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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reivindicações artísticas contemporâneas na esfera pública da cidade: Liberate Tate]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Throughout the centuries artistic processes have been played an important role against “repressive” and “dominating” systems. The spaces of the public sphere have been assumed as arenas for action of this kind of interventions. Starting from the analyses of the projects developed by Liberate Tate, started 2010, in a workshop promoted by the Tate, in London, pretends to look at the role that contemporary artistic processes can have in the critical construction of publics and the society. And, understand how actions to the micro-scale can contribute to a more conscious civic society.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><strong>ARTIGO ORIGINAL</strong></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Reivindica&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas contempor&acirc;neas na esfera p&uacute;blica da cidade: Liberate Tate </font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Contemporary artistic claims in the public sphere of the city: Liberate Tate</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Ricardo Ven&acirc;ncio Lopes<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">DIN&Acirc;MIA'CET-IUL, Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa. e-mail: <a href="mailto:ricardovenanciolopes@gmail.com">ricardovenanciolopes@gmail.com</a>.</font></p>     <p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Ao longo dos s&eacute;culos os processos art&iacute;sticos t&ecirc;m tido um papel relevante contra sistemas &ldquo;repressivos&rdquo; e &ldquo;dominadores&rdquo;. Os espa&ccedil;os da esfera p&uacute;blica t&ecirc;m-se assumindo como arenas para a ac&ccedil;&atilde;o desse tipo de interven&ccedil;&otilde;es. Partindo da experi&ecirc;ncia Liberate Tate, iniciada em 2010, num workshop promovido pelos museus Tate, em Londres, pretende-se olhar para o papel que determinados processos art&iacute;sticos contempor&acirc;neos podem ter na constru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de p&uacute;blicos e da sociedade. Em paralelo, procura-se perceber como ac&ccedil;&otilde;es &agrave; micro-escala de actua&ccedil;&atilde;o podem contribuir para uma sociedade civicamente mais participativa e consciente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> arte, cidade, activismo, esfera p&uacute;blica.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Throughout the centuries artistic processes have been played an important role against &ldquo;repressive&rdquo; and &ldquo;dominating&rdquo; systems. The spaces of the public sphere have been assumed as arenas for action of this kind of interventions. Starting from the analyses of the projects developed by Liberate Tate, started 2010, in a workshop promoted by the Tate, in London, pretends to look at the role that contemporary artistic processes can have in the critical construction of publics and the society. And, understand how actions to the micro-scale can contribute to a more conscious civic society.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> art, city, activism, public sphere.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p><font size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font>     <p> A pr&aacute;tica art&iacute;stica &eacute; inerente &agrave; vida humana. Vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos permitiram observar que a arte esteve sempre presente no quotidiano das sociedades. Contudo, aquilo que hoje &eacute; visto como arte corresponderia, em &eacute;pocas passadas, a ac&ccedil;&otilde;es comuns da quotidianidade daquelas sociedades, vinculadas a pr&aacute;ticas religiosas, m&aacute;gicas, b&eacute;licas, etc. (Dorfles, 1986). Desta forma, a arte assume um papel de destaque na vida e na cultura dos povos, ajudando a registar mem&oacute;rias, cenas quotidianas, cren&ccedil;as ou mensagens.      <p> A arte, pela sua transversalidade, foi-se reinventado e acompanhando o evoluir da civiliza&ccedil;&atilde;o. Se, nos prim&oacute;rdios, os registos se resumiam a retratar as cenas do quotidiano e rituais que faziam parte do imagin&aacute;rio das civiliza&ccedil;&otilde;es &agrave; &eacute;poca, perante o mundo de imagens em que vivemos actualmente, o imagin&aacute;rio e as possibilidades tornam-se infinitas. </p>     <p> Ao longo dos s&eacute;culos, e devido &agrave; sua import&acirc;ncia na vida quotidiana, tamb&eacute;m o espa&ccedil;o p&uacute;blico se foi confirmando como uma arena privilegiada de demonstra&ccedil;&atilde;o de poder, culto, com&eacute;rcio, convivialidade e representa&ccedil;&otilde;es sociais (Miles, 1997; Costa e Lopes, 2015). Interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas foram encontrando nesse territ&oacute;rio o palco privilegiado para rituais populares, exibi&ccedil;&otilde;es de arte p&uacute;blica, <i>happenings</i>, instala&ccedil;&otilde;es, <i>performances</i>, <i>street art</i>, etc. (Lopes, 2012). </p>     <p> Contudo, as no&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;o p&uacute;blico t&ecirc;m-se alterado muito ao longo dos &uacute;ltimos anos, vindo a assistir-se a uma crescente privatiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e ao aumento da import&acirc;ncia dos espa&ccedil;os pertencentes &agrave; esfera p&uacute;blica. Nomeadamente espa&ccedil;os privados que permitem o acesso p&uacute;blico, independentemente de condicionalismos diversos (hor&aacute;rios, restri&ccedil;&otilde;es, acesso, etc.) (Costa e Lopes, 2015). Nestes espa&ccedil;os, o acesso, apesar de limitado, permite a extrapola&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meras regras e competi&ccedil;&otilde;es que regem o espa&ccedil;o p&uacute;blico contempor&acirc;neo. As in&uacute;meras concess&otilde;es do espa&ccedil;o p&uacute;blico a privados, marcas ou grupos formais, deixam uma margem cada vez menor para processos informais de ocupa&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Em cidades cada vez mais mercantilizadas, um apartamento em S&atilde;o Paulo, uma cave em Berlim, uma antiga mercearia em Lisboa, ou o <i>hall</i> de um museu em Londres revelam-se espa&ccedil;os de evas&atilde;o devido &agrave; imprevisibilidade de regula&ccedil;&atilde;o desses territ&oacute;rios. As pra&ccedil;as e as ruas, apresentam na contemporaneidade, em in&uacute;meras urbes, c&acirc;maras de vigil&acirc;ncia ou gest&otilde;es privadas que deixam menos margem para exerc&iacute;cios contra-cultura, e, onde a participa&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o se revela incomodativa. Com isto n&atilde;o se quer dizer que o ‘tradicional' espa&ccedil;o p&uacute;blico tenha desaparecido como espa&ccedil;o de contesta&ccedil;&atilde;o. As pra&ccedil;as mais simb&oacute;licas das cidades continuam a ser palco das maiores reivindica&ccedil;&otilde;es e lutas sociais, mesmo num per&iacute;odo em que as redes digitais t&ecirc;m assumido um papel cada vez mais revelante para a forma&ccedil;&atilde;o de redes de indigna&ccedil;&atilde;o, conforme nos descreve Manuel Castells (2013), ou David Harvey (2012), referindo-se &agrave; forma como certos contextos marcados por altera&ccedil;&otilde;es socio-ec&oacute;nomicas se t&ecirc;m revelando interessantes pontos de luta e resist&ecirc;ncia social nos &uacute;ltimos anos. </p>     <p> Na cria&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o da &ldquo;marca&rdquo; cidade, a cultura assume um papel cada vez mais relevante na composi&ccedil;&atilde;o das narrativas vinculadas a cada territ&oacute;rio (Costa e Lopes, 2017). Contudo, importar&aacute; questionar qual o papel da economia da cultura perante a observa&ccedil;&atilde;o de uma crescente instrumentaliza&ccedil;&atilde;o dos agentes criativos. Diversos autores que t&ecirc;m estudado a import&acirc;ncia da economia da cultura para o desenvolvimento territorial como Allen Scott, Charles Landry ou Malcolm Miles, que se mostram apreensivos perante a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da cultura. Na mesma linha, Thomas Hutton (2015) tamb&eacute;m questiona se ser&aacute;&acute; a economia da cultura um pilar da economia urbana contempor&acirc;nea, ou apenas um instrumento ao servi&ccedil;o de interesses econ&oacute;micos maiores. Esta quest&atilde;o prende-se com o facto de se verificar que em v&aacute;rias cidades do Norte e do Sul global, os n&uacute;cleos culturais s&atilde;o rapidamente substitu&iacute;dos por grupos econ&oacute;micos mais fortes. Esta realidade leva a que espa&ccedil;os urbanos outrora irreverentes, alternativos e culturais tendam para a massifica&ccedil;&atilde;o e turistifica&ccedil;&atilde;o dos processos de produ&ccedil;&atilde;o e exibi&ccedil;&atilde;o cultural, perdendo a informalidade e criatividade que os caracterizavam. </p>     <p> Desta forma, interessa interrogar de que modo a cultura pode ser uma actividade criativa, engajadora, sustent&aacute;vel, cr&iacute;tica e est&eacute;tica, sem se tornar apenas num mero elemento do espect&aacute;culo (Debord, 1972) num mundo mercantilizado. </p>     <p> Assim, n&atilde;o sendo o foco deste artigo analisar as no&ccedil;&otilde;es e limites associados &agrave; &ldquo;mercantiliza&ccedil;&atilde;o da cultura e da cidade&rdquo;, bem como as no&ccedil;&otilde;es de &ldquo;espa&ccedil;o p&uacute;blico&rdquo; ou da &ldquo;arte p&uacute;blica&rdquo; (t&atilde;o difusos na actualidade), interessa sobretudo interrogar o papel que a arte desenvolvida no espa&ccedil;o p&uacute;blico ou na esfera p&uacute;blica pode assumir no dia-a-dia da cidade contempor&acirc;nea que &eacute;, por tradi&ccedil;&atilde;o, o territ&oacute;rio mais democr&aacute;tico para o seu acesso. Em paralelo, interessa tamb&eacute;m perceber de que forma a arte pode contribuir para o incremento de sentido cr&iacute;tico na sociedade civil e de luta contra os poderes estabelecidos. Neste ponto importar&aacute; ter em considera&ccedil;&atilde;o que o inverso tamb&eacute;m &eacute; verdade, assumindo que em muitos momentos da hist&oacute;ria a arte foi utilizada como forma de criar f&aacute;bulas e ideais que protegiam os poderes vigentes. </p>     <p> O Tate Modern e o Tate Britain [<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>], em Londres, foram os palcos da esfera p&uacute;blica onde decorreram as interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas que nos propomos a analisar no presente artigo, no &acirc;mbito da iniciativa <i>Liberate Tate</i>, que pretendia que a institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aceitasse donativos da empresa petrol&iacute;fera BP (British Petroleum). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>2. </b> <b> <i> Liberate Tate </i></b></font>[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>]</p>     <p> 1 - A que horas come&ccedil;a a revolu&ccedil;&atilde;o? </p>     <p> 2 - Ha, meu caro, a revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; um sentimento, &eacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o e uma necessidade de mudan&ccedil;a. Estas sensa&ccedil;&otilde;es profundas n&atilde;o t&ecirc;m hor&aacute;rio marcado. S&atilde;o espont&acirc;neas. </p>     <p> 1 - A que horas come&ccedil;a? </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 2 - &Agrave;s tr&ecirc;s. Na pra&ccedil;a central. </p>     <p> 1 - E quantas pessoas est&atilde;o previstas participar na revolu&ccedil;&atilde;o? </p>     <p> 2 - Ha, meu caro, a revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; um movimento que nasce de uma vontade individual, de uma insatisfa&ccedil;&atilde;o humana n&atilde;o partilh&aacute;vel, de um instinto solit&aacute;rio que nos leva a querermos, sozinho, destruir o velho e fazer algo de novo. </p>     <p> 1 - Quantas pessoas? </p>     <p> 2 - Dez mil pessoas. Dez mil e sete, mais precisamente. </p>     <p> 1 - Dez mil? </p>     <p> 2 - Mas se for necess&aacute;rio levamos mais um zero. </p>     <p> 1 - Mais um zero? </p>     <p> 2 - Sim, temos um cartaz branco com um zero muit&iacute;ssimo bem desenhado. Se for necess&aacute;rio, pomos ao lado das dez mil pessoas, no lado direito, essa placa com o zero. Ficaremos assim cem mil. </p>     <p> 1 - &Eacute; assim que funciona? </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 2 - Sim, &eacute; assim que funciona. Desde a escola prim&aacute;ria. Se tem o n&uacute;mero 10 e p&otilde;e um zero do lado direito, fica 100. Em que escola andou? </p>     <p> 1 - S&oacute; uma &uacute;ltima quest&atilde;o: &eacute; preciso levar alguma coisa para a revolu&ccedil;&atilde;o? </p>     <p> 2 - Cada um leva o que sentir ser o necess&aacute;rio, e o que for exigido pelo mais profundo do seu ser. </p>     <p> 1 - Como? </p>     <p> 2 - Leve uma pedra. </p>     <p> 1 - Uma pedra? </p>     <p> 2 - Sim. </p>     <p> 1 - De que tamanho? </p>     <p> 2 - O tamanho suficiente para partir um vidro. </p>     <p> 1 - Posso levar uma pedra com o tamanho suficiente para partir uma cabe&ccedil;a? </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 2 - Meu caro, que horror!!... </p>     <p> 1 - ...? </p>     <p> 2 - Ok. sim. </p>     <p> 1 - Levo ent&atilde;o duas pedras? uma para partir vidros, outra para partir cabe&ccedil;as? </p>     <p> 2 - Se levar duas pedras, uma em cada m&atilde;o, ficar&aacute; com as m&atilde;os atadas, como se costuma dizer, Ou com as m&atilde;os demasiado cheias. </p>     <p> 1 - Entendo. </p>     <p> 2 - &Eacute; necess&aacute;rio uma certa flexibilidade. Uma capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> 1 - Compreendo. </p>     <p> 2 - Deve pois ter uma m&atilde;o livre e na outra deve levar uma pedra. </p>     <p> 1 - Entendo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 2 - E essa pedra pode ser utilizada para dois objectivos: partir um vidro ou uma cabe&ccedil;a. E est&aacute; nas suas m&atilde;os, literalmente nas suas m&atilde;os, a decis&atilde;o. </p>     <p> 1 - Entendo. </p>     <p> 2 - Uma revolu&ccedil;&atilde;o que corra bem utiliza as pedras para partir vidros. </p>     <p> 1 - Entendo. </p>     <p> 2 - Se correr mal: cabe&ccedil;as. </p>     <p> 1 - Cabe&ccedil;as! Entendo. </p>     <p> 2 - Meu caro, gostei de falar consigo. Vemo-nos &agrave;s tr&ecirc;s? </p>     <p> 1 - Sim, &agrave;s tr&ecirc;s. Na pra&ccedil;a central. </p>     <p> Gon&ccedil;alo M. Tavares </p>     <p> O poema de Gon&ccedil;alo M. Tavares revela-se um texto muito &ldquo;visual&rdquo; do modo como a iniciativa <i>Liberate Tate</i> se construiu em torno de uma luta-ac&ccedil;&atilde;o que se estimulou &ldquo;sem hora marcada&rdquo; e de forma &ldquo;espont&acirc;nea&rdquo;. O poema transcrito tamb&eacute;m nos abre a discuss&atilde;o em torno de como a arte pode contribuir para o sentido cr&iacute;tico da popula&ccedil;&atilde;o, que no seu dia-a-dia e perante os in&uacute;meros est&iacute;mulos a que &eacute; exposta na sociedade do espect&aacute;culo (Debord, 1967; 2002), que n&atilde;o consegue ter a capacidade cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; maioria das din&acirc;micas que se estabelecem &agrave; sua volta. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A iniciativa <i>Liberate Tate</i> come&ccedil;ou a desenhar-se num workshop comissariado pela Tate, sobre arte e activismo, em Janeiro de 2010, quando os curadores da Tate censuraram as propostas de interven&ccedil;&atilde;o que iam contra os ideais do museu ou dos seus patrocinadores. Sem atender &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o, os participantes colaram a frase <i>Art Not Oil</i> na <i> The light beam </i>[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], junto &agrave; frase pr&eacute;-existente &ldquo;Free Entry – Tate Modern&rdquo;. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n37/n37a05f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Estava assim lan&ccedil;ado o mote para a forma&ccedil;&atilde;o do colectivo <i>Liberate Tate</i>, que tem como principal objectivo lutar contra os financiamentos dados pela empresa BP a museus Brit&acirc;nicos. O argumento baseava-se no facto de que uma empresa respons&aacute;vel por enormes impactes ecol&oacute;gicos, sociais e econ&oacute;micos n&atilde;o poder &ldquo;limpar&rdquo;[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>] a sua imagem atrav&eacute;s de mecenato art&iacute;stico (conforme s&atilde;o disso exemplo os &ldquo;eventos BP&rdquo; onde a empresa se auto-promovia nos espa&ccedil;os dos museus). </p>     <p> &ldquo;Every day Tate scrubs clean BP's public image with the detergent of cool progressive culture.&rdquo; </p>     <p> <i>Liberate Tate</i> </p>     <p> A amb&iacute;gua posi&ccedil;&atilde;o com que muitas vezes artistas e produtores se deparam para manter a independ&ecirc;ncia do seu trabalho fica aqui exposta na dial&eacute;ctica entre a Tate e os seus patrocinadores. A empresa BP aproveita a pol&iacute;tica de mecenato para se auto-promover (em muitos casos com mais-valias econ&oacute;micas e simb&oacute;licas) deixando a institui&ccedil;&atilde;o dependente desse dinheiro para a sua manuten&ccedil;&atilde;o. Simultaneamente, a BP aproveita-se da sua posi&ccedil;&atilde;o para coibir a linha curatorial do museu em apoiar trabalhos que possam atentar contra a pr&oacute;pria empresa. Esta situa&ccedil;&atilde;o exemplifica como a arte mantem at&eacute; ao presente essa dupla fun&ccedil;&atilde;o de se aliar ou de lutar contra regimes, conforme os artistas e as &eacute;pocas. Contudo, na contemporaneidade ela assume cada vez mais um papel preponderante em lutas e movimentos c&iacute;vicos. </p>     <p> O s&eacute;culo XX ficou marcado por um crescente posicionamento por parte das vanguardas art&iacute;sticas em termos civ&iacute;cos e pol&iacute;ticos. No final dos anos 1950, artistas como Allan Kaprow, ou grupos como Fluxus, trouxeram para a discuss&atilde;o e para a esfera p&uacute;blica novos modos de interven&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. As &ldquo;vanguardas&rdquo; art&iacute;sticas come&ccedil;aram a testar novas formas de arte - como <i>happenings</i>, <i>performances</i> e instala&ccedil;&otilde;es - saindo dos espa&ccedil;os tradicionais de exibi&ccedil;&atilde;o e de concep&ccedil;&atilde;o (Traquino, 2010), convertendo partes da cidade e objectos do quotidiano em componentes da sua obra art&iacute;stica e criando arquitecturas ef&eacute;meras. Alterou-se a rela&ccedil;&atilde;o da arte com as pessoas e com a cidade, que se tornou palco para uma arte mais informal, longe dos c&acirc;nones e espa&ccedil;os estabelecidos (Lopes, 2012), conforme se constata na defini&ccedil;&atilde;o de happening por Kaprow em 1959. </p>     <p> &ldquo; <i> An assemblage of events performed or perceived in more than one time and place. Its material environment may be constructed, taken over directly from what is available or altered slightly; just as its activities may be invented or commonplace. A happening unlike a stage play, may occur at supermarket, driving along highway, under a pile of rags, and in a friend's kitchen, either at once or sequentially. If sequentially, time may extend to more than a year. The happening is performed according to plan but without rehearsal, audience, or repetition. It's art but seems closer to life </i> &rdquo;.[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>] ( Kaprow, citado em Arnason, 1985, pp. 613)</p>     <p> Como se pode entender pelo excerto do texto de Kaprow, n&atilde;o s&oacute; os espa&ccedil;os de <i>performance</i> foram alterados, como foi introduzida toda uma nova ideologia no mundo art&iacute;stico que o cr&iacute;tico de arte Nicolas Bourriaud (2002) sintetiza da seguinte forma: ap&oacute;s o predom&iacute;nio da rela&ccedil;&atilde;o entre Humanidade e Divindade, a que sucede a da Humanidade e o objeto, a &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XX privilegia a esfera das rela&ccedil;&otilde;es inter-humanas na pr&aacute;tica art&iacute;stica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Com a sa&iacute;da do <i>white cube</i> para a &ldquo;cena&rdquo; da cidade, a arte assume cada vez mais um modo activo nos movimentos sociais, come&ccedil;ando a interrogar-se n&atilde;o s&oacute; o seu papel na constru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica e c&iacute;vica da sociedade (Bishop, 2012), como tamb&eacute;m a questionar o papel da arte apenas como objectivo est&eacute;tico contemplativo (Bourriaud, 2002). O p&uacute;blico torna-se assim objecto art&iacute;stico, n&atilde;o s&oacute; como espectador, mas como elemento preponderante para o desenvolvimento das propostas, sendo estimulado em termos cr&iacute;ticos para intervir e posicionar-se em rela&ccedil;&atilde;o aos pressupostos da abordagem art&iacute;stica. Ao deixar de ser apenas observador, o p&uacute;blico torna-se tamb&eacute;m criador no processo colectivo de pensamento e constru&ccedil;&atilde;o da obra, deixa de ser aquele que assiste, para se tornar aquele que cria dentro das v&aacute;rias camadas e m&eacute;todos propostos pelos artistas ou colectivos. </p>     <p> A arte afirma-se ent&atilde;o como movimento de contra-cultura e aliar-se-&aacute; a movimentos sociais na luta por uma sociedade civil mais engajada. O processo e a discuss&atilde;o conceptual tornam-se preponderantes para estes colectivos art&iacute;sticos e, em certa medida, at&eacute; mais importantes que o objecto art&iacute;stico final, que se torna menos controlado, mais informal e ef&eacute;mero. Este facto tamb&eacute;m se deve a um resultado que j&aacute; n&atilde;o traduz a ideia de um autor, mas antes de um conjunto de participantes, em alguns casos inesperados (por se encontrarem naquele espa&ccedil;o no momento da interven&ccedil;&atilde;o, por exemplo). Esta caracter&iacute;stica ser&aacute; muito similar ao que se passa com os colectivos dos movimentos sociais, levando a que, por natureza, os movimentos defendam que o processo &eacute; mais importante que o ‘produto'. N&atilde;o significa isto que o produto final seja irrelevante, mas apenas que &eacute; mais uma pe&ccedil;a no processo de transforma&ccedil;&atilde;o e engajamento dos diversos actores da sociedade civil. Como tal, a verdadeira transforma&ccedil;&atilde;o social resultar&aacute; de todo um processo, mais do que de uma ideia preconcebida &agrave; partida ou de um objecto final. </p>     <p> O grupo <i>Liberate Tate</i> j&aacute; levou a cabo 18 iniciativas art&iacute;sticas, desde a sua funda&ccedil;&atilde;o em 2010. Os museus Tate tornaram-se assim no palco de uma luta contra a BP e contra a explora&ccedil;&atilde;o de energias n&atilde;o-renov&aacute;veis. O facto de as iniciativas se terem realizado num espa&ccedil;o pertencente &agrave; esfera p&uacute;blica, com os diversos condicionalismos que isso implica, n&atilde;o impediu as propostas de decorrerem com maior ou menor criatividade por parte dos <i>performers</i>. </p>     <p> Herzog &amp; Meuron escrevem na mem&oacute;ria descritiva do Tate Modern que a Turbine Hall deveria ser uma grande pra&ccedil;a, local de passagem e de encontros. &Eacute; essa liberdade espacial idealizada por os arquitectos que pessoas e artistas se apropriam diariamente [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>]. Projectos <i>site-specific</i> ou simplesmente transeuntes caminhando cruzam-se e dialogam entre si. A <i>performance</i> quotidiana entra assim para um espa&ccedil;o privado. </p>     <p> As caracter&iacute;sticas espaciais da Turbine Hall permitiram que mesmo sem o consentimento da curadoria do Tate Modern - mas aproveitando o cariz p&uacute;blico do local - se desenvolvessem as v&aacute;rias iniciativas de cariz art&iacute;stico. O facto de o espa&ccedil;o ser &ldquo;aberto&rdquo; a todas as galerias permitia a visibilidade que o grupo queria para as suas ac&ccedil;&otilde;es, que teriam que ser ef&eacute;meras e actuar no local por per&iacute;odos de tempo reduzido devido aos constrangimentos causados &agrave; Tate. </p>     <p> Perante a efemeridade das propostas, a vertente documental revela-se extremamente valiosa, permitindo que as iniciativas possam perdurar no tempo e continuar a sua ac&ccedil;&atilde;o, quer c&iacute;vica quer como objecto art&iacute;stico. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n37/n37a05f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> The Gift, <i>performance</i> realizada no dia 7 de Julho de 2012 na Turbine Hall, pretendia oferecer a p&aacute; de uma h&eacute;lice e&oacute;lica &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o permanente do Tate. A iniciativa levada acabo por mais de 100 membros do colectivo doava este presente &agrave; na&ccedil;&atilde;o, simbolicamente &ldquo;dado para benef&iacute;cio p&uacute;blico&rdquo;, ao abrigo das &ldquo;Disposi&ccedil;&otilde;es dos Museus e Galerias Act 1992&rdquo;. A lei a partir da qual a <i>performance</i> foi idealizada acabou por n&atilde;o ser tida em conta pelos curadores da Tate que recusaram aceitar a p&aacute; da h&eacute;lice, ap&oacute;s delibera&ccedil;&atilde;o em Setembro de 2012. </p>     <p> O v&iacute;deo produzido pelo colectivo mostra-nos o percurso iniciado na margem norte do rio Thames, perante o olhar expectante dos transeuntes, passando pela Millennium Bridge, que termina junto &agrave; entrada do Tate Modern. Torna-se especialmente interessante o momento em que a <i>performance</i> cruza a linha t&eacute;nue que divide o espa&ccedil;o p&uacute;blico da esfera p&uacute;blica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os seguran&ccedil;as do museu surpreendidos com o objecto e com a iniciativa tentam coibir os artistas de entrar. Contudo revelam-se incapazes e a &ldquo;p&aacute; &eacute;olica&rdquo;, com 16,5 metros e uma tonelada e meia, entra na Turbine Hall. Durante algumas horas o objecto interpelou os visitantes do museu e aqueles que se cruzaram com o objecto, at&eacute; ao momento em que os funcion&aacute;rios do museu retiraram a &ldquo;obra&rdquo; da &ldquo;pra&ccedil;a&rdquo;. </p>     <p> Ao longo dos &uacute;ltimos seis anos v&aacute;rios foram os momentos em que o colectivo se apropriou de forma ef&eacute;mera e informal da Turbine Hall. S&atilde;o disso exemplo as seguintes interven&ccedil;&otilde;es: <i>Art Not Oil</i>, 2010;<i> Dead in the water</i>, 2010; <i>Sunflower</i>, 2010; <i>The exorcism of BP</i>, 2011; <i>Floe Piece</i>, 2012; <i>The Gift</i>, 2012; <i>All Rise</i>, 2013; <i>Hidden Figures</i>, 2014; <i>Time Piece</i> , 2015; e, <i>Tate is Liberate from BP</i>, 2016. As restantes interven&ccedil;&otilde;es do colectivo foram realizadas em outros espa&ccedil;os da esfera p&uacute;blica dos museus Tate: <i>Licence to Spill</i>, 2010, Tate Britain; <i>Collapse</i>, 2010, British museum; <i>Human Cost</i>, 2011, Tate Britain;<i>Tate a Tate</i>, 2012; <i>Parts per Million</i>, 2013, Tate Britain; <i>The reveal</i>, 2015, Tate Britain; <i>5<sup>th</sup> Assessment</i>, 2015, Tate Britain; e, <i>Birthmark</i>, 2015, Tate Britain. </p>     <p> Sem preju&iacute;zo das restantes iniciativas, interessa-nos aqui destacar a <i>performance Licence To Spill</i>, que decorreu no dia 28 de Junho de 2010, no Tate Britain. </p>     <p> Comemorava-se os 20 anos de apoio aos museus Tate por parte da BP, na festa anual de Ver&atilde;o da empresa, quando o colectivo se reuniu para &ldquo;espalhar petr&oacute;leo&rdquo; no Tate Britain e com isso chamar mais uma vez a aten&ccedil;&atilde;o dos participantes para os desastres ambientais causados pela empresa. </p>     <p> Dep&oacute;sitos com petr&oacute;leo com o s&iacute;mbolo da BP representavam uma met&aacute;fora para o petr&oacute;leo derramado no Golfo do M&eacute;xico, ap&oacute;s a explos&atilde;o da plataforma Deepwater Horizon, em Abril de 2010 e, que &agrave; &eacute;poca da <i>performance</i>, continuava sem estar completamente estancada. Um desastre com in&uacute;meras repercuss&otilde;es ambientais e que causou a morte de 12 funcion&aacute;rios da plataforma. </p>     <p> &Agrave;s 19h15m, alguns elementos do colectivo aproximam-se da entrada do museu e, ainda no exterior, no espa&ccedil;o p&uacute;blico, come&ccedil;am a derramar petr&oacute;leo pelo ch&atilde;o, perante o olhar perplexo dos que fogem e dos que assistem. Enquanto isto, outros elementos espalham sacos com penas para cima do petr&oacute;leo derramado. Os seguran&ccedil;as, perplexos, pouco fazem perante a surpresa. </p>     <p> &Agrave;s 19h20m, no interior do museu, duas <i>performers</i> com largos vestidos de gala passeiam-se pela festa e preparam-se para &ldquo;derramar ouro negro&rdquo; sobre os p&eacute;s dos ilustres convidados, enquanto gritam e chamam &agrave; aten&ccedil;&atilde;o. Perante a <i>performance</i>, alguns convidados perguntam ao rep&oacute;rter: &ldquo; <i>Is this art? ... If this is art, it's really good art.</i>&rdquo; [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>]      <p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3a" id="f3a"></a><img src="/img/revistas/cct/n37/n37a05f3a.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3b" id="f3b"></a><img src="/img/revistas/cct/n37/n37a05f3b.jpg"/>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> Contudo nem todos os coment&aacute;rios foram de aplauso. Algumas pessoas n&atilde;o ficaram satisfeitas perante a exposi&ccedil;&atilde;o e a descredibiliza&ccedil;&atilde;o causada &agrave; empresa petrol&iacute;fera, outros entenderam que n&atilde;o s&atilde;o modos de protesto ou de &ldquo;fazer arte&rdquo;. </p>     <p> Os minutos seguintes do v&iacute;deo mostram os funcion&aacute;rios da Tate a isolarem a parte do museu intervencionada e a tentarem limpar o petr&oacute;leo com grande dificuldade. As imagens, apesar das &oacute;bvias diferen&ccedil;as, lembram as dificuldades sentidas para limpar ambientes afectados por desastres petrol&iacute;feros. </p>     <p> Outras ac&ccedil;&otilde;es do colectivo <i>Liberate Tate</i> ou de outros artistas teriam enquadramento neste artigo, o que comprova a ideia que se foi introduzindo no in&iacute;cio do cap&iacute;tulo: que a arte, a cidade, o activismo e a popula&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m surgido ao longo dos &uacute;ltimos anos cada vez mais articulados. </p>     <p> A efemeridade e a informalidade com que estas iniciativas se instalam nos espa&ccedil;os da esfera p&uacute;blica levam a uma constante (re)descoberta dos lugares por onde circulamos diariamente, contribuindo assim para uma forte din&acirc;mica na cidade, nas suas diferentes camadas de codifica&ccedil;&atilde;o, da mesma forma que v&ecirc;m contribuindo de forma activa para a cria&ccedil;&atilde;o de sentido cr&iacute;tico junto de p&uacute;blicos e popula&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Conclu&iacute;mos referindo que no dia 11 de Mar&ccedil;o de 2016 a Tate anunciou que os apoios da BP aos museus Tate tinham chegado ao fim. Contudo a ac&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica do colectivo <i>Liberate Tate</i> n&atilde;o terminou. A iniciativa continua agora em outros museus que s&atilde;o patrocinados por empresas petrol&iacute;feras. </p>     <p> &ldquo; <i> We did this with our determination, commitment, stamina, tenacity, audacity, outrage, creativity, artistic craft, deep ecology and soulful collaboration. We did this with approximately 75 litres of molasses, 25 litres of sunflower oil, 20 helium balloons, 15 whispered hours of court transcripts, 1 tonne of arctic ice, 50 tubes of black paint, one 16.5 metre wind turbine blade, 1 portable toilet, 20 black sleeping sacks, 600 sticks of willow charcoal, 60 carefully selected texts, 60 millilitres of black tattooing ink, 600 black latex gloves, and 100 or so black veils – including one at 64 square metres. </i> &rdquo; [<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>]</p> </font>     <p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><i>We did this together. We did this with Art. We did this as Art</i>. ( <i>Liberate Tate</i> , 11 de Mar&ccedil;o 2016) </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p> <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n37/n37a05f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>3. Conclus&atilde;o</b></font> </p>     <p> Em 1968, Lefebvre define, no seu livro <i>O Direito &agrave; Cidade</i>, os cidad&atilde;os como &ldquo;principais protagonistas&rdquo; da cidade constru&iacute;da – o ponto da vida colectiva; e assume que somos n&oacute;s quem tem o direito de fazer as nossas cidades atrav&eacute;s de ac&ccedil;&otilde;es &agrave; micro-escala. Espa&ccedil;os p&uacute;blicos e espa&ccedil;os privados pertencentes &agrave; esfera p&uacute;blica s&atilde;o, por natureza, os palcos do quotidiano e, conforme diversos autores t&ecirc;m salientado (Jacobs, 1961; Miles, 1997; Costa e Lopes, 2015), um dos elementos mais preponderantes para a vitalidade urbana, onde &eacute; importante a exist&ecirc;ncia de uma diversidade de acontecimentos que transformem a cidade num organismo vivo e vibrante. Nos &uacute;ltimos anos, as transforma&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-econ&oacute;mias, colocaram novamente em discuss&atilde;o o conceito de ‘direito &agrave; cidade', centrando-se em torno do modo como o acesso aos seus territ&oacute;rios est&aacute; a ser restringindo, alterado ou proibido, atrav&eacute;s mecanismos de competi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica (Saskia Sassen, 2014; Raquel Rolnik, 2015). </p>     <p> Movimentos sociais espont&acirc;neos e org&acirc;nicos surgem neste contexto, reivindicando uma maior participa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade (Harvey, 2012; Emanuel Castells, 2013). Ocupando espa&ccedil;os da esfera p&uacute;blica (p&uacute;blicos e privados), f&iacute;sicos e virtuais, estes grupos t&ecirc;m contribu&iacute;do para uma sociedade mais cr&iacute;tica. </p>     <p> Uma vis&atilde;o produtivista da ac&ccedil;&atilde;o social tenta em in&uacute;meros momentos descredibilizar os movimentos sociais, por n&atilde;o atingirem todas as reformas a que se prop&otilde;em. Contudo interessa sublinhar, n&atilde;o os resultados finais como um objecto, mas todo um processo de discuss&atilde;o que se desenvolve nestes momentos de participa&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o. A luta contra a BP por parte do colectivo <i>Liberate Tate</i> &eacute; apenas uma das in&uacute;meras disputas que movimentos sociais, neste caso &ldquo;art&iacute;sticos&rdquo;, levam a cabo nas diversas partes do globo. </p>     <p> N&atilde;o sendo a solu&ccedil;&atilde;o para os problemas da sociedade, iniciativas art&iacute;sticas que apelam &agrave; participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica da popula&ccedil;&atilde;o podem tornar-se importantes armas democr&aacute;ticas contra opress&otilde;es, controlos, sistemas hegem&oacute;nicos ou repressivos vigentes por todo o mundo. Na segunda metade do s&eacute;culo XX, Guy Debord e o grupo Internacional Situacionista defendiam que pequenas iniciativas art&iacute;sticas poderiam contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o da sociedade, abolindo mesmo o papel da arte, tornando-se esta a vida quotidiana. </p>     <p> Os anos seguintes (do t&eacute;rmino da Internacional Situacionista at&eacute; &agrave; contemporaneidade) n&atilde;o provaram a total uni&atilde;o entre a arte e as ac&ccedil;&otilde;es quotidianas. Contudo, ac&ccedil;&otilde;es &ldquo;revolucion&aacute;rias&rdquo; (Debord, 1972) e &ldquo;art&iacute;sticas&rdquo; que se misturam com a vida real (Kaprow, 1959) t&ecirc;m contribuindo para lutas activas e para a melhoria da sociedade civil. </p>     <p> N&atilde;o obstante, deve ter-se em considera&ccedil;&atilde;o as dist&acirc;ncias entre a arte activista/ participativa e o &ldquo;espect&aacute;culo&rdquo;, se &eacute; que existe separa&ccedil;&atilde;o entre estes conceitos numa sociedade cada vez mais performativa em cada ac&ccedil;&atilde;o humana. Aqui, o conceito de participa&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser destacado e analisado, visto que o modo e o envolvimento dos intervenientes contribuem para que o processo de constru&ccedil;&atilde;o dos ideais seja participado e democr&aacute;tico, e n&atilde;o apenas uma forma art&iacute;stica contempor&acirc;nea. Com isto n&atilde;o se pretende dizer que a arte n&atilde;o dever&aacute; (ou poder&aacute;) ter apenas um fim est&eacute;tico per si, mas antes que n&atilde;o dever&aacute; instrumentalizar conceitos como ‘participa&ccedil;&atilde;o' ou ‘participado' se essa n&atilde;o for a charneira do desenvolvimento do projecto. </p>     <p> Assim, questionamos se ser&atilde;o as iniciativas promovidas pela <i>Liberate Tate</i> activistas/ participadas, ou apenas parte de um espect&aacute;culo. Estar&atilde;o este tipo interven&ccedil;&otilde;es artisticas tamb&eacute;m a ser absorvidas pela sociedade do espect&aacute;culo? </p>     <p> Talvez aqui a resposta esteja na efemeridade, na informalidade, nas discuss&otilde;es que se proporcionaram e no pretexto que as estimula, quer em termos &eacute;ticos, quer pol&iacute;ticos. Ser&aacute; isso que as diferencia de interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas que apresentam apenas um objecto com fim est&eacute;tico, desvirtuando uma real participa&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o (isto apesar de interessantes objectos est&eacute;ticos terem sido idealizados e produzidos pelo colectivo). Contudo, os limites s&atilde;o cada vez mais t&eacute;nues, se &eacute; que existem. No limite, dir&iacute;amos que tudo &eacute; espect&aacute;culo, independentemente do seu fim. </p>     <p> O colectivo <i>Liberate Tate</i> conseguiu o seu objectivo ao afastar a empresa British Petroleum do apoio aos museus Tate. As diversas iniciativas levadas a cabo pelo colectivo contribu&iacute;ram para um maior conhecimento e engajamento da sociedade civil relativamente aos prop&oacute;sitos de uma empresa petrol&iacute;fera ‘limpar' a sua imagem atrav&eacute;s de mecenato art&iacute;stico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Conclu&iacute;mos referindo que a arte e a cultura podem ser instrumentos de contempla&ccedil;&atilde;o (est&eacute;tica) e participa&ccedil;&atilde;o (ac&ccedil;&atilde;o), sem que uma invalide a outra, e importantes armas na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade civil participada. O modo como o colectivo anunciou, em 2016, o fim da liga&ccedil;&atilde;o da BP aos museus Tate - referindo que o trabalho do colectivo n&atilde;o terminou e ser&aacute; continuado em outros museus apoiados por petrol&iacute;feras - &eacute; um bom exemplo de como micro-ac&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas podem ser importantes ‘armas' para a uma constru&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica mais consciente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Bibliografia</b></font> </p>     <!-- ref --><p> Arnason, H. (1985) <i>A history of modern art. Painting. Sculpture. Architecture</i>, London: Thames and Hudson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1692985&pid=S2182-3030201800020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Bagcioglu, N. (2016) &ldquo;Artistic Labour: Seeking a Utopian Dimension&rdquo;, <i>Cadernos de Arte e de Antropologia</i>, 5: 1, pp. 117-133. </p>     <!-- ref --><p> Bourriaud, N. (2002) <i>Relational Aesthetics</i>, Dijon: Les Presses du reel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1692988&pid=S2182-3030201800020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Bishop, C. (2012) <i>Artificial Hells: participatory art and politics of spectatorship</i>, London; New York: Verso Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1692990&pid=S2182-3030201800020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Bishop, C. (2014) &ldquo;Antagonism and Relational Aesthetics&rdquo;, <i>October</i> 110, Fall 2004, pp. 51-79 </p>     <!-- ref --><p> Campos, R., Mubi Brighenti, A., Spinelli, L. (2011) <i>Uma cidade de imagens: Produ&ccedil;&otilde;es e consumos visuais em meios urbanos</i> , Lisboa: Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1692993&pid=S2182-3030201800020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Cartiere C., Willis S. (2008) <i>The Practice of Public Art</i>, New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1692995&pid=S2182-3030201800020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Castells, M. (2017) [2013] <i> Redes de indigna&ccedil;&atilde;o e esperan&ccedil;a: Movimentos sociais na era da internet </i> , Rio de Janeiro: Zahar. </p>     <p> Costa, P. (2012) &ldquo;Gatekeeping processes, reputation building and creative milieus: evidence from case studies in Lisboa, Barcelona and S&atilde;o Paulo&rdquo;, in L. Lazzeretti (Ed.) <i> Creative industries and innovation in Europe: Concepts, measures and comparatives case studies </i> , Routledge, pp. 286-306. </p>     <p> Costa, P., Lopes, R. (2015) &ldquo;Urban Design, Public Space and the Dynamics of Creative Milieux: A Photographic Approach to Bairro Alto (Lisbon), Gr&agrave;cia (Barcelona) and Vila Madalena (S&atilde;o Paulo)&rdquo;, <i>Journal of Urban Design</i>, 20:1, pp. 28-51, doi:10.1080/13574809.2014.991382. </p>     <p> Costa P., Lopes R. (2017) &ldquo;Artistic urban interventions, informality and public sphere: research insights from ephemeral urban appropriations on a cultural district&rdquo;, <i>Portuguese Journal of Social Science</i>, 16:3, pp. 323-42, doi: 10.1386/pjss.16.3.323_1. </p>     <p> Costa, P. Lopes, R. (2017) &ldquo;Beyond the visible on decoding the layers of a cultural quarter: Photo-essay on a reflexive urban intervention&rdquo;, in P. Costa, P. Guerra, P.S. Neves (Eds)<i>Urban intervention, street art and public space</i>, Lisbon: <a href="http://urbancreativity.org/" target="_blank">urbancreativity.org</a>, pp. 147-172, ISBN: 978-989-97712-6-0. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Costa, P., Lopes, R. (2018) &ldquo;Creative milieus in the metropolis' periphery: from the massification of Lisbon's city centre to the liveliness of ‘Margem Sul'&rdquo;, in L. Lazzeretti, M. Vecco (orgs.) &ldquo;Creative Industries and Entrepreneurship: Paradigms in Transition from a Global Perspective&rdquo;, Cheltenham / Northampton: Edward Elgar, ISBN: 978-1-78643-591-0 (cased), ISBN: 978-1-78643-592-7 (eBook). </p>     <p> Costa P., Lopes R., (2018) &ldquo;Dois lados do espelho: di&aacute;logos com um bairro cultural atrav&eacute;s da interven&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo;, <i>Revista Etnogr&aacute;fica</i>, 22: 2, Junho. </p>     <p> Costa, P., Lopes, R. (2014) &ldquo;Is street art institutionalizable? Challenges to an alternative urban policy in Lisbon&rdquo;, DINAMIA'CET Working Paper 2014/08. </p>     <p> Debord, G. (2012) [1972] <i>A Sociedade do Espect&aacute;culo</i>. Lisboa: Ant&iacute;gona. </p>     <!-- ref --><p> Dorfles, G. (1986) <i>Elogio da desarmonia</i>, Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693006&pid=S2182-3030201800020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Flynn, A. (2016) &ldquo;Subjectivity and Obliteration of Meaning: Contemporary Art, Activism, Social movement Politics&rdquo;, <i>Cadernos de Arte e Antropologia</i>, 5: 1, pp. 59-77. </p>     <p> Harvey, D. (2014) [2012] <i>Cidades Rebeldes. Do direito &agrave; cidade &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o urbana</i>, S&atilde;o Paulo: Martins Fontes – Selo Martins. </p>     <p> Hospers G.-J. (2003) &ldquo;Creative cities: breeding places in knowledge economy&rdquo;, <i>Technology, &amp; Policy</i>, 16: 3, pp.143-62. </p>     <!-- ref --><p> Hutton T. (2015) <i>Cities and the Cultural Economy</i>, Routledge, Taylor &amp; Francis Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693011&pid=S2182-3030201800020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Jacobs, J. (1989) [1961] <i>The Death and life of American Cities</i>, New York, NY: Vintage Books. </p>     <!-- ref --><p> Kaprow, A., Kelley, J. (eds.) (1993) <i>Essays on the Blurring of art and live</i>, University of California Press Berkeley and Los Angeles, California.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693014&pid=S2182-3030201800020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Landry C. (2000) <i>The Creative City: a toolkit for urban innovators</i>, London: Comedia /Earthscan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693016&pid=S2182-3030201800020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Lefebvre, H. (2012) [1968] <i>O Direito &agrave; Cidade</i>, Lisboa: Est&uacute;dio e Letra Livre. </p>     <p> Lopes R. (2012) Interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas ef&eacute;meras e apropria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o p&uacute;blico em contextos urbanos informais: an&aacute;lise de cinco &ldquo;bairros criativos&rdquo;: Bairro Alto e Cais do Sodr&eacute;, Gr&agrave;cia, Vila Madalena, Brick Lane e Kreuzberg SO36, ISCTE-IUL, Lisboa. </p>     <p> Lopes R. (2015) &ldquo;Do Bairro Alto ao Cais do Sodr&eacute;. Criatividade, informalidade e recomposi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, social, funcional e econ&oacute;mica&rdquo;, <i>Revista Rossio estudos de Lisboa</i>, n&ordm;4. </p>     <!-- ref --><p> Marzona (2005) <i>D. Minimal Art</i>, Col&oacute;nia: Taschen.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693021&pid=S2182-3030201800020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Mcdonough, T. (ed.) (2009) <i>The Situationists and the City</i>, London: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693023&pid=S2182-3030201800020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Miles M. (1997) <i>Art, space and the city – Public art and urban futures</i>, London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693025&pid=S2182-3030201800020000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Miles, M. (2012) &ldquo;Uma cidade p&oacute;s-criativa?&rdquo;, <i>Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais</i> [Online], 99. </p>     <!-- ref --><p> Miles M. (2015) <i>Limits to culture: Urban Regeneration Vs. Dissident Art</i>, London: Pluto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693028&pid=S2182-3030201800020000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> O'Connor J., Wynne D. (eds.) (1996) <i> From the Margins to the Centre: Cultural production and consumption in the post-industrial city </i> , Aldershot: Arena.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693030&pid=S2182-3030201800020000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Rolnik, R. (2015) <i>A Guerra dos Lugares</i>, S&atilde;o Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693032&pid=S2182-3030201800020000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Sassen, S. (2014) <i>Expulsions: Brutality and complexity in global economy</i>, Belknap Press: An Imprint of Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693034&pid=S2182-3030201800020000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Scott A.J. (2000) <i>The Cultural Economy of Cities</i>, New Delhi, London, Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693036&pid=S2182-3030201800020000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Traquino, M. (2010) <i>A constru&ccedil;&atilde;o do lugar pela arte contempor&acirc;nea</i>, Ribeir&atilde;o, Portugal: H&uacute;mus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1693038&pid=S2182-3030201800020000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> Received: 23-10-2018; Accepted: 28-12-2018.     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NOTES</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>] Tate &eacute; o museu nacional de arte moderna do Reino Unido, sendo composto por quatro galerias: Tate Britain, Tate Liverpool, Tate ST Ives e Tate modern. </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] Informa&ccedil;&atilde;o sobre o colectivo <i>Liberate Tate</i> dispon&iacute;vel em <a href="http://www.liberatetate.org.uk/" target="_blank"> http://www.liberatetate.org.uk/</a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Estrutura de vidro ado&ccedil;ada sobre o edif&iacute;cio pr&eacute;-existente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">A British Petroleum &eacute; ainda in&uacute;meras vezes acusada de utilizar a estrat&eacute;gia de g<i>reenwashing </i>para fomentar nos consumidores uma ideia de empresa ecol&oacute;gica desviando a aten&ccedil;&atilde;o dos impactos negativos derivados da sua ac&ccedil;&atilde;o. Entre v&aacute;rias ac&ccedil;&otilde;es de marketing destaca-se a mancha verde e o girassol estilizado no seu logotipo. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] Um conjunto de eventos realizados ou percebidos em mais de um tempo e lugar. O seu ambiente material pode ser constru&iacute;do, tomado diretamente do que est&aacute; dispon&iacute;vel ou ligeiramente alterado; assim como suas atividades podem ser inventadas ou comuns. Um <i>happening</i>, ao contr&aacute;rio de uma pe&ccedil;a de teatro, pode ocorrer no supermercado, ao longo da estrada, sob uma pilha de trapos e na cozinha de um amigo, de uma s&oacute; vez ou sequencialmente. Se sequencialmente, o tempo pode se estender por mais de um ano. O <i>happening</i> &eacute; realizado de acordo com o planeado, mas sem ensaio, audi&ecirc;ncia ou repeti&ccedil;&atilde;o. &Eacute; arte mas parece mais perto da vida.&rdquo; N.E. </p>     <p><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>] A entrada para este local do museu &eacute; p&uacute;blica. &Eacute; poss&iacute;vel entrar no espa&ccedil;o sem qualquer constrangimento de &iacute;ndole econ&oacute;mica.</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>] Isto &eacute; arte?... Se isto &eacute; arte, &eacute; arte muito boa.&rdquo; N.E. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>] </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">&ldquo;Fizemos isto com a nossa determina&ccedil;&atilde;o, compromisso, resist&ecirc;ncia, tenacidade, aud&aacute;cia, indigna&ccedil;&atilde;o, criatividade, artesanato art&iacute;stico, ecologia profunda e colabora&ccedil;&atilde;o com alma. Fizemos isto com aproximadamente 75 litros de mela&ccedil;o, 25 litros de &oacute;leo de girassol, 20 bal&otilde;es de h&eacute;lio, 15 horas de transcri&ccedil;&otilde;es, 1 tonelada de gelo &aacute;rtico, 50 tubos de tinta preta, uma l&acirc;mina de turbina e&oacute;lica de 16,5 metros, 1 casa-de-banho port&aacute;til, 20 sacos-cama pretos, 600 paus de carv&atilde;o de salgueiro, 60 textos cuidadosamente selecionados, 60 mililitros de tinta preta de tatuagem, 600 luvas de l&aacute;tex preto e 100 ou mais v&eacute;us negros - incluindo um com 64 metros quadrados.&rdquo; N.E.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"></font>     ]]></body><back>
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