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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um olhar arqueológico dos discursos em torno dos Grandes Projetos Urbanos (GPUs): o caso do Projeto Novo Recife]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An archaeological view of the discourses around the Large Urban Projects (GPUs): the case of the New Recife Project]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present work had as objective to analyze the discourse of the urban project "New Recife" from the perspectives of the City Hall of Recife and the Consortium responsible for the work. Using the archaeological method of Foucault (2008) we find a discourse regulated by the idea of economic growth as a condition for the possibility of a more sustainable city. Our findings pointed to the presence of the strategic planning discourse in the public administration of Recife, as well as the use of the Large Urban Projects (LUPs) as appropriate tools for the construction of a more sustainable city and for economic growth. The set of interrelated meanings identified led us to establish a great discourse formation called "Economic Growth generates sustainability".]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Um olhar arqueol&oacute;gico dos discursos em torno dos Grandes Projetos Urbanos (GPUs): o caso do Projeto Novo Recife</b></p>     <p><b>An archaeological view of the discourses around the Large Urban Projects (GPUs): the case of the New Recife Project</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Santos, Jouberte</b><sup>1</sup>;<b> Mello, S&eacute;rgio</b><sup>2</sup></p>     <p><sup>1</sup> IFPE- Cabo de Santo Agostinho; Sebasti&atilde;o Joventino, S/N, Central Predio Provis&oacute;rio (Fachuca) - Destilaria, Cabo de Santo Agostinho - PE, Brasil. CEP: 54510-110; <a href="mailto:jouberte.santos@ifpe.cabo.edu.br">jouberte.santos@ifpe.cabo.edu.br</a></p>     <p><sup>2</sup>Universidade Federal de Pernambuco / CCSA - Centro de Ci&ecirc;ncias Sociais Aplicadas; Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Cidade Universit&aacute;ria, Recife &ndash; PE, Brasil. CEP: 50670-901; <a href="mailto:Sergio.benicio@gmail.com">Sergio.benicio@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente trabalho teve como objetivo analisar o discurso do projeto urban&iacute;stico &ldquo;Novo Recife&rdquo; pelas perspectivas da Prefeitura do Recife e do Cons&oacute;rcio respons&aacute;vel pela obra. Utilizando o m&eacute;todo arqueol&oacute;gico de Foucault (2008) encontramos um discurso regulado pela ideia de crescimento econ&ocirc;mico como condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade de uma cidade mais sustent&aacute;vel. Nossos achados apontaram para a presen&ccedil;a do discurso do planejamento estrat&eacute;gico na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do Recife, bem como a utiliza&ccedil;&atilde;o dos Grandes Projetos Urbanos (GPUs) como ferramentas adequadas para a constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade mais sustent&aacute;vel e para o crescimento econ&ocirc;mico.&nbsp; O conjunto de significados inter-relacionados identificados nos remeteram ao estabelecimento de uma grande forma&ccedil;&atilde;o discursiva denominada de &ldquo;Crescimento Econ&ocirc;mico gera sustentabilidade&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-Chave:</b> GPUS, Crescimento Econ&ocirc;mico, Gest&atilde;o P&uacute;blica, Arqueologia Foucaultiana</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The present work had as objective to analyze the discourse of the urban project "New Recife" from the perspectives of the City Hall of Recife and the Consortium responsible for the work. Using the archaeological method of Foucault (2008) we find a discourse regulated by the idea of economic growth as a condition for the possibility of a more sustainable city. Our findings pointed to the presence of the strategic planning discourse in the public administration of Recife, as well as the use of the Large Urban Projects (LUPs) as appropriate tools for the construction of a more sustainable city and for economic growth. The set of interrelated meanings identified led us to establish a great discourse formation called "Economic Growth generates sustainability".</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords:</b> LUPs, Economic Growth, Public Management, Foucauldian Archeology</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O &ldquo;Novo Recife&rdquo; &eacute; fruto do cons&oacute;rcio estabelecido entre a Prefeitura Municipal de Recife e as construtoras Moura Dubeux, Queiroz Galv&atilde;o, Ara Empreendimentos e GL empreendimentos. O projeto pretende revitalizar a regi&atilde;o central, considerada isolada das demais regi&otilde;es da cidade.</p>     <p>Segundo a Secretaria de Controle, Desenvolvimento Urbano e Obras da Prefeitura da Cidade do Recife (SECON), o projeto Novo Recife est&aacute; de acordo com o PRO (Projeto Recife-Olinda, 2003), proposta urban&iacute;stica que prev&ecirc; interven&ccedil;&otilde;es em faixa litor&acirc;nea entre os centros hist&oacute;ricos da cidades do Recife e Olinda, &nbsp;importantes centros urbanos da regi&atilde;o nordeste do Brasil. O Novo Recife abrange as &aacute;reas dos Bairros de S&atilde;o Jos&eacute;, Cabanga e os eixos vi&aacute;rios Avenida Sul e Rua Imperial da Cidade do Recife. Uma &aacute;rea de 101,7 mil metros quadrados onde fica localizado o Cais Jos&eacute; Estelita (Prefeitura do Recife, 2015).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a19f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O terreno pertencia &agrave; antiga Rede Ferrovi&aacute;ria Federal (RFFSA), segunda mais antiga do pa&iacute;s, quando foi leiloado, em 2008, com uma &uacute;nica proposta de compra, o Cons&oacute;rcio Novo Recife, pelo valor m&iacute;nimo de 55 milh&otilde;es de reais, aproximadamente 540 reais por metro quadrado (Truffi, 2014). Por ser um cart&atilde;o postal da cidade e situar o Porto do Recife, de frente &agrave; bacia do Pina, tornou-se uma regi&atilde;o que apresenta fun&ccedil;&otilde;es importantes de car&aacute;ter econ&ocirc;mico, social e ambiental para a cidade do Recife (MARCONDES, 2009, p. 13).</p>     <p>De acordo com o Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU), o projeto pretende construir 13 pr&eacute;dios que poder&atilde;o ter at&eacute; o tamanho m&aacute;ximo de 44 pavimentos. Ser&atilde;o duas torres comerciais, sete torres residenciais de luxo, dois flats e um hotel. Inclui ainda estacionamentos para 5000 ve&iacute;culos. Como a&ccedil;&otilde;es para reduzir os impactos negativos, o cons&oacute;rcio tamb&eacute;m dever&aacute; construir quadras poliesportivas, biblioteca p&uacute;blica, mercado popular, ciclovias e parques (PREFEITURA DO RECIFE, 2015).</p>     <p>Grandes empreendimentos como o Novo Recife s&atilde;o de interesse da administra&ccedil;&atilde;o municipal por diversos motivos. Supostamente afetam consideravelmente a arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos, atraem investimentos de grupos econ&ocirc;micos&nbsp; e geram renda e emprego, movimentando a economia local (Oliveira e Barreira, 2011). Em tempos de crise, de cortes no or&ccedil;amento e queda na arrecada&ccedil;&atilde;o que vivem a maioria dos munic&iacute;pios brasileiros, nunca foi t&atilde;o importante viabilizar o aumento na arrecada&ccedil;&atilde;o e a parceria p&uacute;blico-privado como agora.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atualmente h&aacute; cinco a&ccedil;&otilde;es na justi&ccedil;a questionando o projeto Novo Recife: uma do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF), uma do Minist&eacute;rio P&uacute;blico estadual de Pernambuco (MPPE) e tr&ecirc;s a&ccedil;&otilde;es populares. Estas a&ccedil;&otilde;es, de modo geral, argumentam que os pr&eacute;dios ir&atilde;o bloquear a paisagem da cidade. Somado a uma s&eacute;rie de outros problemas, como o desconhecimento dos impactos socioambientais da obra e a n&atilde;o abertura de canais de comunica&ccedil;&atilde;o com a popula&ccedil;&atilde;o local, este projeto gerou um clima de insatisfa&ccedil;&atilde;o entre alguns moradores da cidade que, no dia 23 de maio de 2012, na primeira audi&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre o projeto Novo Recife, criaram o grupo DU (Direitos Urbanos). O grupo ent&atilde;o exigiu estudos que apontariam os pontos positivos e negativos do projeto, como estudos de impacto ambiental e estudos do impacto que o empreendimento gera ao seu entorno, em raz&atilde;o de seu porte e das atividades que ser&atilde;o exercidas no local. No entanto, no fim de 2012, o projeto foi aprovado na Prefeitura do Recife pela CDU (Barbosa, 2014).</p>     <p>Na madrugada do dia 21 de maio de 2014 o Cons&oacute;rcio Novo Recife conseguiu autoriza&ccedil;&atilde;o da prefeitura para demolir os armaz&eacute;ns de a&ccedil;&uacute;car abandonados do Cais Jos&eacute; Estelita.&nbsp; Na mesma noite os moradores da cidade ocuparam a &aacute;rea referente ao empreendimento questionado na tentativa de impedir a demoli&ccedil;&atilde;o. O que seria apenas uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a demoli&ccedil;&atilde;o dos armaz&eacute;ns, acabou se tornando o que ficou conhecido como &ldquo;Ocupe Estelita&rdquo;, v&aacute;rios manifestantes ocupando diariamente o local, para impedir que uma nova demoli&ccedil;&atilde;o fosse iniciada (Truffi, 2014).</p>     <p>Na manh&atilde; do dia 22, a demoli&ccedil;&atilde;o foi embargada por uma medida judicial provis&oacute;ria do Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (IPHAN), sob a alega&ccedil;&atilde;o de que o cons&oacute;rcio descumpriu um termo de ajuste de conduta entre o cons&oacute;rcio e o IPHAN, que visava garantir a prote&ccedil;&atilde;o dos registros relacionados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre a &aacute;rea. No dia 3 de junho de 2014, a prefeitura suspendeu a licen&ccedil;a que autorizava a demoli&ccedil;&atilde;o dos galp&otilde;es do Cais. Dois dias depois o Cons&oacute;rcio Novo Recife anunciou que estava aberto para discuss&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o de um novo projeto para a regi&atilde;o (Prefeitura do Recife, 2014).</p>     <p>J&aacute; no dia 16 de Junho do mesmo ano, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU) se reuniu com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e a Universidade Federal de Pernambuco e estabeleceram um prazo de 30 dias para que fossem modificadas as diretrizes urban&iacute;sticas do projeto Novo Recife (Prefeitura do Recife, 2014).</p>     <p>O empreendimento proposto pelo cons&oacute;rcio &ldquo;Novo Recife&rdquo; est&aacute; rodeado de discuss&otilde;es pol&ecirc;micas acerca de sua legalidade e impacto na regi&atilde;o central do Recife. Diante disso, consideramos que a quest&atilde;o se mostra um tema atual e oportuno para discutirmos as emergentes pol&iacute;ticas habitacionais e de revitaliza&ccedil;&otilde;es dos centros em cidades perif&eacute;ricas e o papel desempenhado pelas parcerias p&uacute;blico-privadas nesse processo .</p>     <p>Partindo de uma concep&ccedil;&atilde;o de que a verdade &eacute; produto de condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e contingenciais, e utilizando-se do m&eacute;todo arqueol&oacute;gico de Michel Foucault, questionamos nesta pesquisa qual o discurso do &ldquo;Novo Recife&rdquo;, quais forma&ccedil;&otilde;es discursivas o constitui e sobre qual base este discurso &eacute; poss&iacute;vel. O agente discursivo analisado aqui &eacute; a Prefeitura Municipal do Recife, particularmente sua articula&ccedil;&atilde;o com o Cons&oacute;rcio &ldquo;Novo Recife&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Referencial te&oacute;rico</b></p>     <p><b>2.1. O planejamento estrat&eacute;gico na gest&atilde;o p&uacute;blica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As cidades expressam variadas formas e dimens&otilde;es de organiza&ccedil;&atilde;o social. Nas sociedades capitalistas, as cidades s&atilde;o os lugares de comando desse sistema, o lugar de produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista. Esse sistema s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel por causa das cidades. Segundo Oliveira e Barreira (2011, p.1), &ldquo;<i>elas s&atilde;o os n&oacute;s da rede produtiva contempor&acirc;nea, donas de uma estrutura de transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos jamais tidos na hist&oacute;ria da humanidade</i>&rdquo;.</p>     <p>Ao longo da hist&oacute;ria, as cidades se constitu&iacute;ram como espa&ccedil;os de hegemonia religiosa e pol&iacute;tica, mas, principalmente depois do advento da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, passaram a ser um espa&ccedil;o essencial para a exist&ecirc;ncia do sistema capitalista e assumiram de vez o lugar do mercado. No decorrer dos anos, o setor privado foi exercendo, gradativamente, ainda mais influ&ecirc;ncia na governan&ccedil;a das cidades. No Brasil, esta influ&ecirc;ncia cresceu em import&acirc;ncia, a partir dos anos noventa sob o teto do neoliberalismo, que prescreve a participa&ccedil;&atilde;o do setor privado como requisito para uma boa gest&atilde;o p&uacute;blica. Esta ideia est&aacute; imbricada na maioria dos modelos de <i>empreendedorismo urbano</i> das cidades brasileiras que passam a ser protagonistas de experi&ecirc;ncias centradas na jun&ccedil;&atilde;o entre p&uacute;blico e privado na gest&atilde;o de seus territ&oacute;rios (Leal, 2012).</p>     <p>As pr&aacute;ticas de gest&atilde;o p&uacute;blica, introduzidas no Brasil no final dos anos noventa, se pautaram por princ&iacute;pios de governan&ccedil;a expressos na vis&atilde;o das cidades como l&oacute;cus de <i>empresarialismo urbano</i> (Harvey, 1996, p. 50).&nbsp; Segundo Castells e Borja (1996), esta vis&atilde;o acredita que as cidades s&atilde;o instrumentos eficazes para dar respostas &agrave;s crises e para atender &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es de sua inser&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica no contexto global, tornando-as palco para a emerg&ecirc;ncia de novas express&otilde;es de lideran&ccedil;as e de ger&ecirc;ncia administrativa.</p>     <p>N&atilde;o estamos pretendendo dizer que o dom&iacute;nio econ&ocirc;mico na governan&ccedil;a p&uacute;blica &eacute; uma novidade na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica brasileira e come&ccedil;ou nos anos noventa. Pelo contr&aacute;rio, sabemos que a penetra&ccedil;&atilde;o dos interesses privados (empreiteiras, bancos, imobili&aacute;rias, etc.) e a representa&ccedil;&atilde;o de seus agentes nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos n&atilde;o se constituem como um fato novo na cultura pol&iacute;tica do Estado Brasileiro. As elites tradicionais sempre influenciaram nos assuntos administrativos e sempre exerceram cargos p&uacute;blicos nas tr&ecirc;s esferas governamentais. O que mudou a partir da abertura dos mercados nos anos 1990, com os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos e a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva foi a inclus&atilde;o de outras formas de articula&ccedil;&atilde;o entre Estado e mercado. &ldquo;<i>Alian&ccedil;as que iriam favorecer, mais ainda, o poder de press&atilde;o dos grupos hegem&ocirc;nicos&rdquo; </i>(Leal, 2012, p. 64).</p>     <p>Como dito antes, a tradicional forma administrativa modernista-funcionalista de planejamento, dominante at&eacute; a d&eacute;cada de 1970, come&ccedil;ou a ser desmontada pela ideologia neoliberal. Neste novo contexto, emerge o chamado &ldquo;planejamento estrat&eacute;gico&rdquo;, cuja cr&iacute;tica fundamental foi constru&iacute;da no Brasil por autores como Carlos Vainer (2000).</p>     <p>A nova gest&atilde;o estrat&eacute;gica pressup&otilde;e n&atilde;o apenas a presen&ccedil;a de um governo local, mas uma coaliz&atilde;o de for&ccedil;as globais e locais denominada de governan&ccedil;a urbana, que, segundo Mascarenhas (2014), tem como premissa a atua&ccedil;&atilde;o conjunta do governo local, da iniciativa privada e da sociedade civil. A premissa impl&iacute;cita deste discurso, segundo Souza (2006, p.129), &eacute; a de que: &ldquo;<i>o que &eacute; bom para as empresas e faz a prosperidade econ&ocirc;mica aumentar tamb&eacute;m acaba sendo bom para a popula&ccedil;&atilde;o em geral&rdquo;</i>. Dessa forma, o papel do Estado &eacute; de pactuar e construir acordos e neg&oacute;cios que permitam a promo&ccedil;&atilde;o da imagem da cidade.</p>     <p>Na contram&atilde;o do tradicional planejamento f&iacute;sico-territorial, o novo modelo de planejamento passa a enfatizar a implementa&ccedil;&atilde;o dos chamados grandes projetos de desenvolvimento urbano como vetores privilegiados e &ldquo;estruturantes&rdquo; do desenvolvimento. O processo de destrui&ccedil;&atilde;o-reconstru&ccedil;&atilde;o da cidade afirma-se por meio do chamado Planejamento Urbano Estrat&eacute;gico, considerado por muitos agentes da quest&atilde;o urbana como a principal (ou melhor, a &uacute;nica) possibilidade de supera&ccedil;&atilde;o do quadro de crise de acumula&ccedil;&atilde;o materializado na paisagem urbana atual. Os Planos Diretores Municipais (Lei Federal n&ordm; 10.257/2001), obrigat&oacute;rios para cidades brasileiras com mais de vinte mil habitantes, muitas vezes t&ecirc;m sido elaborados por alguns gestores p&uacute;blicos como instrumentos legitimadores da implementa&ccedil;&atilde;o desse modelo chamado estrat&eacute;gico na escala dos munic&iacute;pios.</p>     <p>Opera&ccedil;&otilde;es emblem&aacute;ticas, voltadas para constru&ccedil;&otilde;es monumentais e espetaculares e para a proje&ccedil;&atilde;o da imagem urbana, tais iniciativas v&ecirc;m, quase sempre, acompanhadas das parcerias p&uacute;blico-privadas, da concess&atilde;o de vantagens fiscais e da privatiza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os urbanos (Mascarenhas, 2014). Os grandes projetos de desenvolvimento urbano sintetizam as novas formas de fazer e refazer as cidades do capitalismo contempor&acirc;neo. A l&oacute;gica do mercado, nesse contexto, &eacute; alimentada pelas ag&ecirc;ncias multilaterais e pelos consultores internacionais, e passa a dominar o debate, o discurso e a pr&aacute;tica das administra&ccedil;&otilde;es urbanas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. Grandes Projetos Urbanos (GPUs) como ferramenta da Gest&atilde;o P&uacute;blica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conceitualmente, Grandes Projetos Urbanos (GPUs) s&atilde;o iniciativas de renova&ccedil;&atilde;o urbana, concentradas em determinados setores da cidade, que envolvem agentes p&uacute;blicos e privados, e investimentos que seguem diretrizes de um plano urban&iacute;stico apoiado no redesenho do espa&ccedil;o urbano (Someck e Campos Neto, 2005). Altshuler e Luberoff (2003) caracterizam GPUs como interven&ccedil;&otilde;es de consider&aacute;vel desembolso de recursos p&uacute;blicos, em parceria com o setor privado, alterando tecidos urbanos para atendimento de novas demandas por transporte individual, relacionado com a era do autom&oacute;vel. O tema dos GPUs &eacute; recente, mas j&aacute; podemos identificar duas correntes principais que discutem os GPUs.</p>     <p>A primeira, ressalta a inser&ccedil;&atilde;o dos GPUs em um processo amplo de planejamento estrat&eacute;gico, supostamente participativo. Entende que atrav&eacute;s de um planejamento estrat&eacute;gico entre poder p&uacute;blico (viabilizadores), poder privado (investidores) e comunidades (usu&aacute;rios) &eacute; poss&iacute;vel maximizar e compatibilizar os esfor&ccedil;os e investimentos, e implementar a&ccedil;&otilde;es integradas de curto, m&eacute;dio e longo prazos. Por outro lado, a segunda corrente, contesta a pr&oacute;pria possibilidade de um consenso democr&aacute;tico em torno de grandes projetos e adverte sobre os riscos envolvidos com a implementa&ccedil;&atilde;o de GPUs. Nessa linha de pensamento, Harvey (2000) aponta que, para a viabiliza&ccedil;&atilde;o dos GPUs, o poder p&uacute;blico assume os riscos, enquanto o setor privado assume os lucros resultantes dessas interven&ccedil;&otilde;es. Os resultados positivos, por sua vez, fazem atrair novos investidores, novos moradores e novos consumidores, e geram novos projetos (Del Rio, 2000).&nbsp;</p>     <p>No caso da Regi&atilde;o Metropolitana de Recife, s&atilde;o exemplos de grandes projetos em andamento o bairro planejado Reserva do Paiva, a Cidade da Copa, em S&atilde;o Louren&ccedil;o da Mata e na regi&atilde;o central, a Via Mangue; e est&atilde;o em implementa&ccedil;&atilde;o e tramita&ccedil;&atilde;o legal os projetos Novo Recife, Vila Naval e Parque Capibaribe.</p>     <p>&nbsp;O projeto Novo Recife gira em torno de dois principais temas: a mobilidade e a revitaliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas centrais. Algumas zonas s&atilde;o privilegiadas nestes processos de revitaliza&ccedil;&atilde;o urbana: centros hist&oacute;ricos, &aacute;reas centrais degradadas e vazios urbanos resultantes do processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o &ndash; antigas zonas portu&aacute;rias, ferrovi&aacute;rias e industriais. Na &aacute;rea do Cais Jos&eacute; Estelita est&atilde;o os terrenos antes dedicados ao sistema ferrovi&aacute;rio ocupados tamb&eacute;m por armaz&eacute;ns do Instituto do A&ccedil;&uacute;car e do &Aacute;lcool. Na <a href="#f2">figura 2</a> podemos comparar a mudan&ccedil;a de paisagem que o projeto pode realizar na referida &aacute;rea.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a19f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como dito na se&ccedil;&atilde;o anterior, o planejamento urbano foi significado de forma a estabelecer a cidade como base para o crescimento econ&ocirc;mico e lugar de fluxo de capital, material, informa&ccedil;&atilde;o e transporte. Aqui se faz presente a l&oacute;gica econ&ocirc;mica. Esta l&oacute;gica &eacute; caracterizada pelo incentivo a redu&ccedil;&atilde;o de custos e ao aumento do retorno econ&ocirc;mico e financeiro das cidades. Faz com que prefeitos e planejadores urbanos entendam que cada interven&ccedil;&atilde;o urbana tenha que gerar retorno financeiro, mostrar-se lucrativa ou n&atilde;o onerosa aos cofres p&uacute;blicos.</p>     <p>Entendemos que a implementa&ccedil;&atilde;o de GPUs &eacute; um campo privilegiado de legitima&ccedil;&atilde;o de projetos pol&iacute;ticos ou de projetos de poder: pe&ccedil;as do jogo pol&iacute;tico dos munic&iacute;pios e/ou estados onde s&atilde;o implementados, quase sempre associados &agrave; imagem de uma gest&atilde;o espec&iacute;fica ou de um grupo pol&iacute;tico. A regra da agilidade e do aproveitamento de oportunidades tende a isentar os GPUs de formas efetivas de controle social como, por exemplo, vota&ccedil;&atilde;o e acompanhamento dos cidad&atilde;os. Consideramos que o discurso da Prefeitura do Recife est&aacute; alinhado a este modelo de planejamento estrat&eacute;gico e apresenta uma gest&atilde;o urbana-empresarial voltada para melhorar a efici&ecirc;ncia tanto econ&ocirc;mica quanto social da cidade. Neste cen&aacute;rio, a cidade se envolve em uma verdadeira &ldquo;Guerra fiscal&rdquo; (Santos e Silveira, 2002, p. 112), e os lugares tornam-se obrigados a oferecer todos os tipos de vantagens poss&iacute;veis para se transformarem em sedes das empresas e de outros tipos de investimentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Procedimentos metodol&oacute;gicos</b></p>     <p>Nesta se&ccedil;&atilde;o expomos a base epistemol&oacute;gica e descrevemos o procedimento arqueol&oacute;gico proposto por Michel Foucault e especificamos as t&aacute;ticas adotadas na constru&ccedil;&atilde;o do corpus, coleta e an&aacute;lise de dados.</p>     <p>Ao utilizar o m&eacute;todo foucaultiano, este trabalho assume que a realidade &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social e segue a tradi&ccedil;&atilde;o da pesquisa qualitativa (Creswell, 2010; Flick, 2009; Le&atilde;o et al., 2011; Denzin e Lincoln, 2006), alinhando-se ao paradigma cr&iacute;tico de pesquisa, que n&atilde;o visa, apenas, interpretar, mas questionar os valores e normas sociais (Lincoln e Guba, 2006).</p>     <p>Em <i>A Arqueologia do Saber</i> (1969), Foucault caracteriza m&eacute;todo arqueol&oacute;gico como caminho para descobrir e descrever as regras que dirigem os discursos e entender a constru&ccedil;&atilde;o dos objetos desse discurso, ou seja, arqueologia &eacute; uma estrat&eacute;gia de an&aacute;lise do discurso. Isto significa segundo Foucault:</p>     <blockquote>     <p>[...] que consiste em n&atilde;o mais tratar os discursos como conjuntos de signos (elementos significantes que remetem a conte&uacute;dos ou a representa&ccedil;&otilde;es), mas como pr&aacute;ticas que formam sistematicamente os objetos de que falam. Certamente os discursos s&atilde;o feitos de signos; mas o que fazem &eacute; mais que utilizar esses signos para designar coisas. &Eacute; esse mais que os torna irredut&iacute;vel &agrave; l&iacute;ngua e ao ato de fala. &Eacute; esse &ldquo;mais&rdquo; que &eacute; preciso fazer aparecer e que &eacute; preciso descrever (Foucault, 2008, p. 55).</p> </blockquote>     <p>Foucault, atrav&eacute;s da investiga&ccedil;&atilde;o arqueol&oacute;gica, constata que em cada &eacute;poca h&aacute; uma episteme diferente, que torna poss&iacute;vel o surgimento de novos saberes (Foucault, 2008). Podemos entender episteme como o paradigma que guia o <i>discurso. </i>Este, conceito fundamental no trabalho de Foucault, revela um conhecimento posto e relativo ao tempo ou espa&ccedil;o. Para Foucault (2008, p. 133), <i>discurso</i> &eacute; &ldquo;um conjunto de enunciados, na medida em que se apoiem na mesma forma&ccedil;&atilde;o discursiva&rdquo;.</p>     <p>Outro conceito fica em aberto na defini&ccedil;&atilde;o acima: o <i>enunciado</i>. Podemos inferir que um <i>enunciado</i> &eacute; qualquer frase ou proposi&ccedil;&atilde;o. No entanto, n&atilde;o se resume a isto. Enunciados s&atilde;o a unidade m&iacute;nima de significado do discurso. S&atilde;o unidades do saber que comp&otilde;em pr&aacute;ticas discursivas (Foucault, 2008). Mais precisamente, os enunciados s&atilde;o &ldquo;<i>uma fun&ccedil;&atilde;o que cruza um dom&iacute;nio de estruturas e de unidades poss&iacute;veis e que faz com que apare&ccedil;am conte&uacute;dos concretos, no tempo e no espa&ccedil;o</i> (Foucault, 2008, p. 98).</p>     <p>Na primeira etapa de an&aacute;lise, al&eacute;m de revelar os enunciados, buscamos evidenciar a fun&ccedil;&atilde;o que cada enunciado desempenha no discurso. A <i>Fun&ccedil;&atilde;o enunciativa</i> &ldquo;<i>&eacute; uma a&ccedil;&atilde;o que se revelou na pr&aacute;tica enunciativa pela exist&ecirc;ncia de um dom&iacute;nio de saberes a ela associados</i>&rdquo; (Costa e Le&atilde;o, 2011, p. 307).&nbsp; Dessa forma, assim como especifica Foucault (2008), a fun&ccedil;&atilde;o enunciativa faz aparecer o enunciado como um objeto espec&iacute;fico capaz de agir, de diversas formas, no discurso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Segundo n&iacute;vel de an&aacute;lise exigiu maior reflex&atilde;o, pois nesta etapa sa&iacute;mos do n&iacute;vel emp&iacute;rico para um esfor&ccedil;o mais conceitual:&nbsp; a categoriza&ccedil;&atilde;o das <i>regras</i> do discurso. Para Foucault, a <i>regra </i>&eacute; uma pr&aacute;tica social que gera sentido aos signos.&nbsp; O mesmo apresenta quatro categorias de regras que podemos identificar no discurso: objetos, conceitos, modalidade de enuncia&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gias. Os primeiros derivam do discurso e s&atilde;o definidos por rela&ccedil;&otilde;es entre conceitos. Os segundos s&atilde;o elementos discursivos decorrentes que est&atilde;o presentes nos enunciados. O terceiro &eacute; a forma como o discurso &eacute; praticado; procura identificar quem fala, onde se fala e qual a posi&ccedil;&atilde;o que ele se coloca; tenta encontrar o sujeito falante, o local onde est&aacute; inserido e a posi&ccedil;&atilde;o dele. A quarta e &uacute;ltima categoria &eacute; a estrat&eacute;gia, pode ser entendida como uma certa raz&atilde;o de ser do discurso, as estrat&eacute;gias mostram que existe uma intencionalidade na pr&aacute;tica discursiva (Foucault, 2008). S&atilde;o estes elementos que permitem compreender a regularidade do discurso. Essas categorias s&atilde;o reguladas em seu aparecimento e transforma&ccedil;&atilde;o por regras que as constituem.</p>     <p>Na proposta de Foucault, os quatro n&iacute;veis de an&aacute;lise que constituem as regras n&atilde;o s&atilde;o elementos dados, mas condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade que tornam poss&iacute;vel seu aparecimento e transforma&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o estas regras que caracterizam o discurso como regularidade e delimitam as chamadas <i>Forma&ccedil;&otilde;es Discursivas</i> (Foucault, 2008).</p>     <p>Assim, ter o discurso como objeto de estudo &eacute; estabelecer sua regularidade. &ldquo;S&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es entre objetos, entre tipos enunciativos, entre conceitos e entre estrat&eacute;gias que possibilitam a passagem da dispers&atilde;o &agrave; regularidade&rdquo; (Machado, 2006, p. 165). Segundo Giacomoni e Vargas (2010, p.5), o que Foucault faz na Arqueologia do Saber, ao descrever a <i>forma&ccedil;&atilde;o discursiva</i>, nada mais &eacute; do que definir &ldquo;aquilo que &eacute; essencial para compreender a constitui&ccedil;&atilde;o de um saber&rdquo;.</p>     <p>Neste ponto, chegamos ao &uacute;ltimo n&iacute;vel de an&aacute;lise: o de demonstra&ccedil;&atilde;o das<i> Forma&ccedil;&otilde;es discursivas </i>caracterizadas no discurso. A <i>forma&ccedil;&atilde;o discursiva</i> &eacute; uma unidade macro que guarda em si possibilidade de verdade. Foucault (2008, p. 43) define como:</p>     <blockquote>     <p>No caso em que se puder descrever, entre um certo n&uacute;mero de enunciados, semelhante sistema de dispers&atilde;o, e no caso em que entre os objetos, os tipos de enuncia&ccedil;&atilde;o, os conceitos, as escolhas tem&aacute;ticas, se puder definir uma regularidade (uma ordem, correla&ccedil;&otilde;es, posi&ccedil;&otilde;es e funcionamentos, transforma&ccedil;&otilde;es), diremos, por conven&ccedil;&atilde;o, que se trata de uma forma&ccedil;&atilde;o discursiva.</p> </blockquote>     <p>A proposta de Foucault vai na dire&ccedil;&atilde;o de buscar as regularidades que existem por tr&aacute;s da dispers&atilde;o de elementos do discurso. O autor deixa claro que uma <i>forma&ccedil;&atilde;o discursiva </i>&eacute; identificada quando se pode definir o sistema de estrat&eacute;gias que nela se desenrola, ou seja, demonstrar como ela deriva do jogo de rela&ccedil;&otilde;es inerentes ao discurso (Foucault, 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.1. Constru&ccedil;&atilde;o do arquivo</b></p>     <p>Para Foucault, arquivo s&atilde;o todos documentos a serem selecionados e analisados. Devem conter os discursos a serem investigados sobre uma certa ordem discursiva em um dado momento hist&oacute;rico (Foucault, 2008). Podemos considerar, salvo algumas especificidades, o que Foucault chama de arquivo &eacute; o mesmo que o conceito de <i>corpus </i>que utilizamos em pesquisa qualitativa (Creswell, 2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>corpus </i>deste trabalho foi composto por documentos dos dois sujeitos pol&iacute;ticos analisados, a Prefeitura do Recife e o Cons&oacute;rcio de empresas denominado &ldquo;Novo Recife&rdquo;. Os documentos selecionados representam fontes importantes para entender a posi&ccedil;&atilde;o discursiva desses dois sujeitos pol&iacute;ticos sobre o Projeto Novo Recife.&nbsp; O <i>corpus</i> foi formado pelo Relat&oacute;rio de empreendimento de impacto: Empreendimento Novo Recife (Proposta do projeto elaborado pelo cons&oacute;rcio em 2011); Parecer aos Projetos de Constru&ccedil;&atilde;o para Uso Misto (parecer urban&iacute;stico realizado em 2015 pela Diretoria de Urbanismo da Secretaria de Controle, Desenvolvimento Urbano e Obras da Prefeitura do Recife aprovando o in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o do projeto) e Notas especiais da Prefeitura do Recife sobre o Projeto Novo Recife, coletadas no site oficial da Prefeitura e no Di&aacute;rio Oficial de Pernambuco, emitidos no per&iacute;odo entre 2012 e 2016.</p>     <p>O processo anal&iacute;tico arqueol&oacute;gico deste trabalho foi inspirado nos procedimentos elaborados por Costa e Le&atilde;o (2011) e Camargo e Le&atilde;o (2013). A an&aacute;lise se deu em tr&ecirc;s etapas: primeiro buscamos identificar os enunciados e suas rela&ccedil;&otilde;es com as fun&ccedil;&otilde;es enunciativas, posteriormente, identificamos as regras e suas categorias para, enfim, desvelar as forma&ccedil;&otilde;es discursivas.</p>     <p>Os dados e an&aacute;lise dessa pesquisa suscitaram reflex&otilde;es que aprofundam a compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno estudado. No entanto, o estudo em quest&atilde;o apresentou algumas limita&ccedil;&otilde;es de tamanho de <i>corpus </i>&nbsp;e de&nbsp; proposta anal&iacute;tica. A proposta de arqueologia foucaltiana pode n&atilde;o atingir a profundidade necess&aacute;ria para entender as subjetividades de um discurso necessitando de uma segunda fase de an&aacute;lise que Foucault (2008) denomina de genealogia, ou seja, ir &agrave; <i>g&ecirc;nesis </i>do discurso. Em pesquisas posteriores essas limita&ccedil;&otilde;es podem ser sanadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Descri&ccedil;&atilde;o dos resultados</b></p>     <p><b>4.1. Enunciados </b></p>     <p>Numa leitura inicial tentou-se destacar os temas principais tratados nos documentos. As unidades discursivas do arquivo (<i>corpus</i>) s&atilde;o os enunciados. Eles constroem o discurso, portanto, desvelam saberes. Cada enunciado prov&eacute;m de uma multiplicidade, mas como cada um faz emergir um saber (verdade) espec&iacute;fico, foram transcritos como proposi&ccedil;&otilde;es afirmativas.&nbsp; Numa leitura mais profunda foram encontrados nove enunciados, atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o e destaque de frases, express&otilde;es, palavras, argumentos e algumas ideias distribu&iacute;das ao longo do texto. Estes enunciados fazem parte das pr&aacute;ticas discursivas dos agentes do discurso analisados aqui: a Prefeitura Municipal do Recife e Cons&oacute;rcio Novo Recife.</p>     <p>Como forma de exemplificar a constru&ccedil;&atilde;o dos enunciados, deixando claro que os enunciados n&atilde;o foram produzidos, apenas, com as express&otilde;es citadas, segue recorte do texto que ajuda no entendimento da constru&ccedil;&atilde;o dos enunciados propostos:</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &aacute;rea do Cais Jos&eacute; Estelita est&aacute; abandonada e sem uso j&aacute; h&aacute; alguns anos, constituindo um vazio urbano bastante prejudicial &agrave; ambi&ecirc;ncia urbana e &agrave; din&acirc;mica econ&ocirc;mica da cidade. A ocupa&ccedil;&atilde;o deste vazio urbano ser&aacute; determinante para o in&iacute;cio de um novo ciclo de desenvolvimento da &aacute;rea composta pelos Bairros de S&atilde;o Jos&eacute;, Cabanga e aos eixos vi&aacute;rios Avenida Sul e Rua Imperial e suas edifica&ccedil;&otilde;es (Memorial Novo Recife, 2011, p. 2)</p> </blockquote>     <p>Este recorte possibilitou construir o enunciado <b>&ldquo;O Cais Jos&eacute; Estelita impede o desenvolvimento da cidade&rdquo;. </b>&Eacute; claro no texto que o Cais Jos&eacute; Estelita impossibilita que a cidade se desenvolva, o que exige a ocupa&ccedil;&atilde;o deste espa&ccedil;o para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento da &aacute;rea. O mesmo recorte ajudou a construir o enunciado <b>&ldquo;O &lsquo;Novo Recife&rsquo; &eacute; fundamental para o desenvolvimento econ&ocirc;mico da cidade&rdquo;</b>, no momento em que deixa claro a necessidade de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o para facilitar a din&acirc;mica econ&ocirc;mica da cidade. Al&eacute;m do trecho citado, este &uacute;ltimo enunciado foi constru&iacute;do levando em considera&ccedil;&atilde;o outros recortes do texto, como o que segue:</p>     <blockquote>     <p>A viabilidade construtiva de um empreendimento &eacute; resultante de estudos de viabilidade econ&ocirc;mica realizados pelo grupo empreendedor a partir das interfer&ecirc;ncias sofridas pela regi&atilde;o, entre elas a legisla&ccedil;&atilde;o municipal vigente (Memorial Novo Recife, 2011, p. 6).</p> </blockquote>     <p>Estes e os demais enunciados foram constru&iacute;dos seguindo os crit&eacute;rios de regularidade e repeti&ccedil;&atilde;o de significados que aparecem no discurso e, ao mesmo tempo, apontam para diferen&ccedil;as que demarcam a unidade de cada enunciado (Costa&nbsp; e Le&atilde;o, 2011). Para facilitar o entendimento e visualiza&ccedil;&atilde;o, os enunciados ser&atilde;o apresentados seguidos de sua descri&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>O Cais Jos&eacute; Estelita impede o desenvolvimento da cidade</b></p>     <p>Este enunciado diz que a regi&atilde;o do cais tem potencial de desenvolvimento. Por&eacute;m, no momento encontra-se num estado que dificulta a vigil&acirc;ncia, a mobilidade, integra&ccedil;&atilde;o e a din&acirc;mica da cidade.&nbsp; Por isto, o enunciado pronuncia que a regi&atilde;o &eacute; isolada, uma ilha urbana, que impede que o centro se desenvolva.</p>     <p><b>O Novo Recife &eacute; o melhor para qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este enunciado se manifesta de v&aacute;rias maneiras, as vezes, argumentando que o empreendimento assegura a din&acirc;mica social e requalifica a regi&atilde;o, outras vezes, que valoriza os espa&ccedil;os p&uacute;blicos para oferecer oportunidades de lazer e recrea&ccedil;&atilde;o para os citadinos. As vantagens oferecidas pelo empreendimento s&atilde;o em muitas passagens vinculadas aos conceitos de qualidade de vida e bem-estar social, considerados como parte importante para os citadinos.</p>     <p><b>O &ldquo;Novo Recife&rdquo; &eacute; fundamental para o desenvolvimento econ&ocirc;mico da cidade</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de outros enunciados tamb&eacute;m abordarem o desenvolvimento da regi&atilde;o e vincul&aacute;-lo &agrave; melhora da economia, este enunciado se diferencia dos demais por demonstrar a import&acirc;ncia do empreendimento para o crescimento econ&ocirc;mico da cidade como fator primordial da constru&ccedil;&atilde;o do projeto. No desenho do projeto, al&eacute;m dos edif&iacute;cios para habita&ccedil;&atilde;o, inclui-se dois edif&iacute;cios empresariais e um hotel. O enunciado pronuncia que o Novo Recife facilita a integra&ccedil;&atilde;o de Recife na economia, melhora o turismo no centro da cidade e permite tornar a regi&atilde;o um centro econ&ocirc;mico. Justifica-se o Novo Recife, principalmente, por proporcionar crescimento econ&ocirc;mico.</p>     <p><b>O Novo Recife est&aacute; alinhado com o planejamento urbano da cidade</b></p>     <p>O enunciado pronuncia que o empreendimento est&aacute; de acordo com o planejamento do munic&iacute;pio. Faz parte do planejamento para o aumento de empreendimentos urban&iacute;sticos da Regi&atilde;o Metropolitana do Recife e segue a legisla&ccedil;&atilde;o municipal vigente. Por tanto, o Novo Recife &eacute; fruto do bom planejamento urbano da Prefeitura do Recife.</p>     <p><b>O Novo Recife est&aacute; de acordo com o modelo de urbaniza&ccedil;&atilde;o mundial</b></p>     <p>O enunciado pronuncia que o empreendimento est&aacute; de acordo com um urbanismo contempor&acirc;neo. &Eacute; igualado aos grandes empreendimentos ao redor do mundo. Este fato &eacute; demarcado no texto como sinal de um bom caminho para urbaniza&ccedil;&atilde;o da cidade. &Eacute; apresentado com certa satisfa&ccedil;&atilde;o no discurso. Faz parte do tipo de urbaniza&ccedil;&atilde;o das grandes cidades mundiais, marcados por edif&iacute;cios de muitos andares, condom&iacute;nios fechados, enormes espa&ccedil;os privados para conv&iacute;vio social e consumo, como shoppings centers, e valoriza&ccedil;&atilde;o do carro como meio principal de locomo&ccedil;&atilde;o. O projeto cria nova vis&atilde;o ao urbano da cidade, considerado desatualizado, possibilita um novo urbanismo para o centro da Cidade. Por isso &eacute; tratado como refer&ecirc;ncia.</p>     <p><b>O Novo Recife &eacute; produto da vontade do povo</b></p>     <p>&Eacute; recorrente a demonstra&ccedil;&atilde;o de que o empreendimento passou pela aprova&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias inst&acirc;ncias municipais e da sociedade civil. O projeto foi discutido pelas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil envolvidas. A maioria dos membros da comiss&atilde;o de controle urban&iacute;stico aprova o projeto. Em diversas passagens e maneiras este enunciado &eacute; apresentado no texto. O projeto &eacute; resultado de acordos com a sociedade, a popula&ccedil;&atilde;o pede requalifica&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, atrav&eacute;s de um projeto como o Novo Recife.</p>     <p><b>O Novo Recife contribui para uma cidade Sustent&aacute;vel</b></p>     <p>O enunciado articula que o projeto segue todas as exig&ecirc;ncias ambientais estabelecidas por lei. &Eacute; entendido como fundamental para o desenvolvimento sustent&aacute;vel da cidade. Ao demonstrar as qualidades do projeto (grandes espa&ccedil;os entre cada edif&iacute;cio para possibilitar a circula&ccedil;&atilde;o do ar, v&aacute;rios espa&ccedil;os p&uacute;blicos arborizados, pra&ccedil;as de conviv&ecirc;ncia, biblioteca p&uacute;blica, ruas alargadas para pedestres e ciclistas, dois edif&iacute;cios garagem facilitar a mobilidade, etc.), as consideram caracter&iacute;stica de uma cidade sustent&aacute;vel. Assim sendo, o Novo Recife auxilia na constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade mais sustent&aacute;vel.</p>     <p><b>O Novo Recife respeita o patrim&ocirc;nio cultural da cidade</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este enunciado profere que o Novo Recife considerou as quest&otilde;es de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico do centro do Recife. Grande parte da &aacute;rea do projeto n&atilde;o foi considerada como valor cultural para a sociedade. O cons&oacute;rcio argumenta que o empreendimento n&atilde;o tem impacto visual na &aacute;rea hist&oacute;rica da regi&atilde;o j&aacute; que as 12 torres ser&atilde;o constru&iacute;das onde hoje s&atilde;o localizados os antigos galp&otilde;es no Cais Jos&eacute; Estelita. Estes galp&otilde;es, e a &aacute;rea onde est&atilde;o localizados, n&atilde;o apresentam valor cultural para cidade, segundo o Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional.</p>     <p><b>O Novo Recife causa danos que ser&atilde;o mitigados</b></p>     <p>A prefeitura se preocupa com os poss&iacute;veis danos do projeto e trabalha para que isso n&atilde;o aconte&ccedil;a. O Novo Recife &eacute; o projeto com maior n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es mitigadoras no hist&oacute;rico dos empreendimentos urban&iacute;sticos do Recife. Foi determinado ao cons&oacute;rcio a constru&ccedil;&atilde;o de ciclovias, pra&ccedil;as, mercado popular, entre outras a&ccedil;&otilde;es que garantam espa&ccedil;os p&uacute;blicos de qualidade. No entanto, muitas vezes, os danos s&atilde;o vistos como possibilidades futuras e n&atilde;o s&atilde;o especificados de forma clara pelo agente do discurso.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>4.2. Fun&ccedil;&otilde;es enunciativas</b></p>     <p>As fun&ccedil;&otilde;es enunciativas s&atilde;o reveladas por meio das pr&aacute;ticas discursivas, s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es exercidas pelos enunciados (Foucault, 2009; Costa e Le&atilde;o, 2011). Como categorias anal&iacute;ticas, as fun&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o apresentadas em frases curtas que representem uma a&ccedil;&atilde;o. As fun&ccedil;&otilde;es enunciativas demarcam o desempenho dos enunciados na inst&acirc;ncia do campo discursivo, ou ainda, no jogo de rela&ccedil;&otilde;es da forma&ccedil;&atilde;o ao qual fazem parte. Por serem a&ccedil;&otilde;es dos enunciados, as descrevemos como ora&ccedil;&otilde;es que iniciam sempre com um verbo no infinitivo. Nesta an&aacute;lise, as fun&ccedil;&otilde;es enunciativas foram refletidas com base em como os enunciados foram utilizados no discurso, identificando as a&ccedil;&otilde;es. Como exemplo ilustrativo, podemos explicar a constru&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o <b>&ldquo;Convencer que o Novo Recife &eacute; o que a cidade precisa e deseja&rdquo;</b>, atrav&eacute;s do recorte que segue:</p>     <blockquote>     <p>&Eacute; verdade que existiram outros desenhos urbanos para a ocupa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, mas, este foi o resultado que, na vis&atilde;o da equipe, melhor contribuir&aacute; para promover a integra&ccedil;&atilde;o social, o respeito ao patrim&ocirc;nio e a inclus&atilde;o social, partindo do princ&iacute;pio que a abordagem que traz maiores benef&iacute;cios para todos &eacute; um meio-termo que permita a viabiliza&ccedil;&atilde;o do empreendimento e reflorescimento da comunidade (Prefeitura do Recife, 2015, p. 7).</p> </blockquote>     <p>Ao apresentar a exist&ecirc;ncia de outros desenhos e a escolha do &ldquo;Novo Recife&rdquo; como escolha mais adequada entre eles, o agente desempenha a fun&ccedil;&atilde;o de convencer que o empreendimento &eacute; a melhor op&ccedil;&atilde;o para a Cidade por abarcar tanto a viabiliza&ccedil;&atilde;o (econ&ocirc;mica) quanto &agrave; integra&ccedil;&atilde;o social. Foram identificadas um total de seis fun&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o citadas e descritas no <a href="#t1">Quadro 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a19t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As a&ccedil;&otilde;es mais exercidas no discurso foram as de <b>&ldquo;Demonstrar que o &ldquo;Novo Recife&rdquo; respeita a hist&oacute;ria e o ambiente da cidade&rdquo;</b> e <b>&ldquo;Convencer que os danos do projeto ser&atilde;o m&iacute;nimos&rdquo;</b>. V&aacute;rios enunciados convergem para estas duas fun&ccedil;&otilde;es. Isto demonstra a preocupa&ccedil;&atilde;o do sujeito em convencer que o &ldquo;Novo Recife&rdquo; n&atilde;o ocasionar&aacute; danos graves &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, &agrave; identidade visual e hist&oacute;rica, e ao meio ambiente.</p>     <p>As seis fun&ccedil;&otilde;es encunciativas encontradas nos discursos analisados podem ser enquadradas em duas a&ccedil;&otilde;es principais: a de demonstrar que o Cais Jos&eacute; Estelita &eacute; um problema para o Recife; e a de convencer/promover o Projeto Novo Recife como a melhor solu&ccedil;&atilde;o para este problema. O trecho que segue apresenta a preocupa&ccedil;&atilde;o do empreendimentno em deixar claro seus impactos positivos na &aacute;rea:</p>     <blockquote>     <p>O <b>Empreendimento NOVO RECIFE</b> se apresenta, pela localiza&ccedil;&atilde;o, dimens&atilde;o e programa de usos como uma proposta impactante para a vizinhan&ccedil;a, a regi&atilde;o e a cidade do Recife. Neste aspecto, como agente indutor de impactos positivos, na forma demonstrada pelo presente MEMORIAL JUSTIFICATIVO. A leitura das informa&ccedil;&otilde;es contidas nos quatro componentes que estruturam o Memorial, a saber: ambiente natural, ambiente constru&iacute;do, infraestrutura e mobilidade, permite afirmar quanto ao acerto do Empreendimento, e seus benef&iacute;cios para a cidade (Memorial Novo Recife, 2011, p. 69).</p> </blockquote>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>4.3. Regras do discurso</b></p>     <p>As regras definem as condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia do enunciado (Foucault, 2009). &Eacute; uma pr&aacute;tica social (Foucault, 2009) aqui mediada pelos documentos oficiais dos sujeitos analisados. As regras constru&iacute;das partem de um n&iacute;vel conceitual baseado nos dados emp&iacute;ricos. Foram identificadas tr&ecirc;s regras que norteiam esta pr&aacute;tica social.</p>     <p>Al&eacute;m das rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre enunciados e fun&ccedil;&otilde;es, a exemplo de como as regras foram identificadas seguem recortes no qual a regra &ldquo;<b>O Novo Recife &eacute; sustent&aacute;vel&rdquo; </b>&eacute; identificada em meio aos argumentos que justificam o empreendimento como sustent&aacute;vel:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Buscou-se construir uma solu&ccedil;&atilde;o que possa agregar mais valor ambiental, econ&ocirc;mico, social e espacial para a cidade sem esquecer os aspectos intang&iacute;veis, como o fortalecimento da comunidade local e o conforto dos usu&aacute;rios.</p>     <p>A prefeitura entende que &eacute; justamente uma solu&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea que pode fomentar desenvolvimento da din&acirc;mica urbana e econ&ocirc;mica desta regi&atilde;o da cidade, portanto, viabilizar empreendimentos nesta &aacute;rea, buscando caminhos sustent&aacute;veis, &eacute; o primeiro passo a ser dado para promover o seu desenvolvimento.</p>     <p>A regra &ldquo;<b>O Novo Recife &eacute; sustent&aacute;vel&rdquo; </b>deixa claro que o projeto &eacute; guiado por uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a sustentabilidade social e ambiental, por isso, demonstra est&aacute; de acordo com as obriga&ccedil;&otilde;es ambientais, as entidades da sociedade civil est&atilde;o envolvidas no projeto, respeita o patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico da cidade e preza pela melhoria da qualidade de vida popula&ccedil;&atilde;o. Esta sustentabilidade est&aacute; baseada no trip&eacute;: social, ambiental e econ&ocirc;mico. No entanto, muitas vezes, o agente discursivo justifica a capacidade de ser sustent&aacute;vel atrav&eacute;s do crescimento econ&ocirc;mico. Este &eacute; entendido aqui como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para.</p>     <p>A regra &ldquo;<b>Grandes empreendimentos como solu&ccedil;&atilde;o dos problemas urbanos</b>&rdquo;, por sua vez, permite entender que o Novo Recife &eacute; estabelecido numa perspectiva em que os grandes empreendimentos s&atilde;o tratados como solucionadores dos problemas urbanos. Capazes de requalificar &aacute;reas abandonadas e melhorar a din&acirc;mica da cidade. Com projetos que visam grandes &aacute;reas s&atilde;o considerados ideais porque proporcionam uma mudan&ccedil;a mais r&aacute;pida e not&aacute;vel no espa&ccedil;o, com consequentes mudan&ccedil;as na qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, grandes projetos beneficiam a tr&iacute;ade: sociedade, Estado e empresas.</p>     <p>A regra &ldquo;<b>O Novo Recife como indutor de crescimento econ&ocirc;mico&rdquo; </b>procura promover, persuadir e justificar que o projeto &eacute; capaz de melhorar os resultados econ&ocirc;micos do centro da cidade. Ou seja, gerar lucro atrav&eacute;s das iniciativas decorrentes da constru&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As regras que norteiam este discurso s&atilde;o constitu&iacute;das por categorias (objeto, conceito, modalidade, estrat&eacute;gia) que ajudam a explicar cada regra. As categorias de cada regra s&atilde;o apresentadas no <a href="#t2">Quadro 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a19t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>4.4. Forma&ccedil;&otilde;es discursivas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Depois de descrever e explicar brevimente os enunciados, fun&ccedil;&otilde;es e regras que constituiem o discurso, nos ocuparemos nesta se&ccedil;&atilde;o de analisar profundamente as forma&ccedil;&otilde;es discursivas. Os discursos revelam-se, de fato, nesta unidade. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas s&atilde;o uma unidade macro que guarda em si a possibilidade de verdade (Camargo e Le&atilde;o, 2013). Para chegarmos as forma&ccedil;&otilde;es discursivas consideramos as rela&ccedil;&otilde;es entre enunciados, fun&ccedil;&otilde;es e regras. Tentamos identificar grupos de rela&ccedil;&otilde;es que se assemelham e que, ao mesmo tempo, se diferenciam de outras. Dessa maneira foram identificadas duas forma&ccedil;&otilde;es: Econ&ocirc;mica e Sustent&aacute;vel. Al&eacute;m de uma grande forma&ccedil;&atilde;o que ordena o discurso: Crescimento Econ&ocirc;mico gera sustentabilidade.</p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o discursiva <b>Econ&ocirc;mica</b> foi evidenciada pela incid&ecirc;ncia de enunciados e fun&ccedil;&otilde;es convergentes sobre as regras &ldquo;<b>Grandes empreendimentos como solu&ccedil;&atilde;o dos problemas urbanos</b>&rdquo; e &ldquo;<b>O Novo Recife como indutor de crescimento econ&ocirc;mico</b>&rdquo;. Estas duas regras, al&eacute;m de demarcar a forma&ccedil;&atilde;o discursiva, nos fornece informa&ccedil;&otilde;es para acreditar que tal forma&ccedil;&atilde;o &eacute; um sistema que entende que atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de grandes empreendimentos a regi&atilde;o se tornar&aacute; um centro econ&ocirc;mico e permitir&aacute; a gera&ccedil;&atilde;o de lucro e o crescimento da economia. &Eacute; um modelo de urbanismo contempor&acirc;neo e exemplo de estrat&eacute;gia adequada para resolver os problemas urbanos e sociais da &aacute;rea do Cais Jos&eacute; Estelita e de todo centro da cidade e tornar o Recife mais competitivo dentro do &ldquo;mercado das cidades&rdquo;.</p>     <p>As cidades competem por visibilidade e crescimento de investimentos empresariais, bem como a busca por pr&ecirc;mios. Esta competi&ccedil;&atilde;o gera uma hierarquia que se estabelece em fun&ccedil;&atilde;o de centralidades e especializa&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o de fluxos. A centralidade &eacute; definida pela capacidade de controle e dire&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, do capital e da tecnologia. Elas competem entre si atrav&eacute;s da extens&atilde;o em termos econ&ocirc;micos de &aacute;rea de influ&ecirc;ncia, bem como integram-se de forma cooperativa atrav&eacute;s dos diversos mercados que atuam. Ou seja, o urbanismo baseado nesta l&oacute;gica visa formar alicerces para o crescimento econ&ocirc;mico. Por este motivo, denominamos a forma&ccedil;&atilde;o discursiva, o nome <b>Econ&ocirc;mica</b>.</p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o discursiva <b>Sustent&aacute;vel </b>foi evidenciada pelo conjunto de enunciados e fun&ccedil;&otilde;es que convergiram nas regras &ldquo;<b>Grandes empreendimentos como solu&ccedil;&atilde;o dos problemas urbanos&rdquo; </b>e &ldquo;<b>O Novo Recife &eacute; sustent&aacute;vel&rdquo;</b>. Ao mesmo tempo que os grandes empreendimentos imobili&aacute;rios s&atilde;o considerados solu&ccedil;&atilde;o para os problemas urbanos atrav&eacute;s da revitaliza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos e privados capazes de melhorar a din&acirc;mica da economia local, eles permitem a sustentabilidade da cidade tamb&eacute;m atrav&eacute;s da melhoria da qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o. Esta melhoria pode estar ligada aos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico, condi&ccedil;&otilde;es ambientais e sociais e poder de participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o nas decis&otilde;es urban&iacute;sticas da cidade. Foram esses elementos do discurso que permitiram inferir que o empreendimento &ldquo;Novo Recife&rdquo; &eacute; fruto de um conhecimento que norteia a preocupa&ccedil;&atilde;o pelas condi&ccedil;&otilde;es ambientais e sociais da cidade, da regi&atilde;o ou do planeta, que denominamos aqui de <b>Sustent&aacute;vel</b>.</p>     <p>As duas forma&ccedil;&otilde;es discursivas, &agrave; primeira vista, demonstram uma contradi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; conhecida a discuss&atilde;o por cidades mais sustent&aacute;veis e a cr&iacute;tica a um modelo de urbaniza&ccedil;&atilde;o que privilegia espa&ccedil;os privados, sem vida, que diminui os espa&ccedil;os p&uacute;blicos de conviv&ecirc;ncia em detrimento do aumento de espa&ccedil;os que privilegiam o coletivo e o direito de usufruir da cidade. Esta cr&iacute;tica &eacute; baseada no entendimento de que o crescimento econ&ocirc;mico n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de desenvolvimento urbano, pelo contr&aacute;rio, &eacute; considerado prejudicial e respons&aacute;vel pela situa&ccedil;&atilde;o de segrega&ccedil;&atilde;o espacial e pela p&eacute;ssima qualidade de vida na cidade.</p>     <p>No entanto, no aprofundamento das an&aacute;lises das rela&ccedil;&otilde;es entre enunciados, fun&ccedil;&otilde;es e regras, percebeu-se que, no discurso analisado, o crescimento econ&ocirc;mico &eacute; fator determinante para uma cidade sustent&aacute;vel. Ou seja, sem crescimento econ&ocirc;mico n&atilde;o h&aacute; sustentabilidade. Dessa forma, o agente discursivo entende que n&atilde;o h&aacute; contradi&ccedil;&atilde;o entre crescimento econ&ocirc;mico e sustentabilidade. Esta &eacute; consequ&ecirc;ncia daquele. Por isso entendemos que o discurso &eacute; organizado por uma forma&ccedil;&atilde;o discursiva mais abrangente, que denominamos de <b>Crescimento Econ&ocirc;mico gera Sustentabilidade</b>. A regi&atilde;o na qual o projeto Novo Recife ser&aacute; constru&iacute;do &eacute; descrita como importante para o contexto econ&ocirc;mico, facilitador da integra&ccedil;&atilde;o mundial de mercados, etc. Neste sentido, a regi&atilde;o do centro do Recife apresenta vantagens competitivas que a colocam na trilha do desenvolvimento estruturado. Como podemos ver nos trechos que seguem:</p>     <blockquote>     <p>&ldquo;O fen&ocirc;meno da urbaniza&ccedil;&atilde;o em geral, e nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e no Brasil em especial, estabeleceu, nos &uacute;ltimos vinte anos, um novo processo de desenvolvimento (Memorial Novo Recife, 2011, p. 4)</p>     <p>Os novos paradigmas de desenvolvimento mundial mudaram o papel das cidades na economia. Condicionantes geogr&aacute;ficos se apresentam como facilitadores que, influindo nos custos de transportes e comunica&ccedil;&atilde;o, determinam &agrave; import&acirc;ncia dessas cidades no contexto econ&ocirc;mico. A integra&ccedil;&atilde;o mundial, contudo, atribuiu um papel adicional &agrave;s cidades, o de imprimir maior efici&ecirc;ncia a suas atividades econ&ocirc;micas, sujeitas a acirrada competi&ccedil;&atilde;o (Memorial Novo Recife, 2011, p. 6).</p> </blockquote>     <p>Para descrever o potencial sustent&aacute;vel do centro da cidade, o agente discursivo argumenta caracter&iacute;sticas restritas &agrave;s quest&otilde;es econ&ocirc;micas, como voca&ccedil;&atilde;o e lideran&ccedil;a regional para o empreendedorismo, o com&eacute;rcio varejista (retalhista) e atacadista (grossista) em franca expans&atilde;o tendo em vista, a localiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica da cidade; a disponibilidade e grandes &aacute;reas para se acolher empreendimentos de porte. Fica evidente que, mesmo utilizando-se de considera&ccedil;&otilde;es como &ldquo;respeito ao meio ambiente&rdquo; e &ldquo;cidade sustent&aacute;vel&rdquo;, por exemplo, os sujeitos do discurso anlisado reduzem desenvolvimento sustent&aacute;vel a desenvolvimento econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A prefeitura entende que &eacute; justamente uma solu&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea que pode fomentar desenvolvimento da din&acirc;mica urbana e econ&ocirc;mica desta regi&atilde;o da cidade, portanto, viabilizar empreendimentos nesta &aacute;rea, buscando caminhos sustent&aacute;veis, &eacute; o primeiro passo a ser dado para promover o seu desenvolvimento. Na <a href="#f3">figura 3</a> s&atilde;o demonstradas as rela&ccedil;&otilde;es entre enunciados, fun&ccedil;&otilde;es e regras que constituiram as forma&ccedil;&otilde;es discursivas e regra das regras.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n13/n13a19f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os argumentos propostos pela Prefeitura do Recife evocam, entre outras coisas, a fus&atilde;o do capital imobili&aacute;rio (enquanto estrat&eacute;gia) com o Estado, na perspectiva de produzir um espa&ccedil;o, com o intuito de aproveitamento e valoriza&ccedil;&atilde;o do solo urbano partindo de uma perspectiva de planejamento que utiliza os GPUs como principal ferramenta. Com as an&aacute;lises evidenciamos que o discurso da Prefeitura do Recife tem como paradigma principal uma cidade como base para o crescimento econ&ocirc;mico de cunho sustent&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Neste trabalho analisamos atrav&eacute;s do m&eacute;todo arqueol&oacute;gico de Foucault (2008) o discurso do Novo Recife como possibilidade de revitaliza&ccedil;&atilde;o do centro da cidade. Sob essa condi&ccedil;&atilde;o desvelamos o conjunto de significados inter-relacionados que nos remeteram ao estabelecimento de uma grande forma&ccedil;&atilde;o discursiva denominada de <b>Crescimento Econ&ocirc;mico gera sustentabilidade.</b></p>     <p>Nas articula&ccedil;&otilde;es entre enunciados, fun&ccedil;&otilde;es e regras emergiu a condi&ccedil;&atilde;o de que o crescimento econ&ocirc;mico &eacute; gerador de uma cidade sustent&aacute;vel, atrav&eacute;s da superconcentra&ccedil;&atilde;o de atividades nas &aacute;reas centrais da cidade, constru&ccedil;&atilde;o de grandes empreendimentos imobili&aacute;rios que impulsionam o crescimento da economia, a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e o aumento do lucro de empresas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A principal tese de Foucault est&aacute; na ideia de que todo saber (seja cient&iacute;fico ou n&atilde;o) s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel em determinado momento hist&oacute;rico, porque h&aacute; um espa&ccedil;o de ordem que o possibilita. Partindo da tese foucaultiana podemos entender a contradi&ccedil;&atilde;o&nbsp; da grande regra de forma&ccedil;&atilde;o deste discurso. Entender que o disucurso da Prefeitura do Recife &eacute; regulado pela ideia de crescimento econ&ocirc;mico como condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade de uma cidade mais sustent&aacute;vel e que h&aacute; uma hegemonia do discurso dos Grandes Projetos Urbanos (GPUs) nas pr&aacute;ticas da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. A Regra de forma&ccedil;&atilde;o <b>Grandes empreendimentos como solu&ccedil;&atilde;o dos problemas urbanos </b>demonstrou o uso dessa ferramenta como protagonista das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e projetos realizados na cidade do Recife.</p>     <p>Prever o que acontecer&aacute; diante dessa articula&ccedil;&atilde;o foge &agrave; finalidade desta pesquisa. &Eacute; fato, no entanto, que o progresso econ&ocirc;mico isolado como fonte de melhor qualidade de vida para a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma perspectiva h&aacute; muito criticada, considerada ultrapassada e, por vezes, nociva &agrave; cidade. &Agrave; raiz disso cabe fazer uma cr&iacute;tica ao modo como os defensores e apoiadores do planejamento estrat&eacute;gico se identificam dogmaticamente com as rela&ccedil;&otilde;es capitalistas como a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o para todas as anomalias e crises da cidade.</p>     <p>Diante do caos urban&iacute;stico instalado, o poder p&uacute;blico cede ao capital.&nbsp; Desse modo, abre m&atilde;o da responsabilidade pelo planejamento das cidades e repassa &agrave; iniciativa privada que, muitas vezes, tem o lucro como prioridade. Esse tipo Parceria P&uacute;blica-Privada (PPP) analisada aqui demonstra ser extremamente perigosa, pois pode n&atilde;o representar as vontades e necessidades dos cidad&atilde;os. O problema n&atilde;o est&aacute; no conceito de PPP. As parcerias p&uacute;blico-privadas podem ser ferramentas eficientes para uma urbaniza&ccedil;&atilde;o de qualidade (MENDON&Ccedil;A, 2014). Consideramos que o problema esteja no modelo desempenhado por alguns pol&iacute;ticos que utilizam os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos como moeda de troca para perpetuar-se no poder. O pol&iacute;tico perde foco e n&atilde;o defende a cidade e seu cidad&atilde;o. Desenvolver estrat&eacute;gias e solu&ccedil;&otilde;es que unam crescimento econ&ocirc;mico com desenvolvimento sustent&aacute;vel j&aacute; &eacute; um caminho h&aacute; muito considerado mais vi&aacute;vel.</p>     <p>O presente trabalho nos ajuda a discutir os modelos de urbaniza&ccedil;&atilde;o vigentes, em especial, nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos. Especificamente para entender os discursos que surgem de uma nova conjuntura de discuss&atilde;o do urbano na qual o Recife parece fazer parte. Consideramos a metodologia aplicada relevante para o avan&ccedil;o do conhecimento cient&iacute;fico por entender que o referencial foucaultiano nos aponta um olhar original para os diversos fen&ocirc;menos sociais na tentativa de descobrir quais s&atilde;o os problemas espec&iacute;ficos que v&ecirc;m construindo e sustentando o nosso cotidiano.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>ALTSHULER, Alan; LUBEROFF, David. <i>Mega-Projects: The Changing Politics of Urban Public Investment</i>. Washington, D.C.: Brookings Institution Press, 2003. ISBN 0-8157-0129-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1750090&pid=S2182-1267201800010001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BARBOSA, David Tavares. <i>Novos Recifes, velhos neg&oacute;cios: pol&iacute;tica da paisagem no processo contempor&acirc;neo de transforma&ccedil;&otilde;es da Bacia do Pina &ndash; Recife/PE: uma an&aacute;lise do Projeto Novo Recife.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Geografia) &ndash; UFPE. Recife, Pernambuco. 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BRASIL. Lei Federal n&ordm; 10.257/2001. <i>Estatuto da Cidade</i>. Bras&iacute;lia, DF. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1750093&pid=S2182-1267201800010001900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CAMARGO, Thiago Ianatoni. <i>Pulando a cerca ponto com: uma arqueologia do discurso da mercantiliza&ccedil;&atilde;o do adult&eacute;rio &agrave; luz da estiliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade de Michel Foucault.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Administra&ccedil;&atilde;o) &ndash; UFPE, Recife, Pernambuco. 2013.</p>     <!-- ref --><p>CASTELLS, M. BORJA, J. <i>As Cidades como atores Pol&iacute;ticos</i>. Novos Estudos CEBRAP. 1996, N&ordm;. 45, julho, pp. 152.. ISSN 0101-3300&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1750096&pid=S2182-1267201800010001900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>COSTA, Fl&aacute;via Zimmerle da N&oacute;brega; LEAO, Andr&eacute; Luiz Maranh&atilde;o de Souza. Desvelamento do limiar discursivo de uma marca global em uma cultura local. Cad. EBAPE.BR [online]. 2011, vol.9, n.2, pp.299-332. Dispon&iacute;vel em:&nbsp; <a href="http://www.dx.doi.org/10.1590/S1679-39512011000200006" target="_blank">http://www.dx.doi.org/10.1590/S1679-39512011000200006</a>. Acedido: 25/abril. 18. ISSN 1679-3951.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1750097&pid=S2182-1267201800010001900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRESWELL, John. W. <i>Projeto de pesquisa: m&eacute;todos qualitativos, quantitativos e mistos</i>. 3&ordf; ed., Porto Alegre, Artmed. 2010. ISBN: 9788536323008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1750099&pid=S2182-1267201800010001900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DEL RIO, Vicente. Em busca do tempo perdido. O Renascimento dos centros urbanos.&nbsp;<i>Arquitextos 006</i>,&nbsp;<b>S&atilde;o Paulo,&nbsp; Texto Especial 028, nov. 2000.</b>&nbsp; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp028.asp" target="_blank">http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp028.asp</a>. Acedido em: 10/abril. 2018. &nbsp;ISSN: 18096298.&nbsp;&nbsp;</p>     <p><i>DENZIN</i>, Norman K.;&nbsp;<i>LINCOLN</i>, Yvonna. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o: a disciplina e a pr&aacute;tica da pesquisa qualitativa</i>. In: Denzin, N. K. &amp; Lincoln, Y. S. <i>O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens</i>. 2&ordf; Ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. ISBN: 8536306637</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DI&Aacute;RIO OFICIAL DO ESTADO. Dispon&iacute;vel: &lt;<a href="https://www.cepe.com.br/" target="_blank">https://www.cepe.com.br/</a>&gt;. Acesso: 01/2016.</p>     <p>FLICK, Uwe. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa qualitativa</i>. 3&ordf; ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. ISBN 978-85-363-1711-<i><b>3</b></i>.</p>     <p>FOUCAULT, Michel. <i>A Arqueologia do Saber.</i> 7&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria. 2008. ISBN 978-85-218-0344-7.</p>     <p><i>GIACOMONI</i>, Marcello&nbsp;<i>P</i>.;&nbsp;<i>VARGAS</i>, Anderson&nbsp;<i>Z</i>. Foucault, a Arqueologia do Saber e a Forma&ccedil;&atilde;o Discursiva. 2010. <i>Veredas online</i> &ndash; an&aacute;lise do discurso &ndash; 2/, p. 119-129 &ndash; ppg lingu&iacute;stica/UFJF &ndash; Juiz de Fora - ISSN 1982-2243.</p>     <p>HARVEY, David. Do gerenciamento ao empresariamento: a transforma&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o urbana no capitalismo tardio. S&atilde;o Paulo, <i>Espa&ccedil;o e Debates</i>. 1996. n&ordm; 39, p. 48-64. ISSN 0101-5621.</p>     <p>HARVEY, David.&nbsp;<i>Spaces of hope</i>. Berkeley: University of California Press, 2000. <i>ISBN</i> 0.520.22578.3</p>     <p>LEAL, S. M. R. Papel dos atores econ&ocirc;micos na governan&ccedil;a das cidades brasileiras. <i>Revista Movimentos Sociais e Din&acirc;micas Espaciais</i>. 2012. Recife: UFPE/MSEU, v. 01, n. 1, pp. 62-82. ISSN: 22388052.</p>     <p>LE&Atilde;O, Andr&eacute; Luiz Maranh&atilde;o de Souza.; MELLO, S&eacute;rgio Carvalho Ben&iacute;cio de e VIEIRA, Ricardo. O papel da teoria no m&eacute;todo de pesquisa em Administra&ccedil;&atilde;o. <i>Organiza&ccedil;&otilde;es em Contexto</i>. 2011.&nbsp; v. 5, n. 10, p. 1-16. ISSN: <b>1982-8756.</b></p>     <p>LINCOLN, Yvonna. S. &amp; GUBA, Egon. G. Controv&eacute;rsias paradigm&aacute;ticas, contradi&ccedil;&otilde;es e conflu&ecirc;ncias emergentes. In: Denzin, N. K. &amp; Lincoln, Y. S. <i>O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens.</i> 2&ordf; Ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. ISBN: 8536306637.</p>     <p>MACHADO, Roberto. <i>Foucault, a Ci&ecirc;ncia e o Saber</i>. Rio Janeiro: Editora Zahar. 2006. ISBN: 9788571109643.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MARCONDES, Ana Claudia Jorge. <i>Sedimentologia e Morfologia da Bacia do Pina.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado) &ndash; Universidade Federal de Pernambuco. Recife- Pernambuco, 2009.</p>     <p>MASCARENHAS, Gilmar. Cidade mercadoria, cidade-vitrine, cidade tur&iacute;stica: a espetaculariza&ccedil;&atilde;o do urbano nos megaeventos esportivos. <i>Caderno Virtual de Turismo</i>. Edi&ccedil;&atilde;o especial: Hospitalidade e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em turismo. Rio de Janeiro. 2014, v. 14, supl.1, s.52-s.65, nov. ISSN: 16776976.</p>     <p>MENDON&Ccedil;A, C. Teoria das op&ccedil;&otilde;es Reais: Aplica&ccedil;&atilde;o em Parcerias P&uacute;blico- Privadas (PPP), um estudo de caso em sistemas Metrovi&aacute;rios. Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado) &ndash;&nbsp; Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica. Rio de Janeiro-RJ, 2014.</p>     <p>NOVO RECIFE, Cons&oacute;rcio. <i>Relat&oacute;rio de empreendimento de impacto: Empreendimento Novo Recife</i>. Recife: setembro/2011.</p>     <p>OLIVEIRA, Ubiratan Francisco de; BARREIRA, Celene Cunha Monteiro Antunes. Cidades Contempor&acirc;neas: &ldquo;l&oacute;cus&rdquo; do capitalismo p&oacute;s-moderno. <i>Caminhos de Geografia</i>, Uberl&acirc;ndia jun/2011. v. 12, n. 38 p. 75 &ndash; 83. ISSN: 1678-6343.</p>     <p>RECIFE. Prefeitura Municipal de Recife. <i>Parecer aos Projetos de Constru&ccedil;&atilde;o para Uso Misto</i>. 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.licenciamento.recife.pe.gov.br/sites/default/files/Paracer%20relator%20Novo%20Recife.pdf" target="_blank">http://www.licenciamento.recife.pe.gov.br/sites/default/files/Paracer%20relator%20Novo%20Recife.pdf</a>. Acedido em: 06 abril. 2016.</p>     <p>RECIFE. Prefeitura Municipal de Recife. Lei Ordin&aacute;ria 18.138, promulgada em 04 de Maio de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.leismunicipais.com.br/a1/pe/r/recife/lei-ordinaria/2015/1814/18138/lei-ordinaria-n-18138-2015-" target="_blank">https://www.leismunicipais.com.br/a1/pe/r/recife/lei-ordinaria/2015/1814/18138/lei-ordinaria-n-18138-2015-</a>. Acedido em: 06 abril. 2016.</p>     <p>SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Lu&iacute;sa. <i>Uma reorganiza&ccedil;&atilde;o produtiva do territ&oacute;rio</i>. In: Brasil: Territ&oacute;rio e sociedade no inicio do s&eacute;culo XXI. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002, p. 105 &ndash; 140.</p>     <p>SOMECK, Nadia; CAMPOS NETO, Candido Malta. Desenvolvimento local e projetos urbanos. <i>Arquitextos</i>. Texto Especial 059. 2005. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.059/470" target="_blank">http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.059/470</a>. . Acedido em: 17 nov. 2017. ISSN: 18096298.</p>     <p>SOUZA, Marcelo. Cidades, globaliza&ccedil;&atilde;o e determinismo econ&ocirc;mico. <i>Cidades</i>, v. 3, n. 5, 2006b, p. 123-142. ISSN: 24481092.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>VAINER, Carlos. B. <i>P&aacute;tria, Empresa e Mercadoria: Notas sobre a estrat&eacute;gia discursiva do Planejamento Estrat&eacute;gico Urbano</i>. In: Carlos Vainer; Otilia Arantes; Erm&iacute;nia Maricato (Org.). A Cidade do Pensamento &Uacute;nico: Desmanchando Consensos. 1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Petr&oacute;polis: Vozes. 2000. v. 1, p. 75-104. ISBN 8532623840.</p>     <p>TRUFFI, Renan. A batalha pelo Cais Jos&eacute; Estelita. Carta Capital. <i>Jornal Carta Capital</i>. 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html" target="_blank">http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html</a>. Acedido em: 10 julho. 2016.</p>      ]]></body><back>
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