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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As redes técnicas sanitárias como reflexo de poder na sociedade capitalista: apontamentos com base na ação da CODEMAR em Maringá, Paraná, Brasil, entre 1962-1980]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Current research analyzes the city through the interaction between technology and society and deals with the co-relationship between the urbanization process and the establishment of sanitary technical networks. The city of Maringá was established ex novo by a private company in 1947 which proved to be negligent in providing basic infrastructure. CODEMAR, the municipal sanitary company established to administer and execute basic services in the municipality between 1962 and 1980, is analyzed for the impact of its activities on society and for the structuring of the administered territory within patterns of urban growth and organization. Results reveal lack of neutrality of municipal government which corroborated with the rise of a dichotomy between the planned section and the city´s expanding areas.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As redes t&eacute;cnicas sanit&aacute;rias como reflexo de poder na sociedade capitalista: apontamentos com base na a&ccedil;&atilde;o da CODEMAR em Maring&aacute;, Paran&aacute;, Brasil, entre 1962-1980</b></p>     <p><b>Sanitary technical networks as representations of power in capitalist society: Notesbased on the activities of CODEMAR in Maring&aacute;, Brazil, between 1962 and 1980</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Barbosa, Leonardo</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup> Universidade Estadual de Maring&aacute; | Departamento de Arquitetura e Urbanismo; 87010-900, Maring&aacute;, Paran&aacute;, Brasil - Av. Colombo, 5.790 Jd. Universit&aacute;rio (Bloco 32); <a href="mailto:Leonardo.cb@gmail.com">Leonardo.cb@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Compreendendo a cidade pelo vi&eacute;s da intera&ccedil;&atilde;o da tecnologia com a sociedade, aborda-se a correla&ccedil;&atilde;o entre o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e o estabelecimento das redes t&eacute;cnicas sanit&aacute;rias. A cidade de Maring&aacute; foi implantada <i>ex novo,</i> em 1947, por uma empresa de capital privado que se mostrou negligente no provimento de infraestruturas b&aacute;sicas ao seu funcionamento. Assim, analisa-se a atua&ccedil;&atilde;o da companhia sanit&aacute;ria municipal (CODEMAR &ndash; Companhia de Desenvolvimento de Maring&aacute;), destinada a executar e gerir estes servi&ccedil;os, entre os anos de 1962-1980, com o objetivo de analisar o impacto de suas a&ccedil;&otilde;es na sociedade, na estrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e nos padr&otilde;es de crescimento e organiza&ccedil;&atilde;o urbana. Os resultados apontam para a falta de neutralidade do poder municipal, corroborando para a cria&ccedil;&atilde;o de uma dicotomia entre a por&ccedil;&atilde;o planejada e as &aacute;reas de expans&otilde;es da cidade.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: urbaniza&ccedil;&atilde;o, infraestrutura urbana, CODEMAR, abastecimento de &aacute;gua, esgotamento sanit&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Current research analyzes the city through the interaction between technology and society and deals with the co-relationship between the urbanization process and the establishment of sanitary technical networks. The city of Maring&aacute; was established <i>ex novo</i> by a private company in 1947 which proved to be negligent in providing basic infrastructure. CODEMAR, the municipal sanitary company established to administer and execute basic services in the municipality between 1962 and 1980, is analyzed for the impact of its activities on society and for the structuring of the administered territory within patterns of urban growth and organization. Results reveal lack of neutrality of municipal government which corroborated with the rise of a dichotomy between the planned section and the city&acute;s expanding areas.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Keywords:</b> urbanization, urban infrastructure, CODEMAR, water supply, sanitary sewerage network.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O estudo da cidade moderna tem como ponto de partida a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial (s&eacute;culo XVIII). Como observou Lefevbre (2001), o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o &ndash; e a consequente organiza&ccedil;&atilde;o capitalista do espa&ccedil;o - tem sido o agente indutor das transforma&ccedil;&otilde;es da sociedade urbana, refletindo nas problem&aacute;ticas de crescimento, planejamento e luta de classes nas cidades.</p>     <p>Ainda que as cidades pr&eacute;-existam &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o, foi ap&oacute;s o advento desta l&oacute;gica produtiva que a sociedade iniciou o processo de aglomera&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o urbano, tendo como caracter&iacute;stica a tend&ecirc;ncia crescente de organiza&ccedil;&atilde;o por meio de redes &ndash; sanit&aacute;rias, de eletrifica&ccedil;&atilde;o, de transportes, comunica&ccedil;&atilde;o, etc. - com bases assentadas na propriedade privada do solo urbano. Joel Tarr (1984) classifica este fen&ocirc;meno como a transi&ccedil;&atilde;o da <i>walking city</i>, cidade densa, compacta e com baixo grau de infraestrutura, para a <i>networked city</i>, a metr&oacute;pole industrial, com valores posicionais de uso do solo definidos e altamente conectados por redes.</p>     <p>A abordagem da hist&oacute;ria urbana sob a &oacute;tica da intera&ccedil;&atilde;o entre a tecnologia e fatores sociais, culturais, pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos tem sido explorada por autores como Dupuy (1998), Castells (2005) e Secchi (2007). Destes estudos partem o entendimento de que o r&iacute;gido determinismo tecnol&oacute;gico ou o simples modelo de demanda distorcem o padr&atilde;o de evolu&ccedil;&atilde;o das infraestruturas, uma vez que o estabelecimento destas na cidade est&aacute; sujeito a uma s&eacute;rie de fatores, como investimentos, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e conjuntura econ&ocirc;mica, que tornam este processo n&atilde;o linear.</p>     <p>Para Milton Santos (2008, p.24) &ldquo;O desenvolvimento da hist&oacute;ria vai de par com o desenvolvimento das t&eacute;cnicas&rdquo; uma vez que &ldquo;A cada evolu&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica, uma nova etapa da hist&oacute;ria se torna poss&iacute;vel&rdquo;. O autor exp&otilde;e ainda que o surgimento de uma nova fam&iacute;lia de t&eacute;cnicas n&atilde;o elimina as anteriores, pois estas passar&atilde;o a coexistir sendo que as t&eacute;cnicas mais avan&ccedil;adas ser&atilde;o consumidas pelos atores mais hegem&ocirc;nicos, ao passo que os n&atilde;o hegem&ocirc;nicos utilizar&atilde;o conjuntos menos atuais, revelando assim uma rela&ccedil;&atilde;o de poder na apropria&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento t&eacute;cnico.</p>     <p>Este vi&eacute;s da materializa&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o e poder no territ&oacute;rio, observado nos estudos das redes t&eacute;cnicas, &eacute; explorado em diversos trabalhos (Raffestin, 1993; Dupuy, 1998; Castells, 2005; Santos, 2006). A ideia de poder, expressa por estes autores, se d&aacute; na capacidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o controlar recursos necess&aacute;rios ao funcionamento de uma outra organiza&ccedil;&atilde;o. Entendendo a rede como um conjunto de n&oacute;s interconectados, Castells (2005, p.567) afirma que &ldquo;os conectores s&atilde;o os detentores do poder&rdquo;, pois estes determinam processos de inclus&atilde;o/exclus&atilde;o, que repercutem na organiza&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>De acordo com Milton Santos (2006), tal fato se deve ao modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, que d&aacute; a alguns atores um papel privilegiado na produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o. Assim, as redes s&atilde;o a materializa&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio desta rela&ccedil;&atilde;o, pois ao mesmo tempo em que solidariza e conecta uma parcela ao servi&ccedil;o, exclui e marginaliza os que n&atilde;o lhe tem acesso. Dupuy (1998) corrobora com este pensamento, afirmando que para os atores econ&ocirc;micos &ndash; como as empresas -, a rede &eacute; um meio de territorializar para gerar valor &ndash; l&ecirc;-se valor econ&ocirc;mico.</p>     <p>Neste sentido, a rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre valor de uso e valor de troca, se mostra uma vari&aacute;vel chave para o estudo urbano.&nbsp; Lefebvre (2001) afirma que a cidade e a realidade urbana dependem do valor de uso. Contudo, a orienta&ccedil;&atilde;o irrevers&iacute;vel na dire&ccedil;&atilde;o do dinheiro e da mercadoria do sistema produtivo vigente coloca o valor de troca como for&ccedil;a principal, subordinando a si os valores de uso. Com efeito, as redes t&eacute;cnicas sanit&aacute;rias, ineg&aacute;vel valor social de uso, apresentar&atilde;o uma l&oacute;gica de implanta&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio maringaense mais relacionada com o valor do solo do que com a demanda pelo servi&ccedil;o.</p>     <p>Dentre as redes de infraestrutura urbana, as redes t&eacute;cnicas sanit&aacute;rias &ndash; abastecimento de &aacute;gua, coleta de esgoto e drenagem pluvial -, emergiram no espa&ccedil;o urbano moderno de forma pioneira como uma resposta &agrave; insalubridade produzida pela industrializa&ccedil;&atilde;o. De maneira geral, a iniciativa privada se mostrou um importante agente na implanta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, como no caso do abastecimento de &aacute;gua na Inglaterra, EUA e Brasil, iniciado por empresas privadas, ainda que, nos &uacute;ltimos dois casos, o poder p&uacute;blico tenha tomado a frente da implanta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os nos primeiros anos do s&eacute;culo XX (Melosi, 2008; Rezende e Heller, 2002). J&aacute; os servi&ccedil;os de esgotamento sanit&aacute;rio, em raz&atilde;o dos altos custos de implanta&ccedil;&atilde;o, tenderam a ter controle do setor p&uacute;blico, embora sempre houvesse forte interesse e press&atilde;o da iniciativa privada no estabelecimento destas redes (Dupuy, 1998).</p>     <p>Destas observa&ccedil;&otilde;es vale destacar dois aspectos. O primeiro &eacute; o inevit&aacute;vel impacto destas redes no valor do solo urbano, pois como explicado por Villa&ccedil;a (2001), o valor de troca de um determinado espa&ccedil;o reside na quantidade de trabalho social despendido na produ&ccedil;&atilde;o daquela localidade, expresso, dentre outras formas, pelo acesso ao servi&ccedil;o sanit&aacute;rio. O segundo aspecto diz respeito &agrave; l&oacute;gica empresarial adotada para os servi&ccedil;os sanit&aacute;rios, que no caso brasileiro se acentuou com o Plano Nacional de Saneamento (PLANASA), que entrou em funcionamento em 1971, conferindo monop&oacute;lio &agrave;s companhias estaduais, &uacute;nicas a terem acesso ao Sistema Financeiro de Financiamento (SFS) (Rezende e Heller, 2002).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, a implanta&ccedil;&atilde;o das redes sanit&aacute;rias no territ&oacute;rio se mostra vantajosa para diversos atores urbanos, como os promotores imobili&aacute;rios &ndash; visando ampliar o valor de troca -, a popula&ccedil;&atilde;o em geral &ndash; pela qualidade de vida proporcionada pelo servi&ccedil;o &ndash; e pelo Estado. Sobre este &uacute;ltimo &eacute; importante destacar a complexidade de sua atua&ccedil;&atilde;o, uma vez que que atua como promotor de uma s&eacute;rie de servi&ccedil;os e infraestrutura urbanos; regula e disciplina o uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo; e ainda age como propriet&aacute;rio fundi&aacute;rio e promotor imobili&aacute;rio, consumindo espa&ccedil;o e localiza&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas (Corr&ecirc;a, 1999).</p>     <p>O estudo da hist&oacute;ria urbana, por meio do estabelecimento das redes sanit&aacute;rias no territ&oacute;rio, se mostra uma frut&iacute;fera ferramenta para tecer an&aacute;lises acerca dos padr&otilde;es de crescimento urbano, hist&oacute;ria e evolu&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica, e as rela&ccedil;&otilde;es de poder estabelecidas por diferentes agentes. Como objeto de estudo, elegeu-se a cidade de Maring&aacute;, localizada no estado do Paran&aacute;, Brasil, cidade implantada <i>ex novo</i> em 1947, fruto de um plano de coloniza&ccedil;&atilde;o empreendido por agentes privados.</p>     <p>As infraestruturas e servi&ccedil;os urbanos demoraram a se estabelecer na cidade, pois a companhia colonizadora limitava-se a tra&ccedil;ar os arruamentos e dividir os lotes nas cidades que implantava. Estes servi&ccedil;os ficavam, ent&atilde;o, a cargo das municipalidades que com poucos recursos nos anos iniciais e frente a um expressivo crescimento populacional, demoram a resolver estas quest&otilde;es, gerando dificuldades no cotidiano da popula&ccedil;&atilde;o e entraves ao desenvolvimento econ&ocirc;mico da <i>urbe</i>. No que tange as quest&otilde;es sanit&aacute;rias, a solu&ccedil;&atilde;o s&oacute; come&ccedil;ou a ser solucionada no fim de 1962, com a cria&ccedil;&atilde;o da Companhia de Desenvolvimento de Maring&aacute; (CODEMAR), empresa sanit&aacute;ria municipal destinada a implantar e gerir estas infraestruturas no munic&iacute;pio.</p>     <p>Assim, o objetivo deste estudo &eacute; entender o impacto das redes t&eacute;cnicas sanit&aacute;rias implantadas pela CODEMAR na sociedade, estrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e padr&otilde;es de crescimento e organiza&ccedil;&atilde;o urbana, uma vez que, a abrang&ecirc;ncia destes servi&ccedil;os, intimamente relacionados com a salubridade e qualidade de vida, pode materializar no espa&ccedil;o rela&ccedil;&otilde;es de poder, domina&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o social.</p>     <p>O recorte temporal elegido consiste no per&iacute;odo de atua&ccedil;&atilde;o da CODEMAR em Maring&aacute;, iniciando em dezembro de 1962, quando &eacute; criada, at&eacute; junho de 1980 quando a concess&atilde;o dos servi&ccedil;os sanit&aacute;rios &eacute; repassada &agrave; Companhia de Saneamento do Paran&aacute; (SANEPAR). O m&eacute;todo de an&aacute;lise consistiu no confrontamento entre diferentes fontes documentais, como jornais de veicula&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria da &eacute;poca, mapas e projetos das redes sanit&aacute;rias, diagn&oacute;sticos de planos diretores, legisla&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica e a iconografia dispon&iacute;vel, buscando a correla&ccedil;&atilde;o do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o com o estabelecimento das redes sanit&aacute;rias no territ&oacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A atua&ccedil;&atilde;o da CODEMAR na cidade de Maring&aacute;</b></p>     <p>A an&aacute;lise aqui proposta &eacute; dividida tr&ecirc;s recortes temporais. O primeiro, de 1947 a 1962, visa explicitar o contexto de forma&ccedil;&atilde;o da cidade de Maring&aacute; e seus anos iniciais de funcionamento, encerrando com a cria&ccedil;&atilde;o da CODEMAR. O segundo, de 1962 a 1969, discorre sobre a fase de estrutura&ccedil;&atilde;o da empresa na cidade, finalizando em 1969 quando o sistema de abastecimento de &aacute;gua come&ccedil;a a operar. A &uacute;ltima fase (1969-1980) investiga o processo de implanta&ccedil;&atilde;o das infraestruturas sanit&aacute;rias na cidade, explorando sua rela&ccedil;&atilde;o com a forma e crescimento urbano, o impacto destas redes na sociedade e a atua&ccedil;&atilde;o do poder municipal enquanto agente no provimento destes servi&ccedil;os.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2.1. A constru&ccedil;&atilde;o de Maring&aacute; e a conjuntura para a instala&ccedil;&atilde;o das redes sanit&aacute;rias</b></p>     <p>A cidade de Maring&aacute; est&aacute; situada na regi&atilde;o Norte do Paran&aacute;, por&ccedil;&atilde;o do Estado colonizada a partir de 1925, por um empreendimento privado, coordenado pela Companhia de Terras Norte do Paran&aacute; (CTNP) &ndash; posteriormente denominada Companhia Melhoramentos Norte do Paran&aacute;, CMNP -, que se destaca em n&iacute;vel nacional pela dimens&atilde;o e caracter&iacute;stica do plano realizado. Estas interviram em uma &aacute;rea de 546.017 alqueires, executando o parcelamento rural e criando uma rede de mais de 60 novos n&uacute;cleos urbanos (Rego, 2009).</p>     <p>Antes deste plano de coloniza&ccedil;&atilde;o, esta por&ccedil;&atilde;o do estado era constitu&iacute;da por terras devolutas, ocupadas por posseiros e ind&iacute;genas. Seu processo de ocupa&ccedil;&atilde;o foi motivado, sobretudo, pela fertilidade do solo, atrativo para a expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cafeeira do sul paulista, e pela inten&ccedil;&atilde;o do governo do estado de ocupa&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas, vendendo a pre&ccedil;os m&oacute;dicos para companhias colonizadoras privadas. N&atilde;o cabe aqui o aprofundamento do complexo e conflituoso processo de ocupa&ccedil;&atilde;o regional, explorado por estudos de enfoques variados como os de Monbeig (1984), Mota (2005), Gon&ccedil;alves (2007) e Rego (2009) mas &eacute; importante destacar que o aparente sucesso da rede urbana estabelecida pelas colonizadoras foi conseguido &agrave; custa de significativas perdas ambientais &ndash; devasta&ccedil;&atilde;o da Mata Atl&acirc;ntica - e sociais &ndash; expropria&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas e posseiros.</p>     <p>O plano tra&ccedil;ado pela CTNP/CMNP utilizou como linha mestra a demarca&ccedil;&atilde;o de uma ferrovia, implantada no divisor de &aacute;guas de duas bacias, a do Rio Iva&iacute; ao sul e do Rio Pirap&oacute; ao norte. Junto &agrave; ferrovia, conformou-se o transporte rodovi&aacute;rio, tamb&eacute;m seguindo o espig&atilde;o e ramificando-se em estradas de menor express&atilde;o, que seguiam os espig&otilde;es secund&aacute;rios. As cidades foram hierarquizadas por porte, a saber: quatro cidades polo prestadoras de servi&ccedil;os, distando 100 km entre si, sendo elas Londrina, Maring&aacute;, Cianorte e Umuarama; e n&uacute;cleos menores situados entre estas, espa&ccedil;ados a cada 15 km (Rego, 2009).</p>     <p>A concep&ccedil;&atilde;o do plano urban&iacute;stico de Maring&aacute; ficou a cargo do engenheiro paulistano Jorge de Macedo Vieira, formado pela escola polit&eacute;cnica de S&atilde;o Paulo, profissional extremamente atuante entre as d&eacute;cadas de 1920 e 1960, com projetos de bairros jardins, est&acirc;ncias balne&aacute;rias e cidades novas. Suas solu&ccedil;&otilde;es projetuais apresentam um hibridismo de ideias que perpassa o higienismo, o <i>city beautiful</i>, o <i>zoning</i>, e o ide&aacute;rio de cidade jardim, refer&ecirc;ncias estas que ressoam no plano de Maring&aacute;, pensado para acomodar 200.000 habitantes (Andrade <i>et al.</i> 1999). A modernidade expressa no tra&ccedil;ado da cidade foi intensamente propagandeada pela companhia colonizadora.</p>     <p>O processo de ocupa&ccedil;&atilde;o de Maring&aacute;, prosperou com grande rapidez. O n&uacute;cleo inicial Maring&aacute; Velho foi implantado em 1942 como subs&iacute;dio para a abertura da &ldquo;cidade oficial&rdquo;, composta pelo plano moderno de Macedo Vieira, inaugurado em 1947. Em 1951, a cidade j&aacute; se elevava &agrave; categoria de munic&iacute;pio, deixando de ser distrito de Mandaguari. Em termos populacionais, o crescimento urbano foi not&aacute;vel. Em 1950 tinha-se 7.270 habitantes na &aacute;rea urbana e 31.318 hab. na &aacute;rea rural; em 1960, o n&uacute;mero sobe para 47.592 hab. urbanos e 56.539 hab. rurais; em 1970, j&aacute; ocupavam a &aacute;rea urbana 100.100 hab., com a &aacute;rea rural apresentando um decr&eacute;scimo populacional, ocupada por 21.274 hab.; e, por fim, em 1980, alcan&ccedil;ou-se 160.688 hab. na cidade, com apenas 7.550 pessoas residindo no campo. Diversos novos loteamentos surgiram j&aacute; na primeira d&eacute;cada de exist&ecirc;ncia, ofertando lotes de menor custo do que na &aacute;rea planejada, desconfigurando o tra&ccedil;ado urbano inicial (IBGE, Censos de 1950, 1960, 1970, e 1980).</p>     <p>Este r&aacute;pido crescimento &ndash; em termos populacionais e de &aacute;rea &ndash; trouxe grande dificuldade no provimento de infraestruturas e servi&ccedil;os necess&aacute;rios ao desenvolvimento da cidade. Como demonstrado por Luz (1997), a CMNP se limitava a tra&ccedil;ar os arruamentos, dividir os lotes e colocar os meios fios nos n&uacute;cleos urbanos que implantava. As demais infraestruturas ficavam a cargo das incipientes municipalidades que, com limita&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias, n&atilde;o conseguiam prover os servi&ccedil;os a contento. Cordovil (2010) coloca que, um dos objetivos da Companhia ap&oacute;s a emancipa&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos urbanos que fundava era conseguir apoio pol&iacute;tico, visando a n&atilde;o taxa&ccedil;&atilde;o de suas terras &ndash; principalmente a incid&ecirc;ncia do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Em Maring&aacute;, os candidatos &agrave; prefeitura por ela apoiados nunca se elegeram, causando maior dificuldade na implanta&ccedil;&atilde;o de infraestruturas pois, nas cidades em que conseguiam apoio pol&iacute;tico, por vezes a Companhia implantava melhorias para justificar a n&atilde;o taxa&ccedil;&atilde;o de suas propriedades.</p>     <p>Com or&ccedil;amento inicial limitado e sem o apoio da CMNP &ndash; principal agente financeiro &agrave; &eacute;poca -, a realidade urbana dos novos moradores constrastava com a modernidade do plano inicial. Infraestruturas b&aacute;sicas como asfaltamento, drenagem pluvial, eletrifica&ccedil;&atilde;o, abastecimento de &aacute;gua e coleta de esgoto demoraram a se estabelecer na cidade, causando grandes dificuldades e transtornos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, em especial nas d&eacute;cadas de 1950 e 1960.</p>     <p>No que tange as quest&otilde;es sanit&aacute;rias, foco deste estudo, observou-se que nos anos iniciais do munic&iacute;pio as solu&ccedil;&otilde;es eram tomadas na escala do lote, por iniciativa dos pr&oacute;prios propriet&aacute;rios, com a ado&ccedil;&atilde;o de po&ccedil;os rasos e fossas negras, t&eacute;cnicas estas bastante rudimentares. Captando a &aacute;gua do len&ccedil;ol fre&aacute;tico mais raso &ndash; acima do n&iacute;vel da rocha &ndash; e executando fossas sem qualquer tipo de prote&ccedil;&atilde;o, a &aacute;gua consumida, no in&iacute;cio de 1960, apresentava problemas de contamina&ccedil;&atilde;o (Barbosa, 2016a).</p>     <p>As &aacute;reas mais consolidadas eram as que apresentavam as condi&ccedil;&otilde;es mais graves em raz&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o de fossas. Al&eacute;m da polui&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua consumida, esta j&aacute; se mostrava escassa por volta de 1960, com a secagem constante de po&ccedil;os que frequentemente tinham que ser aprofundados. Neste cen&aacute;rio come&ccedil;a a atuar a iniciativa privada, executando po&ccedil;os semiartesianos que muitas vezes se tornavam redes particulares, distribuindo &aacute;gua para lotes vizinhos mediante cobran&ccedil;a de taxas. Esta pr&aacute;tica, contudo, atendia apenas a popula&ccedil;&atilde;o de maior poder aquisitivo, em raz&atilde;o dos custos do servi&ccedil;o (Barbosa, 2016a).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A popula&ccedil;&atilde;o de menor renda continuava a depender das poucas iniciativas do poder municipal para resolver a quest&atilde;o, como a distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua em caminh&otilde;es-pipa no ano de 1960. A a&ccedil;&atilde;o definitiva para os problemas sanit&aacute;rios do munic&iacute;pio s&oacute; veio em 14 de dezembro de 1962, com a Lei Municipal n&deg;236/62 que criou CODEMAR, empresa de capital misto, majoritariamente municipal, destinada a projetar, executar e administrar os servi&ccedil;os de abastecimento de &aacute;gua e esgotamento sanit&aacute;rio na cidade. A empresa atuou em Maring&aacute; entre 1962 e 1980, quando a concess&atilde;o de seus servi&ccedil;os foi repassada para uma companhia estadual, a SANEPAR.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. O processo de estrutura&ccedil;&atilde;o da CODEMAR (1962-1969)</b></p>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano - enquanto territ&oacute;rio que reflete a apropria&ccedil;&atilde;o de uma sociedade regida pelo modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista &ndash; ocorre, principalmente, em fun&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o, interesses e influ&ecirc;ncias de uma s&eacute;rie de agentes que produzem e consomem este espa&ccedil;o. No caso das infraestruturas sanit&aacute;rias, conforme demonstrado por Rezende e Heller (2002), o Estado foi, no Brasil, um ator hegem&ocirc;nico, articulando o financiamento, implanta&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o dos sistemas em diferentes n&iacute;veis &ndash; municipal, estadual e federal &ndash; a depender da &eacute;poca de an&aacute;lise.</p>     <p>Embora a iniciativa privada tenha um importante papel na constru&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio maringaense, seja pelo papel colonizador da CTNP/CMNP ou, no caso espec&iacute;fico da &aacute;gua, com os agentes e empresas ligados &agrave; explora&ccedil;&atilde;o desta por meio de po&ccedil;os semiartesianos e redes particulares, a municipalidade sempre demonstrou saber a import&acirc;ncia da estrutura&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os sanit&aacute;rios para o desenvolvimento da cidade. Como observou Cordovil (2010), a quest&atilde;o da &aacute;gua foi assunto de pauta das duas primeiras gest&otilde;es municipais que, por motivos financeiros, n&atilde;o conseguiram empreender uma solu&ccedil;&atilde;o definitiva para o munic&iacute;pio. T&atilde;o logo teve a capacidade pol&iacute;tico-administrativa e financeira para implanta&ccedil;&atilde;o dos sistemas, a gest&atilde;o comandada pelo prefeito Jo&atilde;o Paulino Vieira Filho (1960-1964), iniciar&aacute; as a&ccedil;&otilde;es visando &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o e controle das redes sanit&aacute;rias.</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o da CODEMAR, em dezembro de 1962, foi a solu&ccedil;&atilde;o definitiva para sanar os problemas de abastecimento e esgotamento sanit&aacute;rio da cidade. A Companhia era uma sociedade de economia mista, atuante na qualidade de concession&aacute;ria de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, com capital inicial de Cr$50.000.000,00 (cinquenta milh&otilde;es de cruzeiros) divididos em 50.000 (cinquenta mil) a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias, das quais a prefeitura subscrevia 51% (25.500 a&ccedil;&otilde;es), ficando as outras &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico interessado. Cada a&ccedil;&atilde;o de Cr$1.000,00 dava direito a um voto nas decis&otilde;es das Assembleias Gerais, o que pouco significava, pois sempre prevaleceria a decis&atilde;o do poder p&uacute;blico (O Jornal de Maring&aacute;, 6 jan. 1963).</p>     <p>A estrutura administrativa da Companhia era composta por uma diretoria com tr&ecirc;s membros: diretor-presidente, diretor-financeiro e diretor t&eacute;cnico, que eram eleitos pela Assembleia Geral com mandato de dois anos, podendo ser reeleitos. Havia ainda um conselho administrativo formado por cinco membros, sendo: um usu&aacute;rio, um engenheiro, um vereador, um membro da Associa&ccedil;&atilde;o Comercial, e o Diretor da Companhia. O representante da sociedade (usu&aacute;rio), o engenheiro e o membro da Associa&ccedil;&atilde;o Comercial, eram indicados pelo prefeito, e o vereador, indicado pela C&acirc;mara de Vereadores, revelando, assim, um amplo controle p&uacute;blico na administra&ccedil;&atilde;o da CODEMAR. Por fim, havia o conselho fiscal, composto de tr&ecirc;s membros, eleitos pela assembleia geral, com mandato de um ano.</p>     <p>Institucionalizada a empresa de saneamento municipal, iniciou-se o processo de organiza&ccedil;&atilde;o interna e de implanta&ccedil;&atilde;o das infraestruturas necess&aacute;rias para o seu funcionamento. Priorizou-se, inicialmente, o sistema de abastecimento de &aacute;gua, servi&ccedil;o este urgente em raz&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o do len&ccedil;ol fre&aacute;tico devido a concentra&ccedil;&atilde;o de fossas negras na cidade. O esgotamento sanit&aacute;rio ficou para uma etapa posterior pois, al&eacute;m do custo de implanta&ccedil;&atilde;o mais elevado e menor impacto na qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o, tecnicamente dependia do fluxo hidr&aacute;ulico da &aacute;gua servida, para seu funcionamento.</p>     <p>O projeto do sistema de abastecimento de &aacute;gua foi entregue em outubro de 1963, sendo de autoria do Escrit&oacute;rio T&eacute;cnico Alvaro Cunha &ndash; Consultores em Engenharia Sanit&aacute;ria, situado na cidade de S&atilde;o Paulo. O projeto prop&ocirc;s a capta&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas do rio Pirap&oacute;, rio intermunicipal com extens&atilde;o de 168 km, &agrave; &eacute;poca distante cerca de 14 km da &aacute;rea urbana de Maring&aacute;. O sistema de capta&ccedil;&atilde;o utilizava 6 conjuntos elevat&oacute;rios, sendo planejada sua implanta&ccedil;&atilde;o em duas etapas: a primeira para a metade da capacidade (3 conjunto elevat&oacute;rios para abastecer cerca de 100.000 habitantes); e a segunda para capacidade final (6 conjuntos elevat&oacute;rios para cerca de 200.000 hab.) (E. T. Alvaro Cunha, 1963).</p>     <p>A Esta&ccedil;&atilde;o de Tratamento de &Aacute;gua (ETA) foi locada em uma gleba &agrave;s margens da avenida Pedro Taques, na Vila Morangueira, bairro recentemente aberto na por&ccedil;&atilde;o norte da cidade. Para o sistema de distribui&ccedil;&atilde;o foi proposta a constru&ccedil;&atilde;o de dois reservat&oacute;rios enterrados e duas torres, locando um conjunto junto &agrave; ETA e outro no ponto mais elevado da cidade, em uma rotat&oacute;ria na Zona 5. A rede de distribui&ccedil;&atilde;o abrangia cerca de 300 km de vias p&uacute;blicas, sendo dividida em 5 setores. Para efeito de dimensionamento, adotou-se o consumo di&aacute;rio de 200 litros/habitante/dia (E. T. Alvaro Cunha, 1963).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O projeto de abastecimento abrangia a &aacute;rea do plano inicial e as principais expans&otilde;es ao norte &ndash; a Vila Santo Ant&ocirc;nio, o Jardim Alvorada e a Vila Morangueira -, as por&ccedil;&otilde;es mais consolidadas no momento de sua elabora&ccedil;&atilde;o. Outros loteamentos perif&eacute;ricos, como as Vilas Val&ecirc;ncia, Santa Isabel, Progresso, Esperan&ccedil;a e Em&iacute;lia, n&atilde;o faziam parte dos setores iniciais, provavelmente por sua ocupa&ccedil;&atilde;o ainda rarefeita e desconexa do plano inicial, que n&atilde;o justificava investimento &agrave; &eacute;poca.</p>     <p>Ao longo da d&eacute;cada de 1960, a CODEMAR concentrou-se em sua estrutura&ccedil;&atilde;o interna e implanta&ccedil;&atilde;o das infraestruturas necess&aacute;rias para o in&iacute;cio do abastecimento, como: barragem; tomada d&rsquo;&aacute;gua; adutora; esta&ccedil;&atilde;o de tratamento; reservat&oacute;rios e redes de distribui&ccedil;&atilde;o. As obras, iniciadas em 1964, perduraram at&eacute; 1969, quando o abastecimento come&ccedil;a a operar parcialmente na cidade. J&aacute; o esgotamento sanit&aacute;rio, efetivou-se ainda mais tardiamente, iniciando seu funcionamento em 1974.</p>     <p>Antes mesmo de entrar em funcionamento, a Companhia j&aacute; tomava medidas legais para garantir-se como ator hegem&ocirc;nico quando sua rede come&ccedil;asse a operar. Este &eacute; o caso da promulga&ccedil;&atilde;o da Lei n&deg;384 de 1965, que disciplinava o funcionamento de po&ccedil;os artesianos e semiartesianos no per&iacute;metro urbano de Maring&aacute;. De maneira geral, a lei criava dificuldades para a abertura de redes coletivas particulares na cidade, exigindo: autoriza&ccedil;&atilde;o municipal; firma com sociedade registrada; informa&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de usu&aacute;rios atendidos e a taxa cobrada; e aprova&ccedil;&atilde;o do projeto da rede junto &agrave; CODEMAR, no intuito de que se adotassem medidas usuais pela companhia municipal, a fim de aproveitamento futuro das instala&ccedil;&otilde;es por esta. Ademais, o Art. 4&deg; informava que a licen&ccedil;a concedida &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de po&ccedil;os, no munic&iacute;pio, seria sempre a t&iacute;tulo prec&aacute;rio, revog&aacute;vel ou rescind&iacute;vel a qualquer momento pelo poder p&uacute;blico, n&atilde;o cabendo qualquer direito &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o contra o munic&iacute;pio pelas obras de abastecimento particulares realizadas.</p>     <p>Em suma, entre 1947 e 1969, a cidade de Maring&aacute;, que cresceu exponencialmente nestes anos, n&atilde;o conseguiu prover satisfatoriamente as infraestruturas sanit&aacute;rias essenciais. A situa&ccedil;&atilde;o era cr&iacute;tica no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960, com as &aacute;guas menos profundas contaminadas pelas fossas negras, tendo acesso &agrave; &aacute;gua de melhor qualidade apenas a parcela da popula&ccedil;&atilde;o que podia contar com po&ccedil;os semiartesianos. Estes eram efetivados por meio de redes de distribui&ccedil;&atilde;o particulares, que se concentravam nas &aacute;reas mais valorizadas da cidade &ndash; principalmente centro, Zona 2 e Zona 4 - em raz&atilde;o do seu elevado custo, evidenciando assim o contraste de renda no espa&ccedil;o urbano. Mesmo com as dificuldades impostas pela Lei n&deg;384/1965, estas ir&atilde;o perdurar at&eacute; o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970, quando a municipalidade empreende um conflituoso processo de elimina&ccedil;&atilde;o destas, para garantir a consolida&ccedil;&atilde;o de sua rede (Barbosa, 2016b).</p>     <p>Corrobora para a precariedade de acesso &agrave; &aacute;gua na cidade, o diagn&oacute;stico da Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Municipal (CODEM) (1997, p.212), para o Plano Diretor de Desenvolvimento de Maring&aacute;<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, em 1967, que classificava a situa&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, como &ldquo;extremamente grave, constituindo inclusive num entrave ao desenvolvimento&rdquo;. Destacava que a popula&ccedil;&atilde;o utilizava-se dos po&ccedil;os semiartesianos, ressaltando que este n&atilde;o era acess&iacute;vel para todos. Para a popula&ccedil;&atilde;o de menor renda restava, ent&atilde;o, a esperan&ccedil;a de a&ccedil;&atilde;o do poder municipal.</p>     <p>Importante salientar que, em tese, o projeto de abastecimento encomendado pela CODEMAR contemplava a cidade de maneira global, n&atilde;o fazendo distin&ccedil;&otilde;es aparentes entre os bairros da cidade, incluindo os loteamentos mais consolidados, fora do limite da &aacute;rea planejada. Contudo, como destacado por Corr&ecirc;a (1999) a complexidade de atua&ccedil;&atilde;o do Estado como agente promotor do espa&ccedil;o urbano compromete a sua neutralidade, traduzindo-se em uma a&ccedil;&atilde;o desigual no territ&oacute;rio no momento de implanta&ccedil;&atilde;o destes servi&ccedil;os.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.3. O processo de implanta&ccedil;&atilde;o das redes de abastecimento de &aacute;gua e esgotamento sanit&aacute;rio e sua repercuss&atilde;o no territ&oacute;rio (1969-1980)</b></p>     <p>Frente ao cen&aacute;rio tra&ccedil;ado, fica evidenciado que os sistemas sanit&aacute;rios demoraram a se estabelecer em Maring&aacute;. Quando a rede de abastecimento de &aacute;gua come&ccedil;ou a operar, em 1969, a cidade se mostrava um importante polo regional, com popula&ccedil;&atilde;o urbana na casa dos 100.00 habitantes. Ao longo da d&eacute;cada de 1970, a cidade continuou apresentando altas taxas de crescimento demogr&aacute;fico, atingindo 168.194 habitantes em 1980, estando 95,5% destes na cidade. Esta situa&ccedil;&atilde;o repercutiu no territ&oacute;rio, em termos de adensamento, crescimento horizontal e vertical, consumindo &aacute;reas n&atilde;o urbanizadas e aumentando a demanda por infraestruturas e servi&ccedil;os.</p>     <p>Para analisar a repercuss&atilde;o da instala&ccedil;&atilde;o da rede da CODEMAR no territ&oacute;rio maringaense, faz-se necess&aacute;rio um entendimento de sua forma e ocupa&ccedil;&atilde;o urbana no per&iacute;odo de sua atua&ccedil;&atilde;o. Como observou Lamas (2004), o tra&ccedil;ado urbano &eacute; o primeiro contato que uma cidade estabelece com seu territ&oacute;rio, transformando a paisagem. Seu forte sentido de perman&ecirc;ncia no tempo e sua fun&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca de acomoda&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, ideias e bens, faz com que sua leitura hist&oacute;rica seja um importante ferramental no entendimento do processo de crescimento urbano. As redes t&eacute;cnicas, por sua vez, emergem subordinadas &agrave; morfologia urbana, por surgirem ap&oacute;s a conforma&ccedil;&atilde;o dos tecidos e se localizarem acima ou abaixo do n&iacute;vel do solo (Dupuy, 1998). Assim, a correla&ccedil;&atilde;o que se busca diz respeito aos processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o, como: o tempo de configura&ccedil;&atilde;o das por&ccedil;&otilde;es urbanas; rela&ccedil;&atilde;o entre a &aacute;rea urbana e o meio natural; a demanda por infraestrutura, expressa pelo grau de adensamento construtivo e demogr&aacute;fico; e as caracter&iacute;sticas s&oacute;cio espaciais dos distintos bairros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Concomitante com a abertura da por&ccedil;&atilde;o planejada, a&ccedil;&atilde;o que perdurou at&eacute; o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960, novos loteamentos surgiram no seu entorno pr&oacute;ximo, estruturados por estradas rurais que os conectavam at&eacute; a &ldquo;cidade oficial&rdquo;, mostrando o interesse de outros agentes em lucrar com o parcelamento do solo. Nunes (2016) demonstrou que na maior parte dos casos, os empreendimentos pertenciam a funcion&aacute;rios do auto escal&atilde;o da CMNP, revelando a aus&ecirc;ncia de preocupa&ccedil;&atilde;o desta em manter a conforma&ccedil;&atilde;o planejada. As expans&otilde;es mais significativas localizavam-se na por&ccedil;&atilde;o norte, com destaque para o Jardim Alvorada e Vila Morangueira, abertos nos primeiros anos de 1960, que juntos acresciam uma &aacute;rea urbanizada de 485,6 ha, acr&eacute;scimo este significativo, uma vez que a &aacute;rea planejada possu&iacute;a cerca de 1250 ha.</p>     <p>Esta nova forma urbana emergente era tentacular e fragmentada, o que rapidamente desconfigurou o plano inicial. Em geral, os novos loteamentos apresentavam padr&otilde;es urban&iacute;sticos &ndash; dimens&atilde;o de lotes, largura das vias e disponibilidade de espa&ccedil;os livres &ndash; inferiores ao observado no plano urbano de Macedo Viera, que se refletia em um menor valor do solo. Importante ressaltar que, somente ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei Municipal de Loteamentos (Lei n&deg;625 de 1968), passou-se a exigir a execu&ccedil;&atilde;o, por parte do loteador, de infraestruturas, como: galerias para drenagem pluvial; rede de energia e ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica; e rede de &aacute;gua. Criava-se assim uma dicotomia &ndash; &aacute;rea planejada X novos loteamentos - que, como veremos, ser&aacute; refor&ccedil;ado pela pol&iacute;tica de implanta&ccedil;&atilde;o das redes sanit&aacute;rias.</p>     <p>Tal fato pode ser observado j&aacute; no diagn&oacute;stico da CODEM (1967, p.197), que atribui &agrave; especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria o interesse na cria&ccedil;&atilde;o de novos parcelamentos:</p>     <blockquote>     <p>Verificou-se ent&atilde;o, o afastamento para a periferia das popula&ccedil;&otilde;es de menor n&iacute;vel de renda, tornando assim prop&iacute;cio o aparecimento de &ldquo;Loteamentos Populares&rdquo; que, para serem acess&iacute;veis &agrave;quelas classes, localizaram-se geralmente longe da cidade e com in&uacute;meras defici&ecirc;ncias quanto aos requisitos urban&iacute;sticos, sacrificados sempre pelo aproveitamento do maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de lotes.</p> </blockquote>     <p>Assim, em termos de valor do solo, a cidade apresentava valores mais elevados na &aacute;rea planejada, em especial na Zona 1 (&aacute;rea central) e suas adjac&ecirc;ncias e a Zona 2 (bairro de alto padr&atilde;o), ao passo que os valores mais baixos se concentravam em bairros fora dos limites do plano inicial. Em termos de densidade construtiva, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que as Zonas 1, 2, 3, 4, 7, 8, Vila Santo Ant&ocirc;nio, Vila Esperan&ccedil;a, apresentavam-se consolidadas; com ocupa&ccedil;&atilde;o mediana haviam as Zonas 5 e 6, Jardim Alvorada e as vilas Em&iacute;lia, Morangueira, Marumbi, Progresso e Nova; j&aacute; as demais localidades, apresentavam ocupa&ccedil;&atilde;o ainda rarefeita (<a href="#f1">Figura 1</a>). Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; densidade demogr&aacute;fica destacavam-se a Zona 3 e Zona 7 (variando de 96 a 160 hab./ha), bairros estes classificados como ocupa&ccedil;&atilde;o de baixo padr&atilde;o, seguidos da Zona 1 e 2 (60 a 85 hab./ha) (CODEM, 1967, prancha U5 e U6).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a03f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Feitos estes apontamentos, analisemos o processo de implanta&ccedil;&atilde;o dos sistemas sanit&aacute;rios. A rede de abastecimento de &aacute;gua come&ccedil;ou a operar no in&iacute;cio 1969, atendendo a Zona 1 (67%) e a Zona 2 (75%) (O Jornal de Maring&aacute;, 23 fev. 1969). A implanta&ccedil;&atilde;o das redes de distribui&ccedil;&atilde;o nestes bairros revela que, inicialmente, privilegiaram-se as &aacute;reas de maior interesse econ&ocirc;mico: o centro, &aacute;rea densamente ocupada que concentrava os estabelecimentos comerciais e de servi&ccedil;os, que se encontrava em processo de verticaliza&ccedil;&atilde;o, e era a &aacute;rea mais afetada pela contamina&ccedil;&atilde;o causada pelas fossas; e a Zona 2, bairro de alta renda, cuja maior parte da rede j&aacute; se encontrava assentada &ndash; custeada pelos moradores, em conjunto com o asfaltamento das vias, no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao observar os dados de implanta&ccedil;&atilde;o da rede de distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua nos anos de 1969 e 1971 (Maring&aacute; Ilustrada, 1972), &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a l&oacute;gica de implanta&ccedil;&atilde;o da rede da CODEMAR era a de atender inicialmente as &aacute;reas de maior interesse econ&ocirc;mico &ndash; centro e bairros de alta renda &ndash; e, ap&oacute;s, expandir os servi&ccedil;os para as &aacute;reas de maior demanda dentro dos limites da &aacute;rea planejada. Desta forma, ap&oacute;s o atendimento completo das Zonas 1 e 2, os trabalhos se concentraram nas Zonas 3, 4, 7. A explica&ccedil;&atilde;o para o atendimento destas por&ccedil;&otilde;es num segundo momento, aparentemente, s&atilde;o em raz&atilde;o das Zonas 3 e 7 apresentarem as maiores densidades demogr&aacute;ficas da cidade, e a Zona 4 ter ocupa&ccedil;&atilde;o de alta renda. Ao final de 1971, a CODEMAR possu&iacute;a 8.500 liga&ccedil;&otilde;es de fornecimento de &aacute;gua.</p>     <p>O per&iacute;odo entre 1972 e 1974, consistiu na consolida&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de abastecimento de &aacute;gua dentro da &aacute;rea planejada e in&iacute;cio de sua expans&atilde;o para os loteamentos mais consolidados &ndash; Jardim Alvorada e Vila Morangueira - fora desta. Em meados de 1974, foi inaugurado o Reservat&oacute;rio Elevado 2, &uacute;ltima importante obra do sistema de distribui&ccedil;&atilde;o. Com 300.000 litros de capacidade, destinava-se a atender as por&ccedil;&otilde;es mais elevadas das Zonas 5 e 6, e as expans&otilde;es ao sul, no eixo da Av. Carlos Corr&ecirc;a Borges. Na solenidade de inaugura&ccedil;&atilde;o, anunciava-se que ao superar as 18 mil liga&ccedil;&otilde;es a CODEMAR havia se tornado autossuficiente, em termos financeiros (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 9 out. 1974).</p>     <p>A busca pela autossustenta&ccedil;&atilde;o tarif&aacute;ria, conseguida pela CODEMAR em 1974, &eacute; origin&aacute;ria da pol&iacute;tica inserida na &eacute;poca do Regime Militar (1964-1985), frente ao desequil&iacute;brio existente entre oferta e demanda na &aacute;rea do saneamento. Assim, adotou-se uma vis&atilde;o fortemente empresarial para este setor, por meio de empresas de economia mista e programas como o Plano Nacional de Saneamento (PLANASA), criado em 1971. Ao eleger as companhias estaduais para se ter acesso ao Sistema Financeiro de Financiamento (SFS), o PLANASA se mostrou um meio de centralizar os servi&ccedil;os de &aacute;gua no poder do Estado, for&ccedil;ando a transfer&ecirc;ncia da gest&atilde;o municipal para companhias estaduais, tornando estas o modelo preponderante no Brasil (Rezende e Heller, 2002).</p>     <p>O estado do Paran&aacute;, por meio da SANEPAR, fazia parte do PLANASA desde 1972. No in&iacute;cio de 1975, dos 174 sistemas de saneamento existentes no Paran&aacute;, 67 eram operados pela SANEPAR, e outros 60 j&aacute; possu&iacute;am contratos assinados, outorgando a concess&atilde;o. Al&eacute;m disso, 45 cidades que n&atilde;o possu&iacute;am sistema sanit&aacute;rio j&aacute; haviam assinado contrato de concess&atilde;o com a empresa estadual (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 3 abr. 1975).</p>     <p>A cidade de Maring&aacute; n&atilde;o aderiu ao PLANASA, sendo assim uma exce&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito estadual e mesmo no federal pois, como visto nos dados de Rezende e Heller (2002), no Brasil, apenas 25% dos munic&iacute;pios que detinham servi&ccedil;os sanit&aacute;rios n&atilde;o aderiram ao plano federal, ficando exclu&iacute;dos dos financiamentos oferecidos pelo programa, e tendo que suportar a press&atilde;o pela ades&atilde;o dos governos estaduais.</p>     <p>&Eacute; dif&iacute;cil precisar os reais motivos pelos quais a cidade n&atilde;o aderiu ao programa. Possivelmente fosse mais interessante manter a empresa ligada &agrave; gest&atilde;o municipal, principalmente ap&oacute;s ter implantado as partes mais custosas do sistema &ndash; capta&ccedil;&atilde;o e tratamento &ndash; e ter atingido o n&uacute;mero de liga&ccedil;&otilde;es suficientes para sua autossufici&ecirc;ncia. A aparente boa rela&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos gestores municipais tamb&eacute;m ajudava no avan&ccedil;o da CODEMAR, uma vez que a empresa sempre viabilizou os financiamentos necess&aacute;rios, com &oacute;rg&atilde;os de diferentes esferas. Ademais, a CODEMAR se mostrava um importante &ldquo;instrumento de campanha&rdquo;, com suas realiza&ccedil;&otilde;es extensamente propagandeadas nos jornais de circula&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, como sin&ocirc;nimos de progresso da cidade, &ldquo;creditados na conta&rdquo; dos diretores da companhia e do governo municipal (Barbosa, 2016a).</p>     <p>A n&atilde;o ades&atilde;o ao PLANASA n&atilde;o se mostrou um entrave &agrave; viabiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os sanit&aacute;rios. No final de 1974, quando a maior parte da &aacute;rea planejada j&aacute; possu&iacute;a rede de abastecimento de &aacute;gua, come&ccedil;a a operar o sistema de coleta de esgotos. O projeto de coleta, afastamento e disposi&ccedil;&atilde;o final do esgotamento sanit&aacute;rio, ficou a cargo da PLANIDRO Engenheiros Consultores S.A. (1963-1976), escrit&oacute;rio paulistano formado pela associa&ccedil;&atilde;o de importantes engenheiros sanit&aacute;rios da &eacute;poca, como Alvaro Cunha, Jos&eacute; Martiniano de Azevedo Netto, Max Lothar Hess, Jos&eacute; Maria Costa Rodrigues e Sizenando Ribeiro.</p>     <p>O sistema de esgotamento sanit&aacute;rio concebido pela PLANIDRO previa cerca de 180 km de redes, divididas em 3 setores principais, sendo eles: Bacia do C&oacute;rrego Mandacaru (Esta&ccedil;&atilde;o de Tratamento de Esgoto 1 &ndash; ETE 1); Bacia Ribeir&atilde;o Pinguim (ETE 2), Bacia do Ribeir&atilde;o Morangueiro (ETE Alvorada). A ETE 2, localizada na por&ccedil;&atilde;o sul do munic&iacute;pio, pr&oacute;ximo &agrave; conflu&ecirc;ncia dos C&oacute;rregos Betty e Moscados, ambos afluentes do Ribeir&atilde;o Pinguim, foi a primeira instalada, em 1974. A obra era or&ccedil;ada em Cr$ 30.350.000,00 (trinta milh&otilde;es, trezentos e cinquenta mil cruzeiros) (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 12 nov. 1974).</p>     <p>As obras come&ccedil;aram no in&iacute;cio de 1974, sendo a rede inaugurada em 10 de novembro do mesmo ano (Folha do Norte do Paran&aacute;, 10 nov. 1974). O in&iacute;cio de funcionamento do esgotamento sanit&aacute;rio era apresentado como a solu&ccedil;&atilde;o do grave problema ambiental da cidade, gerado pela presen&ccedil;a de mais de 40.000 fossas, que contaminavam o solo e o len&ccedil;ol fre&aacute;tico. Em casos mais graves, chegavam a comprometer a estrutura de edif&iacute;cios, principalmente na Zona 1, que estava em processo de verticaliza&ccedil;&atilde;o. Novamente as primeiras &aacute;reas atendidas foram a &aacute;rea central (Zona 1) e a Zona 2 (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 13 nov. 1974), reafirmando a l&oacute;gica de atendimento priorit&aacute;rio &agrave;s &aacute;reas de maior valor econ&ocirc;mico, ainda que sua instala&ccedil;&atilde;o no centro fosse de fato uma necessidade.</p>     <p>A rede de coleta foi, em parte, paga pelos moradores dos bairros servidos, sendo que a cobran&ccedil;a variava de acordo com a densidade demogr&aacute;fica e o tamanho m&eacute;dio dos lotes da &aacute;rea. De acordo com a CODEMAR, da taxa estipulada, 70% do valor caberia aos usu&aacute;rios e os 30% restantes seriam proporcionados pela Prefeitura (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 8 abr. 1975). A l&oacute;gica de implanta&ccedil;&atilde;o da rede, assemelha-se a observada no caso da distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua. Em abril de 1975, com as Zonas 1 e 2 completamente atendidas, iniciava-se o funcionamento parcial nas Zonas 3 e 4, e as obras j&aacute; se encontravam em andamento nas Zonas 5, 7 e 8 (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 10 abr. 1975).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A prioridade de atendimento da por&ccedil;&atilde;o planejada da cidade, pode ser observada ainda no fato da ETE 2 ter sido implantada primeiro que a ETE 1. A explica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por raz&otilde;es topogr&aacute;ficas, pois a ETE 2 era tecnicamente mais vi&aacute;vel para o atendimento da maior parte da &aacute;rea do plano inicial &ndash; regi&atilde;o ao sul da linha f&eacute;rrea que j&aacute; havia sido priorizada no atendimento de abastecimento de &aacute;gua, o que agora justificava novamente sua prioridade para o servi&ccedil;o de esgoto -, ao passo que a ETE 1, atenderia principalmente as grandes expans&otilde;es do setor norte, que concentrava a popula&ccedil;&atilde;o de menor renda. Excetuando o fato do abastecimento de &aacute;gua estar mais presente no setor ao sul da linha f&eacute;rrea e de este tamb&eacute;m apresentar maiores &iacute;ndices de densidade construtiva, neste momento, o setor ao norte j&aacute; o superava em termos de &aacute;rea urbanizada, tendo aproximadamente 1760 ha de &aacute;rea, ao passo que o sul possu&iacute;a cerca de 1540 ha. A ETE 1 foi inaugurada 1977, quando o munic&iacute;pio j&aacute; contabilizava cerca de 8.500 liga&ccedil;&otilde;es de esgoto.</p>     <p>Em meados da d&eacute;cada de 1970, com a &aacute;rea planejada praticamente toda atendida pelo abastecimento de &aacute;gua e o esgotamento sanit&aacute;rio operando parcialmente nesta, a valoriza&ccedil;&atilde;o do solo j&aacute; se refletia na segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial. Uma reportagem do jornal Folha do Norte do Paran&aacute; (7 abr. 1974), levantava esta preocupa&ccedil;&atilde;o afirmando que, na primeira metade da d&eacute;cada de 1970, houve na cidade uma valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria m&eacute;dia de 300% a 500%. O peri&oacute;dico destacava que as Zonas 1, 2 e 5, haviam se tornado &aacute;reas &ldquo;aristocr&aacute;ticas&rdquo; e, com a satura&ccedil;&atilde;o destes espa&ccedil;os, as classes m&eacute;dias passaram a ocupar &aacute;reas antes ocupadas por classes mais baixas, como a Zona 7.</p>     <p>Apontava-se a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria e a oferta de infraestrutura como as causas principais. A primeira tornou-se uma pr&aacute;tica recorrente na cidade, uma vez que o investimento em im&oacute;veis havia se tornado um neg&oacute;cio bastante lucrativo. Mesmo com o alto &iacute;ndice de aluguel praticado &ndash; em torno de 1,2% do valor do im&oacute;vel &ndash; os investidores preferiam deixar o terreno vago, &agrave; espera de valoriza&ccedil;&atilde;o (Folha do Norte do Paran&aacute;, 7 abr. 1974). No caso da infraestrutura, tem-se que esta consiste em um valor de uso que se converte em valor de troca para o mercado. Assim, neste momento, j&aacute; se sentia o reflexo das a&ccedil;&otilde;es da CODEMAR no provimento do abastecimento de &aacute;gua e esgotamento sanit&aacute;rio, e mesmo de outros melhoramentos, como a eletrifica&ccedil;&atilde;o &ndash; satisfatoriamente atendida na cidade &ndash; e o asfaltamento das vias. A Lei Municipal de Loteamentos de 1968 (Lei n&deg;625/68) tamb&eacute;m atuava neste sentido, como foi dito, exigindo a execu&ccedil;&atilde;o de infraestrutura por parte do loteador. A alternativa para a popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda era ocupar algumas &aacute;reas ainda carentes destes servi&ccedil;os ou migrar para cidades vizinhas, como Sarandi, que j&aacute; ofertava loteamentos prec&aacute;rios para atrair esta popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No ano de 1977, o sistema de abastecimento de &aacute;gua, projetado para ser implantado em duas etapas, dava sinais de esgotamento de sua capacidade. Neste momento, com uma popula&ccedil;&atilde;o de cerca de 140.000 habitantes, estima-se que o abastecimento de &aacute;gua j&aacute; servisse quase 90% da popula&ccedil;&atilde;o. A r&aacute;pida amplia&ccedil;&atilde;o do atendimento deste servi&ccedil;o se deve ao fato das obras estarem conclu&iacute;das na &aacute;rea do plano inicial; o Jardim Alvorada, loteamento de grande propor&ccedil;&atilde;o, ter sido implantado com a tubula&ccedil;&atilde;o de abastecimento de &aacute;gua j&aacute; em 1962; e os loteamentos abertos ap&oacute;s 1968, terem que contar com a rede por exig&ecirc;ncia da legisla&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A an&aacute;lise da ocupa&ccedil;&atilde;o urbana deste ano revela um alto grau de adensamento construtivo em praticamente toda &aacute;rea planejada e suas adjac&ecirc;ncias como a Zona 8, Vila Esperan&ccedil;a I, Vila Santo Ant&ocirc;nio, Vila Morangueira e parte do Jardim Alvorada. A &aacute;rea central acentuava seu processo de verticaliza&ccedil;&atilde;o. O plano inicial j&aacute; se mostra bastante desconfigurado, com os quadrantes sul e noroeste apresentando crescimento bastante fragmentado e descont&iacute;nuo, estruturados por antigas estradas rurais que, com a expans&atilde;o da <i>urbe</i> tornavam-se vias urbanas. O crescimento mais expressivo se dava no quadrante nordeste, onde a malha urbana se expandia de forma mais cont&iacute;nua, em raz&atilde;o da aprova&ccedil;&atilde;o de loteamentos de maior dimens&atilde;o e da expans&atilde;o do setor industrial &ndash; com o Parque Industrial I e II &ndash; que atraia loteamentos mais populares em seu entorno (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a03f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em fins de 1977, a situa&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua era preocupante. Noticiava-se um racionamento generalizado na cidade, que atingiu at&eacute; importantes equipamentos como hospitais e o Destacamento do Corpo de Bombeiros. A situa&ccedil;&atilde;o obrigou &agrave; ado&ccedil;&atilde;o oficial de racionamento, at&eacute; que as obras de amplia&ccedil;&atilde;o do sistema fossem terminadas. O esquema adotado pela CODEMAR dividia a cidade em 6 conjuntos de bairros, onde cada qual ficaria sem &aacute;gua um dia na semana (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 6 nov. 1977; 20 nov. 1977). Embora o plano de racionamento, na teoria, n&atilde;o privilegiasse nenhuma por&ccedil;&atilde;o urbana, aparentemente n&atilde;o foi o que de fato ocorreu, com os bairros de baixa renda sendo os mais afetados. O Jardim Alvorada, que sofria com a falta de &aacute;gua desde julho de 1976, chegava a ficar at&eacute; tr&ecirc;s dias sem receber &aacute;gua; e em 1978, noticiou-se que os moradores da Vila Esperan&ccedil;a ficavam at&eacute; 10 dias sem atendimento, tendo que recorrer ao c&oacute;rrego pr&oacute;ximo para lavar roupas e buscar &aacute;gua (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 30 jul. 1976; 10 jan. 1978; 19 fev. 1978). A escassez nos bairros de baixa renda era um fato ainda mais grave em raz&atilde;o de muitas resid&ecirc;ncias n&atilde;o possu&iacute;rem caixas d&rsquo;&aacute;gua. Apenas quem ainda possu&iacute;a po&ccedil;o em seu lote tinha alguma tranquilidade, tendo que frequentemente ceder &aacute;gua aos vizinhos.</p>     <p>As obras da 2&ordf; etapa do sistema de abastecimento de &aacute;gua iniciaram em 1978 e s&oacute; foram finalizadas em 1980, pouco antes dos servi&ccedil;os sanit&aacute;rios serem repassados para a concession&aacute;ria estadual. Assim, neste per&iacute;odo, a falta de &aacute;gua foi comum no munic&iacute;pio, tendo inclusive adotado um racionamento mais r&iacute;gido no in&iacute;cio de 1979, onde um conjunto de bairros recebia &aacute;gua nos dias pares e outro conjunto nos dias &iacute;mpares (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 9 fev. 1979). A principal obra desta etapa era a Esta&ccedil;&atilde;o de Recalque Intermedi&aacute;rio (ERI) que, juntamente com os novos conjuntos elevat&oacute;rios no rio Pirap&oacute;, possibilitaria a eleva&ccedil;&atilde;o da capacidade de atendimento para at&eacute; 200.000 habitantes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paralelamente &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o do sistema de abastecimento, a rede de esgotamento sanit&aacute;rio tamb&eacute;m se expandia. Entre 1977 e 1980 foram implantados cerca de 80 km de rede de esgoto, concentrando os servi&ccedil;os nos seguintes bairros: Zona 4, Zona 7, Vila Esperan&ccedil;a, Vila Santo Ant&ocirc;nio e Jardim Alvorada, a maior parte financiada com verbas do projeto, de &acirc;mbito federal, Comunidade Urbana de Recupera&ccedil;&atilde;o Acelerada I (CURA I) (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 19 mar. 1982). Embora estivesse prevista uma terceira esta&ccedil;&atilde;o de tratamento para a por&ccedil;&atilde;o correspondente ao Jardim Alvorada, inicialmente o bairro foi atendido pela ETE 1, onde um emiss&aacute;rio levava o esgoto a uma Esta&ccedil;&atilde;o de Recalque e, desta, era direcionado &agrave; ETE 1 (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 25 jan. 1979).</p>     <p>O emiss&aacute;rio come&ccedil;ou a operar no in&iacute;cio de 1979. Neste momento as Zonas 1 e 2 encontravam-se completamente atendidas; as Zonas 3, 4, 5, 7 e 8 eram atendidas parcialmente; e o Jardim Alvorada, Vila Esperan&ccedil;a e Vila Santo Ant&ocirc;nio, come&ccedil;aram a ser atendidos com a inaugura&ccedil;&atilde;o do Esta&ccedil;&atilde;o de Recalque. Esperava-se a libera&ccedil;&atilde;o do financiamento do projeto CURA II, para execu&ccedil;&atilde;o de mais 40 km de redes, concluindo o atendimento em grande parte destas localidades. Em 1980, quando houve a entrega da concess&atilde;o &agrave; SANEPAR, j&aacute; eram mais de 200 km em extens&atilde;o de rede de esgoto, que serviam um total de 8.960 liga&ccedil;&otilde;es (O Di&aacute;rio do Norte do Paran&aacute;, 26 jun. 79; SANEPAR, 2011).</p>     <p>Em junho 1980 h&aacute; a completa extin&ccedil;&atilde;o do controle municipal dos sistemas, por meio da Lei n&deg; 1.379/80, que autorizava o poder executivo a conceder &agrave; SANEPAR a explora&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o dos sistemas sanit&aacute;rios. Neste momento o munic&iacute;pio havia terminado, h&aacute; pouco, a amplia&ccedil;&atilde;o do sistema de abastecimento de &aacute;gua, com a execu&ccedil;&atilde;o da ERI e de novos conjuntos motor-bomba na capta&ccedil;&atilde;o, elevando a capacidade de fornecimento de &aacute;gua tratada para 200.000 habitantes; e, na &aacute;rea do esgotamento sanit&aacute;rio, acabara de inaugurar a Esta&ccedil;&atilde;o de Recalque, que levaria o esgoto de bairros como o Jardim Alvorada at&eacute; a ETE 1. Em n&uacute;meros de atendimento destas redes, haviam 27.842 liga&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua &ndash; mais de 90% da cidade atendida &ndash; e 8.960 liga&ccedil;&otilde;es de esgoto &ndash; o que representava aproximadamente 32%<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>. A porcentagem de atendimento conseguida pela gest&atilde;o municipal, se mostra pr&oacute;xima da m&eacute;dia brasileira no ano de 1980 quando, de acordo com Bier, Paulani e Messenberg (1988), em 1984, 80,3% da popula&ccedil;&atilde;o tinha acesso &agrave; &aacute;gua tratada e, em 1980, 32% eram atendidos pela coleta de esgoto.</p>     <p>Desta forma, no momento de transfer&ecirc;ncia &agrave; concession&aacute;ria estadual, o munic&iacute;pio tinha acabado de investir grandes montantes financeiros em importantes obras para amplia&ccedil;&atilde;o do sistema, solucionando o problema de racionamento de &aacute;gua e iniciando o atendimento de esgoto em &aacute;reas fora dos limites do plano inicial. Ainda assim, o motivo alegado pelo ent&atilde;o prefeito Jo&atilde;o Paulino Vieira Filho foi a escassez de recursos para a continuidade de melhorias nas redes. Afirmava haver necessidade de investimentos sistem&aacute;ticos em barragens, motores, bombas, adutoras, decantadores e floculadores que, com os recursos cada vez mais escassos, do Governo Federal, tornaram invi&aacute;vel a manuten&ccedil;&atilde;o dos sistemas no &acirc;mbito municipal (O Jornal de Maring&aacute;, 13 jun. 1980).</p>     <p>Aparentemente, a transi&ccedil;&atilde;o para a concession&aacute;ria estadual n&atilde;o foi tranquila na C&acirc;mara, tendo passado por vota&ccedil;&atilde;o apertada entre os vereadores, com 11 votos a favor e 10 contra (O Jornal de Maring&aacute;, 13 jun. 1980). Os argumentos dos contr&aacute;rios &agrave; transfer&ecirc;ncia eram de demiss&atilde;o sum&aacute;ria de mais de uma centena de empregados da companhia municipal<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> e o encarecimento dos servi&ccedil;os. A SANEPAR por sua vez, investiu maci&ccedil;amente em propagandas na m&iacute;dia local, garantindo a amplia&ccedil;&atilde;o do sistema instalado e a manuten&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios municipais, fatos estes contemplados na Lei n&deg;1.379/80 (BASSI, 1981).</p>     <p>A respeito das exig&ecirc;ncias de amplia&ccedil;&atilde;o previstas na supracitada lei, vale ressaltar que os 50 mil metros de rede de &aacute;gua e 100 mil metros de rede de esgoto, deveriam ser implantados prioritariamente nas Zonas 3, 4, 5, 6 ,7, 8 e Zona de Armaz&eacute;ns, ou seja, novamente o poder p&uacute;blico refor&ccedil;ava a distin&ccedil;&atilde;o entre a por&ccedil;&atilde;o planejada da cidade e os loteamentos posteriores. Findava-se, assim, a gest&atilde;o municipal dos sistemas sanit&aacute;rios, inserindo a empresa estadual como novo ator hegem&ocirc;nico destes servi&ccedil;os.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O encaminhamento das redes sanit&aacute;rias no per&iacute;odo analisado (1962-1980) parece seguir a curva de evolu&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de que fala Serratosa (1998), em que h&aacute; um per&iacute;odo de exclusividade, onde poucos t&ecirc;m acesso ao servi&ccedil;o; um segundo momento de massifica&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, com a rede se estabelecendo no territ&oacute;rio; e, por fim, um final lento, que corresponde &agrave; satura&ccedil;&atilde;o, quando ao menos 95% da popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; atendida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, no caso do abastecimento de &aacute;gua, tem-se o primeiro momento entre 1969-1970, quando se privilegiou o atendimento das &aacute;reas de maior interesse econ&ocirc;mico do munic&iacute;pio &ndash; centro e Zona 2. O segundo momento, de massifica&ccedil;&atilde;o, ocorre entre 1971-1977, quando o servi&ccedil;o irradia-se das &aacute;reas inicialmente atendidas, sendo atra&iacute;do principalmente pela demanda, com uma clara inten&ccedil;&atilde;o de estruturar primeiramente a &aacute;rea planejada. Ap&oacute;s, o atendimento se estendeu &agrave;s &aacute;reas de expans&atilde;o mais significativas, como a Vila Morangueira e o Jardim Alvorada. Na fase final, entre 1978-1980, se encaminhava para mais de 90% da popula&ccedil;&atilde;o atendida, com a rede se estabelecendo nas &aacute;reas de expans&atilde;o de menor express&atilde;o e menos consolidadas. Esta fase final coincide com a satura&ccedil;&atilde;o do sistema de abastecimento, que teve que passar por amplia&ccedil;&otilde;es antes do previsto no projeto de abastecimento.</p>     <p>O esgotamento sanit&aacute;rio seguiu uma l&oacute;gica semelhante, por&eacute;m com uma evolu&ccedil;&atilde;o mais lenta no territ&oacute;rio. Novamente o atendimento &eacute; iniciado na &aacute;rea central e Zona 2; seguido pelas demais localidades dentro do limite da &aacute;rea planejada; e, por fim, as &aacute;reas de expans&otilde;es mais consolidadas. Assim, ainda que a densidade seja um fator intr&iacute;nseco ao desenvolvimento das redes no espa&ccedil;o urbano, por ser nestes espa&ccedil;os que elas encontram sua justificativa econ&ocirc;mica e social para se desenvolverem (DUPUY, 1998), no caso analisado, o padr&atilde;o socioecon&ocirc;mico parece ter sido fator de igual ou maior relev&acirc;ncia.</p>     <p>Este fato fica evidente, por exemplo, com o fato de a Zona 2 &ndash; bairro de alto padr&atilde;o &ndash; ser historicamente beneficiado. &Agrave; &eacute;poca do in&iacute;cio do abastecimento de &aacute;gua, esta localidade n&atilde;o era o bairro de maior densidade habitacional &ndash; sendo estes as Zonas 3 e 7 -, nem tecnicamente a &aacute;rea mais pr&oacute;xima da ETA &ndash; que seriam o Jardim Alvorada, Vila Morangueira, Vila Santo Ant&ocirc;nio e Zona 7. Ainda que a Zona 2 j&aacute; tivesse as tubula&ccedil;&otilde;es instaladas, o mesmo ocorria com o Jardim Alvorada e com outros loteamentos implantados ap&oacute;s 1968. Vale destacar que, neste momento, o atendimento nos bairros de menor renda se fazia mais urgente, uma vez que esta popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podia arcar com os custos dos po&ccedil;os semiartesianos que a popula&ccedil;&atilde;o de maior poder aquisitivo tinha acesso.</p>     <p>Ap&oacute;s a implanta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o no centro &ndash; &aacute;rea que encontra sua justificativa tanto pela densidade construtiva quanto pelo valor econ&ocirc;mico &ndash; e da Zona 2, privilegiou-se as &aacute;reas dentro do limite do plano inicial. Esta din&acirc;mica favoreceu a distin&ccedil;&atilde;o entre a &aacute;rea planejada e as &aacute;reas de expans&atilde;o, onde a primeira se apresentava como a &ldquo;cidade servida&rdquo;, e a segunda, a &ldquo;cidade sem acesso&rdquo;, recebia os melhoramentos com atraso. Estes distintos espa&ccedil;os topol&oacute;gicos formados foram reflexo da atua&ccedil;&atilde;o do poder municipal que, fruto da l&oacute;gica capitalista caracterizada pela disputa de interesses, vantagens locacionais e luta de classes, privilegiou determinadas localidades &ndash; e grupos sociais &ndash; em detrimento de outras.</p>     <p>Neste sentido, nota-se a atua&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria do Estado, descrito por Corr&ecirc;a (1999) que, no &acirc;mbito municipal, legitima e materializa os conflitos de interesses de diferentes setores e classes, promovendo a distribui&ccedil;&atilde;o desigual de bens e servi&ccedil;os, num processo que tende a privilegiar as camadas de alta renda. A implanta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os sanit&aacute;rios parece confirmar esta tend&ecirc;ncia pois, as facilidades trazidas e o impacto na sa&uacute;de p&uacute;blica e qualidade de vida, proporcionada por estas &ndash; enquanto valores de uso -, ir&atilde;o se refletir no valor de troca do espa&ccedil;o, o que explica o interesse do mercado imobili&aacute;rio por estes servi&ccedil;os.</p>     <p>No caso de Maring&aacute;, refor&ccedil;avam esta distin&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da din&acirc;mica de implanta&ccedil;&atilde;o das redes j&aacute; descrita, a&ccedil;&otilde;es como o racionamento de &aacute;gua desigual &ndash; verificado na pr&aacute;tica -, nos quais os bairros perif&eacute;ricos &ndash; e de menor renda - eram mais afetados; a op&ccedil;&atilde;o pela execu&ccedil;&atilde;o da ETE 2, localizada na por&ccedil;&atilde;o sul da cidade e que possu&iacute;a condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de atender &agrave; maior por&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea planejada, em detrimento da ETE 1, na por&ccedil;&atilde;o norte, onde se localizava as camadas de menor renda; e mesmo o contrato de extens&atilde;o da rede com a SANEPAR, priorizando a efetiva&ccedil;&atilde;o do atendimento na &aacute;rea planejada.</p>     <p>Tais pol&iacute;ticas fortaleceram a dicotomia entre a por&ccedil;&atilde;o planejada e &aacute;reas de expans&atilde;o, resultado da falta de neutralidade das a&ccedil;&otilde;es do poder municipal. Desta forma, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que, no caso de Maring&aacute;, valor do solo e classe social foram vari&aacute;veis mais importantes do que a demanda e a viabilidade t&eacute;cnica, na implanta&ccedil;&atilde;o das redes sanit&aacute;rias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro de; et alli. <i>O urbanismo do engenheiro Jorge de Macedo Vieira</i>. Pain&eacute;is da Exposi&ccedil;&atilde;o. IV Bienal Internacional de Arquitetura de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746626&pid=S2182-1267201800010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARBOSA, Leonardo C. <i>As redes t&eacute;cnicas sanit&aacute;rias na estrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio: an&aacute;lise da cidade de Maring&aacute;-PR, entre 1947-1980</i>. 2016. 345f. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo), Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Carlos, 2016a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746628&pid=S2182-1267201800010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARBOSA, Leonardo C. <i>A Atua&ccedil;&atilde;o do setor privado nos sistemas de abastecimento de &aacute;gua em Maring&aacute;-PR: conflitos e repercuss&atilde;o na estrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio</i>. In XIV Semin&aacute;rio de Hist&oacute;ria da Cidade e do Urbanismo (XIV SHCU), S&atilde;o Carlos, 2016. Anais XIV SHCU, 2016b, p. 346-355.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746630&pid=S2182-1267201800010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BASSI, Gi&aacute;como. Incorpora&ccedil;&otilde;es de Sistemas Regionais de Saneamento. SANEPAR &ndash; Companhia de Saneamento do Paran&aacute;. <i>Revista Propaganda</i>, S&atilde;o Paulo, dez. 1981., n&ordm; 305, p. 25-28.</p>     <!-- ref --><p>BIER, Amaury G.; PAULANI, Leda M.; MESSENBERG, Roberto P. A Crise do Saneamento No Brasil:Reforma Tributaria, Uma Falsa Resposta. <i>Pesquisa e Planejamento Econ&ocirc;mico</i>, 1988, vol. 18, n&ordm; 1, p. 161-196.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746633&pid=S2182-1267201800010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTELLS, Manuel. <i>A Sociedade em Rede</i>. vol. 1, 8&ordf; ed.. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746635&pid=S2182-1267201800010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CODEM &ndash; COMISS&Atilde;O DE DESENVOLVIMENTO MUNICIPAL. <i>Plano Diretor de Desenvolvimento de Maring&aacute;</i>. Curitiba, 1967.</p>     <p>CORDOVIL, Fab&iacute;ola C. de S.. <i>A aventura planejada: engenharia e urbanismo na constru&ccedil;&atilde;o de Maring&aacute;, PR 1947 &ndash; 1982. </i>2010. 636f. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Escola de Engenharia de S&atilde;o Carlos, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Carlos, 2010.</p>     <!-- ref --><p>CORR&Ecirc;A, Roberto L.. <i>O Espa&ccedil;o Urbano</i>. 2&ordf; ed.. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746639&pid=S2182-1267201800010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DUPUY, Gabriel. <i>El urbanismo de las redes. Teorias y m&eacute;todos</i>. Barcelona: Oikos-Tau, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746641&pid=S2182-1267201800010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>T. ALVARO CUNHA. <i>Projeto do Sistema de Abastecimento de &Aacute;gua. Relat&oacute;rio e Especifica&ccedil;&otilde;es T&eacute;cnicas</i>. S&atilde;o Paulo, 1963.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746643&pid=S2182-1267201800010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOLHA DO NORTE DO PARAN&Aacute;. <i>Edi&ccedil;&otilde;es de (impressas)</i>: 7 abr. 1974; 10 nov. 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746645&pid=S2182-1267201800010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, Jos&eacute; H. R. Quando a imagem publicit&aacute;ria vira evid&ecirc;ncia factual: vers&otilde;es e revers&otilde;es do Norte (Novo) do Paran&aacute; &ndash; 1930/1970. In MACEDO, Oigres L. C. De M.; CORDOVIL, Fab&iacute;ola C. De S.; REGO, Renato L. (orgs.). <i>Pensar Maring&aacute;: 60 anos do Plano</i>. Maring&aacute;: Massoni, 2007. ISBN: 978-85-88905-62-7.</p>     <!-- ref --><p>LAMAS, Jos&eacute; M. R. G.. <i>Morfologia urbana e o desenho da cidade</i>. 3&ordf; ed.. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian e Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e T&eacute;cnologia, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746648&pid=S2182-1267201800010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEFEBVRE, Henri. <i>O direito &agrave; cidade</i>. S&atilde;o Paulo: Centauro, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746650&pid=S2182-1267201800010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LUZ, France. <i>O Fen&ocirc;meno Urbano numa Zona Pioneira: Maring&aacute;</i>. Maring&aacute;: Prefeitura, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746652&pid=S2182-1267201800010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARING&Aacute; ILUSTRADA (revista). Edi&ccedil;&atilde;o Comemorativa do Jubileu de Prata. Maring&aacute;, Maio de 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746654&pid=S2182-1267201800010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MARING&Aacute;, P. M.. <i>Lei n&deg; 236/62 &ndash; Constitui uma sociedade de economia mista &ndash; Companhia de Desenvolvimento de Maring&aacute; &ndash; CODEMAR</i>. Maring&aacute;, 1962.</p>     <p>MARING&Aacute;, P. M.. Lei n&deg; 384/65 &ndash; <i>Disciplina funcionamento de po&ccedil;os aartesianos e semi-artesianos no per&iacute;metro urbano da cidade</i>. Maring&aacute;, 1965.</p>     <p>MARING&Aacute;, P. M. Lei n&deg; 1379/80 &ndash; <i>Autoriza o poder executivo a conceder, com exclusividade, &agrave; Companhia de Saneamento do Paran&aacute; &ndash; SANEPAR -, a explora&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o dos sistemas de abastecimento de &aacute;gua e de esgotamento sanit&aacute;rio municipais e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias</i>. Maring&aacute;, 1980.</p>     <!-- ref --><p>MOTA, L&uacute;cio T.. <i>Hist&oacute;ria do Paran&aacute;: ocupa&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es interculturais</i>. Maring&aacute;: EDUEM, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746659&pid=S2182-1267201800010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MONBEIG, Pierre. <i>Pioneiros e fazendeiros de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Hucitec, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746661&pid=S2182-1267201800010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NUNES, Layane A. <i>Para al&eacute;m do Plano de Jorge de Macedo Vieira: a expans&atilde;o urbana de Maring&aacute; de 1945 a 1963</i>. 2016. 369f. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo), Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Carlos, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746663&pid=S2182-1267201800010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O DI&Aacute;RIO DO NORTE DO PARAN&Aacute;, <i>edi&ccedil;&otilde;es de (impressas)</i>: 9 out. 1974; 12 nov. 1974; 13 nov. 1974; 3 abr. 1975; 8 abr. 1975; 10 abr. 1975; 30 jul. 1976; 6 nov. 1977; 20 nov. 1977; 10 jan. 1978; 19 fev. 1978; 9 fev. 1979; 25 jan. 1979; 26 jun. 1979; 19 mar. 1982 (suplemento especial).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746665&pid=S2182-1267201800010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O JORNAL DE MARING&Aacute;, <i>edi&ccedil;&otilde;es de (impressas)</i>: 6 jan. 1963; 23 fev. 1969; 13 jun. 1980.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746667&pid=S2182-1267201800010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RAFFESTIN, Claude. <i>Por uma geografia do poder</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746669&pid=S2182-1267201800010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REGO, Renato L.. <i>As cidades plantadas: os brit&acirc;nicos e a constru&ccedil;&atilde;o da paisagem do norte do Paran&aacute;.</i> Londrina: Humanidades, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746671&pid=S2182-1267201800010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REZENDE, Sonaly; HELLER, L&eacute;o. <i>O Saneamento no Brasil: Pol&iacute;ticas e interfaces</i>. Belo Horizonte: Editora UFMG, Escola de Engenharia da UFMG, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746673&pid=S2182-1267201800010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Milton. <i>A natureza do espa&ccedil;o: t&eacute;cnica e tempo, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746675&pid=S2182-1267201800010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Milton. <i>Por uma outra globaliza&ccedil;&atilde;o: do pensamento &uacute;nico &agrave; consci&ecirc;ncia universal</i>. Rio de Janeiro: Record, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746677&pid=S2182-1267201800010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SANEPAR &ndash; Companhia de Saneamento do Paran&aacute; (site institucional). Not&iacute;cias. <i>Maring&aacute; ultrapassa o &iacute;ndice de 96% de coleta de esgoto</i>. 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.site.sanepar.com.br/noticias/maringa-ultrapassa-o-indice-de-96-de-coleta-de-esgoto" target="_blank">http://www.site.sanepar.com.br/noticias/maringa-ultrapassa-o-indice-de-96-de-coleta-de-esgoto</a> Acesso em: 03 nov. 2015.</p>     <!-- ref --><p>SECCHI, Bernardo. <i>Primeira li&ccedil;&atilde;o de urbanismo</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746680&pid=S2182-1267201800010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SERRATOSA, Albert. Pr&oacute;logo (Pr&oacute;logo e supervis&atilde;o da tradu&ccedil;&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o em espanhol). 1996. In DUPUY, Gabriel. El urbanismo de las redes. Teorias y m&eacute;todos. Barcelona: Oikos-Tau, 1998.</p>     <p>SNIS &ndash; Sistema Nacional de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Saneamento. <i>Diagn&oacute;stico dos Servi&ccedil;os de &aacute;gua e esgoto - 2015</i>. 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2015" target="_blank">http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2015</a> Acesso em: 16 mai. 2017.</p>     <!-- ref --><p>VILLA&Ccedil;A, Fl&aacute;vio. <i>Espa&ccedil;o Intra-urbano no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Studio Nobel: FAPESP: Lincoln Institute, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746684&pid=S2182-1267201800010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>TARR, Joel A. The evolution of the urban infrastructure in the Nineteenth and Twentieth Centuries. In HANSON, Royce (ed.). <i>Perspectives on Urban Infrastructure</i>. Washington, D.C.: National Academic Press, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1746686&pid=S2182-1267201800010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Primeiro plano diretor elaborado para o munic&iacute;pio, institu&iacute;do pela Lei n&deg;621 de 1968.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> O descompasso entre o atendimento de abastecimento de &aacute;gua e coleta e tratamento de esgoto no Brasil &eacute; hist&oacute;rico, e perdura at&eacute; os dias atuais. No Brasil, 83,3% da popula&ccedil;&atilde;o tem acesso &agrave; &aacute;gua tratada e apenas 50,3% &agrave; coleta de esgoto (SNIS, 2015).</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Em meio &agrave; crise do sistema de abastecimento, a CODEMAR foi extinta em 1976, sendo incorporada &agrave; Secretaria Municipal de Expans&atilde;o Econ&ocirc;mica pelo Decreto n&deg;13/1976. Em 1978, houve nova mudan&ccedil;a com a Lei n&deg;1229/1978, que criou o Servi&ccedil;o Aut&aacute;rquico de &Aacute;gua e Esgoto. Na pr&aacute;tica, manteve-se a mesma estrutura de funcionamento, alterando-se apenas a contabilidade e a raz&atilde;o social.</p>      ]]></body><back>
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