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<article-id>S2182-12672020000100008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2020.19.007</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Usina Hidrelétrica Belo Monte e o direito à cidade na Amazônia: O caso da Lagoa do Independente I em Altamira, Pará (Brasil)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The hidrolectric power plant of Belo Monte and the right to the city in Amazonia: The case of the Independente Lake in Altamira, Pará (Brasil)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The implementation of hydroelectric power plants in the Amazon region is a dynamic socio-spatial process producing socioeconomic and environmental inequalities. The installation and construction of the UHE Belo Monte was determinant for urban requalification in the city of Altamira and the restructuring of its spaces. In view of this context, in the perspective of contributing to urban studies, through bibliographic, documentary analysis and interviews with residents of Lagoa do Independente I, the efforts of this research were directed at reflecting the population increase of the area and its correlation with the industrial plant. The focus is the socio-environmental degradation having as central preoccupation the “right to the city” principle.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dinâmicas socioespaciais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[desigualdades socioeconômicas]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[right to the city]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;<b>A Usina Hidrel&eacute;trica Belo Monte e o direito &agrave; cidade na Amaz&ocirc;nia: O caso da Lagoa do Independente I em Altamira, Par&aacute; (Brasil)</b></p>     <p><b>The hidrolectric power plant of Belo Monte and the right to the city in Amazonia: The caso of the Independente Lake in Altamira, Par&aacute; (Brasil)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><b>Medeiros</b>, Claudia; <sup>2</sup><b>Herrera</b>, Jose</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><i>Laborat&oacute;rio de Estudos das Din&acirc;micas Territoriais na Amaz&ocirc;nia -LEDTAM</i></p>     <p>R. Cel. Jos&eacute; Porf&iacute;rio - S&atilde;o Sebastiao, Altamira - PA, 68371-000, Brazil</p>     <p><a href="mailto:claudia_smedeiros@outlook.com">claudia_smedeiros@outlook.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&nbsp;</i></p>     <p><sup>2</sup><i>Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA)</i></p>     <p>Instituto de Tecnologia - R. Augusto Corr&ecirc;a, 01 - Guam&aacute;, Bel&eacute;m - PA, 66075-110, Brazil</p>     <p><a href="mailto:herrera@ufpa.br">herrera@ufpa.br</a></p>     <p><i>&nbsp;</i></p>     <p><i>&nbsp;</i><b>RESUMO</b></p>     <p>A implanta&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas na Amaz&ocirc;nia promove din&acirc;micas socioespaciais e desigualdades socioecon&ocirc;micas e ambientais. A instala&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte foi essencial para a requalifica&ccedil;&atilde;o urbana na cidade de Altamira e a reestrutura&ccedil;&atilde;o de seus espa&ccedil;os. Neste contexto e na perspectiva de contribuir para a compreens&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es urbanas, atrav&eacute;s da an&aacute;lise bibliogr&aacute;fica, documental e de entrevistas com moradores da Lagoa do Independente I, os esfor&ccedil;os desta pesquisa foram direcionados para a reflex&atilde;o a prop&oacute;sito do aumento populacional e sua correla&ccedil;&atilde;o com a instala&ccedil;&atilde;o da usina. A preocupa&ccedil;&atilde;o foi orientada sobretudo para a degrada&ccedil;&atilde;o socioambiental a as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o, tomando como conceito chave o de direito &agrave; cidade.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Din&acirc;micas socioespaciais; desigualdades socioecon&ocirc;micas; direito &agrave; cidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The implementation of hydroelectric power plants in the Amazon region is a dynamic socio-spatial process producing socioeconomic and environmental inequalities. The installation and construction of the UHE Belo Monte was determinant for urban requalification in the city of Altamira and the restructuring of its spaces. In view of this context, in the perspective of contributing to urban studies, through bibliographic, documentary analysis and interviews with residents of Lagoa do Independente I, the efforts of this research were directed at reflecting the population increase of the area and its correlation with the industrial plant. The focus is the socio-environmental degradation having as central preoccupation the &ldquo;right to the city&rdquo; principle.</p>     <p><b>Keywords:</b> Socio-spatial dynamics; socioeconomic inequalities; right to the city.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol>     <li><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></li>     </ol>     <p>Salvo aqueles que vivem de modo sustent&aacute;vel e em rela&ccedil;&atilde;o harmoniosa com a natureza, pode considerar-se que a sociedade no modelo estabelecido na Amaz&ocirc;nia sempre buscou suprir as demandas do capital. Tal formato moldou aspectos da economia e sociedade que, regra geral, tal como noutras partes do mundo, procuram servir essencialmente necessidades externas, sejam elas de car&aacute;ter nacional ou internacional e se preocupam pouco com as demandas e interesses socioecon&ocirc;micos locais; ao contr&aacute;rio, a explora&ccedil;&atilde;o da nova fronteira erigida na l&oacute;gica da natureza como mercadoria considera a realidade e viv&ecirc;ncias dos povos da Amaz&ocirc;nia, como ind&iacute;genas e ribeirinhos, &ldquo;transformando a regi&atilde;o em &aacute;rea de livre acesso ao capital mundial&rdquo; (Herrera, 2016, p.2).</p>     <p>Esse processo, ao longo dos anos, contou com<i> &ldquo;&hellip;</i>o uso extremo da for&ccedil;a e o poder do Estado na cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es gerais de produ&ccedil;&atilde;o prop&iacute;cias &agrave; forma de crescimento adotada&rdquo; (Santos, 2007, p. 15), o que reverberou na manuten&ccedil;&atilde;o de cidades e sociedades com contradi&ccedil;&otilde;es espaciais e sociais extremas que possuem como base de formata&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas a forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e geogr&aacute;fica, mas tamb&eacute;m a inser&ccedil;&atilde;o de grandes projetos, que, por vezes, alteram drasticamente as caracter&iacute;sticas socioespaciais preexistentes. Esses fatores, aliados ao hist&oacute;rico nacional de grandes concentra&ccedil;&otilde;es de renda e terras, acentua fortemente um quadro de desigualdade social em que boa parte da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o possui acesso a direitos sociais previsto na lei, como o acesso a <i>&ldquo;</i>educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, a alimenta&ccedil;&atilde;o, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a seguran&ccedil;a, a previd&ecirc;ncia social, a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade e &agrave; inf&acirc;ncia, a assist&ecirc;ncia aos desamparados&rdquo; (Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, 2016, p. 18).</p>     <p>Nesse contexto, Altamira, um dos 144 munic&iacute;pios paraenses, com uma popula&ccedil;&atilde;o estimada em 2019 de 114.595 pessoas (IBGE, 2020), ou seja, 15.519 a mais em rela&ccedil;&atilde;o ao &uacute;ltimo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), no censo de 2010<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>, 99.075 pessoas, comp&otilde;e a Amaz&ocirc;nia brasileira e &eacute; um dos muitos exemplos de cidades da regi&atilde;o Norte que sofrem implica&ccedil;&otilde;es espaciais decorrentes do avan&ccedil;o das novas demandas do capital durante todo o seu processo formativo &ldquo;desde a preval&ecirc;ncia da economia gom&iacute;fera na bacia do Rio Xingu&rdquo; (Miranda Neto, 2016, p. 91), passando pela densifica&ccedil;&atilde;o populacional, ocasionada principalmente pela a&ccedil;&atilde;o direta dos programas de integra&ccedil;&atilde;o nacional impostos pelo regime militar a partir da d&eacute;cada de 1970, at&eacute; &agrave; contemporaneidade da implanta&ccedil;&atilde;o da Usina de Belo Monte<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a>.</p>     <p>Os efeitos dessas novas fronteiras do capital s&atilde;o diversos e muito importantes para a reestrutura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, com grandes projetos na Amaz&ocirc;nia a marginalizar os j&aacute; marginalizados, na express&atilde;o de Herrera e Santana (2016, p. 255), como &eacute; o caso do que sucede na Lagoa do Independente I, que aqui se estuda.</p>     <p>A Lagoa do Independente I &eacute; uma ocupa&ccedil;&atilde;o irregular localizada no interior do bairro Independente I, em Altamira (PA), que, segundo pesquisas de campo do Laborat&oacute;rio de Estudos das Din&acirc;micas territoriais na Amaz&ocirc;nia (LEDTAM) de 2017 apontam, teve a sua g&ecirc;nese em meados da d&eacute;cada de 1980 (informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o condiz com os estudos feitos pela Semas em 2016)<sup> <a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup>[3]</sup></a></sup>. Sendo certo que a Lagoa apresenta desde a sua forma&ccedil;&atilde;o problemas socioambientais, somente a partir dos efeitos decorrentes da hidrel&eacute;trica, dentre eles um novo panorama de explora&ccedil;&atilde;o do solo e consequente valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, com processos de especula&ccedil;&atilde;o, se aprofunda a exclus&atilde;o/marginaliza&ccedil;&atilde;o de uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade social e econ&ocirc;mica. A &aacute;rea da Lagoa passa ent&atilde;o a ter uma ocupa&ccedil;&atilde;o intensa, do que resulta um not&aacute;vel aumento populacional, num processo que n&atilde;o tem o devido acompanhamento do setor p&uacute;blico nem do privado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os esfor&ccedil;os da pesquisa que subsidiou este artigo foram direcionados para a compreens&atilde;o dos fatores desencadeados pela instala&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte que levaram ao afluxo populacional no interior da Lagoa do Independente I e &agrave; an&aacute;lise da exclus&atilde;o do direito &agrave; cidade dos seus residentes, verificando como um grupo de cidad&atilde;os ficaram exclu&iacute;dos de direitos constitu&iacute;dos em lei, considerando-se esta por&ccedil;&atilde;o do bairro Independente I, conhecida popularmente como Lagoa do Independente I, no quadro do desenvolvimento urbano da cidade de Altamira, uma vez que este espa&ccedil;o n&atilde;o est&aacute; desconexo do que ocorre a sua volta.</p>     <p>A pesquisa iniciou-se com a an&aacute;lise bibliogr&aacute;fica e documental de obras relevantes que versam sobre o espa&ccedil;o urbano, o urbano na Amaz&ocirc;nia, cidadania, direito &agrave; cidade e urbaniza&ccedil;&atilde;o, designadamente obras de car&aacute;cter te&oacute;rico que subsidiam a reflex&atilde;o e compreens&atilde;o do processo formativo da cidade de Altamira e dos diferentes processos que ocorreram at&eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o da Lagoa do Independente I e os efeitos oriundos da UHE Belo Monte. Trabalhados sob a perspetiva dial&eacute;tica, por se entender que no espa&ccedil;o urbano o fen&ocirc;meno do adensamento populacional, para ser compreendido, necessita do di&aacute;logo entre o objeto de estudo, a &ldquo;lagoa&rdquo;, e seu contexto, o espa&ccedil;o urbano de Altamira, bem como de seu passado, sua g&ecirc;nese e sua configura&ccedil;&atilde;o socioespacial, em um movimento cont&iacute;nuo de cria&ccedil;&atilde;o e recria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e da sociedade.</p>     <p>Foram realizadas entrevistas com os que habitam o interior da lagoa, para aproximar a teoria, com a viv&ecirc;ncia e as percep&ccedil;&otilde;es dos sujeitos, que produzem e reproduzem o espa&ccedil;o, ao mesmo tempo em que s&atilde;o produzidos e transformados por ele. Esta escolha se deu fundamentalmente pelo interesse em investigar o <i>modus vivendi</i> de uma popula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, condicionada a viver em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias e insalubres, em consequ&ecirc;ncia direta da falta de servi&ccedil;os b&aacute;sicos de saneamento, sa&uacute;de e cidadania, sem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel, coleta de lixo domiciliar, escola, posto de sa&uacute;de e &aacute;reas de lazer, entre outros.</p>     <p>Tratar a cidadania como um componente da investiga&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica auxilia a refletir e a compreender o espa&ccedil;o geogr&aacute;fico como uma inst&acirc;ncia social, um conjunto de rela&ccedil;&otilde;es que ocorreram e ocorrem em determinado espa&ccedil;o e que agem como fator social e n&atilde;o apenas como reflexo da sociedade, futuro.</p>     <p>(&hellip;) O espa&ccedil;o por suas caracter&iacute;sticas e por seu funcionamento, pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros, pela sele&ccedil;&atilde;o de localiza&ccedil;&atilde;o feita entre as atividades e entre os homens, &eacute; o resultado de uma pr&aacute;xis coletiva que reproduz as rela&ccedil;&otilde;es sociais, (&hellip;) o espa&ccedil;o evolui pelo movimento da sociedade total (SANTOS, 1978, p.171).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Numa linha possibilista &ldquo;n&atilde;o &eacute; absurdo afirmar que somos mais ou menos cidad&atilde;os de acordo com o espa&ccedil;o em que estamos inseridos&rdquo; (PI&Ntilde;ON DE OLIVEIRA, 2012, p. 178). Ancorados nessa ideia, usa-se as concep&ccedil;&otilde;es elaboradas por Milton Santos, nas obras &ldquo;A natureza do espa&ccedil;o: t&eacute;cnica e tempo, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o&rdquo; (2009) e o &ldquo;O espa&ccedil;o do cidad&atilde;o&rdquo; (2007), nas quais o autor apresenta pontos de grande relev&acirc;ncia para esta pesquisa ao expor sob a &oacute;ptica do espa&ccedil;o, a cidadania.</p>     <p>A cidadania n&atilde;o &eacute;, portanto, simplesmente uma representa&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos dentro do Estado Nacional, &eacute;, sem d&uacute;vida, um fen&ocirc;meno muito mais complexo que incide no quadro da din&acirc;mica territorial cotidiana da sociedade. (&hellip;) As discuss&otilde;es sobre cidadania e democracia n&atilde;o podem portanto ignorar mais que estas no&ccedil;&otilde;es possuem uma dimens&atilde;o ontol&oacute;gica e fundadora.</p>     <p>Tendo em vista esta dimens&atilde;o fundadora entre estes dois termos, a ideia de cidadania pode nos ser &uacute;til para compreender a din&acirc;mica de fen&ocirc;menos e disputas s&oacute;cio-territoriais que ocorrem no mundo atual, valorizando o aspecto de disputa por espa&ccedil;o que &eacute; simultaneamente condi&ccedil;&atilde;o e meio de exerc&iacute;cio desta cidadania (GOMES, 1997, p. 50).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta interpreta&ccedil;&atilde;o aproximada da leitura da obra de Henri Lefebvre, &ldquo;O direito &agrave; cidade&rdquo; (2001),&nbsp; &ldquo;formulado como o direito &agrave; vida urbana, transformada e renovada&rdquo; (p. 117), ajuda &agrave; compreens&atilde;o das modifica&ccedil;&otilde;es que ocorrem no espa&ccedil;o urbano amaz&ocirc;nico, o que &eacute; ter direito &agrave; cidade e como esse direito &eacute; suprimido pela a&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica do capital, materializado, neste texto, com o ocorrido em Altamira mediante a implanta&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte.</p>     <p>Outra obra importante para a interpreta&ccedil;&atilde;o feita aqui &eacute; a obra de 2014 &ldquo;Cidades rebeldes: do direito &agrave; cidade &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo;, de David Harvey, por aproximar o percebido nesta pesquisa com processos que ocorrem em grandes centros, mas que segundo o autor podem ocorrer tamb&eacute;m, sempre que &ldquo;certas caracter&iacute;sticas ambientais urbanas s&atilde;o prop&iacute;cias &agrave; eclos&atilde;o de protestos insurgentes&rdquo; (Harvey, 2014, p. 212). Al&eacute;m disso, contribui com a reflex&atilde;o no que tange a a&ccedil;&atilde;o contra-hegem&oacute;nica, como fica evidente na seguinte passagem do texto:</p>     <p>Se a urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; tao crucial para a hist&oacute;ria da acumula&ccedil;&atilde;o do capital e seus inumer&aacute;veis aliados devem mobilizar-se sem descanso para revolucionar periodicamente a vida urbana, ent&atilde;o uma luta de classes de algum tipo, n&atilde;o importa se explicitamente reconhecida como tal, est&aacute; inevitavelmente envolvida (HARVEY, p.209, 2014).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nestes termos, busca-se aprofundar o entendimento sobre o capitalismo, seus enigmas e poss&iacute;veis a&ccedil;&otilde;es no urbano, para a reflex&atilde;o a prop&oacute;sito do papel e import&acirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o social e seus movimentos, representados na &aacute;rea da Lagoa pelos moradores e integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que se constitui na defesa de direitos e de resist&ecirc;ncia anticapitalista para a obten&ccedil;&atilde;o de direitos.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="2">     <li><b> Segrega&ccedil;&atilde;o urbana, cidadania e a luta pelo direito &agrave; cidade </b></li>     </ol>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es sociais e a (re) produ&ccedil;&atilde;o espacial est&atilde;o na base da exclus&atilde;o social, uma segrega&ccedil;&atilde;o urbana engendrada principalmente pelo conflito decorrente da produ&ccedil;&atilde;o espacial ao longo dos tempos e da apropria&ccedil;&atilde;o privada em uma sociedade constitu&iacute;da em classes, o que &eacute; especialmente evidente quando a desigualdade &eacute; maior, tal como ocorre no Brasil, como elucida Carlos (2016),</p>     <p>(&hellip;) a segrega&ccedil;&atilde;o &ndash; caracter&iacute;stica fundamental da produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano contempor&acirc;neo -, em seus fundamentos, &eacute; o negativo da cidade e da vida urbana. Seu pressuposto &eacute; a compreens&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano como condi&ccedil;&atilde;o, meio e produto da reprodu&ccedil;&atilde;o social &ndash; portanto um produto hist&oacute;rico e de conte&uacute;do social. Submetida aÌ€ l&oacute;gica da acumula&ccedil;&atilde;o, essa produ&ccedil;&atilde;o realiza a acumula&ccedil;&atilde;o capitalista cujos objetivos se elevam e se imp&otilde;em ao uso social da cidade. Este processo realiza a desigualdade na qual se assenta a sociedade de classes, apoiada na exist&ecirc;ncia da propriedade privada da riqueza que cria acessos diferenciados dos cidad&atilde;os aÌ€ metr&oacute;pole, em sua totalidade, a partir da aquisi&ccedil;&atilde;o da moradia. A produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o funda-se, assim, na contradi&ccedil;&atilde;o entre a produ&ccedil;&atilde;o social da cidade e sua apropria&ccedil;&atilde;o privada. A exist&ecirc;ncia da propriedade privada da riqueza apoiada numa sociedade de classes e a constitui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o como valor de troca geram a luta pelo &ldquo;direto aÌ€ cidade&rdquo; (Carlos, 2016, p.95).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O pr&oacute;prio valor do homem depende de sua localiza&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o (Santos, 2007, p. 108), escolha determinada, muitas vezes, pelo fator econ&ocirc;mico. &Eacute; evidente que existe uma gama de hip&oacute;teses que podem elucidar a forma&ccedil;&atilde;o de bols&otilde;es de pobreza e segrega&ccedil;&atilde;o, onde a cidadania e o direito aÌ€ cidade s&atilde;o negados. A gest&atilde;o da cidade &eacute;, sem d&uacute;vida, uma destas vari&aacute;veis, pois, da forma como &eacute; gerida, onde existe uma centralidade do poder e n&atilde;o h&aacute; uma participa&ccedil;&atilde;o eficiente da popula&ccedil;&atilde;o nos direcionamentos que possam saciar seus anseios, torna-se uma cidade do capital e n&atilde;o do cidad&atilde;o. Este &eacute; um processo que marca as grandes cidades do Brasil e o modelo que se reproduz nas cidades amaz&ocirc;nicas, como &eacute; o caso de Altamira, no estado do Par&aacute;.</p>     <p>Embora, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sejam orientadas para atender aos interesses da popula&ccedil;&atilde;o, a forma como s&atilde;o implementadas ou por sua inefic&aacute;cia, acabam por beneficiar prioritariamente corpora&ccedil;&otilde;es que comandam as din&acirc;micas do mercado, mesmo quando adequam estas ao local em que est&atilde;o sendo inseridas. Tais pol&iacute;ticas, n&atilde;o se aplicam a todos os cidad&atilde;os, na realidade:&nbsp;</p>     <p>O que est&aacute; em quest&atilde;o &eacute; o fato de que o processo de produ&ccedil;&atilde;o do urbano ocorre, hoje, a partir de um processo de universaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho e das trocas, em fun&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias gerais no n&iacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da sociedade capitalista. Trata-se de um espa&ccedil;o mundial dividido, diferenciado, hierarquizado e antag&ocirc;nico, onde a metr&oacute;pole tem, estrategicamente, o papel de comando na articula&ccedil;&atilde;o das&nbsp;parcelas desse espa&ccedil;o, na medida em que concentra o poder financeiro, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico. (Carlos, p. 98, 2008)</p>     <p>Ressalta-se que, embora Carlos (2008) no fragmento supracitado esteja se referindo a (re) produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o em uma metr&oacute;pole, considera-se que h&aacute; a reprodu&ccedil;&atilde;o deste modelo explica o que ocorre em Altamira e no objeto de estudo delimitado em pesquisa, a Lagoa do Independente I, haja vista que, as a&ccedil;&otilde;es decorrentes do empreendimento hidrel&eacute;trico, a UHE Belo Monte, refor&ccedil;am o controle sobre o poder financeiro, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico em atores externos, reduzindo ou at&eacute; excluindo uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o, ali residente, das beneficies da vida na cidade e &nbsp;segregados de direitos constitu&iacute;dos em lei, da cidadania.</p>     <p>Em geral, alguns autores consideram mesmo que, em boa parte do Mundo, nas sociedades contempor&acirc;neas, a cidadania est&aacute; mais atrelada a direitos pol&iacute;ticos como o voto, do que aos direitos c&iacute;vicos e sociais, e &eacute; marcada pelos conflitos de classe. Pode-se afirmar tamb&eacute;m que a pr&oacute;pria &ldquo;cidadania<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a>&rdquo; n&atilde;o foi internalizada pelos sujeitos, uma vez que o cidad&atilde;o est&aacute; muito mais ancorado na ideia de ser um usu&aacute;rio, consumidor da cidade (Santos, 2007), do que um agente pensante, cr&iacute;tico e produtor do espa&ccedil;o em que est&aacute; inserido.</p>     <p>Pensar o espa&ccedil;o geogr&aacute;fico sob a perspectiva do direito &agrave; cidade pode permitir a reflex&atilde;o e compreens&atilde;o do espa&ccedil;o como uma inst&acirc;ncia social e tamb&eacute;m faz&ecirc;-lo partir duma l&oacute;gica espa&ccedil;o/sociedade que &eacute; moldada de acordo com os interesses e demandas do capital, neste caso consolidadas pela implanta&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte, indutora de efeitos de segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial.</p>     <p>Deste modo, o espa&ccedil;o urbano de Altamira, ao longo de sua forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, &eacute; produzido e reproduzido sob a &eacute;gide do valor de troca, formato que se sobrep&otilde;e ao valor de uso social, quadro acirrado a cada nova demanda. A no&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, sob o ponto de vista de Santos (1978, 2007, 2009) e Lefebvre (2001), possibilita reconstruir o movimento do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico atrav&eacute;s de sua materialidade hist&oacute;rica, um caminho que permite pensar o espa&ccedil;o como uma mercadoria, &ldquo;posta na prateleira&rdquo;, na totalidade da produ&ccedil;&atilde;o social capitalista (Carlos, 2008).</p>     <p>Nas cidades, esse valor de troca entra em conflito com os direitos&nbsp; sociais constitu&iacute;dos em lei, o que no caso brasileiro &eacute; assegurado principalmente pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (CF) promulgada em 1988 e pelo Estatuto das Cidades, Lei 10.257, de 10 de julho de 2001.&nbsp; Segundo a CF (1988), &ldquo;s&atilde;o direitos sociais a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, a alimenta&ccedil;&atilde;o, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a seguran&ccedil;a, a previd&ecirc;ncia social, a prote&ccedil;&atilde;o aÌ€ maternidade e aÌ€ inf&acirc;ncia, a assist&ecirc;ncia aos desamparados&rdquo; (EC no26/2000, EC no 64/2010 e EC no 90/2015), j&aacute; o Estatuto das Cidades versa que &ldquo;a pol&iacute;tica de desenvolvimento urbano, executada pelo poder p&uacute;blico municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das fun&ccedil;&otilde;es sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes&rdquo; (Estatuto das Cidades, 2008, p.10). Por&eacute;m, o que existe &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o desses direitos somente em discurso transformado, por vezes, em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que, mesmo que contenham direcionamentos positivos para uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o, por inefic&aacute;cia, n&atilde;o chegam a todos os lugares, marginalizando cidad&atilde;os do &ldquo;direito &agrave; cidade&rdquo;, o direito de transformar a cidade e de (re)produzir o espa&ccedil;o sem as amarras condicionantes do sistema capitalista e dos meios de produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A industrializa&ccedil;&atilde;o advinda da constru&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte &eacute; indutora de fatores e vari&aacute;veis subsequentes, como a valoriza&ccedil;&atilde;o do solo e processos de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, que priorizam o valor de troca, transformando o espa&ccedil;o em mais-valia, intervindo &ldquo;a tal ponto sobre o uso e o valor de uso que quase suprime este &uacute;ltimo&rdquo; (Lefebvre, 2001, p. 20). A reflex&atilde;o sobre as representa&ccedil;&otilde;es produzidas auxiliar a entender como a sociedade &eacute; influenciada e age a partir de determinados, sendo &ldquo;nas cidades e nos lugares, mais especificamente, que os direitos, sob a forma de leis, aparecem de forma palp&aacute;vel e contradit&oacute;ria, decodificando-se em normas e posturas que regem a vida urbana&rdquo; (Pi&ntilde;on de Oliveira, 2012, p. 177).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso Altamira, um processo de financeiriza&ccedil;&atilde;o e um conjunto de transforma&ccedil;&otilde;es que atentaram contra as condi&ccedil;&otilde;es de vida levaram &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais organizados e que, no caso especifico dos moradores da Lagoa do Independente I, se criasse uma significativa ades&atilde;o &agrave;s atividades realizadas pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), construindo-se assim, uma rea&ccedil;&atilde;o, centrada na constru&ccedil;&atilde;o ut&oacute;pica do direito&nbsp; &agrave; cidade.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="3">     <li><b> Processos hist&oacute;ricos e geogr&aacute;ficos de Altamira e a faveliza&ccedil;&atilde;o das plan&iacute;cies de inunda&ccedil;&atilde;o</b></li>     </ol>     <p>Tendo na sua g&ecirc;nese uma miss&atilde;o jesu&iacute;ta do s&eacute;culo XVIII criada com o prop&oacute;sito de evitar novas invas&otilde;es estrangeiras no territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, a Vila Altamira come&ccedil;ou seu desenvolvimento &ldquo;enquanto n&uacute;cleo&rdquo;, a partir da iniciativa do coronel Gaioso para promover uma economia de base escravista na foz do Rio Amb&eacute;&rdquo; (Miranda Neto, 2016, p. 101). Paulatinamente devido a sua import&acirc;ncia como principal ponto de escoamento da regi&atilde;o do Xingu, &eacute; elevada &agrave; categoria de munic&iacute;pio em 06 de novembro de 1911 (Lei n&deg;1234).</p>     <p>Com a expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o gom&iacute;fera e sua relev&acirc;ncia dentro da l&oacute;gica do mercado internacional, Altamira e outras cidades amaz&ocirc;nicas, atraem fluxos migrat&oacute;rios, principalmente de nordestinos que se instalam nos seringais, portanto, na parte rural das cidades e vilas. Assim se firmava a relev&acirc;ncia do n&uacute;cleo como ponto de refer&ecirc;ncia para o escoamento da borracha, ainda que o seu centro urbano se caracterizasse por uma baixa densidade populacional, que variava de acordo com as necessidades da atividade gom&iacute;fera &ldquo;compondo um arranjo urbano caracter&iacute;stico da Amaz&ocirc;nia ribeirinha&rdquo; (Miranda Neto, 2015, p. 2504). Esse quadro come&ccedil;ou a mudar somente ap&oacute;s o decl&iacute;nio da produ&ccedil;&atilde;o extrativista no final da d&eacute;cada de 1960 e do in&iacute;cio do regime militar (1964), que tem como um de seus desdobramentos, pol&iacute;ticas de maior controle territorial, em que foram incentivadas novas ondas migrat&oacute;rias para a Amaz&ocirc;nia.</p>     <p>Na regi&atilde;o do Xingu, a partir da d&eacute;cada de 1970, a materialidade de tais pol&iacute;ticas se deu principalmente atrav&eacute;s das atividades do Programa Integrado de Coloniza&ccedil;&atilde;o (PIC) e da constru&ccedil;&atilde;o da Transamaz&ocirc;nica (BR-230), mudando a inser&ccedil;&atilde;o regional da cidade de Altamira, que passa a ter uma maior concentra&ccedil;&atilde;o urbana, ao absorver popula&ccedil;&atilde;o migrante e grande n&uacute;mero de m&atilde;o-de-obra excedente. Miranda Neto (2015) afirma ainda que,</p>     <p>Sob iniciativa do Governo Militar, a cidade se torna o suporte log&iacute;stico para as a&ccedil;&otilde;es de coloniza&ccedil;&atilde;o realizadas ao longo da rodovia Transamaz&ocirc;nica (BR-230). A partir de ent&atilde;o, se inicia um amplo deslocamento de migrantes para a &aacute;rea urbana, principalmente a partir da d&eacute;cada de 1980 quando a pol&iacute;tica de fixa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o no campo demonstra sua fragilidade e tem, como efeito, um processo de migra&ccedil;&atilde;o intrarregional sem precedentes. Dessa forma, o papel da cidade de Altamira, antes um suporte log&iacute;stico e funcional aos empreendimentos pioneiros, passa a ser de absor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o migrante, cumprindo a fun&ccedil;&atilde;o de estoque de m&atilde;o-de-obra excedente. (Neto, p.2506, 2015).</p>     <p>Altamira tornou-se o principal polo econ&ocirc;mico da regi&atilde;o, por&eacute;m a relev&acirc;ncia dada ao setor produtivo n&atilde;o se refletiu em pol&iacute;ticas que visassem o bem-estar dos cidad&atilde;os, o que, aliado &agrave; inexist&ecirc;ncia ou falta de execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas direcionadas ao planejamento urbano, fez com que a cidade fosse constitu&iacute;da de diversos espa&ccedil;os que fogem &agrave; normalidade, no que se refere a moradia: ocorrem aglomerados humanos irregulares, &agrave;s margens dos igarap&eacute;s (Amb&eacute;, Altamira e Panelas) e lagoas (como a Lagoa do Independente I), formados principalmente na d&eacute;cada de 1980 e que aumentam de tamanho a cada nova onda migrat&oacute;ria.</p>     <p>Estes aglomerados humanos subnormais<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a> j&aacute; s&atilde;o denunciados em estudo realizado pela Secretaria de Planejamento do Estado do Par&aacute;, no ano de 1981, onde &eacute; apontada a ocorr&ecirc;ncia de ocupa&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas desfavor&aacute;veis para a ocupa&ccedil;&atilde;o humana e o uso para moradia de &aacute;reas alagadas em determinados per&iacute;odos do ano, que necessitam de infraestrutura&ccedil;&atilde;o urbana.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas &aacute;reas marginais do Igarap&eacute; Altamira, a forma da ocupa&ccedil;&atilde;o se faz de maneira intensa, com habita&ccedil;&otilde;es praticamente geminadas. A&iacute;, o padr&atilde;o construtivo decai, ocorrendo inclusive, o surgimento de palafitas, que devido &agrave; falta de instrumentos controladores do solo urbano e a inexist&ecirc;ncia de &aacute;reas apropriadas para a transfer&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o a&iacute; residente, tende a se agravar. Essas &aacute;reas s&atilde;o carentes dos servi&ccedil;os de infraestrutura urbana e encontram-se com a maioria de suas vias em leito natural, necessitando com urg&ecirc;ncia desses servi&ccedil;os, uma vez que &eacute; significativo o seu contingente populacional (Neto apud Par&aacute;, 2016 p. 134).</p>     <p>Abunda um tipo de moradia proveniente da autoconstru&ccedil;&atilde;o que &eacute; formada por troncos ou estacas adaptadas ao fluxo dos rios e lagoas, a palafita, em resultado da tradi&ccedil;&atilde;o ribeirinha na Amaz&ocirc;nia e forma de resist&ecirc;ncia e sobreviv&ecirc;ncia, mas que, quando localizada em centros urbanos e sem a devida aten&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o do Estado, se torna sin&ocirc;nimo de exclus&atilde;o social e marginalidade, marcando a desigualdade social, pois que &ldquo;n&atilde;o se trata das palafitas da tradi&ccedil;&atilde;o ribeirinha, cujas rela&ccedil;&otilde;es org&acirc;nicas entre o homem e a natureza tendiam a minimizar os riscos &agrave; sa&uacute;de, mas de aglomerados em total degenera&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es humanas&rdquo; (Miranda Neto, p.138, 2016).</p>     <p>Por&eacute;m, as pol&iacute;ticas urbanas que poderiam frear essas ocupa&ccedil;&otilde;es e propiciar a esses cidad&atilde;os outros locais de moradias n&atilde;o foram executadas e a faveliza&ccedil;&atilde;o das plan&iacute;cies de alagamento dos igarap&eacute;s Amb&eacute;, Altamira e Panelas e da lagoa do Independente I continuaram. As palafitas foram sendo constru&iacute;das, com acessos prec&aacute;rios e sem nenhum tipo de esgotamento sanit&aacute;rio, ou acessibilidade &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Paralelamente, era planejado ainda em meados de 1970, um conjunto de barragens no rio do Xingu, Karara&ocirc;, visando aumentar a capacidade de gerar energia e permitir o desenvolvimento de ind&uacute;strias e cidades, principalmente nas regi&otilde;es Sul e Sudeste. Por&eacute;m, somente em 2010, ap&oacute;s modifica&ccedil;&otilde;es substanciais no projeto inicial e com nova nomenclatura, o complexo hidrel&eacute;trico Belo Monte recebe a licen&ccedil;a de instala&ccedil;&atilde;o (LI), o que ocasiona nova press&atilde;o sobre a &aacute;rea urbana de Altamira que, embora n&atilde;o seja o munic&iacute;pio sede da constru&ccedil;&atilde;o da usina, &eacute;, sem d&uacute;vidas, o mais afetado, pois, al&eacute;m de ser o n&uacute;cleo urbano que concentra as atividades econ&ocirc;micas e os servi&ccedil;os da regi&atilde;o, possu&iacute;a &aacute;reas do per&iacute;metro urbano abaixo da cota 100<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a>, compondo os 51,9% da &aacute;rea do reservat&oacute;rio da usina (Rima, 2009).</p>     <p>A cidade, ainda com caracter&iacute;sticas ribeirinhas, confrontou-se com um panorama de explora&ccedil;&atilde;o e uso do solo urbano, desta vez encabe&ccedil;ado pelos agentes imobili&aacute;rios e a pr&aacute;tica de a&ccedil;&otilde;es mitigat&oacute;rias e condicionantes exigidas para a constru&ccedil;&atilde;o do empreendimento hidrel&eacute;trico, o que causa uma profunda reestrutura&ccedil;&atilde;o de todo munic&iacute;pio.</p>     <p>A Norte Energia, respons&aacute;vel pelo empreendimento, para atender as condicionantes do Plano B&aacute;sico Ambiental da UHE Belo Monte (PBA, 2011), no que se refere &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, construiu cinco loteamentos urbanos, os Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUC&rsquo;s) de Jatob&aacute;, S&atilde;o Joaquim, Casa Nova, &Aacute;gua Azul e Laranjeiras, para onde foram remanejados os moradores que residiam nas plan&iacute;cies de alagamento dos igarap&eacute;s Amb&eacute;, Altamira e Panelas. Posteriormente, pressionada por movimentos populares, como associa&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, de pescadores e ribeirinhos, pela Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (FUNAI) e o Minist&eacute;rio da Pesca, a empresa adquiriu nova &aacute;rea pr&oacute;xima ao Rio Xingu, para reassentar fam&iacute;lias de ind&iacute;genas citadinos e pescadores, o Reassentamento Urbano Coletivo Ruc Pedral, conforme informa o Dossi&ecirc; Belo Monte (ISA, p. 35, 2015), obra que se encontra-se em atraso de entrega e que prev&ecirc; mais cerca de 600 casas.</p>     <p>No mapa a seguir (<a href="#f2">figura 2</a>), observa-se para onde foram realocadas as fam&iacute;lias que optaram por receber como compensa&ccedil;&atilde;o a &ldquo;casa&rdquo; em um dos reassentamentos, usando-se crit&eacute;rio de proximidade, de acordo com o que consta no PBA de Belo Monte, importando ressaltar que essa norma de proximidade n&atilde;o foi totalmente respeitada, j&aacute; que h&aacute; relatos de separa&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias e amigos de d&eacute;cadas (Huffpost Brasil, 2019).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p> <ol start="3">     <li><b>A Lagoa do Independente I &ndash; Desestrutura&ccedil;&atilde;o social e a luta dos moradores pelo reconhecimento como atingidos</b></li>     </ol>     <p>A &aacute;rea de Lagoa do Independente I, localizada no bairro Independente I, antes da constru&ccedil;&atilde;o do empreendimento hidrel&eacute;trico, apresentava inunda&ccedil;&otilde;es e alagamentos, inerentes ao inverno amaz&ocirc;nico. &Eacute; uma &aacute;rea cujas cotas altim&eacute;tricas s&atilde;o menores que as presentes no entorno do terreno (Miranda Neto, Alvarez, 2017), mas que est&atilde;o acima da cota 100 (EIA, 2009) e, portanto, exclu&iacute;da a &aacute;rea da Lagoa das a&ccedil;&otilde;es mitigat&oacute;rias do projeto (<a href="#f3">Figura 3</a>)</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A &aacute;rea no entorno de uma lagoa sazonal foi inicialmente ocupada irregularmente por um pequeno n&uacute;mero de fam&iacute;lias, de acordo com Semas, 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ocupa&ccedil;&atilde;o da &ldquo;Lagoa&rdquo; no Jardim Independente I, no munic&iacute;pio de Altamira ocorreu, na d&eacute;cada de 1990, e na &eacute;poca, aproximadamente 40 a 50 fam&iacute;lias, moravam em torno de uma lagoa sazonal, na zona urbana do munic&iacute;pio de Altamira, que antes, at&eacute; ent&atilde;o, ao receber, em seu leito, as precipita&ccedil;&otilde;es pluviom&eacute;tricas, seguia seu curso hidrol&oacute;gico natural e, secava, pelo processo de evapora&ccedil;&atilde;o, segundo os relatos de representantes, durante a visita t&eacute;cnica desta equipe, na comunidade local, a &ldquo;Lagoa&rdquo; enchia, durante o regime de chuva e, secava, visto que era utilizada at&eacute; como campo de futebol (RT N&deg; 7100/GEINFRA/2016, Semas, 2016).</p>     <p>Trata-se, como antes se referiu, de um espa&ccedil;o urbano sem infraestrutura adequada para moradia, com edifica&ccedil;&otilde;es de alvenaria em suas extremidades e de madeira em seu interior, onde a inexist&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas permitiu que o processo de ocupa&ccedil;&atilde;o se intensificasse, ainda que de forma lenta e gradual, o que s&oacute; veio a mudar a partir de 2010, como resultante das implica&ccedil;&otilde;es desencadeadas pela licen&ccedil;a de instala&ccedil;&atilde;o da usina, como pode ser observado quando se comparam entre as imagens de sat&eacute;lite colhidas na &aacute;rea da Lagoa do Independente I nos anos de 2005, 2014 e 2017 figuras <a href="#f4">4</a>, <a href="#f5">5</a> e <a href="#f6">6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f5.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f6.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Verifica-se que entre os anos de 1980 e 2005, portanto em mais de vinte anos, ainda n&atilde;o se tem uma ocupa&ccedil;&atilde;o densa, n&atilde;o havendo grandes mudan&ccedil;as da paisagem do interior da lagoa, que apresenta vegeta&ccedil;&atilde;o aparente e edifica&ccedil;&otilde;es somente em suas margens.</p>     <p>Com o passar do tempo o entorno dessa &aacute;rea foi sendo ocupada pela urbaniza&ccedil;&atilde;o e a drenagem natural aos poucos vai sendo aterrada. A ponto de praticamente deixar de existir. Para remediar esse problema o poder p&uacute;blico n&atilde;o promoveu a implanta&ccedil;&atilde;o de obras de drenagem, e por isso se conclui que a aus&ecirc;ncia de drenagem representa a causa de maior alamento na &aacute;rea. &Eacute; importante observar que [&hellip;] o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o do entorno do Lago &eacute; intensificado a partir do momento em que &eacute; deliberada a constru&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte com forte incremento no processo migrat&oacute;rio (SEMAS, 2016, p. 2).</p>     <p>Entre os anos de 2000 e 2010 (uma d&eacute;cada), o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio de Altamira registou um aumento de 21.720 habitantes e de 2010 a 2018 um aumento de 14.120 pessoas, n&uacute;meros, s&oacute; por si, n&atilde;o explicam o afluxo populacional que ocorreu no interior da Lagoa do Independente I, mas auxiliam no entendimento que os novos moradores da &aacute;rea, foram direcionados/empurrados pelo novo panorama de uso e explora&ccedil;&atilde;o do solo e por fatores econ&ocirc;micos para fixarem sua resid&ecirc;ncia ali, num local sem condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para a fixa&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a07q1.gif">Tabela 1</a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Com a justificativa de que a Lagoa do Independente I se encontrava acima da cota 100, os estudos avaliativos realizados para a instala&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o de Belo Monte n&atilde;o detectaram impactos socioambientais diretos gerados pela implanta&ccedil;&atilde;o da usina, considerando-se assim que n&atilde;o seriam&nbsp; necess&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es indenizat&oacute;rias (requalifica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o da lagoa e remanejamento para seus moradores), deixando de se considerar os efeitos da valoriza&ccedil;&atilde;o do solo e especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria associados e a grandes obras, embora tal constasse no Relat&oacute;rio de Impacto Ambiental (EIA/RIMA, 2009).</p>     <p>Introduziu-se no tecido da malha urbana, neste momento, novos loteamentos urbanizados em um &ldquo;total de 22 mil lotes conduzidos por empresas incorporadoras&rdquo; (Neto, 2016, p. 206), o que limitou e freou a ocupa&ccedil;&atilde;o irregular de novos pontos. Sem estar sob a tutela do empreendedor e com a inexist&ecirc;ncia de qualquer tipo de interven&ccedil;&atilde;o pelo poder p&uacute;blico, a Lagoa tornou-se o &uacute;nico espa&ccedil;o urbano com proximidade ao centro da cidade prop&iacute;cio &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de novas constru&ccedil;&otilde;es irregulares, um ref&uacute;gio do alto valor dos alugu&eacute;is e da nova din&acirc;mica do mercado na regi&atilde;o, caracterizado pela exclus&atilde;o. &Eacute; importante ressaltar que acontece um conflito de interesses entre o empreendedor e o poder p&uacute;blico municipal na &aacute;rea da Lagoa, um delegando ao outro os honor&aacute;rios necess&aacute;rios para a reestrutura&ccedil;&atilde;o socioambiental do local, o que gera um entrave de a&ccedil;&otilde;es e impulsiona o afluxo populacional.</p>     <p>&ldquo;a desestrutura&ccedil;&atilde;o social &eacute; consequ&ecirc;ncia da ineficiente a&ccedil;&atilde;o estatal para a complementa&ccedil;&atilde;o das suas necessidades. Bem como, a expans&atilde;o do capital no territ&oacute;rio gera a perca da funcionalidade e autonomia do setor p&uacute;blico local e o conjunto desses fatores, agentes e objetivos resulta em conflitos ideol&oacute;gicos de busca no e pelo poder territorial&rdquo; (Moreira, 2013).</p>     <p>Buscando compreender as vari&aacute;veis decorrentes do empreendimento hidrel&eacute;trico e da ineficiente a&ccedil;&atilde;o do Estado que impulsionaram o adensamento populacional do interior da Lagoa, foram realizadas 68 entrevistas com moradores residentes em palafitas ou outras solu&ccedil;&otilde;es de autoconstru&ccedil;&atilde;o, cujo total, de acordo com o documento PT-23/2018-COHID/CGTEF/DILIC do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto do Meio Ambiente e dos Recusrsos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA) de 2018, &eacute; formado por 496 fam&iacute;lias, o que reflete uma an&aacute;lise amostral de 13,7%. Cabe ressaltar que o n&uacute;mero de entrevistas n&atilde;o foi maior devido ao alto &iacute;ndice de casas abandonadas ou fechadas durante as visitas. Estas, realizadas preferencialmente no per&iacute;odo diurno, em fun&ccedil;&atilde;o da dificuldade de deslocamento dos pesquisadores nas estruturas usadas pelos moradores, como vias de acesso (ver <a href="#f7">figura 7</a>), retrata as deficientes condi&ccedil;&otilde;es de acessibilidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f7">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f7.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O perfil dos moradores entrevistados revela que 66% s&atilde;o do sexo feminino e 34% do sexo masculino, divididos em 85% com a faixa et&aacute;ria entre os 20 e 59 anos, 9% com idade de 60 anos ou mais e 6% entre 18 e 19 anos. No que se refere a escolaridade, 41% cursaram ou conclu&iacute;ram o ensino m&eacute;dio, 25% cursaram ou conclu&iacute;ram o ensino fundamental maior (compreende do 6&ordm; ao 9&ordm; ano do ensino b&aacute;sico), 22% cursaram ou conclu&iacute;ram o ensino fundamental menor (s&eacute;ries iniciais) e 12% n&atilde;o estudaram. Ainda sobre a escolaridade, destaca-se que os moradores entrevistados informaram n&atilde;o ter estudado ou conclu&iacute;do o ensino superior, o que demonstra que 59% dos respondentes tem baixo ou nenhum acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Quando perguntados sobre seu local de nascimento, 56% responderam que s&atilde;o natos do estado do Par&aacute;, destes apenas 31,5% s&atilde;o oriundos de Altamira, os outros 44% do total de fam&iacute;lias pesquisadas s&atilde;o procedentes de outros estados (<a href="#f8">figura 8</a>). Cataloga-se esse dado para confirmar a ideia de que os habitantes da &aacute;rea, em percentual elevado, s&atilde;o origin&aacute;rios dos fluxos migrat&oacute;rios que ocorrem em fun&ccedil;&atilde;o do evento Belo Monte e que ocorreram ao longo do processo hist&oacute;rico formativo do munic&iacute;pio de Altamira, cabendo as &aacute;reas impr&oacute;prias para moradia o l&oacute;cus de acomoda&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra excedente e vulner&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f8.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>53% responderam que tem rendimentos at&eacute; 1 sal&aacute;rio m&iacute;nimo (R$954,00 &ndash; ano base 2018), 35% disseram receber 1 sal&aacute;rio m&iacute;nimo, 6% afirmaram n&atilde;o ter nenhuma renda e sobreviver de doa&ccedil;&otilde;es, 3% informou ter renda superior a R$954,00 e outros 3% n&atilde;o souberam informar o valor da renda mensal. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o destes grupos familiares, de acordo com as respostas obtidas, aponta-se que 28% moram com 3 a 4 pessoas em uma mesma casa, em 25% dos casos a resid&ecirc;ncia &eacute; composta por 5 a 6 indiv&iacute;duos, outros 25% por resid&ecirc;ncias com 1 a 2, 19% com 7 a 8 pessoas e 3% com 9 a 10 habitantes. Portanto, &eacute; poss&iacute;vel perceber a inseguran&ccedil;a econ&ocirc;mica em que vivem essas fam&iacute;lias quando comparado a renda mensal dos n&uacute;cleos familiares com o n&uacute;mero de residentes por im&oacute;vel, pois, na maioria deles, 3 a 4 pessoas recebem no m&aacute;ximo 1 sal&aacute;rio m&iacute;nimo para subsidiar as despesas com a manuten&ccedil;&atilde;o da vida.</p>     <p>A pesquisa demonstrou ainda que o grupo entrevistado, em sua maioria, reside na lagoa entre 5 e 6 anos, 37% do total, outros 25% habitam o espa&ccedil;o entre 3 e 4 anos, 13% est&atilde;o no local entre 7 e 8 anos, outros 13% moram h&aacute; 9 ou 10 anos, 9% entre 1 e 2 anos e 3% afirmaram estar residindo no local h&aacute; menos de 1 ano. Tais n&uacute;meros evidenciam que o pico de chegada desses moradores ocorre ao mesmo tempo em que o fluxo migrat&oacute;rio decorrente de Belo Monte est&aacute; em seu auge, entre os anos de 2012 e 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Depois da chegada de Belo Monte eu vim morar aqui pela falta de outra op&ccedil;&atilde;o de moradia, o custo de vida ficou alto e por causa disso, n&atilde;o tenho como morar em outro local. Para mim, morar aqui &eacute; triste, o local tem muito mau cheiro e h&aacute; risco constante das crian&ccedil;as ca&iacute;rem na Lagoa, j&aacute; teve at&eacute; morte de crian&ccedil;a. Porque o sonho de qualquer ser humano &eacute; ter um lugar para chamar de seu, aqui &eacute; meu, mas n&atilde;o posso dizer que tenho um lugar no ch&atilde;o, onde eu possa fazer um pequeno plantio&rdquo; (E. L. C., moradora da Lagoa, 2018).</p>     <p>No fragmento acima, a voz da moradora, evidencia a prof&iacute;cua liga&ccedil;&atilde;o entre o adensamento populacional da Lagoa e a implanta&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o da usina, como tamb&eacute;m deixa expl&iacute;cito as condi&ccedil;&otilde;es de desumanidade e risco de morte em que vivem as pessoas que ali habitam. Sua fala explana ainda um anseio de morar em terra firme, o direito a usufruir da terra urbana, garantido em leis como a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e no Estatuto das Cidades.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de suas moradias anteriores, 44% responderam serem origin&aacute;rios de loteamentos regulares (bairros do per&iacute;metro urbano de Altamira), percentual que &eacute; o mesmo para os moradores que afirmam que em sua casa anterior moravam de aluguel. Procedentes de outras cidades somam 19%, outros 19% da zona rural, o que corrobora com a ideia de que al&eacute;m de atrair migrantes de outras cidades e regi&otilde;es, a instala&ccedil;&atilde;o de grandes eventos, como Belo Monte, tamb&eacute;m revela a invers&atilde;o que Altamira passou ao longo de sua hist&oacute;ria, deixando de ser uma cidade com predomin&acirc;ncia de moradores na zonal rural para uma cidade com densidade populacional maior em seu n&uacute;cleo urbano. Para al&eacute;m deste aspecto, 15% disseram ser oriundos de ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares, dado que instiga curiosidade, uma vez que as outras ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares que havia na ADA receberam a&ccedil;&otilde;es mitigat&oacute;rias por parte do empreendedor. Dos entrevistados, 3% afirmaram ainda se enquadrarem em outra preced&ecirc;ncia, origin&aacute;rios de alojamento dos trabalhadores do CCBM (Cons&oacute;rcio Construtor Belo Monte).</p>     <p>Miranda Neto (2016), a esse respeito faz uma afirmativa coerente com a realidade destas fam&iacute;lias, que mesmo em melhor condi&ccedil;&atilde;o de habitabilidade, n&atilde;o deixam de ser segregados da cidade e de suas benfeitorias, tornando-se a Lagoa, espa&ccedil;o aberto para a constru&ccedil;&atilde;o de moradias, ref&uacute;gio de resist&ecirc;ncia para aqueles que n&atilde;o tinham condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas de usufruir de outro local de moradia na cidade.</p>     <p>Essa realidade escancara, mais uma vez, a face da desigualdade social na cidade, pois apesar de as resideÌ‚ncias possuiÌrem melhores condicÌ§oÌƒes de habitabilidade, os rendimentos familiares e as suas condicÌ§oÌƒes de trabalho e emprego permanecem as mesmas. Ademais, os custos relacionados aÌ€ moradia saÌƒo ampliados por conta das faturas de energia, aÌgua, IPTU etc. que devem ser arcadas pelos moradores. Como um processo associado aÌ€ reproducÌ§aÌƒo da vida, resta entaÌƒo a decisaÌƒo de se desfazer do imoÌvel do RUC, adquirir outro terreno (possivelmente em aÌrea irregular) e utilizar o valor restante para suprir, pelo menos por algum tempo, as despesas familiares (Neto, 2016, p. 187).</p>     <p>Quando perguntados sobre a proximidade e acesso aos servi&ccedil;os b&aacute;sicos que eles tinham na antiga casa e realizando um comparativo com o que eles possuem, foi poss&iacute;vel montar o gr&aacute;fico comparativo (<a href="#f9">figura 9</a>), onde as colunas em azul representam o primeiro momento, a acessibilidade que o morador possu&iacute;a na sua resid&ecirc;ncia anterior, e as colunas em laranja a realidade vivenciada ap&oacute;s a mudan&ccedil;a para a &aacute;rea da lagoa. Compreende-se que das nove categorias elencadas, somente os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, com&eacute;rcio e educa&ccedil;&atilde;o possuem percentual relevante ao acesso dos mesmos, nos demais, embora a origem dos respondentes seja de locais variados, inclusive de outros munic&iacute;pios, a resid&ecirc;ncia na &aacute;rea da lagoa dificulta ou nega o acesso a maioria dos servi&ccedil;os.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f9.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Compreende-se que das nove categorias elencadas, somente os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, com&eacute;rcio e educa&ccedil;&atilde;o possuem percentual relevante, nos demais, embora a origem dos respondentes seja variada, a resid&ecirc;ncia na &aacute;rea da lagoa dificulta ou nega o acesso &agrave; maioria dos servi&ccedil;os. A afirma&ccedil;&atilde;o da moradora N.S.P. esbo&ccedil;a um quadro ainda mais preocupante, pois embora haja uma proximidade espacial com uma Unidade B&aacute;sica de Sa&uacute;de (UBS), ela compreende que n&atilde;o h&aacute; um acesso ao servi&ccedil;o,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;&Eacute; ruim morar na Lagoa porque aqui n&atilde;o tem estrutura de nada, n&atilde;o tem nem sequer servi&ccedil;o de sa&uacute;de, n&oacute;s somos estigmatizados, malvistos pela sociedade, de gangue, bandidos. E n&atilde;o &eacute; isso, somos como qualquer pessoa, com direito a ter sa&uacute;de, boa estrutura, saneamento b&aacute;sico, ter uma vida digna. Nossos filhos t&ecirc;m que ter um lugar melhor para morar, n&atilde;o pegar tantas doen&ccedil;as, ter um posto de sa&uacute;de pr&oacute;ximo que atenda a gente&rdquo; (N.S.P., moradora da Lagoa, 2018).</p>     <p>Durante as entrevistas, outros moradores refor&ccedil;aram o que a cidad&atilde; N.S.P. relatou e dentre eles, um afirmou que &ldquo;quando procurava o posto de sa&uacute;de e falava que era morador da Lagoa, n&atilde;o ela atendido e por isso quando tem febre, fica vagando, at&eacute; soar e a febre sair&rdquo; (E.L.C., morador da Lagoa, 2018).</p>     <p>Perguntados sobre os motivos que os levaram a residir na &aacute;rea da Lagoa, a grande maioria relacionou sua ida com o aumento dos valores dos alugu&eacute;is que ocorreu em Altamira (<a href="#f10">figura 10</a>). Ainda referente aos motivos da ida para a lagoa, os demais relatados s&atilde;o a falta de outra op&ccedil;&atilde;o de moradia, a proximidade com o centro e outros, como a dificuldade para continuar morando na zona rural, o que reflete que mesmo com as a&ccedil;&otilde;es que levaram a um processo de ruraliza&ccedil;&atilde;o recente, o deslocamento rural-urbano continua a existir, &ldquo;pois em funcÌ§aÌƒo das diferentes formas de vinculacÌ§aÌƒo do trabalho ao capital uma parte importante das fam&iacute;lias eÌ sujeita a condicÌ§oÌƒes de trabalho degradantes&rdquo; (Miranda Neto, p.127, 2016). Tais fatores, aliados ao convite feito pela instala&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica, fizeram com que muitas pessoas se deslocassem para o centro urbano com maior import&acirc;ncia econ&ocirc;mica, dentre os munic&iacute;pios de influ&ecirc;ncia, com a esperan&ccedil;a de um emprego melhor.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a07f10.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Essa (re)produ&ccedil;&atilde;o socioespacial da Lagoa, embora aconte&ccedil;a em diferentes escalas e abrangendo diferentes realidades individuais, coloca os envolvidos em uma posi&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade que vai al&eacute;m da falta ou inefici&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como as ligadas ao saneamento b&aacute;sico, em que as entrevistas apontam que somente a &aacute;gua pot&aacute;vel &eacute; utilizada, mesmo assim de forma prec&aacute;ria, com tra&ccedil;os expl&iacute;citos de marginaliza&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o social, uma vez que servi&ccedil;o p&uacute;blico algum adentra no n&uacute;cleo da &aacute;rea, &ldquo;porque aqui n&atilde;o tem energia pr&oacute;pria, n&atilde;o tem &aacute;gua pr&oacute;pria, &eacute; tudo gato, quando as mangueiras rompem, a gente sai correndo para tentar remendar para n&atilde;o ficar sem &aacute;gua. Os fios de energia el&eacute;trica s&atilde;o um perigo, a qualquer momento pode pegar fogo em tudo&rdquo; (V.M.S., moradora da lagoa, 2018).</p>     <p>Outra exterioridade vivenciada no cotidiano dos moradores &eacute; a presen&ccedil;a de mau cheiro, provocado pelo ac&uacute;mulo de lixo e o alagamento constante. Al&eacute;m disso, foi relatado na maioria dos casos, uma alta incid&ecirc;ncia de animais indesejados, como insetos, animais pe&ccedil;onhentos e vetores de doen&ccedil;as (mosquitos, baratas, ratos, aranhas e escorpi&otilde;es, entre outros).</p>     <p>O avan&ccedil;o no espa&ccedil;o da Lagoa do ac&uacute;mulo do lixo embaixo das casas, da incid&ecirc;ncia de insetos e do mau cheiro (<a name="q2"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a07q2.gif">Tabela 2</a>), de acordo com a percep&ccedil;&atilde;o dos moradores respondentes nos anos de 2000, 2005, 2014 e 2018 &eacute; muito claro. Em 2005, temos um povoamento ainda incipiente, o que muda muito claramente nos anos de 2014 e 2018, o que est&aacute; intimamente ligado &agrave; elevada migra&ccedil;&atilde;o para a &aacute;rea, efeito decorrente da instala&ccedil;&atilde;o da UHE Belo Monte.</p>      
<p>Durante a pesquisa obteve-se informa&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias quanto ao n&uacute;mero de fam&iacute;lias na &aacute;rea da Lagoa: um relat&oacute;rio produzido pelo Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), em agosto de 2017, apontava 688 fam&iacute;lias, entre moradores do interior e das bordas da lagoa; o levantamento feito pela Norte Energia, realizado a partir de cadastramento de 2018, seguindo recomenda&ccedil;&otilde;es do IBAMA, apurou um total de 968 fam&iacute;lias e 548 im&oacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O documento RT-PR-001/2018 regista o cadastramento de 968 fam&iacute;lias e 548 im&oacute;veis na regi&atilde;o da lagoa. Destes 548 im&oacute;veis levantados, 293 est&atilde;o localizados sobre palafitas e 255 est&atilde;o em &ldquo;terra firme&rdquo;. Em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de fam&iacute;lias, dos 968 registos, 496 est&atilde;o em moradias sobre as palafitas e 472 em moradias em &ldquo;terra firme&rdquo; (NORTE ENERGIA, RT-PR-001/2018).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O cadastramento feito pela Norte Energia que subsidiou os processos indenizat&oacute;rios resulta da batalha realizada pelos moradores, AMBAJI (Associa&ccedil;&atilde;o dos Moradores do Jardim Independente I) e MAB, pelo alargamento geogr&aacute;fico do reconhecimento de atingidos pela UHE Belo Monte, depois que surgiram minadouros e alagamentos permanentes. Os moradores inicialmente reivindicaram que fosse realizada uma nova medi&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que os estudos at&eacute; ent&atilde;o colocavam a lagoa acima da cota 100, dado que foi confirmado por pesquisa realizada pela ANA (Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas) e que tamb&eacute;m apontava a urg&ecirc;ncia da interven&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico e da Norte Energia, uma vez que a continuidade de moradias em tal condi&ccedil;&atilde;o de precariedade apresentava um risco real a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o residente.</p>     <p>O parecer da ANA, diversas a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e de outros &oacute;rg&atilde;os alimentaram a esperan&ccedil;a dos moradores e dos movimentos sociais envolvidos, at&eacute; que, em mar&ccedil;o de 2018, ocorre o reconhecimento dos mesmos como atingidos por Belo Monte. Por&eacute;m, ocorre um conflito entre a Norte Energia e a Prefeitura Municipal de Altamira (PMA) sobre a responsabilidade de cada uma sobre a &aacute;rea e seus residentes, o que gera um entrave na retirada das fam&iacute;lias e requalifica&ccedil;&atilde;o da lagoa, que persiste, at&eacute; &agrave; assinatura de um acordo, celebrado em outubro de 2018. Decide-se ent&atilde;o, que o empreendedor &eacute; o respons&aacute;vel por indenizar as fam&iacute;lias e a PMA pela recupera&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, o que, contudo, n&atilde;o ocorreu at&eacute; o presente momento (mar&ccedil;o de 2020), havendo apenas a registar, a retirada de algumas fam&iacute;lias que estavam com suas casas em condi&ccedil;&atilde;o de risco e que est&atilde;o recebendo o aluguel social.</p>     <p>Desse modo, eÌ possiÌvel afirmar a existeÌ‚ncia de relacÌ§oÌƒes conflituosas entre as acÌ§oÌƒes que emergem por conta do projeto hidreleÌtrico e aquelas que se produzem na defesa dos interesses locais. Por essa visaÌƒo, embora prevalecÌ§am como dominantes os eventos articulados pelo Estado e de interesse do grande capital, naÌƒo haÌ mudancÌ§as que se processem sem as tensoÌƒes caracteriÌsticas de qualquer projeto de grande magnitude. No caso da usina de Belo Monte, haÌ vaÌrias iniciativas desencadeadas por agentes locais (movimentos sociais, agentes do poder puÌblico e entidades) que alteraram a execucÌ§aÌƒo de alguns projetos, ainda que tais acÌ§oÌƒes naÌƒo sejam suficientes para interromper a continuidade do mesmo (NETO, 2016, p.172).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Durante a pesquisa, quando questionados sobre as expectativas quanto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de vida e moradia ap&oacute;s o reconhecimento como atingidos por Belo Monte, os moradores respondentes, em sua maioria, consideraram que a suas vidas mudar&atilde;o positivamente, com a celebra&ccedil;&atilde;o deste acordo. Foi apontado por 34% dos entrevistados que existir&aacute; uma melhor condi&ccedil;&atilde;o de moradia, outros 32% consideram que ter&atilde;o melhor acesso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos, como atendimento de sa&uacute;de e 26% acreditam que em Belo Monte haver&aacute; uma melhor qualidade de vida.</p>     <p>Importa considerar que este desfecho s&oacute; foi poss&iacute;vel devido ao movimento social: 100% dos entrevistados disseram que o MAB foi de fundamental import&acirc;ncia na luta por tal conquista e que sem ele, nada aconteceria de substancial. Obtiveram, portanto, antes de mais, direitos b&aacute;sicos de cidadania. Mas tamb&eacute;m, segundo a utopia lefevbriana, um direito &agrave; cidade, na perspectiva de sujeitos que participaram na transforma&ccedil;&atilde;o da realidade e do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico em que vivem, sendo certo que esse direito necessita ser constantemente lembrado e garantido, n&atilde;o interpretado apenas na aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e sim, na pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o.</p>     <p>Somente seis meses ap&oacute;s o reconhecimento como atingidas por Belo Monte a Norte Energia concluiu a retirada de 496 fam&iacute;lias da Lagoa do Independente I.</p>     <p>Pois h&aacute; 472 fam&iacute;lias vivendo no entorno da lagoa, para as quais a Norte Energia n&atilde;o apresenta prazo para dar tratamento. Al&eacute;m disso, dessas fam&iacute;lias, a empresa s&oacute; reconhece o direito de 102 &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o, no entanto, h&aacute; cerca de 150 fam&iacute;lias cujas casas est&atilde;o danificadas, apresentando rachaduras, insurg&ecirc;ncia de &aacute;gua e retorno do esgoto (MAB, julho de 2019).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Por isso, a luta social continua. Pois enquanto as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas n&atilde;o concentrarem seus esfor&ccedil;os na produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o da vida humana, os impulsos revolucion&aacute;rios n&atilde;o ser&atilde;o capazes de transformar a vida cotidiana, conquistando uma pol&iacute;tica do urbano que venha a fazer sentido para aqueles que ali residem, considerando o uso material, assim como a imaterialidade necess&aacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="5">     <li><b> Conclus&atilde;o</b></li>     </ol>     <p>O modelo de desenvolvimento adotado na Amaz&ocirc;nia, tem-se baseado na inser&ccedil;&atilde;o de grandes empreendimentos, em sua maioria oriundos de escolhas ex&oacute;genas que n&atilde;o respeitam a l&oacute;gica tradicional e, historicamente, produzem espa&ccedil;os de extrema pobreza, bols&otilde;es marginalizados. Foi o que se verificou na cidade de Altamira, nas plan&iacute;cies de alagamento dos igarap&eacute;s Altamira, Amb&eacute;, Panelas e na &aacute;rea da Lagoa do Independente que foi replicado (e ampliado) com a implanta&ccedil;&atilde;o da usina hidrel&eacute;trica Belo Monte, o que confirma a hip&oacute;tese inicial que apontava a intr&iacute;nseca liga&ccedil;&atilde;o entre o crescimento populacional da Lagoa do Independente I e as implica&ccedil;&otilde;es espaciais decorrentes do empreendimento, com o novo panorama de explora&ccedil;&atilde;o do solo a elevar o valor dos alugu&eacute;is e o custo de vida na cidade, principalmente de 2012 &agrave; 2015, anos de pico da obra, for&ccedil;ando muitas fam&iacute;lias a morar na Lagoa, em condi&ccedil;&otilde;es inadequadas. Tal situa&ccedil;&atilde;o, evidencia a necessidade de pol&iacute;ticas socioambientais e econ&ocirc;micas que priorizem o cidad&atilde;o e n&atilde;o a reprodu&ccedil;&atilde;o do capital pelo capital. Al&eacute;m disso, considera-se necess&aacute;rio nos estudos para empreendimentos, como a UHE Belo Monte, a participa&ccedil;&atilde;o e envolvimento da sociedade desde o in&iacute;cio, no planejamento, acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o, sobremaneira no que tange as medidas compensat&oacute;rias, num processo pautado pelo rigor e transpar&ecirc;ncia.</p>     <p>Verificou-se que o direito &agrave; cidade &eacute; limitado, mesmo se compreendido liminarmente como acesso a direitos b&aacute;sicos, j&aacute; que alguns moradores foram impedidos de desfrutar o que a cidade oferece: acesso &agrave; sa&uacute;de, seguran&ccedil;a, educa&ccedil;&atilde;o, lazer, moradia, mas tamb&eacute;m a sua imaterialidade, os sentimentos, direito que &eacute; primordial para a reprodu&ccedil;&atilde;o humana. A cidadania deixa de existir e resta a sobreviv&ecirc;ncia e o movimento social como umas das &uacute;nicas possibilidades de resist&ecirc;ncia e de conquistas que n&atilde;o viriam sem a luta social, como foi por exemplo o reconhecimento como atingido por Belo Monte, categoria que os coloca em um patamar de cidad&atilde;os com direitos reconhecidos.</p>     <p>A constante luta passa a ser a possibilidade da conquista da cidade e, consequentemente da cidadania, apropria&ccedil;&atilde;o: contradi&ccedil;&atilde;o, que contraria a l&oacute;gica de uso e troca imposta pela propriedade privada.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="6">     <li><b>Refer&ecirc;ncias</b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <!-- ref --><p>Ag&ecirc;ncia Nacional das &Aacute;guas. <i>Parecer T&eacute;cnico Conjunto n&ordm; 1/2016/COREG/SGH</i>, ANA, 2016.Dispon&iacute;vel em:&nbsp; <a href="https://www.ana.gov.br/" target="_blank">https://www.ana.gov.br/</a>. Acesso em set. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769169&pid=S2182-1267202000010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Brasil. [Estatuto da Cidade] <i>Estatuto da Cidade&nbsp;2008</i>. &ndash; 3. ed. &ndash;&nbsp;BrasiÌlia, DF:&nbsp;Senado Federal, Subsecretaria de&nbsp;EdicÌ§oÌƒes&nbsp;TeÌcnicas, 2008.&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Brasil.&nbsp;[Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil&nbsp;(1988)].&nbsp;Constitui&ccedil;ao&nbsp;da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988.&nbsp;BrasiÌlia, DF: Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769172&pid=S2182-1267202000010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carlos, A. F. A. <i>A (Re)producÌ§aÌƒo&nbsp;do&nbsp;espacÌ§o&nbsp;urbano</i>. 1ed.&nbsp;SaÌƒo&nbsp;Paulo: Editora da Universidade de&nbsp;SaÌƒo&nbsp;Paulo, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769174&pid=S2182-1267202000010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <p>Carlos, Ana Fani&nbsp;Alessandri. A pr&aacute;tica espacial urbana como segrega&ccedil;&atilde;o e o &ldquo;direito&nbsp;aÌ€&nbsp;cidade&rdquo; como horizonte ut&oacute;pico (p. 95-110) in P. A. Vasconcelos; R. L Corr&ecirc;a; S. M.&nbsp; Pintaudi (Org.).&nbsp; <i>A cidade contempor&acirc;nea: Segrega&ccedil;&atilde;o espacial</i>. S&atilde;o Paulo. Ed. Contexto, 1&ordf;&nbsp;ed. 2016.</p>     <p>ELETROBRAÌS. <i>Estudo de impacto ambiental &ndash; EIA,&nbsp;RelatoÌrio&nbsp;de impacto ambiental da Usina&nbsp;HidreleÌtrica&nbsp;de Belo Monte &ndash; RIMA Belo Monte</i>.&nbsp;BrasiÌlia, 2009.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FAPESPA. Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo a Estudos e Pesquisas do Par&aacute;. <i>Anu&aacute;rio&nbsp;Estat&iacute;stico do Par&aacute; 2015-2018.</i> Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="http://www.fapespa.pa.gov.br/menu/148/" target="_blank">http://www.fapespa.pa.gov.br/menu/148/</a><u>. &nbsp;</u>Acesso em fev. 2020.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769178&pid=S2182-1267202000010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gomes, P. C. C. A dimens&atilde;o ontol&oacute;gica do territ&oacute;rio no debate da cidadania: o exemplo canadense.&nbsp;<i>Revista&nbsp;Territ&oacute;rio</i>, Rio de Janeiro, n. 2, 1997, p.43-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769180&pid=S2182-1267202000010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOOGLE EARTH. Fotos de sat&eacute;lite. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="https://mapas.google.com/" target="_blank">https://mapas.google.com/</a>. Acesso em nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769182&pid=S2182-1267202000010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Harvey, D. <i>Cidades Rebeldes: do direito a cidade a revolu&ccedil;&atilde;o urbana</i> / David&nbsp;Harvey;&nbsp;Tradu&ccedil;ao&nbsp;Jeferson Camargo. &ndash; S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, 2014.</p>     <p>Herrera, J. A; Moreira. R. P. Resist&ecirc;ncia e conflitos sociais na Amaz&ocirc;nia Paraense &ndash; a luta contro o empreendimento hidrel&eacute;trico Belo Monte. <i>Campo-Territ&oacute;rio: Revista de&nbsp;Geogr&aacute;fia&nbsp;Agr&aacute;ria</i>. Vol. 8, n. 16, p. 130-151, ago. 2013.</p>     <p>Herrera, J. A.; Santana, N. C. Empreendimento hidrel&eacute;trico e fam&iacute;lias ribeirinhas na Amaz&ocirc;nia: desterritorializa&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica Belo Monte, na Volta Grande do Xingu.&nbsp;<i>Geousp&nbsp;&ndash; Espa&ccedil;o e Tempo</i><b>&nbsp;</b>(Online), v. 20, n. 2, p. 250-266, m&ecirc;s. 2016. ISSN 2179-0892.&nbsp;</p>     <p>Herrera, J.A; A&nbsp;estrangeiriza&ccedil;&atilde;o&nbsp;de terras na Amaz&ocirc;nia Legal Brasileira entre os anos 2003 e 2014. <i>Campo-Territ&oacute;rio: Revista de Geografia Agr&aacute;ria</i>. Ed. Especial, p. 136-164, jun. 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Huffpost Brasil. <i>Belo Monte, a viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos dos ribeirinhos e a amea&ccedil;a ao Xingu</i>. 2019. Acesso em:&nbsp;<a href="https://www.huffpostbrasil.com/entry/belo-monte-altamira_br_5d6efef4e4b09bbc9ef644fd" target="_blank">https://www.huffpostbrasil.com/entry/belo-monte-altamira_br_5d6efef4e4b09bbc9ef644fd</a>/&nbsp;Acesso em set.&nbsp;2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769188&pid=S2182-1267202000010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>IBGE. <i>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica.&nbsp;Censo demogr&aacute;fico 2010: Aglomerados subnormais&nbsp;&ndash; primeiros resultados</i>. Rio de Janeiro, 2010. ISSN: 0104-3145. Dispon&iacute;vel em&nbsp;<a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/" target="_blank">https://biblioteca.ibge.gov.br/</a><u>&nbsp;</u>Acesso em set. 2018.</p>     <p>Instituto Socioambiental ISA. <i>Dossi&ecirc; Belo Monte &ndash; N&atilde;o h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es para a licen&ccedil;a de opera&ccedil;&atilde;o</i>. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/dossie-belo-monte-remocao-das-familias-provoca-perda-do-modo-de-vida-ribeirinho/" target="_blank">https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/dossie-belo-monte-remocao-das-familias-provoca-perda-do-modo-de-vida-ribeirinho/</a>&nbsp;JUN, 2015. ISBN: 978-85-8226-026-5.&nbsp;Acesso em fev. 2020.</p>     <!-- ref --><p>Lefebvre, H.&nbsp;<i>O direito a cidade</i>.&nbsp;Trad. Rubens Eduardo Frias do original:&nbsp;Le&nbsp;Droit&nbsp;&agrave; La&nbsp;Ville. 5&ordf;ed. S&atilde;o Paulo, Centauro, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769192&pid=S2182-1267202000010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ledtam &ndash; Laborat&oacute;rio de Estudos das Din&acirc;micas Territoriais na Amaz&ocirc;nia. <i>Question&aacute;rios&nbsp;de trabalho de campo realizados na Lagoa do independente I</i>, Altamira: Universidade Federal do Par&aacute;, 2017-2018.</p>     <!-- ref --><p>MAB&nbsp;AMAZ&Ocirc;NIA<i>.&nbsp;Parecer T&eacute;cnico n&ordm; 23/2018-COHID/CGTEF/DILIC, MMA, IBAMA</i>, 2018.&nbsp;Dispon&iacute;vel em:&nbsp; <a href="https://www.mabnacional.org.br/noticia/mab-pede-suspen-da-licen-opera-belo-monte/" target="_blank">https://www.mabnacional.org.br/noticia/mab-pede-suspen-da-licen-opera-belo-monte/</a>.&nbsp;Acesso em out. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769195&pid=S2182-1267202000010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Minist&eacute;rio do Planejamento. <i>Belo Monte, antes e depois.</i> Publicado em 30/08/2011. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="http://pac.gov.br/noticia/0132dfd8/" target="_blank">http://pac.gov.br/noticia/0132dfd8/</a><u>.&nbsp;</u>Acesso em nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769197&pid=S2182-1267202000010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Miranda Neto, J. Q.; Alvarez, W. P<i>. Relat&oacute;rio T&eacute;cnico sobre ocorr&ecirc;ncias de alagamento no bairro Independente I &ndash; &Aacute;rea da Lagoa.</i> Universidade Federal do Par&aacute;. Altamira &ndash; PA, 2017.</p>     <!-- ref --><p>Miranda Neto, J. Q. <i>Os nexos de&nbsp;re-estrutura&ccedil;&atilde;o&nbsp;da cidade e da rede urbana: O papel da Usina Belo Monte nas transforma&ccedil;&otilde;es espaciais de Altamira/PA e em sua regi&atilde;o de influ&ecirc;ncia</i>. Reposit&oacute;rio Institucional&nbsp;Unesp, Presidente Prudente - SP, 2016. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;&lt;<a href="http://hdl.handle.net/11449/147134" target="_blank">http://hdl.handle.net/11449/147134</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769200&pid=S2182-1267202000010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Miranda Neto, J. Q. <i>UHE Belo Monte e a reestrutura&ccedil;&atilde;o da cidade de Altamira-PA: Agentes, processos e redefini&ccedil;&otilde;es espaciais</i>. Anais&nbsp;do XI-ENANPEGE, p. 2502-2513. Dispon&iacute;vel em&nbsp;<a href="http://www.enanpege.ggf.br/2015" target="_blank">www.enanpege.ggf.br/2015</a>&gt; ISSN: 2175-8875.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769202&pid=S2182-1267202000010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Norte Energia S.A.&nbsp;<i>Plano B&aacute;sico Ambiental da Usina Hidrel&eacute;trica de Belo Monte</i>. 2011.&nbsp;Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="https://www.norteenergiasa.com.br/pt-br/ri/relatorios-anuais/document-100668/" target="_blank">https://www.norteenergiasa.com.br/pt-br/ri/relatorios-anuais/document-100668/</a>. Acesso em nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769204&pid=S2182-1267202000010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Norte Energia S.A. <i>Relat&oacute;rio T&eacute;cnico RT-PR-001/2018, NESA</i>, 2018.&nbsp;Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="https://www.norteenergiasa.com.br/pt-br/ri/relatorios-anuais/document-100668/" target="_blank">https://www.norteenergiasa.com.br/pt-br/ri/relatorios-anuais/document-100668/</a>. Acesso em nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769206&pid=S2182-1267202000010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pi&ntilde;on de Oliveira, M. Para compreender o &ldquo;Leviat&atilde; Urbano&rdquo; - A cidadania como nexo pol&iacute;tico-territorial (p. 177-206) in A. F. Alessandri; M. L. Souza; M. E. B. Sposito (Org.) <i>A produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano: agentes e processos, escalas e desafios</i>.&nbsp;S&atilde;o Paulo. Ed. Contexto, 1&ordf;&nbsp;ed. 2012.</p>     <!-- ref --><p>Santos, M. <i>A Natureza do Espa&ccedil;o: T&eacute;cnica e Tempo, Raz&atilde;o e Emo&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Ed.&nbsp;Edusp, 4&ordf; ed. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769209&pid=S2182-1267202000010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, M.&nbsp; O Espa&ccedil;o do Cidad&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Ed. Edusp,7&ordf; ed. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769211&pid=S2182-1267202000010000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, M. Por uma Geografia Nova. S&atilde;o Paulo:&nbsp;Husitec,&nbsp;Edusp, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769213&pid=S2182-1267202000010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> O &uacute;ltimo censo realizado no Brasil foi no ano de 2010. Nele, foram visitados 67,6 milh&otilde;es de domic&iacute;lios nos 5.565 munic&iacute;pios brasileiros (IBGE, 2010).</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> A Usina Hidrel&eacute;trica Belo Monte &eacute; uma obra do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento (PAC) com investimentos superiores a 25,8 bilh&otilde;es de reais e com capacidade instalada de 11.233,1 (m&eacute;dia de 4.571 MW), que quando finalizada se tornar&aacute; a terceira maior usina do mundo (Minist&eacute;rio do Panejamento, 2011).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Os estudos analisados durante a elabora&ccedil;&atilde;o deste trabalho apontam diverg&ecirc;ncias sobre a d&eacute;cada de in&iacute;cio do processo formativo da lagoa (1980 ou 1990). Em pesquisas de campo realizadas em 2017 e 2018 pelo Laborat&oacute;rio de Estudos das Din&acirc;micas territoriais na Amaz&ocirc;nia (LEDTAM), vinculado a Universidade Federal do Par&aacute; &ndash; UFPA, os moradores relatam o in&iacute;cio, per&iacute;odo de instala&ccedil;&atilde;o de suas moradias no local ainda na d&eacute;cada de 1980, o que contrap&otilde;e aos dados recolhidos em relat&oacute;rio t&eacute;cnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade &ndash; SEMAS (2016) que informa que a &aacute;rea da Lagoa do Independente I tem sua ocupa&ccedil;&atilde;o datada apenas nos anos de 1990.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Com rela&ccedil;&atilde;o ao conceito de cidadania [&hellip;] uma r&aacute;pida incurs&atilde;o hist&oacute;rica nos mostra que, no s&eacute;culo XIX, com a emerg&ecirc;ncia do Estado-Na&ccedil;&atilde;o em toda a Europa, este conceito adquiriu um importante elemento: a qualidade de membro. Pelo simples fato de ser membro de um Estado-na&ccedil;&atilde;o, todos os habitantes ascendiam ao status de cidad&atilde;o, o direito pol&iacute;tico de participar da constru&ccedil;&atilde;o da sociedade, se efetivaria somente depois do voto. At&eacute; um passado bem recente &ndash; in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &ndash; este direito ser&aacute; reservado a alguns [&hellip;] (Santos apud T. Haguette, 2012, p. 21)</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Conjunto constitu&iacute;do por 51 ou mais unidades habitacionais, caracterizadas pela aus&ecirc;ncia de t&iacute;tulo de propriedade e pelo menos uma das caracter&iacute;sticas: irregularidade das vias de circula&ccedil;&atilde;o e do tamanho e forma dos lotes e/ou car&ecirc;ncia de servi&ccedil;os p&uacute;blicos essenciais. (IBGE, 2010)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> A cota 100 estipulada pelo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Belo Monte conclu&iacute;do em 2009, refere-se aÌ€ altitude que o rio Xingu iraÌ atingir com a constru&ccedil;&atilde;o da usina. Nele, as &aacute;reas urbanas situadas abaixo da cota altimeÌtrica de 100 metros foram denominadas &Aacute;reas Diretamente Afetadas (ADA Urbana) e os limites s&atilde;o baseados nas cheias hist&oacute;ricas do Rio Xingu, que ateÌ ent&atilde;o havia atingido 99,27 metros em 1980 (EIA, 2009).</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Agência Nacional das Águas</collab>
<source><![CDATA[Parecer Técnico Conjunto nº 1/2016/COREG/SGH]]></source>
<year>2016</year>
<month>se</month>
<day>t.</day>
<publisher-name><![CDATA[ANA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Brasil</collab>
<source><![CDATA[Estatuto da Cidade 2008]]></source>
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