&rdquo; o sector imobili&aacute;rio nacional contribui para aumentar a procura de im&oacute;veis e consequentemente, inflacionar o seu valor. Situa&ccedil;&atilde;o que para al&eacute;m de alterar o comportamento do mercado residencial, cria segmentos (ou nichos) orientados para determinadas especificidades da procura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, atenda-se &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os do mercado de compra e venda residencial na cidade de Lisboa, entre o primeiro trimestre de 2009 e o terceiro de 2014, cujo &iacute;ndice de pre&ccedil;os residencial sofreu um decr&eacute;scimo bastante acentuado, fundamentalmente a partir do terceiro trimestre de 2010, resultante em grande medida do impacto da crise e da pol&iacute;tica de austeridade, invertendo, no entanto, essa tend&ecirc;ncia a partir do primeiro trimestre de 2013. Se tivermos em considera&ccedil;&atilde;o o comportamento do percentil 95, que traduz as transa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o significativas em termos de valor, representando na terminologia imobili&aacute;ria o segmento de habita&ccedil;&atilde;o de gama m&eacute;dia/alta, verifica-se que este det&eacute;m uma express&atilde;o muito significativa, a partir do segundo trimestre de 2013, refletindo uma subida de pre&ccedil;o superior a 50%, infletindo contudo ligeiramente, a partir do segundo trimestre de 2014 (<a href="#f11">Figura 11</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f11">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a03f11.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estes sinais de varia&ccedil;&atilde;o no comportamento do mercado residencial da cidade de Lisboa evidenciam um repentino investimento no imobili&aacute;rio, especialmente na vertente residencial de valor mais elevado, circunst&acirc;ncia an&oacute;mala se tivermos em considera&ccedil;&atilde;o que a sociedade portuguesa ainda se encontrava em plena crise econ&oacute;mica e financeira. Apesar de ser consensual nas publica&ccedil;&otilde;es e artigos das empresas imobili&aacute;rias a operar no territ&oacute;rio nacional, de que esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante favor&aacute;vel para a dinamiza&ccedil;&atilde;o do sector e do mercado residencial, ap&oacute;s um per&iacute;odo grande de estagna&ccedil;&atilde;o (p&oacute;s crise), por&eacute;m, conforme admitem os operadores nacionais podem refletir, perversamente, uma valoriza&ccedil;&atilde;o artificial do pre&ccedil;o dos im&oacute;veis, decorrente do aproveitamento desencadeado pelo fortalecimento do investimento estrangeiro realizado em Portugal, em per&iacute;odo p&oacute;s &ndash; crise, e pela implementa&ccedil;&atilde;o dos instrumentos estatais, Vistos Gold e RNH, em 2012 e em 2009, respetivamente.</p>     <p>Concomitantemente, admite-se que a natureza e especificidades do processo de planeamento e de ordenamento dos territ&oacute;rios para al&eacute;m de aumentar o n&iacute;vel de atratividade de determinadas &aacute;reas, e de &ldquo;seduzir&rdquo; o investimento, podem tamb&eacute;m contribuir para inflacionar os valores praticados pelos mercados imobili&aacute;rios residenciais locais. Neste &acirc;mbito, atenda-se &agrave; realidade da cidade de Lisboa, que desde o in&iacute;cio da primeira d&eacute;cada do s&eacute;c. XXI definiu uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento urbano para o seu territ&oacute;rio, consubstanciada no Plano Diretor Municipal (2012), elegendo alguns objetivos principais<a href="#_ftn17" name="_ftnref17">[17]</a> a fim de se converter numa cidade de refer&ecirc;ncia, a n&iacute;vel global. Como forma de operacionalizar esses objetivos &eacute; delineada uma Estrat&eacute;gia de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana (2011-2024), e s&atilde;o definidas a&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas e implementados projetos urbanos orientados para a requalifica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico, valoriza&ccedil;&atilde;o patrimonial, promo&ccedil;&atilde;o da oferta cultural, e preserva&ccedil;&atilde;o das identidades da cidade.</p>     <p>Mas, se por um lado, estes processos de interven&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, contribuem para qualificar o territ&oacute;rio e aumentar a visibilidade da cidade no exterior, por outro, introduzem no processo de planeamento uma nova filosofia de atua&ccedil;&atilde;o que assenta na necessidade de mercantilizar o desenvolvimento urbano como forma, explicita e deliberada, de atrair capital externo. Todavia, esta forma de encarar a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o para al&eacute;m de puder suscitar processos especulativos, ou de distor&ccedil;&atilde;o, nos valores praticados pelos mercados imobili&aacute;rios residenciais, subverte completamente o discurso ret&oacute;rico de que a cidade deve ser concebida para todos.</p>     <p>Efetivamente, a ado&ccedil;&atilde;o de processos especulativos no mercado residencial, se por um lado, potencia ainda mais a procura, tendo em vista o aumento da rentabilidade do investimento, criando alguma irracionalidade no comportamento do mercado e do pr&oacute;prio investidor, por outro, contribui para uma excessiva valoriza&ccedil;&atilde;o do imobili&aacute;rio, muito acima do seu valor real, podendo estar a alimentar a cria&ccedil;&atilde;o de uma bolha especulativa, o que face &agrave; eventualidade de ocorrer altera&ccedil;&otilde;es na conjuntura econ&oacute;mica e financeira mundial, pode provocar uma grande desvaloriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, e naturalmente grandes perdas para os investidores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Se esta crescente procura de investimento exterior em Lisboa &eacute; ben&eacute;fica para a recupera&ccedil;&atilde;o do sector imobili&aacute;rio da cidade, possibilitando a reabilita&ccedil;&atilde;o do tecido edificado que se encontra abandonado e envelhecido, pode perversamente, a m&eacute;dio prazo, contribuir para a deslocaliza&ccedil;&atilde;o de alguns segmentos de popula&ccedil;&atilde;o para outras &aacute;reas da cidade, ou mesmo para fora do concelho, contribuindo para a fragmenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, pela sua incapacidade financeira em suportar os custos inerentes &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio e &agrave; conting&ecirc;ncia de uma eleva&ccedil;&atilde;o do custo de vida da cidade. Neste sentido, n&atilde;o deve ser negligenciado, por parte do poder pol&iacute;tico, que o crescimento econ&oacute;mico da cidade deve ser sustent&aacute;vel, orientado, devendo salvaguardar n&atilde;o apenas os interesses dos que vivem na cidade, como tamb&eacute;m, a dimens&atilde;o simb&oacute;lica da cidade <a href="#_ftn18" name="_ftnref18">[18]</a>, que a personaliza, sob pena de se tornar um &ldquo; &hellip;lugar de consumo e consumo de lugar&rdquo; (Lefebvre, 2011; p.130).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O impacto da globaliza&ccedil;&atilde;o nos territ&oacute;rios urbanos tem contribu&iacute;do para a constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias e conce&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas. Efetivamente, a aplica&ccedil;&atilde;o de capitais no desenvolvimento urbano foi um dos mecanismos adotados pelo sistema capitalista para assegurar a absor&ccedil;&atilde;o de excedentes de capitais e para permitir a sua circula&ccedil;&atilde;o. Contudo, este processo para al&eacute;m de alterar as din&acirc;micas sociais e imobili&aacute;rias existentes, suscitam uma organiza&ccedil;&atilde;o espacial dos territ&oacute;rios, diferente, segmentada e elitizada.</p>     <p>No processo de ajustamento para a internacionaliza&ccedil;&atilde;o (ou globaliza&ccedil;&atilde;o), as cidades surgem como catalisadores de processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o e de reorganiza&ccedil;&atilde;o das atividades econ&oacute;micas, tendo como prop&oacute;sito o aumento da sua competitividade. Perfilhando a convic&ccedil;&atilde;o de que o sucesso das cidades (e respetivos sistemas urbanos) na economia global deve estar dependente de certos &laquo;imperativos culturais e arquitet&oacute;nicos universais&raquo;, imprescind&iacute;veis para despertar o interesse de investidores internacionais. Os estudos realizados por Savills (2005) e pela Cushman &amp; Wakefield (2015) demonstram que esse modo de atua&ccedil;&atilde;o se reflete em altera&ccedil;&otilde;es na din&acirc;mica dos mercados residenciais locais, e na valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio, resultantes principalmente do acr&eacute;scimo da procura e da grande motiva&ccedil;&atilde;o quanto ao investimento.</p>     <p>Contudo, a afirma&ccedil;&atilde;o do capitalismo neoliberal nos territ&oacute;rios exige condi&ccedil;&otilde;es que assegurem a concretiza&ccedil;&atilde;o das suas pretens&otilde;es. Se por um lado, o quadro econ&oacute;mico, pol&iacute;tico e fiscal do pa&iacute;s, objeto do investimento, &eacute; imprescind&iacute;vel para transmitir confian&ccedil;a e motiva&ccedil;&atilde;o quanto ao investimento a realizar, por outro, a exist&ecirc;ncia de instrumentos estatais, como o programa Vistos Gold e o regime de RNH, permite dar alguma visibilidade dos sectores imobili&aacute;rios nacionais na capta&ccedil;&atilde;o de investimento estrangeiro. A este prop&oacute;sito, as grandes imobili&aacute;rias a operar em Portugal aludem, recentemente num artigo de opini&atilde;o<a href="#_ftn19" name="_ftnref19">[19]</a>, &agrave; reorienta&ccedil;&atilde;o do sector para a capta&ccedil;&atilde;o de investidores <a href="#_ftn20" name="_ftnref20">[20]</a> nos pr&oacute;ximos anos, acompanhando por um lado, a tend&ecirc;ncia de crescimento de mercados potenciais com interesse em &aacute;reas de descanso e de longa estadia, fundamentalmente direcionado para popula&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de reforma. E por outro, a tend&ecirc;ncia crescente de investimento em imobili&aacute;rio de rendimento, denunciando a perce&ccedil;&atilde;o de que existem boas condi&ccedil;&otilde;es para investir no sector.</p>     <p>No territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, o impacto da crise econ&oacute;mica e financeira fez-se sentir na desacelera&ccedil;&atilde;o do investimento estrangeiro, registando-se contudo, a partir de 2012, uma invers&atilde;o nessa tend&ecirc;ncia, refor&ccedil;ada pelo impulso concedido pelo programa estatal Vistos Gold que foi particularmente assertivo em 2014. Apesar das dificuldades em estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o clara entre a retoma do investimento exterior, a cria&ccedil;&atilde;o dos programas estatais e a din&acirc;mica urban&iacute;stica e comportamento do mercado residencial nacional, efetivamente, existem sinais que denunciam altera&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas e expressivas, particularmente na cidade de Lisboa, para as quais o ambiente econ&oacute;mico e financeiro interno continua a ser pouco favor&aacute;vel. Para al&eacute;m disso, a constata&ccedil;&atilde;o dessas altera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode estar dissociada do facto do munic&iacute;pio de Lisboa ter sido assertivo ao delinear uma Estrat&eacute;gia de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana para o seu territ&oacute;rio, entre 2011 e 2024, associada a incentivos fiscais, a instrumentos de financiamento espec&iacute;ficos e a uma simplifica&ccedil;&atilde;o normativa, cujo impacto seguramente foi determinante para o aumento significativo do licenciamento para habita&ccedil;&atilde;o familiar ligado a processos de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, registado na cidade, a partir de 2012.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, a an&aacute;lise de alguns indicadores relacionados com a din&acirc;mica urban&iacute;stica e o comportamento do residencial nacional permite perceber que p&oacute;s 2012, ocorreram altera&ccedil;&otilde;es importantes no Pa&iacute;s, na AML, e com maior acuidade no munic&iacute;pio de Lisboa, das quais se destacam: <b>i) </b>uma maior visibilidade de pretens&otilde;es urban&iacute;sticas associadas a processos de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, particularmente not&oacute;ria na cidade de Lisboa, embora ainda timidamente na AML e no Pa&iacute;s; <b>ii)</b> o aumento do n&uacute;mero de contratos de compra e venda de pr&eacute;dios urbanos, fundamentalmente em Lisboa e na AML; <b>iii)</b> em 2014 mant&ecirc;m-se a tend&ecirc;ncia de decr&eacute;scimo dos valores m&eacute;dios dos pr&eacute;dios transacionados, em todo o territ&oacute;rio nacional. Contudo, a an&aacute;lise ao indicador referente ao valor m&eacute;dio de avalia&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria dos alojamentos, entre janeiro de 2012 e junho de 2016, se revela por um lado, um comportamento oscilante nos valores apurados para o territ&oacute;rio nacional, entre janeiro de 2012 e agosto de 2014. Por outro, a partir de agosto de 2014, verifica-se uma tend&ecirc;ncia de crescimento mais constante desses valores, que &eacute; generalizado em todo o Pa&iacute;s. Por&eacute;m, observa-se que a varia&ccedil;&atilde;o entre os valores m&eacute;dios de avalia&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria, entre agosto de 2014 e junho de 2016, &eacute; francamente expressiva nos alojamentos de Lisboa (12,3%) face aos alojamentos da AML (4,2%) e do Pa&iacute;s (3,2%); e <b>iv)</b> o aumento de transa&ccedil;&otilde;es significativas em termos de valor, registado em Lisboa, a partir do segundo trimestre de 2013, pode ser entendida como uma situa&ccedil;&atilde;o an&oacute;mala, atendendo &agrave; situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e financeira que ainda perdura no pa&iacute;s (apesar da melhoria de alguns indicadores econ&oacute;micos). N&atilde;o obstante, esta realidade poder&aacute; eventualmente denunciar a exist&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es de empolamento dos valores praticados no mercado residencial, decorrentes das oportunidades de neg&oacute;cio suscitadas pelo aumento dos fluxos de investimento do exterior, e pelo aumento da visibilidade do pa&iacute;s incentivada pelo programa&nbsp; Vistos Gold e pela cria&ccedil;&atilde;o do regime de RNH.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>BANCO DE PORTUGAL. Informa&ccedil;&atilde;o Estat&iacute;stica. <a href="http://www.bp.pt" target="_blank">http://www.bp.pt</a>,acedido em Mar&ccedil;o e Abril de 2016&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739607&pid=S2182-1267201700010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>BOURDAIN, Alain. O Urbanismo depois da Crise. Lisboa: Livros Horizonte, 2011&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739608&pid=S2182-1267201700010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>BRINGE DO AMARAL, P. An&aacute;lise das Rela&ccedil;&otilde;es da Politica de Solos com o Sistema Econ&oacute;mico &ndash; Estudo de Enquadramento para a prepara&ccedil;&atilde;o da Nova Lei do Solo. Lisboa: Minist&eacute;rio do Ambiente e do Ordenamento do Territ&oacute;rio, DGOTDU, 2011</p>     <!-- ref --><p>CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Din&acirc;mica Urban&iacute;stica da Cidade, 2008-2014. Informa&ccedil;&atilde;o disponibilizada em Janeiro de 2016&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739610&pid=S2182-1267201700010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade, volume II. Tradu&ccedil;&atilde;o: Klauss Brandini Gerhardt. Brasil: Editora Paz e Terra, 1999&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739611&pid=S2182-1267201700010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>CUSHMAN &amp; WAKEFIELD. Winning In Growth Cities&ndash;2015/2016. 2015. <a href="http://www.global.cushmanwakefield.com/en/research-and-insight/2015/winning-in-growth-cities-2015-2016/" target="_blank">http://www.global.cushmanwakefield.com/en/research-and-insight/2015/winning-in-growth-cities-2015-2016/</a>, acedido em Dezembro de 2015</p>     <!-- ref --><p>HARVEY, David. O Enigma do Capital- e as Crises do Capitalism<i>o</i>, tradu&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Alexandre Peschanski, 1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o (vers&atilde;o eletr&oacute;nica, 2011). S. Paulo: Editora Boitempo, 2010&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739613&pid=S2182-1267201700010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>HARVEY, David. <i>Rebel Cities - From the Right to the City to the Urban Revolution</i>, London: Editora Verso, 2012&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739614&pid=S2182-1267201700010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>LEFEBVRE, Henri. O Direito &agrave; Cidade, 5&ordm; Edi&ccedil;&atilde;o (1&ordm; edi&ccedil;&atilde;o, 2001; 3&ordm; Reimpress&atilde;o, 2011). S. Paulo: Centauro Editora, 2011. <a href="http://www.monoskop.org/images/f/fc/Lefebvre_Henri_O_direito_a_cidade.pdf" target="_blank">http://www.monoskop.org/images/f/fc/Lefebvre_Henri_O_direito_a_cidade.pdf</a>. acedido em 1 de Outubro de 2015&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739615&pid=S2182-1267201700010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INSTITUTO NACIONAL DE ESTAT&Iacute;STICA. Indicadores da Constru&ccedil;&atilde;o e Habita&ccedil;&atilde;o. <a href="https://www.ine.pt" target="_blank">https://www.ine.pt</a>, acedido entre Maio e Julho de 2016&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739616&pid=S2182-1267201700010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GITTLESON, Kim. BBC reporter, New York, 4 June 2014&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739617&pid=S2182-1267201700010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>QUINTELA, Pedro. A Imigra&ccedil;&atilde;o de Neg&oacute;cios e o Desenvolvimento Local num Contexto de Crise, Relat&oacute;rio de Est&aacute;gio, Mestrado em Gest&atilde;o do Territ&oacute;rio e Urbanismo. Lisboa: Universidade de Lisboa, Instituto de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio, 2014&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739618&pid=S2182-1267201700010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>RICHARDSON, Harry et BAE, Chang. <i>Globalization and Urban Development</i>, 1&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. Berlin: Editora Springer, 2005&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739619&pid=S2182-1267201700010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>SAVILLS WORLD RESEARCH. <i>Word Residential Markets - Performance and Prospects</i>, 2015-2016. London, 2015. In <a href="http://www.savills.com" target="_blank">http://www.savills.com</a>, acedido entre Novembro e Dezembro de 2015&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739620&pid=S2182-1267201700010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>SERVI&Ccedil;O DE ESTRANGEIROS E FRONTEIRAS. <a href="http://www.sef.pt" target="_blank">http://www.sef.pt</a>, acedido em Dezembro de 2015&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739621&pid=S2182-1267201700010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>SLIWA; Schneider, Rita. <i>Cities in Transition &ndash; Globalization, Political Change and Urban Developmen</i>t in Urban and Regional Studies. Switzerland: Springer, 2006</p>     <!-- ref --><p>STIGLITZ, Joseph E.. O Pre&ccedil;o da Desigualdade. 1&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o em 2013; Reimpresso em 2014. Lisboa: Bertrand Editora, 2014&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1739623&pid=S2182-1267201700010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Conceito de Harvey (2010) para designar os acordos estabelecidos e a forte depend&ecirc;ncia entre o sistema financeiro e o Estado, necess&aacute;rios para a cria&ccedil;&atilde;o de capital e para impulsionar a sua circula&ccedil;&atilde;o. De acordo com o autor este processo &eacute; igualmente vantajoso para o Estado na medida em que os empr&eacute;stimos e os respetivos impostos s&atilde;o posteriormente recuperados pela entidade p&uacute;blica.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Existe um consenso generalizado na literatura consultada quanto &agrave; depend&ecirc;ncia do imobili&aacute;rio aos ciclos econ&oacute;micos e a especificidades associadas ao sistema de cr&eacute;dito, tais como: a disponibilidade de cr&eacute;dito, a taxa de juro praticada e o per&iacute;odo de amortiza&ccedil;&atilde;o concedido aos empr&eacute;stimos.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> De acordo com alguns autores econ&oacute;micos, os excessos de produ&ccedil;&atilde;o registados nos anos 30, foram causados pelo aumento da produtividade industrial, suscitado por Taylor em &ldquo;Os Princ&iacute;pios da Administra&ccedil;&atilde;o Cientifica&rdquo; (1911). Segundo Taylor, o aumento da produtividade poderia ser processado atrav&eacute;s da organiza&ccedil;&atilde;o de tarefas, onde cada indiv&iacute;duo desempenha uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, obedecendo a padr&otilde;es rigorosos de tempo e de movimento.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Economista e professor universit&aacute;rio, cuja principal &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o incidiu nas migra&ccedil;&otilde;es internacionais da popula&ccedil;&atilde;o e do capital. Das suas obras destaca-se &ldquo;<i>A Study of Great Britain and the Atlantic Economy</i>&rdquo;, publicada em 1954.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Com particular incid&ecirc;ncia nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, no Reino Unido, na Austr&aacute;lia e na Nova Zel&acirc;ndia.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Numa primeira fase analisa o efeito da globaliza&ccedil;&atilde;o nas cidades e seus sistemas urbanos de cinco pa&iacute;ses: India; Coreia do Sul; Filipinas, Indon&eacute;sia e Africa do Sul. Numa fase posterior, avalia o impacto desse processo em cidades individuais espalhadas pelo mundo como Rio; S. Paulo; Cidade do M&eacute;xico; Bogot&aacute;; Los Angeles; S. Diego; S&atilde;o Petersburgo; T&oacute;quio; Xangai e Karachi.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Estudo que incide sobre o investimento global realizado em 25 cidades: Nova Iorque; Londres; T&oacute;quio; Los Angeles; S&atilde;o Francisco; Paris; Chicago; Washington; Dallas; Atlanta; Miami; Boston; Hong Kong; Sidney; Houston; Berlim; Seattle; Melbourne; Frankfurt; Phoenix; Denver; Austin; Xangai; Amesterd&atilde;o e Munique.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Designa&ccedil;&atilde;o de Bourdain (2011) atribu&iacute;da aos grandes projetos urbanos desenvolvidos por arquitetos de refer&ecirc;ncia.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Consideraram-se os segmentos de mercado referenciados na an&aacute;lise efetuada por Savills (2015).</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> O estudo realizado pela Savills World Research (2015) incide sobre 13 cidades globais &ndash; Hong Kong; Paris; Dubai; Xangai; Londres; Singapura; T&oacute;quio; Nova Iorque; Sidney; S&atilde;o Francisco; Los Angeles; Chicago e Miami.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> RNH (Residentes N&atilde;o Habituais) - Regime criado em 2009, pelo DL n&ordm;249/2009 de 23 de setembro, aplic&aacute;vel a estrangeiros e a nacionais que transfiram a sua resid&ecirc;ncia para Portugal depois de um longo per&iacute;odo fora do pa&iacute;s. O estatuto de RNH concede benef&iacute;cios fiscais, isentando de IRS os pensionistas, e atribuindo uma taxa de 20% (+3,5% de sobretaxa) de IRS aos restantes RNH.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Com a aprova&ccedil;&atilde;o da Lei n&ordm; 29/2012 de 9 de Agosto abre-se a possibilidade dos investidores estrangeiros (fora da UE e do espa&ccedil;o Schengen), requererem autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia em territ&oacute;rio portugu&ecirc;s para desenvolverem atividades de investimento, mediante a realiza&ccedil;&atilde;o de transfer&ecirc;ncia de capitais, cria&ccedil;&atilde;o de emprego ou compra de im&oacute;veis. Este regime lan&ccedil;ado em Outubro de 2012 e simplificado em Janeiro de 2013 produz efeito a partir de 8 de Outubro de 2012.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> SEF &ndash; Servi&ccedil;os de Estrangeiros e Fronteiras</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> De acordo com ACEIP, num artigo de opini&atilde;o publicado em <a href="http://www.portugalglobal.pt" target="_blank">http://www.portugalglobal.pt</a>, em Mar&ccedil;o de 2017, at&eacute; &agrave; data, aproximadamente 8 mil indiv&iacute;duos j&aacute; tinham aderido ao regime, dos quais 74% foram concretizados, entre 2014 e 2015. Residindo presentemente em Portugal 5.653 indiv&iacute;duos com este regime, provenientes fundamentalmente da Fran&ccedil;a e do norte da Europa.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> Conforme refere Quintela (2014), a emigra&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cio deve ser percecionada como fazendo parte de uma etapa da expans&atilde;o capitalista, prevalecendo o poder do sistema financeiro e dos mercados de capitais face ao poder pol&iacute;tico, e suscitando o aumento de fluxos migrat&oacute;rios por motivos de lazer ou de neg&oacute;cios.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16">[16]</a> Informa&ccedil;&atilde;o do SEF</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a> Proximidade; empreendorismo; inclus&atilde;o; sustentabilidade e integra&ccedil;&atilde;o global.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18">[18]</a> Segundo Lefebvre (2011), a dimens&atilde;o simb&oacute;lica representa as significa&ccedil;&otilde;es ligadas ao modo de viver e de habitar a cidade. De acordo com o autor, a cidade possui particularidades pr&oacute;prias que s&atilde;o expressas n&atilde;o apenas pelos seus elementos patrimoniais e morfol&oacute;gicos como tamb&eacute;m pelos gestos, pelas conversas, pelas roupas, dos seus habitantes.</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> Suplemento Comercial <b>&ndash; Imobili&aacute;rio</b>, Abril 2014, <i>in </i><a href="http://www.imobiliario.publico.pt" target="_blank">http://www.imobili&aacute;rio.publico.pt</a></p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20">[20]</a> Particularmente franceses, belgas e ingleses.</p>     ]]></body>
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