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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A cooperação internacional para o desenvolvimento endógeno: experiência e lições do programa Brasil Próximo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article reports on and evaluates the course and results of a decentralized international cooperation program signed between the Federal Government of Brazil and the Ministry of External Relations of Italy and conducted its activities between 2010 and 2015. Taking as reference the literature on contemporary conceptions of local development, the article addresses and problematizes the following aspects of the Programa Brasil Próximo: a) the coordination and governance of a program marked essentially by its diversity, multidisciplinarity and decentralization; b) the effectiveness of the results, based on the materialization of evidence of development in the territories subject to program intervention.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A coopera&ccedil;&atilde;o internacional para o desenvolvimento end&oacute;geno: experi&ecirc;ncia e li&ccedil;&otilde;es do programa Brasil Pr&oacute;ximo</b></p>     <p><b>International cooperation for endogenous development: experience and lessons from the Programa Brasil Pr&oacute;ximo</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Fonseca, S&eacute;rgio</b><sup>1</sup><b>; Lorenzo, Helena</b><sup>2</sup><b>; Ramalheiro, Geralda</b><sup>2</sup></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Estadual Paulista &ldquo;J&uacute;lio de Mesquita Filho&rdquo;, Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Araraquara, Departamento de Administra&ccedil;&atilde;o; 14800-901, Rodovia Araraquara-Ja&uacute;, km. 01, Araraquara-SP, Brasil; <a href="mailto:saf@fclar.unesp.br">saf@fclar.unesp.br</a></p>     <p><sup>2</sup>Universidade de Araraquara, Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente; 14801-340, Rua Carlos Gomes, 1338, Centro, Araraquara-SP, Brasil; <a href="mailto:helenadelorenzo@gmail.com">helenadelorenzo@gmail.com</a>; <a href="mailto:gee.cristina@gmail.com">gee.cristina@gmail.com</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo relata e avalia o percurso e os resultados de um programa de coopera&ccedil;&atilde;o internacional descentralizada firmado entre o Governo Federal do Brasil e o Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Externas da It&aacute;lia e que teve suas atividades conduzidas entre 2010 e 2015. Tomando como refer&ecirc;ncia a literatura sobre as concep&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas de desenvolvimento local, o artigo aborda e problematiza os seguintes aspectos do Programa Brasil Pr&oacute;ximo: a) a coordena&ccedil;&atilde;o e a governan&ccedil;a de um programa marcado essencialmente pela sua diversidade, multidisciplinaridade e descentraliza&ccedil;&atilde;o; b) a efetividade dos resultados, tendo como base a materializa&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias do desenvolvimento nos territ&oacute;rios objeto de interven&ccedil;&atilde;o do programa.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Desenvolvimento local; Coopera&ccedil;&atilde;o; Experi&ecirc;ncias; Brasil Pr&oacute;ximo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article reports on and evaluates the course and results of a decentralized international cooperation program signed between the Federal Government of Brazil and the Ministry of External Relations of Italy and conducted its activities between 2010 and 2015. Taking as reference the literature on contemporary conceptions of local development, the article addresses and problematizes the following aspects of the Programa Brasil Pr&oacute;ximo: a) the coordination and governance of a program marked essentially by its diversity, multidisciplinarity and decentralization; b) the effectiveness of the results, based on the materialization of evidence of development in the territories subject to program intervention.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: Local development; Cooperation; Experiences; Brasil Pr&oacute;ximo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1.&nbsp;Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, sobretudo a partir das experi&ecirc;ncias empreendidas no contexto da chamada Terceira It&aacute;lia, presenciaram o advento de novas concep&ccedil;&otilde;es e adjetiva&ccedil;&otilde;es do conceito de desenvolvimento, como lembram Fischer (2002) e Potter et al. (2018, p. 7). As tr&ecirc;s vers&otilde;es adjetivas mais recorrentes do voc&aacute;bulo (desenvolvimento territorial, desenvolvimento local, ou desenvolvimento end&oacute;geno, e desenvolvimento sustent&aacute;vel &ndash; que, de forma intencionalmente disseminada, substituiu, afirma-se aqui, com ressalvas, o conceito de ecodesenvolvimento) re&uacute;nem um conjunto de particularidades e caracter&iacute;sticas que, contrapostas &agrave; no&ccedil;&atilde;o tradicional de desenvolvimento (Layrargues, 1997), agregam novos agentes e incorporam novas dimens&otilde;es aos processos de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento.</p>     <p>Embora diferentes matizes, &ecirc;nfases e nuances tendam a distanciar, quando n&atilde;o a opor, as mencionadas tr&ecirc;s vers&otilde;es, alguns consensos as aproximam, como v&ecirc;m evidenciando as v&aacute;rias correntes da literatura contempor&acirc;nea. Um primeiro consenso, possivelmente o mais unificador, &eacute; o relativo &agrave; multidimensionalidade (Moreira &amp; Crespo, 2011). Contrapondo-se &agrave; &ecirc;nfase estritamente econ&ocirc;mica do desenvolvimento em sua acep&ccedil;&atilde;o tradicional, autores como Lehtonen (2004), Scipioni, Mazzi, Mason e Manzardo (2009), Moulaert, Martinelli, Swyngedouw e Gonz&aacute;les (2005), Sachs (2002), Buarque (2008), Kashimoto, Marinho e Russef (2002), Saquet (2011), Soto (1997), Esparcia, Escribano e Serrano (2016) entre outros, guardando as suas respectivas vis&otilde;es particulares e diferen&ccedil;as de enfoques, defendem que a nova l&oacute;gica de desenvolvimento abranja, de forma equilibrada, as esferas social, cultural, ambiental, espacial (ou territorial) e pol&iacute;tica (ou institucional), al&eacute;m da econ&ocirc;mica, para assegurar melhorias na qualidade de vida.</p>     <p>Um segundo aspecto, tamb&eacute;m amplamente reconhecido, &eacute; o relativo &agrave; import&acirc;ncia crescente atribu&iacute;da ao conhecimento, e &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es dele oriundas (Albagli &amp; Maciel, 2004), como vetor de promo&ccedil;&atilde;o desse novo estilo (ou paradigma) de desenvolvimento. As inova&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de serem consideradas, por autores como Radas e Bozic (2009), Kaufmann e T&ouml;dtling (2002), Malecki (2007) e Moulaert e Nussbaumer (2005) como fatores de sobreviv&ecirc;ncia e competitividade dos agentes econ&ocirc;micos promotores da nova l&oacute;gica de desenvolvimento (sobretudo dos empreendimentos de pequeno porte, adiante abordados), refletem e expressam os padr&otilde;es de conhecimentos presentes nas esferas locais, sejam eles conhecimentos t&aacute;citos, guardando v&iacute;nculos com as culturas locais e geradores de inova&ccedil;&otilde;es de baixa complexidade (Grimpe &amp; Sofka, 2009; Heidenreich, 2009; Kirner, Kinkel &amp; Jaeger, 2009; Nunes, Serrasqueiro &amp; Leit&atilde;o, 2012; Barge-Gil, 2010), ou ainda conhecimentos mais formais, emanados de universidades e centros de pesquisa instalados nos territ&oacute;rios e geradores de novos empreendimentos de base tecnol&oacute;gica (Rothwell, 1984; Hausman, 2005; Nooteboom, 1994). Redundante fica, pois, o reconhecimento do importante papel desempenhado pela universidade e pelos institutos de pesquisa como agentes indutores e apoiadores da nova concep&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento (Michael &amp; Beth, 2004; Mbah, 2016; Etzkowitz, 2004; Etzkowitz &amp; Leydesdorff, 2000; Mello, 2004).</p>     <p>Outra categoria definidora da nova l&oacute;gica de desenvolvimento &eacute; a relativa ao estabelecimento de la&ccedil;os de atua&ccedil;&atilde;o partilhada entre m&uacute;ltiplos agentes para oferecer impulso e sustenta&ccedil;&atilde;o aos processos end&oacute;genos de desenvolvimento. Partilhamento esse que pressup&otilde;e a constitui&ccedil;&atilde;o de redes de agentes (Castells, 1999; Muls, 2008; Andion, 2003; Frey, 2003) localmente articulados, atuando em coopera&ccedil;&atilde;o (Marra, 2012; Fischer &amp; Melo, 2004, Farah, 2001), por meio da cria&ccedil;&atilde;o de estruturas e processos de governan&ccedil;a (Tapia, 2005; Fischer &amp; Melo, 2004; Rover, 2011), fatores considerados de import&acirc;ncia cr&iacute;tica para assegurar a sustentabilidade, no tempo, dos processos de desenvolvimento, como mostram Sobol (2008), Zanon (2014), Soto (1997) e Buarque (2008), entre outros.</p>     <p>Essa mesma caracter&iacute;stica de atua&ccedil;&atilde;o partilhada, com seus condicionantes e desdobramentos acima pontuados, guarda depend&ecirc;ncia direta com a atua&ccedil;&atilde;o do Estado (tratada aqui como a quarta categoria definidora do desenvolvimento em sua nova roupagem), notadamente em suas esferas subnacionais e marcadamente em pa&iacute;ses com baixa tradi&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o. Como observa Barquero (1995, p. 226), &ldquo;&eacute; poss&iacute;vel afirmar que os governos locais adquirem um papel de protagonistas na defini&ccedil;&atilde;o e na execu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de desenvolvimento&rdquo;, posicionamento partilhado e complementado por Marra (2012, p. 255), ao registrar que o &ldquo;poder de decis&atilde;o &eacute; delegado a ag&ecirc;ncias governamentais territoriais, assumindo-se que os agentes locais possuem tanto o conhecimento contextual como a legitimidade pol&iacute;tica para integrar diferentes medidas de pol&iacute;tica&rdquo;, notadamente em circunst&acirc;ncias em que os governos locais se manifestam &ldquo;dispostos a estabelecer processos p&uacute;blicos de participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&rdquo; (Frey, 2003, p. 173). No Brasil, Farah (2001, p. 21) aponta que &ldquo;o movimento em curso na esfera local pode ser entendido como parte de um processo de reconstru&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica, orientado para a democratiza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no pa&iacute;s, o qual tem na descentraliza&ccedil;&atilde;o um de seus componentes centrais&rdquo;. Em s&iacute;ntese e fazendo coro com esses e outros autores (Sienkiewicz, 2014; Silva, Babo &amp; Guerra, 2013; Amaral Filho, 2001) &eacute; poss&iacute;vel afirmar e defender que o papel do Estado na esfera local, e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas dele emanadas (com expl&iacute;cito incentivo e apoio &agrave; participa&ccedil;&atilde;o popular), represente fator cr&iacute;tico para o &ecirc;xito de experi&ecirc;ncias de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento em sua acep&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea.</p>     <p>Os espa&ccedil;os territoriais concretos, demarcados por esse conjunto de categorias definidoras, econ&ocirc;micas, institucionais, pol&iacute;ticas, culturais e sociais (Medeiros, 2016), acabam por se constituir em palcos de express&atilde;o de atividades econ&ocirc;micas que, de forma dial&eacute;tica, s&atilde;o favorecidas e potencializam essas pr&oacute;prias categorias.</p>     <p>Lugar de destaque &eacute; dado, pela literatura, aos empreendimentos de pequeno porte, sob variadas denomina&ccedil;&otilde;es e por m&uacute;ltiplas virtudes. Enfatizando essa rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica, Bianchi (1994) aponta para a converg&ecirc;ncia entre um padr&atilde;o de desenvolvimento &ldquo;n&atilde;o concentrado&rdquo; e a prolifera&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o das pequenas empresas. A potencializa&ccedil;&atilde;o desse papel das empresas de pequeno porte como agentes indutores do novo paradigma de desenvolvimento resultaria, sobretudo, de processos de aglomera&ccedil;&atilde;o dessas empresas, capazes de gerar importantes economias externas. A literatura atribui diferentes denomina&ccedil;&otilde;es a esses processos de aglomera&ccedil;&atilde;o, em conformidade com a maior ou menor presen&ccedil;a de vari&aacute;veis como: amplitude e complexidade das redes de agentes institucionais (p&uacute;blicos e privados) operantes no territ&oacute;rio; grau de coopera&ccedil;&atilde;o entre as empresas; concentra&ccedil;&atilde;o ou dispers&atilde;o setorial; intensidade tecnol&oacute;gica e difus&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es. Entre as denomina&ccedil;&otilde;es mais frequentes encontram-se as de: a) Clusters (Wood, Watts &amp; Wardle, 2004; Sonobe &amp; Otsuka, 2015; Forsman, 2009; Olave &amp; Amato Neto, 2001), denomina&ccedil;&atilde;o que, mais recorrente na literatura internacional, tamb&eacute;m &eacute; apropriada por autores brasileiros, a exemplo dos dois &uacute;ltimos citados, sobretudo para fazer refer&ecirc;ncia a aglomera&ccedil;&otilde;es menos institucionalizadas e com predomin&acirc;ncia de empresas de setores tradicionais; b) Arranjos Produtivos Locais &ndash; APL&rsquo;s (Erber, 2008; Gald&aacute;mez, Carpinetti &amp; Gerolamo, 2009; Noronha &amp; Turchi, 2005; Iacono &amp; Nagano, 2007), denomina&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da literatura brasileira e que faz refer&ecirc;ncia a uma vasta tipologia de aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas, por&eacute;m tendo em comum a articula&ccedil;&atilde;o entre m&uacute;ltiplos agentes e um certo grau de institucionaliza&ccedil;&atilde;o; c) Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (Costa, 2006; Campos, C&aacute;rio, Nicolau &amp; Vargas, 2002; Cassiolato &amp; Szapiro, 2002; Lastres &amp; Cassiolato, 2003), conceito esse parcialmente correlato ao de APL, com as particularidades de inserir-se, na literatura, na tradi&ccedil;&atilde;o neo-schumpeteriana (sobretudo no que diz respeito &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de sistemas de inova&ccedil;&atilde;o) e de, por consequ&ecirc;ncia, colocar maior &ecirc;nfase no papel das inova&ccedil;&otilde;es &ndash; notadamente as oriundas das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; como impulsionadoras e dinamizadoras dos arranjos implicados e das economias locais.</p>     <p>Deslocando-se o foco para setores de atividade particulares, com potencial de exercerem papel de protagonismo na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento, configurado pelos par&acirc;metros tratados neste artigo, embora a literatura ofere&ccedil;a espa&ccedil;o para uma grande diversidade de segmentos, a &ecirc;nfase aqui ser&aacute; posta nos ramos da economia da cultura, da agricultura familiar e do turismo, por suas conex&otilde;es com o objeto da pesquisa emp&iacute;rica.</p>     <p>Para tratar do papel e da import&acirc;ncia da economia da cultura, necess&aacute;rio se faz registrar o fato de que, como lembra Burity (2007, p. 56), a partir dos anos 80 do s&eacute;culo passado a diferen&ccedil;a cultural passou a ser vista como &ldquo;uma das trincheiras a partir das quais seria poss&iacute;vel opor-se a modelos de desenvolvimento descontextualizados, desenraizados, sem lugar&rdquo;, orientando para a concep&ccedil;&atilde;o de possibilidades alternativas de desenvolvimento. Mais adiante o mesmo autor aponta que &ldquo;os projetos de desenvolvimento ser&atilde;o tanto mais eficazes nos contextos locais quanto mais respeitarem e dialogarem com a cultura do lugar&rdquo; (p. 58), concluindo que &ldquo;o lugar da cultura na efic&aacute;cia das interven&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento ou para a realiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; algo irrecus&aacute;vel&rdquo; (p. 59). Evidencia-se, pois, que</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>o peso da cultura na economia vem atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o de como as atividades culturais, no sentido da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, das manifesta&ccedil;&otilde;es folcl&oacute;ricas, da singularidade de certas comunidades ou da hist&oacute;ria de certos lugares poderiam ser incorporadas numa estrat&eacute;gia de desenvolvimento (Burity, 2007, p. 60).</p> </blockquote>     <p>O reconhecimento desse mesmo peso, e import&acirc;ncia, da economia da cultura como fator de dinamiza&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento &eacute; partilhado por autores como Gorgulho, Goldenstein, Alexandre e Mello (2009), Reis (2007) e L&oacute;ssio e Pereira (2007), entre outros.</p>     <p>O segundo setor considerado para a abordagem neste texto, por suas virtudes como agente de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento territorial e por sua presen&ccedil;a intensa no contexto da pesquisa realizada, &eacute; o da agricultura familiar. Reconhecida por autores como Abramovay (1998; 2000; 2002 e 2007) Leite (2002; 2004), Bonnal e Maluf (2010) como um segmento produtivo que guarda em sua trajet&oacute;ria hist&oacute;rica importante papel no desenvolvimento econ&ocirc;mico e social de pa&iacute;ses e regi&otilde;es, a agricultura familiar &eacute; entendida como um conjunto de formas de produ&ccedil;&atilde;o que se op&otilde;em &agrave; agricultura empresarial, monocultora, &ldquo;modernizada&rdquo; e produtora de commodities. A agricultura familiar se expressa socialmente por formas de produ&ccedil;&atilde;o diversificadas, por&eacute;m apresentando caracter&iacute;sticas comuns como a valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho familiar e a autonomia da gest&atilde;o dos meios de produ&ccedil;&atilde;o (Leite, 2002). Contudo, para al&eacute;m dos aspectos produtivos propriamente ditos, a agricultura familiar pode ser importante indutora do desenvolvimento local e territorial por sua multifuncionalidade e potencialidade para a integra&ccedil;&atilde;o entre os espa&ccedil;os rural e urbano, al&eacute;m dos &acirc;mbitos municipal e supramunicipal (Abramovay, 2007; Bonnal &amp; Maluf, 2009). Tamb&eacute;m atua no enfrentamento &agrave; pobreza, &agrave; desigualdade social e &agrave; inseguran&ccedil;a alimentar (Bonnal &amp; Maluf, 2009), al&eacute;m de utilizar t&eacute;cnicas agr&iacute;colas de conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais e capacitar agentes para o processamento de produtos comercializados nos mercados locais (Santos &amp; Mitja, 2012).</p>     <p>De forma articulada, e guardando fortes sinergias com a economia da cultura e com a agricultura familiar, o turismo vem despontando contemporaneamente como uma das atividades mais din&acirc;micas em &acirc;mbito internacional (Barbosa, 2005), com um forte potencial de transforma&ccedil;&atilde;o e de valoriza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os locais. Como registra Almeida (2004, p. 1) &ldquo;o lugar tur&iacute;stico existe em fun&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica do turismo que lhe d&aacute; uma exist&ecirc;ncia, uma identidade pr&oacute;pria e singular&rdquo;. N&atilde;o que essas transforma&ccedil;&otilde;es, ou a cria&ccedil;&atilde;o das novas identidades, sejam essencialmente virtuosas. N&atilde;o s&atilde;o poucos os casos em que, como mostra Almeida (2004), os investimentos em grandes empreendimentos tur&iacute;sticos nos espa&ccedil;os locais, realizados por poderosos grupos econ&ocirc;micos, nacionais e internacionais, acabam por desfigurar e instrumentalizar os territ&oacute;rios em prol dos interesses dos investidores. O poder destrutivo sobre as culturas e os ecossistemas locais pode ser, como na maior parte das vezes o &eacute;, irrevers&iacute;vel. Feita essa ressalva, defende-se aqui, como fundamento para a pesquisa realizada, a circunscri&ccedil;&atilde;o e a delimita&ccedil;&atilde;o dos tipos e perfis de atividades tur&iacute;sticas virtuosas, no que diz respeito &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o dos lugares, sobretudo em suas dimens&otilde;es cultural, social e ambiental (Cruz &amp; Pul&iacute;do-Fern&aacute;ndez, 2012; Blanco, 2004; Froehlich, 2000), como condi&ccedil;&atilde;o para a pereniza&ccedil;&atilde;o, a longo prazo, do ambiente local para o turismo (Irving &amp; Sancho, 2005), o que remete ao reconhecimento de que essa condi&ccedil;&atilde;o seria alcan&ccedil;ada por meio dos empreendimentos tur&iacute;sticos de pequeno porte.</p>     <p>Esse conjunto de referenciais, pontuados nesta se&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria (categorias definidoras do desenvolvimento em sua nova roupagem e setores de atividades considerados virtuosos) ser&aacute; utilizado como fundamento para a an&aacute;lise e a reflex&atilde;o em torno de oito experi&ecirc;ncias e promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento local, levadas a cabo entre 2010 e 2014 em oito territ&oacute;rios brasileiros situados em estados de mesmo n&uacute;mero.</p>     <p>Procurar-se-&aacute;, nas se&ccedil;&otilde;es que seguem (a pr&oacute;xima, descritiva do Programa Brasil Pr&oacute;ximo, a seguinte, apresentando e discutindo as a&ccedil;&otilde;es e os resultados de cada um dos projetos regionais, a &uacute;ltima tratando das conclus&otilde;es e considera&ccedil;&otilde;es finais) identificar e avaliar o percurso e os resultados de cada experi&ecirc;ncia, apontando-se a presen&ccedil;a e import&acirc;ncia relativa de cada uma das categorias definidoras, associadas aos respectivos segmentos de atividade.</p>     <p>Antes de dar prosseguimento aos relatos, contudo, s&atilde;o pertinentes breves coment&aacute;rios a respeito da estrat&eacute;gia e dos procedimentos metodol&oacute;gicos: a) no tocante ao m&eacute;todo, a pesquisa enquadra-se como qualitativa, tanto por buscar extrair, relatar e interpretar as ess&ecirc;ncias e as particularidades de cada um dos objetos investigados, quanto pelo envolvimento direto e pessoal dos pesquisadores com os ambientes de pesquisa; b) o delineamento da pesquisa &eacute; o de estudo de casos m&uacute;ltiplos; c) quanto ao prop&oacute;sito, reconhece-se que seja duplo, descritivo por retratar as caracter&iacute;sticas particulares de cada um dos objetos e explorat&oacute;rio pela incipi&ecirc;ncia do conhecimento relativo ao programa e aos projetos e pela impossibilidade de sua extrapola&ccedil;&atilde;o; d) para a coleta dos dados foram utilizados instrumentos m&uacute;ltiplos, tais como a pesquisa documental, a observa&ccedil;&atilde;o direta, realizada pessoalmente pelos pesquisadores em visitas aos territ&oacute;rios dos projetos, as entrevistas, realizadas com base em roteiros semiestruturados, diretamente com m&uacute;ltiplos agentes vinculados a cada um dos projetos, em seus respectivos territ&oacute;rios; e) os dados foram transcritos, cruzados e interpretados por meio de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de conte&uacute;do.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. O Programa Brasil Pr&oacute;ximo como idealizador e gestor das interven&ccedil;&otilde;es nos territ&oacute;rios brasileiros</b></p>     <p>As interven&ccedil;&otilde;es nos territ&oacute;rios objeto de avalia&ccedil;&atilde;o neste artigo foram realizadas ao abrigo de um programa de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional Descentralizada entre a It&aacute;lia e o Brasil, denominado Programa Brasil Pr&oacute;ximo. Financiado de forma partilhada pelos governos centrais italiano e brasileiro e pelas administra&ccedil;&otilde;es locais dos munic&iacute;pios abrangidos, o Brasil Pr&oacute;ximo patrocinou, em coopera&ccedil;&atilde;o com cinco regi&otilde;es italianas parceiras (Liguria, Emilia Romagna, Toscana, Marche e Umbria), um conjunto de a&ccedil;&otilde;es orientadas para o desenvolvimento local de oito territ&oacute;rios (Mantiqueira &ndash; MG/SP, Alto Solim&otilde;es &ndash; AM, Bag&eacute; &ndash; RS, Centro Paulista &ndash; SP, Baixada Fluminense &ndash; RJ, Curitiba &ndash; PR, Campina Grande &ndash; PB e Serra das Confus&otilde;es &ndash; PI), visando o fortalecimento econ&ocirc;mico, a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es sociais de vida e a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental.</p>     <p>Como se tratam de territ&oacute;rios com realidades &ndash; econ&ocirc;micas, sociais, ambientais, culturais, institucionais e pol&iacute;ticas &ndash; bastante d&iacute;spares entre si, as modalidades das interven&ccedil;&otilde;es, do mesmo modo que os instrumentos de interven&ccedil;&atilde;o utilizados foram de variadas categorias. Algumas uniformidades, contudo, d&atilde;o sentido de unidade ao programa como um todo em territ&oacute;rio brasileiro, com destaque para: o fortalecimento das micro e pequenas empresas; o refor&ccedil;o das compet&ecirc;ncias e das capacidades das institui&ccedil;&otilde;es locais; o apoio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de redes interinstitucionais; a capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica de agentes locais, p&uacute;blicos e privados; o incentivo &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o popular. Como se observa s&atilde;o princ&iacute;pios amplamente convergentes e condizentes com os principais pilares do desenvolvimento local, tais como abordados na se&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria deste artigo.</p>     <p>Antes de prosseguir, contudo, na abordagem e relato das interven&ccedil;&otilde;es, julga-se pertinente tecer breves considera&ccedil;&otilde;es a respeito da orienta&ccedil;&atilde;o mais geral do programa de coopera&ccedil;&atilde;o. A literatura de coopera&ccedil;&atilde;o internacional trata de duas orienta&ccedil;&otilde;es fundamentais de programas e projetos de coopera&ccedil;&atilde;o (Douxchamps, 1996; Romero, 2010; Haftek, 2003). A primeira, predominante at&eacute; os anos 80 do s&eacute;culo passado, de recorte marcadamente vertical e car&aacute;ter assistencial, implicando a transposi&ccedil;&atilde;o, aos pa&iacute;ses receptores da &ldquo;coopera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, da l&oacute;gica e dos instrumentos inerentes ao padr&atilde;o tradicional de desenvolvimento (Potter et al., 2018, p. 6). Na segunda, que ganhou reconhecimento e dissemina&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, de car&aacute;ter horizontal e descentralizado, adquire protagonismo a coopera&ccedil;&atilde;o em seu sentido estrito (opera&ccedil;&atilde;o conjunta e partilhada) entre os agentes econ&ocirc;micos, sociais e pol&iacute;ticos participantes do processo (dos pa&iacute;ses de ambas as esferas). Nessa &uacute;ltima concep&ccedil;&atilde;o os agentes &ldquo;cooperantes&rdquo; buscam estabelecer la&ccedil;os de estreita integra&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o com as comunidades locais de cada um dos territ&oacute;rios (agentes &ldquo;cooperados&rdquo;), com vistas a aprofundar os conhecimentos a respeito das realidades locais para, a partir da&iacute;, formular as propostas de interven&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Esta &uacute;ltima foi, precisamente, a concep&ccedil;&atilde;o norteadora do Programa Brasil Pr&oacute;ximo, tal como expressa na proposta de coopera&ccedil;&atilde;o descentralizada submetida pelas regi&otilde;es italianas da &Uacute;mbria, Marche, Lig&uacute;ria, Em&iacute;lia Romagna e Toscana ao Ministero degli Affari Esteri e della Cooperazione Internazionale, da It&aacute;lia em 2008, e aprovadas em 2010 (Brasil Pr&oacute;ximo, 2008). Passo subsequente a proposta foi negociada com o governo federal brasileiro, que a acolheu.</p>     <p>Desdobrando-se o programa em seus respectivos projetos, as a&ccedil;&otilde;es previstas (Brasil Pr&oacute;ximo, 2008; 2016) estavam orientadas para as seguintes frentes de interven&ccedil;&otilde;es: pol&iacute;ticas sociais; cooperativismo; apoio &agrave;s micro e pequenas empresas; economia da cultura e do turismo; cadeia da madeira e m&oacute;veis; cons&oacute;rcios intermunicipais e ag&ecirc;ncias de desenvolvimento; energias renov&aacute;veis e agricultura familiar.</p>     <p>Al&eacute;m de garantir uma intensa atividade de interc&acirc;mbio, forma&ccedil;&atilde;o e institutional building, o programa contribuiria para a realiza&ccedil;&atilde;o dos planos de desenvolvimento dos territ&oacute;rios, por meio da identifica&ccedil;&atilde;o de setores estrat&eacute;gicos e poss&iacute;veis alian&ccedil;as territoriais com a It&aacute;lia.</p>     <p>No que diz respeito aos perfis socioecon&ocirc;micos dos territ&oacute;rios que foram objeto das interven&ccedil;&otilde;es, uma leitura preliminar permite classific&aacute;-los em dois grupos: de um lado, comunidades qualificadas e reconhecidas como de baixo &iacute;ndice de desenvolvimento, localizadas no Piau&iacute;, na Amaz&ocirc;nia Ocidental e na periferia do Rio de Janeiro; de outro, regi&otilde;es reconhecidas como detentoras de processos mais adiantados de desenvolvimento, com destaque para a da Mantiqueira, do Centro Paulista, de Curitiba e de Campanha, no Rio Grande do Sul (Lorenzo, Fonseca &amp; Sampaio, 2016). Em plano intermedi&aacute;rio situou-se o territ&oacute;rio da Para&iacute;ba.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. As a&ccedil;&otilde;es e os resultados dos projetos</b></p>     <p>Para o relato e a reflex&atilde;o em torno das a&ccedil;&otilde;es realizadas e dos resultados alcan&ccedil;ados nos contextos particulares de cada um dos projetos ser&aacute; adotado um referencial anal&iacute;tico apoiado em pressupostos da Teoria Geral dos Sistemas, notadamente pela suposta unidade do todo: o Programa, integrando e articulando as atividades das partes, os projetos. Essa op&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica resultou da percep&ccedil;&atilde;o de que, al&eacute;m da complexidade impl&iacute;cita, as a&ccedil;&otilde;es em cada projeto foram alimentadas, induzidas, por um conjunto de est&iacute;mulos emanados dos parceiros italianos &ndash; os inputs &ndash; que, uma vez absorvidos pelos agentes locais, se expressaram em a&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o nos territ&oacute;rios &ndash; o processamento, orientadas para as transforma&ccedil;&otilde;es almejadas &ndash; os resultados (Neves &amp; Neves, 2006; Uhlmann, 2002). No plano emp&iacute;rico a pesquisa teve car&aacute;ter qualitativo, desenhada como estudo de casos m&uacute;ltiplos, com o duplo car&aacute;ter explorat&oacute;rio e descritivo. A coleta de dados foi realizada por meio de pesquisa documental, junto aos relat&oacute;rios finais de avalia&ccedil;&atilde;o de cada um dos projetos e relat&oacute;rios finais da Secretaria-Geral da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil e por visitas pessoais, a cada um dos projetos, pelos autores deste texto.</p>     <p>O projeto implementado na Baixada Fluminense (Estado do Rio de Janeiro) teve como foco as pol&iacute;ticas sociais em um territ&oacute;rio abrangido por nove munic&iacute;pios, tendo como grupo focal a juventude e como atividade nucleadora a economia da cultura. A institui&ccedil;&atilde;o executora local foi o Instituto Brasileiro de An&aacute;lises Sociais e Econ&ocirc;micas (Ibase), em parceria com a ONG &ldquo;Se essa rua fosse minha&rdquo;. As regi&otilde;es italianas do Marche e da Toscana aportaram conhecimentos e apoios relativos &agrave; estrutura&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de iniciativas e projetos de cunho social. Entre os resultados alcan&ccedil;ados deve ser dado destaque &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas Sociais para a Juventude, que realizou completo invent&aacute;rio de equipamentos e atividades culturais de grupos situados nos nove munic&iacute;pios da regi&atilde;o, fortalecendo mais de 200 grupos culturais e criando condi&ccedil;&otilde;es para organizar e expandir pol&iacute;ticas sociais para a juventude na regi&atilde;o e para o fortalecimento da economia da cultura.</p>     <p>No Parque Nacional da Serra das Confus&otilde;es (Estado do Piau&iacute;) as a&ccedil;&otilde;es, centradas nos campos do turismo e da economia da cultura, abrangeram uma totalidade de 12 munic&iacute;pios. Tendo como executores locais as prefeituras dos munic&iacute;pios da microrregi&atilde;o e a Secretaria Estadual de Assist&ecirc;ncia Social e Cidadania, as atividades do projeto receberam supervis&atilde;o t&eacute;cnica internacional da Regi&atilde;o do Marche &ndash; respons&aacute;vel pela sensibiliza&ccedil;&atilde;o, financiamento e rela&ccedil;&otilde;es governamentais &ndash; e da Regi&atilde;o Toscana, que transferiu conhecimentos relativos &agrave; gest&atilde;o de parques e reservas naturais. Os resultados obtidos se desdobraram nas seguintes frentes: cria&ccedil;&atilde;o e melhoria da infraestrutura para visita&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica ao parque; qualifica&ccedil;&atilde;o e treinamento de profissionais especializados em turismo de cultura; cria&ccedil;&atilde;o de um conselho intermunicipal de apoio ao turismo local.</p>     <p>Na regi&atilde;o da Serra da Mantiqueira (Estado de Minas Gerais) o foco tem&aacute;tico do projeto tamb&eacute;m foi no campo do turismo, com a&ccedil;&otilde;es realizadas em doze munic&iacute;pios distribu&iacute;dos entre os estados de Minas Gerais e S&atilde;o Paulo. As prefeituras de dois desses munic&iacute;pios assumiram a lideran&ccedil;a na coordena&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es do projeto, que teve como parceira internacional a Regi&atilde;o Toscana, respons&aacute;vel pela transfer&ecirc;ncia de conhecimentos sobre atividades tur&iacute;sticas e pela capacita&ccedil;&atilde;o de profissionais locais para o exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es afins. O principal resultado alcan&ccedil;ado foi a cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o de Desenvolvimento do Territ&oacute;rio da Mantiqueira (ADTM), congregando representantes da sociedade civil, empres&aacute;rios e agentes p&uacute;blicos municipais.</p>     <p>Na regi&atilde;o Centro Paulista, o projeto, sob a coordena&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s universidades regionais, teve como principal foco de interven&ccedil;&atilde;o o campo das micro e pequenas empresas, urbanas e rurais. Mediante o apoio da Regi&atilde;o &Uacute;mbria a equipe executora acumulou conhecimentos e experi&ecirc;ncias que possibilitaram a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos comparativos sobre processos de desenvolvimento local e regional apoiados em redes de empreendimentos de pequeno porte e de cadeias curtas, com conte&uacute;dos de conhecimentos incorporados. Entre os principais resultados obtidos podem ser citados os apoios fornecidos a munic&iacute;pios da regi&atilde;o para a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento local, apoiadas em empreendimentos de pequeno porte e articuladas com universidades e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa regionais.</p>     <p>O quarto projeto, situado na regi&atilde;o da Campanha, no entorno do munic&iacute;pio de Bag&eacute;, (Estado do Rio Grande do Sul) teve como foco a diversifica&ccedil;&atilde;o produtiva rural, apoiada na produ&ccedil;&atilde;o do azeite de oliva extravirgem em propriedades familiares de seis munic&iacute;pios. A Regi&atilde;o &Uacute;mbria, em estreita parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria &ndash; Embrapa-RS (principal executora do projeto, juntamente com a Prefeitura Municipal de Bag&eacute;), ofereceu forte apoio na transfer&ecirc;ncia de conhecimentos t&eacute;cnicos sobre olivicultura e os correspondentes processos de extra&ccedil;&atilde;o e engarrafamento do &oacute;leo. Al&eacute;m da cria&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de um p&oacute;lo regional produtor do azeite &ndash; o primeiro do Brasil &ndash; o projeto propiciou, como resultado adicional, a cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o de Olivicultores da Regi&atilde;o da Campanha.</p>     <p>Em Curitiba (Estado do Paran&aacute;) o projeto esteve direcionado para o segmento de produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos agroalimentares, na Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba. Com o apoio da Regi&atilde;o Emilia Romagna &ndash; respons&aacute;vel pelo financiamento de parte das atividades do projeto e pela transfer&ecirc;ncia de conhecimentos &ndash; os executores principais do projeto, Secretaria de Abastecimento do Estado do Paran&aacute; e Ceasa/Paran&aacute;, orientaram suas a&ccedil;&otilde;es para estreitar as articula&ccedil;&otilde;es entre produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o. Como resultado, alcan&ccedil;ou-se um patamar mais elevado de organiza&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o entre os agentes dessa cadeia, com extens&otilde;es para pequenos segmentos de agroind&uacute;strias de processamento e transforma&ccedil;&atilde;o dos produtos prim&aacute;rios.</p>     <p>Na Para&iacute;ba, tamb&eacute;m com a assist&ecirc;ncia da Regi&atilde;o Emilia Romagna, as a&ccedil;&otilde;es do projeto ficaram restritas ao munic&iacute;pio de Campina Grande, com foco no segmento produtivo de fia&ccedil;&atilde;o e tecelagem de manufaturados de algod&atilde;o org&acirc;nico. Tendo como executores principais o SEBRAE regional e uma universidade instalada no munic&iacute;pio o projeto n&atilde;o alcan&ccedil;ou resultados expressivos, conquanto tenha propiciado ganhos de imagem para os produtos &agrave; base de algod&atilde;o org&acirc;nico.</p>     <p>Na regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica do Alto Solim&otilde;es o projeto teve como focos o turismo ecol&oacute;gico e de aventura e o extrativismo &ldquo;sustent&aacute;vel&rdquo; de esp&eacute;cies madeireiras regionais, em nove munic&iacute;pios que comp&otilde;em o Cons&oacute;rcio Intermunicipal da Mesoregi&atilde;o do Alto Solim&otilde;es. Idealizado pela Diocese do Alto Solim&otilde;es e coordenado pelo F&oacute;rum do Desenvolvimento do Alto Solim&otilde;es, o projeto recebeu apoio internacional da Regi&atilde;o Lig&uacute;ria para a transfer&ecirc;ncia de conhecimentos para a produ&ccedil;&atilde;o de artefatos de madeira e para a instala&ccedil;&atilde;o de um complexo tur&iacute;stico. No plano interno os governos federal e estadual tamb&eacute;m ofereceram importantes apoios. Em termos dos resultados, merecem destaque particular a cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Igap&oacute; de Turismo e a instala&ccedil;&atilde;o do Centro de Acolhimento e Orienta&ccedil;&atilde;o ao Turismo.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse conjunto de dados e informa&ccedil;&otilde;es fornecem elementos para uma s&iacute;ntese (contida no <a href="#t1">quadro 1</a>), apoiada nos referenciais anal&iacute;ticos iniciais, relacionados na se&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria deste artigo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n14/n14a09t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A leitura cruzada dos resultados alcan&ccedil;ados pelos projetos permite inferir, ao menos preliminarmente, a presen&ccedil;a recorrente, em todos os projetos, de elementos suficientes para trat&aacute;-los como exitosos do ponto de vista da promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento, mesmo que em car&aacute;ter transit&oacute;rio e limitado, nos territ&oacute;rios hospedeiros dos mesmos. S&atilde;o projetos que convergem, em diferentes escalas, com os princ&iacute;pios norteadores das concep&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas de desenvolvimento, em conformidade com os pressupostos apontados na se&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria deste artigo.</p>     <p>Uma primeira constata&ccedil;&atilde;o, sintetizada na segunda coluna do <a href="#t1">quadro</a>, &eacute; a de que, embora a dimens&atilde;o econ&ocirc;mica tenha se mostrado presente em todos os projetos, sobressai em apenas dois deles e equilibra-se com outras dimens&otilde;es no restante dos projetos. Mesmo nos dois projetos em que despontam em car&aacute;ter de principalidade, componentes sociais encontram-se presentes como reguladores, expressos nos p&uacute;blicos alvos priorit&aacute;rios de cada um dos projetos, nominadamente segmentos de micro e pequenos empreendimentos, urbanos no caso do projeto Centro Paulista e rurais no da Campanha ga&uacute;cha. Outro indicativo pass&iacute;vel de ser extra&iacute;do dos dados dessa mesma coluna do <a href="#t1">quadro</a> &eacute; que as caracter&iacute;sticas predominantes dos territ&oacute;rios, motivadoras dos respectivos projetos, tenham sido determinantes no estabelecimento das orienta&ccedil;&otilde;es priorit&aacute;rias. Isso fica patente nos casos dos projetos da Baixada Fluminense e da Serra das Confus&otilde;es, em que as marcantes fragilidades sociais acabaram por configurar os perfis fortemente sociais dos respectivos projetos. No contraponto, os tr&ecirc;s territ&oacute;rios com padr&otilde;es econ&ocirc;micos mais elevados, Centro Paulista, Campanha ga&uacute;cha e Paran&aacute; tiveram as &ecirc;nfases de seus respectivos projetos mais focadas na dimens&atilde;o econ&ocirc;mica. A mesma converg&ecirc;ncia foi observada nos casos dos projetos da Mantiqueira, Alto Solim&otilde;es e Serra das Confus&otilde;es, no que diz respeito &agrave; dimens&atilde;o ambiental, uma vez que a preserva&ccedil;&atilde;o e a valoriza&ccedil;&atilde;o dos ambientes naturais de cada um desses territ&oacute;rios s&atilde;o vistas como cr&iacute;ticas para a pr&oacute;pria sustentabilidade dos mesmos.</p>     <p>No que diz respeito ao papel dos conhecimentos e inova&ccedil;&otilde;es como vetores de impuls&atilde;o dos processos de desenvolvimento nos territ&oacute;rios, a pesquisa revelou que a maior parte dos projetos recebeu fortes e importantes aportes de conhecimentos dos parceiros italianos, tornados imprescind&iacute;veis para o desempenho de algumas das mais relevantes a&ccedil;&otilde;es de cada projeto. Destacaram-se os seguintes conhecimentos aportados: fabrica&ccedil;&atilde;o de madeira e aq&uuml;icultura, no Alto Solim&otilde;es; gest&atilde;o de parques e reservas naturais, na Serra das Confus&otilde;es; olivicultura e produ&ccedil;&atilde;o de azeites na Campanha; gest&atilde;o de atividades tur&iacute;sticas, na Mantiqueira; fundamentos do associativismo e cooperativismo, no Paran&aacute;. Nos outros tr&ecirc;s territ&oacute;rios esse processo de transfer&ecirc;ncia e absor&ccedil;&atilde;o de conhecimentos n&atilde;o ocorreu: os conhecimentos relevantes foram aqueles j&aacute; existentes nos pr&oacute;prios territ&oacute;rios, end&oacute;genos. Em termos tipol&oacute;gicos, os conhecimentos relevantes podem ser qualificados como: t&eacute;cnicos, nos casos do Alto Solim&otilde;es e da Campanha; de gest&atilde;o, nos casos da Serra das Confus&otilde;es e da Mantiqueira; sociais, nos casos da Baixada Fluminense, Paran&aacute; e Para&iacute;ba; tecnol&oacute;gicos de baixa complexidade, no caso do Centro Paulista. J&aacute; no que concerne a inova&ccedil;&otilde;es geradas, as mais evidentes foram as de car&aacute;ter t&eacute;cnico na Campanha (em produtos e processos), as de gest&atilde;o na Serra das Confus&otilde;es, na Mantiqueira e no Paran&aacute; e as sociais, na Baixada Fluminense.</p>     <p>A constitui&ccedil;&atilde;o, valoriza&ccedil;&atilde;o e fortalecimento de redes locais de agentes foi outra marca presente em todos os projetos, claro, com diferentes extens&otilde;es, graus de coes&atilde;o e formatos. Em escala de import&acirc;ncia, no contexto do Programa Brasil Pr&oacute;ximo como um todo, destaque deve ser dado aos casos dos territ&oacute;rios da Baixada Fluminense, Serra das Confus&otilde;es, Mantiqueira e Campanha, nos quais as a&ccedil;&otilde;es do Programa suscitaram na cria&ccedil;&atilde;o de institucionalidades novas, previamente inexistentes e que acabaram por assumir a governan&ccedil;a das atividades de cada um dos projetos em seus respectivos territ&oacute;rios: Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas Sociais para a Juventude, na Baixada Fluminense; Pacto Intermunicipal, na Serra das Confus&otilde;es; Associa&ccedil;&atilde;o de Desenvolvimento do Territ&oacute;rio da Mantiqueira; Associa&ccedil;&atilde;o de Olivicultores da Regi&atilde;o da Campanha. No Alto Solim&otilde;es e no Paran&aacute; foram fortalecidos e valorizados arranjos j&aacute; existentes, como o F&oacute;rum do Desenvolvimento do Alto Solim&otilde;es e associa&ccedil;&otilde;es e cooperativas no Paran&aacute;. Na Para&iacute;ba e no Centro Paulista n&atilde;o houve avan&ccedil;os significativos nesse campo.</p>     <p>Focando o papel desempenhado pelo Estado, em suas diferentes esferas, destaque deve ser dado, em primeiro lugar, ao Governo Federal que, por meio da Secretaria de Assuntos Federativos da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, foi o idealizador, o negociador e o articulador do Programa como um todo, al&eacute;m de financiador de parte das a&ccedil;&otilde;es. Em &acirc;mbito estadual, apenas os governos dos estados do Amazonas, do Piau&iacute; e do Paran&aacute; ofereceram apoios, institucionais e materiais aos respectivos projetos. Os demais se mantiveram distanciados. Nos planos municipais, as participa&ccedil;&otilde;es das administra&ccedil;&otilde;es locais foram decisivas para o andamento das atividades dos projetos, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da Para&iacute;ba (SEBRAE e UFCG como protagonistas) e do Paran&aacute; (papel de destaque para SEBRAE e Ceasa local).</p>     <p>Al&eacute;m desses resultados, o Programa Brasil Pr&oacute;ximo representou uma oportunidade para os parceiros brasileiros debaterem quest&otilde;es importantes, tais como: a descentraliza&ccedil;&atilde;o administrativa e participativa como impulsores da alavancagem do desenvolvimento local; o ambiente e os bens culturais como fatores de desenvolvimento local por meio do turismo sustent&aacute;vel e da conserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente; a forma&ccedil;&atilde;o de cons&oacute;rcios de munic&iacute;pios para a implementa&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o de servi&ccedil;os e de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas locais para a promo&ccedil;&atilde;o de micro e pequenas empresas e para o cooperativismo; a descentraliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas sociais como fator de participa&ccedil;&atilde;o, coes&atilde;o social e desenvolvimento local.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma avalia&ccedil;&atilde;o do conjunto dos projetos que integraram o Programa Brasil Pr&oacute;ximo mostra que foram alcan&ccedil;ados grande n&uacute;mero dos objetivos propostos, sobretudo no que diz respeito &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, por parte dos territ&oacute;rios, de metodologias de concerta&ccedil;&atilde;o multin&iacute;vel e multiautorais (pactos territoriais), com o fortalecimento da capacidade das institui&ccedil;&otilde;es locais de construir a&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o e planejamento regional de forma participativa. Disseminou-se, tamb&eacute;m, uma nova abordagem de pol&iacute;ticas sociais que, tendo o pacto territorial como instrumento de concerta&ccedil;&atilde;o participativa, integrou programas federais, estaduais e municipais,</p>     <p>Foram criados, ainda, la&ccedil;os profundos entre os territ&oacute;rios brasileiros e italianos envolvidos (entre &Ugrave;mbria e os Munic&iacute;pios do Centro Paulista e os da Regi&atilde;o da Campanha; entre Marche e Toscana e as regi&otilde;es do Piau&iacute;, da Baixada Fluminense e da Mantiqueira; entre Emilia Romagna e a Para&iacute;ba e o Paran&aacute;; entre Lig&uacute;ria e Amazonas), por meio de a&ccedil;&otilde;es articuladas de interc&acirc;mbio, de atividades em campo e de transfer&ecirc;ncia de know-how entre os territ&oacute;rios n&atilde;o apenas em termos cognitivos, mas, sobretudo na pr&aacute;xis.</p>     <p>Uma outra perspectiva de avalia&ccedil;&atilde;o do Programa &eacute; aquela que desvia o olhar para os principais legados dos projetos e para o potencial de perpetua&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica de desenvolvimento inculcada durante o per&iacute;odo em que as a&ccedil;&otilde;es estiveram em curso. Nessa perspectiva as infer&ecirc;ncias pass&iacute;veis de serem apontadas com base na pesquisa n&atilde;o s&atilde;o muito promissoras. Os resultados obtidos oferecem fortes evid&ecirc;ncias de que, se por um lado o Programa produziu fortes efeitos pedag&oacute;gicos, disseminando valores e as impl&iacute;citas pr&aacute;xis da concep&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea do desenvolvimento, por outro, a diversidade das realidades locais revela limites e dificuldades para o prosseguimento dos processos disparados.</p>     <p>Nos casos do Piau&iacute; e da Baixada Fluminense, conhecidos como &aacute;reas de risco do ponto de vista social e econ&ocirc;mico, os projetos, implementados mais por decis&otilde;es externas do que por iniciativas end&oacute;genas, n&atilde;o sustentaram as propostas sem o apoio externo, seja dos parceiros italianos ou mesmo do governo brasileiro. No Piau&iacute;, tendo partido de um projeto j&aacute; em curso na &aacute;rea do Parque Nacional da Serra das Confus&otilde;es, a atua&ccedil;&atilde;o do Programa Brasil Pr&oacute;ximo impulsionou a coopera&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio, com intensa participa&ccedil;&atilde;o da equipe t&eacute;cnica italiana e de representantes dos munic&iacute;pios parceiros e com forte apoio governamental. Contudo, o encerramento do projeto e o fim do apoio internacional trouxeram forte redu&ccedil;&atilde;o nas atividades e possibilidades de continuidade, face &agrave; extrema pobreza e precariedade da regi&atilde;o e a descontinuidade do apoio estadual.</p>     <p>Caso semelhante ocorreu na Baixada Fluminense. O projeto estruturou-se a partir de atividades de ONGs existentes na regi&atilde;o, com apoio de institui&ccedil;&otilde;es federais (Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e de Pol&iacute;ticas para a Juventude) e das prefeituras dos munic&iacute;pios integrantes do territ&oacute;rio. As a&ccedil;&otilde;es do projeto possibilitaram a coleta e a sistematiza&ccedil;&atilde;o de completo levantamento sobre grupos e equipamentos culturais na regi&atilde;o, visando &agrave; ulterior constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas territoriais de incentivo &agrave; arte e cultura. Com o encerramento do projeto e o escasseamento dos financiamentos externos (italianos e do governo federal), a continuidade das a&ccedil;&otilde;es ficou dependente das parcas e improv&aacute;veis possibilidades de apoio das administra&ccedil;&otilde;es municipais, tendo, ao fim e ao cabo, retornado &agrave; esfera de a&ccedil;&atilde;o das ONGs j&aacute; anteriormente envolvidas.</p>     <p>No caso do Alto Solim&otilde;es, o processo e os legados ocorreram de forma oposta aos dos dois casos anteriores, dado que as iniciativas promotoras do desenvolvimento territorial e da coopera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estavam presentes no territ&oacute;rio antes do Programa Brasil Pr&oacute;ximo e a sobreviv&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia foi assegurada e persiste gra&ccedil;as &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o do apoio do Governo do Estado do Amazonas, da Diocese local e de entidades civis locais, criadas ou fortalecidas no percurso do projeto.</p>     <p>Em Curitiba, o Programa Brasil Pr&oacute;ximo apoiou-se em projetos j&aacute; financiados e incentivados pelo SEBRAE PR, os quais permaneceram ativos, movidos pelas parcerias com produtores locais. Houve significativa mudan&ccedil;a cultural com a organiza&ccedil;&atilde;o do Centro de Abastecimento Municipal, com a obten&ccedil;&atilde;o de certifica&ccedil;&otilde;es e a redu&ccedil;&atilde;o de perdas no transporte de produtos da agricultura familiar para o Centro de Abastecimento. No caso de Campina Grande, apesar do forte apoio inicial de SEBRAE, o projeto da produ&ccedil;&atilde;o de algod&atilde;o colorido, n&atilde;o teve grande alcance e deixou poucos resultados no territ&oacute;rio.</p>     <p>Na regi&atilde;o da Campanha ga&uacute;cha, os legados do Programa Brasil Pr&oacute;ximo foram muito significativos, principalmente pelo conte&uacute;do de inova&ccedil;&atilde;o e aprendizado t&eacute;cnico presente na produ&ccedil;&atilde;o da olivicultura incentivada no territ&oacute;rio. Assim, tendo agregado conhecimento &agrave; regi&atilde;o e aos pequenos produtores locais, as a&ccedil;&otilde;es implementadas pelo projeto tendem a prosseguir consolidando as atividades da pequena agricultura familiar frente &agrave; grande olivicultura presente desde sempre na regi&atilde;o.</p>     <p>O projeto na Serra da Mantiqueira tamb&eacute;m foi bastante significativo, na perspectiva de seu legado pol&iacute;tico e t&eacute;cnico para os munic&iacute;pios da regi&atilde;o. A cria&ccedil;&atilde;o da marca &ldquo;Territ&oacute;rio Mantiqueira&rdquo;, nova express&atilde;o da ADITIM &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o de Turismo do Territ&oacute;rio Mantiqueira, evidencia que a qualifica&ccedil;&atilde;o pretendida durante o Programa Brasil Pr&oacute;ximo deixou um importante legado ao territ&oacute;rio, fortalecendo-o e consolidando-o como p&oacute;lo tur&iacute;stico.</p>     <p>No territ&oacute;rio denominado Centro Paulista, composto por oito munic&iacute;pios, o legado do projeto restringiu-se aos munic&iacute;pios de Rio Claro e Ja&uacute;, o primeiro voltado &agrave; agricultura familiar e o segundo ao segmento da ind&uacute;stria de cal&ccedil;ados, nos quais houve parcerias entre prefeituras e entidades. Em Rio Claro, o apoio prestado pela prefeitura possibilitou a transforma&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o local em cooperativa de pequenos agricultores, al&eacute;m da cria&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Selo Brasil Pr&oacute;ximo&rdquo; de agricultura regional. O posterior ingresso do munic&iacute;pio e seu entorno territorial no projeto Territ&oacute;rios da Cidadania do Governo Federal vem assegurando a continuidade das a&ccedil;&otilde;es propostas pelo Programa Brasil Pr&oacute;ximo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Uma primeira conclus&atilde;o, pass&iacute;vel de ser extra&iacute;da com base nos resultados da pesquisa, &eacute; a de que a coopera&ccedil;&atilde;o internacional para o desenvolvimento, preconizada pelo Programa Brasil Pr&oacute;ximo, se mostrou apenas parcialmente exitosa. Isso porque, se de um lado as a&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o descentralizada se revelaram conformes aos pressupostos expressos na literatura, (Douxchamps, 1996; Romero, 2010; Haftek, 2003), notadamente no que diz respeito &agrave;s intera&ccedil;&otilde;es entre ambos os lados, de outro, os efeitos finais das a&ccedil;&otilde;es, a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento nos territ&oacute;rios, foram apenas parciais e limitados. Sugere-se, com isso, que o Programa tenha alcan&ccedil;ado seus prop&oacute;sitos quanto aos meios utilizados sem, no entanto, lograr &ecirc;xito quanto aos fins, salvo as exce&ccedil;&otilde;es apontadas na se&ccedil;&atilde;o anterior. As raz&otilde;es para as relatadas disparidades de resultados encontram amplo respaldo na literatura, porquanto nos tr&ecirc;s territ&oacute;rios em que os resultados foram mais favor&aacute;veis ocorreram tr&ecirc;s fatores cruciais: a efetiva transfer&ecirc;ncia de conhecimentos (dos parceiros italianos &agrave;s comunidades locais); a cria&ccedil;&atilde;o e/ou o fortalecimento de redes locais de agentes; o intenso envolvimento, durante e ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es, dos governos locais/regionais.</p>     <p>Esse conjunto de constata&ccedil;&otilde;es sugere uma segunda conclus&atilde;o de car&aacute;ter mais geral, qual seja a de que a coopera&ccedil;&atilde;o descentralizada, horizontal, n&atilde;o promove o desenvolvimento local, mas sim aporta fatores e condi&ccedil;&otilde;es, fr&aacute;geis ou inexistentes nos territ&oacute;rios, pass&iacute;veis de serem apropriados pelos agentes locais que, por esses meios, se capacitam a promover o desenvolvimento em seus respectivos &acirc;mbitos locais.</p>     <p>Uma terceira conclus&atilde;o, com foco na concep&ccedil;&atilde;o do Programa, &eacute; que o mesmo n&atilde;o operou de forma sist&ecirc;mica, mas sim de forma grandemente fragment&aacute;ria, tanto da parte do governo italiano quanto do brasileiro: cada um dos oito projetos foi conduzido por equipes que n&atilde;o dialogaram entre si; n&atilde;o houve troca de experi&ecirc;ncias; n&atilde;o houve qualquer tipo de vis&atilde;o do todo e de integra&ccedil;&atilde;o, que propiciassem retroalimenta&ccedil;&otilde;es internas, ajustes e efeitos sin&eacute;rgicos.</p>     <p>Finalmente, quanto &agrave; pesquisa, em sua proposta metodol&oacute;gica, pode-se concluir que tenha alcan&ccedil;ado &ecirc;xito, tanto no seu prop&oacute;sito explorat&oacute;rio quanto no descritivo e ainda nas contribui&ccedil;&otilde;es para a literatura e para a teoria.</p>     <p>Tais contribui&ccedil;&otilde;es, sobretudo no que diz respeito ao olhar para o futuro, poder&atilde;o se expressar e materializar em referenciais, sobretudo anal&iacute;ticos, para o estudo de programas similares, no Brasil ou fora, que venham a comportar a&ccedil;&otilde;es diversas em territ&oacute;rios distintos, realizadas ao abrigo de uma iniciativa estatal centralizada, preferencialmente no formato de coopera&ccedil;&atilde;o com parceiro internacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ABRAMOVAY, R. (1998). Agriculture familiale et d&eacute;veloppement territorial au Br&eacute;sil. <i>Ruralia</i><i> - Revue de l'Association des ruralistes fran&ccedil;ais ARF</i>, 1 (3): 91-112.</p>     <p>ABRAMOVAY, R. (2000). <i>O capital social dos territ&oacute;rios</i>: repensando o desenvolvimento rural. Economia Aplicada, 4: 379-397.</p>     <p>ABRAMOVAY, R. (2002). Agricultura familiar y desarrollo territorial. <i>Reforma agr&aacute;ria</i> - FAO, 1: 28-43.</p>     <p>ABRAMOVAY, R. (2007). Para uma teoria dos estudos territoriais. In A. C. Ortega &amp; N. Almeida Filho (Orgs.). <i>Desenvolvimento territorial, seguran&ccedil;a alimentar e economia solid&aacute;ria</i>. Campinas: Al&iacute;nea, 19-38.</p>     <p>ALBAGLI, S. &amp; MACIEL, M. L. (2004). Informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento na inova&ccedil;&atilde;o e no desenvolvimento local. <i>Ci&ecirc;ncia da Informa&ccedil;&atilde;o</i>, 33(3): 9-16.</p>     <p>ALMEIDA, M. G. de. (2004). Desenvolvimento tur&iacute;stico ou desenvolvimento local? Algumas reflex&otilde;es. <i>Anais</i> <i>do</i><i> Encontro Nacional de Turismo de Base Local &ndash; </i><i>ENTBL</i>.</p>     <p>AMARAL FILHO, J. do. (2001). A endogeneiza&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento econ&ocirc;mico regional e local. <i>Planejamento e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas</i>, 23: 261-286,.</p>     <p>ANDION, C. (2003). An&aacute;lise de redes e desenvolvimento local sustent&aacute;vel. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</i>, 37 (5): 1033-1054,.</p>     <p>BARBOSA, F. F. (2005). O tursimo como um fator de desenvolvimento local e/ou regional. <i>Cadernos de Geografia</i> 10(14): 107-114.</p>     ]]></body>
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