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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O programa de unidade de polícia pacificadora como instrumento do projeto de cidade competitiva]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this article is to discuss the targets of the Peacekeeping Police Unit Program as a consolidation instrument of the strategic planning schedule adopted in Rio de Janeiro, which aims to deliver a image of a safe city, with conditions to host large-scale events and, first and foremost, to be attractive to the market and to large investors. For this, we develop the thesis, based on the analysis of its economic viability, that the Peacekeeping Police Unit Program could not be uniformly implemented and maintained in all urban areas, claiming the use of selective criteria. In conclusion, it will be presented the specific urban areas where the mentioned program was installed, and the motivation beneath the elections of these areas.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O programa de unidade de pol&iacute;cia pacificadora como instrumento do projeto de cidade competitiva</b></p>     <p><b>The program of peacemaker police unit as an instrument of a competitive city project&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Almeida, Adilson</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>Universidade do Porto | Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio; 020.271-064, Rio de Janeiro, Brasil. Rua Prof. Gabizo, 231 &ndash; cob. 02, Tijuca; <a href="mailto:adilsonalmeida80@gmail.com">adilsonalmeida80@gmail.com</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente artigo tem como objetivo trazer a lume evid&ecirc;ncias da hip&oacute;tese de que o programa de Unidade de Pol&iacute;cia Pacificadora possui como um de seus fins o de ser instrumento para a consolida&ccedil;&atilde;o de programa de planejamento estrat&eacute;gico adotado na cidade do Rio de Janeiro, que tem como um de seus pressupostos difundir a imagem de cidade segura, com condi&ccedil;&otilde;es para receber grandes eventos e, principalmente, ser atrativa ao mercado e aos grandes investimentos. Para tanto, a an&aacute;lise da inviabilidade econ&ocirc;mica do programa revelar&aacute; que n&atilde;o poderia ser implantado e mantido em todos os territ&oacute;rios com crit&eacute;rios id&ecirc;nticos, o que inevitavelmente determinou a seletividade. Por fim, como ratifica&ccedil;&atilde;o desta seletividade, demonstrar-se-&aacute; em quais &aacute;reas da cidade as unidades foram implantadas e as motiva&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Rio de Janeiro; pol&iacute;ticas p&uacute;blicas; seguran&ccedil;a p&uacute;blica; Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora; neoliberalismo; cidades competitivas.</p>     <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The purpose of this article is to discuss the targets of the Peacekeeping Police Unit Program as a consolidation instrument of the strategic planning schedule adopted in Rio de Janeiro, which aims to deliver a image of a safe city, with conditions to host large-scale events and, first and foremost, to be attractive to the market and to large investors. For this, we develop the thesis, based on the analysis of its economic viability, that the Peacekeeping Police Unit Program could not be uniformly implemented and maintained in all urban areas, claiming the use of selective criteria. In conclusion, it will be presented the specific urban areas where the mentioned program was installed, and the motivation beneath the elections of these areas.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Keywords:</b> Rio de Janeiro; public policies; public security; Peacekeeping Police Units; neoliberalism; competitive cities.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A evolu&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio econ&ocirc;mico-pol&iacute;tico internacional, o atual protagonismo das cidades e o contexto carioca</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde a d&eacute;cada de 70 o cen&aacute;rio financeiro-econ&ocirc;mico mundial tem passado por profundas transforma&ccedil;&otilde;es que ocorrem de forma concomitante a forte processo de globaliza&ccedil;&atilde;o. Em per&iacute;odo imediatamente anterior, que se iniciou com o fim da II Guerra Mundial, a Europa adotou modelo que viria a se denominar <i>welfare state</i> (estado de bem-estar social), que teve como principal expoente John Maynard Keynes.</p>     <p>O modelo nominado de keynesiano, apesar de proporcionar diversos ganhos no campo social, tinha como principal motivador a manuten&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista sem que houvesse grandes crises, como a ocorrida no ano de 1929. Dessa forma, a exist&ecirc;ncia de um Estado que garantisse o bem-estar das pessoas e que fosse o grande propulsor do desenvolvimento econ&ocirc;mico eram condi&ccedil;&otilde;es imprescind&iacute;veis para evitar ciclos de crises.</p>     <p>No entanto, em que pese os esfor&ccedil;os empreendidos, na d&eacute;cada de 70 uma forte crise abalou as economias dos Estados Nacionais, cen&aacute;rio perfeito para que os liberais propusessem um novo modelo econ&ocirc;mico. Margaret Thatcher (Reino Unido) e Ronald Reagen (EUA), durante a d&eacute;cada de 80, iniciaram profundas reformas com vistas a liberalizar os mercados e pregar a austeridade fiscal (Estado m&iacute;nimo), o que ocasionou a interrup&ccedil;&atilde;o de diversas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas promovidas pelos respectivos Estados, cujos setores passaram a ser regidos pelas regras do livre mercado.</p>     <p>Ao mesmo tempo em que a figura do Estado desenvolvimentista perdia for&ccedil;a, surge o Consenso de Washington (<i>recomenda&ccedil;&atilde;o internacional elaborada em 1989, que visava a propalar a conduta econ&ocirc;mica neoliberal com a inten&ccedil;&atilde;o de combater as crises e mis&eacute;rias dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos, sobretudo os da Am&eacute;rica Latina</i>), o qual exigia ajustes estruturais que determinaram o corte de or&ccedil;amentos para &aacute;reas de assist&ecirc;ncia e de desenvolvimento social e que, por consequ&ecirc;ncia, acabaram por enfraquecer os programas de Estado nesse setor. De outro modo, em favor da l&oacute;gica de mercado, caracterizada essencialmente pela concess&atilde;o de empr&eacute;stimos, o Estado procura eximir-se de intervir em diversas quest&otilde;es, como a privatiza&ccedil;&atilde;o de empresas p&uacute;blicas que atuam em setores estrat&eacute;gicos da economia. Na sequ&ecirc;ncia, outras posturas s&atilde;o exigidas dos Estados, como a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, pautada na figura da rela&ccedil;&atilde;o empresa x empregado.</p>     <p>No mesmo per&iacute;odo, percebeu-se o movimento de financeiriza&ccedil;&atilde;o que acompanhou o novo modelo neoliberal que se iniciou na d&eacute;cada de 70 e que se caracteriza num aumento exponencial das transa&ccedil;&otilde;es financeiras, liberaliza&ccedil;&atilde;o e desregulamenta&ccedil;&atilde;o de mercados e das atividades financeiras, com o concomitante aumento da import&acirc;ncia ao capital financeiro.</p>     <p>Como se p&ocirc;de depreender, os Estados Nacionais perdem for&ccedil;a como centro de poder, passando da figura de regulador para a de facilitador do mercado e dependente deste. Por outro vi&eacute;s, as cidades come&ccedil;am a ganhar import&acirc;ncia, n&atilde;o como figura que possa se contrapor ao mercado, mas como terreno f&eacute;rtil para o desenvolvimento das pr&aacute;ticas neoliberais. As cidades come&ccedil;aram a ganhar destaque no cen&aacute;rio internacional, possuindo grande autonomia frente aos Estados-na&ccedil;&otilde;es aos quais est&atilde;o vinculadas e n&atilde;o &eacute; por acaso que o planejamento estrat&eacute;gico na Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica ganhou for&ccedil;a e come&ccedil;ou a ser adotado como modelo de gest&atilde;o, pois tem como um dos pilares fomentar a mercantiliza&ccedil;&atilde;o e a financeiriza&ccedil;&atilde;o do mercado da cidade.</p>     <p>Nesse contexto em que a cidade passa a ser produzida a partir do paradigma neoliberal de cidade-empresa, o planejamento como pol&iacute;tica p&uacute;blica de Estado d&aacute; lugar ao empreendedorismo como pensamento dominante na produ&ccedil;&atilde;o da cidade (HARVEY, 2006) e a escala urbana passa a exercer cada vez mais centralidade nas economias nacionais. Para Harvey, como consequ&ecirc;ncia da redu&ccedil;&atilde;o das barreiras espaciais &agrave; circula&ccedil;&atilde;o de bens, pessoas, dinheiro e informa&ccedil;&atilde;o no &uacute;ltimo ter&ccedil;o do s&eacute;culo XX, a qualidade do espa&ccedil;o ganha import&acirc;ncia para a inser&ccedil;&atilde;o das cidades nos espa&ccedil;os econ&ocirc;micos globais. Em um cen&aacute;rio de competi&ccedil;&atilde;o interurbana, essa qualidade passa a ser decisiva na atra&ccedil;&atilde;o do capital com vistas ao desenvolvimento capitalista (HARVEY, 1996, p. 48-64). Em busca de investimentos, as cidades que adotam o modelo inserem-se num ambiente competitivo internacional o que requer a divulga&ccedil;&atilde;o de uma boa imagem.</p>     <p>Inspirada nos princ&iacute;pios de gest&atilde;o empresarial da <i>Harvard Business School</i>, emerge a figura do <i>planejamento estrat&eacute;gico de cidade</i> &ndash; de acordo com a caracteriza&ccedil;&atilde;o feita por autores como Vainer (2000) e Harvey (2006). Neste processo, em que "cidades [s&atilde;o] submetidas &agrave;s mesmas condi&ccedil;&otilde;es e desafios que as empresas" (VAINER, 2000, p. 76), exige-se que os governos locais sejam flex&iacute;veis, facilmente adapt&aacute;veis &agrave; din&acirc;mica da globaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nesse novo modo de planejar, Vainer (2000) afirma que a cidade se caracteriza como uma mercadoria, com a venda de seus atributos e o marketing como promovedor de sua atratividade, funcionamento que se assemelha ao de uma empresa. Outra caracter&iacute;stica marcante &eacute; o estreitamento das parcerias p&uacute;blico-privada.</p>     <p>Acerca das parcerias p&uacute;blico-privada, hodiernamente discute-se se este mecanismo teria aprofundado o desvirtuamento do interesse p&uacute;blico. Acerca do tema, Fernandes e Chamusca (2014) afirmam que na &uacute;ltima d&eacute;cada aumenta-se a depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao capital privado e nota-se uma transforma&ccedil;&atilde;o - das parcerias p&uacute;blico-privada designadamente &ndash; que responde em larga medida &agrave; vontade do investidor, num processo de &ldquo;privatiza&ccedil;&atilde;o da cidade&rdquo; (apud Chamusca, 2012) que ocorre no quadro de uma pol&iacute;tica de regenera&ccedil;&atilde;o onde se verifica o &ldquo;triunfo da arquitetura sobre a geografia econ&oacute;mica e social&rdquo; (apud Fernandes, 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Realizado esse pequeno esbo&ccedil;o introdut&oacute;rio que revela o cen&aacute;rio econ&ocirc;mico internacional e o modo como as cidades se inserem neste cen&aacute;rio competitivo, passa-se a an&aacute;lise espec&iacute;fica do contexto carioca.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. O contexto carioca</b></p>     <p>No caso da cidade do Rio de Janeiro, as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que desejam tornar a cidade atrativa aos investimentos passam necessariamente pela quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e da capacidade de sediar grandes eventos (Pan-americanos, Jogos Ol&iacute;mpicos, jogos da Copa do Mundo de Futebol, exposi&ccedil;&otilde;es e desfiles internacionais), bem como pela revitaliza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos, como o caso do Porto Maravilha, e a cria&ccedil;&atilde;o do que se qualifica como espa&ccedil;os de &oacute;cio. As duas administra&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, municipal e estadual, ambas comandadas pelo Partido do Movimento Democr&aacute;tico Brasileiro (PMDB), atual MDB (Movimento Democr&aacute;tico Brasileiro), estavam alinhadas com programa que veiculasse a imagem do Estado e, principalmente, da cidade do Rio de Janeiro no cen&aacute;rio internacional como apta a atrair empresas e investimentos.</p>     <p>Desse modo, o primeiro passo foi concorrer e ser eleita para sediar grandes eventos, tendo a cidade do Rio de Janeiro sido escolhida para sediar alguns jogos e a grande final da Copa do Mundo de Futebol FIFA que se realizou no ano de 2014. Como se n&atilde;o bastasse, a cidade do Rio de Janeiro concorreu e venceu pleito em 2009 para sediar os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016. A justificativa das autoridades (Presidente da Rep&uacute;blica, Governador e Prefeito) &eacute; que esta seria uma grande oportunidade para atrair investimentos e colocar em evid&ecirc;ncia, principalmente, o nome da cidade do Rio de Janeiro no mundo, al&eacute;m do t&atilde;o famoso &ldquo;legado ol&iacute;mpico&rdquo;, que seria fruto de interven&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas.</p>     <p>No entanto, clima de extrema inseguran&ccedil;a est&aacute; vinculado &agrave; imagem da cidade e tanto o Estado como a Cidade do Rio de Janeiro vinham ano ap&oacute;s ano com cen&aacute;rio de redu&ccedil;&atilde;o de investimentos privados e de perda de empresas.</p>     <p>O quadro atual da seguran&ccedil;a na cidade do Rio de Janeiro &eacute; fruto de mais de um s&eacute;culo em que a urbaniza&ccedil;&atilde;o da cidade do Rio de Janeiro &eacute; marcada pela exclus&atilde;o social, como se pode depreender do per&iacute;odo higienista do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX e da elitiza&ccedil;&atilde;o pelo qual passou o centro da cidade, ocasi&atilde;o em que a popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel foi &ldquo;empurrada&rdquo; para a periferia e morros cariocas. No entanto, as especificidades do atual cen&aacute;rio t&ecirc;m sua origem na d&eacute;cada de 80, quando os assentamentos prec&aacute;rios, denominados popularmente como &ldquo;favelas&rdquo;, come&ccedil;am a ser ocupados por fac&ccedil;&otilde;es criminosas ligadas ao tr&aacute;fico de drogas, que encontram nestes ambientes, ante a aus&ecirc;ncia de Estado, campo prop&iacute;cio ao desenvolvimento de suas pr&aacute;ticas.</p>     <p>A disputa por pontos de vendas de drogas, conhecidas por &ldquo;bocas de fumo&rdquo;, entre as fac&ccedil;&otilde;es criminosas, e as pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica pautadas no enfrentamento, acrescentaram mais um elemento relevante para a sensa&ccedil;&atilde;o de profunda inseguran&ccedil;a na cidade, que &eacute; o com&eacute;rcio ilegal de armas.&nbsp; A necessidade de defesa e tomada destes pontos de venda e o enfrentamento da Pol&iacute;cia requerem o uso da for&ccedil;a, que se d&aacute; por meio de armas de fogo. Assim, conflitos armados e a elevada taxa de homic&iacute;dios, com destaque para a morte de jovens, negros e pobres, frutos da exclus&atilde;o, passam a ser um retrato da cidade.</p>     <p>Carvalho nos traz valiosa contribui&ccedil;&atilde;o para o debate, ao afirmar que (MACHADO DA SILVA e LEITE, 2008, apud CARVALHO, 2013, p. 288):</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(...) ao longo da d&eacute;cada de 1990 e nos primeiros anos do s&eacute;culo XXI, a representa&ccedil;&atilde;o que circulava no imagin&aacute;rio coletivo era a de uma cidade extremamente violenta devido a uma s&eacute;rie de acontecimentos que envolviam principalmente o conflito de drogas do varejo e a pol&iacute;cia, al&eacute;m de assaltos, sequestros, homic&iacute;dios, dentre outras modalidades de crime que eram constantemente veiculados em diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.</p> </blockquote>     <p>Ainda sobre o tema, Carvalho (2013, p. 288) destaca a obra do jornalista Zuenir Ventura, na qual a imagem de cidade maravilhosa foi gradualmente sendo substitu&iacute;da pela de cidade partida. A raz&atilde;o seria a divis&atilde;o socioecon&ocirc;mica da cidade entre &aacute;rea nobre (ricos e classe m&eacute;dia), tidas como v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia, e os morros e favelas onde viveriam as camadas sociais mais pobres, identificados como os territ&oacute;rios promovedores da viol&ecirc;ncia, com o consequente refor&ccedil;o do equivocado v&iacute;nculo simb&oacute;lico entre pobreza e marginalidade.</p>     <p>As promessas de campanha feitas no ano de 2006 pelo ent&atilde;o candidato do PMDB, eleito naquele ano ao cargo de Governador<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, refletem bem referidas preocupa&ccedil;&otilde;es, pois t&ecirc;m como principais focos a seguran&ccedil;a p&uacute;blica e a revers&atilde;o do quadro de &ecirc;xodo de empresas do Estado, por meio da atra&ccedil;&atilde;o de investimentos. Na esfera municipal, no mesmo ano em que foi escolhida para sediar dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, a Administra&ccedil;&atilde;o Municipal lan&ccedil;ou o Plano Estrat&eacute;gico da Prefeitura do Rio de Janeiro (2009-2012) com o <i>slogan</i> &ldquo;O Rio mais integrado e competitivo&rdquo;<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>. Tais informa&ccedil;&otilde;es, quando conjugadas no tempo e espa&ccedil;o (concomit&acirc;ncia do per&iacute;odo das administra&ccedil;&otilde;es e o territ&oacute;rio para o qual as pol&iacute;ticas s&atilde;o direcionadas), revelam a afinidade entre as administra&ccedil;&otilde;es para propagar a imagem da cidade segura e atrativa aos investimentos. O pr&oacute;prio documento de apresenta&ccedil;&atilde;o do referido plano estrat&eacute;gico menciona na parte do diagn&oacute;stico de emprego e renda que h&aacute; um grave desequil&iacute;brio no n&iacute;vel e no dinamismo econ&ocirc;mico entre as diversas regi&otilde;es da cidade e aponta com uma das causas os &iacute;ndices de criminalidade<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>.</p>     <p>Assim, como muito bem idealizado por Vainer (2000), havia a solidifica&ccedil;&atilde;o da ideia de crise (caos na seguran&ccedil;a p&uacute;blica) para, ent&atilde;o, os governos gozarem de legitimidade para desenvolver programas que resultem na percep&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de conflitos e de coes&atilde;o entre os cidad&atilde;os da cidade, como estrat&eacute;gia de <i>markenting</i> urbano dominante para a promo&ccedil;&atilde;o da cidade atrativa e segura, inserindo-a no contexto de mercadoria. Como exposto alhures, o cen&aacute;rio carioca oferecia condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias a legitimar programas na &aacute;rea de seguran&ccedil;a voltados &agrave; l&oacute;gica do mercado mesmo que repentinamente elaborados.</p>     <p>O Rio estava diante de um grande desafio, que era o de promover dois grandes eventos (Copa do Mundo de Futebol e Olimp&iacute;adas), al&eacute;m de outros de menor propor&ccedil;&atilde;o que surgiriam ao longo do per&iacute;odo de prepara&ccedil;&atilde;o da cidade para os referidos megaeventos, no que se costuma denominar de laborat&oacute;rios ou eventos testes. Para tanto, al&eacute;m de interven&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas necess&aacute;rias, a cidade teria a grande possibilidade de veicular sua imagem ao mundo e, na l&oacute;gica das administra&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, o desejo era o de um local atrativo aos grandes investimentos. Essa imagem, ante o hist&oacute;rico de viol&ecirc;ncia da cidade e de acordo com a l&oacute;gica do mercado, passa necessariamente pela imagem de cidade segura e com coes&atilde;o social e &eacute; exatamente neste contexto que surge o Programa de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora, conhecida pela sigla UPP.</p>     <p>O Programa de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora foi criado no ano de 2008, ap&oacute;s a escolha da cidade para sediar alguns jogos e a grande final da Copa do Mundo de Futebol Fifa, a ser realizada no ano de 2014, e oficialmente qualifica-se como programa que visa a retomada permanente de comunidades dominadas pelo tr&aacute;fico de drogas e a proximidade do Estado com estas popula&ccedil;&otilde;es, que se daria por meio do conceito de pol&iacute;cia de proximidade, que vai al&eacute;m do de pol&iacute;cia comunit&aacute;ria e tem sua estrat&eacute;gia fundamentada na parceria entre a popula&ccedil;&atilde;o e institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica.</p>     <p>Carvalho (2013, p. 287-288) salienta que &ldquo;o investimento na &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica est&aacute; relacionado &agrave; tentativa de mudar a imagem da cidade e assegurar aos comit&ecirc;s organizadores da Copa do Mundo e dos Jogos Ol&iacute;mpicos que o Rio de Janeiro est&aacute; seguro no que diz respeito &agrave; viol&ecirc;ncia urbana&rdquo;. Denota-se que a seguran&ccedil;a p&uacute;blica no Rio de Janeiro &eacute; tida como &aacute;rea estrat&eacute;gica no c&acirc;mbio da imagem da cidade para refleti-la como segura para realizar grandes eventos e aos investimentos. Para tanto, CARVALHO enfatiza que n&atilde;o foi &agrave; toa o fato de a Capit&atilde; da UPP Santa Marta, primeira unidade do programa instalada em dezembro de 2008 no bairro de Botafogo, zona sul do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, integrar o Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Brasileiro (COB) na sess&atilde;o de escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar os jogos ol&iacute;mpicos.</p>     <p>Pelo exposto, para a execu&ccedil;&atilde;o dos objetivos &eacute; evidente e necess&aacute;ria a parceria entre Governo de Estado e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro que, como citado alhures, eram administrados pelo mesmo partido pol&iacute;tico. Perceber referida parceria &eacute; importante para compreender como o Programa de Unidade de Pol&iacute;cia Pacificadora tinha como principal objetivo garantir os megaeventos na cidade e proporcionar a imagem de cidade segura e apta a receber investimentos, pois a atribui&ccedil;&atilde;o para a execu&ccedil;&atilde;o de programas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica extrapola o &acirc;mbito de compet&ecirc;ncias do governo municipal.</p>     <p>Nesse &acirc;mbito, em que pese a Administra&ccedil;&atilde;o Municipal possuir o corpo de Guarda Municipal, cujo foco &eacute; a prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio p&uacute;blico e o aux&iacute;lio na preven&ccedil;&atilde;o de pequenos delitos, &eacute; de responsabilidade dos Estados gerir a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica em seus territ&oacute;rios, conforme preconiza o artigo 144 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>. Este quadro, somado ao fato de que a cidade do Rio de Janeiro necessitava transmitir a imagem de seguran&ccedil;a, revela que a parceria entre as duas administra&ccedil;&otilde;es era imprescind&iacute;vel para a consecu&ccedil;&atilde;o do projeto de cidade segura.</p>     <p>O urbanismo empresarial visa possibilitar a ado&ccedil;&atilde;o de modelo em que os mercados direcionem as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, passando o foco das referidas pol&iacute;ticas na ideia da obten&ccedil;&atilde;o de lucro. Desse modo, formular programa de seguran&ccedil;a p&uacute;blica com aptid&atilde;o para gerar a imagem de cidade segura, somado a outras medidas de incentivo ao investimento privado, como as desonera&ccedil;&otilde;es fiscais a espec&iacute;ficos setores do mercado, que foram largamente utilizadas nas gest&otilde;es do Governo do Estado (2007-2010 e 2011-2014)<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>, eram fundamentais como sinaliza&ccedil;&atilde;o para o mercado e para a realiza&ccedil;&atilde;o dos grandes eventos, sendo este &uacute;ltimo&nbsp; important&iacute;ssima &ldquo;vitrine&rdquo; do mercado da cidade num contexto competitivo entre cidades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Formas de controle dos desviantes e a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem econ&ocirc;mica imposta</b></p>     <p>De acordo com Max Weber, o Estado &eacute; o detentor do monop&oacute;lio da viol&ecirc;ncia dentro de um territ&oacute;rio, fruto do poder soberano. Assim, numa compreens&atilde;o cl&aacute;ssica, a institui&ccedil;&atilde;o policial seria um aparato estatal que det&eacute;m o monop&oacute;lio da coa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica leg&iacute;tima, colocando, portanto, no centro da ideia de pol&iacute;cia a possibilidade de uso da viol&ecirc;ncia (VALENTE, 2016, p.82).</p>     <p>Michel Foucault vai al&eacute;m, ao afirmar que a institui&ccedil;&atilde;o policial n&atilde;o deve ser vista t&atilde;o somente sob o aspecto do uso da for&ccedil;a, mas sob o ponto de vista das rela&ccedil;&otilde;es de governo (SOZZO, 2012, p.513, apud VALENTE, 2016, p. 82). Referidas rela&ccedil;&otilde;es de governo anunciam o conceito de &ldquo;governamentalidade&rdquo; introduzido por Foucault, que seriam mecanismos de poder que t&ecirc;m por alvo a popula&ccedil;&atilde;o, por forma de saber a economia pol&iacute;tica e por instrumentos os dispositivos de seguran&ccedil;a (VALENTE, 2016, p. 82).</p>     <p>Foucault aduziu que:</p>     <blockquote>     <p>Por esta palavra, &ldquo;governamentalidade&rdquo;, entendo o conjunto constitu&iacute;do pelas institui&ccedil;&otilde;es, os procedimentos, an&aacute;lises e reflex&otilde;es, os c&aacute;lculos e as t&aacute;ticas que permitem exercer essa forma bem espec&iacute;fica, embora muito complexa, de poder que tem por alvo principal a popula&ccedil;&atilde;o, por principal forma de saber a economia pol&iacute;tica e por instrumento t&eacute;cnico essencial os dispositivos de seguran&ccedil;a. Em segundo lugar, por &ldquo;governamentalidade&rdquo; entendo a tend&ecirc;ncia, a linha de for&ccedil;a que, em todo o ocidente, n&atilde;o parou de conduzir, e desde h&aacute; muito, para a preemin&ecirc;ncia desse tipo de poder que chamar de &ldquo;governo&rdquo; sobre todos os outros &ndash; soberania, disciplina &ndash; e que trouxe, por um lado, o desenvolvimento de toda uma s&eacute;rie de aparelhos espec&iacute;ficos de governo de, por outro lado, o desenvolvimento de toda uma s&eacute;rie de saberes. Enfim, por &ldquo;governamentalidade&rdquo; creio que se deveria entender o processo, ou antes, o resultado do processo pelo qual o Estado de justi&ccedil;a da Idade M&eacute;dia, que nos s&eacute;culos XV e XVI se tornou o Estado administrativo, viu-se pouco a pouco &ldquo;governamentalizado&rdquo; (FOUCAULT, 2008a, p. 143-144).</p> </blockquote>     <p>Dentro dessa l&oacute;gica, o Estado contempor&acirc;neo desenvolveu, inicialmente, um conceito de pol&iacute;cia a partir do s&eacute;culo XVII de que era &ldquo;o conjunto dos meios pelos quais &eacute; poss&iacute;vel fazer as for&ccedil;as do Estado crescerem, mantendo ao mesmo tempo a sua boa ordem desse Estado&rdquo; (FOUCAULT, 2008a, p. 421). O objetivo da pol&iacute;cia &eacute;, ent&atilde;o, o controle e a responsabilidade pela atividade dos homens &ndash; era importante que os homens fossem virtuosos, obedientes, trabalhadores (FOUCAULT, 2008a, p. 432, apud VALENTE, 2016, p.85-86), na medida em que essa atividade se constitui elemento diferencial na for&ccedil;a do Estado.</p>     <p>Para Foucault, a pol&iacute;cia, desde sua g&ecirc;nese, &eacute; organizada para a regulamenta&ccedil;&atilde;o urbana (FOUCAULT, 2008a, p. 452):</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>(...) a pol&iacute;cia nos s&eacute;culos XVII e XVIII foi, a meu ver, essencialmente pensada em termos do que poder&iacute;amos chamar de urbaniza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio. Tratava-se, no fundo, de fazer do reino, de fazer do territ&oacute;rio inteiro uma esp&eacute;cie de grande cidade, de fazer que o territ&oacute;rio fosse organizado como uma cidade, com base no modelo de uma cidade e t&atilde;o perfeitamente quanto uma cidade.</p> </blockquote>     <p>Na continuidade, ainda sobre urbaniza&ccedil;&atilde;o e policiamento, afirmou (FOUCAULT, 2008a, p. 453):</p>     <blockquote>     <p>(...) evoco simplesmente essas duas palavras para que voc&ecirc;s tenham todas as conota&ccedil;&otilde;es, todos os fen&ocirc;menos de eco que pode haver nessas duas palavras e com todos os deslocamentos e atenua&ccedil;&otilde;es de sentido que pode ter havido no decorrer do s&eacute;culo XVIII, mas, no sentido estrito dos termos, policiar e urbanizar &eacute; a mesma coisa.</p> </blockquote>     <p>Essa rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre urbaniza&ccedil;&atilde;o e policiamento, destacada por Foucault, encontra-se presente nos estudos criminol&oacute;gicos acerca do delito, no que se denomina de preven&ccedil;&atilde;o do crime por meio do desenho arquitet&ocirc;nico e urban&iacute;stico. Assim, mediante olhar bem espec&iacute;fico e estat&iacute;stico, detecta-se a correla&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;os da cidade e eventos delitivos, o que orienta para a&ccedil;&otilde;es preventivas por interm&eacute;dio da reestrutura&ccedil;&atilde;o urbana e do desenho arquitet&ocirc;nico. Como ensina Molina e Gomes (2002, p. 307), referidas a&ccedil;&otilde;es visam a neutralizar o elevado risco crimin&oacute;geno ou vitim&aacute;rio que ostentam certos espa&ccedil;os, assim como modificar, tamb&eacute;m de forma satisfat&oacute;ria, a estrutura &ldquo;comportamental&rdquo; e &ldquo;motivacional&rdquo; do vizinho ou habitante destes lugares.</p>     <p>No final do s&eacute;culo XVIII a raz&atilde;o econ&ocirc;mica que surge d&aacute; novo conte&uacute;do &agrave; governamentalidade. Essa forma contempor&acirc;nea, intimamente ligada ao pensamento econ&ocirc;mico liberal, n&atilde;o enxerga a popula&ccedil;&atilde;o como simples s&uacute;ditos submetidos ao soberano que se transforma, cresce, decresce, se desloca. A popula&ccedil;&atilde;o, assumida em sua &ldquo;naturalidade&rdquo;, dar&aacute; origem a novas ci&ecirc;ncias e tipos de interven&ccedil;&atilde;o, como a medicina social ou a higiene p&uacute;blica, mas tamb&eacute;m a demografia (VALENTE, 2016, p.87). Para Foucault, a nova governamentalidade ter&aacute; ent&atilde;o por objetivo instituir mecanismos de seguran&ccedil;a para garantir os processos intr&iacute;nsecos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o (FOUCAULT, 2008a, p. 474, apud VALENTE, 2016, p. 88).</p>     <p>A disciplina e seguran&ccedil;a surgem como modos de controle e de exerc&iacute;cio de poder, como, por exemplo, num conjunto de uma popula&ccedil;&atilde;o. Assim, surgem diferentes tratamentos do espa&ccedil;o, seja pela disciplina, seja pela seguran&ccedil;a. Foucault (2008a, p. 19) por meio do texto <i>M&eacute;tropolit&eacute;e</i> tratou do modo de imposi&ccedil;&atilde;o de uma oligarquia expressada pela capital de seu modo de agir e imposi&ccedil;&atilde;o de suas leis e ordens. No citado texto escrito por Alexandre de Ma&icirc;tre, Foucault refere-se por meio de uma met&aacute;fora arquitet&ocirc;nica como se deveria conceber a constru&ccedil;&atilde;o das cidades, que tinham acentuados crescimentos no per&iacute;odo, e as formas de controle que esse poder soberano seria exercido no territ&oacute;rio. Foucault afirma:</p>     <blockquote>     <p>A capital deve dar o exemplo dos bons costumes. A capital deve ser o lugar em que os oradores sacros sejam os melhores e melhor se fa&ccedil;am ouvir, deve ser tamb&eacute;m a sede das academias, pois as ci&ecirc;ncias e a verdade devem nascer a&iacute; para ent&atilde;o se difundir no resto do pa&iacute;s. E, enfim, um papel econ&ocirc;mico: a capital deve ser o lugar do luxo para que constitua um lugar de atra&ccedil;&atilde;o para as mercadorias que vem do estrangeiro, ao mesmo tempo deve ser o ponto de redistribui&ccedil;&atilde;o pelo com&eacute;rcio de certo n&uacute;mero de produtos fabricados, manufaturados, etc.</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Judith Revel &eacute; com a governamentalidade moderna que se coloca pela primeira vez o problema da popula&ccedil;&atilde;o, vista n&atilde;o como &ldquo;a soma dos sujeitos de um territ&oacute;rio, o conjunto de sujeitos de direito ou a categoria geral da &lsquo;esp&eacute;cie humana&rsquo;, mas objeto constru&iacute;do pela gest&atilde;o pol&iacute;tica global da vida dos indiv&iacute;duos&rdquo; (REVEL, 2005, p. 55, apud VALENTE, 2016, p. 88).</p>     <p>Oksala afirmou que o controle e a subjuga&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es conjugam t&eacute;cnicas cient&iacute;ficas como tratamento m&eacute;dico, normaliza&ccedil;&atilde;o de comportamentos, racionaliza&ccedil;&atilde;o de mecanismos de seguran&ccedil;a e planejamento urbano, por exemplo. Os mecanismos de poder e conhecimento assumem responsabilidade pelo processo de vida com o objetivo de otimiz&aacute;-lo, control&aacute;-lo e modific&aacute;-lo (OKSALA, 2013, p.321, apud VALENTE, 2016, p. 89).</p>     <p>Importante destacar que a seguran&ccedil;a como manifesta&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio de poder &eacute; racionalizada com vista a manuten&ccedil;&atilde;o de um sistema, por meio do manejo dos instrumentos de diversas &aacute;reas que incidem sobre a vida dos indiv&iacute;duos, como a medicina, a economia, o planejamento urbano, dentre outros. De outro modo, a seguran&ccedil;a como pol&iacute;tica p&uacute;blica &eacute; programa de governo que se utilizar&aacute; de princ&iacute;pios e institui&ccedil;&otilde;es do poder constitu&iacute;do para a consecu&ccedil;&atilde;o de seus fins, e que, na atualidade, revela ter em seu centro a Pol&iacute;cia, o Judici&aacute;rio e o sistema prisional.</p>     <p>Foucault interpreta o neoliberalismo, a partir da II Guerra Mundial e manifestamente desde os anos 1960, n&atilde;o como uma ideologia ou doutrina pol&iacute;tica, mas como uma forma espec&iacute;fica de governamentalidade, racionalmente refletida e coordenada. A falta de estado n&atilde;o leva a falta de um governo, mas uma nova forma de governo (OKSALA, 2013, p. 332-333, apud VALENTE, 2016, p.105).</p>     <p>Nesse diapas&atilde;o, Wacquant constr&oacute;i a no&ccedil;&atilde;o de um novo governo da inseguran&ccedil;a social, que foca no controle das popula&ccedil;&otilde;es tidas como problem&aacute;ticas com o fim de inviabiliz&aacute;-las por meio da desregulamenta&ccedil;&atilde;o do trabalho e do desmantelamento dos servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncia social. Afirma que a concomit&acirc;ncia entre crise mundial, ocorrida na d&eacute;cada de 70, e a desconstru&ccedil;&atilde;o do <i>welfare state</i> para promover a organiza&ccedil;&atilde;o institucional e discursiva do estado penal que, utiliza-o como promotor, em que pese o negue na promo&ccedil;&atilde;o do estado m&iacute;nimo, o campo burocr&aacute;tico passa a ter em seu centro a pol&iacute;cia, o aparelho judici&aacute;rio e o sistema prisional.</p>     <p>Da mesma forma como Foucault aborda a falta de estado como meio para gerar um novo governo, Wacquant (2017, p. 203-220) afirma que o discurso do Estado m&iacute;nimo n&atilde;o se verifica, j&aacute; que o neoliberalismo transfere os gastos antes direcionadas a a&ccedil;&otilde;es sociais para o projeto de Estado penal, em que os gastos p&uacute;blicos com as &aacute;reas de seguran&ccedil;a, judici&aacute;ria e carcer&aacute;ria t&ecirc;m um aumento exponencial.</p>     <blockquote>     <p>O projeto penal do neoliberalismo encerra um paradoxo: pretende incrementar &ldquo;mais Estado&rdquo; nas &aacute;reas policial, de tribunais criminais e de pris&otilde;es para solucionar o aumento generalizado da inseguran&ccedil;a objetiva e subjetiva que &eacute;, ela mesma, causada por &ldquo;menos Estado&rdquo; no front econ&ocirc;mico e social nos pa&iacute;ses avan&ccedil;ados do Primeiro Mundo. Isto reafirma a onipot&ecirc;ncia do Leviat&atilde; no dom&iacute;nio restrito da manuten&ccedil;&atilde;o da ordem p&uacute;blica, simbolizando pela batalha em curso contra a delinqu&ecirc;ncia de rua e a migra&ccedil;&atilde;o clandestina que surgiu em todos os lados, precisamente quando o Estado declara e demonstra ser incapaz de impedir a decomposi&ccedil;&atilde;o do trabalho assalariado e de conter a hipermobilidade do capital que converge para desestabilizar todo o sistema social ao esmag&aacute;-lo em um brutal e tentacular movimento de ataque.</p>     <p>(...)</p>     <p>Mais significativamente ainda, o projeto penal do neoliberalismo &eacute; muito mais sedutor e muito mais nefasto quando se infiltra nos pa&iacute;ses atravessados por profundas desigualdades de condi&ccedil;&otilde;es sociais e de oportunidades de vida, privados das tradi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e desprovidos das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas capazes de amortecer os choques provocados pelas concomitantes transforma&ccedil;&otilde;es do trabalho, dos la&ccedil;os sociais e dos sujeitos no limiar do novo s&eacute;culo.</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De modo a ratificar essa mudan&ccedil;a de curso dos gastos p&uacute;blicos provocada pelo neoliberalismo, importante registrar o pensamento de Milanovic (2016, p. 207-208) que, em obra recente, trata do tema desigualdade no mundo e no qual registra o decl&iacute;nio da classe m&eacute;dia nos pa&iacute;ses desenvolvidos e um menor apoio &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os sociais, principalmente os de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Afirma que os ricos preferem o consumo privado destes servi&ccedil;os, principalmente em pa&iacute;ses em desenvolvimento, do que fomentar a presta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Assim, ao inv&eacute;s de financiar estas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, os recursos p&uacute;blicos s&atilde;o destinados a a&ccedil;&otilde;es que envolvem programas de seguran&ccedil;a, como o policiamento. Referindo-se aos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), aduz que:</p>     <blockquote>     <p>Num artigo influente, Bowles e Jayadev (2005) demonstraram que a percentagem de m&atilde;o de obra envolvida em servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e privada e produ&ccedil;&atilde;o de armas tinha aumentado drasticamente nos EUA nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. A utiliza&ccedil;&atilde;o do trabalho de guarda nos EUA em 1970 era j&aacute; a mais elevada de todos os pa&iacute;ses ocidentais, com cerca de 1,6 trabalhadores do setor de seguran&ccedil;a para cada 100 trabalhadores, mas disparou para mais de 2 por cento em 2000. Bowles e Jayadev estimam que mais de cinco milh&otilde;es de trabalhadores nos EUA estejam empregados num trabalho de guarda. Al&eacute;m disso, afirmam que o trabalho de guarda &eacute; mais predominante em pa&iacute;ses mais desiguais.</p> </blockquote>     <p>Conclui Milanovic (2016, p. 208), que as &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas econ&ocirc;micas conduzem ao separatismo social (ricos e pobres). Anunciou que referida bifurca&ccedil;&atilde;o social tem muitas implica&ccedil;&otilde;es: em termos pol&iacute;ticos, a classe m&eacute;dia torna-se cada vez mais irrelevante; a produ&ccedil;&atilde;o desloca-se no sentido de bens de luxo e as despesas sociais mudam de uma concentra&ccedil;&atilde;o no ensino e nas infraestruturas para o policiamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1. A seguran&ccedil;a p&uacute;blica na cidade do Rio de Janeiro</b></p>     <p>De modo racionalmente refletido e coordenado surge o programa de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora, num territ&oacute;rio em que a seguran&ccedil;a p&uacute;blica &eacute; o centro do debate, somado a um ambiente social fr&aacute;gil e de grande desigualdade, que &eacute; caracter&iacute;stica muito presente no Brasil. Nesse aspecto, pautado na atual l&oacute;gica neoliberal e tendo como base as ideias de governamentalidade, referidas unidades surgem como forma de controle militar de territ&oacute;rios considerados perigosos e em que se originariam a face mais violenta da criminalidade da cidade. Soares afirma que em &ldquo;v&aacute;rios Estados, a matriz da viol&ecirc;ncia &eacute; o tr&aacute;fico de armas e de drogas, que se realiza no atacado e no varejo&rdquo; (SOARES, 2003, p. 76, apud MATIOLLI e PINHEIRO, 2014).</p>     <p>Os assentamentos informais, t&atilde;o marcantes no cen&aacute;rio carioca, tendo como destaque a sua geografia, j&aacute; que os coloca lado a lado com bairros nobres da cidade, passam a ser o alvo de pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Como afirmam Matiolli e Pinheiro (2014), processo concomitante com o da expans&atilde;o do com&eacute;rcio ilegal da droga que, pela sua territorializa&ccedil;&atilde;o, vai inserir as &ldquo;favelas&rdquo; em uma nova chave de criminaliza&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o substitui as anteriores, mas, monta com elas um &ldquo;edif&iacute;cio complexo&rdquo; de exerc&iacute;cio de poder, como diria Foucault. Por tr&aacute;s do exerc&iacute;cio de poder por este edif&iacute;cio complexo, est&aacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o com o controle social e o esvaziamento pol&iacute;tico (com a toler&acirc;ncia &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o ou o clientelismo), ou a repress&atilde;o, aos movimentos contestat&oacute;rios dos &ldquo;favelados&rdquo;.</p>     <p>As favelas s&atilde;o vistas pelo tr&aacute;fico de drogas como espa&ccedil;o seguro para o desenvolvimento de suas atividades. Carvalho (2013, p. 291-293) afirma que o que se observa nos &uacute;ltimos trinta anos foi um aumento do uso da for&ccedil;a tanto pelos grupos ligados ao tr&aacute;fico como pelas interven&ccedil;&otilde;es estatais (&oacute;rg&atilde;os policiais) no enfrentamento e combate &agrave; grupos criminosos. O Governo do ent&atilde;o Governador S&eacute;rgio Cabral parecia que iria adotar a mesma linha. No ano de 2007, logo no primeiro ano de governo (2007-2010), operacionalizou o que se chamaria de megaopera&ccedil;&atilde;o, no Complexo do Alem&atilde;o, caracterizado pelo seu cunho b&eacute;lico e opressor. O resultado foram dezenove mortes e pouca desarticula&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>. Um ano depois foi apresentado o programa de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora, que parecia indicar uma mudan&ccedil;a de rumo na pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a com foco na &ldquo;pacifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; por meio de a&ccedil;&otilde;es policiais de proximidade ou de policiamento comunit&aacute;rio. Segundo as autoridades, por meio do programa seria poss&iacute;vel implementar outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, principalmente as que se inserem no campo social.</p>     <p>Ainda segundo Carvalho (2013, p. 294-295) o programa prev&ecirc; a contrata&ccedil;&atilde;o de novos policiais, treinados sob novos modelos pautados nos direitos humanos. A finalidade era gerar uma nova imagem da Pol&iacute;cia, desassociada das pr&aacute;ticas violentas e arbitr&aacute;rias. Atrelada a essa nova postura institucional, que se pauta no policiamento de proximidade, pelo menos em seus discursos oficiais, a finalidade de &ldquo;pacifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; unia-se &agrave; de &ldquo;integra&ccedil;&atilde;o&rdquo; destes territ&oacute;rios ao tecido urbano. Assim, a imagem de coes&atilde;o social e de manuten&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a e da ordem p&uacute;blica, por meio de pacifica&ccedil;&atilde;o, estaria viabilizada para que as demais pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, executadas por outros &oacute;rg&atilde;os, fossem executadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, as Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora atuariam em espa&ccedil;os da cidade fluminense nomeados como favelas por meio da &ldquo;pacifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; e teriam como fim a diminui&ccedil;&atilde;o de confrontos armados promovidos por fac&ccedil;&otilde;es criminosas ligadas ao tr&aacute;fico de drogas, bem como o de proporcionar a imagem de cidade segura, tanto para as classes mais abastadas da sociedade fluminense como para o capital que deseja aportar na cidade, principalmente motivado pelas oportunidades de neg&oacute;cios proporcionadas pelos megaeventos.</p>     <p>No campo aberto para outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas surge o que se denomina de UPP Social, programa desenvolvido pela Prefeitura do Rio de Janeiro com a ONU-Habitat, que tinha como objetivos fomentar a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, dos moradores das favelas pacificadas para identificar as demandas locais, e a constru&ccedil;&atilde;o de um plano de desenvolvimento para estas &ldquo;comunidades&rdquo; (CARVALHO, 2013, p. 295).</p>     <p>Neste contexto &eacute; interessante a reflex&atilde;o de Oliveira (2014, p. 146) que faz um comparativo entre as semelhan&ccedil;as hist&oacute;ricas de domina&ccedil;&atilde;o entre colonizadores e &iacute;ndios e as atuais pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a no Rio de Janeiro, com destaque para as unidades policiais espec&iacute;ficas para atuar em favelas. Afirmou que as UPPs trouxeram uma nova ret&oacute;rica de pacifica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pautada somente na tutela para a guerra, mas na conjuga&ccedil;&atilde;o de atos repressivos com benef&iacute;cios materiais e a&ccedil;&otilde;es assistenciais. No entanto, quando trata desta quest&atilde;o por meio da tutela, afirma que:</p>     <blockquote>     <p>os planos de a&ccedil;&atilde;o s&atilde;o estabelecidos e executados pelo tutor (ou por outros por ele delegados) sem qualquer participa&ccedil;&atilde;o ativa nem a possibilidade de sua interfer&ecirc;ncia nos m&eacute;todos ou nos objetivos. Assim, embora os programas governamentais muitas vezes definam metas a serem cumpridas e benef&iacute;cios a serem recebidos pelas popula&ccedil;&otilde;es tuteladas, na realidade o que &eacute; fielmente executado s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es repressivas e de controle, em geral de interesse de terceiros, as demais raramente saindo do papel.</p> </blockquote>     <p>O que se constata &eacute; um controle de fluxo da popula&ccedil;&atilde;o e de regulamenta&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos dos moradores das favelas em que foram instaladas as UPPs, como a defini&ccedil;&atilde;o pela pol&iacute;cia do hor&aacute;rio de funcionamento do com&eacute;rcio, controle da realiza&ccedil;&atilde;o de atividades culturais e festivas privadas, e a regulamenta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de transporte. Como salientou Carvalho (2013, p. 300-303) &ldquo;a favela tem um novo dono?&rdquo;.</p>     <p>Em consulta ao hist&oacute;rico do projeto, constata-se que as a&ccedil;&otilde;es militares sempre foram executadas de forma quase exemplar e com baix&iacute;ssima participa&ccedil;&atilde;o do grupo social objeto das medidas. De outro modo, as a&ccedil;&otilde;es no campo social ou n&atilde;o iniciaram ou operaram de forma prec&aacute;ria e descont&iacute;nua. Prova disso &eacute; que a UPP Social, que como citado acima, foi idealizada para caminhar ao lado das a&ccedil;&otilde;es militares<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>, na atualidade praticamente inexiste e sempre foi alvo de profundas cr&iacute;ticas quando ainda operava, inclusive do pr&oacute;prio Secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Governo do Estado do Rio de Janeiro &agrave; &eacute;poca<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. A inviabilidade econ&ocirc;mica do programa e a seletividade na instala&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Programa de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora foi criado no final do ano de 2008, ap&oacute;s a escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar alguns jogos e a grande final da Copa do Mundo de Futebol FIFA, e segundo o pr&oacute;prio s&iacute;tio eletr&ocirc;nico do programa<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a> qualifica-se como:</p>     <blockquote>     <p>A Unidade de Pol&iacute;cia Pacificadora (UPP) &eacute; um dos mais importantes programas de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica realizado no Brasil nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Implantado pela Secretaria de Estado de Seguran&ccedil;a do Rio de Janeiro, no fim de 2008, o Programa das UPPs - planejado e coordenado pela Subsecretaria de Planejamento e Integra&ccedil;&atilde;o Operacional - foi elaborado com os princ&iacute;pios da Pol&iacute;cia de Proximidade, um conceito que vai al&eacute;m da pol&iacute;cia comunit&aacute;ria e tem sua estrat&eacute;gia fundamentada na parceria entre a popula&ccedil;&atilde;o e as institui&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica.</p>     <p>O Programa engloba parcerias entre os governos &ndash; municipal, estadual e federal &ndash; e diferentes atores da sociedade civil organizada e tem como objetivo a retomada permanente de comunidades dominadas pelo tr&aacute;fico, assim como a garantia da proximidade do Estado com a popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A pacifica&ccedil;&atilde;o ainda tem um papel fundamental no desenvolvimento social e econ&ocirc;mico das comunidades, pois potencializa a entrada de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, infraestrutura, projetos sociais, esportivos e culturais, investimentos privados e oportunidades.</p>     <p>O Estado do Rio de Janeiro possui 38 UPPs e a pol&iacute;cia pacificadora conta com um efetivo atual de 9.543 policiais. As UPPs em opera&ccedil;&atilde;o abrangem aproximadamente 264 territ&oacute;rios. Cabe ressaltar que os efeitos proporcionados pelo programa extrapolam as comunidades pacificadas, se estendendo a suas &aacute;reas adjacentes, beneficiando direta e indiretamente uma popula&ccedil;&atilde;o bem maior. O programa tamb&eacute;m est&aacute; na Baixada Fluminense, com a UPP Mangueirinha.</p> </blockquote>     <p>Dentre o exposto, destaca-se que a ideia de pacifica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por meio do conceito de pol&iacute;cia de proximidade, num di&aacute;logo entre a popula&ccedil;&atilde;o e as institui&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, sendo que &eacute; executada por uma for&ccedil;a policial militarizada em que o di&aacute;logo n&atilde;o &eacute; a sua melhor caracter&iacute;stica, em que pese os esfor&ccedil;os no treinamento de novos policiais. No que concerne ao objetivo, circunscreve-se na retomada permanente de comunidades dominadas pelo tr&aacute;fico, com o fim de permitir o desenvolvimento social e econ&ocirc;mico destas comunidades.</p>     <p>Ocorre que um estudo recente realizado pela pr&oacute;pria Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Rio de Janeiro, tornado p&uacute;blico por meio da impressa<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>, revelou que o Estado do Rio de Janeiro possui nada menos que 843 &aacute;reas dominadas por bandos armados. O mais curioso &eacute; que entre as dez regi&otilde;es que registram mais casos de letalidade violenta no Estado, seis abrigam unidades do programa de pol&iacute;cia pacificadora.</p>     <p>O Balan&ccedil;o de Indicadores da Pol&iacute;tica de Pacifica&ccedil;&atilde;o (2007-2015), estudo realizado pelo Instituto de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica &ndash; ISP, autarquia vinculada &agrave; Secretaria de Estado de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica (SESEG), revelou, segundo crit&eacute;rios da pr&oacute;pria Secretaria, quais seriam as &aacute;reas eleg&iacute;veis a receber unidades do Programa de Pol&iacute;cia Pacificadora. O mapa das &aacute;reas eleg&iacute;veis com e sem unidades do programa segue abaixo:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a02f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O mapa indica que as &aacute;reas em cinza seriam que aquelas j&aacute; possuem as Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora e as amarelas seriam as eleg&iacute;veis e que n&atilde;o possuem as referidas unidades. Como se pode depreender, os territ&oacute;rios que fariam jus ao programa s&atilde;o numerosos e sequer contemplam os munic&iacute;pios de Niter&oacute;i e S&atilde;o Gon&ccedil;alo, integrantes da regi&atilde;o metropolitana do Estado do Rio de Janeiro e que tamb&eacute;m possuem localidades com as mesmas caracter&iacute;sticas.</p>     <p>Um olhar descuidado poderia indicar que, para a efetiva implementa&ccedil;&atilde;o, s&oacute; faltaria o devido planejamento do programa. No entanto, o alto custo de cada uma das unidades revela a sua inviabilidade econ&ocirc;mica e que dentro de qualquer planejamento, referida informa&ccedil;&atilde;o relevant&iacute;ssima ou j&aacute; era sabida ou, ao menos, previs&iacute;vel. Assim, diante da impossibilidade de instala&ccedil;&atilde;o em todas as &aacute;reas que a cidade necessita, o programa adota crit&eacute;rios seletivos em que a finalidade &eacute; atender &agrave;s classes rica e m&eacute;dia cariocas e a de conceber uma imagem de cidade segura para os investidores. Referidas quest&otilde;es ser&atilde;o tratadas a seguir.</p>     <p>&nbsp;Conforme afirma Gaffney, o Rio de Janeiro possui mais que 900 favelas, mas at&eacute; a Copa do Mundo s&oacute; 39 foram pacificadas. Quase todas essas est&atilde;o dentro dos chamados an&eacute;is ol&iacute;mpicos e h&aacute; uma literatura robusta que indica que essa estrat&eacute;gia territorial de implementa&ccedil;&atilde;o &eacute; fartamente voltada para os interesses de capital e para garantir a infraestrutura dos megaeventos esportivos (Gaffney, 2015).</p>     <p>Caracter&iacute;stica marcante das UPPS &eacute; o policiamento ostensivo. Assim, o programa torna-se extremamente caro, o que torna irreal a sua aplica&ccedil;&atilde;o em todo o territ&oacute;rio. Segundo dados de 2012, para cada 100 policiais em atua&ccedil;&atilde;o em uma UPP (esse &eacute; considerado o n&uacute;mero m&iacute;nimo) o custo anual seria de 6 milh&otilde;es<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>.</p>     <p>Segundo a promessa de campanha realizada nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010, o ent&atilde;o candidato do PMDB prometeu pacificar todas as comunidades do estado dominadas pelo tr&aacute;fico de drogas ou pela mil&iacute;cia e contratar 25 mil novos policiais militares, sendo 12 mil para as UPPs<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>. Com base nos referidos dados e com um simples c&aacute;lculo aritm&eacute;tico, pode-se concluir que apenas este incremento no n&uacute;mero de policiais para o programa importaria num aumento de gastos com seguran&ccedil;a na ordem de R$ 720.000.000,00 (setecentos e vinte milh&otilde;es de reais) por ano, j&aacute; que cada grupo de 100 policiais representa um valor aproximado de 6 milh&otilde;es por ano (12.000:100 = 120 x R$ 6.000.000 = R$ 720.000.000).</p>     <p>Assim, refor&ccedil;a-se o argumento de que as 38 unidades at&eacute; hoje instaladas priorizavam lugares estrat&eacute;gicos no sentido de viabilizar a imagem de cidade segura e apta para receber os grandes eventos que iria sediar nos anos de 2014 e 2016, at&eacute; porque a sua implementa&ccedil;&atilde;o em todos os territ&oacute;rios necess&aacute;rios seria invi&aacute;vel ante seu elevado custo.</p>     <p>Com poucas exce&ccedil;&otilde;es, os locais eleitos para a instala&ccedil;&atilde;o das unidades se encontram em &aacute;reas nobres da cidade, onde h&aacute; enorme concentra&ccedil;&atilde;o de turistas e nas quais vivem as classes mais abastadas da sociedade carioca, nos principais corredores de acesso &agrave; cidade, como a Linha Vermelha, que liga o Aeroporto Internacional ao Centro e Zona Sul, a Avenida Brasil, principal porta de sa&iacute;da rodovi&aacute;ria da cidade, o entorno do Est&aacute;dio do Maracan&atilde;, que viria a sediar alguns jogos e a grande final da Copa do Mundo de Futebol FIFA, al&eacute;m de important&iacute;ssimos eventos nos Jogos Ol&iacute;mpicos, como os de abertura e de encerramento, e a Linha Amarela, importante acesso &agrave; Barra da Tijuca e Jacarepagu&aacute;, local onde veio a ser constru&iacute;do o &ldquo;Parque Ol&iacute;mpico&rdquo;. O programa revela como objetivo o de assegurar o controle de popula&ccedil;&otilde;es que viviam em espa&ccedil;os tidos como geradores de crimes violentos, para transformar estes locais em espa&ccedil;os seguros e a cidade confi&aacute;vel aos investimentos, e isso passava necessariamente pelo sucesso em sediar os megaeventos, garantindo que eventos violentos n&atilde;o atrapalhariam sua execu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como ratificam Matiolli e Magalh&atilde;es (2013, apud MATIOLLI e PINHEIRO, 2014), a &ldquo;pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o parece estar conectada com os processos mais amplos da gest&atilde;o urbana do Rio de Janeiro e dos circuitos internacionais de circula&ccedil;&atilde;o do capital contempor&acirc;neo. Vide a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica das UPPs&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para se ter uma melhor compreens&atilde;o do que se acaba de afirmar, o mapa abaixo demonstra a localiza&ccedil;&atilde;o das Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora, em que se evidencia claramente a mencionada concentra&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a02f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O quadro que revela as localiza&ccedil;&otilde;es das unidades do programa torna-se ainda mais alarmante quando conjugado com os dados divulgados pelo Instituto de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica (ISP), da Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Rio de Janeiro, que revelam os dados acerca da taxa de homic&iacute;dios de 2016 para a regi&atilde;o metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, o que inclui a capital fluminense.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a02f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode observar, outros munic&iacute;pios da regi&atilde;o metropolitana do Rio de Janeiro possuem taxas de homic&iacute;dios elevad&iacute;ssimas, como Queimados e Japeri (dados em cor laranja), e nenhum deles foi contemplado com sequer uma Unidade de Pol&iacute;cia Pacificadora. De outro modo, a cidade do Rio de Janeiro classifica-se entre as cinco com os melhores &iacute;ndices (dados na cor verde).</p>     <p>Como os dados da taxa de homic&iacute;dio datam do ano de 2016, poder-se-ia aventar que a Capital possuiria taxas de homic&iacute;dio superiores a de outras regi&otilde;es do Estado quando do in&iacute;cio do programa, como no caso de Japeri e Queimados que integram a Baixada Fluminense. No entanto, o comparativo entre os dados das s&eacute;ries hist&oacute;ricas da taxa de homic&iacute;dios da Capital e da Baixada Fluminense n&atilde;o permite referida conclus&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a02t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quando se compara os dados a partir de 2008, ano de inicio do programa, com os dados de 2016, conclui-se que: <i>i)</i> o programa foi capaz de diminuir a taxa de letalidade na cidade do Rio de Janeiro, mas n&atilde;o de forma sustentada, pois a partir do ano de 2016 a referida taxa retoma o seu crescimento e o pr&oacute;prio programa come&ccedil;a a ser contestado, com propostas para reformula&ccedil;&atilde;o, redu&ccedil;&atilde;o, ou at&eacute; mesmo o seu fim; e <i>ii)</i> desde o ano de 2008 a cidade do Rio de Janeiro n&atilde;o possui os piores &iacute;ndices de letalidade. Ademais, em 2013 a taxa na cidade do Rio de Janeiro era de 25,1, enquanto que na Baixada Fluminense era de 50,6, mais que o dobro do &iacute;ndice da capital, mas, mesmo assim, nenhuma unidade foi direcionada para os territ&oacute;rios mais violentos.</p>     <p>Relembre-se que o objetivo deste artigo n&atilde;o &eacute; o de afirmar que a cidade do Rio de Janeiro n&atilde;o poderia ter sido comtemplada com unidades de pol&iacute;cia pacificadora, mas a forma como foi estruturado o programa, privilegiando-se &aacute;reas nobres e importantes pontos estrat&eacute;gicos para os megaeventos que iriam ser sediados pela cidade. A conclus&atilde;o &eacute; a de que n&atilde;o se tratava de pol&iacute;tica p&uacute;blica de seguran&ccedil;a voltada para todo o Estado, nem mesmo para toda a cidade do Rio de Janeiro, apesar das reiteradas promessas dos Governantes de que o programa iria ser implantado em todo o Estado.</p>     <p>A todo contexto somam-se as recentes informa&ccedil;&otilde;es de que o Governo do Estado do Rio de Janeiro deseja reduzir de 38 para 20 o n&uacute;mero de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora<a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a>. A justificativa, como j&aacute; prevista, &eacute; a falta de recursos or&ccedil;ament&aacute;rios dispon&iacute;veis para manter o n&uacute;mero de unidades atuais.</p>     <p>H&aacute; ainda um dado alarmante, o de que grupos armados que foram expulsos quando da implanta&ccedil;&atilde;o de cada unidade teriam se deslocado para outras partes da cidade e do Estado (favelas), pois a &aacute;rea de cobertura do programa &eacute; bem inferior ao que seria necess&aacute;rio. OLIVEIRA (214, p. 148) diz que os antigos problemas parecem ter sido deslocados de uma parte para outra da cidade, para longe das &aacute;reas frequentadas por turistas, mas n&atilde;o resolvidos. A seletividade do programa e o seu &uacute;nico fim de controle de popula&ccedil;&otilde;es para conceber a imagem de cidade segura, sem a&ccedil;&otilde;es efetivas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em outros setores parecem ser o motivo para o decl&iacute;nio da imagem de sucesso que o programa teve no seu nascedouro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Administra&ccedil;&atilde;o Municipal da cidade do Rio de Janeiro, com o apoio dos governos Estadual e Federal, adota o modelo de planejamento estrat&eacute;gico e utiliza os grandes eventos (Copa do Mundo de Futebol e Jogos Ol&iacute;mpicos) como instrumento de <i>marketing</i> para divulgar o nome da cidade no cen&aacute;rio internacional e atrair investimentos privados. No entanto, como um dos pressupostos para que referido modelo atrativo pudesse se estabelecer, era de fundamental import&acirc;ncia que fosse apresentado um ambiente seguro, de uma cidade sem conflitos. Como o Rio de Janeiro sofre de cr&ocirc;nica falta de seguran&ccedil;a, por se caracterizar como cidade de grande desigualdade social, e como estava diante de dois grandes eventos internacionais, formulou-se o programa de Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora, que, sob o argumento de pacificar e reintegrar &aacute;reas da cidade dominadas pela viol&ecirc;ncia, instalou diversas unidades em s&iacute;tios da cidade pr&oacute;ximos a bairros nobres e dos aparelhos esportivos em que se iriam realizar os eventos, tendo a a&ccedil;&atilde;o melhor executada sido a repress&atilde;o policial.</p>     <p>O tema criminalidade afeta diretamente a quest&atilde;o da chegada de investimentos &agrave; cidade, e a imagem de cidade segura era fundamental para a capta&ccedil;&atilde;o de investimentos pelo mercado da cidade. Recente reportagem da Revista Isto &eacute; Dinheiro com o t&iacute;tulo &ldquo;De abra&ccedil;os abertos sobre o caos&rdquo; ilustra bem o caso, ao afirmar que a inseguran&ccedil;a p&uacute;blica no Rio de Janeiro vem gerando preju&iacute;zos &agrave; economia local h&aacute; muitos anos e que nem mesmo os Jogos Ol&iacute;mpicos conseguiram melhorar o quadro social fluminense. Ainda segundo a reportagem, a Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Rio de Janeiro (FIRJAN) teria feito uma sondagem e revelado que 47% dos empres&aacute;rios do Estado apontaram que o tema criminalidade influenciaria nas decis&otilde;es acerca do local para novos investimentos, percentual acima da m&eacute;dia registrada no Brasil, de 35%<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a>.</p>     <p>O que se conclui &eacute; que, ap&oacute;s dez anos, referido programa n&atilde;o possu&iacute;a o pressuposto anunciado de integrar &agrave; cidade comunidades dominadas por grupos armados por meio do conceito de pol&iacute;cia de proximidade e que viabilizaria a execu&ccedil;&atilde;o de outras a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, principalmente as de natureza social. O que se notou foi a busca pelo controle de locais estrat&eacute;gicos para a diminui&ccedil;&atilde;o do alto grau de viol&ecirc;ncia, com o fim de transmitir a imagem de cidade segura, apta a sediar grandes eventos e atrativa aos investimentos. Assim, parece que se confirma a hip&oacute;tese de que o programa das Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora n&atilde;o passou de mero instrumento dentro da l&oacute;gica do planejamento estrat&eacute;gico, que se insere num contexto liberal de cidade-empresa, cidade-competitiva, colocada numa &ldquo;vitrine&rdquo; em busca de investimentos privados.</p>     <p>Por fim, como bem destacou OLIVEIRA (2014, p. 148), moradores de comunidades que receberam o programa come&ccedil;aram, ap&oacute;s cinco anos de seu in&iacute;cio, a demonstrar insatisfa&ccedil;&atilde;o com as a&ccedil;&otilde;es unilaterais do poder p&uacute;blico e que a n&atilde;o implementa&ccedil;&atilde;o da UPP Social &eacute; um dos aspectos principais. Em verdade, as a&ccedil;&otilde;es privilegiavam grandes obras de impacto midi&aacute;tico, como o telef&eacute;rico do Alem&atilde;o, sem consultas efetivas &agrave; comunidade que, insatisfeita, era reprimida com a&ccedil;&otilde;es policiais. Infelizmente a exclusiva a&ccedil;&atilde;o repressiva ainda continua a ser a l&oacute;gica recorrente no campo da seguran&ccedil;a p&uacute;blica no Estado do Rio de Janeiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>CARVALHO, Monique Batista. <i>A pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o de favelas e as contradi&ccedil;&otilde;es para a produ&ccedil;&atilde;o de uma cidade segura</i>. Rio de Janeiro: Revista O Social em Quest&atilde;o. Ano XVI, n&ordm; 29, 2013, p. 285-308.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754200&pid=S2182-1267201800030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CHAMUSCA, Pedro. <i>GovernancÌ§a e regeneracÌ§aÌƒo urbana: entre a teoria e algumas praÌticas</i>. Tese de Doutoramento, 2012. Reposit&oacute;rio Aberto da Universidade do Porto: <a href="http://www.hdl.handle.net/10216/67273" target="_blank">http://www.hdl.handle.net/10216/67273</a>, 400p.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FERNANDES, Jos&eacute;. <i>O planeamento urbano e a coesaÌƒo social: a perspectiva europeia e o caso de Portugal</i>. Revista Cidades, 2006, Vol. 3, n&ordm; 5, p. 11-36. ISSN 2448-1092.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754203&pid=S2182-1267201800030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>FERNANDES, Jos&eacute; &amp; CHAMUSCA, Pedro. <i>O neotradicional, a elitiza&ccedil;&atilde;o e a turistifica&ccedil;&atilde;o: o triunfo do neoliberalismo visto desde o centro da cidade do Porto.</i> In &lsquo;A jangada de pedra&rsquo; - geografias Ibero-Afro-Americanas: atas do XIV col&oacute;quio Ib&eacute;rico de geografia, Guimar&atilde;es, 2014. Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Ge&oacute;grafos: <a href="http://www.hdl.handle.net/1822/35660" target="_blank">http://www.hdl.handle.net/1822/35660</a>, p. 1388-1393.</p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT, Michel. S<i>eguran&ccedil;a, territ&oacute;rio, popula&ccedil;&atilde;o</i>. Curso dado no <i>Coll&egrave;ge de France</i> (1977-1978). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2008a. ISBN 978-85-336-2377-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754206&pid=S2182-1267201800030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GAFFNEY, Christopher. Seguran&ccedil;a p&uacute;blica e grandes eventos no Rio de Janeiro. In CASTRO, Demian Garcia; GAFFNEY, Christopher; NOVAES, Patr&iacute;cia Ramos; RODRIGUES, Juciano Martins; SANTOS, Carolina Pereira dos; JUNIOR, Orlando Alves dos Santos (orgs). <i>Rio de Janeiro: os impactos da copa do mundo 2014 e das olimp&iacute;adas 2016</i>. 1&ordf; ed. Rio de Janeiro. Letra Capital, 2015, p. 145-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754208&pid=S2182-1267201800030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARVEY, David. <i>Do gerenciamento ao empresariamento: a transforma&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o urbana no capitalismo tardio</i>. Espa&ccedil;o e Debates, 1996, n&ordm; 39, p. 48-64. ISSN 2317-2762.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754210&pid=S2182-1267201800030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARVEY, David. <i>A produ&ccedil;&atilde;o capitalista do espa&ccedil;o</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2006. ISBN 978-8574194964.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754212&pid=S2182-1267201800030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MATIOLLI, Thiago Oliveira Lima; PINHEIRO, Alan Brum. <i>UrbanizacÌ§aÌƒo e &ldquo;PacificacÌ§aÌƒo&rdquo;: PoliÌticas de consolidacÌ§aÌƒo da reproducÌ§aÌƒo global do capital nas favelas cariocas.</i> In SeminaÌrio Nacional de UrbanizacÌ§aÌƒo de Favelas (I URBFAVELAS), SaÌƒo Bernardo do Campo, 2014. Anais, UFAbc, v. 1. p. 1-17.</p>     <!-- ref --><p>MILANOVIC, Branko. <i>A desigualdade no mundo: uma nova abordagem para a era da globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Coimbra: Conjuntura Actual Editora, 2016. ISBN 978-989-694-239-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754215&pid=S2182-1267201800030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MOLINA, Antonio Garc&iacute;a-Pablo e GOMES, Luiz Fl&aacute;vio. <i>Criminologia: introdu&ccedil;&atilde;o e seus fundamentos te&oacute;ricos</i>. 4&ordf; ed. rev. atual. e amp. S&atilde;o Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002. ISBN 85-203-1940-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754217&pid=S2182-1267201800030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLIVEIRA, Jo&atilde;o Pacheco de. <i>Pacifica&ccedil;&atilde;o e tutela militar na gest&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es e territ&oacute;rios</i>. Revista Mana, 2014, Vol. 20, n&ordm; 01, p. 125-161. 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VAINER, Carlos. P&aacute;tria, empresa e mercadoria: notas sobre a estrat&eacute;gia discursiva do planejamento estrat&eacute;gico urbano. In: ARANTES, Ot&iacute;lia; VAINER, Carlos; MARICATO, Erm&iacute;nia.&nbsp;<i>A cidade do pensamento &uacute;nico: desmanchando consensos.</i> Petr&oacute;polis: Vozes, 2000, p. 75-104. ISBN 85.326.2384-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754223&pid=S2182-1267201800030000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>WACQUANT, Loic. <i>Rumo &agrave; militarizacÌ§aÌƒo da marginalizacÌ§aÌƒo urbana</i>. Revista Discursos Sediciosos. Ano 1, 2007 n&ordm; 15 e 16, p. 203-220. ISBN 9771413988001.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a>Jornal O Globo. Infoglobo Comunica&ccedil;&atilde;o e Participa&ccedil;&otilde;es S/A (1996-2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.oglobo.globo.com/brasil/eleicoes-2006/confira-as-propostas-de-sergio-cabral-para-governo-5004575" target="_blank">https://www.oglobo.globo.com/brasil/eleicoes-2006/confira-as-propostas-de-sergio-cabral-para-governo-5004575</a></p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Rio Como Vamos. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.riocomovamos.org.br/arq/planejamento_estrategico.pdf" target="_blank">http://www.riocomovamos.org.br/arq/planejamento_estrategico.pdf</a></p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Rio Como Vamos. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.riocomovamos.org.br/arq/planejamento_estrategico.pdf" target="_blank">http://www.riocomovamos.org.br/arq/planejamento_estrategico.pdf</a>, p. 70.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm?TSPD_101_R0=34ee2ce0d27831a798ae04e6735c2191d8300000000000000003ec5d2b3ffff00000000000000000000000000005aaf39e60062880a77" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm?TSPD_101_R0=34ee2ce0d27831a798ae04e6735c2191d8300000000000000003ec5d2b3ffff00000000000000000000000000005aaf39e60062880a77</a></p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> &nbsp;Portal G1. Globo Comunica&ccedil;&atilde;o e Participa&ccedil;&otilde;es S/A (2000-2018). Dispon&iacute;vel em: <u><a href="http://www.g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/03/rj-deixou-de-arrecadar-r-138-" target="_blank">http://www.g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/03/rj-deixou-de-arrecadar-r-138-</a></u>bi-em-icms-entre-2008-e-2013-diz-tce.html</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Jornal Extra. Infoglobo Comunica&ccedil;&atilde;o e Participa&ccedil;&otilde;es S/A (1996-2018). Di&aacute;rio. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.extra.globo.com/noticias/rio/megaoperacao-no-alemao-deixa-19-mortos-681274.html" target="_blank">https://www.extra.globo.com/noticias/rio/megaoperacao-no-alemao-deixa-19-mortos-681274.html</a></p>     ]]></body>
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