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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Programa de Aquisição de Alimentos - PAA: implicações socioeconômicas junto aos agricultores familiares da comunidade de Matinha - zona rural de São Luís]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Food Acquisition Program - PAA: socioeconomic implications farmers in the community of Matinha - São Luís]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents the construction of the PAA in the context of the public policies of food and nutritional security for family agriculture in the Lula and Dilma governments (2003 to 2014) and the socioeconomic insertion (organization and productive activities) Matinha - Maracanã, located in the rural area of São Luís. This is a reflection that aim to examine the socioeconomic implications of this program on the productive activities of the family farmers of Matinha. It also shows how these farmers recognize themselves in the marketing process, the changes in the productive units regarding the resumption and expansion of traditional crops and the diversification of production.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos - PAA: implica&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas junto aos agricultores familiares da comunidade de Matinha - zona rural de S&atilde;o Lu&iacute;s</b></p>     <p><b>The Food Acquisition Program - PAA: socioeconomic implications farmers in the community of Matinha - S&atilde;o Lu&iacute;s</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Correa, Bianca</b><sup>1</sup><b>; Barbosa, Zulene</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>PPDSR, Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Estadual do Maranh&atilde;o; Cidade Universit&aacute;ria Paulo VI &ndash; s/n- Tirirical-C. P. 09-CEP. 65055-970- S&atilde;o Lu&iacute;s- Maranh&atilde;o, Brasil; <a href="mailto:biancasampaio-c@hotmail.com">biancasampaio-c@hotmail.com</a>; <a href="mailto:zulene.mb@uol.com.br">zulene.mb@uol.com.br</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este trabalho apresenta como se deu a constru&ccedil;&atilde;o do PAA no &acirc;mbito das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de seguran&ccedil;a alimentar e nutricional para a agricultura familiar nos governos Lula e Dilma (2003 a 2014) e a inser&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica (organiza&ccedil;&atilde;o e as atividades produtivas), dos agricultores familiares de Matinha &ndash; Maracan&atilde;, localizada na zona rural de S&atilde;o Lu&iacute;s. Trata-se de uma reflex&atilde;o cujo objetivo consiste em examinar quais as implica&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas deste programa sobre as atividades produtivas dos agricultores familiares de Matinha.&nbsp; Apresenta ainda como esses agricultores se reconhecem no processo de comercializa&ccedil;&atilde;o, as modifica&ccedil;&otilde;es registradas nas unidades produtivas quanto &agrave; retomada e amplia&ccedil;&atilde;o dos cultivos tradicionais e na diversifica&ccedil;&atilde;o produtiva.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Agricultura Familiar. Seguran&ccedil;a Alimentar. PAA. Estado. Desenvolvimento local.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper presents the construction of the PAA in the context of the public policies of food and nutritional security for family agriculture in the Lula and Dilma governments (2003 to 2014) and the socioeconomic insertion (organization and productive activities) Matinha - Maracan&atilde;, located in the rural area of S&atilde;o Lu&iacute;s. This is a reflection that aim to examine the socioeconomic implications of this program on the productive activities of the family farmers of Matinha. It also shows how these farmers recognize themselves in the marketing process, the changes in the productive units regarding the resumption and expansion of traditional crops and the diversification of production.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords: </b>Family farming. Food Safety. PAA. State. Local development.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.&nbsp;Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este texto apresenta um debate a respeito do problema alimentar no mundo em que est&atilde;o envolvidas, pelo menos, duas grandes dimens&otilde;es, ambas compreendendo consider&aacute;vel leque de aspectos: uma &eacute; aquela em que se procura reconhecer a alimenta&ccedil;&atilde;o como um direito natural e inalien&aacute;vel do indiv&iacute;duo; a outra dimens&atilde;o &eacute; a que discute como garantir esse direito, como fazer com que as pessoas tenham acesso aos alimentos, ou seja, a dimens&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar e nutricional.</p>     <p>Nesta perspectiva, vale ressaltar a situa&ccedil;&atilde;o do Estado do Maranh&atilde;o quanto &agrave; seguran&ccedil;a alimentar que, segundo os dados do PNAD (2004 e 2009), permite comparar a evolu&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o do Maranh&atilde;o, nesse campo, com a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil e das Grandes Regi&otilde;es. A pesquisa demonstrou que, no Brasil, em 2004, 34,9% dos domic&iacute;lios (18,0 milh&otilde;es de domic&iacute;lios) possu&iacute;am pelo menos um morador em situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a alimentar, mas no Nordeste o percentual era de 53,6% (7,1 milh&otilde;es) e, no Maranh&atilde;o chegava a 69,1% (987 mil). Em 2009, em termos percentuais, todas as esferas de an&aacute;lises apresentaram redu&ccedil;&atilde;o no percentual de domic&iacute;lios com inseguran&ccedil;a alimentar, mas o Estado do Maranh&atilde;o mostrou a menor intensidade na redu&ccedil;&atilde;o, chegando, inclusive, em termos absolutos, a aumentar o total de domic&iacute;lios com pelo menos um morador em situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a alimentar grave. Em 2009, o percentual de domic&iacute;lios em situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a alimentar no Brasil era de 30,2% (1,1 milh&atilde;o); no Nordeste, o percentual era de 46,1% (7,1 milh&otilde;es) e, no Maranh&atilde;o eram 64,6% (1,7 milh&otilde;es).</p>     <p>Dessa forma, na &uacute;ltima d&eacute;cada, estados e munic&iacute;pios t&ecirc;m trabalhado com modelos estruturantes pautados nos conceitos de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional como eixos estrat&eacute;gicos de desenvolvimento com inclus&atilde;o social. Nessas proposi&ccedil;&otilde;es das pol&iacute;ticas alimentares brasileiras, alguns programas passam a ser vistos como possibilidade de concretiza&ccedil;&atilde;o dessas mudan&ccedil;as, como por exemplo, o Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos (PAA).</p>     <p>O instrumental metodol&oacute;gico da pesquisa contemplou o uso de t&eacute;cnicas de investiga&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter qualitativo. Desse modo, a busca pelas respostas aos questionamentos suscitados iniciou-se a partir do levantamento bibliogr&aacute;fico (campo te&oacute;rico e conceitual), que norteou a an&aacute;lise para compreender cientificamente a realidade. A partir da constru&ccedil;&atilde;o de um arcabou&ccedil;o te&oacute;rico, que possibilitou analisar e refletir acerca da realidade da comunidade de Matinha, buscou-se fontes secund&aacute;rias produzidas pelos institutos de pesquisa, a exemplo do Instituto Maranhense de Estudos Socioecon&ocirc;micos e Cartogr&aacute;ficos - IMESC e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica - IBGE; monografias, disserta&ccedil;&otilde;es e teses; artigos e dados dos &oacute;rg&atilde;os oficiais como o Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome &ndash; MDS, dados da Companhia Nacional de Abastecimento e da Secretaria Municipal de Seguran&ccedil;a Alimentar- SEMSA.</p>     <p>Al&eacute;m das fontes secund&aacute;rias o estudo considerou fontes prim&aacute;rias que se originaram da observa&ccedil;&atilde;o <i>in loco,</i> a&ccedil;&atilde;o de grande import&acirc;ncia para perceber a realidade para al&eacute;m dos relat&oacute;rios e estat&iacute;sticas apresentados tanto pelos &oacute;rg&atilde;os oficiais, como pelos sujeitos sociais envolvidos no PAA. Nesse sentido, privilegiou-se a t&eacute;cnica da entrevista, tendo sido considerada fundamental para analisar as diferentes perspectivas da comunidade de Matinha e o poder local que a comunidade busca construir.</p>     <p>No entanto, objetiva-se analisar quais as implica&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas do PAA sobre as atividades produtivas dos agricultores familiares da comunidade de Matinha a fim de identifica-los como se reconhecem no processo de comercializa&ccedil;&atilde;o concernente ao referido programa, identificar quais as modifica&ccedil;&otilde;es nas unidades produtivas quanto &agrave; retomada e amplia&ccedil;&atilde;o dos cultivos tradicionais e a diversifica&ccedil;&atilde;o produtiva e ainda quais as tend&ecirc;ncias do PAA quanto a novas perspectivas para o desenvolvimento da atividade agr&iacute;cola.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. O </b><b>PAA no contexto dos governos Lula e Dilma</b></p>     <p>Na primeira metade do s&eacute;culo XX, surgiram os primeiros debates a respeito da fome no Brasil. Os estudos do m&eacute;dico, ge&oacute;grafo e historiador pernambucano Josu&eacute; de Castro, mas especificamente em seu livro &ldquo;A Geopol&iacute;tica da Fome&rdquo;, coloca a fome como um fen&ocirc;meno geogr&aacute;fico universal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contemporaneamente, foi em 1986 que a seguran&ccedil;a alimentar apareceu como objetivo que define as a&ccedil;&otilde;es de uma pol&iacute;tica de abastecimento alimentar. No final da d&eacute;cada de 1980, a abertura comercial, com o predom&iacute;nio de pol&iacute;ticas neoliberais voltadas para a estabiliza&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria aumentou as desigualdades sociais.</p>     <p>No Brasil, ainda que rec&eacute;m-sa&iacute;do do Mapa da fome, existem cerca de 23 milh&otilde;es de brasileiros desnutridos FAO (Paulillo, 2002). Mesmo com a suficiente oferta de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos nos pa&iacute;ses desenvolvidos, a fome ainda persiste em v&aacute;rios lugares do mundo. O Brasil, por exemplo, desde os anos 1970, mesmo com sucessivos recordes de safra, a desigualdade social n&atilde;o diminuiu, ao contr&aacute;rio, s&oacute; aumentou. No caso da desigualdade de renda, em 2000 a dist&acirc;ncia entre a renda dos 20% mais pobres e dos 20% mais ricos do Brasil foi de 33 vezes, segundo o IPEA (Istituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas e Aplicadas).&nbsp; Os 20% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira mais pobre recebem apena 2% da renda, segundo o Banco Mundial. Como compara&ccedil;&atilde;o, o percentual &eacute; de 3,1% na Argentina e de 4% na Bol&iacute;via.</p>     <p>O problema da fome no Brasil passou para a agenda p&uacute;blica a partir de 2003, vinculada ao modelo econ&ocirc;mico vigente atrelado ao poder aquisitivo de compra dos alimentos e n&atilde;o necessariamente &agrave; falta de alimentos. Neste contexto, o Programa Fome Zero come&ccedil;ou a ser delineado como parte de uma Pol&iacute;tica de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional para a popula&ccedil;&atilde;o brasileira, cujo princpial objetivo &eacute; a garantia do direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, que deve ser assegurado pelo Estado.</p>     <p>Logo, neste contexto da pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a alimentar, o Programa Fome Zero pode ser apontado como o grande marco atrav&eacute;s do qual se aglutina um conjunto de programas de interven&ccedil;&atilde;o, tanto de car&aacute;ter imediato quanto de natureza estrutural, implementados por meio de instrumentos de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como o PAA. Dessa forma, o PAA &ndash; Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos, n&atilde;o emerge sozinho, mas articulado em um conjunto, como um dos bra&ccedil;os de for&ccedil;a da macroestrutura de amparo e reestrutura&ccedil;&atilde;o social denominada Fome Zero e concebido como estrat&eacute;gia do governo federal referente ao mercado institucional de alimentos. O PAA, al&eacute;m da articula&ccedil;&atilde;o entre produ&ccedil;&atilde;o, comercializa&ccedil;&atilde;o e consumo possui uma filosofia que indica claramente a quem deve ser estendido as a&ccedil;&otilde;es de amparo, ou seja, &agrave;quelas fam&iacute;lias que ainda s&atilde;o atingidas pela fome, em maior ou menor grau. Observa-se que um dos requisitos para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos direcionada &agrave; parcela da popula&ccedil;&atilde;o em estado de inseguran&ccedil;a alimentar &eacute; que esta a&ccedil;&atilde;o promova a inclus&atilde;o social, favorecendo os agricultores ainda n&atilde;o totalmente inclu&iacute;dos no sistema produtivo.</p>     <p>Garantir acesso aos alimentos &eacute; a primeira assertiva e remete &agrave; filosofia de todo o programa Fome Zero. Corroborando com esta afirmativa, o PAA promove a inclus&atilde;o social no campo, o que &eacute; feito por meio do fortalecimento da agricultura familiar. Dessa forma, o Programa objetiva acelerar o rompimento do ciclo da pobreza no espa&ccedil;o rural, onde os agricultores, sem condi&ccedil;&otilde;es de comercializar, n&atilde;o produzem o suficiente e, consequentemente n&atilde;o t&ecirc;m como escoar a produ&ccedil;&atilde;o a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1. O PAA como pol&iacute;tica p&uacute;blica de fortalecimento da agricultura familiar</b></p>     <p>Como pol&iacute;tica p&uacute;blica, o Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos &ndash; PAA resultou de dois importantes debates concretizados na d&eacute;cada de 1990: a seguran&ccedil;a alimentar e nutricional e o reconhecimento por parte do governo federal da necessidade de fortalecer a agricultura familiar com base no Pronaf (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Esquecida na d&eacute;cada neoliberal, esta proposta encontrou novos espa&ccedil;os durante o governo Lula em 2003, sendo uma das a&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;das na estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional (SAN), articulada ao Programa Fome Zero. Este programa foi institu&iacute;do pela Lei N&ordm; 10.696, de 2 de julho de 2003, regulamentada pelo Decreto N&ordm; 4.772 de 2 de julho de 2003, alterado pelo Decreto N&ordm; 5.783, de 15 de agosto de 2006. O PAA apresenta-se em cinco modalidades, destacadas no <a href="#t1">quadro 1</a> a seguir:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a07t1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Dados recentes da CONAB (2017) apontam que o total de recursos provenientes do SEAD/MDS - Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (SEAD) e do Minist&eacute;rio de Desenvolvimento Social, repassados em 2016, totalizou R$ 201.315.754,82. Esse recurso foi distribu&iacute;do entre as modalidades Compra com Doa&ccedil;&atilde;o Simult&acirc;nea &ndash; CDS (R$ 183,9 milh&otilde;es), Aquisi&ccedil;&atilde;o de Sementes (R$ 4 milh&otilde;es), Apoio &agrave; Forma&ccedil;&atilde;o de Estoques pela Agricultura Familiar &ndash; CPR Estoque (R$ 9,5 milh&otilde;es) e recursos que envolvem a operacionaliza&ccedil;&atilde;o do Programa (R$ 2,7 milh&otilde;es), al&eacute;m das despesas com impostos. Os valores utilizados nas modalidades operacionalizadas pela CONAB possibilitaram a comercializa&ccedil;&atilde;o de 88.120 toneladas de alimentos produzidos por 29.318 agricultores familiares organizados em Cooperativas ou Associa&ccedil;&otilde;es que apresentaram 845 projetos.</p>     <p>O Gr&aacute;fico a seguir permite comparar a evolu&ccedil;&atilde;o dos investimentos feitos nas modalidades do PAA no per&iacute;odo de 2009 a 2016.</p>     <p>Os dados do <a href="#g1">gr&aacute;fico 1</a> demonstram que o melhor desempenho do PAA em 2016 est&aacute; concentrado na modalidade Compra com Doa&ccedil;&atilde;o Simult&acirc;nea, operacionalizado com recursos do MDS. O &ecirc;xito dessa modalidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demais se deve ao seu desenho e &agrave;s suas caracter&iacute;sticas, ao possibilitar a comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos caracter&iacute;sticos da agricultura familiar, como hortali&ccedil;as, frutas, doces, biscoitos caseiros, dentre outros, que s&atilde;o adquiridos por meio de Organiza&ccedil;&otilde;es Fornecedoras e entregues &agrave;s Unidades Recebedoras (CONAB, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a07g1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Segundo os dados do documento do estado pode-se verificar a evolu&ccedil;&atilde;o do PAA no per&iacute;odo de 2012 a 2016, conforme demonstra o <a href="#t2">quadro 2</a>:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a07t2.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A partir desses dados verificou-se que houve um aumento do recurso aplicado no PAA e n&uacute;mero de agricultores familiares atendidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. O PAA como instrumento de desenvolvimento local &nbsp;</b></p>     <p>Sabe-se que a agricultura familiar &eacute; essencial para o desenvolvimento econ&ocirc;mico das pequenas e m&eacute;dias cidades brasileiras. Logo, as interven&ccedil;&otilde;es do Estado para a melhoria da agricultura familiar, como foi o caso da cria&ccedil;&atilde;o do Pronaf e demais a&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas, &eacute; de grande import&acirc;ncia. Sobre este tema, Brose (1999) afirma que o desenvolvimento local, baseado na agricultura familiar, depende fundamentalmente da interven&ccedil;&atilde;o estatal regulando as assimetrias do mercado atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Se deixada &agrave; pr&oacute;pria sorte frente &agrave;s for&ccedil;as do mercado, a agricultura familiar se transforma em alvo f&aacute;cil de monop&oacute;lios e intermedi&aacute;rios que se apropriam do valor agregado da produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Cabe destacar, a natureza de classe do Estado, que interv&eacute;m atrav&eacute;s da elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como &eacute; o caso do PAA no intuito de fotalecer a agricultura familiar. Segundo Poulantzas (1977), o Estado capitalista ao exercer a sua domina&ccedil;&atilde;o de classe, n&atilde;o o faz sempre do mesmo modo, assumindo formas pol&iacute;ticas particulares correspondentes a modos distintos de organiza&ccedil;&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o de classe.&nbsp; Para o autor, uma fun&ccedil;&atilde;o prec&iacute;pua do Estado capitalista &eacute; criar as condi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dico-pol&iacute;ticas adequadas necess&aacute;rias &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o capitalistas, o que faz na medida em que desempenha uma dupla fun&ccedil;&atilde;o: a) individualiza os agentes de produ&ccedil;&atilde;o mediante a sua convers&atilde;o em pessoas jur&iacute;dicas, em sujeitos individuais; b) neutraliza a tend&ecirc;ncia &agrave; a&ccedil;&atilde;o coletiva decorrente do car&aacute;ter socializado do processo de trabalho determinando, desse modo, a predomin&acirc;ncia no produtor direto, a tend&ecirc;ncia ao isolamento decorrente do car&aacute;ter privado assumido pelos trabalhos nesse processo. Este tipo de Estado, ao ocultar o seu car&aacute;ter de classe, apresenta-se como a,</p>     <blockquote>     <p>... encarna&ccedil;&atilde;o da vontade popular do povo na&ccedil;&atilde;o, sendo este institucionalmente fixado como conjunto de cidad&atilde;os, indiv&iacute;duos, cuja unidade o Estado capitalista representa e que tem como substrato real o efeito de isolamento que as rela&ccedil;&otilde;es sociais econ&ocirc;micas do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista manifestam. (POULANTZAS, 1977, p. 129)</p> </blockquote>     <p>Trata-se de perceber o car&aacute;ter de classe do Estado, apreendendo-o teoricamente a partir dos v&iacute;nculos que ele mant&eacute;m com as rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, o que implica, no limite, compreed&ecirc;-lo como um Estado que &eacute; classista sem, contudo, inscrever explicitamente este car&aacute;ter em sua estrutura e t&atilde;o pouco ser necessariamente controlado de modo direto por qualquer classe social (ALMEIDA, 2009).</p>     <p>A perspectiva aqui &eacute; localizar a a&ccedil;&atilde;o do Estado no local como parte do espa&ccedil;o regional, mas que tamb&eacute;m se articula com outras escalas como a transnacional. Existe, pois, quando se pensa o desenvolvimento s&oacute;cio espacial regional a necessidade de compreender os processos sociais que se articulam a partir do local. No caso do PAA, os governos locais assumem um papel importante na implementa&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas apesar destas serem formuladas no &acirc;mbito do governo federal, cabendo ao local propriamente a sua execu&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Feitosa (2011) nos &uacute;ltimos anos as pol&iacute;ticas de desenvolvimento local t&ecirc;m assumido um papel de destaque na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento econ&ocirc;mico em decorr&ecirc;ncias das transforma&ccedil;&otilde;es nos processos produtivos.</p>     <p>Levando-se em conta as especificidades das diferentes realidades, o conceito de desenvolvimento passou por v&aacute;rios questionamentos, que trouxeram alternativas a ele pr&oacute;prio &ndash; nesse caso, o desenvolvimento local<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>. No atual contexto do neoliberalismo a partir dos anos 1990 outras concep&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento emergem, entre elas a de desenvolvimento local. Para muitos estudiosos surgem da&iacute; outras alternativas ao desenvolvimento, que, para Franco (2002), tiveram seus primeiros sinais no final dos anos 1980, quando as pessoas come&ccedil;aram a questionar o mito do primado econ&ocirc;mico e quando se estabeleceu um novo padr&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o estado-sociedade.</p>     <p>Nesse momento, a&ccedil;&otilde;es e projetos relacionados ao combate &agrave; pobreza rural e &agrave; desigualdade social, implementados principalmente por entidades n&atilde;o governamentais e governos municipais ou em parcerias com programas federais, s&atilde;o impulsionados a partir da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, na perspectiva de descentraliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nesse sentido v&aacute;rias pol&iacute;ticas associadas ao discurso de desenvolvimento local, a exemplo da cria&ccedil;&atilde;o dos Territ&oacute;rios da Cidadania no Brasil associada &agrave; ideia de fortalecimento das potencialidades entre munic&iacute;pios vizinhos, com caracter&iacute;sticas semelhantes, onde s&atilde;o estabelecidas discuss&otilde;es com diversos segmentos sociais, elegendo-se prioridades para a&ccedil;&otilde;es e projetos.</p>     <p>Nesta perspectiva, ao tratarmos de desenvolvimento local, referimo-nos n&atilde;o s&oacute; ao desenvolvimento econ&ocirc;mico, mas tamb&eacute;m ao desenvolvimento social e sustent&aacute;vel ambientalmente. Por isso, &eacute; preciso realizar investimentos em capital humano, social e natural, al&eacute;m daqueles correspondentes ao capital econ&ocirc;mico e financeiro. O enfoque do desenvolvimento local para alguns autores possui uma vis&atilde;o integrada dessas dimens&otilde;es, a partir de um desenho que &eacute; realizado nos pr&oacute;prios territ&oacute;rios e com a efetiva participa&ccedil;&atilde;o dos atores locais.</p>     <p>Entretanto, como defende Lemos e Lima (2014) para que essas estrat&eacute;gias estejam inseridas na perspectiva do desenvolvimento local, &eacute; necess&aacute;rio que, al&eacute;m de considerar as especificidades territoriais, econ&ocirc;micas e de produ&ccedil;&atilde;o, leve-se em conta a motiva&ccedil;&atilde;o conjunta que inclua o respeito &agrave;s diferen&ccedil;as sociais e culturais e que tenha como foco o processo participativo.</p>     <p>O desenvolvimento local seria, nesse sentido, um exerc&iacute;cio de cidadania, n&atilde;o se restringindo ao atendimento das demandas sociais b&aacute;sicas. Ele visa a gera&ccedil;&atilde;o de renda e a diminui&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais, transformando as dificuldades e os obst&aacute;culos em oportunidades (Campanhola e Silva, 2000).&nbsp; Foi isso que se levou a refletir sobre o desenvolvimento local. Nas entrevistas realizadas na comunidade de Matinha, quanto &agrave; inclus&atilde;o produtiva grande parte dos agricultores relataram que o PAA possibilitou aumentar a quantidade da produ&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o tenha havido a diversifica&ccedil;&atilde;o dos produtos&nbsp;</p>     <p>O cen&aacute;rio em foco explicitou que o desempenho na unidade de produ&ccedil;&atilde;o dos agricultores familiares n&atilde;o subtraiu a quantidade da produ&ccedil;&atilde;o, mas proporcionou o aumento desta, o que se incorpora &agrave; an&aacute;lise de Chayanov (1974), de que a administra&ccedil;&atilde;o do trabalho e tamanho da &aacute;rea utilizada pelo agricultor deve ser determinada pela necessidade da fam&iacute;lia, logo a satisfa&ccedil;&atilde;o deve ser limitada pelo trabalho desprendido na produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O PAA, segundo relato possibilitou ampliar as rela&ccedil;&otilde;es para fora da comunidade como para feiras livres local onde tamb&eacute;m os agricultores comercializam seus produtos. Estas, antes identificadas a um modelo arcaico de rela&ccedil;&otilde;es mercantis cuja extin&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel dependeria do ritmo de expans&atilde;o das grandes redes varejistas, atualmente&nbsp; voltam a ocupar os espa&ccedil;os p&uacute;blicos de in&uacute;meras cidades.</p>     <p>A partir do referencial anal&iacute;tico da teoria do desenvolvimento local e dos relatos de campo, no in&iacute;cio a implementa&ccedil;&atilde;o do PAA significou para os agricultores o alcance de uma situa&ccedil;&atilde;o (provis&oacute;ria) com um certo &ldquo;empoderamento&rdquo;, visto que, em fun&ccedil;&atilde;o de estarem organizados, puderam ter acesso aos recursos dos programas e passaram a vender a sua produ&ccedil;&atilde;o por um pre&ccedil;o justo. Com isso, pode-se afirmar que eles passaram a deter um certo &ldquo;poder&rdquo; no tocante &agrave; supera&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais de explora&ccedil;&atilde;o a que estavam submetidos no processo de comercializa&ccedil;&atilde;o com os atravessadores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, tendo em vista que o programa visa fortalecer a agricultura familiar, a partir da &ldquo;Inclus&atilde;o produtiva&rdquo;, vale ressaltar que a &ldquo;inclus&atilde;o produtiva&rdquo; se tornou um mantra para a a&ccedil;&atilde;o do Estado e da pr&oacute;pria sociedade civil organizada. Mas esta express&atilde;o gen&eacute;rica assume significados distintos, na decorr&ecirc;ncia dos desacordos sobre o espa&ccedil;o de manobra e as alternativas que existem para os &ldquo;pobres rurais&rdquo; (Nierdele 2017). A autora enfatiza que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas incorporaram a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;inclus&atilde;o produtiva&rdquo; e as contradi&ccedil;&otilde;es que ela suscita: Pronaf, Bolsa Fam&iacute;lia, Pronatec, Luz para Todos, PAA, Plano Brasil Sem Mis&eacute;ria. Afirma serem estes programas uma refer&ecirc;ncia para a inclus&atilde;o produtiva, dito de outro modo, parece fazer desta no&ccedil;&atilde;o, a express&atilde;o de um entendimento comum sobre a forma e o conte&uacute;do da a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>Segundo Nierdele (2017), a pol&iacute;tica de desenvolvimento territorial (PRONAT-PTC) &eacute; um exemplo forte que refor&ccedil;a a inclus&atilde;o produtiva como estrat&eacute;gia voltada para os agricultores pobres. Por outro lado, revela como o termo comporta uma pluralidade de significados, que respondem a distintos referenciais de desenvolvimento.</p>     <blockquote>     <p>Enquanto alguns se associam a uma l&oacute;gica modernizante centrada na capacidade dos agricultores em oferecer respostas produtivas convencionais (apostando na melhoria da capacidade tecnol&oacute;gica e empreendedora de um agricultor profissionalizado), outros sustentam experi&ecirc;ncias alternativas que sugerem a emerg&ecirc;ncia de um novo rural multifuncional e p&oacute;s-produtivista (NIERDELE, 2017, p. 170).</p> </blockquote>     <p>A inclus&atilde;o produtiva se tornou assim uma esp&eacute;cie de plano-padr&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica na luta para superar a mis&eacute;ria, assegurar a renda, sustentar os n&iacute;veis de emprego, fortalecer as comunidades, reduzir o peso das pol&iacute;ticas sociais, e at&eacute; salvar os recursos naturais de um suposto (e critic&aacute;vel) &ldquo;c&iacute;rculo vicioso da pobreza&rdquo;. Assim, a inclus&atilde;o produtiva tornou-se a express&atilde;o de como algumas sociedades modernas, organizadas pela &eacute;tica do &ldquo;trabalho eficaz&rdquo;, defiram a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima para a inser&ccedil;&atilde;o social dos seus indiv&iacute;duos.</p>     <p>Constata-se, portanto, que s&atilde;o diversas as defini&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento local. Mas em sua maioria incorporam a ideia comum de que este tipo de desenvolvimento n&atilde;o se restringe &agrave; no&ccedil;&atilde;o de crescimento econ&ocirc;mico e que o local n&atilde;o &eacute; um mero espa&ccedil;o f&iacute;sico, mas, ao contr&aacute;rio, ele &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social &ndash; condicionador e condicionado por e a partir das a&ccedil;&otilde;es dos seus atores e comunidades.&nbsp;&nbsp;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>2.3. A Modalidade de compra e doa&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea em S&atilde;o Lu&iacute;s: media&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-institucionais </b></p>     <p>A modalidade compra e doa&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea estabelece uma intr&iacute;nseca rela&ccedil;&atilde;o entre produ&ccedil;&atilde;o, compra e consumo efetivada por meio da SEMSA (Secretaria de Seguran&ccedil;a Alimentar), a qual compra os alimentos dos agricultores e os doa para as fam&iacute;lias de baixa renda atendida nos CRAS de v&aacute;rios bairros de S&atilde;o Lu&iacute;s. Como afirmara Marx (2008) a produ&ccedil;&atilde;o sempre aparece como o ponto inicial e o consumo, como ponto final; a distribui&ccedil;&atilde;o e a troca aparecem como o centro, que por isso mesmo &eacute; d&uacute;plice, j&aacute; que a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; determinada como momento que emana da sociedade e a troca como momento que emana dos indiv&iacute;duos.&nbsp;</p>     <p>Sob a perspectiva da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, algumas estrat&eacute;gias como os circuitos locais de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos s&atilde;o capazes de viabilizar a reconex&atilde;o (produ&ccedil;&atilde;o-consumo) sob outra racionalidade produtiva a exemplos da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos org&acirc;nicos ou agroecol&oacute;gicos fomentados pela interven&ccedil;&atilde;o do Estado &ndash; mediante programas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &ndash; como o PAA (Bezerra e Schneider, 2012). Desse modo, a circula&ccedil;&atilde;o, seja na produ&ccedil;&atilde;o, seja no consumo de alimentos no &acirc;mbito local, potencializa ou oportuniza, tamb&eacute;m, outras rela&ccedil;&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas e alimentares que v&atilde;o al&eacute;m da simples resist&ecirc;ncia ao processo de desconex&atilde;o do sistema agroalimentar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O PAA ao articular a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos ao consumo local, respeitando a sazonalidade, a proximidade, os atributos de qualidade, o saber-fazer local, a diferencia&ccedil;&atilde;o etc. contrap&otilde;e-se ao modelo de produ&ccedil;&atilde;o assentado em grandes corpora&ccedil;&otilde;es, que valoriza a dist&acirc;ncia, a padroniza&ccedil;&atilde;o, a durabilidade dos produtos, a impessoalidade e subordina o tempo e o lugar &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o de capital (Triches, Froehlich, 2008). Sobretudo na modalidade de "Compra para Doa&ccedil;&atilde;o Simult&acirc;nea", produtores e consumidores encontram-se articulados e compreendem a import&acirc;ncia que um tem para o outro.</p>     <p>Schmitt (2005) chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que o PAA sinaliza um novo est&aacute;gio no que se refere &agrave;s pol&iacute;ticas de fortalecimento da agricultura familiar, sobretudo porque atua na comercializa&ccedil;&atilde;o dos produtos desta categoria social.</p>     <p>Al&eacute;m da garantia de mercado, o programa apresenta outras contribui&ccedil;&otilde;es. Como citam Delgado et al. (2005), este tem colaborado para a recupera&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os regionais havendo casos em que o simples an&uacute;ncio da compra p&uacute;blica de dado produto &eacute; suficiente para elevar a sua cota&ccedil;&atilde;o. Em algumas situa&ccedil;&otilde;es, o mercado local absorve a produ&ccedil;&atilde;o antes mesmo das compras p&uacute;blicas serem efetuadas, dispensando a efetiva&ccedil;&atilde;o das mesmas (caso das compras para a forma&ccedil;&atilde;o de estoques). Isso contribui para a autonomia dos agricultores em rela&ccedil;&atilde;o aos "atravessadores"/"intermedi&aacute;rios&rdquo; ao assegurar a media&ccedil;&atilde;o entre consumo e produ&ccedil;&atilde;o. Ou seja, para os agricultores de Matinha, a rela&ccedil;&atilde;o institucional que estabelecem com a SEMSA tem contribu&iacute;do com fam&iacute;lias, principalmente na quest&atilde;o da log&iacute;stica de entrega de alimentos, pois estas fam&iacute;lias n&atilde;o precisam fazer a entrega dos produtos ponto a ponto conforme pode ser observado em entrevista realizada com umas das agricultoras cadastradas no PAA: &ldquo;<i>A gente n&atilde;o precisa de atravessador, a gente passa os produtos por um pre&ccedil;o justo e sem contar que incentiva tamb&eacute;m a produ&ccedil;&atilde;o coisa que ficou extinta durante muitos anos aqui no Brasil, a quest&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp; (</i>Entrevista, a1, 2017).</p>     <p>Outra quest&atilde;o que facilita a comercializa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o na comunidade &eacute; a adequa&ccedil;&atilde;o dos produtos para a entrega, quanto &agrave; embalagem, rotulagem e adequa&ccedil;&atilde;o dos alimentos conforme a demanda. Na comunidade de Matinha os agricultores entregam os seus produtos na Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores e Produtores Rurais (central de recebimento dos alimentos n&atilde;o s&oacute; dos agricultores desta comunidade, mas de outras como Laranjeiras) e a SEMSA faz o processo de embalagem das cestas de alimentos para a entrega aos beneficiados consumidores &ndash; as fam&iacute;lias de baixa renda.</p>     <p>A Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores &eacute; o local da organiza&ccedil;&atilde;o coletiva dos agricultores &ndash; onde ocorre a entrega dos alimentos que ser&atilde;o destinados ao PAA nas seguintes etapas: primeiro faz-se a embalagem dos alimentos, depois os alimentos s&atilde;o pesados para ent&atilde;o serem distribu&iacute;dos. As <a href="#f1">figuras</a> abaixo demostram este processo de operacionaliza&ccedil;&atilde;o do PAA na associa&ccedil;&atilde;o de moradores dos produtores rurais de Matinha.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a07f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a07f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existe ainda rela&ccedil;&atilde;o institucional com refer&ecirc;ncia &agrave; parte fiscal e a outras atividades burocr&aacute;ticas que envolvem a comercializa&ccedil;&atilde;o desses alimentos. A Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores da Comunidade de Matinha se torna um instrumento de di&aacute;logo entre os agricultores familiares e os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, facilitando a din&acirc;mica da comercializa&ccedil;&atilde;o. Nesse processo alguns profissionais atuam diretamente no contato com as prefeituras e o &oacute;rg&atilde;o do estado, elaborando os projetos e adequando a comercializa&ccedil;&atilde;o conforme a demanda apresentada.</p>     <p>No caso do processo de comercializa&ccedil;&atilde;o dos alimentos com a prefeitura existe um Termo de Recebimento e conforme afirma o coordenador log&iacute;stico do PAA, o Senhor Marcos Vin&iacute;cius dos Anjos, este termo funciona como nota fiscal. Na SEMSA as informa&ccedil;&otilde;es referentes aos agricultores e alimentos s&atilde;o lan&ccedil;adas no sistema do governo federal e depois &eacute; emitida uma nota fiscal da Secretaria da Fazenda para ent&atilde;o liberar o pagamento aos agricultores. Este termo de recebimento &eacute; necess&aacute;rio para que o agricultor entregue seus alimentos e tamb&eacute;m possa receber o pagamento.</p>     <p>Quanto &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o dos agricultores para a entrega dos alimentos a Senhora Maria da Concei&ccedil;&atilde;o Almeida relata que antes do programa, existia a associa&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m n&atilde;o havia uma organiza&ccedil;&atilde;o para a comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos. A SEMSA ao estipular um limite de produtos a ser entregue, uma vez por semana, estimulou uma maior organiza&ccedil;&atilde;o desses agricultores no processo de comercializa&ccedil;&atilde;o dos seus produtos.</p>     <p>Cabe ressaltar que o Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos foi criado no munic&iacute;pio de S&atilde;o Lu&iacute;s em 2013, por meio do termo de ades&atilde;o N&ordm; 0526/2013, com a participa&ccedil;&atilde;o do Estado do Maranh&atilde;o e do governo federal para aux&iacute;lio na execu&ccedil;&atilde;o do programa. O munic&iacute;pio executa o programa de acordo com as modalidades e metas pactuadas por meio de Planos Operacionais.</p>     <p>O Programa conta ainda com a SEMAPA (Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento) para a sua execu&ccedil;&atilde;o. De acordo com informa&ccedil;&otilde;es disponibilizadas pela SEMSA, o PAA em S&atilde;o Lu&iacute;s &eacute; implementado na Modalidade Doa&ccedil;&atilde;o Simult&acirc;nea, sendo&nbsp; responsabilidade da SEMAPA o cadastramento dos produtores, a garantia da assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e a realiza&ccedil;&atilde;o do monitoramento das etapas de produ&ccedil;&atilde;o e certifica&ccedil;&atilde;o de atestado de qualidade dos produtos.</p>     <p>J&aacute; &agrave; SEMSA cabe a gest&atilde;o, o recebimento e distribui&ccedil;&atilde;o dos alimentos, al&eacute;m da presta&ccedil;&atilde;o de contas dos produtos junto ao Minist&eacute;rio de Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome &ndash; MDS. Nesta modalidade Doa&ccedil;&atilde;o Simult&acirc;nea, a SEMSA recebe do pr&oacute;prio produtor os alimentos e entrega ao benefici&aacute;rio, sem necessidade de armazenamento. Os agricultores podem vender, individualmente, at&eacute; R$ 6.500, 00 (seis mil e quinhentos reais) por unidade familiar/ano. O total dos recursos para a primeira etapa foi de R$ 1.650.000, 00.</p>     <p>De acordo com as informa&ccedil;&otilde;es transmitidas pela coordenadora do PAA, na primeira etapa do programa 300 agricultores foram cadastrados e distribu&iacute;dos 377.412 kg de alimentos entre hospitais e associa&ccedil;&otilde;es inscritas nos CRAS, p&uacute;blico beneficiado. Na segunda etapa iniciada em 2017, o valor investido no PAA pelo MDS diminuiu totalizando um valor de 1.155.000,00 reais e 178 agricultores cadastrados, havendo, pois, uma diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de agricultores atendidos. Foi distribu&iacute;do at&eacute; o m&ecirc;s de maio de 2017, o total de 47 toneladas de alimentos, considerando que nesta segunda etapa o p&uacute;blico beneficiado foram apenas os CRAS, totalizando 2.160 fam&iacute;lias, isto &eacute;, 8.640 pessoas aproximadamente.</p>     <p>A coordenadora do PAA nos relatou que, no munic&iacute;pio de S&atilde;o Lu&iacute;s, o PAA est&aacute; vinculado a 20 CRAS nos bairros: Anjo da Guarda, Sol e Mar, Cidade Oper&aacute;ria, Vila Bacanga, Forquilha/Cohab, Anil, Bairro de F&aacute;tima, Centro, Cidade Ol&iacute;mpica, Coroadinho, Estiva, Jana&iacute;na, Jo&atilde;o de Deus, Vila Nova, Vicente Fialho/Vinhais, S&atilde;o Raimundo, S&atilde;o Francisco, Maracan&atilde;, Liberdade, Vila Palmeira/Bequim&atilde;o/Rio Anil. Acrescentou que os agricultores fornecedores dos alimentos a estes CRAS pertencem &agrave;s seguintes comunidades: Matinha, Cassaco, Cajupary, Itapera, Quebra-Pote, Vila Nova Rep&uacute;blica, Laranjeiras, Igara&uacute;, Arraial, Terra do Rumo, Calembe, Coquilho I e II, Tajipuru, S&atilde;o Raimundo do Motor e Mato Grosso.</p>     <p>Observou-se em entrevistas realizadas com os beneficiados do CRAS do Anjo da Guarda que eles veem o Programa como um meio que trouxe mais qualidade de vida no sentido de ajuda-los a consumir alimentos saud&aacute;veis, tendo em vista que os consumidores s&atilde;o pessoas carentes, ou seja, que possuem baixa renda. Todavia, quanto &agrave; entrega dos alimentos uma benefici&aacute;ria consumidora BC1 entrevistada salientou que <i>&ldquo;o Programa &eacute; &oacute;timo! Assim, t&aacute; fazendo um ano que a gente recebeu se fosse uma vez por m&ecirc;s seria melhor n&eacute;&rdquo;. </i>(Entrevista, BC1, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>A luta contra a fome no mundo tem mobilizado diferentes organismos internacionais atrav&eacute;s do tempo. O surgimento da Declara&ccedil;&atilde;o Mundial da Alimenta&ccedil;&atilde;o, em confer&ecirc;ncia realizada em Roma no ano de 1996, coincidiu com um apelo enf&aacute;tico por parte do Diretor Geral da FAO para que se empreendesse uma &ldquo;corrida contra o rel&oacute;gio&rdquo;, a fim de reduzir a metade o n&uacute;mero de desnutridos at&eacute; o ano 2015.</p>     <p>Nesta perspectiva, o Estado tem atuado atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a promo&ccedil;&atilde;o da Seguran&ccedil;a Alimentar e o combate a fome.&nbsp; No Brasil, Fiori (2006) inicia a sua discuss&atilde;o sobre o papel do estado brasileiro atravessando os distintos governos e as suas transforma&ccedil;&otilde;es desde a d&eacute;cada de 1930. O papel do Estado &eacute; colocado como tendo sido fundamental, seja atrav&eacute;s do investimento e da produ&ccedil;&atilde;o direta, seja atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o indireta e financiamento interno e externo. O que Fiori (2006), coloca &eacute; que o Estado teve o papel de aglutinador da acumula&ccedil;&atilde;o industrial no Brasil.</p>     <p>A discuss&atilde;o de Fiori (2006) aborda a quest&atilde;o agr&aacute;ria brasileira, a problem&aacute;tica da (aus&ecirc;ncia de) reforma agr&aacute;ria, a quest&atilde;o do Nordeste e o semi&aacute;rido brasileiro, as popula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas vulner&aacute;veis, o agroneg&oacute;cio e a agricultura familiar (pequena propriedade tradicional), temas abordados intensamente pelo CONSEA. Portanto, o PAA nos reporta &agrave;s discuss&otilde;es relacionadas &agrave; pobreza no Brasil, &agrave; fome, &agrave; disponibilidade de alimentos, &agrave; seguran&ccedil;a alimentar e nutricional e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de comercializa&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar. Outro elemento de discuss&atilde;o questiona a forma como essas pol&iacute;ticas t&ecirc;m contribu&iacute;do para o desenvolvimento local e o papel das institui&ccedil;&otilde;es de Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural no apoio ao segmento populacional da agricultura familiar para que este melhor participe e se beneficie das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</p>     <p>Neste sentido, Tauk Santos (2002,) apud Lemos e Lima (2014), afirma que o desenvolvimento local tem levado a novos arranjos institucionais e ao estabelecimento de parcerias com os atores sociais sendo de responsabilidade da extens&atilde;o rural contempor&acirc;nea o papel de promover a articula&ccedil;&atilde;o entre os atores envolvidos.</p>     <p>Pode-se concluir que em termos percentuais n&atilde;o houve uma grande transforma&ccedil;&atilde;o e que a inseguran&ccedil;a alimentar n&atilde;o pode ser atribu&iacute;da &agrave; falta de alimentos, mas sim &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es que assegurem o seu acesso, seja na forma de programas de transfer&ecirc;ncia de renda, seja via produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para o autoconsumo, tanto no campo quanto na cidade.</p>     <p>No que diz respeito ao objetivo geral deste trabalho, verificou-se que o PAA contribui para o fortalecimento da agricultura a partir do processo de comercializa&ccedil;&atilde;o, em que o agricultor tem para al&eacute;m do mercado livre, como as feiras, por exemplo, a oportunidade de ampliar a sua diversidade e o quantitativo de produ&ccedil;&atilde;o, no caso para o programa, ou seja, para o mercado institucional. Com a venda dos produtos ao mercado institucional os produtos come&ccedil;aram a ser mais conhecidos pela comunidade, de uma maneira geral, o que fez com que novos mercados se abrissem aos agricultores familiares, ampliando, desta forma, os n&iacute;veis de comercializa&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar na comunidade. Por&eacute;m, os limites de valor impostos para a compra dos produtos e a qualidade estabelecida pelo PAA para a comercializa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar foram identificados como os principais gargalos do programa. Apesar dessas limita&ccedil;&otilde;es, verificou-se o grande interesse demonstrado pelos agricultores familiares de Matinha em continuar participando do programa, pois percebem a melhoria da receita familiar desta participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A discuss&atilde;o que se deu na sociedade civil foi amadurecendo e, devido &agrave; caracter&iacute;stica de permeabilidade do estado brasileiro, encontrou no governo sob a presid&ecirc;ncia de Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva espa&ccedil;o para se efetivar em a&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica p&uacute;blica. No caso do PAA, a permeabilidade se deu de forma bastante espec&iacute;fica. Diferentemente das conclus&otilde;es dos estudos de Marques (2000), por exemplo, onde o autor identifica influ&ecirc;ncia de grupos que, institucionalmente, est&atilde;o fora do governo, na rede do PAA.</p>     <p>O PAA traz ainda elementos em sua concep&ccedil;&atilde;o que apontam para um redirecionamento do entendimento sobre o papel que a agricultura familiar exerce no desenvolvimento da sociedade brasileira, principalmente nas perspectivas de desenvolvimento mais equitativo, com a incorpora&ccedil;&atilde;o de setores exclu&iacute;dos da economia e com a valoriza&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o dos agricultores familiares enquanto atores. Com base neste arcabou&ccedil;o de elementos que subsidiam a an&aacute;lise dos dados, se pode concluir que o PAA, por n&atilde;o ser uma pol&iacute;tica de fato, apenas um programa governamental, cumpre os objetivos com que foi proposto e tem um peso significativo no fortalecimento da agricultura familiar e no seu desenvolvimento sustent&aacute;vel, por&eacute;m, necessita de avan&ccedil;os no tocante ao reconhecimento da sua import&acirc;ncia e na fundamenta&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica institucionalizada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>ALMEIDA, Fl&aacute;vio L&uacute;cio Rodrigues de. De Volta &agrave; Ilha de Tranquilidade em Meio a Um Oceano Revolto? Limites da democracia liberal brasileira. In <i>Lutas Sociais</i>. S&atilde;o Paulo,N&ordm; 23. 2&ordm; semestre, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751952&pid=S2182-1267201800020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BROSE, M. <i>Agricultura familiar, desenvolvimento local e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</i>. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751954&pid=S2182-1267201800020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BEZERRA, Islandia; SCHNEIDER, Sergio. &nbsp;<i>Produ&ccedil;&atilde;o e Consumo de Alimentos: o papel das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na rela&ccedil;&atilde;o entre o plantar e o comer</i>. Volume 15 &ndash; N&uacute;mero 20&ndash; Jan/Jun 2012.</p>     <!-- ref --><p>CHAYANOV, A. V. <i>La organizaci&oacute;n de la unidad econ&oacute;mica campesina</i>. Buenos Aires: Nueva Visi&oacute;n, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751957&pid=S2182-1267201800020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CAMPANHOLA, Clayton; SILVA, Jos&eacute; Graziano da. <i>DESENVOLVIMENTO LOCAL E A DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O DOS</i></p>     <p><i>ESPA&Ccedil;OS RURAIS. </i>Cadernos de Ci&ecirc;ncia &amp; Tecnologia, Bras&iacute;lia, v.17, n.1, p.11-40, jan./abr. 2000.</p>     <p>Companhia Nacional de Abastecimento. <i>Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos &ndash; PAA: resultados das a&ccedil;&otilde;es da Conab em 2016. </i>Bras&iacute;lia: Conab, 2017.</p>     <!-- ref --><p>FRANCO, Augusto de. <i>Pobreza &amp; Desenvolvimento Local</i>. Bras&iacute;lia, AED (Ag&ecirc;ncia de Educa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento)/ARCA Sociedade do Conhecimento, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751962&pid=S2182-1267201800020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FEITOSA. Cid Olival. <i>A</i><i> import&acirc;ncia da inova&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento econ&ocirc;mico local</i>. Economia pol&iacute;tica do desenvolvimento. Macei&oacute;, vol. 4, n. 12, p. 29-50, set./dez. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751964&pid=S2182-1267201800020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FIORI, Jos&eacute; Lu&iacute;s<b>. </b><i>A esquerda e o desenvolvimentismo</i><b>. </b>2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751966&pid=S2182-1267201800020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>JESUS, Paulo de. Desenvolvimento Local e Sustentabilidade &ndash; algumas considera&ccedil;&otilde;es conceituais e suas implica&ccedil;&otilde;es em projetos de pesquisa. In: PEDROSA, Ivo; MACIEL FILHO, Adalberto; ASSUN&Ccedil;&Atilde;O, Luis M&aacute;rcio (orgs). <i>Gest&atilde;o de desenvolvimento local sustent&aacute;vel</i>. Recife: EDUPE, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LEMOS, Silvana Maria de; LIMA, Irenilda de Souza .<i>O Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos (PAA) como pol&iacute;tica p&uacute;blica para a agricultura familiar e o desenvolvimento local</i>. Oikos: Revista Brasileira de Economia Dom&eacute;stica, Vi&ccedil;osa, v. 25, n.1, p. 069-092, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751969&pid=S2182-1267201800020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARX, Karl. <i>Contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; cr&iacute;tica da economia pol&iacute;tica</i><b>.</b> tradu&ccedil;&atilde;o e introdu&ccedil;&atilde;o de Florestan Fernandes. 2. ed.- S&atilde;o Paulo : Express&atilde;o Popular, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751971&pid=S2182-1267201800020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NIEDERLE, Paulo Andre. Afinal, que Inclus&atilde;o produtiva? A contribui&ccedil;&atilde;o dos novos mercados alimentares In: DELGADO, Guilherme Costa; BERGAMASCO, Sonia Maria Pessoa Pereira (Orgs). <i>Agricultura familiar brasileira: desafios e perspectivas de futuro. </i>Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agr&aacute;rio Bras&iacute;lia, 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751973&pid=S2182-1267201800020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PAULILLO, L. F. Et al. <i>Reestrutura&ccedil;&atilde;o agroindustrial, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e seguran&ccedil;a alimentar regional</i>. S&atilde;o Carlos: Edufscar, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751975&pid=S2182-1267201800020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POULANTZAS, Nicos. <i>Poder Pol&iacute;tico e Classes Sociais</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751977&pid=S2182-1267201800020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SCHMITT,C.J. <i>Aquisi&ccedil;&atilde;o de alimentos da agricultura familiar: integra&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica agr&iacute;cola e seguran&ccedil;a alimentar e nutricional</i>. Revista de Pol&iacute;tica Agr&iacute;cola. Ano XIV, n.2, p. 78-88, abr./mai./jun., 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751979&pid=S2182-1267201800020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TRICHES, R.M.; FROEHLICH, E. Reconectando o consumo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o: a aquisi&ccedil;&atilde;o de produtos da agricultura familiar para a alimenta&ccedil;&atilde;o escolar. In<i>: II Col&oacute;quio Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural</i>. Porto Alegre: PGDR, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1751981&pid=S2182-1267201800020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Entendido por Jesus (2007), como um processo de inclus&atilde;o social que mobiliza pessoas e institui&ccedil;&otilde;es buscando a transforma&ccedil;&atilde;o da economia e da sociedade, criando oportunidades de trabalho e de renda superando dificuldades para favorecer a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o local.</p>      ]]></body><back>
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