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<journal-title><![CDATA[GOT, Revista de Geografia e Ordenamento do Território]]></journal-title>
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<article-id>S2182-12672018000300003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2018.15.002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entre o ideal e o real: o Plano Diretor e a realidade do córrego Sangradouro e a expansão urbana de Cáceres, Mato Grosso, no período de 1986 a 2016]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Between the ideal and the real: the master plan and the reality of the Sangradouro creek and urban expansion of Cáceres, Mato Grosso, from 1986 to 2016]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Interventions in Permanent Preservation Areas of urban creeks have, over the years, put them and their population at risk. In this scenario, we aimed to analyze the degradation of the Sangradouro creek in Cáceres, Mato Grosso; and to determine how the municipal management, through its Master Plan, has contributed to this process. We used a qualitative approach, involving bibliographical, field and documentary research, as well as interviews and a questionnaire. The results show that the watercourse is partly disfigured, and its degradation is visible throughout its extent; and that the public authority, who ought to have undertaken actions to reduce and curb the creek&#8217;s degradation, did not execute any of the directives stated in the Master Plan, and the established deadlines were not met.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Córrego Urbano]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Entre o ideal e o real: o Plano Diretor e a realidade do c&oacute;rrego Sangradouro e a expans&atilde;o urbana de C&aacute;ceres, Mato Grosso, no per&iacute;odo de 1986 a 2016</b></p>     <p><b>Between the ideal and the real: the master plan and the reality of the Sangradouro creek and urban expansion of C&aacute;ceres, Mato Grosso, from 1986 to 2016</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andrade, Jane</b><sup>1</sup>; <b>Carmo, Judite</b><sup>1</sup></p>     <p><sup>1</sup>PPGeo/Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas/Universidade do Estado de Mato Grosso; CEP 78200-000, Avenida Tancredo Neves, 1095, C&aacute;ceres, Brasil; <a href="mailto:Janeandrade81@hotmail.com">Janeandrade81@hotmail.com</a>; <a href="mailto:Judite.carmo@unemat.br">Judite.carmo@unemat.br</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As interven&ccedil;&otilde;es em &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente de c&oacute;rregos urbanos t&ecirc;m, ao longo dos anos, os colocado em risco, assim como a pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o. Nesse cen&aacute;rio, objetivou-se analisar a degrada&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego Sangradouro em C&aacute;ceres, Mato Grosso; e, verificar como a gest&atilde;o municipal, por meio de seu Plano Diretor, tem contribu&iacute;do para esse processo, por meio de uma abordagem qualitativa, com o uso de pesquisa bibliogr&aacute;fica, de campo e documental, de entrevista e question&aacute;rio. Obteve-se como resultado que o canal est&aacute; em parte descaracterizado e a sua degrada&ccedil;&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel em toda a sua extens&atilde;o e que o poder p&uacute;blico que deveria realizar a&ccedil;&otilde;es que poderiam reduzir e coibir a sua degrada&ccedil;&atilde;o n&atilde;o executou nenhuma das diretrizes previstas no Plano Diretor, bem como os prazos estabelecidos n&atilde;o foram cumpridos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: C&oacute;rrego Urbano. Degrada&ccedil;&atilde;o. Instrumento de Planejamento. Gest&atilde;o P&uacute;blica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Interventions in Permanent Preservation Areas of urban creeks have, over the years, put them and their population at risk. In this scenario, we aimed to analyze the degradation of the Sangradouro creek in C&aacute;ceres, Mato Grosso; and to determine how the municipal management, through its Master Plan, has contributed to this process. We used a qualitative approach, involving bibliographical, field and documentary research, as well as interviews and a questionnaire. The results show that the watercourse is partly disfigured, and its degradation is visible throughout its extent; and that the public authority, who ought to have undertaken actions to reduce and curb the creek&rsquo;s degradation, did not execute any of the directives stated in the Master Plan, and the established deadlines were not met.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b>: Urban Creek. Degradation. Planning Instrument. Public Management.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b><a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><b><sup>[1]</sup></b></sup></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O espa&ccedil;o, segundo Santos (1988, p. 64), &eacute; resultante de uma rela&ccedil;&atilde;o entre o homem e a natureza, onde ambos est&atilde;o em constante transforma&ccedil;&atilde;o, ou seja, &ldquo;a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o &eacute; resultado da a&ccedil;&atilde;o dos homens agindo sobre o pr&oacute;prio espa&ccedil;o, atrav&eacute;s dos objetos naturais e artificiais&rdquo;.</p>     <p>Com o entendimento da produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o por meio da a&ccedil;&atilde;o do homem, Corr&ecirc;a (2002) afirma que o espa&ccedil;o, do qual os ge&oacute;grafos se ocupam, &eacute; um espa&ccedil;o social em estreita correla&ccedil;&atilde;o com a pr&aacute;tica social, cuja produ&ccedil;&atilde;o &eacute; resultante da a&ccedil;&atilde;o empreendida pelo homem sobre a natureza, assim a sua organiza&ccedil;&atilde;o reflete a forma como a popula&ccedil;&atilde;o o utiliza.</p>     <p>Ao trazer essa compreens&atilde;o de espa&ccedil;o para o espa&ccedil;o urbano, Corr&ecirc;a (2000), assevera que esse &eacute; a express&atilde;o dos processos sociais e econ&ocirc;micos, portanto &eacute; resultado da organiza&ccedil;&atilde;o das atividades humanas de maneira justaposta no meio geogr&aacute;fico e essas composi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o das cidades, das atividades contidas e a organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial.</p>     <p>Assim, &eacute; necess&aacute;rio, entender os fatores que influenciaram, em momentos distintos, as formas de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o. Desse modo, para a an&aacute;lise da cidade, conforme Carlos (2007, p. 11) &eacute; de fundamental import&acirc;ncia que se realize &ldquo;uma reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica socioespacial que diz respeito ao modo pelo qual se realiza a vida na cidade, enquanto formas e momentos de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o&rdquo;.</p>     <p>Segundo Carmo e Vieira (2017, p. 779) &ldquo;pensar no urbano &eacute; pensar no capital, ou seja, cidade enquanto l&oacute;cus genu&iacute;no, por excel&ecirc;ncia, da produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o do capital&rdquo;. Ressalta-se que, conforme Carlos (1994), na sociedade capitalista, a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, ocorre de forma hierarquizada, dinamizada e segregada.</p>     <p>Dessa forma, Carmo (2017, p. 10) especifica que a l&oacute;gica capitalista na produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, traz como resultado uma cidade segregada, onde se verifica localidades atendidas com todas as benesses urbanas e outras completamente abandonadas pelo poder p&uacute;blico&rdquo;. Ressalta-se que essa &eacute; a realidade de muitas cidades, a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o vive na precariedade, enquanto outra, tem &agrave; sua disponibilidade toda infraestrutura e servi&ccedil;os urbanos, podendo exercer o seu direito de acesso &agrave; todos os espa&ccedil;os da cidade.</p>     <p>Entende-se; portanto, conforme Andrade e Carmo (2016), que a l&oacute;gica capitalista na produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano dificulta o acesso da popula&ccedil;&atilde;o de baixos rendimentos &agrave;s localidades mais adequadas &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, consequentemente essa popula&ccedil;&atilde;o &eacute; condicionada a ocupar as &aacute;reas perif&eacute;ricas, tanto no que se refere &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o distante do centro, como ao n&atilde;o atendimento pelos servi&ccedil;os urbanos, acrescenta-se ainda, aquelas em que n&atilde;o deveria ocorrer a ocupa&ccedil;&atilde;o por habita&ccedil;&atilde;o, como, por exemplo, as &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente.</p>     <p>Destaca-se aqui nesse texto a ocupa&ccedil;&atilde;o de &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente de c&oacute;rregos urbanos. Quando ocorre a ocupa&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas, segundo Vargas (2008), os canais fluviais s&atilde;o colocados em risco, gerando conflitos socioambientais, pois envolve quest&otilde;es relativas &agrave; sua preserva&ccedil;&atilde;o, o uso econ&ocirc;mico da propriedade e o direito &agrave; moradia.</p>     <p>A ocupa&ccedil;&atilde;o das &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente ocorre, especialmente, em raz&atilde;o de uma expans&atilde;o urbana desordenada, sem o devido planejamento que atenda aos interesses de todos os cidad&atilde;os, nesse contexto, as cidades t&ecirc;m apresentado os mais diversos problemas relacionados ao meio ambiente, &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, ao saneamento b&aacute;sico, dentre outros.</p>     <p>Em C&aacute;ceres pode-se evidenciar estes problemas no c&oacute;rrego Sangradouro, onde a expans&atilde;o urbana foi se consolidando sem estudos pr&eacute;vios, alterando a paisagem do seu entorno, causando press&atilde;o sobre o canal, cuja interven&ccedil;&atilde;o que busque melhoras paisag&iacute;sticas e sanit&aacute;rias que possam elevar a qualidade de vida &eacute; uma necessidade para a popula&ccedil;&atilde;o e um desafio para a gest&atilde;o municipal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>C&aacute;ceres (<a href="#f1">figura 1</a>) &eacute; um dos maiores munic&iacute;pios do estado de Mato Grosso, com uma &aacute;rea de 24.612 Km&sup2; (IBGE, 2016). Foi fundada em 06 de outubro de 1778, pelo governador Lu&iacute;s de Albuquerque de Melo Pereira e C&aacute;ceres, sendo denominado de Vila Maria do Paraguai, em homenagem &agrave; rainha D. Maria I de Portugal (RIBEIRO CHAVES e ARRUDA, 2011, p. 280).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>C&aacute;ceres no decorrer de sua hist&oacute;ria apresentou altera&ccedil;&atilde;o em sua denomina&ccedil;&atilde;o, de acordo com Neves et. al. (2010, p. 8) o nome da vila foi alterado em 1979 para S&atilde;o Luiz do Paragaui e posterioremente, em &ldquo;30 de maio de 1874 foi elevada &agrave; categoria de munic&iacute;pio, denominado S&atilde;o Luiz de C&aacute;ceres e que, mais tarde, em 1938, foi denominado simplesmente, C&aacute;ceres&rdquo;.</p>     <p>Conforme o site oficial da Prefeitura Municipal, C&aacute;ceres &eacute; considerado um polo regional, por oferecer servi&ccedil;os como: sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, lazer, exporta&ccedil;&atilde;o, quer na qualidade, quer na quantidade nos munic&iacute;pios que polariza. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE, 2016) a pecu&aacute;ria &eacute; uma das principais atividades econ&ocirc;micas do munic&iacute;pio, contendo um dos maiores rebanhos de gado bovino do Brasil e a atividade tur&iacute;stica tem crescido nos &uacute;ltimos anos, destacando-se a pesca esportiva que atrai milhares de pessoas anualmente no Festival Internacional de Pesca.</p>     <p>O munic&iacute;pio pertence &agrave; bacia sedimentar do Pantanal, incluindo uma parte de dobramentos do Paraguai e apresenta tr&ecirc;s unidades geomorfol&oacute;gicas distintas: &ldquo;a Prov&iacute;ncia Serrana [...] a depress&atilde;o do rio Paraguai [...] Pantanal&rdquo;, maior plan&iacute;cie inund&aacute;vel com mais de 140.000 km&sup2; de superf&iacute;cie (FERREIRA, 2005, p. 67).</p>     <p>Diante dessa import&acirc;ncia do munic&iacute;pio de C&aacute;ceres na regi&atilde;o sudoeste do Estado de Mato Grosso e por estar localizada em &aacute;rea pertencente ao complexo do Pantanal, e; por compreender que a preserva&ccedil;&atilde;o dos seus c&oacute;rregos urbanos &eacute; de fundamental import&acirc;ncia para o equil&iacute;brio do rio Paraguai e para a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o, o objetivo desse texto foi o de apresentar o resultado da pesquisa que prop&ocirc;s a verifica&ccedil;&atilde;o de como o Plano Diretor de C&aacute;ceres, sendo um instrumento de gest&atilde;o p&uacute;blica, contribui para regulamentar o uso do solo e coibir a degrada&ccedil;&atilde;o desses canais fluviais, bem como para o atendimento &agrave; toda a sociedade, tomando como objeto de estudo o c&oacute;rrego Sangradouro, tribut&aacute;rio do rio Paraguai (<a href="#f1">figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;2. Materiais e m&eacute;todos</b></p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa recorreu-se &agrave; pesquisa bibliogr&aacute;fica, que foi de fundamental import&acirc;ncia; pois por seu interm&eacute;dio foi realizada a fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica da an&aacute;lise. A pesquisa descritiva, outro procedimento metodol&oacute;gico utilizado, que concomitantemente com a pesquisa de campo proporcionou a descri&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o de degrada&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego Sangradouro em C&aacute;ceres na &aacute;rea urbana e o registro fotogr&aacute;fico. A observa&ccedil;&atilde;o em campo foi realizada em oito pontos (<a href="#f1">figura 1</a>), englobando n&atilde;o s&oacute; o c&oacute;rrego Sangradouro, mas tamb&eacute;m um pequeno trecho de um de seus afuentes, o c&oacute;rrego Lava-p&eacute;s.</p>     <p>Para atingir os objetivos propostos foi utilizada tamb&eacute;m a pesquisa documental, por meio da qual analisou-se o Plano Diretor de C&aacute;ceres com o intuito de verificar se em sua elabora&ccedil;&atilde;o houve a preocupa&ccedil;&atilde;o de estabelecer a&ccedil;&otilde;es e diretrizes relacionadas &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o das &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente. A an&aacute;lise desse documento em conjunto com a pesquisa de campo foi realizada para verificar sua efic&aacute;cia para reduzir a degrada&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego em foco. Ressalta-se que para a verifica&ccedil;&atilde;o da efic&aacute;cia desse documento recorreu-se ainda &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rio<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> &agrave; representante da Secretaria Municipal de Ind&uacute;stria, Com&eacute;rcio, Meio Ambiente e Turismo (SICMATUR); da Secretaria de Planejamento e da empresa &Aacute;guas do Pantanal e entrevista com moradores antigos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 (BRASIL, 1988), trata nos cap&iacute;tulos 182 e 183 da pol&iacute;tica urbana e a lei 10.257, de 10 de julho de 2001 (BRASIL, 2001), o Estatuto da Cidade, foi implementada para regulamentar esses cap&iacute;tulos. No art.1&ordm; do Estatuto encontra-se estabelecido que na execu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica urbana, ser&aacute; aplicado o previsto nesta lei.</p>     <p>O Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001), no par&aacute;grafo &uacute;nico, especifica que para todos os efeitos; esta lei, estabelece normas de ordem p&uacute;blica e de interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da seguran&ccedil;a e do bem-estar dos cidad&atilde;os, bem como do equil&iacute;brio ambiental. Em seu artigo 40, assegura que o Plano Diretor serve como instrumento b&aacute;sico para o desenvolvimento e a expans&atilde;o urbana.</p>     <p>Em conformidade com o artigo 40, o artigo 41 do Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001) imp&otilde;e a obrigatoriedade da implanta&ccedil;&atilde;o de Plano Diretor a todo munic&iacute;pio que apresente popula&ccedil;&atilde;o acima de 20.000 habitantes, cidades metropolitanas ou aglomeradas, cidades tur&iacute;sticas, cidades que s&atilde;o alvos de implanta&ccedil;&atilde;o de grandes empreendimentos que podem causar impacto ambiental.</p>     <p>A constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 (BRASIL, 1998) apresenta um avan&ccedil;o para a quest&atilde;o urbana quando especifica que o planejamento das cidades deve ser realizado na esfera local, ao inserir em alguns incisos do artigo 30 o que compete aos munic&iacute;pios: o inciso I &ndash; atender os assuntos locais; o inciso II &ndash; suplementar a legisla&ccedil;&atilde;o federal e a estadual no que couber; inciso VIII &ndash; promover ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, parcelamento e a ocupa&ccedil;&atilde;o do solo urbano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As leis examinadas, preveem a obrigatoriedade da realiza&ccedil;&atilde;o do planejamento da cidade em n&iacute;vel local, sendo assim, procedeu-se a verifica&ccedil;&atilde;o de como o munic&iacute;pio de C&aacute;ceres atendeu essa exig&ecirc;ncia, como foi elaborado o seu Plano Diretor e se o que foi previsto nele foi executado e implementado de forma a contribuir para a minimiza&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego Sangradouro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>C&aacute;ceres foi fundada em 6 de outubro de 1778, o primeiro planejamento realizado foi em 1778, quando elaborou-se a planta b&aacute;sica de Vila Maria do Paraguai, e ficou estabelecido que as ruas que encontravam com o rio Paraguai, deveriam medir 60 palmos de largura (cada palmo equivalia a 22cm) e as travessas com medidas de 30 palmos, compondo os quarteir&otilde;es de 360 palmos (<a href="#f2">figura 2</a>). O sistema de medida adotado na elabora&ccedil;&atilde;o da planta s&oacute; foi mudado em 1873, pela c&acirc;mara, quando houve a proposi&ccedil;&atilde;o de sistema de medida franc&ecirc;s (informa&ccedil;&otilde;es obtidas em entrevista com o senhor Adilson Reis<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>).</p>     <p>Entretanto, se passaram muitos anos sem um novo planejamento. Somente em 1995 que o munic&iacute;pio de C&aacute;ceres implantou o seu Plano Diretor. Depois de 15 anos, em 2010 a lei complementar n&ordm; 90 de 29 de dezembro (C&Aacute;CERES, 2010), institui a atualiza&ccedil;&atilde;o do Plano Diretor de Desenvolvimento do Munic&iacute;pio de C&aacute;ceres, seguindo o que estabelece o par&aacute;grafo 3&ordm;. do Estatuto da Cidade.</p>     <p>Foram realizadas audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas para a elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Plurianual (PPA) para o per&iacute;odo de 2010 a 2014, com o objetivo principal de realizar a &ldquo;Sensibiliza&ccedil;&atilde;o para a atualiza&ccedil;&atilde;o do Plano Diretor&rdquo; (C&Aacute;CERES, 2010), em atendimento ao inciso I do artigo 4&ordm;. do Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001) que dita a obrigatoriedade de promover audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas e debates com a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e de associa&ccedil;&otilde;es representativas dos v&aacute;rios segmentos da comunidade. A participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, entretanto foi pequena.</p>     <p>Sobre a participa&ccedil;&atilde;o em audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas Fran&ccedil;a (2016) relata que ao realizar estudo sobre a revis&atilde;o do Plano Diretor de Montes Claros em Minas Gerais, identificou que a participa&ccedil;&atilde;o social nas audi&ecirc;ncias foi restrita, a forma como elas foram organizadas n&atilde;o atingiram nem metade das regi&otilde;es de planejamento, t&atilde;o somente realizadas pelas exig&ecirc;ncias do artigo 45 do Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001), de que &ldquo;Incluir&atilde;o obrigat&oacute;ria e significativa participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e de associa&ccedil;&otilde;es representativas dos v&aacute;rios segmentos da comunidade, de modo a garantir o controle direto de suas atividades e o pleno exerc&iacute;cio da cidadania&rdquo;.</p>     <p>Pode-se inferir, assim, que as audi&ecirc;ncias se concretizam apenas para cumprirem a lei, mas sem a efetiva presen&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; importante salientar que esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; recorrente tamb&eacute;m em outros munic&iacute;pios, como C&aacute;ceres, por exemplo.</p>     <p>Ao refletir sobre a pouca participa&ccedil;&atilde;o da sociedade nesses espa&ccedil;os de discuss&atilde;o da cidade e seu planejamento, Fran&ccedil;a (2016) aponta que essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; reflexo de uma &ldquo;descren&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos processos pol&iacute;ticos numa cidade dual e num momento em que sua participa&ccedil;&atilde;o deveria ser motivada, valorizada e reconhecida em fun&ccedil;&atilde;o de seu conhecimento das realidades local e regional&rdquo; (p. 129 - 130).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas possibilitam aos cidad&atilde;os exercerem o direito de apresentar propostas, assinalar solu&ccedil;&otilde;es e alternativas; portanto &eacute; um espa&ccedil;o importante no exerc&iacute;cio da cidadania (ANTONELLO, 2013, p. 245). Deste modo a popula&ccedil;&atilde;o precisa se conscientizar sobre a necessidade de exercer esse direito e se tornar respons&aacute;vel pelo processo de elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Diretor municipal.</p>     <p>Para tanto, h&aacute; necessidade de continuar sensibilizando a popula&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia desse processo de planejamento e da sua participa&ccedil;&atilde;o, uma vez que n&atilde;o se pode esquecer que a partir do momento em que a popula&ccedil;&atilde;o busca pensar os problemas e as solu&ccedil;&otilde;es para a cidade, ela se constitui como parte do processo.</p>     <p>Sobre a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, Antonello (2013, p. 248) argumenta que &eacute;&nbsp; &ldquo;necess&aacute;rio colocar em pr&aacute;tica mecanismos que fomentem a participa&ccedil;&atilde;o popular&rdquo;. Isto porque, em conson&acirc;ncia com Maricato (2000, p. 180), &ldquo;Partimos do pressuposto de que o plano urbano deve ser a express&atilde;o democr&aacute;tica da sociedade&rdquo;.</p>     <p>Destaca-se que deve haver o incentivo da participa&ccedil;&atilde;o da sociedade na elabora&ccedil;&atilde;o e na revis&atilde;o do Plano Diretor. Essa revis&atilde;o est&aacute; prevista no artigo 99, da lei complementar n&ordm; 90/2010 (C&Aacute;CERES, 2010), onde encontra-se expl&iacute;cito que no prazo m&aacute;ximo de cinco (05) anos ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o desta lei, o Plano Diretor dever&aacute; ser avaliado quanto aos resultados da aplica&ccedil;&atilde;o de suas diretrizes e instrumentos e das modifica&ccedil;&otilde;es ocorridas no espa&ccedil;o f&iacute;sico, social e econ&ocirc;mico do munic&iacute;pio, procedendo-se &agrave;s atualiza&ccedil;&otilde;es e adequa&ccedil;&otilde;es que se fizerem necess&aacute;rias.</p>     <p>A previs&atilde;o expl&iacute;cita no artigo 99, do Plano Diretor de C&aacute;ceres, est&aacute; de acordo com o que est&aacute; estabelecido no Estatudo da Cidade, de que o Plano Diretor deve ser revisto, pelo menos a cada 10 anos e que o Plano Plurianual, a lei de Diretrizes Or&ccedil;ament&aacute;rias e a Lei Or&ccedil;ament&aacute;ria Anual, devem no momento de suas elabora&ccedil;&otilde;es, atenderem de forma priorit&aacute;ria as diretrizes estabelecidas no Plano Diretor.</p>     <p>Entretanto, com atraso de tr&ecirc;s anos pelo estabelecido na lei complementar n&ordm; 90/2010, mas dentro do prazo, conforme o par&aacute;grafo 3&ordm;, do artigo 40 do Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001); em 2017, o Plano Diretor de C&aacute;ceres, encontrava-se em processo de revis&atilde;o. Portanto, na presquisa realizada, analisou-se o Plano Diretor de 2010.</p>     <p>O Plano Diretor de C&aacute;ceres de 2010 apresenta como objetivo &ldquo;instrumentalizar o processo de desenvolvimento, permitindo uma compreens&atilde;o dos fatores Pol&iacute;ticos Econ&ocirc;micos Financeiros e Territoriais, que mostram a situa&ccedil;&atilde;o e a necessidade do Munic&iacute;pio&rdquo; (C&Aacute;CERES, 2010). Para atingir esse objetivo, todo Plano Diretor deve seguir os instrumentos urban&iacute;sticos presentes no Estatuto da Cidade, os quais possibilitam enfrentar o desafio de reduzir a desigualdade social, degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e o desordenamento territorial.</p>     <p>Para reduzir o desordenamento territorial deveria ser posto em pr&aacute;tica o artigo 89, do Plano Diretor de C&aacute;ceres, contido na Se&ccedil;&atilde;o IV, que faz refer&ecirc;ncia aos artigos 25 a 27 do Estatuto da Cidade, que trata do Direito de Preemp&ccedil;&atilde;o, o qual consiste na prefer&ecirc;ncia do munic&iacute;pio na aquisi&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis que seja objeto de aliena&ccedil;&atilde;o onerosa entre particulares. Nesse artigo do Plano Diretor de C&aacute;ceres h&aacute; a determina&ccedil;&atilde;o de que o poder p&uacute;blico municipal poder&aacute; exercer esse direito, sempre que o munic&iacute;pio necessitar de &aacute;reas para regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, execu&ccedil;&atilde;o de projetos habitacionais, criando espa&ccedil;os p&uacute;blicos de lazer, implantando projetos de prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas verdes, hist&oacute;ricos, paisag&iacute;sticos, ordenando a expans&atilde;o urbana (C&Aacute;CERES, 2010).</p>     <p>A vantagem do exerc&iacute;cio do direito de preemp&ccedil;&atilde;o &eacute; que ele possibilita &ldquo;a constitui&ccedil;&atilde;o de reserva fundi&aacute;ria e ordenamento e direcionamento da expans&atilde;o urbana&rdquo; (REBOU&Ccedil;AS, 2007, p. 248). Este instrumento do Estatuto da Cidade tamb&eacute;m contribui, segundo o mesmo autor, para que o poder p&uacute;blico possa adquirir progressivamente os im&oacute;veis que se fazem necess&aacute;rios ao melhor &ldquo;planejamento da cidade, o que permite a constitui&ccedil;&atilde;o de uma reserva fundi&aacute;ria pelo munic&iacute;pio, facilitando a execu&ccedil;&atilde;o de seu Plano Diretor, principalmente, no que diz respeito &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o popular&rdquo;. (p. 250).</p>     <p>A execu&ccedil;&atilde;o desse direito &eacute; de grande import&acirc;ncia para a cidade de C&aacute;ceres, pois em not&iacute;cia de 2012, divulgada na p&aacute;gina oficial da Prefeitura Municipal, sobre audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada nesta mesma cidade, que teve como objetivo debater a etapa final do Plano Estadual de Habita&ccedil;&atilde;o de Interesse Social (PNHIS), o Secret&aacute;rio de Estado das Cidades, Gon&ccedil;alo Aparecido Barros, na ocasi&atilde;o apontou que o diagn&oacute;stico habitacional que utilizou dados do IBGE e do Cadastro &Uacute;nico de cada munic&iacute;pio, C&aacute;ceres, aparecia na terceira coloca&ccedil;&atilde;o em termos de necessidade habitacional, no ranking regional, sendo necess&aacute;rias 15.238 Unidades habitacionais para sanar este d&eacute;ficit (ASCOM, 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda sobre a execu&ccedil;&atilde;o do direito de preemp&ccedil;&atilde;o, deve ser indicado no Plano Diretor quais s&atilde;o as &aacute;reas em que se aplicar&aacute; esse instrumento. O Plano Diretor de C&aacute;ceres (C&Aacute;CERES, 2010), no par&aacute;grafo segundo, do artigo 89, exp&otilde;e que uma lei municipal espec&iacute;fica dever&aacute; ser elaborada, com esta finalidade. Entretanto, em contato com a prefeitura municipal obteve-se a informa&ccedil;&atilde;o de que esta lei ainda n&atilde;o foi elaborada e que no momento atual &eacute; que est&aacute; em discuss&atilde;o a cria&ccedil;&atilde;o da mesma.</p>     <p>Observa-se que mesmo com este Plano Diretor de C&aacute;ceres, o munic&iacute;pio n&atilde;o utilizou os instrumentos jur&iacute;dicos para o planejamento da cidade e ela continuou a se expandir de maneira desordenada, isto possibilitou a consolida&ccedil;&atilde;o de problemas como a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas impr&oacute;prias, cuja solu&ccedil;&atilde;o passa pelo estabelecimento de programas habitacionais que atendam a demanda dos mun&iacute;cipes.</p>     <p>Outro problema que poderia ser reduzido com o exerc&iacute;cio do direito de preemp&ccedil;&atilde;o previsto no artigo 89 do Plano Diretor de C&aacute;ceres &eacute; o descaso com as &aacute;reas verdes. Verifica-se, no c&oacute;rrego Sangradouro que suas margens (&Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente) est&atilde;o ocupadas ou em processo de ocupa&ccedil;&atilde;o (<a href="#f3">figura 3</a>), se o artigo mencionado fosse efetivamente executado, poderia haver minimiza&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o desse canal fluvial.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A ocupa&ccedil;&atilde;o das margens do c&oacute;rrego est&aacute; ligada &agrave; forma como foi produzido e reproduzido o espa&ccedil;o urbano, de maneira seletiva, atendendo o mercado de terras urbanas, que impossibilita o acesso da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; moradia; entretanto, ressalta-se que muitas vezes h&aacute; ocupa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m, especialmente com estruturas comerciais e industriais, que segue a l&oacute;gica do capital, na qual a natureza representa o atraso.</p>     <p>A situa&ccedil;&atilde;o na qual se encontra o c&oacute;rrego, mostra a realidade inversa do ideal expresso no artigo 6&ordm;, da lei n&ordm; 90/2010 (C&Aacute;CERES, 2010), em que h&aacute; a defesa da &ldquo;sustentabilidade e o desenvolvimento local socialmente justo, ambientalmente equilibrado e economicamente vi&aacute;vel, visando garantir qualidade de vida para as gera&ccedil;&otilde;es presentes e futuras&rdquo;. Verifica-se neste artigo a valoriza&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento local que preze pela sustentabilidade, entretanto o que se percebeu foi que a realidade est&aacute; longe do ideal apresentado no Plano Diretor.</p>     <p>Com o intuito de aprofundar mais nessa rela&ccedil;&atilde;o entre o real e o ideal, tomou-se para an&aacute;lise o cumprimento dos prazos estabelecidos no artigo 96 do Plano Diretor para a execu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es que visem o cumprimento do que est&aacute; previsto no artigo 92. Este artigo refere-se ao instrumento do Estatuto da Cidade &ldquo;da transfer&ecirc;ncia do direito de construir&rdquo;.</p>     <p>O Poder P&uacute;blico, conforme o exposto no artigo 92 do Plano Diretor, pode autorizar o propriet&aacute;rio de im&oacute;vel que esteja localizado em Zona de Adequa&ccedil;&atilde;o Ambiental a exercer em outro local ou alienar, de forma total ou parcial, o potencial construtivo quando se tratar de im&oacute;vel de interesse de preserva&ccedil;&atilde;o, exercendo fun&ccedil;&atilde;o ambiental essencial, servindo a programas de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria,&nbsp; habita&ccedil;&atilde;o de interesse social; destinado &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de equipamentos urbanos e comunit&aacute;rios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No <a href="#t1">quadro</a> abaixo s&atilde;o apresentadas as a&ccedil;&otilde;es previstas, os prazos e a situa&ccedil;&atilde;o de execu&ccedil;&atilde;o (se realizada ou n&atilde;o), conforme o estabelecido no artigo 96. Ressalta-se que a situa&ccedil;&atilde;o de execu&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o foi averiguada junto &agrave; Prefeitura Municipal por meio de question&aacute;rio encaminhado &agrave; Secretaria Municipal de Ind&uacute;stria, Com&eacute;rcio, Meio Ambiente e Turismo (SICMATUR) e &agrave; Secretaria de Planejamento e &agrave; empresa &Aacute;guas do Pantanal.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Observa-se como est&aacute; exposto no <a href="#t1">Quadro 1</a> que a an&aacute;lise do artigo 96 do Plano Diretor de C&aacute;ceres evidenciou o n&atilde;o cumprimento de todos os prazos nele estabelecidos. Apenas foi elaborado at&eacute; o momento o c&oacute;digo de obras e posturas municipais.</p>     <p>Dando prosseguimento na an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre o ideal e o real, procurou-se identificar as diretrizes relacionadas ao meio ambiente no Plano Diretor e buscar junto &agrave;s Secretarias Municipais, se estas diretrizes foram executadas ou n&atilde;o. No <a href="#t2">Quadro 2</a> abaixo podem ser visualizadas as respostas dadas por representantes delas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No item (5) do <a href="#t2">Quadro 2</a>, que trata da prote&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas sujeitas &agrave; eros&atilde;o e/ou inunda&ccedil;&atilde;o, onde consta que foi realizado um projeto nesse sentido, verifica-se que esse projeto atendeu apenas o local onde se encontra a SIMACTUR, quanto as demais localidades na mesma situa&ccedil;&atilde;o (pontos, 1,2,3 e 4, da <a href="#f1">figura 1</a>), nada ainda foi feito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em continua&ccedil;&atilde;o a an&aacute;lise do <a href="#t2">Quadro 2</a>, nos itens (6, 9 e 10) a autarquia &Aacute;guas do Pantanal consolidou a implanta&ccedil;&atilde;o de um aterro destinado ao dep&oacute;sito dos res&iacute;duos s&oacute;lidos do espa&ccedil;o urbano, implementando ainda, locais p&uacute;blicos com ponto de coleta seletiva. Esta autarquia &eacute; respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o das Esta&ccedil;&otilde;es de Tratamento de Esgoto (ETEs) dos bairros: Guanabara, Jardim aeroporto, Cohab Nova, e a mais recente a do Dom M&aacute;ximo, que atende a 500 resid&ecirc;ncias. Foi realizada melhoria na rede de abastecimento de &aacute;gua e est&aacute; com projetos de amplia&ccedil;&atilde;o da rede de esgoto para atender a toda a cidade.</p>     <p>Com a implanta&ccedil;&atilde;o do aterro veio alguns requisitos como a coleta seletiva, onde foi implantada a cooperativa dos catadores, que atualmente encontra em situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil, pela falta de equipamentos e por falta de separa&ccedil;&atilde;o dos materiais por parte dos moradores que ainda n&atilde;o adquiriram o h&aacute;bito de separar o res&iacute;duo org&acirc;nico do recicl&aacute;vel. Mais uma vez a an&aacute;lise demonstrou que muitas das diretrizes apontadas no Plano Diretor n&atilde;o foram executadas.</p>     <p>Sobre o ordenamento do territ&oacute;rio, fica claro em observa&ccedil;&atilde;o &agrave; expans&atilde;o urbana e em contato com representantes do poder p&uacute;blico municipal que a cidade em expans&atilde;o n&atilde;o foi planejada e se expandiu de acordo com as necessidades e a oferta de espa&ccedil;os para este fim. Em conson&acirc;ncia Silva (2015) relata que grandes problemas como a degrada&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;rregos urbanos em C&aacute;ceres foram causados principalmente pela ocupa&ccedil;&atilde;o a partir dos anos de 1970, quando houve a urbaniza&ccedil;&atilde;o das proximidades das margens dos c&oacute;rregos de forma desordenada, em paralelo &agrave; aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas que visassem a elabora&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o do planejamento.</p>     <p>A pesquisa empreendida tamb&eacute;m se atentou &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o da transforma&ccedil;&atilde;o da paisagem, especificamente &agrave; margens e ao entorno do c&oacute;rrego Sangradouro, que &eacute; o objeto principal dessa pesquisa, foi verificado em campo e em fotografias antigas a transforma&ccedil;&atilde;o da sua paisagem (<a href="#f4">figura 4</a>) e a sua degrada&ccedil;&atilde;o. Comparando as fotografias, fica evidenciada essa tranforma&ccedil;&atilde;o da paisagem. A primeira fotografia &eacute; do ano de 1958, a segunda de 1970, a terceira de 1978 e a &uacute;ltima de 2018.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Observa-se que essas interfer&ecirc;ncias no c&oacute;rrego, promoveram; neste trecho retilinizado, canalizado e coberto; a total descaracteriza&ccedil;&atilde;o de sua paisagem, sendo transformada completamente em artificial, hoje ocupada como local de lazer e realiza&ccedil;&atilde;o de eventos.</p>     <p>Sobre esse processo implementado no c&oacute;rrego, os moradores antigos entrevistados afirmaram que antes de come&ccedil;arem a canaliza&ccedil;&atilde;o, esse canal fluvial j&aacute; era utilizado para despejo de esgoto dom&eacute;stico; entretanto, ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o o descarte de esgoto continuou a ser verificado no c&oacute;rrego.</p>     <p>Iocca (2000, p. 3) especifica que &ldquo;a influ&ecirc;ncia antr&oacute;pica sobre esse curso de &aacute;gua ocorre, com maior intensidade, sendo utilizado como receptor de esgoto bruto&rdquo;.&nbsp; Este canal agora, em parte, fechado, ret&eacute;m todo tipo de esgoto e des&aacute;gua no rio Paraguai sem nenhum tratamento. Este processo fez com que as &aacute;guas que corriam, se encontrem hoje encobertas, longe dos olhos da popula&ccedil;&atilde;o e do visitante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A altera&ccedil;&atilde;o foi realizada em prol da urbaniza&ccedil;&atilde;o do entorno do c&oacute;rrego, pois &eacute; intensa e este processo ainda est&aacute; em curso, sendo identificadas muitas casas ainda em fase de constru&ccedil;&atilde;o, especialmente nos trechos &agrave; montante. Esta urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; deficit&aacute;ria, pois muitos dos bairros do entorno s&atilde;o carentes de infraestrutura como asfalto e rede de esgoto.</p>     <p>As casas em sua maioria s&atilde;o de baixo padr&atilde;o, abrigando uma popula&ccedil;&atilde;o de baixo poder aquisitivo. Entretanto, nos pontos mais pr&oacute;ximos da &aacute;rea central, verifica-se a exist&ecirc;ncia de edifica&ccedil;&otilde;es mais estruturadas condizentes com uma popula&ccedil;&atilde;o de rendimentos mais elevados e a infraestrutura urbana se apresenta de melhor qualidade, pelo menos no que se refere ao asfalto.</p>     <p>Em todo o percurso do c&oacute;rrego se verifica res&iacute;duos s&oacute;lidos em suas margens, a presen&ccedil;a de canos para despejo de esgoto dom&eacute;stico diretamente no canal (<a href="#f5">figura 5</a>). Em alguns pontos, especialmente na &aacute;rea de conflu&ecirc;ncia dos canais de drenagem artificial com o c&oacute;rrego, a presen&ccedil;a do esgoto &eacute; mais sentida, por conta do odor que se exala no ar. Ressalta-se que esses dejetos recebidos pelo c&oacute;rrego chegam at&eacute; o rio Paraguai atrav&eacute;s da sua conflu&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A &aacute;rea de percurso do c&oacute;rrego em &aacute;rea urbana apresenta em alguns pontos, alto risco de inunda&ccedil;&atilde;o, este risco foi potencializado com a sua retiliniza&ccedil;&atilde;o e canaliza&ccedil;&atilde;o, como apontam Aguiar e Rosestolato Filho (2012), uma vez que promoveram o seu afunilamento e reduziu a sua efici&ecirc;ncia na drenagem.</p>     <p>O descaso com a preserva&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego pela gest&atilde;o p&uacute;blica pode ser percebido quando se verifica a abertura de ruas bem &agrave;s suas margens (<a href="#f6">figura 6</a>), promovendo a retirada da vegeta&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria que proporciona o equil&iacute;brio ao ambiente fluvial. Como pode ser observado a expans&atilde;o urbana promoveu grandes mudan&ccedil;as &agrave; paisagem do entorno do c&oacute;rrego Sangradouro e estas mudan&ccedil;as se mostram negativas no que concerne a preserva&ccedil;&atilde;o desse canal.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a03f6.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas verdes, Milar&eacute; (2004, apud DAMIS e ANDRADE, 2006, p. 26) explicitam que ela tem como objetivo &ldquo;ordenar a ocupa&ccedil;&atilde;o espacial, visando contribuir para o equil&iacute;brio do meio ambiente.&rdquo;</p>     <p>Destaca-se que a falta de planejamento, que tenha preocupa&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente e a popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda, trouxe problemas para a cidade, pois h&aacute; ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas impr&oacute;prias e para se resolver esta situa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rios programas habitacionais que atendam a demanda da popula&ccedil;&atilde;o que se encontra em &aacute;reas de riscos ou de preserva&ccedil;&atilde;o, ou seja, &ldquo;para a cidade ilegal n&atilde;o h&aacute; planos, nem ordem. Ali&aacute;s ela n&atilde;o &eacute; conhecida em suas dimens&otilde;es e caracter&iacute;sticas. Trata-se de um lugar fora das id&eacute;ias.&rdquo; (MARICATO, 2000, p. 122).</p>     <p>Contudo, verifica-se na cidade, um &ldquo;discurso pleno de boas inten&ccedil;&otilde;es, mas distante da pr&aacute;tica&rdquo; (MARICATO, 2000, p. 124), isto &eacute; que o se p&ocirc;de demonstrar analisando o Plano Diretor (o ideal) e a situa&ccedil;&atilde;o de degrada&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego Sangradouro (o real). &Eacute; mais frequente parte do Plano ser cumprida ou ent&atilde;o ele ser aplicado apenas em determinados setores da cidade. Sua aplica&ccedil;&atilde;o segue a l&oacute;gica da cidadania restrita a alguns (MARICATO, 2000).</p>     <p>Cada munic&iacute;pio passa por variados problemas que s&atilde;o gerados pelo setor econ&ocirc;mico capitalista, que visa sempre o crescimento do capital, sem ao menos pensar nas consequ&ecirc;ncias, afetando o ambiente natural, portanto a l&oacute;gica capitalista na produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano como evidenciada por Botelho (2007), Carlos (2007), Corr&ecirc;a (1989), Santos (1988) se verifica em C&aacute;ceres.</p>     <p>Desta forma entende-se que todos os munic&iacute;pios necessitam de Plano Diretor, elaborado com a participa&ccedil;&atilde;o efetiva da popula&ccedil;&atilde;o, que considere a realidade local, n&atilde;o somente transpondo a&ccedil;&otilde;es a serem realizadas em outros munic&iacute;pios, para que o planejamento e a gest&atilde;o da cidade sejam orientados por este documento, proporcionando crescimento com sustentabilidade e oportunizando aos mun&iacute;cipes uma vida de qualidade e bem-estar.</p>     <p>Entende-se que o Plano Diretor sendo elaborado de forma a considerar a realidade local e a gest&atilde;o p&uacute;blica, por meio de suas secretarias e diversos departamentos, ao seguir as diretrizes nele previstas, fazendo diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o social, econ&ocirc;mica e ambiental, elaborando projetos com base em estudos s&eacute;rios, tomando as provid&ecirc;ncias cab&iacute;veis, a sustentabilidade na cidade pode ser algo a ser alcan&ccedil;ado.</p>     <p>Entretanto, como j&aacute; foi escrito antes, h&aacute; a necessidade de que a sociedade comece a participar, opinar e defender a&ccedil;&otilde;es que visem o bem-estar de todos os seus setores, bem como exija a implementa&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e o cumprimento dos prazos pr&eacute;-determinados. Em conson&acirc;ncia com S&aacute;nches (1999, p. 130), entende-se a necessidade de &ldquo;que ampliem as exig&ecirc;ncias da sociedade e garantam sua presen&ccedil;a ativa na condu&ccedil;&atilde;o dos destinos das cidades&rdquo;, lembrando dos argumentos de Fran&ccedil;a (2016, p. 119) que afirma que o Plano Diretor deve elevar todas as mudan&ccedil;as em curto e m&eacute;dio prazo, de modo preventivo.</p>     <p>Entretanto, com a revis&atilde;o do Plano Diretor de C&aacute;ceres, iniciada em 2017, espera-se que nesse processo sejam levados em conta, efetivamente, todos os requisitos exigidos pelo Estatuto da Cidade. De in&iacute;cio se percebe o intuito de fazer o planejamento dentro das normas e com a colabora&ccedil;&atilde;o de todos os departamentos, sendo um grande passo o conv&ecirc;nio realizado entre a Prefeitura e a Universidade do Estado de Mato Grosso. O Conv&ecirc;nio conta com os seguintes termos:</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O termo de coopera&ccedil;&atilde;o e conv&ecirc;nio n&ordm; 004/2017/PGM, conv&ecirc;nio que entre si celebram a Prefeitura Municipal de C&aacute;ceres - MT e a Universidade do Estado de Mato Grosso &ndash; UNEMAT, tendo como interveniente/anuente a Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio ao Ensino Superior P&uacute;blico Estadual - FAESPE, considerando os interesses rec&iacute;procos e o regime de m&uacute;tua coopera&ccedil;&atilde;o entre as partes; considerando o artigo 24, inciso XIII, combinado com os artigos 116 e 117 da lei 8.666/93. Para execu&ccedil;&atilde;o de estudos, pesquisas e servi&ccedil;os referente a: Plano Diretor Municipal; Plano de Mobilidade Urbana; Cadastro territorial Multifinalit&aacute;rio; Reestrutura&ccedil;&atilde;o Fiscal e Tribut&aacute;ria com vista ao apoio da gest&atilde;o municipal e regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, por um per&iacute;odo de 18 (dezoito) meses a contar da assinatura deste instrumento, em conformidade com o Plano de Trabalho e Anexos aprovado pelos part&iacute;cipes e que integra o presente instrumento. (C&Aacute;CERES, 2017).</p> </blockquote>     <p>&Eacute; mister, neste processo de revis&atilde;o a busca por alternativas para reduzir os problemas urbanos, de modo a promover a justi&ccedil;a social e democratizar o acesso &agrave; cidade ambientalmente equilibrada. N&atilde;o se pode esquecer, conforme Fran&ccedil;a (2016, p. 128) que &ldquo;o Plano Diretor &eacute; o arranjo de diretrizes urbanas e n&atilde;o um &lsquo;card&aacute;pio de obras&rsquo;.&rdquo;</p>     <p>&Eacute; importante destacar que n&atilde;o bastam somente as t&eacute;cnicas e pesquisas, h&aacute; a necessidade de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas ao incentivo na busca da sustentabilidade por parte da gest&atilde;o p&uacute;blica, apoiando as iniciativas que visam o cuidado com os bens p&uacute;blicos, como por exemplo, &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es de reciclagem, &agrave; sensibiliza&ccedil;&atilde;o quanto a import&acirc;ncia da conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais para a manuten&ccedil;&atilde;o de um ambiente equilibrado e a qualidade de vida na cidade. Para tanto &eacute; de suma import&acirc;ncia que o munic&iacute;pio tenha um &lsquo;Plano Diretor Participativo&rsquo; muito bem elaborado para realizar as a&ccedil;&otilde;es cab&iacute;veis e necess&aacute;rias para alcan&ccedil;ar esse objetivo.</p>     <p>Os Planos Diretores s&atilde;o instrumentos essenciais para promover os usos adequados e sustent&aacute;veis dos recursos naturais, bem como a equidade social. Entretanto o que se verifica &eacute; que na grande maioria dos munic&iacute;pios, assim como em C&aacute;ceres, os Planos Diretores s&atilde;o elaborados apenas para cumprir uma exig&ecirc;ncia do Estatuto da Cidade, sem os quais n&atilde;o consegue acesso aos investimentos por parte do governo federal, sendo escritos por uma equipe que desconhece a realidade local. Portanto os Planos Diretores n&atilde;o abarcam as reais necessidades da cidade, nem t&atilde;o pouco todos os cidad&atilde;os, n&atilde;o se v&ecirc; na pr&aacute;tica a implanta&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es previstas, estando o espa&ccedil;o urbano, o real, muito distante do ideal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Na atualidade, onde se observa que a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e a transforma&ccedil;&atilde;o da paisagem s&atilde;o desencadeadas, especialmente para atender ao capital, h&aacute; uma promo&ccedil;&atilde;o e intensifica&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental.</p>     <p>Ficou evidenciada pela pesquisa realizada a situa&ccedil;&atilde;o de degrada&ccedil;&atilde;o em que se encontra o c&oacute;rrego Sangradouro. A urbaniza&ccedil;&atilde;o do entorno &eacute; intensa e este processo ainda se manifesta na atualidade, muitas novas edifica&ccedil;&otilde;es est&atilde;o sendo levadas a cabo, especialmente a montante do canal. Esta urbaniza&ccedil;&atilde;o verificada &eacute; deficit&aacute;ria, podendo assim ser afirmada em raz&atilde;o da car&ecirc;ncia de infraestrutura.</p>     <p>A popula&ccedil;&atilde;o residente &agrave;s proximidades e at&eacute; mesmo na &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente &eacute; de baixo poder aquisitivo, entretanto, nas &aacute;reas mais pr&oacute;ximas do centro, a presen&ccedil;a de uma popula&ccedil;&atilde;o com rendimentos mais elevados, pode ser verificada, isto fica evidenciado nas casas de melhor padr&atilde;o e na infraestrutura urbana que se apresenta de melhor qualidade, pelo menos no que se refere &agrave; pavimenta&ccedil;&atilde;o asf&aacute;ltica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em todo o percurso do c&oacute;rrego Sangradouro &eacute; poss&iacute;vel visualizar em suas margens res&iacute;duos s&oacute;lidos e rejeitos, tamb&eacute;m alguns canos utilizados para o despejo de esgoto dom&eacute;stico no canal. Entende-se que a gest&atilde;o municipal &eacute; respons&aacute;vel por realizar a fiscaliza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es nas &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o, mas o que se verifica &eacute; o pr&oacute;prio poder p&uacute;blico promovendo atitudes que contribuem com a degrada&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego como a abertura de ruas &agrave;s suas margens.</p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es realizadas no c&oacute;rrego Sangradouro como a sua retiliniza&ccedil;&atilde;o, canaliza&ccedil;&atilde;o e pavimenta&ccedil;&atilde;o seguem a l&oacute;gica de v&aacute;rias cidades brasileiras, onde o descaso promove a sua degrada&ccedil;&atilde;o ao ponto de os moradores exigirem a sua encoberta para melhorar a imagem da cidade.</p>     <p>Nesse contexto, defende-se a necessidade de implanta&ccedil;&atilde;o de Esta&ccedil;&atilde;o de Tratamento de Esgoto &ndash; ETE que atenda todos os bairros da cidade, para reduzir a contamina&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;rregos urbanos, bem como do pr&oacute;prio rio Paraguai; e, melhorar a sa&uacute;de das pessoas que residem em C&aacute;ceres; a realiza&ccedil;&atilde;o de coletas de res&iacute;duos regularmente; campanhas de conscientiza&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o descartar res&iacute;duos em ambientes inapropriados; a elabora&ccedil;&atilde;o de projetos de revitaliza&ccedil;&atilde;o das margens dos c&oacute;rregos urbanos.</p>     <p>Somadas &agrave; estas a&ccedil;&otilde;es, se constitui de extrema relev&acirc;ncia a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas a buscar meios de preserva&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;rregos urbanos para assegurar a sustentabilidade do presente e do futuro desses canais, lembrando que os c&oacute;rregos urbanos afetados em C&aacute;ceres des&aacute;guam no rio Paraguai, este representa suma import&acirc;ncia para a manuten&ccedil;&atilde;o do complexo do pantanal.</p>     <p>Ao analisar o Plano Diretor de C&aacute;ceres identificou-se que as a&ccedil;&otilde;es previstas que poderiam direta ou indiretamente contribuir com a redu&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o do c&oacute;rrego Sangradouro, como os demais, n&atilde;o foram executadas, desta forma este instrumento, na cidade, se constitui apenas em um elemento figurativo, que n&atilde;o &eacute; posto em pr&aacute;tica, pelo menos parece que n&atilde;o houve disposi&ccedil;&atilde;o suficiente para isto.</p>     <p>Sendo assim, defende-se que um dos instrumentos importantes para solucionar os problemas urbanos &eacute; o Plano Diretor, essencial para promover o uso adequado e sustent&aacute;vel dos recursos naturais, bem como o controle da qualidade social. Contudo, verifica-se que a grande maioria dos munic&iacute;pios elabora o Plano Diretor em conson&acirc;ncia com o Estatuto da Cidade; por&eacute;m n&atilde;o abarca as reais necessidades da cidade, nem t&atilde;o pouco todos os cidad&atilde;os. N&atilde;o se v&ecirc; na pr&aacute;tica a implanta&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es previstas; como resultado, observa-se o espa&ccedil;o urbano, o real, muito distante do ideal.</p>     <p>Ressalta-se que&nbsp; todo Plano Diretor deve seguir os instrumentos urban&iacute;sticos presentes no Estatuto da Cidade, os quais possibilitam enfrentar o desafio de reduzir a desigualdade social e a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, por&eacute;m na sua elabora&ccedil;&atilde;o e sua revis&atilde;o, deve-se atentar para a realidade a que se est&aacute; planejando e que as diretrizes apontadas sejam realmente efetivadas.</p>     <p>Muitas vezes a n&atilde;o aplicabilidade do Plano Diretor &eacute; resultado da forma como ele foi elaborado. Entende-se que o Plano Diretor sendo elaborado de forma a considerar a realidade local, com a participa&ccedil;&atilde;o efetiva da sociedade civil, a tend&ecirc;ncia &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o de uma cidade mais justa, igualit&aacute;ria e ambientalmente equilibrada.</p>     <p>Por fim, conclui-se que a pesquisa realizada ao promover uma reflex&atilde;o sobre as a&ccedil;&otilde;es previstas no Plano Diretor e n&atilde;o executadas e ao ressaltar que esse documento &eacute; essencial para as cidades que desejam um planejamento s&eacute;rio, chama a aten&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico municipal para o desempenho de suas fun&ccedil;&otilde;es de forma ison&ocirc;mica, pois s&oacute; assim se alcan&ccedil;a o bem-estar socioambiental, devendo&nbsp; todos reunir em prol de uma solu&ccedil;&atilde;o para as quest&otilde;es ambientais dos c&oacute;rregos urbanos, que n&atilde;o s&oacute; afetam a natureza&nbsp; como tamb&eacute;m &agrave; toda a popula&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, entende-se que o caso estudado pode servir de exemplo para cidades de outros pa&iacute;ses.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>AGUIAR, D. P.; ROSESTOLATO FILHO, A. Os impactos da urbaniza&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica dos canais fluviais de C&aacute;ceres - MT. <i>RCA Revista Cientifica da Ajes,</i> 2012, v. 3, n. 7. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.revista.ajes.edu.br/index.php/RCA/article/view/136/54" target="_blank">http://www.revista.ajes.edu.br/index.php/RCA/article/view/136/54</a>&gt;. Acesso em 08 jun. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754402&pid=S2182-1267201800030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDRADE, J. A.; CARMO, J. A. A Expans&atilde;o Urbana Desordenada e suas Consequ&ecirc;ncias para os C&oacute;rregos Urbanos e a Transforma&ccedil;&atilde;o da Paisagem. In: 8&ordf; JORNADA CIENT&Iacute;FICA DA UNEMAT. <i>Anais eletr&ocirc;nicos.</i> C&aacute;ceres-MT, 2017. V. 8, p. 1-5. Dispon&iacute;vel em: &lt; <a href="http://www.siec.unemat.br/anais/!default/impressao-pdf.php?r=OTMzOA==&amp;i=NTU0NjM=&amp;p=L0FycXVpdm9zL2NvcnJpZ2lkb3MvMTQyMTktNTU0NjMucGRm&amp;y=MA==&amp;v=MA==&amp;d=SQ==&amp;cache=1527016352" target="_blank">http://www.siec.unemat.br/anais/!default/impressao-pdf.php?r=OTMzOA==&amp;i=NTU0NjM=&amp;p=L0FycXVpdm9zL2NvcnJpZ2lkb3MvMTQyMTktNTU0NjMucGRm&amp;y=MA==&amp;v=MA==&amp;d=SQ==&amp;cache=1527016352</a>&gt;. Acesso em 20 fev. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754404&pid=S2182-1267201800030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANTONELLO, I. T. Potencialidade do planejamento participativo no Brasil. <i>Sociedade &amp; Natureza,</i> Uberl&acirc;ndia, 2013, v. 25, n. 2, p. 239 - 254. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/viewFile/19752/pdf" target="_blank">http://www.seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/viewFile/19752/pdf</a>&gt;. Acesso em 30 mai.2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754406&pid=S2182-1267201800030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>ASCOM - Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Prefeitura Municipal de C&aacute;ceres. <i>Regi&atilde;o sudoeste &eacute; terceira do Estado em d&eacute;ficit habitacional. </i>2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.caceres.mt.gov.br/Noticia/1576/regiao-sudoeste-e-terceira-do-estado-em-deficit-habitacional#.WuMfm4jwbIV&amp" target="_blank">http://www.caceres.mt.gov.br/Noticia/1576/regiao-sudoeste-e-terceira-do-estado-em-deficit-habitacional#.WuMfm4jwbIV&amp</a> Acesso em 13 abril 2016.</p>     <!-- ref --><p>BOTELHO, A. <i>O urbano em fragmentos: </i>A produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e da moradia pelas pr&aacute;ticas do setor imobili&aacute;rio. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2007. ISBN 978-85-7419-745-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754409&pid=S2182-1267201800030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRASIL. <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil.</i> 1988. Senado Federal. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf" target="_blank">https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf</a>&gt;. Acesso em 15 ago.2016. ISBN: 978-85-7018-698-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754411&pid=S2182-1267201800030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>BRASIL. <i>Lei no 10.257,</i> de 10 de julho de 2001. Estatuto da cidade. Regulamenta os art.182 e 183 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm</a>&gt;. Acesso em 15 ago.2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754412&pid=S2182-1267201800030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>C&Aacute;CERES. <i>Lei Complementar n&ordm;. 90,</i> de 29 de dezembro de 2010. Institui a atualiza&ccedil;&atilde;o do Plano Diretor de Desenvolvimento do Munic&iacute;pio de C&aacute;ceres<b>. </b>Plano Diretor de Desenvolvimento de C&aacute;ceres - MT, C&aacute;ceres, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754414&pid=S2182-1267201800030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>C&Aacute;CERES. Prefeitura Municipal de C&aacute;ceres. <i>Termo de coopera&ccedil;&atilde;o e conv&ecirc;nio n&ordm; 004/2017/PGM.</i> 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754416&pid=S2182-1267201800030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARLOS, Ana Fani Alessandri. Repensando a Geografia Urbana: uma nova perspectiva se abre, In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.). <i>Os caminhos da reflex&atilde;o sobre a cidade e o urbano</i>. S&atilde;o Paulo: EDUSP, 1994, p. 157-198. ISBN: 85-314-0182-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754418&pid=S2182-1267201800030000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CARLOS, A. F. A. <i>O Espa&ccedil;o Urbano: </i>novos escritos sobre a cidade. S&atilde;o Paulo: FFLCH, 2007. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.gesp.fflch.usp.br/sites/gesp.fflch.usp.br/files/Espaco_urbano.pdf" target="_blank">http://www.gesp.fflch.usp.br/sites/gesp.fflch.usp.br/files/Espaco_urbano.pdf</a>&gt;. Acesso em 05 abr. 2016. ISBN: 978-85-7506-144-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754420&pid=S2182-1267201800030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARMO, J. A. A l&oacute;gica capitalista na produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano e as situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade social na cidade. In: ENANPEGE. GEOGRAFIA, CI&Ecirc;NCIA E POL&Iacute;TICA: do pensamento &agrave; a&ccedil;&atilde;o, da a&ccedil;&atilde;o ao pensamento. <i>Anais...</i>Porto Alegre, 2017, p. 1 - 12. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.enanpege.ggf.br/2017/anais/arquivos/GT%2001/1143.pdf" target="_blank">http://www.enanpege.ggf.br/2017/anais/arquivos/GT%2001/1143.pdf</a>&gt;. Acesso em 20 fev.2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754422&pid=S2182-1267201800030000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARMO, J. A.; VIEIRA, W. B. Aspectos socioecon&ocirc;micos e habitacionais da popula&ccedil;&atilde;o residente na &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente no c&oacute;rrego Jaracati&aacute; em Col&iacute;der, MT. <i>Geografia</i>, Londrina, 2017, v. 26. n. 1. p. 779 -793.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754424&pid=S2182-1267201800030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORR&Ecirc;A, R. L. Espa&ccedil;o: um conceito-chave da Geografia. In: CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORR&Ecirc;A, R. L. (Orgs.). <i>Geografia:</i> conceitos e temas. 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o - Rio de Janeiro, BERTRAND BRASIL, 2000, p. 15 - 47. ISBN: 85-286-0545-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754426&pid=S2182-1267201800030000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORR&Ecirc;A, R. L. <i>O espa&ccedil;o urbano.</i> S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1989. ISBN 85-08-03260-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754428&pid=S2182-1267201800030000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>DAMIS, R. C. B.; ANDRADE, T. S. A inaplicabilidade do c&oacute;digo florestal em &aacute;rea urbana. <i>Evocati Revista</i><i>,</i> 2006, n. 12, p. 01 - 21.Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/31188-34535-1-PB.pdf" target="_blank">http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/31188-34535-1-PB.pdf</a>&gt;. Acesso em 15 mar. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754430&pid=S2182-1267201800030000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERREIRA, E. <i>Planejamento de transporte ciclovi&aacute;rio:</i> o caso de C&aacute;ceres - MT. 2005, 169 f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Rio de Janeiro, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754432&pid=S2182-1267201800030000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FRAN&Ccedil;A, I. Planejamento urbano e participa&ccedil;&atilde;o social em cidade m&eacute;dia: a revis&atilde;o do Plano Diretor de Montes Claros - MG. <i>GeoTextos,</i> 2016, v. 12, n. 2. p. 107 - 134,. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/view/18117" target="_blank">https://www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/view/18117</a>&gt;. Acesso em 12 abr.2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754434&pid=S2182-1267201800030000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT&Iacute;STICA - IBGE. Diretoria de Pesquisas - DPE - <i>Coordena&ccedil;&atilde;o de Popula&ccedil;&atilde;o e Indicadores Socias</i> - COPIS. 2016. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.cidades.ibge.gov.br/brasil/mt/caceres/historico" target="_blank">https://www.cidades.ibge.gov.br/brasil/mt/caceres/historico</a>&gt;. Acesso em 05 ago. 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754436&pid=S2182-1267201800030000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>IOCCA, F. A. S. <i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o limnol&oacute;gica do c&oacute;rrego Sangradouro nas &eacute;pocas de seca e de chuva - C&aacute;ceres/MT.</i> 2000. 83 f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Ecologia) - Instituto de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas, Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754438&pid=S2182-1267201800030000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MARICATO, E. As id&eacute;ias fora do lugar e o lugar fora das id&eacute;ias: Planejamento urbano no Brasil. In: ARANTES, O. B. F.; VAINER, C.; MARICATO, E. <i>A cidade do pensamento &uacute;nico:</i> desmanchando consensos<b>.</b> Petr&oacute;polis: Vozes, 2000, p. 121 - 192. ISBN: 85-326-2384-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754440&pid=S2182-1267201800030000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEVES; R. J.; NEVES, S. M. A. S.; CASARIN, R. Sistema de informa&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica geogr&aacute;fica de C&aacute;ceres/MT - Brasil: subs&iacute;dios ao planejamento e desenvolvimento local. In: VI SEMIN&Aacute;RIO LATINO-AMERICANO DE GEOGRAFIA F&Iacute;SICA. II SEMIN&Aacute;RIO IBERO-AMERICANO DE GEOGRAFIA F&Iacute;SICA. <i>Anais...</i>Universidade de Coimbra, 2010, p. 1 - 17. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema5/ronaldo" target="_blank">http://www.uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema5/ronaldo</a>&gt;. Acesso em 03 ago. 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754442&pid=S2182-1267201800030000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REBOU&Ccedil;AS, K. B. A. T. A efic&aacute;cia do Direito de Preemp&ccedil;&atilde;o no Plano Diretor. <i>Revista Direito e Liberdade, </i>Mossor&oacute;, 2007, v. 6, n. 2, p. 233 - 252.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754444&pid=S2182-1267201800030000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RIBEIRO CHAVES, O.; ARRUDA, E. F. <i>Hist&oacute;ria e mem&oacute;ria C&aacute;ceres.</i> Editora UNEMAT, 2011. ISBN: 978-85-7911-061-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754446&pid=S2182-1267201800030000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, M. Metamorfoses do espa&ccedil;o habitado. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1988. ISBN: 85-271-0068-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754448&pid=S2182-1267201800030000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>S&Aacute;NCHEZ, F. Pol&iacute;ticas urbanas em renova&ccedil;&atilde;o: uma leitura cr&iacute;tica dos modelos emergentes. <i>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais.</i> 1999, n. 1, p. 115 - 132.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754450&pid=S2182-1267201800030000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SILVA, J. L. <i>Expans&atilde;o urbana e suas implica&ccedil;&otilde;es, morfol&oacute;gica e sedimentol&oacute;gica na bacia hidrogr&aacute;fica do c&oacute;rrego Olhos D'&Aacute;gua em C&aacute;ceres - Mato Grosso.</i> 2015. 63 f. Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso (Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia) - Universidade do Estado de mato Grosso &ndash; UNEMAT, C&aacute;ceres - MT, 2015.</p>     <!-- ref --><p>VARGAS. H. L.; Ocupa&ccedil;&atilde;o irregular de APP urbana: um estudo da percep&ccedil;&atilde;o social acerca do conflito de interesses que se estabelece na lagoa do Prato Raso, em Feira de Santana, Bahia. <i>SITIENTIBUS.</i> Feira de Santana, 2008, n. 39, p. 7 - 36. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www2.uefs.br/sitientibus/pdf/39/1.1_ocupacao_irregular_de_app_urbana.pdf" target="_blank">http://www2.uefs.br/sitientibus/pdf/39/1.1_ocupacao_irregular_de_app_urbana.pdf</a>&gt;. Acesso em 04 nov. 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754453&pid=S2182-1267201800030000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Pesquisa realizada com apoio financeiro da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT)</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> As quest&otilde;es que comp&otilde;em o question&aacute;rio, bem como as respostas &agrave; elas encontram-se no <a href="#t1">Quadro 1</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Morador antigo de C&aacute;ceres, engenheiro que prestou servi&ccedil;os &agrave; Prefeitura Municipal.</p>      ]]></body><back>
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