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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Articulando a cidade global e a cidade justa: o Grand Paris Express e a &#8220;Terceira grande revolução urbana&#8221; de Paris]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Paris, the construction of the Grand Paris Express (GPE) is in progress. The GPE is an underground subway network with an extension of over 200 km that includes 68 new stations. The GPE will circle the capital by its periphery, complementing the system of existing centripetal axes that have been organized radially so far. The objective is to build a sustainable city, both from an economic point of view - by positioning Paris as a global economic center - and from a social point of view - by improving the living conditions of the inhabitants and correcting territorial inequalities. This paper presents the project and seeks to situate it within the discussions that it raises, including themes such as sustainability, governance, impact management, among others, that are articulated between two poles: efficiency and equity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Articulando a cidade global e a cidade justa: o Grand Paris Express e a &ldquo;Terceira grande revolu&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo; de Paris</b></p>     <p><b>Articulating the global city and the just city: the Grand Paris Express and the "Third great urban revolution" in Paris</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Castro, Maria</b><sup>1</sup>; <b>Castro, Maria</b><sup>2</sup></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura, Departamento de Tecnologia &ndash; TAU; Rua Gon&ccedil;alves Veloso 223,/301. 30380620 Belo Horizonte Brasil; <a href="mailto:Luizadecastro2000@gmail.com">Luizadecastro2000@gmail.com</a></p>     <p><sup>2</sup>DEA Ecole d&rsquo;Architecture de Paris Belleville; Rue Nicolas Faltot, n&ordm; 8. 93.100 Montreuil Fran&ccedil;a; <a href="mailto:beatriz.castro@online.fr">beatriz.castro@online.fr</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Encontra-se em curso, em Paris, a constru&ccedil;&atilde;o do <i>Grand Paris Express</i> (GPE), uma rede subterr&acirc;nea de metr&ocirc;s autom&aacute;ticos com mais de 200 km de extens&atilde;o, incluindo 68 novas esta&ccedil;&otilde;es. O GPE dever&aacute; contornar a capital pela periferia, complementando o sistema de eixos centr&iacute;petos existentes que, at&eacute; o momento, se organizam de forma radial. O objetivo &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade sustent&aacute;vel, seja do ponto de vista econ&ocirc;mico - por meio do posicionamento de Paris como centro econ&ocirc;mico global - seja do ponto de vista social - por meio de propostas para a melhoria do quadro de vida dos habitantes e para a corre&ccedil;&atilde;o das desigualdades territoriais. O presente artigo apresenta o projeto e procura situ&aacute;-lo nas discuss&otilde;es que suscita, em torno de temas tais como sustentabilidade, governan&ccedil;a, gest&atilde;o de impactos, entre outros, que se articulam entre dois polos: efici&ecirc;ncia e equidade.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: mobilidade urbana; Grand Paris Express; Cidade Global, Cidade Justa, sustentabilidade urbana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>In Paris, the construction of the <i>Grand Paris Express</i> (GPE) is in progress. The GPE is an underground subway network with an extension of over 200 km that includes 68 new stations. The GPE will circle the capital by its periphery, complementing the system of existing centripetal axes that have been organized radially so far. The objective is to build a sustainable city, both from an economic point of view - by positioning Paris as a global economic center - and from a social point of view - by improving the living conditions of the inhabitants and correcting territorial inequalities. This paper presents the project and seeks to situate it within the discussions that it raises, including themes such as sustainability, governance, impact management, among others, that are articulated between two poles: efficiency and equity.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords:</b> urban mobility; Grand Paris Express; Global City, Just City, urban sustainability.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Ap&oacute;s muitas d&eacute;cadas de negocia&ccedil;&otilde;es, a &ldquo;obra do s&eacute;culo&rdquo; est&aacute; atualmente em plena efervesc&ecirc;ncia na capital francesa. Trata-se da maior obra europeia de infraestrutura dos pr&oacute;ximos dez anos,&nbsp; o dobro do CrossRail de Londres&nbsp; (JACQUE,2017)<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>: a previs&atilde;o inicial, em 2008, era de um gasto de cerca de 20,5 bilh&otilde;es de euros (AUZANNET, 2012) em dez anos para as novas linhas e esta&ccedil;&otilde;es de metr&ocirc; que formar&atilde;o a Rede Expressa da Grande Paris (<i>Grand Paris Express</i>, ou GPE).</p>     <p>Com os reajustes, os projetos habitacionais do entorno e o planejamento urbano, as despesas podem elevar-se a mais de 108 bilh&otilde;es de euros (JACQUE, 2017). O GPE est&aacute; ligado &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da nova metr&oacute;pole da Grande Paris e indissociavelmente articulado com o desenvolvimento regional. O objetivo &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade sustent&aacute;vel, seja do ponto de vista econ&ocirc;mico - por meio do posicionamento de Paris como centro econ&ocirc;mico global - seja do ponto de vista social - por meio de propostas para a melhoria do quadro de vida dos habitantes e para a corre&ccedil;&atilde;o das desigualdades territoriais.</p>     <p>A proposta &eacute; estruturada a partir da busca de densidade, da intensidade e da composi&ccedil;&atilde;o mista da cidade (AIGP, 2012). O primeiro elemento deste trip&eacute; &eacute; a ideia de cidade compacta, adaptada para a realidade da metr&oacute;pole, numa organiza&ccedil;&atilde;o que pode ser identificada como um &ldquo;modelo de concentra&ccedil;&atilde;o descentralizada ou modelo polic&ecirc;ntrico em rede&rdquo;: o objetivo deste modelo &eacute; a configura&ccedil;&atilde;o de uma cidade que re&uacute;na diversos centros aut&ocirc;nomos, conectados por transportes p&uacute;blicos eficientes (MADUREIRA, 2005, s.p.). O segundo elemento, articulado com o primeiro, &eacute; a intensidade da metr&oacute;pole, que permite a rentabiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos da infraestrutura urbana a partir da intensifica&ccedil;&atilde;o do uso da terra e de redes de mobilidade, equipamentos sociais, redes de saneamento, energia e outras. Por fim, o terceiro elemento &eacute; a promo&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os multifuncionais, com uma composi&ccedil;&atilde;o mista, incluindo habita&ccedil;&atilde;o e outras atividades, assim como um mix de perfis populacionais.</p>     <p>O presente artigo procura situar a quest&atilde;o no quadro de uma din&acirc;mica urbana que se constr&oacute;i dentro dos &ldquo;limites de elasticidade das t&eacute;cnicas e das vontades pol&iacute;ticas&rdquo; (ACSELRAD, 1999, p. 88). Inicialmente s&atilde;o apresentados os temas que norteiam a discuss&atilde;o: por um lado, a investiga&ccedil;&atilde;o da proposta de cidades compactas e do chamado modelo polic&ecirc;ntrico em rede nas metr&oacute;poles, em suas implica&ccedil;&otilde;es para a mobilidade urbana; por outro, duas orienta&ccedil;&otilde;es que polarizam a constru&ccedil;&atilde;o social da base t&eacute;cnico-material da cidade: a efici&ecirc;ncia e a equidade. A proposta do GPE &eacute;, em seguida, exposta, dentro de uma perspetiva que contempla estas quest&otilde;es. Por fim, apresenta-se o est&aacute;dio de evolu&ccedil;&atilde;o atual do empreendimento, que enfrenta dificuldades t&eacute;cnicas e or&ccedil;ament&aacute;rias.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Mobilidade: cidades compactas e modelo polic&ecirc;ntrico em rede</b></p>     <p>Atualmente, parece existir um consenso entre institui&ccedil;&otilde;es e governos, que reconhecem nas cidades compactas uma forma de melhorar a sustentabilidade, no que diz respeito ao sistema de transporte urbano (GAIGN&Eacute; <i>et al.,</i> 2012).&nbsp; Richard Rogers e Gumuchdjian (1997) est&atilde;o entre os que defendem esta configura&ccedil;&atilde;o e descrevem suas vantagens - dando destaque &agrave; quest&atilde;o do transporte. O planejamento eficiente do transporte e da mobilidade &eacute; imprescind&iacute;vel para o sucesso de qualquer cidade, mas, nas cidades compactas, &eacute; uma necessidade central. Aproximar os servi&ccedil;os e estimular a vida p&uacute;blica tamb&eacute;m significa reservar menos &aacute;reas para garagens e estacionamentos, espa&ccedil;os considerados monofuncionais e individualistas, numa perspetiva social, desestimulando a circula&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis. Assim, a efici&ecirc;ncia do transporte &eacute; garantida pelo maior n&uacute;mero de deslocamentos em um menor espa&ccedil;o de tempo, o que s&oacute; pode ser alcan&ccedil;ado pelo traslado em massa: trens, metr&ocirc;s ou qualquer outro transporte p&uacute;blico de maior porte. A efic&aacute;cia, por&eacute;m, depende do atendimento a demandas particulares, que nem sempre conseguem ser supridas pelo transporte p&uacute;blico. Assim, &eacute; necess&aacute;rio que haja a integra&ccedil;&atilde;o adequada entre os diferentes modais para que atendam desde as maiores at&eacute; as menores escalas (ROGERS, GUMUCHDJIAN, 1997).</p>     <p>A proposta de transporte das Cidades Compactas &eacute; considerar &ldquo;pontos focais em volta dos quais as vizinhan&ccedil;as se desenvolvem&rdquo; (ROGERS, GUMUCHDJIAN, 1997, p. 38). Estes pontos articulam os transportes em massa, que conectam as cidades umas &agrave;s outras. Sendo multimodais, eles articulam tamb&eacute;m meios de menor porte, como o &ocirc;nibus, ou as bicicletas, at&eacute; os percursos que podem ser feitos a p&eacute;, atendendo a uma hierarquia de dist&acirc;ncias (ROGERS, GUMUCHDJIAN, 1997, p. 47).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outra vantagem deste tipo de configura&ccedil;&atilde;o urbana &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o das dist&acirc;ncias percorridas diariamente, o que traz n&atilde;o somente um ganho de tempo, mas, principalmente, vantagens em termos ambientais - mais significativas do que as aportadas pelas inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas em curso, j&aacute; que &ldquo;as melhorias na efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica parecem ser insuficientes para estabilizar a polui&ccedil;&atilde;o gerada pelo setor de transporte (EUROPEAN..., 2007, apud GAIGN&Eacute; <i>et al.,</i> 2012, p. 123).</p>     <p>A possibilidade de redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es poluentes explica, em grande parte, o apoio dos governos e institui&ccedil;&otilde;es ao adensamento das cidades. Entretanto, alguns cr&iacute;ticos da ideia argumentam que estas vantagens energ&eacute;ticas podem n&atilde;o ser efetivas, devido ao efeito da concentra&ccedil;&atilde;o de poluentes (MADUREIRA, 2005).</p>     <p>Outro ponto importante s&atilde;o os efeitos negativos das pol&iacute;ticas de incentivo &agrave; densifica&ccedil;&atilde;o, que podem provocar a realoca&ccedil;&atilde;o de empresas e fam&iacute;lias, uma vez que afetam pre&ccedil;os, sal&aacute;rios e o valor dos im&oacute;veis e alugu&eacute;is (MADUREIRA, 2005; GAIGN&Eacute; <i>et al.,</i> 2012).</p>     <p>Num contexto metropolitano e de procura de solu&ccedil;&otilde;es para os problemas apontados na cidade compacta surgiu a proposta de um modelo h&iacute;brido, conhecido como &ldquo;concentra&ccedil;&atilde;o descentralizada ou modelo polic&ecirc;ntrico em rede&rdquo;, que se apresenta como &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o relativamente consensual&rdquo;. Trata-se de uma conforma&ccedil;&atilde;o &ldquo;multinucleada&rdquo; ou de &ldquo;uma cidade-regi&atilde;o&rdquo; que reuniria diversos centros aut&ocirc;nomos, interligados por transportes p&uacute;blicos (MADUREIRA, 2005, s.p.); cada um destes centros funcionaria como uma pequena cidade compacta &ndash; com menor risco de congestionamentos e polui&ccedil;&atilde;o, menores dist&acirc;ncias as percorrer entre moradia e trabalho. Este modelo parece descrever bem os esfor&ccedil;os de compacta&ccedil;&atilde;o em metr&oacute;poles e, em especial, a&nbsp; organiza&ccedil;&atilde;o atual na regi&atilde;o de Paris (SASSEN, 2005) e a proposta para a Grande Paris (ENRIGHT, 2013) &ndash; que inclui, entre seus objetivos, os encaminhamentos preconizados pelos defensores desta conforma&ccedil;&atilde;o: promo&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os multifuncionais; desenvolvimento de pontos focais de articula&ccedil;&atilde;o de atividades; redu&ccedil;&atilde;o de trajetos e tempo de transporte; integra&ccedil;&atilde;o de modais; desest&iacute;mulo &agrave; circula&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis particulares, redu&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica e muitos outros.</p>     <p>Existe, entretanto, uma discuss&atilde;o sobre a orienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica da proposta parisiense que contrap&otilde;e um foco predominantemente econ&ocirc;mico &agrave; busca de um equil&iacute;brio das rela&ccedil;&otilde;es sociais, fator que deve tamb&eacute;m constituir uma prioridade. Esta discuss&atilde;o se situa na polariza&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m na interface, entre as ideias de Cidade Global e de Cidade Justa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Cidade Global: provimento de infraestrutura e gentrifica&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Um dos fatores que tem exercido grande influ&ecirc;ncia na evolu&ccedil;&atilde;o urbana &eacute; a globaliza&ccedil;&atilde;o, que cria um contexto no qual as cidades entram em competi&ccedil;&atilde;o para atrair novos fluxos econ&ocirc;micos (HARVEY, 1996). Este fen&ocirc;meno que, at&eacute; ent&atilde;o, vinha sendo estudado principalmente pelo efeito da &ldquo;neutraliza&ccedil;&atilde;o da Geografia&rdquo;, ganhou uma nova perspetiva a partir da introdu&ccedil;&atilde;o do conceito de &ldquo;Cidade Global&rdquo; cunhado por Saskia Sassen (2005, p.31). A autora tenta resgatar a import&acirc;ncia do lugar, enquanto portador de caracter&iacute;sticas essenciais para que as cidades possam ser bem-sucedidas no ambiente global. Ela destaca, entre as caracter&iacute;sticas desta Cidade Global, alguns aspetos que j&aacute; eram explorados no &acirc;mbito dos estudos da globaliza&ccedil;&atilde;o: a dispers&atilde;o geogr&aacute;fica, gerada pela possibilidade de levar as opera&ccedil;&otilde;es de grandes empresas para outros pa&iacute;ses; e a terciariza&ccedil;&atilde;o de parte das fun&ccedil;&otilde;es centrais tradicionais das sedes das empresas, como contabilidade, marketing, departamento legal, etc. Mas ela enfatiza, tamb&eacute;m, o desenvolvimento de uma economia de aglomera&ccedil;&atilde;o, possibilitada pela presen&ccedil;a de talentos e peritos relativos ao <i>mix</i> de atividades em que as empresas est&atilde;o envolvidas. Desta forma, quanto mais as empresas terciarizam suas atividades, mais livres ficam para se instalar em cidades onde existirem as condi&ccedil;&otilde;es para o que Sassen chama de &ldquo;<i>loop</i> informacional&rdquo; (p. 29). Outra quest&atilde;o importante &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o destas cidades em redes, articuladas umas &agrave;s outras, ao mesmo tempo em rela&ccedil;&atilde;o de interdepend&ecirc;ncia e em competi&ccedil;&atilde;o permanente.</p>     <p>Neste ambiente, os objetivos econ&ocirc;micos se tornam priorit&aacute;rios para o poder p&uacute;blico local, que passa a focar-se nas necessidades das empresas, incorporando o prop&oacute;sito de garantir os fluxos de investimentos (SANTOS, 1988). Sassen (2005) destaca, entretanto, o facto de que as mesmas caracter&iacute;sticas que geram a din&acirc;mica global nas cidades concorrem para aumentar a desigualdade local: a grande densidade de talentos e a acirrada competi&ccedil;&atilde;o entre eles valoriza os empregos ligados a determinadas atividades, que contrastam enormemente com aquelas que n&atilde;o fazem parte deste circuito. Os esfor&ccedil;os de sobreviv&ecirc;ncia dos trabalhadores ligados a estas &uacute;ltimas acabam por aumentar a informalidade nos setores a elas relacionados &ndash; e a tend&ecirc;ncia &eacute; o surgimento de uma grande desigualdade de sal&aacute;rios e oportunidades. Esta desigualdade se acentua dentro de estrat&eacute;gias em que prevalece a imagem da cidade, cujo valor &eacute; constru&iacute;do por meio de planos internacionalizados e a&ccedil;&atilde;o de empreendedores (HARVEY, 1996). Procura-se, muitas vezes, por meio de &ldquo;revitaliza&ccedil;&otilde;es urbanas&rdquo;, excluir o perfil de popula&ccedil;&atilde;o indesejada, o que gera o fen&ocirc;meno da gentrifica&ccedil;&atilde;o (ARANTES, 2000).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de gentrifica&ccedil;&atilde;o faz refer&ecirc;ncia ao processo de substitui&ccedil;&atilde;o das classes populares em territ&oacute;rios anteriormente desvalorizados, provocado pelas transforma&ccedil;&otilde;es urbanas que acabam estabelecendo um enobrecimento desses setores das cidades (ARANTES, 2000). Eles se tornam mais atrativos para classes qualificadas (MENDES, 2011), que se apropriam do espa&ccedil;o,&nbsp; levando a uma eleva&ccedil;&atilde;o nos custos de vida, inclusive nos gastos referentes &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, com valoriza&ccedil;&atilde;o dos im&oacute;veis, alugu&eacute;is, impostos, entre outros. Assim, &ldquo;o desenvolvimento imobili&aacute;rio urbano &ndash; a gentrifica&ccedil;&atilde;o em sentido amplo &ndash; tornou-se, agora, um motor central da expans&atilde;o econ&ocirc;mica da cidade, um setor central da economia urbana&rdquo; (SMITH, 2006, p. 85).</p>     <p>Por&eacute;m, a cidade global tamb&eacute;m tem o potencial de produzir uma din&acirc;mica local positiva: &ldquo;Resgatar a geografia dos lugares envolvidos na globaliza&ccedil;&atilde;o permite resgatar as pessoas, trabalhadores, comunidades e, mais especificamente, as diferentes culturas de trabalho, outras que a cultura corporativa, envolvidas no trabalho da globaliza&ccedil;&atilde;o (SASSEN, 2005, p.32).</p>     <p>Revitaliza&ccedil;&atilde;o e gentrifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o,&nbsp; portanto, fen&ocirc;menos absolutos, podendo existir de forma dissociada. Para que isso ocorra, &eacute; necess&aacute;rio que o objetivo n&atilde;o seja apenas econ&ocirc;mico, mas que contemple, tamb&eacute;m, a quest&atilde;o da vitalidade em si, buscando promover a vida urbana. Neste sentido, &eacute; fundamental que haja uma apropria&ccedil;&atilde;o popular e participativa das &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o: a quest&atilde;o principal passa a ser o modelo de apropria&ccedil;&atilde;o, em vez da revitaliza&ccedil;&atilde;o em si (JACQUES, 2005). Desta forma, mesmo em um ambiente global &eacute; poss&iacute;vel&nbsp; &ldquo;[...] desenvolver categorias como lugar e processo de trabalho&rdquo;, esfor&ccedil;o que &ldquo;traz &agrave; tona o facto de que muitos dos recursos necess&aacute;rios para as atividades econ&ocirc;micas globais n&atilde;o serem hiperm&oacute;veis e estarem, de facto, profundamente implantados no lugar [...] (SASSEN, 2005,&nbsp; p.31).</p>     <p>No projeto para a Grande Paris, estas quest&otilde;es est&atilde;o em pauta: o fr&aacute;gil equil&iacute;brio gerado pelas for&ccedil;as pol&iacute;ticas atuantes pode ser prec&aacute;rio para a constru&ccedil;&atilde;o da metr&oacute;pole. O desafio consiste em criar condi&ccedil;&otilde;es em que se desenvolvam diversidade, democracia e equidade, o trip&eacute; de suporte da Cidade Justa, preconizada por Susan Fainstein (2011).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Paris como ponto focal de redes metrovi&aacute;ria e ferrovi&aacute;ria radiais</b></p>     <p>Na regi&atilde;o de Paris, ao longo dos s&eacute;culos XIX e XX, os sistemas de metr&ocirc; urbano e de trens se desenvolveram de forma bastante aut&ocirc;noma, por decis&atilde;o da prefeitura local, que adotou este direcionamento com a inten&ccedil;&atilde;o de limitar o espraiamento da cidade (GERONDEAU, 2003 apud MAYER; TREVIEN, 2017). Por outro lado, o centro urbano foi por muito tempo o ponto focal das linhas f&eacute;rreas do pa&iacute;s, que ainda convergem prioritariamente para esta regi&atilde;o, mas tamb&eacute;m do sistema metrovi&aacute;rio, que se desenvolveu de forma radial.</p>     <p>Entre 1883 e 1921, o sistema de trens funcionou por meio de contratos do governo com as companhias. A sua unifica&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o em sistema p&uacute;blico &ndash; SNCF - &nbsp;s&oacute; ocorreu em 1938 (ZORZO, 2009). Cada linha tinha como destino sua pr&oacute;pria esta&ccedil;&atilde;o de t&eacute;rmino &ndash; situa&ccedil;&atilde;o que perdurou mesmo depois da unifica&ccedil;&atilde;o (GERONDEAU, 2003 apud MAYER; TREVIEN, 2017). A comunica&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias esta&ccedil;&otilde;es ferrovi&aacute;rias se fazia por meio do metr&ocirc; &ndash; de maneira que o trajeto entre um sub&uacute;rbio e outro envolvia uma viagem de trem, uma conex&atilde;o por meio de metr&ocirc; e outra viagem de trem (MAYER; TREVIEN, 2017). Assim, o sistema de metr&ocirc;, implantado de forma eficiente e densa desde o s&eacute;culo XIX, teve um papel importante na articula&ccedil;&atilde;o dos sub&uacute;rbios - n&atilde;o s&oacute; interligando as linhas f&eacute;rreas, mas tamb&eacute;m conectando-os efetivamente ao centro (CASTRO, 2007).</p>     <p>A partir dos anos 1930 &ndash; &eacute;poca da qual data a primeira proposta de organiza&ccedil;&atilde;o do crescimento urbano, apenas parcialmente aplicada (BELKIND, 2013) - ocorreu tanto a conex&atilde;o entre os sistemas f&eacute;rreos, por meio da extens&atilde;o das linhas (MAYER; TREVIEN, 2017), quanto a unifica&ccedil;&atilde;o das redes de metr&ocirc; - padronizando as opera&ccedil;&otilde;es e infraestruturas (BERTON, OSSADZOW, FILLOLES, 2007), com desdobramentos e novas extens&otilde;es nos sub&uacute;rbios j&aacute; em 1949.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir de ent&atilde;o, o Estado franc&ecirc;s adotou um direcionamento centralizador (BELKIND, 2013). Nos anos 1960, um primeiro plano, efetivamente focado no transporte dos sub&uacute;rbios na regi&atilde;o de Paris -&nbsp; o <i>Plan d'am&eacute;nagement et d'organisation g&eacute;n&eacute;rale</i> (PADOG) - procurou restringir o desenvolvimento urbano &agrave;s &aacute;reas j&aacute; edificadas, que seriam reorganizadas. O centro foi considerado saturado e o objetivo era chegar a um equil&iacute;brio, desenvolvendo outras regi&otilde;es, que eram ent&atilde;o tidas como praticamente desertas (MAYER; TREVIEN, 2017). Neste processo, a infraestrutura de transporte assumiu papel de destaque e o plano implementou solu&ccedil;&otilde;es decorrentes de discuss&otilde;es realizadas em anos precedentes, incluindo a proposta de uma rede de t&uacute;neis interligando linhas isoladas de trens de sub&uacute;rbio. A ideia, que j&aacute; fazia parte de um plano da <i>Compagnie du chemin de fer m&eacute;tropolitain de Paris,</i> de 1936, foi, ent&atilde;o, retomada. Embora o seu lan&ccedil;amento efetivo s&oacute; se tenha dado com o plano SDAURP, em 1965, a Rede Express Nacional (RER) passou a ser implantada desde o ano 1962, com articula&ccedil;&atilde;o em larga escala at&eacute; 1977 e amplia&ccedil;&otilde;es subsequentes &ndash; processo ainda em curso na atualidade (MAYER; TREVIEN, 2017).</p>     <p>O foco das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no transporte coletivo na regi&atilde;o parisiense se acentuou no final da d&eacute;cada de 1970. Nesta ocasi&atilde;o, o transporte individual, crescente desde os anos 1920, passou a ser considerado, no debate pol&iacute;tico, como um problema, o que situou a quest&atilde;o do ponto de vista social e urbano (CASTRO, 2007).</p>     <p>Desde ent&atilde;o, o transporte p&uacute;blico tem sido objeto de investimentos e pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas. Os recursos que configuram a situa&ccedil;&atilde;o atual na regi&atilde;o metropolitana de Paris s&atilde;o resumidos da seguinte forma:</p>     <blockquote>     <p>A grande rede de transportes p&uacute;blicos conta com uma densa trama de servi&ccedil;os interconectados (coordenados por STIF) que cobrem a cidade e parte de sua periferia: 14 linhas de Metr&ocirc; (2 delas conformam uma Circular) com 17 trajetos na periferia; 5 linhas da Rede do Expresso Regional RER, que cruzam a cidade em todas as dire&ccedil;&otilde;es e a vinculam com a regi&atilde;o; 3 Tranvias, uma circular com a 2&ordf; etapa (de tr&ecirc;s) em finaliza&ccedil;&atilde;o e outras duas tangenciais ao Perif&eacute;rico; 57 linhas diurnas de &ocirc;nibus, com alguns trajetos fora da cidade e 37 linhas noturnas, todas partem do centro, com trajetos exteriores &agrave; cidade; 750 esta&ccedil;&otilde;es de bicicletas de livre uso (Velib); um sistema de autos el&eacute;tricos de livre uso (Autolib) em instala&ccedil;&atilde;o e com inaugura&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima (BERJMAN,2011, p.3)</p> </blockquote>     <p>Observa-se, entretanto, que a din&acirc;mica espacial da metr&oacute;pole tem feito com que algumas regi&otilde;es concentrem mais empregos do que habitantes e/ou algumas categorias de empregos muito espec&iacute;ficas, gerando importante demanda em termos de deslocamentos. As pol&iacute;ticas de transporte n&atilde;o parecem ter previsto nem acompanhado as demandas emergentes, negligenciando a evolu&ccedil;&atilde;o dos modos de vida e as necessidades de deslocamento impostas, em parte, pelo processo de dispers&atilde;o dos empregos. Desta forma, fala-se de uma &ldquo;disjun&ccedil;&atilde;o espacial entre as redes de transporte, a localiza&ccedil;&atilde;o dos empregos e os ativos, na Fran&ccedil;a&rdquo; (BORDEAU-LEPAGE, 2013, p. 419).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. O Grand Paris Express: a coloca&ccedil;&atilde;o do projeto em pauta e integra&ccedil;&atilde;o na agenda</b></p>     <p>No contexto do transporte p&uacute;blico de Paris, a rede de metr&ocirc; consiste numa trama de eixos centr&iacute;petos. A necessidade de circula&ccedil;&atilde;o perimetral &eacute; contemplada por redes de &ocirc;nibus, cuja velocidade comercial, entretanto, &eacute; limitada por congestionamentos frequentes. Umas das estrat&eacute;gias em curso para lidar com este problema consiste na constru&ccedil;&atilde;o de linhas circulares de bondes &ndash; os &ldquo;auto-el&eacute;tricos&rdquo; citados por Berjman (2011), interligando os eixos de metr&ocirc; pr&eacute;-existentes (CASTRO, 2007). Esta circula&ccedil;&atilde;o em torno de Paris possibilita uma interliga&ccedil;&atilde;o entre as centralidades perif&eacute;ricas que se imp&otilde;em e a ideia de refor&ccedil;ar esta possibilidade &eacute; que est&aacute; na origem do GPE.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de transportes de contorno subterr&acirc;neo da capital pela periferia j&aacute; havia sido evocada v&aacute;rias vezes mas, somente em 1994, um primeiro projeto circunc&ecirc;ntrico, chamado Orbital, foi efetivamente esbo&ccedil;ado. Em julho de 2006, a ideia saiu das gavetas, constituindo-se como um consenso entre as grandes orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, por&eacute;m, a partir de perspetivas diferentes:&nbsp; a vis&atilde;o do Estado e a vis&atilde;o da Regi&atilde;o.</p>     <p>A primeira proposta relacionada ao tema foi lan&ccedil;ada no final de 2007, pelo presidente do Conselho da Regi&atilde;o<i> Ile de France</i>, que apresentou a vis&atilde;o de um sistema de metr&ocirc; autom&aacute;tico contornando Paris - o <i>Arc Express</i> -&nbsp; projeto que vinha sendo desenvolvido pelo Sindicato de Transportes de <i>Ile de France</i> (STIF) (BERJMAN, 2011). O Estado, por sua vez, organizou em 2008, um processo que ficou conhecido como a &ldquo;Consulta Internacional da Grande Paris&rdquo;, buscando propostas de desenvolvimento urbano e planejamento do territ&oacute;rio da regi&atilde;o da capital, com o horizonte de 2050, ou seja, prospe&ccedil;&otilde;es sobre o futuro da metr&oacute;pole (BELKIND, 2013; BERJMAN, 2011). O ponto de partida consistiu em estudos contidos no Plano Diretor da Regi&atilde;o de <i>Ile de France</i> (SDRIF) (BERJMAN, 2011). Por meio da an&aacute;lise dos m&uacute;ltiplos <i>dossiers </i>submetidos a uma chamada internacional, foram selecionadas dez equipas, envolvendo grandes nomes da arquitetura e urbanismo mundial<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>, para produzir propostas de desenvolvimento urbano e planejamento do territ&oacute;rio da regi&atilde;o da capital.&nbsp; A discuss&atilde;o se concentrou nos sistemas urbanos e nas infraestruturas, a partir de abordagens bem diversas (BERJMAN, 2011; BELKIND, 2013).</p>     <p>Em abril de 2009, foi anunciada pelo presidente Nicolas Sarkosy a cria&ccedil;&atilde;o do projeto de rede p&uacute;blica que ficou conhecido como &ldquo;<i>Double Rocade</i>&rdquo; ou &ldquo;<i>Grand Huit</i>&rdquo; (BERJMAN, 2011). O foco estrat&eacute;gico foi claramente colocado no discurso de Sarkosy (2009 apud BORDEAU-LEPAGE, 2013, p. 407), que reafirmou a necessidade de inser&ccedil;&atilde;o na competi&ccedil;&atilde;o global.</p>     <p>Em seguida, foi promulgada a Lei de 2010 sobre o Grand Paris Express (lei de 3 junho de 2010), que criou uma entidade p&uacute;blica dedicada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o desta nova rede: a Sociedade da Grande Paris ou SGP. A lei outorgou &agrave; SGP a responsabilidade de desenvolvimento de empreendimentos imobili&aacute;rios nos cinquenta hectares nos arredores de cada uma das esta&ccedil;&otilde;es a serem constru&iacute;das, limitando, desta forma, a a&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios e da regi&atilde;o (BERJMAN, 2011), indo no sentido oposto do processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica francesa, que havia ampliado a compet&ecirc;ncia destas inst&acirc;ncias.</p>     <p>Conforme estabelecido pela Lei, o Estado franc&ecirc;s organizou um extenso debate p&uacute;blico sobre o projeto. Ao mesmo tempo, a regi&atilde;o <i>Ile de France</i> organizou debates p&uacute;blicos sobre a sua proposta, o <i>Arc Express. Os </i>debates sobre os m&eacute;ritos dos dois projetos se estenderam entre 2010 e 2011, ao longo de 4 meses, durante os quais foram realizadas 67 reuni&otilde;es p&uacute;blicas (AUZENNET, 2012), no &ldquo;maior processo de planejamento participativo na hist&oacute;ria da Fran&ccedil;a&rdquo; (BELKIND, 2013. p. 1). A publicidade dada &agrave; discuss&atilde;o exerceu uma press&atilde;o pol&iacute;tica que levou a um compromisso entre o Estado Franc&ecirc;s e a Regi&atilde;o de <i>Ile de France </i>e &agrave; assinatura de um protocolo de acordo, lan&ccedil;ando oficialmente o <i>Grand Paris Express</i> (GPE) (BELKIND, 2013). Em maio de 2011, o Conselho da SGP aprovou por unanimidade o esquema do conjunto do GPE que, em 24 de agosto de 2011, foi aprovado por decreto (AUZENNET, 2012).&nbsp; Sob a press&atilde;o da Regi&atilde;o, uma revis&atilde;o do projeto em 2013 passou a inserir um trecho a leste, com o objetivo de atender &agrave; periferia mais pr&oacute;xima do lado oriental, antes considerado n&atilde;o priorit&aacute;rio &ndash; uma &ldquo;rede complementar estruturante&rdquo;, at&eacute; ent&atilde;o, com pouca probabilidade de ser constru&iacute;do (BEAUCIRE, DREVELLE, 2013) (ver <a href="#f1">figura 1</a>).&nbsp; Este trecho &ndash; a linha 15 Leste - possibilita a integra&ccedil;&atilde;o de comunidades com menor desempenho econ&ocirc;mico e permite uma melhor inser&ccedil;&atilde;o de seus habitantes &agrave;s &aacute;reas mais favorecidas, suprindo, desta forma, demandas de equidade social.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n15/n15a05f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise de todo o processo de configura&ccedil;&atilde;o do empreendimento revela uma afirma&ccedil;&atilde;o do papel do Estado no planejamento da regi&atilde;o da capital <span style="text-decoration: line-through;">e</span> denota uma n&iacute;tida polariza&ccedil;&atilde;o que Belkind (2013) situa entre o foco econ&ocirc;mico - a Cidade Global -&nbsp; e o foco social - a Cidade Justa.</p>     <p>O objetivo do projeto do Estado era conectar os principais polos geradores de emprego entre si e com o mundo, refor&ccedil;ando a posi&ccedil;&atilde;o de Paris como centro econ&ocirc;mico global, catalisador de investimentos imobili&aacute;rios. Dentro dos rankings internacionais que utilizam diferentes crit&eacute;rios para identificar as metr&oacute;poles globais mais poderosas, Paris est&aacute; bem colocada - em geral logo atr&aacute;s de Nova York e Londres. Por&eacute;m, o n&iacute;vel de investimentos em seu territ&oacute;rio vem regredindo, face &agrave; competi&ccedil;&atilde;o de algumas cidades europeias e asi&aacute;ticas (BORDEAU-LEPAGE, 2013), o que justifica os esfor&ccedil;os para se contrapor a esta tend&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, os agentes pol&iacute;ticos atuantes no &acirc;mbito da governan&ccedil;a da regi&atilde;o de <i>Ile de France</i>, que abriga Paris, buscavam uma solu&ccedil;&atilde;o para atender &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o de seu territ&oacute;rio e melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de transporte. Sua proposta foi desenvolvida com o objetivo de refor&ccedil;ar a conex&atilde;o de comunidades isoladas, com destaque para &aacute;reas do Nordeste, onde as ofertas de emprego s&atilde;o transit&oacute;rias e dispersas. Procurava-se, assim, equilibrar o acesso ao emprego, treinamento e outras oportunidades (BELKIND, 2013; BORDEAU-LEPAGE, 2013)</p>     <p>O confronto das propostas Estado x Regi&atilde;o levantou, portanto, quest&otilde;es sobre o bem-estar social, habita&ccedil;&atilde;o e transporte, o crescimento econ&ocirc;mico, a proje&ccedil;&atilde;o internacional da cidade no mundo, o acesso ao emprego, a democratiza&ccedil;&atilde;o urbana e a qualidade ambiental (BORDEAU-LEPAGE, 2013, p. 405). Todo o processo de negocia&ccedil;&atilde;o entre as duas inst&acirc;ncias, tem gerado a emerg&ecirc;ncia de uma governan&ccedil;a envolvendo diversos atores, com vis&otilde;es d&iacute;spares (BELKIND, 2013). Eles atuam em diversas camadas, numa condi&ccedil;&atilde;o que gera quest&otilde;es de grande complexidade e dif&iacute;cil gest&atilde;o (CHANG, 2016).</p>     <p>Apesar da dificuldade de concilia&ccedil;&atilde;o de tantos par&acirc;metros e vis&otilde;es, a proposta parte de princ&iacute;pios que se articulam em torno da busca da sustentabilidade, tanto na fase de sua implanta&ccedil;&atilde;o quanto na fase de utiliza&ccedil;&atilde;o da estrutura constru&iacute;da.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Sustentabilidade na fase de implanta&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>6.1. Aquecimento da economia local e inser&ccedil;&atilde;o social</b></p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o do GPE, com despesas inicialmente previstas em 20,5 bilh&otilde;es de euros (AUZANNET, 2012), representou, na &eacute;poca de seu lan&ccedil;amento, um manancial inesperado para a economia da regi&atilde;o. A necessidade de reativa&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento econ&ocirc;mico foi um aspeto que, com certeza, contribuiu para a viabiliza&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o de uma obra de tal envergadura e dos investimentos necess&aacute;rios para tanto (JLL, 2016). Adicionalmente, o projeto pode reposicionar a Fran&ccedil;a &agrave; frente do setor de transportes. Al&eacute;m da disputa pela opera&ccedil;&atilde;o das linhas ( licita&ccedil;&atilde;o da qual participam, a R&eacute;gie Autonome des Transports Parisiens (RATP) - que atualmente tem o monop&oacute;lio do transporte em Paris - a Transdev, filial da <i>Caisse des D&eacute;p&ocirc;ts</i> e a Keolis, filial da SNCF), outro contrato importante &eacute; o do fornecimento do material rodante (CHATELAIN, 2017),&nbsp; assinado com a francesa Alston, em 2018, para o fornecimento&nbsp; dos novos vag&otilde;es para as linhas 15, 16 e 17).&nbsp;</p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o do GPE tamb&eacute;m trouxe uma lufada de oxig&ecirc;nio ao setor da constru&ccedil;&atilde;o civil, quase exangue depois de uma d&eacute;cada pobre em investimentos em infraestrutura. Os primeiros benefici&aacute;rios deste aquecimento do mercado foram os escrit&oacute;rios de engenharia e arquitetura, seguidos pelas empresas construtoras. Al&eacute;m das equipas que trabalham diretamente nos projetos das novas esta&ccedil;&otilde;es de metr&ocirc;, outras mais se encarregam de assegurar a interconex&atilde;o da nova rede com os transportes preexistentes. Todas as maiores empresas francesas do ramo est&atilde;o envolvidas neste projeto, seja nas infraestruturas pesadas (Vinci, Bouygues, Eiffage), seja na constru&ccedil;&atilde;o civil (Fayat, NGE, Leon Grosse). O objetivo inicial era inaugurar as primeiras linhas a partir de 2022 (linha 15 Sul) e, em seguida, a linha 16, que irriga a regi&atilde;o de Seine-Saint-Denis, onde estar&aacute; situada uma parte importante das instala&ccedil;&otilde;es ol&iacute;mpicas (YVIN, 2017).</p>     <p>Por outro lado, trata-se de uma ocasi&atilde;o rara de visibilidade no longo prazo, que permite consolidar as empresas. Com contratos fechados ou previstos para os pr&oacute;ximos vinte anos, elas podem investir na forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra especializada. Existem ainda oportunidades para novos atores, em particular as pequenas e m&eacute;dias empresas que, conforme estabelecido nos contratos, dever&atilde;o ser respons&aacute;veis, no m&iacute;nimo, por 20%&nbsp; das obras (YVIN, 2017).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em mat&eacute;ria de gera&ccedil;&atilde;o de emprego, os objetivos s&atilde;o tamb&eacute;m ambiciosos:&nbsp; 10.000 a 15.000 novos empregos diretos por ano (YVIN, 2017). Os crit&eacute;rios de atribui&ccedil;&atilde;o dos contratos s&atilde;o, tradicionalmente, a qualidade t&eacute;cnica, o pre&ccedil;o, o custo de manuten&ccedil;&atilde;o e o prazo de execu&ccedil;&atilde;o. Mas foi tamb&eacute;m inclu&iacute;da uma cl&aacute;usula de inser&ccedil;&atilde;o, garantindo que uma parte das horas de trabalho geradas seja ocupada por pessoas desempregadas, jovens, portadores de defici&ecirc;ncia. Trata-se de um dispositivo j&aacute; utilizado na maioria das obras p&uacute;blicas francesas, com objetivo de combate ao desemprego e &agrave; exclus&atilde;o &ndash;&nbsp; e, no caso presente, de est&iacute;mulo &agrave; din&acirc;mica social do territ&oacute;rio regional. Por outro lado, estima-se, no longo prazo, a cria&ccedil;&atilde;o de 115.000 a 315.000 vagas de emprego no setor de obras p&uacute;blicas (JLL, 2016).</p>     <p>Outro efeito esperado, no longo prazo, &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o do posicionamento internacional das empresas francesas, uma vez que a complexidade das obras exige uma especializa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, afirmando o <i>savoir-faire</i> franc&ecirc;s nos campos da constru&ccedil;&atilde;o subterr&acirc;nea e renova&ccedil;&atilde;o do sistema urbano (YVIN, 2017).</p>     <p>A nova rede atravessar&aacute; zonas urbanas muito densas, em alguns casos, com o subsolo j&aacute; ocupado, al&eacute;m de terrenos geologicamente complexos, exigindo a aplica&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de ponta para a execu&ccedil;&atilde;o, controle e monitoramento da execu&ccedil;&atilde;o da obra e de seus impactos. Ser&atilde;o necess&aacute;rios v&aacute;rios tipos de tratamentos de solo e de infraestruturas como paredes diafragmas, <i>jet grouting</i>, inje&ccedil;&otilde;es, micro estacas, congelamento do solo... (RENAUD; EL KAIDI, 2017). Al&eacute;m disso, destaca-se, como desafio, a exatid&atilde;o na implanta&ccedil;&atilde;o relativa entre os canteiros, que constituem elementos de infraestrutura constru&iacute;dos simultaneamente por meio de diversas t&eacute;cnicas, exigindo uma interconex&atilde;o perfeita (RENAUD; EL KAIDI, 2017).</p>     <p>A&nbsp; fase de constru&ccedil;&atilde;o coloca, ainda, outras demandas que representam desafios: integra&ccedil;&atilde;o numa l&oacute;gica de desenvolvimento sustent&aacute;vel, o respeito pelos moradores, tr&aacute;fego e bairros atravessados pelas obras e a transpar&ecirc;ncia na comunica&ccedil;&atilde;o com os moradores e comerciantes afetados (YVIN, 2017, p.40). V&aacute;rias medidas foram previstas para reduzir os impactos negativos ao m&iacute;nimo poss&iacute;vel, ao mesmo tempo em foram lan&ccedil;ados diversos concursos de ideias buscando alternativas sustent&aacute;veis. Estas iniciativas resultam hoje em experi&ecirc;ncias que est&atilde;o sendo implementadas para testar outras maneiras de suavizar o impacto das obras nos com&eacute;rcios e servi&ccedil;os vizinhos, nas condi&ccedil;&otilde;es de circula&ccedil;&atilde;o perto das obras, bem como para administrar o solo e materiais resultantes das escava&ccedil;&otilde;es (YVIN, 2017; CHATELAIN, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6.2. Identidade de rede e inser&ccedil;&atilde;o no tecido urbano</b></p>     <p>&nbsp;O conceito de projeto das esta&ccedil;&otilde;es foi baseado na busca por uma identidade de rede, com a qual os usu&aacute;rios possam se relacionar. Para viabilizar esta ideia e ao mesmo tempo assegurar a inser&ccedil;&atilde;o nos tecidos urbanos preexistentes a SGP optou por confiar a interven&ccedil;&atilde;o a arquitetos diferentes, determinando, entretanto, uma linguagem em comum, para articular a l&oacute;gica urbana com os objetivos de efici&ecirc;ncia dos transportes. Para isso,&nbsp; foi elaborada uma &ldquo;Carta da arquitetura das novas esta&ccedil;&otilde;es&rdquo;, que define as diretrizes de projeto, estabelecendo princ&iacute;pios de conforto, fluidez, materiais, linha de m&oacute;veis e equipamentos, orienta&ccedil;&otilde;es de ilumina&ccedil;&atilde;o e ac&uacute;stica (BECHERAND, 2017).</p>     <p>A partir da&iacute;, foi realizado o concurso que permitiu escolher os arquitetos para a realiza&ccedil;&atilde;o das novas esta&ccedil;&otilde;es. Os projetos est&atilde;o hoje em pleno andamento e mobilizam um grande n&uacute;mero de arquitetos (sempre associados a grandes escrit&oacute;rios de engenharia especializados em transportes ferrovi&aacute;rios) &ndash; alguns dos quais realizam os projetos de v&aacute;rias esta&ccedil;&otilde;es.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> Trinta e sete equipas est&atilde;o envolvidas nesta oportunidade de lan&ccedil;ar grandes reflex&otilde;es sobre a arquitetura.&nbsp; A partir das diretrizes pr&eacute;-definidas, cada esta&ccedil;&atilde;o &eacute; pensada no seu contexto espec&iacute;fico e d&aacute; origem a uma resposta arquitet&ocirc;nica singular. A unidade da rede ter&aacute; sua base na diversidade dos edif&iacute;cios e na identidade comum de seu mobili&aacute;rio e da comunica&ccedil;&atilde;o visual (BECHERAND, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6.3. Instrumentos de promo&ccedil;&atilde;o das prioridades locais: os CDT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas da Fran&ccedil;a t&ecirc;m demonstrado, ao longo dos anos, grande preocupa&ccedil;&atilde;o com a articula&ccedil;&atilde;o dos sistemas de transporte com as quest&otilde;es sociais. Nesta tradi&ccedil;&atilde;o, uma inova&ccedil;&atilde;o significativa trazida pelo processo de implementa&ccedil;&atilde;o do GPE foi a cria&ccedil;&atilde;o dos Contratos de Desenvolvimento Territorial (<i>Contrat de</i> <i>D&eacute;veloppement Territorial -</i> CDT), um mecanismo de distribui&ccedil;&atilde;o de responsabilidade, incorporando propostas organizadas por autoridades locais e empresas parceiras. Embora ainda em fase de implanta&ccedil;&atilde;o, espera-se que os CDTs venham a viabilizar a materializa&ccedil;&atilde;o das demandas locais, condi&ccedil;&atilde;o que Latour (1996, 2005, apud BELKIND, 2013) considera imprescind&iacute;vel para o sucesso de democracia metropolitana.</p>     <p>Os CDTs s&atilde;o acordos contratuais entre o Estado e as municipalidades que v&atilde;o ser servidas pela nova rede, com o prop&oacute;sito de estabelecer metas no que diz respeito ao desenvolvimento econ&ocirc;mico e habitacional, bem como &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Embora tenham sido recebidos com relut&acirc;ncia pelos pol&iacute;ticos locais - que temiam uma recentraliza&ccedil;&atilde;o do poder do Estado nas tomadas de decis&atilde;o &ndash; na maioria das vezes, estes t&ecirc;m representado uma oportunidade para as municipalidades promoverem as prioridades locais (GALLEZ, 2014). Os debates continuam ainda hoje, em busca da defini&ccedil;&atilde;o precisa do modo de governo da nova metr&oacute;pole e da delimita&ccedil;&atilde;o exata da compet&ecirc;ncia das diferentes inst&acirc;ncias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>7. Sustentabilidade na fase de uso</b></p>     <p><b>7.1. A quest&atilde;o ambiental</b></p>     <p>Qualquer discuss&atilde;o sobre sustentabilidade ambiental passa pela an&aacute;lise da quest&atilde;o dos transportes em raz&atilde;o da grande depend&ecirc;ncia do setor em rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo e de seu grande peso nas emiss&otilde;es de carbono, propiciando mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas antropog&ecirc;nicas (SCHWANEN, 2016, GAIGN&Egrave;, RIOU e THISSE, 2012).</p>     <p>No GPE, a inova&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica e a preocupa&ccedil;&atilde;o com o ambiente est&atilde;o no cerne do projeto: a expectativa &eacute; de que sua implanta&ccedil;&atilde;o seja capaz de promover uma redu&ccedil;&atilde;o de 27,6 Mt de CO<sub>2</sub> entre 2010 e 2050 (ANDRIOSOPOULOS, SILVESTRE, 2017). Por um lado, a nova rede deve contribuir para a redu&ccedil;&atilde;o do uso de autom&oacute;veis, por meio da melhoria do acesso ao transporte p&uacute;blico. Por outro, uma redu&ccedil;&atilde;o de 30% do consumo el&eacute;trico dos trens ser&aacute; viabilizada por um sistema de recupera&ccedil;&atilde;o da energia liberada durante a frenagem dos trens para reinje&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o na acelera&ccedil;&atilde;o de outros trens (CATHELAIN, 2017, p.44).</p>     <p>Entretanto, o problema de utiliza&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis n&atilde;o se resolve somente com a constru&ccedil;&atilde;o da rede &ndash; &eacute; ainda necess&aacute;rio que parisienses adotem os transportes p&uacute;blicos (GONGUET, 2017). Atualmente, as viagens di&aacute;rias em transporte em comum envolvem pouco mais de oito milh&otilde;es de passageiros e, em autom&oacute;vel, vinte&nbsp;milh&otilde;es. As previs&otilde;es s&atilde;o de que em 2030, se toda a rede prevista for constru&iacute;da, entre 9,7 (previs&otilde;es mais conservadoras) e 11 milh&otilde;es de viagens (previs&otilde;es mais otimistas) poder&atilde;o ser feitas em transporte p&uacute;blico. Por&eacute;m, a quantidade de viagens em autom&oacute;vel n&atilde;o diminuiria significativamente. Assim, a forma pela qual o projeto pode efetivamente aliviar o tr&acirc;nsito &eacute; reduzindo os tempos de trajeto, principalmente nas comunas mais populosas (GONGUET, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>7.2. Acessibilidade </b></p>     <p>Al&eacute;m de reduzir o tempo de transporte, a ambi&ccedil;&atilde;o da SGP &eacute; transform&aacute;-lo em tempo &uacute;til, prop&iacute;cio ao trabalho ou ao lazer, gra&ccedil;as a uma potente rede de conex&atilde;o internet, atingindo todos os recantos dos volumes criados. Esta dimens&atilde;o de &ldquo;acessibilidade virtual&rdquo; &eacute; uma parte importante do programa para os espa&ccedil;os de toda a nova infraestrutura (YVIN, 2017).</p>     <p>Outra evolu&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rede existente &eacute; a acessibilidade: ao contr&aacute;rio das esta&ccedil;&otilde;es antigas, que n&atilde;o foram imaginadas para pessoas deficientes, as novas esta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o dever&atilde;o apresentar dificuldades para as pessoas com mobilidade reduzida. Na Fran&ccedil;a, a obrigatoriedade de acessibilidade dos equipamentos p&uacute;blicos foi formalizada pela lei de 11 de fevereiro de 2005, e n&atilde;o se resumiu aos portadores de defici&ecirc;ncia f&iacute;sica. Os objetivos de acessibilidade atuais s&atilde;o vastos: integram tamb&eacute;m os deficientes mentais e, mais globalmente, todos os usu&aacute;rios. A proposta do GPE &eacute; simplificar os espa&ccedil;os, de maneira que eles sejam facilmente assimilados &ndash; o que &eacute; garantia de fluidez de circula&ccedil;&atilde;o e otimiza&ccedil;&atilde;o da intermodalidade de forma eficiente, confort&aacute;vel e segura. Para isso, o projeto prev&ecirc; tamb&eacute;m um planejamento compat&iacute;vel nas proximidades das esta&ccedil;&otilde;es (THORIN, 2017).</p>     <p>A conceitua&ccedil;&atilde;o das novas esta&ccedil;&otilde;es se baseia, de maneira cl&aacute;ssica, num objetivo de efici&ecirc;ncia de transporte de passageiros: garantir que os percursos sejam simples e evidentes, e que sejam realizados em condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a e de acessibilidade, Trata-se de construir uma cidade mais conectada, mas tamb&eacute;m mais humana (THORIN, 2017). Por outro lado, a ideia &eacute; que as esta&ccedil;&otilde;es sejam mais do que uma porta de entrada para a nova rede de transportes, promovendo o desenvolvimento das regi&otilde;es em que ser&atilde;o implantadas.</p>     <p>As novas esta&ccedil;&otilde;es pretendem, ent&atilde;o, ser um &ldquo;vetor de vida ao servi&ccedil;o dos viajantes e dos habitantes&rdquo; (THORIN, 2017, p.55), espa&ccedil;os eficientes, facilitando o acesso aos outros modos de transporte, inclusive os n&atilde;o motorizados. Integradas no seu contexto e estabelecidas como servi&ccedil;os p&uacute;blicos, incorporando com&eacute;rcios e servi&ccedil;os, atendendo &agrave;s demandas locais, estas s&atilde;o propostas como equipamentos geradores de uma nova din&acirc;mica para uma cidade compacta, mista e sustent&aacute;vel.</p>     <p>Cerca de 140 km&sup2;&nbsp; ser&atilde;o impactados diretamente pelas esta&ccedil;&otilde;es&nbsp; e diversos projetos urbanos j&aacute; est&atilde;o sendo apresentados para os bairros em que ser&atilde;o constru&iacute;das as novas esta&ccedil;&otilde;es, integrando equipamentos p&uacute;blicos, escrit&oacute;rios e habita&ccedil;&otilde;es (YVIN, 2017).</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o com o entorno &eacute; um contraste marcante com a atual rede de metr&ocirc;s parisienses, na qual as esta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o subterraneas e pouco percept&iacute;veis na superf&iacute;cie, com longos corredores conduzindo a m&uacute;ltiplos pontos de entrada e sa&iacute;da nas cal&ccedil;adas. As esta&ccedil;&otilde;es do GPE dever&atilde;o, ainda, se tornar pontos de refer&ecirc;ncia, com presen&ccedil;a marcante no n&iacute;vel da cidade, embora a rede seja implantada bem mais profundamente que o metr&ocirc; atual.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>7.3. Em busca de uma cidade global e justa</b></p>     <p>Na constru&ccedil;&atilde;o das novas linhas de transporte, as transforma&ccedil;&otilde;es urbanas n&atilde;o constituem um mero corol&aacute;rio, mas uma parte integrante &ndash; e fundamental - dos objetivos. Conforme j&aacute; visto, &eacute; not&oacute;rio o empenho do Estado Franc&ecirc;s em apoiar a competitividade econ&ocirc;mica dos territ&oacute;rios (JLL, 2016; <i>FRAN&Ccedil;A, 2010, </i>SALAT; BOURDIC, 2016). O investimento nas infraestruturas dos transportes n&atilde;o &eacute; uma forma nova de tentar superar uma crise econ&ocirc;mica (HARVEY, 2001; PATERSON, 2014 apud SCHWANEN, 2016) e, no caso da Grande Paris, fundamentou-se na perce&ccedil;&atilde;o de que &eacute; poss&iacute;vel atrair capital e criar empregos aumentando a efici&ecirc;ncia (SCHWANEN, 2016).<i> Outro objetivo &eacute; atender &agrave;s demandas de integra&ccedil;&atilde;o das pequenas comunidades, que s&atilde;o mais fr&aacute;geis em termos de desempenho econ&ocirc;mico e n&atilde;o constituem prioridade, do ponto de vista de posicionamento global - mas que demandam </i>acesso ao emprego, treinamento e outras oportunidades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A regi&atilde;o a oeste de Paris concentra uma grande quantidade dos empregos e ela &eacute; privilegiada pelo projeto do Estado tal como proposto em 2011, em sua al&ccedil;a Oeste. Este favorecimento, que acentua as desigualdades de acesso ao emprego em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regi&atilde;o leste, foi colocado em quest&atilde;o, levando a uma revis&atilde;o do projeto, em 2013. A inclus&atilde;o de um trecho extra a leste, entre os limites de Paris e o tra&ccedil;ado mais oriental do projeto inicial, reequilibrou a proposta, atendendo a comunidades desfavorecidas como Bobigny ou Bondy (BEAUCIRE, DREVELLE, 2013). Assim, o novo trecho tem o potencial de propiciar uma redu&ccedil;&atilde;o (de 36&nbsp;% para 10&nbsp;%) na desigualdade de acesso ao emprego entre oeste/leste, favorecendo a integra&ccedil;&atilde;o das comunas mais fr&aacute;geis ao mercado de trabalho regional (BEAUCIRE, DREVELLE 2013). Entretanto, sua constru&ccedil;&atilde;o foi adiada em cinco anos no cronograma de execu&ccedil;&atilde;o mais recente (POUTHIER MOUTARDE, 2018).</p>     <p>Existem, ainda, outros riscos quanto &agrave;s repercuss&otilde;es da nova rede de transportes na estrutura do espa&ccedil;o, considerando que dever&aacute; promover mudan&ccedil;as diretas em v&aacute;rios setores do territ&oacute;rio urbano, com evidentes consequ&ecirc;ncias no mercado imobili&aacute;rio: uma verdadeira &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria&rdquo; (YVIN, 2017). Estas mudan&ccedil;as na din&acirc;mica urbana e o adensamento de &aacute;reas s&atilde;o capazes de provocar impactos diretos em pre&ccedil;os, sal&aacute;rios e rendas de terra, for&ccedil;ando fam&iacute;lias a se mudar para outros locais (GAIGN&Eacute;, RIOU e THISSE, 2012). A an&aacute;lise de outras interven&ccedil;&otilde;es importantes no sistema de transporte na regi&atilde;o metropolitana &ndash; como a constru&ccedil;&atilde;o do RER - revela a instala&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias com maior qualifica&ccedil;&atilde;o nas proximidades das esta&ccedil;&otilde;es (MAYER e TREVIEN, 2016). Este processo de gentrifica&ccedil;&atilde;o associado a grandes projetos urbanos refor&ccedil;a, ent&atilde;o, a necessidade de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a corre&ccedil;&atilde;o das distor&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao GPE, parece existir uma preocupa&ccedil;&atilde;o institucional com esta quest&atilde;o. Inicialmente, os j&aacute; mencionados Contratos de Desenvolvimento Territorial se colocam como instrumento voltado para atendimento das demandas locais. Al&eacute;m disso, est&aacute; sendo constru&iacute;da uma articula&ccedil;&atilde;o com um duplo foco: por um lado, procura-se efetivamente garantir o desenvolvimento das &aacute;reas com maior potencial; mas, por outro, existe a inten&ccedil;&atilde;o de auxiliar as &aacute;reas que enfrentam dificuldades.</p>     <p>Um estudo feito pelo Grupo <i>Caisse des D&eacute;p&ocirc;ts,</i> em parceria com o Instituto de Morfologias Urbanas (SALAT; BOURDIC, 2016), demonstra estas perspetivas, permitindo identificar a din&acirc;mica atual e antever tend&ecirc;ncias econ&ocirc;micas de cada local. O estudo considera a cria&ccedil;&atilde;o de novas urbanidades, analisando a conex&atilde;o entre as esta&ccedil;&otilde;es do GPE e as densidades habitacionais e de emprego. Duas classifica&ccedil;&otilde;es diferentes s&atilde;o propostas em rela&ccedil;&atilde;o aos novos centros criados pelas esta&ccedil;&otilde;es: uma delas as situa a partir de sua centralidade na rede, qualidade urbana e din&acirc;micas de desenvolvimento, de forma a identificar &aacute;reas com maior potencial de desenvolvimento econ&ocirc;mico. A outra classifica&ccedil;&atilde;o, por sua vez, as situa a partir do dinamismo demogr&aacute;fico, do potencial de acesso aos empregos, integra&ccedil;&atilde;o e <i>mix</i> de atividades geradas. O objetivo, neste caso, &eacute; identificar &aacute;reas mais fr&aacute;geis e encontrar mecanismos para auxili&aacute;-las. Desta forma, n&atilde;o parece ser a dist&acirc;ncia entre a habita&ccedil;&atilde;o e o local de trabalho que prejudica a empregabilidade das pessoas, mas a aus&ecirc;ncia de meios de transporte eficaz para transp&ocirc;-la (WILSON 1987; PUGH,&nbsp;1998 apud BEAUCIRE, DREVELLE, 2013) e o projeto tem um grande potencial no sentido de reduzir desigualdades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>8. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>A nova metr&oacute;pole que se configura parece aproximar-se de um modelo polic&ecirc;ntrico de cidade, permitindo a estrutura&ccedil;&atilde;o de concentra&ccedil;&otilde;es urbanas bem conectadas de forma eficiente, reduzindo os gastos energ&eacute;ticos. Conforme preconiza Castells (1999), &ldquo;o espa&ccedil;o organiza o tempo&rdquo; nas sociedades em rede (p.467) e a articula&ccedil;&atilde;o proposta pelo GPE promete uma profunda reorganiza&ccedil;&atilde;o do tempo, diminuindo congestionamentos, propiciando uma redu&ccedil;&atilde;o de trajeto entre resid&ecirc;ncia e trabalho, uma redu&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos privados. A infraestrutura urbana existente poder&aacute; ser rentabilizada em termos n&atilde;o s&oacute; de circula&ccedil;&atilde;o vi&aacute;ria, mas tamb&eacute;m no que diz respeito a equipamentos sociais, redes de saneamento, energia e outras.</p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; justi&ccedil;a social, os investimentos do Grand Paris Express trazem novas possibilidades para redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades: de uma parte, da periferia com rela&ccedil;&atilde;o ao centro de Paris, que apresenta tradicionalmente um aumento de oferta de emprego bem superior; de outra parte, entre a regi&atilde;o oeste e a leste - onde a habita&ccedil;&atilde;o social &eacute; mais presente, as comunidades sofrem com um n&iacute;vel de desemprego mais alto e os im&oacute;veis s&atilde;o mais desvalorizados. Considerando, ainda, que o setor oeste da cidade possui maior quantidade e qualidade de empregos, a facilidade de transporte pode trazer novas oportunidades de acesso para os habitantes da regi&atilde;o leste.&nbsp; Al&eacute;m disso, a integra&ccedil;&atilde;o social&nbsp; que se pretende criar no entorno das novas esta&ccedil;&otilde;es vai com certeza promover novas din&acirc;micas, capazes de gerar empregos e estimular neg&oacute;cios,&nbsp; alimentando a imagem de cidade eficiente e atratriva, em n&iacute;vel global.</p>     <p>O empreendimento tamb&eacute;m foi, e continua sendo, respons&aacute;vel pelo reaquecimento da economia francesa, gerando empregos e consolidando compet&ecirc;ncias, a partir de uma atua&ccedil;&atilde;o das empresas envolvidas em projetos e execu&ccedil;&atilde;o e seus desdobramentos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem &ldquo;efeitos colaterais&rdquo; poss&iacute;veis, como a gentrifica&ccedil;&atilde;o (ENRIGHT, 2013), ou o desequil&iacute;brio entre as regi&otilde;es, mas existem tamb&eacute;m dispositivos de combate a estes riscos, tais como as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas existentes e seus m&uacute;ltiplos recursos &ndash; com destaque para os Contratos de Desenvolvimento Territorial -&nbsp; al&eacute;m de iniciativas institucionais no sentido de entender os poss&iacute;veis desdobramentos do projeto, como o estudo&nbsp; do Grupo <i>Caisse des D&eacute;p&ocirc;ts </i>(SALAT; BOURDIC, 2016). Outro exemplo &eacute; o esfor&ccedil;o que tem sido feito no sentido de democratiza&ccedil;&atilde;o das tarifas de transporte que, a partir de primeiro de setembro de 2015, foram unificadas para a cicula&ccedil;&atilde;o nas cinco zonas da regi&atilde;o parisiense (o sistema anterior impunha uma tarifa&ccedil;&atilde;o mais alta aos usu&aacute;rios&nbsp; de zonas mais afastadas, que eram duplamente penalizados pelo fato de estarem mais distantes).</p>     <p>Por outro lado, existem riscos do ponto de vista da materializa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica do projeto, que parecem ser os mais iminentes. A primeira quest&atilde;o que se coloca &eacute; relativa &agrave; governan&ccedil;a. De acordo com Faure (2018) as atribui&ccedil;&otilde;es de responsabilidades n&atilde;o s&atilde;o sempre compat&iacute;veis com as compet&ecirc;ncias e capacidades: o Estado, ao qual a SGP est&aacute; diretamente ligada, n&atilde;o teria controle sobre os riscos financeiros e a SGP seria &ldquo;muito pequena para sua miss&atilde;o.&rdquo;</p>     <p>Outra quest&atilde;o que se coloca diz respeito ao cronograma das obras e seu financiamento. As primeiras escava&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a realiza&ccedil;&atilde;o da linha 15 come&ccedil;aram em 2016. Atualmente, o ritmo est&aacute; se incrementando: j&aacute; estavam ativos no princ&iacute;pio de 2017 os tr&ecirc;s primeiros canteiros da nova rede, com as primeiras interven&ccedil;&otilde;es ao sul da capital francesa. Em 2017, mais de 40 frentes de obra foram iniciadas na linha 15 Sul (BONTINCK, 2017) e o primeiro <i>tunnelier</i> (equipamento gigantesco de escava&ccedil;&atilde;o de t&uacute;neis) come&ccedil;ou a escava&ccedil;&atilde;o em Champigny-sur-Marne (Val-de-Marne), em abril de 2018. A previs&atilde;o (YVIN, 2017) era de que, em 2018, todas as linhas do GPE (14, 15, 16, 17 e 18) estivessem em obras. Entretanto, o projeto tem enfrentado problemas t&eacute;cnicos, or&ccedil;ament&aacute;rios e conjunturais.</p>     <p>Do ponto de vista t&eacute;cnico, surgiram imprevistos na escava&ccedil;&atilde;o de t&uacute;neis, que foram desde a dificuldade na contrata&ccedil;&atilde;o de <i>Tunneliers</i> na quantidade necess&aacute;ria, at&eacute; quest&otilde;es geot&eacute;cnicas, como a presen&ccedil;a de argila verde, excessivamente pl&aacute;stica. As novas previs&otilde;es estimam que, na melhor das hip&oacute;teses, a linha 15 entrar&aacute; em funcionamento em 2022, com 2 anos de atraso (SCHWARZBACH, 2016)</p>     <p>Por outro lado, existe um questionamento sobre a viabilidade financeira da execu&ccedil;&atilde;o do projeto dentro dos prazos inicialmente estabelecidos. Em setembro de 2017, o prefeito da Regi&atilde;o de <i>Ile de france</i>, Michel Cabot, recomendou ao governo adiar uma grande parte das linhas para depois das Olimp&iacute;adas, temendo o superfaturamento das obras. Com a perspectiva das Olimp&iacute;adas de 2024 em Paris e a necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o dos investimentos em infraestrutura comprometidos, a rela&ccedil;&atilde;o oferta/demanda de empresas para realiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os sofreu uma completa altera&ccedil;&atilde;o e os pre&ccedil;os para as obras subiram em 20 a 30% nos &uacute;ltimos 5 anos (DAMOUR, 2018). <a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>A situa&ccedil;&atilde;o se agravou quando o primeiro ministro franc&ecirc;s apresentou um relat&oacute;rio elaborado pela <i>Cours de Comptes</i> (equivalente ao Tribunal de Contas), publicado em 17 janeiro de 2018, sobre os desvios financeiros do projeto. A previs&atilde;o de gastos era de 20,5 bilh&otilde;es de euros (AUZANNET, 2012) inicialmente em 2008 e de acordo com este relat&oacute;rio, passou para mais de 38,48&nbsp;bilh&otilde;es (DAMOUR, 2018). Este fato se deve a altera&ccedil;&otilde;es no projeto, mas, tamb&eacute;m, a avalia&ccedil;&otilde;es equivocadas e provis&otilde;es de risco subestimadas pelo SGP. Adicionalmente, os custos financeiros relativos a empr&eacute;stimos para o financiamento da constru&ccedil;&atilde;o podem quadruplicar o valor inicial previsto (DAMOUR, 2018).</p>     <p>Em 22 de fevereiro de 2018, um novo calend&aacute;rio foi apresentado pelo governo, que manteve a previs&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o do projeto completo, mas reconfigurou o cronograma de execu&ccedil;&atilde;o das obras, com o adiamento da constru&ccedil;&atilde;o de algumas linhas (POUTHIER MOUTARDE, 2018).</p>     <p>Na justificativa do adiamento, o governo faz refer&ecirc;ncia &agrave;s dificuldades t&eacute;cnicas e financeiras, mas tamb&eacute;m &agrave; necessidade de forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos suplementares para atender &agrave; demanda, que corresponde a quatro vezes o volume usual de obras da regi&atilde;o de <i>Ile de France</i>. Assim, algumas linhas v&atilde;o sofrer atrasos que variam de 2 a 6 anos. Entre as obras adiadas, destaca-se o trecho da linha 15 Leste, na se&ccedil;&atilde;o entre Saint-Denis Pleyel-Rosny Bois Perrier (POUTHIER MOUTARDE, 2018), isto &eacute;, o trecho que, segundo Beaucire e Drevelle (2013), &eacute; fundamental para o equil&iacute;brio da desigualdade entre as regi&otilde;es. O adiamento das obras tamb&eacute;m tem implica&ccedil;&otilde;es para os investimentos das comunas &ndash; em termos de compromissos assumidos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o e estruturas urbanas ligadas ao projeto (DAMOUR, 2018).</p>     <p>Alguns dos benef&iacute;cios esperados do projeto &ndash; como disponibiliza&ccedil;&atilde;o de empregos, movimenta&ccedil;&atilde;o da economia, visibilidade global da cidade &ndash; est&atilde;o sendo complementados pelas obras de infraestrutura para os Jogos Ol&iacute;mpicos. Por&eacute;m, do ponto de vista da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, da organiza&ccedil;&atilde;o do tr&acirc;nsito e da redu&ccedil;&atilde;o de trajetos -&nbsp; e sobretudo do ponto de vista de equil&iacute;brio de oportunidades entre as regi&otilde;es mais fr&aacute;geis e as mais s&oacute;lidas &ndash; as previs&otilde;es s&atilde;o de que os benef&iacute;cios sejam realmente adiados.</p>     <p>Numa perspetiva de gest&atilde;o, o novo cronograma parece ser mais realista, face aos problemas identificados. O ponto cr&iacute;tico, na verdade, parece ser as proje&ccedil;&otilde;es iniciais, que geraram expectativas de dif&iacute;cil realiza&ccedil;&atilde;o, mas que tiveram suporte institucional pelo facto de atenderem a objetivos pol&iacute;ticos &ndash; como fortalecer a candidatura de Paris a sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos &ndash; negligenciando riscos e subestimando custos. Nesta &oacute;tica, considerando tamb&eacute;m o adiamento do trecho da linha 15 Leste, a busca da cidade global e a l&oacute;gica neoliberal dos grandes projetos de urbanismo (ENRIGHT, 2013) parecem estar prevalecendo sobre a constru&ccedil;&atilde;o da cidade justa no GPE. Entretanto, apesar dos riscos apontados, existem possibilidades de compatibiliza&ccedil;&atilde;o entre as duas vis&otilde;es, que podem ser complementares.</p>     <p>Dentro das diversas matrizes de discursos sobre a sustentabilidade urbana que Acselrad (1999) identifica, existem dois modelos de uma proposta que ele chama de &ldquo;reprodu&ccedil;&atilde;o adaptativa das estruturas urbanas&rdquo; &ndash; um deles baseado na efici&ecirc;ncia e o outro na equidade. Ambos os modelos partem de uma perspetiva pol&iacute;tica na qual a &ldquo;base t&eacute;cnico-material da cidade &eacute; vista, [...] como socialmente constru&iacute;da&rdquo; (p. 86). Dentro de qualquer um dos dois direcionamentos, a sustentabilidade urbana n&atilde;o pode prescindir do investimento em infraestruturas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A falta de investimentos em equipamentos urbanos acentua o d&eacute;ficit na oferta de servi&ccedil;os, aumentando a &ldquo;segmenta&ccedil;&atilde;o socioterritorial entre popula&ccedil;&otilde;es atendidas e n&atilde;o-atendidas por tais servi&ccedil;os, incrementando os graus de conflito e incerteza no processo de reprodu&ccedil;&atilde;o das estruturas urbanas&rdquo; (ACSELRAD, 1999, p. 86).</p>     <p>Do ponto de vista da efici&ecirc;ncia, a vis&atilde;o promovida pelo Estado franc&ecirc;s projeta na &ldquo;cidade sustent&aacute;vel&rdquo; o que Acselrad (1999) entende como os &ldquo;[...] supostos atributos de atratividade de investimentos, no contexto da competi&ccedil;&atilde;o global&rdquo; (p. 81). A vis&atilde;o da Regi&atilde;o por sua vez, corresponde ao modelo estudado pelo autor, dentro do qual a cidade se coloca como &ldquo;o espa&ccedil;o por excel&ecirc;ncia da inven&ccedil;&atilde;o de direitos e inova&ccedil;&otilde;es sociais&rdquo; (p.88). Cada uma das propostas pode estar ligada seja &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o das estruturas existentes seja &agrave; inova&ccedil;&atilde;o; as duas t&ecirc;m potencial de promover a sustentabilidade, cada uma dentro de uma l&oacute;gica pr&oacute;pria.</p>     <p>Entretanto, efici&ecirc;ncia e igualdade precisam se equilibrar, devido &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o de estreita interdepend&ecirc;ncia. Num territ&oacute;rio agem os fatores sociais, culturais, hist&oacute;ricos, pol&iacute;ticos e psicol&oacute;gicos, gerando situa&ccedil;&otilde;es de maior ou menor igualdade social. Quando a desigualdade &ndash; que, segundo Bordeau-Lepage (2013) &ldquo;se traduz cada vez mais numa segrega&ccedil;&atilde;o espacial&rdquo; (p. 416) -&nbsp; &eacute; muito elevada, ela gera instabilidade (por exemplo, manifesta&ccedil;&otilde;es violentas, depreda&ccedil;&atilde;o, problemas de seguran&ccedil;a, etc.), o que prejudica a imagem da cidade global. Desta forma, o n&iacute;vel de igualdade social se reflete diretamente na capacidade que a cidade tem de atrair pessoas e investimentos.&nbsp;</p>     <p>Concluindo, ent&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o maior desafio para o GPE &eacute; estabelecer &ldquo;limites de elasticidade das t&eacute;cnicas e das vontades pol&iacute;ticas&rdquo; que permitam a constru&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;base t&eacute;cnico-material&rdquo; para a metr&oacute;pole, dentro de um cronograma que equilibre os diferentes aspetos da sustentabilidade urbana. Conforme j&aacute; preconizado nas discuss&otilde;es durante a Grande Consulta, as a&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o ser hierarquizadas ao longo do tempo, a partir da sua inser&ccedil;&atilde;o nas escalas de import&acirc;ncia (AIGP, 2012), de maneira a garantir um processo de produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o das estruturas urbanas que seja eficiente, mas tamb&eacute;m equ&acirc;nime. S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel compatibilizar a Cidade Global e a Cidade Justa. A oposi&ccedil;&atilde;o a uma transforma&ccedil;&atilde;o global e urbana regida pela &ldquo;an&ocirc;nima l&oacute;gica econ&ocirc;mica&rdquo; [...] (SMITH, 2006, p. 85) dever&aacute;, portanto, ter um papel crucial na configura&ccedil;&atilde;o dos novos espa&ccedil;os.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>9. Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ANDRIOSOPOULOS, Kostas; SILVESTRE, Stephan. (2017). French energy policy: A gradual transition. <i>Energy Policy</i><b>. </b>v. 106, pp. 376-381. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301421517302380" target="_blank">https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301421517302380</a>. Acesso em: 30 jan. 2018.</p>     <p>ARANTES, Ot&iacute;lia F. (2000) Uma Estrat&eacute;gia Fatal: a cultura nas novas gest&otilde;es urbanas. In: Arantes, O.; Vainer, C.;Maricato, E. (org). <i>A Cidade do Pensamento &Uacute;nico</i><b>:</b> Desmanchando Consensos. Petr&oacute;polis: Vozes, pp. 11-73. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.revistas.unifacs.br/index.php/rde/article/view/13/69" target="_blank">http://www.revistas.unifacs.br/index.php/rde/article/view/13/69</a> Acesso em: 30 set. 2017.</p>     <!-- ref --><p>AUZENNET, P. (2012) Rapport de la mission sur le calendrier pluriannuel de r&eacute;alisation et de financement du projet de Grand Paris Express, <i>Relat&oacute;rio.</i>&nbsp; 10 d&eacute;cembre 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ladocumentationfrancaise.fr/var/storage/rapports-publics/124000665.pdf" target="_blank">http://www.ladocumentationfrancaise.fr/var/storage/rapports-publics/124000665.pdf</a>> Acesso em: 3 ago. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754843&pid=S2182-1267201800030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BECHERAND, P. E. Batir le patrimoine m&eacute;tropolitain du XXIe si&egrave;cle. Le Futur du Grand Paris se construit avec son temp. Dossier Les Gares du Grand Paris - Revue des Mines n.491, Mai juin 2017 p. 48-49&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754845&pid=S2182-1267201800030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>BELKIND, Lara. (2013). The Negotiated Urbanism of Grand Paris Express, <i>Metropolitics</i>, 12, n&atilde;o paginado June 2013. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.metropolitiques.eu/The-Negotiated-Urbanism-of-Grand.html" target="_blank">http://www.metropolitiques.eu/The-Negotiated-Urbanism-of-Grand.html</a>; Acesso em: 15 jan. 2018.</p>     <p>BERJMAN, Edgardo. (2011). Esquemas de metr&ocirc; autom&aacute;tico para a metropoliza&ccedil;&atilde;o de Paris. <i>Minha Cidade</i>, S&atilde;o Paulo, ano 11, n. 126.01, Vitruvius, jan. 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.126/3723/pt" target="_blank">http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.126/3723/pt</a>. Acesso em: 21 out. 2017.</p>     <p>BONTINCK, Jean-Gabriel (2017). Le Grand Paris Express, quel chantier ! <i>Le Parisien,</i> Paris, 27 d&eacute;cembre 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.leparisien.fr/info-paris-ile-de-france-oise/transports/le-grand-paris-express-quel-chantier-27-12-2017-7473600.php" target="_blank">http://www.leparisien.fr/info-paris-ile-de-france-oise/transports/le-grand-paris-express-quel-chantier-27-12-2017-7473600.php</a>; Acesso em: 30 dez. 2017.</p>     <p>BOURDEAU-LEPAGE, L. (2013) Introduction. Grand Paris: projet pour une m&eacute;tropole globale . <i>Revue d&rsquo;&Eacute;conomie R&eacute;gionale &amp; Urbaine </i>2013/3 (ao&ucirc;t), p. 403-436. DOI 10.3917/reru.133.0403 Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.cairn.info/revue-d-economie-regionale-et-urbaine-2013-3-page-403.htm" target="_blank">https://www.cairn.info/revue-d-economie-regionale-et-urbaine-2013-3-page-403.htm</a>. Acesso em: 06 jan. 2018.</p>     <!-- ref --><p>CASTELLS, M. <i>A era da informa&ccedil;&atilde;o:</i> economia, sociedade e cultura. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, 1999. (A sociedade em rede, v.1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754850&pid=S2182-1267201800030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>CASTRO, M.B. <i>O bonde na cidade:</i> Transportes p&uacute;blicos desenvolvimento urbano. Sao Paulo AnnaBlume, 2007&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754851&pid=S2182-1267201800030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>CERQUEIRA, Eug&ecirc;nia D&oacute;ria Viana. (2014). A evolu&ccedil;&atilde;o das formas de gentrifica&ccedil;&atilde;o: estrat&eacute;gias comerciais locais e o contexto parisiense. <i>Cadernos Metr&oacute;pole</i><b>.</b> S&atilde;o Paulo, v. 16, n. 32, pp. 417-436. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/cm/v16n32/2236-9996-cm-16-32-0417.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/cm/v16n32/2236-9996-cm-16-32-0417.pdf</a>. Acesso em: 06 jan. 2018.</p>     <!-- ref --><p>CHANG, Chun-Hao. 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Acesso em: 07 fev. 2018.</p>     <!-- ref --><p>FAINSTEIN, S. (2010) <i>The just city</i>. Cornell University Press, Ithaca.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754857&pid=S2182-1267201800030000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>FAURE, A. 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<body><![CDATA[<p>GONGUET, J.P. (2017) Quelle sera l&rsquo;efficacit&eacute; du Grand Paris Express? <i>Le monde, Paris</i> 15.12.2017<br /> <a href="http://www.lemonde.fr/societe/article/2017/12/15/quelle-sera-l-efficacite-du-grand-paris-express_5230320_3224.html#yeMtILfk6rGjDYUU.99" target="_blank">http://www.lemonde.fr/societe/article/2017/12/15/quelle-sera-l-efficacite-du-grand-paris-express_5230320_3224.html#yeMtILfk6rGjDYUU.99</a> Acesso em: 15 nov. 2017.</p>     <p>GUSDORF, F; HALLEGATTE, S. (2007) Compact or spread-out cities: Urban planning, taxation, and the vulnerability to transportation shocks. <i>Energy Policy.</i> n.35. pp. 4826&ndash;4838</p>     <p>HARVEY, David. (1996). Do Gerenciamento ao Empresariamento: a transforma&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o urbana no capitalismo tardio. S&atilde;o Paulo: <i>Espa&ccedil;o &amp; Debates,</i> v. 16, n. 39, pp. 48-64.</p>     <!-- ref --><p>HARVEY, David. (2001). <i>Spaces of Capital:</i> Towards a Critical Geography. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754867&pid=S2182-1267201800030000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>JACQUE, P. (2017). Grand Paris: le chantier du si&egrave;cle est enfin lanc&eacute;.<i> Le monde Economie, Paris.</i> 27.05.2017. Dispon&iacute;vel em:<br /> <a href="http://www.lemonde.fr/economie/article/2017/05/27/grand-paris-le-chantier-du-siecle-est-enfin-lance_5134543_3234.html#xFC4qzCS0qGZ8QEV.99" target="_blank">http://www.lemonde.fr/economie/article/2017/05/27/grand-paris-le-chantier-du-siecle-est-enfin-lance_5134543_3234.html#xFC4qzCS0qGZ8QEV.99</a> Acesso em: 15 nov. 2017</p>     <p>JACQUES, Paola Berenstein. (2005). Err&acirc;ncias Urbanas: A arte de andar pela cidade. <i>ArqTexto, </i>Porto Alegre. v. 7, n. 1, pp. 16-25. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/PDFs_revista_7/7_Paola%20Berenstein%20Jacques.pdf" target="_blank">https://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/PDFs_revista_7/7_Paola%20Berenstein%20Jacques.pdf</a>. Acesso em: 08 jan. 2018.</p>     <p>JLL. (2016?). Site da empresa de consultoria estrat&eacute;gica em imobili&aacute;ria dedicado ao projeto GPE. <i>Qu&rsquo;est-ce que le projet du Grand Paris</i>? Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.grand-paris.jll.fr/fr/projet-grand-paris/presentation-generale/" target="_blank">http://www.grand-paris.jll.fr/fr/projet-grand-paris/presentation-generale/</a>. Acesso em: 16 jan. 2018.</p>     <p>MADUREIRA, Helena (2005). Paisagem urbana e desenvolvimento sustent&aacute;vel: apontamentos sobre uma estreita rela&ccedil;&atilde;o entre geografia, desenvolvimento sustent&aacute;vel e forma urbana. X Col&oacute;quio Ib&eacute;rico de Geografia, X. <i>Anais...</i> n&atilde;o paginado. &Eacute;vora. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25612/2/72269.pdf" target="_blank">https://www.repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25612/2/72269.pdf</a> Acesso em: 15 nov. 2017</p>     <p>MAYER, Thierry; TREVIEN B, Corentin. (2016). The impact of urban public transportation evidence from the Paris region. <i>Journal of Urban Economics.</i> n. 102, pp 1-21.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>POUTHIER, A. MOUTARDE, N.&nbsp; (2018). Le Grand Paris Express sera boucl&eacute; &agrave; l&rsquo;horizon; 2030. <i>Le Moniteur.</i> Paris. Data. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.lemoniteur.fr/article/le-grand-paris-express-sera-boucle-a-l-horizon-2030.1952424" target="_blank">https://www.lemoniteur.fr/article/le-grand-paris-express-sera-boucle-a-l-horizon-2030.1952424</a> Acesso em: 15 mar. 2018</p>     <p>RENAUD F; EL KAIDI, K. (2017) La Ligne 14: le grand pari du d&eacute;fi et de l&acute;innovation. Dossier Les Gares du Grand Paris. <i>Revue des Mines</i>. Paris, n.491, p. 52 53, Mai juin 2017</p>     <!-- ref --><p>ROGERS, Richard; GUMUCHDJIAN, Philip. (1997) <i>Cidades para um pequeno planeta</i>. Barcelona, Editorial Gustavo Gili.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754876&pid=S2182-1267201800030000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SALAT, Serge; BOURDIC, Loeiz.(2016) L&rsquo;economie spatiale du Grand Paris: Connectivit&eacute; et cr&eacute;ation de valeur. <i>Synth&egrave;se du rapport.</i>&nbsp; Institut des Morphologies Urbaines et des Syst&egrave;mes Complexes;&nbsp; Caisse de depots, Institut CDC pour la recherche. Janvier 2016.&nbsp; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.urbanmorphologyinstitute.org/wp-content/uploads/2016/01/Executive-summary-rapport-Grand-Paris.pdf" target="_blank">http://www.urbanmorphologyinstitute.org/wp-content/uploads/2016/01/Executive-summary-rapport-Grand-Paris.pdf</a>. Acesso em: 06 fev. 2018.</p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Milton (1988). <i>Metamorfoses do Espa&ccedil;o Habitado</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1754879&pid=S2182-1267201800030000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SASSEN, S. (2005) The Global City: introducing a Concept. The Brown Journal of World Affairs. v.11, n. 2, pp. 27-43 Winter/Spring 2005.&nbsp; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.saskiasassen.com/pdfs/publications/the-global-city-brown.pdf" target="_blank">http://www.saskiasassen.com/pdfs/publications/the-global-city-brown.pdf</a> Acesso em: 15 nov. 2017</p>     <p>SCHWANEN, Tim. (2016). Geographies of transport I: Reinventing a field?<b>. </b><i>Progress in Human Geography.</i> v. 40, n. 1, pp. 126&ndash;137. 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<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Estes dados contrastam com os relativos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do Crossrail, que se manteve dentro dos prazos e custos &ndash; apesar de Londres tamb&eacute;m ter recebido os Jogos Olimpicos em 2012&nbsp; (THE SKELETON&hellip;, 2017)</p>      ]]></body><back>
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