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<journal-title><![CDATA[Da Investigação às Práticas]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Brincadeira: marcos temporais e memória]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Instituto de Educação Centro de Investigação em Estudos da Criança]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Playful, highest expression of playful cultures of childhood and popular knowledge of children which color the folklore of children and which among them consist in singular practice, has indelible timeless marks and marked them a time which was kept in memory forever. The linearity which during most of the time before the arrival of TV was carried by playful, the revolution of its practices operated from there and accentuated with the arrival of new information and communication technologies to the life of children and consequent radical transformation of their playful habitus (from street to home and consequently to the room), delineate distinct eras of social times parallel to those which dictated, consequently, the transformation which the arts to and for play were, historically, suffering. Redeem by the voice of children, often expressed by the voice of adults who are today, is made the record, which in this article is kept, from a piece of the cultural playful heritage which was passing between four generations studied qualitatively from group interviews made &#8203;&#8203;in the family background. From where we confirm what is reported below. Playful and related paraphernalia are part of the life story of all of us and therefore it is up to each of us to ensure that never perish]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Le jeu, la plus grande expression des cultures ludiques de l’enfance et du savoir populaire enfantin qui colore le folklore des enfants et constitue, parmi eux, une pratique singulière, laisse des marques temporelles indélébiles qui restent gravées pour toujours, dans la mémoire. La linéarité que le jeu a transporté, pendant la plupart du temps avant l'arrivée de la TÉLÉ, et la révolution de ses pratiques qui, à partir de ce moment s’est opérée et accentuée avec l'arrivée des nouvelles technologies de l'information et de la communication dans la vie des enfants et, la conséquente transformation radicale de leur habitus ludique (de la rue à la maison, de la maison à la chambre) délimitent des époques distinctes de temps sociaux qui sont parallèles à celles qui, conséquemment, ont dicté la transformation que les arts de et pour jouer ont historiquement subi. Recueilli par la voix des enfants, souvent exprimée par les adultes qu’ils sont devenus, nous avons noté et gardé dans cet article, un morceau de l’héritage culturel ludique qui a traversé les quatre génération que nous avons étudiées qualitativement à partir d'entretiens de groupes faits en contexte familial. C’est à partir de cette étude que nous affirmons ce qui est rapporté ci-dessous. Le jeu et l'attirail qui l’accompagne font partie de l'histoire de vie de nous tous donc, chacun de nous doit veiller à ce que rien ne soit jamais oublié ni perdu]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[brincadeira]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="right"><font face="Verdana"><b><font size="4">ARTIGOS</font></b> </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana"> 	<b><font size="4">Brincadeira: marcos temporais e memória</b></font></h1> </font></p>    <p>&nbsp;</p>     <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><b>Alberto Nídio Silva</b></b>      <br> </font><font size="2" face="Verdana">Centro de Investigação em Estudos da Criança, Instituto de Educação, Universidade do Minho</font></p> 	<font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:albertonidio@hotmail.com">albertonidio@hotmail.com</a> &nbsp;    <br> 	</font></p> 	<a name="topc0"><a href="#c0">Contacto</a></a>    <p>&nbsp;</p>     <p align="left"><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO </b></font></p> 	    <p><font face="Verdana" size="2">A brincadeira, expressão maior das culturas lúdicas da  	infância e do saber popular infantil que colora o folclore das crianças e  	que entre elas constitui prática singular, tem marcos temporais indeléveis  	que lhe (de)marcaram um tempo e que a memória guardou para sempre. A  	linearidade que, durante quase todo o tempo antes da chegada da TV, a  	brincadeira transportou, a revolução das suas práticas que a partir daí se  	operou e acentuou com a chegada das novas tecnologias da comunicação e  	informação à vida das crianças e a consequente transformação radical do seu 	<i>habitus</i> lúdico (da rua para casa e daqui para o quarto) balizam eras  	distintas de tempos sociais paralelas às que ditaram, consequentemente, a  	transformação que as artes de e para brincar foram, historicamente,  	sofrendo. Ao resgatar a brincadeira pela voz das crianças, muitas das vezes  	expressa pela voz dos adultos que hoje são, faz-se o registo, que neste  	artigo se guarda, de um pedaço da herança cultural lúdica que foi passando  	entre as quatro gerações que estudamos qualitativamente a partir de  	entrevistas grupais feitas em contexto familiar, que serviram de base para o  	que a seguir fica relatado. A brincadeira e a parafernália que a acompanha  	fazem parte da história de vida de todos nós e, por isso, a cada um cabe  	velar para que nunca pereça. </font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 	    <p align="left"><b><font face="Verdana" size="2"> Palavras-chave</b>: brincadeira, brinquedo, tempo, memória. </font></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	<b>ABSTRACT </b></font></p> 	    <p><font face="Verdana" size="2">Playful, highest expression of playful cultures of  	childhood and popular knowledge of children which color the folklore of  	children and which among them consist in singular practice, has indelible  	timeless marks and marked them a time which was kept in memory forever.     <br> 	The linearity which during most of the time before the arrival of TV was  	carried by playful, the revolution of its practices operated from there and  	accentuated with the arrival of new information and communication  	technologies to the life of children and consequent radical transformation  	of their playful <i>habitus </i>(from street to home and consequently to the  	room), delineate distinct eras of social times parallel to those which  	dictated, consequently, the transformation which the arts to and for play  	were, historically, suffering.     <br>	Redeem by the voice of children, often expressed by the voice of adults who  	are today, is made the record, which in this article is kept, from a piece  	of the cultural playful heritage which was passing between four generations  	studied qualitatively from group interviews made &#8203;&#8203;in the family background.  	From where we confirm what is reported below.     <br> 	Playful and related paraphernalia are part of the life story of all of us  	and therefore it is up to each of us to ensure that never perish. </font> 	</p>    <br> 	<font face="Verdana" size="2"><b>Keywords</b>: playful, plaything, time, memory. </font></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	<b>RÉSUMÉ </b></font></p> 	    <p><font face="Verdana" size="2">Le jeu, la plus grande expression des cultures ludiques de  	l’enfance et du savoir populaire enfantin qui colore le folklore des enfants  	et constitue, parmi eux, une pratique singulière, laisse des marques  	temporelles indélébiles qui restent gravées pour toujours, dans la mémoire. 	    <br> 	La linéarité que le jeu a transporté, pendant la plupart du temps avant  	l'arrivée de la TÉLÉ, et la révolution de ses pratiques qui, à partir de ce  	moment s’est opérée et accentuée avec l'arrivée des nouvelles technologies  	de l'information et de la communication dans la vie des enfants et, la  	conséquente transformation radicale de leur <i>habitus </i>ludique (de la  	rue à la maison, de la maison à la chambre) délimitent des époques  	distinctes de temps sociaux qui sont parallèles à celles qui, conséquemment,  	ont dicté la transformation que les arts de et pour jouer ont  	historiquement subi.     <br> 	Recueilli par la voix des enfants, souvent exprimée par les adultes qu’ils  	sont devenus, nous avons noté et gardé dans cet article, un morceau de  	l’héritage culturel ludique qui a traversé les quatre génération que nous  	avons étudiées qualitativement à partir d'entretiens de groupes faits en  	contexte familial. C’est à partir de cette étude que nous affirmons ce qui  	est rapporté ci-dessous.     <br> 	Le jeu et l'attirail qui l’accompagne font partie de l'histoire de vie de  	nous tous donc, chacun de nous doit veiller à ce que rien ne soit jamais  	oublié ni perdu.  	</p>    <br> 	<b>Mots-clés</b>: jeu, jouet, temps, mémoire. 	</font></p>    <p>&nbsp;</p> 	 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br></font><font face="Verdana"><b>1. Introdução</b> </font> 	<font face="Verdana" size="2">    <br> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 	O trabalho que a seguir se dá a conhecer funda-se no manancial que ficou de  	narrativas biográficas de crianças de todas as idades (há uma criança que  	fica a morar para sempre em cada um de nós mesmo depois de crescer) durante  	um século. Na fala de velhos e novos, contadas no tempo das crianças que o  	foram então e das que o são ainda agora, demarcam-se com clareza facetas das  	brincadeiras que, embebidas de acontecimentos históricos ou invenções da  	humanidade, as crianças não podiam, nem podem, deixar de parodiar,  	integrando-as em imaginativas avocações no seu mundo lúdico. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	No diálogo misturado entre a teoria e a empiria, arrumam-se esses marcos que  	a memória de cada criança especialmente guardou numa brincadeira que  	perdurou, num apetrecho que encantou a vida brincante que pulula por  	natureza dentro de si ou mesmo num brinquedo amado que se quis guardado bem  	adentro da memória ou num baú esquecido, num canto do quarto das arrumações  	lá de casa. </font></p> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2"> 	Antes, fica traçado o terreno por onde andamos à procura dos dados, que,  	depois de olhados pelo seu peso heurístico e tratados em conformidade,  	tornaram entendível o que por aqui adiante fica escrito.     <br> </font>    <p>&nbsp;</p>  	<font face="Verdana"><b>2. Contornos da investigação</b></font> 	<font face="Verdana" size="2"> 	    <br>    <br> 	Os dados contidos no estudo empírico qualitativo em que se sustenta este  	artigo e que agora se apresentam e analisam <a href="#1">[1]</a><a name="top1"></a> ressaltam do que nos foi  	relatado em entrevistas coletivas feitas junto de dez famílias com quatro  	gerações vivas localizadas em meios urbano, rural e intermédio, envolvendo  	setenta e seis participantes <a href="#q1">(Quadro 1)</a> e um arco temporal de quase um  	século (o mais velho dos informantes nasceu no dealbar da República e a mais  	nova ao virar de milénio). 	</font></p>    <p>&nbsp;</p> 	 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><a name="q1">Quadro 1</a>. Universo geral dos familiares informantes e respetivos estratos  	geracionais</p> 	    <p align="justify"></p> 	<table class="MsoNormalTable" align="center" border="1" cellpadding="0" cellspacing="0" width="&quot;100%&quot;"> 		<tr> 			<td rowspan="2" valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"> 			<font face="Verdana" size="2">    <br> 			    <br> 			Famílias 			</font> 			</td> 			<td colspan="3" valign="top" width="&quot;21%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"> 			<font face="Verdana" size="2">    <br> 			Entrevistados 			</font> 			</td> 			<td colspan="4" valign="top" width="&quot;58%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"> 			<font face="Verdana" size="2">    <br> 			Divisão Etária 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			H 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			M 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			Total 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			&#8804; 25 anos     <br> 			(Filhos) 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			&gt;25 e &lt; 50     <br> 			(Pais) 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			&gt;50 e &lt; 75     <br> 			(Avós) 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			&#8805;75 anos     <br> 			(Bisavós) 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F1-Araújo 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			7 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F2-Cerqueira 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			6 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			8 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F3-Cunha 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			5 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			8 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F4-Fernandes 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			6 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			F5-Ferreira 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			7 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F6-Gonçalves 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			6 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			9 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			2 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F7-Massa 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			6 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F8-Oliveira 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			5 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			8 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			3 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			F9-Pimenta 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			7 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			11 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			5 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			F10-Rodrigues 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			4 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			6 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			1 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="&quot;19%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			Totais 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			32 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;6%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			44 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;9%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			76 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;14%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			29 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			18 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;15%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			15 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="&quot;13%&quot;" align="left"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			14 			</font> 			</td> 		</tr> 	</table>    <p>&nbsp;</p> 	 	 	<font face="Verdana" size="2"></font>    <p align="left"></p> 		    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Legenda: F=Família     <br> 	Dados tirados de Silva, 2012    <br> 	    <p>&nbsp;</p> 	O vasto registo áudio que se colheu foi editado em texto e este teve o seu  	conteúdo escalpelizado a partir da categorização e subcategorização dos  	dados recolhidos, que nos direcionaram para a visão temporal que a seguir  	fica descrita. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Por muito tempo, as crianças brincaram na informalidade com que, das mais  	variadas maneiras, se juntavam para dar expressão à cultura lúdica em que se  	consubstancia o essencial das suas culturas infantis. Faziam-no com  	brinquedos e brincadeiras trazidos pela herança cultural que trespassava  	oralmente entre gerações de crianças, do mais velho para o mais novo num  	continuum interminável, a que se achegavam, de quando em vez, factos,  	eventos ou inventos da humanidade que as crianças reinterpretavam e chamavam  	às sua atividades lúdicas.     <br> 	</font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Do que nos contaram e que a análise de conteúdo evidenciou, fica o registo  	que nos parece mais significativo. A brincadeira tem marcas poderosas na  	memória de todos, algumas mesmo que permaneceram como referencial de  	momentos dados que mexeram com a praxis lúdica. Tomemos os testemunhos e  	realcemos o que deles ficou transparecido.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 	</font></p>    <p>&nbsp;</p> 	 	    <p align="left"><font face="Verdana"><b>3. Marcos temporais</b></font></p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana"><b>3.1. Anteriores à televisão</b></font><font face="Verdana" size="2"> 	</font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br> 	Talvez as brincadeiras das crianças não tenham conhecido transformações tão  	acentuadas como as que se consubstanciam nestes tempos que abarcam a  	centúria que vai desde a primeira década do século com que terminou o  	segundo milénio e a que inicia o terceiro, e aqui, sobretudo, no período  	sucedâneo do segundo grande conflito mundial que reduziu particularmente a  	Europa a escombros. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">A história da humanidade viveu  	muitos momentos em que a evolução do conhecimento acumulado foi permitindo  	ao ser humano lograr grandes  	conquistas, que foram marcando os avanços do processo civilizacional. Por  	esses tempos, as brincadeiras das crianças terão ganho muitas das vezes  	novas ferramentas e, com elas ou através delas, verificou-se o desabrochar  	de novas ideias que acrescentaram outras configurações aos seus mundos  	lúdicos. A invenção da roda há quatro milénios atrás, provavelmente a mais  	importante descoberta mecânica de todos os tempos, constituiu, acreditamos,  	um bom exemplo da emergência que lhe subjazeu de um tempo de novas  	experiências lúdicas para as crianças de então, muitas das quais perduraram  	até aos tempos hodiernos. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Outrossim, paralelamente, os acontecimentos marcantes da vida societária não  	deixam de suscitar o olhar das crianças e a sua consequente reprodução no  	seio das culturas que lhes são próprias. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Da força com que muitos inventos e eventos penetram no mundo brincante das  	crianças falam as palavras que, nesse sentido, o Albino, do terceiro estrato  	geracional dos Ferreira (F5), alinhou e que se respigam aqui à laia de  	lançamento desta linha de abordagem da investigação recolhida agora aberta:</font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		    <blockquote> 		    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>A sensação que tenho…não é uma sensação,&nbsp; é uma certeza…é que as  	brincadeiras eram conforme os hábitos da época. As brincadeiras da tropa do  	meu pai vinham da Segunda Guerra Mundial, assim como eu brinquei muito aos  	cowboys em pequeno por causa dos filmes que via, por causa da televisão…a  	roda no meu tempo já era um pneu e dois paus introduzidos assim de lado  	[gesticula], cheio de água para os paus deslizarem bem, não agarrarem.</i> 	    <br></font></p></blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na verdade, contara-nos o pai António (F5), criado, como ele, na cidade, bem  	junto a um aquartelamento militar ainda lá hoje existente – Regimento de  	Cavalaria de Braga, mas, ao tempo e até bem recentemente, Regimento de  	Infantaria 8 – nos tempos que se seguiram à Guerra Civil de Espanha e à  	segunda grande deflagração mundial, ainda no decurso da qual nascera, que  	deixara feridas em todo o mundo e, pelo acumular das duas,  	concomitantemente, apesar de Portugal nelas não ter participado, por cá  	também, vivendo, consequentemente, uma infância muito marcada pelo  	permanente contacto com o ambiente de guerra e com tropas em manobras  	constantes: </font> </p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>[Por entre a bateria de brincadeiras que nos narrou a partir do cardápio  	que na memória ainda lhe ficou das muitas que preencheram a sua vida lúdica  	de então, referiu-nos os cenários belicistas que com os amigos construía]  	Brincávamos à tropa, fazíamos as cartolas em papel, com latas fazíamos  	bombos e…tínhamos o quartel no monte e…era o faz de conta, o faz de conta…e,  	depois, batíamos nas latas-bombos, zás-trás-trás-trás, tudo alinhado e tudo  	a marchar, como se fosse tropa… [eram brincadeiras que] … vinham da guerra.</i> 	    <br></font></p></blockquote></blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Do estrato geracional mais velho, fica, neste evocar das novidades  	tecnológicas que da conquista do mundo dos adultos emergiram e, céleres,  	desceram ao quotidiano das crianças, o ar vaidoso com que o bisavô Araújo  	(F1) lembrou o grande invento do seu tempo, que a bicicleta na configuração  	com que hoje a conhecemos constituiu então, embora luxo que só a bolsa de  	alguns, poucos, sustentava: “<i>agora</i> [por volta de 1920], <i> 	bicicletas, havia quatro aqui em Vila Verde, só quatro, e eu tinha uma”.</i> 	</font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na cidade, o mais velho dos Oliveira (F8) recorda as tentativas de afirmação  	de uma novel atividade lúdica que os ingleses para Portugal haviam trazido  	não há muito tempo e as crianças então logo avocaram com toda a força,  	constituindo um marco histórico na história da vida brincante desse tempo,  	ainda arredio da vida urbana vilaverdense e da vida campestre, apesar da  	difícil aceitação que socialmente era dada à sua prática e,  	concomitantemente, ao praticante, não só por vezes perseguido pelas  	autoridades, como, também, mal visto e malquisto junto dos concidadãos.  	Complicada a conquista desta nova e marcante brincadeira, depreende-se: </font> </p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">[Por jogar futebol, a sua grande paixão de menino, o senhor Geraldo (F8), em  	criança, foi duas vezes detido e multado pela polícia] <i>Uma das vezes foi  	no Parque de Santa Cruz. Estávamos ali a jogar, vieram uns polícias do lado  	do hospital de S. Marcos, cercaram-nos e…lá fui preso. O meu pai pagou na  	altura dezasseis escudos, se bem me lembro…tinha eu os meus oito anos. Outra  	vez foi na casa dos Coimbras…eu ia a saltar lá para dentro para buscar a  	bola que lá caíra e fiquei preso por uma perna e, entretanto, veio um cabo  	da polícia, agarrou-me por essa perna e…lá fui preso outra vez. Era um  	gandulo e, hoje, o jogador de futebol é um herói.</i>     <br></font></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Neste fragmento de narrativa, plasma-se, também, o traço de um outro marco,  	porventura trazido por uma postura temporalmente indeterminável, bem menos  	prazeroso que o configurado na brincadeira que então despontava e que  	perdurou ainda tanto tempo quanto o que gastou a ditadura que cinquenta anos  	depois abril subjugou: a implacável presença da autoridade policial lidando  	com as crianças que na rua brincavam como se de simples delinquentes se  	tratassem.    <p>&nbsp;</p>      	</font></p>    <p align="left"><font face="Verdana"><b>3.2. Na era da televisão</b></font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br> 	O terceiro estrato geracional estudado constitui-se, simultaneamente, como  	predecessor e precursor de um dos grandes inventos do século XX, a  	televisão, e dos efeitos que a sua presença vai provocar em toda a  	sociedade, constituindo um marco que os que viveram as suas infâncias antes  	da sua chegada, não deixaram de nos evocar, entre o espanto e a preocupação,  	quando dela nos falaram, tal foi a impressão que a força da sua presença nas  	crianças que depois deles vieram lhes provocou, agora com a companhia dos  	computadores. Perdido na narração das brincadeiras de criança onde pela rua  	gastava o seu tempo com os amigos, o João Alberto, dos Araújo (F1), não  	deixa de lembrar, à laia do que já nos fizera a D. Teresa dos Rodrigues  	(F10), esta apenas em relação às consequências da presença da TV na vida  	lúdica das crianças, que <i>“agora a televisão absorve tudo, a televisão e  	os computadores”</i>. Ele que a viu dar os primeiros passos em 1957, por um  	tempo ainda tímidos, e com enorme afirmação junto do grande público já havia  	chegado à adultez. </font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Outrossim, a Maria do Céu, dos Pimenta (F9), recorda o fascínio do pequeno  	ecrã e a intromissão que teve na sua vida lúdica, se é que de ludismo para  	as crianças se não tratava também estar perante aquele pequeno aparelho: <i> 	“quando tinha um bocadinho de tempo lá ia eu para aqui e para acolá atrás da  	brincadeira. E veio a televisão, quando queria ver a pouca que havia ia para  	os vizinhos, para a Zefinha</i> [vizinha porta com porta] …<i>adorava e…saía  	de lá muita brincadeira”</i>. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Verdadeiramente tomado já pela televisão, o 2.º estrato geracional encontra  	a sua difusão em rápida expansão e é, com o andar do seu arco temporal,  	positivamente apanhado pela magia e o encantamento que, desde a primeira  	hora, provocou a todos em geral e às crianças de um modo arrebatador.     <br> 	O Carlos, dos Abreu (F1), retrata com pormenor as marcas que a TV lhe deixou  	quando criança: </font> </p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 		    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>As brincadeiras andavam sempre por ali com uma influência muito grande da  	televisão…Robin dos Bosques, filmes de cowboys, a Galáctica, o Espaço 1999;  	aquelas figuras todas apareciam… o Spock, a Maia, os poderes de cada um, são  	os primeiros super-heróis que não estão no papel…e as brincadeiras eram à  	volta disso, o polícia-ladrão, mas adaptado à série que dava no momento, ou  	ao filme que passava naquela altura, ou a uma repetição do Bonanza</i><b>…</b><i>.</i> 			    <br></font></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">No meio urbano citadino, o Albino dos Ferreira (F5), tal como acima se  	regista, também vê muito do seu mundo brincante ser moldado com novas  	facetas trazidas pelos novos heróis televisivos que lhe entram portas  	adentro, quadro que ainda não conhece acuidade de notar no meio rural. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Das palavras do Miguel Oliveira (F8) surgiu um olhar sobre um outro lado da  	TV na estruturação das brincadeiras, mesclado, até, com alguma deceção: </font> </p> 	    <blockquote> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Na altura do Natal aquilo era sempre a olhar para a televisão…aquilo é  	que é!</i> – Referindo-se às novidades lúdicas que a publicidade lhe  	procurava impingir – <i>depois, também a desilusão dos bonecos não fazerem o  	que faziam com eles na televisão. A televisão transmitia as brincadeiras que  	depois nós, realmente, não podíamos fazer, porque os bonecos não davam…mas  	aquelas novidades da televisão também eram um estímulo, estava sempre a ver  	coisas novas</i><b>…</b>.     <br></font></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">O poder do pequeno ecrã em todo o seu ‘esplendor’, aqui no aliciamento das  	crianças, nem que, por vezes, estivessem a vender gato por lebre.     <br> 	</font></p>    <p>&nbsp;</p>         <p align="left"><b><font face="Verdana">3.3.Depois e, ainda, apesar da televisão</font></b><font face="Verdana"> 	</font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br> 	À laia do que aconteceu com o estrato geracional dos avós e consolidado o  	papel significativo que depois dele a TV ganhou na vida das crianças, o  	estrato geracional dos pais vai também servir de ponte para a emergência de  	novos marcos temporais, que, pela dinâmica com que surgem em catadupa e se  	entranham no quotidiano das sociedades, estão, por transmutação quase  	imediata, a transformar muito rapidamente o panorama da brincadeira, até há  	muito pouco tempo atrás mantido em quadros lúdicos padronizados, tal e qual,  	aliás, como aconteceu durante milénios, sempre formatada em configurações  	historicamente muito aproximadas entre si. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na infância do Carlos Abreu (F1), já toma lugar o computador para brincar: ”<i>por  	volta dos meus doze anos tive o primeiro Spectrum, isto e jogos”</i>.  	Estamos no dealbar dos anos oitenta passados, ponto de partida para a  	eclosão definitiva de uma era vivida no mundo digital e tecnológico de  	informação e comunicação à escala global que nunca mais parou de evoluir.  	Uma dezena e meia de anos depois, o Rui Massa (F7) <i>“já tinha computador,  	sega e playstation”</i>, um pouco depois do Miguel Oliveira (F8) também já  	ter adquirido a companhia de um <i>sega</i>, embora, um e outro, ainda se  	perdessem mais com outras brincadeiras menos tecnológicas. </font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">O primeiro estrato geracional do universo de informantes desta pesquisa  	biparte-se de novo neste tempo de mudança. A sua metade mais velha cumpre a  	fase da afirmação do computador, particularmente nos meios urbanos, onde a  	novel máquina já ocupa muita da vida da Raquel, dos Ferreira (F5), mas ainda  	não a da sua homónima dos Oliveira (F8), nem na irmã desta, Inês (F8).  	Todavia, à vida vivida no campo estas novidades da segunda modernidade ainda  	não haviam chegado. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">É, contudo, a metade mais nova do estrato geracional dos filhos que conhece  	o <i>boom</i> do fenómeno e as imensas e continuadas variações que em seu  	redor se produzem, perpassando os diversos quadrantes do público-alvo do  	estudo em todos os sentidos e com preferências para os gostos mais díspares  	ou desencontrados, mas, ainda, com uma presença muito vincada da televisão. 	</font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">O João, dos Abreu (F1), relatou-nos a suas deambulações pelas novas  	tecnologias: “<i>às vezes vou a “sites”, às vezes jogo nos jogos do  	computador, tenho os favoritos onde vou brincar, distrair-me”</i>. Coisas  	que, afinal, a sua irmã Carolina igualmente não desdenha: <i>“ também vou e  	também jogo na Internet”</i>. Todavia, esta caçula dos Abreu concorda com o  	avô quando este diz que a televisão e os computadores abafam tudo, mas não  	deixa de assegurar: <i>“eu gosto de jogar computador e tenho tempo para  	outras brincadeiras”</i>. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Mais expressiva e mostrando grande afeição ao tempo novo que se instalou na  	vida lúdica das crianças, a Vera, dos Gonçalves (F6), instada a olhar as  	brincadeiras de agora e compará-las com o que a esse respeito antes, na  	entrevista grupal, ouvira da mãe e da avó, foi perentória: <i>“Não, é  	completamente diferente. Agora nós estamos mais ligados à tecnologia, aos  	computadores, aos telemóveis, aos ipodes, à playstation…mandamos SMS para  	conversar um bocado quando não podemos estar pessoalmente e passamos  	imagens, músicas e outras coisas”</i>. Muito atenta a ouvir a dissertação da  	filha, a mãe, Anabela, comentou perante a concordância da avó: </font> </p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 		    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Pelo que eu vejo e não sou muito velha para dizer isto, do meu tempo para  	o das minhas filhas, a minha opinião é de que hoje em dia eles não sabem  	brincar precisamente por isso </i>[novas tecnologias e a ludicidade a elas  	ligada]<i>, eles nem têm interesse em ter as brincadeiras que nós tínhamos,  	porque eles hoje em dia, se calhar, também têm mais do que deveriam. Eles  	hoje em dia têm telemóveis, e só nisso perdem o tempo todo, têm  	computadores, têm Internet, televisão, e basta terem essas coisas para se  	desligarem completamente da outra brincadeira e até da família, eles depois  	já querem mesmo a distância dos pais, não há aquele diálogo como havia, como  	eu com os meus pais e…eu noto isso, percebe?”</i>     <br></font></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Num mundo muito similar ao da Vera, o primo Miguel Ângelo (F6) gasta uma boa  	fatia do seu tempo livre “<i>em casa a jogar no computador e na playstation,  	a maioria das vezes sozinho”</i>. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na campanha, o lastro das novas tecnologias espalhou-se um pouco por todo o  	lado. O Márcio, dos Clara (F4), tem em casa uma playstation com que joga e a  	Raquel Cunha (F3) do trio de objetos que tem à mão é o MP3 o que mais a  	fascina: [Entre o computador, o telemóvel e o MP3] <i>“o que eu uso mais é o  	MP3, quando saio das aulas e estou a lanchar, estou a ouvir música”</i>. Bem  	perto, a Mara, dos Cerqueira (F2) usa para brincar o computador, a  	playstation, o MP3 e o telemóvel, mas, contudo, a TV continua a tomar lugar  	com alguma importância nas suas atividades lúdicas, malgrado a confessa  	preocupação que isso causa à mãe Sónia.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br></font> </p>    <p>&nbsp;</p> 	 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br> 	</font> <font face="Verdana"><b>4.Tempos de um novo tempo</b> </font> </p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br> 	Nos fragmentos das entrevistas que recortamos e sequenciamos pelo  	alinhamento que por agora leva a apresentação dos resultados é possível  	perceber como (i) os grandes eventos e inventos da humanidade são desde logo  	apropriação obrigatória para o mundo lúdico das crianças e,  	consequentemente, (ii) aí se consubstanciam pela capacidade que nelas se  	encontra de o fazerem de acordo com a forma como os (re)interpretam, ou  	seja, em correspondência com a sua imaginação criadora e multiplicadora de  	cenários brincantes a partir da realidade em que socialmente (con)vivem, num  	processo de fabulação polimorfo verdadeiramente único e, nesse sentido,  	irrepetível por toda a vida do ser humano.     <br> 	As três eras em que julgamos poder repartir o lastro temporal da pesquisa  	<a href="#f1">(Fig.1)</a>têm ao centro a marca de um dos maiores inventos da humanidade no  	século passado. Nada ficou como dantes depois da emergência da televisão.</font> </p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><a name="f1">Fig. 1</a>. Marcos temporais influentes no mundo lúdico das crianças</font></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	<table class="MsoNormalTable" align="center" border="1" cellpadding="0" cellspacing="0" width="438"> 		<tr align="center"> 			<td valign="top" width="96"> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			Bicicleta     <br> 			    <br> 			Futebol 			</font> 			</td> 			<td colspan="2" valign="top" width="123"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			II     <br> 			Guerra Mundial     <br> 			    <br> 			TV 			</font> 			</td> 			<td colspan="2" valign="top" width="96"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			TV     <br> 			    <br> 			Spectrum 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="123"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			PC, Internet     <br> 			Playstation,     <br> 			Telemóvel     <br> 			Ipod, MP3     <br> 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td valign="top" width="96"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			4.º Estrato Geracional 			</font> 			</td> 			<td colspan="2" valign="top" width="123"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			3.º Estrato Geracional 			</font> 			</td> 			<td colspan="2" valign="top" width="96"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			2.º Estrato Geracional 			</font> 			</td> 			<td valign="top" width="123"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			1.º Estrato Geracional 			</font> 			</td> 		</tr> 		<tr> 			<td colspan="2" valign="top" width="175"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			Era Pré-Televisão 			</font> 			</td> 			<td colspan="2" valign="top" width="125"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			Era da Televisão 			</font> 			</td> 			<td colspan="2" valign="top" width="138"> 			    <p align="center"><font face="Verdana" size="2">    <br> 			Era Digital 			</font> 			</td> 		</tr> 	</table>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="justify"> 	<font face="Verdana" size="2">     </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Dados colhidos de Silva, 2012    <p>&nbsp;</p> 	</font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na verdade, na primeira metade do tempo que atrás fica contado pelos marcos  	que trouxeram novas realidades ao mundo lúdico das crianças que por ele  	passaram, bem no centro do ponto de viragem que a revolução industrial tinha  	trazido à vida dos povos e ao mundo da ludicidade que com ela chegara também  	(Fernández, 1991), fica o registo da presença da bicicleta, um meio de  	locomoção que bem nos finais do século XIX atinge o seu grau de  	desenvolvimento pleno com a invenção da roda livre e das mudanças <a href="#2">[2]</a><a name="top2"></a> e que,  	a partir daí, rapidamente se populariza e torna também um importante meio de  	lazer que, pelo seu valor social, ecológico e sanitário, permanece vivíssimo  	nos tempos de agora, quiçá com dimensões nunca antes atingidas, com pleno  	reflexo nas atividades recreativas das crianças, porque propiciador do  	exercício de uma autonomia de dimensão social e de outras inúmeras  	experiências lúdicas nas quais o princípio do prazer que lhes é inerente  	está sempre presente (Brougère, 2005). </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Por esta altura, vai ganhando raízes um pouco por todo o lado um fenómeno  	que em pouco tempo se transforma num caso muito sério de desporto de massas  	à escala global. Nascido na Velha Albion em meados do século XIX,  	particularmente vocacionado para manter os rapazes da aristocracia que  	frequentam as prestigiadas <i>public schools</i> no interior dos espaços de  	recreio dos seus estabelecimentos de ensino, impedindo-os, assim, de vadiar  	na rua, e, em simultâneo, exercer junto deles uma função educativa visando o  	autodomínio, o controlo das pulsões e o respeito pelos códigos, baseando-se  	no <i>fair play</i> e na rejeição da <i>ungentlemanly conduct </i><a href="#3">[3]</a><a name="top3"></a>   	(Corbin, 1995d), o futebol rapidamente salta dos domínios elitistas da  	Inglaterra e extravasa as suas fronteiras <a href="#4">[4]</a><a name="top4"></a>, chegando a Portugal nos finais  	do século XIX (1885), particularmente ao Porto, como, aliás, a muitas outras  	cidades portuárias (e.g. Havre e Hamburgo), onde os ingleses detêm  	importantes entrepostos de companhias marítimas, ganhando raízes imediatas  	e, consequentemente, dando origem ao aparecimento de inúmeras agremiações  	desportivas e, naturalmente, conquistando também um lugar privilegiado nas  	brincadeiras infantis, apesar, todavia, da pouca aceitação social e policial  	inicial que pudemos antes perceber pelas vicissitudes que acompanharam as  	primeiras incursões futebolísticas do senhor Geraldo Oliveira (F9).</font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Marcas indeléveis ficam na Península Ibérica pelo acumular de duas guerras  	devastadoras – Guerra Civil de Espanha e II Guerra Mundial – nas quais  	Portugal nunca se envolveu diretamente e a Espanha só na primeira,  	desenrolada de uma forma demolidora apenas no interior das suas fronteiras.  	As crianças da guerra e do pós-guerra não tiveram a abastança que depois  	engordou o mundo dos brinquedos, pois viveram o tempo de penúria  	generalizada que se seguiu aos conflitos em que nada havia e tudo fazia  	falta para acudir à sobrevivência das pessoas e à reconstrução das nações  	devastadas ou economicamente arruinadas pelas contendas (Pastor, 1991).  	Todavia, as crianças continuaram a brincar e fizeram-no também com as marcas  	da guerra, que permaneciam bem vivas na memória social. Os soldados, as  	marchas, as latas feitas bombos e os paus tornados fuzis encantaram as suas  	brincadeiras na reprodução de um mundo que com isso e com elas certamente  	ficou menos angustiado e mais esperançoso. Por esse tempo, muitas das  	crianças que então eram os adultos do terceiro estrato geracional deste  	estudo fechavam um ciclo muito difícil para todos e, como é historicamente  	habitual, para elas em particular. Foi nestes tempos de provação que o  	senhor António, dos Ferreira (F5), foi menino-soldado no faz-de-conta de uma  	vida muito atrapalhada, mas, apesar disso, brincada com a alegria de sempre  	pelas crianças. </font>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">O ano de 1957 representa em Portugal o começo de uma nova era que a TV  	iniciara já por outras paragens e que, como salienta Giddens (2004), se  	constituiria um fenómeno arrebatador para a sociedade em geral. O quotidiano  	das crianças também não se livra da omnipresença e do impacto da televisão  	no contexto social (Pinto, 1995) em duas vertentes das suas agendas lúdicas:  	na substituição pura e simples da <i>praxis </i>brincante de espetadores  	consumidores massivos de todas as formas e feitios de televisão que lhes  	entram pelo ecrã pelo simples exercício de um <i>zapping</i> que cada uma  	delas aprende depressa e cedo, e, como se anota pela evocação dos marcos  	temporais das brincadeiras antes transpostos dos dados do estudo recolhidos,  	pela influência direta que as séries, os programas e os heróis que neles se  	configuram trazem para as fabulações em que se corporiza uma boa parte da  	ementa lúdica das brincadeiras que as crianças confecionam em cada dia e em  	cada época das suas vidas. Como diz D’Amato (2006) e os registos empíricos  	da pesquisa convalidam mais uma vez, a caixa que as encanta guarda-lhes  	também os sonhos, os sonhos que elas tão bem confabulam na vida própria com  	que fazem girar muito do seu mundo. Foi esta nova era que a TV trouxe ao  	quotidiano lúdico das crianças que o estrato geracional dos avós ainda  	conseguiu pegar pelas pontas, mas que, em boa verdade, só o estrato  	geracional dos pais viveu da forma intensa e marcante que se respigou atrás,  	mesmo considerando que já foi ele quem teve, no dealbar da década de oitenta  	passada, em primeira mão, uma espécie de protótipo da era digital (ZX  	Spectrum) que estava prestes a inverter o “<i>status quo</i>” secularmente  	presente na cultura lúdica da infância. TV que ia aqui conhecer, a breve  	trecho, uma concorrência sem precedente e com a impensável força de  	rapidamente ameaçar o seu poder por decénios hegemónico junto do público  	grande e das crianças. </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">É, contudo, no primeiro dos estratos geracionais que um turbilhão de  	novidades saídas do novo paradigma tecnológico emergente (Castells, 2002),  	que os dados do estudo marcam de uma forma visível, vem reconfigurar muito  	do tradicional espetro brincante das crianças, que em poucos anos vão  	ficando submersas num mundo sem barreiras, crescendo “no seio da cultura do  	computador” (Turkle, 1995, p.111). A metade mais recente deste primeiro  	estrato geracional, e sobretudo este, assume-se como uma verdadeira <i> 	e-generation</i> (Cardoso et al., p. 2007), autênticos nativos digitais  	(Prensky, 2001) de um tempo novo de rutura com as ancestrais formas de  	realização das culturas lúdicas infantis, como bem evidenciam as palavras da  	Vera Gonçalves (F6), apesar de nos seus quotidianos a televisão e algumas  	brincadeiras vindas de longe prevalecerem num ou noutro pequeno bocado dos  	poucos momentos que por hoje vão tendo para o fazerem em contextos deste  	novo, diferentes e, por enquanto, ainda concorrentes. </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">É este o novo tempo, de exaltação, para uns (e.g. Johnson, 2006; Papert,  	1996), inquietante, para outros (e. g. Postman, 1994; Cordes e Miller,  	2008), mas, seguramente, de mudança para todas as crianças (Buckingham,  	2002), em que as marcas temporais aqui projetadas apontam todas para um  	caminho unidirecional, que tem as atividades <i>indoor</i> como destino  	arrebatador dos tempos livres das crianças, por onde a sua vida lúdica se  	vai detendo com a acuidade que a investigação vai desnudando a cada passo.  	Vencida a obstinada presença da autoridade policial que em tempos idos  	atrapalhou a brincadeira das crianças fora de portas, como o bisavô Oliveira  	(F8) amargamente no-lo contou, outras grilhetas parecem querer amarrar a  	brincadeira livre e espontânea das crianças vivida no seio das suas  	particulares culturas. Estas são marcas que na contemporaneidade ainda vão  	tendo alguma concorrência de alguns dos traços lúdicos de ontem, mas, porém,  	tendencialmente a eles cada vez mais sobrepujantes.     <br> 	</font></p>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana"><b>5. Brincadeira e Memória</b></font>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana"><b>5.1. Memórias esparsas</b></font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> 	As narrativas que os entrevistados nos contaram contêm informação que,  	embora saída de divagações e reflexões espontâneas que os momentos de  	diálogo provocaram e o entrevistador deixou fluírem, não deixa de provir de  	conversas ocorridas na abordagem guiada de um contexto temático  	predeterminado e ser, consequentemente, merecedora da correspondente  	consideração correlacional. </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">São retalhos de vidas de crianças que, num tempo dado, nos contam histórias  	com significado na história de cada uma delas – por isso a memória as  	guardou tão bem e a força das suas marcas não as deixou esconder – que  	retratam (a)venturas e desventuras de um quotidiano muito desigual, de  	risco, temerário, astuto, vivido do e no jeito que marca as especificidades  	de cada criança na sua individualidade e das suas correspondentes infâncias,  	muitas delas passadas em contextos e tempos em que isso ainda não era tido  	como coisa de grande monta. </font> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">De permeio andou, como anda sempre a brincadeira, por isso e apesar disso  	firme na marca cimeira com que pauta a cultura lúdica e a sua privilegiada  	presença nas culturas da infância, que nenhuma circunstância, por mais  	adversa que o seja, consegue delir, quando senão mesmo, quantas vezes,  	acicatar.</font>    <br>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="justify"><font face="Verdana"><b>5.1.1. Infância no plural e brincadeira no singular</b></font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">     <br> 	A escola, <i>locus</i> de tantas brincadeiras, nem sempre foi bom porto de  	abrigo para as crianças, sobretudo para as que não encontraram nela  	aconchego e compreensão para as dificuldades que a aprendizagem lhes  	colocava. O bisavô Cunha (F3) gostava de lá ter ido mais tempo para brincar  	e, confessa-o em tom entristecido, também aprender, mas as coisas não  	correram nesse sentido: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 		    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Aprendi mal, porque a professora era muito má e… depois nós íamos à  	escola…eram dois colegas numa carteira e eu às vezes não sabia dizer a lição  	e o meu colega de carteira sabia e dizia a dele e dizia a minha e, então, a  	professora batia-me muito…Jesus!...bofetadas, puxava-me pelas orelhas e eu,  	depois, comecei até a gazear da escola e…bom, saía de casa com a saca com os  	livros, o pãozinho dentro da saca e chegava lá, os meus colegas entravam  	para a escola e eu não entrava, mas também não vinha para casa, escondia-me,  	andava por ali e, quando eles saíssem da escola, eu vinha com eles embora.  	Os meus pais estavam a pensar que tinha estado na escola, mas não tinha  	estado. Mas a professora um dia mandou chamar os meus pais para saber por  	que eu não ia à escola, coisa que os meus pais, face ao que contei, negaram,  	com a professora a reafirmar o que de facto acontecia e os meus pais não  	sabiam. E, meu amigo, o meu pai deu-me, depois, uma trepa, também por eu não  	ir à escola, bateu-me e…foi o mal…aprendi mal, praticamente só faço o meu  	nome.</i>    <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">O senhor Manuel Clara (F4) nem o pouco que constituiu o fadário escolar do  	senhor Cunha (F3) pôde contar, embora o seu lhe merecesse a sentida  	lembrança que a expressão pungente da narrativa desoculta quando lembra que  	os ‘brincamentos’ só mesmo no e com o trabalho: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Os outros meus irmãos foram à escola, mas eu não… que o meu pai tinha  	oito filhos, era um pobre pedreiro, nem tinha casinha dele, não tinha nada,  	ganhava cinco escudos por dia para manter todos e eu fui servir tinha sete  	anos. Fui acolá para S.ta Marinha de Oleiros ter conta num gado, passei ali  	pela Portela…eu queria vir embora, deixar o gado no campo, mas não sabia o  	caminho…foi a minha vida…uma sardinha chegava para três…hoje eles comem o  	que querem e sobra-lhes. [Quanto ao brincar ao Sábado e ao Domingo, a vida  	dura brota outra vez da narrativa] Não senhor…mas o meu pai, o meu falecido  	pai, foi dia de Natal buscar a ‘consoadinha’ aos meus patrões – punham-lhe  	umas batatinhas, uns ‘olheirinhos’ de couves, punham-lhe uma garrafinha de  	azeite, uma garrafinha de vinho…uma cabacinha, que dantes era uma cabaça…uma  	boroa de pão, nós vínhamos todos contentes!....foi lá e…foi-me lá levar  	outra vez no fim da consoada, mas…agarrei-me a meu pai e…já não fiquei…a  	patroa não queria que eu viesse embora, foi buscar uma franga para eu  	ficar…mas eu…agora…vim-me embora. Cheguei a casa e fui servir para Ruivães,  	na Ponte da Barca, lá estive dois anos, mais ou menos, depois vim-me embora,  	fui servir para Revenda, estive sete anos nos ‘Vinha Nova</i>….     <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Não foram fáceis os tempos de criança dos entrevistados do 4.º estrato  	geracional e com eles se intrincaram também as brincadeiras, para rapazes e  	raparigas, como no-lo retrata agora a recordação da D. Adelina, dos  	Gonçalves (F6): </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>As minhas brincadeiras foram muito poucas. O meu pai era pedreiro….os  	meus pais não deixavam, o meu trabalho mais perfeito era ir para a bouça com  	as ovelhas. Uma vez, quis ir servir, pensei, naquela altura, que era uma  	grande coisa e fui para um casal, para o Pico. Depois de lá estar…era no  	inverno…sentaram-me na cama a escolher feijões num crivo e eles na cozinha a  	tomar leite e trigo e…eu a escolher feijões…e eu…ai meu Deus, isto para mim  	não dá e...fui-me embora, não quis mais servir. Eu pensei que em casa estava  	mal, mas estava bem.</i>     <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Tempo, sobretudo o tempo de um tempo onde outras urgências tinham primazia  	sobre o mundo lúdico das crianças, no campo e na cidade, tomando quase todos  	por igual, como a reflexão da criança feita pelo seu adulto, que, volvidas  	quase oito décadas de existência, o senhor Carlos Massa (F7) pode hoje  	deixar com o <i>background</i> que este estatuto naturalmente comporta:  	</font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>A vida atual é muito diferente da de antigamente. Hoje, a juventude tem  	melhores condições de vida, não quer isto dizer que antigamente não havia  	também pessoas que viviam bem, a diferença entre pobres e ricos é que era  	mais acentuada do que atualmente.</i>     <br><i>A vida no meu tempo, nas classes remediadas, era muito difícil, só  	praticamente os homens é que trabalhavam, as famílias eram numerosas, as  	mulheres ficavam em casa a olhar pelos filhos, foi um tempo bastante  	difícil, durante e após a guerra de 39-45, em que tudo faltava, não havia  	trabalho e a distribuição de géneros alimentícios era feita por senhas,  	formavam-se longas filas nas padarias e nas mercearias para adquirir bens  	essenciais à subsistência da família. O tempo livre das crianças era muito  	limitado à obediência. Antes de poderem brincar tinham que ajudar a cuidar  	dos irmãos, a tomarem lugar nas longas filas, a fazerem as tarefas que lhes  	eram destinadas, começavam muito cedo na idade a terem obrigações, por isso  	sobrava pouco tempo para a brincadeira. Mas a imaginação nas crianças é  	intemporal, ontem e hoje a necessidade afina o engenho e a invenção do  	brinquedo e dos jogos fazia parte desses mesmos tempos livres.</i>     <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Este <i>status quo</i> da infância que abarca uma grande parte das vidas das  	crianças dos tempos das guerras que na primeira metade do século passado  	criaram, indiretamente, grandes dificuldades à sociedade portuguesa de então  	– as anteriormente referidas Guerra Civil de Espanha e II Grande Guerra  	Mundial – colhe, também, uma particularmente dramática lembrança de criança  	da D. Teresa, do 4.º estrato geracional dos Rodrigues (F10), calibrada com a  	sua posterior experiência como docente do ensino primário desde meados dos  	anos trinta passados, quando fala das brincadeiras das crianças, que ela  	como educadora sempre procurou proteger dentro dos limites materiais de  	então (o recreio da escola era na estrada), mas logo misturadas com a míngua  	dos tempos: <i>“mandava comprar um bocadinho de boroa para dar aos mais  	pobrezinhos no recreio, que não tinham sequer um bocado de pão para  	comer…andava muitas vezes a pedir e a dar do meu para elas…era uma miséria  	extrema, não podia ser pior”.</i>     <br></font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Não emergem por muito mais tempo narrativas com esta carga emocional,  	retratando infâncias complicadas permeadas por brincadeiras sorrateiras,  	apesar de tudo.     <br> 	</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">A Maria Teresa, dos Gonçalves do terceiro estrato geracional (F6), conviveu  	muito de perto com a sombra de uma vida de menina feita mulher nos verdes  	anos, quase sempre vencedora sobre os impulsos lúdicos que para outros  	trabalhos bem mais agradáveis e apropriados à sua condição de criança, por  	isso, a convidavam: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>A minha [infância]? Foi muito má. Olhe, a minha mãe obrigava-me a ir para  	o ribeiro com bacias de roupa lavar, isto à sexta-feira, cozinhar, levar com  	o tacho quando o estrugido esturrava e…a minha infância foi péssima, se  	queria brincar tinha que fugir…não brincava nada. À sexta-feira faltava à  	escola sem o meu pai saber e ia ter com a minha mãe ao ribeiro para ajudá-la  	a lavar e à tardinha dava um salto para ir ter com as minhas colegas para  	ver os deveres que tinham</i><b>…</b><i>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </i> 	    <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na grande urbe, o senhor António, do 2.º estrato geracional dos Ferreira  	(F5), já não vive na atrapalhação de muitas crianças do campo ou da vila e  	menos ainda das do estrato geracional dos seus pais, mas, todavia, não lhe  	fica indiferente o ambiente social em que se desenrolam as suas brincadeiras  	de rua e a revolta que as desigualdades então provocavam nos brincantes:  	</font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Brincava com a classe mais pobre que havia na rua, porque os ricos não  	nos passavam cartão. [Porque os ricos brincavam noutros sítios?] “Eu acho  	que sim ou…se calhar não, nem liberdade tinham para vir à rua, só vir para a  	escola e ir para casa. Aqueles que passavam fome é que andavam sempre na rua  	na brincadeira, nas várias brincadeiras”.</i> <i>“Ia para a doutrina  	descalço, brincava descalço, jogava descalço à bola. Aliás, mesmo os rapazes  	que estivessem calçados ou se descalçavam ou não jogavam, era tudo descalço.  	Porque a maior parte era descalço, os calçados ou iam para a baliza ou não  	jogavam […] Havia várias brincadeiras e…fazer asneiras…como tirar aos ricos  	também… iam a chupar gelados e a comer bolos e chocolates e boas sandes e  	nós aparecíamos e…zás, ficava para nós. Da D. Maria até à entrada do portão  	[do Liceu Nacional Sá de Miranda], tudo o que eles trouxessem na mão ficavam  	sem ele.</i>     <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Passe-se o exagero – provavelmente e a crer nos dados do nosso estudo, o que  	o senhor António conta teria a ver com os muito ricos e, muito  	particularmente, também com a sua rua (Rua das Palhotas), pois não eram só  	os pobres que andavam na rua a brincar – fica, contudo, uma imagem de marca  	persistente, onde nada obstava a que, pouco ou muito, as crianças brincassem  	e do seu quotidiano emergissem mesmo momentos hilariantes dentro dos espaços  	recreativos que a vida de então, apesar das vicissitudes que a marcavam,  	lhes propiciava. Foi dramática a récita escolar do senhor Geraldo Oliveira  	(F8), na escola cognominado <i>pintassilgo</i>, com um falhanço de memória  	perante a plateia pejada de professores e colegas, com direito a rebatismo,  	tudo por causa de tão inoportuno embasbaque, que recorda com graça: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Um dia, tive uma professora de português que entendeu que eu tinha  	jeito para dizer uns versos numa récita que fizeram lá na escola. Deram-me  	uns versos para eu ensaiar…ainda me lembra…entrava no palco e dizia: ‘Eu sou  	o tecelão/Vou tecer uma linda teia das cores/Com elas assim vou  	fazendo/Arabescos e flores’ e continuava. Havia duas salas que eram de  	costura e bordados, uniram-nas e fizeram um palco. Entro para dizer os  	versos…estavam lá todos os professores e aquilo cheio de colegas…entro e  	digo: ‘Eu sou o tecelão...’ e…tudo às gargalhadas; repito: ‘Eu sou o  	tecelão…’ e…olhe, embasbaquei-me e…nada. Fugi e ficou-me o nome do  	‘Tecelão’.</i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Particularmente difícil foi a história vivida pelo senhor António Ferreira  	(F5) perdido nas asas de uma pomba tarameleira, das que ainda hoje fabricam  	artesanalmente os irmãos Marques de Lanhas, em Vila Verde: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>Lembra-me de uma vez…eu tinha para aí sete ou oito anos, fui com o meu  	falecido avô, que era o pai aí da minha mãe, numa peregrinação que havia ao  	Sameiro em agosto e…viemos pelo Bom Jesus. Eu nunca tinha tido um pomba de  	asas, daquelas de madeira, que ao andar batiam as asas e faziam  	zás-trás-trás…eu e mais o meu falecido irmão, o pai da Ana Paula…pois, meu  	amigo, eu…fui parar a Pedralva, andei, andei com a pomba e perdi-me  	deles…foram à guarda e tudo…perdi-me…com aquela emoção de andar com aquele  	brinquedo a bater as asas…fui sempre…fui sempre, sempre e…perdi-me.</i>     <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Tempos difíceis para a generalidade das crianças, crescendo entre vidas  	paralelas e, por vezes, tão desiguais, que apenas na brincadeira ou nas  	situações que com ela eram configuradas tinham pontos de interseção que as  	ligavam numa mesma condição, a de ser(es) brincantes.     <br></font>    <p>&nbsp;</p> 		    <p align="left"><font face="Verdana"><b>5.1.2. Astúcia e artes de fazer</b></font> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Muitos são os quadros em que se revelam as múltiplas configurações lúdicas  	que as crianças redesenhavam a partir dos quotidianos mais adversos, quantas  	vezes emaranhadas em complicadas situações que emergiam de uma forma  	inopinada a partir delas, numa recorrente procura de um contexto  	incontornável do seu mundo (lúdico), tantas outras vezes convocado e logrado  	em momentos em que diferentes formas ardilosas de o confrontar emergiam em  	contramão com o <i>establishment</i> vigente, por matreirice pura, ou com  	fundado propósito e saber pericial que as mil e uma maneiras de brincar  	comportam.&nbsp;&nbsp;     <br>O bisavô Massa (F7) e seus coetâneos de antanho usavam de sagacidade para se  	arranjarem com uns tostões com destino predeterminado, valendo-se de uma  	tradição festiva muito arreigada junto das gentes de então e ainda hoje  	presente no S. João festejado anualmente na cidade de Braga: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br><i>Nessa época também havia os Santos Populares, em que toda a vizinhança se  	juntava e, entre crianças e adultos, todos brincavam nos jogos hoje chamados  	populares: corrida do saco, partir o púcaro, saltar a fogueira…No Santo  	António, que era venerado nas Carvalheiras, na Sé, todas as freguesias  	faziam um altar e um pequeno andor e as crianças divertiam-se a ir com ele  	pedir às lojas e casas a contribuição para as festas, ‘uma esmolinha para  	Santo António’, e competiam entre freguesias os altares e andores mais  	bonitos. Claro que o dinheiro angariado não era nada para o Santo, era para  	comprarmos guloseimas ou cromos de jogadores de futebol para colecionarmos  	nas cadernetas.</i>     <br></font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Não menos ardilosa era a forma como os Cerqueira do 3.º estrato geracional  	(F2) conseguiam aceder a alguns produtos agrícolas, supostamente vigiados e  	guardados a sete chaves pela diligência do pai, para umas tainas ou levar à  	feira a fim de arranjar algum dinheiro ao tempo tão escasso, como  	transparece da narrativa da avó Lúcia, talvez, segundo julga, contada agora  	pela primeira vez, quarenta anos depois, aos pais e demais presentes no  	decurso da entrevista à família: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>Tenho uma história…ainda estávamos em Coucieiro, não sei se o meu pai  	soube, se não soube vai saber agora…o meu pai fazia muito pelo meloal e  	ele…coitado…os melhores melões e melancias desapareciam-lhe lá do  	quintal…ele que faz, faz uma casota em madeira…lembra-se pai?…faz uma casota  	em madeira, uma barraca em madeira, para dormir lá para ter conta nos  	“ladrões” que lhe iam ao meloal, que lhe iam lá roubar aquilo. Ora…como nós  	tínhamos o rés do chão que eram cortes e em cima a casa onde nós  	estávamos…ora nós não éramos porque nós não podíamos sair dali para fora…não  	nos deitávamos pela janela abaixo…o meu irmão tinha lá tudo contratado, lá  	com uns vizinhos nossos que deitavam lá uma escada por fora da nossa casa, à  	janela, e…lá iam para a feira vender melancias e melões…estava tudo  	treinado…todos fechados numa sala…o outro, então vinha, deitava uma escada  	pela janela, o meu irmão descia pela escada, levava os melhores melões, os  	melhores tomates, os melhores pepinos, tudo para nós enchermos o bandulho e  	para a feira, o rapaz tornava a tirar a escada…prontos…nós não éramos!..o  	meu pai dizia…’os filhos da mãe só vêm aqui quando eu lá não estou! Quando  	eu estou lá eles nunca vêm!’…Ele com a pistola e tudo dentro do barraco de  	madeira à espera dos ladrões e…nem vê-los.</i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Brincalhonas e muito embaraçosas, mas apenas isso, para os terceiros delas  	participantes à força, são as histórias que o casal Vasco e Alice, avós dos  	Rodrigues (F2) narraram: </font> 	    <blockquote> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>Eu gostava muito da brincadeira…Deus me livre…ainda hoje gosto da  	brincadeira e estou contente por ser assim…um dia enfarrusquei a cara toda à  	minha avó sem ela dar por ela, passando-lhe as mãos pelo rosto em jeito de  	mimo, depois de as sujar numa panela de ferro fuliginosa que estava na  	lareira sobre a trempe, de tal forma que ela veio assim para a vila, para  	espanto e gozo de um tio meu que a viu entrar portas adentro naquele estado  	lastimoso…ainda me chegou a procurar para tentar ajustar contas comigo.  	Doutra vez, na casa dessa mesma avó, que era muito supersticiosa em relação  	aos ‘espíritos e às almas do outro mundo’, preparei uma armadilha com uma  	corda e uns ferros atados na ponta, que introduzi num púcaro na cozinha, que  	estava junto ao forno, e que agitei fortemente quando, num dos mistérios  	gloriosos da recitação do terço, noite entrada, às escuras, o meu avô evocou  	a alma da mãe já desaparecida, que a nora, sua mulher e minha avó, detestara  	em vida, de tal modo que se instalou ali um medo terrível e a constatação  	precipitada pela minha avó de que era o espírito desse ente que, entretanto,  	lograra invadir aquele local nessa altura de culto, qual alma penada. ‘Não  	rezes mais’ – disse minha avó ao meu avô – ‘que é alma dessa p… que anda por  	aí, sem descanso’ (Vasco – F10)</i>.    <br></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Não menos divertidas são as histórias da D. Alice, brincadeiras indiciadoras  	de um espírito de matiz verdadeiramente lúdica, por vezes a raiar a  	malandrice, apesar da astúcia com que as fazia nem sempre deixar patente aos  	olhos dos outros qualquer responsabilidade sua nos acontecimentos: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>Eu fui aprender costura para Geme e lá é que eu fiz brincadeiras do  	arco-da-velha…o roubo dos tomates do Egídio na cara dele, mas convencendo-o  	que vira outros a fazê-lo, nomeadamente umas lavadeiras que lavavam no  	ribeiro e que para o almoço tinham feito um arroz de tomates, que eu  	convenci o Egídio lhe terem sido por elas roubados e que ele, acreditando em  	mim, foi lá agazar de viva voz…o bacalhau frito que apanhei ao maneta e de  	que ele, desesperado, não conseguia explicar o desaparecimento súbito e  	quase à vista dele enquanto se distraiu um pouco para comprar um quartilho  	de vinho ao lavrador…dos sapatitos de verão que a Linda do Sousa tinha a  	arranjar nesse maneta, para botar meias solas e umas capas, e dos quais  	joguei um dos do par para um ervado e dele só se conseguiu saber dois ou  	três anos mais tarde quando se cortou a erva para lavrar o campo…e o pobre  	do homem com as meias solas por pagar no Morais…do saco que enfiei, à falsa  	fé, no Zé da Bomba, quando andei na Obra das Mães, em Vila Verde, desfeita  	que ele descarregou no Sr. Manuelzinho Marchante, que me emprestara o saco,  	porque, quando desenfiou o saco que lhe enfiei pela cabeça abaixo, eu já  	estava longe e ele só pôde reparar nesse senhor rindo desbragadamente pela  	brincadeira que eu fizera, e, consequentemente, julgou ser ele o autor da  	tratantada…ainda foi a Sabariz fazer queixa ao meu pai, mas andou mal na  	linguagem e acabou corrido por ele…tinha por estas alturas doze, treze  	anos…eu só estava bem na brincadeira. Tenho saudades do meu tempo de  	criança…eu fazia brincadeiras e…depois…eu nunca fazia nada…apesar das  	dificuldades, nunca dei pelas dificuldades da vida, que na altura existiam…  	Éramos mais livres, não estávamos tanto dentro de casa….</i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Menos afoito nas brincadeiras metediças e afrontantes do mundo dos adultos,  	o João Alberto, dos Pimentas do 3.º estrato geracional, perdia-se na arte do  	fabrico dos brinquedos que a sua narrativa não esconde: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>Mas tinha brinquedos feitos por mim, também. Eu lá entretinha-me a fazer  	os meus brinquedinhos, fazia carrinhos, fazia umas trotinetezinhas de  	madeira, que agora as crianças têm em alumínio, fazia a roda, com verguinha,  	tudo ali com uma perfeição, éramos uns verdadeiros artistas…também andamos  	com o aro da motorizada, a deslizar por um pau…fazia carros de bois,  	aviões…fazia aquelas coisinhas e brincávamos com elas. Também brincávamos na  	terra. O meu pai tinha lá duas malas de ferramenta de carpinteiro que trouxe  	de França, com tudo, e dava-me liberdade para eu utilizá-la para fazer os  	meus brinquedos e…depois até começou a ajudar-me a fazê-los…quando entrei na  	parte dos aviões…eu fiz muitos aviões…Jesus…vários modelos, que eu arranjava  	nas chicletes, que vinham dentro a embrulhar as chicletes…era uma  	fotografia, um desenhinho do avião e depois eu inspirava-me naquele  	papelinho pequenino e criava ali verdadeiras réplicas dos aviões, fazia-os e  	depois pintava-os. Depois, quando cheguei ao ensino preparatório ainda me  	aperfeiçoei melhor a fazê-los com o professor de trabalhos manuais…ele dizia  	que eu…’filho de peixe sabe nadar’…e eu não sabia o que é que isso queria  	dizer naquela altura</i>… [o pai era um afamado carpinteiro, funcionário  	municipal, tal qual o é hoje também o João Alberto]. </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>São bocados de prosas que registam outras dimensões dos modos em que a vida  	lúdica das crianças se consubstancia, bem arredia de estereótipos que não  	são compagináveis com a sua imaginação criadora e, concomitantemente, não  	reduzida a uma cópia macaqueada da vida dos adultos que à sua volta gravita,  	sem embargo, contudo, da presença muito viva de práticas ou artefactos a ela  	conducentes, que, muitas vezes, pelas suas singulares características  	conquistam um lugar muito particular nas brincadeiras das crianças e as  	levam, quantas vezes, a ultrapassar limites de razoabilidade para a eles  	acederem. </font>    <p>&nbsp;</p> 		    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 		</font> 		<font face="Verdana"><b>5.1.3. O fascínio da bicicleta</b></font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Não passa despercebida a transversalidade com que o fenómeno da bicicleta  	percorre o espectro do universo dos informantes da pesquisa na sua dimensão  	contextual. Aliás, já anteriormente pudemos referir a vaidade do senhor  	Armando, dos Abreu do 4.º estrato geracional dos informantes (F1), no seu  	tempo dono de um dos quatro velocípedes existentes na vila de Vila Verde.  	Curiosamente, agora ficam relatos de quem, quando criança, não teve a dita  	do senhor Armando Abreu, mas, nem por isso, deixou de perseguir e lograr  	concretizar o sonho de dominar e usufruir de tão fascinante artefacto  	lúdico, contados sempre com um episódio demonstrativo do desafio dos limites  	que ultrapassavam para lá chegar. </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">O João Alberto, avô dos Abreu (F1), que, curiosamente, ao contrário do pai,  	nunca teve bicicleta, recorda que nem a tenaz perseguição da GNR aquartelada  	bem junto do Cruzeiro onde brincava com os colegas conseguiu travar os  	intentos velocipédicos que pulsavam dentro de cada um deles: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>…Depois, veio a bicicleta, e ninguém tinha bicicleta…o Nélinho Canudo  	alugava as bicicletas aos rapazes a coroa </i><a href="#5">[5]</a><a name="top5"></a> <i> o quarto de hora, mas  	para arranjar uma coroa…eu ia à madrinha, que tinha muito dinheiro, e à  	minha avó, que era quem vendia as hortaliças todas que se produziam em casa  	e lá tinha o mealheiro dela, e eu arranjava lá dinheiro e…íamos então ao  	Nélinho Canudo alugar a bicicleta…mas a guarda de Vila Verde não deixava a  	gente andar ali a jogar a bola, nem a andar de bicicleta, nem nada e a  	gente, então, tinha sempre ali [aponta para junto do antigo posto da GNR de  	Vila Verde, que se vislumbrava pela janela da sala onde decorria a  	entrevista, uns oitenta metros adiante] um sentinela a ver se vinha algum  	guarda para baixo…antigamente a guarda não andava de jipe como anda agora,  	andavam a pé ou de bicicleta…e a gente punha-se ali, e o Nélinho Canudo, às  	vezes, ‘ aí vem a guarda!’…e…tudo a andar logo, a fugir.</i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Mais temerário foi o percurso em que o Adelino Oliveira (F8) se abalançou  	para atingir o velho desiderato que faltava na ementa da sua vasta cultura  	lúdica, metendo-se literalmente por caminhos que extravasavam a sua  	competência velocipédica de então, subjugado que estava por essa altura a  	uma inultrapassável vontade de usufruir do prazer de dominar a máquina, o  	tempo e a distância: </font> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>O filho do Isaltino que morava à beira dos Congregados… lá está…tinha  	uma bicicleta, o que eu sempre imaginei poder vir a um dia ter. Quando num  	ano vim de férias do seminário cheguei a saber que o meu pai tinha comprado  	uma bicicleta, que tinha estado lá em casa uns dias, mas minha mãe…’ tal, o  	rapaz vai-se matar com a bicicleta… tal ‘ , e… tratou de despachar a  	bicicleta. Isso para mim foi uma machadada, foi um desgosto tremendo…sonhava  	com a bicicleta…muitas vezes, sem nunca a ter visto, imaginava, até, de que  	cor é que era, o que tinha e…tal… Era a bicicleta e…aquele amigo da Avenida  	Central, morava ali, era só atravessar a rua, vinha muitas vezes com a  	bicicleta e cedia, deixava-me andar quando lhe pedia às vezes e…ah! Mais  	tarde, já para aí com 15 anos, numa altura em que estava na praia com uns  	tios e era necessário fazer um recado, a bicicleta foi o recurso para ir da  	Apúlia a Vila do Conde…sem grande experiência de andar na estrada…fiquei  	todo partido, cheguei de noite, sem ninguém saber de mim, mas…a  	bicicleta!...foi a grande oportunidade para…hum!</i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Não tendo o dramatismo que encerrou o domínio final que o Adelino Oliveira  	(F8), já tardiamente, conseguiu sobre a máquina dos seus sonhos, nem um  	estrato geracional atrás o constante desassossego com que o João Alberto  	Araújo (F1) e companheiros viviam por causa de uma presença contínua da  	força policial vizinha dos seus locais de brincadeira e do garagista a quem  	alugavam as máquinas, o outro João Alberto dos informantes, Pimenta do 3.º  	estrato geracional (F9), nem por isso deixou de se haver com contingências  	que também falam da mistura de prazer, obstinação e destemor que a bicicleta  	conseguia juntar em doses iguais:     <br></font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>A andar de bicicleta aprendi com essa desse meu amigo Victor, que eu não  	tinha bicicleta, nunca tive bicicleta, andávamos à vez ou andávamos os dois  	em cima dela. Um dia íamos os dois em cima da bicicleta por um carreiro dos  	campos abaixo e a meio do caminho tivemos que atravessar um ribeiro…uma  	pedra que tinha mais ou menos 50 cm de largura e uns 4m de comprimento  	e…tínhamos que ir pela pedra fora de bicicleta e eu disse: ‘oh Victor, vais  	passar?’; ‘ vou! Não te aflijas que eu passo’. E eu vinha no suporte  	amarrado às costas dele…lá fomos, até que, a meio da pedra…pumba!...lá fomos  	os dois para o meio da água, bicicleta para um lado e nós para outro…a pedra  	era estreitinha…ficamos ali todos encharcados”. </i></font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Histórias contadas na primeira pessoa de uma afeição marcante a um objeto  	que se reveste de um encantamento que os adultos lembram com particular  	pormenor dos tempos das suas infâncias, ficando patente que, por mais  	inconfessáveis que sejam as barreiras a transpor, as crianças avançam para  	elas com a determinação de as vencer, porque a brincadeira parece sempre  	falar mais alto do que tudo o mais.     <br>  	    <br> 	</font>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana"> 	<b>6. Arcas da memória lúdica</b> </font>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Nas narrativas dos interlocutores do estudo outras memórias se evidenciam e  	permanecem como pedaços de vidas de um tempo que todos parecem querer  	recordar sempre ou ter evocado num recanto ou lugar onde lhe possam deitar a  	mão, manusear ou simplesmente saber que está ali.  	</font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nos dois estratos geracionais mais velhos não são tantas as memórias que os  	objetos das práticas lúdicas guardam como as que oralmente antes  	perscrutamos. </font>    <p align="left">     <font face="Verdana" size="2">O avô Clara, do 3.º estrato geracional (F4), guarda há sessenta anos a  	rodinha e a gancheta de menino e o João Alberto, dos Araújo (F1), não há  	muito menos tempo bastante muito do material lúdico com que brincou:  	<i>“conservei os brinquedos até à idade adulta, depois os filhos é que me deram  	cabo deles, mas ainda conservei outros que lhes tirei da mão e tenho-os lá.  	Cadernetas de jogadores, tenho lá muitas, colecionadas caramelo a caramelo,  	a tostão cada um, e no fim da coleção ganhava-se uma bola de capão</i>”. </font>         <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Do mesmo modo, o Luís do 3.º estrato geracional dos Cunha (F3), também  	guarda há mais de meio século um dos piões com que então jogou e, ainda,  	joga hoje, de quando em vez, com os colegas de infância em ajuntamentos  	festivos, a que juntou agora mais três para um dia serem repartidos pelos  	quatro netos que tem. </font> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Porém, é nos dois estratos geracionais mais próximos que se torna notório  	algum culto pela guarda de objetos, transformados <i>de per si</i> e por  	onde vão sendo arrumados em verdadeiros lugares da memória lúdica que se vai  	afastando pelo andar inexorável tempo, mas que, perdido o uso, se querem  	preservados, tarefa a que os pais, guardadores dos seus, também se  	encarregam muitas vezes dos dos filhos o serem também. </font>         <p align="left"><font face="Verdana" size="2">A mãe Sónia, dos Cerqueira (F2) do 2.º estrato geracional, disse-nos que  	<i>“ainda guarda bonecas e alguns brinquedos que tem espalhados pelos móveis da  	casa</i>”. O Albino, dos Ferreira (F5), também conserva dois carochas, <i>“que deitavam fumo e tinham amortecedores”</i> que o pai lhe dera no tempo  	em que foi emigrante na Alemanha, tal como o Carlos, dos Araújo (F1) do  	penúltimo estrato geracional, contou que no sótão da casa dos pais estão  	guardados muitos brinquedos, e a mãe Olga desta família lembrou brinquedos  	arrecadados, com que, três décadas depois, a sobrinha brincou: “<i>as  	primeiras bonecas com que a minha sobrinha, que tem dois anos, brincou,  	foram nossas, minhas e da mãe dela, quando pequenas, e perduraram mais de  	trinta anos”.</i></font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Esta apetência pela preservação da memória lúdica mantém-se pelos mais  	velhos do primeiro estrato geracional, guardadores, sobretudo, dos  	apetrechos que alimentaram as brincadeiras preferidas ou representativos dos  	heróis das suas confabulações lúdicas de então. O Bruno Ferreira (F5) guarda  	os <i>Action Man</i> e a prima Raquel os <i>Nenucos</i> e as <i>Barbies</i>,  	enquanto o Rui Massa (F7) tem espalhados pelo escritório e pela garagem  	quase todos os brinquedos da sua infância. A Inês, dos Oliveira (F8), tem  	uma razão para preservar a memória lúdica que sintetiza muito do que são as  	motivações que presidem ao gesto: “<i>Guardo os brinquedos porque, quando  	pego neles, é como estar a rever o filme da minha infância. Fazem-me lembrar  	a sorte que tive de ter uma infância tão feliz”.</i> </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Dos mais pequenos, ainda brincantes, percebe-se, mais pela voz dos pais, uma  	cuidadosa preocupação pela criação e preservação de espaços lúdicos  	caseiros, que vão desde o quarto de dormir (e.g. Martinha e Joana, dos Cunha  	– F3; João e Carolina, dos Araújo – F1), até ao quarto especificamente  	disponibilizado e apetrechado para a brincadeira (e. g. Mara, Gabriela, Nuna  	e Ricardo, dos Cerqueira - F2; Raquel, Martinha e Joana, dos Cunha – F3),  	onde não só se preserva a memória, como também se a trespassa dentro da  	fratria. Em alguns, quando o quarto encharca ou a fase lúdica passa, a  	garagem torna-se museu ou arrecadação pelas mãos dos pais (e. g. João e  	Carolina dos Abreu – F1). </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Ainda se há de fazer tempo para que se perceba a dimensão desta memória  	lúdica ainda temporã para muitos dos informantes que constituem o grupo mais  	novo da metade próxima do primeiro estrato geracional. Entre a desconfiança  	da mãe Ana Paula, dos Ferreira (F5), perentória ao afirmar que<i> “nós  	dantes apegávamo-nos muito mais às coisas. Eles, agora, não, têm uma  	variedade enorme, têm várias coisas…”</i>, e o arrumo com que as irmãs Cunha  	(F3), desse primeiro estrato geracional, guardavam os muitos brinquedos com  	que dentro de casa e no parque infantil que nela está construído no jardim  	brincavam assiduamente, talvez se encontre um ponto para equilibrar a  	perenidade da memória lúdica que cada criança construiu um dia. </font>         <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nas narrativas, a partir das quais o pulsar da vida quotidiana emerge na  	nudez da realidade que em cada uma delas se conta por fora e por dentro dos  	atores que lhes dão conteúdo, e nas demais evocações da memória que guarda  	momentos marcantes das vivências lúdicas que todas as crianças a seu tempo  	puderam fruir, mesmo quando mesclados com a adversidade, também se afirmam  	traços da plena presença da infância na sociedade que integra, e que, por  	isso, em momento algum lhe passa despercebida ou é indiferente.     <br>  </font>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana"><b>7. Brinquedo: memória sempre presente</b> </font>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Se é verdade que a marca geracional está patenteada em todas as culturas  	infantis como seu denominador comum e consequente sinal distintivo, que  	mantém inalterados, por entre a heterogeneidade das suas formas, os traços  	simbólicos e materiais em que todas elas se consubstanciam, não menos o é  	que as subsidiariedades societais de que se alimentam lhes conferem sentidos  	e marcas plurais que a elas se encontram indelével e inexoravelmente  	ligadas, o que torna redutora a sua declinação no singular (Franklin, 1995;  	Javeau, 2005; Danic, 2008). </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">As narrativas dos dois estratos geracionais mais velhos, sobretudo estes,  	contêm na sua essência traços dos tempos difíceis das infâncias que tiveram,  	quiçá por idade e condição, as maiores sofredoras do atraso generalizado que  	grassava no país <a href="#6">[6]</a><a name="top6"></a>(Barreto, 2009), pouco coberto por uma escola mal  	sucedida na sua missão, por vezes cruel para os alunos (e.g. o senhor Cunha  	– F3 – do 4.º estrato geracional), muito longe de ter integrado no seu  	público todas as crianças do país e muito menos ainda as que tinha como  	oficiais exclusivos das suas, por esses tempos, propaladas artes da  	ensinança, que objetivavam para cada uma delas apenas o encargo de aprender  	a ler, a escrever e a contar (e.g. o senhor Clara – F4, a D. Adelina, dos  	Gonçalves – F6, ambos do 4.º estrato geracional, e a Maria Teresa, dos  	Gonçalves do 3.º estrato). Era com as crianças rurais, urbanas dos bairros  	populares e outras mais que em lides diferenciadas se tinham de ocupar  	também, que o ofício de aluno se cruzava com outros ofícios (Sarmento,  	2000), quantas vezes ainda numa posição de grande subalternidade. </font>     <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">As crianças não são indiferentes ao que à sua volta se passa, por exemplo,  	no que as segrega entre as demais com quem se confrontam quotidianamente. O  	senhor António Ferreira (F5), do 3.º estrato geracional, e os seus pares  	vingavam a míngua dos seus recursos económicos face à ostentação dos meninos  	ricos que frequentavam o liceu, roubando-lhes os símbolos da abastança que  	transportavam e consumiam à vista de todos. A apropriação, à sorrelfa, dos  	gelados, dos bolos e dos chocolates da diferença para os que, como ele,  	pouco ou nada tinham, mais não era do que a expressão do confronto de  	classes, aqui naturalmente apropriado do seu mundo adulto para responder à  	problemática que se colocava no seio da comunidade infantil de então  	(Corsaro, 2003). Aliás, neste meio habitado pelo senhor António (F5), a  	ordem instituída pelas crianças era também ela discriminatória uma vez que  	os calçados não podiam jogar à bola ou, então, fazê-lo só na baliza, num  	nivelamento grupal que a todos procurava igualizar, quer no <i>status</i> do  	momento lúdico em si mesmo, quer, porventura, sobretudo nas condições em que  	usavam uma das principais ferramentas de jogo, que os pés obrigatoriamente  	desnudados constituíam assim para todos da mesma maneira. </font>     <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Outras narrativas inserem-se no domínio da dramatização tão presente no  	lúdico, sobretudo quando se “prega uma partida” ou “se fazem disparates com  	a intenção de divertir o próprio ou divertir os outros” (Lavado, 1999,  	p.36), como bem expresso ficou nas narrativas esfusiantes dos Rodrigues do  	3.º estrato geracional (F10), no melodrama falhado do senhor Geraldo, dos  	Oliveira (F8), e na tentação irresistível de apropriação dos ‘rendimentos do  	culto’ para satisfação de gulodices e espírito colecionista do senhor  	Carlos, dos Massa (F7), estes dois últimos do 4.º estrato geracional (F8). 	</font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Noutro sentido vão os relatos que falam da distorção grave das regras que  	impunha a ordem social doméstica, habilmente contornada sem que aí se desse  	por isso (e. g. os Cerqueira – F2 – do 3.º estrato geracional), emergindo  	nesta narrativa transgressiva alguma instabilidade nas relações  	intergeracionais e, até, de resistência a condicionantes de acesso e até  	mesmo privação do que se produzia na casa com a ajuda do próprio trabalho  	das crianças, que, de todo, não era aceite por elas. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Relacionados com o princípio do prazer que está bem presente na experiência  	lúdica (Brougère, 2005) estão os contornos que assume o impulso que atrai as  	crianças para a bicicleta, advindo do que para elas representa um objeto que  	lhes proporciona autonomia, domínio do espaço e do tempo e da própria  	complexidade da máquina (e.g. o João Alberto, dos Abreu do 3.º estrato  	geracional, o seu homónimo dos Pimenta, do 2.ª estrato geracional, e o  	Adelino, dos Oliveira do 3.º estrato geracional). Aliás, a narrativa deste  	último encerra todos os pressupostos para que se possa considerar o momento  	do triunfo sobre a máquina, que ele, em tom épico, contou, o culminar de uma  	atividade que lhe produziu fluxo e conduziu, por isso, a uma <i>experiência  	ótima</i> (Csikszentmihalyi, 2000), pelo conjunto de competências,  	destrezas, regras complexas, concentração extrema, <i>performance</i> em  	contínua retroalimentação e prossecução de objetivos previamente traçados,  	que ele, com esforço denodado, conseguiu, felicíssimo, realizar com todo o  	êxito com que o sonhara fazer um dia, numa ação que lhe deu grande prazer  	levar a bom termo. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nestes fragmentos de memórias individuais, feitas, ao crescer, de saberes  	infantis acumulados cronologicamente no tempo por cada criança a partir da  	sua experiência e da experiência que dos seus ancestrais recolheu (Iturra,  	1998), que, pela partilha de recordações tidas como relevantes pelos atores  	que as quiseram contar no grupo e pelo registo que aqui delas é dado, se  	tornam também memória social (Fentress &amp; Wickham, 1992) fica, ainda, a  	anotação da dedicada entrega com que as crianças são capazes de desempenhar  	com competência tarefas exigentes, que só os “verdadeiros artistas”  	conseguem lograr <i>de</i> <i>per si</i> ou com um pequeno gesto de  	adestramento de um adulto, como bem expresso ficou da narrativa do João  	Alberto, dos Pimenta do 3.º estrato geracional (F9). </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Se as narrativas ao jeito das que para trás ficaram anotadas se apresentam  	como memória imaterial que permanece bem à tona das recordações que os  	informantes dos dois estratos geracionais mais antigos que as contaram  	trazem das suas infâncias, não é com este traço característico que nos  	estratos geracionais que se lhes seguem as evocações aparecem registadas.  	Por agora, para os mais novos, o baú da memória abre lugar à arca das  	recordações de infância, configuradas nos escaparates de um quarto de  	dormir, de estudo ou de brincar, quando não na escuridão de um sótão  	empoeirado ou nas prateleiras de uma garagem onde se expõem ou guardam os  	artefactos da brincadeira, sem que se possa perceber com que apego o fazem,  	sobrepujando resquícios de antanho através dos quais alguns quiseram  	preservar a memória material das suas infâncias (e.g. Araújo – F1 e Clara –  	F4, dos terceiros estratos geracionais respetivos), numa prática que se  	acentuou e avolumou na generalidade do segundo estrato geracional e na  	metade mais velha do primeiro, sem expressão, contudo, quando confrontados  	com a realidade de agora, mas, todavia, com o significado que faz deles  	evocações de um tempo que todos gostosamente recordam com saudade. </font>     <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">A memória lúdica imaterial dominante nos dois estratos geracionais mais  	distantes no tempo, construída tantas vezes à mistura com as vicissitudes da  	vida pela astúcia e pertinaz resistência das crianças às adversidades que  	lhes atravancavam o caminho, acaba por se materializar ao longo dos dois  	últimos, com particular intensidade nas crianças que nos são mais próximas  	no tempo.</font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Mesmo nas condições mais adversas, revoltadas pela condição social,  	intransigentes para com o cumprimento das regras, usando ardilosas  	estratégias para lograr os seus intentos ou, simplesmente, perseguindo sem  	limites os seus desejos, as crianças foram sempre capazes de abrir portas  	para que o fascínio do mundo lúdico pudesse entrar por cada uma delas dentro  	e elas nele penetrassem também. Outras, não muitas, puderam fazê-lo sem  	atropelos de maior. Contudo, por todas perpassou sempre um sentimento de  	grande prazer, mesmo quando não tenha sido fácil o caminho para lá chegar. 	</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">Na verdade, os adultos não se nos conseguiram contar como crianças sem uma  	evocação constante do lado lúdico das suas vidas, mesmo quando o tiveram que  	mesclar com as condições vivenciais ou outras marcas societais com que as  	suas culturas se cruzaram no vaivém que necessariamente se processa com as  	culturas geradas, conduzidas e dirigidas pelos adultos (Sarmento, 2006). </font>     <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Zelosos e assumidos mestres de um saber pericial, o saber lúdico, que na  	adultez conseguem olhar como o que de mais valioso e bem conseguido enquanto  	crianças tiveram e souberam realizar, verdadeiramente o melhor dos saberes  	infantis (Delalande, 2006), todos deixaram nesta marca expressa a primeira  	das instâncias em que se consubstanciam as culturas infantis, em todos os  	lugares, em todas as classes e em todas as sociedades a que as crianças  	pertencem e onde se integram plenamente (Benjamin, 2005). </font>     <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Quer pelas ações multiformes em que se pode consubstanciar, quer pelas  	estruturas que lhe dão as configurações aí conducentes, quer, ainda, pelo  	seu papel de mero objeto a que a imaginação de cada criança há de dar num  	momento dado um destino lúdico, o brinquedo é uma memória sempre presente,  	tanto nas narrativas, quanto nas outras representações materiais, como os  	informantes deixaram inquestionável quando, no jeito como o puderam fazer e  	viver, no-lo contaram. </font>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br></font> 	<font face="Verdana"><b>8. CONCLUSÕES</b> </font><font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> 	Nas suas peculiares culturas, a lúdica tem um primordial lugar na infância  	que cada criança vive inexoravelmente e constitui-se como alicerce que  	suportará a vida que depois dela lhe virá. Fá-lo num mundo que não lhe é  	estranho e não lhe passa despercebido e onde, consequentemente, procura  	refletir as suas vivências lúdicas, que as artes com que vai aprendendo a  	fazê-lo ajeitam com a força que o ofício de brincar transporta para dentro  	de cada pequeno brincante. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Esta realidade tem, provavelmente, o tempo do tempo do homem, a ver pelo  	jeito que as coisas atrás dadas a conhecer levaram na última centúria. </font>     <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">A brincadeira tem o seu tempo social histórico e nele se reflete muitas das  	vezes. Permanece, indelével, na memória de quem a vivenciou e dela ficou com  	a marca registada que, a espaços, como novidade, lhe perturbou a rotina  	lúdica que se ia trespassando intergeracionalmente. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">A brincadeira e os marcos temporais que se lhe achegam e, consequentemente,  	juntam à memória que dela necessariamente todos tomamos lembrança perene,  	tem sempre cabimento privilegiado no que de melhor nos vai ficando da vida. 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>    <br>    <br> </font>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana"><b>9. BIBLIOGRAFIA</b>  </font></p> 	<font face="Verdana" size="2"> 	    <!-- ref --><p>Barreto, A. (2009). <i>Quatro Décadas: da mudança à incerteza</i>. Lisboa:  	Academia das Letras de Lisboa. Recuperado em 2010-05-28, de  	<a target="_blank" href="http://www.acad-ciencias.pt/files/Memórias/António%20Barreto/abarreto_22_10_09.pdf">http://www.acad-ciencias.pt/files/Memórias/António%20Barreto/abarreto_22_10_09.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645507&pid=S2182-1372201400010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Benjamin, W. (2005). <i>Reflexões sobre a Criança, o Brinquedo e a Educação</i>.  	S. Paulo: Duas Cidades.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645508&pid=S2182-1372201400010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Brougère, G. (2005). <i>Jouer/Apprendre</i>. Paris: Economica Anthropos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645510&pid=S2182-1372201400010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Buckingham, D. (2002). <i>Crecer en la era de los medios electrónicos</i>.  	Madrid: Ediciones Morata e A Coruña: Fundación Paideia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645512&pid=S2182-1372201400010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Cardoso, G., Espanha, R. e Lapa, T. (2007). <i>E-Generation – Os usos de  	Media pelas crianças e jovens em Portugal</i>. Lisboa: CIES/ISCTE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645514&pid=S2182-1372201400010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Castells, M. (2002). <i>A Sociedade em Rede</i>. Lisboa: Fundação Calouste  	Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645516&pid=S2182-1372201400010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Corbin, Al. (1995) Cordes, C. e Miller, E. (2008). <i>Fool’s Gold: A  	Critical Look at Computers in Childhood (Report)</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645518&pid=S2182-1372201400010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> USA: Alliance for  	Childhood.</p> 	 	    <!-- ref --><p>Cordes, C. e Miller, E. (2008). <i>Fool’s Gold: A Critical Look at Computers  	in Childhood (Report)</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645520&pid=S2182-1372201400010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> USA: Alliance for Childhood.</p> 	 	    <!-- ref --><p>Corsaro, W. (2003). <i>Le Culture dei Bambini</i>. Bologna: Il Mulino.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645522&pid=S2182-1372201400010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Csikszentmihalyi, M.(2000). <i>Fluir</i>. Barcelona: Kairós.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645524&pid=S2182-1372201400010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>D’Amato, M. (2006). Les Nouveaux Paradigmes de L’Imaginaire des Enfants. In  	R. Sirota. <i>Élements pour une Sociologie de L’Enfance</i>. (pp. 285-294).  	Rennes: Presses Universitaires de Rennes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645526&pid=S2182-1372201400010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Danic, I. (2008). La Production des Cultures Enfantines. Ou la Culture  	Enfantine comme Realité Dynamique et Plurielle. <i>Interacções</i>, n.º 10:  	6-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645528&pid=S2182-1372201400010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Fentress, J. & Wickham, C. (1992). <i>Memória Social – Novas perspectivas  	sobre o passado</i>. Lisboa: Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645530&pid=S2182-1372201400010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Fernández, F.(1991). El Juego en la História como Elemento de Cultura. In T.  	Tripero (coord.), <i>Juegos, Juguetes y Ludotecas</i>. (pp.71-75). Madrid:  	Publicaciones Pablo Montesi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645532&pid=S2182-1372201400010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Franklin, B. (1793/2005). <i>Autobiography of Benjamin Franklin</i>.  	Pennsylvania: University of Pennsylvania Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645534&pid=S2182-1372201400010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Giddens, A. (2004). <i>Sociologia</i>. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645536&pid=S2182-1372201400010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>Iturra, R. (1998). <i>Como era quando não era o que sou – o crescimento das  	crianças</i>. Lisboa: Profedições.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645538&pid=S2182-1372201400010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Javeau, C. (2005). Criança, Infância(s), Criança(s): Que objecto dar a uma  	ciência social da infância? <i>Educação e Sociedade</i>, 26(91): pp.  	379-389.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645540&pid=S2182-1372201400010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Johnson, S. (2006). <i>Tudo o que é Mau Faz Bem</i>. Lisboa: Lua de Papel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645542&pid=S2182-1372201400010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Lavado, A. (1999). Mundos Paralelos – Lúdico e Representação do Real. <i>Arquivos da Memória</i>, 6/7: pp. 35-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645544&pid=S2182-1372201400010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 	 	    <!-- ref --><p>Papert, S. (1996). <i>A Família em Rede</i>. Lisboa: Relógio d’Água.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645546&pid=S2182-1372201400010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>Pastor, R. (1991). El Juego: de nuestros padres a nuestros hijos. In T.  	Tripero (coord.), <i>Juegos, Juguetes y Ludotecas</i>. (pp. 77-85). Madrid:  	Publicaciones Pablo Montesino.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645547&pid=S2182-1372201400010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Pinto, C. (1995). <i>Sociologia da Escola</i>. Amadora: McGraw – Hill, L.da.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645549&pid=S2182-1372201400010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Postman, N. (1994). <i>The disappearance of childhood</i>. New York: Vintage  	Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645551&pid=S2182-1372201400010000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Prensky, M. (2001). Digital Natives, Digital Immigrants. <i>On the Horizon</i>,  	9 (5): 1-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645553&pid=S2182-1372201400010000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <p>Sarmento, M. (2000). Os ofícios da Criança. In VV.AA. <i>Os Mundos Sociais e  	Culturais da Infância</i>. (Vol. II: pp.125-143). Braga: Instituto de  	Estudos da Criança da Universidade do Minho.</p> 	 	    <!-- ref --><p>Sarmento, M. (2006). Imaginário e Culturas da Infância. In M. J. Sarmento. 	<i>Sociologia da Infância – Relatório da Disciplina</i>. (157-171). Braga:  	Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645556&pid=S2182-1372201400010000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Turkle, S. (1995). <i>A vida no ecrã</i>. Lisboa: Relógio D’Água.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645558&pid=S2182-1372201400010000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	</font> 		    <p>&nbsp;</p>     <p align="left">  	<font size="2" face="Verdana"><a href="#topc0">Contacto</a><a name="c0"></a>: Alberto Nídio Silva, Av. Dr. António Ribeiro Guimarães,1180, 4730-715 VILA VERDE, Portugal</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	(recebido em setembro de 2013, aceite para publicação em outubro de 2013) 	 </font> 	<hr align="justify" size="1" width="&quot;33%&quot;"> 	<font face="Verdana"size="2"><b>NOTAS</b> </font><font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top1">[1]</a><a name="1"></a> Saídos do detalhe de um estudo qualitativo mais abrangente (Silva,  		2012). 	</font> 		    <p align="justify"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top2">[2]</a><a name="2"></a> A roda livre foi criada para oferecer maior conforto ao ciclista.  		Este dispositivo permitia interromper a pedalada especialmente em  		descidas, em trajetos com vento a favor e em alguns momentos de calma na  		corrida. As mudanças permitem o aproveitamento de várias engrenagens e  		com isso imprimir maiores velocidades. É a última invenção que  		aperfeiçoou tecnicamente a bicicleta. Confere documento consultado em 22  		de maio de 2010 em 		<a target="_blank" href="http://www.tudosobrerodas.pt/i.aspx?imc=2489&ic=5785&o=3919&f=5785">http://www.tudosobrerodas.pt/i.aspx?imc=2489&amp;ic=5785&amp;o=3919&amp;f=5785</a>. 		</font> 		    <p align="justify"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top3">[3]</a><a name="3"></a> “Conduta imprópria de um homem educado” (tradução nossa) 	</font> 		    <p align="justify"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top4">[4]</a><a name="4"></a> “A partir de 1880, propaga-se um futebol diferente deste modelo  		elitista que se inscreve na filiação dos exercícios e dos jogos de  		origem aristocrática. Este novo rosto de um desporto com quase trinta  		anos de idade resulta da vontade, expressa pelos membros da ‘upper midle  		class’ de promover ‘rational recreations’. O seu objetivo é conter e  		canalizar a força, a destreza e a violência populares graças à criação e  		ao desenvolvimento de exercícios físicos rigorosamente codificados. Pela  		mesma altura, exprime-se nestes meios a vontade de restringir os espaços  		dos lazeres populares considerados demasiado erráticos. Este projeto de  		aculturação, de controlo das pulsões elaborado no seio da classe média é  		realizado por desportistas vindos das ‘public schools’. Estes  		empenham-se em mostrar aos trabalhadores das fábricas, das docas e dos  		entrepostos que há outras atividades físicas e outros jogos diferentes  		da marcha, do remo, do lançamento de bolas ou de dardos. Depressa os  		trabalhadores se apropriam do novo desporto que assim escapa aos seus  		promotores […] A implantação do futebol opera-se no âmbito da empresa  		ou, mais frequentemente, no da paróquia, seja esta anglicana ou não  		conformista” (Corbin, 1995d, p.264-265). 	</font> 		    <p align="justify"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top5">[5]</a><a name="5"></a>  Versão popular de metade de um escudo (cinquenta centavos), unidade  		monetária portuguesa ao tempo, hoje valendo qualquer coisa como ¼ de  		cêntimo de euro, se é que tal ‘câmbio’ se pode exercitar sequer. 	</font> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top6">[6]</a><a name="6"></a>  “Era um país fechado. Um Estado autoritário. E um povo inculto. Era  		Portugal do início dos anos sessenta. Pequeno, pobre e periférico. País  		rural, quarenta por cento da população, mais do que qualquer outro na  		Europa ocidental. Uma alta natalidade estava na origem da população mais  		jovem do continente. Uma obscena mortalidade infantil (mais de oitenta  		por mil) e uma esperança de vida reduzida (sessenta anos para os homens  		e sessenta e cinco para as mulheres) denunciavam o atraso social e  		económico. Os horizontes eram fechados, a escola medíocre e  		insuficiente, a saúde pública quase inexistente, poucos os empregos  		industriais e a liberdade diminuta. A maior parte dos agregados  		domésticos não tinha acesso aos serviços públicos de água, de  		eletricidade ou de saneamento. As infraestruturas eram pobres e  		ineficazes, as deslocações eram difíceis. Os portugueses viajavam pouco  		dentro do seu próprio país. O número de analfabetos elevava-se a  		quarenta por cento da população. Legalmente oprimidas, as mulheres  		tinham poucos empregos (apenas quinze por cento da população ativa),  		eram mantidas à margem do espaço coletivo e não tinham o mesmo estatuto  		de cidadania que os homens: viviam e morriam, em maioria, fechadas nas  		suas vidas domésticas. Era assim que viviam os portugueses há cinquenta  		anos” (Barreto, 2009, pp. 4-5). 	</font>      ]]></body><back>
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