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<article-id>S2182-12672020000100009</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Governança territorial, Atores e Desenvolvimento: um estudo sobre a organização territorial do cluster do calçado português]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Territorial governance, stakeholders and development: a study on the territorial organization of the Portuguese footwear cluster]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Aveiro Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Recognized as &#8220;the sexy industry in Europe&#8221;, the Portuguese footwear industry consolidates itself as a national symbol, overcoming the problems that affected it during decades. In this consolidation process, the role of the business association was fundamental in establishing cooperation links and the coordination between stakeholders, aspects that are relevant to the positive results. This coordination is a central element of the territorial governance structure, a topic that has been the focus of important debates in the field of urban-regional planning and spatial management. That said, this article aims to analyze the importance of territorial governance in agglomerated products, such as the Portuguese footwear cluster. For that, a methodology combining the theoretical review, official documents analysis and interviews was used. The results demonstrated the importance of governance in the performance of the cluste, highlighting the relevance of the new production factors (knowledge, innovation, articulation between institutional support)]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Governan&ccedil;a territorial, Atores e Desenvolvimento: um estudo sobre a organiza&ccedil;&atilde;o territorial do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s</b></p>     <p><b>Territorial governance, stakeholders and development: a study on the territorial organization of the Portuguese footwear cluster</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><b>Ribeiro</b>, Jos&eacute;; <sup>2</sup><b>Chamusca</b>, Pedro</p>     <p><sup>1</sup><i>IGCE/Universidade Estadual Paulista &ldquo;J&uacute;lio de Mesquita Filho&rdquo;</i></p>     <p>13506-900. Avenida 24 A, 1515 &ndash; Jd. Bela Vista. Rio Claro &ndash; SP &ndash; Brasil</p>     <p><a href="mailto:joserenatorbr@gmail.com">joserenatorbr@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>2</sup><i>Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais, Pol&iacute;ticas e do Territ&oacute;rio da Universidade de Aveiro | CEGOT</i></p>     <p>Universidade de Aveiro, Campus Universit&aacute;rio de Santiago, 3810-193 Aveiro,Portugal</p>     <p><a href="mailto:pedrochamusca@ua.pt">pedrochamusca@ua.pt</a></p>     <p><i>&nbsp;</i></p>     <p>&nbsp;<b>RESUMO</b></p>     <p>Reconhecida como a &ldquo;a ind&uacute;stria mais sexy da Europa&rdquo;, a ind&uacute;stria cal&ccedil;adista portuguesa se consolida como s&iacute;mbolo nacional, superando os problemas que outrora vivenciou. Nesse processo de consolida&ccedil;&atilde;o, a atua&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o empresarial foi fundamental no estabelecimento dos v&iacute;nculos de coopera&ccedil;&atilde;o e do movimento de coordena&ccedil;&atilde;o dos atores, aspectos relevantes para a obten&ccedil;&atilde;o dos resultados positivos. Consideramos a coordena&ccedil;&atilde;o exercida pela associa&ccedil;&atilde;o um dos elementos centrais das estruturas de governan&ccedil;a territorial, tema que tem sido foco de importantes debates no campo do planejamento urbano-regional e da gest&atilde;o do territ&oacute;rio. Dito isso, o presente artigo objetivou analisar a import&acirc;ncia da governan&ccedil;a territorial em aglomerados produtivos, como o <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s. Para tanto, a metodologia foi constitu&iacute;da de revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica e da an&aacute;lise de documentos oficiais, al&eacute;m de estudos recentes sobre a din&acirc;mica do <i>cluster</i>. Os resultados alcan&ccedil;ados demonstraram a import&acirc;ncia da governan&ccedil;a no desempenho dos <i>clusters</i>, al&eacute;m de oferecer, com base no estudo de caso, um exemplo para a discuss&atilde;o sobre a din&acirc;mica em aglomerados produtivos e a relev&acirc;ncia dos novos fatores de produ&ccedil;&atilde;o (conhecimento, inova&ccedil;&atilde;o, articula&ccedil;&atilde;o entre atores, apoio institucional).</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Governan&ccedil;a; Atores; Desenvolvimento; <i>Cluster</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Recognized as &ldquo;the sexy industry in Europe&rdquo;, the Portuguese footwear industry consolidates itself as a national symbol, overcoming the problems that affected it during decades. In this consolidation process, the role of the business association was fundamental in establishing cooperation links and the coordination between stakeholders, aspects that are relevant to the positive results. This coordination is a central element of the territorial governance structure, a topic that has been the focus of important debates in the field of urban-regional planning and spatial management. That said, this article aims to analyze the importance of territorial governance in agglomerated products, such as the Portuguese footwear cluster. For that, a methodology combining the theoretical review, official documents analysis and interviews was used. The results demonstrated the importance of governance in the performance of the cluste, highlighting the relevance of the new production factors (knowledge, innovation, articulation between institutional support)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: Governance; Actors; Development; Cluster.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol>     <li><b> Introdu&ccedil;&atilde;o</b></li>     </ol>     <p>As mudan&ccedil;as ocorridas no interior do Estado (reformas pol&iacute;tico-administrativas), aliadas a reorganiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, atingiram profundamente o cerne das pol&iacute;ticas de planejamento regional e de gest&atilde;o do territ&oacute;rio, os quais tinham, no poder central, o principal formulador. Tratam-se de mudan&ccedil;as na elabora&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de planejamento e gest&atilde;o territorial, que evidenciam uma segunda dimens&atilde;o do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, caracterizado pelo surgimento de novos modelos ou padr&otilde;es de a&ccedil;&atilde;o coletiva, inser&ccedil;&atilde;o das an&aacute;lises multiescalares e no aparecimento de formas de parceria, coopera&ccedil;&atilde;o institucional e de planejamento estrat&eacute;gico, englobando o envolvimento de novos atores.</p>     <p>Esses resultados podem ser observados na exist&ecirc;ncia de iniciativas espec&iacute;ficas de desenvolvimento territorial, caracterizadas por a&ccedil;&otilde;es, estrat&eacute;gias e pol&iacute;ticas para a (re)constru&ccedil;&atilde;o da base produtiva local/regional, podendo, ou n&atilde;o, provocar impactos no territ&oacute;rio. Nesse sentido, a exist&ecirc;ncia de dispositivos institucionais de coopera&ccedil;&atilde;o e de coordena&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es &eacute; um crit&eacute;rio essencial para o bom funcionamento. Esses dispositivos institucionais t&ecirc;m recebido a denomina&ccedil;&atilde;o de estruturas de governan&ccedil;a territorial e podem ser exemplificados em diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es nos processos de gest&atilde;o urbana, planos estrat&eacute;gicos, or&ccedil;amentos participativos, planos de ordenamento do territ&oacute;rio, comit&ecirc;s de bacias hidrogr&aacute;ficas, <i>clusters</i>, entre outros.</p>     <p>Ao considerar a governan&ccedil;a territorial como um dos debates atuais nos estudos sobre planejamento, gest&atilde;o e desenvolvimento do territ&oacute;rio, o objetivo do artigo &eacute; o de analisar a sua import&acirc;ncia no <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s, considerado uma das principais ind&uacute;strias do pa&iacute;s. No estudo proposto, &eacute; essencial considerarmos a pol&iacute;tica destinada aos <i>clusters</i> portugueses, que tem, como principal documento orientador, o Regulamento de Reconhecimento dos <i>Clusters</i> de Competitividade.</p>     <p>O artigo est&aacute; organizado em sete se&ccedil;&otilde;es, iniciando com essa introdu&ccedil;&atilde;o. Na segunda se&ccedil;&atilde;o, apresentamos a problem&aacute;tica da governan&ccedil;a como novo modo de coopera&ccedil;&atilde;o e de coordena&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios para o desenvolvimento. Na terceira se&ccedil;&atilde;o, apresentamos a defini&ccedil;&atilde;o de <i>cluster</i> e as pol&iacute;ticas de apoio as aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas em Portugal. Na quarta se&ccedil;&atilde;o, detalhamos o <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado de Portugal, o que &eacute; o complexo industrial cal&ccedil;adista, sua localiza&ccedil;&atilde;o, a descri&ccedil;&atilde;o do mercado internacional de cal&ccedil;ado, a estrutura produtiva portuguesa voltada ao cal&ccedil;ado. Na quinta se&ccedil;&atilde;o, apresentamos a entidade gestora, o funcionamento da governan&ccedil;a e o Plano Estrat&eacute;gico do <i>Cluster</i> do Cal&ccedil;ado 2014 &ndash; 2020. A sexta se&ccedil;&atilde;o &eacute; reservada &agrave;s considera&ccedil;&otilde;es finais.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="2">     <li><b> Governan&ccedil;a territorial como novo modo de coopera&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios para o desenvolvimento</b></li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ol>     <p>Utilizada por diferentes ci&ecirc;ncias, como a Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, a Administra&ccedil;&atilde;o, a Economia e a Geografia, a no&ccedil;&atilde;o de governan&ccedil;a tem significados distintos. N&atilde;o se trata de um conceito novo, sendo originalmente empregado em trabalhos sobre as formas operacionais utilizadas para a coordena&ccedil;&atilde;o de empresas ou firmas. Na d&eacute;cada de 1980, o conceito foi aplicado em trabalhos do Grupo Banco Mundial sobre a capacidade administrativa dos Estados, nos quais foram elaboradas pol&iacute;ticas, diretrizes e metas econ&ocirc;micas (e sociais) para os pa&iacute;ses subdesenvolvidos (Leloup, Moyart e Pecqueur, 2005; Pires <i>et al.</i>, 2011).</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de governan&ccedil;a tamb&eacute;m est&aacute; presente no documento norteador das pol&iacute;ticas europeias, o Livro Branco da Governan&ccedil;a Europeia, publicado pela Comiss&atilde;o Europeia em 2001, com o objetivo de promover e ampliar o ambiente democr&aacute;tico na Uni&atilde;o, no qual s&atilde;o apresentados os instrumentos necess&aacute;rios para o estabelecimento de pol&iacute;ticas mais coerentes nos pa&iacute;ses membros e os princ&iacute;pios (abertura, participa&ccedil;&atilde;o, responsabiliza&ccedil;&atilde;o, efic&aacute;cia, coer&ecirc;ncia e proporcionalidade) considerados basilares da democracia e do Estado Democr&aacute;tico de Direito e que podem ser aplicados a todos os n&iacute;veis de governo, independentemente da estrutura territorial do Estado-membro (Comiss&atilde;o Europeia, 2001).</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de governan&ccedil;a entendida no presente artigo, concebida enquanto um novo modo de coopera&ccedil;&atilde;o e de coordena&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios para o desenvolvimento, abrange as mudan&ccedil;as realizadas pelo processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, como a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva e a reforma pol&iacute;tico-administrativa do Estado, as quais t&ecirc;m induzido a uma realoca&ccedil;&atilde;o de responsabilidades e de atua&ccedil;&atilde;o de diferentes atores territoriais, tanto na escala de planejamento quanto na de a&ccedil;&atilde;o. Elementos como a variedade de atores, a descentraliza&ccedil;&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o, o car&aacute;ter democr&aacute;tico, a coopera&ccedil;&atilde;o e a coordena&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o essenciais nesses novos modelos que se podem se manifestar de formas variadas, o que assinala a especificidade e a complexidade dos territ&oacute;rios.</p>     <p>A governan&ccedil;a se encaixa no conjunto dos novos fatores de produ&ccedil;&atilde;o e, sendo o produto da organiza&ccedil;&atilde;o local, apresenta-se como um fator de localiza&ccedil;&atilde;o incomensur&aacute;vel, intransfer&iacute;vel e tampouco quantific&aacute;vel. Para Vale (2009), com a evolu&ccedil;&atilde;o dos sistemas econ&ocirc;micos, o conhecimento passa a ocupar posi&ccedil;&atilde;o central dentre os fatores decisivos para o progresso tecnol&oacute;gico. A economia p&oacute;s-fordista &eacute; menos depend&ecirc;ncia do trabalho e do capital e mais depend&ecirc;ncia do conhecimento, &ldquo;fator indispens&aacute;vel para a competitividade das empresas e para o desenvolvimento das economias regionais e dos Estados-na&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Vale, 2009, p. 10). Nesse contexto, a governan&ccedil;a &eacute; um elemento essencial nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas a P&amp;D, evidenciando a articula&ccedil;&atilde;o dos atores territoriais mais diretamente envolvidos no desenvolvimento do territ&oacute;rio (Storper e Harrison, 1994).</p>     <p>Na tipologia de Benko e Pecqueur (2001), elaborada para caracterizar o conjunto de fatores sociais e culturais respons&aacute;veis pela diferencia&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios, a governan&ccedil;a territorial se encaixa tanto como ativo territorial quanto como recurso espec&iacute;fico. O ativo territorial se deve ao ambiente cultural e industrial (atmosfera), a acumula&ccedil;&atilde;o de conhecimentos t&aacute;citos (aprendizagem) e ao ambiente institucional favor&aacute;vel; o recurso espec&iacute;fico se deve a mobiliza&ccedil;&atilde;o institucional e organizacional adequada &agrave;s estrat&eacute;gias locais (Pires <i>et al,</i> 2011).</p>     <p>Realizada essa breve introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; problem&aacute;tica, apresentaremos as contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas para fundamentar este artigo. &Eacute; importante salientar que as contribui&ccedil;&otilde;es selecionadas observam a governan&ccedil;a em contextos urbanos (Chamusca, 2013; Fernandes e Chamusca, 2009; Ferr&atilde;o, 2010; Carmo, 2014) e no &acirc;mbito produtivo (Storper e Harrisson, 1994; Vale e Cadeira, 2006; Pires <i>et al</i>, 2011; Fuini, 2015, Alc&acirc;ntara, 2017), de modo que o denominador comum para articular as diferentes contribui&ccedil;&otilde;es &eacute; o reconhecimento de que a governan&ccedil;a territorial aparece como uma forma de regula&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e de interdepend&ecirc;ncia din&acirc;mica entre os agentes notadamente produtivos e as institui&ccedil;&otilde;es locais.</p>     <p>Ao analisar a realidade no contexto urbano, Chamusca (2013) concebe a governan&ccedil;a como um processo flex&iacute;vel, h&iacute;brido e multifacetado de regula&ccedil;&atilde;o. Esse processo implica no desenvolvimento de m&uacute;ltiplas formas de integra&ccedil;&atilde;o e de participa&ccedil;&atilde;o, na constru&ccedil;&atilde;o de estruturas e de atividades menos hier&aacute;rquicas e burocr&aacute;ticas, no necess&aacute;rio reconhecimento das regras e das normas capazes de regular a a&ccedil;&atilde;o coletiva e, por fim, na cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos de aprendizagem e de adaptabilidade que permitam a adequada resolu&ccedil;&atilde;o de problemas comuns. Na mesma linha, Fuini (2010) destaca que a governan&ccedil;a evidencia formas intermedi&aacute;rias de articula&ccedil;&atilde;o entre atores sociais e que concebe tipos diferenciados de gest&atilde;o, onde s&atilde;o manifestados interesses distintos e conflitantes entre os atores envolvidos, de modo que a busca pela converg&ecirc;ncia destes interesses &eacute; o que movimenta essa estrat&eacute;gia de desenvolvimento, que &eacute;, por natureza, parcial e provis&oacute;ria.</p>     <p>A governan&ccedil;a territorial decorre de um processo no qual observamos a intera&ccedil;&atilde;o de cinco elementos, como apresentado na <a name="q1"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q1.gif">Tabela 1</a>.</p>      
<p>A din&acirc;mica territorial corresponde ao conjunto de a&ccedil;&otilde;es efetivadas por diferentes atores em determinados territ&oacute;rios. Da exist&ecirc;ncia e da necess&aacute;ria participa&ccedil;&atilde;o dos diferentes atores, temos a constitui&ccedil;&atilde;o do bloco socio-territorial, o qual vai resultar na forma&ccedil;&atilde;o das redes de poder do territ&oacute;rio. Do funcionamento do bloco, permeado por atritos e possibilidades de negocia&ccedil;&atilde;o, a concerta&ccedil;&atilde;o social objetiva a defini&ccedil;&atilde;o dos projetos pol&iacute;ticos de desenvolvimento, isto &eacute;, o pacto socio-territorial. &Eacute; da articula&ccedil;&atilde;o dessas diferentes caracter&iacute;sticas que podemos observar a din&acirc;mica do processo de desenvolvimento territorial. A governan&ccedil;a &eacute; o resultado da organiza&ccedil;&atilde;o e das estrat&eacute;gias, visando solucionar problemas espec&iacute;ficos ancorados no territ&oacute;rio, n&atilde;o se tratando de um ambiente organizacional amistoso, pois a exist&ecirc;ncia de um espa&ccedil;o de negocia&ccedil;&atilde;o entre atores de diferentes segmentos pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de antagonismos e conflitos intra e extraclasses (Dallabrida, 2017).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As estrat&eacute;gias de governan&ccedil;a visam solucionar problemas caracter&iacute;sticos manifestados no territ&oacute;rio (Pires <i>et al</i>, 2011; Alc&acirc;ntara; 2017) e, ao considerar a multiplicidade de atores e a diversidade de interesses, podemos analis&aacute;-las com base em quatro diferentes tipos, como apresentado na <a name="q2"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q2.gif">tabela 2</a>.</p>      
<p>A partir da <a name="q2"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q2.gif">tabela 2</a>, podemos observar a forma de organiza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio em prol do desenvolvimento e a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de outros atores territoriais, bem como apreender como se materializam as rela&ccedil;&otilde;es de poder na governan&ccedil;a. O modelo ideal &eacute; o tripartite, mas isso n&atilde;o significa que n&atilde;o exista um ator principal, no qual os outros atores t&ecirc;m atua&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel de acordo com a forma de intera&ccedil;&atilde;o e a estrutura de governan&ccedil;a que &eacute; prefer&iacute;vel, isto &eacute;, que atenda a princ&iacute;pios que garantam o efetivo funcionamento.</p>     
<p>As novas estrat&eacute;gias de desenvolvimento mostram a import&acirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o de um territ&oacute;rio de base local por meio da articula&ccedil;&atilde;o entre diferentes atores, mas que n&atilde;o deve se isolar do contexto global. As estrat&eacute;gias de desenvolvimento territorial possuem car&aacute;ter mais difuso e s&atilde;o sustentadas por fatores n&atilde;o apenas econ&ocirc;micos, mas tamb&eacute;m sociais, culturais e territoriais (Leloup, Moyart e Pecqueur, 2005; Vale e Caldeira, 2006), podendo ser observados em diferentes recortes geogr&aacute;ficos e setoriais (Pires <i>et al</i> 2011).</p>     <p>O apoio proveniente dos gestores p&uacute;blicos locais ou regionais, al&eacute;m da convic&ccedil;&atilde;o do papel a desempenhar no fomento econ&ocirc;mico do territ&oacute;rio, figura como um fator fundamental nas iniciativas de desenvolvimento local/territorial. Isso requer a reformula&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es que as diferentes administra&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas territoriais devem desempenhar, tendo como objetivo negociar, com os atores locais, a constru&ccedil;&atilde;o de um entorno institucional que beneficie o territ&oacute;rio, como, por exemplo, apoiando o empresarial, composto por micro, pequenas e m&eacute;dias empresas (MPMEs) (Pires <i>et al</i>, 2011; Vale e Caldeira, 2006).</p>     <p>Considerando que o desenvolvimento est&aacute; vinculado a um modelo territorial e a um ordenamento do territ&oacute;rio, &eacute; fundamental reconhecer o impacto que uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento pode incidir sobre o territ&oacute;rio. &Eacute; necess&aacute;rio que seja evidenciado os atributos ou as car&ecirc;ncias para que as estrat&eacute;gias de desenvolvimento sejam elaboradas e implementadas da melhor forma a atender as demandas sociais locais e regionais. Enquanto processo que envolve a mobiliza&ccedil;&atilde;o de atores, recursos e institui&ccedil;&otilde;es com forte v&iacute;nculo espacial e capazes de constituir um canal de articula&ccedil;&atilde;o multiescalar, o desenvolvimento territorial busca alavancar a competitividade das atividades econ&ocirc;micas locais e propiciar bem-estar social e cultural &agrave; comunidade que vive nesse meio. Essa nova dimens&atilde;o do desenvolvimento se apresenta como um produto da iniciativa compartilhada, o qual delega uma postura ativa &agrave; sociedade que comp&otilde;e aquele local ou territ&oacute;rio, e, com isso, exerce o papel de agente transformador e n&atilde;o apenas de benefici&aacute;ria do desenvolvimento (Pires <i>et al</i>, 2011).</p>     <p>A quest&atilde;o levantada no debate do desenvolvimento territorial &eacute; mostrar a potencialidade de se efetivar processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o entre atores, institui&ccedil;&otilde;es e recursos em prol do desenvolvimento, tendo, assim, a centralidade da governan&ccedil;a territorial enquanto recurso necess&aacute;rio. Com isso, ao ser considerado um modo in&eacute;dito de organiza&ccedil;&atilde;o territorial, a governan&ccedil;a tem enfatizado a configura&ccedil;&atilde;o de um novo paradigma do planejamento do desenvolvimento e que, em Portugal, tem ganhado visibilidade, como, por exemplo, nas pol&iacute;ticas urbanas (Fernandes e Chamusca, 2009, Chamusca, 2013), nos planos destinados ao ordenamento do territ&oacute;rio (Carmo, 2014) e em espa&ccedil;os produtivos tradicionais no pa&iacute;s, como a produ&ccedil;&atilde;o de vinho (Alc&acirc;ntara, 2017) e o <i>cluste</i>r do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s, estudo de caso desse artigo.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p> <ol start="3">     <li><b> A defini&ccedil;&atilde;o de <i>cluster</i> e as pol&iacute;ticas de apoio as aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas em Portugal</b></li>     </ol>     <p>Nos Estados Unidos, Porter (1998), a partir de estudos sobre as condi&ccedil;&otilde;es e as vantagens competitivas em aglomerados produtivos, constatou que as aglomera&ccedil;&otilde;es podem assumir o papel de instrumentos de dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, contribuindo para o aumento das exporta&ccedil;&otilde;es e possibilitando a constitui&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de di&aacute;logo entre empresas, &oacute;rg&atilde;os governamentais e outras institui&ccedil;&otilde;es que colaboram para ampliar a competitividade. Denominando essas aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas de <i>clusters</i>, Porter (1998) os concebeu como forma de promo&ccedil;&atilde;o da competitividade do territ&oacute;rio por meio de uma eficiente organiza&ccedil;&atilde;o/inter-rela&ccedil;&atilde;o dos recursos e dos atores locais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Brasil, os estudos sobre aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas levaram ao desenvolvimento da ideia de Arranjo Produtivo Local (Lastres e Cassiolato, 2003). Na Europa, destacam-se duas terminologias: na It&aacute;lia, os distritos industriais (Becattini, 1994) e na Fran&ccedil;a, o sistema produtivo localizado (Courlet, 2013). Essas defini&ccedil;&otilde;es compartilham, como tra&ccedil;os comuns, a aglomera&ccedil;&atilde;o de empresas de uma mesma cadeia produtiva com um rol variado de atores, resultando em um ambiente de coopera&ccedil;&atilde;o e que demanda um mecanismo de regula&ccedil;&atilde;o, a governan&ccedil;a (Lastres e Cassiolato, 2004; Fuini, 2015; Storper e Harryson, 1994).</p>     <p>Em Portugal n&atilde;o foi criado um termo pr&oacute;prio para aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas, de modo que foi adotado, nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, a terminologia porteriana, ou seja, os <i>clusters</i>. &Eacute; importante destacar que os diferentes termos remetem a um mesmo fen&ocirc;meno geogr&aacute;fico e que tem sido considerado, por lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e intelectuais do campo do desenvolvimento, como importante instrumento de dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do territ&oacute;rio.</p>     <p>O estudo &ldquo;Construir vantagens competitivas em Portugal&rdquo;, coordenado por Porter na d&eacute;cada de 1990, foi a primeira iniciativa do governo portugu&ecirc;s para o apoio as aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas (industriais ou focada na oferta de servi&ccedil;os), o qual tinha como objetivo identificar os setores de Portugal que apresentavam vantagens competitivas e quais os desafios apresentados para o seu efetivo desenvolvimento.</p>     <p>Cunhado por Porter e amplamente conhecido na literatura econ&ocirc;mica e geogr&aacute;fica, os elementos utilizados para o estudo est&atilde;o assentados no modelo do diamante.&nbsp; Seis <i>clusters</i> priorit&aacute;rios (o vinho, o turismo, a madeira, o vestu&aacute;rio, o cal&ccedil;ado e o autom&oacute;vel) foram identificados, mas, em decorr&ecirc;ncia de quest&otilde;es pol&iacute;ticas, o estudo n&atilde;o foi implementado.</p>     <p>Sobre as pol&iacute;ticas destinadas aos <i>clusters</i>, Chorincas (2009) e Ferreira, Nat&aacute;rio e Braga (2018), nos informam que, durante a primeira d&eacute;cada dos anos 2000, diferentes iniciativas foram propostas pelo governo federal portugu&ecirc;s, como o Programa Integrado de Apoio &agrave; Inova&ccedil;&atilde;o (PROINOV), o Programa de Recupera&ccedil;&atilde;o de &Aacute;reas e setores Deprimidos (PRASD), o Programa Nacional de A&ccedil;&atilde;o para o Crescimento e o Emprego (PNACE) e o Plano Tecnol&oacute;gico.</p>     <p>O Programa Integrado de Apoio &agrave; Inova&ccedil;&atilde;o (PROINOV), enquadrado na Agenda para a Inova&ccedil;&atilde;o em Portugal, teve como objetivo o desenvolvimento de <i>clusters</i> de inova&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas-chave de atividades com tradi&ccedil;&atilde;o na especializa&ccedil;&atilde;o e na internacionaliza&ccedil;&atilde;o. A colabora&ccedil;&atilde;o entre empresas, a participa&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es empresariais e de institui&ccedil;&otilde;es de ensino, pesquisa e inova&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m do setor financeiro, eram crit&eacute;rios necess&aacute;rios. No PROINOV, estudos nos setores de autom&oacute;vel, software e cal&ccedil;ados foram realizados, mas n&atilde;o tiveram continuidade devido &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es no ciclo pol&iacute;tico.</p>     <p>O Programa de Recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas e setores deprimidos (PRASD) buscou elaborar estrat&eacute;gias empresariais e orientar o poder p&uacute;blico na dinamiza&ccedil;&atilde;o da economia e alocar as a&ccedil;&otilde;es do Estado em &aacute;reas n&atilde;o atendidas pelo mercado (Chorincas, 2009). O Programa Nacional de A&ccedil;&atilde;o para o crescimento e o Emprego (PNACE), com foco na competitividade e no empreendedorismo, estimulou o estabelecimento de parcerias e a dinamiza&ccedil;&atilde;o de <i>clusters</i> com perfil de atua&ccedil;&atilde;o internacional. O Plano Tecnol&oacute;gico, respons&aacute;vel por oferecer uma estrat&eacute;gia de crescimento e de competitividade com base nos novos fatores produtivos (conhecimento, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o), buscou articular empresas, centros de forma&ccedil;&atilde;o e pesquisa, com o intuito de potenciar sinergias em redes de projetos comuns (Chorincas, 2008; Ferreira, Nat&aacute;rio e Braga, 2018).</p>     <p>Segundo o documento &ldquo;Estrat&eacute;gias de Efici&ecirc;ncia Coletiva&rdquo; (EEC), desenvolvido por Chorincas (2009) para o Quadro de Refer&ecirc;ncia Estrat&eacute;gico Nacional (QREN), todas as iniciativas mencionadas n&atilde;o lograram resultados satisfat&oacute;rios. Al&eacute;m de ser um alerta aos problemas encontrados nas pol&iacute;ticas destinadas aos <i>clusters</i>, o documento tamb&eacute;m apresentou um material de refer&ecirc;ncia para a identifica&ccedil;&atilde;o de economias de aglomera&ccedil;&atilde;o, de proximidade ou de escala a partir de um conjunto de crit&eacute;rios que visa &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o e &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o das empresas inter-relacionadas em determinado territ&oacute;rio, al&eacute;m do est&iacute;mulo &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o e ao funcionamento em rede entre empresas e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, desenvolvimento e inova&ccedil;&atilde;o (Chorincas, 2009). No documento foram apresentados um conjunto de crit&eacute;rios que permitem identificar cinco fatores cr&iacute;ticos (<a name="q3"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q3.gif">Tabela 3</a>), os quais podem resultar no sucesso ou no insucesso das estrat&eacute;gias.</p>      
<p>Dentre os crit&eacute;rios, destacamos, no presente artigo, o crit&eacute;rio &ldquo;Modelo de governan&ccedil;a&rdquo; como central para o bom desenvolvimento das estrat&eacute;gias e, consequentemente, dos <i>clusters</i>. A essencialidade da governan&ccedil;a tamb&eacute;m &eacute; identificada no documento &ldquo;Regulamento de Reconhecimento dos <i>Clusters</i> de competitividade&rdquo;, publicado no Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica de 23 de mar&ccedil;o de 2015. O documento &eacute; o mais recente marco de orienta&ccedil;&atilde;o para os <i>clusters</i> no pa&iacute;s e visa estimular as iniciativas estrat&eacute;gicas de efici&ecirc;ncia coletiva, refor&ccedil;ando a competitividade, a promo&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o e o est&iacute;mulo &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Estabelecer uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica e um programa de a&ccedil;&atilde;o capaz de gerar impactos na economia (desenvolvimento econ&ocirc;mico, gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda, capacidade exportadora e internacionaliza&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a apresenta&ccedil;&atilde;o das propostas de reconhecimento. Dentre as caracter&iacute;sticas que os <i>clusters</i> devem apresentar, assinalamos o disposto na <i>al&iacute;nea c</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cooperar e funcionar em rede, envolvendo empresas e outros operadores relevantes para a valoriza&ccedil;&atilde;o dos sectores ou cadeias de valor, nomeadamente entidades n&atilde;o empresariais do SI&amp;I, de forma&ccedil;&atilde;o profissional, associa&ccedil;&otilde;es empresariais e entidades p&uacute;blicas no sentido de garantir a maximiza&ccedil;&atilde;o das oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o cruzada. (DI&Aacute;RIO DA REP&Uacute;BLICA, 2015, p. 7075)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A exist&ecirc;ncia de diferentes atores (empresas, entidades cient&iacute;ficas e profissionais, associa&ccedil;&otilde;es empresarias e entidades p&uacute;blicas) nos permite identificar a necessidade de um mecanismo de governan&ccedil;a. Com o reconhecimento aprovado, os <i>clusters</i> podem pleitear apoios p&uacute;blicos para a dinamiza&ccedil;&atilde;o de suas atividades. As condi&ccedil;&otilde;es gerais para o reconhecimento dos <i>clusters</i> est&atilde;o no artigo 5&ordm; do regulamento, o qual &eacute; apresentado, na &iacute;ntegra, na <a name="q4"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q4.gif">tabela 4</a>.</p>      
<p>De acordo com o regulamento, h&aacute; dois os tipos de <i>clusters</i> (consolidados e emergentes). Os <i>clusters</i> consolidados apresentam grande abrang&ecirc;ncia, alto n&iacute;vel de inova&ccedil;&atilde;o, amplo impacto econ&ocirc;mico nacional e capacidade exportadora. J&aacute; os <i>clusters</i> emergentes s&atilde;o aqueles que revelam din&acirc;micas novas de crescimento em &aacute;reas estrat&eacute;gicas e que, por isso, permitem projetar um grau de influ&ecirc;ncia crescente na economia nacional.</p>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o das candidaturas e a responsabilidade sobre o processo de reconhecimento &eacute; atribu&iacute;da a Comiss&atilde;o de Avalia&ccedil;&atilde;o, grupo composto pela Ag&ecirc;ncia para a Competitividade e Inova&ccedil;&atilde;o (IAPMEI), entidade que preside a comiss&atilde;o, pelo Gabinete de Estrat&eacute;gia e Estudos do Minist&eacute;rio da Economia, pela Ag&ecirc;ncia para o Desenvolvimento e Coes&atilde;o, pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Inova&ccedil;&atilde;o, pela Ag&ecirc;ncia para o Investimento e Com&eacute;rcio Externo de Portugal e pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionaliza&ccedil;&atilde;o. Essa articula&ccedil;&atilde;o de diferentes entidades p&uacute;blicas respons&aacute;veis pela dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica de Portugal &eacute; necess&aacute;ria por se tratar de uma iniciativa multi-institucional, como observado na <a name="q5"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q5.gif">tabela 5</a>.</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para a avalia&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o considerados o cumprimento das condi&ccedil;&otilde;es para o reconhecimento do <i>cluster</i> (condi&ccedil;&otilde;es apresentadas na <a name="q3"><a href="/img/revistas/got/n19/n19a08q3.gif">tabela 3</a>), o m&eacute;rito do programa de a&ccedil;&atilde;o e a estrutura de governan&ccedil;a apresentada. Quem efetivamente avalia &eacute; a IAPMEI, respons&aacute;vel por elaborar um relat&oacute;rio de an&aacute;lise que deve ser apreciado pela Comiss&atilde;o de Avalia&ccedil;&atilde;o. Em posse do resultado da avalia&ccedil;&atilde;o, a IAPMEI, ap&oacute;s requerer a audi&ccedil;&atilde;o dos interessados, submete o relat&oacute;rio final &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o dos representantes do governo no campo econ&ocirc;mico, do desenvolvimento regional e dos setores no qual o <i>cluster </i>est&aacute; inserido. &Eacute; esse representante do governo quem decide pelo reconhecimento, de modo que a IAPMEI deve notificar o <i>cluster</i> em quest&atilde;o.</p>     
<p>Ap&oacute;s aprovado, as entidades gestoras (representantes oficiais dos <i>clusters</i>) celebram, com a IAPMEI, um contrato-programa que estabelece o prazo de vig&ecirc;ncia de seis anos, o qual pode ser prorrogado por um ano, e no qual constam as circunst&acirc;ncias para a revoga&ccedil;&atilde;o do referido status de <i>cluster</i> de competitividade: a) descumprimento dos compromissos firmados no programa de a&ccedil;&atilde;o e no contrato-programa; b) mudan&ccedil;as dos pressupostos que conduziram ao reconhecimento do <i>cluster</i>; c) apresenta&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es enganosas sobre a situa&ccedil;&atilde;o das entidades envolvidas.</p>     <p>Destacamos que, al&eacute;m de apresentar o objetivo do regulamento e de especificar quais s&atilde;o e em que condi&ccedil;&otilde;es devem estar estabelecidos os <i>clusters</i>, o documento em quest&atilde;o prev&ecirc; especial aten&ccedil;&atilde;o ao bom funcionamento da entidade gestora que pode repercutir diretamente no <i>cluster</i>. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o se estende tamb&eacute;m a proposi&ccedil;&atilde;o de mecanismos de acompanhamento, monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos aglomerados, bem como a eventual perda do reconhecimento, o que se traduz como uma poss&iacute;vel puni&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O processo de reconhecimento terminou em 2017 com a identifica&ccedil;&atilde;o de 19 <i>clusters</i> em setores diversos e com diferenciado grau de emprego tecnol&oacute;gico: Ind&uacute;strias da Fileira/cadeia Florestal (setor madeireiro), AEC - Arquitetura, Engenharia e Constru&ccedil;&atilde;o (constru&ccedil;&atilde;o civil), AED <i>Cluster</i> (aeroespacial e defesa), Plataforma Ferrovi&aacute;ria Portuguesa (log&iacute;stica e transporte), Vinha e do Vinho (bebida), Petroqu&iacute;mica, Qu&iacute;mica Industrial e Refina&ccedil;&atilde;o (petr&oacute;leo e derivados), Cal&ccedil;ado e Moda (cal&ccedil;adista), Mar Portugu&ecirc;s (multi-setorial &ndash; pesca, ind&uacute;stria naval e portos), Recursos Minerais de Portugal (minera&ccedil;&atilde;o), Habitat Sustent&aacute;vel (agregados reciclados), <i>Cluster Smart Cities</i> Portugal (solu&ccedil;&otilde;es urbanas inteligentes e integradas), T&ecirc;xtil: Tecnologia e Moda (t&ecirc;xtil e vestu&aacute;rio), <i>Engineering &amp; Tooling</i> (engenharia), Health (complexo da sa&uacute;de), MOBINOV (autom&oacute;veis), AgroFood (alimentar), PRODUTECH - Polo das Tecnologias de Produ&ccedil;&atilde;o (tecnologia de produ&ccedil;&atilde;o), TICE (tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o) e Turismo (servi&ccedil;os tur&iacute;sticos).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os <i>clusters</i> reconhecidos abrangem aqueles identificados por Porter no estudo encomendado pelo governo nos anos de 1990, o que atesta a relev&acirc;ncia das aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas para a economia portuguesa outrora identificadas. Al&eacute;m disso, o reconhecimento realizado por meio das EECs do QREN atribuiu maior express&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica de <i>clusters</i>, servindo como &ldquo;um instrumento fundamental de integra&ccedil;&atilde;o operacional de prioridades estrat&eacute;gicas relativas ao refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o, ao robustecimento da inova&ccedil;&atilde;o e da I&amp;D, e ao aumento da proje&ccedil;&atilde;o internacional&rdquo; (Moreira, 2014, p. 30).</p>     <p>Um dado importante identificado por Moreira (2014), ao analisar a pol&iacute;tica de <i>clusters</i> apresentadas no quadro das EECs, est&aacute; nas diferentes l&oacute;gicas de ajustamento territorial que foram evidenciadas pelos <i>clusters</i> identificados. Essas l&oacute;gicas apresentam rela&ccedil;&atilde;o entre a incid&ecirc;ncia regional do investimento em projetos associados e a concentra&ccedil;&atilde;o espacial dos setores. Dessa pesquisa, o autor afirma que h&aacute; um descompasso, um desequil&iacute;brio entre o investimento realizado, os atores envolvidos e o n&uacute;mero de empresas abarcadas. Para tanto, o autor (2014, p. 102) chama aten&ccedil;&atilde;o para a &ldquo;necessidade da exist&ecirc;ncia de esfor&ccedil;os estrat&eacute;gicos direccionados para a qualidade da abrang&ecirc;ncia das redes de actores, que idealmente devem incluir um bom n&uacute;mero de empresas l&iacute;deres e uma boa extens&atilde;o de empresas mais pequenas&rdquo;, o que possibilitaria que um maior n&uacute;mero de atores fosse beneficiado pelas medidas de melhoramento de produtividade e do pr&oacute;prio ambiente socioterritorial decorrente das estrat&eacute;gias de governan&ccedil;a.</p>     <p>De acordo com a IAPMEI<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>, com base em dados de 2013, a representatividade dos <i>clusters</i> para a economia portuguesa pode ser observada nos n&uacute;meros apresentados na dimens&atilde;o empresarial, associativa e econ&ocirc;mica. Na dimens&atilde;o empresarial s&atilde;o 1.815 empresas envolvidas (o turismo n&atilde;o est&aacute; inclu&iacute;do), no qual 63% s&atilde;o pequenas e m&eacute;dias empresas, 20%, microempresas e 17%, grandes empresas. Na dimens&atilde;o associativa s&atilde;o 2.245 associa&ccedil;&otilde;es, sendo que 81% s&atilde;o empresas, 11% s&atilde;o entidades envolvidas na pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o, 4,3% s&atilde;o associa&ccedil;&otilde;es empresarias e os restantes, 3,7%, s&atilde;o outros associados. Por fim, na dimens&atilde;o econ&ocirc;mica h&aacute; 165.374 trabalhadores inseridos nas empresas associadas, um volume de neg&oacute;cios por volta dos 44,780 M&euro; (44,7 milh&otilde;es de euros), Valor Acrescentado Bruto de 12.139 M&euro; (12,1 milh&otilde;es de euros), exporta&ccedil;&otilde;es que atingem a cifra de 15.155 M&euro; (15,1 milh&otilde;es de euros) e importa&ccedil;&otilde;es de 6.576 M&euro; (6,5 milh&otilde;es de euros).</p>     <p>Ap&oacute;s essa apresenta&ccedil;&atilde;o sobre as principais iniciativas de apoio aos <i>clusters</i> em Portugal, avan&ccedil;amos para a an&aacute;lise sobre o caso do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado de Portugal. Para tanto, &eacute; importante uma breve apresenta&ccedil;&atilde;o do setor cal&ccedil;adista a partir de relat&oacute;rios disponibilizados pela Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Industriais de Cal&ccedil;ado, Componentes, Artigos de Pele e seus Suced&acirc;neos (APICCAPS).</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="4">     <li><b> O <i>cluster</i> de cal&ccedil;ados de Portugal</b></li>     </ol>     <p>Considerado um setor din&acirc;mico e de grande import&acirc;ncia para o desenvolvimento econ&ocirc;mico portugu&ecirc;s, a produ&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados est&aacute; concentrada na regi&atilde;o norte de Portugal e pode ser agrupada em duas principais zonas: uma composta pelos concelhos de Felgueiras e Guimar&atilde;es (localizados nos distritos do Porto e de Braga, respectivamente); a outra, por Santa Maria da Feira, S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira e Oliveira de Azem&eacute;is (todos no distrito de Aveiro). O concelho de Alcaba&ccedil;a, no distrito de Leiria, tamb&eacute;m &eacute; listado como importante produtor do <i>cluster</i>, sobretudo na produ&ccedil;&atilde;o de artigos de pele (APICCAPS, 2017; Carmo, 2014; Santo, 2015). Na <a href="#f1">figura 1</a>, temos a distribui&ccedil;&atilde;o das empresas de cal&ccedil;ados s&oacute;cias da APICCAPS, de acordo com o seu respectivo distrito.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n19/n19a08f1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Segundo Carmo (2014), os concelhos de Felgueiras e de S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira concentram o maior n&uacute;mero de unidades produtivas, mas apresentam caracter&iacute;sticas distintas. No caso de Felgueiras, &eacute; observada uma estrutura industrial com unidades produtivas de maior dimens&atilde;o, equipamentos e tecnologias mais avan&ccedil;adas e os empres&aacute;rios do setor apresentam um evidente esp&iacute;rito empreendedor. Com a utiliza&ccedil;&atilde;o de tecnologias mais desenvolvidas, o emprego de m&atilde;o de obra &eacute; menos intensivo, o volume da produ&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria &eacute; alto e a qualidade do produto &eacute; baixa.</p>     <p>Com uma produ&ccedil;&atilde;o antiga, S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira possui uma produ&ccedil;&atilde;o tradicional de cal&ccedil;ados, com sua primeira ind&uacute;stria em 1933. As unidades industriais s&atilde;o, em grande maioria, de dimens&otilde;es menores e com emprego tecnol&oacute;gico e de equipamentos menos avan&ccedil;ados. Diferentemente de Felgueiras, o emprego de m&atilde;o de obra &eacute; mais intensivo e o volume produzido diariamente &eacute; baixo, com produtos de alta qualidade e pre&ccedil;os elevados. Se em Felgueiras temos a produ&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados de homens considerados informais, com o pre&ccedil;o mais baixo e que atende a segmentos inferiores do mercado externo, em S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira temos cal&ccedil;ados de senhoras e de homens considerados formais, com pre&ccedil;o mais elevado e que atende a segmentos superiores do mercado externo.</p>     <p>O <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s envolve um complexo industrial composto por tr&ecirc;s tipos de ind&uacute;stria: fabrica&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados, componentes para cal&ccedil;ados e artigos de pele. Antes de trazermos informa&ccedil;&otilde;es e dados recentes em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>cluster</i>, &eacute; necess&aacute;rio um breve retrospecto sobre a forma&ccedil;&atilde;o de uma das atividades industriais mais tradicionais do pa&iacute;s.</p>     <p>Embora a primeira unidade produtiva de cal&ccedil;ado tenha surgido em S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira em 1933, vamos acompanhar Santos (2015) e Loureiro, Santo e Sarmento (2017), que estabelecem tr&ecirc;s per&iacute;odos para descrever a evolu&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i>. O primeiro per&iacute;odo se estende de 1974 a 1993 e se caracteriza pelo crescimento do aglomerado baseado no cliente. Esse per&iacute;odo &eacute; marcado por um cen&aacute;rio confort&aacute;vel, motivado pela abund&acirc;ncia de encomendas destinadas ao centro e ao norte da Europa. Os fatores competitivos eram os baixos custos de produ&ccedil;&atilde;o, os incentivos estatais e a boa localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, fatores que tornavam Portugal um destino para investimentos, como a instala&ccedil;&atilde;o de plantas fabris de marcas internacionais de grande dimens&atilde;o. A m&atilde;o de obra possu&iacute;a baixo n&iacute;vel de qualifica&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas de apoio eram focadas no aproveitamento de economias de escala conferidas pela produ&ccedil;&atilde;o em massa, desprovidas de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e de gest&atilde;o criteriosa, mas aproveitando-se da pol&iacute;tica monet&aacute;ria expansionista que o pa&iacute;s adotara. Segundo Santos (2015), em 1974 eram 673 empresas e mais de 15 trabalhadores e ao fim do per&iacute;odo, em 1994, o <i>cluster</i> era composto por 1.628 empesas e quase 60 mil trabalhadores.</p>     <p>O segundo per&iacute;odo se estende de 1994 a 2006 e se caracterizou pela altera&ccedil;&atilde;o do perfil competitivo em escala planet&aacute;ria. A d&eacute;cada de 1990 &eacute; marcada pela intensifica&ccedil;&atilde;o do processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, ocasionado pelo colapso do modelo fordista, resultado da conflu&ecirc;ncia de fatores de ordem interna (satura&ccedil;&atilde;o do mercado e a descentraliza&ccedil;&atilde;o espacial decorrente em resposta &agrave; milit&acirc;ncia oper&aacute;ria) e de ordem externa (capacidade concorrencial da ind&uacute;stria japonesa que adentra nos mercados dom&eacute;sticos das economias dos Estados Unidos e da Europa Ocidental). A resposta &agrave; concorr&ecirc;ncia industrial foi uma reestrutura&ccedil;&atilde;o industrial intensificada junto a uma racionaliza&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses centrais, levando ao fechamento de f&aacute;bricas, mais descentraliza&ccedil;&atilde;o e maior desemprego. Nesse processo, os pa&iacute;ses do sudeste asi&aacute;tico, ao apresentarem fatores de produ&ccedil;&atilde;o mais competitivos, em especial, a m&atilde;o de obra barata, foram o foco da deslocaliza&ccedil;&atilde;o de linhas produtivas. Apesar da economia portuguesa apresentar fatores de produ&ccedil;&atilde;o tradicionais com os custos mais baixos da Europa, n&atilde;o foi capaz de competir com o cen&aacute;rio apresentado pela &Aacute;sia.</p>     <p>A ind&uacute;stria de cal&ccedil;ado em todo o mundo n&atilde;o ficou alheia a esse processo. No caso de Portugal, Santo (2015) informa que grandes produtores internacionais de cal&ccedil;ados, que outrora aproveitaram as vantagens de custo oferecidas pela economia portuguesa, passam a se beneficiarem das vantagens de custo muito assinal&aacute;veis das economias asi&aacute;ticas, transferindo a planta fabril. Com a configura&ccedil;&atilde;o desse novo cen&aacute;rio global, a ind&uacute;stria portuguesa de cal&ccedil;ados reconhece a inefici&ecirc;ncia de manter as estrat&eacute;gias at&eacute; ent&atilde;o adotadas, ou seja, os baixos custos de produ&ccedil;&atilde;o. Continuar nesse rumo levaria a ind&uacute;stria ao fracasso, uma vez que, com a oferta de m&atilde;o de obra mais barata, a ind&uacute;stria asi&aacute;tica conseguia produzir lotes de maior dimens&atilde;o a um custo menor.</p>     <p>Frente ao cen&aacute;rio apresentado e reconhecendo as novas perspetivas econ&ocirc;micas evidenciadas pela reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, a ind&uacute;stria cal&ccedil;adista portuguesa iniciou um ambicioso processo estrutural de moderniza&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> com base em quatro pilares: utiliza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos de gest&atilde;o modernos, <i>up-grade</i> tecnol&oacute;gico, qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra e uma forte din&acirc;mica comercial baseada no <i>design</i>, na moda e na qualidade dos produtos. Como bem salienta Santo (2015, p. 38), &ldquo;como qualquer mudan&ccedil;a estrutural, revelou-se gradual, obrigou o sector a passar por per&iacute;odos conturbados e s&oacute; obteve os frutos dessa aposta anos mais tarde&rdquo;.</p>     <p>Se estendendo de 2007 a 2014, o terceiro per&iacute;odo contempla o crescimento dos fatores competitivos na vertente imaterial. Apesar deste per&iacute;odo coincidir com a crise financeira que assolou a economia portuguesa, e de outros pa&iacute;ses europeus, afetando muitas ind&uacute;strias, o setor de cal&ccedil;ados n&atilde;o foi fortemente prejudicado. Esse dado positivo e distinto de outras ind&uacute;strias pode ser observado por meio das exporta&ccedil;&otilde;es que registraram aumento.</p>     <p>Para Santo (2015), Loureiro, Santo e Sarmento (2017) e Silva (2019), o bom desempenho da ind&uacute;stria portuguesa de cal&ccedil;ados no per&iacute;odo de crise se deve aos investimentos realizados na fase anterior, pautada na moderniza&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> e que, sem abandonar um aspecto importante da hist&oacute;ria do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s (os modelos de produ&ccedil;&atilde;o artesanal), optou por uma especializa&ccedil;&atilde;o direcionada para o cal&ccedil;ado de maior valor (Loureiro, Santo e Sarmento, 2017; Silva, 2019).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Depois desse breve retrospecto, damos continuidade &agrave; an&aacute;lise do <i>cluster</i> a partir dos dados e das refer&ecirc;ncias relativamente recentes sobre a situa&ccedil;&atilde;o do aglomerado. Segundo a Monografia Estat&iacute;stica de 2017, elaborada pela APICCAPS, a estrutura produtiva do <i>cluster</i> &eacute; composta majoritariamente por empresas de pequeno porte, uma caracter&iacute;stica marcante na estrutura empresarial portuguesa e especialmente na regi&atilde;o norte do pa&iacute;s. De um total de 1.875 empresas que comp&otilde;em o aglomerado, cerca de 49% s&atilde;o microempresas, 39% s&atilde;o pequenas, 11% s&atilde;o m&eacute;dias e 1% s&atilde;o empresas de grande porte (equivalente a 11 empresas).</p>     <p>Ao considerar a situa&ccedil;&atilde;o de cada segmento do <i>cluster,</i> na ind&uacute;stria dos artigos de pele, a maioria &eacute; de microempresas (75,8%), seguida das pequenas (20,8%), m&eacute;dias (2,5%) e grande (0,8%). Na ind&uacute;stria voltada para a fabrica&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ado, de um universo de 1.475 empresas, 46,5% s&atilde;o empresas de micro porte, 40,7% s&atilde;o de pequeno porte, 12,2% s&atilde;o de m&eacute;dio porte e apenas 0,6% s&atilde;o grande porte. Na ind&uacute;stria dos componentes, temos a microempresa com 54,3% das empresas, a de pequeno porte com 37,1%, a de m&eacute;dio com 8,2% e a de grande porte com 0,4%.</p>     <p>Se as empresas de micro e pequena dimens&atilde;o somam a maioria no n&uacute;mero de estabelecimentos, no n&uacute;mero de empregos o cen&aacute;rio &eacute; diferente. No caso da fabrica&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados, mais da metade (55%) dos trabalhadores est&atilde;o em m&eacute;dias e grandes empresas; nas pequenas, temos 37% dos trabalhadores e os 8% restantes, nas microempresas. Na ind&uacute;stria dos componentes para cal&ccedil;ado, as micro s&atilde;o respons&aacute;veis por 17%, as pequenas por 43%, as m&eacute;dias por 37% e apenas uma empresa de grande porte, &eacute; respons&aacute;vel pelo restante do total de empregos. Na ind&uacute;stria dos artigos de pele, a distribui&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores por porte da unidade produtiva apresenta maior equil&iacute;brio (APICCAPS, 2017).</p>     <p>Sobre a produ&ccedil;&atilde;o oferecida pelo <i>cluster</i>, &eacute; observada uma variedade de cal&ccedil;ados: cal&ccedil;ados de seguran&ccedil;a, desportivos, cal&ccedil;ados de couro e de outros materiais, mas s&atilde;o os de couro que s&atilde;o o carro-forte do aglomerado. Nesse contexto, o couro &eacute; o principal produto na fabrica&ccedil;&atilde;o do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s (80% dos pares produzidos no ano de 2016), o que podemos caracterizar como uma especializa&ccedil;&atilde;o intra-industrial.</p>     <p>O principal tipo de cal&ccedil;ado produzido pelo <i>cluster</i> &eacute; o de senhora (mais de 40% dos pares), seguido pelo de homem (um ter&ccedil;o do total produzido) &ndash; ambos tendo o couro como material primordial. O destaque destes tipos de cal&ccedil;ados est&aacute; representado na quantidade produzida e no valor correspondente, visto que, em 2016, o <i>cluster</i> portugu&ecirc;s produziu 82 milh&otilde;es de pares de cal&ccedil;ado e mobilizou quase 40 mil trabalhadores, tendo a produ&ccedil;&atilde;o dominada pelos cal&ccedil;ados de senhora e de homem, que representaram dois ter&ccedil;os dos pares produzidos e mais de tr&ecirc;s quartos do seu valor.</p>     <p>O principal destino da produ&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> &eacute; o mercado externo e, embora a China seja a maior produtora e exportadora de cal&ccedil;ados do mundo, a produ&ccedil;&atilde;o portuguesa n&atilde;o compete diretamente com a chinesa devido a especificidade do produto. A China garante um produto mais competitivo no mercado mundial de cal&ccedil;ados devido ao baixo custo da produ&ccedil;&atilde;o e na quantidade elevada de itens produzidos, o que n&atilde;o se verifica nos pa&iacute;ses europeus. No entanto, &eacute; no tipo de produto oferecido que est&aacute; a vantagem competitiva. A produ&ccedil;&atilde;o chinesa &eacute; de cal&ccedil;ados de baixa gama, ou seja, cal&ccedil;ados baratos e de menor qualidade, j&aacute; o cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s &eacute; feito sob demanda, o que o caracteriza por apresentar resposta r&aacute;pida e oferecimento de s&eacute;ries pequenas, competindo com o cal&ccedil;ado italiano. Al&eacute;m disso, como observado no caso da produ&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira, a produ&ccedil;&atilde;o &eacute; voltada aos cal&ccedil;ados de senhoras e de homens considerados formais, com pre&ccedil;o mais elevado e que atende a segmentos superiores do mercado externo (Silva, 2019).</p>     <p>Outra vantagem competitiva apresentada pelo produto portugu&ecirc;s &eacute; a exist&ecirc;ncia do bloco europeu. A proximidade geogr&aacute;fica e organizacional &eacute; um elemento positivo &agrave; competitividade do produto. A Uni&atilde;o Europeia possui nove pa&iacute;ses na lista dos 15 maiores exportadores, com destaque para a It&aacute;lia (maior exportador europeu e segundo do mundo), seguida da Alemanha.&nbsp; A produ&ccedil;&atilde;o portuguesa figura na 13&ordf; posi&ccedil;&atilde;o, mas essa coloca&ccedil;&atilde;o, distante dos maiores produtores, esconde a especializa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s (o cal&ccedil;ado de couro), no qual o pa&iacute;s tem destaque como 7&ordm; exportador mundial e o 3&ordm; exportador europeu, atr&aacute;s da It&aacute;lia e da Alemanha (APICCAPS, 2017). Segundo dados da APPICAPS (2017), 80% da produ&ccedil;&atilde;o portuguesa &eacute; exportada para a Europa, podendo ser afirmado que a ind&uacute;stria cal&ccedil;adista nacional possui forte voca&ccedil;&atilde;o exportadora (Carmo, 2014; Santo, 2015).</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; importa&ccedil;&atilde;o, o protagonismo, se considerado o conjunto dos pa&iacute;ses, &eacute; da Uni&atilde;o Europeia, que, em 2016, importou 48% das importa&ccedil;&otilde;es mundiais de cal&ccedil;ado. A Am&eacute;rica do Norte e a &Aacute;sia importaram 28% e 19%, respectivamente. Sobre a origem das importa&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia, a APICCAPS assinala a participa&ccedil;&atilde;o do intra-bloco e da China.</p>     <p>&Eacute; curioso observar que, devido justamente ao tipo do cal&ccedil;ado produzido (cal&ccedil;ado de couro e que possui valor agregado mais elevado e que atende aos mercados mais exigentes e de maior rendimento m&eacute;dio), o mercado interno, ou seja, o consumidor residente em Portugal, tem a sua demanda atendida pela importa&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados, em especial, cal&ccedil;ados espanh&oacute;is e chineses, que s&atilde;o cal&ccedil;ados produzidos com outros materiais e de valor reduzido (Carmo, 2014). Segundo a APICCAPS, a qualidade &eacute; o elemento distintivo do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s, que s&oacute; &eacute; garantido pela proximidade geogr&aacute;fica entre o produtor de cal&ccedil;ado e os fornecedores de componentes, o que nos permite considerar a import&acirc;ncia da proximidade organizacional oferecida pela coordena&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o de outros <i>players</i>.</p>     <p>Ao reconhecer a grande representa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria cal&ccedil;adista para a economia portuguesa, envolvendo uma cadeia produtiva (fileira) completa, &eacute; preciso considerar a relev&acirc;ncia de um conjunto de atores que possibilitam a sua dinamiza&ccedil;&atilde;o (Santos, 2018). Analisar a import&acirc;ncia de um <i>cluster</i> para a din&acirc;mica regional e nacional requer que observamos todo o aparato socioprodutivo e institucional envolvido. Nesse sentido, voltando &agrave; literatura consultada, os <i>clusters</i> s&atilde;o identificados por apresentarem, como condi&ccedil;&otilde;es essenciais, a concentra&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica da produ&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia de uma complexa rede de rela&ccedil;&otilde;es formais e informais (rela&ccedil;&otilde;es comerciais e produtivas, dentre elas a <i>subcontrata&ccedil;&atilde;o</i>) e de rela&ccedil;&otilde;es de compartilhamento de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento. Al&eacute;m disso, a literatura chama aten&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia de um tecido institucional de suporte pr&oacute;prio e constitu&iacute;do por associa&ccedil;&otilde;es empresariais, centros de tecnologia e forma&ccedil;&atilde;o profissional (centros de P&amp;D) (Santos, 2018; Vale, 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tecido institucional do <i>cluster</i> &eacute; composto pela Ag&ecirc;ncia para a Competitividade e Inova&ccedil;&atilde;o (IAPMEI), pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Inova&ccedil;&atilde;o (ANI) e pela Ag&ecirc;ncia para o Investimento e Com&eacute;rcio Externo de Portugal (AICEP), tr&ecirc;s entidades participantes do &ldquo;Regulamento de Reconhecimento dos <i>Cluster</i> de competitividade&rdquo;. Al&eacute;m delas, os demais <i>players </i>institucionais que constituem o tecido de apoio ao <i>cluster</i> s&atilde;o o Centro Tecnol&oacute;gico do Cal&ccedil;ado de Portugal (CTCP)<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a> e a Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Industriais de Cal&ccedil;ado, Componentes, Artigos de Pele e seus Suced&acirc;neos (APICCAPS) (Santos, 2018).</p>     <p>O CTCP &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos criada em 1986, como resultado de uma parceria entre a APICCAPS e o governo portugu&ecirc;s, com objetivo de fornecer apoio t&eacute;cnico e tecnol&oacute;gico &agrave;s empresas da fileira do cal&ccedil;ado e setores complementares, promo&ccedil;&atilde;o da qualifica&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos, promo&ccedil;&atilde;o da melhoria da produ&ccedil;&atilde;o (produto e processo), prepara&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es junto da ind&uacute;stria.</p>     <p>Criada em 1975, a APICCAPS &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o empresarial de &acirc;mbito nacional e as principais &aacute;reas de a&ccedil;&atilde;o est&atilde;o na internacionaliza&ccedil;&atilde;o; na realiza&ccedil;&atilde;o de estudos, projetos e consultoria; na assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica; na disponibiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o; na forma&ccedil;&atilde;o; na contrata&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o coletiva; no desenvolvimento de tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da propriedade industrial e do desenvolvimento sustent&aacute;vel. Por meio dessas a&ccedil;&otilde;es, a APICCAPS figura como a entidade respons&aacute;vel pela coordena&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s e que, como afirma Santo (2015), na fase de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva e de moderniza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria cal&ccedil;adista, teve papel fundamental na coordena&ccedil;&atilde;o do setor.</p>     <p>Dito isso, a exist&ecirc;ncia de uma representa&ccedil;&atilde;o associativa comum consolida a identifica&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i>, uma vez que, para uma efetiva coopera&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso que haja coordena&ccedil;&atilde;o entre os atores, proporcionando o estreitamento e a densifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre os diferentes atores da cadeia produtiva, os quais resultam na intensifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com a ind&uacute;stria de equipamentos, com a ind&uacute;stria dos acess&oacute;rios de moda, com outros fornecedores de diversa natureza, com as empresas de distribui&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ado e com as empresas e institui&ccedil;&otilde;es ligadas ao universo do <i>design</i> e da moda, al&eacute;m das pr&oacute;prias entidades p&uacute;blicas portuguesas e europeias (APICCAPS, 2018, p. 11). A exist&ecirc;ncia de um tecido institucional configura um ativo espec&iacute;fico estrat&eacute;gico para o bom desempenho do <i>cluster</i>. A seguir, vamos aprofundar o entendimento sobre a entidade gestora da governan&ccedil;a do <i>cluster</i> e o plano estrat&eacute;gico estabelecido sob a sua coordena&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="5">     <li><b> A entidade respons&aacute;vel pela governan&ccedil;a territorial do <i>cluster</i></b></li>     </ol>     <p>Como j&aacute; mencionado, a APICCAPS &eacute; a entidade respons&aacute;vel pela coordena&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado e que desenvolve um conjunto variado de a&ccedil;&otilde;es, e, dentre as quais, destacamos a publica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es por meio de estudos e relat&oacute;rios, como a Monografia Estat&iacute;stica, documento que apresenta detalhadamente a situa&ccedil;&atilde;o do setor de cal&ccedil;ados em Portugal e no &acirc;mbito mundial.</p>     <p>Segundo informa&ccedil;&otilde;es obtidas no trabalho emp&iacute;rico, de um universo que varia de 300 a 400 associados, cerca de 90% s&atilde;o pequenas e m&eacute;dias empresas de cariz familiar. O est&iacute;mulo a coopera&ccedil;&atilde;o entre as empresas est&aacute; imbu&iacute;do no foco da produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, o mercado externo. Com isso, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o torna-se o principal eixo de a&ccedil;&atilde;o da entidade, como, por exemplo, a participa&ccedil;&atilde;o em feiras, importantes plataformas de atra&ccedil;&atilde;o de clientes, sejam feiras mundiais (grandes pontos de encontro da ind&uacute;stria do cal&ccedil;ado), regionais (eventos direcionados para mercados com grande potencial para o cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s) ou feiras de nicho (espa&ccedil;os especializados em determinados segmentos de mercado).</p>     <p>Soma-se ao incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de feiras, a exist&ecirc;ncia de projetos de P&amp;D, realizados sempre por meio de cons&oacute;rcios alargados com articula&ccedil;&atilde;o setorial, articula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blico-privado e articula&ccedil;&atilde;o privado-privado, inclusive a&ccedil;&otilde;es voltadas para a qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra. Dentre as principais dificuldades do <i>cluster</i>, foi identificado, no trabalho emp&iacute;rico, a escassez de m&atilde;o de obra qualificada, problema que n&atilde;o se limita a ind&uacute;stria do cal&ccedil;ado, mas que tem sido indicado pelos empres&aacute;rios, segundo a entidade. Com isso, as a&ccedil;&otilde;es para qualificar os recursos humanos t&ecirc;m sido uma aposta das empresas do <i>cluster</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; importante destacar a articula&ccedil;&atilde;o existente entre as empresas, como, por exemplo, quando uma empresa de cal&ccedil;ado lidera um projeto com objetivo de alcan&ccedil;ar um resultado espec&iacute;fico (produto, m&aacute;quina, processo, etc.), o resultado &eacute; compartilhado com todo o setor, o que evidencia um esfor&ccedil;o de fortalecimento do territ&oacute;rio produtivo. Isso n&atilde;o significa que n&atilde;o haja competi&ccedil;&atilde;o entre os atores localizados, mas, que, em um contexto global acirrado, e fazendo uso da proximidade geogr&aacute;fica e organizacional, &eacute; poss&iacute;vel que a articula&ccedil;&atilde;o e o compartilhamento de recursos materiais e imateriais passem a ser recurso e ativo espec&iacute;fico (Benko e Pecqueur, 2001), ou seja, uma vantagem competitiva (Porter, 1999).</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o da entidade com o poder p&uacute;blico &eacute; um aspecto a ser considerado. O poder p&uacute;blico n&atilde;o participa efetivamente das discuss&otilde;es que envolvem diretamente a quest&atilde;o produtiva, ou seja, que envolvam o mercado, o que acarreta uma grande independ&ecirc;ncia do setor privado no funcionamento do <i>cluster</i>. O apoio do poder p&uacute;blico dos concelhos se d&aacute; essencialmente na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas de infraestrutura, isto &eacute;, nas estradas, na ilumina&ccedil;&atilde;o, nos transportes, entre outros. Ao poder p&uacute;blico federal est&aacute; a responsabilidade de prover apoio regulat&oacute;rio e financeiro, como j&aacute; mostrado anteriormente.</p>     <p>Ao buscar atender o &ldquo;Regulamento de Reconhecimento dos <i>Cluster</i> de competitividade&rdquo; e mostrando a import&acirc;ncia em se elaborar estrat&eacute;gias para a melhoria da competitividade, a entidade apresentou, em 2013, o &ldquo;Plano Estrat&eacute;gico do <i>Cluster</i> do Cal&ccedil;ado 2014-2020&rdquo;. Segundo esse documento, o principal objetivo do <i>cluster</i> &eacute;, at&eacute; o final da d&eacute;cada, alcan&ccedil;ar um crescimento qualitativo fortalecendo o processo de afirma&ccedil;&atilde;o e reconhecimento internacional do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s, tornando-o uma refer&ecirc;ncia a n&iacute;vel mundial. Para atingir esse objetivo, o plano prop&otilde;e manter o <i>cluster</i> no caminho da sofistica&ccedil;&atilde;o e da criatividade da oferta, n&atilde;o apenas dos seus produtos, mas tamb&eacute;m dos processos produtivos e dos seus modelos de neg&oacute;cio, o que garantiria a continuidade em segmentos de mercado exigentes e no qual a escolha do produto tem como m&eacute;trica a qualidade, o conforto e o &ldquo;bom gosto&rdquo;.</p>     <p>Ao retomar o Plano Estrat&eacute;gico anterior, implementado entre 2007-2013, a APICCAPS menciona as consequ&ecirc;ncias da crise econ&ocirc;mica que assolou a economia europeia no final da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, mesmo que o setor de cal&ccedil;ados, como j&aacute; afirmado anteriormente, n&atilde;o tenha sido fortemente afetado, como informa Santo (2015). A economia portuguesa foi uma das mais afetadas, culminando numa d&eacute;cada de crescimento muito lento, acompanhada de uma preocupante crise das finan&ccedil;as p&uacute;blicas, atingindo o sistema financeiro e restringindo o financiamento ao setor produtivo. Essa situa&ccedil;&atilde;o fez que o Plano vigente reconhecesse a complexidade da economia globalizada e refor&ccedil;asse a necessidade de manter uma base nacional produtiva competitiva em uma economia globalizada e que n&atilde;o cedesse aos apelos protecionistas. A flexibilidade, a rapidez de resposta e a exig&ecirc;ncia cada vez maior da qualidade do produto t&ecirc;m se tornado condicionante da concorr&ecirc;ncia, assim como a ado&ccedil;&atilde;o aos padr&otilde;es de sustentabilidade ambiental e de responsabilidade social.</p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s capacidades do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado, o plano assinala a base industrial diversificada e a capacitada para o cen&aacute;rio competitivo internacional. Com uma m&atilde;o de obra portadora de <i>know-how</i> (&ldquo;saber fazer&rdquo;), projeta-se como um diferencial na garantia da qualidade e especificidade do produto portugu&ecirc;s mundialmente reconhecido. Outra caracter&iacute;stica a ser destacada &eacute; o patrim&ocirc;nio de cumplicidade (coopera&ccedil;&atilde;o e confian&ccedil;a) entre os empres&aacute;rios e as institui&ccedil;&otilde;es de apoio, essenciais para a atua&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i>.</p>     <p>Como visto, a ind&uacute;stria portuguesa do cal&ccedil;ado figura como uma das principais frentes produtivas do pa&iacute;s, situando Portugal no rol dos produtores competitivos. Como j&aacute; mencionado, o diferencial do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s n&atilde;o est&aacute; no baixo custo de sua produ&ccedil;&atilde;o e na sua produ&ccedil;&atilde;o em larga escala (casos da ind&uacute;stria chinesa e vietnamita), mas, sim, na qualidade, sofistica&ccedil;&atilde;o e criatividade. A ind&uacute;stria portuguesa definiu sua frente de atua&ccedil;&atilde;o no mercado internacional colocando-se em um nicho de atua&ccedil;&atilde;o seleto, no qual a It&aacute;lia &eacute; l&iacute;der.</p>     <p>&Eacute; interessante observar que, no Plano estrat&eacute;gico, contribuir para a coes&atilde;o social &eacute; uma dimens&atilde;o ou objetivo do <i>cluster</i>. A discuss&atilde;o da coes&atilde;o social na Europa &eacute; um dos pilares do pacto europeu que sustenta a Uni&atilde;o e, ao adotar a coes&atilde;o, o <i>cluster</i> se apresenta perante a sociedade portuguesa e europeia obtendo visibilidade e reconhecimento pol&iacute;tico e social.</p>     <p>O Plano cita que a &ldquo;base produtiva [ind&uacute;stria do cal&ccedil;ado] tem que pautar-se por elevados padr&otilde;es de sustentabilidade e responsabilidade social, contribuindo para os objetivos de desenvolvimento da sociedade portuguesa&rdquo;. Ainda segundo o plano, o <i>cluster</i> est&aacute; &ldquo;bem consciente do contributo que tem dado, e pretende continuar a dar, para a coes&atilde;o social nas zonas geogr&aacute;ficas em que predominantemente est&aacute; implantado. Assim como est&aacute; consciente das suas obriga&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de sustentabilidade ambiental&rdquo; (APPICAPS, 2013, p.41).</p>     <p>Por fim, para atingir a esses complexos objetivos, o <i>cluster</i> n&atilde;o deve manter unicamente a f&oacute;rmula de sucesso, mas &eacute; preciso uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento, no qual o conhecimento e a inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os pilares. S&oacute; assim, valorizando estrat&eacute;gias de conhecimento e inova&ccedil;&atilde;o, que o <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s atingir&aacute; n&iacute;veis superiores de sofistica&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a seus concorrentes, al&eacute;m de manter &ldquo;uma base produtiva nacional e assumir as suas responsabilidades perante a sociedade, preservando a sua competitividade&rdquo; (APPICAPS, 2013, p.41).</p>     <p>No conjunto de publica&ccedil;&otilde;es disponibilizadas pela APPICAPS n&atilde;o h&aacute; um levantamento ou diagn&oacute;stico sobre o desenvolvimento do Plano estrat&eacute;gico 2014-2020, mas algumas informa&ccedil;&otilde;es sobre outras iniciativas t&ecirc;m sido divulgadas. Em 2018, a APICCAPS e o CTCP criaram o &ldquo;Roteiro do <i>Cluster</i> do Cal&ccedil;ado para a Economia Digital - FOOTURE 4.0&rdquo;<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a>, iniciativa que envolve mais de 70 entidades, entre empresas, <i>startups</i>, universidades, centros de intelig&ecirc;ncia e entidades do sistema cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, com o objetivo de explorar as oportunidades criadas pela Ind&uacute;stria 4.0. Para isso, foram definidas quatro prioridades estrat&eacute;gicas: (1) criar formas de intera&ccedil;&atilde;o com o cliente num contexto digital e em rede (<i>e-commerce</i>); (2) melhorar a flexibilidade, o tempo de resposta ao cliente, a intelig&ecirc;ncia de neg&oacute;cios e sustentabilidade (&ldquo;Fabrico Inteligente&rdquo;); (3) qualificar o setor para a Ind&uacute;stria 4.0, tornando-o mais din&acirc;mico, inovador e capaz de criar novos neg&oacute;cios; (4) melhorar a intelig&ecirc;ncia e a imagem do setor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2019, a APICCAPS<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a> divulgou que 278 empresas est&atilde;o envolvidas nos projetos apresentados para o FOOTURE 4.0 e que destinam os recursos para a melhoria da produ&ccedil;&atilde;o (compra de novos equipamentos), da comercializa&ccedil;&atilde;o (desenvolvimento de cole&ccedil;&otilde;es, registro de marcas e a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o e <i>marketing</i>), al&eacute;m da internacionaliza&ccedil;&atilde;o (promo&ccedil;&atilde;o comercial externa).</p>     <p>Ao analisar os esfor&ccedil;os de cinco empresas de cal&ccedil;ados na transi&ccedil;&atilde;o para a ind&uacute;stria 4.0, Santos (2018) indica o FOOTURE 4.0 como uma das principais a&ccedil;&otilde;es do <i>cluster</i> para a moderniza&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento do setor em um ambiente cada vez mais competitivo. Para ele, ao analisar as a&ccedil;&otilde;es das empresas e da APPICAPS, a transi&ccedil;&atilde;o para a ind&uacute;stria 4.0 &eacute; prioridade no <i>cluster</i> e tem resultado em mudan&ccedil;as na organiza&ccedil;&atilde;o em termos produtivos, comerciais e na defini&ccedil;&atilde;o das suas estrat&eacute;gias para o futuro. Nesse processo, o <i>e-commerce</i> tem assumido grande import&acirc;ncia nessa transi&ccedil;&atilde;o, uma vez que remodela a forma de comercializa&ccedil;&atilde;o (<i>marketing</i> digital e valoriza&ccedil;&atilde;o das marcas), bem como a forma que a empresa se relaciona com o cliente (utiliza&ccedil;&atilde;o de ferramentas como as redes sociais, servi&ccedil;os de an&uacute;ncios digitais, <i>blogs </i>e campanhas de <i>marketing</i> direcionadas via correio eletr&ocirc;nico).</p>     <p>Ao elaborar um conjunto de cinco recomenda&ccedil;&otilde;es para o setor cal&ccedil;adista portugu&ecirc;s, Santos (2018) afirma a necessidade do Estado, em parceria com os demais atores do <i>cluster</i>, melhorar a sua atua&ccedil;&atilde;o, tendo, como foco, a facilita&ccedil;&atilde;o do processo burocr&aacute;tico e o apoio &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra qualificada em engenharia, inform&aacute;tica e outros, que, devido &agrave; alta procura podem resultar em problemas para as empresas e para a economia nacional.</p>     <p>Vivenciando uma verdadeira &ldquo;&eacute;poca de ouro&rdquo;, consolidando-se como uma das principais atividades produtivas da economia nacional e se destacando no conjunto europeu como um aglomerado produtivo de sucesso, o setor cal&ccedil;adista se depara com um novo desafio, a ind&uacute;stria 4.0. Essa novidade industrial inaugura um novo per&iacute;odo na hist&oacute;ria do setor, o qual abarca quest&otilde;es da qualidade, da inova&ccedil;&atilde;o, da tecnologia e da criatividade junto a uma caracter&iacute;stica territorial, a produ&ccedil;&atilde;o artesanal.</p>     <p>Por fim, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s caracter&iacute;sticas da governan&ccedil;a territorial do <i>cluster</i>, temos a exist&ecirc;ncia e o envolvimento de diferentes atores, como a associa&ccedil;&atilde;o empresarial, os centros de pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o, os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, as empresas e as universidades compondo o bloco socioterritorial (consist&ecirc;ncia da rede). A articula&ccedil;&atilde;o entre os atores, ou seja, o movimento de concerta&ccedil;&atilde;o social, fica sob a responsabilidade da APICCAPS, entidade que lidera a rede de poder socioterritorial, haja vista o seu papel de principal entidade representativa do setor no pa&iacute;s. As a&ccedil;&otilde;es diretamente voltadas ao <i>cluster</i> e que poder&iacute;amos identificar como pactos socioterritoriais, est&atilde;o voltadas para a moderniza&ccedil;&atilde;o do parque produtivo atendendo as exig&ecirc;ncias da ind&uacute;stria 4.0, ao apoio &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o, a qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra e na capta&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos, em especial, aqueles vindos da Uni&atilde;o Europeia. Sobre o tipo de governan&ccedil;a manifestada no <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s, afirmamos que &eacute; de car&aacute;ter privado-coletivo, uma vez que o ator chave, a APICCAPS, &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o formal que agrupa operadores privados e impulsiona a coordena&ccedil;&atilde;o de recursos e estrat&eacute;gias.</p>     <p>&nbsp;</p> <ol start="6">     <li><b> Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></li>     </ol>     <p>Este artigo procurou analisar a import&acirc;ncia da governan&ccedil;a territorial em aglomerados produtivos. Por meio de um exerc&iacute;cio de revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica e de an&aacute;lise de documentos oficiais, buscamos entender como a governan&ccedil;a territorial, com base em contribui&ccedil;&otilde;es que a abordam sob o prisma urbano e produtivo, contribui para o desempenho do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s.</p>     <p>Sobre a governan&ccedil;a territorial, entendemo-la como um novo modo de coopera&ccedil;&atilde;o e de coordena&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios para o desenvolvimento e que, ao considerar o conjunto de mudan&ccedil;as geradas pelo processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, surge como um novo fator de localiza&ccedil;&atilde;o, espec&iacute;fico e incomensur&aacute;vel. Esse novo fator de localiza&ccedil;&atilde;o, ao promover a articula&ccedil;&atilde;o entre atores sociais distintos em um territ&oacute;rio com dimens&atilde;o multiescalar, refor&ccedil;a o entendimento de que as novas estrat&eacute;gias de desenvolvimento possuem car&aacute;ter mais difuso e s&atilde;o sustentadas por fatores n&atilde;o apenas econ&ocirc;micos, mas tamb&eacute;m por fatores sociais, culturais e territoriais, os quais podem ser observados em diferentes recortes geogr&aacute;ficos e setoriais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A literatura identifica os <i>clusters</i> como exemplos de modalidades de governan&ccedil;a. Na Europa, Portugal figura no rol dos pa&iacute;ses com aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas de diferentes n&iacute;veis tecnol&oacute;gicos, desde atividades mais tradicionais, como o t&ecirc;xtil e o cal&ccedil;ado, at&eacute; as mais avan&ccedil;adas, como o setor de sa&uacute;de e de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Os <i>clusters</i> s&atilde;o considerados instrumentos estrat&eacute;gicos no desenvolvimento produtivo portugu&ecirc;s, o que &eacute; atestado quando observamos os diferentes estudos governamentais sobre o tema. &Eacute; importante reconhecer que a pol&iacute;tica de apoio aos <i>clusters</i> se configura como uma das mais relevantes a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de apoio &agrave; atividade industrial em Portugal, o qual &eacute; fundamental para a economia nacional, pois resulta em incrementos econ&ocirc;micos e reduz a depend&ecirc;ncia do pa&iacute;s do turismo, atividade econ&ocirc;mica que tem aumentado a participa&ccedil;&atilde;o no emprego e na renda portuguesa.</p>     <p>A mais recente iniciativa de Portugal para o apoio aos aglomerados produtivos, o &ldquo;Regulamento de Reconhecimento dos Clusters de Competitividade&rdquo;, inseriu a governan&ccedil;a dentre os fatores que podem resultar no sucesso ou no insucesso das estrat&eacute;gias e enfatiza a necess&aacute;ria participa&ccedil;&atilde;o de todos os atores envolvidos no <i>cluster</i>, sendo que, o seu funcionamento deve estar pautado em regras que garantam a continuidade, bem como a legitimidade do modelo em situa&ccedil;&otilde;es de conflito. O insucesso da governan&ccedil;a ou a aus&ecirc;ncia de atores pode resultar na desmobiliza&ccedil;&atilde;o dos atores, prejudicando o <i>cluster</i>. O Regulamento &eacute; um exemplo do esfor&ccedil;o do poder p&uacute;blico portugu&ecirc;s em potencializar os <i>clusters</i> como estrat&eacute;gia de desenvolvimento regional, dispondo de institui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas para a sua promo&ccedil;&atilde;o, bem como de recursos oriundos da Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>O <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado portugu&ecirc;s &eacute; um exemplo interessante desse esfor&ccedil;o, pois se situa como um <i>cluster</i> estrat&eacute;gico na gera&ccedil;&atilde;o de renda e de emprego, contribuindo para o desenvolvimento da regi&atilde;o norte de Portugal &ndash; regi&atilde;o que est&aacute; na classifica&ccedil;&atilde;o europeia de regi&otilde;es de baixa densidade/baixo desenvolvimento. Conhecida como &ldquo;a ind&uacute;stria mais sexy da Europa&rdquo;, a ind&uacute;stria cal&ccedil;adista portuguesa, representada pelo <i>cluster</i>, consolidou-se como s&iacute;mbolo nacional, superando os problemas que outrora vivenciou. Seu sucesso nos permitiu observar a import&acirc;ncia dos recursos e dos ativos territorializados, do &ldquo;saber fazer&rdquo;, da aglomera&ccedil;&atilde;o e da essencialidade da coopera&ccedil;&atilde;o entre os atores e da sua necess&aacute;ria coordena&ccedil;&atilde;o. Trata-se de um interessante caso para estudos sobre aglomera&ccedil;&otilde;es produtivas e que p&ocirc;de, nesse artigo, contribuir com a discuss&atilde;o proposta, entender a import&acirc;ncia da governan&ccedil;a territorial em aglomerados produtivos, como os <i>clusters</i>.</p>     <p>O sucesso do <i>cluster</i>, al&eacute;m dos apoios governamentais, deve-se principalmente a articula&ccedil;&atilde;o entre as empresas envolvidas na cadeia produtiva e a participa&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es de apoio, como as entidades setoriais e as universidades portuguesas. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas, diante de uma situa&ccedil;&atilde;o de intensifica&ccedil;&atilde;o da competitividade da ind&uacute;stria cal&ccedil;adista asi&aacute;tica, as empresas portuguesas do setor iniciaram um processo de moderniza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, no qual a articula&ccedil;&atilde;o entre as empresas foi essencial.</p>     <p>Nesse processo de moderniza&ccedil;&atilde;o e de articula&ccedil;&atilde;o entre as empresas, a exist&ecirc;ncia de entidades setoriais de aux&iacute;lio aos empres&aacute;rios foi importante, como a APICCAPS. Essa associa&ccedil;&atilde;o empresarial conseguiu construir, junto aos empres&aacute;rios do <i>cluster</i>, um ambiente institucional pautado na coordena&ccedil;&atilde;o de diferentes atores e que apresentava algum envolvimento com o setor cal&ccedil;adista para o bom desenvolvimento das atividades do <i>cluster</i>, independente dos momentos de crise ou de fartura. Ao fornecer o respaldo t&eacute;cnico, pol&iacute;tico e contribuindo com a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas internos, a APICCAPS &eacute; a representante da governan&ccedil;a do <i>cluster</i>, uma governan&ccedil;a territorial composta por representantes de empresas e do poder p&uacute;blico, mas que caracterizamos como uma governan&ccedil;a privada-coletiva.</p>     <p>A din&acirc;mica territorial, tanto a quest&atilde;o produtiva como a articula&ccedil;&atilde;o institucional do <i>cluster</i>, denota a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da governan&ccedil;a para o bom desempenho do aglomerado, al&eacute;m de oferecer, com base no estudo de caso, um excelente exemplo para a discuss&atilde;o sobre a din&acirc;mica em aglomerados produtivos e a relev&acirc;ncia dos novos fatores de produ&ccedil;&atilde;o (conhecimento, inova&ccedil;&atilde;o, articula&ccedil;&atilde;o entre atores, apoio institucional, entre outros).</p>     <p>Com isso, o <i>cluster</i> apresenta uma rede consistente de atores. As atividades que podem ser impulsionadas pelo <i>cluster</i> est&atilde;o voltadas ao complexo industrial coureiro-cal&ccedil;adista que possui forte imbrica&ccedil;&atilde;o territorial e que se mostrou capaz de se adaptar frente aos processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; consist&ecirc;ncia das estrat&eacute;gias, observa-se o atendimento ao &ldquo;Regulamento de Reconhecimento dos <i>Cluster</i> de competitividade&rdquo; a partir da elabora&ccedil;&atilde;o e do cumprimento do &ldquo;Plano Estrat&eacute;gico&rdquo; e da ado&ccedil;&atilde;o de iniciativas de moderniza&ccedil;&atilde;o do parque produtivo com base na ind&uacute;stria 4.0. Al&eacute;m do mais, a entidade gestora desenvolve atividades de acompanhamento sobre o funcionamento do <i>cluster</i> publicando estudos e relat&oacute;rios de an&aacute;lise sobre o setor.</p>     <p>Em conclus&atilde;o, pode-se dizer que a governan&ccedil;a territorial do <i>cluster</i> do cal&ccedil;ado &eacute; um importante recurso espec&iacute;fico do territ&oacute;rio local. A governan&ccedil;a equivale a um instrumento de poder em que os atores locais exp&otilde;em suas necessidades e problemas, discutem poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es, mobilizam capital e alcan&ccedil;am solu&ccedil;&otilde;es para muitos problemas em comum no setor do cal&ccedil;ado. &Eacute; desse ambiente complexo de interesses que se deve buscar certo equil&iacute;brio para o bom desempenho do setor, gerando vantagens competitivas para as empresas do <i>cluster</i>.</p>     <p>Por fim, as mudan&ccedil;as na escala do planejamento e da gest&atilde;o dos territ&oacute;rios, versando a realoca&ccedil;&atilde;o de responsabilidades e a atua&ccedil;&atilde;o de diferentes atores territoriais, n&atilde;o s&atilde;o apenas novidades de um per&iacute;odo marcado pela globaliza&ccedil;&atilde;o, mas correspondem a uma necessidade na constru&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento socioecon&ocirc;mico que passe pelo reconhecimento da import&acirc;ncia das din&acirc;micas territoriais multiescalares. Dito isso, a governan&ccedil;a representa um instrumento de viabiliza&ccedil;&atilde;o desse processo de reconhecimento, refor&ccedil;ando um recurso espec&iacute;fico e, consequentemente, intransfer&iacute;vel e incomensur&aacute;vel. N&atilde;o se trata apenas de uma aposta te&oacute;rica, mas, tamb&eacute;m, uma aposta de cunho pol&iacute;tico.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>  <ol start="7">     <li><b> Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></li>     </ol>     <p>Alc&acirc;ntara, R. (2017). Governan&ccedil;a como modelo de gest&atilde;o dos territ&oacute;rios: um olhar sobre o douro vinhateiro. Revista Finisterra &ndash; Centro de Estudos Geograficos, LII, 106, pp. 129 -148.</p>     <!-- ref --><p>APICCAPS. Brochura Institucional. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.apiccaps.pt/" target="_blank">https://www.apiccaps.pt/</a>. V&aacute;rios Acessos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769401&pid=S2182-1267202000010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>APICCAPS. Monografia Estat&iacute;stica - Cal&ccedil;ado, Componentes e Artigos de Pele. (2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.apiccaps.pt/publications/monografia-estatistica/112.html" target="_blank">https://www.apiccaps.pt/publications/monografia-estatistica/112.html</a>. Acessado em: 15 dez 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769403&pid=S2182-1267202000010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>APICCAPS. Plano Estrat&eacute;gico do Cluster do Cal&ccedil;ado 2014-2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.apiccaps.pt/publications/plano-estrategico/116.html" target="_blank">https://www.apiccaps.pt/publications/plano-estrategico/116.html</a>. Acessado em: 20 dez 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769405&pid=S2182-1267202000010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Becattini, G. (1994). O distrito marshalliano. In.: BENKO, G.; LIPIETZ, A (org.). As Regi&otilde;es Ganhadoras. Distritos e Redes<i>: Os novos paradigmas da Geografia Econ&ocirc;mica. </i>Oeiras-Portugal: Celta Editora.</p>     <p>Benko, G.; Pecqueur, B. (2001). Os recursos de territ&oacute;rios e os territ&oacute;rios de recursos. <i>Geosul &ndash; Revista do Departamento de Geoci&ecirc;ncias</i>, Florian&oacute;polis, v. 16, n. 32, p. 31-50, jul. /dez.</p>     <p>Carmo, F. (2014). Planos Regionais de Ordenamento do Territ&oacute;rio e governan&ccedil;a territorial: do discurso &agrave;s evid&ecirc;ncias da pr&aacute;tica. <i>Revista de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio</i>, 5, 41 -65.</p>     <p>Carmo, J. de A. do. (2014). As articula&ccedil;&otilde;es entre com&eacute;rcio e distribui&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica da produ&ccedil;&atilde;o em aglomerado produtivo cal&ccedil;adista de Portugal. <i>GEOUSP &ndash; Espa&ccedil;o e Tempo (Online),</i> S&atilde;o Paulo, v. 18, n. 1, p. 83-96.</p>     <p>Chamusca, P. (2013). Novos desafios e objetos de governa&ccedil;&atilde;o territorial: discutindo a reorganiza&ccedil;&atilde;o do Estado e a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da governan&ccedil;a como modelo de gest&atilde;o dos territ&oacute;rios. <i>Revista de Geografia de Ordenamento do Territ&oacute;rio</i>. Dez.</p>     <p>ChorincaS, J. (2009). Estrat&eacute;gias de Efici&ecirc;ncia Colectiva (EEC) &ndash; Notas de apoio a participa&ccedil;&atilde;o do Observat&oacute;rio do QREN na Comiss&atilde;o de Avalia&ccedil;&atilde;o das EEC. <i>Cole&ccedil;&atilde;o e+cadernos do Observat&oacute;rio do QREN.</i></p>     <!-- ref --><p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA. (2001). Governan&ccedil;a Europeia. Um Livro Branco. Bruxelas: Comiss&atilde;o das Comunidades Europeias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769413&pid=S2182-1267202000010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Courlet, C. (2013.). Os sistemas produtivos localizados: da defini&ccedil;&atilde;o ao modelo. <i>Revista Internacional Interdisciplinar &ndash; Interthesis.</i> UFSC, v. 10, n. 02.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fernandes, J. A. R.; Chamusca, P. (2009). Govern&acirc;ncia, planeamento e estrat&eacute;gias de desenvolvimento territorial: reflex&otilde;es a prop&oacute;sito da teoria e da pr&aacute;tica. <i>Inforgeo,</i> 24, 27-43.</p>     <p>Ferr&atilde;o, J. (2010). Governan&ccedil;a e Ordenamento do Territ&oacute;rio. Reflex&otilde;es para uma governan&ccedil;a territorial eficiente, justa e democr&aacute;tica. <i>Revista Prospectiva e Planeamento</i>, Lisboa, v. 17, p. 129-139.</p>     <p>Ferreira, C. A. A.; Nat&aacute;rio, M. M. S.; Braga, A. M. M. (2008). An&aacute;lise e avalia&ccedil;&atilde;o ao funcionamento dos clusters em Portugal reconhecidos pelo QREN. <i>Econom&iacute;a, Sociedad y Territorio</i>, vol. xviii, n&uacute;m. 57, p. 585-620.</p>     <!-- ref --><p>Fuini, L. L. (2015). <i>Territ&oacute;rio e competitividade: rela&ccedil;&otilde;es, teorias e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. 1. ed. Jundia&iacute;/SP: Paco Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769419&pid=S2182-1267202000010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lastres, H. M. M.; Cassiolato, J. E. (2003). <i>Gloss&aacute;rio de Arranjos e Sistemas produtivos e Inovativos Locais</i>. REDESIST. IE/UFRJ, SEBRAE. Novembro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769421&pid=S2182-1267202000010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Leloup, F.&nbsp;; Moyart, L.&nbsp;; Pecqueur, B. (2005). La gouvernance territoriale comme nouveau mode de coordination territoriale ? <i>Revue G&eacute;ographie, &Eacute;conomie, Societ&eacute;</i>, v.7, p.321-332.</p>     <p>Loureiro,S. M. C.; Santo, R. do E.; Sarmento, E. M. (2017). Analysis of the footwear cluster in Portugal: competitiveness and internationalization. <i>R-LEGO - Revista Lus&oacute;fona de Economia e Gest&atilde;o das Organiza&ccedil;&otilde;es</i>, N.&ordm; 5.</p>     <p>Moreira, R. A. (2014). <i>Pol&iacute;tica de clusters &ndash; o conceito de cluster enquanto catalisador do desenvolvimento territorial &ndash; as EEC do QREN</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Universidade de Lisboa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pires, E. L. S. <i>et al</i>. (2017). A Governan&ccedil;a Territorial Revisitada: dispositivos institucionais, no&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias e n&iacute;veis de regula&ccedil;&atilde;o. <i>Geographia</i>, Niter&oacute;i, vol. 19, n. 41.</p>     <!-- ref --><p>Pires, E. L. S. <i>et al</i>. (2011). <i>Governan&ccedil;a Territorial: Conceitos, Fatos e Modalidades</i>. Rio Claro: Editora da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia/ IGCE/ UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769427&pid=S2182-1267202000010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Porter, M. (1999). Competi&ccedil;&atilde;o: Estrat&eacute;gias Competitivas Essenciais. Rio de Janeiro, Ed. Elsevier/ Campus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769429&pid=S2182-1267202000010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PORTUGAL. Despacho n.&ordm; 2909/2015. Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica. 2.&ordf; s&eacute;rie &mdash; N.&ordm; 57 &mdash; 23 de mar&ccedil;o de 2015.</p>     <!-- ref --><p>Santo, R. do E. (2015). <i>An&aacute;lise ao cluster do cal&ccedil;ado em Portugal: compara&ccedil;&atilde;o de players e perspetivas futuras para o sector.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Gest&atilde;o). ISCTE, Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769432&pid=S2182-1267202000010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, F. M. F. V. B. (2018). <i>O setor do cal&ccedil;ado em Portugal e a sua transforma&ccedil;&atilde;o &agrave; luz da ind&uacute;stria 4.0: um estudo de caso m&uacute;ltiplo.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Universidade de Lisboa. Out.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1769434&pid=S2182-1267202000010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Silva, M. (2019). A arte de fazer sapatos: modos de fazer e de apresentar na ind&uacute;stria de cal&ccedil;ado portuguesa. <i>Cadernos de Arte e Antropologia</i>. Vol. 8, n. 1.</p>     <p>Storper, M; Harrison, B. (1994). Flexibilidade, Hierarquia e Desenvolvimento Regional. In: G. Benko, A. Lipietz. <i>As Regi&otilde;es Ganhadoras - Distritos e Redes: Os Novos Paradigmas da Geografia Econ&oacute;mica</i>. Oeiras: Celta Editora.</p>     <p>Vale, M.. (2009). Conhecimento, Inova&ccedil;&atilde;o e Territ&oacute;rio. Finisterra, XLIV, 88.</p>     <p>Vale, M.; Caldeira, J. (2006). <i>Proximity and Knowledge Governance in Localised Production Systems: the Footwear Industry in the North Region of Portugal</i>. European Planning</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Agradecemos &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (FAPESP) pelo financiamento da pesquisa (Processo 18/19564-5) intitulada &ldquo;Governan&ccedil;a, atores e desenvolvimento: uma an&aacute;lise sobre as mudan&ccedil;as na escala de planejamento, realoca&ccedil;&atilde;o de responsabilidades e atua&ccedil;&atilde;o dos atores territoriais&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Representatividade nacional &ndash; IAPMEI - <a href="https://www.iapmei.pt/Paginas/Representatividade-nacional.aspx" target="_blank">https://www.iapmei.pt/Paginas/Representatividade-nacional.aspx</a> .</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> O CTP auxilia o polo produtivo existente em S&atilde;o Jo&atilde;o da Madeira, Oliveira da Azem&eacute;is e Santa Maria da Feira. A produ&ccedil;&atilde;o realizada em Felgueiras &eacute; auxiliada pela Academia de Design e Forma&ccedil;&atilde;o. O outro polo est&aacute; em Guimar&atilde;es e conta com os servi&ccedil;os da Universidade do Minho.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> APPICAPS. FOOTure 4.0 em marcha. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.apiccaps.pt/news/footure-40-em-marcha/3045.html.%202018" target="_blank">https://www.apiccaps.pt/news/footure-40-em-marcha/3045.html. 2018</a>. Acessado em 05 abril 2020.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> APICCAPS. Ind&uacute;stria 4.0: Cal&ccedil;ado na frente. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.apiccaps.pt/news/industria-40-calcado-na-frente/4184.html" target="_blank">https://www.apiccaps.pt/news/industria-40-calcado-na-frente/4184.html</a>. 2019. Acessado em 05 abril 2020.</p>      ]]></body><back>
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