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<publisher-name><![CDATA[Universidade do Porto - Faculdade de Letras]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Impactos da indústria do petróleo e a condição de injustiça ambiental nas cidades pequenas petrorentistas de Carapebus e Quissamã]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Impacts of the oil industry and the condition of environmental injustice in the small petrorentistas cities of Carapebus and Quissamã]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present text proposes to analyze the impacts of the oil industry and the promotion of environmental justice on the urban space of Carapebus and Quissamã, small cities located in the North Fluminense, mesoregion of Rio de Janeiro state. Between the years 2000 and 2018, these cities received large transfers of oil rents, which, at least in theory, could provide mitigation of demands related to the population increase of more than 77% during this period. Seeking to contribute to the studies related to the small towns impacted by the oil industry in the Campos Basin, the condition of environmental injustice in the new axes of urban expansion in the municipal headquarters of Carapebus and Quissamã.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Impactos da Indústria do Petróleo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Justiça Ambiental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e a condi&ccedil;&atilde;o de injusti&ccedil;a ambiental nas cidades pequenas petrorentistas de Carapebus e Quissam&atilde;</b></p>     <p><b>Impacts of the oil industry and the condition of environmental injustice in the small petrorentistas cities of Carapebus and Quissam&atilde;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Neves, Rafael</b><sup>1</sup>;<b> Faria,&nbsp;Teresa</b><sup>1</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><i> Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro/UENF</i></p>     <p>Av. Alberto Lamego, n&ordm; 2000, Pq. Calif&oacute;rnia, Cep 28013-602, Campos dos Goytacazes, Brasil <a href="mailto:rafaelmneves@hotmail.com">rafaelmneves@hotmail.com</a>&nbsp;;&nbsp;<a href="mailto:teresa.uenf@gmail.br">teresa.uenf@gmail.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente texto prop&otilde;e analisar os impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e a promo&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a ambiental sobre o espa&ccedil;o urbano de Carapebus e de Quissam&atilde;, cidades pequenas localizadas no Norte Fluminense, mesorregi&atilde;o do estado do Rio de Janeiro. Entre os anos 2000 at&eacute; 2018, tais cidades receberam vultosos repasses de rendas petrol&iacute;feras, que ao menos em tese, poderiam proporcionar a mitiga&ccedil;&atilde;o das demandas relacionadas ao incremento populacional superior a 77% nesse per&iacute;odo. Procurando contribuir com os estudos relacionados &agrave;s cidades pequenas impactadas pela ind&uacute;stria do petr&oacute;leo na Bacia de Campos, evidencia-se a condi&ccedil;&atilde;o de injusti&ccedil;a ambiental em novos eixos de expans&atilde;o urbana nas sedes municipais de Carapebus e de Quissam&atilde;.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Impactos da Ind&uacute;stria do Petr&oacute;leo; Justi&ccedil;a Ambiental; Cidades Pequenas; Carapebus; Quissam&atilde;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The present text proposes to analyze the impacts of the oil industry and the promotion of environmental justice on the urban space of Carapebus and Quissam&atilde;, small cities located in the North Fluminense, mesoregion of Rio de Janeiro state. Between the years 2000 and 2018, these cities received large transfers of oil rents, which, at least in theory, could provide mitigation of demands related to the population increase of more than 77% during this period. Seeking to contribute to the studies related to the small towns impacted by the oil industry in the Campos Basin, the condition of environmental injustice in the new axes of urban expansion in the municipal headquarters of Carapebus and Quissam&atilde;.</p>     <p><b>Keywords</b>: Impacts of the Oil Industry; Environmental Justice; Small Cities; Carapebus; Quissam&atilde;.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p> <ol>     <li><b> Introdu&ccedil;&atilde;o</b></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Brasil, a classifica&ccedil;&atilde;o oficial do que &eacute; uma cidade segue o par&acirc;metro pol&iacute;tico-administrativo, conforme determina&ccedil;&atilde;o v&aacute;lida at&eacute; a elabora&ccedil;&atilde;o deste artigo do Decreto-Lei 311/1938, no qual toda a sede municipal &eacute; considerada uma cidade, sem a observ&acirc;ncia das suas peculiaridades estruturais e funcionais. Cr&iacute;tico dessa perspectiva legal, Veiga (2002) &eacute; um expoente no debate sobre a real propor&ccedil;&atilde;o do urbano no pa&iacute;s, pois entende que os crit&eacute;rios utilizados mascaram a realidade, j&aacute; que nem todas as sedes municipais s&atilde;o necessariamente espa&ccedil;os urbanos. Isso se torna mais latente nas cidades pequenas, onde &eacute; poss&iacute;vel observar o rural para al&eacute;m do campo, ou seja, no dia a dia dos moradores que vivem nessas &ldquo;cidades&rdquo;.</p>     <p>Ainda que na literatura e nos organismos oficiais de diversos pa&iacute;ses propague-se a discuss&atilde;o sobre os crit&eacute;rios de defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; uma cidade, n&atilde;o havendo conven&ccedil;&atilde;o definida, predominam distintos par&acirc;metros, tais como: n&uacute;mero de habitantes, disponibilidade de equipamentos urbanos e decis&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa (Silva; Gomes; Silva, 2009). Nesse sentido, utilizando o crit&eacute;rio populacional, reconhece que as cidades pequenas comp&otilde;em a maior parte da rede urbana nacional. Dentre os 5.570 munic&iacute;pios do pa&iacute;s, a maior parte apresenta popula&ccedil;&atilde;o inferior a 50 mil habitantes, onde vivem aproximadamente 62 milh&otilde;es de brasileiros, popula&ccedil;&atilde;o maior do que a de pa&iacute;ses como Argentina ou Col&ocirc;mbia (Jurado da Silva; Sposito, 2013).</p>     <p>O interesse em pesquisar as cidades pequenas surgiu como forma de contribuir para a revers&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de pouca visibilidade nos estudos urbanos sobre essa categoria de cidades na esfera da academia que, tradicionalmente, prioriza os estudos relacionados &agrave;s cidades m&eacute;dias e grandes (ENDLICH, 2009). Desde a d&eacute;cada de 1980, autores como Milton Santos (1982) e Roberto Lobato Corr&ecirc;a (1989) evidenciaram a relev&acirc;ncia das pesquisas sobre as cidades pequenas. &Eacute; v&aacute;lido destacar que grupos de pesquisa como o GAPERR<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a> e o GPEUR<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a>, entre outros, apresentam abordagens recentes sobre o tema, o que demonstra um esfor&ccedil;o de elevar e manter as cidades pequenas como importante objeto de pesquisa na universidade.</p>     <p>No contexto brasileiro, os entes federados inseridos em &aacute;reas petrol&iacute;feras s&atilde;o beneficiados economicamente pelas regras de divis&atilde;o das rendas obtidas pela explora&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o (E&amp;P) desse hidrocarboneto, que apresenta crescente evolu&ccedil;&atilde;o, sobretudo, ap&oacute;s o in&iacute;cio da explora&ccedil;&atilde;o das reservas localizadas no chamado &ldquo;pr&eacute;-sal<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a>&rdquo;, estabelecidas entre o litoral dos estados do Esp&iacute;rito Santo, Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Paran&aacute;. O pr&eacute;-sal &eacute; considerado uma nova fronteira energ&eacute;tica que concentra as seis maiores reservas descobertas desde 2008 no mundo, elevando o Brasil &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de 6&ordm; pa&iacute;s com maior reserva de petr&oacute;leo (Pessanha, 2017).</p>     <p>Buscando compreender os impactos dessa cadeia produtiva, foi definido com campo privilegiado de observa&ccedil;&atilde;o a primeira &aacute;rea consolidada de E&amp;P, a Bacia de Campos<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a>, localizada no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, mesorregi&atilde;o geogr&aacute;fica do Norte Fluminense, onde os desdobramentos dessa atividade econ&ocirc;mica a partir da d&eacute;cada de 2000, per&iacute;odo em que os munic&iacute;pios brasileiros passaram a receber <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais como compensa&ccedil;&atilde;o &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es ambientais, econ&ocirc;micas e sociais das atividades desenvolvidas pelo setor petrol&iacute;fero. A Bacia de Campos, que j&aacute; chegou a concentrar 84% da produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo nacional, atualmente responde por 45% da produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e 19% da produ&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s natural, sendo ultrapassada em volume de produ&ccedil;&atilde;o pela Bacia de Santos, com predomin&acirc;ncia da E&amp;P em &aacute;reas do pr&eacute;-sal (ANP, 2018).</p>     <p>Dos nove munic&iacute;pios que comp&otilde;em o Norte Fluminense, dois se inserem no debate sobre as cidades pequenas e os impactos das rendas petrol&iacute;feras por apresentarem reduzido contingente populacional e por figurarem entre os munic&iacute;pios que mais recebem repasses das rendas petrol&iacute;feras: Carapebus e Quissam&atilde;. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica &ndash; IBGE (2018), tais munic&iacute;pios apresentam popula&ccedil;&atilde;o e densidade demogr&aacute;fica de 16 mil e 24 mil habitantes, respectivamente 28,40 hab./km&sup2; e 43,36 hab./km&sup2;. A <a href="#f1">Figura 1</a> apresenta a localiza&ccedil;&atilde;o dessas cidades no Estado do Rio de Janeiro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesse cen&aacute;rio, emerge o objetivo desse artigo, que &eacute; o de analisar como Carapebus e Quissam&atilde;, cidades pequenas do Norte Fluminense, foram impactadas em seu espa&ccedil;o urbano pela ind&uacute;stria do petr&oacute;leo &agrave; luz do debate sobre a justi&ccedil;a ambiental, constituindo um exerc&iacute;cio de reconhecimento dos efeitos da ind&uacute;stria petrol&iacute;fera para al&eacute;m das cidades m&eacute;dias polarizadoras da mesorregi&atilde;o: Campos dos Goytacazes e Maca&eacute;. Outras cidades pequenas que poder&atilde;o ser beneficiadas pelas rendas petrol&iacute;feras do pr&eacute;-sal, provavelmente, ter&atilde;o na &aacute;rea mais antiga e historicamente de maior de produ&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, a Bacia de Campos, um importante campo de observa&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias exitosas ou malogradas provenientes das din&acirc;micas dessa cadeia produtiva.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera nessa regi&atilde;o alterou significativamente a sua estrutura econ&ocirc;mica, social e territorial, desdobrando-se em novos e diferentes impactos nos munic&iacute;pios localizados no Norte Fluminense. Tais mudan&ccedil;as iniciaram-se na d&eacute;cada de 1970, quando a Petrobras estabeleceu suas atividades de E&amp;P de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural na plataforma continental no litoral da mesorregi&atilde;o. Maca&eacute; foi definida como base das atividades da Petrobras na Bacia de Campos, transformando-se no polo irradiador das mudan&ccedil;as observadas nessa por&ccedil;&atilde;o territorial (Serra, 2007).</p>     <p>A d&eacute;cada de 1990 foi um per&iacute;odo no qual tais mudan&ccedil;as se mostraram mais intensas. A &ldquo;febre emancipat&oacute;ria&rdquo;<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a>, vivenciada no Brasil a partir da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, tamb&eacute;m apresentou desdobramentos regionais. Dos dez munic&iacute;pios que comp&otilde;em atualmente o Norte Fluminense, quatro tiveram a sua efetiva instala&ccedil;&atilde;o na referida d&eacute;cada<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a>. Por&eacute;m, &eacute; v&aacute;lido destacar que, no caso em tela, o recebimento de <i>royalties</i> da atividade petrol&iacute;fera tamb&eacute;m se configurou em mais um motivo para a emancipa&ccedil;&atilde;o desses munic&iacute;pios que viam nessa fonte de renda novas possibilidades de a&ccedil;&atilde;o dos rec&eacute;m-emancipados entes federados.</p>     <p>As possibilidades de emprego proporcionadas pela ind&uacute;stria do petr&oacute;leo, ainda que concentradas, principalmente, em Maca&eacute; e o &ldquo;enriquecimento&rdquo; dos munic&iacute;pios que est&atilde;o posicionados na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da Bacia de Campos<a href="#_ftn7" name="_ftnref7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a> tornaram o Norte Fluminense um polo de atra&ccedil;&atilde;o populacional de amplitude nacional (Paganoto, 2008). Juntamente com as rendas petrol&iacute;feras, a evolu&ccedil;&atilde;o populacional em voga pode ser entendida como importante impacto da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo na mesorregi&atilde;o, criando um quadro de possibilidades e desafios aos munic&iacute;pios que a comp&otilde;e.</p>     <p>Franks (2012), ao analisar os impactos promovidos pela ind&uacute;stria do petr&oacute;leo em cidades da Austr&aacute;lia, ressalta que, embora ocorram os impactos negativos ao meio ambiente, &agrave;s comunidades e &agrave; economia local, a atua&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico, da sociedade civil e das empresas ligadas &agrave; atividade de E&amp;P petrol&iacute;fera pode reverter, ao menos em parte, esses efeitos, transformando-os em positivos, com a oferta de novos postos de empregos, maior disponibilidade financeira das esferas governamentais, amplia&ccedil;&atilde;o de infraestrutura, entre outros. Quanto ao meio ambiente, &eacute; imposs&iacute;vel citar, nesse caso, impactos positivos, mas a mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social pode criar medidas que mitiguem os danos causados pela ind&uacute;stria do petr&oacute;leo.</p>     <p>No caso dos munic&iacute;pios inseridos na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da Bacia de Campos, entende-se como possibilidade o recebimento de vultosas rendas petrol&iacute;feras, que coloca esse grupo de cidades como os que mais recebem <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais no pa&iacute;s e que gozam de condi&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria bem mais favor&aacute;vel que a m&eacute;dia das demais cidades pequenas brasileiras (Santos, 2017). As oportunidades criadas por tais rendas permitiriam, ao menos em teoria, a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas frente aos problemas enfrentados por seus habitantes, tornando tais entes potenciais &ldquo;munic&iacute;pios modelo&rdquo;.</p>     <p>Entende-se que a configura&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano das cidades em perspectiva devem ser investigadas considerando o contexto de sobrefinanciamento or&ccedil;ament&aacute;rio proporcionado pelas rendas petrol&iacute;feras. Em linhas gerais, o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o pode ser compreendido como a ocupa&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o populacional no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico e o estabelecimento do seu sistema de valores, atitudes e comportamento social, ou seja, a &ldquo;cultura urbana&rdquo;. Ademais, o espa&ccedil;o urbano ser&aacute; explorado para al&eacute;m dessa interpreta&ccedil;&atilde;o, destacando o papel do poder executivo local como agente indutor de condi&ccedil;&otilde;es consideradas de injusti&ccedil;a ambiental.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="2">     <li><b> O caminho metodol&oacute;gico percorrido</b></li>     </ol>     <p>Este artigo &eacute; um desdobramento de pesquisa elaborada no &acirc;mbito do Projeto Territ&oacute;rios do Petr&oacute;leo<a href="#_ftn8" name="_ftnref8"><sup><sup>[8]</sup></sup></a>, com &ecirc;nfase nos n&uacute;cleos urbanos de Carapebus e de Quissam&atilde;. As atividades desenvolvidas por esse projeto objetivam criar ambientes de encontro e di&aacute;logo entre os mun&iacute;cipes, com pauta direcionada &agrave;s quest&otilde;es referentes aos <i>royalties </i>do petr&oacute;leo. Os dados utilizados neste artigo foram coletados a partir de reuni&otilde;es e expedi&ccedil;&otilde;es que ocorreram entre os meses de janeiro de 2015 e agosto de 2016, sendo retomadas em mar&ccedil;o de 2018 com o prosseguimento da pesquisa atrelada ao Programa de Doutorado em Pol&iacute;ticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). Tal participa&ccedil;&atilde;o se mostrou duplamente positiva: permitiu a intera&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os mais efetivos com os moradores e possibilitou o reconhecimento da quest&atilde;o dos <i>royalties </i>pelo ponto de vista dos pr&oacute;prios mun&iacute;cipes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir dessa intera&ccedil;&atilde;o, foi poss&iacute;vel reconhecer os principais eixos de expans&atilde;o urbana<br /> recente das cidades, al&eacute;m dos problemas urbanos que mais afligem os seus moradores. O registro dessas informa&ccedil;&otilde;es, por meio do di&aacute;rio de campo, permitiu criar um roteiro da<br /> verifica&ccedil;&atilde;o <i>in loco</i> das informa&ccedil;&otilde;es obtidas que, posteriormente, subsidiou a sistematiza&ccedil;&atilde;o do roteiro das entrevistas aplicadas aos moradores e gestores p&uacute;blicos. Para tanto, na composi&ccedil;&atilde;o da amostra, foi adotado o m&eacute;todo n&atilde;o probabil&iacute;stico bola de neve, no qual se priorizou a escolha de participantes que tivessem reconhecido saber sobre a hist&oacute;ria do munic&iacute;pio e hist&oacute;rico de atua&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. O crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o desses participantes se pautou na indica&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios moradores.</p>     <p>Nesse sentido, foram definidas quatro categorias de entrevistados, a saber: o l&iacute;der comunit&aacute;rio, o historiador, o morador e o gestor p&uacute;blico. O l&iacute;der comunit&aacute;rio representa o mun&iacute;cipe que desempenha a&ccedil;&otilde;es de integra&ccedil;&atilde;o e de influ&ecirc;ncia na comunidade em que vive, sendo priorizada a indica&ccedil;&atilde;o de l&iacute;der comunit&aacute;rio de bairro com expressivo crescimento demogr&aacute;fico nos &uacute;ltimos anos. O historiador representou o mun&iacute;cipe que desenvolveu a&ccedil;&otilde;es de resgate e divulga&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria local, valorizando a perspectiva do pesquisador local. O morador, o mun&iacute;cipe que acabou por n&atilde;o atuar de uma maneira mais efetiva com a mobiliza&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria da cidade, mas que apresentou interpreta&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias sobre as quest&otilde;es levantadas. J&aacute; o gestor p&uacute;blico representou a vis&atilde;o do poder p&uacute;blico local<a href="#_ftn9" name="_ftnref9"><sup><sup>[9]</sup></sup></a>. A <a href="#f2">Figura 2</a> apresenta esquema que exemplifica organiza&ccedil;&atilde;o dessa etapa da pesquisa de campo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os dados obtidos na intera&ccedil;&atilde;o com os mun&iacute;cipes e com as entrevistas realizadas foram analisados por meio da caracteriza&ccedil;&atilde;o da realidade socioecon&ocirc;mica de Carapebus e de Quissam&atilde;. Assim, foram trabalhados indicadores demogr&aacute;ficos, da composi&ccedil;&atilde;o do IDH-M e do recebimento e da depend&ecirc;ncia or&ccedil;ament&aacute;ria das rendas petrol&iacute;feras, com a pretens&atilde;o de se estabelecer par&acirc;metro de compara&ccedil;&atilde;o entre as realidades das cidades em voga e com os demais munic&iacute;pios do Norte Fluminense. Todo esse debate foi norteado considerando a condi&ccedil;&atilde;o desses munic&iacute;pios como recebedores de <i>royalties </i>e participa&ccedil;&otilde;es especiais da ind&uacute;stria petrol&iacute;fera.</p>     <p>Valendo-se dos registros fotogr&aacute;ficos colhidos no campo e com os dados obtidos, foram elaborados quadros-s&iacute;ntese que englobassem as quest&otilde;es relacionadas aos impactos ambientais nos novos eixos de expans&atilde;o urbana. Com aux&iacute;lio de imagens de sat&eacute;lite, foram constru&iacute;dos mapas com a identifica&ccedil;&atilde;o de tais eixos. Dessa forma, a pesquisa buscou demonstrar os desdobramentos da ind&uacute;stria petrol&iacute;fera na sede municipal dessas cidades, permitindo a caracteriza&ccedil;&atilde;o da realidade do espa&ccedil;o urbano de cada realidade e evidenciando o que &eacute; considerado aspectos da injusti&ccedil;a ambiental.</p>     <p>Com a preval&ecirc;ncia de abordagem qualitativa, o exerc&iacute;cio da interpreta&ccedil;&atilde;o do campo teve o foco na vis&atilde;o dos sujeitos inseridos nas realidades analisadas, destacando suas opini&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es e anseios. &Eacute; v&aacute;lido ressaltar que a abordagem qualitativa n&atilde;o eliminou de sua estrutura ou da pr&oacute;pria sistematiza&ccedil;&atilde;o dos dados o uso de t&eacute;cnicas de tratamento de cunho quantitativo. Para Demo (1998) <i>apud </i>Ramires e Pess&ocirc;a (2013, p. 25), sendo as pesquisas qualitativas e quantitativas complementares, no m&aacute;ximo, uma dessas pode ser priorizada em detrimento da outra. Como ser&aacute; poss&iacute;vel observar no subt&iacute;tulo que trata dos impactos socioecon&ocirc;micos no Norte Fluminense, a utiliza&ccedil;&atilde;o de dados secund&aacute;rios quantitativos sobre o objeto de estudo se mostrou essencial para a compreens&atilde;o do campo.&nbsp;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p> <ol start="3">     <li><b> Os impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e o debate sobre justi&ccedil;a ambiental </b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Ainda que o termo impacto demonstre ser polivalente, sua melhor compreens&atilde;o se d&aacute; quando considerado o contexto de sua aplica&ccedil;&atilde;o. Nas Ci&ecirc;ncias Humanas, o seu uso est&aacute; associado ao resultado de uma a&ccedil;&atilde;o que, geralmente, tem potencial para alterar um quadro posto, como na altera&ccedil;&atilde;o de uma determinada condi&ccedil;&atilde;o ou situa&ccedil;&atilde;o por meio da atividade humana. Nessa perspectiva, toma-se o uso do termo impacto como refer&ecirc;ncia &agrave;s consequ&ecirc;ncias da atividade petrol&iacute;fera, e por isso, toda a discuss&atilde;o sobre esse termo ser&aacute; tratada &agrave; luz da literatura sobre os impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo.</p>     <p>Franks (2012, p. 3-4), ao ampliar o debate sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre as atividades de explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais &ndash; que engloba a atividade petrol&iacute;fera e seus impactos sociais &ndash; ressalta a necessidade de se adotarem mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o social para potencializar os impactos positivos, assim como a ado&ccedil;&atilde;o de medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o para os impactos negativos. Essa an&aacute;lise ganha relev&acirc;ncia no debate sobre a conveni&ecirc;ncia de garantir a gest&atilde;o respons&aacute;vel e integrada quanto &agrave;s demandas econ&ocirc;micas, sociais e ambientais, criando canais de di&aacute;logo entre comunidade, empresas e governos.</p>     <p>J&aacute; Mota <i>et al</i> (2007, p. 290) entende que o termo &ldquo;impacto&rdquo; remete a algo vivido ou sentido, por um indiv&iacute;duo ou grupo social, a partir das consequ&ecirc;ncias da atividade econ&ocirc;mica, que podem ser positivas ou negativas. Em geral, os impactos positivos s&atilde;o restritos a uma pequena parcela da popula&ccedil;&atilde;o e enfatizam os ganhos econ&ocirc;micos; enquanto os impactos negativos apresentam perdas econ&ocirc;micas e distribui&ccedil;&atilde;o desigual, que afetam os setores sociais e ambientais mais vulner&aacute;veis.</p>     <p>Retomando a perspectiva dos impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo como &ldquo;possibilidades&rdquo;, Franks (2012, p. 4) cita a amplia&ccedil;&atilde;o dos ganhos financeiros, o desenvolvimento das capacidades locais, a melhoria da infraestrutura local e a implementa&ccedil;&atilde;o de programas ambientais e sociais. Exemplificando essa condi&ccedil;&atilde;o, toma-se como refer&ecirc;ncia Serra (2007, p. 78) que discorre sobre o determinismo geogr&aacute;fico e as regras de rateio das rendas petrol&iacute;feras que, acabam por beneficiar os estados e munic&iacute;pios que abarcam as regi&otilde;es produtoras de petr&oacute;leo. Para os munic&iacute;pios do Norte Fluminense inseridos na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da Bacia de Campos foi cunhada a express&atilde;o &ldquo;munic&iacute;pios petrorentistas&rdquo; como forma de reafirmar a condi&ccedil;&atilde;o de recebedores das vultosas rendas petrol&iacute;feras, ainda que a maioria deles n&atilde;o abriguem, efetivamente, instala&ccedil;&otilde;es industriais do setor (Serra; Terra; Pontes, 2006, p. 65).</p>     <p>Para ilustrar uma das faces poss&iacute;veis do impacto negativo, foi trazido &agrave; baila o quadro de &ldquo;Doen&ccedil;a Holandesa&rdquo; identificado em algumas economias dependentes das rendas petrol&iacute;feras. Esse quadro trata do processo de desestrutura&ccedil;&atilde;o da economia holandesa na d&eacute;cada 1960, quando ganhou corpo a atividade de E&amp;P de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural no pa&iacute;s (SOUZA JUNIOR, 2008). A depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica por essas rendas reflete um dos piores impactos da atividade petrol&iacute;fera, uma vez que a condi&ccedil;&atilde;o finita do petr&oacute;leo, assim como a possibilidade de mudan&ccedil;a das regras de distribui&ccedil;&atilde;o das rendas petrol&iacute;feras, ou ainda, as crises econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas, como a que se vive neste momento, podem desestruturar as finan&ccedil;as dos entes federados que dependem dessas rendas.</p>     <p>No esfor&ccedil;o de compreender o impacto da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo por esse prisma, Lemos e Neves (2011) propuseram analisar o setor agropecu&aacute;rio do munic&iacute;pio petrorentista de Quissam&atilde; &agrave; luz do paradigma da Doen&ccedil;a Holandesa, demonstrando a rela&ccedil;&atilde;o entre a queda da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria e o crescimento do recebimento das rendas petrol&iacute;feras. A partir desse quadro, evidenciou-se o crescimento da m&aacute;quina p&uacute;blica e a oferta de oportunidades de trabalho no setor petrol&iacute;fero em conson&acirc;ncia com o decl&iacute;nio da produ&ccedil;&atilde;o e do emprego agropecu&aacute;rio na cidade, tornando a econ&ocirc;mica local ainda mais dependente dos <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais do petr&oacute;leo.</p>     <p>Uma quest&atilde;o importante nessa discuss&atilde;o est&aacute; relacionada com a capacidade que cada realidade impactada pela ind&uacute;stria petrol&iacute;fera tem de &ldquo;aproveitar&rdquo; as possibilidades dessa condi&ccedil;&atilde;o. Franks (2012, p. 4-5) analisa a cria&ccedil;&atilde;o dos novos empregos na ind&uacute;stria petrol&iacute;fera que, em geral, exige m&atilde;o de obra qualificada. Essa condi&ccedil;&atilde;o pode ser entendida como um impacto positivo. Entretanto, caso a popula&ccedil;&atilde;o local n&atilde;o apresente a qualifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica requisitada, n&atilde;o conseguir&aacute; acessar esses empregos. Em outras palavras, um impacto que seria positivo acaba se tornando negativo, pois a popula&ccedil;&atilde;o local n&atilde;o se beneficiar&aacute; das novas oportunidades de emprego, enquanto observar&aacute; a eleva&ccedil;&atilde;o do custo de vida e o acirramento na disputa por postos de trabalho.</p>     <p>Retratando o exemplo citado no par&aacute;grafo anterior, Piquet (2012, p. 57) classifica os impactos da ind&uacute;stria em dois tipos principais: o recebimento das rendas petrol&iacute;feras e a instala&ccedil;&atilde;o efetiva de ind&uacute;strias ligadas ao setor no territ&oacute;rio de um determinado ente federado. Nos munic&iacute;pios do Norte Fluminense que se localizam geograficamente na &aacute;rea da Bacia de Campos, considerando os impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo a partir da divis&atilde;o de tipos propostos por Piquet constatou-se que, apenas, Maca&eacute; recebeu em seu territ&oacute;rio a instala&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias voltadas para a atividade petrol&iacute;fera, enquanto nos demais munic&iacute;pios predominou o impacto correspondente ao recebimento das rendas petrol&iacute;feras (Serra; Terra; Pontes, 2006, p. 66).</p>     <p>O Relat&oacute;rio Final do Diagn&oacute;stico Participativo do &ldquo;Programa de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental da Bacia de Campos (PEA-BC)&rdquo; estabeleceu cinco macroimpactos socioecon&ocirc;micos relacionados &agrave; ind&uacute;stria do petr&oacute;leo: i) ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o marinho; ii) din&acirc;mica demogr&aacute;fica; iii) ocupa&ccedil;&atilde;o e uso do solo; iv) press&atilde;o sobre a infraestrutura urbana, social e de servi&ccedil;os; v) <i>royalties</i>. As categorias foram definidas considerando &ldquo;as caracter&iacute;sticas operacionais da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e g&aacute;s na Bacia de Campos associadas a uma an&aacute;lise dos diagn&oacute;sticos realizados para os Estudos de Impacto Ambiental &ndash; EIA&rdquo; (PETROBRAS, 2012, p. 551).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nessa &uacute;ltima defini&ccedil;&atilde;o de impacto da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo, foi poss&iacute;vel identificar as diversas consequ&ecirc;ncias que essa ind&uacute;stria pode proporcionar nas &aacute;reas onde se estabeleceram suas atividades. Isso demonstrou que, apesar do recebimento dos <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais ser o mais evidente impacto da atividade petrol&iacute;fera na regi&atilde;o, esse n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico. Franks (2012, p. 4-5) ressalta a import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o entre empresas que atuam na atividade de E&amp;P de petr&oacute;leo, governos que s&atilde;o os &ldquo;benefici&aacute;rios&rdquo; das rendas petrol&iacute;feras e a comunidade para a implementa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos, onde as demandas dos diferentes entes s&atilde;o colocadas em pauta, permitindo a potencializa&ccedil;&atilde;o dos impactos positivos e a mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos negativos.</p>     <p>Um dos impactos abordados pelo Relat&oacute;rio do PEA-BC (refor&ccedil;ado pelos dados da evolu&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica) est&aacute; na problem&aacute;tica da expans&atilde;o urbana desordenada, resultando em conflitos locacionais relacionados aos efeitos da aglomera&ccedil;&atilde;o sem planejamento, a falta de infraestrutura e a prioriza&ccedil;&atilde;o pelo poder p&uacute;blico de poucas e seletivas &aacute;reas em detrimento de outras partes da cidade. Nesse cen&aacute;rio, emergiu o debate sobre a justi&ccedil;a ambiental nos espa&ccedil;os urbanos<a href="#_ftn10" name="_ftnref10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a>, a partir do reconhecimento de como os riscos ambientais afetaram de forma desigual e diferente a parcela da popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel socioeconomicamente, que tendia a receber de forma mais acentuada os impactos da expans&atilde;o urbana. Essa concep&ccedil;&atilde;o se afastou de uma vis&atilde;o de justi&ccedil;a como direito individual e privilegiou a a&ccedil;&atilde;o pautada na solidariedade e coletividade entre os afetados (Barros; Silva, 2012, p. 17).</p>     <p>Acselrad (2010, p. 108), tomando como base as a&ccedil;&otilde;es do Movimento de Justi&ccedil;a Ambiental dos Estados Unidos, demonstra que a no&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a ambiental ressignificou a quest&atilde;o ambiental, em que as demandas sociopol&iacute;ticas diretamente envolvidas com a conota&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a social passaram a integrar esse debate. Diretamente relacionado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novas arenas de disputa da sociedade, os diferentes agentes que a comp&otilde;em buscam construir o di&aacute;logo para a solu&ccedil;&atilde;o de suas demandas em uma rela&ccedil;&atilde;o que, na maioria das vezes, n&atilde;o &eacute; harm&ocirc;nica. &Eacute; justamente nesses espa&ccedil;os que a quest&atilde;o ambiental mostra seu car&aacute;ter de luta por justi&ccedil;a social, incluindo em sua pauta reivindica&ccedil;&otilde;es de quest&otilde;es sociais.</p>     <p>No Brasil, a agenda da justi&ccedil;a ambiental recebeu forte influ&ecirc;ncia do movimento norte-americano. A Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento realizada na cidade do Rio de Janeiro, em 3-14/06/1992, tamb&eacute;m referida como &ldquo;Rio92&rdquo;, &eacute; reconhecida como o marco na implementa&ccedil;&atilde;o dessa discuss&atilde;o no pa&iacute;s. Outro evento importante para o movimento por justi&ccedil;a ambiental ocorreu no ano de 2001, com a cria&ccedil;&atilde;o da Rede Brasileira de Justi&ccedil;a Ambiental. Entretanto, Herculano (2002, p. 144) pondera que, mesmo sem utilizar o termo propriamente dito, a luta por justi&ccedil;a ambiental j&aacute; vem acontecendo no Brasil antes desses marcos, atrav&eacute;s de movimentos sociais que combatem as injusti&ccedil;as ambientais e que questionam os efeitos negativos do que se entende como &ldquo;custos do desenvolvimento&rdquo;.</p>     <p>Ainda que exista no imagin&aacute;rio de muitos a diferencia&ccedil;&atilde;o entre o meio ambiente &ndash; entendido como um ambiente &ldquo;natural&rdquo;, desconectado da sociedade e da cidade &ndash; deve ser destacada a ideia de meio ambiente como um espa&ccedil;o onde os aspectos naturais e sociais convivem e se estruturam mutuamente, ou seja, sem a possibilidade de dissociar um do outro. Assim, a cidade e seus habitantes integram o meio ambiente, j&aacute; que &eacute; o lugar onde bilh&otilde;es de pessoas vivem e convivem com o pr&oacute;ximo e com o mundo, desfrutando os recursos ambientais para a reprodu&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria vida e sofrendo as consequ&ecirc;ncias perversas do mau uso desses (Quintas, 2006, p. 20-21).</p>     <p>O debate sobre justi&ccedil;a ambiental deve ser entendido como um mecanismo de supera&ccedil;&atilde;o dos problemas ambientais, sempre ressaltando que esse &ldquo;ambiente&rdquo; deve ser considerado em seus m&uacute;ltiplos aspectos: f&iacute;sico, social, econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico e cultural. Por meio das reflex&otilde;es expostas, pode-se inferir que tais direitos e obriga&ccedil;&otilde;es s&oacute; ser&atilde;o alcan&ccedil;ados com a garantia de condi&ccedil;&otilde;es de exerc&iacute;cio da justi&ccedil;a social, ou seja, assegurando a inser&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o socioeconomicamente vulner&aacute;vel nas arenas e f&oacute;runs de debate e desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es voltadas para a quest&atilde;o ambiental.</p>     <p>Na perspectiva das cidades pequenas petrorentistas do Norte Fluminense essa condi&ccedil;&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o direta com pr&aacute;ticas de controle social relacionadas &agrave; destina&ccedil;&atilde;o das rendas petrol&iacute;feras. Assim, &eacute; trazida &agrave; baila a caracteriza&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica de Carapebus e de Quissam&atilde;, munic&iacute;pios que registraram relevante crescimento demogr&aacute;fico nos &uacute;ltimos dezoito anos, sendo superados na mesorregi&atilde;o apenas por Maca&eacute;. Em teoria, a condi&ccedil;&atilde;o dupla de disponibilidade or&ccedil;ament&aacute;ria e incremento populacional estabelece nessas cidades um verdadeiro laborat&oacute;rio no que tange &agrave; discuss&atilde;o sobre os impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo, a promo&ccedil;&atilde;o a justi&ccedil;a ambiental e o processo de expans&atilde;o urbana.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="4">     <li><b> Evolu&ccedil;&atilde;o dos indicadores socioecon&ocirc;micos no Norte Fluminense</b></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Inicialmente, analisou-se o crescimento demogr&aacute;fico dos munic&iacute;pios que comp&otilde;em o Norte Fluminense entre o per&iacute;odo de 2000 a 2018. &Eacute; importante destacar que o per&iacute;odo analisado levou em considera&ccedil;&atilde;o o primeiro censo demogr&aacute;fico realizado ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o e regulamenta&ccedil;&atilde;o da chamada &ldquo;Lei do Petr&oacute;leo&rdquo; (9.478/1997), que ampliou sobremaneira o or&ccedil;amento p&uacute;blico de alguns munic&iacute;pios da mesorregi&atilde;o, e a proje&ccedil;&atilde;o populacional divulgada pelo IBGE para o ano de 2018, ano de corte da pesquisa em tela.</p>     <p>O Norte Fluminense apresentou em 2018 uma popula&ccedil;&atilde;o de 948.195 habitantes. Deste total, 503.424 habitantes, ou seja, mais da metade do contingente total, est&atilde;o estabelecidos em Campos dos Goytacazes, tradicional n&uacute;cleo regional. Em seguida vem o munic&iacute;pio de Maca&eacute;, com 251.631 habitantes, cidade que tem crescido em import&acirc;ncia no contexto regional e nacional ap&oacute;s a instala&ccedil;&atilde;o da Petrobras em seu territ&oacute;rio, na d&eacute;cada de 1970. Considerando apenas esses dois munic&iacute;pios, concentram sozinhos quase 80% da popula&ccedil;&atilde;o regional. Os outros sete munic&iacute;pios apresentam popula&ccedil;&atilde;o de 193.140 habitantes, sendo que em nenhum desses entes federados a popula&ccedil;&atilde;o local &eacute; superior a 50 mil habitantes. Isso demonstra como a distribui&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica na mesorregi&atilde;o &eacute; irregular, ocorrendo a concentra&ccedil;&atilde;o populacional nos dois n&uacute;cleos urbanos de maior relev&acirc;ncia econ&ocirc;mica e hist&oacute;rica.</p>     <p>Ao analisar de maneira espec&iacute;fica os munic&iacute;pios de Carapebus e de Quissam&atilde; foi percebido que eles apresentaram o segundo e terceiro maior crescimento populacional da regi&atilde;o, ficando atr&aacute;s somente de Maca&eacute;. Em dezesseis anos, a popula&ccedil;&atilde;o de Carapebus cresceu 80% e de Quissam&atilde; evoluiu em 72%. Entretanto, mesmo com tal crescimento demogr&aacute;fico, ambos os munic&iacute;pios ainda figuram como os menos populosos do Norte Fluminense, juntamente com Cardoso Moreira, com 12.519 habitantes, e Concei&ccedil;&atilde;o de Macabu, com 22.461 habitantes. Ou seja, mesmo com o intenso crescimento populacional vivenciado nos &uacute;ltimos anos, Carapebus e Quissam&atilde; ainda seguem como as cidades com os menores contingentes populacionais do Norte Fluminense.</p>     <p>No que tange aos indicadores sociais, tomou-se como an&aacute;lise a evolu&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M)<a href="#_ftn11" name="_ftnref11"><sup><sup>[11]</sup></sup></a>. Com o risco de reduzir a quest&atilde;o a dados num&eacute;ricos, o IDH-M atua como um par&acirc;metro comum a todos os munic&iacute;pios, possibilitando assim an&aacute;lises comparativas que n&atilde;o invalidam o uso desse indicador como fonte de informa&ccedil;&atilde;o. Assim, os resultados concernentes a esse indicador permitiram concluir que, mesmo usufruindo da condi&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios recebedores das rendas petrol&iacute;feras, a maior parte dos munic&iacute;pios do Norte Fluminense n&atilde;o conseguiram significativo avan&ccedil;o nos indicadores da sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de renda.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como evidencia a <a href="#t2">Tabela 2</a>, foi poss&iacute;vel constatar que em 2010 apenas Maca&eacute; apresentou &iacute;ndice maior que a m&eacute;dia dos demais munic&iacute;pios do Estado do Rio de Janeiro, que &eacute; de 0,761. Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Concei&ccedil;&atilde;o de Macabu, Quissam&atilde;, S&atilde;o Fid&eacute;lis, S&atilde;o Francisco de Itabapoana e S&atilde;o Jo&atilde;o da Barra apresentaram IDH-M inferior &agrave; m&eacute;dia estadual. No intervalo de 2000 a 2010, quando tais munic&iacute;pios passaram a receber de forma mais acentuada as rendas petrol&iacute;feras, o IDH-M de Carapebus e de Quissam&atilde; apresentou menor evolu&ccedil;&atilde;o que o indicador que S&atilde;o Francisco de Itabapoana (27%), e no caso de Quissam&atilde; (25%), igual ao de Cardoso Moreira (25%). Carapebus apresentou evolu&ccedil;&atilde;o de 23% do seu IDH-M nesse per&iacute;odo. &Eacute; v&aacute;lido destacar que S&atilde;o Francisco de Itabapoana e Cardoso Moreira n&atilde;o est&atilde;o localizados na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da Bacia de Campos e n&atilde;o apresentam em seu territ&oacute;rio a instala&ccedil;&atilde;o de equipamentos de apoio &agrave; atividade <i>off-shore</i>, ou seja, n&atilde;o figuram entre os munic&iacute;pios que mais recebem as rendas petrol&iacute;feras.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05t2.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Apesar do quadro economicamente favor&aacute;vel, principalmente para os munic&iacute;pios inseridos na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar que para al&eacute;m do crescimento houve o desenvolvimento econ&ocirc;mico na mesma propor&ccedil;&atilde;o, ou seja, que a popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel socioeconomicamente se beneficiou diretamente dessa condi&ccedil;&atilde;o de sobrefinanciamento or&ccedil;ament&aacute;rio. O IDH-M evoluiu em todos os munic&iacute;pios, repercutindo a melhoria dos indicadores nos n&iacute;veis estadual e federal, entretanto, a observa&ccedil;&atilde;o de que mesmo com a condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica favor&aacute;vel, os &iacute;ndices dos munic&iacute;pios analisados permanecem aqu&eacute;m da m&eacute;dia estadual.</p>     <p>Na an&aacute;lise dos indicadores econ&ocirc;micos, destacaram-se os &iacute;ndices referentes ao recebimento das rendas petrol&iacute;feras, item relativo &agrave; mais importante fonte de renda de boa parte dos munic&iacute;pios do Norte Fluminense. Entre os anos de 2014 e 2018 houve uma queda de 64% no valor repassado de <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais para os entes da mesorregi&atilde;o, o que representa uma redu&ccedil;&atilde;o de mais de 1 bilh&atilde;o e 300 milh&otilde;es de reais. Se for considerada a m&eacute;dia do que foi recebido por esses munic&iacute;pios durante o per&iacute;odo de 2000 a 2014, chega-se ao valor de 1 bilh&atilde;o 361 milh&otilde;es de reais, que corresponde a uma redu&ccedil;&atilde;o de 42% em rela&ccedil;&atilde;o ao valor repassado no ano de 2018. Tais valores indicam que, de fato, houve uma forte redu&ccedil;&atilde;o dos valores recebidos das rendas petrol&iacute;feras entre 2015 e 2017. Entretanto, n&atilde;o se pode ignorar a oportunidade que os munic&iacute;pios recebedores de vultosas rendas tiveram, e ainda t&ecirc;m, com sobrefinanciamento das suas receitas or&ccedil;ament&aacute;rias.</p>     <p>Mediante o exposto, as an&aacute;lises referentes ao recebimento de <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais utilizar&atilde;o como marco inicial o ano de 2000, pois foi a partir desse momento que se observou o recebimento de valores mais expressivos das rendas petrol&iacute;feras, e 2018 como ano final, per&iacute;odo que contemplou os &uacute;ltimos dados obtidos na pesquisa de campo em Carapebus e Quissam&atilde;. Os munic&iacute;pios do Norte Fluminense foram privilegiados pelo recebimento das rendas petrol&iacute;feras; recebendo a t&iacute;tulo de compensa&ccedil;&atilde;o financeira pelas atividades de E&amp;P do petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, mais de 22 bilh&otilde;es de reais entre os anos 2000 e 2018. Como j&aacute; mencionado, isso ocorre devido &agrave; metodologia estabelecida pelo IBGE para criar as linhas ortogonais e paralelas que s&atilde;o projetadas a partir do litoral em dire&ccedil;&atilde;o aos po&ccedil;os de extra&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05t3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quissam&atilde; e Carapebus s&atilde;o, respectivamente, o terceiro e quarto munic&iacute;pios mais dependentes das rendas petrol&iacute;feras, atr&aacute;s de Campos dos Goytacazes e S&atilde;o Jo&atilde;o da Barra. Seguem como dependentes das rendas petrol&iacute;feras, em ordem decrescente, os munic&iacute;pios de Maca&eacute;, Concei&ccedil;&atilde;o de Macabu, Cardoso Moreira, S&atilde;o Fid&eacute;lis e S&atilde;o Francisco de Itabapoana. J&aacute; no que diz respeito ao recebimento das rendas petrol&iacute;feras acumuladas nesse per&iacute;odo, Campos dos Goytacazes figura na primeira posi&ccedil;&atilde;o, com mais de 13 bilh&otilde;es de reais, muito distante de Maca&eacute;, com mais de 5 bilh&otilde;es de reais. Quissam&atilde; e Carapebus s&atilde;o, respectivamente, quarto e quinto munic&iacute;pios que mais receberam as rendas petrol&iacute;feras, sendo que Quissam&atilde; recebeu valor quatro vezes maior que Carapebus em igual per&iacute;odo.</p>     <p>&Eacute; v&aacute;lido ressaltar que Campos dos Goytacazes, Carapebus, Maca&eacute;, Quissam&atilde; e S&atilde;o Jo&atilde;o da Barra, munic&iacute;pios litor&acirc;neos da regi&atilde;o, est&atilde;o localizados na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria de petr&oacute;leo da Bacia de Campos e, por esse motivo, recebem valores maiores das rendas petrol&iacute;feras, diferente dos demais munic&iacute;pios da regi&atilde;o, que se localizam na zona de produ&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, a exce&ccedil;&atilde;o &eacute; o munic&iacute;pio de S&atilde;o Francisco de Itabapoana, que mesmo sendo um munic&iacute;pio litor&acirc;neo, n&atilde;o est&aacute; inserido na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria.</p>     <p>Tal condi&ccedil;&atilde;o reflete uma das piores consequ&ecirc;ncias da atividade petrol&iacute;fera, uma vez que fatores como a condi&ccedil;&atilde;o finita desse recurso mineral, ou a mudan&ccedil;a das regras de distribui&ccedil;&atilde;o das rendas petrol&iacute;feras e ainda a queda do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo podem influenciar diretamente no valor recebido pelos munic&iacute;pios produtores de petr&oacute;leo, criando uma condi&ccedil;&atilde;o de dificuldade econ&ocirc;mica como a que foi poss&iacute;vel observar durante a recente queda no pre&ccedil;o do barril do petr&oacute;leo e as dificuldades enfrentadas por munic&iacute;pios e estados petrorentistas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro indicador que auxilia na compreens&atilde;o da import&acirc;ncia das rendas petrol&iacute;feras para os munic&iacute;pios &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre a receita or&ccedil;ament&aacute;ria e o quantitativo populacional. Assim, a <a href="#t4">Tabela 4</a> demonstra como as rendas petrol&iacute;feras, que comp&otilde;em boa parte da receita or&ccedil;ament&aacute;ria desses entes federados, afetaram proporcionalmente a capacidade or&ccedil;ament&aacute;ria municipal a partir da observa&ccedil;&atilde;o da &ldquo;receita <i>per capita</i>&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05t4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Considerando essa rela&ccedil;&atilde;o, Quissam&atilde; apresenta a segunda receita <i>per capita</i> do Norte Fluminense, refor&ccedil;ando sua condi&ccedil;&atilde;o privilegiada. Os demais munic&iacute;pios petrorentistas tamb&eacute;m se destacam, estando Maca&eacute; em primeiro lugar e Carapebus em quarto lugar na rela&ccedil;&atilde;o de maiores receitas or&ccedil;ament&aacute;rias <i>per capita </i>do Norte Fluminense. Quando comparado tal indicador &agrave; m&eacute;dia dos munic&iacute;pios do estado do Rio de Janeiro, que &eacute; de R$ 3.223,43, observou-se que, apenas, Concei&ccedil;&atilde;o de Macabu, S&atilde;o Fid&eacute;lis e S&atilde;o Francisco de Itabapoana est&atilde;o abaixo da m&eacute;dia estadual. &Eacute; importante relembrar que esses &uacute;ltimos munic&iacute;pios n&atilde;o est&atilde;o inseridos na zona prim&aacute;ria de produ&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo da Bacia de Campos.</p>     <p>Diferente da maioria dos munic&iacute;pios brasileiros, que apresentam restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias para aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, Carapebus e Quissam&atilde; disp&otilde;em de situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica favor&aacute;vel devido ao recebimento de <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais. Ao menos em tese, um sobrefinanciamento or&ccedil;ament&aacute;rio possibilitaria a implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas visando ao atendimento das demandas da sociedade. Nesse contexto, destacou-se que nem sempre h&aacute; compatibilidade entre as interven&ccedil;&otilde;es e declara&ccedil;&otilde;es de vontade e as a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas. Devem ser consideradas tamb&eacute;m as &ldquo;n&atilde;o a&ccedil;&otilde;es&rdquo;, as omiss&otilde;es, como formas de escolhas pol&iacute;ticas, pois representam op&ccedil;&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es dos que ocupam cargos. Evidentemente que com mais recursos financeiros, a necessidade de controle e fiscaliza&ccedil;&atilde;o na aplica&ccedil;&atilde;o de tais recursos devem ser ampliadas, incluindo o fomento &agrave; participa&ccedil;&atilde;o popular.</p>     <p>Reiterando a condi&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios como petrorentistas, &eacute; fundamental a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade, pois a contribui&ccedil;&atilde;o que poderia fornecer, sem d&uacute;vidas, ampliaria o potencial de atua&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico frente aos impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo nessas localidades.&nbsp; No subt&iacute;tulo a seguir, prop&ocirc;s-se analisar a evolu&ccedil;&atilde;o da expans&atilde;o urbana nessas cidades utilizando mapas e imagens. Assim, pretendeu-se localizar, espacialmente, a realidade identificada na explora&ccedil;&atilde;o do campo e nas entrevistas realizadas, reconhecendo as a&ccedil;&otilde;es de ordenamento urbano implementadas (ou n&atilde;o) em Carapebus e Quissam&atilde;. Nesse contexto, buscou-se compreender os aspectos de promo&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a ambiental, destacando as semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre ambas as realidades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p> <ol start="5">     <li><b> Realidade socioespacial de Carapebus e Quissam&atilde;</b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>A partir dos dados coletados na explora&ccedil;&atilde;o do campo e nas entrevistas, foi poss&iacute;vel relacionar aquilo que pode ser entendido como condi&ccedil;&atilde;o de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental com &agrave; realidade observada nos novos eixos de expans&atilde;o urbana de Carapebus e de Quissam&atilde;. Essa quest&atilde;o ser&aacute; analisada, evidenciando os problemas urbanos, os contrastes e as situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a ambiental. Como forma de melhor compreens&atilde;o, ser&atilde;o utilizados como instrumento de apoio as an&aacute;lises a descri&ccedil;&atilde;o e a cataloga&ccedil;&atilde;o dos equipamentos urbanos identificados na explora&ccedil;&atilde;o do campo.</p>     <p>J&aacute; a abordagem em ambos os munic&iacute;pios dar-se-&aacute; de forma concomitante, buscando facilitar a identifica&ccedil;&atilde;o das semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as de cada realidade.&nbsp; Sem que se perca a vis&atilde;o de injusti&ccedil;a ambiental como exposi&ccedil;&atilde;o desigual aos riscos ambientais, em especial, da parcela mais vulner&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o, retoma-se a defini&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a ambiental discutida por Bullard (1994) <i>apud</i> Acselrad, Mello e Bezerra (2009):</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&ldquo;&Eacute; a condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia social configurada atrav&eacute;s do tratamento justo e do envolvimento significativo de todas as pessoas, independente de sua ra&ccedil;a, cor ou renda no que diz respeito &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento, implementa&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, leis e regula&ccedil;&otilde;es ambientais. Por tratamento justo, entenda-se que nenhum grupo de pessoas, incluindo-se a&iacute; grupos &eacute;tnicos, raciais ou de classe, deva suportar uma parcela desproporcional das consequ&ecirc;ncias ambientais negativas resultantes da opera&ccedil;&atilde;o de empreendimentos industriais, comerciais e municipais, da execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas federais, estaduais ou municipais, bem como das consequ&ecirc;ncias resultantes da aus&ecirc;ncia ou omiss&atilde;o destas pol&iacute;ticas&rdquo; (Bullard, 1994 <i>apud</i>&nbsp; Acselrad; Mello; Bezerra, 2009, p. 16).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Inicialmente, buscou-se reconhecer os impactos considerados diretos e localizados tanto nas sedes municipais, ou seja, nas cidades, quanto no restante do territ&oacute;rio municipal. Como j&aacute; exposto anteriormente nas discuss&otilde;es de Serra, Terra e Pontes (2006) e Piquet (2012) e confirmado nas entrevistas e observa&ccedil;&otilde;es <i>in loco</i> realizadas, n&atilde;o existem ind&uacute;strias do setor petrol&iacute;fero efetivamente instaladas nos munic&iacute;pios, apesar da pol&iacute;tica de atra&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias praticadas por meio da implementa&ccedil;&atilde;o das Zonas Especiais de Neg&oacute;cios (ZEN) em cada localidade.</p>     <p>Localizada &agrave;s margens da Rodovia M&aacute;rio Covas (BR-101 Norte), a ZEN de Carapebus apresenta tr&ecirc;s unidades fabris, sendo que apenas uma est&aacute; em funcionamento. Trata-se de um galp&atilde;o para cont&ecirc;ineres, pertencente &agrave; empresa que atua no ramo de transporte e log&iacute;stica e que presta servi&ccedil;os de apoio &agrave;s atividades de <i>off-shore </i>da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo. J&aacute; na sede municipal, o principal impacto direto da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo s&atilde;o os dutos da Petrobras Transporte S.A. (Transpetro), que fazem o transporte de parte do petr&oacute;leo e g&aacute;s natural extra&iacute;do da Bacia de Campos em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s refinarias de Cabi&uacute;nas, em Maca&eacute;, e REDUC, no munic&iacute;pio de Duque de Caxias.</p>     <p>J&aacute; em Quissam&atilde;, &eacute; poss&iacute;vel reconhecer como principais impactos diretos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo o Complexo Portu&aacute;rio de Barra do Furado e de Farol de S&atilde;o Tom&eacute;, atualmente com obras paralisadas e localizado a 40 km da sede municipal, e os dutos da Transpetro que cortam a mancha urbana da sede municipal entre os bairros de Caxias e da Ribeira. Apesar de contar com uma ZEN, localizada a 16 km do centro da cidade, n&atilde;o h&aacute; registros da instala&ccedil;&atilde;o de empresas relacionadas ao setor petrol&iacute;fero nesse empreendimento.</p>     <p>Os dutos da Transpetro atravessam as sedes municipais de Carapebus e de Quissam&atilde;, estabelecendo uma ruptura na continuidade da mancha urbana em tais cidades. As informa&ccedil;&otilde;es obtidas pelos moradores demonstram que ocorreram desapropria&ccedil;&otilde;es de resid&ecirc;ncias tanto na implementa&ccedil;&atilde;o, quanto nas interven&ccedil;&otilde;es de amplia&ccedil;&atilde;o das faixas de dutos. O que chama a aten&ccedil;&atilde;o nessa ruptura da mancha urbana &eacute; a aus&ecirc;ncia aparente de maiores interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas no per&iacute;metro &ldquo;desconectado&rdquo; do restante da cidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso de Carapebus, foi poss&iacute;vel identificar que muitas ruas n&atilde;o contam com pavimenta&ccedil;&atilde;o e algumas resid&ecirc;ncias n&atilde;o apresentam servi&ccedil;os de &aacute;gua e esgoto. Em Quissam&atilde;, o bairro da Ribeira apresenta toda a sua &aacute;rea territorial separada da cidade, mas conta com todas as ruas pavimentadas e a oferta de saneamento b&aacute;sico. Ressalta-se a exist&ecirc;ncia de uma pista de conten&ccedil;&atilde;o criada pelo poder p&uacute;blico local para limitar o crescimento do bairro em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Lagoa da Ribeira. Nos dois casos em an&aacute;lise, foi poss&iacute;vel observar a aus&ecirc;ncia de equipamentos urbanos instalados nas &aacute;reas para al&eacute;m da passagem dos dutos da Transpetro.</p>     <p>Ao analisar o que se considera como impactos &ldquo;indiretos&rdquo;, especialmente aqueles relacionados ao crescimento urbano dessas cidades, procurou-se fazer um panorama geral para em seguida avan&ccedil;ar para a an&aacute;lise de casos de maior representatividade nessas realidades. Tanto em Carapebus quanto em Quissam&atilde; foram identificadas &aacute;reas ocupadas irregularmente, concentra&ccedil;&atilde;o de submoradias, diversas ruas e cal&ccedil;adas com pavimenta&ccedil;&atilde;o e/ou piso irregular (ou sua aus&ecirc;ncia por completo), defici&ecirc;ncias no sistema de transporte p&uacute;blico, no recolhimento de lixo, na oferta de &aacute;gua e no recolhimento e tratamento de esgoto, despejo de dejetos em rios e lagoas e precariedade ou limita&ccedil;&atilde;o na oferta de equipamentos urbanos.</p>     <p>Em Carapebus, houve maior n&uacute;mero de &aacute;reas reconhecidas como de expans&atilde;o recente, ou seja, maior fragmenta&ccedil;&atilde;o das novas &aacute;reas urbanizadas na sede municipal. Em geral, as novas &aacute;reas apresentam d&eacute;ficit de infraestrutura urbana, como foi poss&iacute;vel registrar nas visitas ao campo. O &uacute;nico servi&ccedil;o p&uacute;blico oferecido em todos os novos eixos de expans&atilde;o urbana &eacute; a coleta regular de lixo. J&aacute; nos bairros de Barreiros, Loteamento APCC, S&atilde;o Domingos e Ub&aacute;s, n&atilde;o h&aacute; a oferta de fornecimento de &aacute;gua e recolhimento de esgoto. Tamb&eacute;m foi poss&iacute;vel constatar a aus&ecirc;ncia parcial, e em alguns bairros total, de pavimenta&ccedil;&atilde;o e passeios p&uacute;blicos, assim como a concentra&ccedil;&atilde;o da oferta dos equipamentos urbanos, no centro da cidade. Com exce&ccedil;&atilde;o dos bairros de Caxanga e Oscar Brito, os demais s&atilde;o bairros distantes do centro, ainda assim, n&atilde;o h&aacute; oferta de linhas regulares de transporte p&uacute;blico. A <a href="#f3">Figura 3</a> demonstra a evolu&ccedil;&atilde;o dos novos eixos de expans&atilde;o urbana em Carapebus.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05t5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tomando como refer&ecirc;ncia os bairros mais populosos da cidade para al&eacute;m do centro, foram abordadas as condi&ccedil;&otilde;es ambientais dispon&iacute;veis em Caxanga e Ub&aacute;s. O primeiro bairro se subdivide em Caxanga Baixa e Alta, sendo reconhecido pela popula&ccedil;&atilde;o local como uma &aacute;rea em processo de faveliza&ccedil;&atilde;o. A partir da observa&ccedil;&atilde;o visual das edifica&ccedil;&otilde;es, foi poss&iacute;vel identificar que o padr&atilde;o econ&ocirc;mico dos seus moradores n&atilde;o &eacute; elevado, devido a maioria das edifica&ccedil;&otilde;es apresentarem aparentemente condi&ccedil;&otilde;es inacabadas, muitas constru&iacute;das dimens&otilde;es pequenas, gerando um maior adensamento populacional, inclusive com pontos de verticaliza&ccedil;&atilde;o. O Secret&aacute;rio de Planejamento Urbano de Carapebus citou essa condi&ccedil;&atilde;o do bairro de Caxanga, assim como os mun&iacute;cipes entrevistados, salientando casos de viol&ecirc;ncia relacionados ao tr&aacute;fico de drogas existente no bairro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Caxanga Baixa, tamb&eacute;m observou-se a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas pr&oacute;ximas dos cursos h&iacute;dricos que comp&otilde;em a Lagoa de Carapebus, parte integrante do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. De conhecimento dos mun&iacute;cipes, essas &aacute;reas ocupadas s&atilde;o pass&iacute;veis de alagamento, como j&aacute; ocorrido em anos anteriores, com um complicador: o esgoto coletado na regi&atilde;o central de Carapebus &eacute; despejado nesse curso h&iacute;drico, sem o tratamento adequado, como alertado pelo Secret&aacute;rio de Planejamento Urbano e denunciado pelos mun&iacute;cipes entrevistados.</p>     <p>O bairro de Ub&aacute;s, que apresenta popula&ccedil;&atilde;o em torno de 3 mil habitantes, &eacute; o mais longe do centro da cidade, distante 3 km. Disp&otilde;e de toda a estrutura f&iacute;sica para o fornecimento dos servi&ccedil;os de &aacute;gua e esgoto j&aacute; instalados, por&eacute;m, tal servi&ccedil;o n&atilde;o ocorre de maneira regular. Como forma de acessarem esses servi&ccedil;os, os moradores da localidade recorrem ao uso de po&ccedil;os artesianos para a capta&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e fossas s&eacute;pticas para a destina&ccedil;&atilde;o do esgoto dom&eacute;stico.</p>     <p>Emancipado seis anos antes, Quissam&atilde; &eacute; um munic&iacute;pio com contingente populacional superior a 8 mil habitantes e com uma maior receita or&ccedil;ament&aacute;ria <i>per capita</i> do que Carapebus. Ali foi poss&iacute;vel observar que os novos eixos de expans&atilde;o urbana est&atilde;o mais concentrados, seguindo um padr&atilde;o de crescimento em forma de loteamentos. No geral, as novas &aacute;reas apresentam infraestrutura urbana implementada, como registrado na explora&ccedil;&atilde;o de campo. Todos os bairros reconhecidos apresentaram a oferta de servi&ccedil;os de recolhimento de lixo. Em algumas ruas do bairro Mathias e S&iacute;tio Quissam&atilde;, n&atilde;o h&aacute; pavimenta&ccedil;&atilde;o e cal&ccedil;adas, nem fornecimento de &aacute;gua e servi&ccedil;o de esgoto. J&aacute; nos demais bairros, foi registrada a disponibilidade desses melhoramentos urbanos.</p>     <p>A dispers&atilde;o dos equipamentos urbanos em Quissam&atilde;, inclusive em bairros identificados como de expans&atilde;o urbana recente contribui para a n&atilde;o aglomera&ccedil;&atilde;o desses em uma determinada &aacute;rea, geralmente a central. O centro do munic&iacute;pio ainda mant&eacute;m sua hegemonia na oferta de servi&ccedil;os e na disponibilidade de equipamentos urbanos, com destaque para as atividades comerciais estabelecidas na chamada &ldquo;Rua do Com&eacute;rcio&rdquo;, a presen&ccedil;a da sede da Prefeitura Municipal, bancos, correios, igreja matriz, pra&ccedil;a central, posto de combust&iacute;vel, entre outros equipamentos.</p>     <p>No bairro de Alto Alegre, localiza-se o Parque Aqu&aacute;tico Municipal, que conta ainda com escola municipal e o Centro Municipal de Especialidade M&eacute;dica. No bairro de Caxias, foi poss&iacute;vel identificar pra&ccedil;a de recrea&ccedil;&atilde;o, escola municipal, posto de sa&uacute;de, al&eacute;m da rodovi&aacute;ria municipal. Por sua vez, no bairro do S&iacute;tio Quissam&atilde;, identificou-se a disponibilidade de escola municipal e do conselho tutelar. No bairro do Mato de Pipa est&aacute; instalado o Hospital Municipal e no bairro Mathias est&atilde;o uma pra&ccedil;a com quadra esportiva e um posto de sa&uacute;de. Apenas no bairro Ribeira, &aacute;rea desconectada do restante da mancha urbana pelos dutos da Transpetro, n&atilde;o se registrou nenhum equipamento urbano instalado.</p>     <p>Nos bairros de Caxias e S&iacute;tio Quissam&atilde;, como tamb&eacute;m foi citado pelos mun&iacute;cipes entrevistados e pelo gestor p&uacute;blico, foi poss&iacute;vel reconhecer um maior adensamento populacional, com novas edifica&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das em lotes j&aacute; ocupados. Em Caxias, j&aacute; se observam alguns pontos onde esse processo ocorre de maneira vertical. No S&iacute;tio Quissam&atilde;, algumas unidades habitacionais constru&iacute;das pela Empresa P&uacute;blica Municipal de Habita&ccedil;&otilde;es de Quissam&atilde; apresentam altera&ccedil;&otilde;es na sua configura&ccedil;&atilde;o original, com mudan&ccedil;as na sua estrutura. Esses bairros, tamb&eacute;m, foram apontados como os mais violentos da cidade, com o registro de a&ccedil;&otilde;es de grupos ligados ao tr&aacute;fico de drogas. A Figura 4 demonstra a evolu&ccedil;&atilde;o dos novos eixos de expans&atilde;o urbana em Quissam&atilde;.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t6">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n18/n18a05t6.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em ambas as cidades, h&aacute; o entendimento tanto por parte dos mun&iacute;cipes quanto nos dados coletados na explora&ccedil;&atilde;o de campo de que Quissam&atilde; apresenta melhor estrutura&ccedil;&atilde;o do seu espa&ccedil;o urbano. Entretanto, predomina a percep&ccedil;&atilde;o de que as rendas petrol&iacute;feras s&atilde;o importantes para a atua&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico local e que, apesar da disponibilidade de tais rendas, a implementa&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es direcionadas &agrave; expans&atilde;o urbana dessas cidades n&atilde;o correspondeu &agrave; demanda posta. O papel do Estado, na perspectiva do governo local, estabelece tanto a diferencia&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano com &aacute;reas providas de servi&ccedil;os e equipamentos urbanos, em detrimento de outras, desprovidas total ou parcialmente destes.</p>     <p>Ainda sobre o papel do Estado na promo&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de injusti&ccedil;a ambiental no espa&ccedil;o urbano, &eacute; reconhecida no poder p&uacute;blico municipal a responsabilidade pelas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de desenvolvimento urbano, promovendo as interven&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias na oferta da infraestrutura b&aacute;sica aos mun&iacute;cipes. Na aus&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es nesse sentido, a precariza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano &eacute; o resultado, tamb&eacute;m sendo percebido como degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. A emerg&ecirc;ncia pela justi&ccedil;a ambiental nos espa&ccedil;os urbanos est&aacute; relacionada, em sua maioria, &agrave; problem&aacute;tica da urbaniza&ccedil;&atilde;o, resultando em conflitos locacionais relacionados aos efeitos da aglomera&ccedil;&atilde;o sem planejamento, &agrave; falta de infraestrutura e &agrave; prioriza&ccedil;&atilde;o pelo poder p&uacute;blico de poucas e seletivas &aacute;reas, em detrimento da maior parte da cidade, relegada a toda sorte de riscos ambientais.</p>     <p>Nesse aspecto, foi poss&iacute;vel identificar como as &aacute;reas n&atilde;o centrais ou perif&eacute;ricas (mesmo que esse conceito apresente resist&ecirc;ncias quanto seu uso em cidades de pequeno porte), s&atilde;o constantemente marginalizadas pelo poder p&uacute;blico com a aus&ecirc;ncia ou defici&ecirc;ncia na oferta de bens e servi&ccedil;os, alguns de primeira necessidade, como a oferta irregular do fornecimento de &aacute;gua e o recolhimento e tratamento adequado do esgoto. Fica evidente que a simples disponibilidade or&ccedil;ament&aacute;ria n&atilde;o representa a adequada oferta dos servi&ccedil;os e equipamentos urbanos indispens&aacute;veis. Em graus distintos, a condi&ccedil;&atilde;o de injusti&ccedil;a ambiental &eacute; identificada na configura&ccedil;&atilde;o urbana de Carapebus e de Quissam&atilde;, pobres cidades ricas produtoras de petr&oacute;leo do Norte Fluminense.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p> <ol start="6">     <li><b> Considera&ccedil;&otilde;es</b></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo buscou trazer reflex&otilde;es acerca do debate sobre justi&ccedil;a ambiental nas cidades pequenas do Norte Fluminense impactadas pela ind&uacute;stria do petr&oacute;leo. O fato de serem cidades pequenas n&atilde;o significa que os impactos da atividade petrol&iacute;fera foram menos relevantes. Tomou-se como refer&ecirc;ncia a an&aacute;lise de Franks (2012) sobre a condi&ccedil;&atilde;o desses impactos como positivos e negativos e a perspectiva de Piquet (2012) sobre impactos diretos e indiretos da ind&uacute;stria petrol&iacute;fera. Quanto aos impactos diretos e indiretos, pouco se observou nessas cidades como impacto direto. Nas sedes municipais o que prevalece &eacute; a presen&ccedil;a de dutos da Transpetro, que estabelecem uma ruptura na mancha urbana e limitam a expans&atilde;o urbana para essas &aacute;reas. &Eacute; v&aacute;lido destacar a condi&ccedil;&atilde;o dos bairros que foram separados da &aacute;rea central, que em Quissam&atilde; e, especialmente, em Carapebus, apresentam caracter&iacute;sticas prec&aacute;rias, com a reduzida a&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico local na oferta de seus servi&ccedil;os e interven&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>J&aacute; no que tange os impactos indiretos, assim como os demais munic&iacute;pios inseridos na zona de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da Bacia de Campos, o mais relevante impacto vivenciado por Carapebus e Quissam&atilde; foi o recebimento das vultosas rendas petrol&iacute;feras. Tais rendas s&atilde;o reconhecidas por si s&oacute; como impactos positivos para esses munic&iacute;pios. Como p&ocirc;de ser observado nos dados sobre o recebimento dessas rendas, a capacidade or&ccedil;ament&aacute;ria que o poder p&uacute;blico local passou a dispor a partir da regulamenta&ccedil;&atilde;o da chamada Lei do Petr&oacute;leo proporciona condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas favor&aacute;veis para a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nas diversas frentes.</p>     <p>Por&eacute;m, os impactos negativos j&aacute; se tornam evidentes na pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o desses munic&iacute;pios com o recebimento de <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais. A depend&ecirc;ncia or&ccedil;ament&aacute;ria &agrave;s rendas petrol&iacute;feras demonstra que pouco se fez para dinamizar as fontes de rendas pelo poder p&uacute;blico local. N&atilde;o sendo uma caracter&iacute;stica &uacute;nica de Carapebus e de Quissam&atilde;, extensiva &agrave;s cidades pequenas em geral, a economia local &eacute; dependente das a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico local, por&eacute;m dependentes dos repasses e transfer&ecirc;ncias do Governo Federal por meio do &ldquo;Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios &ndash; FPM&rdquo; (Santos, 2017), repercutindo para a municipalidade as consequ&ecirc;ncias dessa depend&ecirc;ncia or&ccedil;ament&aacute;ria.</p>     <p>Outro impacto negativo evidente est&aacute; na expans&atilde;o urbana desordenada dessas cidades. No per&iacute;odo que compreende o in&iacute;cio dos anos 2000 at&eacute; 2018, a popula&ccedil;&atilde;o de Carapebus e de Quissam&atilde; cresceu em mais de 77%. Esse feito s&oacute; foi superado por Maca&eacute;, que apresentou um crescimento populacional maior. A partir das informa&ccedil;&otilde;es expostas, foi poss&iacute;vel identificar os impactos indiretos na maior press&atilde;o &agrave; infraestrutura urbana decorrentes desse crescimento demogr&aacute;fico, que demonstram, de alguma forma, que as rendas petrol&iacute;feras est&atilde;o sendo aplicadas de maneira deficit&aacute;ria nesse contexto. Problemas relacionados com a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas irregulares, submoradias, oferta dos servi&ccedil;os de &aacute;gua e esgoto, pavimenta&ccedil;&atilde;o, transporte e distribui&ccedil;&atilde;o dos equipamentos urbanos foram encontrados, destoando sobremaneira da condi&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria favor&aacute;vel dos munic&iacute;pios em an&aacute;lise.</p>     <p>Lan&ccedil;ando m&atilde;o do debate acerca da justi&ccedil;a ambiental, Acselrad (2009), ao abordar essa quest&atilde;o no Brasil, relaciona a exposi&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es degradantes ambientalmente ao p&uacute;blico mais vulner&aacute;vel socioeconomicamente. Foi poss&iacute;vel reconhecer condi&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a ambiental em ambas as cidades, reverberando em condi&ccedil;&otilde;es socioespaciais inadequadas, principalmente nos bairros desses novos eixos de expans&atilde;o urbanas que concentram as moradias ou edifica&ccedil;&otilde;es com piores condi&ccedil;&otilde;es estruturas, podendo deduzir o menor padr&atilde;o socioecon&ocirc;micos dos seus moradores. No contraste entre os novos eixos de expans&atilde;o e a &aacute;rea central das cidades, evidenciou-se o que se entende por periferiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Sem esgotar o assunto, espera-se que as informa&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es expostas nesse artigo possam contribuir com o debate sobre os impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo nas cidades pequenas os quais, como observado, carecem de estudos e iniciativas que busquem ampliar as pol&iacute;ticas urbanas, desenvolvidas nesse contexto, o crescimento demogr&aacute;fico e sobrefinanciamento or&ccedil;ament&aacute;rio do poder p&uacute;blico local.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="7">     <li><b> Refer&ecirc;ncias</b></li>     </ol>     <!-- ref --><p>ACSELRAD, H. Ambientaliza&ccedil;&atilde;o das lutas sociais: o caso do movimento por justi&ccedil;a ambiental. <i>Revista Estudos Avan&ccedil;ados</i>. S&atilde;o Paulo, vol. 24 n&ordm;. 68, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766030&pid=S2182-1267201900030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ACSELRAD, H.; MELLO; C.; BEZERRA, G. <i>O que &eacute; justi&ccedil;a ambiental</i>. Rio de Janeiro: Ed. Garamond, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766032&pid=S2182-1267201900030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>ANP &ndash; Ag&ecirc;ncia Nacional do Petr&oacute;leo. <i>Boletim da Produ&ccedil;&atilde;o de Petr&oacute;leo e G&aacute;s Natural</i>. Junho 2018. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.anp.gov.br/?dw=6970" target="_blank">http://www.anp.gov.br/?dw=6970</a>. Acesso em agosto de 2018.</p>     <!-- ref --><p>BARROS, J.; SILVA, E. <i>Juventude na cidade e justi&ccedil;a ambiental</i>: que papo &eacute; esse? Rio de Janeiro: Fase, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766035&pid=S2182-1267201900030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CEPERJ &ndash; Centro Estadual de Estat&iacute;stica, Pesquisas e Forma&ccedil;&atilde;o de Servidores P&uacute;blicos do Estado do Rio de Janeiro. <i>Mapas do Estado do Rio de Janeiro.</i> Dezembro de 2015. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/pib/pib.html" target="_blank">http://www.ceperj.rj.gov.br/ceep/pib/pib.html</a>. Acesso em agosto de 2018.</p>     <!-- ref --><p>CORR&Ecirc;A, R. L. <i>O espa&ccedil;o urbano</i>. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Editora &Aacute;tica, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766038&pid=S2182-1267201900030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CRUZ, Jos&eacute; Luiz Vianna da; PINTO, Ana Beatriz Manh&atilde;es Pinto. Quissam&atilde;: um munic&iacute;pio<br /> petrorentista. In: PIQUET, Ros&eacute;lia; SERRA, Rodrigo. <i>Petr&oacute;leo e regi&atilde;o no Brasil</i>. O desafio<br /> da abund&acirc;ncia. Rio de Janeiro: Ed. Garamond, 2007</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ENDLICH, A. <i>Pensando os pap&eacute;is e significados das pequenas cidades</i>. S&atilde;o Paulo: UNESP, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766041&pid=S2182-1267201900030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FRANKS, D. <i>Avalia&ccedil;&atilde;o do impacto social de projetos de explora&ccedil;&atilde;o de recursos</i>. Perth, Austr&aacute;lia: International Mining for Development Centre, 2012. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.im4dc.org" target="_blank">http://www.im4dc.org</a>. Acesso Agosto de 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766043&pid=S2182-1267201900030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HERCULANO, S. Resenhando o debate sobre justi&ccedil;a ambiental: produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, breve acervo de casos e cria&ccedil;&atilde;o da rede brasileira de justi&ccedil;a ambiental. <i>Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente</i>. Curitiba, n&ordm; 5, p. 143-149, 2002. Dispon&iacute;vel em:<a href="https://revistas.ufpr.br/made/article/view/22124" target="_blank">https://revistas.ufpr.br/made/article/view/22124</a>.  Acesso em Junho de 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766045&pid=S2182-1267201900030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>IBGE &ndash; Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. <i>IBGE Cidades.</i> Dispon&iacute;vel em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em Agosto de 2018.</p>     <p>INFOROYALTEIS &ndash; Mestrado em Planejamento Regional e Gest&atilde;o de Cidades. <i>Inforoyalties:<br /> </i>petr&oacute;leo, royalties e regi&atilde;o. Campos dos Goytacazes: UCAM. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://inforoyalties.ucam-campos.br/" target="_blank">http://inforoyalties.ucam-campos.br/</a>. Acesso em Agosto de 2018.</p>     <!-- ref --><p>JURADO DA SILVA, P.; SPOSITO, E. <i>Cidades pequenas</i>: perspectivas te&oacute;ricas e transforma&ccedil;&otilde;es socioespaciais. Jundia&iacute;/SP: Paco Editorial, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766049&pid=S2182-1267201900030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LEMOS, L.; NEVES, R. Royalties do petr&oacute;leo e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de fomento agropecu&aacute;rio: uma interpreta&ccedil;&atilde;o &agrave; luz da &ldquo;doen&ccedil;a holandesa&rdquo;. <i>Revista Geogr&aacute;fica da Am&eacute;rica Central</i>. Costa Rica, 2011, p. 1-16. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/view/2511" target="_blank">http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/view/2511</a>. Acesso em Agosto de 201.</p>     <!-- ref --><p>MOTA, A; et al. Impactos socioecon&ocirc;micos da instala&ccedil;&atilde;o do polo petrol&iacute;fero de Maca&eacute;/RJ. In: PIQUET, R; SERRA, R. (orgs.). <i>Petr&oacute;leo e regi&atilde;o no Brasil</i>. O desafio da abund&acirc;ncia. Rio de Janeiro: Ed, Garamond, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766052&pid=S2182-1267201900030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PAGANOTO, F. <i>Mobilidade e transporte em Maca&eacute;/RJ</i>: a &ldquo;capital do petr&oacute;leo&rdquo;. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Geografia). Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia &ndash; UFRJ, Rio de Janeiro, 2008.</p>     <p>PESSANHA, R. <i>A rela&ccedil;&atilde;o transescalar e multidimensional petr&oacute;leo-porto como produtora de novas territorialidades</i>. Tese (Doutorado em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Forma&ccedil;&atilde;o Humana). Programa de<br /> P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Forma&ccedil;&atilde;o Humana &ndash; UERJ, Rio de Janeiro, 2017</p>     <p>PETROBRAS &ndash; Petr&oacute;leo Brasileiro S.A. <i>Bacia de Campos</i>. P&aacute;gina Inicial. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/bacias/bacia-de-campos.htm" target="_blank">http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/bacias/bacia-de-campos.htm</a>. Acesso em Outubro de 2019.</p>     <p>PETROBRAS &ndash; Petr&oacute;leo Brasileiro S.A. <i>Relat&oacute;rio Final do Diagn&oacute;stico Participativo do PEA-BC</i>. Rio de Janeiro: Petrobras, 2012.</p>     <!-- ref --><p>PIQUET; R. O lugar do regional na ind&uacute;stria do petr&oacute;leo. <i>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais.</i> Recife, v. 14, n&ordm; 1, 2012. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/1905" target="_blank">http://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/1905</a>. Acesso em Junho de 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766058&pid=S2182-1267201900030000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PNUD &ndash; Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento. <i>Atlas do Desenvolvimento<br /> Humano no Brasil 2013</i>. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.atlasbrasil.org.br/2013/" target="_blank">http://www.atlasbrasil.org.br/2013/</a>. Acesso em Agosto de 2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>QUINTAS, J<i>. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; gest&atilde;o ambiental p&uacute;blica</i>. 2&ordm; ed. revista. Bras&iacute;lia: IBAMA, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766061&pid=S2182-1267201900030000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, A. <i>Pol&iacute;tica urbana no contexto federativo brasileiro</i>: aspectos institucionais e financeiros. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766063&pid=S2182-1267201900030000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, M. <i>Espa&ccedil;o e sociedade</i>. Petr&oacute;polis: Ed. Vozes, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766065&pid=S2182-1267201900030000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SERRA, R. Concentra&ccedil;&atilde;o espacial das rendas petrol&iacute;feras e sobrefinanciamento das esferas de governo locais. In: PIQUET, R; SERRA, R. (orgs.). <i>Petr&oacute;leo e regi&atilde;o no Brasil.</i> O desafio da abund&acirc;ncia. Rio de Janeiro: Ed. Garamond, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766067&pid=S2182-1267201900030000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SERRA, R.; TERRA, D.; PONTES, C. Os munic&iacute;pios petro-rentistas fluminense: g&ecirc;nese e amea&ccedil;as. <i>Revista Rio de Janeiro.</i> Rio de Janeiro, n&ordm;. 18-19, jan-dez, 2006. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_18-19/Cap-3-Rodrigo_Denise_Carla.pdf" target="_blank">http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_18-19/Cap-3-Rodrigo_Denise_Carla.pdf</a>. Acesso em Agosto 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766069&pid=S2182-1267201900030000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SILVA, A.; GOMES, R.; SILVA, V. Por uma concep&ccedil;&atilde;o conceptual: as cidades pequenas em tela. In: SILVA, A.; GOMES, R.; SILVA, V.&nbsp;<i>Pequenas cidades:</i> uma abordagem geogr&aacute;fica. Natal: EDUFRN, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766071&pid=S2182-1267201900030000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOUZA JUNIOR, G. Doen&ccedil;a holandesa: o Brasil corre esse risco? <i>Jornal Eletr&ocirc;nico da Faculdade de Economia das Faculdades Integradas Vianna Junior.</i> Juiz de Fora, 2&ordm; Semestre 2008. Dispon&iacute;vel em:<a href="https://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2951/3214" target="_blank">https://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/2951/3214</a>. Acesso em Junho de 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766073&pid=S2182-1267201900030000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VEIGA, J<i>. Cidades imagin&aacute;rias:</i> o Brasil &eacute; menos urbano do que se calcula. Campinas: Autores Associados, 2002. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/ln/n87/07.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/ln/n87/07.pdf</a>. Acesso em Agosto 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1766075&pid=S2182-1267201900030000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Grupo de Pesquisa Produ&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o e Redefini&ccedil;&otilde;es Regionais (GAPERR) ligado ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia da Universidade Estadual Paulista de Presidente Prudente.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Grupo de Pesquisa em Estudos Urbanos e Regionais (GPEUR) ligado ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Estudos Regionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> As reservas do pr&eacute;-sal est&atilde;o localizadas no litoral das regi&otilde;es sudeste e sul do Brasil, a uma profundidade m&eacute;dia de 6.000 metros, ap&oacute;s espessa camada de rochas e sal no subsolo mar&iacute;timo. Ainda que o termo tenha rela&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria com a estrutura e processos geol&oacute;gicos, neste artigo sua conota&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada &agrave;s potencialidades econ&ocirc;micas dessa reserva petrol&iacute;fera.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> A Bacia de Campos &eacute; importante prov&iacute;ncia petrol&iacute;fera explorada na costa brasileira. Essa bacia sedimentar se estende das imedia&ccedil;&otilde;es da cidade de Vit&oacute;ria (estado do Esp&iacute;rito Santo) at&eacute; a cidade de Arraial do Cabo, no litoral do estado do Rio de Janeiro, em uma &aacute;rea de aproximadamente 100 mil quil&ocirc;metros quadrados (PETROBRAS, 2019).</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Termo utilizado por Piquet (2002, p. 6) <i>apud </i>Cruz e Pinto (2007, p. 322) ao se referir &agrave;s diversas emancipa&ccedil;&otilde;es que ocorreram ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a> S&atilde;o eles: Quissam&atilde; (1990), Cardoso Moreira (1993), S&atilde;o Francisco do Itabapoana (1997) e Carapebus (1998).</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a> Determinada pelo IBGE, &eacute; a &aacute;rea mais pr&oacute;xima dos campos de produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Segundo a Petrobras (2012), o &ldquo;Projeto Territ&oacute;rios do Petr&oacute;leo&rdquo; visa a promover discuss&atilde;o p&uacute;blica dos processos de distribui&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o dos <i>royalties</i> e participa&ccedil;&otilde;es especiais, incentivar a constitui&ccedil;&atilde;o de N&uacute;cleos de Vig&iacute;lia Cidad&atilde; e realizar a&ccedil;&otilde;es e/ou atividades educativas, tendo como p&uacute;blico priorit&aacute;rio os representantes dos grupos sociais mais vulner&aacute;veis aos impactos da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo. Visa a beneficiar, nas suas atividades abertas, membros da sociedade civil organizada, com posi&ccedil;&otilde;es sociais e lideran&ccedil;as nos munic&iacute;pios de atua&ccedil;&atilde;o do projeto. Os munic&iacute;pios contemplados pelo projeto s&atilde;o: Arraial do Cabo, Cabo Frio, Arma&ccedil;&atilde;o dos B&uacute;zios, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Maca&eacute;, Carapebus, Quissam&atilde;, Campos dos Goytacazes e S&atilde;o Jo&atilde;o da Barra.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Ao todo, foram realizadas oito entrevistas, al&eacute;m de abordagens informais e aleat&oacute;rias aos moradores dos bairros considerados de expans&atilde;o urbana recente no segundo semestre de 2015 e primeiro semestre de 2016.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> O debate acerca da justi&ccedil;a ambiental surgiu nos Estados Unidos na d&eacute;cada de 1980, a partir de discuss&otilde;es que j&aacute; vinham se desenvolvendo desde a d&eacute;cada anterior, por meio da a&ccedil;&atilde;o conjunta de diferentes setores da sociedade os quais questionavam as condi&ccedil;&otilde;es inadequadas de vida a que grupos mais vulner&aacute;veis socioeconomicamente eram condicionados. Esse per&iacute;odo foi marcado pela constru&ccedil;&atilde;o desse debate, que chegou a influenciar a agenda ambientalista. A condi&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica desses grupos da sociedade refletia diretamente a estratifica&ccedil;&atilde;o social dos Estados Unidos &agrave; &eacute;poca: &ldquo;&aacute;reas de concentra&ccedil;&atilde;o de minorias raciais t&ecirc;m uma probabilidade desproporcionalmente maior de sofrer com os riscos e acidentes ambientais (ACSELRAD; MELLO; BEZERRA, 2009, p. 16).</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Esse &iacute;ndice foi criado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para avaliar o desenvolvimento social e econ&ocirc;micos em escala local. Levou-se em considera&ccedil;&atilde;o os &iacute;ndices de alfabetiza&ccedil;&atilde;o, a renda <i>per capita</i> e a expectativa de vida dos munic&iacute;pios.</p>      ]]></body><back>
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<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[ACSELRAD]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ambientalização das lutas sociais: o caso do movimento por justiça ambiental.]]></article-title>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>2010</year>
<volume>24</volume>
<numero>68</numero>
<issue>68</issue>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
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<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[ACSELRAD]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
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