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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Debatendo a criação de municípios na contemporaneidade: considerações a partir da urbanização e da participação dos pequenos municípios no Brasil e no Paraná]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article intends to present a reflection about the process of creating municipalities in Brazil. This topic gained evidence after the 1988 Brazilian Constitution promulgation, where the municipalities emerged as an autonomous federal entity. But this aspect is currently forgotten among the specialist that debate the issues correlated to Brazilian municipalities creation. The present research considers important to highlight the role of Brazilian municipalities, especially the small ones, to understand the urban network structures formation. The study mobilizes demographic data, quality of life indicators and information about municipalities creation, comparing Brazil and the state of Paraná, from 1900 to 2010. Among the conclusions, the article points out the autonomy and the civil society participation as important political dimensions in the decision-making process of creation and merging municipalities in Brazil.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Debatendo a cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios na contemporaneidade: considera&ccedil;&otilde;es a partir da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da participa&ccedil;&atilde;o dos pequenos munic&iacute;pios no Brasil e no Paran&aacute;</b></p>     <p><b>Debating the creation of municipalities in contemporary times: considerations based on urbanization and the participation of small municipalities in Brazil and Paran&aacute;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Baltar, Cl&aacute;udia</b><sup>1</sup><b>; Baltar, Ronaldo</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais, Centro de Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, Observat&oacute;rio das Migra&ccedil;&otilde;es de Londrina; Rodovia Celso Garcia Cid, Km 380, s/n - Campus Universit&aacute;rio, Londrina - PR, 86057-970, Brasil; <a href="mailto:cbaltar@uel.br">cbaltar@uel.br</a>; <a href="mailto:baltar@uel.br">baltar@uel.br</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo desse artigo &eacute; desenvolver uma reflex&atilde;o sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios no Brasil, tem&aacute;tica que ganhou evid&ecirc;ncia ao longo da d&eacute;cada de 1990, vinculada ao fortalecimento dos munic&iacute;pios como entidade federativa aut&ocirc;noma, no contexto p&oacute;s Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, mas que encontra-se esquecido na atualidade. Considera-se a retomada do tema algo importante para se evidenciar o papel desempenhado pelas municipalidades, em especial os pequenos munic&iacute;pios, no processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e de estrutura da rede de cidades no pa&iacute;s. O estudo mobilizar&aacute; dados demogr&aacute;ficos, de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios e indicadores de qualidade de vida, para o Brasil e estado do Paran&aacute;, de 1900 a 2010. Entre as conclus&otilde;es, destaca-se a import&acirc;ncia de n&atilde;o se perder de vista as dimens&otilde;es da autonomia pol&iacute;tica e da participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil em tomadas de decis&atilde;o t&atilde;o complexas como as que envolvem cria&ccedil;&atilde;o e fus&atilde;o de munic&iacute;pios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios; urbaniza&ccedil;&atilde;o; rede de cidade; pequenos munic&iacute;pios; estado do Paran&aacute;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article intends to present a reflection about the process of creating municipalities in Brazil. This topic gained evidence after the 1988 Brazilian Constitution promulgation, where the municipalities emerged as an autonomous federal entity. But this aspect is currently forgotten among the specialist that debate the issues correlated to Brazilian municipalities creation. The present research considers important to highlight the role of Brazilian municipalities, especially the small ones, to understand the urban network structures formation. The study mobilizes demographic data, quality of life indicators and information about municipalities creation, comparing Brazil and the state of Paran&aacute;, from 1900 to 2010. Among the conclusions, the article points out the autonomy and the civil society participation as important political dimensions in the decision-making process of creation and merging municipalities in Brazil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: Creation of municipalities; urbanization; city network; small municipalities; state of Parana</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde o in&iacute;cio da coloniza&ccedil;&atilde;o do Brasil, a efetiva&ccedil;&atilde;o da ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio realizou-se, principalmente, atrav&eacute;s da funda&ccedil;&atilde;o de vilas e cidades e, posteriormente, com a promulga&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, em fins do s&eacute;culo XIX, a partir do processo de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios. Assim, a cria&ccedil;&atilde;o de novas vilas, cidades e munic&iacute;pios acompanhou o processo de desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s, constituindo-se na express&atilde;o do dinamismo econ&ocirc;mico e demogr&aacute;fico de diferentes por&ccedil;&otilde;es no territ&oacute;rio nacional, em diferentes contextos econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e sociais<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>.</p>     <p>Dessa forma, considerando o modo como se processaram a coloniza&ccedil;&atilde;o e a ocupa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, tem-se que a rede de cidades se desenvolveu, durante os tr&ecirc;s primeiros s&eacute;culos de ocupa&ccedil;&atilde;o, bastante concentrada na faixa costeira do pa&iacute;s, especialmente na regi&atilde;o Nordeste, nos estados de Bahia e Pernambuco. Na metade do s&eacute;culo XVII, essa concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e demogr&aacute;fica correspondente come&ccedil;a a vivenciar uma mudan&ccedil;a de eixo, quando as atividades mineradoras se intensificam no pa&iacute;s, promovendo, por um lado, a mudan&ccedil;a do eixo econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico e, por outro, grande deslocamento populacional para a por&ccedil;&atilde;o Centro-Sul do pa&iacute;s, especialmente para as ent&atilde;o prov&iacute;ncias de Minas Gerais e Rio de Janeiro (MARC&Iacute;LIO, 1974).</p>     <p>A partir de ent&atilde;o, primeiramente com a atividade mineradora e, posteriormente, com o avan&ccedil;o da cafeicultura, ao longo do s&eacute;culo XIX e o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, com a industrializa&ccedil;&atilde;o, com as fronteiras agr&iacute;colas, com o desenvolvimento de diversas atividades regionais e, com especial destaque, com a maior integra&ccedil;&atilde;o do mercado interno, a rede de cidades se interiorizou e se ramificou a partir de intenso processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios. Isso favoreceu a configura&ccedil;&atilde;o no Brasil de uma rede de cidades descentralizada em diferentes pontos do territ&oacute;rio e composta por munic&iacute;pios de diferentes portes populacionais, diferenciando-o muito de outros pa&iacute;ses latino-americanos, como Argentina, Chile e Uruguai (FARIA, 1976; MARTINE e CAMARGO, 1984; CUNHA, 2003).</p>     <p>Com isso, pretende-se destacar que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, ao longo de toda a trajet&oacute;ria de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio nacional, pode ser considerado como express&atilde;o direta da atua&ccedil;&atilde;o de duas dimens&otilde;es: o desenvolvimento econ&ocirc;mico e a expans&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio. Mais recentemente, no final do s&eacute;culo XX, esse processo emancipat&oacute;rio passa a assumir um novo significado: em parcela significativa de casos, deixa se ser express&atilde;o direta de um dinamismo econ&ocirc;mico e populacional &ldquo;positivo&rdquo; e passa a atuar, de forma mais preponderante, uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica-institucional (SIQUEIRA, 2003).</p>     <p>Ou seja, ao longo dos anos de 1990, influenciado tanto pela abertura pol&iacute;tica do pa&iacute;s quanto pelas mudan&ccedil;as no <i>status</i> pol&iacute;tico e financeiro dos munic&iacute;pios brasileiros, promovidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, assistiu-se, em todas as Unidades da Federa&ccedil;&atilde;o, a uma intensifica&ccedil;&atilde;o no processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, marcadamente de pequenos munic&iacute;pios &ndash; o que despertou acalorado debate, na &eacute;poca, entre os &ldquo;favor&aacute;veis&rdquo; e os &ldquo;contr&aacute;rios&rdquo; ao car&aacute;ter &ldquo;permissivo&rdquo; assumido pelo processo de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios, durante os 90&rsquo;s, onde os argumentos favor&aacute;veis ao &ldquo;empoderamento&rdquo; dos governos locais se contrapunham &agrave;queles que defendiam uma maior racionaliza&ccedil;&atilde;o fiscal e controle dos recursos p&uacute;blicos (GOMES e MACDOWELL, 2000; SERRA e AFONSO, 1999; SIQUEIRA, 2003).</p>     <p>O resultando disso foi a suspens&atilde;o do processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, em 1996, acompanhada do encaminhamento de um dos primeiros projetos de lei que visava estabelecer regras e quesitos mais r&iacute;gidos &ndash; o Projeto de Lei Complementar PLP 130/1996<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>, que tramitou por mais de dez anos no Congresso, sendo apensado, em 2008, ao PLP 416/2008, cuja origem foi o Projeto de Lei do Senado PLS 98/2002 &ndash; nesses dois &uacute;ltimos projetos de lei, foram inclu&iacute;dos crit&eacute;rios mais r&iacute;gidos, em compara&ccedil;&atilde;o com a legisla&ccedil;&atilde;o que amparou o processo durante a d&eacute;cada de 1990, e diferenciados regionalmente para a cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios, al&eacute;m de versarem tamb&eacute;m sobre o estabelecimento de procedimentos que facilitavam a fus&atilde;o e incorpora&ccedil;&atilde;o municipais.</p>     <p>Por&eacute;m, em 2013, a Presidente Dilma Rousseff vetou integralmente o Projeto de Lei do Senado 98/2002, com a justificativa de que alguns dispositivos do projeto poderiam, mais uma vez, estimular a cria&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios pelo pa&iacute;s, o que poderia fragmentar ainda mais a reparti&ccedil;&atilde;o do Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios, prejudicando a gest&atilde;o p&uacute;blica local.</p>     <p>Em reposta ao veto presidencial, o Senado encaminhou para tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional o PLS 104/2014, que ganhou repercuss&atilde;o nacional, durante o ano de 2014, com a decis&atilde;o da Presidente mais uma vez vetando integralmente o projeto e adiando novamente a regulamenta&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o relativa ao processo de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios no pa&iacute;s. Mais uma vez, o Senado reelaborou um projeto de lei tratando da quest&atilde;o &ndash; o PLS 199/2015 &ndash; que foi aprovado no Senado e precisa ser apreciado e aprovado na C&acirc;mara dos Deputados.</p>     <p>Se, num per&iacute;odo mais recente, tal processo se caracteriza mais como uma express&atilde;o da dimens&atilde;o pol&iacute;tica-institucional, pensado como um instrumento pol&iacute;tico que poderia proporcionar, ao mesmo tempo, uma gest&atilde;o p&uacute;blica local mais pr&oacute;xima da popula&ccedil;&atilde;o e estimular potencialmente um maior desenvolvimento e dinamismo em determinadas regi&otilde;es, n&atilde;o h&aacute; muito tempo, o Brasil vivenciava uma situa&ccedil;&atilde;o bastante diferente: entre 1900 e 1980, o pa&iacute;s assistiu a um intenso processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios em todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o como express&atilde;o de diversos processos em curso no pa&iacute;s, como, por exemplo, o intenso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, a intensifica&ccedil;&atilde;o da industrializa&ccedil;&atilde;o e das atividades urbanas, o &ecirc;xodo rural, as fronteiras agr&iacute;colas.</p>     <p>Com isso, aludimos que a compreens&atilde;o sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios se d&aacute; atrav&eacute;s do maior conhecimento das suas articula&ccedil;&otilde;es com outros fen&ocirc;menos, de natureza social, pol&iacute;tica-institucional, econ&ocirc;mica, demogr&aacute;fica e territorial</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nossa contribui&ccedil;&atilde;o ser&aacute; desenvolvida jogando luz sobre alguns elementos dessa articula&ccedil;&atilde;o, de forma a sobressaltar o papel do surgimento de novas municipalidades na estrutura&ccedil;&atilde;o das redes de cidades do pa&iacute;s e, al&eacute;m disso, possibilitar maior compreens&atilde;o de um novo elemento, trazido mais recentemente para o debate, pelo Tribunal de Contas do Estado do Paran&aacute;, em cujo estudo t&eacute;cnico chega a sugerir a fus&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios como uma forma de solucionar o d&eacute;ficit de recursos na gest&atilde;o do governo local (TCE-PR, 2015).</p>     <p>Por fim, nosso finalidade central &eacute; trazer de volta &agrave; cena aspectos importantes de um debate que ganhou evid&ecirc;ncia na d&eacute;cada de 1990, mas que se encontra, atualmente, bastante esquecido, o qual procurou associar o intenso processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios da d&eacute;cada de 1990 com o contexto de abertura pol&iacute;tica, descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa do Estado, autonomia dos entes federados e incentivo &agrave; maior participa&ccedil;&atilde;o popular nas decis&otilde;es p&uacute;blicas, cujos princ&iacute;pios ganharam for&ccedil;a com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.</p>     <p>O artigo est&aacute; estruturado da seguinte forma: na sequ&ecirc;ncia da se&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria, ser&atilde;o os apresentados os procedimentos de pesquisa e metodologia adotada; na terceira se&ccedil;&atilde;o, trataremos os aspectos gerais dos processos de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios no Brasil e no Paran&aacute;; na quarta se&ccedil;&atilde;o, o foco do estudo volta-se para as considera&ccedil;&otilde;es dos pequenos munic&iacute;pios e o momento emancipat&oacute;rio mais recente; e, por fim, na quinta se&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o apresentadas as considera&ccedil;&otilde;es finais do estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.Procedimentos de pesquisa e m&eacute;todos</b></p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o desse trabalho, partimos, de um lado, do balan&ccedil;o da literatura, internacional e nacional,&nbsp; sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o e fus&atilde;o de munic&iacute;pios e, por outro, da defini&ccedil;&atilde;o de um recorte emp&iacute;rico especifico, baseado na an&aacute;lise de dados selecionados sobre o estado do Paran&aacute;, com objetivo de jogar luz aos aspectos mais relevantes deste debate, no per&iacute;odo mais contempor&acirc;neo.</p>     <p>Assim, partindo do balan&ccedil;o do debate internacional, destacamos, inicialmente, que o v&iacute;nculo com a discuss&atilde;o desenvolvida aqui se faz a partir do que se poderia denominar por &ldquo;pol&iacute;ticas territoriais&rdquo;, &ldquo;reformas territoriais&rdquo; ou &ldquo;reformas das fronteiras administrativas&rdquo; (BLOM-HANSEN, 2010; EGGER et al., 2017), mais especificamente o que a literatura aponta como &ldquo;fus&atilde;o municipal&rdquo; (<i>municipal amalgamation</i>, <i>municipal mergers</i>).</p>     <p>Diferentemente do enfoque do presente trabalho, voltado para a cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios (<i>municipal secessions</i>), diferentes estudos realizados em pa&iacute;ses desenvolvidos, como Canad&aacute;, Dinamarca, Holanda, Alemanha e Jap&atilde;o, apontam para a ado&ccedil;&atilde;o, por parte do governo, de uma pol&iacute;tica de reforma de fronteiras administrativas, expressa por um amplo processo de fus&atilde;o municipal, como uma medida para reduzir custos e melhorar a efici&ecirc;ncia administrativa do Estado (BLOM-HANSEN, 2010; EGGER et al., 2017; KUSHNER e SIEGEL, 2003; BLESSE e BASKARAN, 2013; KAUDER, 2014; SWENDEN, 2006; SUZUKI e HA, 2017; SHIMIZU, 2013).</p>     <p>De uma forma geral, esses trabalhos comp&otilde;em uma diversidade de abordagens te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas, com diferentes tipos de investiga&ccedil;&atilde;o e apontando para avalia&ccedil;&otilde;es diversificadas sobre a tem&aacute;tica, n&atilde;o constituindo necessariamente conclus&otilde;es consensuais, especialmente no que se refere ao impacto esperado por essa reforma territorial na redu&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos e melhoria da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos &ndash; motiva&ccedil;&atilde;o principal para ado&ccedil;&atilde;o de tal reforma por parte dos governos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Soma-se a isso o fato de que o balan&ccedil;o dessas investiga&ccedil;&otilde;es apontaram para a necessidade de se considerar tais pol&iacute;ticas de &ldquo;fus&atilde;o municipal&rdquo; para al&eacute;m da dimens&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria e fiscal governamental. Nesse sentido, destaca-se o estudo de Sweden (2006) que, ao analisar v&aacute;rios pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia, destaca que o &ldquo;<i>municipal amalgamation</i>&rdquo; pode trazer resultados imprevistos sobre o processo eleitoral e a redistribui&ccedil;&atilde;o de poder entre as inst&acirc;ncias de governo, al&eacute;m de poder representar um impacto negativo nas identidades regionais.</p>     <p>Por sua vez, considerando estudos sobre a Am&eacute;rica Latina, a partir do estudo de Grindle (2009), &eacute; poss&iacute;vel observar a exist&ecirc;ncia de semelhan&ccedil;as entre os processos ocorridos no M&eacute;xico e no Brasil quanto &agrave;s chamadas &ldquo;pol&iacute;ticas territoriais&rdquo;. Assim, nos dois pa&iacute;ses verifica-se um significativo processo de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios num contexto marcado pelo processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa do Estado.</p>     <p>Por fim, vale ressaltar que uma an&aacute;lise comparativa internacional dessa tem&aacute;tica apresenta desafios que n&atilde;o podem ser negligenciados. Nesse sentido, destaca-se que a an&aacute;lise de &ldquo;reformas territoriais&rdquo; s&atilde;o influenciadas pelo tipo de organiza&ccedil;&atilde;o federativa do pa&iacute;s, o papel pol&iacute;tico desempenhado pelos munic&iacute;pios, o procedimento de criar ou fundir munic&iacute;pios, o sistema eleitoral, o car&aacute;ter volunt&aacute;rio ou compuls&oacute;rio da reforma territorial, o porte populacional dos munic&iacute;pios envolvidos, entre outros &ndash; o que faz com que tenhamos bastante cuidado com qualquer poss&iacute;vel semelhan&ccedil;a entre os pa&iacute;ses.</p>     <p>J&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o brasileira sobre a tem&aacute;tica assume diferentes fei&ccedil;&otilde;es. Primeiramente, o processo de &ldquo;altera&ccedil;&otilde;es territoriais&rdquo; que o Brasil assistiu, ao longo da d&eacute;cada da 1990 e in&iacute;cio dos anos 2000,&nbsp; foi um intenso processo de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios, a partir de desmembramentos territoriais.&nbsp; Em segundo lugar, os estudos se concentraram nas &aacute;reas de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, Administra&ccedil;&atilde;o, Geografia e Economia, cujo balan&ccedil;o pode ser encontrado em Siqueira (2003) e Tomio (2002). Por fim, vale destacar o debate sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios dos anos 1990 assistiu a uma marcada polariza&ccedil;&atilde;o entre os &ldquo;contr&aacute;rios ao processo&rdquo;, que viam nele um &ocirc;nus a mais ao Estado, e os &ldquo;defensores do processo&rdquo;, que o associavam ao esp&iacute;rito da abertura pol&iacute;tica do pa&iacute;s, &agrave; descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e &agrave; maior possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o popular.</p>     <p>Em geral, esses estudos apresentaram uma diversidade de metodologias e fontes de dados, compreendendo desde an&aacute;lises de cunho or&ccedil;ament&aacute;rio e fiscal, como an&aacute;lises pol&iacute;tica-institucionais, demogr&aacute;ficas e geogr&aacute;ficas, envolvendo abordagens tanto quantitativas como qualitativas.</p>     <p>Em termos de an&aacute;lises de car&aacute;ter mais qualitativo, podemos destacar o estudo de Tomio (2002), que se focou em analisar a tramita&ccedil;&atilde;o legislativa dos processos de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios nas Assembleias Legislativas Estaduais. Por sua vez, em sua pesquisa de mestrado,&nbsp; Siqueira (2003) realiza uma an&aacute;lise documental e comparativa das diferentes constitui&ccedil;&otilde;es federais do pa&iacute;s, procurando destacar as diferentes formas assumidas pela dimens&atilde;o pol&iacute;tico-institucional do processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios no pa&iacute;s.</p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o do presente trabalho, por&eacute;m, optou-se por uma abordagem de car&aacute;ter&nbsp; mais quantitativo, baseado no estudo emp&iacute;rico da an&aacute;lise dos dados sobre a popula&ccedil;&atilde;o e munic&iacute;pios criados no Brasil e no estado do Paran&aacute;, entre 1900 e 2010. Al&eacute;m disso, para as mesorregi&otilde;es paranaenses, foram levantados tamb&eacute;m os dados o IDH-M de 2000 e 2010.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios no Brasil: aspectos demogr&aacute;ficos e urbanos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Partimos da considera&ccedil;&atilde;o de que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios esteve vinculada a diferentes processos econ&ocirc;micos, demogr&aacute;ficos, pol&iacute;ticos e sociais desde o in&iacute;cio do processo de ocupa&ccedil;&atilde;o e dom&iacute;nio territorial do pa&iacute;s &ndash; contribuindo para a descentraliza&ccedil;&atilde;o e heterogeneidade do sistema urbano brasileiro.</p>     <p>Nesse sentido, embora n&atilde;o seja nosso objetivo esgotar o diversificado debate sobre o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o no Brasil, destacamos duas refer&ecirc;ncias que corroboram nosso argumento. Assim, nas an&aacute;lises sobre a expans&atilde;o do sistema urbano brasileiro, feitas por Faria (1976), &eacute; poss&iacute;vel visualizar aspectos que ainda persistem no sistema urbano: a articula&ccedil;&atilde;o entre diferentes processos como o desenvolvimento e a expans&atilde;o das atividades econ&ocirc;micas nas diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, a redistribui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio nacional e a rede de cidades estruturada em diferentes momentos da hist&oacute;ria econ&ocirc;mica, social e pol&iacute;tica do pa&iacute;s.</p>     <p>Esse diversidade do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o do Brasil tamb&eacute;m &eacute; abordada numa an&aacute;lise comparativa, tamb&eacute;m historicamente datada, mas com relev&acirc;ncia para o momento atual, realizada por Cano (1989), no qual, ao comparar os processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o na Europa, Estados Unidos e pa&iacute;ses latino-americanos, o autor destaca a necessidade de se considerar a articula&ccedil;&atilde;o entre as atividades agr&iacute;colas e os demais setores de atividades na configura&ccedil;&atilde;o da rede de cidades nas diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s.</p>     <p>Estabelecidos esses referenciais, passaremos para a nossa an&aacute;lise. Apresentamos na <a href="#t1">tabela 1</a> a evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de munic&iacute;pios criados em todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o, desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O processo de cria&ccedil;&atilde;o no Brasil, entre os anos de 1900 e 2010, passou de 934 a 5.570 munic&iacute;pios, crescendo com mais intensidade neste &uacute;ltimo s&eacute;culo de nossa hist&oacute;ria &ndash; ao longo do qual esse n&uacute;mero multiplicou-se por seis &ndash;, do que nos trezentos anos anteriores.</p>     <p>O <a href="#f1">mapa 1</a> apresenta as Grandes Regi&otilde;es do Brasil, acompanhadas de suas respectivas informa&ccedil;&otilde;es censit&aacute;rias relativas ao tamanho populacional e quantidade de munic&iacute;pios, em 2010.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A partir do <a href="#g1">gr&aacute;fico 1</a>, visualiza-se mais claramente a intensidade com que se processou a cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios nas diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, no per&iacute;odo considerado. Nota-se que, em 1900, as regi&otilde;es Nordeste e Sudeste concentravam os maiores n&uacute;meros de munic&iacute;pios e continuam sendo as regi&otilde;es com maior n&uacute;mero de municipalidades, em 2010, com leve predom&iacute;nio da regi&atilde;o Nordeste. Destaca-se ainda que esse processo assume uma inclina&ccedil;&atilde;o importante a partir de 1940, mantendo um crescimento constante at&eacute; a d&eacute;cada de 1970.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No outro extremo, encontram-se as regi&otilde;es Centro-Oeste e Norte que, em 1900, possu&iacute;am menos de 100 munic&iacute;pios. Nelas, o n&uacute;mero de munic&iacute;pios criados seguiu a mesma tend&ecirc;ncia das demais regi&otilde;es, com intensifica&ccedil;&atilde;o entre os anos de 1950 e 1970, porem mantendo-se num patamar menor em termos de quantidade de munic&iacute;pios, no per&iacute;odo mais recente.</p>     <p>Destaca-se, ainda, a evolu&ccedil;&atilde;o peculiar vivenciada pela regi&atilde;o Sul nesse processo. Em 1900, a regi&atilde;o possu&iacute;a um pouco mais de 100 munic&iacute;pios e, nas d&eacute;cadas seguintes, passou por um crescimento lento no n&uacute;mero de munic&iacute;pios, sendo que esse processo se intensifica entre os anos de 1950 e 1970. Em seguida, acontece um arrefecimento no ritmo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, que volta a apresentar um grande impulso ao longo dos anos de 1990. O resultado disso &eacute; que a regi&atilde;o Sul se situa na terceira posi&ccedil;&atilde;o entre as regi&otilde;es com maior n&uacute;mero de munic&iacute;pios, em 2010, distanciando-se das regi&otilde;es Centro-Oeste e Norte.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t2.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Para complementar esse quadro, vemos, a partir das taxas de crescimento anual dos munic&iacute;pios nas grandes regi&otilde;es do pa&iacute;s, que os momentos de maior ritmo no aumento no n&uacute;mero de munic&iacute;pios no pa&iacute;s s&atilde;o as d&eacute;cadas de 1950 e 1960, marcadas tamb&eacute;m pelo intenso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, de &ecirc;xodo rural e de expans&atilde;o da fronteira na regi&atilde;o Sul. Outro momento de elevado ritmo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios &eacute; o da d&eacute;cada de 1990, quando ocorre uma prolifera&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios por todo pa&iacute;s.</p>     <p>Subjacente a esse processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, encontra-se a atua&ccedil;&atilde;o, como j&aacute; destacado anteriormente, de fatores demogr&aacute;ficos, econ&ocirc;micos e pol&iacute;tico-institucionais, os quais, em cada momento, v&atilde;o contribuir de forma espec&iacute;fica na configura&ccedil;&atilde;o desse processo. Considerando a dimens&atilde;o demogr&aacute;fica, apoiado no <a href="#g2">gr&aacute;fico 2</a>, observamos que o per&iacute;odo de 1900 a 2010 correspondeu a um grande crescimento da popula&ccedil;&atilde;o brasileira que passou de 17,4 milh&otilde;es, em 1900, para mais de 190 milh&otilde;es, em 2010 &ndash; ou seja, a popula&ccedil;&atilde;o cresceu onze vezes em 110 anos. Em termos regionais, destacam-se o sudeste e o nordeste como as regi&otilde;es mais populosas, e a regi&atilde;o sul como a terceira mais populosa no pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g2">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esse per&iacute;odo de um s&eacute;culo compreende mudan&ccedil;as significativas na din&acirc;mica demogr&aacute;fica brasileira. Primeiramente, destaca-se, a partir de 1940, o in&iacute;cio da queda da mortalidade geral no Brasil, acompanhada do aumento da expectativa de vida, e, paralelamente, a manuten&ccedil;&atilde;o de altos n&iacute;veis de fecundidade. &Eacute; a atua&ccedil;&atilde;o desses dois processos que vai contribuir para o elevado crescimento demogr&aacute;fico, verificado at&eacute; 1970, em fun&ccedil;&atilde;o do crescimento vegetativo pregresso da popula&ccedil;&atilde;o. A partir de ent&atilde;o, o Brasil inicia a sua transi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, come&ccedil;ando a registrar n&iacute;veis decrescentes de fecundidade (CARVALHO, 2004).</p>     <p>Por&eacute;m, mesmo vivenciando taxas cada vez menores de fecundidade, entre 1970 e 2010, o Brasil registra um ganho de quase 100 milh&otilde;es de pessoas, o que vai impactar diretamente, entre outras coisas, na sua redistribui&ccedil;&atilde;o espacial da popula&ccedil;&atilde;o, na rede de cidades e na sua transi&ccedil;&atilde;o urbana.</p>     <p>Consideramos esse aspecto da urbaniza&ccedil;&atilde;o, temos que, embora a transi&ccedil;&atilde;o urbana seja algo quase inexor&aacute;vel, esse processo n&atilde;o acontece no mesmo ritmo e nem com o mesmo significado nas diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s.</p>     <p>Assim, enquanto o Brasil registrava pela primeira o predom&iacute;nio da popula&ccedil;&atilde;o vivendo em &aacute;reas urbanas (56%) em 1970, o Sudeste j&aacute; havia ultrapassado essa marca uma d&eacute;cada antes, apresentando cerca de 57% de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Por sua vez, o Centro-Oeste acompanha o padr&atilde;o nacional e tamb&eacute;m registra mais da metade da sua popula&ccedil;&atilde;o vivendo nas &aacute;reas urbanas, em 1970.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="g3">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Fechando o quadro, temos as regi&otilde;es Sul, Norte e Nordeste que, em 1970, ainda possu&iacute;am predom&iacute;nio da popula&ccedil;&atilde;o vivendo em &aacute;reas rurais, sendo que somente em 1980, elas passam, tamb&eacute;m, a apresentar predom&iacute;nio da popula&ccedil;&atilde;o urbana.</p>     <p>Neste cen&aacute;rio, em fun&ccedil;&atilde;o do objetivo deste trabalho, destacamos a evolu&ccedil;&atilde;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o no estado do Paran&aacute;. Nesse sentido, observa-se que, enquanto a Regi&atilde;o Sul apresentava um n&iacute;vel de urbaniza&ccedil;&atilde;o de 44,5%, em 1970, o estado do Paran&aacute; registrava 36% da sua popula&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas rurais &ndash; isso significa que o elevado processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios paranaenses, apontado anteriormente, ocorreu num contexto de grande concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas vivendo em &aacute;reas rurais.</p>     <p>Num balan&ccedil;o final dessa se&ccedil;&atilde;o, destaca-se que, durante as d&eacute;cadas de 1950 a 1970, em todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o, registrou-se maior crescimento no n&uacute;mero de munic&iacute;pios criados, acompanhado de um maior incremento populacional e de um processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerado e heterog&ecirc;neo.</p>     <p>No entanto, se um maior incremento foi observado em todas as unidades federativas, o seu significado assume contornos espec&iacute;ficos, nos diferentes estados brasileiros. Pois, ao mesmo tempo em que o Sudeste assistia a um intenso fluxo imigrat&oacute;rio, proveniente principalmente da Regi&atilde;o Nordeste do pa&iacute;s, para as suas principais metr&oacute;poles, os estados do Nordeste vivenciavam um importante &ecirc;xodo rural e reconhecido processo emigrat&oacute;rio para o Sudeste do pa&iacute;s.</p>     <p>Com isso, destaca-se que o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o no Brasil apresenta diversidades expressivas. Assim, em 1950, enquanto o Brasil possu&iacute;a 64% da sua popula&ccedil;&atilde;o vivendo em &aacute;reas rurais, entre as UF&rsquo;s registrava-se uma grande discrep&acirc;ncia, tendo o estado do Piau&iacute;, por exemplo, 84% da sua popula&ccedil;&atilde;o vivendo em &aacute;reas rurais, contrastando com o Rio de Janeiro, que possu&iacute;a apenas 27% nessa situa&ccedil;&atilde;o, constituindo-se no estado mais urbanizado, e com alto n&iacute;vel de urbaniza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; na metade do s&eacute;culo XX.</p>     <p>Na Regi&atilde;o Sul, por sua vez, os tr&ecirc;s estados possu&iacute;am uma propor&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o rural acima da m&eacute;dia nacional. Em 1950, a propor&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o rural no Rio Grande do Sul era de 66%, em Santa Catarina, era de 76,8% e, no Paran&aacute;, cerca de 75% dos seus habitantes viviam em &aacute;reas rurais.</p>     <p>Especificamente com rela&ccedil;&atilde;o ao estado do Paran&aacute;, tem-se que uma situa&ccedil;&atilde;o caracterizada pelo baixo grau de urbaniza&ccedil;&atilde;o, um elevado processo de crescimento populacional e aumento expressivo na quantidade de munic&iacute;pios criados est&aacute; diretamente vinculada ao auge da sua fronteira agr&iacute;cola, baseada nas pequenas e m&eacute;dias propriedades, estimulada pela expans&atilde;o da cafeicultura, especialmente na por&ccedil;&atilde;o norte do estado, refor&ccedil;ando aqui os argumentos apresentados por Cano (1989), na sua an&aacute;lise da urbaniza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o sul do pa&iacute;s, na qual o autor destaca a import&acirc;ncia das atividades agr&iacute;colas no desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o da rede de cidades do estado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tomando como o foco a urbaniza&ccedil;&atilde;o, mais especificamente a &ldquo;transi&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo;, que se refere, basicamente, &agrave; passagem da uma situa&ccedil;&atilde;o predominantemente rural para outra, onde a popula&ccedil;&atilde;o residente em &aacute;reas urbanas torna-se maioria em compara&ccedil;&atilde;o com as &aacute;reas rurais (Martine e McGranahan, 2010), temos que, enquanto o pa&iacute;s, no censo demogr&aacute;fico de 1970, pela primeira vez registrou uma popula&ccedil;&atilde;o urbana superior &agrave; popula&ccedil;&atilde;o rural (popula&ccedil;&atilde;o urbana correspondia a 56% do total da popula&ccedil;&atilde;o total), somente na d&eacute;cada subsequente, em 1980, o estado do Paran&aacute; vivenciaria sua transi&ccedil;&atilde;o urbana, alcan&ccedil;ando o n&iacute;vel de 59% de sua popula&ccedil;&atilde;o residindo em &aacute;reas urbanas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.1. Cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios nas mesorregi&otilde;es do Paran&aacute;</b></p>     <p>No estado do Paran&aacute;, a cria&ccedil;&atilde;o de novas municipalidades seguiu esse mesmo padr&atilde;o, com intensidade concentrada nos anos 40, 50 e 60 do s&eacute;culo XX. Considerando, de acordo com Martine e Camargo (1984), que esse per&iacute;odo correspondeu ao auge da fronteira agr&iacute;cola do Paran&aacute; e que a sua ocupa&ccedil;&atilde;o territorial e expans&atilde;o populacional decorrentes se realizaram, por um lado, atrav&eacute;s da atua&ccedil;&atilde;o de uma empresa privada de coloniza&ccedil;&atilde;o e, por outro, do est&iacute;mulo &agrave; pequena e m&eacute;dia propriedades rurais, tem-se uma peculiaridade do processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios paranaenses entre 1940 e 1970: ele se realizou concomitantemente &agrave; fronteira agr&iacute;cola do Paran&aacute;.</p>     <p>Ou seja, a fronteira agr&iacute;cola paranaense, ao mesmo tempo em que resultou num alto crescimento populacional &ndash; principalmente da rural &ndash; no estado, ela foi concomitante a um intenso processo de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios.</p>     <p>O estado do Paran&aacute; pode ser analisado considerando-se a divis&atilde;o longitudinal do seu territ&oacute;rio, a partir da qual duas por&ccedil;&otilde;es definem-se claramente: a por&ccedil;&atilde;o norte, que inclui as mesorregi&otilde;es de ocupa&ccedil;&atilde;o mais recente, iniciada, principalmente, a partir das d&eacute;cadas de 1920 e 1930, e vinculada &agrave; expans&atilde;o da cafeicultura no territ&oacute;rio paranaense. Por outro lado, a por&ccedil;&atilde;o sul, de ocupa&ccedil;&atilde;o mais antiga, compreendendo a capital estadual e a por&ccedil;&atilde;o litor&acirc;nea (IPARDES, 2004; ROLIM, 1995).</p>     <p>Argumenta-se, aqui, que essas duas por&ccedil;&otilde;es territoriais, por possu&iacute;rem diferentes hist&oacute;ricos de ocupa&ccedil;&atilde;o territorial e desenvolvimento econ&ocirc;mico, apresentariam tamb&eacute;m diferentes din&acirc;micas demogr&aacute;ficas, migrat&oacute;rias e de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios.</p>     <p>Na <a href="#t3">tabela 3</a>, est&atilde;o os dados de popula&ccedil;&atilde;o das diferentes mesorregi&otilde;es paranaenses, divididas nas duas por&ccedil;&otilde;es que dividem o estado, para o per&iacute;odo de 1950 a 2010, a partir da qual se destaca o maior peso populacional das mesorregi&otilde;es da por&ccedil;&atilde;o norte do territ&oacute;rio, em 1960 e 1970 &ndash; express&atilde;o direta dos grandes fluxos migrat&oacute;rios que adentraram o estado, a partir da d&eacute;cada de 1940, em fun&ccedil;&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola do Paran&aacute;.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t3.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O impacto da cafeicultura, da coloniza&ccedil;&atilde;o e do desenvolvimento regional para o conjunto do estado, no contexto de expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola paranaense, n&atilde;o se restringiu &agrave;s suas dimens&otilde;es demogr&aacute;ficas e econ&ocirc;micas. Foi durante essa d&eacute;cada tamb&eacute;m que se conclui importante eixo rodovi&aacute;rio &ndash; a Rodovia do Caf&eacute; &ndash; que liga o norte do estado ao porto de Paranagu&aacute;, que se tornou importante meio de escoamento da produ&ccedil;&atilde;o cafeeira.</p>     <p>Destaca-se que esse projeto de interliga&ccedil;&atilde;o rodovi&aacute;ria, inclusive interestadual e intercontinental, j&aacute; existia desde a &eacute;poca imperial, por&eacute;m foi nesse momento de grande dinamismo econ&ocirc;mico e populacional do Paran&aacute;, entre 1950 e 1970, que o projeto &eacute; realizado, financiado com recursos do Fundo de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com a decisiva interven&ccedil;&atilde;o do presidente dos Estados Unidos, John Kennedy<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>, que via nesta rodovia importante eixo de integra&ccedil;&atilde;o continental.</p>     <p>Os impactos dessa preponder&acirc;ncia demogr&aacute;fica e econ&ocirc;mica da por&ccedil;&atilde;o norte do estado, nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970, foi sentido tamb&eacute;m no peso pol&iacute;tico que desempenhado pela regi&atilde;o nesse momento, pois al&eacute;m esse maior peso populacional se traduzia tamb&eacute;m em maior peso eleitoral, tornando o voto da os eleitores da regi&atilde;o decisivo na defini&ccedil;&atilde;o do governo (MAGALH&Atilde;ES, 2001).</p>     <p>Analisando as taxas de crescimento anual da popula&ccedil;&atilde;o das mesorregi&otilde;es paranaenses (<a href="#t4">tabela 4</a>), observamos que, na por&ccedil;&atilde;o norte do estado, as regi&otilde;es Centro-Ocidental e a Norte Central lideraram o crescimento populacional da por&ccedil;&atilde;o norte, nos anos 60, com taxas de 21,5%a.a. e 8,1%a.a., respectivamente. Na d&eacute;cada de 1970, o crescimento populacional da por&ccedil;&atilde;o norte inverte-se, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; por&ccedil;&atilde;o sul, e duas mesorregi&otilde;es crescem acima da m&eacute;dia do estado: Centro-Ocidental (8,6%a.a.) e Noroeste (6,5%a.a.).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por sua vez, na por&ccedil;&atilde;o sul, a &uacute;nica mesorregi&atilde;o a apresentar crescimento populacional acima da m&eacute;dia estadual &eacute; a Oeste, cuja ocupa&ccedil;&atilde;o territorial e expans&atilde;o demogr&aacute;fica est&atilde;o vinculadas &agrave; migra&ccedil;&atilde;o de ga&uacute;chos e catarinenses, voltados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o da erva-mate e &agrave;s atividades extrativistas, como a da madeira (IPARDES, 2004).</p>     <p>Por fim, destaca-se que, a partir da d&eacute;cada seguinte, assiste-se a uma invers&atilde;o nas taxas de crescimento populacional, tendo as mesorregi&otilde;es da por&ccedil;&atilde;o sul, no ano de 1970, concentrado os &iacute;ndices de crescimento populacional positivo do estado. Nesse mesmo ano, todas as mesorregi&otilde;es da por&ccedil;&atilde;o norte registraram taxas de crescimento negativo, expressando a perda populacional ocorrida em fun&ccedil;&atilde;o da crise e do esgotamento da fronteira agr&iacute;cola do Paran&aacute;. Simultaneamente, o estado come&ccedil;a a vivenciar uma mudan&ccedil;a no eixo econ&ocirc;mico, a partir da qual o estado passa a concentrar seus investimentos em atividades industriais e urbanas, principalmente na &aacute;rea compreendida pela mesorregi&atilde;o Metropolitana de Curitiba (IPARDES, 2004).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas tr&ecirc;s d&eacute;cadas seguintes, o estado do Paran&aacute; passa a apresentar oscila&ccedil;&otilde;es nas suas taxas de crescimento populacional, embora elas permane&ccedil;am positivas ao longo do per&iacute;odo. Embora esse aspecto da din&acirc;mica demogr&aacute;fica e econ&ocirc;mica n&atilde;o seja o objeto deste trabalho, o que dever&aacute; ser abordado em estudos posteriores, vale destacar que as mudan&ccedil;as que se verificam na din&acirc;mica demogr&aacute;fica e migrat&oacute;ria relacionam-se com mudan&ccedil;as no plano econ&ocirc;mico, tanto no cen&aacute;rio nacional como no estadual, expressas pela mudan&ccedil;a de eixo nas atividades produtivas dos estados, a crise econ&ocirc;mica dos anos 80, a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva e a desconcentra&ccedil;&atilde;o industrial a partir de S&atilde;o Paulo (PACHECO e PATARRA, 1997)</p>     <p>Voltando ao nosso recorte de an&aacute;lise, na <a href="#t5">tabela 5</a>, encontram-se o n&uacute;mero de munic&iacute;pios existentes, nas mesorregi&otilde;es do Paran&aacute;, no per&iacute;odo de 1900 a 2010.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Observa-se que, no in&iacute;cio do per&iacute;odo, em 1900, a por&ccedil;&atilde;o sul do estado concentrava praticamente todos os munic&iacute;pios paranaenses, contrastando com um &uacute;nico munic&iacute;pio criado na mesorregi&atilde;o Norte Pioneiro, localizado na por&ccedil;&atilde;o norte do estado.</p>     <p>Por&eacute;m, essa inexist&ecirc;ncia de munic&iacute;pios na por&ccedil;&atilde;o norte n&atilde;o significava necessariamente um vazio demogr&aacute;fico no territ&oacute;rio. Basta destacar que, nas &aacute;reas lim&iacute;trofes ao estado de S&atilde;o Paulo, j&aacute; havia assentamentos de paulistas que circularam pelas terras paranaenses, estabelecendo seus primeiros s&iacute;tios de subsist&ecirc;ncia na segunda metade do s&eacute;culo XIX. Al&eacute;m disso, a por&ccedil;&atilde;o oeste e noroeste e norte ainda n&atilde;o tivesse registrado a ocupa&ccedil;&atilde;o do elemento europeu, suas terras constitu&iacute;am no espa&ccedil;o de vida de diversas tribos ind&iacute;genas.</p>     <p>Entre os anos de 1940 e 1970, observa-se que o n&uacute;mero de munic&iacute;pios cresce significativamente nas duas por&ccedil;&otilde;es do estado, por&eacute;m, argumenta-se que, em cada uma delas, esse processo assumir&aacute; significados distintos, pois esteve vinculado &agrave; forma de ocupa&ccedil;&atilde;o territorial e populacional pr&oacute;pria de cada por&ccedil;&atilde;o. Assim, enquanto na por&ccedil;&atilde;o sul, a cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios vinculou-se a uma diversidade de atividades econ&ocirc;micas, como o extrativismo, a agricultura familiar, a produ&ccedil;&atilde;o da erva-mate, com&eacute;rcio e servi&ccedil;os, na por&ccedil;&atilde;o norte, a cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios acompanhou a expans&atilde;o da cafeicultura e das atividades que davam suporte &agrave; atividade cafeeira.</p>     <p>No entanto, mesmo com esses fatores que caracterizam a din&acirc;mica econ&ocirc;mica e demogr&aacute;fica das duas por&ccedil;&otilde;es territoriais do estado, as mesorregi&otilde;es n&atilde;o apresentaram o mesmo padr&atilde;o de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios &ndash; o que refor&ccedil;a outro argumento desse trabalho de que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios &eacute; tridimensional, sendo definido n&atilde;o somente pela dimens&atilde;o econ&ocirc;mica e demogr&aacute;fica, mas tamb&eacute;m pela pol&iacute;tica-institucional.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g4">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Visualizando a evolu&ccedil;&atilde;o do processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios nas diferentes mesorregi&otilde;es paranaenses, entre os anos de 1950 e 1970, destacam-se a Norte Central e a Noroeste (ambas na por&ccedil;&atilde;o norte do estado), onde a cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios foi particularmente intensa: em vinte anos, s&atilde;o criados 50 novos munic&iacute;pios em cada uma das regi&otilde;es. Nenhuma outra mesorregi&atilde;o registrou tamanha quantidade de novos munic&iacute;pios no mesmo per&iacute;odo.</p>     <p>Com uma evolu&ccedil;&atilde;o menos intensa que as duas mesorregi&otilde;es anteriores, mas ainda com alto registro de novos munic&iacute;pios destacam-se, por um lado, a Metropolitana de Curitiba, onde s&atilde;o criados 12 novos munic&iacute;pios, entre 1950 e 1970 e, por outro o Norte Pioneiro, que registrou a cria&ccedil;&atilde;o de vintes munic&iacute;pios no mesmo per&iacute;odo.</p>     <p>Duas outras mesorregi&otilde;es apresentaram trajet&oacute;rias peculiares: a Sudoeste sai de zero munic&iacute;pio, em 1950, para 24 munic&iacute;pios, em 1970. Por sua vez, na Oeste aconteceu algo semelhante, passando de 1 para 19 munic&iacute;pios, no mesmo per&iacute;odo. Ou seja, &eacute; no per&iacute;odo 1950-1970 que se constituiu uma rede de munic&iacute;pios nessas duas mesorregi&otilde;es.</p>     <p>Ainda com rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo 1950-1970, vale destacar aquelas mesorregi&otilde;es que, contrariamente as mesorregi&otilde;es anteriores, n&atilde;o assistiram a um processo intenso de cria&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios: &eacute; o caso da Centro-Oriental, Centro-Sul e Sudeste onde foram criados, respectivamente, tr&ecirc;s, quatro e cinco novos munic&iacute;pios, no per&iacute;odo.</p>     <p>Para finalizar essa se&ccedil;&atilde;o, vale destacar a evolu&ccedil;&atilde;o apresentada pelas mesorregi&otilde;es durante a d&eacute;cada de 1990. Nesse per&iacute;odo, influenciado pela abertura pol&iacute;tica e pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 que, entre outras coisas, promoveu a autonomia jur&iacute;dica e financeira dos munic&iacute;pios e deu in&iacute;cio ao processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa, que vai ganhar vulto ao longo dos anos 90, o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pio foi caracterizado pela permissividade da legisla&ccedil;&atilde;o e pela consequente prolifera&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios em todos os estados brasileiros (SERRA e AFONSO, 1999; GOMES e MACDOWELL, 2000).</p>     <p>Com base no que foi exposto, sustenta-se que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pio ao longo da d&eacute;cada de 1990, dada as caracter&iacute;sticas de grande parte dos munic&iacute;pios envolvidos, apresenta um significado distinto daquele que norteou a cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, cerca de vinte a quarenta anos antes.</p>     <p>Assim, enquanto os munic&iacute;pios criados entre os anos de 1950 e 1970 podem ser considerados como express&atilde;o direta do dinamismo econ&ocirc;mico e demogr&aacute;fico que caracterizou o per&iacute;odo, considera-se que houve o predom&iacute;nio da dimens&atilde;o pol&iacute;tica-institucional no processo que originou os munic&iacute;pios ao longo dos anos 90. Ou seja, contrariamente ao per&iacute;odo precedente, argumenta-se que se fez uso da cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, no per&iacute;odo recente, como uma ferramenta para promo&ccedil;&atilde;o de um maior dinamismo econ&ocirc;mico, demogr&aacute;fico e social nas &aacute;reas onde ocorreu o surgimento de novos munic&iacute;pios.</p>     <p>Dito isso, observa-se que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, na d&eacute;cada de 1990, foi particularmente significativo nas mesorregi&otilde;es Norte Central, Oeste, Centro-Sul, Sudoeste e Metropolitana de Curitiba &ndash; um grupo bastante heterog&ecirc;neo quanto aos diversos aspectos j&aacute; tratados aqui &ndash; destacando-se, ainda, que, embora o Paran&aacute; n&atilde;o esteja entre os estados que mais criaram munic&iacute;pios na d&eacute;cada de 1990, ele seguiu a tend&ecirc;ncia nacional por apresentar uma legisla&ccedil;&atilde;o que favoreceu a cria&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="g5">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Os pequenos munic&iacute;pios e o processo emancipat&oacute;rio recente</b></p>     <p>Para complementar o debate desenvolvido aqui, nesta se&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o trabalhados, alguns dados relativos aos munic&iacute;pios criados ao longo da d&eacute;cada de 1990 e, em especial, aos pequenos munic&iacute;pios. Por&eacute;m, antes de tratar dos novos munic&iacute;pios criados, faz-se relevante acompanharmos a evolu&ccedil;&atilde;o do peso dos pequenos munic&iacute;pios no total das municipalidades, ao longo das &uacute;ltimas seis d&eacute;cadas.</p>     <p>Conforme podemos observar no <a href="#g6">gr&aacute;fico 6</a>, os pequenos munic&iacute;pios (com popula&ccedil;&atilde;o inferior a 20.000 habitantes), entre os anos de 1950 e 2010, apresentaram uma participa&ccedil;&atilde;o relativa crescente, saindo de 54,6%, em 1950, e alcan&ccedil;ando o patamar de 70%, em 2010. Nesse per&iacute;odo, esses valores registraram dois momentos de pico: em 1970, com 72,8%, e em 2000, com 73%<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g6">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Conforme pode-se observar no <a href="#f2">mapa 2</a>, a maioria dos munic&iacute;pios criados no estado do Paran&aacute; a partir de 1980 t&ecirc;m um porte populacional de at&eacute; 10.000 habitantes. Se, por um lado, os pequenos munic&iacute;pios corresponderam &agrave; grande maioria das municipalidades, por outro, esses munic&iacute;pios, embora tenham registrado um crescimento absoluto da popula&ccedil;&atilde;o, passando de aproximadamente 11 milh&otilde;es de pessoas, em 1950, para mais de 32 milh&otilde;es, em 2010, a propor&ccedil;&atilde;o concentrada por eles reduziu-se ao longo do tempo, ou seja, em 1950, esse grupo de munic&iacute;pio concentrava 23% da popula&ccedil;&atilde;o, em contraste com os 17%, de 2010, sendo o ano de 1970 o momento em que os pequenos munic&iacute;pios alcan&ccedil;aram a mais alta participa&ccedil;&atilde;o relativa do per&iacute;odo &ndash; cerca de 28% (<a href="#g6">gr&aacute;fico 6</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como o centro da pol&ecirc;mica com rela&ccedil;&atilde;o aos pequenos munic&iacute;pios referem-se &agrave;queles de popula&ccedil;&atilde;o inferior a 10.000 habitantes e, em especial, os munic&iacute;pios com at&eacute; 5.000 habitantes, vale destacar a participa&ccedil;&atilde;o relativa desses subgrupos e munic&iacute;pios, ao longo do mesmo per&iacute;odo abordado.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g7">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04g7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De acordo com o gr&aacute;fico 8, os tr&ecirc;s grupos de pequenos munic&iacute;pios apresentam, individualmente, ao longo do per&iacute;odo, evolu&ccedil;&otilde;es diferenciadas quanto a sua participa&ccedil;&atilde;o relativa no n&uacute;mero total de munic&iacute;pios, no pa&iacute;s. Nesse sentido, enquanto, em 1950, o grupo de munic&iacute;pios com popula&ccedil;&atilde;o entre 10.000 e 20.000 habitantes concentrava 32% dos munic&iacute;pios brasileiros, os munic&iacute;pios com menos de 5.000 habitantes representavam apenas 3,6%.</p>     <p>Ap&oacute;s cinco d&eacute;cadas, fruto tanto da din&acirc;mica demogr&aacute;fica das pr&oacute;prias municipalidades como do processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, via desmembramento municipal, observamos uma converg&ecirc;ncia na participa&ccedil;&atilde;o relativa entre os tr&ecirc;s subgrupos de pequenos munic&iacute;pios: em 2000, esses subgrupos, individualmente, apresentaram participa&ccedil;&atilde;o relativa entre 23% e 25% - valores que sofreram poucas mudan&ccedil;as em 2010 e que se mantiveram superiores &agrave; participa&ccedil;&atilde;o relativa de qualquer outro grupo de munic&iacute;pios de maior porte populacional (<a href="#g5">gr&aacute;fico 5</a>).</p>      <p>Embora esses munic&iacute;pios concentrem, no per&iacute;odo mais recente, cerca de 32,6 milh&otilde;es de pessoas, o que equivale a 17% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira (<a href="#g6">gr&aacute;fico 6</a>), n&atilde;o h&aacute; como negar a sua import&acirc;ncia no processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e na estrutura&ccedil;&atilde;o da rede de cidades do pa&iacute;s, uma vez que, devido a sua dimens&atilde;o num&eacute;rica, eles se encontram distribu&iacute;dos por todo o territ&oacute;rio nacional, e representariam a interioriza&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico local &ndash; o que ganha relev&acirc;ncia no contexto no per&iacute;odo posterior &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, caracterizada pelo fortalecimento da autonomia municipal e pela descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa, que passou para a compet&ecirc;ncia dos executivos municipais parcela significativa da gest&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no &acirc;mbito local.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, a percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia desse papel pol&iacute;tico-territorial desempenhado pelos pequenos munic&iacute;pios vem perdendo for&ccedil;a na medida que nos distanciamos da d&eacute;cada de 1990, contexto em que um dos caminhos defendidos para o fortalecimento da democracia e da participa&ccedil;&atilde;o popular estava vinculado &agrave; descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa e &agrave; autonomia municipal, o mesmo que contribuiu para o processo emancipat&oacute;rio dos anos 1990, caracterizado pela prolifera&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios.</p>     <p>Conforme o que j&aacute; foi apresentado at&eacute; ent&atilde;o, pode-se afirmar que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios poucas vezes recebeu visibilidade como uma quest&atilde;o social e pol&iacute;tica relevante para o pa&iacute;s. Uma exce&ccedil;&atilde;o nesse caso refere-se &agrave; pr&oacute;pria d&eacute;cada de 1990, no contexto caracterizado pelo que foi chamado de &ldquo;prolifera&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios&rdquo; (SERRA e AFONSO, 1999; GOMES e MACDOWELL, 2000).</p>     <p>Na atualidade, algumas refer&ecirc;ncias a esse momento mais recente do processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios destacam como um aspecto mais negativo o fato de que, no contexto pol&iacute;tico p&oacute;s- Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, em todas unidades da federa&ccedil;&atilde;o, a legisla&ccedil;&atilde;o estadual facilitou o surgimento de muitos munic&iacute;pios de pequeno porte municipal, com popula&ccedil;&atilde;o inferior a 10.000 habitantes, o que representaria um impacto nocivo nas finan&ccedil;as p&uacute;blicas e na autonomia do governo municipal.</p>     <p>Nessa dire&ccedil;&atilde;o, destaca-se o relat&oacute;rio do Tribunal de Contas do Estado do Paran&aacute; (TCE-PR, 2015), que chegou a propor a fus&atilde;o ou reintegra&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios como um caminho para resolver ou amenizar o problema de d&eacute;ficit das finan&ccedil;as p&uacute;blicas no estado &ndash; posicionamento refor&ccedil;ado pela reportagem do Estado de S&atilde;o Paulo (Depend&ecirc;ncia cr&ocirc;nica, 2017), no qual se enfatiza que boa parte dos pequenos munic&iacute;pios nem deveriam existir, pois, nesse momento de crise, resultado de uma baixo desenvolvimento, h&aacute; um aumento na depend&ecirc;ncia cr&ocirc;nica desses pequenos munic&iacute;pios em rela&ccedil;&atilde;o ao FPM, comprometendo sua autonomia e atendimento aos mun&iacute;cipes. Discutiremos essa quest&atilde;o &agrave; luz dos pequenos munic&iacute;pios paranaenses.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>4.1. Os &ldquo;velhos&rdquo; e &ldquo;novos&rdquo; pequenos munic&iacute;pios paranaenses</b></p>     <p>Durante o processo emancipat&oacute;rio da d&eacute;cada de 1990, foram criados em todo Brasil 1.140 novos munic&iacute;pios, dos quais 868 (76%) s&atilde;o munic&iacute;pios que, em 2010, possu&iacute;am popula&ccedil;&atilde;o inferior a 10.000 habitantes.</p>     <p>No estado do Paran&aacute;, nesse per&iacute;odo, foram criados 81 novos munic&iacute;pios, constituindo-se na quinta Unidade da Federa&ccedil;&atilde;o em quantidade de munic&iacute;pios criados, ficando atr&aacute;s do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Piau&iacute; e Santa Catarina<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>. Por sua vez, dentre esses novos munic&iacute;pios paranaenses, 68 s&atilde;o pequenos munic&iacute;pios, com popula&ccedil;&atilde;o inferior a 10.000 habitantes, de acordo com o censo demogr&aacute;fico de 2010, correspondendo a 84% dos munic&iacute;pios criados no estado e a 8% do total de pequenos munic&iacute;pios criado em todo pa&iacute;s.</p>     <p>Com os dados da <a href="#t6">tabela 6</a>, observa-se que esses 68 novos munic&iacute;pios correspondem a aproximadamente 34% do total dos 203 munic&iacute;pios existentes em 2010<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>. Ou seja, 2/3 dos atuais pequenos munic&iacute;pios paranaenses foram criados antes da d&eacute;cada marcada pela &ldquo;prolifera&ccedil;&atilde;o&rdquo; de pequenos munic&iacute;pios no pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t6">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por sua vez, quando nos voltamos para as duas por&ccedil;&otilde;es territoriais consideradas, observamos duas situa&ccedil;&otilde;es diferentes: na por&ccedil;&atilde;o sul, de ocupa&ccedil;&atilde;o mais antiga do estado, que inclui a capital do estado, h&aacute; uma menor presen&ccedil;a relativa de pequenos munic&iacute;pios (75), por&eacute;m 60% deles foram criados nos anos 90; por outro lado, na por&ccedil;&atilde;o norte, de ocupa&ccedil;&atilde;o mais recente vinculada &agrave; expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola paranaense, h&aacute; um maior n&uacute;mero de pequenos munic&iacute;pios (128), por&eacute;m com uma baixa participa&ccedil;&atilde;o de novos munic&iacute;pios (18%).</p>     <p>Isso nos d&aacute; um elemento adicional para contrastar com o diagn&oacute;stico e prescri&ccedil;&atilde;o do TCE-PR (2015), que sugere a fus&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios como uma solu&ccedil;&atilde;o para o d&eacute;ficit nas finan&ccedil;as p&uacute;blicas municipais, utilizando na sua justificativa a cria&ccedil;&atilde;o indevida de muitos pequenos munic&iacute;pios no contexto p&oacute;s-Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, caracterizado pela &ldquo;facilita&ccedil;&atilde;o&rdquo; da cria&ccedil;&atilde;o de pequenos e micro munic&iacute;pios que, segundo alguns observadores (Gomes e Macdowell, 2000; Serra e Afonso, 1999), n&atilde;o teriam condi&ccedil;&otilde;es de autonomia e auto sustenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;velhos&rdquo; e &ldquo;novos&rdquo; pequenos munic&iacute;pios nas diferentes mesorregi&otilde;es paranaenses nos permite destacar que o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios mais recente teve significados diferentes nas diferentes por&ccedil;&otilde;es territoriais do estado, que possuem hist&oacute;ricos de desenvolvimento econ&ocirc;micos e demogr&aacute;ficos espec&iacute;ficos, e essas especificidades precisam ser consideradas no entendimento da complexidade desse fen&ocirc;meno emancipat&oacute;rio que, no nosso entendimento, n&atilde;o foi uma mera express&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o permissiva que teria permitido uma &ldquo;a&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria&rdquo; por parte de uma multiplicidade de localidades interessadas somente em deter para si uma parcela do Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios (FPM), como faz parecer os contr&aacute;rios ao processo emancipat&oacute;rio a d&eacute;cada de 1990<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>.</p>     <p>O TCE-PR (2015) sustenta esse posicionamento justificando-o atrav&eacute;s da exposi&ccedil;&atilde;o de dois tipos de informa&ccedil;&otilde;es: as relativas &agrave;s finan&ccedil;as municipais (componentes da receita municipal e tipos de despesas municipais) e o &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 2010. Destaca-se ainda que o recorte espacial da an&aacute;lise compreendeu os decis inferior e superior, ou seja, comparando-se os munic&iacute;pios entre os 10% menos populosos e os 10% mais populosos.</p>     <p>No balan&ccedil;o desta an&aacute;lise, chegou-se &agrave; considera&ccedil;&atilde;o de que os munic&iacute;pios menos populosos vivenciavam uma situa&ccedil;&atilde;o que tendia a se refor&ccedil;ar no tempo: baixa capacidade de arrenda&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, com destaque para a grande depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao FPM, resultando em baixo investimento dos munic&iacute;pios em &aacute;reas sociais importantes e, por isso, essa situa&ccedil;&atilde;o se evidenciaria no baixo valor do IDH-M correspondente.</p>     <p>Por&eacute;m, na nossa avalia&ccedil;&atilde;o, a leitura da situa&ccedil;&atilde;o dos pequenos munic&iacute;pios paranaenses, feita pelo relat&oacute;rio do TCE-PR, apresenta limita&ccedil;&otilde;es, dentre as quais selecionamos algumas para serem discutidas de forma mais detida. Primeiramente, abordaremos duas: o uso do IDH-M sem uma perspectiva cr&iacute;tica sobre a constru&ccedil;&atilde;o do indicador e a aus&ecirc;ncia de um recorte territorial que considere as diferentes regi&otilde;es do estado.</p>     <p>De acordo com os estudos de Guimar&atilde;es e Jannuzzi (2005) e Barreto e Jannuzzi (2012), o &Iacute;ndice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M) constitui-se num indicador sint&eacute;tico<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>, ou medida-resumo, constru&iacute;do a partir do &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) que, por sua vez, foi elaborado pelos economistas asi&aacute;ticos Mahbub ul Haq e Amartya Sen para contrastar com o indicador amplamente usado desde a d&eacute;cada de 1950, para medir o n&iacute;vel de desenvolvimento dos pa&iacute;ses &ndash; o PIB <i>per capita</i>.</p>     <p>Em termos gerais, o IDH busca medir o n&iacute;vel de desenvolvimento de um pais numa perspectiva mais ampla do que a proporcionada pelo PIB <i>per capita</i>, considerando as dimens&otilde;es sociais de educa&ccedil;&atilde;o, longevidade e renda e, desde 1990, o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publica anualmente o &iacute;ndice para os pa&iacute;ses (Guimar&atilde;es e Jannuzzi, 2005).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, o IDH-M foi elaborado numa parceria entre o PNUD, o Instituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas Aplicadas (IPEA) e a Funda&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Pinheiro, com o objetivo de atender a especificidade dos munic&iacute;pios brasileiros. Afirma-se, a partir da literatura especializada que, assim como o IDH, o IDH-M possui o m&eacute;rito de trazer para a reflex&atilde;o sobre o desenvolvimento as dimens&otilde;es sociais relacionadas com a longevidade, a educa&ccedil;&atilde;o e a renda, a partir de informa&ccedil;&otilde;es de f&aacute;cil entendimento e produzidas com regularidade, tendo como base os censos demogr&aacute;ficos realizados decenalmente pelo IBGE<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>.</p>     <p>Em contrapartida, no IDH-M persistem importantes desvantagens tamb&eacute;m identificadas no IDH<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>. Nesse sentido, podemos destacar a pouca sensibilidade do indicador em captar as efeitos na realidade da implementa&ccedil;&atilde;o de determinadas pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico, devido &agrave; pr&oacute;pria limita&ccedil;&atilde;o das medidas consideradas no c&ocirc;mputo do &iacute;ndice e &agrave; sua limita&ccedil;&atilde;o temporal, uma vez que a base de dados utilizada para o c&aacute;lculo &eacute; o censo demogr&aacute;fico decenal, contribuindo para um descompasso temporal entre o indicador e a realidade, na medida em que nos distanciamos do ano de realiza&ccedil;&atilde;o do censo demogr&aacute;fico.</p>     <p>Isso nos leva a uma segunda desvantagem do indicador que se refere ao emprego do IDH-M como &uacute;nica medida para avalia&ccedil;&atilde;o ou defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Devido &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es apresentadas anteriormente, n&atilde;o &eacute; recomend&aacute;vel a tomada de decis&atilde;o pol&iacute;tica baseada unicamente num indicador sint&eacute;tico, como o IDH-M, pois ele n&atilde;o d&aacute; conta de toda a complexidade e da quest&atilde;o social considerada.</p>     <p>Contudo, apesar dessas considera&ccedil;&otilde;es, optou-se por manter aqui a considera&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios paranaenses a partir da informa&ccedil;&atilde;o do IDH-M para estabelecer um di&aacute;logo com o argumento do TCE-PR, por&eacute;m com o diferencial de apresentar esses dados com um recorte espacial diferente.</p>     <p>Nesse sentido, na <a href="#t7">tabela 7</a>, o IDH-M dos munic&iacute;pios paranaenses s&atilde;o apresentados, nas suas diferentes dimens&otilde;es, para as diferentes mesorregi&otilde;es do estado, nos anos de 2000 e 2010. Optou-se por calcular a m&eacute;dia simples dos valores do IDH-M dos munic&iacute;pios por mesorregi&atilde;o, por considerar que, dessa forma, poderia se captar a tend&ecirc;ncia desses indicadores em cada regi&atilde;o, mesmo conhecimento as limita&ccedil;&otilde;es desse tipo de c&aacute;lculo, por se ocultar os valores extremos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t7">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Podemos observar que, entre 2000 e 2010, nas tr&ecirc;s dimens&otilde;es, os valores m&eacute;dios do IDH-M cresceram, ou melhoraram<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>, em todas as mesorregi&otilde;es, sendo os maiores valores registrados na dimens&atilde;o longevidade, seguidos pelos valores na dimens&atilde;o renda e, por fim, os da dimens&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o. Considerando-se, por sua vez, a evolu&ccedil;&atilde;o dos valores no tempo, nota-se que os maiores ganhos foram registrados na dimens&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o, o que foi observado em todas as mesorregi&otilde;es.</p>     <p>No entanto, a principal contribui&ccedil;&atilde;o desse recorte espacial &eacute; poder visualizar, a partir desse indicador selecionado, o diferencial existente entre as mesorregi&otilde;es do estado. Assim, mesmo com as limita&ccedil;&otilde;es do IDH-M para dimensionar a complexidade do desenvolvimento social, o nosso objetivo &eacute; demonstrar a import&acirc;ncia de se considerar um recorte regional para esse tipo de an&aacute;lise.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, de acordo com a <a href="#t7">tabela 7</a>, onde h&aacute; uma organiza&ccedil;&otilde;es das mesorregi&otilde;es entre duas por&ccedil;&otilde;es territorial do estado, observa-se que a por&ccedil;&atilde;o norte, que incluir a regi&atilde;o de Londrina &ndash; segundo munic&iacute;pio mais populoso do estado e a sede da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola e da cafeicultura a partir das d&eacute;cada de 1930 &ndash; apresenta valores de IDH-M superiores &agrave; por&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o sul, de ocupa&ccedil;&atilde;o mais antiga e onde se localiza a capital estadual.</p>     <p>Por sua vez, com os dados da <a href="#t8">tabela 8</a>, buscou-se visualizar o valor m&eacute;dio do IDH-M total, de 2010, considerado por mesorregi&otilde;es e portes populacionais.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t8">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a04t8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Mais uma vez, observa-se um diferencial em favor da por&ccedil;&atilde;o norte quando comparada com a sul, para todos os recortes populacionais de munic&iacute;pios, al&eacute;m de haver, nos grupos com popula&ccedil;&atilde;o inferior a 50.000 habitantes, diferenciais entre regi&otilde;es localizadas numa mesma por&ccedil;&atilde;o territorial.</p>     <p>Por&eacute;m, o que se pretende destacar com esse recorte espacial &eacute; que n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre porte populacional e valores de IDH-M, no sentido dos menores munic&iacute;pios apresentarem, necessariamente, os menores &iacute;ndices. Pelo contr&aacute;rio, o que se verifica nas por&ccedil;&otilde;es norte e sul, nas tr&ecirc;s classes populacionais inferiores, &eacute; que o grupo dos munic&iacute;pios com popula&ccedil;&atilde;o inferior a 5.000 habitantes apresenta um valor m&eacute;dio de IDH-M maior que os valores referentes aos dois grupos imediatamente superiores.</p>     <p>Com isso, o argumento contr&aacute;rio &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios e a defesa &agrave; fus&atilde;o de munic&iacute;pios, baseado numa baixa avalia&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento social dos munic&iacute;pios, conforme exposto no relat&oacute;rio do TCE-PR (2015), perdem sua sustenta&ccedil;&atilde;o uma vez que, em primeiro lugar, diferentes recortes espaciais podem revelar diferentes cen&aacute;rios dos indicadores utilizados e, em segundo lugar, uma tomada de decis&atilde;o do poder p&uacute;blico n&atilde;o pode ser basear na considera&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico indicador social.</p>     <p>Com isso, chegamos &agrave;s duas &uacute;ltimas limita&ccedil;&otilde;es presentes no relat&oacute;rio do TCE-PR, que se referem &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico indicador como <i>proxy</i> para a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida nos munic&iacute;pios e o pressuposto de que somente o governo municipal &eacute; respons&aacute;vel pelos valores registrados pelo IDH-M.</p>     <p>Assim, nem o IDH-M tem informa&ccedil;&atilde;o suficiente para sustentar, exclusivamente, quaisquer decis&otilde;es pol&iacute;ticas &ndash; muito menos as que envolvam quest&otilde;es t&atilde;o complexas como fus&atilde;o de munic&iacute;pios &ndash; e nem se deve considerar a qualidade de vida nos munic&iacute;pios como resultado da a&ccedil;&atilde;o exclusiva do governo municipal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao inv&eacute;s disso, deveria se considerar essa qualidade de vida como resultado da converg&ecirc;ncia entre diferentes a&ccedil;&otilde;es, nem sempre articuladas no tempo e espa&ccedil;o, das esferas locais, estaduais e federal de governo, e n&atilde;o somente indicadores sociais, voltados para &aacute;reas de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o, mas de forma especial as a&ccedil;&otilde;es direcionadas para o desenvolvimento econ&ocirc;mico estadual, em grande parte, respons&aacute;veis pela desigualdade regional em termos de gera&ccedil;&atilde;o de renda e recursos p&uacute;blicos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>     <p>O processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios no Brasil n&atilde;o recebeu aten&ccedil;&atilde;o proporcional &agrave; import&acirc;ncia do fen&ocirc;meno no pa&iacute;s, sendo que a maioria dos estudos realizados referem-se ao per&iacute;odo da d&eacute;cada de 1990, com estudos acad&ecirc;micos realizados nas &aacute;reas de Economia, Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Geografia, e com o debate sendo polarizado por institui&ccedil;&otilde;es de assessoria aos governos municipais, como o Instituto Brasileiro de Administra&ccedil;&atilde;o Municipal (IBAM), por um lado, e de institutos vinculados ao governo federal, como o Instinto de Pesquisa Economia Aplicada (IPEA), por outro<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>.</p>     <p>Este &eacute; um debate que tem sido tratado em diferentes pa&iacute;ses, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o aos processos de centraliza&ccedil;&atilde;o e descentraliza&ccedil;&atilde;o de governos locais no &acirc;mbito de pol&iacute;ticas fiscais, planejamento urbano, processos migrat&oacute;rios, conflitos de identidades regionais e sobretudo como forma de equil&iacute;brio entre unidades federativas subnacionais.</p>     <p>O processo ocorrido no Brasil pode ser base para estudos comparativos futuros com os casos do M&eacute;xico, estudado por Grindel (2009), a reforma de 2007 na Dinamarca, analisada por Blomâ€Hansen (2010) e para o caso do debate federativo na Europa Ocidental, o trabalho de Swenden (2006).</p>     <p>Essa car&ecirc;ncia de estudos sobre a tem&aacute;tica no Brasil, principalmente estudos que cubram um per&iacute;odo maior de tempo e os articule a partir de diferentes dimens&otilde;es, como a demogr&aacute;fica, a econ&ocirc;mica e a pol&iacute;tica, tem apresentado seus efeitos delet&eacute;rios no momento atual, quando o tema volta a surgir na m&iacute;dia, em fun&ccedil;&atilde;o dos vetos por parte do governo federal na fase mais recente de uma tramita&ccedil;&atilde;o de propostas de altera&ccedil;&otilde;es no processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, que teve in&iacute;cio h&aacute; mais de vinte anos.</p>     <p>O desafio que a contemporaneidade coloca &eacute; que a volta ao cen&aacute;rio p&uacute;blico dessa quest&atilde;o est&aacute; sendo feita desacompanhada das bandeiras presentes na d&eacute;cada de 1990, voltadas &agrave; defesa da autonomia pol&iacute;tica e da participa&ccedil;&atilde;o popular, que animaram o polo favor&aacute;vel &agrave;s emancipa&ccedil;&otilde;es municipais de pequenos munic&iacute;pios por todo o pa&iacute;s.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio, vem ganhando for&ccedil;a uma narrativa que enxerga o processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios dos anos 1990 e os pequenos munic&iacute;pios, em particular, como a causa dos problemas financeiros e de gest&atilde;o vivenciados pelo governo municipal, em geral, onde a proposta de fus&atilde;o de munic&iacute;pios &eacute; colocada como decis&atilde;o tecnocrata em resposta a uma avalia&ccedil;&atilde;o objetiva de indicadores de finan&ccedil;as p&uacute;blicas e de qualidade de vida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fus&atilde;o de munic&iacute;pios vem sendo prevista nas constitui&ccedil;&otilde;es federais ao longo do per&iacute;odo republicano, no Brasil, embora, em pouqu&iacute;ssimos momentos, esse mecanismo tenha sido acionado. J&aacute; no cen&aacute;rio internacional, conforme aponta a literatura sobre processos em curso em pa&iacute;ses desenvolvidos, essa op&ccedil;&atilde;o tem sido buscada, principalmente, como forma de equacionar quest&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias e de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, como ilustrado por mat&eacute;ria divulgada em 2016 (PIAGINIANI, 2016), sobre duas pequenas cidades na Toscana, It&aacute;lia &ndash; Montalcino e San Giovanni d&rsquo;Asso &ndash; que decidiram se fundir para resolver problemas relativos &agrave; continuidade na oferta dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos municipais.</p>     <p>O que chama a aten&ccedil;&atilde;o no caso italiano &eacute; que tal decis&atilde;o partiu de uma delibera&ccedil;&atilde;o conjunta, que envolveu o governo local e a popula&ccedil;&atilde;o das duas cidades, ou seja, tratou-se de uma decis&atilde;o aut&ocirc;noma e participativa das localidades interessadas. Al&eacute;m disso, um dos pontos recorrentes no debate internacional &eacute; que a fus&atilde;o municipal &ndash; <i>&ldquo;municipal amalgamation&rdquo;</i>, <i>&ldquo;municipal merger&rdquo;</i> &ndash; n&atilde;o leva, necessariamente, &agrave; redu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria ou &agrave; melhoria na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Muitos outros aspectos devem ser considerados.</p>     <p>Com isso, finaliza-se essas considera&ccedil;&otilde;es destacando que uma proposi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o complexa, como a de fus&atilde;o de pequenos munic&iacute;pios, n&atilde;o deveria ser tomada numa avalia&ccedil;&atilde;o baseada em elementos, que podem ser considerados arbitr&aacute;rios, fr&aacute;geis e pouco robustos, e, principalmente, sem levar em conta aspectos importantes do debate durante a d&eacute;cada de 1990, que se referem &agrave; a autonomia pol&iacute;tica municipal e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil nas esferas locais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>BARRETO, Rafael S.; JANNUZZI, Paulo M. Uma an&aacute;lise acerca das limita&ccedil;&otilde;es do IDH com respeito &agrave;s a&ccedil;&otilde;es e programas do MDS. <i>Estudo T&eacute;cnico SAGI 13/2012</i>. Bras&iacute;lia: SAGI/MDS, 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.aplicacoes.mds.gov.br/sagirmps/simulacao/estudos_tecnicos/pdf/ETEC-13-2012-IDH-DS-%20uma%20an%C3%A1lise%20acerca%20das%20limita%C3%A7%C3%B5es%20do%20IDH%20com%20respeito%20%C3%A0s%20a%C3%A7%C3%B5es%20e%20programas%20do%20MDS" target="_blank">http://www.aplicacoes.mds.gov.br/sagirmps/simulacao/estudos_tecnicos/pdf/ETEC-13-2012-IDH-DS-%20uma%20an%C3%A1lise%20acerca%20das%20limita%C3%A7%C3%B5es%20do%20IDH%20com%20respeito%20%C3%A0s%20a%C3%A7%C3%B5es%20e%20programas%20do%20MDS</a>. Acesso em: 23/07/2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751392&pid=S2182-1267201800020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BREMAEKER, Fran&ccedil;ois E.J. <i>A import&acirc;ncia do FPM para as finan&ccedil;as municipais e seu papel na equaliza&ccedil;&atilde;o das receitas</i>. Salvador: Transpar&ecirc;ncia Municipal, julho de 2010. (Estudo T&eacute;cnico no.105). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.oim.tmunicipal.org.br/abre_documento.cfm?arquivo=_repositorio/_oim/_documentos/1EC483B1-EED6-6528-35B1E4E67F39179129072010121409.pdf&amp;i=1147" target="_blank">http://www.oim.tmunicipal.org.br/abre_documento.cfm?arquivo=_repositorio/_oim/_documentos/1EC483B1-EED6-6528-35B1E4E67F39179129072010121409.pdf&amp;i=1147</a>. Acessado em: 09/02/2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751394&pid=S2182-1267201800020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BLESSE, Sebastian; BASKARAN, Thushyanthan. Do municipal mergers reduce costs? Evidence from a German federal state. <i>Discussion Paper n.176</i>, Center for European , Governance and Economic Development Research (CEGE), Gottingen/DE, December 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751396&pid=S2182-1267201800020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BLOM-HANSEN, J. <i>Municipal Amalgamations and Common Pool Problems: The Danish Local Government Reform in 2007</i>. Scandinavian Political Studies, 33: 51-73, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751398&pid=S2182-1267201800020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CANO, Wilson. Urbaniza&ccedil;&atilde;o: sua crise e revis&atilde;o do seu planejamento. <i>Revista de Economia Pol&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo, vol.9, no.5, janeiro/mar&ccedil;o de 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751400&pid=S2182-1267201800020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARVALHO, Jos&eacute; Alberto M. <i>O crescimento populacional e a estrutura demogr&aacute;fica no Brasil</i>. Belo Horizonte: UFMG/CEDEPLAR, 2004. (Texto para Discuss&atilde;o, 227)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751402&pid=S2182-1267201800020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CIGOLINI, Adilar O. Territ&oacute;rio e Fragmenta&ccedil;&atilde;o: an&aacute;lise do processo recente de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios no Paran&aacute;. <i>Ra'e Ga - O espa&ccedil;o geogr&aacute;fico em an&aacute;lise</i>, Curitiba, v. 05, n. ano I, p. 47-67, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751403&pid=S2182-1267201800020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CUNHA, Jos&eacute; Marcos Pinto. Redistribui&ccedil;&atilde;o espacial da popula&ccedil;&atilde;o: tend&ecirc;ncias e trajet&oacute;rias. <i>S&atilde;o Paulo em Perspectiva</i>, S&atilde;o Paulo, 17(3-4), 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751405&pid=S2182-1267201800020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DEPEND&Ecirc;NCIA cr&ocirc;nica. <i>Estado de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, 13 fev.2017. Opini&atilde;o. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,dependencia-cronica,70001663081" target="_blank">http://www.opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,dependencia-cronica,70001663081</a>. Acesso: 21/07/2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751407&pid=S2182-1267201800020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EGGER, Peter H.; KOTHENBURGER, Marko; LOUMEAU, Gabriel. <i>Municipal merger and local activity : evidence form Germany</i>. 73rd. Annual Congresso f the International Institute of Public Finance (IIPF), Tokyo, Japan, August 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751409&pid=S2182-1267201800020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FARIA, Vilmar. O sistema urbano brasileiro: um resumo das caracter&iacute;sticas e tend&ecirc;ncias recentes. <i>Estudos CEBRAP 18</i>. S&atilde;o Paulo, out-dez 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751411&pid=S2182-1267201800020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOMES, G. M. e MAC DOWELL, M. C. Descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, federalismo fiscal e cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios: o que &eacute; mau para o econ&ocirc;mico nem sempre &eacute; bom para o social. <i>Texto para Discuss&atilde;o n.&ordm; 706</i>, Bras&iacute;lia: IPEA, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751413&pid=S2182-1267201800020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GRINDLE. Merilee S. Going Local: Decentralization, Democratization, and the Promise of Good Governance. Princeton: Princeton University Press, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751415&pid=S2182-1267201800020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUIMAR&Atilde;ES, Jos&eacute; Ribeiro S.; JANNUZZI, Paulo M. IDH, indicadores sint&eacute;ticos e suas aplica&ccedil;&otilde;es em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Uma an&aacute;lise cr&iacute;tica. <i>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais</i>, vol.7, n.1, maio/2005. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/136" target="_blank">http://www.rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/136</a>. Acessado em: 25/07/2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751417&pid=S2182-1267201800020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>INSTITUTO PARANAENSE DE DESENVOLVIMENTO ECON&Ocirc;MICO E SOCIAL. <i>Leituras regionais</i>. Mesorregi&otilde;es geogr&aacute;ficas paranaenses: Sum&aacute;rio executivo. Curitiba: IPARDES, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751419&pid=S2182-1267201800020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>INSTITUTO PARANAENSE DE DESENVOLVIMENTO ECON&Ocirc;MICO E SOCIAL. <i>As migra&ccedil;&otilde;es e a transforma&ccedil;&atilde;o da estrutura produtiva e fundi&aacute;ria no Paran&aacute;</i>. Curitiba: IPARDES, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751421&pid=S2182-1267201800020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KAUDER, Bjorn. Incorporation of municipalities and population growth. A propensity score matching approach<i>. Ifo working paper n&ordm;188</i>, september 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751423&pid=S2182-1267201800020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>KUSHNER, Joseph; SIEGEL, David. Citizens&rsquo; atitudes toward municipal amalgamation in three Ontario municipalities. <i>Canada Journal of Regional Science</i>, XXVI:1, Spring 2003, 49-59.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MAGALH&Atilde;ES, M.B. <i>Paran&aacute;</i>: pol&iacute;tica e governo. Curitiba: SEED, 2001. (Cole&ccedil;&atilde;o hist&oacute;ria do Paran&aacute;; Textos introdut&oacute;rios).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751426&pid=S2182-1267201800020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARCILIO, M.L. Crescimento hist&oacute;rico da popula&ccedil;&atilde;o brasileira at&eacute; 1872. <i>Cadernos CEBRAP 16</i>. S&atilde;o Paulo, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751428&pid=S2182-1267201800020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARTINE, George; CAMARGO, L&iacute;cio. Crescimento e distribui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o brasileira: tend&ecirc;ncias recentes. <i>Revista Brasileira de Estudos de Popula&ccedil;&atilde;o</i>, Campinas, vol.1, no. 1-2, pp.99-143, jan/dez, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751430&pid=S2182-1267201800020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MARTINE, George; MCGRAHAN, G. Transi&ccedil;&atilde;o urbana brasileira: trajet&oacute;ria, dificuldades e li&ccedil;&otilde;es aprendidas. In: BAENINGER, Rosana. (org.). <i>Popula&ccedil;&atilde;o e cidades</i>: subs&iacute;dios para o planejamento e para as pol&iacute;ticas sociais. Campinas: N&uacute;cleo de Estudos de Popula&ccedil;&atilde;o &ndash; Nepo/Unicamp; Bras&iacute;lia: UNFPA, 2010.</p>     <!-- ref --><p>ROLIM, C.F.C. O Paran&aacute; urbano e o Paran&aacute; do agrobusiness: as dificuldades para a formula&ccedil;&atilde;o de um projeto pol&iacute;tico. <i>Revista Paranaense de Desenvolvimento</i>. IPARDES: Curitiba, no.86, set-dez 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751433&pid=S2182-1267201800020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PACHECO, Carlos A. e PATARRA, Neide. Movimentos migrat&oacute;rios anos 80: novos padr&otilde;es? Encontro Nacional sobre Migra&ccedil;&atilde;o, 1998. <i>Anais...</i> Curitiba: ABEP/IPARDES, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751435&pid=S2182-1267201800020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PIANIGIANI, Gaia. Cidades na Toscana estudam fus&atilde;o. <i>Estado de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, 27 ago.2016. Economia. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.economia.estadao.com.br/noticias/geral,cidades-da-toscana-estudam-fusao,10000072330" target="_blank">http://www.economia.estadao.com.br/noticias/geral,cidades-da-toscana-estudam-fusao,10000072330</a>. Acesso: 11/02/2017&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751437&pid=S2182-1267201800020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>SCANDAR NETO, Wadih J.; JANNUZZI, Paulo M.; SILVA, Pedro L.N. Sistemas de indicadores ou indicadores sint&eacute;ticos: do que precisam os gestores de programas sociais. In: XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais. <i>Anais..</i>., Caxambu, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751438&pid=S2182-1267201800020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SERRA, Jos&eacute;. e AFONSO, J.R.R. Federalismo fiscal &agrave; brasileira: algumas reflex&otilde;es. <i>Revista do BNDES</i>, Rio de Janeiro, v.6, no.12, dez.1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751440&pid=S2182-1267201800020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SHIMIZU, Naoki. <i>Effects of municipal mergers in Japan</i>. Canadian Political Science Association, Annual Conference, Victoria, Canada, Jun&nbsp;2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751442&pid=S2182-1267201800020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SIQUEIRA, Cl&aacute;udia Gomes de. <i>Emancipa&ccedil;&atilde;o municipal p&oacute;s-Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988</i>: um estudo do processo de cria&ccedil;&atilde;o dos novos munic&iacute;pios paulistas. Campinas, 2003. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica) &ndash; Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade Estadual de Campinas.</p>     <!-- ref --><p>SUZUKI, Kohei; HA, Hyesong. Municipality merger and local democracy: an assessment of the merger of Japanese municipalities. <i>QoG Working Paper Serie</i>, july 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751445&pid=S2182-1267201800020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SWENDEN, Wilfried. <i>Comparative Federalism and Regionalism in Western Europe: a Conceptual Overview. In: Federalism and Regionalism in Western Europe</i>. Londres: Palgrave Macmillan 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751447&pid=S2182-1267201800020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TOMIO, Fabricio R. L. A cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, v. 17, n. 48, p. 61-89, fev. 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751449&pid=S2182-1267201800020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO PARAN&Aacute; (TCE-PR), <i>Estudo de viabilidade municipal</i>. Tribunal de Contas do Estado do Paran&aacute;, Curitiba, novembro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.tce.pr.gov.br/conteudo/estudo-de-viabilidade-municipal/296299/area/10" target="_blank">http://www1.tce.pr.gov.br/conteudo/estudo-de-viabilidade-municipal/296299/area/10</a>. Acessado em: 15/01/2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751451&pid=S2182-1267201800020000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> A discuss&atilde;o sobre a articula&ccedil;&atilde;o entre desenvolvimento econ&ocirc;mico, expans&atilde;o populacional e cria&ccedil;&atilde;o de vilas, cidades e munic&iacute;pios, que fundamenta o presente estudo, foi sistematizada e apresentada em Siqueira (2003).</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> A tramita&ccedil;&atilde;o desses projetos de lei foi levantada no site da C&acirc;mara dos Deputados, a partir do site: <a href="http://www2.camara.leg.br/" target="_blank">http://www2.camara.leg.br/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Informa&ccedil;&otilde;es retiradas do site do Departamento de Estradas de Rodagem, do Paran&aacute;: <a href="http://www.der.pr.gov.br/" target="_blank">http://www.der.pr.gov.br/</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Como o foco desta se&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os munic&iacute;pios de pequeno porte (inferior a 20.000 habitantes), n&atilde;o ser&atilde;o tratadas as informa&ccedil;&otilde;es relativas aos demais grupos de munic&iacute;pios.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> A quantidade de munic&iacute;pios criados nesses estados &eacute; a seguinte: RS, com 163 munic&iacute;pios; MG, com 130; PI, com 106; e, por fim, SC, com 87 munic&iacute;pios.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Atualmente, o Paran&aacute; possui 399 munic&iacute;pios, sendo que aqueles com popula&ccedil;&atilde;o inferior a 10.000 habitantes correspondem a 51% dos munic&iacute;pios paranaenses. Segundo dados do censo demogr&aacute;fico de 2010, essa propor&ccedil;&atilde;o &eacute; inferior &agrave;s correspondentes aos estados do Piau&iacute; (73%), Rio Grande do Sul (67%), Santa Catarina (59%) e Minas Gerais (58%).</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Em SIQUEIRA (2003), a autora apresenta a polariza&ccedil;&atilde;o presente na &eacute;poca entre os grupos e institui&ccedil;&otilde;es &ldquo;defensores&rdquo; e os &ldquo;contr&aacute;rios&rdquo; ao processo de cria&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios ocorrido durante a d&eacute;cada de 1990.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Segundo Scandar Neto et al. (2008), indicadores sint&eacute;ticos s&atilde;o aqueles &ldquo;que se prop&otilde;em a apreender a realidade social atrav&eacute;s de uma &uacute;nica medida, resultante da combina&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas medi&ccedil;&otilde;es das suas dimens&otilde;es anal&iacute;ticas quantific&aacute;veis&rdquo;. (SCANDAR NETO et.al, 2008, p.2)</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Os componentes que constituem o IDH-M s&atilde;o os seguintes: Dimens&atilde;o longevidade: esperan&ccedil;a de vida ao nascer; Dimens&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o: a escolaridade da popula&ccedil;&atilde;o adultas (% pessoas de 18 anos ou mais com ensino fundamental completo) e o fluxo escolar da popula&ccedil;&atilde;o jovem (% crian&ccedil;as e jovens que frequentam escola na s&eacute;rie correspondente); Dimens&atilde;o renda: renda municipal <i>per capita</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Para um debate completo sobre as vantagens e desvantagens do IDH e IDH-M, ver Guimar&atilde;es e Jannuzzi (2005) e Barretos e Jannuzzi (2012).</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Os valores do IDH-M variam entre 0 e 1, apresentando as seguintes faixas de desenvolvimento humano: 1) 0,000 a 0,499 (muito baixo); 2) 0,500 a 0,599 (baixo); 3) 0,600 a 0,699 (m&eacute;dio); 4) 0,700 a 0,799 (alto); 5) 0,800 e mais (muito alto).</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Um balan&ccedil;o sobre o debate pode ser encontrado em Siqueira (2003).</p>     ]]></body>
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