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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O trabalho na rua: uma relação entre espaço público, planejamento e direito à cidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article results of a Master's research, which aimed at analyzing the way in which the activity of street workers is inserted and related to the public space, as well as how it&#8217;s affected by urban planning in an area in the city center of Salvador. To do so, the theory of the circuits of the economy developed by Milton Santos is such a fundamental theoretical basis to understand the case study. So, this paper aims to take a look at the attempt to organize the public space by the city government, understood within the scope of strategic planning, which understands the city from a business perspective, favoring aspects in order to put it in a competitive position vis-à-vis other ones.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O trabalho na rua: uma rela&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o p&uacute;blico, planejamento e direito &agrave; cidade</b></p>     <p><b>The work on the street: a relationship between public space, planning and the right to the city</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bou&ccedil;as, Laila</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup> Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Arquitetura e Urbanismo &ndash; PPG-AU/UFBA / Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Arquitetura; Rua Caetano Moura, 121 &ndash; Federa&ccedil;&atilde;o, Salvador-BA. 40210-905, Brasil; <a href="mailto:lailaboucas@gmail.com">lailaboucas@gmail.com</a>&nbsp;&nbsp;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo constitui-se como parte do que foi desenvolvido em uma pesquisa de mestrado, que estudou a maneira como a atividade dos trabalhadores de rua est&aacute; inserida e se relaciona com o espa&ccedil;o p&uacute;blico, bem como sobre como incidem as a&ccedil;&otilde;es de planejamento e ordenamento sobre a mesma, numa &aacute;rea do centro da cidade de Salvador. Uma das teorias chave para o desenvolvimento da pesquisa &eacute; a dos circuitos da economia desenvolvida pelo professor Milton Santos, que servir&aacute; como lastro te&oacute;rico fundamental para compreens&atilde;o da din&acirc;mica analisada. Busca-se ainda neste trabalho, levar o olhar para a tentativa de ordenamento do espa&ccedil;o p&uacute;blico promovida por uma gest&atilde;o municipal, compreendida no &acirc;mbito do planejamento estrat&eacute;gico, que confere uma vis&atilde;o empresarial sobre a cidade, favorecendo aspectos que visam torn&aacute;-la competitiva frente &agrave;s demais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: trabalhador de rua; espa&ccedil;o p&uacute;blico; apropria&ccedil;&atilde;o; planejamento estrat&eacute;gico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article results of a Master's research, which aimed at analyzing the way in which the activity of street workers is inserted and related to the public space, as well as how it&rsquo;s affected by urban planning in an area in the city center of&nbsp; Salvador. To do so, the theory of the circuits of the economy developed by Milton Santos is such a fundamental theoretical basis to understand the case study. So, this paper aims to take a look at the attempt to organize the public space by the city government, understood within the scope of strategic planning, which understands the city from a business perspective, favoring aspects in order to put it in a competitive position vis-&agrave;-vis other ones.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords: </b>street worker; public space; appropriation; strategic planning</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Nas cidades, sobretudo nas latino-americanas, confrontamos diariamente as ocupa&ccedil;&otilde;es informais da &ldquo;cidade real&rdquo;, contrapostas as da &ldquo;cidade ideal&rdquo; (SAMPAIO, 1999), planejada, isto quando nosso olhar se volta para as formas de habitar. Por&eacute;m, tais usos e apropria&ccedil;&otilde;es comumente classificados como informais n&atilde;o se restringem &agrave; casa ou a tipologia de sua constru&ccedil;&atilde;o, estendem-se sob variados formatos que interferem na forma, paisagem e ordenamento da cidade &ldquo;ideal&rdquo;. Diversas s&atilde;o as express&otilde;es cotidianas daqueles que se apropriam e interferem no que foi previamente planejado ou concebido para o espa&ccedil;o urbano, em que destacamos para este estudo a atividade desempenhada pelos trabalhadores de rua, que se expressa no espa&ccedil;o p&uacute;blico.</p>     <p>A atividade desempenhada por tais trabalhadores no espa&ccedil;o da rua n&atilde;o &eacute; mero acaso. Trata-se de trabalhadores que n&atilde;o foram absorvidos pelo mercado de trabalho formal e que revelam uma das faces das desigualdades de oportunidades a que est&aacute; submetida grande parte da popula&ccedil;&atilde;o urbana brasileira. Diversos te&oacute;ricos tentaram entender o fen&ocirc;meno e sua polariza&ccedil;&atilde;o simbolizada na discuss&atilde;o sobre os setores formal e informal da economia. Oliveira (2003) e Santos (2008), dentre outros, nos mostraram que essa dualidade era mais complexa do que os termos &ldquo;formal&rdquo; ou &ldquo;informal&rdquo; podiam denunciar, pois em verdade tratava-se de duas faces de um mesmo processo em nossa economia. Agregando a no&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o em sua formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica sobre o assunto, Santos (2008) em termos gerais demonstrou que num mesmo sistema coexistem e se retroalimentam dois circuitos da economia<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>: um superior, no qual &eacute; poss&iacute;vel satisfazer todas as necessidades de consumo, e o inferior, em que se tendo as mesmas necessidades n&atilde;o h&aacute; o mesmo poder de consumo.</p>     <p>Aproximando-nos de nosso objeto de estudo, inseridos no circuito inferior da economia, temos os trabalhadores de rua e a apropria&ccedil;&atilde;o da rua para o exerc&iacute;cio de sua atividade laboral, o que provavelmente implica em disputa por esse espa&ccedil;o desde seu primeiro instante. Para que uma pessoa defina seu ponto num determinado lugar, &eacute; preciso minimamente que a mercadoria ofertada seja aceita pela popula&ccedil;&atilde;o, que haja demanda. Na medida em que a demanda gerada agrada &eacute; poss&iacute;vel que o ponto possa se estabelecer. Isso significa que uma apropria&ccedil;&atilde;o inicial aos poucos se converte em uso e este uso, por sua vez, converte-se em conquista social na medida em que &eacute; reconhecido como um direito. Este reconhecimento ganha for&ccedil;a principalmente quando o poder p&uacute;blico passa a legislar sobre o assunto e cria normas espec&iacute;ficas para ordenar a maneira como o uso do logradouro p&uacute;blico pode se dar. Neste artigo pretende-se, portanto, explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre as a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico e a apropria&ccedil;&atilde;o da rua pelo trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. No&ccedil;&otilde;es sobre a informalidade</b></p>     <p>Para o desenvolvimento desta pesquisa<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>, considerou-se importante inicialmente compreender quem s&atilde;o os trabalhadores de rua<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> na cidade de Salvador e isso implicou saber em que categoria eles estavam enquadrados, como esse trabalho funcionava, como ele estava inserido nos modos de produ&ccedil;&atilde;o capitalista e, consequentemente, quais eram os desdobramentos da atividade no espa&ccedil;o. Que significado tem para a cidade o trabalho da pessoa que usa o espa&ccedil;o da rua para comercializa&ccedil;&atilde;o de mercadorias? A que categoria da economia este trabalho pertence? Para aproximar-nos das respostas &agrave;s essas quest&otilde;es &eacute; preciso entender, mesmo que brevemente, o que &eacute; a informalidade e como ela se apresenta no Brasil.</p>     <p>De acordo com Costa (2010, p.175), &ldquo;o trabalho informal pode ser conceituado como aquele n&atilde;o regulamentado pelo ordenamento legal do trabalho no pa&iacute;s, sobre o qual, inclusive, a sociedade construiu sua pol&iacute;tica de seguridade social&rdquo;. Nesse sentido, as pol&iacute;ticas de seguridade desenvolvidas pelo Estado dirigiam-se apenas para os trabalhadores formalmente reconhecidos, o que significa para a autora uma &ldquo;cidadania regulada&rdquo;, ou seja, aquela adquirida unicamente pelos indiv&iacute;duos enquadrados na estrutura ocupacional definida e reconhecida pelo Minist&eacute;rio do Trabalho. Nesse contexto, &eacute; importante ainda mencionar a Consolida&ccedil;&atilde;o das Leis Trabalhistas (CLT) que veio para assegurar os direitos dos trabalhadores no campo individual, com o limite &agrave; jornada de trabalho de 8 horas, sal&aacute;rio m&iacute;nimo, f&eacute;rias, 13&ordm; sal&aacute;rio, entre outros benef&iacute;cios e que tamb&eacute;m assegura a representa&ccedil;&atilde;o coletiva, ou seja, a negocia&ccedil;&atilde;o dos termos de trabalho entre patr&otilde;es e trabalhadores, atrav&eacute;s dos sindicatos. Entretanto, esses direitos se dirigem apenas aos trabalhadores formais.</p>     <p>A divis&atilde;o da economia em formal e informal para Filgueiras <i>et al.</i> (2004), al&eacute;m de ser muito simplista, tamb&eacute;m associa o setor informal aos segmentos mais pobres da popula&ccedil;&atilde;o, sem considerar as formas de inser&ccedil;&atilde;o do trabalhador na produ&ccedil;&atilde;o. Os autores chamam aten&ccedil;&atilde;o ainda para o fato de, no Brasil, a informalidade ter sido intensa desde o p&oacute;s-guerra. De acordo com Costa (2010) a r&aacute;pida urbaniza&ccedil;&atilde;o dos anos 60 e 70 n&atilde;o foi capaz de absorver os indiv&iacute;duos que migraram para as cidades; ela se expandiu, por&eacute;m n&atilde;o foi capaz de gerar os empregos na mesma propor&ccedil;&atilde;o dos que destruiu ou dos que a sociedade necessitava. Desse processo decorreu a cria&ccedil;&atilde;o de novas modalidades de trabalho informal ou o pr&oacute;prio desemprego.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Filgueiras et al (2004) no in&iacute;cio dos anos 1980 houve um intenso processo de desestrutura&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho, onde j&aacute; se prenunciava a precariza&ccedil;&atilde;o do emprego. Para Costa (2010) foi a partir da referida d&eacute;cada que as mudan&ccedil;as anal&iacute;ticas do problema da informalidade passaram a se dar em torno de duas situa&ccedil;&otilde;es principais: em torno da perda da centralidade e do dinamismo do setor secund&aacute;rio (que n&atilde;o gerava mais tantos empregos); e em torno da crescente for&ccedil;a do setor de servi&ccedil;os na absor&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho. A informalidade generalizou-se nesse per&iacute;odo, em que se disseminou o discurso de que o caminho para a modernidade passava por reformas no &acirc;mbito das privatiza&ccedil;&otilde;es e da desregulamenta&ccedil;&atilde;o dos mercados produtivos e de trabalho.</p>     <p>Ainda segundo Costa (2010) na d&eacute;cada de 1990 h&aacute; uma acentua&ccedil;&atilde;o no retraimento da economia organizada e do trabalho formal. Com o advento da terceiriza&ccedil;&atilde;o, empregos regulares que contavam com certo ac&uacute;mulo de conquistas sociais foram substitu&iacute;dos por empregos prec&aacute;rios, tempor&aacute;rios e/ou n&atilde;o regulamentados. De acordo com Borges (2007) as transforma&ccedil;&otilde;es dos anos 1990 impactaram a vida dos brasileiros mudando o padr&atilde;o de desenvolvimento, as formas e mecanismos de inser&ccedil;&atilde;o e de perman&ecirc;ncia no mercado de trabalho, e os projetos para o futuro de diversos trabalhadores. Passou-se de uma economia fechada para uma economia aberta, desregulamentada, voltada a atender os interesses neoliberais de agentes externos, que ganharam maior influ&ecirc;ncia, sobretudo, atrav&eacute;s das privatiza&ccedil;&otilde;es de setores estrat&eacute;gicos da economia nacional.</p>     <blockquote>     <p>Finalmente, nesse per&iacute;odo, passou-se de uma economia com elevado dinamismo no seu mercado de trabalho, com gera&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de postos de trabalho (bons e ruins), para uma economia que destr&oacute;i os melhores empregos e gera, quase que exclusivamente, postos de trabalho mal remunerados, desprotegidos e em n&uacute;mero insuficiente. Com isto, o mercado de trabalho brasileiro, estruturalmente marcado pela presen&ccedil;a expressiva da informalidade e do subemprego, aprofunda esses tra&ccedil;os e a eles agrega elevad&iacute;ssimas taxas de desemprego aberto e oculto. (BORGES, 2007:82)</p> </blockquote>     <p>Para Filgueiras et al (2004) a globaliza&ccedil;&atilde;o e a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva na d&eacute;cada de 1990 tamb&eacute;m possuem um papel de destaque, pois resultaram em altas taxas de desemprego, acentua&ccedil;&atilde;o da precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e do emprego, e crescimento das atividades n&atilde;o regulamentadas. A globaliza&ccedil;&atilde;o, por sua vez, favoreceu as empresas a fixarem-se onde havia mais recursos para seus neg&oacute;cios (por exemplo: isen&ccedil;&atilde;o de impostos e m&atilde;o de obra barata). Nesse per&iacute;odo, no Brasil, foram registradas as maiores taxas de desemprego da hist&oacute;ria, bem como uma expans&atilde;o bastante expressiva do setor de servi&ccedil;os, que mesmo assim n&atilde;o foi capaz de absorver o contingente de trabalhadores existente. Ainda de acordo com os autores supramencionados, a amplia&ccedil;&atilde;o da informalidade com a transfer&ecirc;ncia dos trabalhadores que outrora realizavam atividades formais (legais) para as atividades informais (ilegais), deu origem a chamada nova informalidade.</p>     <p>Em um momento recente de nossa hist&oacute;ria, mais precisamente nos anos 2000, uma melhora<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a> na situa&ccedil;&atilde;o do trabalho e do emprego &eacute; verificada no pa&iacute;s, por&eacute;m por um per&iacute;odo muito breve (DIEESE, 2011). Essa fr&aacute;gil melhora n&atilde;o se sustenta face &agrave; crise financeira mundial de 2008, que s&oacute; atingiu a economia brasileira anos depois, em 2015, levando a uma nova desestrutura&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho brasileiro, num mundo ainda mais globalizado, marcado pela acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel e pela precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, ou seja, por um trabalho que &eacute; muito mais inst&aacute;vel e inseguro, pouco capaz de garantir alguma estabilidade no futuro. Sobre este aspecto ainda, de acordo com o DIEESE (2011), em 10 anos houve, de maneira simult&acirc;nea, a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de trabalhadores que associam a procura de trabalho com o exerc&iacute;cio de bicos, e o crescimento para 35,6% da propor&ccedil;&atilde;o daqueles que declararam ter perdido ou deixado o &uacute;ltimo emprego nos &uacute;ltimos 4 meses. Cabe destacar ainda que 40,7% dos desempregados em 2009 permaneceram por at&eacute; 6 meses no &uacute;ltimo posto de trabalho, ou seja, um tempo bastante curto.</p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o sobre a informalidade &eacute; extremamente importante para compreendermos as modifica&ccedil;&otilde;es que o emprego e o trabalho sofreram nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, sobretudo porque muitos destes que enfrentaram dificuldades para entrar no mercado de trabalho desde a d&eacute;cada de 1990, s&atilde;o ainda hoje as pessoas que utilizam o espa&ccedil;o da rua para comercializa&ccedil;&atilde;o de mercadorias.</p>     <p>Nesse sentido, temos o que Santos (2008) apresenta sobre o circuito inferior, entendido como uma consequ&ecirc;ncia das desigualdades oriundas do modelo de crescimento econ&ocirc;mico vigente, baseado em uma distribui&ccedil;&atilde;o de renda desigual. Entender como esses fatores se organizam &eacute; entender como a sociedade se organiza no espa&ccedil;o. Com rela&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores de rua, Santos (2008) entende que os mesmos comp&otilde;em o n&iacute;vel inferior da pulveriza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio, configurando-se como o &ldquo;&uacute;ltimo elo da cadeia de intermedi&aacute;rios entre importadores, industriais, atacadistas e o consumidor&rdquo; (SANTOS, 2008:218). Esta categoria destaca-se por ter menor depend&ecirc;ncia com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua clientela, uma vez que desloca-se &agrave; sua procura. Analisar a configura&ccedil;&atilde;o do trabalho exercido na rua e o rebatimento dessa atividade no espa&ccedil;o que ocupa ajuda, portanto, a entender uma das formas como a economia se expressa no espa&ccedil;o aqui observado, a Avenida Sete de Setembro em Salvador.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. O trabalho no espa&ccedil;o p&uacute;blico</b></p>     <p>O espa&ccedil;o p&uacute;blico reflete as tens&otilde;es do processo de produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano e os conflitos de interesse p&uacute;blico-privados existentes. O espa&ccedil;o, de acordo com Santos (1985), pode ser compreendido como uma inst&acirc;ncia da sociedade, um fator da evolu&ccedil;&atilde;o social que cont&eacute;m e &eacute; contido pelas demais inst&acirc;ncias. A ess&ecirc;ncia do espa&ccedil;o &eacute;, portanto, social, onde ele constitui-se n&atilde;o somente pela paisagem (configura&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica), mas pela soma da mesma com a sociedade. As diferentes maneiras como este espa&ccedil;o &eacute; apropriado, por sua vez, s&atilde;o resultado da maneira como a sociedade se organiza, o que perpassa pela distribui&ccedil;&atilde;o de renda entre os indiv&iacute;duos e por suas necessidades de produ&ccedil;&atilde;o e consumo.</p>     <p>O espa&ccedil;o, portanto, n&atilde;o &eacute; um lugar passivo, como nos lembra Lefebvre (2000), pois nele s&atilde;o contrapostas as for&ccedil;as das rela&ccedil;&otilde;es sociais, onde a hegemonia de uma classe se superp&otilde;e sobre a sociedade como um todo. Para este autor, o espa&ccedil;o &eacute; antes de tudo um produto social, produzido e com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias oriundas de cada sociedade. Ele cont&eacute;m lugares apropriados pelas rela&ccedil;&otilde;es sociais de reprodu&ccedil;&atilde;o e pelas rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o que lhes engendram, organizadas de acordo com a divis&atilde;o do trabalho.</p>     <p>O espa&ccedil;o p&uacute;blico, por sua vez, reflete as tens&otilde;es do processo de produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano e os conflitos de interesse p&uacute;blico-privados existentes. O espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; um conceito pr&oacute;prio do urbanismo, conforme Borja (2003), e costuma ser erroneamente confundido com espa&ccedil;os verdes, equipamentos urbanos ou com o pr&oacute;prio sistema vi&aacute;rio, mas tamb&eacute;m aparece no campo da filosofia pol&iacute;tica como lugar de representa&ccedil;&atilde;o coletiva da sociedade. O autor relaciona a no&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico com a cidade e com a no&ccedil;&atilde;o de cidadania, entendida como um conceito do direito p&uacute;blico. Ele trata da dial&eacute;tica existente entre esses tr&ecirc;s conceitos e afirma que quanto mais espa&ccedil;os p&uacute;blicos uma cidade possua, mais cidadania ela ter&aacute; e, consequentemente, mais conflitos haver&aacute; sobre o uso deste espa&ccedil;o. Isto porque, para o autor, o espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; o local em que a representa&ccedil;&atilde;o da sociedade se torna vis&iacute;vel. &Eacute; um lugar de rela&ccedil;&atilde;o e de identifica&ccedil;&atilde;o entre as pessoas, de contato, de anima&ccedil;&atilde;o urbana e at&eacute; mesmo de express&atilde;o comunit&aacute;ria.</p>     <blockquote>     <p>O espa&ccedil;o p&uacute;blico sup&otilde;e, portanto, dom&iacute;nio p&uacute;blico, uso social e coletivo e multifuncionalidade. Se caracteriza fisicamente por sua acessibilidade, o que o converte em um fator de centralidade. A qualidade do espa&ccedil;o p&uacute;blico poder&aacute; ser avaliada, sobretudo, pela intensidade e qualidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais que facilita, por sua capacidade para gerar misturas de grupos e comportamentos, por sua qualidade de estimular a identifica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, a express&atilde;o e a integra&ccedil;&atilde;o cultural. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio que o espa&ccedil;o p&uacute;blico seja pensado como obra de qualifica&ccedil;&atilde;o do entorno, de intr&iacute;nseca qualidade, assim como a continuidade no espa&ccedil;o urbano e sua capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o, a generosidade de suas formas, de seu desenho e materiais e a adaptabilidade a usos diversos atrav&eacute;s do tempo. (BORJA, 2003:122; tradu&ccedil;&atilde;o nossa)</p> </blockquote>     <p>Para Borja e Mux&iacute; (2000), o espa&ccedil;o p&uacute;blico n&atilde;o pode ser considerado como um espa&ccedil;o residual, pois &eacute; o local que permite o passeio e o encontro, al&eacute;m de ordenar cada zona da cidade, dando-lhes sentido. &Eacute; um lugar ao mesmo tempo f&iacute;sico, simb&oacute;lico e pol&iacute;tico. Para este autor, a hist&oacute;ria de uma cidade se confunde com a hist&oacute;ria do seu espa&ccedil;o p&uacute;blico, pois &eacute; nele que se materializam as rela&ccedil;&otilde;es entre os habitantes e o poder p&uacute;blico. Deve, portanto, garantir a apropria&ccedil;&atilde;o por parte de diferentes coletivos sociais e culturais, de idade e de g&ecirc;nero, em termos de igualdade.</p>     <p>Considera-se, nesse sentido, que o papel da rua merece ser destacado tendo em vista que ela se constitui enquanto espa&ccedil;o p&uacute;blico em ess&ecirc;ncia, onde se observa a atividade pesquisada. A rua tamb&eacute;m pode ser entendida como lugar da socializa&ccedil;&atilde;o, da circula&ccedil;&atilde;o, do com&eacute;rcio e das trocas. Pode-se considerar que a apropria&ccedil;&atilde;o deste espa&ccedil;o p&uacute;blico pelos comerciantes dinamiza o seu uso, conferindo caracter&iacute;sticas a este lugar que n&atilde;o podem ser observadas com a mesma &ecirc;nfase em outros locais da cidade. As ruas talvez sejam o local da cidade onde mais claramente se evidencia o dissenso e as contradi&ccedil;&otilde;es contidas no processo de planejamento.</p>     <p>Jacobs (2011) observa que para que uma rua se mantenha sua din&acirc;mica, ou seja, para que tenha vida, &eacute; preciso que gere diversidade. Para isso, a monotonia residencial deve ser quebrada pela presen&ccedil;a de op&ccedil;&otilde;es de com&eacute;rcio variadas e de atrativos culturais. Teoricamente isso torna-se mais f&aacute;cil de ser alcan&ccedil;ado pelas cidades grandes, naturalmente geradoras de diversidade e incubadoras de novos empreendimentos e ideias. Contudo, isto s&oacute; se verifica na pr&aacute;tica se houver diversas e eficientes combina&ccedil;&otilde;es de usos econ&ocirc;micos na cidade. As situa&ccedil;&otilde;es capazes de gerar tal diversidade dependem, para a autora, basicamente de quatro condi&ccedil;&otilde;es essenciais: 1) atender a mais de duas fun&ccedil;&otilde;es principais (lazer, moradia e trabalho, por exemplo), o que garante que haja pessoas saindo em diferentes hor&aacute;rios e otimiza o uso da infraestrutura dispon&iacute;vel; 2) as quadras devem ser curtas, o que possibilita aos usu&aacute;rios a oportunidade de virar esquinas, ou seja, diminui-se a possibilidade de existirem ruas isoladas, separadas e desassistidas pela popula&ccedil;&atilde;o; 3) uma combina&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios de idades e estados de conserva&ccedil;&atilde;o diversos, o que pode gerar rendimento econ&ocirc;mico variado, pois pr&eacute;dios antigos podem ser alugados por com&eacute;rcios ou servi&ccedil;os que n&atilde;o tem recursos para investir em novos edif&iacute;cios; 4) densidade alta de pessoas, sobretudo incluindo pessoas com o prop&oacute;sito de morar no lugar. Este &uacute;ltimo aspecto &eacute; importante por favorecer a concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas no bairro, que habitualmente s&atilde;o as que mais consomem dos pequenos com&eacute;rcios, o que amplia mais a diversidade de usos.</p>     <p>Tais condi&ccedil;&otilde;es problematizadas por Jacobs (2011), mais do que garantir o uso das ruas, implicam tamb&eacute;m em sua apropria&ccedil;&atilde;o pelos mais diversos tipos de usu&aacute;rios. Na rua, a apropria&ccedil;&atilde;o de suas formas, por sua vez, pode ocorrer de diversas maneiras. Para Santos &amp; Vogel (1985) apropriar-se de um ponto, por exemplo, em um determinado local atrav&eacute;s de uma atividade, implica particulariz&aacute;-lo, ou seja, privatiz&aacute;-lo, n&atilde;o apenas pela especializa&ccedil;&atilde;o dada por seu uso, mas tamb&eacute;m pelo tipo de vincula&ccedil;&atilde;o ao grupo de pessoas que passa a se utilizar desse lugar. O que define o &ldquo;ponto&rdquo; &eacute; o exerc&iacute;cio regular de uma determinada atividade. Para os autores, essa atividade pertenceria ao dom&iacute;nio p&uacute;blico, pois sem ele n&atilde;o seria poss&iacute;vel &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do mesmo. Entretanto, esse ponto pode ser ou n&atilde;o reconhecido. No caso de n&atilde;o ser, &eacute; a pr&oacute;pria atividade que confere a sua significa&ccedil;&atilde;o, tornando-o pass&iacute;vel de ser identificado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os conceitos de apropria&ccedil;&atilde;o, particulariza&ccedil;&atilde;o e privatiza&ccedil;&atilde;o quando trabalhados por Santos &amp; Vogel (1985), contudo, talvez n&atilde;o tivessem a mesma distin&ccedil;&atilde;o conceitual atual.&nbsp; Hoje, por exemplo, a apropria&ccedil;&atilde;o pode n&atilde;o implicar necessariamente em uma privatiza&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>. &Eacute; importante ressaltar que a apropria&ccedil;&atilde;o aqui &eacute; entendida como o ato de tomar posse de algo que, a princ&iacute;pio, n&atilde;o lhe pertenceria ou, como &eacute; o caso do espa&ccedil;o p&uacute;blico, do lugar que pertence a todos.</p>     <p>Nesse sentido, consideramos significativo mencionar a defini&ccedil;&atilde;o de Roger Chartier sobre o conceito de apropria&ccedil;&atilde;o, que embora relacionado &agrave;s suas pesquisas no &acirc;mbito da Hist&oacute;ria Cultural, nos parece bem interessante por atribuir ao conceito um uso inventivo e criador. Ele nos diz:</p>     <blockquote>     <p>Existe a apropria&ccedil;&atilde;o no sentido da hermen&ecirc;utica, que consiste no que os indiv&iacute;duos fazem com o que recebem, e que &eacute; uma forma de inven&ccedil;&atilde;o, de cria&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o desde o momento em que se apoderam dos textos ou dos objetos recebidos. Desta maneira, o conceito de apropria&ccedil;&atilde;o pode misturar o controle e a inven&ccedil;&atilde;o, pode articular a imposi&ccedil;&atilde;o de um sentido e a produ&ccedil;&atilde;o de novos sentidos (CHARTIER, 2001:67).</p> </blockquote>     <p>Para Chartier (2001), no &acirc;mbito da cultura, h&aacute; sempre uma vontade de controle sobre a apropria&ccedil;&atilde;o, sendo esta o resultado de uma tens&atilde;o entre o desejo de controle e monop&oacute;lio (do compositor de uma m&uacute;sica ou autor de um livro, por exemplo) e a vontade de conquista (de quem escuta a m&uacute;sica ou l&ecirc; o livro). Isto se d&aacute; porque, do lado de quem cria, h&aacute; a tentativa de fixar um sentido &uacute;nico para a obra, e a apropria&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a forma como as pessoas tomam para si o sentido da obra, e que dificilmente pode ser controlada. Para Chartier, portanto, a apropria&ccedil;&atilde;o se d&aacute; nesse conflito.</p>     <p>No nosso caso estamos falando do espa&ccedil;o p&uacute;blico, e nele verificamos o conflito latente entre o concebido pelo planejamento urbano e as formas como esse mesmo espa&ccedil;o &eacute; vivido e apropriado pelas pessoas. Dessa ambiguidade podem resultar tanto pra&ccedil;as abandonadas quanto estacionamentos apropriados por crian&ccedil;as para brincadeiras, por exemplo. Assim, da mesma forma que &eacute; poss&iacute;vel usar uma caixa de f&oacute;sforos para fazer m&uacute;sica, os indiv&iacute;duos s&atilde;o capazes de tomar para si, de apropriar-se de espa&ccedil;os, para desenvolver outros usos que n&atilde;o os inicialmente propostos pelo planejador.</p>     <p>Na medida em que a apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o aqui analisada se d&aacute; por meio do trabalho que &eacute; exercido na rua, cabe destacar que este &eacute; convertido por essa pr&aacute;tica em um novo espa&ccedil;o de consumo e a jun&ccedil;&atilde;o de atividades formais e informais, por sua vez, contribui para a converg&ecirc;ncia de fluxos que reafirmam a centralidade no lugar onde observamos sua ocorr&ecirc;ncia. Diversos tipos de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico s&atilde;o poss&iacute;veis, por&eacute;m nos chama aten&ccedil;&atilde;o o fato de que no caso dos trabalhadores de rua, esta apropria&ccedil;&atilde;o passe a ser reconhecida pelo Poder P&uacute;blico e passe a incorporar o quadro de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas desenvolvidas pelo Estado. Em outras palavras, isto significa que a apropria&ccedil;&atilde;o &eacute; incorporada pelo planejamento na medida em que ela passa a ser entendida como um direito. Antes, por&eacute;m, de apresentarmos como as a&ccedil;&otilde;es do planejamento urbano se deram sobre a atividade do trabalhador de rua nos &uacute;ltimos anos, cabe caracterizar e apresentar a &aacute;rea em estudo: A Avenida Sete de Setembro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. O espa&ccedil;o p&uacute;blico em quest&atilde;o: a Avenida Sete de Setembro</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Avenida Sete de Setembro &eacute; uma das principais vias urbanas do munic&iacute;pio de Salvador. Al&eacute;m de ter sido palco de diversos acontecimentos hist&oacute;ricos, ao longo da Avenida Sete est&atilde;o diversos marcos arquitet&ocirc;nicos importantes como o Mosteiro de S&atilde;o Bento e o Convento das Merc&ecirc;s, por exemplo. Ao analisarmos tamb&eacute;m a localiza&ccedil;&atilde;o da referida Avenida, podemos observar que ela corta alguns bairros do centro antigo de Salvador, os quais n&atilde;o ser&atilde;o detalhadamente apresentados aqui, com exce&ccedil;&atilde;o ao bairro Dois de Julho, onde tamb&eacute;m &eacute; fortemente notada a presen&ccedil;a de trabalhadores de rua.</p>     <p>Em Salvador, as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX podem ter sido marcadas pela estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, mas n&atilde;o pela letargia urbana. De acordo com Flexor (2011) os problemas da cidade foram enfrentados sob a luz dos ideais higienistas, bem como foram feitas tentativas de criar condi&ccedil;&otilde;es para a moderniza&ccedil;&atilde;o da cidade. Dentre as interven&ccedil;&otilde;es do per&iacute;odo, destaca-se o alargamento da Avenida Sete de Setembro entre os anos de 1912-1916, principal obra do governo de J.J. Seabra, realizada seguindo os moldes do &ldquo;urbanismo demolidor&rdquo; parisiense, que fora protagonizado pelo bar&atilde;o de Haussmann. As obras desse per&iacute;odo visavam romper com o tra&ccedil;ado colonial, de modo a ordenar e higienizar a cidade que se expandia em dire&ccedil;&atilde;o ao sul. O plano de J.J. Seabra contava com financiamento internacional, que teve seu andamento prejudicado com o acontecimento da Primeira Guerra Mundial. Gra&ccedil;as a este fato, diversos pr&eacute;dios hist&oacute;ricos deixaram de ser demolidos ao longo do trajeto da avenida, pois os recursos destinados &agrave; obra foram reduzidos, o que for&ccedil;ou algumas mudan&ccedil;as na execu&ccedil;&atilde;o do que foi planejado. Ainda assim, conforme Pinheiro (2011) cabe destacar que alguns pr&eacute;dios hist&oacute;ricos n&atilde;o escaparam e foram demolidos em prol do alargamento da Avenida Sete, como &eacute; o caso da Igreja de S&atilde;o Pedro Velho.</p>     <p>Ainda de acordo com Pinheiro (2011) o objetivo da reforma da Avenida Sete era desafogar o Distrito da S&eacute;. O tra&ccedil;ado da via projetada tem 4,6km de extens&atilde;o, 21m de largura e 3m de cal&ccedil;ada. Uma parte da avenida est&aacute; situada no Distrito de S&atilde;o Pedro, &aacute;rea que compreende 1,5km do total da via e que outrora fora ocupada pela elite econ&ocirc;mica e intelectual de Salvador, por&eacute;m que passou por um processo de empobrecimento, tendo muitas de suas edifica&ccedil;&otilde;es convertidas em corti&ccedil;os. A atividade dos trabalhadores de rua &eacute; justamente observada no trecho que corresponde ao Distrito de S&atilde;o Pedro, que vai do Mosteiro de S&atilde;o Bento ao Forte de S&atilde;o Pedro. A partir do Campo Grande a Avenida Sete de Setembro faz parte do Distrito da Vit&oacute;ria, uma das &aacute;reas mais enobrecidas da cidade, onde partes de seu trajeto s&atilde;o popularmente denominados de Corredor da Vit&oacute;ria e Ladeira da Barra. De l&aacute; seu tra&ccedil;ado segue at&eacute; a Barra (<a href="#f1">figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a04f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O Centro Antigo e o Centro Hist&oacute;rico de Salvador<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> aos poucos perderam parte de seu prest&iacute;gio. Na Rua Chile, por exemplo, que tinha grande import&acirc;ncia para o com&eacute;rcio e servi&ccedil;os da cidade, as principais lojas e estabelecimentos de luxo foram deslocados para outras regi&otilde;es. Segundo Gomes &amp; Fernandes (1995), j&aacute; nos anos 1950 o varejo fino da cidade, que antes se concentrava na rua supracitada, come&ccedil;ava a se direcionar para a Avenida Sete de Setembro. &Eacute; de se considerar tamb&eacute;m o impacto que a amplia&ccedil;&atilde;o do sistema vi&aacute;rio com a abertura das Avenidas de Vale proporcionou &agrave; cidade, que pode se desenvolver em novas dire&ccedil;&otilde;es, o que, conseq&uuml;entemente, impactou diretamente no fluxo de pessoas que redirecionaram seus deslocamentos para novas centralidades.</p>     <p>Na d&eacute;cada de 1960, segundo Margarete Oliveira (2003), a cria&ccedil;&atilde;o do Centro Industrial de Aratu (CIA), dentre outros fatores, contribuiu para que o crescimento f&iacute;sico da cidade fosse direcionado para o vetor norte. Nessa regi&atilde;o, al&eacute;m do favorecimento da malha vi&aacute;ria, a constru&ccedil;&atilde;o do Shopping Iguatemi Salvador, a implanta&ccedil;&atilde;o da Esta&ccedil;&atilde;o Rodovi&aacute;ria e o Centro Administrativo da Bahia (CAB)&nbsp;na Avenida Paralela foram empreendimentos que redirecionaram e redimensionaram os fluxos da cidade.</p>     <p>Esse conjunto de acontecimentos contribuiu para que o Centro Antigo e sua principal avenida vissem a sofistica&ccedil;&atilde;o e o luxo outrora existentes serem substitu&iacute;dos por um varejo mais popular. Contudo, o fluxo de pessoas que se deslocam diariamente para a &aacute;rea n&atilde;o se tornou menos importante. Nesse contexto, assume grande destaque um equipamento erguido nas proximidades da Avenida Sete: a Esta&ccedil;&atilde;o da Lapa, inaugurada na d&eacute;cada de 1980. Para o terminal de transporte da Esta&ccedil;&atilde;o da Lapa se dirigem, segundo a Transalvador&nbsp;(2010), 92 linhas de transporte, num contingente de cerca de 278 &ocirc;nibus/hora ou cerca de 260.000 passageiros/dia. Ressalta-se ainda que, no ano de 2014, houve a inaugura&ccedil;&atilde;o da Linha 1 do metr&ocirc;, que atualmente vai da Esta&ccedil;&atilde;o da Lapa at&eacute; o Acesso Norte, e que transportou no m&ecirc;s de abril de 2015 uma m&eacute;dia de 31 mil usu&aacute;rios por dia, segundo informa&ccedil;&otilde;es contidas no site da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>). Cabe ainda destacar que na regi&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m duas grandes superf&iacute;cies comerciais: os <i>shoppings centers</i> Lapa e Piedade, que atraem um n&uacute;mero significativo de viagens, o que pode ser constatado pelos n&uacute;meros apresentados por suas administra&ccedil;&otilde;es, que informam em seus sites que por ali circulam cerca de 70 e 100 mil pessoas/dia, respectivamente<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>. Essas estimativas sobre o n&uacute;mero de pessoas que circulam na &aacute;rea indicam n&atilde;o somente o volume de transeuntes, mas tamb&eacute;m o grande n&uacute;mero de empregos que a regi&atilde;o concentra, sejam eles formais ou informais.</p>     <p>A Avenida Sete de Setembro, ent&atilde;o, mant&eacute;m sua grande import&acirc;ncia para a cidade, pois corta uma &aacute;rea onde h&aacute; grande concentra&ccedil;&atilde;o de atividades comerciais e de servi&ccedil;os, al&eacute;m de institui&ccedil;&otilde;es como igrejas e escolas. Ainda &eacute; palco dos principais eventos c&iacute;vicos e de protesto que acontecem na cidade e, por contar com um grande n&uacute;mero de transeuntes que se deslocam diariamente pelo local, seja para trabalhar, estudar ou consumir mercadorias e/ou servi&ccedil;os, tende a ser bastante procurada por trabalhadores de rua para desenvolver suas atividades laborais. Por este motivo, diversas interven&ccedil;&otilde;es foram e s&atilde;o planejadas pelo poder p&uacute;blico. Interven&ccedil;&otilde;es e propostas que datam desde o s&eacute;culo XIX, no per&iacute;odo pr&oacute;ximo &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura, quando escravos de ganho e quitandeiras podiam comercializar produtos apenas em cantos espec&iacute;ficos da cidade. N&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel, entretanto, aprofundarmo-nos nessas quest&otilde;es hist&oacute;ricas, pois o recorte aqui proposto &eacute; contempor&acirc;neo. Contudo, n&atilde;o poder&iacute;amos deixar de pontuar que este &eacute; tamb&eacute;m um tra&ccedil;o hist&oacute;rico, que demonstra como o ato de utilizar o espa&ccedil;o da rua para vender mercadorias faz parte da nossa heran&ccedil;a cultural. Apresentaremos a seguir as principais a&ccedil;&otilde;es de planejamento que incidiram sobre a referida Avenida, entre os anos de 1992 e 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Projetos elaborados para regula&ccedil;&atilde;o da atividade do trabalhador de rua em Salvador/BA</b></p>     <p>O exerc&iacute;cio da atividade comercial em via p&uacute;blica vem sendo alvo de interven&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico, que tem suas a&ccedil;&otilde;es tanto no sentido de coibir quanto de regular a atividade. No recorte de tempo aqui proposto, entre 1988 e 2014<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>, na cidade de Salvador, foram elaboradas algumas propostas por distintas gest&otilde;es municipais no sentido de organizar a atividade do trabalhador de rua na regi&atilde;o da Avenida Sete e do bairro Dois de Julho, mais precisamente nos anos de 1992, 1997 e 2014. Cada um dos projetos ser&aacute; brevemente apresentado, focando principalmente nas principais caracter&iacute;sticas de cada um dos tipos de interven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O primeiro projeto foi proposto no ano de 1992, na gest&atilde;o do prefeito Fernando Jos&eacute; Guimar&atilde;es Rocha e contou com consultoria de dois economistas de refer&ecirc;ncia: Jo&atilde;o Carlos Ara&uacute;jo e Fernando Pedr&atilde;o. No relat&oacute;rio do projeto, h&aacute; uma importante contextualiza&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico da informalidade &agrave; &eacute;poca, destacada como um dos mais relevantes problemas da cidade. A referida proposta tinha a pretens&atilde;o de &ldquo;implementar uma solu&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica que integre os trabalhadores atualmente localizados em um dos mais importantes e tradicionais espa&ccedil;os da cidade&rdquo; (PREFEITURA MUNICIPAL SALVADOR, 1992:4). Este espa&ccedil;o &eacute; sinalizado como o circuito compreendido entre a Pra&ccedil;a da S&eacute; e o Campo Grande.</p>     <p>Para aquela gest&atilde;o da prefeitura, a utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico implicava em custos e as atividades localizadas nos logradouros p&uacute;blicos deveriam, portanto, dentro de suas possibilidades, contribuir com a manuten&ccedil;&atilde;o desses locais. Al&eacute;m das propostas de interven&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica que visavam tanto organizar a atividade no local, quanto redistribui-la na cidade, havia tamb&eacute;m diretrizes no &acirc;mbito social no sentido de incentivar a promo&ccedil;&atilde;o de programas para orienta&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador de rua.</p>     <p>Fica evidenciado, atrav&eacute;s do relat&oacute;rio, que a inten&ccedil;&atilde;o da prefeitura naquele per&iacute;odo era de implementar uma pol&iacute;tica voltada para as atividades informais, nas quais estavam inclu&iacute;das a atividade do trabalhador de rua (ambulantes), das barracas de praia, bancas de chapa e feirantes. Nota-se ainda uma preocupa&ccedil;&atilde;o de incorporar a problem&aacute;tica da informalidade no planejamento urbano da cidade, pois a proposta conta com o estabelecimento de diretrizes para a quest&atilde;o e n&atilde;o somente com uma orienta&ccedil;&atilde;o para interven&ccedil;&otilde;es pontuais.</p>     <p>O relat&oacute;rio do referido projeto nos traz um pouco da evolu&ccedil;&atilde;o pela qual o conceito da informalidade passou desde a d&eacute;cada de 1970, destacando a imprecis&atilde;o conceitual utilizada e a pluralidade de formas de trabalho nas quais se inclui o uso do termo. Contudo, considera-se que tais conceitos t&ecirc;m pouco a oferecer se n&atilde;o forem postos em contato com a realidade do cotidiano urbano. Neste sentido, a informalidade &eacute; compreendida no &acirc;mbito do projeto como um produto da urbaniza&ccedil;&atilde;o, fruto da atividade urbana cont&iacute;nua, onde cada tipo de cidade possui um quadro de informalidade correspondente, cuja composi&ccedil;&atilde;o muda ao longo do tempo, o que reflete as mudan&ccedil;as demogr&aacute;ficas e econ&ocirc;micas pelas quais a cidade passa. Reconhece-se ent&atilde;o que a informalidade transcende a quest&atilde;o da marginalidade e reflete estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia de trabalhadores exclu&iacute;dos do mercado formal, de maneira que n&atilde;o parece muito interessante a proposi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que ignorem a quest&atilde;o ou visem extingui-la.</p>     <p>Tendo em vista esta concep&ccedil;&atilde;o da informalidade pelo poder p&uacute;blico &agrave; &eacute;poca, o objeto das interven&ccedil;&otilde;es se concentraram em dois eixos: o primeiro, no que se refere &agrave;s atividades informais exercidas em logradouro p&uacute;blico e o segundo, na implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica social voltada para redefinir o quadro de pobreza urbana verificado na cidade. Para orientar os estudos e proposi&ccedil;&otilde;es foram tamb&eacute;m pensados alguns poss&iacute;veis cen&aacute;rios futuros no que se refere ao desempenho da economia baiana, onde se revelou como mais prov&aacute;vel o cen&aacute;rio que previa uma estagna&ccedil;&atilde;o generalizada da economia, com a continuidade de uma pol&iacute;tica recessiva do governo federal, aus&ecirc;ncia de investimentos e aumento do subemprego e emprego. Tal perspectiva apontava para a necessidade de que o munic&iacute;pio de Salvador viesse a assumir iniciativas voltadas para sustentar o n&iacute;vel de ocupa&ccedil;&atilde;o e renda de sua popula&ccedil;&atilde;o, atuando n&atilde;o apenas de forma ordenadora.</p>     <p>Os resultados das pesquisas realizadas indicaram, dentre outros fatores, que havia uma expressiva demanda de consumo que s&oacute; podia ser atendida por este tipo de com&eacute;rcio, que ofertava mercadorias a pre&ccedil;os menores. Al&eacute;m disso, o mercado informal se apresentava tamb&eacute;m como alternativa de sobreviv&ecirc;ncia de parcela importante da popula&ccedil;&atilde;o. Estes fatores s&atilde;o apontados pelo referido estudo como motiva&ccedil;&atilde;o para ado&ccedil;&atilde;o de uma postura proativa da prefeitura com rela&ccedil;&atilde;o a atividade, a quem caberia a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para que essas pessoas pudessem garantir o seu sustento. Neste sentido, h&aacute; uma importante indica&ccedil;&atilde;o no que diz respeito a integra&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o da informalidade ao planejamento urbano da cidade, de modo a trat&aacute;-la n&atilde;o apenas como uma problem&aacute;tica isolada ou setorial.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na gest&atilde;o do prefeito Ant&ocirc;nio Imbassahy foi elaborado um novo projeto com vista ao ordenamento do com&eacute;rcio informal na cidade de Salvador, publicado no ano de 1997. O projeto faz refer&ecirc;ncia aos estudos realizados em 1992, reconhecendo o cen&aacute;rio de agravamento da crise na economia nos anos 1990 apontado por aquele estudo, que colaborou efetivamente com a crise no emprego e levou muitos trabalhadores a recorrerem ao mercado informal como uma alternativa de sobreviv&ecirc;ncia.</p>     <p>De acordo com as an&aacute;lises realizadas em 1997, a din&acirc;mica do centro antigo foi mantida e tensionada principalmente em raz&atilde;o do movimento de passageiros da Esta&ccedil;&atilde;o da Lapa e da presen&ccedil;a dos diversos servi&ccedil;os dispon&iacute;veis neste lugar, o que o constituiu como a maior concentra&ccedil;&atilde;o de trabalhadores de rua da cidade. Considerando que o projeto proposto em 1992 n&atilde;o foi efetuado, o projeto de 1997 toma os objetivos do trabalho anteriormente citado como refer&ecirc;ncia, por&eacute;m com a pretens&atilde;o de efetuar uma interven&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter emergencial. Acreditamos que tal car&aacute;ter emergencial, embora n&atilde;o esteja explicitado nos relat&oacute;rios encontrados, se relaciona com a crise do emprego dos anos 1990 que influenciou diretamente no aumento da informalidade. Entre os objetivos desta gest&atilde;o est&atilde;o: gerir os conflitos existentes entre a atividade do com&eacute;rcio informal e os interesses globais da popula&ccedil;&atilde;o; assegurar o uso coletivo dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos; compatibilizar a atividade com o sistema de circula&ccedil;&atilde;o de pedestres; evitar o comprometimento da paisagem e do patrim&ocirc;nio em decorr&ecirc;ncia da atividade do com&eacute;rcio informal; e padronizar os equipamentos utilizados pelos trabalhadores.</p>     <p>O estudo verificou a exist&ecirc;ncia de 1.620 pontos de comercializa&ccedil;&atilde;o existentes na Av. Joana Ang&eacute;lica e Av. Sete de Setembro. De acordo com as informa&ccedil;&otilde;es contidas no relat&oacute;rio, houve um crescimento de 64,47% da atividade nesta &aacute;rea desde 1992, onde se destaca a comercializa&ccedil;&atilde;o de aparelhos eletro-eletr&ocirc;nicos. A comercializa&ccedil;&atilde;o de tais artigos importados, por sua vez, &eacute; considerada como incompat&iacute;vel com as caracter&iacute;sticas do centro antigo, e contribuiriam para descaracterizar o desenho desta regi&atilde;o da cidade, pois demandariam uma amplia&ccedil;&atilde;o dos passeios em fun&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o para exposi&ccedil;&atilde;o que demandam, o que, consequentemente, viria a prejudicar o desempenho e a fluidez do tr&acirc;nsito. Tais motivos justificavam o remanejamento da atividade para outros locais.</p>     <p>A proposta da gest&atilde;o do prefeito Imbassahy era de ordenar a atividade confinando-a em trechos espec&iacute;ficos e transversais existentes do lado esquerdo da Avenida Sete de Setembro, no sentido de quem est&aacute; na Pra&ccedil;a Castro Alves e vai para o Campo Grande, com exce&ccedil;&atilde;o ao trecho correspondente &agrave; Ladeira de S&atilde;o Bento, onde se permitiria a ocupa&ccedil;&atilde;o em ambos os lados. Nestes trechos haveria a instala&ccedil;&atilde;o de baias e corrim&atilde;os de prote&ccedil;&atilde;o. Para a execu&ccedil;&atilde;o da proposta, previa-se a transfer&ecirc;ncia dos trabalhadores da Pra&ccedil;a da Piedade e Pra&ccedil;a Rio Branco (Rel&oacute;gio de S&atilde;o Pedro) para as transversais. Do Largo de S&atilde;o Bento deveriam ser retirados todos os trabalhadores do com&eacute;rcio informal, restando apenas um ponto para comercializa&ccedil;&atilde;o de acaraj&eacute;.</p>     <p>Enquanto os estudos de 1992 reconheciam que os produtos comercializados na regi&atilde;o eram em sua maioria de g&ecirc;neros aliment&iacute;cios e que isso demandaria uma a&ccedil;&atilde;o de orienta&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico no que se refere &agrave; higiene, o estudo de 1997 informa n&atilde;o ter realizado um zoneamento por tipo de mercadoria, mas que &ldquo;as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de higiene na comercializa&ccedil;&atilde;o de frutas e verduras, determinaram a sua exclus&atilde;o das atividades permitidas&rdquo; (PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR, 1997, p.9).</p>     <p>Apesar de ser inspirado na proposta elaborada em 1992 (<a href="#f2">Figura 2</a>), o projeto de 1997 (<a href="#f3">Figura 3</a>), segrega a atividade do com&eacute;rcio informal, pois prev&ecirc; a sua retirada quase completa da Avenida Sete e da Avenida Joana Ang&eacute;lica. Por tratar-se de uma medida de car&aacute;ter emergencial, a atualiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa feita pela proposta da gest&atilde;o anterior tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; totalmente realizada, limitando-se apenas &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de um novo quantitativo por &aacute;rea e das estimativas de crescimento ou decr&eacute;scimo da atividade entre os per&iacute;odos analisados. Al&eacute;m disso, fica evidente o car&aacute;ter repressivo da medida, uma vez que n&atilde;o s&atilde;o propostas solu&ccedil;&otilde;es para casos como o da comercializa&ccedil;&atilde;o de frutas e verduras, por exemplo, colocando a atua&ccedil;&atilde;o da prefeitura no sentido da proibi&ccedil;&atilde;o da venda desses produtos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a04f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a04f3.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Somente em 2014 a quest&atilde;o do trabalhador de rua voltou a ser tratada no &acirc;mbito do planejamento urbano da cidade de Salvador, ap&oacute;s um hiato de 10 anos sem que nenhuma proposta fosse apresentada pelo poder p&uacute;blico, per&iacute;odo que corresponde &agrave; gest&atilde;o do prefeito Jo&atilde;o Henrique Carneiro, eleito duas vezes entre os anos de 2005 &agrave; 2012. Esta lacuna no tratamento da quest&atilde;o justificou uma a&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m realizada em car&aacute;ter emergencial, pela gest&atilde;o do prefeito Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es Neto, iniciada no ano de 2013, poucos meses ap&oacute;s sua posse. Ressaltamos que o car&aacute;ter emergencial desta vez n&atilde;o se relaciona com uma crise no emprego, j&aacute; que no referido per&iacute;odo houve decr&eacute;scimo da taxa de desemprego no pa&iacute;s. A emerg&ecirc;ncia parece estar relacionada, ent&atilde;o, com a aus&ecirc;ncia da quest&atilde;o nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas propostas e realizadas pelo poder p&uacute;blico na gest&atilde;o anterior. Cabe destacar tamb&eacute;m que a nova gest&atilde;o da prefeitura tem tido a&ccedil;&otilde;es que privilegiam os interesses corporativos e gentrificadores na regi&atilde;o do centro antigo da cidade, sobre os quais n&atilde;o poderemos nos aprofundar no momento.<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a></p>     <p>A a&ccedil;&atilde;o proposta no &acirc;mbito da gest&atilde;o 2013-2016 vem sendo executada atrav&eacute;s da Secretaria de Ordem P&uacute;blica (SEMOP), que carrega em si a miss&atilde;o disciplinadora do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Sua interven&ccedil;&atilde;o aparece no &acirc;mbito do plano de requalifica&ccedil;&atilde;o e reordenamento de ambulantes de Salvador, que se desdobra em tr&ecirc;s projetos principais: Requalifica&ccedil;&atilde;o da Av. Sete de Setembro &ndash; ordenamento do com&eacute;rcio informal; Requalifica&ccedil;&atilde;o do Mercado 2 de Julho; e Projeto Avenida Sete &ndash; territ&oacute;rio empreendedor.</p>     <p>Aqui nos detemos as informa&ccedil;&otilde;es contidas no projeto: &ldquo;Requalifica&ccedil;&atilde;o da Av. Sete de Setembro &ndash; ordenamento do com&eacute;rcio informal&rdquo;, por&eacute;m, n&atilde;o foi poss&iacute;vel ter acesso ao plano de maneira integral, pois o mesmo n&atilde;o foi publicado, nem tampouco disponibilizado pela atual gest&atilde;o. Contudo, teve-se acesso aos documentos das a&ccedil;&otilde;es mencionadas anteriormente, onde constam basicamente pranchas de plantas baixas e vistas do projeto executado.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a> Diferentemente do que se relata sobre o projeto elaborado em 1997 na gest&atilde;o de Imbassahy, o processo de ordenamento de 2013-2015 contou com a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es entre as associa&ccedil;&otilde;es e sindicatos de trabalhadores do com&eacute;rcio informal e o poder p&uacute;blico, com parceria do SEBRAE. Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o dessas reuni&otilde;es com as lideran&ccedil;as, a nova secretaria chega a um projeto que prev&ecirc; a transfer&ecirc;ncia de todos os trabalhadores da Avenida Sete de Setembro para as transversais constantes na <a href="#f4">figura 4</a>, contemplando apenas aqueles que possuem licen&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a04f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Iniciado no m&ecirc;s de junho do ano de 2013, no final do ano de 2014 a obra j&aacute; contava com a reforma estrutural de praticamente todas as transversais da Avenida Sete de Setembro, restando apenas para conclus&atilde;o a reforma da Pra&ccedil;a do Rel&oacute;gio de S&atilde;o Pedro, Rua Onze de Junho, Rua Vinte e Um de Abril e Rua Nova de S&atilde;o Bento. Na <a href="#f5">Figura 5</a> pode-se observar o que fora divulgado por meio de jornais de circula&ccedil;&atilde;o local a respeito do projeto de requalifica&ccedil;&atilde;o. Trata-se de perspectivas da nova estrutura de trabalho e mobili&aacute;rio proposto. A <a href="#f6">Figura 6</a> traz o registro de uma das ruas que j&aacute; passaram pela reforma.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a04f5.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a04f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nas 13 &aacute;reas o projeto executado conta com obras de saneamento, ilumina&ccedil;&atilde;o e pavimenta&ccedil;&atilde;o, onde a pedra portuguesa foi substitu&iacute;da por piso intertravado e se inseriu rota acess&iacute;vel para o uso de pessoa com defici&ecirc;ncia visual. Houve tamb&eacute;m a implanta&ccedil;&atilde;o de cobertura em policarbonato sobre estrutura met&aacute;lica (SALVADOR, 2014). Alguns aspectos relativos &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o do projeto, entretanto, s&atilde;o question&aacute;veis. &Eacute; o caso, por exemplo, da n&atilde;o exist&ecirc;ncia de calhas para captar e canalizar a &aacute;gua da chuva e do conforto t&eacute;rmico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>O mercado de trabalho brasileiro &eacute; marcado pelos efeitos de uma industrializa&ccedil;&atilde;o tardia, que destruiu as ocupa&ccedil;&otilde;es tradicionais de boa parte da popula&ccedil;&atilde;o. Se no campo a estagna&ccedil;&atilde;o ou a mecaniza&ccedil;&atilde;o diminu&iacute;ram as possibilidades de trabalho das pessoas por substitu&iacute;-las, nas cidades, passou-se a aglutinar uma grande massa populacional que n&atilde;o foi absorvida pelo mercado de trabalho que come&ccedil;ava a se consolidar. Um mercado que, portanto, sempre foi excludente, e que traz as cicatrizes de um passado baseado num regime escravista, sobretudo considerando a cidade de Salvador. &Agrave;s margens desse mercado e com poucas perspectivas de inser&ccedil;&atilde;o provocadas por desigualdades hist&oacute;ricas, como o acesso prec&aacute;rio &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, saneamento b&aacute;sico, sa&uacute;de, habita&ccedil;&atilde;o, etc., temos indiv&iacute;duos que buscam a sobreviv&ecirc;ncia atrav&eacute;s de formas criativas, por&eacute;m tamb&eacute;m frequentemente bastante precarizadas. Assim, vimos brevemente como esses tra&ccedil;os foram aprofundados, sobretudo na d&eacute;cada de 1990, quando a globaliza&ccedil;&atilde;o e a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva pela qual o mundo capitalista passou contribu&iacute;ram para um agravamento da situa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Tais acontecimentos t&ecirc;m diversos desdobramentos no espa&ccedil;o, como a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas inadequadas para a moradia e comumente distantes dos centros urbanos, por exemplo. Na perspectiva em que trabalhamos, esse desdobramento se d&aacute; numa escala de maior proximidade, na escala da rua e do cotidiano. Aos olhos de todos, ricos ou pobres. No olho da rua de um dos centros comerciais de maior import&acirc;ncia para a cidade de Salvador. Situa&ccedil;&atilde;o, contudo, que n&atilde;o &eacute; exclusiva de nossa cidade: repete-se em muitas outras capitais brasileiras, de formas ao mesmo tempo particulares e semelhantes.</p>     <p>A atividade do trabalhador de rua, nesse contexto, assume real import&acirc;ncia tanto por quest&otilde;es sociais, uma vez que garante uma forma de sustento para aqueles que nela se ocupam, quanto pelo capital que movimentam, visto que contribuem para o escoamento de mercadorias que tamb&eacute;m s&atilde;o produzidas pelo circuito superior. A apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pela atividade se incorpora ao cotidiano e estabelece novas rela&ccedil;&otilde;es entre aqueles que usam este espa&ccedil;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Salvador, a din&acirc;mica criada pela atividade e as diversas inst&acirc;ncias que este trabalho movimenta, criam contradi&ccedil;&otilde;es ao mesmo tempo em que lhe enchem de vida. A atividade pode ser lida tamb&eacute;m como um resultado da diversidade de usos existentes na &aacute;rea. &Eacute; como se os trabalhadores sentissem a concentra&ccedil;&atilde;o e pot&ecirc;ncia dessa diversidade para a exposi&ccedil;&atilde;o de seus produtos e a aproveitassem, dinamizando e ampliando ainda mais as possibilidades do lugar. O trabalho na rua aparece assim como uma alternativa de sobreviv&ecirc;ncia ao indiv&iacute;duo socialmente vulner&aacute;vel, atrav&eacute;s da qual lhe &eacute; poss&iacute;vel viver com alguma dignidade, e sua presen&ccedil;a nas ruas &eacute; capaz de proporcionar uma intensifica&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia de estar, viver e pertencer &agrave; cidade.</p>     <p>&Eacute; importante ter em vista, nesse sentido, que a apropria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de ser tensionada mesmo quando convertida em um uso legitimado. Isto ocorre porque o lugar onde a apropria&ccedil;&atilde;o que estamos lidando ocorre, a rua, &eacute; um lugar em permanente disputa. A cal&ccedil;ada que j&aacute; &eacute; uma por&ccedil;&atilde;o reduzida da rua, agrega pelo menos a &aacute;rea destinada ao mobili&aacute;rio urbano, o passeio do pedestre e a &aacute;rea acesso aos estabelecimentos e resid&ecirc;ncias. Isso sem contar os demais usos e apropria&ccedil;&otilde;es que se faz dela como, por exemplo, quando uma pessoa em situa&ccedil;&atilde;o de rua delimita uma por&ccedil;&atilde;o deste espa&ccedil;o para dormir. Nesse sentido, a perman&ecirc;ncia nesse espa&ccedil;o limitado pressup&otilde;e um conflito constante entre diversos direitos, como o direito de ir vir, o direito &agrave; cidade e o direito ao trabalho, por exemplo.</p>     <p>Podemos considerar que a rua enquanto lugar de disputa, &eacute; ainda mais tensionada quando o poder p&uacute;blico lhe imp&otilde;e normas e regras de uso. No caso da atividade dos trabalhadores de rua, a qual estudamos, pudemos perceber essa tens&atilde;o constante sobretudo porque as pessoas n&atilde;o querem trabalhar em ruas onde n&atilde;o h&aacute; movimento, ou seja, em ruas onde n&atilde;o h&aacute; possibilidade de vender. A sua necessidade de sobreviv&ecirc;ncia se sobrep&otilde;e &agrave; ordem estabelecida. Desta forma, os locais onde a atividade n&atilde;o deveria mais acontecer sofrem press&otilde;es permanentes, assim como re-apropria&ccedil;&otilde;es constantes, ocorridas durante e ap&oacute;s cada interven&ccedil;&atilde;o tentada pelo poder p&uacute;blico.</p>     <p>Dentre as tentativas de ordenamento que estudamos, pudemos notar que entre 1992 e 2014 houve basicamente tr&ecirc;s propostas no que se refere a atividade do trabalhador de rua em Salvador. A primeira delas foi realizada com base em estudos mais aprofundados sobre a tem&aacute;tica, sintetizados em uma proposta que integrava a atividade com os demais usos do espa&ccedil;o p&uacute;blico, por&eacute;m sem se concretizar. Tal proposta sobressai por assimilar o trabalho de rua como fen&ocirc;meno inerente &agrave; economia soteropolitana e pass&iacute;vel de integrar a pol&iacute;tica p&uacute;blica urbana. A segunda proposta, apesar de partir da an&aacute;lise anterior, praticamente repeliu toda a atividade da rua onde se manifestava com mais intensidade, redirecionando-a apenas para alguns pontos espec&iacute;ficos, o que foi desfeito na medida em que a fiscaliza&ccedil;&atilde;o constante desses locais n&atilde;o foi praticada, sobretudo no intervalo entre a transi&ccedil;&atilde;o de uma gest&atilde;o para outra. Neste caso, a normatiza&ccedil;&atilde;o do uso n&atilde;o impediu que a apropria&ccedil;&atilde;o voltasse a se manifestar em outros momentos. A &uacute;ltima e mais recente proposta, apesar de tamb&eacute;m intencionar a retirada de todos os trabalhadores da rua principal, da Avenida Sete de Setembro, cria algumas condi&ccedil;&otilde;es para a sua perman&ecirc;ncia em locais determinados ao implantar algumas estruturas de suporte, o que n&atilde;o garante a efetividade da proposta.</p>     <p>O lugar que a atividade ocupa &eacute; de interesse de todos, uma vez que se trata do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Este, por sua vez, n&atilde;o &eacute; escolhido aleatoriamente por cada um daqueles que dele se apropria. Para o desenvolvimento da atividade aqui estudada vemos que as caracter&iacute;sticas funcionais deste espa&ccedil;o perpassam por sua localiza&ccedil;&atilde;o na cidade, nas quais diversos fluxos s&atilde;o articulados. Assim, a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico podem ser concebidas, com o intuito de organizar, ordenar ou coibir os usos considerados n&atilde;o compat&iacute;veis com os interesses que se tem para o lugar. Vale ressaltar tamb&eacute;m que as recentes interven&ccedil;&otilde;es executadas promovem uma segrega&ccedil;&atilde;o da atividade do trabalhador de rua para transversais espec&iacute;ficas, liberando a Avenida Sete, vetor principal de circula&ccedil;&atilde;o entre importantes pontos tur&iacute;sticos como o Centro Hist&oacute;rico com a Barra, da presen&ccedil;a e imagem desse trabalhador.</p>     <p>Ainda que as permiss&otilde;es para que os trabalhadores de rua possam explorar o logradouro p&uacute;blico sejam prec&aacute;rias, ou seja, possam ser retiradas no momento em que este seja o interesse da prefeitura, isto n&atilde;o significa necessariamente que a atividade possa ser eliminada. Atrav&eacute;s dos projetos elaborados desde 1992 para c&aacute; ficou evidenciada a compreens&atilde;o da funcionalidade desse setor da economia, cuja vivacidade se relaciona com a for&ccedil;a social dos trabalhadores de rua que movimentam e contribuem para o escoamento das mercadorias no circuito inferior da economia, bem como a resist&ecirc;ncia desses pr&oacute;prios trabalhadores em permanecer ou retornar para os locais dos quais buscam se apropriar. Trata-se, portanto, de uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode ser ignorada pelo poder p&uacute;blico e que o planejamento possivelmente s&oacute; ser&aacute; capaz de enfrentar a partir do momento em que busque compreender sua complexidade e proponha alternativas que compatibilizem os diferentes interesses envolvidos, sem a inten&ccedil;&atilde;o de eliminar as pr&aacute;ticas cotidianas dos espa&ccedil;os de representa&ccedil;&atilde;o, ou seja, do &acirc;mbito do vivido, utilizando aqui os termos de Lefebvre, pois estas tendem a voltar ou resistir, tensionando o espa&ccedil;o p&uacute;blico, seus usos e apropria&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>7. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ARANTES, Ot&iacute;lia; VAINER, Carlos; MARICATO, Erm&iacute;nia. <i>A cidade do pensamento &uacute;nico</i>. 7. ed. &ndash; Petr&oacute;polis, RJ: Vozes, 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ARA&Uacute;JO, Solange Souza. <i>Tipomorfologia das pra&ccedil;as e largos de Salvador:</i> interven&ccedil;&otilde;es em espa&ccedil;os do centro antigo (1980-2005). 2006. 333 f. Tese (Doutorado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743213&pid=S2182-1267201700020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BORGES, &Acirc;ngela. <i>Mercado de trabalho:</i> mais de uma d&eacute;cada de precariza&ccedil;&atilde;o. In: DRUCK, G.; FRANCO, T. (Org.). A perda da raz&atilde;o social do trabalho: terceiriza&ccedil;&atilde;o e precariza&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Pauto: Boitempo, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743215&pid=S2182-1267201700020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BORJA, Jordi. <i>La ciudad conquistada.</i> Madrid: Alianza Editorial, S.A., 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743217&pid=S2182-1267201700020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BORJA, Jordi; MUX&Iacute;, Zaida. <i>El espacio p&uacute;blico, ciudad y ciudadan&iacute;a</i>. Barcelona: Electa, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743219&pid=S2182-1267201700020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BOU&Ccedil;AS, Rose Laila de Jesus. <i>No olho da rua:</i> trabalho e vida na apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico em Salvador/BA. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) &ndash; Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2015.</p>     <!-- ref --><p>CHARTIER, Roger. Cultura escrita, literatura e hist&oacute;ria. <i>Conversas de Roger Chartier com Carlos Aguirre Anaya Rosique, Daniel Goldin e Antonio Saborit. </i>Porto Alegre: Artimed, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743222&pid=S2182-1267201700020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, M&aacute;rcia da Silva. Trabalho Informal: um problema estrutural b&aacute;sico no entendimento das desigualdades na sociedade brasileira. In: <i>Caderno CRH: </i>Revista do Centro de Recursos Humanos da UFBA. v. 23, n.58. p 171-190, Jan./Abr. 2010. Salvador: UFBA, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743224&pid=S2182-1267201700020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIEESE. <i>As mudan&ccedil;as de composi&ccedil;&atilde;o, intensidade e dura&ccedil;&atilde;o do desemprego urbano entre 1999 e 2009: </i>um olhar sobre o desemprego de longo prazo / Departamento Intersindical de Estat&iacute;stica e Estudo Socioecon&ocirc;micos. S&atilde;o Paulo: DIEESE, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743226&pid=S2182-1267201700020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>FLEXOR, Maria Helena. Salvador e o Higienismo nos s&eacute;culos XIX e XX. In: <i>A Urbaniza&ccedil;&atilde;o de Salvador em tr&ecirc;s tempos &ndash; Col&ocirc;nia, Imp&eacute;rio e Rep&uacute;blica.</i> Textos cr&iacute;ticos de Hist&oacute;ria Urbana / Jaime Nascimento; Hugo Gama. (orgs.) Vol 1. Salvador: Instituto Geogr&aacute;fico e Hist&oacute;rico da Bahia, 2011.</p>     <!-- ref --><p>FILGUEIRAS, Luiz, A, M.; DRUCK, Gra&ccedil;a; AMARAL, Manoela Falc&atilde;o do. O Conceito de informalidade: um exerc&iacute;cio de aplica&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica. In: <i>Caderno CRH: </i>Revista do Centro de Recursos Humanos da UFBA. v.17, n.41. p. 211-229, Mai./Ago. 2004. Salvador: UFBA, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743229&pid=S2182-1267201700020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOMES, M. A. A. F.; FERNANDES, Ana. Pelourinho: Turismo, Identidade e Consumo Cultural. In: Marco Aur&eacute;lio A. de F. Gomes. In: <i>Pelo Pel&ocirc;:</i> hist&oacute;ria, cultura e cidade. Salvador: EDUFBA, 1995.Org.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743231&pid=S2182-1267201700020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>JACOBS, Jane. <i>Morte e vida de grandes cidades.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o Carlos S. Mendes Rosa; revis&atilde;o da tradu&ccedil;&atilde;o Maria Estela Heider Cavalheiro; revis&atilde;o t&eacute;cnica Cheila Aparecida Gomes Bail&atilde;o. &ndash; 3&ordf; ed. &ndash; S&atilde;o Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.</p>     <p>LEFEBVRE, Henri. <i>La production de l&rsquo;espace. </i>4&ordf; ed. Paris: Anthropos, 2000.</p>     <p>MOLLIER, Jean-Yves. <i>O camel&ocirc;: </i>figura emblem&aacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o / tradu&ccedil;&atilde;o: Fatima Murad &ndash; S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2009.</p>     <!-- ref --><p>OLIVEIRA, Francisco de.&nbsp;<i>Cr&iacute;tica a raz&atilde;o dualista:</i>&nbsp;O ornitorrinco.&nbsp;S&atilde;o Paulo: Boitempo, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743236&pid=S2182-1267201700020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>OLIVEIRA, Margarete Rodrigues Neves. <i>A &Aacute;rea do Iguatemi:</i> O novo centro econ&ocirc;mico da cidade do Salvador. Uma An&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o espacial de novas centralidades. 125p. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) &ndash; P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia. Instituto de Geoci&ecirc;ncias da Universidade Federal da Bahia, 2003. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.posgeo.ufba.br/disserta%C3%A7oes/Margarete_disserta__o_mestrado.pdf" target="_blank">http://www.posgeo.ufba.br/disserta%C3%A7oes/Margarete_disserta__o_mestrado.pdf</a>&gt; Acesso em: 22 jun. 2009.</p>     <p>PINHEIRO, Elo&iacute;sa Petti. <i>Europa, Fran&ccedil;a e Bahia:</i> difus&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o de modelos urbanos (Paris, Rio e Salvador). 2 ed. &ndash; Salvador : EDUFBA, 2011.</p>     <!-- ref --><p>PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR. Centro do Planejamento Municipal<i>. O informal em Salvador:</i> pol&iacute;tica e propostas. vol. 1 e 2. Salvador: 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743240&pid=S2182-1267201700020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR. Centro do Planejamento Municipal. <i>Com&eacute;rcio informal:</i> reloca&ccedil;&atilde;o dos ambulantes da Av. Sete de Setembro; mem&oacute;ria dos trabalhos realizados. Salvador: 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743242&pid=S2182-1267201700020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PREFEITURA MUNICIPAL DE SALVADOR. TRANSALVADOR - Superintend&ecirc;ncia de Tr&acirc;nsito e Transporte do Salvador<i>. Anu&aacute;rio de transportes urbanos de Salvador Ano XXII,</i> 2010. Salvador: 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743244&pid=S2182-1267201700020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAMPAIO, Ant&ocirc;nio Heliod&oacute;rio Lima.&nbsp;<i>Formas urbanas:&nbsp;cidade-real &amp; cidade-ideal</i> ; contribui&ccedil;&atilde;o ao estudo urban&iacute;stico de Salvador.&nbsp;Salvador. BA.: Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Arquitetura: Quarteto, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743246&pid=S2182-1267201700020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Milton. <i>Espa&ccedil;o e m&eacute;todo.</i> S&atilde;o Paulo: Nobel, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743248&pid=S2182-1267201700020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SANTOS, Milton. <i>O espa&ccedil;o dividido:</i> os dois circuitos da economia urbana dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos / Milton Santos; tradu&ccedil;&atilde;o Myrna T. Rego Viana &ndash; 2. ed. 1. reimpr. &ndash; S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2008.</p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Carlos Nelson F.; VOGEL, Arno. <i>Quando a rua vira casa.</i> 3. ed. S&atilde;o Paulo: Projeto, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1743251&pid=S2182-1267201700020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> A diferen&ccedil;a entre os dois circuitos est&aacute; fundamentalmente baseada nas diferen&ccedil;as de tecnologia e organiza&ccedil;&atilde;o. No circuito superior &eacute; utilizada uma tecnologia de alto n&iacute;vel, ou seja, o capital &eacute; intensivo. J&aacute; no circuito inferior a tecnologia &eacute; justamente o trabalho intensivo e as atividades se baseiam no cr&eacute;dito e no dinheiro l&iacute;quido. Al&eacute;m disso, os empregos raramente s&atilde;o permanentes e a remunera&ccedil;&atilde;o, de maneira geral, situa-se abaixo do m&iacute;nimo que uma pessoa precisa para ter uma vida digna, ou seja, para ter acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, moradia, alimenta&ccedil;&atilde;o, lazer etc.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Este artigo &eacute; resultado de uma pesquisa de mestrado da autora, que culminou na disserta&ccedil;&atilde;o intitulada &ldquo;No olho da rua: trabalho e vida na apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico pelo trabalhador de rua em Salvador/BA&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> O termo &ldquo;camel&ocirc;&rdquo; come&ccedil;ou a ser definido em 1869, conforme Mollier (2009), por Pierre Larrousse no <i>Dictionnaire Universel du XIX<sup>e</sup> si&egrave;cle</i>. Nele, o termo <i>camelot </i>referia-se ao &ldquo;vendedor ambulante que empurra uma carreta com os bra&ccedil;os e encurvando as costas, o que faz lembrar um camelo&rdquo;. O termo &ldquo;ambulante&rdquo; d&aacute; a ideia de algu&eacute;m que muda de lugar o tempo todo, n&atilde;o possuindo um lugar fixo de trabalho. Prefere-se neste trabalho utilizar o termo &ldquo;trabalhador de rua&rdquo;, por ser mais abrangente, al&eacute;m de poder ser utilizado tanto para aqueles que possuem pontos transit&oacute;rios, como tamb&eacute;m para aqueles que possuem pontos fixos de trabalho. Vai desde aos que est&atilde;o numa situa&ccedil;&atilde;o regular com a municipalidade e tamb&eacute;m aos que n&atilde;o est&atilde;o, pois o que se quer evidenciar principalmente &eacute; que se trata de trabalhadores que usam o espa&ccedil;o da rua.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Segundo o DIEESE (2011) o per&iacute;odo entre 2004 e 2008 foi considerado o mais pr&oacute;spero da d&eacute;cada, com melhoria nos indicadores sociais e na redu&ccedil;&atilde;o do desemprego, onde a ocupa&ccedil;&atilde;o cresceu em ritmo superior ao crescimento da Popula&ccedil;&atilde;o Economicamente Ativa (PEA). De acordo com o referido Departamento ainda, os fatores que tornaram essa realidade poss&iacute;vel foram a conflu&ecirc;ncia de resultados positivos da gest&atilde;o interna e do ambiente internacional favor&aacute;vel. A partir de 2004 a nova din&acirc;mica do mercado de trabalho brasileiro centrou-se no comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) e na expans&atilde;o dos investimentos.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Privatizar aqui &eacute; entendido com o sentido de tornar particular, n&atilde;o p&uacute;blico. J&aacute; apropriar tem o sentido de tornar algo pr&oacute;prio, apoderar-se de algo.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> O Escrit&oacute;rio de Refer&ecirc;ncia do Centro Antigo da Cidade de Salvador em conv&ecirc;nio com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (UNESCO) apresenta uma delimita&ccedil;&atilde;o onde s&atilde;o considerados o Centro Hist&oacute;rico e o Cento Antigo da cidade. Nesta delimita&ccedil;&atilde;o o Centro Hist&oacute;rico compreende a &aacute;rea que vai da Rua Chile ao Santo Ant&ocirc;nio. J&aacute; o Centro Antigo abrange o Centro Hist&oacute;rico, Campo Grande, Politeama, Centro, Barris, Toror&oacute;, Jardim Baiano, Nazar&eacute;, Barbalho, Lapinha, Com&eacute;rcio, &Aacute;gua de Meninos, Sieiro, Queimadinho, Liberdade e Cal&ccedil;ada.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> <a href="http://www.sedur.ba.gov.br/" target="_blank">http://www.sedur.ba.gov.br/</a></p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> <a href="http://www.shoppinglapa.com.br" target="_blank">www.shoppinglapa.com.br</a>; <a href="http://www.shoppingpiedade.com.br" target="_blank">www.shoppingpiedade.com.br</a></p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Esse recorte temporal foi escolhido para melhor compatibilizar a contextualiza&ccedil;&atilde;o entre os projetos encontrados e os fen&ocirc;menos observados na sociedade e na economia em fun&ccedil;&atilde;o da redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, promulgada com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Cabe mencionar uma declara&ccedil;&atilde;o proferida pela secretaria de Ordem P&uacute;blica, que p&otilde;e em evidencia uma tentativa de uniformiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o apoiada no discurso da necessidade de ordenamento do centro da cidade. Ela declarou de forma pol&ecirc;mica no in&iacute;cio da nova gest&atilde;o que &ldquo;enfrentamos dificuldades na est&eacute;tica da cidade. Precisamos realizar um trabalho de maquiagem para receber [os visitantes]... Mas n&atilde;o s&oacute; para isso, mas tamb&eacute;m tornar a cidade boa para quem mora aqui. Esse que &eacute; o objetivo principal&rdquo; (Mendes, 2012).</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Para auxiliar no entendimento do processo e na aus&ecirc;ncia de documentos oficiais fornecidos pela prefeitura, foram utilizadas tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es contidas nas publica&ccedil;&otilde;es do Di&aacute;rio Oficial do Munic&iacute;pio e em jornais de grande circula&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio.</p>      ]]></body><back>
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