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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Casas em série, construções temporárias e lotes vazios: Os subúrbios através da arte contemporânea]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In twentieth-century art, it´s clearly identifiable a general overcoming of the traditional boundaries between different media, and the development of obvious interchanges between art and architecture in particular. In fact, the transgressive process initiated in the scope of the first avant-gardes, was recaptured and consolidated during the second half of the century by the dynamics created by the neo avant-gardes - in which we can recognize a deliberate convergence between the fields conventionally established by artistic and architectural production. From the 1950s on, a contact zone between these two areas has been defined: a blurred territory determined not only by a mutual influence, but also by the sharing of a tectonic lexicon. In a scenario determined by slips between media, and in articulation with the revisions of modernism that began to emerge, it was then that artistic practice, somehow functioning as an heterotopia, became a critical space where architecture was analyzed, confronted and challenged. Moreover, revisiting and discussing its practices, and questioning its solutions, to a certain extent, art expanded the debate on architecture. Recapturing some of the main theoretical references that define this process, and drawing from the work of several artists, this paper aims to discuss some of the multiple ways contemporary art has been addressing urban growth and suburbia.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p align="right"></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4"><b>Casas em série, construções temporárias e lotes vazios. Os subúrbios através da arte contemporânea. </b></font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"><b>Tract houses, temporary constructions and vacant lots. Suburbia and contemporary art.</b></font></b></p>     <p align="center"></p>     <p></p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Margarida Brito Alves<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a><sup> <br /> </sup></font></b></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font></font><font size="2" face="Verdana">Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:leonorcms@gmail.com">leonorcms@gmail.com</a></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">.<br />   </font><br /> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><br />   </font><br /> </p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na arte do século XX é claramente identificável uma ampla transposição das tradicionais fronteiras definidas entre diferentes categorias artísticas e, em particular, o desenvolvimento de transferências entre arte e arquitectura. Com efeito, o processo transgressivo que ao longo das décadas iniciais do século XX determinou as primeiras vanguardas foi recuperado e consolidado a partir do segundo pós-guerra através das dinâmicas criadas pelas neo-vanguardas - nas quais podemos reconhecer uma deliberada convergência entre os campos convencionalmente estabelecidos pela arquitectura e pela produção artística. A partir dos anos 1950, assistiu-se à afirmação de uma zona de contacto entre estas duas áreas: um território nebuloso, definido não apenas por uma mútua influência, mas também pela partilha de um léxico tectónico. Num contexto determinado por deslizamentos entre diferentes media, e em articulação com as revisões do modernismo que começavam a emergir, foi então que a prática artística, de certo modo funcionando como uma heterotopia, se constituiu como um espaço de crítica, capaz de analisar, confrontar e problematizar tanto a arquitectura como as diversas formas de desenvolvimento urbano. Ao revisitar e discutir os seus modos de operar e questionar as suas soluções, até certo ponto, a arte expandiu o debate sobre a produção arquitectónica e o planeamento das cidades. Recuperando algumas das referências teóricas centrais que definem este processo, e partindo do trabalho de vários artistas - na sua maioria norte-americanos, tendo em conta a particular expressão que este tipo de propostas teve nesse contexto -, este artigo procura discutir os múltiplos modos através dos quais a arte contemporânea problematizou a expansão urbana e a periferia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Arte e Arquitectura; Periferia; Heterotopias.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ABSTRACT</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">In twentieth-century art, it´s clearly identifiable a general overcoming of the traditional boundaries between different media, and the development of obvious interchanges between art and architecture in particular. In fact, the transgressive process initiated in the scope of the first avant-gardes, was recaptured and consolidated during the second half of the century by the dynamics created by the neo avant-gardes &#8211; in which we can recognize a deliberate convergence between the fields conventionally established by artistic and architectural production. From the 1950s on, a contact zone between these two areas has been defined: a blurred territory determined not only by a mutual influence, but also by the sharing of a tectonic lexicon. In a scenario determined by slips between media, and in articulation with the revisions of modernism that began to emerge, it was then that artistic practice, somehow functioning as an heterotopia, became a critical space where architecture was analyzed, confronted and challenged. Moreover, revisiting and discussing its practices, and questioning its solutions, to a certain extent, art expanded the debate on architecture. Recapturing some of the main theoretical references that define this process, and drawing from the work of several artists, this paper aims to discuss some of the multiple ways contemporary art has been addressing urban growth and suburbia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Art and Architecture; Suburbia; Heterotopias.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Numa imagem fotográfica captada em Bayonne - New Jersey, em meados da d&#233;cada de 1960, vemos uma sequ&#234;ncia de casas, id&#234;nticas, apenas diferenciadas por pequenas varia&#231;&#245;es de cor. Num mesmo ciclo de imagens, podemos reconhecer uma realidade semelhante em Staten Island, Westfield, ou em Minneapolis; encontrar instant&#226;neos registados em esta&#231;&#245;es de servi&#231;o de auto-estradas; depararmo-nos novamente com constru&#231;&#245;es em s&#233;rie, ou observar, simplesmente, pormenores dessas constru&#231;&#245;es. Casa ap&#243;s casa, ap&#243;s casa, ap&#243;s casa. </font>     <p></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Homes for America, &#233; o t&#237;tulo de um trabalho de Dan Graham, inicialmente apresentado em 1966, no Finch College Museum of Art [<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>] de Nova Iorque, como uma projec&#231;&#227;o de <i>slides</i> que reunia cerca de vinte imagens que registavam diversas realidades suburbanas norte-americanas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No final desse ano, uma parte dessas mesmas imagens seria publicada na revista <i>Arts Magazine</i>, enquanto documenta&#231;&#227;o de um artigo, da autoria do pr&#243;prio artista, sobre os empreendimentos de constru&#231;&#227;o an&#243;nima, standartizada e massificada, desenvolvidos no p&#243;s-guerra, e no qual eram criticamente problematizadas a aus&#234;ncia de conex&#227;o dessas constru&#231;&#245;es com as comunidades locais, assim como a exclus&#227;o de caracter&#237;sticas regionais ou individuais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O carácter projectual e modular, tal como as no&#231;&#245;es de serialidade e de repeti&#231;&#227;o, que nesses anos determinavam o trabalho de diversos artistas do designado minimalismo norte-americano - como Donald Judd, Dan Flavin ou Robert Morris -, eram desse modo subversivamente levados a um outro plano, distanciado do espa&#231;o heterot&#243;pico dos museus e das galerias de arte, e dirigidos a um quotidiano urbano - mas estabelecendo contudo um paralelo entre arte e arquitectura, que revelava correspond&#234;ncias entre ambas as práticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> N&#227;o deixa aliás de ser interessante recordar que foi exactamente no mesmo ano - em 1966 - que Robert Venturi publicou <i>Complexity and Contradiction in Architecture</i>, o seu &quot;suave manifesto&quot; em favor de uma &quot;arquitectura n&#227;o directa&quot; (Venturi, 1995:1) - no qual recuperava uma s&#233;rie de valores que tinham sido suprimidos perante a codifica&#231;&#227;o e o reducionismo de um modernismo ortodoxo, e assumia uma posi&#231;&#227;o de toler&#226;ncia perante a din&#226;mica urbana que lhe era contempor&#226;nea, como evidenciava a sua c&#233;lebre afirma&#231;&#227;o &quot;Main Street is almost right&quot; (Venturi, 1995:146). Com efeito, nesse livro era desenvolvida uma argumenta&#231;&#227;o que viria a contribuir decisivamente para o debate em torno de uma revis&#227;o da linguagem arquitect&#243;nica, e do p&#243;s-modernismo norte-americano em particular. De resto, esta publica&#231;&#227;o antecipava os casos de estudo que o pr&#243;prio Robert Venturi, em parceria com Denise Scott Brown, desenvolveria poucos anos mais tarde com um grupo de alunos: <i> Learning from Las Vegas </i>[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>]<b>,</b> de 1968, e que viria a traduzir-se num livro, com o mesmo t&#237;tulo, publicado em 1972, e <i>Learning from Levittown</i>[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], de 1970 - tratando-se justamente de análises centradas na observa&#231;&#227;o do crescimento de algumas cidades e sub&#250;rbios norte-americanos, tal como acontecia no trabalho de Dan Graham e de vários outros artistas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O desenvolvimento urbano do p&#243;s-guerra era assim submetido a um duplo olhar, cr&#237;tico, que evidenciava uma renovada proximidade entre arte e arquitectura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na verdade, na sequ&#234;ncia das transgress&#245;es, deslizamentos e contamina&#231;&#245;es entre categorias art&#237;sticas que desde cedo pontuaram o s&#233;culo XX, a arquitectura vinha a constituir-se como uma refer&#234;ncia na produ&#231;&#227;o art&#237;stica - um processo que podemos mapear atrav&#233;s das muitas din&#226;micas introduzidas pelas primeiras vanguardas, mas que adquiriu mais clara express&#227;o a partir dos anos 1960, já no &#226;mbito das neo-vanguardas. </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#201; pois sobretudo no contexto do p&#243;s-guerra que podemos distinguir uma deliberada converg&#234;ncia entre os campos tradicionalmente definidos como arte e como arquitectura, tornando-se aliás evidente a configura&#231;&#227;o de um territ&#243;rio n&#227;o apenas de m&#250;tua influ&#234;ncia, mas de justaposi&#231;&#227;o, e at&#233; de partilha de um mesmo l&#233;xico construtivo, sen&#227;o mesmo arquitect&#243;nico - tal como, no caso norte-americano, exemplificavam as obras de artistas como Mary Miss ou Alice Aycock. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> N&#227;o &#233; assim de estranhar que, perante os sucessivos desdobramentos de uma prática como a escultura, Rosalind Krauss, no seu texto de 1979, &#171;Sculpture in the Expanded Field&#187;, tenha precisamente identificado a arquitectura como um dos vectores de conten&#231;&#227;o para definir o supostamente expandido &quot;campo da escultura&quot; - que tentava ent&#227;o (ainda) demarcar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Esta manifesta converg&#234;ncia ganhou consist&#234;ncia ao longo das d&#233;cadas seguintes, e &#233; essencialmente nesta linhagem que podemos inscrever o trabalho de muitos artistas [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>] que n&#227;o apenas exploraram a rela&#231;&#227;o entre arte e arquitectura, mas agiram criticamente na arquitectura e questionaram as, muitas vezes, an&#243;nimas e desordenadas, formas de desenvolvimento urbano. </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#201; assim neste quadro mais amplo que podemos situar <i>Homes for America</i> de Dan Graham, mas tamb&#233;m diversas outras obras da sua autoria que procuraram problematizar a arquitectura, e os sub&#250;rbios em particular, tal como mostra <i>Alteration to a Suburban House</i>, produzida em 1978, e que, assinalando uma necessária revis&#227;o, estabelece um confronto directo com a linguagem da arquitectura moderna. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Trata-se de um projecto que apenas foi formalizado em maquete e que consiste na substitui&#231;&#227;o da fachada de uma casa por um plano de vidro, e pela coloca&#231;&#227;o de um espelho no seu interior, paralelo a esse vidro, que bissectava longitudinalmente o espa&#231;o habitável. Essa interven&#231;&#227;o dilu&#237;a as fronteiras entre espa&#231;o p&#250;blico e espa&#231;o privado, dado que, ao mesmo tempo que expunha uma parte de um quotidiano dom&#233;stico aos olhares exteriores, transportava igualmente para um miolo interior a reflex&#227;o das din&#226;micas de rua. Ao desconstruir a idealiza&#231;&#227;o da habita&#231;&#227;o nos sub&#250;rbios norte-americanos, este projecto funciona como uma declarada provoca&#231;&#227;o a obras como a de Mies van der Rohe - e talvez mais especificamente &#224; manifesta sobre-exposi&#231;&#227;o da Farnsworth House, constru&#237;da em 1951, nos arredores de Plano, no Illinois, e cujas fachadas tinham a particularidade de serem integralmente formalizadas em vidro, dissolvendo a fronteira entre interior e exterior. Dan Graham estabelecia assim um diálogo mediado com a arquitectura moderna, mas definia sobretudo uma possibilidade de a revisitar criticamente atrav&#233;s de uma certa ironia. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A rela&#231;&#227;o entre espa&#231;o p&#250;blico e espa&#231;o privado foi tamb&#233;m explorada por Gordon Matta-Clark, como &#233; evidente em <i>Splitting</i>, produzido em 1974, e que correspondeu ao acto de serrar ao meio uma tradicional habita&#231;&#227;o de dois pisos situada na Humphrey Street em Englewood, uma zona de New Jersey. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Colocando igualmente em causa uma no&#231;&#227;o idealizada de habita&#231;&#227;o, os dois cortes paralelos, realizados pelo pr&#243;prio artista, eliminaram a separa&#231;&#227;o entre interior e exterior, introduzindo uma abertura que possibilitava uma comunica&#231;&#227;o n&#227;o controlada entre ambos os espa&#231;os, e revelando, desse modo, o ambiente dom&#233;stico, usualmente afastado dos olhares exteriores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A prevista e iminente demoli&#231;&#227;o da casa em quest&#227;o estabelecia &#224; partida que os resultados da opera&#231;&#227;o do artista estavam inevitavelmente condenados a desaparecer - tal como, tamb&#233;m a desaparecer, estava o pr&#243;prio bairro tradicional em que a constru&#231;&#227;o se situava, perante as transforma&#231;&#245;es decorrentes de especula&#231;&#227;o imobiliária. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Abordando a casa como um <i>ready-made</i>, Matta-Clark apropriou-se de um objecto preexistente atrav&#233;s de uma aparatosa interven&#231;&#227;o, mas problematizou sobretudo uma s&#233;rie de quest&#245;es - sociais, pol&#237;ticas, urbanas e arquitect&#243;nicas - que desde cedo caracterizaram a sua obra. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com efeito, o interesse de Gordon Matta-Clark por temas relacionados com a arquitectura, levou-o, em 1974, a formar, com Suzanne Harris e Tina Girouard, o colectivo Anarchitecture, que procurava dinamizar a discuss&#227;o sobre as ambiguidades e a transitoriedade do espa&#231;o. Apesar de tomar a arquitectura como um dos seus principais campos de refer&#234;ncia, a no&#231;&#227;o de <i>anarchitecture</i> introduzia-lhe contudo uma disfun&#231;&#227;o, referindo-se sobretudo a espa&#231;os e a práticas que lhe eram tangenciais ou complementares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estas preocupa&#231;&#245;es eram já identificáveis em trabalhos como Bronx Floors, desenvolvido entre 1972 e 1973, e que consistiu na subtra&#231;&#227;o, ilegal, de sec&#231;&#245;es dos pavimentos, paredes e tectos de edif&#237;cios abandonados, situados numa zona ent&#227;o particularmente problemática de Nova Iorque. Esses fragmentos foram apresentados na Green Gallery, a par de fotografias que registavam os espa&#231;os de onde tinham sido extra&#237;dos, ap&#243;s a interven&#231;&#227;o do artista - documentando a sua proveni&#234;ncia mas tamb&#233;m a precariedade da habita&#231;&#227;o no Bronx. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Gordon Matta-Clark chegou aliás a interessar-se pelo pr&#243;prio sistema imobiliário, tendo adquirido, ao longo de 1973, um conjunto de cinco terrenos situados em Queens e em Staten Island que tinham sido colocados &#224; venda nos leil&#245;es da institui&#231;&#227;o p&#250;blica City of New York. Revelando no entanto as consequ&#234;ncias do sistema, esses terrenos resumiam-se a reduzidos lotes residuais ou intersticiais, resultantes do pr&#243;prio planeamento urbano da cidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tratavam-se de espa&#231;os sobrantes, alguns mesmo inacess&#237;veis, sem qualquer interesse do ponto de vista comercial, e que se tornaram propriedade do artista atrav&#233;s de um processo burocrático - mas que n&#227;o visavam, nem permitiam sequer, qualquer usufruto. Reality Properties: Fake Estates, a designa&#231;&#227;o desse projecto, consistiu na compra dos lotes em quest&#227;o e na organiza&#231;&#227;o de &quot;documenta&#231;&#227;o escrita sobre a parcela de terreno, incluindo dimens&#245;es exactas e localiza&#231;&#227;o, e talvez uma lista das ervas que ali crescem&quot;, integrando ainda &quot;uma fotografia &#224; escala real da propriedade&quot;, tal como recordou Pamela M. Lee (Lee, 2001:99). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Como exemplifica este trabalho, o pr&#243;prio desenvolvimento urbano das periferias, muitas vezes desregrado e caracterizado por zonas de expans&#227;o industrial foi objecto de reflex&#227;o na obra de diferentes artistas, tais como Ed Ruscha, que, em 1966, apresentou Every Building on the Sunset Strip - um conjunto de imagens formalizado como um desdobrável, no qual era reproduzida uma sequ&#234;ncia fotográfica dos edif&#237;cios ent&#227;o existentes numa sec&#231;&#227;o do Sunset Boulevard em Hollywood -, ou Robert Smithson, que em Dezembro de 1967 publicou, na Artforum [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>], o ensaio <i>The Monuments of Passaic</i>, no qual descrevia uma viagem de autocarro que fez at&#233; &#224; sua cidade natal em New Jersey. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Esse ensaio de Smithson era acompanhado por fotografias que registavam uma paisagem em transforma&#231;&#227;o, revelando um olhar est&#233;tico sobre infraestruturas, como os suportes em bet&#227;o para uma auto-estrada em constru&#231;&#227;o; como uma ponte, em a&#231;o e madeira, votada ao abandono; um conjunto de tubos de drenagem, ou um guindaste. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Elevados &#224; condi&#231;&#227;o de &quot;monumentos&quot; (Lejeune, 2011: 367) - e assumindo designa&#231;&#245;es como The Bridge Monument Showing Wooden Sidewalks ou The Great Pipe Monument - estes elementos eram perspectivados como parte integrante da pr&#243;pria hist&#243;ria da paisagem. Como parte de um processo entr&#243;pico, em constante fluxo, capaz de estabelecer uma dial&#233;ctica entre passado e presente. Atrav&#233;s dessa leitura, Robert Smithson relacionava-se com um tempo em ampla extens&#227;o e com um espa&#231;o em sucessiva reconfigura&#231;&#227;o, oferecendo uma vis&#227;o desdramatizada sobre uma paisagem indiferenciada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Chegado &#224; localidade, onde n&#227;o reconhecia um &quot;centro&quot;, mas apenas um recorrente &quot;vazio&quot; (Smithson, 1996: 72), perante a observa&#231;&#227;o de lojas, restaurantes ou parques de estacionamento, Smithson anotava a banalidade e a vulgaridade do tecido urbano constru&#237;do, assumindo contudo uma aceita&#231;&#227;o condescendente dessas constru&#231;&#245;es. Provocatoriamente, chegava a questionar se Passaic havia &quot;substitu&#237;do Roma enquanto cidade eterna&quot; (Smithson, 1996: 74), - uma pergunta que encontraria claras resson&#226;ncias numa formula&#231;&#227;o de Robert Venturi, que, em 1972, descreveria Las Vegas como fonte de inspira&#231;&#227;o de um novo tempo e como um local a partir do qual se poderiam tirar li&#231;&#245;es, afirmando que &quot;visitar Las Vegas a meados dos anos 60 era como visitar Roma em finais dos 40&quot; (Venturi, 1972). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Levando por diante a compara&#231;&#227;o, ainda em 1967, Smithson distribuiria na Dwan Gallery um folheto, no qual, sob o t&#237;tulo See the Monuments of Passaic New Jersey, convidava o p&#250;blico a participar numa visita guiada &#224; localidade: &quot; <i> What can you find in Passaic that you can not find in Paris, London, or Rome? Find out for yourself. Discover (if you dare) the breathtaking monuments on its enchanted banks</i> &quot; (Smithson, 1996: 356). </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#201; esta estetiza&#231;&#227;o da periferia que, avan&#231;ando para o contexto alem&#227;o, podemos igualmente identificar nas fotografias de Bernd e Hilla Becher - que, a partir da d&#233;cada de 1960, registaram s&#233;ries de edif&#237;cios e de estruturas industriais, produzindo imagens que apresentavam como &quot;esculturas an&#243;nimas&quot;. Ao documentarem uma paisagem perif&#233;rica em transforma&#231;&#227;o, essas fotografias salientavam a decad&#234;ncia, mas tamb&#233;m a beleza, dessas constru&#231;&#245;es, ao mesmo tempo que denunciavam a destrui&#231;&#227;o de todo um patrim&#243;nio n&#227;o apenas industrial, mas igualmente social e cultural. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todas estas abordagens, que marcaram as d&#233;cadas de 1960 e 1970, constitu&#237;ram-se como refer&#234;ncias para muitos artistas que emergiram em diferentes contextos ao longo das d&#233;cadas seguintes e que t&#234;m vindo a revisitar e a problematizar incisivamente a arquitectura e as din&#226;micas urbanas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Um exemplo amplamente referenciado &#233; o da brit&#226;nica Rachel Whiteread, autora do mediático e controverso projecto House, desenvolvido em 1993 - que se localizava num bairro do East London e que acabou por ser demolido no ano seguinte ap&#243;s acesa pol&#233;mica [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>] -, mas, desse mesmo ano, vale a pena destacar o v&#237;deo How do we know what home looks like? The Unit&#233; d&#180;Habitation de Corbusier at Firminy, produzido pela norte-americana Martha Rosler. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Gravado em Firminy-Vert, esse v&#237;deo, que assumiu um carácter documental, revisitou uma das unidades de habita&#231;&#227;o projectadas por Le Corbusier, procurando analisar as altera&#231;&#245;es e &quot;melhorias&quot; que ao longo do tempo foram sendo introduzidas no edif&#237;cio pelos seus habitantes. Atrav&#233;s de entrevistas a diferentes moradores, Rosler questionou a capacidade de resist&#234;ncia do idealismo subjacente ao projecto, quando confrontado com sucessivas viv&#234;ncias quotidianas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nesta linha, podemos tamb&#233;m assinalar a obra do catal&#227;o Dom&#232;nec, que num claro exerc&#237;cio de cita&#231;&#227;o, e at&#233; de irris&#227;o, tem vindo a elaborar r&#233;plicas de estruturas modernistas que procuram reactivar a reflex&#227;o em torno dessas propostas. Ao catalisar uma releitura do modernismo, e denunciando os seus fracassos, o artista resgata por vezes constru&#231;&#245;es que nunca sa&#237;ram do projecto, ou que tinham sido destru&#237;das, dotando-as de novos usos. </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#201; esse o processo que podemos reconhecer em trabalhos como Domestic, de 2000 - uma fotografia que regista uma maquete da Unidade de Habita&#231;&#227;o de Le Corbusier simbolicamente abandonada no meio de uma floresta -; <i>Unit&#233; Mobile </i>(<i>Roads are also Places</i>) - um v&#237;deo com origem numa ir&#243;nica interven&#231;&#227;o realizada a 25 de fevereiro de 2005 na Unidade de Habita&#231;&#227;o de Marselha, que fora projectada em 1947; ou Superquadra - Casa Armário, de 2007 - e que consiste na recria&#231;&#227;o de dois enormes blocos residenciais projectados por L&#250;cio Costa em Bras&#237;lia, atrav&#233;s da sua adapta&#231;&#227;o a uma escala de abrigos individuais. </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#201; ainda dentro destas coordenadas que podemos salientar a obra de Los Carpinteros, um grupo cubano inicialmente constitu&#237;do em 1991 por Dagoberto Rodr&#237;guez, Marco Castillo e Alexandro Arrechea, e que produz esculturas e instala&#231;&#245;es que cruzam processos da arquitectura e do mobiliário, reconhecendo a primeira como uma &quot;fonte de obsess&#227;o&quot; (Los Carpinteros, 1999). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entrando directamente em diálogo com o desenvolvimento urbano contempor&#226;neo, em 2000, na Bienal de La Habana, Los Carpinteros apresentaram pela primeira vez <i>Ciudad Transportable</i>, uma instala&#231;&#227;o constitu&#237;da por um conjunto de estruturas executadas em alum&#237;nio e tecido, que, numa escala reduzida, recriava uma configura&#231;&#227;o urbana que reunia diversos equipamentos - tais como um bloco de habita&#231;&#227;o, uma fábrica, um hospital, um edif&#237;cio militar, uma universidade, uma pris&#227;o, uma igreja, ou um armaz&#233;m. Tratava-se de uma proposta que estabelecia os elementos m&#237;nimos para o funcionamento de uma cidade e que reintroduzia uma certa componente ut&#243;pica. Definida como um modelo para uma cidade n&#243;mada, a instala&#231;&#227;o foi depois apresentada em locais como Nova Iorque, Los Angeles e Xangai. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Já em 2007, no Faena Arts Center em Buenos Aires, Los Carpinteros apresentaram <i>El Barrio</i>, um ca&#243;tico aglomerado de casas formalizadas em cart&#227;o que problematizava o crescimento exponencial das periferias e a aus&#234;ncia de planifica&#231;&#227;o das cidades contempor&#226;neas - tomando a escultura justamente como um lugar de cr&#237;tica e ironia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por &#250;ltimo, &#233; ainda de evidenciar o trabalho da artista e arquitecta eslovena Marjetica Potrc, que, propondo alternativas para as actuais pol&#237;ticas de expans&#227;o urbana, explora uma vertente colaborativa e relacional, objectivada em reconfigurar din&#226;micas sociais atrav&#233;s da defini&#231;&#227;o de modos alternativos de construir e de habitar - e que muitas vezes se constitui como uma cr&#237;tica aos c&#243;digos modernistas. &#201; esse o caso das tr&#234;s s&#233;ries de desenhos expostas em 2007, na galeria londrina Blow de la Barra: The Great City of Medellin - que, tomando como caso de estudo a evolu&#231;&#227;o de uma cidade na Col&#244;mbia entre os anos 1950 e 1980, cartografava a transforma&#231;&#227;o de um promissor meio industrial moderno num contexto com s&#233;rios problemas de viol&#234;ncia e de droga -, mas tamb&#233;m de <i>Hybrid House: Caracas, West Bank, West Palm Beach</i> - apresentado em 2003 no Palm Beach Institute of Contemporary Art em Lake Worth, e que se definia como &quot;um caso de estudo arquitect&#243;nico&quot; que, ironicamente, justapunha estruturas habitacionais precárias provenientes de tr&#234;s contextos diferenciados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Como nos mostram todas estas propostas, a produ&#231;&#227;o art&#237;stica tem vindo a constituir-se como um territ&#243;rio a partir do qual a arquitectura e o desenvolvimento urbano podem ser problematizados. Tratam-se de formaliza&#231;&#245;es que funcionam como heterotopias, espa&#231;os simultaneamente dentro e fora, tal como nos prop&#244;s Michel Foucault no seu ensaio <i>Des Espaces Autres</i> - originalmente apresentado como confer&#234;ncia em 1967 e publicado em 1984. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com efeito, nesse texto, por oposi&#231;&#227;o &#224; &quot;grande obsess&#227;o com a hist&#243;ria&quot; que determinara o s&#233;culo XIX, o autor identificava uma obsess&#227;o com &quot;o espa&#231;o&quot;, notando estar na &#233;poca &quot;da simultaneidade&quot;, &quot;da justaposi&#231;&#227;o&quot;, &quot;do pr&#243;ximo e do long&#237;nquo, do lado a lado, do disperso&quot; (Foucault, 1994: 752). Michel Foucault reconhecia ent&#227;o uma sobreposi&#231;&#227;o de regimes espaciais que o conduziu &#224; no&#231;&#227;o de heterotopia - um espa&#231;o heterog&#233;neo, com várias camadas, real, mas determinado por rela&#231;&#245;es invertidas. Desse modo, enquanto a utopia seria um espa&#231;o sem lugar real, a heterotopia corresponderia a um espa&#231;o de representa&#231;&#227;o, de contesta&#231;&#227;o, e de invers&#227;o da realidade - mas que com ela se articula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nestes termos, &#233; assim enquanto heterotopia que a produ&#231;&#227;o art&#237;stica tem vindo a assumir-se como um lugar de crise, afirmando-se como um espa&#231;o complementar, e at&#233; de extens&#227;o, para a reflex&#227;o em torno das práticas urbanas e arquitect&#243;nicas, actuando criticamente sobre a realidade constru&#237;da. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BIBIOGRAPHY </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> AA.VV. (1992) Venturi, Scott Brown &amp; Associates, <i>Architectural Monographs</i> N.21, London/ New York: Academy Editions / St Martin&#180;s Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686469&pid=S2182-3030201600020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Battcock, G. (1995) <i>Minimal Art. A Critical Anthology</i>, Berkeley / Los Angeles / London: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686471&pid=S2182-3030201600020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Brower, M. (2001) <i>Dan Graham. Works 1965-2000</i>, Porto: Museu de Arte Contempor&#226;nea de Serralves.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686473&pid=S2182-3030201600020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Brown, D. (1992) &quot;On Houses and Housing&quot;, Venturi, Scott Brown &amp; Associates, Architectural Monographs N.21, London/ New York: Academy Editions / St Martin&#180;s Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686475&pid=S2182-3030201600020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Brown, D.S., Izenour, S., Venturi, R. (1972) <i>Learning from Las Vegas</i>, Cambridge / Massachusetts: The MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686477&pid=S2182-3030201600020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Diserens, C. (2003) <i>Gordon Matta-Clark</i>, London / New York: Phaidon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686479&pid=S2182-3030201600020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Foucault, M. (1994) &quot;Des Espaces Autres&quot;, <i>Dits et &#201;crits 1954-1988</i>, Vol. IV - 1980-1988, Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686481&pid=S2182-3030201600020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Graham, D. (1967) &quot;Homes for America&quot;, <i>Arts Magazine</i>, N. 41, New York, pp.20-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686483&pid=S2182-3030201600020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Krauss, R. (1979) <i>Sculpture in the Expanded Field</i>, October, Vol. 8, New York: The MIT Press, pp.30-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686485&pid=S2182-3030201600020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lee, P.M. (2001) <i>Object to be Destroyed</i>, Cambridge - Massachusetts: The MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686487&pid=S2182-3030201600020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lejeune, A. (2011) &quot;Un &#171;Tour des monuments de Passaic&#187; (1967), l&#180;image de la cit&#233; selon Robert Smithson&quot;, <i>L&#180;Espace G&#233;ographique</i>, 4 (Vol. 40), Paris, pp.367-380.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686489&pid=S2182-3030201600020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lowinger, R. (1999) &quot;The Object as Protagonist&quot;, entrevista de Rosa Lowinger a Los Carpinteros, <i>Sculpture Magazine</i>, Vol. 18, N. 10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686491&pid=S2182-3030201600020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Perry, G. (2013) <i>Playing at Home. The House in Contemporary Art</i>, London: Reaktion Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686493&pid=S2182-3030201600020001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Racz, I. (2015) <i>Art and the Home</i>, London/ New York: I B Tauris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686495&pid=S2182-3030201600020001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Smithson, R. (1996) &quot;The Monuments of Passaic&quot;, in J. Flam (org.), <i>Robert Smithson: The Collected Writings</i>, Berkeley / Los Angeles / London: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686497&pid=S2182-3030201600020001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Venturi, R. (1995) <i>Complexidade e Contradi&#231;&#227;o em Arquitectura</i>, S&#227;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1686499&pid=S2182-3030201600020001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NOTAS<br clear="all" /> </font> </p>     <p><font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2]</a></font></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No contexto da exposi&#231;&#227;o <i>Projected Art</i>, organizada por Elayne Varian, e que decorreu entre 8 de Dezembro de 1966 e 8 de Janeiro de 1967. </font></p>     <p><font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3]</a></font></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <i>Learning from Las Vegas</i> consistiu num projecto de investiga&#231;&#227;o conduzido por Robert Venturi e Denise Scott Brown, que contou com a participa&#231;&#227;o de alguns dos seus estudantes da Yale School of Art and Architecture e que procurava desenvolver uma análise &quot;desprovida de ju&#237;zos de valor&quot;. O projecto incluiu uma primeira fase de estudo, com a dura&#231;&#227;o de tr&#234;s semanas, seguida de um per&#237;odo de quatro dias passados em Los Angeles e dez em Las Vegas. </font></p>     <p><font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4]</a></font></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <i>Learning from Levitown</i> ou <i>Remedial Housing for Architects</i> foi um projecto de investiga&#231;&#227;o desenvolvido em 1970 por Robert Venturi e Denise Scott Brown com alguns dos seus alunos, e que tomou como mat&#233;ria de análise a habita&#231;&#227;o social suburbana de New Haven. De acordo com Denise Scott Brown, o objectivo do projecto seria &quot;colocar os estudantes a pensar realisticamente em vez de ideologicamente acerca da habita&#231;&#227;o social&quot;. O resultado deste estudo foi sintetizado na exposi&#231;&#227;o <i>Signs of Life: Symbols in the American City</i>, organizada em 1976 na Renwick Gallery of the Smithsonian Institution, em Washington. </font></p>     <p><font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5]</a></font></font><font color="#000000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ver, por exemplo, Gill Perry, <i>Playing at Home</i>. <i>The House in Contemporary Art</i>, London: Reaktion Books, 2013, ou Imogen Racz, Art and the Home; London/ New York: I B Tauris, 2015. </font></p>     <p><font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6]</a></font></font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Robert Smithson, &#171;The Monuments of Passaic&#187;, Artforum, vol. VI, N.4, New York, Dec. 1967, p. 48-51. </font></p>     <p><font color="#FF0000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font color="#000000"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7]</a></font></font><font color="#000000" size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&#243;s dois anos de prepara&#231;&#227;o, e com o apoio do Artangel Trust, no Outono de 1993, Whiteread betonou o interior de uma casa vitoriana num bairro do East London, criando um volume maci&#231;o que, depois de ter sido removida a estrutura exterior da casa que lhe servira de molde, se revelou como um negativo dessa constru&#231;&#227;o. Ao transformar um espa&#231;o privado em p&#250;blico, e ao dar mat&#233;ria ao que anteriormente era vazio, sem que o volume deixasse contudo de ser identificável enquanto habita&#231;&#227;o, a escultura constitu&#237;a-se como uma constru&#231;&#227;o fantasma - o que desagradou a muitos dos habitantes do bairro e suscitou fortes pol&#233;micas, levando a que House acabasse por ser demolida em Janeiro de 1994. Para aprofundar esta quest&#227;o, ver o catálogo Rachel Whiteread - House, London: Phaidon, 1995. </font></p>      ]]></body><back>
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