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<journal-title><![CDATA[GOT, Revista de Geografia e Ordenamento do Território]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A bolha imobiliária de 2008: uma análise acerca da evolução do valor dos imóveis em Portugal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Real Estate Bubble of 2008: an analysis regarding the evolution of real estate values in Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Portugal, the political structures avoided to acknowledge that the source of 2008&#8217;s economic collapse was due to the internal dynamics of real estate market. This article seeks to verify if there was negligence on the analysis of the successive Governments, for withdraw this hypothesis as a direct cause of the crisis, or if the message had scientific-technical foundations that could validate the rejection of the hypothesis, which advocates that the crisis was originated by the real estate bubble. Then, it is chosen the partial application of the &#8220;Real Assets Model&#8221; developed by Gaffney (2015), where it is tested the hypothesis related with the evolution of land values. One of the introduced innovations is the spatial application of the own model, through the disaggregation of analysis until the Lisbon&#8217;s Municipality scale.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[bolhas imobiliárias]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A bolha imobili&aacute;ria de 2008: uma an&aacute;lise acerca da evolu&ccedil;&atilde;o do valor dos im&oacute;veis em Portugal</b></p>     <p><b>The Real Estate Bubble of 2008: an analysis regarding the evolution of real estate values in Portugal</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Henriques, Jo&atilde;o</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup> Bolseiro de Investiga&ccedil;&atilde;o no CIAUD da FA da UL; Trabalho de Investiga&ccedil;&atilde;o Financiado pela Robert Schalkenbach Foundation; 11 East 43rd Street, Suite 400, New York, NY 10017, USA; <a href="mailto:jmhenriques16@gmail.com">jmhenriques16@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Portugal, em termos pol&iacute;ticos, evitou-se reconhecer que a origem do colapso econ&oacute;mico de 2008 se deveu &agrave;s din&acirc;micas internas do mercado imobili&aacute;rio. Este artigo procura verificar se existiu neglig&ecirc;ncia na an&aacute;lise dos sucessivos Governos, por removerem esta hip&oacute;tese como causa direta da crise ou se a mensagem tinha um fundamento t&eacute;cnico-cient&iacute;fico que validasse a rejei&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese que defende que a crise foi originada pela bolha imobili&aacute;ria.</p>     <p>Neste sentido, opta-se pela aplica&ccedil;&atilde;o parcial do &ldquo;Modelo dos Ativos Reais&rdquo; desenvolvido por Gaffney (2015), onde se testa a hip&oacute;tese relacionada com a evolu&ccedil;&atilde;o dos valores do solo. Uma das inova&ccedil;&otilde;es introduzidas &eacute; a espacializa&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio modelo, atrav&eacute;s da desagrega&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise at&eacute; &agrave; escala do Munic&iacute;pio de Lisboa.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: bolhas imobili&aacute;rias, Portugal, uso do solo, economia.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In Portugal, the political structures avoided to acknowledge that the source of 2008&rsquo;s economic collapse was due to the internal dynamics of real estate market. This article seeks to verify if there was negligence on the analysis of the successive Governments, for withdraw this hypothesis as a direct cause of the crisis, or if the message had scientific-technical foundations that could validate the rejection of the hypothesis, which advocates that the crisis was originated by the real estate bubble.</p>     <p>Then, it is chosen the partial application of the &ldquo;Real Assets Model&rdquo; developed by Gaffney (2015), where it is tested the hypothesis related with the evolution of land values. One of the introduced innovations is the spatial application of the own model, through the disaggregation of analysis until the Lisbon&rsquo;s Municipality scale.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Keywords</b>: Real estate bubbles, Portugal, Land-use, Economics.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Enquadramento</b></p>     <p>A origem da crise econ&oacute;mico-financeira tem sido justificada, politicamente, como sendo resultado da crise internacional. Portanto, defende-se que a crise portuguesa implodiu devido &agrave; crise interna dos EUA (a crise do &ldquo;sub-prime&rdquo;), com o argumento de que esta se propagou pelo Mundo Ocidental. Esta explica&ccedil;&atilde;o permitiu desviar as aten&ccedil;&otilde;es acerca dos problemas produzidos pelas din&acirc;micas do mercado interno. Face a este contexto, o artigo pretende testar a hip&oacute;tese de que a crise econ&oacute;mica &eacute; explicada por fatores internos.</p>     <p>Em fun&ccedil;&atilde;o da realidade observ&aacute;vel, nomeadamente, atrav&eacute;s do conhecimento acerca dos processos de transforma&ccedil;&atilde;o que marcaram a evolu&ccedil;&atilde;o recente dos centros urbanos em Portugal, &eacute; poss&iacute;vel extrapolar que as din&acirc;micas do mercado imobili&aacute;rio t&ecirc;m de conseguir explicar, para uma maior ou menor extens&atilde;o, a crise econ&oacute;mico-financeira de 2008. Deste modo, a hip&oacute;tese proposta anteriormente pode ser detalhada: a crise econ&oacute;mica financeira deriva da exist&ecirc;ncia de uma bolha no mercado imobili&aacute;rio.</p>     <p>Para explorar esta tese, &eacute; aplicado o Modelo dos &ldquo;Ativos-Reais&rdquo; desenvolvido por Gaffney (2015), que de acordo com o Autor, pode ser testado atrav&eacute;s de quatro hip&oacute;teses, sendo que esta investiga&ccedil;&atilde;o aborda a primeira delas, nomeadamente: <b><i>&ldquo;(i) uma subida e queda dos valores do solo, resultantes de altera&ccedil;&otilde;es na economia real. Estas s&atilde;o menos vis&iacute;veis e medidas do que as altera&ccedil;&otilde;es puramente monet&aacute;rias e fiscais, que podem refor&ccedil;ar e refletir as altera&ccedil;&otilde;es na economia real, mas n&atilde;o as iniciam</i></b> (Gaffney, 2015: 327).</p>     <p>Este artigo integra uma parte de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o estruturado em torno do seguinte objectivo: demonstrar que a bolha imobili&aacute;ria foi o principal epicentro da crise econ&oacute;mica em Portugal atrav&eacute;s das quatro hip&oacute;teses propostas pelo Modelo dos &ldquo;Ativos-Reais&rdquo;. Neste sentido, &eacute; aqui desenvolvida a primeira hip&oacute;tese proposta pelo modelo econ&oacute;mico numa abordagem centrada na an&aacute;lise ao valor dos im&oacute;veis transacionados ao longo de um per&iacute;odo de 15 anos (2000-2014).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A Bolha Imobili&aacute;ria de 2008</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A crise econ&oacute;mico-financeira de 2008 tem sido explicada com base em diferentes tipos de causas. Entre estas, est&aacute; a bolha imobili&aacute;ria, onde se argumenta que o ciclo marcado por uma subida vertiginosa dos pre&ccedil;os do imobili&aacute;rio num curto espa&ccedil;o de tempo, seguido de um colapso repentino, acabou por criar uma paralisa&ccedil;&atilde;o do sistema econ&oacute;mico em diversas na&ccedil;&otilde;es ocidentais.</p>     <p>O Estado da Arte relacionado com a bolha imobili&aacute;ria de 2008 tem vindo a desenvolver abordagens espec&iacute;ficas e gerais. As espec&iacute;ficas enquadram o tema da bolha imobili&aacute;ria numa perspetiva tem&aacute;tica (regra geral centradas sobre um tema: taxas de juro; habita&ccedil;&atilde;o, etc.) e considerando, normalmente, apenas uma escala territorial (Ex: Espanha, Estados Unidos da Am&eacute;rica, Irlanda, Portugal, etc.). As abordagens gerais consideram uma maior diversidade de temas, distribuindo a an&aacute;lise do fen&oacute;meno pelos diversos fatores, que para uma maior ou menor extens&atilde;o, possam ser explicativos do mesmo, sendo geralmente aplicadas a mais do que uma escala territorial. Este artigo est&aacute; enquadrado no primeiro tipo de abordagem.</p>     <p>As abordagens espec&iacute;ficas t&ecirc;m analisado pelo menos um fator explicativo da forma&ccedil;&atilde;o da bolha imobili&aacute;ria (n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o abordem outros tamb&eacute;m, mas o foco est&aacute; normalmente colocado num ou no m&aacute;ximo em dois destes fatores). Deste modo, existem estudos que evidenciam a forma&ccedil;&atilde;o da bolha a partir da evolu&ccedil;&atilde;o do valor das casas (Lopez Garc&iacute;a, 2004; Fundaci&oacute;n Alternativas, 2007; Aalberts, 2009; Arellano e Bentolila, 2009; Hoekstra e Vakili-Zad, 2011; Rodr&iacute;guez L&oacute;pez, 2012; Sumner, 2015); na quantidade de alojamentos vagos, registados ap&oacute;s o rebentamento da bolha, geralmente relacionando este indicador com o n&uacute;mero de fam&iacute;lias (Bingre do Amaral, 2011; Hoekstra e Vakili-Zad, 2011); no ritmo de constru&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o (Arellano e Bentolila, 2009; Rodr&iacute;guez L&oacute;pez, 2012), associando este processo com os respetivos impactos na distribui&ccedil;&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o espacial dos assentamentos urbanos e no equil&iacute;brio ecol&oacute;gico dos sistemas territoriais (Fundaci&oacute;n Alternativas, 2007; Etxezarreta Etxarri et al., 2012; Delgado Vi&ntilde;as, 2012; Romero et al., 2012); na evolu&ccedil;&atilde;o do endividamento e no crescimento explosivo das execu&ccedil;&otilde;es hipotec&aacute;rias, ap&oacute;s o colapso da bolha (Aalberts, 2009; Bingre do Amaral, 2011; Etxezarreta Etxarri et al., 2012).</p>     <p>Nas abordagens gerais sobre a bolha imobili&aacute;ria s&atilde;o desenvolvidos racioc&iacute;nios, empiricamente fundamentados, que explicam determinada evolu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os do solo (ou do imobili&aacute;rio em geral) dentro de um determinado per&iacute;odo (em conjunto, esta problem&aacute;tica &eacute; designada por ciclo imobili&aacute;rio), destacando quer as causas quer as consequ&ecirc;ncias da referida evolu&ccedil;&atilde;o. Dentro deste modelo cient&iacute;fico existe um trabalho cl&aacute;ssico, onde se analisam, detalhadamente, cinco ciclos imobili&aacute;rios &agrave; escala da metr&oacute;pole/cidade/povoamento de Chicago, que constitui, ainda hoje, uma refer&ecirc;ncia para o entendimento da problem&aacute;tica (Hoyt, 1933) e mais recentemente, Foldvary (2007), Harrison (2010 [2005]), Gaffney (2009; 2015) e Henriques (2015) acrescentam novo conhecimento, centrado sobre a forma&ccedil;&atilde;o e a evolu&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima bolha imobili&aacute;ria, em diferentes escalas e contextos territoriais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. A subida e a queda dos pre&ccedil;os do solo</b></p>     <p>Uma bolha consiste na sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o de um determinado ativo durante um curto espa&ccedil;o de tempo (Foldvary, 2004; Henriques, 2015). Neste sentido, o objetivo &eacute; perceber se o imobili&aacute;rio, enquanto ativo, se enquadra neste tipo de defini&ccedil;&atilde;o. Em fun&ccedil;&atilde;o dos dados existentes e da informa&ccedil;&atilde;o que se pretende obter, esta abordagem deve contemplar no m&iacute;nimo dois n&iacute;veis de an&aacute;lise: (i) a escala agregada (&acirc;mbito nacional) e (ii) a escala desagregada (&acirc;mbito regional e urbano). A primeira reflete o peso do fen&oacute;meno (a bolha imobili&aacute;ria) &agrave; escala nacional. Se existir uma crise econ&oacute;mica que afeta o Pa&iacute;s como um todo, ent&atilde;o a causa que est&aacute; na origem dessa mesma crise pode ser explicada/observada em todas as regi&otilde;es e cidades, ainda que possam existir diferen&ccedil;as de amplitude entre estas (Romero et al., 2012; Glaeser, 2013). Na segunda abordagem, processa-se uma an&aacute;lise aprofundada do problema. Se a bolha imobili&aacute;ria for comprovada, ent&atilde;o podem ser identificados os tipos de propriedade que est&atilde;o sobrevalorizados e as caracter&iacute;sticas dos territ&oacute;rios onde predominam este tipo de propriedades (ou seja, onde &eacute; que estas propriedades est&atilde;o localizadas).</p>     <p>Em Portugal, uma observa&ccedil;&atilde;o atenta acerca da morfologia e das caracter&iacute;sticas da ocupa&ccedil;&atilde;o do solo nas &aacute;reas urbanas em Portugal, em particular, nas vilas e nas cidades (ou noutros povoamentos diretamente dependentes destes territ&oacute;rios) evidencia problemas similares, que s&oacute; variam em fun&ccedil;&atilde;o da escala das diferentes realidades. Naturalmente, este trabalho n&atilde;o ir&aacute; explorar todos estes espa&ccedil;os com o detalhe exigido, pois um trabalho desta natureza requer um foco. Neste sentido, o foco &eacute; a &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa e neste cap&iacute;tulo em particular, o maior n&iacute;vel de desagrega&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o (escala municipal) est&aacute; centrado apenas em Lisboa (Ver subcap&iacute;tulo 3.3).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.1. A Escala Nacional</b></p>     <p>Infelizmente, n&atilde;o existem dados que permitam aferir com precis&atilde;o o valor do solo, visto que os montantes determinados para transacionar ou avaliar os im&oacute;veis n&atilde;o diferenciam o valor do capital do valor do solo. Em fun&ccedil;&atilde;o destas limita&ccedil;&otilde;es, &eacute; utilizado o valor total dos im&oacute;veis como refer&ecirc;ncia para esta an&aacute;lise.</p>     <p>A <a href="#f1">figura 1</a> contempla a informa&ccedil;&atilde;o referente aos registos dos valores m&eacute;dios de todas as transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis realizadas em Portugal entre 2000 e 2014 e confirma que os valores dos im&oacute;veis transacionados atingiram um pico em 2007: (i) entre 2000 e 2007, os valores dos im&oacute;veis duplicaram (subida de 97%), aumentando 10,20%, em m&eacute;dia por ano; (ii) embora o pico tenha sido atingido em 2007, o valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis mant&eacute;m-se elevado em 2008, ano em que rebenta a bolha imobili&aacute;ria. Entre 2008 e 2009, os pre&ccedil;os caiem 11% e se for considerado o intervalo entre 2008 e 2012, a queda dos pre&ccedil;os chega aos 34%.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a11f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De forma complementar, o INE (2015b) fornece tamb&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o relativa ao n&uacute;mero de transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis para o mesmo per&iacute;odo temporal, que ajudam a explicar o fen&oacute;meno da bolha imobili&aacute;ria: (i) entre 2000 e 2007, o ano com o menor n&uacute;mero de propriedades transacionadas &eacute; 2007. Aparentemente, este &eacute; um dado contradit&oacute;rio com a informa&ccedil;&atilde;o referente ao valor m&eacute;dio das propriedades: o n&uacute;mero de contratos de compra e venda de im&oacute;veis caiu 18,72% (ou seja, em 2007 foram assinados menos 64.823 contratos do que em 2000). (ii) Considerando o per&iacute;odo entre 2000 e 2007 como a fase de expans&atilde;o, e o per&iacute;odo entre 2008 e 2014 como a fase de depress&atilde;o do ciclo imobili&aacute;rio e calculando, posteriormente, a m&eacute;dia do n&uacute;mero de transa&ccedil;&otilde;es para ambas as fases (298.506 e 179.837 contratos por ano, respetivamente), permite constatar que o n&uacute;mero m&eacute;dio anual de transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis &eacute; superior em cerca de 120.000 contratos na fase de expans&atilde;o, por oposi&ccedil;&atilde;o ao valor registado na fase de depress&atilde;o.</p>     <p>Os n&uacute;meros demonstram que a bolha imobili&aacute;ria existiu e, portanto, esta n&atilde;o pode continuar a ser um elemento negligenciado quando se analisam as causas da crise econ&oacute;mico-financeira de 2008.</p>     <p>Em todo o caso, e apesar de se ter alcan&ccedil;ado um dos objetivos deste trabalho, a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel permite aprofundar o conhecimento acerca do fen&oacute;meno. A informa&ccedil;&atilde;o da <a href="#f1">figura 1</a> demonstra que os valores m&eacute;dios das propriedades de uso misto s&atilde;o superiores aos valores m&eacute;dios dos im&oacute;veis urbanos, que por sua vez, s&atilde;o superiores aos dos pr&eacute;dios r&uacute;sticos. Relativamente ao n&uacute;mero de transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis, verifica-se que os pr&eacute;dios urbanos s&atilde;o o tipo de propriedade com maior representatividade na din&acirc;mica do mercado imobili&aacute;rio (entre 2000 e 2014, os im&oacute;veis urbanos representam, em m&eacute;dia, 72,64% do fluxo total de im&oacute;veis transacionados), seguidos dos pr&eacute;dios r&uacute;sticos e por &uacute;ltimo, dos pr&eacute;dios mistos (INE, 2015b). Estes dados aparentam ser pouco relevantes para os objetivos deste trabalho, contudo esta sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; ilus&oacute;ria, pois esta &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o que melhor permite compreender a forma&ccedil;&atilde;o/origem do problema (bolha imobili&aacute;ria), visto que estabelece a ponte entre a an&aacute;lise num&eacute;rica e a an&aacute;lise espacial: (i) as propriedades de uso misto correspondem a im&oacute;veis que t&ecirc;m uma parcela (ou conjunto de parcelas) de solo urbano (cuja utiliza&ccedil;&atilde;o principal n&atilde;o est&aacute; diretamente ligada &agrave; atividade agr&iacute;cola ou florestal) e uma parcela (ou conjunto de parcelas) de solo rural dentro dos seus limites cadastrais (Autoridade Tribut&aacute;ria e Aduaneira, 2013). A defini&ccedil;&atilde;o &eacute; generalista, mas esta cobre propriedades como Quintas (particularmente aquelas que est&atilde;o situadas nas &aacute;reas adjacentes ou mesmo no interior dos limites das cidades). Esta &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o para o reduzido n&uacute;mero de transa&ccedil;&otilde;es e para o elevado valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis; (ii) as propriedades urbanas incluem diferentes tipos de im&oacute;veis localizados quer em povoamentos urbanos quer em paisagens rurais. Se for de uso residencial dentro da cidade, a propriedade pode ser um apartamento, uma moradia ou um lote vago. Se for utilizado para com&eacute;rcio (ou se estiver dispon&iacute;vel para vir a ser utilizado para esse fim) pode ser uma loja, um centro comercial ou um lote vago. E assim sucessivamente; (iii) as propriedades rurais incluem as maiores discrep&acirc;ncias entre os v&aacute;rios tipos de propriedade, embora possam passar despercebidas. Existem desde parcelas com planta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas ou florestais, at&eacute; parcelas agr&iacute;colas sem qualquer utiliza&ccedil;&atilde;o e ainda parcelas de solo urbano vazio. Esta situa&ccedil;&atilde;o pode gerar confus&otilde;es, mas as parcelas localizadas dentro dos limites da cidade, que permanecem em estado bruto, podem ser classificadas como propriedades rurais para prop&oacute;sitos fiscais (Autoridade Tribu&aacute;ria e Aduaneira, 2013). Outro exemplo id&ecirc;ntico s&atilde;o as propriedades rurais (mesmo sem qualquer planta&ccedil;&atilde;o) classificadas como solo urbano ou dispon&iacute;veis para urbaniza&ccedil;&atilde;o e edifica&ccedil;&atilde;o nos modelos de ordenamento do territ&oacute;rio. Ao identificar e perceber este tipo de situa&ccedil;&otilde;es, compreende-se a evolu&ccedil;&atilde;o recente da cidade e a justifica&ccedil;&atilde;o para o valor de mercado dos diferentes tipos de propriedades. Para explorar melhor esta quest&atilde;o, a informa&ccedil;&atilde;o deve ser desagregada.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.2. A Escala Regional</b></p>     <p>Nesta fase, tem que ser selecionada a regi&atilde;o que melhor explique a flutua&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os do solo assim como a dimens&atilde;o espacial do fen&oacute;meno. Para recolher a maior quantidade de elementos explicativos da bolha imobili&aacute;ria, um crit&eacute;rio a adotar, deve ser a op&ccedil;&atilde;o por uma regi&atilde;o com cidades, de prefer&ecirc;ncia de grande dimens&atilde;o, onde a sua preponder&acirc;ncia face ao total de riqueza produzida e ao total de habitantes possa ser facilmente observ&aacute;vel. Em fun&ccedil;&atilde;o deste crit&eacute;rio e tendo como base a bibliografia de refer&ecirc;ncia (Hoyt, 1933), a op&ccedil;&atilde;o &eacute; aplicar o modelo centrado sobre a &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML).</p>     <p>Esta regi&atilde;o constitui a maior aglomera&ccedil;&atilde;o urbana do Pa&iacute;s: em 2014, residiam ao todo, 2.809.168 habitantes, dos quais, 509.312 moravam em Lisboa (INE, 2015c). Embora existam 18 Munic&iacute;pios, a AML tem apenas 17 cidades. Deste modo, h&aacute; Munic&iacute;pios com mais do que uma cidade e Munic&iacute;pios sem qualquer cidade (INE, 2001; 2016). Destas 17 cidades, apenas duas t&ecirc;m mais de 100 anos: Lisboa e Set&uacute;bal (INE, 2001). At&eacute; 1990, existiam apenas 7 cidades nesta regi&atilde;o metropolitana. As outras 10 cidades adquiriram o seu estatuto oficial durante o &uacute;ltimo ciclo imobili&aacute;rio.</p>     <p>A cidade de Lisboa est&aacute; localizada na margem direita (norte) do Estu&aacute;rio do Tejo. A cidade de Set&uacute;bal est&aacute; localizada na margem direita do Estu&aacute;rio do Sado (situado a sul do Estu&aacute;rio do Tejo). Desde a inaugura&ccedil;&atilde;o da Ponte 25 de Abril (1966), as duas cidades come&ccedil;aram a estar a separadas por 50 km, inicialmente por estrada e mais tarde tamb&eacute;m por ferrovia. O grande crescimento urbano registado nos Munic&iacute;pios que estavam situados ao longo desta rota &eacute; principalmente explicado pela proximidade &agrave; Capital. Os efeitos da escassez artificial do mercado de solos s&atilde;o regionais no caso da cidade de Lisboa e apenas locais no caso da cidade de Set&uacute;bal. Deste modo enquanto a cidade de Lisboa explica o crescimento dos 16 aglomerados que se tornaram cidade ao longo dos &uacute;ltimos 50 anos, Set&uacute;bal n&atilde;o consegue explicar o desenvolvimento de qualquer aglomerado que se tenha tornado cidade. Este racioc&iacute;nio pode ser comprovado atrav&eacute;s de observa&ccedil;&atilde;o direta: por exemplo, comparando os limites de Set&uacute;bal enquanto cidade com os limites administrativos do respetivo Munic&iacute;pio. Para aplicar este m&eacute;todo, pode ser utilizada uma ferramenta simples como o Google Earth, atrav&eacute;s do qual se demonstra (utilizando imagens de sat&eacute;lite) que os atuais limites da cidade n&atilde;o chegam a alcan&ccedil;ar os limites do Munic&iacute;pio &ndash; em alternativa, os n&uacute;meros tamb&eacute;m demonstram esta evid&ecirc;ncia, uma vez que a &aacute;rea ocupada pelo per&iacute;metro urbano da cidade de Set&uacute;bal representa apenas 16% da superf&iacute;cie da Jurisdi&ccedil;&atilde;o do Munic&iacute;pio de Set&uacute;bal (INE, 2015d; 2015f). Mesmo com din&acirc;micas de desenvolvimento urbano centradas sobre as &aacute;reas perif&eacute;ricas, Set&uacute;bal, por si s&oacute;, n&atilde;o consegue explicar o desenvolvimento/surgimento de nenhuma nova cidade. No m&aacute;ximo, esta cidade consegue apenas explicar a forma&ccedil;&atilde;o de pequenos povoamentos dispersos ou sub&uacute;rbios nos Munic&iacute;pios vizinhos, em particular, em Palmela, que por sua vez, n&atilde;o tem qualquer cidade e &eacute; sobretudo caracterizado por vastas &aacute;reas de solo rural apenas quebradas, na sua maioria, por povoamentos dispersos (que podem at&eacute; ocupar uma extens&atilde;o de solo significativa, mas onde mora um pequeno n&uacute;mero de pessoas) (INE, 2016).</p>     <p>O exemplo da influ&ecirc;ncia da cidade de Set&uacute;bal &eacute; compar&aacute;vel com o verificado noutras cidades portuguesas, como Leiria e Coimbra. Estas cidades ainda n&atilde;o alcan&ccedil;aram os limites administrativos (e est&atilde;o longe do conseguirem fazer), logo os efeitos da escassez artificial s&atilde;o apenas vis&iacute;veis a uma escala local &ndash; A superf&iacute;cie delimitada pelo per&iacute;metro urbano da cidade de Coimbra corresponde a pouco mais de &frac14; do Territ&oacute;rio Municipal (26,05%) e a da cidade de Leiria chega apenas aos 7% da &aacute;rea abrangida pela Jurisdi&ccedil;&atilde;o Municipal (INE, 2015d; 2015f). Esta escala local corresponde &agrave; cidade e &agrave; sua &aacute;rea envolvente ou inclu&iacute; outros povoamentos que est&atilde;o pr&oacute;ximos da cidade atrav&eacute;s de rotas r&aacute;pidas (mesmo que localizados noutras jurisdi&ccedil;&otilde;es). Em termos estat&iacute;sticos, as cidades, que n&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;das numa &Aacute;rea Metropolitana, s&atilde;o irrelevantes. As unidades territoriais, onde a informa&ccedil;&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel, s&atilde;o demasiado extensas para explicar a realidade &agrave; escala da cidade.</p>     <p>Atrav&eacute;s deste racioc&iacute;nio &eacute; demonstrado que os limites administrativos dos Munic&iacute;pios raramente coincidem com os limites das cidades, mesmo numa &Aacute;rea Metropolitana. Ao mesmo tempo, funciona como um argumento a favor da op&ccedil;&atilde;o de desagrega&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o existente &agrave; escala nacional e regional, de forma a expandir o conhecimento acerca da forma&ccedil;&atilde;o do valor do imobili&aacute;rio.</p>     <p>Deste modo, os valores monet&aacute;rios das propriedades rurais transacionadas, que refletem uma elevada propor&ccedil;&atilde;o do valor do solo (devido a press&otilde;es urbanas) sobre o valor global dos im&oacute;veis, s&oacute; podem ser explicados num pequeno n&uacute;mero de Munic&iacute;pios. Nomeadamente em munic&iacute;pios como Lisboa, Almada, Barreiro, Amadora, Odivelas, Cascais e Oeiras. E mesmo nesta lista, existem munic&iacute;pios que n&atilde;o t&ecirc;m cidades como Cascais e Oeiras (INE, 2016). Apesar disso, estes s&atilde;o dois munic&iacute;pios densamente povoados (a esta escala) &ndash; Em 2014, Cascais tinha 209.376 habitantes e Oeiras tinha 172.959 habitantes; A n&iacute;vel regional, Cascais &eacute; o 6&ordm; munic&iacute;pio com maior densidade populacional (2.150 indiv&iacute;duos por km<sup>2</sup>) e Oeiras posiciona-se no 4&ordm; lugar neste mesmo indicador (3.770 indiv&iacute;duos por km<sup>2</sup>) (INE, 2015c; 2015d; 2015e).</p>     <p>Em todo o caso, mesmo n&atilde;o sendo identificados como cidades, estes constituem, pelas suas caracter&iacute;sticas territoriais, grandes extens&otilde;es de Lisboa. No munic&iacute;pio de Cascais existem aglomerados urbanos com dimens&atilde;o significativa como os povoamentos de Cascais-Estoril, da Parede e de Alcoit&atilde;o-Alcabideche, enquanto no munic&iacute;pio de Oeiras surgem os povoamentos de Oeiras-Caxias, Alg&eacute;s, Porto Salvo, Carnaxide, Queijas. Como um todo, estes povoamentos ocupam a maioria do territ&oacute;rio dos respetivos munic&iacute;pios, sendo esta uma explica&ccedil;&atilde;o para o valor do solo ter um peso t&atilde;o significativo no valor de mercado das propriedades rurais.</p>     <p>Esta observa&ccedil;&atilde;o pode ser complementada com outros elementos. Por exemplo, se o objetivo for obter o total de popula&ccedil;&atilde;o a residir em &aacute;reas densamente povoadas (cidades e vilas), verifica-se que a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel (INE, 2015c; 2015d; 2015e) tem muitas imperfei&ccedil;&otilde;es: n&atilde;o existe informa&ccedil;&atilde;o para o n&uacute;mero concreto de residentes em cada um dos principais povoamentos dos munic&iacute;pios de Cascais e Oeiras ou para o n&uacute;mero de residentes em Mem-Martins (Sintra). Deste modo, segundo a informa&ccedil;&atilde;o publicada pelo INE (2015f; 2015g), em 2011, 51,71% (1.459.272 indiv&iacute;duos) da popula&ccedil;&atilde;o que residia na AML morava numa das suas 17 cidades. Confrontando este n&uacute;mero com a observa&ccedil;&atilde;o anterior, pode-se extrapolar que o n&uacute;mero de pessoas a residir em &aacute;reas urbanas densamente povoadas ser&aacute; consideravelmente superior aos n&uacute;meros apresentados.</p>     <p>Apesar de tudo, n&atilde;o deixa de ser relevante assinalar que os dados publicados pelo INE (2015f; 2015g) confirmam que mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o residente na AML est&aacute; concentrada numa &aacute;rea (englobando todas as cidades) que equivale a apenas 9% da superf&iacute;cie desta regi&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido e mesmo considerando os defeitos da informa&ccedil;&atilde;o existente, a conclus&atilde;o &eacute; que a AML n&atilde;o &eacute; uma regi&atilde;o urbana densamente ocupada, quando comparada com outras metr&oacute;poles a uma escala mundial. Porque s&oacute; uma fra&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria do seu territ&oacute;rio &eacute; que est&aacute; ocupada por cidades. Por exemplo, o segundo munic&iacute;pio da AML (e at&eacute; &agrave; escala nacional) com maior n&uacute;mero de residentes &eacute; Sintra, que tem duas cidades e ambas possuem uma densidade populacional superior &agrave; da cidade de Lisboa (INE 2015f, 2015g). Por&eacute;m a densidade populacional do munic&iacute;pio de Sintra &eacute; muito baixa (1.193 indiv&iacute;duos por km<sup>2</sup>) quando comparada com os dados existentes quer para as duas cidades quer para o n&uacute;mero total de habitantes (em 2011, residiam nas duas cidades (Agualva-Cac&eacute;m e Queluz-Massam&aacute;) 44,49% (ou 168.094 indiv&iacute;duos) do total de habitantes do Munic&iacute;pio de Sintra (377.835)) (INE, 2015c; 2015f; 2015g).</p>     <p>Estas diferen&ccedil;as extremas de densidades dentro de um pequeno territ&oacute;rio explicam-se pela presen&ccedil;a de cidades e povoamentos densamente povoados integrados num munic&iacute;pio que, em simult&acirc;neo engloba ainda vastas &aacute;reas, nas quais o uso do solo predominante n&atilde;o &eacute; o uso urbano: o Parque Natural da Serra de Sintra (que se estende at&eacute; ao munic&iacute;pio de Cascais) e uma &aacute;rea com caracter&iacute;sticas rurais proliferada por pequenos povoamentos (em regra, com uma morfologia urbana enquadrada nos modelos de ocupa&ccedil;&atilde;o dispersa). As duas cidades foram implantadas nas imedia&ccedil;&otilde;es da principal rota para Lisboa (a Linha de Sintra e o Itiner&aacute;rio Complementar 19) e juntas ocupam uma pequena fra&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie do Munic&iacute;pio (5,36% ou 17,1 km<sup>2</sup>) (INE, 2015f; 2015g). Se outros povoamentos com caracter&iacute;sticas marcadamente id&ecirc;nticas &agrave;s das duas cidades (como Mem-Martins) forem adicionados a estes c&aacute;lculos, provavelmente a superf&iacute;cie ocupada por povoamentos densamente urbanos continuar&aacute; a ser minorit&aacute;ria (inferior a 20% da &aacute;rea do Munic&iacute;pio). Os n&uacute;meros s&atilde;o propositadamente conservadores porque os limites reais das &aacute;reas predominantemente urbanas e densamente ocupadas podem ser superiores aos limites administrativos nos quais se baseia a informa&ccedil;&atilde;o recolhida pelo INE (Brenner e Schmid, 2015).</p>     <p>Este racioc&iacute;nio demonstra que o segundo munic&iacute;pio com maior n&uacute;mero de habitantes (em Portugal) tem apenas entre 10 a 20% do seu territ&oacute;rio ocupado por &aacute;reas predominantemente urbanas. Logo, a grande dimens&atilde;o das &aacute;reas administrativas (munic&iacute;pios) para as quais tem sido recolhida a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; compat&iacute;vel com a dimens&atilde;o das cidades existentes em cada um dos munic&iacute;pios (com pequenas exce&ccedil;&otilde;es). A prova disso mesmo &eacute; que estes factos podem ser confirmados at&eacute; numa escala metropolitana: <i>&ldquo;o Google Earth e as imagens de sat&eacute;lite podem demonstrar, mesmo a um observador comum, que o desenvolvimento urbano &eacute; apenas uma pequena fra&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea total&rdquo;</i> (Fischel, 2012: 273). Neste sentido, os valores das transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis analisados a uma escala municipal nem sempre mostram o impacto real da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria no valor final da compra e venda.</p>     <p>O impacto da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria (pr&oacute;ximo do real) no valor final dos im&oacute;veis transacionados pode ser evidenciado quando se verificam dois pressupostos: (i) na escala regional, quando a dimens&atilde;o urbana (uma rede constitu&iacute;da por v&aacute;rias cidades com dimens&atilde;o significativa) assume um peso determinante e, portanto, uma elevada representatividade no dinamismo social e econ&oacute;mico do territ&oacute;rio onde se insere. Por outras palavras, as transfer&ecirc;ncias de im&oacute;veis (n&uacute;meros e valores das transa&ccedil;&otilde;es) em &aacute;reas afetadas por press&otilde;es urbanas dominam as din&acirc;micas do mercado imobili&aacute;rio regional; (ii) e na escala municipal/local, quando a cidade (em conjunto com outros povoamentos urbanos diretamente ligados ao desenvolvimento de uma cidade) tem uma dimens&atilde;o assinal&aacute;vel dentro da jurisdi&ccedil;&atilde;o em que est&aacute; integrada. O munic&iacute;pio tem que se confundir com a cidade, isto &eacute;, as caracter&iacute;sticas do territ&oacute;rio administrativo t&ecirc;m que ser, na maioria da sua extens&atilde;o, muito pr&oacute;ximas das caracter&iacute;sticas de uma cidade. O territ&oacute;rio n&atilde;o pode apresentar uma grande heterogeneidade paisag&iacute;stica. Pelo menos n&atilde;o nos casos em que se observa uma dicotomia entre grandes extens&otilde;es cont&iacute;nuas de solo com caracter&iacute;sticas marcadamente rurais com pequenas extens&otilde;es predominantemente urbanas (onde est&atilde;o integradas as cidades), como se verifica no caso de Sintra, por exemplo.</p>     <p>A <a href="#f2">figura 2</a> contempla o valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis transacionados dentro dos limites administrativos da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa. Os dados validam a hip&oacute;tese de que a bolha imobili&aacute;ria colapsou em 2008: entre 2000 e 2008, o valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis transacionados aumentou 96,70% (quase que duplica o valor m&eacute;dio inicial) e por ano, a subida &eacute; equivalente a 8,82%. De 2008 a 2012 ou durante a fase recessiva do ciclo imobili&aacute;rio, o valor m&eacute;dio das propriedades transacionadas caiu 17,50% ou 4,70% ao ano.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a11f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por tipo de propriedades, os im&oacute;veis rurais e urbanos atingiram o pico no mesmo ano: 2008, e as propriedades de uso misto alcan&ccedil;aram o pico em 2006, contudo mantiveram-se com valores elevados at&eacute; 2010. O valor das propriedades urbanas aumentou 8,69%, por ano entre 2000 e 2008, ou 94,76% considerando apenas as altera&ccedil;&otilde;es entre os valores registados nestes dois anos. O valor das propriedades rurais subiu 168,56% durante o mesmo per&iacute;odo, ou 13,14% por ano. Considerando o mesmo per&iacute;odo para os im&oacute;veis de uso misto, a subida foi de 78,18% ou 7,49% ao ano. Ap&oacute;s o pico de 2008, o mercado entra em recess&atilde;o: as propriedades urbanas chegam ao fundo em 2011 assim como o valor m&eacute;dio do total de propriedades transacionadas, contudo os valores de 2012 tamb&eacute;m podem explicar a queda dos valores do imobili&aacute;rio (os valores dos im&oacute;veis s&atilde;o semelhantes para todos os tipos de propriedade, entre estes dois anos). Consequentemente, o valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis urbanos caiu 4,06% ao ano entre 2008 e 2012, ou 15,26% no total. Os valores m&eacute;dios de transa&ccedil;&atilde;o de propriedades rurais ca&iacute;ram a um ritmo de 18,76% por ano ou 56,50% entre os dois anos (perderam mais de metade do valor). Uma tend&ecirc;ncia similar verifica-se nos pr&eacute;dios de uso misto, cujo valor caiu 54,25% neste per&iacute;odo ou 17,76% ao ano.</p>     <p>Neste sentido, a abordagem regional refor&ccedil;a as evid&ecirc;ncias obtidas a uma escala agregada. A <a href="#f2">figura 2</a> representa a informa&ccedil;&atilde;o acerca de uma regi&atilde;o metropolitana, pois a bolha imobili&aacute;ria deve ser evidenciada &agrave; escala urbana (Hoyt, 1933). Por&eacute;m, tamb&eacute;m tem sido demonstrado que o solo urbano, em particular o solo ocupado por cidades, mesmo numa &aacute;rea metropolitana corresponde apenas a uma pequena fra&ccedil;&atilde;o do total de solo dispon&iacute;vel. Al&eacute;m dos factos apresentados, da compara&ccedil;&atilde;o entre os dados dispon&iacute;veis para a escala nacional e para a escala regional consegue-se extrair informa&ccedil;&atilde;o relevante para a investiga&ccedil;&atilde;o: (i) o valor m&eacute;dio das propriedades urbanas, transacionadas entre 2000 e 2014, localizadas na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa corresponde a 162,75% do valor m&eacute;dio do mesmo tipo de im&oacute;veis &agrave; escala nacional; (ii) o valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis rurais transacionados, durante o mesmo per&iacute;odo e localizados na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa, corresponde a 957,37% do valor m&eacute;dio do mesmo tipo de propriedades &agrave; escala nacional; (iii) o valor m&eacute;dio das propriedades mistas, durante o mesmo per&iacute;odo, equivale a 486,57% do valor m&eacute;dio do mesmo tipo de propriedades transacionadas &agrave; escala nacional. Considerando todas as transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis, as propriedades transacionadas &agrave; escala regional (metropolitana) t&ecirc;m, em m&eacute;dia, o dobro (207,16%) do valor das propriedades transacionadas &agrave; escala agregada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O destaque desta an&aacute;lise consiste na diferen&ccedil;a de valores verificada entre as propriedades rurais e as propriedades de uso misto na escala regional e na escala nacional. Estes valores refletem o valor global do imobili&aacute;rio, logo n&atilde;o distinguem o valor do solo do valor do capital. Por&eacute;m, se os valores do solo t&ecirc;m um peso significativo nos pre&ccedil;os do imobili&aacute;rio &agrave; escala nacional (conforme foi demonstrado), ent&atilde;o &eacute; evidente que na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa, os valores do solo est&atilde;o de longe mais inflacionados. Assim se valida a teoria de Henry George: <i>&ldquo;As vantagens que este solo</i> [das cidades] <i>oferece &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do trabalho s&atilde;o de tal forma enormes, que em vez de um Homem acompanhado por um conjunto de cavalos a desbravar acres</i> - equivale a aproximadamente 0,4 hectares - <i>&eacute; poss&iacute;vel encontrar lugares com milhares de trabalhadores, trabalhando lado a lado, em pisos que crescem sobrepostos uns aos outros, cinco, seis, sete e at&eacute; oito pisos a partir da superf&iacute;cie, enquanto por debaixo da terra existem motores que replicam, atrav&eacute;s de pulsa&ccedil;&otilde;es, a for&ccedil;a de mil cavalos. Todas estas vantagens s&atilde;o absorvidas pelo solo; &eacute; neste solo e n&atilde;o noutro, que estas podem ser utilizadas, porque aqui &eacute; o centro da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; o foco das trocas, o lugar de mercado e o lugar de trabalho das formas mais avan&ccedil;adas da ind&uacute;stria. Os poderes produtivos que a densidade populacional tem anexado a este solo s&atilde;o equivalentes &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o da sua fertilidade natural por 100 ou 1000. E a renda que mede a diferen&ccedil;a entre esta produtividade adicionada e aquela do solo menos produtivo em utiliza&ccedil;&atilde;o tem crescido em conformidade&rdquo;</i> (George, 2009 [1881]: 217); <i>&ldquo;George viu as cidades como centros de comunica&ccedil;&atilde;o, coopera&ccedil;&atilde;o, socializa&ccedil;&atilde;o</i> [conv&iacute;vio] <i>e trocas comerciais, que ele considera serem as bases da Civiliza&ccedil;&atilde;o. Ele viu as cidades como a nova fronteira, uma s&eacute;rie sem fim de novas descobertas, porque a cidade como um todo beneficia de retornos crescentes. A presen&ccedil;a das pessoas com f&aacute;cil acesso m&uacute;tuo em termos equivalentes agiliza a coopera&ccedil;&atilde;o e a especializa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do mercado. Intera&ccedil;&otilde;es multivariadas nas cidades s&atilde;o sin&eacute;rgicas. De facto, enquanto cada parte &ndash; </i>cada parcela de solo<i> &ndash; &eacute; desenvolvida numa base de retornos decrescentes, a cidade consolidada</i> <i>est&aacute; geralmente numa fase de retornos crescentes, gra&ccedil;as &agrave;s sinergias. Como um todo &eacute; maior do que a soma das suas diferentes partes; as valoriza&ccedil;&otilde;es do solo geram mais retorno do que a soma das valoriza&ccedil;&otilde;es de cada uma das diferentes partes&rdquo;</i> (Gaffney, 2001: 63). As refer&ecirc;ncias utilizadas s&atilde;o uma demonstra&ccedil;&atilde;o do reconhecimento da for&ccedil;a econ&oacute;mica e social das cidades.</p>     <p>Este reconhecimento &eacute; natural, visto que as cidades s&atilde;o o motor do progresso material, e o n&iacute;vel de progresso pode ser medido pelos valores do solo (que por sua vez representa a diferen&ccedil;a de produtividade das cidades em compara&ccedil;&atilde;o com o solo em utiliza&ccedil;&atilde;o noutras &aacute;reas territoriais distintas). &Eacute; nas cidades que o valor do solo &eacute; mais elevado, porque &eacute; a&iacute; que as pessoas conseguem alcan&ccedil;ar mais e melhores oportunidades para empregar o seu trabalho e investir o seu capital. &Agrave; escala nacional, Lisboa e a Regi&atilde;o da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa correspondem &agrave; maior massa humana de Portugal e isto explica a diferen&ccedil;a evidente entre o valor m&eacute;dio das propriedades transacionadas &agrave; escala regional e &agrave; escala agregada. A diferen&ccedil;a &eacute; medida pelos valores do solo ou pelas rendas que podem ser obtidas dentro de uma determinada &aacute;rea em compara&ccedil;&atilde;o com o que pode ser obtido fora dessa mesma &aacute;rea. Isto n&atilde;o determina que o solo dentro e em redor de outras cidades situadas fora das &Aacute;reas Metropolitanas (Lisboa e Porto) n&atilde;o alcance tamb&eacute;m um valor especulativo. Verifica-se exatamente o mesmo processo (embora a intensidade possa ser menor, dependendo da dimens&atilde;o de cada cidade), porque tamb&eacute;m nestas cidades <i>&ldquo;para adquirir a propriedade do solo, as pessoas pagam pre&ccedil;os que parecem muito elevados relativamente aos fluxos de caixa correntes&rdquo;</i> (Gaffney, 2001: 64). Contudo, em Portugal estes locais t&ecirc;m dificuldades para ser estatisticamente relevantes mesmo &agrave; escala local (Munic&iacute;pio), porque a &aacute;rea coberta pela cidade (e a sua &aacute;rea envolvente) n&atilde;o chega a alcan&ccedil;ar, na maioria dos casos, se quer metade da &aacute;rea administrativa (para onde &eacute; recolhida a maioria da informa&ccedil;&atilde;o) onde est&atilde;o localizadas. Esta quest&atilde;o insere-se no racioc&iacute;nio desenvolvido anteriormente para justificar a desagrega&ccedil;&atilde;o dos elementos estat&iacute;sticos referentes ao valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis transacionados e a op&ccedil;&atilde;o pela condu&ccedil;&atilde;o desta investiga&ccedil;&atilde;o centrada sobre a cidade de Lisboa.</p>     <p>O autor (Henriques, 2015) evidenciou o fen&oacute;meno da sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do solo numa pequena cidade (A cidade do Entroncamento, que em 2011 contava com pouco mais de 20.000 habitantes) localizada fora da &aacute;rea administrativa das duas &Aacute;reas Metropolitanas, onde foi poss&iacute;vel confirmar o peso estat&iacute;stico dos valores do solo &agrave; escala local (Munic&iacute;pio), porque a cidade e as suas &aacute;reas envolventes j&aacute; excederam os limites do Munic&iacute;pio (o Munic&iacute;pio do Entroncamento &eacute;, em &aacute;rea, o segundo Munic&iacute;pio mais pequeno do Pa&iacute;s), logo a informa&ccedil;&atilde;o coletada &agrave; escala municipal pode ser utilizada para explicar as flutua&ccedil;&otilde;es anuais do valor do solo &agrave; escala da cidade.</p>     <p>Embora a bolha imobili&aacute;ria seja tamb&eacute;m evidente &agrave; escala metropolitana, se a an&aacute;lise estiver centrada apenas nos dados da <a href="#f2">figura 2</a>, podem ser geradas algumas confus&otilde;es: por exemplo, a m&eacute;dia dos valores m&eacute;dios das propriedades transacionadas, considerando os dois per&iacute;odos do ciclo imobili&aacute;rio (2000-2008 e 2008-2012), mostra valores m&eacute;dios das transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis superiores na fase recessiva em compara&ccedil;&atilde;o com o verificado na fase de expans&atilde;o (INE, 2015b). Nesta abordagem, a diferen&ccedil;a dos valores m&eacute;dios de todos os tipos de im&oacute;veis transacionados entre a fase recessiva e a fase de expans&atilde;o &eacute; de 17.341,88&euro;. Isto poderia ser utilizado para desvalorizar uma parte das conclus&otilde;es deste artigo; contudo, a informa&ccedil;&atilde;o onde consta o n&uacute;mero de propriedades transacionadas nesta escala (INE, 2015b) ajuda a esclarecer este ponto.</p>     <p>Antes de avan&ccedil;ar para esse esclarecimento, merece destaque a seguinte particularidade: embora os valores m&eacute;dios de todas as transa&ccedil;&otilde;es possam ser elevados na fase recessiva, o facto &eacute; que tanto os valores das propriedades rurais como das propriedades de uso misto ca&iacute;ram em compara&ccedil;&atilde;o com os valores registados na fase de expans&atilde;o do ciclo imobili&aacute;rio (<a href="#f2">figura 2</a>). Naturalmente, isto tamb&eacute;m prova a teoria de que a queda dos valores do solo &eacute; mais acentuada nas &aacute;reas perif&eacute;ricas do que nas &aacute;reas centrais: <i>&ldquo;Hoyt confirmou a hip&oacute;tese de que os valores do solo atingem um pico imediatamente antes do in&iacute;cio da depress&atilde;o e tamb&eacute;m revelou os diferentes padr&otilde;es dentro da cidade (&hellip;) Os dados mostram claramente que os valores do solo modificam-se nas &aacute;reas perif&eacute;ricas durante as fases do &ldquo;boom&rdquo;</i> - n&atilde;o &eacute; em toda a cidade, enquanto numas &aacute;reas existe um ritmo elevado de altera&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da anexa&ccedil;&atilde;o de solo rural, outras tendem a perder valor devido &agrave; obsolesc&ecirc;ncia das estruturas edificadas - <i>e contrai mais severamente nestas &aacute;reas depois do &ldquo;crash&rdquo;. Ent&atilde;o, os valores do solo no centro de neg&oacute;cios n&atilde;o chegaram a duplicar entre 1910 e 1928, mas o solo destinado a habita&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es empresariais na periferia cresceram tendo como base um fator de 4.5 e 6.7 respetivamente. O &ldquo;crash&rdquo; subsequente era muito maior nas periferias. Isto mostra que a volatilidade dos pre&ccedil;os do solo est&aacute; em &aacute;reas novas desenvolvidas em solos perif&eacute;ricos&rdquo;</i> (Hoyt, 1933: 347 citado por Gaffney, 2015: 338).</p>     <p>Ainda assim a atual manuten&ccedil;&atilde;o de valores do solo elevados (apesar da descida em rela&ccedil;&atilde;o aos pre&ccedil;os m&eacute;dios de 2007 e 2008) &eacute; o reflexo dos subs&iacute;dios existentes para a compra de imobili&aacute;rio por parte de especuladores (Fundos de Investimento Imobili&aacute;rio) e por investidores ou residentes estrangeiros. Por exemplo, destacar apenas que a Lei n.&ordm; 75-A/2014, de 30 de setembro (Estatuto dos Benef&iacute;cios Fiscais) permite que os Fundos de Investimento Imobili&aacute;rio paguem apenas metade do imposto sobre a propriedade e do imposto sobre as tramita&ccedil;&otilde;es onerosas de im&oacute;veis (de acordo com as disposi&ccedil;&otilde;es regulamentares inclu&iacute;das no cap&iacute;tulo VI denominado: Incentivos Fiscais ao Investimento Produtivo). Os Vistos Gold (PLMJ, 2015) correspondem a outro instrumento legislativo que subsidia o investimento imobili&aacute;rio, em particular atrav&eacute;s da regula&ccedil;&atilde;o do investimento estrangeiro, nomeadamente no que se refere &agrave; compra de im&oacute;veis com valor igual ou superior a 500.000,00&euro;. Estes subs&iacute;dios tendem a estar centrados sobre uma procura com elevado n&iacute;vel de rendimentos, que &eacute; a &uacute;nica que consegue operar numa situa&ccedil;&atilde;o de congelamento de mercado (ap&oacute;s o colapso da bolha e sem requerer grandes quantidades de capital alheio) (Fisher, 1951). Por sua vez, este tipo de procura, adquire a maioria dos im&oacute;veis nas grandes cidades (Lisboa e numa menor extens&atilde;o tamb&eacute;m no Porto), os palacetes e os apartamentos de luxo na Costa do Sol (Munic&iacute;pios de Oeiras e Cascais), moradias em &ldquo;<i>resorts</i>&rdquo; e apartamentos de luxo situados numa das principais regi&otilde;es tur&iacute;sticas de Portugal como o Algarve. Esta sequ&ecirc;ncia de subs&iacute;dios leva &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o de elevados fluxos de capital em poucas &aacute;reas e num n&uacute;mero muito restrito de propriedades, que pode gerar conclus&otilde;es erradas acerca do n&iacute;vel m&eacute;dio de pre&ccedil;os no mercado imobili&aacute;rio.</p>     <p>A confirma&ccedil;&atilde;o da observa&ccedil;&atilde;o anterior &eacute; dada pelo n&uacute;mero de propriedades transacionadas (INE, 2015b): (i) durante a fase de expans&atilde;o, o n&uacute;mero m&eacute;dio de transa&ccedil;&otilde;es foi de 73.509 por ano, enquanto na fase recessiva (incluindo os anos de 2013 e 2014), este n&uacute;mero cai para 38.298 transa&ccedil;&otilde;es anuais (uma queda de 47,90%, equivalente a aproximadamente metade do n&uacute;mero de transa&ccedil;&otilde;es verificadas no registo anterior); (ii) o n&uacute;mero m&eacute;dio de transa&ccedil;&otilde;es de propriedades rurais caiu 65,44% entre estes dois per&iacute;odos, o de propriedades urbanas caiu 46,99%; e o de im&oacute;veis de uso misto caiu 59,04%. Estes n&uacute;meros suportam a tese da bolha imobili&aacute;ria e o momento em que esta rebenta (entre 2007 e 2008). Nesta escala, embora os valores m&eacute;dios das transa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se tenham mantido em baixa durante muitos anos, devido &agrave;s raz&otilde;es avan&ccedil;adas, o facto &eacute; que o n&uacute;mero de transa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute; caiu abruptamente como se mant&eacute;m com um fluxo muito abaixo da m&eacute;dia registada durante a fase de expans&atilde;o do ciclo imobili&aacute;rio: o mercado est&aacute; congelado, porque o cr&eacute;dito n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel, devido a uma crise de liquidez dos bancos gerada precisamente pela bolha imobili&aacute;ria. As transa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito restritas e cobrem apenas um conjunto limitado de agentes (est&atilde;o estruturadas no segmento do mercado com elevados rendimentos).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.3. A Escala da Cidade de Lisboa</b></p>     <p>A cidade de Lisboa j&aacute; ultrapassou os limites administrativos do Munic&iacute;pio. A observa&ccedil;&atilde;o de imagens de sat&eacute;lite recentes sobrepostas pelos limites administrativos do Munic&iacute;pio de Lisboa confirma este facto. O crit&eacute;rio da observa&ccedil;&atilde;o deve ser a continuidade do tecido urbano. Este m&eacute;todo chega para fundamentar este racioc&iacute;nio, no entanto, esta &eacute; uma an&aacute;lise que merece aprofundamento emp&iacute;rico. S&oacute; com este tipo de abordagem seria poss&iacute;vel identificar uma unidade territorial consistente com os limites da cidade de Lisboa (estes limites abrangem sub&uacute;rbios, vilas e at&eacute; cidades metropolitanas) que o autor defende, tendo como racioc&iacute;nio de base, a teoria da escassez artificial. No entanto, mesmo com a configura&ccedil;&atilde;o da unidade territorial devidamente definida, n&atilde;o existiria a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para validar a bolha imobili&aacute;ria atrav&eacute;s da perspetiva do valor do solo. Face a estas limita&ccedil;&otilde;es, a escala da cidade de Lisboa analisada neste trabalho est&aacute; limitada &agrave; &aacute;rea administrativa do Munic&iacute;pio, que n&atilde;o corresponde de todo aos limites reais da cidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A informa&ccedil;&atilde;o trabalhada nos subcap&iacute;tulos anteriores mostra que os picos do pre&ccedil;o do imobili&aacute;rio ocorreram em 2007 e 2008. Em 2007, os valores do solo chegam a um pico e a bolha colapsa durante o ano de 2008. A informa&ccedil;&atilde;o de base que permite evidenciar o acontecimento &eacute; o valor m&eacute;dio das propriedades transacionadas apoiada sempre que necess&aacute;rio pelo n&uacute;mero de propriedades transacionadas. Na sequ&ecirc;ncia do processo de desagrega&ccedil;&atilde;o que tem vindo a ser realizado ao longo deste trabalho, &eacute; a vez de avan&ccedil;ar para a escala local e a melhor informa&ccedil;&atilde;o para evidenciar a bolha imobili&aacute;ria nesta escala deve ser coincidente com a informa&ccedil;&atilde;o representativa das cidades. Logo se a cidade de Lisboa j&aacute; ultrapassou os limites do Munic&iacute;pio, ent&atilde;o o pr&oacute;prio Munic&iacute;pio de Lisboa corresponde a uma unidade estat&iacute;stica relevante para explicar e comprovar a tese da bolha imobili&aacute;ria.</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia do racioc&iacute;nio anterior, a <a href="#f3">figura 3</a> apresenta a confirma&ccedil;&atilde;o desta tese: entre 2000 e 2008, o valor m&eacute;dio de todos os tipos de propriedades transacionadas aumentou 103% (mais do que duplicou), mas o pico nem foi em 2008. O pico do valor m&eacute;dio das propriedades transacionadas cobrindo todo o tipo de imobili&aacute;rio (propriedades urbanas, r&uacute;sticas e mistas) foi atingido em 2007. Assim sendo, considerando os anos entre 2000 e 2007, os valores m&eacute;dios dos im&oacute;veis aumentaram 133%. O valor das propriedades urbanas subiu 132%. Nas propriedades rurais, o crescimento atingiu os 360% e nas propriedades de uso misto chegou aos 347%. De 2007 a 2008, o valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis caiu 11,82% nas propriedades urbanas, 81,76% nas propriedades rurais e 79,27% nas propriedades de uso misto. Como um todo, os valores dos im&oacute;veis transacionados ca&iacute;ram 13,02% em apenas um ano. Entre 2007 e 2012, os valores dos im&oacute;veis ca&iacute;ram 30,36%: os im&oacute;veis urbanos ca&iacute;ram 30,49% e as propriedades de uso misto ca&iacute;ram 32,16%. Em sentido inverso as propriedades rurais subiram 73,01%.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a11f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta aparente contradi&ccedil;&atilde;o pode ser explicada pela baixa representatividade das propriedades rurais e de uso misto no total de im&oacute;veis transacionados a esta escala. O contexto descrito demonstra que a maioria do volume de transa&ccedil;&otilde;es registado nesta escala corresponde &agrave;s propriedades urbanas, que comandam as flutua&ccedil;&otilde;es gerais do mercado imobili&aacute;rio: para todos os anos para os quais existe registo, as transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis urbanos representam 99,73% do volume total de transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis.</p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es abruptas no volume e no valor dos im&oacute;veis est&atilde;o diretamente relacionadas com o valor do solo: este afeta o pre&ccedil;o das propriedades urbanas e desta forma tamb&eacute;m o n&iacute;vel geral de pre&ccedil;os, no entanto, &eacute; nas propriedades rurais que o valor do solo se confunde quase por inteiro com o pre&ccedil;o do im&oacute;vel, at&eacute; porque estas propriedades quando inseridas no interior dos limites da cidade (como &eacute; o caso), est&atilde;o geralmente subaproveitadas (abandonadas ou longe da sua melhor utiliza&ccedil;&atilde;o), logo o valor do capital corresponde apenas a uma pequena fra&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o dos im&oacute;veis.</p>     <p>O impacto do valor do solo &agrave; escala urbana pode ainda ser confirmado pelos seguintes elementos (dados de 2000 a 2014): (i) &agrave; escala local, o valor m&eacute;dio das propriedades rurais transacionadas &eacute; superior ao valor m&eacute;dio das propriedades urbanas em 2,5 vezes; (ii) tamb&eacute;m &agrave; escala local, o valor m&eacute;dio das propriedades de uso misto &eacute; superior ao valor m&eacute;dio das propriedades urbanas em cerca de 4 vezes; (iii) o valor m&eacute;dio das propriedades rurais transacionadas em Lisboa &eacute; 25 vezes superior ao valor m&eacute;dio do mesmo tipo de propriedades em Portugal e 3,5 vezes maior do que o valor m&eacute;dio das transa&ccedil;&otilde;es &agrave; escala metropolitana; e (iv) o valor m&eacute;dio das propriedades de uso misto transacionadas em Lisboa &eacute; 5,5 vezes superior ao valor m&eacute;dio do mesmo tipo de propriedades &agrave; escala nacional e maior do que o dobro do valor m&eacute;dio deste tipo de im&oacute;veis na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa.</p>     <p>Esta confirma&ccedil;&atilde;o da sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do solo num curto per&iacute;odo de tempo refor&ccedil;a a valida&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese da bolha imobili&aacute;ria. A rela&ccedil;&atilde;o entre os dados obtidos para as diferentes escalas (agregada ou nacional, regional e local) permite extrapolar que a pol&iacute;tica fiscal concede elevados subs&iacute;dios ao sector imobili&aacute;rio. Al&eacute;m disso, a distribui&ccedil;&atilde;o dos subs&iacute;dios n&atilde;o &eacute; minimamente equitativa. Os propriet&aacute;rios de im&oacute;veis r&uacute;sticos e de im&oacute;veis de uso misto (urbanos e r&uacute;sticos) situados em &aacute;reas pr&oacute;ximas ou dentro dos pr&oacute;prios limites das cidades s&atilde;o os maiores benefici&aacute;rios do atual sistema de tributa&ccedil;&atilde;o. Esta &eacute; a &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o para a diferen&ccedil;a registada entre os valores m&eacute;dios das propriedades urbanas e os valores m&eacute;dios tanto das propriedades r&uacute;sticas como das propriedades mistas em pelo menos duas dimens&otilde;es: (i) na escala nacional e regional, comparando o mesmo tipo de propriedade; e (ii) na escala local, relacionando os diferentes tipos de propriedade.</p>     <p>A falha do modelo de tributa&ccedil;&atilde;o existe porque as propriedades s&atilde;o classificadas para efeitos fiscais apenas como propriedades rurais ou propriedades urbanas (as propriedades mistas s&atilde;o a designa&ccedil;&atilde;o utilizada para classificar as propriedades onde n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel distinguir se o principal uso do solo &eacute; o urbano ou o rural). A classifica&ccedil;&atilde;o dos im&oacute;veis (distin&ccedil;&atilde;o entre urbanos e r&uacute;sticos) gera dois sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o do valor patrimonial: um para cada tipo de propriedade. Os im&oacute;veis urbanos s&atilde;o avaliados com base no valor dos melhoramentos (estruturas edificadas), enquanto as propriedades r&uacute;sticas s&atilde;o avaliadas conforme o seu valor de rendimento atrav&eacute;s de uma utiliza&ccedil;&atilde;o rural produtiva (planta&ccedil;&otilde;es). Logo se as propriedades est&atilde;o dentro da cidade, apenas nos casos em que o solo n&atilde;o pode ser transformado em usos urbanos (pequenas parcelas com dimens&atilde;o obsoleta, onde o processo de constru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; vi&aacute;vel devido &agrave; dimens&atilde;o do lote &ndash; estes casos podem apesar de tudo ser transformados em solo urbano atrav&eacute;s de processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica ou atrav&eacute;s de projetos de alargamento ou desenvolvimento de novos espa&ccedil;os p&uacute;blicos &ndash; e solo situado em leito de cheia) &eacute; que estas propriedades t&ecirc;m um valor de mercado pr&oacute;ximo do valor de avalia&ccedil;&atilde;o para efeitos fiscais. Contudo, o Plano Diretor Municipal de Lisboa (C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 2012) confirma que todo o solo dentro das fronteiras administrativas do Munic&iacute;pio corresponde a solo urbano (dentro desta classifica&ccedil;&atilde;o, existem v&aacute;rias categorias de uso do solo sub-classificadas como solo alocado para usos recreativos ou espa&ccedil;os verdes, mas provavelmente a maioria deste solo, mesmo que uma parte ainda n&atilde;o tenha sido transformado de acordo com o previsto, j&aacute; &eacute; propriedade do Munic&iacute;pio ou do Estado). Assim se demonstra que existe incompatibilidade entre a pol&iacute;tica fiscal e a pol&iacute;tica de ordenamento do territ&oacute;rio. Se o solo &eacute; classificado como urbano (apto para urbaniza&ccedil;&atilde;o) e este permanece classificado como solo r&uacute;stico pela pol&iacute;tica fiscal, a situa&ccedil;&atilde;o gera um enorme subs&iacute;dio: as Figuras <a href="#f4">4</a> e <a href="#f5">5</a> ilustram alguns destes tipos de propriedade que s&atilde;o considerados como im&oacute;veis urbanos pela pol&iacute;tica de ordenamento do territ&oacute;rio, mas que provavelmente s&atilde;o classificados como r&uacute;sticos para efeitos de avalia&ccedil;&atilde;o fiscal. Os propriet&aacute;rios de im&oacute;veis, que beneficiam desta dualidade de crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o e que est&atilde;o inseridos em &aacute;reas dentro ou pr&oacute;ximas dos limites das cidades, vilas ou outro tipo de povoamento onde o valor do solo &eacute; elevado o suficiente para promover a sua transforma&ccedil;&atilde;o em solo afeto a usos urbanos, acabam por ser altamente subsidiados. Provavelmente esta quest&atilde;o poderia ser reportada, se o Pa&iacute;s tivesse um cadastro completo e atualizado, o que n&atilde;o &eacute; o caso de Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a11f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n11/n11a11f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Outro elemento que explica a sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do imobili&aacute;rio &eacute; a frequ&ecirc;ncia das avalia&ccedil;&otilde;es patrimoniais, que &eacute; muito lenta &ndash; de 3 em 3 anos para a maioria dos pr&eacute;dios urbanos, segundo a aplica&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio dos 75% do coeficiente de desvaloriza&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria, ocorrido durante cada per&iacute;odo; &eacute; anual no caso de propriedades industriais ou comerciais, conforme o mesmo crit&eacute;rio; n&atilde;o existe qualquer refer&ecirc;ncia para os pr&eacute;dios r&uacute;sticos (Autoridade Tribut&aacute;ria e Aduaneira, 2013). Deste modo, durante a fase de expans&atilde;o do ciclo imobili&aacute;rio, os im&oacute;veis beneficiam de um tratamento fiscal favor&aacute;vel, o que acaba por ajudar &agrave; pr&oacute;pria euforia/irracionalidade do mercado comprovada pela an&aacute;lise num&eacute;rica desenvolvida neste trabalho.</p>     <p>Face a este contexto, existe um bloqueio ao desenvolvimento do solo vazio, porque, por exemplo, no caso de Lisboa, este s&oacute; &eacute; acess&iacute;vel a um n&uacute;mero muito limitado de indiv&iacute;duos (ou fam&iacute;lias) e grandes empresas que t&ecirc;m um n&iacute;vel de rendimentos l&iacute;quidos suficientemente elevado para conseguir adquirir o solo dispon&iacute;vel na cidade. Por&eacute;m, uma parte destes agentes s&atilde;o especuladores imobili&aacute;rios, que optam por reter a propriedade, por tempo indefinido, abstendo-se de investir no seu desenvolvimento e abdicando da sua utiliza&ccedil;&atilde;o. O outro grupo de agentes pode investir na constru&ccedil;&atilde;o/remodela&ccedil;&atilde;o de estruturas edificadas, por&eacute;m estas acabam por ser inacess&iacute;veis (pelos pre&ccedil;os de venda ou arrendamento) para a maioria da procura efetiva.</p>     <p>As conclus&otilde;es acerca da informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel para descrever as din&acirc;micas do mercado imobili&aacute;rio ainda n&atilde;o est&atilde;o esgotadas (INE, 2015b): (i) comparando o volume de transa&ccedil;&otilde;es de todos os tipos de propriedade em Lisboa (Munic&iacute;pio) com o mesmo indicador &agrave; escala regional, verifica-se que em 2000, o volume de propriedades transacionadas representou apenas 16,12% do volume total de im&oacute;veis transacionados na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa, enquanto em 2014, este indicador aumentou para 31,77%. Este elemento confirma o argumento de que durante a fase de congelamento do mercado (ap&oacute;s o rebentamento da bolha imobili&aacute;ria), o dinamismo do mercado est&aacute; centrado nas movimenta&ccedil;&otilde;es dos operadores com elevados rendimentos (tanto do lado da oferta como da procura). Al&eacute;m de beneficiarem dos subs&iacute;dios acima mencionados, estes s&atilde;o operadores com liquidez, ou seja, est&atilde;o pouco dependentes do cr&eacute;dito (Fisher, 1951). As transa&ccedil;&otilde;es existentes cobrem maioritariamente as propriedades situadas nas &ldquo;&aacute;reas prime&rdquo; da cidade: Parque das Na&ccedil;&otilde;es, Avenida da Liberdade, Baixa Pombalina e Saldanha. Por sua vez, esta situa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m explica o elevado valor m&eacute;dio dos im&oacute;veis transacionados no per&iacute;odo ap&oacute;s o rebentamento da bolha, embora se verifique que estes ainda apresentam valores inferiores aos registados durante o pico de 2007 e at&eacute; dos valores de 2008; (ii) em m&eacute;dia, o n&uacute;mero de propriedades transacionadas por ano durante a fase de expans&atilde;o do ciclo imobili&aacute;rio (2000-2008) foi de 15.155 e na fase de recess&atilde;o foi de 9.272. Portanto, confirma-se que numa base anual, existe uma quebra de 5.882 transa&ccedil;&otilde;es entre os dois per&iacute;odos ou uma queda de 38% no volume total de transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis situados dentro dos limites administrativos de Lisboa. Apesar destes n&uacute;meros, a queda do volume de transa&ccedil;&otilde;es de im&oacute;veis entre os dois per&iacute;odos do ciclo imobili&aacute;rio nesta &aacute;rea &eacute; inferior &agrave; queda registada na escala regional (da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Os n&uacute;meros analisados indicam que, efetivamente, existiu uma bolha imobili&aacute;ria em Portugal, contrariando os resultados obtidos noutras abordagens desenvolvidas sobre este tema (Fradique Louren&ccedil;o e Rodrigues, 2014). Associado a este fen&oacute;meno est&aacute; o termo &ldquo;euforia&rdquo;. A euforia corresponde a um n&iacute;vel excessivo de confian&ccedil;a que se baseia sobretudo nas tend&ecirc;ncias do passado (ou de acontecimentos propagandeados) mais do que na racionalidade ou na qualidade das op&ccedil;&otilde;es de investimento (Glaeser, 2013; Greaney, 2015). Se as avalia&ccedil;&otilde;es dos im&oacute;veis para efeitos fiscais acompanhassem as valoriza&ccedil;&otilde;es anuais do mercado, provavelmente, a subida dos pre&ccedil;os numa base anual acabaria por ser menor. Sem preju&iacute;zo deste facto, a mera atualiza&ccedil;&atilde;o do valor patrimonial n&atilde;o impede a forma&ccedil;&atilde;o de uma bolha imobili&aacute;ria, porque os crit&eacute;rios adotados na f&oacute;rmula de c&aacute;lculo deste valor podem produzir diferen&ccedil;as significativas entre os valores da propriedade para efeitos fiscais e os valores de mercado dos im&oacute;veis (Carvalho, 2014; Henriques, 2015). No caso portugu&ecirc;s, existem diferen&ccedil;as na f&oacute;rmula consoante o tipo de classifica&ccedil;&atilde;o do solo (para efeitos fiscais): r&uacute;stico ou urbano. Portanto, s&atilde;o utilizadas duas f&oacute;rmulas distintas para calcular o mesmo valor, em fun&ccedil;&atilde;o do uso dominante da propriedade. Este elemento apenas comprova que o valor de mercado dos im&oacute;veis raramente coincide com os valores calculados para efeitos fiscais.</p>     <p>Em s&iacute;ntese, este trabalho oferece uma primeira valida&ccedil;&atilde;o da tese da bolha imobili&aacute;ria: os pre&ccedil;os dos im&oacute;veis (ativos imobili&aacute;rios) subiram, de forma significativa, num curto espa&ccedil;o de tempo (2000-2007), caindo abruptamente a partir de 2008. Para al&eacute;m da an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o a uma escala agregada, foi desenvolvido um trabalho de desagrega&ccedil;&atilde;o com base na informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica dispon&iacute;vel, at&eacute; &agrave; escala do Munic&iacute;pio. Neste &acirc;mbito e para demonstrar a preponder&acirc;ncia dos elementos especulativos (sobretudo associados aos diferentes n&iacute;veis de produtividade que &eacute; poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar atrav&eacute;s do poss&iacute;vel desenvolvimento do solo urbano) na din&acirc;mica do pr&oacute;prio ciclo imobili&aacute;rio, o trabalho foi centrado no Munic&iacute;pio de Lisboa.</p>     <p>Com a aplica&ccedil;&atilde;o destas duas abordagens foi poss&iacute;vel confirmar os elementos que alimentam a bolha imobili&aacute;ria e aprofundar os fatores predominantes que est&atilde;o na g&eacute;nese deste fen&oacute;meno: aumentos de produtividade do solo urbano; refor&ccedil;o da proximidade e investimento em melhoramentos das redes de liga&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica entre &aacute;reas povoadas; distribui&ccedil;&atilde;o da propriedade do solo; subs&iacute;dios atribu&iacute;dos pela pol&iacute;tica fiscal.</p>     <p>Para o futuro, esta investiga&ccedil;&atilde;o salienta a import&acirc;ncia de concluir a aplica&ccedil;&atilde;o do modelo econ&oacute;mico que forneceu a base para este trabalho, pois para al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o, ser&aacute; poss&iacute;vel alargar o conhecimento acerca da bolha imobili&aacute;ria aos seguintes dom&iacute;nios: (i) territ&oacute;rio, onde o teste &eacute; perceber onde se concentraram os fluxos do investimento em imobili&aacute;rio (atendendo a uma rela&ccedil;&atilde;o entre &aacute;reas perif&eacute;ricas e centrais) e que raz&otilde;es explicam esse processo; (ii) econ&oacute;mico-empresarial, atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise acerca dos reflexos da din&acirc;mica especulativa sobre a evolu&ccedil;&atilde;o dos diferentes sectores de atividade econ&oacute;mica; e (iii) financeira, onde se procurar&aacute; relacionar a origem dos elevados n&iacute;veis de endividamento com as din&acirc;micas do mercado imobili&aacute;rio, como hip&oacute;tese de base para a origem da crise de liquidez dos bancos. Este conhecimento &eacute; relevante para se perceber o que &eacute; que falhou na sociedade portuguesa e para se compreender as raz&otilde;es por detr&aacute;s da longa-dura&ccedil;&atilde;o da crise econ&oacute;mica, fornecendo, ao mesmo tempo, uma base s&oacute;lida para preparar mudan&ccedil;as em diferentes dom&iacute;nios, desde logo, ao n&iacute;vel da Pol&iacute;tica de Ordenamento do Territ&oacute;rio e da Pol&iacute;tica Fiscal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p><u>Artigos cient&iacute;ficos</u></p>     <!-- ref --><p>AALBERTS, Manuel, Geographies of the financial crisis, <i>Area</i>, Vol 41, No.1, 2009, pp. 34-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741290&pid=S2182-1267201700010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARELLANO, Manuel; BENTOLILA, Samuel, La Burbuja Inmobiliaria: causas y responsables, Centro de Estudios Monetarios y Financieros, 2009, &Uacute;ltima consulta em 15/03/2017, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.crisis09.fedea.net/ebook/la-burbuja-inmobiliaria.html" target="_blank">http://www.crisis09.fedea.net/ebook/la-burbuja-inmobiliaria.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741292&pid=S2182-1267201700010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>AUTORIDADE TRIBUT&Aacute;RIA E ADUANEIRA, C&oacute;digo do Imposto Municipal sobre Im&oacute;veis, 2013, &Uacute;ltima consulta em 19/03/2016, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/informacao_fiscal/codigos_tributarios/cimi/index_cimi.htm" target="_blank">http://www.info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/informacao_fiscal/codigos_tributarios/cimi/index_cimi.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741294&pid=S2182-1267201700010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BINGRE DO AMARAL, Pedro, An&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de solos com o sistema econ&oacute;mico, Estudo de Enquadramento para a Prepara&ccedil;&atilde;o da Nova Lei do Solo, DGOTDU, 2011, &Uacute;ltima consulta em 25/02/2017, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.forumdascidades.pt/sites/default/files/lds_estudos-2011_pbingre_politica-solos-e-sistema-economico_0.pdf" target="_blank">http://www.forumdascidades.pt/sites/default/files/lds_estudos-2011_pbingre_politica-solos-e-sistema-economico_0.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741296&pid=S2182-1267201700010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRENNER, Neil; SCHMID, Christian, Towards a new epistemology of the urban?, City, Vol 19, No. 2-3, 2015, pp. 151-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741298&pid=S2182-1267201700010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CARVALHO, Jo&atilde;o M., Algoritmos universais de perequa&ccedil;&atilde;o &ndash; uma abordagem explorat&oacute;ria, Semin&aacute;rio Modelos de Financiamento de Opera&ccedil;&otilde;es Urban&iacute;sticas: Desafios e Oportunidades, Instituto Superior T&eacute;cnico, 2014, &Uacute;ltima consulta em 13/04/2017, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.projectopercom.tecnico.ulisboa.pt/pdf/docs/WorkshopPERCOM_2_JMC.pdf" target="_blank">http://www.projectopercom.tecnico.ulisboa.pt/pdf/docs/WorkshopPERCOM_2_JMC.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CML &ndash; C&acirc;mara Municipal de Lisboa, Regulamento do PDM, Lisboa: C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 2012, &Uacute;ltima consulta em 05/04/2016, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.cm-lisboa.pt/fileadmin/VIVER/Urbanismo/urbanismo/planeamento/pdm/AF_REGULAMENTO_PDM_Lx.pdf" target="_blank">http://www.cm-lisboa.pt/fileadmin/VIVER/Urbanismo/urbanismo/planeamento/pdm/AF_REGULAMENTO_PDM_Lx.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>DELGADO VI&Ntilde;AS, Carm&eacute;n, Secuelas territoriales de la &laquo;burbuja inmobiliaria&raquo; en las &aacute;reas protegidas litorales espa&ntilde;olas, <i>Ciudad y Territ&oacute;rio: Estudios Territoriales (CyTET)</i>, Vol XLIV (174), 2012, pp. 615-637.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741302&pid=S2182-1267201700010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ETXEZARRETA ETXARRI, Aitziber; HOEKSTRA, Joris; DOL, Keel; CANO FUENTES, Gala, De la burbuja inmobiliaria a las ejecuciones hipotecarias, <i>Ciudad y Territ&oacute;rio: Estudios Territoriales (CyTET)</i>, Vol XLIV (174), 2012, pp. 597-613.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741304&pid=S2182-1267201700010001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>FISCHEL, William, The Evolution of Zoning since the 1980s: the persistence of localism, in COLE, D. and HOSTROM, E. (eds), <i>Property in Land and Other Resources</i>, Massachusetts &ndash; Cambridge: Lincoln Institute of Land Policy, 2012, pp. 259-287.</p>     <!-- ref --><p>FISHER, Ernest M.,<i>Urban Real Estate Markets, Characteristics and Financing</i>, Cambridge (MA): National Bureau of Economic Research, 1951.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741307&pid=S2182-1267201700010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOLDVARY, Fred, <i>The Depression of 2008</i>, Berkeley (CA): Gutenberg Press, 2<sup>nd</sup> Edition, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741309&pid=S2182-1267201700010001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FOLDVARY, Fred, Real Estate Bubble, The Progress Report, 2004, &Uacute;ltima consulta em 08/03/2017, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.progress.org/tpr/foldvary-the-real-estate-bubble/" target="_blank">http://www.progress.org/tpr/foldvary-the-real-estate-bubble/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741311&pid=S2182-1267201700010001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FRADIQUE LOUREN&Ccedil;O, Rita; RODRIGUES, Paulo M. M., Din&acirc;mica e contraste dos pre&ccedil;os da habita&ccedil;&atilde;o em Portugal e Espanha, Boletim Econ&oacute;mico do Banco de Portugal, 2014, &Uacute;ltima consulta em 10/03/2017, dispon&iacute;vel em <a href="https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/papers/ab201413_p.pdf" target="_blank">https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/papers/ab201413_p.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741313&pid=S2182-1267201700010001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FUND&Aacute;CION ALTERNATIVAS, Urbanismo y Democracia: Alternativas para evitar la corrupci&oacute;n, Madrid: Fundaci&oacute;n Alternativas, &Uacute;ltima consulta em 23/03/2017, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fundacionalternativas.org/public/storage/publicaciones_archivos/xmlimport-fL5JRu.pdf" target="_blank">http://www.fundacionalternativas.org/public/storage/publicaciones_archivos/xmlimport-fL5JRu.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741315&pid=S2182-1267201700010001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GAFFNEY, Mason, A real-assets model of economic crises: Will China crash in 2015?, <i>American Journal of Economics and Sociology</i>, Vol 74, Issue 2, 2015, pp. 325-360.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741317&pid=S2182-1267201700010001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GAFFNEY, Mason, <i>After the Crash: Designing a Depression-Free Economy</i>, Chichester (UK): Wiley-Blackwell, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741319&pid=S2182-1267201700010001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GAFFNEY, Mason, The Role of Ground Rent in Urban Decay and Revival: How to Revitalize a Failing City, in COBB, C. and GIACALONE, J. (eds), <i>The Path to Justice</i>. Malden, MA and Oxford Publishers: Blackwell Publishers, 2001, pp. 57-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741321&pid=S2182-1267201700010001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GEORGE, Henry, <i>Progress and Poverty</i>, New York: Cambridge University Press, 2009 [1881].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741323&pid=S2182-1267201700010001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GLAESER, Edward. L., A Nation of Gamblers: Real Estate Speculation and American History, <i>American Economic Review: Papers and Proceedings</i>, Vol 103, Issue 3, 2013, pp. 1-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741325&pid=S2182-1267201700010001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GREANEY, Michael D., The Business Cycle: a Kelsonian Analysis, <i>American Journal of Economics and Sociology</i>, Vol 74, Issue 2, 2015, pp. 379-418.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741327&pid=S2182-1267201700010001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARRISON, Fred, <i>Boom Bust: House Prices, Banking and Depression of 2010</i>, London: Shepheard-Walwyn (Publishers) Ltd, 2010 [2005].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741329&pid=S2182-1267201700010001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>HENRIQUES, Jo&atilde;o, <i>As Din&acirc;micas do Mercado Imobili&aacute;rio e os Impactos Territoriais</i>, Lisboa: Chiado Editora, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741331&pid=S2182-1267201700010001100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOEKSTRA, Joris; VAKILI-ZAD, Cyrus, High vacancy-rate and rising housing price: the Spanish Paradox, <i>Tijdschrift voor Economische en Sociale Geografie</i>, Vol 102, Issue 1, 2011, pp. 55-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741333&pid=S2182-1267201700010001100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>HOYT, Homer, <i>One hundred years of land values in Chicago</i>, Illinois &ndash; Chicago: The University of Chicago Press., 1933.</p>     <!-- ref --><p>INE, <i>Estat&iacute;sticas Hist&oacute;ricas Portuguesas</i>, Lisboa: Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741336&pid=S2182-1267201700010001100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LOPEZ GARCIA, Miguel A., Precios inmobiliarios, renta y tipos de interes en Espa&ntilde;a, Instituto de Estudos Fiscales, 2004, &Uacute;ltima consulta em 23/03/2017, dispon&iacute;vel em <a href="https://www.dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3136001.pdf" target="_blank">https://www.dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3136001.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741338&pid=S2182-1267201700010001100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PLMJ. Golden Visa: As novas condi&ccedil;&otilde;es e requisitos para obten&ccedil;&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia para investimento em Portugal, Newsletter, 2015, &Uacute;ltima consulta em 09/08/2016, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.plmj.com/xms/files/newsletters/2015/Setembro/As-Novas-Condicoes-e-Requisitos-para-a-Obtencao-de-Golden-Visa.pdf" target="_blank">http://www.plmj.com/xms/files/newsletters/2015/Setembro/As-Novas-Condicoes-e-Requisitos-para-a-Obtencao-de-Golden-Visa.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741340&pid=S2182-1267201700010001100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGU&Eacute;Z L&Oacute;PEZ, Julio, Debilidad de la economia, debilidade del mercado de vivenda, <i>Ciudad y Territ&oacute;rio: Estudios Territoriales (CyTET)</i>, Vol XLIV (174), 2012, pp. 763-776.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741342&pid=S2182-1267201700010001100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROMERO, Juan; JIMENEZ, Fernando; VILLORIA, Manuel, (Un)Sustainable Territories: Causes of the Speculative Bubble in Spain (1996-2010) and its Territorial, Environmental, and Sociopolitical Consequences,<i> Environment and Planning C: Politics and Space</i>, Vol 30, Issue 3, 2012, pp. 467-486.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1741344&pid=S2182-1267201700010001100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SUMNER, Scott, What would Milton Friedman have thought of the Great Recession?, American Journal of Economics and Sociology, Vol 74, Issue 2, 2015, pp. 209-235.</p>     <p><u>&nbsp;</u></p>     <p><u>Normas</u></p>     <p>Lei n.&ordm; 75-A/2014 de 30 de setembro, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica n&ordm;188 &ndash; 1&ordf;S&eacute;rie, Assembleia da Rep&uacute;blica.</p>     <p><u>&nbsp;</u></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><u>Indicadores Estat&iacute;sticos</u></p>     <p>INE &ndash; Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, Valor m&eacute;dio dos pr&eacute;dios transacionados por localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e tipo de pr&eacute;dio, Anual &ndash; Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Pol&iacute;tica de Justi&ccedil;a, 2015&ordf;.</p>     <p>INE, N&uacute;mero de pr&eacute;dios transacionados por localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e tipo de pr&eacute;dio, <i>Anual &ndash; Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Pol&iacute;tica de Justi&ccedil;a</i>, 2015b.</p>     <p>INE, Popula&ccedil;&atilde;o (N&ordm;) por local de resid&ecirc;ncia, sexo e grupo et&aacute;rio, <i>Anual &ndash; INE</i>, Estimativas Anuais da Popula&ccedil;&atilde;o Residente, 2015c.</p>     <p>INE, Superf&iacute;cie (km2) das unidades territoriais por localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, <i>Anual &ndash; INE</i>, Instituto Geogr&aacute;fico Portugu&ecirc;s, 2015d.</p>     <p>INE, Densidade Populacional (N&ordm;/km2) por local de resid&ecirc;ncia, <i>Anual &ndash; INE</i>, 2015e.</p>     <p>INE, Superf&iacute;cie (km2) das unidades territoriais por localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, Decenal &ndash; INE, Recenseamento da Popula&ccedil;&atilde;o e Habita&ccedil;&atilde;o, 2015f.</p>     <p>INE, Densidade Populacional (N&ordm;/km2) por Local de resid&ecirc;ncia, <i>Decenal &ndash; INE</i>, Recenseamento da Popula&ccedil;&atilde;o e Habita&ccedil;&atilde;o, 2015g.</p>     <p>INE, Cidades (N&ordm;) por localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, <i>Anual &ndash; INE</i>, Sistema Integrado de Nomenclaturas Estat&iacute;sticas, 2016.</p>      ]]></body><back>
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