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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A influência da Oscilação do Atlântico Norte nos caudais dos rios Vouga e Mondego: relevância na manifestação de cheias e inundações]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Influence of the North Atlantic Oscillation on the Mondego and the Vouga rivers streamflow: relevance in the occurrence of floods and flooding processes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The North Atlantic Oscillation (NAO) is the main atmospheric circulation pattern in the North Atlantic sector. Its dipole structure remains visible throughout the entire year. Although the atmospheric mechanisms that govern the NAO are beyond the scope of knowledge, the comprehension of its effects is widespread, even though forecasting it poses a great challenge. Providing important information to this challenge, at the present time, trends are contributing with vital data for a perception of the NAO variability over time. The weather in the Iberian Peninsula and Portugal is strictly related to the NAO phase (positive or negative), and therefore to all its elements. However, precipitation, out of all-weather elements, is by far the most reliant on the phase of this atmospheric dipole. Hence, precipitation such as rain is the major source for river streamflow in the Mediterranean Climate. For that reason, NAO impacts are likely to occur. That fact becomes even more pertinent if we consider that the NAO explains more atmospheric variability during boreal winter (December to March) which is the period with the most significant rainfall across the Iberian Peninsula and when extreme hydrological phenomena, namely flood and flooding processes, are more frequent. Distinctively but in great agreement in their behaviour, Vouga and Mondego hydrographic basins are no exception in their linkage to the NAO with a significant response to rainfall patters imposed by this Oscillation.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Oscilação do Atlântico Norte (NAO)]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Precipitação Atmosférica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A influ&ecirc;ncia da Oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Norte nos caudais dos rios Vouga e Mondego &ndash; relev&acirc;ncia na manifesta&ccedil;&atilde;o de cheias e inunda&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p><b>Influence of the North Atlantic Oscillation on the Mondego and the Vouga rivers streamflow &ndash; relevance in the occurrence of floods and flooding processes</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Oliveira, Washington</b><sup>1</sup>; <b>Cunha, L&uacute;cio</b><sup>1,2,</sup>;<b> Paiva, Isabel</b><sup>1,2</sup></p>     <p><sup>1</sup> Departamento de Geografia e Turismo, Universidade de Coimbra; Col&eacute;gio de S. Jer&oacute;nimo, 3004-530 Coimbra, Portugal; <a href="mailto:washington.oliveira.uc@gmail.com">washington.oliveira.uc@gmail.com</a>; <a href="mailto:luciogeo@fl.uc.pt">luciogeo@fl.uc.pt</a>; <a href="mailto:isabelrp@fl.uc.pt">isabelrp@fl.uc.pt</a> &nbsp;</p>     <p><sup>2</sup> CEGOT</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>A Oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Norte (NAO &ndash; do ingl&ecirc;s <i>North Atlantic Oscillation</i>) constitui o principal modo de variabilidade atmosf&eacute;rica do Atl&acirc;ntico Norte, mantendo uma estrutura dipolar vis&iacute;vel ao longo de todo o ano. Embora n&atilde;o se conhe&ccedil;am rigorosamente os processos atmosf&eacute;ricos que governam esta oscila&ccedil;&atilde;o, existe cada vez mais investiga&ccedil;&atilde;o acerca dos seus efeitos, mesmo n&atilde;o se conseguindo ainda prev&ecirc;-la de forma eficaz. No entanto, o estudo das tend&ecirc;ncias tem vindo a contribuir para a consolida&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o acerca da variabilidade apresentada pela NAO ao longo do tempo. Os estados de tempo na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica e em Portugal bem como todos os elementos meteorol&oacute;gicos que os constituem est&atilde;o relacionados de forma muito assinal&aacute;vel com a fase da NAO (positiva ou negativa). No entanto, a precipita&ccedil;&atilde;o &eacute; de longe, dos elementos meteorol&oacute;gicos, o mais dependente da fase do d&iacute;polo atmosf&eacute;rico. Com efeito, sendo a precipita&ccedil;&atilde;o sob a forma de chuva a principal fonte de alimenta&ccedil;&atilde;o do escoamento fluvial dos rios no clima mediterr&acirc;neo, os impactos da NAO s&atilde;o esperados. Tal facto &eacute; ainda mais relevante se tivermos em conta que a NAO explica grande parte da variabilidade atmosf&eacute;rica durante o quadrimestre dezembro-mar&ccedil;o, <i>grosso modo</i>, o inverno boreal, altura em que ocorrem as precipita&ccedil;&otilde;es mais significativas na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> e em que se despoletam tamb&eacute;m a maior parte da manifesta&ccedil;&atilde;o de fen&oacute;menos hidrol&oacute;gicos extremos, ligados a cheias que causam inunda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>De formas distintas mas muito concordantes, as bacias hidrogr&aacute;ficas do Vouga e do Mondego n&atilde;o constituem exce&ccedil;&atilde;o aos condicionamentos impostos pela NAO, respondendo de forma muito significativa aos ritmos pluviom&eacute;tricos impostos por esta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Norte (NAO), Precipita&ccedil;&atilde;o Atmosf&eacute;rica, Regimes Fluviais, Cheias e Inunda&ccedil;&otilde;es, Vouga, Mondego.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The North Atlantic Oscillation (NAO) is the main atmospheric circulation pattern in the North Atlantic sector. Its dipole structure remains visible throughout the entire year.</p>     <p>Although the atmospheric mechanisms that govern the NAO are beyond the scope of knowledge, the comprehension of its effects is widespread, even though forecasting it poses a great challenge. Providing important information to this challenge, at the present time, trends are contributing with vital data for a perception of the NAO variability over time.</p>     <p>The weather in the Iberian Peninsula and Portugal is strictly related to the NAO phase (positive or negative), and therefore to all its elements. However, precipitation, out of all-weather elements, is by far the most reliant on the phase of this atmospheric dipole. Hence, precipitation such as rain is the major source for river streamflow in the Mediterranean Climate. For that reason, NAO impacts are likely to occur. That fact becomes even more pertinent if we consider that the NAO explains more atmospheric variability during boreal winter (December to March) which is the period with the most significant rainfall across the Iberian Peninsula<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> and when extreme hydrological phenomena, namely flood and flooding processes, are more frequent.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Distinctively but in great agreement in their behaviour, Vouga and Mondego hydrographic basins are no exception in their linkage to the NAO with a significant response to rainfall patters imposed by this Oscillation.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: North Atlantic Oscillation (NAO), Atmospheric Precipitation, Rivers Streamflow, Flood and Flooding, Vouga river, Mondego river.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A NAO constitui o principal modo de variabilidade da circula&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica do Atl&acirc;ntico Norte (TRIGO <i>et al.</i>, 2002b), definindo-se como um &iacute;ndice que mede a diferen&ccedil;a de press&atilde;o &agrave; superf&iacute;cie entre os centros de altas press&otilde;es subtropicais e os centros de baixas press&otilde;es subpolares, observ&aacute;vel geralmente atrav&eacute;s da diferen&ccedil;a de press&atilde;o entre Ponta Delgada, nos A&ccedil;ores (Portugal) e Stykkishoulmur (Isl&acirc;ndia).</p>     <p>O impacto da NAO &eacute; vasto e abrange uma multiplicidade de elementos clim&aacute;ticos, em especial a precipita&ccedil;&atilde;o, a qual tem sido substancialmente condicionada pela NAO, a n&iacute;vel dos quantitativos mensais e particularmente no per&iacute;odo invernal (novembro a mar&ccedil;o) na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica (TRIGO <i>et al</i>., 2002b).</p>     <p>&nbsp;&Agrave;s duas fases da NAO (positiva ou negativa) associam-se importantes altera&ccedil;&otilde;es na trajet&oacute;ria dos sistemas depression&aacute;rios (ROGERS, 1990; HURRELL, 1995; ROGERS, 1997) e tal facto toma express&atilde;o nos padr&otilde;es regionais de precipita&ccedil;&atilde;o sobre grande parte da Europa, Norte de &Aacute;frica e mesmo na costa Leste da Am&eacute;rica do Norte (HURRELL, 1995; HURRELL e VAN LOON, 1997; OSBORN <i>et al. </i>1999). Na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica essas altera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o bastante evidentes nas regi&otilde;es Oeste (Portugal) e Sul (Andaluzia, Espanha) (TRIGO <i>et al</i>., 2002b).</p>     <p><a name="_Toc315329711"></a><a name="_Toc315234315"></a>A Oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico descreve uma teleconex&atilde;o, ou seja, uma rela&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica muito forte entre o estado do tempo em diferentes partes do globo, sendo o padr&atilde;o de teleconex&atilde;o mais proeminente em todas as esta&ccedil;&otilde;es do ano no Atl&acirc;ntico Norte (BARNSTON e LIVEZEY, 1987). Combina padr&otilde;es de partes do Atl&acirc;ntico Norte oriental e ocidental e foi originalmente identificada por WALLACE e GUTZLER, em 1981, para o inverno boreal (National Oceanic and Atmospheric Administration, 2011).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Consistindo num d&iacute;polo norte-sul de anomalias, com um centro localizado sobre a Isl&acirc;ndia e outro, de sinal oposto abrangendo as latitudes centrais do Norte Atl&acirc;ntico entre os 35&ordm;N e os 40&ordm;N, a fase positiva da NAO reflete alturas (geopotenciais) e press&otilde;es &agrave; superf&iacute;cie abaixo do normal ao longo das latitudes elevadas do Atl&acirc;ntico Norte e acima do normal sobre o centro do Atl&acirc;ntico Norte, Leste dos Estados Unidos da Am&eacute;rica e Oeste europeu. A fase negativa, por seu lado, reflete um padr&atilde;o oposto de anomalias relativas a alturas (geopotenciais) e press&otilde;es &agrave; superf&iacute;cie sobre as mesmas regi&otilde;es. Ambas as fases desta oscila&ccedil;&atilde;o est&atilde;o associadas intimamente com uma mudan&ccedil;a em toda a bacia norte atl&acirc;ntica na intensidade e localiza&ccedil;&atilde;o do <i>jet stream</i> do Atl&acirc;ntico Norte e o trajeto das tempestades, bem como com modula&ccedil;&otilde;es de larga escala de padr&otilde;es normais de transporte de calor e humidade zonal e meridional (HURREL, 1995b).</p>     <p>A inser&ccedil;&atilde;o de Portugal continental neste contexto traz importantes implica&ccedil;&otilde;es nos riscos clim&aacute;ticos (Mateus e Cunha, 2013) e, particularmente, nos regimes fluviais, tal como foi j&aacute; constatado por TRIGO <i>et al</i>. (2002a,b) acerca da quantifica&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia real da NAO nos caudais dos rios Ib&eacute;ricos Atl&acirc;nticos (Douro, Tejo e Guadiana). Na fase positiva, ou seja, quando a diferen&ccedil;a de press&atilde;o entre os dois centros &eacute; superior &agrave; m&eacute;dia, com a passagem mais regular dos sistemas depression&aacute;rios a norte da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica ocorrem anomalias negativas na precipita&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, caudais menos volumosos nos rios. Na fase negativa, quando a diferen&ccedil;a de press&atilde;o entre os dois centros &eacute; inferior &agrave; m&eacute;dia, os sistemas depression&aacute;rios t&ecirc;m trajet&oacute;rias mais meridionais (sobre a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica) e, numa invers&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o anterior, ocorrem anomalias positivas na precipita&ccedil;&atilde;o, respons&aacute;veis por caudais mais elevados nos rios e, consequentemente, por eventuais situa&ccedil;&otilde;es de cheias e inunda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Com o presente trabalho pretende-se analisar as rela&ccedil;&otilde;es entre as flutua&ccedil;&otilde;es do &iacute;ndice NAO, a precipita&ccedil;&atilde;o e o caudal de dois dos principais rios da regi&atilde;o Centro de Portugal, ajudando &agrave; explica&ccedil;&atilde;o de algumas das cheias de refer&ecirc;ncia, alargando o conhecimento sobre a din&acirc;mica natural e os riscos de inunda&ccedil;&atilde;o nos rios Mondego e Vouga. Embora haja conhecimento sobre os impactes da NAO em determinados cursos de &aacute;gua portugueses e ib&eacute;ricos (TRIGO <i>et al</i>., 2002ab; LOUREZO-LACRUZ <i>et al</i>., 2011), este estudo prop&otilde;e uma abordagem direcionada &agrave; import&acirc;ncia que estes impactes t&ecirc;m sobre algumas cheias, algo ainda pouco explorado para os principais cursos de &aacute;gua de Portugal continental.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Dados e metodologia</b></p>     <p>Os dados constitu&iacute;ram um dos principais constrangimentos neste estudo devido &agrave; n&atilde;o coincid&ecirc;ncia temporal das s&eacute;ries de dados meteorol&oacute;gicos e hidrol&oacute;gicos para as duas bacias e tamb&eacute;m devido &agrave; presen&ccedil;a de hiatos consider&aacute;veis, pelo que tivemos de restringir o per&iacute;odo de estudo &agrave; disponibilidade dos dados.</p>     <p>No caso do rio Vouga, os dados hidrom&eacute;tricos estendem-se desde o ano hidrol&oacute;gico 1917/18 ao de 2000/01, de acordo com os registos de caudais m&eacute;dios di&aacute;rios dispon&iacute;veis para a esta&ccedil;&atilde;o hidrom&eacute;trica utilizada (Ponte de Vouzela), que, embora se encontre num sector ainda bastante montante na bacia, &eacute; a esta&ccedil;&atilde;o mais a jusante no rio que apresenta uma s&eacute;rie consistente e temporalmente significativa. Os dados pluviom&eacute;tricos foram recolhidos na esta&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica de S&atilde;o Pedro do Sul e distribuem-se relativamente &agrave; s&eacute;rie hidrom&eacute;trica, por dois per&iacute;odos de dados cont&iacute;nuos, intercalados por um longo hiato (1932/33 a 1960/61 e 1977/78 a 1996/97), o que constitui uma importante limita&ccedil;&atilde;o neste estudo.</p>     <p>Para o rio Mondego, o per&iacute;odo de informa&ccedil;&atilde;o hidrom&eacute;trica dispon&iacute;vel estende-se do ano hidrol&oacute;gico de 1955/56 ao de 2011/12, segundo os registos dos caudais m&eacute;dios di&aacute;rios medidos, inicialmente, na esta&ccedil;&atilde;o Ponte de Santa Clara e, posteriormente, no A&ccedil;ude-Ponte, ambas na cidade de Coimbra. Os dados pluviom&eacute;tricos de refer&ecirc;ncia s&atilde;o provenientes do antigo Instituto Geof&iacute;sico da Universidade de Coimbra (IGUC) e, nos casos em que havia falhas, do<i> European Climate Assessment &amp; Dataset </i>(ECA&amp;D), cobrindo, de forma regular, todo o per&iacute;odo de an&aacute;lise dos caudais.</p>     <p>Tanto para o rio Mondego como para o rio Vouga, os caudais m&eacute;dios di&aacute;rios prov&ecirc;m do Sistema Nacional de Informa&ccedil;&atilde;o de Recursos H&iacute;dricos (SNIRH).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados dos &iacute;ndices mensais, sazonais e anuais da NAO estendem-se uniformemente ao longo de toda a s&eacute;rie de dados dos caudais e da precipita&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o provenientes do <i>National Center for Atmospheric Reserach </i>&ndash; <i>Climate Data Guide</i> (NCAR- CDG). No entanto, para as an&aacute;lises di&aacute;rias recorreu-se aos dados calculados de forma semelhante, ou seja, atrav&eacute;s de an&aacute;lise de componentes principais de EOFs (<i>Empirical Orthogonal Functions</i>) da <i>National Oceanic and Atmospheric Administration</i> (NOAA).</p>     <p>Por n&atilde;o existir uma forma &uacute;nica de definir espacialmente a NAO, uma das abordagens &eacute; atrav&eacute;s de mapas conceptualmente simples, referidos a um ponto de correla&ccedil;&atilde;o (<a href="#f1">Figura 1</a>), onde se identifica a NAO pelas regi&otilde;es de correla&ccedil;&atilde;o negativa m&aacute;xima sobre o Atl&acirc;ntico Norte (WALLACE e GUTZLER, 1981; KUSHNIR e WALLACE, 1989; PORTIS <i>et al.</i>, 2001 citados por HURRELL <i>et al.</i>, 2003). Outra t&eacute;cnica &eacute; a an&aacute;lise de <i>EOFs </i>(<i>Empirical Orthogonal Functions</i> - ou componentes principais, <a href="#f2">Figura 2</a>) que d&aacute; origem aos &iacute;ndices usados neste trabalho. Neste caso, a NAO &eacute; identificada pelos autovetores da matriz de covari&acirc;ncia cruzada, calculada sobre as varia&ccedil;&otilde;es temporais dos valores do ponto da grelha, da press&atilde;o ao n&iacute;vel m&eacute;dio do mar ou outra vari&aacute;vel clim&aacute;tica (HURRELL <i>et al.</i>, 2003). Os vetores diretores, que se restringem a ser espacialmente e temporalmente ortogonais em rela&ccedil;&atilde;o aos outros, s&atilde;o ent&atilde;o escalonados de acordo com o total de vari&acirc;ncia que explicam (<i>idem</i>). Esta abordagem, que &eacute; linear, assume que estados de circula&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica preferidos v&ecirc;m em pares, onde as anomalias de polaridade opostas t&ecirc;m a mesma estrutura espacial (<i>ibidem</i>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na metodologia para a avalia&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia da NAO, privilegiou-se a s&iacute;ntese dos dados em meses e destes em trimestres, focando especialmente a esta&ccedil;&atilde;o fria, uma vez que, nesta altura, o impacte da NAO &eacute; mais pronunciado e a ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios de cheias e inunda&ccedil;&otilde;es mais frequente. A esta&ccedil;&atilde;o fria pode ser definida apenas pelo per&iacute;odo de dezembro a fevereiro ou, ser uma pouco mais prolongada, ao incluir tamb&eacute;m o m&ecirc;s de mar&ccedil;o (de acordo com o proposto por TRIGO <i>et al</i>., 2002a,b), sendo, este &uacute;ltimo, o intervalo temporal adotado neste estudo e que designaremos por &lsquo;inverno&rsquo;.</p>     <p>Para a an&aacute;lise do efeito real da NAO na precipita&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, nos caudais dos rios, procedeu-se &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de: (i) gr&aacute;ficos com a evolu&ccedil;&atilde;o temporal do &iacute;ndice e das vari&aacute;veis precipita&ccedil;&atilde;o e caudal, a que se seguiu uma an&aacute;lise sum&aacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es a&iacute; esbo&ccedil;adas; (ii) gr&aacute;ficos de dispers&atilde;o e c&aacute;lculo de coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o; (iii) gr&aacute;ficos com a evolu&ccedil;&atilde;o conjunta da precipita&ccedil;&atilde;o acumulada e caudais m&eacute;dios durante o inverno (de dezembro a mar&ccedil;o) com os &iacute;ndices NAO positivos ou negativos (elevados ou baixos para o inverno) e c&aacute;lculo da m&eacute;dia geral e dos desvios em rela&ccedil;&atilde;o a esta nos volumes sazonais na sua evolu&ccedil;&atilde;o temporal, bem como em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dia para a NAO positiva ou negativa (elevada ou baixa para os invernos). A avalia&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia da NAO nos caudais m&aacute;ximos anuais, bem como nas cheias com inunda&ccedil;&otilde;es, baseou-se na an&aacute;lise de gr&aacute;ficos e quadros que relacionam as ocorr&ecirc;ncias hidrol&oacute;gicas com os &iacute;ndices estacionais da NAO, mas tamb&eacute;m com os &iacute;ndices mensais e mesmo com os &iacute;ndices di&aacute;rios.</p>     <p>Na compreens&atilde;o da depend&ecirc;ncia dos caudais m&eacute;dios mensais dos rios em estudo relativamente &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o, sua fonte de alimenta&ccedil;&atilde;o (fortemente condicionada pela NAO) considera-se pertinente, antes de se proceder &agrave; pondera&ccedil;&atilde;o do efeito desta sobre a precipita&ccedil;&atilde;o e sobre os caudais, apresentar uma caracteriza&ccedil;&atilde;o geral do regime fluvial destes rios e a sua rela&ccedil;&atilde;o com o ritmo pluviom&eacute;trico. Para al&eacute;m da representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica do caudal mensal m&eacute;dio e da precipita&ccedil;&atilde;o mensal calculou-se o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de <i>Pearson </i>(R) para fundamentar, em termos num&eacute;ricos, a ineg&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o precipita&ccedil;&atilde;o-caudal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. &Aacute;reas em estudo</b></p>     <p>As &aacute;reas em estudo localizam-se na regi&atilde;o centro de Portugal Continental e correspondem ao conjunto das bacias hidrogr&aacute;ficas dos rios Vouga e Mondego (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A bacia hidrogr&aacute;fica do rio Vouga, com uma &aacute;rea total de 3645 km2, localiza-se entre as bacias hidrogr&aacute;ficas do rio Douro, a norte, e do rio Mondego, a sul, entre os paralelos 40&ordm; 15&rsquo; e 40&ordm; 57&rsquo; de latitude norte e os meridianos 7&ordm; 33&rsquo; e 8&ordm; 48&rsquo; de longitude oeste. Desenvolve-se desde os 930 m de altitude na Serra da Lapa, onde se encontra a nascente do rio Vouga, at&eacute; &agrave; costa, pr&oacute;ximo da cidade de Aveiro, percorrendo um total de 148 km numa dire&ccedil;&atilde;o aproximadamente leste-oeste (GUEDES, 2006; FBO <i>et al</i>.,2001). Divide-se em tr&ecirc;s unidades hidromorfol&oacute;gicas, atendendo a crit&eacute;rios de semelhan&ccedil;a morfol&oacute;gica, clim&aacute;tica, hidrol&oacute;gica e ainda de ocupa&ccedil;&atilde;o do solo: <i>Alto Vouga</i>, <i>M&eacute;dio Vouga</i> e <i>Baixo Vouga</i>.</p>     <p>A bacia hidrogr&aacute;fica do rio Mondego ocupa parte substancial da regi&atilde;o centro de Portugal e &eacute; definida pelos paralelos 39&ordm; 46&rsquo; e 40&ordm; 48&rsquo; de latitude norte e os meridianos 07&ordm; 14&acute;e 08&ordm; 52&rsquo; de longitude oeste, tendo por limite a norte e nordeste as bacias hidrogr&aacute;ficas do Vouga e do Douro, a sul a do Tejo e a sudoeste a do Lis. Apresenta uma &aacute;rea de 6670 Km2, desde a Serra da Estrela, onde nasce, a 1547 m de altitude, at&eacute; &agrave; Figueira da Foz, onde desagua no Oceano Atl&acirc;ntico com um trajeto de 227 Km, percorrendo transversalmente quase todo o territ&oacute;rio nacional. A bacia do rio Mondego divide-se em tr&ecirc;s grandes sec&ccedil;&otilde;es, de acordo com as suas caracter&iacute;sticas morfol&oacute;gicas, clim&aacute;ticas, hidrol&oacute;gicas e do uso do solo: o <i>Mondego Superior,</i> o <i>M&eacute;dio Mondego</i> e o <i>Baixo Mondego</i> (LOUREN&Ccedil;O, 1986 e LIMA e LIMA, 2002, citados por PAIVA, 2005).</p>     <p>Do ponto de vista hidrol&oacute;gico, os rios Vouga e Mondego caracterizam-se, &agrave; semelhan&ccedil;a dos restantes cursos de &aacute;gua do continente portugu&ecirc;s, por enormes varia&ccedil;&otilde;es sazonais no escoamento, num claro decalque dos ritmos pluviom&eacute;tricos, embora com um ligeiro atraso (cerca de um m&ecirc;s). O per&iacute;odo de maior escoamento (&aacute;guas altas) &eacute;, em regra, o que medeia novembro e mar&ccedil;o<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> (per&iacute;odo de maior precipita&ccedil;&atilde;o), sendo que os meses de escoamento mais reduzido (estiagem) correspondem ao per&iacute;odo de menor precipita&ccedil;&atilde;o, ou seja, aos meses mais secos (julho a setembro).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O rio Vouga, atrav&eacute;s dos registos de caudal mensal m&eacute;dio na totalidade da s&eacute;rie ou nos per&iacute;odos de simultaneidade de dados caudal-precipita&ccedil;&atilde;o, espelha esta realidade hidroclim&aacute;tica contrastante, acompanhando, com grande fidelidade, o ritmo da precipita&ccedil;&atilde;o mensal m&eacute;dia, vis&iacute;vel nos gr&aacute;ficos da <a href="#f4">Figura 4</a> e nos valores muito significativos dos coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o de - 0,86 para o per&iacute;odo 1932/33 &ndash; 1960/67 e de 0,74 no intervalo 1977/78 &ndash; 1996/97. A redu&ccedil;&atilde;o da correla&ccedil;&atilde;o neste &uacute;ltimo per&iacute;odo pode ser, em parte, atribu&iacute;da &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios aproveitamentos mini-h&iacute;dricos a montante da esta&ccedil;&atilde;o hidrom&eacute;trica em estudo (Ribafeita e S&atilde;o Pedro do Sul, por exemplo).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O c&aacute;lculo dos caudais m&eacute;dios mensais do rio Mondego (<a href="#f5">Figura 5</a>) &eacute; proveniente de duas esta&ccedil;&otilde;es hidrom&eacute;tricas (Ponte de Santa Clara e A&ccedil;ude-Ponte) e refere-se ao per&iacute;odo 1955/56 - 2011/12, sendo repartido em dois per&iacute;odos (antes e depois de 1980/81) para a avalia&ccedil;&atilde;o dos efeitos, no comportamento hidrol&oacute;gico do Mondego, da regulariza&ccedil;&atilde;o introduzida pelas estruturas hidr&aacute;ulicas da Aguieira-Raiva (rio Mondego) e de Fronhas (rio Alva).&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;De forma semelhante &agrave; do Vouga, e como &eacute; caracter&iacute;stico dos rios portugueses, no rio Mondego o per&iacute;odo anual com caudais mais volumosos ocorre durante o inverno estendido (dezembro-mar&ccedil;o) ao longo da totalidade da s&eacute;rie. O caudal &eacute; particularmente elevado (superior a 150 m3/s m&ecirc;s) de janeiro a mar&ccedil;o, o que contrasta com os volumes m&eacute;dios bastante reduzidos (inferiores a 50 m3/s) de julho a outubro, diferen&ccedil;as que se acentuam ainda mais quando nos reportamos ao per&iacute;odo n&atilde;o-regularizado (anterior a 1980/81).</p>     <p>No regime fluvial n&atilde;o regularizado, fevereiro era o m&ecirc;s com maior caudal m&eacute;dio, ultrapassando largamente os 200 m3/s, sendo que o m&ecirc;s com menor caudal era o de agosto, com pouco mais de 2,8 m3/s. Tais valores confirmam, mais uma vez, a grande varia&ccedil;&atilde;o sazonal dos caudais m&eacute;dios mensais nos cursos de &aacute;gua portugueses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a entrada em funcionamento das infraestruturas hidr&aacute;ulicas que regularizaram os caudais do rio Mondego, nomeadamente a Barragem da Aguieira, regista-se uma atenua&ccedil;&atilde;o do elevado escoamento fluvial dos meses de inverno (amortecimento dos picos de caudal) e a exist&ecirc;ncia de um volume de manuten&ccedil;&atilde;o nos meses de Ver&atilde;o (caudais ecol&oacute;gicos). Assim, os caudais m&aacute;ximos reduzem o seu valor entre janeiro e maio (devido ao efeito de reten&ccedil;&atilde;o da albufeira da barragem da Aguieira), redu&ccedil;&atilde;o particularmente significativa em fevereiro e mar&ccedil;o, meses em que, tipicamente, ocorriam cheias com inunda&ccedil;&atilde;o no Baixo Mondego. Em contrapartida, os caudais m&eacute;dios entre julho e outubro aumentaram substancialmente, para valores cerca de noves vezes superiores ao caudal em regime natural (em agosto) ou cerca de sete vezes, em setembro. Embora tratando-se de caudais reduzidos (normais na esta&ccedil;&atilde;o estival), este acr&eacute;scimo de caudal assegurou que o Mondego tivesse um curso bastante regular, ao contr&aacute;rio do per&iacute;odo anterior a 1980/81, onde era frequente perceber o caudal reduzido a pequenos fios de &aacute;gua, vis&iacute;veis, por exemplo, na passagem do Mondego pela cidade de Coimbra.</p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do rio Vouga, os caudais m&eacute;dios mensais do Mondego refletem, duma forma muito significativa, a quantidade de precipita&ccedil;&atilde;o que cai na bacia, tendo a maior parte dessa precipita&ccedil;&atilde;o origem em sistemas depression&aacute;rios de tipo frontal &agrave; escala sin&oacute;tica (Paiva, 2006). Segundo a autora, a an&aacute;lise da curva resultante da precipita&ccedil;&atilde;o que cai em diversas esta&ccedil;&otilde;es pluviom&eacute;tricas distribu&iacute;das pela bacia revela regimes com elevada similitude (ainda que com volumes acumulados diversos por efeito do relevo) em consequ&ecirc;ncia de fen&oacute;menos sin&oacute;pticos que operam &agrave; meso- escala.</p>     <p>Para uma melhor ilustra&ccedil;&atilde;o do comportamento mensal da precipita&ccedil;&atilde;o recorreu-se aos dados pluviom&eacute;tricos registados na esta&ccedil;&atilde;o do Instituto Geof&iacute;sico da Universidade de Coimbra (IGUC). Para a an&aacute;lise da depend&ecirc;ncia dos caudais m&eacute;dios do Mondego, registados em Coimbra, face &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica procedeu-se, de modo id&ecirc;ntico ao anterior, &agrave; divis&atilde;o da s&eacute;rie em &lsquo;regime natural&rsquo; e &lsquo;regime regularizado&rsquo;.</p>     <p>No primeiro per&iacute;odo ressalta a elevada depend&ecirc;ncia dos caudais m&eacute;dios mensais face &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia mensal, com a correspond&ecirc;ncia entre os meses de maior pluviosidade e os meses de maior caudal, havendo, por&eacute;m, um atraso de cerca de um m&ecirc;s no valor mais elevado de caudal m&eacute;dio face ao m&ecirc;s de maior pluviosidade m&eacute;dia, o que se justifica pela import&acirc;ncia do escoamento indireto atrav&eacute;s dos solos e das reservas aqu&iacute;feras. A redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o em mar&ccedil;o e abril traduz-se numa queda abrupta nos valores dos caudais m&eacute;dios mensais que atingiam o seu m&iacute;nimo em agosto, um m&ecirc;s ap&oacute;s o m&ecirc;s mais seco do ano (julho). A precipita&ccedil;&atilde;o inicia ent&atilde;o uma tend&ecirc;ncia de subida a partir deste m&ecirc;s, mas a elevada secura do solo, a elevada evapotranspira&ccedil;&atilde;o e a quantidade ainda muito baixa de precipita&ccedil;&atilde;o impedem que o caudal aumente na propor&ccedil;&atilde;o da quantidade de precipita&ccedil;&atilde;o ocorrida. A par deste quadro, mesmo a precipita&ccedil;&atilde;o outonal de setembro n&atilde;o se repercute de forma significativa no caudal m&eacute;dio mensal, e nem mesmo em outubro o valor m&eacute;dio do caudal ultrapassava aos 50 m3/s. &Eacute; necess&aacute;rio chegar a novembro para que isso aconte&ccedil;a.</p>     <p>Com a regulariza&ccedil;&atilde;o do caudal, embora os valores continuem a refletir a distribui&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o mensal, verifica-se a diminui&ccedil;&atilde;o desta depend&ecirc;ncia. Assim, os valores mais elevados de caudal ocorrem ainda na mesma altura do ano, mas s&atilde;o laminados pelas estruturas hidr&aacute;ulicas (com o amortecimento dos picos de caudal) e durante o estio os valores de caudal n&atilde;o atingem valores t&atilde;o reduzidos, levando a que a curva da varia&ccedil;&atilde;o anual dos caudais m&eacute;dios mensais n&atilde;o seja t&atilde;o contrastada (<a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>A redu&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia dos caudais m&eacute;dios mensais em Coimbra face &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia mensal pode ser expressa pelo coeficiente R de <i>Pearson</i>, que tomou o valor de 0,62 (correla&ccedil;&atilde;o positiva moderada) em regime regularizado ao inv&eacute;s de 0,83 (correla&ccedil;&atilde;o positiva forte) em regime natural.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Resultados</b></p>     <p><b>4.1. O impacte da NAO na esta&ccedil;&atilde;o pluviosa dezembro-mar&ccedil;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os regimes fluviais dos cursos de &aacute;gua em estudo apresentam, como foi dito, uma marcada sazonalidade. No registo interanual, os caudais m&eacute;dios respondem com um aumento quando a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada come&ccedil;a a aumentar e, de forma sim&eacute;trica, com uma redu&ccedil;&atilde;o, quando a precipita&ccedil;&atilde;o diminui claramente.</p>     <p>No que se refere &agrave; depend&ecirc;ncia dos ritmos pluviom&eacute;tricos face &agrave; NAO, esta aumenta de forma consider&aacute;vel durante o inverno, explicando 39,44 % da variabilidade atmosf&eacute;rica na bacia atl&acirc;ntica no trimestre que vai de dezembro a fevereiro, no per&iacute;odo de 1899-2012 (HURRELL <i>et al</i>., 2016). Se alargarmos este per&iacute;odo em mais 1 m&ecirc;s, a percentagem de explica&ccedil;&atilde;o dada pela NAO aumenta para 42,22% (<i>idem</i>). O inverno boreal estendido parece, ent&atilde;o, ser o per&iacute;odo do ano em que a NAO melhor explica a variabilidade atmosf&eacute;rica, bem como a altura em que, nas bacias em estudo, ocorrem com maior frequ&ecirc;ncia os caudais di&aacute;rios m&aacute;ximos anuais e se processam fen&oacute;menos de cheias que muitas vezes d&atilde;o origem a inunda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O enunciado no par&aacute;grafo anterior faz com que neste trabalho se d&ecirc; particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave; desagrega&ccedil;&atilde;o sazonal (dezembro a mar&ccedil;o) do impacte da NAO nos ritmos pluviom&eacute;tricos e no comportamento hidrol&oacute;gico associado. A NAO exerce uma influ&ecirc;ncia dominante no clima do Atl&acirc;ntico Norte durante o per&iacute;odo de dezembro a mar&ccedil;o, condicionando, atrav&eacute;s das configura&ccedil;&otilde;es sin&oacute;ticas t&iacute;picas que refletem &iacute;ndices positivos ou negativos, a precipita&ccedil;&atilde;o, a temperatura, o regime de ventos e outros elementos meteorol&oacute;gicos (TRIGO <i>et al</i>., 2002a; TRIGO <i>et al</i>., 2004; HURRELL e DESER, 2009). Portugal, no W da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica &eacute; um dos pa&iacute;ses da bacia mediterr&acirc;nica mais afetados por este fen&oacute;meno, alcan&ccedil;ando os m&aacute;ximos de anomalias relacionadas com os &iacute;ndices NAO nas regi&otilde;es Centro-Sul e Sul, a par com o aumento de situa&ccedil;&otilde;es de abrigo aerol&oacute;gico, na fase positiva e, com o aumento de perturba&ccedil;&otilde;es ondulat&oacute;rias que alcan&ccedil;am latitudes mais meridionais na fase negativa (<i>idem</i>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rio Vouga</b></p>     <p>Apesar dos v&aacute;rios hiatos no registo da precipita&ccedil;&atilde;o na esta&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica de S&atilde;o Pedro do Sul foi poss&iacute;vel a individualiza&ccedil;&atilde;o de dois per&iacute;odos completos de dura&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel, suficiente para captar as varia&ccedil;&otilde;es dos impactes do &iacute;ndice NAO na precipita&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica. No primeiro per&iacute;odo de registos, que se estende entre 1932/33 a 1960/61, a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada m&eacute;dia de dezembro a mar&ccedil;o foi de 614 mm enquanto, no segundo per&iacute;odo, de 1977/78 a 1996/97 a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada m&eacute;dia sofre um decr&eacute;scimo para 553 mm, situa&ccedil;&atilde;o compat&iacute;vel com a ocorr&ecirc;ncia dum maior n&uacute;mero de anos com &iacute;ndice NAO positivo no segundo per&iacute;odo, em compara&ccedil;&atilde;o com o primeiro, em que h&aacute; um maior n&uacute;mero de anos com &iacute;ndices NAO negativos (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os gr&aacute;ficos de dispers&atilde;o para os dois per&iacute;odos (<a href="#f7">Figura 7ab</a>) confirmam essa correspond&ecirc;ncia, sendo poss&iacute;vel perceber que a inclina&ccedil;&atilde;o negativa da reta que relaciona a NAO com a precipita&ccedil;&atilde;o &eacute; ligeiramente mais pronunciada no segundo per&iacute;odo, testemunhando, assim, a maior import&acirc;ncia dos epis&oacute;dios negativos da NAO na precipita&ccedil;&atilde;o acumulada durante o per&iacute;odo mais recente. Duma forma geral, h&aacute; uma melhor correla&ccedil;&atilde;o entre o aumento do &iacute;ndice NAO DJFM e a redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o (R<sup>2</sup> = 0,38 no primeiro per&iacute;odo e R<sup>2</sup> = 0,55 no segundo).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se olharmos para a rela&ccedil;&atilde;o entre a NAO DJFM e o caudal m&eacute;dio DJFM (<a href="#f8">Figura 8</a>) facilmente nos apercebemos que, de um modo geral, os invernos mais pluviosos e com NAO negativa correspondem &agrave;queles em que houve maior escoamento fluvial. De forma sim&eacute;trica, os anos com menor escoamento fluvial foram os anos meteorologicamente mais secos, na depend&ecirc;ncia de &iacute;ndices NAO positivos, realidade confirmada pelo gr&aacute;fico de dispers&atilde;o (<a href="#f9">Figura 9</a>) onde se observa uma reta com inclina&ccedil;&atilde;o negativa (atestando o sentido da correla&ccedil;&atilde;o) e pelo valor do coeficiente de determina&ccedil;&atilde;o (R<sup>2</sup> = 0,42).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f9">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f9.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O comportamento qu&aacute;si-oscilat&oacute;rio da NAO n&atilde;o traduz a sua fase na ocorr&ecirc;ncia dum valor do &iacute;ndice NAO mas sim na magnitude e na reincid&ecirc;ncia de valores semelhantes durante um determinado per&iacute;odo (HURRELL <i>et al</i>., 2003). Partindo deste pressuposto, para uma melhor avalia&ccedil;&atilde;o da afeta&ccedil;&atilde;o das fases NAO durante o per&iacute;odo DJFM escolheu-se a quantifica&ccedil;&atilde;o dos valores m&eacute;dios de ambas as vari&aacute;veis em estudo (precipita&ccedil;&atilde;o e caudais) em invernos em que o &iacute;ndice NAO foi elevado (&gt;0,5) e baixo (&lt;-0,5), demonstrando, assim, a persist&ecirc;ncia de &iacute;ndices mensais e, em &uacute;ltimo lugar, de &iacute;ndices di&aacute;rios relativamente semelhantes ao longo de um consider&aacute;vel intervalo de tempo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a esta&ccedil;&atilde;o climatol&oacute;gica de S&atilde;o Pedro do Sul, a evolu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o acumulada m&eacute;dia no primeiro per&iacute;odo sofre uma redu&ccedil;&atilde;o de 614 mm para 391 mm durante os invernos caracterizados por &iacute;ndices NAO elevados (<a href="#f10">Figura 10</a>). De forma id&ecirc;ntica, no segundo per&iacute;odo tamb&eacute;m se regista uma queda, mas agora de 553 mm para 393 mm<i>. </i>No que se refere ao caudal m&eacute;dio para o inverno boreal estendido na esta&ccedil;&atilde;o de Ponte de Vouzela no rio Vouga, este &eacute; de 22,83 m3/s para o conjunto da s&eacute;rie de dados. No entanto, nos invernos caracterizados por &iacute;ndices NAO elevados este valor reduz para os 16,06 m3/s (<a href="#f10">Figura 11</a>), o que &eacute; consequ&ecirc;ncia do comportamento da precipita&ccedil;&atilde;o. No caso dos invernos com &iacute;ndice NAO baixo, a precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia acumulada em S&atilde;o Pedro do Sul sofreu, no primeiro per&iacute;odo um acr&eacute;scimo para 811 mm e, no segundo, para 972 mm (<a href="#f12">Figura 12</a>). O n&uacute;mero de invernos com este tipo de comportamento do &iacute;ndice NAO, &eacute; francamente menor no segundo per&iacute;odo (4 em 13 invernos com &iacute;ndices NAO, sendo que no primeiro per&iacute;odo a propor&ccedil;&atilde;o era de 10 em 16. No que se refere ao caudal m&eacute;dio para os invernos com &iacute;ndices NAO baixos, verifica-se, &agrave; semelhan&ccedil;a da precipita&ccedil;&atilde;o, um incremento, neste caso para 38,76 m3/s (<a href="#f12">Figura 13</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f10_11.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f12">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f12_13.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Salienta-se, por&eacute;m, que a NAO n&atilde;o explica toda a variabilidade atmosf&eacute;rica no Atl&acirc;ntico Norte mesmo durante o inverno. Assim, existem anos em que a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada &eacute; superior &agrave; m&eacute;dia com &iacute;ndices negativos e, duma forma sim&eacute;trica, anos em que a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada &eacute; inferior &agrave; m&eacute;dia dos per&iacute;odos com &iacute;ndices positivos. O mesmo se passa para os caudais m&eacute;dios do per&iacute;odo dezembro-mar&ccedil;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rio Mondego</b></p>     <p>A esta&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica do IGUC, como esta&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia para o rio Mondego, cobre, ao contr&aacute;rio da esta&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia para o Vouga (S&atilde;o Pedro do Sul), todo o per&iacute;odo em an&aacute;lise, permitindo uma leitura ainda mais completa do impacto da NAO na precipita&ccedil;&atilde;o e nos caudais. A precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia acumulada no quadrimestre invernal de dezembro a mar&ccedil;o (DJFM) em Coimbra &eacute; de 455 mm e a rela&ccedil;&atilde;o entre a variabilidade do &iacute;ndice NAO ao longo do per&iacute;odo em an&aacute;lise e os ritmos pluviom&eacute;tricos invernais (<a href="#f14">Figura 14</a>) mostra uma elevada correspond&ecirc;ncia. Confirmando-a, o gr&aacute;fico de dispers&atilde;o entre a NAO DJFM e a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada an&aacute;loga mostra uma reta negativa com uma inclina&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel (<a href="#f15">Figura 15</a>), sendo o coeficiente de determina&ccedil;&atilde;o de 0,45.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f14">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f14.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f15">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f15.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No caso da rela&ccedil;&atilde;o entre a NAO e os caudais m&eacute;dios DJFM &eacute; bastante percet&iacute;vel a conformidade entre estes e a variabilidade da NAO, a par da conson&acirc;ncia com os invernos mais pluviosos (<a href="#f16">Figura 16</a>). &Eacute; poss&iacute;vel observar que, duma forma geral, os anos de menor escoamento fluvial se relacionam com &iacute;ndices NAO positivos e que, duma forma sim&eacute;trica, os anos de maior escoamento est&atilde;o relacionados com &iacute;ndices NAO negativos. No entanto, os caudais m&eacute;dios de inverno parecem ter perdido um pouco de sensibilidade ao &iacute;ndice NAO depois de 1980/81, face &agrave; regulariza&ccedil;&atilde;o do rio, o que se percebe pela menor resposta destes &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o acumulada no mesmo per&iacute;odo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f16">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f16.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Graficamente, a reta dos gr&aacute;ficos de dispers&atilde;o entre a NAO e os caudais para os dois per&iacute;odos (<a href="#f17">Figura 17a,b</a>) toma uma inclina&ccedil;&atilde;o no sentido negativo, ainda que menos pronunciada quando do regime de caudais regularizados. Reiterando o afirmado, o coeficiente de determina&ccedil;&atilde;o entre os caudais m&eacute;dios DJFM e a NAO nesse per&iacute;odo &eacute; de 0,47 para o regime natural e de 0,35 ap&oacute;s a regulariza&ccedil;&atilde;o. Para o per&iacute;odo total este coeficiente apresenta o valor de 0,44.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f17">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f17.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para uma melhor avalia&ccedil;&atilde;o do impacte das fases da NAO procedeu-se &agrave; quantifica&ccedil;&atilde;o dos valores m&eacute;dios em ambas as vari&aacute;veis em an&aacute;lise para o Mondego para invernos com &iacute;ndices NAO elevados e baixos, bem como a representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica dos invernos em que estes &iacute;ndices persistiram. A precipita&ccedil;&atilde;o acumulada m&eacute;dia em Coimbra sofreu uma queda para 308 mm nos invernos caracterizados por &iacute;ndices NAO elevados (<a href="#f18">Figura 18</a>). Na mesma linha, esta redu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; patente nos caudais, sendo que, em regime natural, estes apresentavam uma m&eacute;dia global de 183,15 m3/s, que reduzia para os 107,14 m3/s e que no caso dos caudais regularizados desce de 125,80 m3/s para 76,28 m3/s (<a href="#f18">Figura 19</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f18">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f18_19.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No caso dos &iacute;ndices NAO baixos, a precipita&ccedil;&atilde;o acumulada m&eacute;dia em Coimbra sobe para uma m&eacute;dia de 617 mm (<a href="#f20">Figura 20</a>). A par com esta subida, em regime natural, o Mondego nesta cidade registou no per&iacute;odo em an&aacute;lise um caudal m&eacute;dio em invernos de &iacute;ndices NAO baixo igual a 237,24 m3/s. De forma semelhante, para o regime regularizado, este valor &eacute; igualmente elevado, nomeadamente de 215,41 m3/s, valor superior &agrave; m&eacute;dia global em regime regularizado.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f20">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f20_21.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.2. Caudais m&aacute;ximos anuais e ocorr&ecirc;ncia de cheia com consequente inunda&ccedil;&atilde;o. Liga&ccedil;&otilde;es com a NAO</b></p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia de cheias que causam inunda&ccedil;&otilde;es est&aacute;, na maior parte das vezes, relacionada com valores de caudal bastante elevados, em alguns casos verdadeiramente excecionais. Ciente dos condicionalismos da NAO na abund&acirc;ncia de precipita&ccedil;&atilde;o demonstrada anteriormente, especialmente durante os meses que se estendem de dezembro a mar&ccedil;o, (per&iacute;odo em que existe a maior frequ&ecirc;ncia de caudais m&aacute;ximos anuais) procedeu-se a uma an&aacute;lise sum&aacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o entre os caudais excecionalmente volumosos em termos m&eacute;dios di&aacute;rios (e instant&acirc;neos) com o &iacute;ndice NAO, tanto para o Vouga e como para o Mondego.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rio Vouga</b></p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia de cheias no rio Vouga &eacute; uma realidade que ocorre praticamente em todos os invernos, embora se devam destacar, pela sua import&acirc;ncia em termos de volume de caudal instant&acirc;neo na Ponte de Vouzela, as cheias de novembro de 1997 (6237 m3/s), dezembro de 1995 (2208 m3/s), dezembro de 1936 (1538 m3/s), fevereiro de 1979 (1344 m3/s) e mar&ccedil;o de 1978 (1117 m3/s).</p>     <p>O <a href="#t1">Quadro I</a> resume estas situa&ccedil;&otilde;es, procedendo-se &agrave; sua confronta&ccedil;&atilde;o com o &iacute;ndice NAO estacional (DJFM para ocorr&ecirc;ncias neste per&iacute;odo e trimensal para os outros), mensal e di&aacute;ria quando poss&iacute;vel, bem como com a precipita&ccedil;&atilde;o para o per&iacute;odo em an&aacute;lise (quando existem dados). Adicionalmente aos caudais instant&acirc;neos provenientes do Plano de Bacia Hidrogr&aacute;fica do Rio Vouga(FBO <i>et al</i>., 2001) acrescentaram-se tamb&eacute;m os dados referentes aos caudais m&eacute;dios di&aacute;rios, mensais e estacionais dispon&iacute;veis atrav&eacute;s do SNIRH.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12t1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Por outro lado, atrav&eacute;s do SNIRH, comparando os caudais instant&acirc;neos m&aacute;ximos di&aacute;rios anuais (quando constam e se referem ao mesmo dia) apercebemo-nos que os valores indicados s&atilde;o muito menores. Cite-se o dia 2 de mar&ccedil;o de 1978 em que o volume instant&acirc;neo m&aacute;ximo di&aacute;rio indicado no SNIRH &eacute; de 367,89 m3/s; o dia 5 de fevereiro de 1979, com 409,7 m3/s e o dia 25 de dezembro de 1995 com 553,67 m3/s. Estes &uacute;ltimos valores parecem mais reais e ultrapassam o percentil 75<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a> dos caudais instant&acirc;neos m&aacute;ximos dispon&iacute;veis atrav&eacute;s do SNIRH, adaptando-se assim, melhor aos outros par&acirc;metros volum&eacute;tricos m&eacute;dios di&aacute;rios, mensais e at&eacute; estacionais.</p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia de caudais instant&acirc;neos m&aacute;ximos di&aacute;rios de grande excecionalidade em Ponte de Vouzela est&aacute; fortemente ligada com o &iacute;ndice NAO DJFM nessa altura e com o aumento da abund&acirc;ncia m&eacute;dia de precipita&ccedil;&atilde;o ao longo destes meses. Em toda a s&eacute;rie n&atilde;o existe um inverno em que os caudais em considera&ccedil;&atilde;o excedam este limite em esta&ccedil;&otilde;es caracterizadas por &iacute;ndices NAO positivos (<a href="#f22">Figura 22</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f22">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f22.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, a correspond&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; perfeita, uma vez que, existem invernos caracterizados por &iacute;ndices NAO extremamente baixos (&lt; -1,0), como o caso do ano hidrol&oacute;gico de 1939/40, em que os caudais instant&acirc;neos m&aacute;ximos anuais ficam por valores mais reduzidos<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>. Todavia estes caudais s&atilde;o bastante elevados (sempre superiores a 300 m3/s), sendo poss&iacute;vel afirmar, com base na literatura existente (FBO <i>et al</i>., 2001; RODRIGUES, 2009), que alguns caudais instant&acirc;neos m&aacute;ximos anuais presentes na <a href="#f22">Figura 22</a> foram respons&aacute;veis por importantes cheias, resultando na inunda&ccedil;&atilde;o de extensas &aacute;reas ribeirinhas (OLIVEIRA, 2013).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rio Mondego</b></p>     <p>Em regime natural, o extravasamento do leito ordin&aacute;rio do Mondego era um processo bastante frequente, tendo algumas cheias e inunda&ccedil;&otilde;es car&aacute;cter excecional devido ao volume de &aacute;gua que aflu&iacute;a &agrave; plan&iacute;cie aluvial e &agrave; altura que atingia nos campos inundados, provocando in&uacute;meros preju&iacute;zos. PAIVA (2005) sublinha a frequ&ecirc;ncia, em regime natural, com que se registavam valores de caudal m&aacute;ximo instant&acirc;neo anual superiores a 2000 m3/s em Ponte de Santa Clara (<a href="#t2">Quadro II</a>). A autora frisa tamb&eacute;m que, em regime natural, por 18 vezes o caudal m&aacute;ximo instant&acirc;neo anual ultrapassou os 1000 m3/s na mesma esta&ccedil;&atilde;o hidrom&eacute;trica, referindo que em 14 vezes (equivalente a 78% das ocorr&ecirc;ncias) houve uma cheia que resultou em inunda&ccedil;&otilde;es no Baixo Mondego.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No intuito de avaliar a influ&ecirc;ncia da NAO invernal na ocorr&ecirc;ncia de caudais especialmente elevados, compat&iacute;veis com a cheia centen&aacute;ria (&gt; 1200 m3/s), elaborou-se a <a href="#f23">Figura 23</a> onde se relacionam estes valores. A correspond&ecirc;ncia destes caudais com a NAO registada na mesma esta&ccedil;&atilde;o do ano &eacute; muito n&iacute;tida, sendo que, como seria de se esperar, estas s&atilde;o ocorr&ecirc;ncias muito mais frequentes antes da regulariza&ccedil;&atilde;o do rio Mondego. Sublinhe-se, todavia, que a tend&ecirc;ncia de subida dos &iacute;ndices NAO e a redu&ccedil;&atilde;o dos volumes de precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dios acumulados durante o inverno tamb&eacute;m parecem condicionar a ocorr&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es hidrol&oacute;gicas extremas relacionadas com cheias que causam inunda&ccedil;&otilde;es nos finais do s&eacute;culo XX.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f23">     <p><img src="/img/revistas/got/n12/n12a12f23.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A conformidade entre os valores da NAO e os caudais em considera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;, por&eacute;m, perfeita como se pode observar no <a href="#t2">Quadro II</a>, uma vez que existem invernos caracterizados por &iacute;ndices NAO extremamente baixos (&lt; -1,0) em que o caudal n&atilde;o ultrapassou os valores do per&iacute;odo de retorno duma cheia centen&aacute;ria e outros em que a NAO foi superior (embora negativa) e estes caudais se registaram. Contudo, se considerarmos o valor de 1000 m3/s em Coimbra, vemos que casos como o do inverno de 1995/96, com um &iacute;ndice NAO extremamente baixo, as ocorr&ecirc;ncias surgem. Por outro lado, com este valor, invernos como o de 1973, por exemplo (com uma NAO especialmente alta), registam caudais suficientemente volumosos para serem inclu&iacute;dos como invernos caracterizados por caudais extremos elevados (<a href="#t2">Quadro II</a>).</p>     <p>A liga&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno NAO &agrave; ocorr&ecirc;ncia de caudais m&eacute;dios di&aacute;rios elevados, ou a caudais instant&acirc;neos elevados, n&atilde;o &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o linear t&atilde;o &oacute;bvia, necessitando de alguma reflex&atilde;o para que se possa perceber cada epis&oacute;dio. Da mesma forma, a NAO n&atilde;o pode explicar sempre, &agrave; luz do conhecimento atual, os epis&oacute;dios pluviosos respons&aacute;veis por cheias, pelo que ser&aacute; necess&aacute;rio procurar e tentar encontrar outras justifica&ccedil;&otilde;es &agrave; escala sin&oacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>As varia&ccedil;&otilde;es da NAO apresentam uma forte repercuss&atilde;o nos quantitativos de precipita&ccedil;&atilde;o, em particular no per&iacute;odo que se estende de dezembro a mar&ccedil;o, influenciando, por conseguinte, o escoamento superficial, visto que a sua fonte de alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;, sobretudo, a precipita&ccedil;&atilde;o. Esta assinal&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o encontra-se j&aacute; documentada por estudos em rios ib&eacute;ricos (TRIGO <i>et al</i>., 2002ab; LORENZO-LACRUZ <i>et al</i>., 2011), o mesmo acontecendo, no presente estudo, com os rios Vouga e Mondego, em particular no per&iacute;odo mais pluvioso do ano (de dezembro a mar&ccedil;o), em que este condicionamento &eacute; ainda maior, com correla&ccedil;&otilde;es fortemente negativas e muito significativas em ambas as bacias.</p>     <p>De facto, o aumento do &iacute;ndice NAO para n&iacute;veis elevados (&gt;0,5) representa quase sempre um decr&eacute;scimo muito significativo na precipita&ccedil;&atilde;o invernal e, consequentemente, nos caudais m&eacute;dios nesta esta&ccedil;&atilde;o do ano. Excetua-se, neste estudo, o rio Mondego ap&oacute;s a regulariza&ccedil;&atilde;o do caudal por infraestruturas hidr&aacute;ulicas a partir da d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo passado, em que a rela&ccedil;&atilde;o precipita&ccedil;&atilde;o-caudal diminuiu. Em contrapartida, a redu&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice NAO para valores baixos (&lt;-0,5), em particular no per&iacute;odo dezembro-mar&ccedil;o, significa um aumento substancial da precipita&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, do caudal, mesmo em regime regularizado, como no caso do Mondego depois de 1980/81. Deste modo, a maior parte das cheias que causaram inunda&ccedil;&otilde;es no Vouga e no Mondego nos setores analisados coincidiram com &iacute;ndices NAO baixos a muito baixos. No caso dos caudais m&aacute;ximos anuais excecionais, estes coincidiram sempre com &iacute;ndices NAO especialmente reduzidos no conjunto da esta&ccedil;&atilde;o invernal boreal estendida (dezembro-mar&ccedil;o).</p>     <p>A NAO assume, portanto, uma import&acirc;ncia preponderante na manifesta&ccedil;&atilde;o de riscos hidroclimatol&oacute;gicos nas bacias em an&aacute;lise, com uma tend&ecirc;ncia para a concentra&ccedil;&atilde;o dos volumes de precipita&ccedil;&atilde;o mais elevados em invernos com &iacute;ndices de NAO negativos. No entanto, algumas situa&ccedil;&otilde;es de cheias e inunda&ccedil;&otilde;es podem ocorrer com &iacute;ndices NAO positivos, uma vez que um valor elevado do &iacute;ndice NAO n&atilde;o significa a aus&ecirc;ncia de configura&ccedil;&otilde;es sin&oacute;ticas com sistemas capazes de provocar precipita&ccedil;&atilde;o intensa a essa escala. Este car&aacute;cter invulgar tamb&eacute;m se aplica para &iacute;ndices NAO negativos, pr&oacute;ximos do normal.</p>     <p>Por outro lado, a ocorr&ecirc;ncia de cheias de grande magnitude, causadoras de inunda&ccedil;&otilde;es de elevada severidade em rios como o Vouga e o Mondego, n&atilde;o se explica apenas por um simples epis&oacute;dio pluvioso intenso. Nestes casos, em particular, o condicionamento da NAO &eacute; primordial, j&aacute; que opera como contributo para uma precipita&ccedil;&atilde;o abundante e persistente (v&aacute;rias semanas ou mesmo meses), que despoleta situa&ccedil;&otilde;es de importantes cheias capazes de provocar vastas inunda&ccedil;&otilde;es (OLIVEIRA, 2013).</p>     <p>Para finalizar, ser&aacute; correto afirmar que a NAO, de acordo com os resultados desta investiga&ccedil;&atilde;o, condiciona duma forma determinante a manifesta&ccedil;&atilde;o de riscos hidroclimatol&oacute;gicos nas bacias em estudo atrav&eacute;s dos quantitativos de precipita&ccedil;&atilde;o, resultado da recorr&ecirc;ncia de configura&ccedil;&otilde;es sin&oacute;ticas perturbadas em Portugal, projetadas em &iacute;ndices NAO negativos. Esta proje&ccedil;&atilde;o ocorre fundamentalmente a n&iacute;vel da esta&ccedil;&atilde;o pluviosa (dezembro-mar&ccedil;o), mas tem uma &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o com os &iacute;ndices registados mensalmente e, em &uacute;ltimo lugar, diariamente, sendo que estes &uacute;ltimos parecem repercutir-se na precipita&ccedil;&atilde;o com algum atraso, retratando uma din&acirc;mica ondulat&oacute;ria, caracter&iacute;stica dum m&ecirc;s/esta&ccedil;&atilde;o com NAO negativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BARNSTON, A. G.; LIVEZEY, R. E. (1987) &ndash; Classification, Seasonality and Persistence of Low-Frequency Atmospheric Circulation Patterns. <i>Mon. Wea. Rev.</i>, 115: 1083-1127.</p>     <p>FBO; HLC; DRENA; AGRIPRO; PROFABRIL; CHIRON e AMBIO (2001) &ndash; <i>Plano de Bacia Hidrogr&aacute;fica do Rio Vouga</i>. <i>Relat&oacute;rio do Plano</i>.<a name="_Toc315329753"></a></p>     <p>Guedes, M. R. M (2006) &ndash; <i>Contribui&ccedil;&atilde;o Para a Avalia&ccedil;&atilde;o, Previs&atilde;o e Preven&ccedil;&atilde;o do Regime de Cheias na Bacia do Vouga</i>. Tese de Mestrado. Universidade de Aveiro, Aveiro.</p>     <p>HURRELL, J. W. (1995) &ndash; An evaluation of the transient eddy forced vorticity balance during Northern Hemisphere winter. <i>J. Atmos. Sci</i>., 52: 2286 &ndash; 2301.</p>     <p>HURRELL, J. W. (1995b) &ndash; Decadal trends in the North Atlantic Oscillation: regional temperatures and precipitation. <i>Science</i>, 269: 676-679.</p>     <p>HURRELL, J. W. e VAN LOON, H. (1997) - Decadal variations in climate associated with the North Atlantic Oscillation. <i>Climatic Change</i>, <i>36</i>: 301&ndash;326.</p>     <p>HURRELL, J. W.; KUSHNIR, Y.; OTTERSEN, G. e VISBECK, M. (2003) &ndash; An Overview of the North Atlantic Oscillation. The North Atlantic Oscillation: Climate Significance and Environmental Impact. <i>Geophysical Monograph 134</i>. <i>The American Geophysical Union</i>, Washington.</p>     <p>HURRELL, J. W. e DESER, C. (2009) &ndash; North Atlantic climate variability: The role of the North Atlantic Oscillation. <i>J. Mar. Sys</i>., 78: 28-41.</p>     <!-- ref --><p>&nbsp;HURRELL, James &amp; NATIONAL CENTER FOR ATMOSPHERIC RESEARCH STAFF (Eds). Last modified 15 Sep 2016. "<i>The Climate Data Guide: North Pacific (NP) Index by Trenberth and Hurrell; monthly and winter.</i>" Retrieved from <a href="https://www.climatedataguide.ucar.edu/climate-data/north-pacific-np-index-trenberth-and-hurrell-monthly-and-winter" target="_blank">https://www.climatedataguide.ucar.edu/climate-data/north-pacific-np-index-trenberth-and-hurrell-monthly-and-winter</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1745178&pid=S2182-1267201700020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KUSHNIR, Y. e WALLACE, J. M. (1989) - Low frequency variability in the Northern Hemisphere winter: Geographical distribution, structure and time dependence. <i>J. Atmos. Sci.</i>, <i>46</i>: 3122&ndash;3142.KLEIN TANK, A.M.G. <i>et al</i>. (2002) - Daily dataset of 20th- century surface air temperature and precipitation series for the European Climate Assessment. <i>International Journal of Climatology</i>, 22, pp. 1441-1453.</p>     <p>LIMA, M. I. P. de e LIMA, J. L. M. O. de (2002) &ndash; Precipitation and the hydrology of the Mondego catchment: a scale &ndash; invariant study. <i>Aquatic Ecology of the Mondego River Basin. Importance of local experience</i>. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, pp. 13 &ndash; 28.</p>     <p>LORENZO-LACRUZ, J., VICENTE-SERRANO, S. M., L&Oacute;PEZ-MORENO, J. I., GONZ&Aacute;LEZ-HIDALGO, J. C., AND MOR&Aacute;N-TEJEDA, E. (2011) &minus; The response of Iberian rivers to the North Atlantic Oscillation. <i>Hydrol. Earth Syst. Sci.</i>, 15, 2581-2597, <a href="https://www.doi.org/10.5194/hess-15-2581-2011" target="_blank">https://www.doi.org/10.5194/hess-15-2581-2011</a>.</p>     <p>LORENZO-LACRUZ, J.; GONZ&Aacute;LEZ-HIDALGO, J.C.; VIZENTE-SERRANO, S.M.; L&Oacute;PEZ- MORENO, J.I.; BRUNETTI, M. e CORTESI, N. (2011) &ndash; The Influence of the North Atlantic Oscillation on the streamflows of Iberian rivers. ESF-MedCLIVAR Workshop on &ldquo;<i>Hydrological, socioeconomic and ecological impacts of the North Atlantic Oscillation in the Mediterranean &nbsp;region</i>&rdquo;.</p>     <p>LOUREN&Ccedil;O, L. (1986) &ndash; Aproveitamento Hidr&aacute;ulico do Vale do Mondego. <i>Problemas do Vale do Mondego, Actas do IV Col&oacute;quio Ib&eacute;rico de Geografia</i>, 22 a 25 de setembro de 1986, Coimbra, pp. 45- 59.</p>     <p>Mateus, C. e Cunha, L. (2013) - A oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Norte (NAO) e riscos clim&aacute;ticos em Coimbra durante o Inverno de 1950 a 2010. <i>Territorium</i>, Coimbra, 20, pp. 37-47.</p>     <p>National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) (2011) &ndash; Expert Discussion, North Atlantic Oscillation (<a href="http://www.cpc.ncep.noaa.gov/data/teledoc/nao.shtml" target="_blank">http://www.cpc.ncep.noaa.gov/data/teledoc/nao.shtml</a>)</p>     <p>OLIVEIRA, W. (2013) &ndash; <i>Impactos da Oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Norte nos Regimes Fluviais dos rios Vouga e Mondego &ndash; Sua Relev&acirc;ncia na Manifesta&ccedil;&atilde;o de Situa&ccedil;&otilde;es Hidrol&oacute;gicas Extremas (Cheias e Inunda&ccedil;&otilde;es)</i>. Tese de Mestrado. Universidade de Coimbra, Coimbra.</p>     <p>OSBORN, T. J.; BRIFFA, K. R.; TETT, S. F. B.; JONES, P. D.; TRIGO, R. M. (1999) &ndash; Evaluation of the North Atlantic Oscillation as simulated model. <i>Climate Dyn.</i>, 15: 685-702.</p>     <p>PAIVA, I. M. R. (2005) &ndash; <i>Risco de Inunda&ccedil;&atilde;o em Coimbra, Factores f&iacute;sicos e ac&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica. As Inunda&ccedil;&otilde;es Urbanas e as Cheias do Mondego (1950/51-2003/04)</i>. Tese de Mestrado. Universidade de Coimbra, Coimbra.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PORTIS, D. H., WALSH, J. E., EL HAMLY, M. e LAMB, P. J. (2001) &ndash; Seasonality of the North Atlantic Oscillation. <i>J. Climate, 14</i>: 2069-2078.</p>     <p>RODRIGUES, C. M. C. (2009) &ndash; <i>Risco de Inunda&ccedil;&atilde;o, &Aacute;rea das Termas de S&atilde;o Pedro do Sul</i>. Tese de Mestrado. Universidade de Coimbra, Coimbra.</p>     <p>ROGERS, J. C. (1990) - Patterns of low-frequency monthly sea level pressure variability (1899-1986) and associated wave cyclone frequencies. <i>J. Climate</i>, 3: 1364&ndash;1379.</p>     <p>ROGERS, J. C. (1997) &ndash; North Atlantic storm track variability and its association to the North Atlantic Oscillation and climate variability of Northern Europe. <i>J. Climate</i>, 10: 1635-1647.</p>     <p>TRENBERTH, K. E. e PAOLINO, D. A. (1980) - The Northern Hemisphere sea level pressure data set: Trends, errors and discontinuities. <i>Mon. Wea. Rev</i>., 108: 855&ndash;872.</p>     <p>TRIGO, R.M.; OSBORN, T.J. e CORTE-REAL, J. (2002a) &ndash; The North Atlantic Oscillation influence on Europe: climate impacts and associated physical mechanisms. <i>Clim. Res</i>., 20: 9-17</p>     <p>TRIGO, R.; OSBORN, T. J.; CORTE-REAL, J. (2002b) &ndash; Influ&ecirc;ncia da Oscila&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Norte no Clima do Continente Europeu e no Caudal dos Rios Ib&eacute;ricos Atl&acirc;nticos. <i>Finisterra</i>, <i>Revista Portuguesa de Geografia</i>, XXXVII, 73: 5-31. Lisboa.</p>     <p>TRIGO, R.M.; POZO-V&Aacute;ZQUEZ, D.; OSBORN, T.J.; CASTRO-D&Iacute;EZ, Y.; G&Aacute;MIZ-FORTIS, S. e ESTEBAN-PARRA, M.J (2004) &ndash; North Atlantic Oscillation Influence on precipitation, river flow and water resources in the Iberian Peninsula. <i>Int. J. Climate</i>, 24: 925-944.&nbsp; <a name="_Toc315329774"></a>WALLACE, J. M.; GUTZLER, D. S. (1981) &ndash; Teleconnections in the geopotential height field during the Northern Hemisphere winter. <i>Mon. Wea. Rev.</i>, 109: 784-812.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OUTROS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>AG&Ecirc;NCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE (dados trabalhados em SIG) <a href="http://www.apambiente.pt" target="_blank">http://www.apambiente.pt</a></p>     <p>EUROPEAN CLIMATE ASSESMENT &amp; DATASET (dados pluviom&eacute;tricos da esta&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica do IGUC entre 1955/56 e 1970/71) <a href="http://www.ecad.eu/ target="_blank">http://www.ecad.eu/</a></p>     <p>INSTITUTO GEOF&Iacute;SICO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA (dados de precipita&ccedil;&atilde;o &ndash; normais 1960-1990 e 1970-2000 e valores de precipita&ccedil;&atilde;o da esta&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica 1971/72-2011/2012) <a href="http://www1.ci.uc.pt/iguc/" target="_blank">http://www1.ci.uc.pt/iguc/</a></p>     <p>NATIONAL CENTRE FOR ATMOSPHERIC RESEARCH &ndash; CLIMATE DATA GUIDE (NCAR &ndash; CDG: dados men-sais, sazonais e anuais do &iacute;ndice NAO baseados em componentes principais) <a href="https://www.climatedataguide.ucar.edu/climate-data" target="_blank">https://www.climatedataguide.ucar.edu/climate-data</a></p>     <p>NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION (valores di&aacute;rios do &iacute;ndice NAO)&nbsp; <a href="http://www.cpc.ncep.noaa.gov" target="_blank">http://www.cpc.ncep.noaa.gov</a> </p>     <p>SISTEMA NACIONAL DE INFORMA&Ccedil;&Atilde;O DE RECURSOS H&Iacute;DRICOS (valores de caudal para ambos os rios e de precipita&ccedil;&atilde;o para a esta&ccedil;&atilde;o de S.Pedro do Sul - bacia hidrogr&aacute;fica do rio Vouga) <a href="http://www.snirh.pt/" target="_blank">http://www.snirh.pt/</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Apesar de poderem ocorrer chuvas intensas nos meses de outono e de primavera, por vezes respons&aacute;veis por cheias r&aacute;pidas nalguns cursos de &aacute;gua e, mesmo, nalgumas cidades (Coimbra, por exemplo), s&atilde;o as chuvas de inverno as respons&aacute;veis pelas principais cheias progressivas que afectam os principais rios, como &eacute; o caso dos rios Mondego e Vouga.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Even though heavy rain which might be accountable for flash floods in some streams may occur during Autumn and Spring months, and even in some cities (Coimbra for example), the rain that occurs during Winter is the main responsible for progressive flooding that hit the main rivers, as in the case of Mondego and Vouga rivers.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Embora as an&aacute;lises da NAO que se seguem digam respeito ao per&iacute;odo de dezembro a mar&ccedil;o, de facto o m&ecirc;s de novembro (e mesmo, em alguns anos, o de outubro) s&atilde;o meses com elevadas quedas pluviom&eacute;tricas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Caudais Instant&acirc;neos Excecionais.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Note-se tamb&eacute;m que existem falhas nestes dados, o que pode perturbar a correspond&ecirc;ncia esperada.</p>      ]]></body><back>
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