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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A segregação socioespacial nas cidades históricas de Minas Gerais: uma análise de Diamantina, MG]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Real estate valuation in areas of economic interest boosted peripheral transformation and expansion movements. Such valuation can be related to real estate speculation, responsible for several factors that can lead to gentrification and other urban problems. The present work analyzes the duality of the valorization of different spaces, which can lead to socio-spatial segregation in the cities, including the "historical" ones of Minas Gerais, to which the present work was focused, including Diamantina. An analysis of these aspects allowed us to conclude that urban space should be understood in its entirety and that the social function of property should not be disregarded and overcome by real estate interest and disordered growth in the city.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Segregação socioespacial]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial nas cidades hist&oacute;ricas de Minas Gerais: uma an&aacute;lise de Diamantina, MG</b></p>     <p><b>Socio-spacial segregation in the historical cities of Minas Gerais: an analysis of Diamantina, MG</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Stephan, &Iacute;talo</b><sup>1</sup>;<b> Rabelo, Noara</b><sup>2</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup> <i>Universidade Federal de Vi&ccedil;osa, Departamento de Arquitetura e Urbanismo.&nbsp;</i>36571-000, Vi&ccedil;osa, Brasil. Avenida P.H. Rolfs, s/n. Campus Universit&aacute;rio.&nbsp;<a href="mailto:stephan@ufv.br">stephan@ufv.br</a></p>     <p><sup>2</sup> <i>Universidade Federal de Vi&ccedil;osa, Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Bolsista da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).&nbsp;</i>36570-900, Vi&ccedil;osa, Brasil.&nbsp;<a href="mailto:noara.rabelo@ufv.br">noara.rabelo@ufv.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>A valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria em &aacute;reas de interesse econ&ocirc;mico impulsionou movimentos de transforma&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o perif&eacute;rica. Tal valoriza&ccedil;&atilde;o pode ser relacionada com a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, respons&aacute;vel por diversos fatores que podem levar &agrave; gentrifica&ccedil;&atilde;o e a outros problemas urbanos. O presente trabalho analisa a dualidade da valoriza&ccedil;&atilde;o de diferentes espa&ccedil;os, que pode trazer como consequ&ecirc;ncia a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial nas cidades, incluindo as &ldquo;hist&oacute;ricas&rdquo; de Minas Gerais, &agrave;s quais foi dado o enfoque do presente trabalho, inserindo como exemplo, Diamantina. Uma an&aacute;lise a respeito destes aspectos permitiu concluir que o espa&ccedil;o urbano deve ser compreendido em sua totalidade, e que a fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade n&atilde;o deve ser desconsiderada e superada pelo interesse imobili&aacute;rio e pelo crescimento desordenado na cidade.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial; Desigualdade; Cidades hist&oacute;ricas; Diamantina-MG</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Real estate valuation in areas of economic interest boosted peripheral transformation and expansion movements. Such valuation can be related to real estate speculation, responsible for several factors that can lead to gentrification and other urban problems. The present work analyzes the duality of the valorization of different spaces, which can lead to socio-spatial segregation in the cities, including the "historical" ones of Minas Gerais, to which the present work was focused, including Diamantina. An analysis of these aspects allowed us to conclude that urban space should be understood in its entirety and that the social function of property should not be disregarded and overcome by real estate interest and disordered growth in the city.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Key Words</b>: Socio-spatial segregation; inequality; historical cities; Diamantina-MG</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <ol>     <li><b> Introdu&ccedil;&atilde;o</b></li>     </ol>     <p>A primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI foi marcada por uma intensifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria no Brasil, atrav&eacute;s do aumento do volume da produ&ccedil;&atilde;o e pela valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria. Este quadro repercutiu em mudan&ccedil;as estruturais na organiza&ccedil;&atilde;o do setor imobili&aacute;rio e na reconfigura&ccedil;&atilde;o das cidades brasileiras (Rufino, 2016, p.218). Nesse cen&aacute;rio fortemente favor&aacute;vel &agrave; expans&atilde;o do consumo da produ&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, que Harvey (2014, p.67) colocou como &ldquo;enorme bolha imobili&aacute;ria&rdquo;, no come&ccedil;o da d&eacute;cada de 2010, abriu-se a possibilidade de captar recursos do mercado financeiro. Essa estrat&eacute;gia do mercado imobili&aacute;rio impulsionou um importante movimento de transforma&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o das periferias das grandes metr&oacute;poles (Rufino, 2016, p.218) e nas cidades m&eacute;dias. No entanto, segundo Costa (2010, p.10) tais transforma&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se restringem somente &agrave;s grandes metr&oacute;poles e cidades m&eacute;dias, j&aacute; que tamb&eacute;m pode ser percebido nas cidades hist&oacute;ricas<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>.</p>     <p>A valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria pode ser relacionada com a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, respons&aacute;vel pelo encarecimento da moradia urbana, pela produ&ccedil;&atilde;o dos vazios urbanos com fins especulativos; pela subutiliza&ccedil;&atilde;o da infraestrutura urbana e pelo encarecimento dos transportes (Gon&ccedil;alves, 2010, p.1). A respeito da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, Santos (1993, p.96) explicou que esta &ldquo;deriva, em &uacute;ltima an&aacute;lise, da conjuga&ccedil;&atilde;o de dois movimentos convergentes: a superposi&ccedil;&atilde;o de um s&iacute;tio social ao s&iacute;tio natural; e a disputa entre atividades ou pessoas por dada localiza&ccedil;&atilde;o. A especula&ccedil;&atilde;o se alimenta dessa din&acirc;mica, que inclui expectativas&rdquo;. Assim criam-se s&iacute;tios sociais, uma vez que o funcionamento da sociedade urbana transforma os lugares de forma seletiva, afei&ccedil;oando-os &agrave;s suas exig&ecirc;ncias funcionais, toranndo certos pontos mais acess&iacute;veis, atrativos e valorizados. Portanto, s&atilde;o as atividades mais din&acirc;micas que se instalam nessas &aacute;reas privilegiadas. Da mesma forma acontece quanto aos lugares de resid&ecirc;ncia. As pessoas de maiores recursos buscam se alojar onde lhe pare&ccedil;a mais conveniente (SANTOS, 1993, p.96).</p>     <p>Tal valoriza&ccedil;&atilde;o torna-se financeiramente inacess&iacute;vel para a popula&ccedil;&atilde;o de menor renda, podendo levar &agrave; gentrifica&ccedil;&atilde;o, que traduz em um deslocamento de habitantes de menores n&iacute;veis socioecon&ocirc;micos por outros de maiores capacidades de consumo (Vergara-Constela; Casellas, 2016, p.124). Dessa forma, a popula&ccedil;&atilde;o economicamente menos favorecida &eacute; deslocada para os sub&uacute;rbios ou bairros desvalorizados, ou for&ccedil;ada a criar ou ampliar ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares, enquanto a popula&ccedil;&atilde;o de maior renda tem condi&ccedil;&otilde;es de permanecer no centro.</p>     <p>Segundo Rufino (2016, p.218-219), tradicionalmente a produ&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria do mercado, que concentra principalmente nas &aacute;reas centrais, &ldquo;tendeu a refor&ccedil;ar a dicotomia entre centro equipado e territ&oacute;rios precariamente ocupados. Esses territ&oacute;rios prec&aacute;rios contrastavam e valorizavam ainda mais os espa&ccedil;os mais bem servidos e mais equipados&rdquo;. Esse cen&aacute;rio &ldquo;explicitava diferen&ccedil;as e levava a cidade a um r&aacute;pido processo de expans&atilde;o, pautado por baixa densidade e informalidade nas constru&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Assim, pode-se afirmar que houve um &ldquo;fortalecimento de uma vis&atilde;o segmentada e dual da urbaniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, e n&atilde;o visto como uma totalidade, na qual uma produ&ccedil;&atilde;o organizada do espa&ccedil;o se contrapunha a outro espa&ccedil;o (Pereira, 2005; Rufino, 2016, p.219).</p>     <p>Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo o estudo da dualidade da valoriza&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a> de diferentes espa&ccedil;os urbanos, geralmente entre o centro e periferia<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a>, trazendo como consequ&ecirc;ncia a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a> nas cidades. Como j&aacute; dito, isso n&atilde;o fica restrito &agrave;s grandes metr&oacute;poles e cidades m&eacute;dias, afeta tamb&eacute;m em cidades hist&oacute;ricas. Desse modo, o presente trabalho optou por analisar o problema a partir do exemplo da cidade de Diamantina, em Minas Gerais. Segundo Villa&ccedil;a (2012, p.43), em sua obra &ldquo;Espa&ccedil;o intra-urbano no Brasil&rdquo; (p.142), a segrega&ccedil;&atilde;o &eacute; &ldquo;um processo segundo o qual diferentes classes ou camadas sociais tendem a se concentrar cada vez mais em diferentes regi&otilde;es gerais ou conjuntos de bairros&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="2">     <li><b> Material e M&eacute;todos </b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Foram utilizadas como metodologia de pesquisa as produ&ccedil;&otilde;es bibliogr&aacute;ficas que problematizaram a forma&ccedil;&atilde;o da periferia, atrav&eacute;s da valoriza&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea central de uma cidade, expressando dessa maneira as intensas desigualdades da urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira. Tamb&eacute;m foram utilizados mapas e fotografias; dados censit&aacute;rios do IBGE sobre a presen&ccedil;a de ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares nas cidades hist&oacute;ricas de Minas Gerais e documentos oficiais da Prefeitura Municipal que tratam sobre loteamentos urbanos irregulares. Tamb&eacute;m foi feita an&aacute;lise de leis como o Estatuto da Cidade e a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, nas quais tratam a respeito da fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="3">     <li><b> A organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial e a compreens&atilde;o do espa&ccedil;o</b></li>     </ol>     <p>Para o entendimento e an&aacute;lise da organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial, deve-se compreender o espa&ccedil;o urbano, uma vez que est&atilde;o diretamente relacionados entre si. A an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial de uma cidade hist&oacute;rica, de acordo com Costa (2010, p.10), deve abranger uma vis&atilde;o de forma totalizada do territ&oacute;rio urbano, e n&atilde;o apenas focada nos limites do centro hist&oacute;rico. O autor aponta como problem&aacute;tica a an&aacute;lise de uma cidade hist&oacute;rica que n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o a organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial dessa forma, uma vez que uma &ldquo;an&aacute;lise focada e desarticulada pode n&atilde;o dar conta da realidade multidimensional e em movimento da forma&ccedil;&atilde;o de novas espacialidades acarretadas pelas novas estrat&eacute;gias do planejamento dessas cidades do interior brasileiro&rdquo;. De acordo com Souza; Faria; Stephan (2015, p.143) apud Santos (1985), para compreender a organiza&ccedil;&atilde;o espacial e sua evolu&ccedil;&atilde;o, &eacute; fundamental interpretar a rela&ccedil;&atilde;o entre estrutura, processo, fun&ccedil;&atilde;o e forma, de modo a permitir a compreens&atilde;o da totalidade social em sua espacializa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio o entendimento de como os objetos, em sua organiza&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o inter-relacionados. Os autores explicam que h&aacute; uma necessidade da leitura do territ&oacute;rio, de modo a compreender a din&acirc;mica e a buscar estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&otilde;es adequadas para as cidades.</p>     <p>De acordo com Mendes (2011, p.477), o urbanismo deve se realizar a partir de projetos urbanos estrat&eacute;gicos e participativos, em busca da miscigena&ccedil;&atilde;o funcional. Essas caracter&iacute;sticas induzem a evolu&ccedil;&atilde;o das cidades para um espa&ccedil;o polic&ecirc;ntrico, ou seja, constitu&iacute;do por diversos polos de atividades, servi&ccedil;os e setores, concomitantemente a uma desconcentra&ccedil;&atilde;o das atividades em um &uacute;nico centro. Nas cidades hist&oacute;ricas encontra-se uma &aacute;rea central densa de atividades econ&ocirc;micas, culturais e tur&iacute;sticas. Nas proximidades desta &aacute;rea central, os bairros mais recentes tamb&eacute;m podem acolher com&eacute;rcios e resid&ecirc;ncias burguesas, predominando, portanto, camadas de rendas m&eacute;dias-superiores (Ascher, 1998, p.8-15).</p>     <p>Segundo Costa (2010, p.11), a valoriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o identifica a fragmenta&ccedil;&atilde;o&nbsp; do territ&oacute;rio urbano quando os bairros de entorno ao Centro Hist&oacute;rico e da periferia apresentam diversos problemas socioespaciais, &ldquo;que v&atilde;o desde infraestrutura urbana, como ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, falta de &aacute;gua, coleta de esgoto, pavimenta&ccedil;&atilde;o, equipamentos de servi&ccedil;os diversos, etc., at&eacute; prec&aacute;rias moradias e elevado &iacute;ndice de desemprego&rdquo;. Pode-se conjectar que isso se deve ao fato de que as a&ccedil;&otilde;es voltadas ao Centro Hist&oacute;rico resultam em uma &ldquo;pol&iacute;tica de patrim&ocirc;nio que desvia a aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e recursos de problemas mais amplos, sobretudo, fora do n&uacute;cleo tombado, o que vem afetando as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o local&rdquo;. Dessa forma, pode resultar em uma distin&ccedil;&atilde;o de valoriza&ccedil;&atilde;o entre as partes da cidade, produzindo um territ&oacute;rio urbano fragmentado (Costa, 2010, p.11), do ponto de vista de import&acirc;ncia e aten&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Ao longo do tempo, o tra&ccedil;ado e a morfologia das cidades foram influenciados tanto pelas a&ccedil;&otilde;es humanas quanto pela sua localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica. Segundo Silveira (2015, p.16), podem ser observadas, nas &aacute;reas de expans&atilde;o, &ldquo;ocupa&ccedil;&otilde;es controversas do espa&ccedil;o&rdquo;, por parte da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda, bem como das classes sociais mais abastadas. Isto se deve aos processos de especula&ccedil;&atilde;o, e &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es de localiza&ccedil;&atilde;o dessas popula&ccedil;&otilde;es, oriundas de processos de migra&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o, refletindo na consolida&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es espaciais urbanos. O autor ainda insere nesse contexto, que esses espa&ccedil;os se colocam como &ldquo;territ&oacute;rios de conviv&ecirc;ncia (e conveni&ecirc;ncia) de diversas configura&ccedil;&otilde;es e usos, limita&ccedil;&otilde;es da legisla&ccedil;&atilde;o e complexos processos socioespaciais&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="4">     ]]></body>
<body><![CDATA[<li><b> A organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial e a fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade</b></li>     </ol>     <p>A partir das quest&otilde;es at&eacute; ent&atilde;o apontadas, que demonstram a necessidade de aten&ccedil;&atilde;o para a organiza&ccedil;&atilde;o socioespacial, na compreens&atilde;o do urbanismo contempor&acirc;neo, deve se pautar pela observ&acirc;ncia de princ&iacute;pios que garantam a elabora&ccedil;&atilde;o e a efetiva&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas urbanas que enfrentem as formas de segrega&ccedil;&atilde;o, gentrifica&ccedil;&atilde;o, e perpetua&ccedil;&atilde;o de desigualdades.</p>     <p>O ordenamento jur&iacute;dico brasileiro teve a preocupa&ccedil;&atilde;o de incluir, em sua lei suprema, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a quest&atilde;o urban&iacute;stica. A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988 traz, em seu elenco de direitos fundamentais, a previs&atilde;o de que, para a garantia da propriedade (entre outros direitos), ser&aacute; sempre considerada sua fun&ccedil;&atilde;o social<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a>. Ainda, dedicou o seu T&iacute;tulo VII, Cap&iacute;tulo II, para tratar da pol&iacute;tica urbana. Desse modo, passou a prever que a pol&iacute;tica de desenvolvimento urbano deve ser executada pelo poder p&uacute;blico municipal, com o objetivo de &ldquo;ordenar o pleno desenvolvimento das fun&ccedil;&otilde;es sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes&rdquo;<a href="#_ftn7" name="_ftnref7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a>, exigindo a elabora&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara Municipal de um plano diretor, em munic&iacute;pios com mais de vinte mil habitantes. O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001), traz uma s&eacute;rie de instrumentos urban&iacute;sticos com o intuito de combater quest&otilde;es que dificultam o cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o social, como o combate &agrave; especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, para o &ldquo;desenvolvimento, a estrutura&ccedil;&atilde;o e o planejamento urbanos&rdquo; (Bonizzato, 2010, p. 14-15).<a href="#_ftn8" name="_ftnref8"><sup><sup>[8]</sup></sup></a>&nbsp; Assim, a ordem normativa demonstra uma evolu&ccedil;&atilde;o no que diz respeito &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos aptos a combater quest&otilde;es como a que neste trabalho se trata: a dualidade da supervaloriza&ccedil;&atilde;o dos locais tombados em centros hist&oacute;ricos e a precariza&ccedil;&atilde;o da periferia e, como consequ&ecirc;ncia, a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial.</p>     <p>A desigualdade que existe na sociedade brasileira, conforme apontado por Villa&ccedil;a (2012, p.70-76), se manifesta na enorme segrega&ccedil;&atilde;o que se observa em nossas cidades. Tal segrega&ccedil;&atilde;o provoca um &ocirc;nus para os mais pobres e vantagens para os mais ricos. Entretanto, h&aacute; a consci&ecirc;ncia e o reconhecimento de que os problemas das pessoas economicamente mais pobres s&atilde;o diferentes dos mais ricos. &ldquo;&Eacute; talvez sabido que a solu&ccedil;&atilde;o dos problemas dos mais pobres depende mais do poder p&uacute;blico e que a solu&ccedil;&atilde;o da maior parte dos problemas dos mais ricos depende mais do mercado&rdquo; (Villa&ccedil;a, 2012, p.70-76). Quando h&aacute; segrega&ccedil;&atilde;o urbana, os problemas urbanos s&atilde;o diferentes, conforme as regi&otilde;es onde reside e atua a popula&ccedil;&atilde;o mais rica. Consequentemente, as popula&ccedil;&otilde;es dessas regi&otilde;es mais ricas pressionam o poder p&uacute;blico e, faz-se necess&aacute;rio ressaltar que os problemas urbanos s&atilde;o manipulados pelos ideais dominantes. Um exemplo, de acordo com o autor, &eacute; o entendimento das quest&otilde;es de planejamento urbano, sobretudo, o plano diretor, que pode ser considerado como um assunto complexo, portanto, compreendido apenas por aqueles mais instru&iacute;dos. Para o autor, o fato de as classes mais pobres n&atilde;o se interessarem ou n&atilde;o darem import&acirc;ncia ao plano diretor, segundo o autor, &eacute; porque este n&atilde;o tem nada a lhes oferecer.</p>     <p>Outro exemplo que retrata tal men&ccedil;&atilde;o &eacute; a respeito do &ldquo;verde e o meio ambiente&rdquo; que n&atilde;o est&atilde;o entre os principais problemas das classes mais pobres, uma vez que representam coisas diferentes para diferentes classes sociais. Enquanto para os mais ricos &ldquo;verde&rdquo; significa parques, ar despolu&iacute;do, sil&ecirc;ncio e tranquilidade, para os mais pobres significa c&oacute;rregos imundos, insalubridade, inunda&ccedil;&otilde;es ou deslizamento de encostas. Villa&ccedil;a (2012, 70-76) afirma que quando h&aacute; protestos reivindicando qualquer insatisfa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, proveniente das classes economicamente mais prejudicadas, n&atilde;o se tem a mesma press&atilde;o pol&iacute;tica, nem o impacto causados pelas reivindica&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o mais rica, uma vez que nesta &uacute;ltima se concentra o empresariado e o poder econ&ocirc;mico. Por outro lado, para Stephan, outras experi&ecirc;ncias em cidades pequenas mostraram que isso n&atilde;o ocorre em todos as cidades: a popula&ccedil;&atilde;o mais rica, ou aqueles que vivem em locais com boas condi&ccedil;&otilde;es de infraestrutura, n&atilde;o se interessam, e os moradores mais pobres s&atilde;o em maior n&uacute;mero nas reuni&otilde;es para tratar dos planos (2008, p.88).</p>     <p>Dessa forma, a partir das abordagens supracitadas, pode-se verificar que h&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o de um territ&oacute;rio urbano dividido quando as a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico d&atilde;o prioridade para a centralidade urbana frente &agrave; periferia. Logo, pode-se observar, de acordo com Costa (2010, p.15), o resultado de modelos segregacionistas de planejamento urbano, quando poderia surgir como um instrumento de garantia da fun&ccedil;&atilde;o social, garantia da preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico e urban&iacute;stico e que mitigasse a&ccedil;&otilde;es que estimulam a segrega&ccedil;&atilde;o territorial e a gentrifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para Castriota (2004, p.55), em termos urban&iacute;sticos, deve haver a &ldquo;integra&ccedil;&atilde;o entre o planejamento macro &ndash; Plano Diretor &ndash; e o planejamento para as chamadas &lsquo;&aacute;reas hist&oacute;ricas&rsquo;, o plano especial demandado por elas&rdquo;. No que se refere ao Plano Diretor, segundo o autor, isso significa tratar a cidade em sua totalidade, e n&atilde;o apenas as &aacute;reas hist&oacute;ricas.</p>     <p>Portanto, &ldquo;&eacute; preciso, por um lado, atender aos interesses econ&ocirc;micos e, por outro, proporcionar um crescimento urbano de forma mais equilibrada e sustent&aacute;vel. Os interesses imobili&aacute;rios e o crescimento desordenado n&atilde;o podem superar a fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade&rdquo; (Leiva; <i>et al</i>, 2015, p.154).</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="5">     ]]></body>
<body><![CDATA[<li><b> A produ&ccedil;&atilde;o de desigualdades em detrimento de diferentes n&iacute;veis de valoriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano</b></li>     </ol>     <p>No contexto de uma cidade hist&oacute;rica, alguns aspectos a respeito dos diferentes n&iacute;veis de valoriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano podem ser citados, para que, a partir deles, se compreenda as desigualdades presentes em diferentes espa&ccedil;os urbanos como o Centro e periferia. Entre estes aspectos, podem ser citados, por exemplo, a influ&ecirc;ncia do tombamento, do turismo, da paisagem urbana, da paisagem cultural, do com&eacute;rcio, do transporte, eventos e festas.</p>     <p>A partir do tombamento, as &aacute;reas das cidades hist&oacute;ricas preservadas passaram a ter nova visibilidade, e consequentemente a atrair mais turistas. O turismo traz consigo consequ&ecirc;ncias positivas (a atra&ccedil;&atilde;o de renda e a gera&ccedil;&atilde;o de empregos, por exemplo), e negativas. A respeito destas consequ&ecirc;ncias negativas, Coriolano, Barbosa e Sampaio (2010, p. 45-46), ressaltam o cerne da &eacute;tica burguesa existente no turismo, que tem &ldquo;base urbana, elitista e consumista&rdquo;. Para as autoras, deve-se considerar a n&iacute;tida contradi&ccedil;&atilde;o entre aqueles que desfrutam do turismo daqueles que trabalham e/ou residem no mesmo ambiente. Os espa&ccedil;os tur&iacute;sticos tendem a ser supervalorizados, em decorr&ecirc;ncia da sua mercantiliza&ccedil;&atilde;o, pois ali se encontram turistas que buscam por melhores condi&ccedil;&otilde;es de hospedagem, bons restaurantes e atividades de lazer. Assim &ldquo;o turismo produz &lsquo;ilhas de prosperidade&rsquo; em conflito com espa&ccedil;os marginais, fazendo emergir contradi&ccedil;&otilde;es, as mais diversas, especialmente de ordem espacial, social, cultural e econ&ocirc;mica&rdquo;. Entre a rela&ccedil;&atilde;o turismo e urbaniza&ccedil;&atilde;o, segundo Coriolano, Barbosa e Sampaio (2010, p. 45-46), &ldquo;tem-se o elemento que contribui, cada vez mais fortemente, na (re)produ&ccedil;&atilde;o socioespacial de lugares tur&iacute;sticos, gerando din&acirc;micas de sociedades modernas - pol&iacute;ticas indutoras de macromudan&ccedil;as socioespaciais, pelo capital imobili&aacute;rio&rdquo;. Os processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o, consumo, competitividade e especula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o caracter&iacute;sticas de uma sociedade capitalista. Dessa forma, o turismo intensifica tais movimentos e processos atrav&eacute;s da indu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e consumo em lugares mais economicamente atrativos. Consequentemente, as &aacute;reas tombadas nas cidades hist&oacute;ricas passaram a ser financeiramente inacess&iacute;veis &agrave;s classes mais baixas da popula&ccedil;&atilde;o, produzindo a desigualdade entre aqueles que podem desfrutar dos pre&ccedil;os praticados nas &aacute;reas tur&iacute;sticas, e aqueles que se veem for&ccedil;ados a se deslocar para &aacute;reas perif&eacute;ricas.</p>     <p>Pode-se fazer uma analogia com o tipo de cidade que Vainer (2000, p.78) insere em seu contexto de Planejamento Estrat&eacute;gico Urbano, onde &ldquo;a cidade &eacute; uma mercadoria a ser vendida&rdquo;. O autor coloca que o que se vende quando se p&otilde;e &agrave; venda uma cidade, depender&aacute; de quem se tem em vista como comprador, de acordo com suas caracter&iacute;sticas. No caso das cidades hist&oacute;ricas, busca-se atividades culturais e de lazer que, consequentemente atraem visitantes e usu&aacute;rios &ldquo;compradores&rdquo; destes produtos. Vale ressaltar que, segundo Vainer (2000, p.82), a transforma&ccedil;&atilde;o da cidade em mercadoria repercute sobre a sociedade economicamente menos favorecida, uma vez que a &ldquo;mercadoria-cidade tem um p&uacute;blico consumidor muito espec&iacute;fico e qualificado&rdquo;. Este p&uacute;blico concentra os grupos de elite, detentores de capital, que s&atilde;o potenciais compradores na cidade, exemplificado pelo autor como visitantes e usu&aacute;rios solv&aacute;veis (VAINER, 2000, p.82). A partir desta discuss&atilde;o questiona-se quanto &agrave;queles indiv&iacute;duos e grupos que n&atilde;o t&ecirc;m solvabilidade para adquirir esse produto de poss&iacute;vel acesso &agrave; elite. Portanto, pode-se perceber a segrega&ccedil;&atilde;o social quanto &agrave;s atividades nas cidades hist&oacute;ricas nas quais concentram no Centro Hist&oacute;rico.</p>     <p>De acordo com Vergara-Constela e Casellas (2016, p.127), atrav&eacute;s do interesse nas cidades de institutos/organiza&ccedil;&otilde;es patrimoniais e culturais, como o IPHAN e a UNESCO, as cidades t&ecirc;m revalorizado o significado de patrim&ocirc;nio urbano. O resultado, segundo os autores, &eacute; a identifica&ccedil;&atilde;o de um potencial econ&ocirc;mico do patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico vinculado &agrave; sua explora&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica. Vale ser mencionado o reconhecimento do valor hist&oacute;rico de um bem, ou de um conjunto, de determinada &aacute;rea da cidade, por institutos/organiza&ccedil;&otilde;es patrimoniais e culturais, transformando-o em patrim&ocirc;nio oficial p&uacute;blico. Tal a&ccedil;&atilde;o traz consigo um custo oneroso de manuten&ccedil;&atilde;o dos im&oacute;veis e os propriet&aacute;rios, muitas vezes, ficam impossibilitados de arcar com tal despesa. Dessa forma, ap&oacute;s serem vendidos, o espa&ccedil;o passa a ter outras fun&ccedil;&otilde;es. Estas consequ&ecirc;ncias fazem com que o morador destas &aacute;reas, que ainda possu&iacute;a condi&ccedil;&otilde;es de resistir, n&atilde;o tivesse mais possibilidade de continuar a morar no local. O morador vende o im&oacute;vel que vai ter outro uso, caracterizando, portanto, o centro hist&oacute;rico como um local primordialmente tur&iacute;stico, comercial e de servi&ccedil;os. Pode ser mencionado, por exemplo, a transforma&ccedil;&atilde;o dos antigos im&oacute;veis em hot&eacute;is, centros culturais, restaurantes, lojas de lembran&ccedil;as (Leite, 2013, p.167; Vergara-Constela e Casellas, 2016, p.127). Portanto, pode-se conjecturar que tais fen&ocirc;menos podem intensificar o processo da gentrifica&ccedil;&atilde;o e da segrega&ccedil;&atilde;o territorial.</p>     <p>Em cidades hist&oacute;ricas que passam por estes processos, segundo Leite (2013, p.184), surgem a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial e ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares. Leiva; <i>et al</i> (2015, p.154) destacam a que ocupa&ccedil;&atilde;o irregular tem aumentado em raz&atilde;o da aus&ecirc;ncia do devido controle urban&iacute;stico e regulariza&ccedil;&atilde;o. Vale destacar dois aspectos. O primeiro, h&aacute;, por um lado, um Centro Hist&oacute;rico concentrado de aten&ccedil;&atilde;o por parte do Poder P&uacute;blico, equipado de edifica&ccedil;&otilde;es comerciais, hoteleiras e restaurantes, que recebe investimentos e atividades econ&ocirc;micas, ocupado por visitantes e usu&aacute;rios com condi&ccedil;&otilde;es financeiras para usufruir de tal. Por outro lado, h&aacute; uma periferia negligenciada e descuidada, com poucas atividades comerciais, e ocupada, em grande parte, de forma irregular por aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&atilde;o de permanecer residentes no Centro. Dessa forma, a partir destes diferentes n&iacute;veis de valoriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano somado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de desigualdades sociais, tem-se como consequ&ecirc;ncia para o cen&aacute;rio urbano o comprometimento da paisagem da cidade al&eacute;m do impacto, principalmente na sociedade menos favorecida economicamente, em raz&atilde;o da desordenada apropria&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares.</p>     <p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica &ndash; IBGE no censo de 2017, em pesquisa do perfil dos Munic&iacute;pios de Serro, Diamantina, Tiradentes, S&atilde;o Jo&atilde;o del Rei, Ouro Preto e Mariana, a respeito das habita&ccedil;&otilde;es, fez-se um levantamento da presen&ccedil;a/ aus&ecirc;ncia de favelas, corti&ccedil;os e loteamento irregulares, como pode ser observado no <a href="#q1">quadro a seguir</a>:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a03q1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Pode-se perceber alguma das mazelas presentes em Diamantina como a presen&ccedil;a de favelas, corti&ccedil;os e loteamentos irregulares e clandestinos. O IBGE n&atilde;o aponta loteamentos irregulares no Munic&iacute;pio, no entanto, de acordo com documentos oficiais atualizados da Prefeitura Municipal de Diamantina (2018), h&aacute; alguns loteamentos irregulares, considerando a sede e os distritos (Quadro 1). Para o presente trabalho, interessa apenas o distrito sede. A Prefeitura informou que n&atilde;o possui dados num&eacute;ricos a respeito da quest&atilde;o, no entanto, aponta alguns nomes de loteamentos irregulares do distrito sede, que s&atilde;o: Condom&iacute;nio Bicas, Loteamento Quinto do Ouro, Condom&iacute;nio Taj Mahal, Condom&iacute;nio Villa Piet&aacute;, loteamento Vale dos Diamantes, Bairro Campo Belo e, os clandestinos s&atilde;o o Bairro Prata e o loteamento S&atilde;o Luiz (Prefeitura Municipal De Diamantina, 2018). Dessa forma, percebe-se que em Diamantina a irregularidade n&atilde;o se concentra apenas em bairros de baixo padr&atilde;o.</p>     <p>A t&iacute;tulo exemplificativo pode-se citar a hist&oacute;rica Diamantina, munic&iacute;pio de Minas Gerais, que come&ccedil;ou a se desenvolver no s&eacute;culo XVIII, devido &agrave; explora&ccedil;&atilde;o mineral. Inicialmente conhecida como Arraial do Tijuco, Diamantina teve o seu crescimento despertado pela descoberta de diamantes na regi&atilde;o, e recebeu, em 1831, e por esta raz&atilde;o, sua denomina&ccedil;&atilde;o atual. Ainda hoje &eacute; poss&iacute;vel visitar, no centro hist&oacute;rico de Diamantina, edifica&ccedil;&otilde;es do per&iacute;odo colonial, incluindo as igrejas constru&iacute;das nos s&eacute;culos XVIII e XIX, e na primeira metade do s&eacute;culo XX (<a href="#f1">Figura 1</a>). A cidade ainda preserva tradi&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; religi&atilde;o, ao folclore e &agrave; m&uacute;sica. Por estas raz&otilde;es, o tombamento da cidade pelo Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (IPHAN) ocorreu em 1938, juntamente com Serro, Ouro Preto, Mariana, S&atilde;o Jo&atilde;o del Rei e Tiradentes, e, mais tarde, em 1999, foi considerada pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (UNESCO)<a href="#_ftn9" name="_ftnref9"><sup><sup>[9]</sup></sup></a>, como Patrim&ocirc;nio Cultural da Humanidade (Albuquerque, 2012, p.207).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a03f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Diamantina passou por um processo de valoriza&ccedil;&atilde;o do Centro Hist&oacute;rico, trazendo consigo movimentos de transforma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e da paisagem urbana, como um alto grau de ocupa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea central e a expans&atilde;o de novas &aacute;reas. Isto corrobora a afirma&ccedil;&atilde;o de Silveira, Silva e Silva (2015, p.29), quando dizem que estas t&ecirc;m sido ocupadas por novas edifica&ccedil;&otilde;es, condom&iacute;nios e loteamentos de m&eacute;dia e alta renda, atrav&eacute;s de pr&aacute;ticas estabelecidas a partir do interesse dos diversos atores. Um destes atores que influenciou e influencia na expans&atilde;o de novas &aacute;reas da cidade foi a implanta&ccedil;&atilde;o das universidades UFVJM e UEMG. De acordo com Carvalho e Mendes (2014, p.232), a presen&ccedil;a de estudantes, docentes, funcion&aacute;rios e novos investidores aumentou a demanda de moradias, que al&eacute;m de ocupar o Centro Hist&oacute;rico, aumentou o crescimento urbano perif&eacute;rico. Novos loteamentos e bairros foram criados ao longo das estradas que s&atilde;o rotas para a UFVJM, como o loteamento Quinto do Ouro, em 2008, o Jardim Imperial, em 2010 e o condom&iacute;nio Taj Mahal, em 2011. Outros atores tamb&eacute;m influenciaram a expans&atilde;o de novas &aacute;reas ao longo do tempo, de modo que modifica&ccedil;&otilde;es da mancha urbana, como novas edifica&ccedil;&otilde;es, novos loteamentos e bairros,&nbsp; podem ser percebidas pela <a href="#f2">Figura 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a03f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No eixo de expans&atilde;o a Oeste da cidade, pode ser identificada a presen&ccedil;a de investimentos imobili&aacute;rios no setor de habita&ccedil;&atilde;o de alto valor. De acordo com a Imobili&aacute;ria Solar (2018), Sentinela Im&oacute;veis (2019) e Camale&atilde;o Corretora Imobili&aacute;ria (2019), o valor do lote nos bairros Taj Mahal e Bicas, por exemplo, situados nesse eixo, &eacute; similar a alguns bairros situados em uma regi&atilde;o mais pr&oacute;xima ao Centro, como o Bairro Jardim Imperial e Bairro F&aacute;tima, ambos de m&eacute;dia-alta renda. Os valores de compra dos lotes no Taj Mahal s&atilde;o em torno de R$300,00 o metro quadrado, com lotes de 1.000 metros quadrados; no Condom&iacute;nio Bicas, um lote de 400m&sup2; &eacute; anunciado em 2019 no valor de R$ 100.000,00; no Jardim Imperial o valor &eacute; cerca de R$250,00 o metro quadrado, com &aacute;rea de 300 a 400 metros quadrados. Em rela&ccedil;&atilde;o ao Centro, os valores variam entre R$1.000,00 e R$3.000,00 o metro quadrado, j&aacute; com a edifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea entre 90 e 400 metros quadrados. O valor do aluguel nestes bairros tamb&eacute;m &eacute; similar. Nos bairros F&aacute;tima e Jardim Imperial, o aluguel de um apartamento de 2 quartos &eacute; em torno de R$1.000,00 bem como o valor de aluguel de uma casa de 2 quartos no Centro. Os bairros citados neste par&aacute;grafo s&atilde;o os de mais alto padr&atilde;o em Diamantina.</p>     <p>A expans&atilde;o de novas &aacute;reas em Diamantina, no entanto, tamb&eacute;m apresenta certa precariza&ccedil;&atilde;o, como irregularidades perante a legisla&ccedil;&atilde;o urbana, exemplificada pela ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada da Serra dos Cristais<a href="#_ftn10" name="_ftnref10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a> <a href="#_ftn11" name="_ftnref11"><sup><sup>[11]</sup></sup></a>, onde predomina habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias<a href="#_ftn12" name="_ftnref12"><sup><sup>[12]</sup></sup></a> e sem infraestrutura adequada (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f5">Figura 5</a>). Varaj&atilde;o (2015) afirma que</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a03f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a03f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a03f5.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&ldquo;ainda que a forma&ccedil;&atilde;o urbana do Arraial do Tijuco tenha sido peculiar e, portanto, justifique o reconhecimento que Diamantina atualmente det&eacute;m pelo seu patrim&ocirc;nio cultural, a cidade lamentavelmente reproduziu diversas mazelas comuns a muitas outras aglomera&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses em desenvolvimento. A concentra&ccedil;&atilde;o de investimentos nas &aacute;reas centrais e a expans&atilde;o perif&eacute;rica espont&acirc;nea acirraram o dualismo existente entre a cidade formalmente planejada e a irregular. Reverter a situa&ccedil;&atilde;o aqui esbo&ccedil;ada ou, ao menos, interromper o agravamento da mesma, &eacute; um grande desafio para o planejamento urbano&rdquo; (Varaj&atilde;o, 2015, p.136-137).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Observa-se, em Diamantina, que sua periferia apresenta, em grande parte, uma popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda e espa&ccedil;os desvalorizados. Isto se deve principalmente aos processos de mercantiliza&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio e do turismo ocorridos no Centro Hist&oacute;rico, que levaram a uma valoriza&ccedil;&atilde;o do mesmo, ocasionando fen&ocirc;menos urbanos como a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial.</p>     <p>A migra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea central e valorizada para uma &aacute;rea perif&eacute;rica e precarizada, atinge predominantemente a parcela da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. Dessa forma, esta popula&ccedil;&atilde;o acaba residindo em favelas, &aacute;reas desvalorizadas, e/ou &aacute;reas perif&eacute;ricas, e acaba at&eacute; mesmo for&ccedil;ada a criar ou ampliar ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares. Esses exemplos retratam os fen&ocirc;menos de periferiza&ccedil;&atilde;o, bem como gentrifica&ccedil;&atilde;o. Trata-se de uma disputa por localiza&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o urbano e uma luta de classes, na qual se envolvem os sistemas econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos pela classe dominante.</p> <ol start="6">     <li><b> Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></li>     </ol>     <p>Diamantina possui diferentes n&iacute;veis de valoriza&ccedil;&atilde;o entre o Centro e a periferia. Enquanto se tem o Centro Hist&oacute;rico equipado e com a concentra&ccedil;&atilde;o de investimentos e atividades econ&ocirc;micas, sobretudo o turismo, tem-se a periferia com descaso ou desaten&ccedil;&atilde;o enquanto espa&ccedil;o urbano. Atrav&eacute;s da concentra&ccedil;&atilde;o de investimentos e atividades no Centro, tem-se como consequ&ecirc;ncia a valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria que impulsiona movimentos de transforma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e expans&atilde;o perif&eacute;rica de forma desorganizada ou n&atilde;o planejada. Dessa forma, a valoriza&ccedil;&atilde;o de diferentes espa&ccedil;os em diferentes n&iacute;veis pode trazer como consequ&ecirc;ncia a gentrifica&ccedil;&atilde;o e a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial nas cidades hist&oacute;ricas.</p>     <p>Portanto, a compreens&atilde;o das formas de produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano &eacute; decisiva para o entendimento das desigualdades urbanas. O espa&ccedil;o urbano deve ser compreendido em sua totalidade, e n&atilde;o em um espa&ccedil;o fragmentado como centro e periferia, &aacute;rea hist&oacute;rica e &aacute;reas marginais.</p>     <p>A concentra&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o e investimentos nas &aacute;reas centrais e a expans&atilde;o perif&eacute;rica espont&acirc;nea contribuem para o dualismo existente entre a cidade formalmente planejada e a cidade irregular. Reverter a atual situa&ccedil;&atilde;o ou, ao menos, reduzir o agravamento da mesma, &eacute; um grande desafio para o planejamento urbano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por um lado, tem-se o interesse econ&ocirc;mico imobili&aacute;rio e, por outro, a necessidade da redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade socioespacial. Entretanto, o cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade deve ser considerado e n&atilde;o pode ser superado pelo interesse imobili&aacute;rio e pelo crescimento desordenado. &Eacute; preciso utilizar os instrumentos de ordena&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, de modo a impedir a segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial, a gentrifica&ccedil;&atilde;o, fen&ocirc;menos que geram impactos sobre a paisagem cultural e sobre a sociedade.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="7">     <li><b> Refer&ecirc;ncias</b></li>     </ol>     <!-- ref --><p>ALBUQUERQUE, Fernanda de Alencar Machado. Diamantina: Patrim&ocirc;nio Cultural da Humanidade.&nbsp;<i>Disegnarecon</i>, v.5, n.10, p. 207-210, nov. 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765579&pid=S2182-1267201900030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ASCHER, Fran&ccedil;ois. <i>Metapolis</i>: acerca do futuro da cidade. Oeiras: Celta Editora, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765581&pid=S2182-1267201900030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BONIZZATO, Luigi. <i>A Constitui&ccedil;&atilde;o Urban&iacute;stica e elementos para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma teoria do Direito Constitucional Urban&iacute;stico</i>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765583&pid=S2182-1267201900030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BRASIL. [Constitui&ccedil;&atilde;o (1988)]. <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988</i>. Bras&iacute;lia, DF: Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765585&pid=S2182-1267201900030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CAMALE&Atilde;O CORRETORA IMOBIL&Aacute;RIA. <i>Im&oacute;veis</i>: Compra e venda. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://camaleaoimoveis.com.br/imovel/lote-urbano-plano-situado-na-entrada-do-cond-bicas-excelente-localizacao/" target="_blank">https://camaleaoimoveis.com.br/imovel/lote-urbano-plano-situado-na-entrada-do-cond-bicas-excelente-localizacao/</a>. Acesso em: 15 set. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765587&pid=S2182-1267201900030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CARVALHO, Elizabeth Sales de; MENDES, Evandro Rocha. <i>Diamantina</i>: Serra dos Cristais. In: INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIM&Ocirc;NIO HIST&Oacute;RICO E ART&Iacute;STICO DE MINAS GERAIS &ndash; IEPHA/MG (ed). <i>Guia de Bens Tombados IEPHA/MG</i>. 2. ed. Belo Horizonte: IEPHA/MG, 2014, p.231-234.</p>     <!-- ref --><p>CASTRIOTA, Leonardo Barci. Plano diretor e reabilita&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas centrais e s&iacute;tios hist&oacute;ricos. In: BRASIL. <i>Plano diretor participativo</i>: guia para elabora&ccedil;&atilde;o pelos munic&iacute;pios e cidad&atilde;os. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio das Cidades, 2004. p.53â€‘58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765590&pid=S2182-1267201900030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CORIOLANO, Luzia Neide Menezes Teixeira; BARBOSA, Luciana Maciel; SAMPAIO, Camila Freire. Veraneio, turismo e especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria no Porto das Dunas &ndash; Litoral Cearense. <i>Aportes y Transferencias</i>, v. 14, n. 1, p.43-58, 2010.</p>     <!-- ref --><p>COSTA, Everaldo Batista da. Da valoriza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o articulada do territ&oacute;rio urbano: a cidade hist&oacute;rica para al&eacute;m dos limites do tombamento. <i>GEOUSP</i>, S&atilde;o Paulo, n. 28, p.9-32, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765593&pid=S2182-1267201900030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>DIDIER JUNIOR, Fredie. <i>A fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade e a tutela processual da posse</i>. 2008. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.direito.mppr.mp.br/arquivos/File/Politica_Agraria/3diderjrfuncaosocial.pdf" target="_blank">http://www.direito.mppr.mp.br/arquivos/File/Politica_Agraria/3diderjrfuncaosocial.pdf</a>. Acesso em: 02 fev. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765595&pid=S2182-1267201900030000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FIDELIS, Vinicius Paulino; UMBELINO, Glauco. An&aacute;lise da expans&atilde;o urbana em Diamantina entre 2011 e 2014. In: SEMIN&Aacute;RIO SOBRE A ECONOMIA MINEIRA, 17, <i>Anais do XVII Semin&aacute;rio sobre a Economia Mineira</i>. Diamantina: CEDEPLAR, v. 2, 2016. p.1-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765597&pid=S2182-1267201900030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GON&Ccedil;ALVES, Juliano Costa. <i>A especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria na forma&ccedil;&atilde;o de loteamentos urbanos</i>: um estudo de caso. Rio de Janeiro: E-papers, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765599&pid=S2182-1267201900030000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARVEY, David. <i>Cidades rebeldes</i>: do direito &agrave; cidade &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o urbana. S&atilde;o Paulo: Martins, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765601&pid=S2182-1267201900030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>IBGE &ndash; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT&Iacute;STICA. <i>MUNIC - Plano dos Munic&iacute;pios Brasileiros</i>. 2017. Dispon&iacute;vel em:<a href="https://cidades.ibge.gov.br/" target="_blank">https://cidades.ibge.gov.br/</a>.Acesso em: 25 jul. 2018.</p>     <p>IEPHA &ndash; Instituto Estadual do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico de Minas Gerais. <i>Serra dos Cristais</i>. 2016. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/programas-e-acoes/patrimonio-cultural-protegido/bens-tombados/details/1/100/bens-tombados-serra-dos-cristais" target="_blank">http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/programas-e-acoes/patrimonio-cultural-protegido/bens-tombados/details/1/100/bens-tombados-serra-dos-cristais</a>. Acesso em: 06 maio 2019</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>IMOBILI&Aacute;RIA SOLAR. <i>Pesquisa de lotes para venda</i>. 2018. Dispon&iacute;vel em:<a href="https://imobiliariasolar.com/#" target="_blank">https://imobiliariasolar.com/#</a>. Acesso em: 10 jul. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765605&pid=S2182-1267201900030000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEITE, Rogerio Proen&ccedil;a. Consuming heritage. Vibrant, Bras&iacute;lia, v. 10, n. 1, p.165-189, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765607&pid=S2182-1267201900030000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEIVA, Guilherme. et al. An&aacute;lise da &aacute;rea de expans&atilde;o urbana do munic&iacute;pio de Diamantina. In: SATHLER, Douglas; AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno; VARAJ&Atilde;O, Guilherme Fortes Drummond Chicarino (org.). <i>Cidades m&eacute;dias</i>: Bases te&oacute;ricas e estudos aplicados a Diamantina, MG. Belo Horizonte: Fino Tra&ccedil;o. 2015. p. 135-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765609&pid=S2182-1267201900030000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>LPA &ndash; Laborat&oacute;rio de Popula&ccedil;&atilde;o e Ambiente. <i>Geotecnologias aplicadas ao Cadastro Multifinalit&aacute;rio de Diamantina</i>. Relat&oacute;rio de pesquisa (circula&ccedil;&atilde;o restrita). Diamantina: LPA/CEGEO/UFVJM, 2016.</p>     <!-- ref --><p>MENDES, Lu&iacute;s. Cidade p&oacute;s-moderna, gentrifica&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o social do espa&ccedil;o fragmentado. <i>Cadernos Metr&oacute;pole</i>, S&atilde;o Paulo, v. 13, n. 26, p. 473-495, jul./dez. 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765612&pid=S2182-1267201900030000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, Paulo Cesar Xavier. Din&acirc;mica imobili&aacute;ria e metropoliza&ccedil;&atilde;o: a nova l&oacute;gica do crescimento urbano em S&atilde;o Paulo. <i>Scripta Nova</i>, Barcelona, v. 10, n. 194, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765614&pid=S2182-1267201900030000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PREFEITURA MUNICIPAL DE DIAMANTINA. <i>Loteamentos urbanos</i>: fiscaliza&ccedil;&atilde;o entre 07 e 08 de novembro de 2017. 2018. Slides.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765616&pid=S2182-1267201900030000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PRIMO, Judite. Museologia e patrim&ocirc;nio: documentos fundamentais &ndash; organiza&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o. <i>Cadernos de Sociomuseologia</i>, Lisboa, n. 15, p.193-196, 1999.</p>     <!-- ref --><p>RUFINO, Maria Beatriz Cruz. Transforma&ccedil;&atilde;o da periferia e novas formas de desigualdades nas metr&oacute;poles brasileiras: um olhar sobre as mudan&ccedil;as na produ&ccedil;&atilde;o habitacional. <i>Cadernos Metr&oacute;pole</i>, v. 18, n. 35, p.217-236, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765619&pid=S2182-1267201900030000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Milton. <i>A Urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765621&pid=S2182-1267201900030000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SENTINELA IM&Oacute;VEIS. <i>Im&oacute;veis em Diamantina</i>. Galax Im&oacute;veis. 2019. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.galaximoveis.com.br/buscar-imoveis/todos-tipos/mg/diamantina/todos-bairros/0/1/53/0/40/br/mais-favoritados/0/0/0/-/0-0" target="_blank">http://www.galaximoveis.com.br/buscar-imoveis/todos-tipos/mg/diamantina/todos-bairros/0/1/53/0/40/br/mais-favoritados/0/0/0/-/0-0</a>. Acesso em: 17 jul. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765623&pid=S2182-1267201900030000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SOUZA, Kelly Diniz de; FARIA, Teresa Cristina de Almeida, STEPHAN, &Iacute;talo Itamar Caixeiro. Processo de Forma&ccedil;&atilde;o Socioespacial de Pequenas Cidades: o caso de Serro. <i>Oculum Ensaios</i>, Campinas v. 12, n. 1, p.141-155, jan./ fev. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765625&pid=S2182-1267201900030000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VAINER, Carlos Bernardo. P&aacute;tria, empresa e mercadoria: Notas sobre a estrat&eacute;gia discursiva do Planejamento Estrat&eacute;gico Urbano. In: ARANTES, Ot&iacute;lia; VAINER, Carlos Bernardo; MARICATO, Erm&iacute;nia. <i>A cidade do pensamento &uacute;nico</i>: desmanchando consensos. Petr&oacute;polis, RJ. Vozes. 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765627&pid=S2182-1267201900030000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VARAJ&Atilde;O, Guilherme Fortes Drummond Chicarino. <i>Por uma geografia de Diamantina-MG</i>. 2015. Tese (Doutorado em Geografia), Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765629&pid=S2182-1267201900030000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERGARA-CONSTELA, Carlos; CASELLAS, Antonia. Pol&iacute;ticas estatales y transformaci&oacute;n urbana: &iquest;hacia un proceso de gentrificaci&oacute;n en Valpara&iacute;so, Chile?. <i>EURE</i>, Santiago, v. 42, n. 126, 2016. p.123-144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765631&pid=S2182-1267201900030000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VILLA&Ccedil;A, Fl&aacute;vio. <i>Reflex&otilde;es sobre as cidades brasileiras</i>. S&atilde;o Paulo: Studio Nobel, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1765633&pid=S2182-1267201900030000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Cabe aqui tecer uma importante observa&ccedil;&atilde;o, no que se refere &agrave; ado&ccedil;&atilde;o do termo &ldquo;cidades hist&oacute;ricas&rdquo; no presente trabalho. Em que pese a amplitude do termo adotada pela Carta de Washington, que considera as cidades como hist&oacute;ricas como um resultado da evolu&ccedil;&atilde;o das mesmas, englobando, portanto, toda e qualquer cidade (PRIMO, 1999, p.193-196), parte-se aqui de uma vis&atilde;o mais espec&iacute;fica. Aqui a terminologia refere-se &agrave; cidade submetida a tombamento, e que consequentemente recebe um tratamento especial com a finalidade de conservar amplamente a mem&oacute;ria local.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> O termo &ldquo;valoriza&ccedil;&atilde;o&rdquo; trata-se de conferir mais destaque e aten&ccedil;&atilde;o de uma regi&atilde;o da cidade perante outra. Destaque e aten&ccedil;&atilde;o no sentido de mais investimentos, atividades, turismo, fiscaliza&ccedil;&atilde;o, interesse econ&ocirc;mico imobili&aacute;rio, comercial e cultural. A respeito das Cidades Hist&oacute;ricas, geralmente tem-se maior valoriza&ccedil;&atilde;o no Centro Hist&oacute;rico em detrimento outra &aacute;rea.&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Para este trabalho, o termo &ldquo;periferia&rdquo; ser&aacute; definida como a &aacute;rea concentrada fora do centro da cidade, mas dentro do per&iacute;metro urbano. Para as abordagens de cidades hist&oacute;ricas, periferia trata-se da &aacute;rea concentrada fora do Centro Hist&oacute;rico.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Assim como Villa&ccedil;a (2012, p.46) afirma, &ldquo;a forma mais tradicional do estudo da segrega&ccedil;&atilde;o urbana &eacute; aquela que aborda o centro <i>versus</i> periferia urbanos&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> A fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade &eacute; norma constitucional que baliza o direito de propriedade privada, fazendo com que esta atenda a um &ldquo;fim espec&iacute;fico, que, no caso, corresponde ao interesse coletivo e n&atilde;o ao interesse do pr&oacute;prio dono &ndash; embora, nada impe&ccedil;a que possam conviver harmonicamente&rdquo;. Assim, toda e qualquer quest&atilde;o envolvendo o direito de propriedade deve se pautar em uma interpreta&ccedil;&atilde;o que garanta a prote&ccedil;&atilde;o dos interesses sociais (DIDIER JUNIOR, 2008, p.7-8).</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Artigo 5&ordm;, inciso XXIII da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil (BRASIL, 1988).</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Artigo 182 da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil (BRASIL, 1988).</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Entre os instrumentos de &ldquo;ataque a pr&aacute;ticas imobili&aacute;rias especulativas&rdquo; est&atilde;o: a utiliza&ccedil;&atilde;o, o parcelamento e edifica&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;rios, o imposto sobre a propriedade territorial urbana (IPTU) progressivo no tempo e a desapropria&ccedil;&atilde;o com pagamento em t&iacute;tulos&rdquo; (BONIZZATO, 2010, p. 14-15).</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Acr&ocirc;nimo de <i>United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> A Serra dos Cristais, tamb&eacute;m conhecida como Serra do Rio Grande, foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico de Minas Gerais (IEPHA) em 2010 (IEPHA, 2016). Portanto, pode-se perceber que tamb&eacute;m &eacute; uma &aacute;rea irregular do ponto de vista patrimonial.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Em meados de 1970, ocupa&ccedil;&otilde;es desordenadas de habita&ccedil;&otilde;es se tornaram vis&iacute;veis (CARVALHO; MENDES, 2014, p.231). Resid&ecirc;ncias de pequenas dimens&otilde;es e de constru&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria passaram a ocupar os maci&ccedil;os de pedras utilizando-as como os pr&oacute;prios alicerces das edifica&ccedil;&otilde;es. O bairro do Rio Grande, inicialmente povoado apenas na base da Serra, pr&oacute;ximo &agrave;s margens do Rio, se adensou rapidamente e, a partir da d&eacute;cada de 1980, constru&ccedil;&otilde;es foram instaladas al&eacute;m dos limites das margens no sentido da parede da Serra.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Aqui entendidas por apresentar um aspecto construtivo prec&aacute;rio e, em algumas regi&otilde;es, como o Bairro Rio Grande, sem infraestrutura adequada, como saneamento b&aacute;sico.</p>      ]]></body><back>
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