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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article will address the social relations of babies through playing, in the sense of pointing indicators for teaching in childhood education with very young children. The theoretical and methodological framework lies in the dialogue between the areas of Pedagogy and Sociology of Childhood. Based on an investigation of the social action of babies in the nursery, which had as its central concern to get to know the babies and their actions in order to think about pedagogical practice with very young children. This is an ethnographic study with a group of babies and professionals who worked with them in a daycare center in Braga. In order to understand the structuring of social relations and actions by babies, participant observations were developed, with records in a field diary and video, allowing for a very fruitful approach to everyday experiences of children.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Cet article abordera les rapports sociaux des bébés à partir du jeu, afin d’apporter des indications pour l’enseignement de très jeunes enfants. Le cadre théorique et méthodologique se situe dans l’interlocution entre les domaines de la pédagogie de l’enfance et de la sociologie de l’enfance. Il s’appuie sur une recherche sur l’action sociale des bébés en crèche, dont l’intérêt central était de connaitre les bébés et leurs actions dans le sens de penser la pratique pédagogique auprès de très jeunes enfants. Il s’agit d’une étude ethnographique auprès d’un groupe de bébés et de professionnels qui travaillaient avec eux, dans une crèche de Braga. Afin de comprendre comment les bébés structurent leurs actions et leurs rapports sociaux, des observations participantes ont été développées, des notes ont été prises dans un carnet de bord et des images ont été enregistrées en vidéo, ce qui a permis de se rapprocher profitablement des expériences quotidiennes des enfants.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="right"><font face="Verdana"><b><font size="4">ARTIGOS</font></b> </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana"> 	<b><font size="4">Os bebês e a brincadeira: 	questões para pensar a docência</b></font></h1> </font></p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><b>Angela Scalabrin Coutinho</b></b>      <br> </font><font size="2" face="Verdana">Departamento Teoria e Pratica de Ensino, Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre  	a Educação Infantil e Infância NEPIE/UFPR e do Núcleo de Estudos e Pesquisas  	da Educação da Pequena Infância NUPEIN/UFSC, Universidade Federal do Paraná,  	Setor de Educação – UFPR</font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><a href="mailto:angelamscoutinho@gmail.com">angelamscoutinho@gmail.com</a> &nbsp;    <br> 	</font> 	</p> 	<a name="topc0"><a href="#c0">Contacto</a></a>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	<b>RESUMO </b></font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este artigo abordará as relações sociais dos bebês a partir  	da brincadeira, no sentido de apresentar orientações para a docência na  	educação infantil com crianças bem pequenas. O quadro teórico metodológico  	se situa na interlocução entre as áreas da Pedagogia da Infância e da  	Sociologia da Infância. Toma por base uma investigação sobre a ação social  	dos bebês na creche, que tinha como preocupação central conhecer os bebês e  	as suas ações no sentido de pensar a prática pedagógica junto das crianças  	bem pequenas.     <br> 	Trata-se de um estudo etnográfico com um grupo de bebês e profissionais, que  	com eles atuavam, numa creche em Braga. Para a compreensão da estruturação  	das ações e relações sociais pelos bebês foram desenvolvidas observações  	participantes, com registos em diário de campo e vídeo, o que permitiu uma  	aproximação bastante profícua das experiências cotidianas das crianças.     <br> 	    <br> 	<b>Palavras-Chave</b>: docência, bebês, sociologia da infância, relação  	social, brincadeira</font></p>         <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	<b>ABSTRACT </b></font></p> 	    <p><font face="Verdana" size="2">This article will address the social relations of babies  	through playing, in the sense of pointing indicators for teaching in  	childhood education with very young children. The theoretical and  	methodological framework lies in the dialogue between the areas of Pedagogy  	and Sociology of Childhood.     <br> 	Based on an investigation of the social action of babies in the nursery,  	which had as its central concern to get to know the babies and their actions  	in order to think about pedagogical practice with very young children. This  	is an ethnographic study with a group of babies and professionals who worked  	with them in a daycare center in Braga. In order to understand the  	structuring of social relations and actions by babies, participant  	observations were developed, with records in a field diary and video,  	allowing for a very fruitful approach to everyday experiences of children. 	    <br>         <br> 	<b>Keywords</b>: teaching, babies, sociology of childhood, social relation,  	playing </font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	<b>RÉSUMÉ </b></font></p> 	    <p><font face="Verdana" size="2">Cet article abordera les rapports sociaux des bébés à partir  	du jeu, afin d’apporter des indications pour l’enseignement de très jeunes  	enfants. Le cadre théorique et méthodologique se situe dans l’interlocution  	entre les domaines de la pédagogie de l’enfance et de la sociologie de  	l’enfance. Il s’appuie sur une recherche sur l’action sociale des bébés en  	crèche, dont l’intérêt central était de connaitre les bébés et leurs actions  	dans le sens de penser la pratique pédagogique auprès de très jeunes  	enfants.     <br> 	Il s’agit d’une étude ethnographique auprès d’un groupe de bébés et de  	professionnels qui travaillaient avec eux, dans une crèche de Braga. Afin de  	comprendre comment les bébés structurent leurs actions et leurs rapports  	sociaux, des observations participantes ont été développées, des notes ont  	été prises dans un carnet de bord et des images ont été enregistrées en  	vidéo, ce qui a permis de se rapprocher profitablement des expériences  	quotidiennes des enfants.     <br> 	    <br> 	<b>Mots-clés</b>: enseignement, bébés, sociologie de i’enfance, rapports sociaux,  	jeu 	</font></p>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana" size="2"><b>1. INTRODUÇÃO </b></font> 	    <p> 	<font face="Verdana" size="2">Este artigo aborda as ações sociais dos bebês a partir das suas experiências  	cotidianas nas brincadeiras. O faz com interesse em dar visibilidade a uma  	das dimensões centrais no trabalho pedagógico: criar condições para que as  	crianças elaborem, na relação entre elas, diversas situações de brincadeira,  	já que esta é parte fundamental do seu processo de socialização. </font></p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	Embora haja esse reconhecimento, quando se trata de crianças menores de 3  	anos, a compreensão sobre o que é o brincar, de modo geral, é bastante  	limitada. A conceção que predomina está baseada numa perspetiva de  	desenvolvimento que reconhece na criança bem pequena apenas a ação sobre  	objetos e não uma relação complexa com pares e contextos. </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	Mais do que questionar tal perspetiva, este artigo tem como objetivo dar  	visibilidade a ações complexas das crianças nas situações de brincadeira,  	que envolvem o contexto educacional da creche em sua totalidade, estrutura,  	objetos, tempos e sujeitos, tanto crianças quanto adultos, na perspetiva de  	apresentar orientações para a atuação docente com crianças bem pequenas. </font> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	A partir da interlocução entre e a pedagogia da infância e sociologia da  	infância, será tomada por base uma etnografia desenvolvida durante 14 meses  	com um grupo de bebês <a href="#1">[1]</a><a name="top1"></a> de uma creche na cidade de Braga, através da qual,  	mediante observações participantes com registos em diário de campo e vídeo,  	ocorreu uma aproximação bastante profícua das experiências cotidianas das  	crianças. </font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"> 	Tendo como foco principal a relação social entre os bebês, procurou-se  	compreender como estruturam suas ações sociais nas relações cotidianas com  	outras crianças no contexto da creche, no sentido de se pensar sobre a  	prática pedagógica com as crianças de 0 a 3 anos. Nesse quadro de análise,  	elementos como a brincadeira e as relações entre os bebês se configuram como  	relevantes para a reflexão.     <br> 	</font></p>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana" size="2"><b>2. AS BRINCADEIRAS DOS BEBÊS NA CRECHE</b></font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Para iniciar esta secção é tomada por base uma citação de Allison e Adrian  	James (2008), que afirmam que:</font>    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>Na perspectiva dos estudos da infância, a brincadeira é um conceito central  	não apenas porque é tão fortemente implicado nas definições de infância e  	‘de criança’, mas também porque, muitas vezes, as brincadeiras das crianças  	fornecem um dos contextos mais importantes para a investigação focada na  	criança, que permite a introspecção nos seus mundos sociais (p. 100). </i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Essa discussão revela-se importante quando tratamos especificamente de  	meninos e meninas bem pequenos/as, que têm suas experiências de brincadeira  	muitas vezes restritas – ainda que por vezes teoricamente - à exploração de  	objetos e do seu próprio corpo. Concordamos com o facto de essas  	experiências estarem presentes e serem recorrentes, tanto que as abordaremos  	inicialmente, procurando percebê-las na lógica de ação das crianças, mas  	também nos interessa perceber que outras experiências associadas ao ato de  	brincar são vividas pelos bebês. Poderemos falar em brincadeiras de  	faz-de-conta com crianças tão pequenas? Recorreremos às situações observadas  	para abordarmos tais questões. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nos cabe inicialmente indicar que, ao dar significado às ações, as crianças  	estruturam suas experiências cotidianas fazendo escolhas. Por outro lado,  	enquanto uma brincadeira pode ocorrer uma única vez, outras podem se  	repetir, criando uma rotina de jogos. Bachelard (1994), inspirado em  	Roupnel, questiona: “o que é que permanece, o que é que dura? Apenas aquilo  	que tem razões para recomeçar. Assim, ao lado da duração pelas coisas, há a  	duração pela razão” (p. 8). Essa ideia nos ajuda a problematizar a  	brincadeira das crianças bem pequenas: o recomeço de uma brincadeira com o  	mesmo repertório e/ou os mesmos objetos e/ou os mesmos parceiros significa a  	atribuição de uma razão para que ela torne a acontecer? Qual o sentido da  	reiteração no que se refere ao ato de brincar destas crianças? </font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">A observação das crianças no espaço da creche permitiu-nos perceber que  	muitas brincadeiras se repetem, seja no que tange um dos elementos  	supramencionados ou na sua articulação, e essa repetição nos remete para a  	estruturação de uma ordem social pelas crianças, ou seja, relações sociais  	que estão alicerçadas em regras de ação relacionadas ao contexto social, mas  	estruturadas pelas próprias crianças a partir da recorrência do seus  	encontros. Essa característica é bastante importante, porque, quando  	analisamos longitudinalmente a ordem social instituída e instituinte na  	turma observada, percebemos que muitas das situações em que prevalece a  	ordem das crianças ou até uma ordem híbrida (crianças e adultos) são de  	brincadeira. </font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">A brincadeira aqui é tomada como atividade social, dotada de significado a  	partir e na relação com uma dada cultura, como afirma Brougère (1998, p.  	21):</font>    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>Se é verdade que há a expressão de um sujeito no jogo, essa expressão  	insere-se num sistema de significações, em outras palavras, numa cultura que  	lhe dá sentido. Para que uma atividade seja um jogo é necessário então que  	seja tomada e interpretada como tal pelos atores sociais em função da imagem  	que têm dessa atividade. </i> </font> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">A identificação de recorrentes situações de brincadeira no cotidiano das  	crianças na creche decorre desta perceção do que é o brincar, mas nos coloca  	o desafio de compreendê-lo situado num dado contexto cultural e a sua  	organização por parte de atores que até há pouco tempo eram considerados  	pouco competentes para viver essas experiências.</font></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><b>2.1 A BRINCADEIRA ENQUANTO FRUIÇÃO E A BRINCADEIRA COLETIVA</b></font></P> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>A ampliação da compreensão em torno das competências sociais dos bebês  	relativas às situações de brincadeira decorre, sobretudo, de uma ampla  	observação daquilo que fazem no contato com seus pares em instituições de  	educação. Essa era <a href="#2">[2]</a><a name="top2"></a> uma indicação de Musatti (1987) ao tratar da questão  	da brincadeira e das interações entre os bebês em creche, referindo a  	necessidade de se estudar o comportamento social das crianças em relação aos  	seus coetâneos, num ambiente social real (p.10). </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Seguindo as pistas de Musatti (1987), centramo-nos nas ações das crianças e,  	neste caso, mais especificamente nas situações de brincadeira, que nos  	revelaram estar associadas a dois movimentos: o de encontro e o de fruição.  	O primeiro nos chama a atenção para a ação social das crianças no espaço da  	creche. O segundo chama-nos para outro debate, que se relaciona diretamente  	com o primeiro, mas ainda tem pouco eco dentro das instituições de educação  	infantil: o direito à apreciação, ao isolamento e à atividade solitária. Não  	que as brincadeiras no coletivo não permitam a fruição, mas ela é também  	bastante manifesta quando as crianças se encontram brincando sozinhas, ao  	manipularem determinados objetos, ao brincarem com o próprio corpo. </font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Tomaremos como base para a análise a brincadeira com os lenços, uma  	brincadeira recorrente no grupo observado. Brincar com os lenços aparece  	para nós como um jogo teatral, que, do nosso ponto de vista, sempre tem  	razões para recomeçar: eles compõem um belo cenário ao serem levantados,  	movidos pelo ar que se contrapõe à sua leveza ao descer no sentido de tocar  	o chão, uma boneca ou algum outro objeto que os aguarda. Eles aparecem  	também como um convite à brincadeira: há muitos lenços, de várias cores, de  	várias texturas, de vários tamanhos, cada qual escolhe o seu, ou escolhe os  	seus, e, numa ação coordenada, esses lenços ganham movimento, sincronia e um  	lugar especial nas elaborações das crianças. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">No grupo observado, principalmente quando essas crianças se encontravam no  	grupo 1B, alguns elementos, como a organização do espaço e a disposição de  	objetos para a elaboração de repertórios variados, asseguraram a  	possibilidade de escolha dentro de um cotidiano estruturado para que elas  	vivenciassem variadas experiências. Os lenços ocuparam um lugar especial  	pela sua variedade, acessibilidade e pela possibilidade de brincadeiras que  	os permitiam. </font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Eles eram eleitos constantemente pelas meninas como constituintes das suas  	brincadeiras, e entre os meninos, Gastão era um dos únicos que fazia essa  	escolha com certa frequência. Os usos, às vezes, eram percetíveis e diretos:  	serviam para ser utilizados na cabeça como adorno, para enrolar um bebê,  	como toalha na mesa. Em outros momentos, a observação se deixava levar pelo  	movimento dado aos lenços e se desprendia da busca pelo significado  	atribuído pelas crianças: soltar o lenço, balançá-lo e estendê-lo no chão,  	colocá-lo sobre o rosto, enrolá-lo no outro.     <br>As brincadeiras com o lenço no coletivo tinham repertórios bastante  	variados; nas cenas registadas pudemos observar coreografias que envolviam  	os lenços e os corpos; levantá-los e suavemente encostá-los ao chão parecia  	ser uma ação recorrente, assim como enrolá-los em torno dos “bebês”. Luísa,  	Joana, Anita, Rita e Catarina eram as que mais os utilizavam com essas  	finalidades. Maria geralmente brincava sozinha com os lenços e recorria a  	eles constantemente para cobrir os bebês, os cavalinhos, enrolar-se ou  	apenas retirá-los da caixa em que ficavam:      <p>&nbsp;</p> <a href="/img/revistas/inp/v4n1/4n1a03f1.jpg">Figura 1: Brincadeira da Maria com o lenço – 24/11/2008 </a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p>A experiência solitária de Maria remete para a ideia de fruição que  	indicávamos há pouco: envolvida com/no lenço, ela abstraía-se do entorno e  	entregav-se ao entrelaçamento do seu corpo com o lenço. Atribuímos  	importância a essa reflexão porque, embora o espaço da creche venha sendo  	anunciado como aquele que possibilita o encontro entre os pares, espaço  	privilegiado para a elaboração de culturas pelas crianças, ele também é um  	espaço onde as crianças passam um longo tempo de vida e, portanto, também é  	um lugar para se estar só, quando esse for o interesse. </p></font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Por fruição entendemos a possibilidade de tirar  	proveito de algo, gozar da sua posse, da sua contemplação e do seu uso. Assim, a fruição aparece como  	experiência, como a vivência da subjetividade do sujeito, que permite  	elaborar e reelaborar a sua realidade. A fruição é constitutiva dos  	processos de criação, nos quais a intuição tem um papel fundamental e  	fundante, é o sujeito levado pela sua subjetividade, pelos seus sentimentos.  	Ostrower (1977) afirma que “intuitivos, esses processos se tornam  	conscientes na medida em que são expressos, isto é, na medida em que lhes  	damos uma forma” (p. 10). </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">A brincadeira é, por princípio, uma experiência interativa, de troca, mas  	também pode ser uma experiência de fruição, desde que o espaço, o tempo e as  	demais pessoas que se encontram no mesmo lugar conjuguem esforços para que  	isso seja possível. A tendência, em espaços educativos do tipo creche, é  	julgar a experiência de estar sozinha como algo negativo para a criança,  	quase como um movimento de ostracismo. No entanto, desde que o brincar  	sozinha seja uma escolha da criança e não uma condição imposta pelo grupo,  	essa escolha deve ser respeitada, assim como as condições para que ela  	ocorra devem ser criadas pelos profissionais. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Mais do que saber brincar com o outro, coloca-se, neste caso, a escolha  	entre querer ou não brincar com o outro, já que não se trata de uma  	competência sociocognitiva relacionada com o saber brincar, mas de uma  	competência social em que a escolha aparece como possibilidade  	latente. O envolvimento de Maria na cena há pouco apresentada é revelador de  	que brincar sozinha com algum outro elemento também permite que a criança  	viva experiências singulares. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Pais (2006), em suas deambulações sociológicas sobre a solidão,  	distingue <a href="#3">[3]</a><a name="top3"></a>, a partir de José – “o velho das barbas”, sujeito de seu estudo  	- os sentidos de solidão e de estar só: “a solidão diz respeito a um estado  	(interior) de subjectividade, enquanto que o «estar só» se refere mais a uma  	situação (exterior) visível e objectiva” (p. 18). Pais (2006) faz referência  	aos poetas e devotos da Idade Média que procuravam espaços reservados onde  	podiam desfrutar de um “isolamento desejado”. O isolamento, então, pode ser  	entendido como “expressão da liberdade de cada um em querer estar só” (p.  	18). Já a solidão “é um sentimento de quem não pode assumir uma autonomia de  	vida, nem ajudas que preencham esse desígnio” (p. 18). </font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, tomamos emprestada essa ideia de «estar só» a partir de José,  	apreendida na sagacidade do olhar e da escuta de Pais (2006), bem como  	traduzida na sua escrita, para indicar que essa é uma escolha do sujeito,  	que, consciente do seu desejo de estar só, busca no espaço-e-tempo coletivos  	lugar para usufruir do contato consigo mesmo. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Na educação infantil brasileira, esse é um dos critérios expressos no  	documento “Critérios para um atendimento em creche que respeite os direitos  	fundamentais das crianças” (1995)<a href="#4">[4]</a><a name="top4"></a>, que, ao tratar do direito das crianças  	à atenção individual, indica que: “Nossas crianças têm direito a momentos de  	privacidade e quietude” (p. 16). </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Embora não se refira especificamente às situações de brincadeira, já que no  	critério relativo ao brincar só há menção à manutenção da organização das  	salas para que permitam as brincadeiras espontâneas e interativas, o que não  	inclui obrigatoriamente as brincadeiras solitárias, entendemos que o direito  	aos momentos de privacidade e quietude inclui o brincar, ainda que o fato de  	«estar só» não implique obrigatoriamente quietude. As imagens de Maria  	revelam um «estar só» em que o envolvimento e a fruição relativa à  	experimentação dos lenços lhe conferem certo movimento, que rompe com a  	ideia de quietude, mas não de estar em contato consigo mesma. </font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Pais (2006) refere que a valorização da interação social justifica-se pelo  	fato de a vida ser simultaneamente individual e social, e ser na  	convivência, ou na falta dela, que ocorre a afirmação das individualidades  	que se projetam no outro, que, por sua vez, se projeta nas individualidades,  	ainda que sua presença ocorra na ausência. </font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Desse modo, podemos considerar que a busca por espaços para estar só em um  	contexto marcado pela coletividade permite experimentar a dimensão  	individual no social. No âmbito da ação social, embora entendamos que a  	presença de um outro que significa a ação é fundamental, a dimensão do  	olhar, da contemplação e da fruição ocupa um lugar importante, em que o  	estar só revela-se como possibilidade de uma perceção do outro em torno do  	interesse daquele que se isola. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Já a brincadeira, enquanto encontro, é reconhecida como uma experiência  	privilegiada de interação e de produção de cultura. Nesse sentido, situamos  	a maioria das brincadeiras coletivas desenvolvidas pelos meninos e meninas  	observados como sendo de faz-de-conta, em que repertórios que transitavam  	entre o real e o imaginário eram constantes. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Ao abordar a imaginação de crianças pequenas, Harris (2002, p. 225) afirma  	que quando “[…] estão envolvidas em um jogo simbólico, elas se mostram  	capazes de imaginar as transformações psíquicas que não ocorrem realmente,  	mas que são, porém, perfeitamente compatíveis com as que ocorrem na  	realidade”. Ao fazer tal afirmação, Harris (2002) recorre a vários estudos  	desenvolvidos na década de 90 do século passado, contrariando teorias da  	psicologia e da psicanálise desenvolvidas por Piaget e Freud, que consideram  	o bebê como “desconectado do mundo objetivo e suscetível de ser absorvido  	pelo mundo imaginário de maneira pouco realista” (p. 224). </font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nessa perspetiva, Corsaro (2002) define o brincar colaborativamente de  	faz-de-conta como “brincar sociodramático”, na medida em que as crianças  	reportam para as suas brincadeiras experiências das suas vidas reais. Mas  	há, de acordo com Ferreira (2004), outras denominações para a experiência de  	brincar de faz-de-conta. De acordo com a autora, o próprio Corsaro  	diferencia o jogo sociodramático do jogo de fantasia, sendo o último baseado  	em narrativas de ficção. Sawyer (1997) aborda o faz-de-conta como  	improvisação e James (1993) indica que não há brincadeira sem regras, nem  	jogo sem imaginação. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">As diferentes classificações e denominações relativas ao brincar tomam por  	base os repertórios e diferentes modos de estruturação das brincadeiras  	pelas crianças, que recorrem a variados recursos sociais e culturais –  	simbólicos e materiais - para suas elaborações. Mais do que optar por uma  	dada classificação e denominação da brincadeira de faz-de-conta, buscamos  	compreendê-la no âmbito da elaboração cultural das crianças bem pequenas.  	Nos aproximamos da ideia de James (1993), na medida em que compreendemos, a  	partir da observação das crianças, que a imaginação é um traço constitutivo  	do faz-de-conta. Assim, defendemos que o faz-de-conta põe em relação a  	imaginação e a realidade; é um campo de ação incerto, mas que tem em si uma  	prerrogativa: <i>ninguém cria do nada</i>. Essa também é a base da ideia da  	imaginação, que se relaciona às experiências de faz-de-conta, já que “[…] a  	imaginação é, em rigor, uma representação […] uma nova apresentação de  	imagens” (Mora, 1977, p. 197), ou seja, recorre às dimensões da memória –  	que permite acionar as experiências, assim como da representação, já que  	costuma combinar elementos que foram previamente representações sensíveis. 	</font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Vigotsky (1996) afirma que as crianças:  	    <blockquote> 	    <br><i>Não se limitam em seus jogos a recordar experiências vividas, senão que as  	reelaboram criativamente, combinando-as entre si e edificando com elas novas  	realidades de acordo com suas inclinações e necessidades. […] Esta faculdade  	[…] de combinar o antigo com o novo, assenta as bases da criação. (p. 12)</i></font></blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>Um acréscimo necessário à ideia de que as crianças recorrem ao antigo para  	elaborar o novo de acordo com suas “inclinações e necessidades”, é que, no  	contexto da brincadeira coletiva, essas inclinações e necessidades não  	dependem unicamente de um sujeito, mas de uma negociação entre diferentes  	sujeitos e das condições encontradas. Portanto, a criação não está apenas  	vinculada às experiências individuais de cada sujeito e à sua capacidade de  	elaboração de algo novo, mas também a várias condicionantes de ordem  	material e simbólica. </font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Isso porque o brincar de faz-de-conta requer que meninos e meninas recorram  	a repertórios individuais, que na negociação da composição da brincadeira  	ganham um caráter social coletivo, em que vários atores tomam posse dessa  	informação para compor papéis e um enredo. Mediante a análise de situações  	variadas de brincadeiras é possível inferir que algumas crianças conseguem  	manifestar de modo mais claro seus repertórios individuais, ou possuem  	estratégias comunicacionais que as colocam em um lugar privilegiado no que  	se refere à decisão da ação coletiva. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Essa prevalência das experiências de algumas crianças na composição de  	repertórios de faz-de-conta também contribui para que algumas brincadeiras  	se repitam e que seus contornos variem pouco. Ao observar as brincadeiras  	coletivas de faz-de-conta das crianças bem pequenas, percebemos uma larga  	recorrência de brincadeiras em torno do fazer compras e de casinha. A partir  	da análise dessas situações pudemos perceber que um dos motivos para a  	grande presença destas brincadeiras é a existência de objetos que  	contribuíam para o seu desenvolvimento, mas consideramos que a principal  	questão centra-se nas experiências cotidianas das crianças, em que, imersas  	em contextos de vida em que repertórios sociais em torno das compras e da  	casa, especificamente da cozinha, estão muito presentes. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">O fato é que, como geralmente havia grande adesão por parte das crianças às  	brincadeiras propostas, já que se tratam de situações provavelmente  	vivenciadas por todas (ou pela maioria) em suas vidas cotidianas, foram  	observadas poucas situações de descontentamento ou até mesmo de contestação  	das decisões e a maioria dos conflitos observados disse respeito à disputa  	de objetos e/ou de espaço físico: </font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>[…] Luísa faz de conta que está a comer. Anita e Gastão mexem nas louças.  	Anita pega em uma xícara de Luísa, que logo grita. Anita diz: Arruma a  	mesa, arruma a mesa, mas Luísa continua a gritar e a Anita tenta  	argumentar que é para arrumar a mesa, em seguida diz: a mesa pequenina.  	Na mesa pequena Sofia diz para a investigadora que o jantar já está pronto;  	quando a investidora diz que não há pratos, ela desloca-se e mostra onde  	eles estão. Ela traz dois pratos e pergunta: quer papinha? Sofia e  	Rita disputam os pratos. A auxiliar intervém. Luísa e Anita saem da mesa  	maior e vão para a mesa pequena com Sofia e Rita. Sofia envolve a  	investigadora na brincadeira dando-lhe um prato para comer, a câmara a  	partir desse momento fica fixa. Há sobre a mesa duas bonecas bebés e estão  	na mesa a brincar Luísa, Sofia e Inês. Luísa pega um bebé ao colo e Inês  	chama a investigadora tocando-lhe para indicar que quer aquele bebé para  	brincar. Luísa diz que não. Sofia pega o outro bebé e sai da mesa. […] Luísa  	senta o bebé na mesa, mas o deixa virado para Inês, embora seja ela a  	alimentá-lo, parece que Inês se satisfaz com a saída dada pela Luísa à  	situação. Luísa conversa bastante com o bebé enquanto o alimenta. Inês  	também alimenta o bebé, mas parece ter a perceção de que a prioridade é da  	Luísa, pois espera os pequenos momentos entre uma ação e outra da Luísa. Um  	tempo depois Luísa afasta-se e Inês fica a alimentar o bebé sozinha.  	(Registo em vídeo, 24/04/2009).</i></font></blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>De modo geral, no excerto apresentado, percebe-se que os papéis assumidos  	relacionam-se com os repertórios culturais e sociais das crianças: o fato de  	Anita ter o conhecimento de que para uma refeição deve-se arrumar a mesa  	parte da sua experiência – direta ou de observadora. Assim como o fato de  	Luísa conversar com a boneca enquanto a alimenta deve estar relacionado com  	as experiências da menina. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Em ambas as situações as meninas parecem influenciar a ação das demais  	crianças, indicando que o domínio de determinados conhecimentos em torno de  	comportamentos sociais permite que a sua efetivação, mediante ações sociais  	engendradas na coletividade, lhes atribui certo grau de poder e legitimidade  	frente ao grupo. </font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Entender a brincadeira como “encontro” também significa considerar que os  	encontros são marcados por relações assimétricas, em que os atores ocupam  	diferentes lugares sociais, ainda que essas ocorram no plano do  	faz-de-conta. A escolha dos papéis, o lugar ocupado na brincadeira – quem  	estrutura e indica o “roteiro” a seguir, quem participa da brincadeira  	colaborando de modo periférico, quem segue as ações do(s) outro(s) –  	relacionam-se com essa assimetria. </font> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">O fato de efetivarem determinados comportamentos sociais em situações de  	faz-de-conta dá contornos específicos à ação: a atribuição de sentido pelo  	outro demanda uma série de critérios, pois não se trata de uma situação real  	da vida cotidiana, mas de uma situação que transita entre o real e o  	imaginário. Nesse sentido, como considerar que o outro orienta a ação e  	atribui sentido à mesma? </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Na cena há pouco apresentada é possível observar conexões entre algumas  	ações, como é o caso da interação entre Inês e Luísa; no entanto, os demais  	acontecimentos remetem para a ocupação simultânea do mesmo espaço, mas não  	obrigatoriamente para o compartilhamento dos mesmos sentidos, já que Anita,  	Rita e Sofia agem independentemente de Luísa e Inês, embora as díades Anita  	e Luísa e Rita e Sofia tenham momentos de disputa, esses parecem  	acontecimentos pontuais que não chegam a determinar o <i>continuum</i> da  	ação. </font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Mas, se analisarmos especificamente a interação entre Luísa e Inês, não  	teremos dúvida de que se trata de uma ação social, já que ambas agem  	orientadas pela ação uma da outra. Embora Weber ([1921] 1991) não distinga a  	ideia de ação social para os acontecimentos pontuais ou situações  	duradouras, nos interessa neste estudo conhecer a ação social das crianças  	situadas no fluxo dos acontecimentos. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nessa perspetiva, ao ponderarmos o papel dos adultos consideramos, por um  	lado, as situações de brincadeira como espaços privilegiados para uma  	aproximação às ações das crianças, isso porque há uma forte tendência para  	estarem em contato umas com as outras e a terem um comportamento dirigido ao  	outro. Por outro lado, temos o desafio da compreensão e ao mesmo tempo da  	manutenção de certo distanciamento deste espaço de ação, que se mostra como  	uma arena de atuação das crianças, uma arena com uma complexa teia de  	significação e de gestão. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">O distanciamento dos adultos é entendido como necessário, mas não  	determinante ou irrevogável, até porque as próprias crianças, como fez a  	Sofia, envolvem os adultos nas situações de brincadeira. Mas, manter-se “de  	fora” da situação, principalmente em uma situação de investigação, permite  	que - naquilo que podemos compreender como uma margem de menor influência  	num estudo com a subjetividade e com a relação próxima como o etnográfico –  	as ações sigam seu fluxo. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Não só especificamente na relação com a investigadora, mas, de modo geral,  	com os adultos da instituição, podemos indicar que a autonomia de ação das  	crianças era algo bastante presente, principalmente quando frequentavam o  	grupo 1B, em que os adultos lhe conferiam poder de decisão e escolha. Esse  	traço da estrutura revela que a reiteração de algumas situações ocorria por  	escolha das próprias crianças, que se organizavam – como já afirmamos,  	geralmente autonomamente - estruturando suas ações:</font> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2"><i>[…] Na mesa […] estão Sofia, Rita, Anita e Luísa com bebés enrolados em  	lenços. Rita pede silêncio. Sofia dá de comer à boneca. Luísa pega em sua  	panela e colher, Sofia vê o movimento de Luísa e diz: a minha papa?  	Luísa logo responde: Tá aqui e devolve à Sofia. Rita afasta-se e  	senta-se sozinha com a boneca em um canto e fica a dar-lhe de comer. Quando  	parece terminar, deixa lá o bebé e volta para a mesa. Sofia briga com a  	Anita por ter mexido na papa da Luizinha. Sofia convida Luísa para  	tomar banho, em seguida diz à investigadora que vão tomar banho. As meninas  	seguem com as bonecas para o canto das paredes de vidro e depois para o  	espaço do escorrega. Sofia chama a investigadora para tomar banho e diz: já está a água ligada (Registo em vídeo, 24/04/2009).</i></font> 	</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br>A reiteração da brincadeira de casinha em diferentes espaços de tempo e com  	diferentes ou mesmas configurações de pares revela que a elaboração por  	parte das crianças não é movida por mera “repetição”, aquilo que nos parece  	igual revela-se diferente à medida que as crianças ao vivenciarem o que já  	foi vivido dão novos contornos às experiências, fazem novas descobertas. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Benjamin (1992) já referia esse traço das elaborações das crianças,  	defendendo que, no movimento de reiteração, a criança recria toda a  	situação, começa tudo de novo. Para Sarmento (2004, p. 28), “O tempo da  	criança é um tempo recursivo, continuamente reinvestido de novas  	possibilidades, um tempo sem medida, capaz de ser sempre reiniciado e  	repetido”. </font> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">No contexto da creche, em que o encontro com os mesmos pares é um traço  	constitutivo das relações das crianças, a experiência de reiteração permite  	que, além de reviverem enredos, situações, as crianças também revivam as  	relações. Se observamos as duas cenas de brincadeira de casinha, veremos que  	a maioria das meninas envolvidas se encontra nas duas situações, tendo a  	possibilidade de experimentar a mesma brincadeira de modos diferentes e  	reestruturados de acordo com as suas escolhas. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Outro aspeto que esse pequeno excerto da cena de brincadeira nos permite  	inferir é a possibilidade de reconhecimento, nas crianças pequenas, de  	competências sociais relativas à reelaboração de situações cotidianas que  	experienciam em seus contextos de vida. Ferreira (2004) afirma que:</font>    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    <br><i>No brincar ao faz-de-conta, as crianças desenvolvem um conhecimento cultural  	que inclui as suas concepções e uso de informações observadas, escutadas e  	experimentadas na sua interacção com os objectos reais, pessoas, e  	acontecimentos sociais do mundo adulto (p. 161).</i></font></blockquote> 	</blockquote> 	    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Essa ideia da brincadeira articulada aos contextos culturais e sociais das  	crianças parece-nos ser praticamente consensual na área dos estudos sociais  	da infância, no entanto, sua visibilidade no âmbito das ações sociais das  	crianças, e voltamos a reforçar, principalmente das crianças bem pequenas,  	na nossa leitura, está por ser feita. Consideramos o estudo de Ferreira  	(2004) um contributo pioneiro nesse sentido, na medida em que, ao estudar as  	brincadeiras de crianças no contexto de Jardim de Infância, a socióloga da  	infância revela aspetos fundamentais, dando visibilidade à complexidade das  	relações entre as crianças, com uma ideia chave nessa área - a da ordem  	social das crianças. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Pensar a ordem social das crianças em contextos institucionalizados voltados  	para esse público soa como algo inerente, mas as relações de poder, a  	estrutura e a prevalência da lógica adulta contribuem para que essa ordem  	social instituinte busque espaços de manifestação e efetivação em situações  	nas quais as crianças têm um lugar privilegiado, como é o caso das situações  	de brincadeira. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Em uma análise situada na conjuntura da creche e especificamente nesse grupo  	de bebês, situamos as suas ações nas situações de brincadeira como  	possibilidades interativas, de linguagem, de manifestação e experimentação  	de variados enredos e de reelaboração de situações que transcorrem no  	entorno social. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Como já afirmamos, e podemos observar nos episódios transcritos, a  	capacidade de articular a realidade e o faz-de-conta vai compondo as ações  	das crianças à medida que, na articulação de alguns elementos, elas se  	mostram capazes de transpor e reelaborar conhecimentos culturais e sociais  	variados. Por exemplo, no registo da brincadeira de casinha, Rita pede  	silêncio às demais meninas, pois, como os bebês estão enrolados em lenços e  	deitados sobre a mesa, essa é uma informação sobre a sua condição: eles  	estão dormindo. Sofia, por sua vez, chama outra menina para tomar banho e  	busca um lugar mais apropriado para o desenvolvimento da ação; em um  	primeiro momento, desloca-se para o canto das paredes de vidro, que não  	parece ser adequado, e, em seguida, para o espaço do escorregador, onde  	inclusive afirma: “já está a água ligada”. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Tomar a brincadeira de faz-de-conta como atividade recorrente nas rotinas de  	vida das crianças bem pequenas significa reconhecer o seu estatuto social de  	produtoras de cultura, que selecionam, entre tantas experiências vividas,  	aquelas que lhes interessa para compor uma dada cena. Isso é, do ponto de  	vista das suas competências sociocognitivas, um grande empreendimento, que  	exige a conjugação de vários elementos, entre eles o cruzamento das  	experiências individuais de cada ator que participa da ação. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Essa conjugação está diretamente relacionada com estatuto que cada ator tem  	no grupo, pelo que seguir as ideias de uma determinada criança não é mero  	acaso. O lugar que cada ator ocupa no grupo de pares e o papel que  	desempenha nas relações está determinado por categorias estruturais, que  	incidem nas relações de poder. Essa discussão será aprofundada na secção que  	se segue, já que na nossa análise não há ações sociais que estejam ausentes  	dos processos de poder e/ou de exclusão. </font></p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2"><b>3. CONCLUSÃO</b> </font>    <br> 	<font face="Verdana" size="2">     <br>Alguns aspetos indicados ao longo do artigo merecem ser retomados no sentido  	de destacar o trabalho docente com as crianças bem pequenas. Um aspeto  	central é o facto de ser a conceção de criança que orienta as escolhas  	pedagógicas, pois, ao tomá-las como atores sociais, atribuímos às suas  	experiências um valor fundamental ao seu processo de socialização. </font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Nesse contexto, a observação se revela enquanto possibilidade de  	conhecimento dos contextos sociais de vida das crianças que se manifestam de  	modo complexo no brincar. É no confronto entre as ideias de criança que  	povoam as nossas conceções e as realidades edificadas nas suas relações que  	temos base para pensar, organizar e propor cenários de ação. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">Esses cenários de ação são constituídos pela organização dos espaços,  	materialidades, objetos, dos tempos, da liberdade de movimento, de seleção  	de repertórios e pares. O adulto tem um papel importante nas brincadeiras  	das crianças bem pequenas. Quanto menores as crianças, mais o adulto é um  	interlocutor privilegiado. À medida que as crianças conquistam uma autonomia  	relativa na interação umas com as outras, o adulto tem o papel de criar  	condições de relações sociais e a vivência da brincadeira. </font>    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2">A ampliação de repertórios de brincadeira nem sempre se dá pela intervenção  	direta no momento da brincadeira, mas nas narrativas apresentadas pelos  	profissionais nas histórias, nas músicas, nas imagens disponibilizadas, nos  	espaços com elementos provocadores de novas ações, como brinquedos,  	elementos não convencionais, como os lenços apresentados em um dos registos,  	enfim, com a ampliação do repertório e a provocação da ação e da dimensão  	imaginativa. </font>    <p align="left"><font face="Verdana" size="2">Por fim, é nesse complexo cenário de ações e relações sociais que a criança  	elabora brincadeiras, que não se limitam à ação sobre os objetos, mas se  	constituem num campo rico e potente de constituição humana por meio da  	relação, sobretudo, com o outro.     <br></font></p>    <p>&nbsp;</p> 	<font face="Verdana"size="2"><b>REFERÊNCIAS</b>  </font></p> 	<font face="Verdana" size="2"> 	    <!-- ref --><p>Bachelard, G. (1994). <i>A dialética da duração</i>. Tradução de Marcelo  	Coelho. 2ª ed. São Paulo: Ática.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645733&pid=S2182-1372201400010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Benjamin, W. (1992). <i>Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política</i>.  	Lisboa: Relógio d`Àgua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645735&pid=S2182-1372201400010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Brasil. (1995). <i>Critérios para um atendimento em creches que respeite os  	direitos fundamentais das crianças</i>. Brasília: MEC/ SEF/ Coedi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645737&pid=S2182-1372201400010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645738&pid=S2182-1372201400010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> W. A. (2002). <i>A reprodução interpretativa no brincar ao  	“faz-de-conta” das crianças</i>. Educação, sociedade e culturas, n. 17,  	2002. Porto: Afrontamento, pp. 113-134.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645739&pid=S2182-1372201400010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	 	    <!-- ref --><p>Ferrater Mora, J. (1977). <i>Dicionário de Filosofia</i>. Lisboa:  	Publicações Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645741&pid=S2182-1372201400010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	 	    <!-- ref --><p>Ferreira, M. (2004). “<i>A gente gosta é de brincar com os outros meninos!”  	Relações sociais entre crianças no Jardim de Infância</i>. Porto: Edições  	Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645743&pid=S2182-1372201400010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>  	 	    <!-- ref --><p>Harris, P. (2002). Penser à ce qui aurait pu arriver si….  	<i>Enfance. Le monde fictif de l’enfant,</i> <i>54</i>, (3), 233 - 239.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645745&pid=S2182-1372201400010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>James, A. (1993). Let's all play nicely: The significance of motifs of  	separation and transformation in children's play. In C. Gougoulis (Ed.),<i>Special  	Issue on Children's Play</i>, (pp. 161-169). Athens: Ethnographica IX.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645747&pid=S2182-1372201400010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>James, A. James, A. (2008). <i>Key Concepts in Childhood Studies</i>.  	London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645749&pid=S2182-1372201400010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Musatti, T. (1987). Introduzione. Gioco, comunicazione e rapporti affettivi:  	tra bambini in asilo nido. In: Tulia Musatti & Susanna Mantovani. <i>Bambini  	al nido: gioco, comunicazione e rapporti affettivi</i>. Bergamo: Edizioni  	Scolastiche Walk Over.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645751&pid=S2182-1372201400010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Ostrower, F. (1977). <i>Criatividade e Processos de Criação.</i> Rio de  	Janeiro: Editora Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645753&pid=S2182-1372201400010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Pais, J. M. (2006). <i>Nos rastros da solidão. Deambulações sociológicas</i>.  	Porto: Ambar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645755&pid=S2182-1372201400010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sarmento, M. J. (2004). As culturas da infância nas encruzilhadas da 2ª  	modernidade. In: Manuel Jacinto Sarmento & Ana Beatriz Cerisara. <i>Crianças  	e Miúdos: perspectivas sociopedagógicas da infância e educação</i>. (pp. 9 –  	34). Porto: Edições ASA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645757&pid=S2182-1372201400010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Sawyer, R. K. (1997). <i>Pretend play as improvisation: Conversation in the  	preschool classroom.</i> Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645759&pid=S2182-1372201400010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Vigotskii, L. S. (1996). <i>La imaginación y el arte en la infância</i>.  	(Ensayo psicológico). 3ª ed. Madrid: Anzos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645761&pid=S2182-1372201400010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	 	    <!-- ref --><p>Weber, M. (1921/ 1991). <i>Economia e Sociedade:</i> fundamentos da  	sociologia compreensiva. Tradução de Regis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa.  	Brasilia: Editora da UNB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1645763&pid=S2182-1372201400010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p></font>    <p>&nbsp;</p> 	    <p align="left"> 	<font face="Verdana" size="2"> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 	<b><a href="#topc0">Contacto</a><a name="c0"></a>: </b> Angela Scalabrin Coutinho, Rua General Carneiro, 460, Edifício Dom Pedro I, Sala 408ª, Centro - Curitiba – Brasil, CEP: 80060-150</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	(recebido em setembro de 2013, aceite para publicação em outubro de 2013) 	 </font> 	<hr align="justify" size="1" width="&quot;33%&quot;"> 	<font face="Verdana"size="2"><b>NOTAS</b> </font><font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font> 		<font face="Verdana" size="2"> 		<a href="#top1">[1]</a><a name="1"></a> O grupo era composto por 4 meninos e 11 meninas. As idades variavam  		entre cinco meses, a mais jovem no início da pesquisa, quando  		frequentavam o grupo 0A, e dois anos e oito meses, os mais velhos ao  		final da pesquisa, quando frequentavam o grupo 1B. Apenas uma menina  		morava distante da instituição, numa cidade vizinha, e todas as crianças  		do grupo frequentavam a instituição em período integral, ou seja, podiam  		permanecer no local das 7h30min às 19h. 	</font> 		    <p align="left"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top2">[2]</a><a name="2"></a> Utilizamos os verbos no pretérito imperfeito do indicativo para  		situar essa discussão temporalmente, tendo em vista que o texto da  		investigadora italiana é do final da década de 80 do século passado e  		parece-nos importante reforçar a ideia de que embora recente, essa  		discussão já vem sendo feita em alguns espaços de produção de  		conhecimento há um tempo que consideramos suficiente para edificar uma  		vertente de estudos. 	</font> 		    <p align="left"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top3">[3]</a><a name="3"></a> Após alertar para o facto de não ser possível definir a solidão <i>a  		priori</i> sem entender seus sentidos para quem a vive, ou seja, ainda  		que se definisse um tipo ideal de solidão, “ficaria sempre por descobrir  		a realidade da solidão em suas singularidades” (Pais, 2006, p. 14). 		</font> 		    <p align="left"> 		<font face="Verdana" size="2"> 		    <br> 		<a href="#top4">[4]</a><a name="4"></a> Esse documento, tido como um marco na área da Educação Infantil, por  		ter sido elaborado em constante diálogo com as profissionais que atuam  		diretamente com as crianças e por buscar em sua redação manter uma  		linguagem direta e respeitosa as práticas já desenvolvidas, foi  		reeditado pelo Ministério da Educação em 2009 e pode ser acessado em:&nbsp;  		<a target="_blank" href="http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/direitosfundamentais.pdf">http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/direitosfundamentais.pdf 		</a></font></div> </div>       ]]></body><back>
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