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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O urbano no Salgado Paraense: a pequena cidade de Marapanim nas redes da pesca]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Pará (UFPA) Instituto de Tecnologia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present paper has as it's main objective an analyses of Marapanim's city political economy, located in Pará's state Salgado micro region, in face of it's participation in the territorial's labor division related to the fishing activity. In order to do so, we have carried out bibliographical researches, analysis of documents, records of the fishing economy produced by the fishermen's colony, the Municipal Government and the Geographical and Statistic Brazilian Institute (IBGE); it also employed semi-structured interviews, recorded with involved agents; and the space mapping of the fish production, circulation and distribution. This research led us to understand that Marapanim's city participates at the territorial's labor division as a space that "supports" production, marketing, consumption and the control/fiscal of the regional's artisanal fishing economy.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Marapanim]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Fishing]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O urbano no Salgado Paraense: a pequena cidade de Marapanim nas redes da pesca</b></p>     <p><b>The urban in Salgado, a Par&aacute; state region: the Marapanim small town in the nets of fishing</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><b>Amaral Brito</b>, M&aacute;rcio; <sup>1</sup><b>barbosa Silva</b>, Luiz; <sup>1</sup><b>Silva Azevedo</b>, Felipe</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><i>Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA)</i></p>     <p>Instituto de Tecnologia - R. Augusto Corr&ecirc;a, 01 - Guam&aacute;, Bel&eacute;m - PA, 66075-110, Brazil</p>     <p><a href="mailto:marcioamaral29@gmail.com">marcioamaral29@gmail.com</a>;&nbsp;<a href="mailto:luizmarcelo_sb@hotmail.com">luizmarcelo_sb@hotmail.com</a>;&nbsp;<a href="mailto:giordano-silva@hotmail.com">giordano-silva@hotmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente trabalho tem como objetivo central analisar a economia pol&iacute;tica da cidade de Marapanim (PA), localizada na Microrregi&atilde;o do Salgado, em face da sua participa&ccedil;&atilde;o na divis&atilde;o territorial do trabalho relacionada &agrave; atividade pesqueira. Para tanto, foram realizados levantamentos bibliogr&aacute;ficos, an&aacute;lise de documentos da col&ocirc;nia de pescadores, da Prefeitura Municipal e do IBGE, que tratam do registro da economia pesqueira, entrevistas semiestruturadas gravadas com os agentes envolvidos, e mapeamento acerca dos espa&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de peixe. Esse estudo levou a entender que a cidade de Marapanim participa da divis&atilde;o territorial do trabalho como um &ldquo;espa&ccedil;o de suporte&rdquo; &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o, ao consumo e ao controle/fisco da economia pesqueira regional de natureza artesanal.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Marapanim; Economia pol&iacute;tica da cidade; Pequenas cidades; Pesca.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The present paper has as it's main objective an analyses of Marapanim's city political economy, located in Par&aacute;'s state Salgado micro region, in face of it's participation in the territorial's labor division related to the fishing activity. In order to do so, we have carried out bibliographical researches, analysis of documents, records of the fishing economy produced by the fishermen's colony, the Municipal Government and the Geographical and Statistic Brazilian Institute (IBGE); it also employed semi-structured interviews, recorded with involved agents; and the space mapping of the fish production, circulation and distribution. This research led us to understand that Marapanim's city participates at the territorial's labor division as a space that "supports" production, marketing, consumption and the control/fiscal of the regional's artisanal fishing economy.</p>     <p><b>Keywords:</b> Marapanim; City Political Economy; Small Towns; Fishing.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></li>     </ol>     <p>O presente trabalho aborda a inser&ccedil;&atilde;o de uma pequena cidade da Amaz&ocirc;nia paraense, Marapanim, na divis&atilde;o territorial do trabalho, bem como as implica&ccedil;&otilde;es dessa participa&ccedil;&atilde;o na sua organiza&ccedil;&atilde;o intraurbana. Trata-se de sustentar que Marapanim est&aacute; envolvida numa economia pesqueira artesanal, cujo funcionamento estrutura o espa&ccedil;o da cidade e, ao mesmo tempo, permite a exist&ecirc;ncia de uma produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pautada em um acontecer solid&aacute;rio.</p>     <p>Embora existam pesquisas que ressaltem a necessidade de discutir a diversidade territorial e urbana da Amaz&ocirc;nia (Trindade Jr. 2010 e Oliveira; Schor, 2011), principalmente da por&ccedil;&atilde;o regional dinamizada pelos grandes rios, nenhuma delas se preocupou ainda em investigar a particularidade do litoral de rias paraense<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>, uma regi&atilde;o de coloniza&ccedil;&atilde;o antiga da Amaz&ocirc;nia, cuja din&acirc;mica econ&ocirc;mica est&aacute; pautada em uma economia pesqueira e em fortes intera&ccedil;&otilde;es espaciais entre a terra, os rios e o mar.</p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa adotou-se como m&eacute;todo a proposta de Santos (2009) a respeito da economia pol&iacute;tica da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da economia pol&iacute;tica da cidade, em que se buscou de um lado, verificar como concretamente a cidade de Marapanim participa da divis&atilde;o territorial do trabalho pesqueiro artesanal<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a> realizado na sua regi&atilde;o de influ&ecirc;ncia e, de outro lado, apontar como essa participa&ccedil;&atilde;o faz com que a cidade se organize internamente para atender aos ditames da produ&ccedil;&atilde;o, da circula&ccedil;&atilde;o e do consumo de pescado.</p>     <p>Como procedimentos metodol&oacute;gicos foram efetivados um levantamento e an&aacute;lise bibliogr&aacute;fica relativos &agrave;s pequenas cidades na Amaz&ocirc;nia, al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o socioespacial e das atividades pesqueiras na microrregi&atilde;o do Salgado, em especial, da cidade de Marapanim; acrescentou-se levantamento e an&aacute;lise documental de dados secund&aacute;rios obtidos no Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), na Prefeitura Municipal de Marapanim, no Mercado Municipal e na Col&ocirc;nia dos Pescadores Z-6; concretizou-se ainda&nbsp; trabalhos de campo, com observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica da realidade e realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas semiestruturadas aos pescadores, com os marreteiros&nbsp; e com os atravessadores<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a>; tamb&eacute;m foram entrevistados os comerciantes de materiais para pesca, os representantes da Secretaria de Pesca da Prefeitura, o presidente da Col&ocirc;nia dos Pescadores Z-6 e o diretor do Mercado Municipal. Por fim, mapearam-se os espa&ccedil;os da cidade que participam do circuito espacial da produ&ccedil;&atilde;o pesqueira.</p>     <p>A primeira parte do texto discute as perspectivas te&oacute;ricas que orientaram esta pesquisa, enfatizando a rela&ccedil;&atilde;o entre a divis&atilde;o territorial do trabalho e as pequenas cidades. A segunda parte compreende a forma&ccedil;&atilde;o socioespacial de Marapanim, destacando a sua participa&ccedil;&atilde;o na economia pesqueira regional. A terceira parte analisa a participa&ccedil;&atilde;o de Marapanim na divis&atilde;o do trabalho por meio da atividade da pesca, bem como sua organiza&ccedil;&atilde;o interna em face dessa participa&ccedil;&atilde;o. Por fim, apontam-se algumas considera&ccedil;&otilde;es no sentido de avan&ccedil;ar no entendimento da diversidade urbana da Amaz&ocirc;nia, propondo novas possibilidades para se pensar as pequenas cidades litor&acirc;neas e sua vida de rela&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="2">     <li><b>As pequenas cidades e a divis&atilde;o territorial do trabalho</b></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em recente pesquisa sobre o tratamento dado &agrave;s pequenas e m&eacute;dias cidades nos estudos urbanos contempor&acirc;neos, Demazi&egrave;re (2017) aponta que essas cidades est&atilde;o colocadas como um objeto de pesquisa &agrave; margem. Os trabalhos relativos &agrave; compreens&atilde;o da cidade em face da mundializa&ccedil;&atilde;o, claramente privilegiam as metr&oacute;poles em detrimento das demais fra&ccedil;&otilde;es urbanas. As perspectivas te&oacute;ricas t&ecirc;m contribu&iacute;do, significativamente, para tornar &ldquo;invis&iacute;veis&rdquo; os espa&ccedil;os urbanos n&atilde;o metropolizados, algo que est&aacute; relacionado com o papel funcional desempenhado pelas metr&oacute;poles diante do desenvolvimento econ&ocirc;mico.</p>     <p>A realidade brasileira n&atilde;o &eacute; muito diferente, como destacou Sposito (2004), pois os estudos que t&ecirc;m se dedicado ao entendimento da rela&ccedil;&atilde;o entre a economia globalizada e a urbaniza&ccedil;&atilde;o procuram enfatizar a import&acirc;ncia das grandes metr&oacute;poles do pa&iacute;s, numa articula&ccedil;&atilde;o direta entre global e local. Contrariamente a esse tipo de leitura, o funcionamento em rede da economia tem permitido que cidades que n&atilde;o desempenham papel de &ldquo;cidades globais&rdquo;, possam participar de circuitos e de intera&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o comandadas por hierarquias urbanas.</p>     <p>Para Ribeiro (2006), &eacute; a inser&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses numa nova divis&atilde;o territorial do trabalho, face &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o, o que tem desafiado as pesquisas urbanas, fortemente aprisionadas nos espa&ccedil;os metropolitanos, para uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica, uma vez que o conte&uacute;do do territ&oacute;rio tem sido alterado. Como ressalta, historicamente houve no Brasil uma extraordin&aacute;ria concentra&ccedil;&atilde;o de recursos, de popula&ccedil;&atilde;o e mesmo de centros de pesquisa nas metr&oacute;poles que, em certo sentido, justificava a centralidade dos estudos de natureza metropolitana, mas, na atualidade, uma leitura mais &iacute;ntegra da urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o deve prescindir de constatar que houve, ora uma descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa no pa&iacute;s, derivada do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, ora uma desconcentra&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica econ&ocirc;mica observada nas transforma&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o campo-cidade e nos imperativos da produ&ccedil;&atilde;o capitalista.</p>     <p>Diante dessas considera&ccedil;&otilde;es que desafiam as pesquisas urbanas a pensar na totalidade da organiza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio sem privilegiar apenas uma das suas dimens&otilde;es &ndash; a metropolitana &ndash; em detrimento das demais &ndash; as cidades pequenas e m&eacute;dias &ndash; &eacute; que se coloca, na presente pesquisa, o entendimento das pequenas cidades. Ressalta-se, contudo, que a op&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gica adotada para isso, muito embora se reconhe&ccedil;a a exist&ecirc;ncia de outras, &eacute; a proposta por Santos (2009) a respeito da economia pol&iacute;tica da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da economia pol&iacute;tica da cidade.</p>     <p>Se de um lado, a economia pol&iacute;tica da urbaniza&ccedil;&atilde;o parte da divis&atilde;o social do trabalho que produz uma divis&atilde;o territorial do trabalho<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a>, de outro lado, a economia pol&iacute;tica da cidade investiga a forma como a cidade se organiza internamente em face da produ&ccedil;&atilde;o, bem como a forma como os atores da vida urbana encontram os seus lugares dentro da cidade.</p>     <p>Acrescente-se a isso o entendimento de que, al&eacute;m da divis&atilde;o do trabalho hegem&ocirc;nica sustentada na a&ccedil;&atilde;o dos grandes agentes econ&ocirc;micos, existe outra divis&atilde;o do trabalho pautada no &ldquo;reino da pr&aacute;xis&rdquo;, nas horizontalidades e nas solidariedades org&acirc;nicas e n&atilde;o organizacionais (Silveira, 2011).</p>     <p>Diante disso, torna-se necess&aacute;rio, ainda, aprofundar um pouco mais a discuss&atilde;o sobre as pequenas cidades, relacionada &agrave; divis&atilde;o territorial do trabalho e a rede urbana. Neste sentido, ao interpretar as contribui&ccedil;&otilde;es de Santos (1979), Damiani (2006) afirma que existem duas leituras a respeito da classifica&ccedil;&atilde;o das cidades dentro da rede urbana: uma que se satisfaz com o &ldquo;dado demogr&aacute;fico bruto&rdquo; e que faz a sua classifica&ccedil;&atilde;o segundo o volume populacional (cidades pequenas, m&eacute;dias, grandes e muito grandes), outra que se preocupa em fazer uma classifica&ccedil;&atilde;o de natureza funcional, considerando a cidade como industrial, comercial, administrativa etc. Diante dessas duas formas de classificar a cidade, a autora mostra que Santos (1979) acabou optando por fazer uma classifica&ccedil;&atilde;o tendo em vista a capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pela cidade, assim, ter-se-ia as cidades locais, as cidades regionais, as metr&oacute;poles incompletas e as metr&oacute;poles completas.</p>     <p>A respeito das cidades locais, Santos (2005) mostra que a ado&ccedil;&atilde;o desse termo &eacute; mais interessante do que aquele que &eacute; amplamente utilizado pela literatura especializada, cidades pequenas, pois permite uma abordagem mais funcional do fen&ocirc;meno urbano, num &acirc;mbito mais qualitativo e com aspectos morfol&oacute;gicos espec&iacute;ficos de cada civiliza&ccedil;&atilde;o. Ele chega mesmo a consider&aacute;-las como &ldquo;cidades de subsist&ecirc;ncia&rdquo;, uma vez que possuem apenas uma dimens&atilde;o m&iacute;nima de aglomera&ccedil;&atilde;o urbana, uma fun&ccedil;&atilde;o de primeiro n&iacute;vel hier&aacute;rquico, que lhes permite atender &agrave;s &ldquo;necessidades vitais m&iacute;nimas, reais ou criadas de toda uma popula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Santos, 2005, 71), o que nos permite constatar uma especializa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o.</p>     <p>Enquanto as metr&oacute;poles t&ecirc;m a sua exist&ecirc;ncia relacionada com os novos modelos de produ&ccedil;&atilde;o fundados na l&oacute;gica da concentra&ccedil;&atilde;o, as cidades locais t&ecirc;m sua trajet&oacute;ria relacionada com as transforma&ccedil;&otilde;es no modelo de consumo sob a &eacute;gide da moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e fundada na l&oacute;gica da dispers&atilde;o, cujo comando &eacute; dado &ldquo;pela difus&atilde;o generalizada da informa&ccedil;&atilde;o e do consumo&rdquo; (Santos, 2005, 91). Nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;rias, as cidades locais funcionam no sentido de permitir o acesso da popula&ccedil;&atilde;o a um consumo mais pr&oacute;ximo daquele realizado em outras &aacute;reas mais modernas do pa&iacute;s, enquanto garante a expans&atilde;o da economia urbana.</p>     <p>Ao estudar esse tipo de cidade, embora preferindo utilizar o termo cidades pequenas, Sposito (2009) fez uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ao seu estudo. Um dos pontos diz respeito &agrave;s suas articula&ccedil;&otilde;es, considerando que, sendo diferente da metr&oacute;pole, as pequenas cidades n&atilde;o s&atilde;o entidades aut&ocirc;nomas e dotadas de n&iacute;vel significativo de complexidade. Desse modo, dentre as articula&ccedil;&otilde;es apontadas de Sposito (2009) para o estudo das pequenas cidades, pode-se destacar os seguintes pares: a rela&ccedil;&atilde;o entre rural e urbano, que exige pensar os espa&ccedil;os municipais que est&atilde;o sob o seu comando; a rela&ccedil;&atilde;o cidade e natureza; a rela&ccedil;&atilde;o entre cidade e regi&atilde;o, desde que se considerem as mudan&ccedil;as nesse conceito de regi&atilde;o; a rela&ccedil;&atilde;o entre continuidade e descontinuidade; a rela&ccedil;&atilde;o entre concentra&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o (ou entre densidade e extens&atilde;o) e, por fim, a rela&ccedil;&atilde;o entre polariza&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sposito e Jurado (2013), por sua vez, afirmam que no Brasil a produ&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica sobre as cidades pequenas ainda &eacute; pouco expressiva, uma vez que as pesquisas sobre os espa&ccedil;os urbanos se direcionam, geralmente, para as cidades grandes e m&eacute;dias. Para eles, a cidade pequena n&atilde;o deve ser vista como um dado a priori e &ldquo;em si&rdquo;, portanto, n&atilde;o deve ser interpretada de maneira isolada, mas no conjunto das rela&ccedil;&otilde;es que estabelece com outros centros urbanos. Apesar de apresentarem particularidades, a an&aacute;lise das pequenas cidades, no plano te&oacute;rico, deve estar coesa a processos mais amplos, envolvendo uma discuss&atilde;o da rede urbana. &nbsp;Segundo eles:</p>     <p>Trata-se de uma constru&ccedil;&atilde;o social e coletiva, al&eacute;m de uma elabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pr&aacute;tica de membros da comunidade cient&iacute;fica, a qual produz reflex&otilde;es anal&iacute;ticas, algo consensual e/ou reconhecido/negado para a compreens&atilde;o do urbano e da estrutura&ccedil;&atilde;o da sociedade (Sposito e Jurado, 2013, p.17).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No mesmo sentido, destacou Endlich (2009), referindo que o estudo sobre pequenas (e m&eacute;dias) cidades n&atilde;o pode prescindir do &ldquo;entorno regional&rdquo;, pois &eacute; ele que permite verificar o alcance dos pap&eacute;is urbanos e das din&acirc;micas regionais que lhe servem de sustenta&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, n&atilde;o se deve desprezar as compara&ccedil;&otilde;es, cujo objetivo central &eacute; verificar as dimens&otilde;es vari&aacute;veis do fen&ocirc;meno urbano, uma vez que uma dimens&atilde;o que caracteriza determinada cidade como pequena em uma regi&atilde;o, pode n&atilde;o servir para outra.</p>     <p>Ao refletir sobre as pequenas cidades na Amaz&ocirc;nia &eacute; necess&aacute;rio recuperar o debate sobre a diversidade territorial e urbana na Amaz&ocirc;nia, j&aacute; que, segundo Trindade Jr. (2010), n&atilde;o tem sido objeto de investiga&ccedil;&otilde;es, pois os estudos sobre a regi&atilde;o est&atilde;o muito mais centrados em uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a an&aacute;lise da biodiversidade e/ou da sociodiversidade regional.</p>     <p>Ao destacar a necessidade de se construir uma reflex&atilde;o sobre a urbano-diversidade regional, Trindade Jr. (2010) destaca que &eacute; preciso fazer um trabalho no plano te&oacute;rico, no sentido de entender que a urbaniza&ccedil;&atilde;o se manifesta de forma diferenciada no territ&oacute;rio. Inclusive, refor&ccedil;a a exist&ecirc;ncia de diversos tipos de cidades e m&uacute;ltiplas formas de urbaniza&ccedil;&atilde;o, enquanto no plano da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, real&ccedil;a a necessidade de pensar pol&iacute;ticas urbanas mais plurais, associadas a uma legisla&ccedil;&atilde;o que seja capaz de incorporar a diversidade e a pluralidade dos conte&uacute;dos urbanos do pa&iacute;s.</p>     <p>Procurando aprofundar a discuss&atilde;o sobre pequenas cidades a partir da realidade amaz&ocirc;nica, Trindade Jr. (2013) prop&otilde;e o par dial&eacute;tico: &ldquo;cidade <i>da</i> floresta&rdquo; e &ldquo;cidades <i>na</i> floresta&rdquo;.</p>     <p>As &ldquo;cidades <b><i>da</i></b> floresta&rdquo; referem-se as aglomera&ccedil;&otilde;es que dominaram a cena amaz&ocirc;nica at&eacute; a d&eacute;cada de 1960, apresentando-se como pequenas e associadas &agrave; circula&ccedil;&atilde;o fluvial, bem como tendo fortes intera&ccedil;&otilde;es espaciais com a natureza, com a vida rural n&atilde;o moderna, com a floresta ainda pouco explorada e com seus entornos imediatos e cidades pr&oacute;ximas. Exemplos desse tipo de cidade s&atilde;o as chamadas &ldquo;cidades ribeirinhas&rdquo;, as de &ldquo;coloniza&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria antiga&rdquo; e as &ldquo;cidades h&iacute;bridas&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;As &ldquo;cidades <b><i>na</i></b> floresta&rdquo;, por outro lado, referem-se &agrave;quelas cidades instaladas na regi&atilde;o e que, em face do processo de moderniza&ccedil;&atilde;o regional, apresentam forte articula&ccedil;&atilde;o com demandas externas. Dessa forma, deixa a floresta de fora da integra&ccedil;&atilde;o da sociedade e dos novos valores da vida urbana, produzindo-a principalmente, como espa&ccedil;o de explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Dentre os exemplos, destacam-se as &ldquo;cidades-empresa&rdquo; e as &ldquo;cidades rodovi&aacute;rias&rdquo;.&nbsp;</p>     <p>Em estudo sobre as articula&ccedil;&otilde;es entre as cidades da Calha dos Rios Solim&otilde;es-Amazonas, com o objetivo de construir uma tipologia da rede urbana nela presente, Oliveira (2009) acaba por apontar elementos da urbano-diversidade para a por&ccedil;&atilde;o mais ocidental da Amaz&ocirc;nia brasileira, muito embora n&atilde;o utilize dessa express&atilde;o. O autor destaca a exist&ecirc;ncia de um conjunto de lugares que se relacionam diretamente com o mundo, numa l&oacute;gica da mundializa&ccedil;&atilde;o, da rela&ccedil;&atilde;o local-global e, por outro lado, destaca a exist&ecirc;ncia de lugares cujas hist&oacute;rias e trajet&oacute;rias est&atilde;o relacionadas &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o de outro modo de vida, cidades que n&atilde;o foram extremamente afetadas pela mundializa&ccedil;&atilde;o e que podem servir de reserva territorial estrat&eacute;gica para a constru&ccedil;&atilde;o de um novo modo de vida (Oliveira, 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, fazendo uso de vari&aacute;veis que expressam a funcionalidade e a capacidade de conex&atilde;o das cidades da Calha do Solim&otilde;es-Amazonas entre si, com as demais cidades localizadas fora dela, prop&otilde;e a seguinte tipologia e hierarquia urbana das cidades pequenas: Cidade Pequena de Responsabilidade Social, Cidade Pequena com Din&acirc;mica Econ&ocirc;mica Externa, Cidade Pequena de Fronteira e Cidades Pequenas Dependentes (Oliveira, 2009).</p>     <p>Por mais que se reconhe&ccedil;a o esfor&ccedil;o dos dois &uacute;ltimos autores em refletir sobre a diversidade territorial e urbana da Amaz&ocirc;nia, n&atilde;o se pode deixar de destacar que a realidade do litoral paraense (da microrregi&atilde;o do Salgado) ficou exclu&iacute;da das suas preocupa&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o &eacute; preocupa&ccedil;&atilde;o desse trabalho investigar as raz&otilde;es dessa aus&ecirc;ncia, mas t&atilde;o somente acrescentar elementos hist&oacute;ricos e emp&iacute;ricos que justifiquem a amplia&ccedil;&atilde;o dessas classifica&ccedil;&otilde;es de modo a incorporar uma por&ccedil;&atilde;o territorial da regi&atilde;o que tem ficado exclu&iacute;da das pesquisas acad&ecirc;micas mais recentes, pelo menos no &acirc;mbito da Geografia Urbana, principalmente por acreditar que ela apresenta particularidades e singularidades que precisam ser reveladas para ampliar o entendimento da realidade geogr&aacute;fica amaz&ocirc;nica e para que sejam melhor integradas &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="3">     <li><b>A forma&ccedil;&atilde;o socioespacial da pequena cidade de Marapanim: entre a farinha e o peixe</b></li>     </ol>     <p>O objetivo deste t&oacute;pico &eacute; analisar a forma&ccedil;&atilde;o socioespacial do litoral paraense e de Marapanim. Para isso, optou-se em trabalhar com a categoria da forma&ccedil;&atilde;o socioespacial que, de acordo com Santos (2005), procura superar o debate geogr&aacute;fico centrado apenas na forma das coisas para compreender, geograficamente, por meio de sua forma&ccedil;&atilde;o, um tipo de investiga&ccedil;&atilde;o que considera as din&acirc;micas sociais que produzem e transformam as formas, via processos hist&oacute;ricos de espacializa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>De acordo com Santos (2005, 22) trata-se de inserir o espa&ccedil;o no debate da forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e social, pois se refere &agrave; &ldquo;evolu&ccedil;&atilde;o diferencial das sociedades no seu quadro pr&oacute;prio e em rela&ccedil;&atilde;o com as for&ccedil;as externas&rdquo;, estando sua explica&ccedil;&atilde;o focada na produ&ccedil;&atilde;o, no trabalho humano que transforma o espa&ccedil;o de acordo com as leis determinadas historicamente. Segundo esse autor, &eacute; preciso tratar as forma&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas, distinguindo-a da forma&ccedil;&atilde;o socioespacial, pois no Brasil h&aacute; uma forma&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica capitalista e dentro dele existem diferentes forma&ccedil;&otilde;es socioespaciais, como a da pr&oacute;pria Amaz&ocirc;nia, por exemplo. O Espa&ccedil;o, na perspectiva metodol&oacute;gica de Santos (2005, 31), n&atilde;o deve ser visto como uma &ldquo;simples tela de fundo inerte e neutro&rdquo;, de modo que o processo hist&oacute;rico n&atilde;o pode se realizar sen&atilde;o <i>no</i> espa&ccedil;o e <i>pelo</i> espa&ccedil;o, estando, portanto, a evolu&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o social condicionada pela espacialidade, entendida tanto em termos de heran&ccedil;as (diacr&ocirc;nico), quanto em termos atuais (sincr&ocirc;nico).</p>     <p>Para fazer uma breve discuss&atilde;o acerca da forma&ccedil;&atilde;o socioespacial do litoral paraense e de Marapanim parte-se, inicialmente, das contribui&ccedil;&otilde;es de &Eacute;gler (1961) quando afirma que existiam tr&ecirc;s caminhos principais para alcan&ccedil;ar S&atilde;o Lu&iacute;s do Maranh&atilde;o, sede administrativa e base do abastecimento da ent&atilde;o prov&iacute;ncia do Gr&atilde;o-Par&aacute;: plo litoral, que deu origem a um conjunto de pequenos n&uacute;cleos utilizados como base log&iacute;stica para a navega&ccedil;&atilde;o entre Bel&eacute;m e S&atilde;o Lu&iacute;s; pelo Rio Guam&aacute;, em que se navega de Bel&eacute;m at&eacute; a altura de Our&eacute;m (PA), passando pelo n&uacute;cleo de S&atilde;o Miguel do Guam&aacute; (Par&aacute;), e da&iacute;, por via terrestre, at&eacute; &agrave;s cabeceiras do Rio Caet&eacute;, para ent&atilde;o chegar at&eacute; Bragan&ccedil;a, por trilhas de &iacute;ndios e, de l&aacute;, at&eacute; S&atilde;o Lu&iacute;s do Maranh&atilde;o, viajando ao longo da costa. J&aacute; o terceiro caminho era uma prec&aacute;ria estrada para Bragan&ccedil;a, que ficava localizada numa extensa &aacute;rea de mata entre o litoral e o Rio Guam&aacute;, que era utilizada para transporte de gado, e onde hoje est&atilde;o localizados os n&uacute;cleos urbanos de Castanhal, Igarap&eacute;-A&ccedil;u, Timboteua e Capanema (&Eacute;gler, 1961).</p>     <p>Pelos objetivos desta pesquisa destaca-se a &aacute;rea do Salgado cujo processo de ocupa&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionado, como j&aacute; dito, com as intera&ccedil;&otilde;es espaciais existentes entre Bel&eacute;m e S&atilde;o Lu&iacute;s atrav&eacute;s da circula&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima. Por meio de uma viagem perigosa, realizada em pequenas embarca&ccedil;&otilde;es &agrave; vela que precisavam aportar constantemente em busca de prote&ccedil;&atilde;o e reabastecimento, o que acabou por produzir um &ldquo;verdadeiro ros&aacute;rio de pequenos n&uacute;cleos de povoamento ao longo da costa do Par&aacute;&rdquo; (&Eacute;gler, 1961,&nbsp; 528).&nbsp; A t&iacute;tulo de exemplo, entre Bel&eacute;m e Bragan&ccedil;a cidades pequenas, tais como: Vigia, S&atilde;o Caetano de Odivelas, Curu&ccedil;&aacute;, Marapanim, Maracan&atilde;, Salinas, S&atilde;o Jo&atilde;o de Pirabas, S&atilde;o Jo&atilde;o da Ponta e Quatipuru.</p>     <p>Na realidade, antes da coloniza&ccedil;&atilde;o europeia na Amaz&ocirc;nia, a presen&ccedil;a humana no litoral paraense j&aacute; era milenar, havendo registros de povos pescadores-coletores que datam de, aproximadamente, 3 mil anos, sendo que muitos dos h&aacute;bitos desses povos antigos est&atilde;o presentes na cultura das comunidades pesqueiras do litoral do Par&aacute; e Amap&aacute; (Furtado, 1987). Assim, a Amaz&ocirc;nia j&aacute; era habitada por popula&ccedil;&otilde;es antes da chegada dos europeus, derrubando uma ideia, renovada em certos momentos, de um vazio demogr&aacute;fico na regi&atilde;o (Gon&ccedil;alves, 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dentre as popula&ccedil;&otilde;es que j&aacute; existiam antes da coloniza&ccedil;&atilde;o europeia, destaca-se a grande fam&iacute;lia dos Tupinamb&aacute;, que estava presente no Norte do pa&iacute;s, e da qual faziam parte os ind&iacute;genas Pacaj&aacute;s, que habitavam o que hoje &eacute; o munic&iacute;pio de Marapanim (Furtado, 1987).</p>     <p>Com a chegada do Padre Jo&atilde;o do Souto Maior, por volta de 1656, os &iacute;ndios Pacaj&aacute; foram aldeados, dando origem, ent&atilde;o, a uma aldeia mission&aacute;ria em Arapij&oacute;, na margem do Rio Marapanim, por ordem da Companhia de Jesus (Castro, 1998) que estava assentada numa fazenda chamada &ldquo;Bom Intento&rdquo;, conforme aponta Furtado (1987).</p>     <p>Ressalta-se que at&eacute; meados do s&eacute;culo XVIII, o cen&aacute;rio era de pouco dinamismo econ&ocirc;mico nas aldeias, limitando-se principalmente &agrave; explora&ccedil;&atilde;o das drogas do sert&atilde;o. No Salgado, as principais atividades eram a agricultura e a pesca e os habitantes revezavam tais atividades segundo as safras (Furtado, 1987 e Loureiro, 1983).</p>     <p>A explora&ccedil;&atilde;o dos recursos nas aldeias era feita pela m&atilde;o de obra ind&iacute;gena, sob o controle das ordens religiosas, e os recursos eram escoados at&eacute; Bel&eacute;m e de l&aacute; para Portugal, beneficiando as ordens religiosas em detrimento da burguesia, do Estado portugu&ecirc;s e dos grupos comerciais ingleses que, por acordos comerciais com Portugal, buscavam controlar seu com&eacute;rcio ultramarino (Corr&ecirc;a, 2006).</p>     <p>A chegada de Mendon&ccedil;a Furtado (Governador Geral e irm&atilde;o do Marqu&ecirc;s de Pombal) &agrave; Amaz&ocirc;nia, em 1751, coincide com a transforma&ccedil;&atilde;o do Estado do Maranh&atilde;o e Gr&atilde;o-Par&aacute; em Estado do Gr&atilde;o-Par&aacute; e Maranh&atilde;o, juntamente com a mudan&ccedil;a da sede da administra&ccedil;&atilde;o colonial de S&atilde;o Lu&iacute;s para Bel&eacute;m. Dentre os principais problemas do per&iacute;odo Pombalino, mesmo depois da expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas da Amaz&ocirc;nia, Almeida (2008) destaca o &ldquo;modelo de coloniza&ccedil;&atilde;o de base teol&oacute;gica&rdquo;, que al&eacute;m de edifica&ccedil;&otilde;es e de relatos sobre a devasta&ccedil;&atilde;o e o massacre de ind&iacute;genas por sesmeiros e colonos, implantou formas particulares de religiosidade e de poder na sociedade colonial.</p>     <p>Almeida (2008) afirma que a Religi&atilde;o e a Teologia foram os principais alvos do &ldquo;pensamento ilustrado&rdquo; de Pombal, que, com a sua forma&ccedil;&atilde;o iluminista, redefiniu o projeto colonial, destacando o papel do Estado e menosprezando a a&ccedil;&atilde;o confessional, principalmente no dom&iacute;nio econ&ocirc;mico. Assim, ao contr&aacute;rio do dogma religioso, Pombal escolheu o saber cient&iacute;fico e o gerenciamento econ&ocirc;mico como forma de subordinar os empreendimentos das ordens religiosas &agrave;s pol&iacute;ticas do Estado. Nesse contexto, por meio de &ldquo;medidas racional-burocr&aacute;ticas&rdquo;, delineou-se os tra&ccedil;os distintivos do Estado Moderno (do Estado-Na&ccedil;&atilde;o) em oposi&ccedil;&atilde;o ao Estado din&aacute;stico dos religiosos, incorporando permanentemente a natureza aos empreendimentos da agricultura tropical.</p>     <p>O resultado concreto dessa pol&iacute;tica para a microrregi&atilde;o do Salgado n&atilde;o foi positivo, ao contr&aacute;rio de outras &aacute;reas da Amaz&ocirc;nia, em que se verificou uma maior dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica em fun&ccedil;&atilde;o da introdu&ccedil;&atilde;o da agricultura comercial, da pecu&aacute;ria e do trabalho escravo negro. No Salgado, segundo Baena (1885), houve uma desorganiza&ccedil;&atilde;o da estrutura&ccedil;&atilde;o socioespacial, cujo epicentro irradiavam das ordens religiosas.</p>     <p>O segundo grande momento da forma&ccedil;&atilde;o socioespacial da microrregi&atilde;o do Salgado, e que vai ter implica&ccedil;&otilde;es diretas na forma&ccedil;&atilde;o de Marapanim, est&aacute; relacionado com o in&iacute;cio da ocupa&ccedil;&atilde;o planejada da regi&atilde;o, num contexto de expans&atilde;o do extrativismo da borracha (1850-1920) na Amaz&ocirc;nia. Esse per&iacute;odo foi respons&aacute;vel por diferentes transforma&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o, especialmente nas capitais, Manaus e Bel&eacute;m; de acordo com Corr&ecirc;a (2006), o l&aacute;tex extra&iacute;do das seringueiras, existente em grande abund&acirc;ncia no interior da floresta e valorizado pelo mercado internacional como mat&eacute;ria-prima para a ind&uacute;stria de pneum&aacute;ticos, insere a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica na Divis&atilde;o Internacional do Trabalho.</p>     <p>&Eacute; importante ressaltar que se, por um lado o <i>boom</i> da borracha trouxe grandes transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-econ&ocirc;micas e no modo de vida da regi&atilde;o, por outro lado, n&atilde;o se pode esquecer que ela tamb&eacute;m promoveu o decl&iacute;nio da atividade agr&iacute;cola, o que acabou por provocar uma crise de abastecimento em Bel&eacute;m, por exemplo, bem como um conflito de ordem pol&iacute;tica entre a oligarquia latifundi&aacute;ria tradicional e o setor extrativista da borracha. A forma encontrada para solucionar esses problemas foi a pol&iacute;tica de coloniza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o bragantina (ocorrida entre as &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;c. XIX at&eacute; &agrave; primeira d&eacute;cada do s&eacute;c. XX), realizada ao longo da Estrada de Ferro de Bragan&ccedil;a (EFB), atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de numerosas col&ocirc;nias agr&iacute;colas, cujas sedes transformaram-se em n&uacute;cleos urbanos naquela mesorregi&atilde;o. Inicialmente, faziam uso da m&atilde;o de obra europeia (especialmente portugueses, franceses e espanh&oacute;is), e, posteriormente, com maior &ecirc;xito, utilizaram m&atilde;o de obra nordestina (&Eacute;gler, 1961).</p>     <p>A coloniza&ccedil;&atilde;o ao longo da EFB, por&eacute;m, se mostrou infrut&iacute;fera, pois dos 12.029 colonos introduzidos, apenas 1.802 restaram at&eacute; 1902, segundo &Eacute;gler (1961), por problemas de ordem t&eacute;cnica nas pr&aacute;ticas agr&iacute;colas. Apesar de tudo, a pr&aacute;tica da coloniza&ccedil;&atilde;o dirigida ao longo da EFB foi fundamental para a estrutura&ccedil;&atilde;o da rede urbana da regi&atilde;o bragantina e, por consequ&ecirc;ncia, do Nordeste paraense.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao longo de seu trajeto, a EFB possu&iacute;a 46 pontos, entre esta&ccedil;&otilde;es, paradas e estribos, que correspondem hoje, na sua maioria, a munic&iacute;pios do Nordeste paraense, e que, na &eacute;poca, correspondiam &agrave;s principais localidades da regi&atilde;o. Al&eacute;m disso, a ferrovia ajudou a fortalecer o papel de dois n&uacute;cleos que serviam de entrepostos comerciais por onde passavam ramais da estrada de ferro: Castanhal e Igarap&eacute;-A&ccedil;u. Por serem &ldquo;ponta de trilhos&rdquo;, esses n&uacute;cleos tiveram sua centralidade regional refor&ccedil;ada pela depend&ecirc;ncia que as outras localidades ao longo dos ramais tinham em rela&ccedil;&atilde;o as mesmas (&Eacute;gler, 1961 e Ribeiro, 2015).</p>     <p>Nesse contexto da implanta&ccedil;&atilde;o da EFB, no final do s&eacute;culo XIX, cabe destacar que Marapanim, desde sua funda&ccedil;&atilde;o como freguesia (1869) at&eacute; &agrave; sua eleva&ccedil;&atilde;o &agrave; categoria de vila (1874) e, depois, cidade (1895), ainda tinha a agricultura como base da sua economia, e a sua popula&ccedil;&atilde;o era composta, majoritariamente, por lavradores-pescadores. A comercializa&ccedil;&atilde;o do peixe para exporta&ccedil;&atilde;o era realizada t&atilde;o somente por meio do peixe salgado ou seco.</p>     <p>A popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio cresceu nesse per&iacute;odo, o que tamb&eacute;m pode indicar um aumento dos consumidores do pescado (Castro, 1998). O contato com outros centros urbanos, principalmente Bel&eacute;m, se fazia pelos rios e pelo mar, atrav&eacute;s de barco a vapor e canoas-geleiras, que transportavam produtos e pessoas, de modo que a circula&ccedil;&atilde;o entre esta aglomera&ccedil;&atilde;o humana e outras localidades era demorada e penosa, dificultando, assim, a comercializa&ccedil;&atilde;o do peixe (Furtado, 1987).</p>     <p>Embora Marapanim n&atilde;o tenha sido alcan&ccedil;ada materialmente pela via f&eacute;rrea que dinamizava a economia do nordeste paraense desde o final do s&eacute;culo XIX, &eacute; preciso destacar que a microrregi&atilde;o do Salgado n&atilde;o ficaria imune &agrave; sua centralidade, pois, como demonstrou Furtado (1987), foram adotadas diferentes estrat&eacute;gias para alcan&ccedil;ar a estrada de ferro e, por meio delas, fazer a produ&ccedil;&atilde;o do litoral chegar a Bel&eacute;m: Uma dessas formas era navegando pelo Rio Marapanim, at&eacute; atingir a localidade de Cipoal, posteriormente, caminhando 6 km, alcan&ccedil;ava-se a parada do trem em Jambua&ccedil;u. Outra forma de acesso &agrave; ferrovia&nbsp; era se deslocando at&eacute; a estrada Curu&ccedil;&aacute;-Castanhal<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a>. Por fim, podia-se aceder &agrave; EFB subindo o Rio Marapanim at&eacute; a localidade de Matapiquara e da&iacute; percorrer 20 km por terra at&eacute; ao n&uacute;cleo de Igarap&eacute;-A&ccedil;u, onde havia uma esta&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria (Furtado, 1987).</p>     <p>O terceiro momento desta forma&ccedil;&atilde;o espacial est&aacute; relacionada com as pol&iacute;ticas de moderniza&ccedil;&atilde;o implantadas na Amaz&ocirc;nia depois dos anos 1950. Tinham como objetivo central promover a integra&ccedil;&atilde;o nacional, do territ&oacute;rio e do mercado e expandir o modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s fronteiras de recursos, principalmente, para a Amaz&ocirc;nia. A predomin&acirc;ncia da circula&ccedil;&atilde;o por estradas de rodagem em substitui&ccedil;&atilde;o da EFB contribuiu para modifica&ccedil;&otilde;es fundamentais na estrutura&ccedil;&atilde;o da rede urbana da zona bragantina e da pr&oacute;pria microrregi&atilde;o do Salgado, uma vez que possibilitou a exist&ecirc;ncia de intera&ccedil;&otilde;es de maior amplitude no territ&oacute;rio, para al&eacute;m da regi&atilde;o. Outro processo decorrente foi o surgimento de novos n&uacute;cleos urbanos pr&oacute;ximos as rodovias, o que contribuiu para mudan&ccedil;as na divis&atilde;o territorial do trabalho. Assim, as cidades de Castanhal e Capanema tiveram as suas centralidades regionais refor&ccedil;adas a partir da reorganiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o regional marcada por esse novo eixo de circula&ccedil;&atilde;o, pois concentraram o com&eacute;rcio e servi&ccedil;os regionais (Ribeiro, 2015).</p>     <p>Por mais que a implanta&ccedil;&atilde;o da rede rodovi&aacute;ria voltada &agrave; integra&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia ao restante do territ&oacute;rio brasileiro a partir da d&eacute;cada de 1950, ressalta-se que no Salgado paraense ela j&aacute; existia desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, pois a cidade de Marapanim j&aacute; estava interligada por hidrovias, ferrovia e rodovias (mesmo que prec&aacute;rias) a Bel&eacute;m, atrav&eacute;s de uma estrada que a conectava com a&nbsp; estrada Curu&ccedil;&aacute;-Castanhal, desde 1936 (Furtado, 1987).</p>     <p>Segundo Furtado (1987), a expans&atilde;o da rede rodovi&aacute;ria permitiu maior circula&ccedil;&atilde;o na microrregi&atilde;o do Salgado, impulsionando a distin&ccedil;&atilde;o de duas &aacute;reas no munic&iacute;pio j&aacute; percebida na d&eacute;cada de 1950. Uma no interior, onde a atividade agr&iacute;cola era predominante, e outra na costa, especializada na atividade pesqueira. Furtado (1987, 64) ainda esclarece que:</p>     <p>Marapanim foi recortado por estradas atrofiaram sua posi&ccedil;&atilde;o como centro catalizador e redistribuidor dos produtos das comunidades circunvizinhas, integrantes de sua jurisdi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa. A cidade perdeu a sua antiga vida de rela&ccedil;&atilde;o. Deixou de ser o centro religioso, social e comercial. As vilazinhas do interior marapanienses ficaram menos dependente da cidade para realizar transa&ccedil;&otilde;es comerciais.</p>     <p>A cidade de Marapanim perde, portanto, muitas das fun&ccedil;&otilde;es de media&ccedil;&atilde;o comercial do munic&iacute;pio, pois as diversas povoa&ccedil;&otilde;es agora t&ecirc;m contato mais regular com outros centros urbanos regionais que conseguem polarizar e irradiar com mais for&ccedil;a as trocas materiais e imateriais, principalmente Bel&eacute;m e Castanhal. A partir dos anos 1930, al&eacute;m das estradas, &eacute; poss&iacute;vel perceber a presen&ccedil;a de algumas inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas no munic&iacute;pio, como o aumento do uso de redes de pesca pr&eacute;-fabricadas industrialmente no Sul do Brasil e a introdu&ccedil;&atilde;o do motor nas embarca&ccedil;&otilde;es, coexistindo com a pesca que remonta ao per&iacute;odo provincial do Par&aacute;, como a &ldquo;pesca de curral&rdquo;<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a> (Furtado, 1987).</p>     <p>Com a consolida&ccedil;&atilde;o da rede rodovi&aacute;ria na d&eacute;cada de 1970, a popula&ccedil;&atilde;o marapaniense teve maior contato com outros mercados e os pescadores e marreteiros foram ent&atilde;o pressionados a obter o pescado que ent&atilde;o fazia parte de uma comercializa&ccedil;&atilde;o mais complexa, de um mercado territorialmente mais amplo e que tinha outros modos de consumo. Ao mesmo tempo, as popula&ccedil;&otilde;es inseridas na economia da pesca tiveram, desde ent&atilde;o, maior contato com bens materiais e com um estilo de vida mais urbano, tendo Bel&eacute;m e Castanhal como refer&ecirc;ncias (Santana, 2013 e Furtado, 1987).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No munic&iacute;pio tamb&eacute;m se expandiu e se consolidou, a partir da expans&atilde;o rodovi&aacute;ria, a pr&aacute;tica de turismo e da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria (Santana, 2013), salientando-se a produ&ccedil;&atilde;o de segundas resid&ecirc;ncias em algumas localidades, como Marud&aacute; (Furtado, 1987) e na cidade de Marapanim, enquanto aumentava o fluxo populacional que movimentava a economia desses espa&ccedil;os em certos per&iacute;odos do ano, principalmente, nas f&eacute;rias escolares de julho e final de ano. Nesses per&iacute;odos, na atualidade, o munic&iacute;pio recebia veranistas que destoavam do restante do ano da economia pesqueira, al&eacute;m de alterarem a paisagem e a din&acirc;mica das localidades.</p>     <p>Neste in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, observa-se no munic&iacute;pio um aumento de com&eacute;rcios e servi&ccedil;os, como se constata com os indicadores da participa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os no Produto Interno Bruto (PIB) municipal que cresceu 167,8% em nove anos. Acresce-se que, apesar do setor agropecu&aacute;rio e da ind&uacute;stria terem crescido 99,2% e 230,9%, respectivamente, no mesmo per&iacute;odo, assim mesmo &eacute; o setor de servi&ccedil;os que representa 73,4% do PIB marapaniense em 2011. Entende-se que o com&eacute;rcio e os servi&ccedil;os ocorrem principalmente nos centros urbanos, como &eacute; o caso da cidade de Marapanim.</p>     <p>Outro crescimento na cidade relaciona-se com a expans&atilde;o de sua malha urbana, que no intervalo de, aproximadamente, 30 anos, ou seja, entre 1987 e 2015 (<a name="f1"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a02f1.gif">Figura 1</a>) se expandiu nos sentidos Leste e Nordeste em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Rodovia PA-318 e ao Igarap&eacute; do Seco-Velho. Assim, a cidade de Marapanim cresce em dire&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias ao local de in&iacute;cio do povoamento<a href="#_ftn7" name="_ftnref7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a>, expans&atilde;o que se estende e se dispersa pelo principal centro de com&eacute;rcio e servi&ccedil;os da cidade, a Avenida Bar&atilde;o do Rio Branco; e mais recentemente no eixo da PA-318 em dire&ccedil;&atilde;o oeste (Barbosa, 2017).</p>      
<p>Furtado (1987) atribui as mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas e socioculturais&nbsp; observadas em Marud&aacute; na d&eacute;cada de 1980 a dois fatores: a expans&atilde;o capitalista em &aacute;reas rurais e a urbaniza&ccedil;&atilde;o. Essas mudan&ccedil;as ocorreram porque, primeiro, os territ&oacute;rios de Marapanim tiveram acesso facilitado &agrave;s din&acirc;micas de mercados dos centros urbanos como Bel&eacute;m e Castanhal, que se expandiram no s&eacute;culo XX, relaciona-se com o aparecimento de um estilo de vida urbano modernizado.</p>     <p>Marapanim expandiu suas rela&ccedil;&otilde;es para com outros centros urbanos menores, nos quais poderiam comercializar mercadorias e servi&ccedil;os, dilatando as trocas materiais e imateriais entre diversas cidades locais, articulando-as as din&acirc;micas regionais e nacionais que os territ&oacute;rios marapanienses desigualmente se inseria.</p>     <p>Portanto, o Urbano no munic&iacute;pio de Marapanim n&atilde;o se manifestou apenas na cidade, mas tamb&eacute;m em outros aglomerados humanos. Assim, a urbaniza&ccedil;&atilde;o transcende os limites da cidade, alcan&ccedil;ando popula&ccedil;&otilde;es do campo, embora tendo a cidade como sua refer&ecirc;ncia espacial. Ainda assim, o Rural persistiu nestas aglomera&ccedil;&otilde;es e na pr&oacute;pria cidade de Marapanim, pois a submiss&atilde;o ao tempo da natureza, caracter&iacute;stico da agricultura e pesca marapaniense, denuncia esse aspecto rural. Existe, pois, nesta cidade, uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre o urbano e o rural (Barbosa, 2017).</p> <ol start="4">     <li><b>A pequena cidade de Marapanim nas redes da pesca</b></li>     </ol>     <p>Diante da explana&ccedil;&atilde;o sobre a forma&ccedil;&atilde;o territorial do Salgado paraense e de Marapanim, registrou-se o avan&ccedil;o da moderniza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, sendo que Marapanim, ainda que enquanto cidade perif&eacute;rica e desigualmente inserida, no momento, passa a se articular mais fortemente com outras cidades, sejam elas pequenas, m&eacute;dias ou a pr&oacute;pria metr&oacute;pole de Bel&eacute;m.</p>     <p>Enquanto cidade local, Marapanim concentra funcionalidades pol&iacute;ticas, comerciais e de servi&ccedil;os, exercendo uma responsabilidade para com outras localidades, vilas, moradores do campo e dos interiores, principalmente os imediatamente pr&oacute;ximos. Durante o processo de pesquisa foi poss&iacute;vel identificar que a produ&ccedil;&atilde;o do pescado tem ocorrido durante longo per&iacute;odo no munic&iacute;pio, e que a concentra&ccedil;&atilde;o da sua comercializa&ccedil;&atilde;o na cidade de Marapanim foi fundante de uma especializa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o de seu espa&ccedil;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Procura-se, pois, compreender a divis&atilde;o territorial do trabalho na cidade de Marapanim, salientando, pela relev&acirc;ncia, a produ&ccedil;&atilde;o do pescado (incluindo a sua comercializa&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e consumo), espacializando os seus circuitos e o estabelecimento das suas redes. Elencam-se, a partir da atividade pesqueira, quatro momentos para compreender o que estamos chamando de &ldquo;as redes da pesca da cidade de Marapanim&rdquo;: obten&ccedil;&atilde;o e/ou produ&ccedil;&atilde;o de materiais para a pesca; a pesca; a comercializa&ccedil;&atilde;o e o consumo; e, por fim, a organiza&ccedil;&atilde;o desta pequena cidade para a atividade pesqueira.</p>     <p>&nbsp;</p> <ul>     <li><b>Obten&ccedil;&atilde;o e/ou produ&ccedil;&atilde;o de materiais para a pesca</b></li>     </ul>     <p>Designam-se materiais para a pesca os objetos necess&aacute;rios para a pr&aacute;tica pesqueira, identificou-se basicamente cinco no l&oacute;cus de pesquisa: os alimentos, as embarca&ccedil;&otilde;es, o combust&iacute;vel, o gelo e os artigos de pesca.</p>     <p>O acesso aos alimentos por parte dos pescadores da cidade pode ocorrer atrav&eacute;s da compra em estabelecimentos comerciais locais, ainda, pela doa&ccedil;&atilde;o ou retribui&ccedil;&otilde;es futuras de algum indiv&iacute;duo pr&oacute;ximo (vizinho, parente, amigo etc.). H&aacute; casos em que agentes intermedi&aacute;rios<a href="#_ftn8" name="_ftnref8"><sup><sup>[8]</sup></sup></a> fornecem um cr&eacute;dito<a href="#_ftn9" name="_ftnref9"><sup><sup>[9]</sup></sup></a> em dinheiro (chamado de vale), que possibilita o acesso do pescador a alimentos. A obten&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel e de gelo &eacute; semelhante ao que ocorre com os alimentos<a href="#_ftn10" name="_ftnref10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a>.</p>     <p>Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel adquirir por empr&eacute;stimo, escambo, aluguel ou por aquisi&ccedil;&atilde;o as embarca&ccedil;&otilde;es na cidade de Marapanim, pois existem carpinteiros navais que respondem &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es dos pescadores da cidade e de outras localidades dentro e fora do munic&iacute;pio<a href="#_ftn11" name="_ftnref11"><sup><sup>[11]</sup></sup></a>. O acesso &agrave; embarca&ccedil;&atilde;o pelo pescador, majoritariamente, &eacute; efetuado atrav&eacute;s da compra ou pelo uso da embarca&ccedil;&atilde;o de um outro indiv&iacute;duo, pescador ou agente intermedi&aacute;rio, que fica com uma parte do que for pescado.</p>     <p>Quanto aos artigos de pesca, eles s&atilde;o oferecidos na cidade em estabelecimentos varejistas que vendem diversas mercadorias para pesca, como motores, rabetas<a href="#_ftn12" name="_ftnref12"><sup><sup>[12]</sup></sup></a>, redes malhadeiras, cordas pl&aacute;sticas, chumbo, panagens, isopores e anz&oacute;is. Assim, os pescadores da cidade obt&ecirc;m esses materiais na pr&oacute;pria cidade (tendo um menor disp&ecirc;ndio comparado), que atende &agrave;s necessidades de pescadores de outros povoados pr&oacute;ximos, como as vilas pesqueiras de Camar&aacute;, Araticum-Miri, Vista Alegre, Tamaruteua e Marud&aacute;. Estas rela&ccedil;&otilde;es refor&ccedil;am a converg&ecirc;ncia exercida pela cidade de Marapanim.&nbsp;</p>     <p>A oferta de artigos de pesca na cidade de Marapanim revelou rela&ccedil;&otilde;es mais abrangentes, pois a obten&ccedil;&atilde;o dos produtos pelos estabelecimentos comerciais est&aacute; conectada com as cidades de S&atilde;o Paulo (SP), Diadema (SP), Curitiba (PR), Bel&eacute;m (PA), Castanhal (PA) e Capanema (PA), estabelecendo redes nacionais (Sul e Sudeste do Brasil) e regionais (Nordeste paraense). Paralelamente, surgem redes imateriais, um circuito de coopera&ccedil;&atilde;o espacial (Silveira, 2011) representado por trocas pela internet (via e-mail), telefone e pelo sistema banc&aacute;rio.</p>     <p>Essas informa&ccedil;&otilde;es explicitam as rela&ccedil;&otilde;es entre o circuito inferior e o circuito superior da economia<a href="#_ftn13" name="_ftnref13"><sup><sup>[13]</sup></sup></a> (Santos, 1979), pois o com&eacute;rcio varejista que abastece a cidade e as povoa&ccedil;&otilde;es circunvizinhas municipais, com rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas com seus clientes, estabelecem transa&ccedil;&otilde;es comerciais com empresas industriais, modernas e multinacionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; importante ressaltar tamb&eacute;m que parte da produ&ccedil;&atilde;o dos materiais para a pesca &eacute; produzida pelos pr&oacute;prios pescadores de modo artesanal, como aponta Furtado (1987), sejam por redeiros, que tecem as suas pr&oacute;prias redes de forma individual, ou por curralistas, que trabalham coletivamente em forma de mutir&otilde;es para construir os currais, uma grande armadilha fixa com v&aacute;rias pe&ccedil;as de madeira (varas e cip&oacute;s)<a href="#_ftn14" name="_ftnref14"><sup><sup>[14]</sup></sup></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <ul>     <li><b>A pesca </b></li>     </ul>     <p>A cidade de Marapanim &eacute; um espa&ccedil;o de extrativismo do pescado em que &eacute; poss&iacute;vel observar a captura de peixes de &aacute;gua doce e de &aacute;gua salgada. Este pescado &eacute; desembarcado em v&aacute;rios portos que rodeiam a cidade, ao longo das margens dos Rios Marapanim e Cajutuba e dos Igarap&eacute;s<a href="#_ftn15" name="_ftnref15"><sup><sup>[15]</sup></sup></a> do Seco-Velho e Pag&eacute;.</p>     <p>As esp&eacute;cies de peixes s&atilde;o capturadas de acordo com a &eacute;poca do ano (Santos et al., 2005), pois a presen&ccedil;a de determinados cardumes est&aacute; diretamente relacionada com o regime anual das &aacute;guas dos rios da regi&atilde;o<a href="#_ftn16" name="_ftnref16"><sup><sup>[16]</sup></sup></a>. Al&eacute;m desse regime anual, a pesca tamb&eacute;m acompanha a din&acirc;mica di&aacute;ria das mar&eacute;s, j&aacute; que, a partir de determinado per&iacute;odo do dia, h&aacute; ou n&atilde;o disponibilidade de peixes em um determinado local e a possibilidade de deslocamento at&eacute; este local.</p>     <p>A sazonalidade das esp&eacute;cies pesqueiras tamb&eacute;m influi no trabalho e na produ&ccedil;&atilde;o, pois os instrumentos de trabalho possuem atributos de acordo com as inten&ccedil;&otilde;es dos pescadores e das esp&eacute;cies de interesse, j&aacute; que, para cada esp&eacute;cie, h&aacute; uma forma particular de captura (Alves et al., 2015). Em s&iacute;ntese, se por um lado h&aacute; uma influ&ecirc;ncia das condi&ccedil;&otilde;es da natureza, por outro existe a press&atilde;o do mercado, das condi&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e sociais para a din&acirc;mica da pesca, como esclarece Furtado (1987).</p>     <p>&nbsp;</p> <ul>     <li><b>A comercializa&ccedil;&atilde;o e o consumo</b></li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; poss&iacute;vel afirmar que a maior parte do pescado capturado pelos pescadores da cidade de Marapanim &eacute; comercializado na pr&oacute;pria cidade e, como foi referido a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo &eacute; intermediada pelos marreteiros/atravessadores que se articulam em diferentes escalas.&nbsp;</p>     <p>Segundo os dados de Alves et al. (2015), os pescadores do Porto do Bug&aacute;rio, o principal porto na cidade de Marapanim, vendem, majoritariamente, para os marreteiros ou atravessadores, destinando apenas 6% dos seus produtos para os consumidores. Essa realidade pode ser encontrada nos restantes dos portos.</p>     <p>O lucro da comercializa&ccedil;&atilde;o &eacute; geralmente usado para a compra de outras mercadorias, tanto para consumo, quanto para o trabalho de pescaria. Devido &agrave; baixa renda dos pescadores (87% deles possuem uma renda familiar mensal inferior ou igual a 1 sal&aacute;rio-m&iacute;nimo), h&aacute; uma dificuldade de capital e estabiliza&ccedil;&atilde;o financeira que d&ecirc; acesso aos produtos de consumo e aos instrumentos de trabalho, como apontam Alves et al. (2015) e alguns pescadores<a href="#_ftn17" name="_ftnref17"><sup><sup>[17]</sup></sup></a>.</p>     <p>Se por um lado, t&ecirc;m-se os agentes intermedi&aacute;rios da cidade de Marapanim que adquirem o pescado na pr&oacute;pria cidade e em outras localidades do munic&iacute;pio, como nas vilas pesqueiras de Marud&aacute;, Vista Alegre, Camar&aacute; e Tamaruteua, por outro lado h&aacute; os intermedi&aacute;rios que compram em outros munic&iacute;pios costeiros do Par&aacute;, a exemplo de Curu&ccedil;&aacute; e suas localidades (Araquaim e Abade),&nbsp; Vigia, Salin&oacute;polis (localidade de Cuinarana), S&atilde;o Jo&atilde;o de Pirabas e at&eacute; de Bel&eacute;m<a href="#_ftn18" name="_ftnref18"><sup><sup>[18]</sup></sup></a>. Deste modo, a compra do pescado feita pelos marreteiros da cidade de Marapanim pode ter alcance na microrregi&atilde;o do Salgado e na Regi&atilde;o Metropolitana de Bel&eacute;m (RMB).</p>     <p>As vendas efetuadas pelos agentes intermedi&aacute;rios s&atilde;o, por seu turno, majoritariamente efetuadas na pr&oacute;pria cidade, por&eacute;m de duas formas: para estabelecimentos que vendem o pescado para consumidores da pr&oacute;pria cidade (&agrave; vista, a prazo, a cr&eacute;dito, no &ldquo;fiado&rdquo;<a href="#_ftn19" name="_ftnref19"><sup><sup>[19]</sup></sup></a>, escambo ou ainda pela troca do pescado por futuro trabalho); outra forma de venda &eacute; para intermedi&aacute;rios que levam o pescado para as cidades de Castanhal e Bel&eacute;m. Esse &uacute;ltimo tipo de venda intensifica-se quando a produ&ccedil;&atilde;o pesqueira da cidade &eacute; expressiva.</p>     <p>Quando a produ&ccedil;&atilde;o &eacute; elevada, os portos da cidade de Marapanim, principalmente o Bug&aacute;rio, al&eacute;m do Mercado Municipal, abastecem caminh&otilde;es frigor&iacute;ficos de supermercados, que tamb&eacute;m adquirem pescados nas vilas pesqueiras de Camar&aacute; e Vista Alegre, por exemplo.</p>     <p>Na pequena cidade de Marapanim, as rela&ccedil;&otilde;es comerciais da atividade pesqueira d&atilde;o-se por um&nbsp; circuito inferior da economia (Santos, 1979), as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas entre pescadores e agentes intermedi&aacute;rios s&atilde;o de baixo volume, com pouca possibilidade de capitaliza&ccedil;&atilde;o. Outro fator que contribui para a baixa capitaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os modos n&atilde;o capitalizados de produ&ccedil;&atilde;o, trocas permeadas por solidariedades,&nbsp; como as doa&ccedil;&otilde;es de materiais para pesca entre pescadores ou&nbsp; quando o pescador reparte a &ldquo;boia&rdquo; (quantidade de alimento limitada a uma ou algumas refei&ccedil;&otilde;es) entre os vizinhos e conhecidos, que fazem o mesmo em outras oportunidades, seja com peixe ou com outros produtos<a href="#_ftn20" name="_ftnref20"><sup><sup>[20]</sup></sup></a>.</p>     <p>Ao mesmo tempo, tais rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o captadas pelo circuito superior da economia, pois diante da compra do pescado n&atilde;o constam as solidariedades do reino da pr&aacute;xis e os trabalhos n&atilde;o remunerados, podendo haver hipervalora&ccedil;&atilde;o (ocorr&ecirc;ncia rara). A desvaloriza&ccedil;&atilde;o do trabalho, por&eacute;m, s&atilde;o mais comum, por n&atilde;o serem os produtores do pescado a controlar o pre&ccedil;o (oferta e procura), influenciado pelo valor imposto pelos intermedi&aacute;rios externos &agrave; cidade (Santos, 1979).</p>     <p>&nbsp;</p> <ul>     <li><b>A organiza&ccedil;&atilde;o da pequena cidade de Marapanim para a atividade pesqueira</b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>Na cidade de Marapanim existem espa&ccedil;os que est&atilde;o diretamente envolvidos com as redes da pesca artesanal, como os estaleiros, os portos, os estabelecimentos de materiais para a pesca, as peixarias, o Mercado Municipal, a sede da Col&ocirc;nia dos Pescadores Z-6, o Posto Fiscal, as casas que vendem combust&iacute;vel e a f&aacute;brica de gelo (<a name="f2"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a02f2.gif">Figura 2</a>).</p>      
<p>Destacam-se, por&eacute;m, os portos os principais espa&ccedil;os de desembarque do pescado e da transa&ccedil;&atilde;o comercial entre os pescadores e os agentes intermedi&aacute;rios. Contudo, os mesmos possuem pouca infraestrutura moderna e a produ&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os foram, sobretudo, da responsabilidade dos pescadores. Localizam-se nas margens dos principais corpos d&rsquo;&aacute;gua da cidade, interligando a sede do munic&iacute;pio com os territ&oacute;rios circunvizinhos, tanto os de &aacute;gua doce quanto os de &aacute;gua salgada.</p>     <p>Os principais portos da cidade de Marapanim s&atilde;o, todavia, mais do que espa&ccedil;os de troca de mercadorias, pois s&atilde;o tamb&eacute;m locais de encontro e sociabilidade entre os pescadores e outros habitantes. Aqui, usam esses lugares para o lazer, para o trabalho, para a alimenta&ccedil;&atilde;o advinda da pescaria e/ou de suas casas, para o consumo de bebidas alco&oacute;licas, aos fumos, &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e culturais e &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o da paisagem.</p>     <p>Os mais importantes estabelecimentos comerciais que disponibilizam materiais para pesca localizam-se nas proximidades da Rodovia PA-318, que interliga a sede de Marapanim com o territ&oacute;rio de &aacute;gua salgada (ao Norte) mas tamb&eacute;m com o territ&oacute;rio de &aacute;gua doce e os centros urbanos regionais e nacionais (ao Oeste e ao Sul). Do mesmo modo, est&atilde;o pr&oacute;ximos da Av. Bar&atilde;o do Rio Branco onde, entre a Rua Diniz Botelho e a PA-318, localiza-se o centro comercial da cidade, que disp&otilde;e de produtos para a popula&ccedil;&atilde;o: alimento, vestu&aacute;rio, produtos agr&iacute;colas, constru&ccedil;&atilde;o civil, materiais de pesca, para al&eacute;m da concentra&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.</p>     <p>Os principais espa&ccedil;os de comercializa&ccedil;&atilde;o do pescado podem ser divididos entre os pontos fixos e os pontos m&oacute;veis de venda. Dentre os fixos, est&atilde;o o Mercado Municipal e as peixarias, que s&atilde;o parte das casas dos agentes intermedi&aacute;rios locais<a href="#_ftn21" name="_ftnref21"><sup><sup>[21]</sup></sup></a>, enquanto os pontos m&oacute;veis de venda podem ser observados em algumas ruas ao longo da cidade, onde marreteiros e/ou pescadores carregam os isopores com gelo e o pescado em carros de m&atilde;o, motos ou carros. H&aacute;, contudo,&nbsp; uma concentra&ccedil;&atilde;o desses comerciantes na Rua An&iacute;sio Oeiras, no trecho entre a Av. Bar&atilde;o do Rio Branco e a Rua Tenente Saraiva, vendendo-se o pescado nas esquinas dessa rua. S&atilde;o espa&ccedil;os de sociabilidade entre pescadores, agentes intermedi&aacute;rios e consumidores locais, que dinamizam esses locais, sobretudo, na parte da manh&atilde; entre as segundas-feiras e as sextas-feiras.</p>     <p>Outros locais diretamente ligados &agrave; atividade pesqueira s&atilde;o a sede da Col&ocirc;nia de Pescadores Z-6, tendo como principal fun&ccedil;&atilde;o orientar e apoiar os pescadores em rela&ccedil;&atilde;o ao acesso &agrave; previd&ecirc;ncia, mas que enfrenta dificuldade em articular os pescadores. Pontuam tamb&eacute;m o Posto Fiscal, que se localiza pr&oacute;ximo da entrada da cidade, que servem para controlar e fiscalizar a entrada e sa&iacute;da do pescado.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="5">     <li><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></li>     </ol>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo da inser&ccedil;&atilde;o de uma pequena cidade do Salgado paraense na divis&atilde;o territorial do trabalho, a partir de sua economia pesqueira artesanal, permite compreender uma economia pol&iacute;tica da urbaniza&ccedil;&atilde;o e economia pol&iacute;tica da cidade (Santos, 2009) que, n&atilde;o s&oacute; revelam rela&ccedil;&otilde;es comerciais, mas tamb&eacute;m de solidariedade.&nbsp;</p>     <p>Pode-se afirmar que Marapanim passou a se constituir como parte da divis&atilde;o territorial do trabalho, exercendo uma fun&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica de dispers&atilde;o do com&eacute;rcio e da produ&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m de inserir sua produ&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio microrregional, regional, e mesmo nacional e mundial. Logo, o pescado transforma-se em mercadoria, algo j&aacute; apontado por Loureiro (1985, 183), em trabalho sobre a pesca em Vigia (PA). Ressalta-se que, embora n&atilde;o deva desconsiderar a explora&ccedil;&atilde;o do trabalho, &eacute; por meio da comercializa&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o do pescado enquanto mercadoria, cujo pre&ccedil;o deve comportar a remunera&ccedil;&atilde;o dos diferentes agentes envolvidos no processo.</p>     <p>Todavia nem todas as remunera&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m um valor estabelecido, e o controle do valor n&atilde;o &eacute;, majoritariamente, feito pelo pescador. Aqui &eacute; interessante perceber a dupla temporalidade de tais processos, visto que, tanto no Salgado quanto em Marapanim, permanecem rela&ccedil;&otilde;es de solidariedade em que o pescado n&atilde;o &eacute; necessariamente mercadoria.&nbsp;</p>     <p>Registra-se, ainda, que parte desse trabalho solid&aacute;rio &eacute; fundamental para a reprodu&ccedil;&atilde;o da vida, mas que n&atilde;o deixa de ser captado pelo mercado que o insere em sua reprodu&ccedil;&atilde;o enquanto rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o capitalistas e trabalho n&atilde;o remunerado, o que possibilita um maior lucro e/ou a diminui&ccedil;&atilde;o do valor do pescado (Martins, 1996).</p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o territorial do Salgado, assim como a atividade da pesca e a divis&atilde;o territorial do trabalho da pequena cidade de Marapanim, permite fazer compara&ccedil;&otilde;es com as formula&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas de Oliveira (2009) e Trindade Jr. (2013) e assinalar, por proposi&ccedil;&atilde;o, avan&ccedil;os no que diz respeito &agrave;s tipologias de pequenas cidades na/da Amaz&ocirc;nia.</p>     <p>O primeiro apontamento condiz com a possibilidade de analisar uma &aacute;rea &ndash; no caso, a microrregi&atilde;o do Salgado &ndash; que estava em constante rela&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o com centros urbanos via deslocamentos pelos rios e pelo mar, atrav&eacute;s de pequenas embarca&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m com a presen&ccedil;a de transporte por grandes navios (S&atilde;o Lu&iacute;s-Bel&eacute;m) e, ainda, articulando-se com a ferrovia regional no final do s&eacute;culo XIX.</p>     <p>Com o estabelecimento da rede rodovi&aacute;ria, iniciada no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX, de iniciativa estadual e municipal, ou seja, antes das iniciativas do governo federal a partir da d&eacute;cada de 1950 na Amaz&ocirc;nia, destoa-se, de certa maneira, com o padr&atilde;o hist&oacute;rico explicativo que aponta um novo modelo de circula&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o, mas apenas a partir dos anos 1960, que priorizou a estrada, &ldquo;substituindo&rdquo; o hidrovi&aacute;rio.&nbsp;</p>     <p>Outro pontoa salientar a possibilidade de estudo em uma &aacute;rea onde existam influ&ecirc;ncias da sazonalidade do pescado e que implica em uma varia&ccedil;&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o e intensidade das redes que envolvem a economia pesqueira. Nesse sentido, a cidade de Marapanim muda sazonalmente segundo a disponibilidade de peixes de &aacute;gua doce (inverno) e de &aacute;gua salgada (ver&atilde;o), influenciando mudan&ccedil;as referentes a economia, a pol&iacute;tica, a express&otilde;es culturais e at&eacute; &agrave; paisagem desse espa&ccedil;o. Destaca-se que tal sazonalidade n&atilde;o <i>determina</i> <i>totalmente</i> as din&acirc;micas da cidade, embora seja poss&iacute;vel descobrir mudan&ccedil;as nos regimes de trabalho, da pesca, da agricultura (plantios entre dezembro e janeiro) (Furtado, 1987) e do extrativismo (per&iacute;odo da safra de determinadas frutas). Nesse sentido, enfatiza-se a import&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es campo e cidade.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, levanta-se a hip&oacute;tese de uma tipologia espec&iacute;fica para as pequenas cidades do Salgado na sequ&ecirc;ncia da coloniza&ccedil;&atilde;o antiga do litoral, com influ&ecirc;ncia jesu&iacute;ta, que deu conformidade aos aldeamentos ind&iacute;genas dispersos. Seguiu-se uma desorganiza&ccedil;&atilde;o estatal do controle e distribui&ccedil;&atilde;o da terra e da produ&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo pombalino; subsequentemente houve a distribui&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola no per&iacute;odo da borracha, o que manteve uma relativa quantidade de pequenas comunidades ao longo do rio; e, posteriormente, ao longo das estradas, onde h&aacute; converg&ecirc;ncia &agrave;s pequenas cidades, como para a cidade de Marapanim, com sua influ&ecirc;ncia zonal imediata e que se constitui em uma rede local. Por outro lado, conecta-se com redes regionais, nacionais e mundiais (Santos, 2014), refor&ccedil;ando sua import&acirc;ncia hier&aacute;rquica.</p>     <p>Nesse sentido, os territ&oacute;rios do munic&iacute;pio de Marapanim n&atilde;o est&atilde;o isolados do fen&ocirc;meno urbano que ocorre na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica e no Brasil, apesar de tal din&acirc;mica n&atilde;o se manifestar como geralmente acontece noutras realidades metropolitanas, de cidades m&eacute;dias e pequenas, ou mesmo totalmente de acordo com as tipologias antes propaladas. Por ser de coloniza&ccedil;&atilde;o antiga em &aacute;rea litor&acirc;nea e de rio, para al&eacute;m das prolongadas rela&ccedil;&otilde;es entre popula&ccedil;&otilde;es tradicionais e modernas. Em paralelo, identifica-se que n&atilde;o h&aacute; um movimento de extin&ccedil;&atilde;o das ruralidades em Marapanim, pelo contr&aacute;rio, &eacute; poss&iacute;vel inferir que existe uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre urbano e rural.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <ol start="6">     <li><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></li>     </ol>     <p>Almeida, A. W. B. de. Biologismos, geografismos e dualismos: notas para uma leitura cr&iacute;tica de esquemas interpretativos da Amaz&ocirc;nia que dominam a vida intelectual. In A. W. B. de Almeida. <i>Antropologia dos Archivos da Amaz&ocirc;nia.</i> Rio de Janeiro: Casa 8/FUA, 2008.</p>     <!-- ref --><p>Alves, R. J. M. et al. Caracteriza&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e produtiva da pesca artesanal no munic&iacute;pio de Marapanim, Par&aacute;, Brasil. <i>Observatorio de la economia latinoamericana</i>, M&aacute;laga, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767931&pid=S2182-1267202000010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAENA, M. B. M<i>. Informa&ccedil;&otilde;es sobre as comarcas da Prov&iacute;ncia do Par&aacute;. Organizadas em virtude do aviso circular do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a de 20/09/1883</i>. Par&aacute;, Typographia de Francisco Costa J&uacute;nior, 1885.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767933&pid=S2182-1267202000010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BARBOSA, L. M. <i>O urbano no litoral de rias paraense:</i> a pequena cidade de Marapanim nas redes da pesca. Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso (Bacharelado e Licenciatura em Geografia) &ndash; Universidade Federal do Par&aacute;, Bel&eacute;m, 2017.</p>     <p>Borcem, E. R. et al. A atividade pesqueira no munic&iacute;pio de Marapanim &ndash; Par&aacute;, Brasil. <i>Revista de Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias</i>, Bel&eacute;m, v. 54, n. 3. p. 189-201, 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Castro, J. A. <i>No&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria de Marapanim.</i> Bel&eacute;m: Gr&aacute;fica e Editora Sagrada Fam&iacute;lia, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767937&pid=S2182-1267202000010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CIDADE-BRASIL. <i>Microrregi&atilde;o do Salgado paraense.</i> Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.cidade-brasil.com.br/microrregiao-de-salgado.html" target="_blank">http://www.cidade-brasil.com.br/microrregiao-de-salgado.html</a>&gt;. Acesso em: 25 jul. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767939&pid=S2182-1267202000010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Corr&ecirc;a, R. L. <i>Estudos sobre a rede urbana.</i> Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767941&pid=S2182-1267202000010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Damiani, A. L. Cidades m&eacute;dias e pequenas no processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, Apontamentos bibliogr&aacute;ficos In A. L. Damiani; M. Arroyo; M. L. Silveira (orgs.). <i>Am&eacute;rica Latina:</i> cidade, campo e turismo. S&atilde;o Paulo: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), p. 135- 146, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767943&pid=S2182-1267202000010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Demazi&egrave;re, C. Le traitement des petites et moyennes villes par les &eacute;tudes urbaines. <i>Revue espaces et societes,</i> n. 168-169, p.&nbsp; 17-32, 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767945&pid=S2182-1267202000010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>&Eacute;gler, E. G. A zona Bragantina no estado do Par&aacute;.&nbsp;<i>Revista Brasileira de Geografia</i>, v. 23, n. 3, p. 527-555, 1961.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767947&pid=S2182-1267202000010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Endlich, &Acirc;. M. Forma&ccedil;&atilde;o socioespacial da regi&atilde;o noroeste do Paran&aacute; e as pequenas cidades. <i>Boletim de Geografia</i>,&nbsp;n. 25, v. 1, p. 37-58, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767949&pid=S2182-1267202000010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Furtado, L. G. <i>Curralistas e redeiros de Marud&aacute;:</i> pescadores do litoral do Par&aacute;. Bel&eacute;m: Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767951&pid=S2182-1267202000010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, C. W. P. <i>Amaz&ocirc;nia, amaz&ocirc;nias</i>. 3. ed. S&atilde;o Paulo: Contexto, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767953&pid=S2182-1267202000010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Guerra, A. T.; Guerra, A. J. T. <i>Novo dicion&aacute;rio geol&oacute;gico-geomorfol&oacute;gico.</i> 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767955&pid=S2182-1267202000010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Loureiro, V. R. <i>Os parceiros do mar</i>: Natureza e conflito social na pesca da Amaz&ocirc;nia. Bel&eacute;m: Museu Em&iacute;lio Goeldi, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767957&pid=S2182-1267202000010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Martins, J. S.&nbsp; O tempo da fronteira:&nbsp; Retorno a controv&eacute;rsia sobre o tempo hist&oacute;rico da frente de expans&atilde;o e da frente pioneira. <i>Tempo Social &ndash; Rev.&nbsp; Sociol&oacute;gica USP</i>, S&atilde;o Paulo, p. 25-70, 1996.</p>     <p>Oliveira, J. A. et al. Cidades, Rede Urbana e Desenvolvimento na Amaz&ocirc;nia dos Grandes Rios. In S. Trindade Jr; G. Carvalho; A. Moura; J. G. Neto. (orgs.). <i>Pequenas e M&eacute;dias cidades na Amaz&ocirc;nia.</i> Bel&eacute;m: Federa&ccedil;&atilde;o de &Oacute;rg&atilde;os para Assist&ecirc;ncia Social e Educacional/ FASE; Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais Aplicadas/UFPA; Observat&oacute;rio COMOVA, p. 35-57, 2009.</p>     <!-- ref --><p>Oliveira, J. A; Schor, T. Reflex&otilde;es metodol&oacute;gicas sobre o estudo da rede urbana no Amazonas e perspectivas para a an&aacute;lise das cidades na Amaz&ocirc;nia brasileira. <i>ACTA Geogr&aacute;fica,</i> Boa Vista, p. 15-29, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767961&pid=S2182-1267202000010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Prost, M. T. et al. Manguezais e estu&aacute;rios da Costa paraense: exemplo de estudo multidisciplinar integrado (Marapanim e S&atilde;o Caetano de Odivelas). In M. T. Prost; A. C. Mendes (org.).<i> Ecossistemas costeiros: impactos e gest&atilde;o ambiental</i>. 2. ed. Bel&eacute;m: Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, p. 73-88, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767963&pid=S2182-1267202000010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, A. C. T. Sentidos da urbaniza&ccedil;&atilde;o: desafios do presente. In E. S. Sposito; M. E. B. Sposito; O. Sobarzo. <i>Cidades M&eacute;dias: </i>produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano e regional. S&atilde;o Paulo: Express&atilde;o Popular, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767965&pid=S2182-1267202000010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ribeiro, W. O. Redes, intera&ccedil;&otilde;es e pap&eacute;is dos centros urbanos da regi&atilde;o nordeste do Par&aacute;, Brasil.&nbsp;<i>Anais ENANPUR</i>, v. 16, n. 1, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767967&pid=S2182-1267202000010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santana, G. Formas organizativas e estrat&eacute;gias de vida no litoral paraense. In M. Prost; A. C. Mendes, (orgs.). <i>Ecossistemas costeiros: impactos e gest&atilde;o ambiental</i>. 2. ed. Bel&eacute;m: Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi, p. 175-180, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767969&pid=S2182-1267202000010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, M. A. S. et al. An&aacute;lise socioecon&ocirc;mica da pesca artesanal no Nordeste Paraense. In <i>XLIII Congresso da Sober: Institui&ccedil;&otilde;es, Efici&ecirc;ncia, Gest&atilde;o e Contratos no Sistema Agroindustrial</i>, Ribeir&atilde;o Preto: Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767971&pid=S2182-1267202000010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, M. <i>Espa&ccedil;o e sociedade:</i> ensaios. Petr&oacute;polis: Vozes, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767973&pid=S2182-1267202000010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Santos, M.. <i>O Espa&ccedil;o Dividido: </i>os dois circuitos da economia urbana dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos. S&atilde;o Paulo: Edusp, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767975&pid=S2182-1267202000010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Santos, M.. Por uma economia pol&iacute;tica da cidade. In M. Santos.<i> Por uma economia pol&iacute;tica da cidade.</i> 2. ed. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767977&pid=S2182-1267202000010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Silveira, M. L. O Brasil: territ&oacute;rio e sociedade no in&iacute;cio do s&eacute;culo 21 &ndash; A hist&oacute;ria de um livro. <i>ACTA Geogr&aacute;fica,</i> Boa Vista, p. 151-163, 2011.</p>     <p>Sposito, M. E. B. Perspectivas anal&iacute;ticas. In M. E. B. Sposito. <i>O ch&atilde;o em peda&ccedil;os: </i>urbaniza&ccedil;&atilde;o, economia e cidades no Estado de S&atilde;o Paulo. Tese (Livre Doc&ecirc;ncia) &ndash; Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia, Presidente Prudente, 2004.</p>     <!-- ref --><p>Sposito, M. E. B. <i>Para pensar as pequenas e m&eacute;dias cidades brasileiras.</i> Bel&eacute;m: Federa&ccedil;&atilde;o de &Oacute;rg&atilde;os para Assist&ecirc;ncia Social e Educacional; Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais Aplicadas/UFPA; Observat&oacute;rio COMOVA, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767981&pid=S2182-1267202000010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sposito, E. S; Jurado Da Silva, P. F. <i>Cidades Pequenas:</i> Perspectivas Te&oacute;ricas e Transforma&ccedil;&otilde;es Socioespaciais. Jundia&iacute; (SP): Paco Editorial, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767983&pid=S2182-1267202000010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Trindade JR, S. C. Das &ldquo;cidades na floresta&rdquo; &agrave;s &ldquo;cidades da floresta&rdquo;: espa&ccedil;o, ambiente e Urbanodiversidade na Amaz&ocirc;nia brasileira. <i>Papers do NAEA,</i> Bel&eacute;m, n. 321, p. 1-22, 2013.</p>     <!-- ref --><p>Trindade JR., S. C. Diferencia&ccedil;&atilde;o territorial e urbanodiversidade: elementos para pensar uma agenda urbana em n&iacute;vel nacional. <i>Cidades,</i> Presidente Prudente, v. 7, n. 12, p. 227-255, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1767986&pid=S2182-1267202000010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> &ldquo;Originada de uma imers&atilde;o do litoral com a consequente invas&atilde;o do mar nos vales modelados pela eros&atilde;o fluvial. As costas deste tipo s&atilde;o altas e os rios afogados e de larga embocadura. A ria &eacute;, portanto, um tipo de costa de submers&atilde;o, caracterizada por apresentar vales muito largos com foz em forma de trombeta&rdquo; (Guerra; Guerra, 2008, 543).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Embora a pesca encontrada no munic&iacute;pio de Marapanim realize a captura de crust&aacute;ceos (tais como caranguejo, camar&atilde;o-rosa e siri) e moluscos (como o sarnambi), este artigo foca no extrativismo de peixes, sem deixar de considerar os demais produtos coletados pelos pescadores (Borcem et al., 2011).&nbsp;&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> O <i>atravessador</i> &eacute; uma agente que compra diretamente dos pescadores e/ou dos aviadores para depois vender o pescado aos comerciantes varejistas ou pode ser um intermedi&aacute;rio que transporta e vende o pescado em outros munic&iacute;pios e estados do pa&iacute;s, tendo uma rela&ccedil;&atilde;o comercial de alcance local, regional e nacional. J&aacute; os <i>marreteiros</i> acumulam pequenas quantidades de pescado, obtidas diretamente de v&aacute;rios pescadores, e as vendem nas vilas e na sede municipal para feirantes, comerciantes e, mesmo, atravessadores, resultando num alcance de a&ccedil;&atilde;o restrito (Santos et al., 2005).</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Apontando a distribui&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de trabalho, do emprego e dos homens na superf&iacute;cie da terra, auxiliando a estabelecer a rela&ccedil;&atilde;o da cidade com a regi&atilde;o, ou mesmo da metr&oacute;pole com a regi&atilde;o.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Existia desde 1902, mas cujo acesso, a partir de Marapanim, era tortuoso, o que somente foi solucionado em 1938, com a constru&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;estrada carro&ccedil;&aacute;vel&rdquo; ligando Marapanim &agrave; estrada Curu&ccedil;&aacute;-Castanhal.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Grande armadilha fixa, constru&iacute;da com v&aacute;rias pe&ccedil;as de madeira (varas e cip&oacute;s) (Furtado, 1987).</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Nas proximidades da Pra&ccedil;a das Vit&oacute;rias, pr&oacute;ximo &agrave; embocadura do Igarap&eacute; do Pag&eacute; e &agrave; margem oeste do Rio Marapanim.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Tais agentes podem ser classificados em patr&atilde;o aviador, atravessadores e marreteiros. O patr&atilde;o aviador financia a pescaria, custeia a alimenta&ccedil;&atilde;o, o combust&iacute;vel e o gelo necess&aacute;rio, e toda a produ&ccedil;&atilde;o &eacute; dirigida obrigatoriamente a ele, que geralmente &eacute; o dono da embarca&ccedil;&atilde;o. Sobre o atravessador e o marreteiro, ver nota 3.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> O Sistema de Aviamento consiste no fornecimento de cr&eacute;dito, na forma de dinheiro ou mercadoria, ao produtor, que fica comprometido a destinar sua produ&ccedil;&atilde;o ao fornecedor, tanto para quitar a d&iacute;vida contra&iacute;da com o cr&eacute;dito quanto por conta de rela&ccedil;&otilde;es clientelistas. Essa rela&ccedil;&atilde;o de aviamento, na Amaz&ocirc;nia, possui v&aacute;rias faces e foi impulsionada principalmente no fim do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do XX com o surto econ&ocirc;mico advindo com o extrativismo do l&aacute;tex na Amaz&ocirc;nia (Gon&ccedil;alves, 2015).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Informa&ccedil;&atilde;o cedida por Raimundo Cordovil Favacho (&ldquo;Mundinho&rdquo;), marreteiro e diretor do Mercado Municipal na cidade de Marapanim, no dia 23 de junho de 2017.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11"><sup><sup>[11]</sup></sup></a> Informa&ccedil;&atilde;o cedida por Raimundo Torres dos Santos, pescador do Porto da Pedra na cidade de Marapanim, em 20 de junho de 2017.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Canoa ou pequena embarca&ccedil;&atilde;o com motor com h&eacute;lice (remov&iacute;vel) na popa. Trata-se de um meio de transporte muito utilizado pelo pequeno pescador, tanto para pesca, quanto para a circula&ccedil;&atilde;o em geral.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13"><sup><sup>[13]</sup></sup></a> Ambos os circuitos da economia urbana s&atilde;o resultantes da moderniza&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m o circuito superior &eacute; resultado direto e comp&otilde;em as atividades criadas para servirem ao progresso tecnol&oacute;gico e a popula&ccedil;&atilde;o que dele se beneficia, e, assim, se refere aos neg&oacute;cios banc&aacute;rios, com&eacute;rcio de exporta&ccedil;&atilde;o e ind&uacute;stria de exporta&ccedil;&atilde;o, ind&uacute;stria urbana moderna, com&eacute;rcio moderno, servi&ccedil;os modernos, com&eacute;rcio atacadista e transporte. O circuito inferior &eacute; resultado indireto da moderniza&ccedil;&atilde;o e parcialmente os indiv&iacute;duos se beneficiam, ou n&atilde;o se beneficiam, do progresso t&eacute;cnico e suas vantagens, compondo as atividades de fabrica&ccedil;&atilde;o de capital n&atilde;o intensivo, por servi&ccedil;os n&atilde;o modernos, geralmente abastecidos pelo n&iacute;vel de venda a varejo e pelo com&eacute;rcio em pequena escala e n&atilde;o moderno (Santos, 1979).</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> Curralistas e redeiros s&atilde;o termos aplicados ao pescador independentemente de ele deter a propriedade do equipamento de pesca &ndash; curral ou rede. A distin&ccedil;&atilde;o se d&aacute; fundamentalmente em fun&ccedil;&atilde;o do predom&iacute;nio do tipo de equipamento de pesca utilizado pelos mesmos: curral para o curralista e rede para o redeiro (Futado, 1987).</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> O termo significa na linguagem regional ou ind&iacute;gena, caminho de canoa pequena. Trata-se de um pequeno curso d&rsquo;&aacute;gua entre duas ilhas ou entre uma ilha e a terra-firme. Em geral, &eacute; utilizado para pr&aacute;tica da pesca com uso de linha e anzol, para circula&ccedil;&atilde;o entre as resid&ecirc;ncias da comunidade ou para tomar banho.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16"><sup><sup>[16]</sup></sup></a> No inverno amaz&ocirc;nico, ou &eacute;poca de enchente, aproximadamente entre os meses de dezembro a junho, o Rio Amazonas apresenta maior volume e descarga de &aacute;gua no Oceano Atl&acirc;ntico (em torno de 240.000 m<sup>3</sup> por segundo), fazendo com que as &aacute;guas doces do rio afastem as &aacute;guas salgadas do oceano na costa paraense, nessas imedia&ccedil;&otilde;es, as &aacute;guas do litoral ficam menos salgadas ou salobras e, assim, os peixes habitantes das &aacute;guas salgadas do oceano procuram correntes mais afastadas do litoral. J&aacute; no ver&atilde;o amaz&ocirc;nico, ou &eacute;poca de vazante, aproximadamente entre os meses de julho a novembro, o volume de descarga do Rio Amazonas diminui (em torno de 207.000 m<sup>3</sup> por segundo) no Oceano Atl&acirc;ntico, resultando em maior presen&ccedil;a de &aacute;gua salgada e peixes de &aacute;guas oce&acirc;nicas na costa (Furtado, 1987).&nbsp; O regime das &aacute;guas do Rio Amazonas afeta a costa do munic&iacute;pio marapaniense e do Rio Marapanim, pois no per&iacute;odo chuvoso/enchente, o limite do alcance da mar&eacute; salina nesse rio &eacute; por volta de 42 km, j&aacute; no per&iacute;odo de estiagem/vazante, o alcance chega a cerca de 62 km (Prost et al., 2013). No per&iacute;odo de enchente do Rio Marapanim, suas &aacute;guas doces empurram as &aacute;guas salgadas do oceano, que n&atilde;o conseguem avan&ccedil;ar para o interior do continente, j&aacute; no per&iacute;odo de vazante, a &aacute;gua doce perde volume e permite o avan&ccedil;o da &aacute;gua salgada. As &aacute;guas doce e salgada apresentam, cada uma, esp&eacute;cies de peixes particulares e, ent&atilde;o, os regimes das &aacute;guas regionais influem na disponibilidade e diversidade de peixes na microrregi&atilde;o do Salgado.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a>&nbsp; Informa&ccedil;&otilde;es cedidas por Napole&atilde;o da Costa Freitas e Manoel Salom&atilde;o Moreira Barata, pescadores do Porto do Bug&aacute;rio na cidade de Marapanim, em 22 de junho de 2017.&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18">[18]</a>&nbsp;&nbsp; Informa&ccedil;&otilde;es cedidas por Raimundo da Silva Barroso (&ldquo;seu Barroso&rdquo;) e Manoel Barata Rodrigues (&ldquo;Barata&rdquo;), que s&atilde;o marreteiros locais e Raimundo Cordovil Favacho (&ldquo;Mundinho&rdquo;), marreteiro e diretor do Mercado Municipal, no dia 23 de junho de 2017.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> &Eacute; a compra de produtos com prazo (in)determinado para pagar geralmente sem juros e baseado em rela&ccedil;&otilde;es solid&aacute;rias entre vendedor e comprador.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20"><sup><sup>[20]</sup></sup></a> Informa&ccedil;&atilde;o cedida por Raimundo Torres dos Santos, pescador do Porto da Pedra, em 20 de junho de 2017.</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21">[21]</a> As principais peixarias localizam-se, sobretudo, na Rua Tenente Saraiva entre as ruas An&iacute;sio Oeiras e Bartolomeu Ferreira, e na Rua An&iacute;sio Oeiras, entre a Av. Bar&atilde;o do Rio Branco e a Rua Tenente Saraiva, mais recentemente se localizam na Rodovia PA-318, distantes do Mercado Municipal (<a name="f2"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a02f2.gif">Figura 2</a>).</p>     
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