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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Participação cívica e políticas habitacionais: que desafios para Portugal?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Participação cívica e políticas habitacionais:  que desafios para Portugal? </font></b>      <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Civic participation and housing policies:    What challenges for Portugal? </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Giovanni Allegretti<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a>;    Nelson Dias<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Centro    de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. e-mail: <a href="mailto:giovanni.allegretti@ces.uc.pt" target="_blank">giovanni.allegretti@ces.uc.pt</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">II</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Rede    das Autarquias Participativas de Portugal, Portugal. e-mail: <a href="mailto:nelson@nelsondias.org" target="_blank">nelson@nelsondias.org</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" />     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">      <p><font size="3"><b>Introdução</b></font> </p>     <p>Vivemos numa época dominada por um &ldquo;imperativo deliberativo&rdquo; (Sintomer e Blondiaux,    2002) nas políticas públicas. A criação de novas áreas de participação cívica    para envolver, com diferentes modalidades e graus de incidência, os cidadãos    na tomada de decisões sobre assuntos de interesse público tem tido duas vertentes:    uma instrumental, muito concreta, que procura alcançar maior eficácia e eficiência    de políticas e projetos; e outra pedagógica, que visa aumentar o espírito cívico    e a consciência coletiva sobre a elevada complexidade dos problemas, assim como    identificar os prós e os contras das possíveis soluções. Contudo, vale a pena    realçar que – inclusive nos países onde as instituições públicas mais se empenharam    na construção de espaços de participação – o campo das políticas mais estruturantes    para o território tem frequentemente ficado de fora dos dispositivos participativos,    muitas vezes devido aos montantes reduzidos dos recursos postos em debate ou    ao valor apenas consultivo atribuído a muitas dessas arenas deliberativas (Allegretti,    2013). </p>     <p> Mais especificamente, o campo da habitação tem entrado nos debates públicos    quase exclusivamente de forma indireta, principalmente em relação à discussão    sobre o espaço público envolvente às habitações. Conforme descrito pela metáfora    de John Parkinson (2004), muitos dos processos participativos que operam no    âmbito territorial tendem a incidir de forma limitada sobre a &ldquo;pintura&rdquo; e o    &ldquo;reboco&rdquo; (aspetos adicionais e secundários das transformações territoriais)    para fazer esquecer a &ldquo;construção&rdquo; e a &ldquo;habitação&rdquo; (as questões estruturais),    ou seja, os domínios onde mais se poderia aplicar o saber político dos cidadãos    (Sintomer, 2010). Estes últimos são espaços importantes de exercício do poder    discricionário das instituições representativas, que têm manifestado resistência    em abrir mão de áreas sobre as quais com frequência se concentram negociações    público-privadas das quais podem resultar poucas vantagens para a cidade, garantindo    pelo contrário favores para alguns administradores e ganhos adicionais fruto    de conflitos de interesses ou de comportamentos políticos pouco claros (de Morais,    2013; Moreno, 2010). </p>     <p> Nesta perspetiva, o presente ensaio pretende contribuir para uma reflexão    sobre o potencial dos processos participativos nas políticas de habitação no    contexto português, com ênfase na Nova Geração de Políticas de Habitação. Antes    disso, apresenta-se um conjunto de experiências internacionais que remetem para    a relação entre participação, transformações territoriais e habitação, para    mostrar como esta é uma área onde vários obstáculos se colocam ao envolvimento    dos cidadãos. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Participação cívica e habitação: que experimentações internacionais?</b></font>  </p>     <p> Uma primeira questão crítica evidenciada nas experiências internacionais é    que, onde se fala de um amplo leque de &ldquo;visões&rdquo; e &ldquo;cenários&rdquo; de gestão e transformação    territorial (como as Agendas XXI ou o Planeamento Estratégico), a participação    tem maioritariamente tomado a forma de &ldquo;concertação&rdquo; entre atores pré-organizados    do território (entidades patronais, profissionais e corporativas, sindicatos,    grandes empresas, ONG, instituições académicas, etc.), dificilmente chegando    a atrair e envolver ativamente cidadãos &ldquo;soltos&rdquo; e pouco empenhados na vida    cívica. Por esta razão, a participação no planeamento tem-se vindo a hibridizar    com outros dispositivos participativos de cunho mais &ldquo;imediatista&rdquo; (como os    orçamentos participativos, OP), no âmbito dos quais se podem obter efeitos mais    rápidos e visíveis pela escala reduzida das intervenções e menor complexidade    dos procedimentos de aprovação dos projetos [<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>].  </p>     <p> Segundo: as formas de planeamento participativo aplicadas a temas territoriais    têm frequentemente evidenciado uma tendência para tratar o tema do &ldquo;habitar&rdquo;    de forma indireta, sem incidir claramente nas políticas habitacionais. A partir    desta reflexão, não é por acaso que a participação cívica nas políticas habitacionais    tem assumido formas mais &ldquo;reativas&rdquo; ou por &ldquo;insurgência&rdquo; (Blas e Ibarra, 2006),    nomeadamente através de modalidades assentes na maior ou menor capacidade de    auto-organização dos movimentos e da sua capacidade de exercer pressão sobre    as instituições para a produção de soluções autónomas e de emergência, frente    a problemas sociais urgentes. Neste sentido, podemos considerar os núcleos autoconstruídos,    ao formarem-se como uma resposta às carências do estado social na oferta de    habitação, como o exemplo mais explícito destas formas de participação. Especialmente    no hemisfério Sul, o reconhecimento da autoconstrução como espaço de participação    cívica tem resultado, a partir dos anos 1960, na incorporação, por muitos governos,    das estratégias de regularização dos bairros como componente central da reconfiguração    das políticas habitacionais e de desenvolvimento urbano [<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>].  </p>     <p> Terceiro: no campo da habitação (e em particular da habitação social), a participação    tende geralmente a ser valorizada sobretudo nas fases de diagnóstico – como    nos processos de &ldquo;Community-Based Monitoring&rdquo;, muito frequentes nas Filipinas    e noutros países [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>] – ou na conceção    de novos assentamentos para grupos-alvo específicos, como no caso do bairro    Byker, em Newcastle-upon-Tyne (RU), realizado por Ralph Erskine no final dos    anos 1960. Até no setor privado há exemplos deste último tipo de participação,    especialmente no âmbito de intervenções integradas – como bem ilustram os casos    do Villaggio Matteotti de Terni e das residências universitárias de Urbino,    ambas planeadas no final dos anos 1960 por Giancarlo De Carlo (Marini, 2015).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Por último, no setor habitacional a participação cívica parece ser valorizada    principalmente em planos e projetos locais específicos, onde seja possível lê-la    como um &ldquo;envolvimento direto dos beneficiários&rdquo; de um determinado empreendimento.    Nomeadamente, ela assume um papel central no caso de intervenções em territórios    já habitados, onde seria bem mais complexo intervir sem um diálogo com os moradores.    Nesta perspetiva, a importância das abordagens participativas é particularmente    evidente na regularização de aglomerados informais, inclusive os de escala urbana    mais ampla (Raposo e Valente, 2010), como o célebre programa &ldquo;Favela-Bairro&rdquo;,    no Rio de Janeiro, no início do milénio, ou nas operações integradas de recuperação    de bairros residenciais de alojamento social, como nos bairros Laurentino 38,    Tor Bella Monaca ou Corviale em Roma, na primeira década de 2000 (Allegretti,    2018). </p>     <p> Nalguns casos, mais raros, a participação pode contudo ser concebida como    uma forma de <i>codesign</i> e coprodução das políticas públicas. Sobre o tema    da coprodução habitacional, merecem destaque as experiências que têm vindo a    promover soluções alternativas à produção de habitação, como o <i>Co-housing</i>    ou os <i>Community Land Trust</i>. Nesse último âmbito vale a pena citar uma    experiência-piloto promovida em Londres, na área de Mile End, para construir    no ex-hospital de Saint Clemens o &ldquo;East London community land trust&rdquo; como forma    de &ldquo;compensação&rdquo; para rebalancear os fenómenos de gentrificação e especulação    imobiliária impulsionados pelas Olimpíadas de 2012 [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>].    Merecem igualmente uma referência alguns programas sociais que, a partir de    uma perspetiva de construção dos direitos - e sobretudo do &ldquo;direito à cidade&rdquo;    - têm tratado questões habitacionais para grupo sociais específicos. É o caso    da &ldquo;Política Pública Distrital para el fenómeno de Habitabilidad de la Calle&rdquo;    [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>], desenvolvida a partir de    2012 no âmbito do quadro programático da &ldquo;Bogotá Humana&rdquo;, na Colômbia, por vezes    em conflito aberto com outras políticas urbanísticas de corte &ldquo;higienizador&rdquo;    da mesma administração. </p>     <p> Os casos mais interessantes de políticas participativas no setor habitacional    são os Orçamentos Participativos Habitação (OP), como o da cidade brasileira    de Belo Horizonte, iniciado nos anos 1990. Estes processos visam discutir «os    recursos orçamentais do município destinados à produção habitacional, para beneficiar    famílias organizadas em núcleos do movimento de luta pela moradia» e definir    «empreendimentos e benefícios para moradia social» [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>],    no quadro do desenvolvimento urbano. Esta experiência inspirou outras mais recentes,    como o OP Habitação do Município do Paul, em Cabo Verde, o OP <i>gender-responsive</i>    da Ilha de Penang na Malásia [<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>]    e o OP da Toronto Community Housing (gerido pela segunda maior empresa municipal    de habitação social da América do Norte) [<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>].    É também o caso do OP dos Inquilinos da LOGIPARC de Poitiers [<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>],    em França, e dos dois processos similares em curso na capital francesa: o primeiro,    realizado pela agência Paris Habitat, para discutir com os locatários algumas    prioridades de despesa para melhorar a vida comum nos imóveis; o segundo, desenvolvido    como uma variante do OP de Paris, destinando uma percentagem fixa dos seus recursos    para áreas de habitação pública socialmente mais vulneráveis [<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>].  </p>     <p> Os processos acima referidos têm em comum o volume limitado dos recursos e    o facto de incidirem em tecidos urbanos consolidados, sem contribuir para uma    discussão mais alargada sobre as políticas habitacionais. Mas eles formam parte    de um conjunto de ações inovadoras que visam aumentar a presença dos cidadãos    no debate sobre a qualidade da vida, sobretudo frente a um panorama de transformações    urbanas (quer dos seus problemas quer das suas possíveis soluções) cada vez    mais rápidas e imprevisíveis. </p>     <p> Neste sentido vale a pena citar uma iniciativa interessante, que atua no âmbito    da turistificação e do esvaziamento dos centros das grandes cidades: o projeto    &ldquo;Intransito&rdquo; da cidade de Palermo, na Sicília [<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>].    Embora o montante financeiro seja limitado e concentrado nos dois bairros de    experimentação de Danisinni e Ballarò, este orçamento participativo traz um    objetivo novo: alocar uma parte da taxa de turismo ao financiamento de projetos    de requalificação territorial e desenvolvimento local, propostos e escolhidos    pelos cidadãos. Para tal, o projeto conta com o apoio da Airbnb, a plataforma    de viagens que em abril de 2018 começou a cobrança automática do imposto de    residência através do seu portal (conforme exigido pela legislação local), destinando    10% dos valores arrecadados a projetos de requalificação e dinamização territorial    escolhidos pelos habitantes no âmbito da referida iniciativa. Esta experiência    tem sido criticada por circunscrever a participação pública às decisões sobre    um volume preestabelecido de recursos (sem envolver os habitantes na definição    dos limites e das regras que a plataforma online do alojamento turístico deveria    respeitar), mas também por poder constituir uma forma de &ldquo;limpeza da imagem&rdquo;    de um dos grandes atores da nova deriva metropolitana neoliberal, que exerce    forte pressão sobre os sistemas habitacionais de muitas cidades. Apesar disto,    ela é interessante por ir na direção de outras políticas participativas em gradual    florescimento, canalizando os recursos de um território em benefício das áreas    que mais têm contribuído para a recolha dos mesmos [<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>].    Ir além disto é possível se, por exemplo, olharmos para a experiência de Taiwan,    onde entre 2015 e 2016 o Ministério da Digitalização tem promovido debates abertos    (tornados públicos em <i>streaming</i>) sobre a construção da Lei onde estabelecer    direitos e deveres para a regularização da Airbnb e de outras plataformas. </p>     <p> Nesta perspetiva, afigura-se interessante o facto de em vários orçamentos    participativos terem emergido, como resposta à necessidade de promover habitação    a preços acessíveis, propostas cidadãs visando a promoção de formações, de fundos    de investimento de tipo ´capital semente` ou de programas-piloto. Recentemente,    o caso mais interessante é o de Rochester, nos Estados Unidos, onde o OP 2018    (chamado &ldquo;Your Voice Matters&rdquo;) trouxe aos primeiros lugares da votação projetos    de casas acessíveis para veteranos de guerra, fundos de emergência para pessoas    sem-abrigo, programas de <i>aconselhamento habitacional</i> ou abertura de processos    de criação de <i>Community Land Trusts </i>[<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>].  </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>O quadro português</b></font> </p>     <p> Portugal não foge ao quadro geral delineado na primeira parte deste ensaio.    Embora um amplo leque de processos participativos locais tenha vindo a tomar    forma na última década, a construção dos instrumentos de planeamento territorial    e as políticas habitacionais continuam pouco permeáveis a um maior envolvimento    direto dos cidadãos e das cidadãs, e mantêm-se no domínio do procedimentalismo    burocrático, ainda que – por vezes – enriquecido por audiências ou assembleias    públicas inseridas num contexto de escolha seletiva (cherry-picking) institucional.    Nos próprios orçamentos participativos, a tipologia de processos participativos    mais frequente hoje (Dias, 2018) não tem emergido de pedidos especiais ou de    propostas sobre temas de políticas habitacionais, em parte, provavelmente, pelas    reduzidas quantias de recursos postos à disposição dos processos em cada autarquia.    O facto de a provisão de habitação pública estar regulada por instrumentos legais    próprios e procedimentos burocráticos muito concretos, retirou este tema da    esfera da participação pública, remetendo-o para as ações de gestão corrente    das instituições. </p>     <p> Contudo, passados cerca de 40 anos depois da revolução de Abril de 1974, o    país parece ter construído um consenso em torno da nova estratégia nacional    para a habitação – consenso pressionado pelo acumular de problemas históricos    da habitação, com crises recentes devidas à rápida sucessão de períodos de crise,    austeridade e retoma assente no turismo e no imobiliário (ver Allegra, Tulumello,    este volume). Num quadro como este, impunha-se, de facto, uma nova política    pública de habitação, capaz de fazer frente aos problemas mais clássicos, como    a falta de casas, mas também aos mais emergentes, resultantes das dinâmicas    do mercado. Uma aposta com esta magnitude, assumida num quadro de fortes pressões    políticas e sociais sobre o setor, não poderia ser feita sem uma ampla mobilização    dos atores estratégicos, pois correria o risco de gerar um forte descontentamento    (Guerra, 2011). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Efetivamente, a chamada Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH; ver    Allegra e Tulumello, este volume), plasmada na Resolução do Conselho de Ministros    n.º 50-A/2018,de &hellip;DATA, aposta numa «reorientação da centralização da política    de habitação no objeto (a &ldquo;casa&rdquo;) para o objetivo (o &ldquo;acesso à habitação&rdquo;),    a criação de instrumentos mais flexíveis e adaptáveis a diferentes necessidades,    públicos-alvo e territórios, uma implementação com base numa forte cooperação    horizontal (entre políticas e organismos setoriais), vertical (entre níveis    de governo) e entre os setores público e privado, incluindo o cooperativo, bem    como uma grande proximidade aos cidadãos». </p>     <p> Este último ponto constitui, aliás, um dos princípios distintivos das novas    orientações políticas, na medida em que reconhece, simultaneamente, o papel    imprescindível dos municípios, na esteira da lógica de descentralização e de    subsidiariedade, e da participação pública, no sentido em que deve ser assegurado    o envolvimento dos destinatários, diretamente ou através de associações que    os representem, na definição e implementação das soluções habitacionais e sociais    que lhes são destinadas, em particular quando estão em causa interesses específicos    de pessoas e grupos mais vulneráveis. Esta ênfase na participação e na proximidade    coloca a NGPH num patamar distinto quando comparado com programas anteriores,    como o Programa Especial de Realojamento, tendo sido a primeira vez que o Governo    da República desenvolveu uma dinâmica participativa, de caráter consultivo,    com vista à definição de uma política nacional de habitação. </p>     <p> A fase de conceção da NGPH foi cumprida num período extremamente rápido, inferior    a um ano, tendo em conta os demorados procedimentos que se impõem à ação legislativa    e governativa. Por esta razão, as formas de diálogo social que adotou para aperfeiçoar    as suas previsões foram principalmente dirigidas a organizações sociais e profissionais    já focadas nos temas habitacionais e de desenvolvimento urbano. </p>     <p> Este novo enquadramento enfrenta naturalmente alguns desafios, na medida em    que a sua efetivação depende de um conjunto de variáveis, entre as quais se    destaca uma complexa articulação interinstitucional, que na lógica da subsidiariedade    passa para os municípios a responsabilidade de executar muitas das medidas previstas,    incluindo as que apresentam maior peso orçamental - mesmo que com o apoio financeiro    do Governo. Este aspeto é, talvez, o mais relevante quando procuramos perspetivar    a participação cidadã no quadro da execução da NGPH. Como será assegurada? Quais    as garantias previstas? </p>     <p> A transferência para os municípios da execução direta das medidas descentraliza    também a responsabilidade em matéria de promoção da participação cidadã, não    sendo, por isso, possível assegurar que essa será uma preocupação igualmente    vincada em todos os contextos. É, aliás, expectável que a geometria da participação    venha a ser muito diversificada, dependendo sobretudo da sensibilidade de algumas    autarquias para a matéria ou da necessidade que possam ter na resolução de problemas    mais graves, como, por exemplo, os relacionados com focos de conflito grupal    ou territorial, que exijam, por isso, a construção de consensos mínimos sobre    as respostas de habitação mais adequadas a cada caso. As diferenças não serão    apenas ao nível da &ldquo;geografia da participação&rdquo; no contexto dos municípios portugueses,    mas também da intensidade da mesma, sendo expectável que neste âmbito se venham    a verificar diferenças substanciais em função dos contextos locais. </p>     <p> A dificuldade acima referida significa que, embora a participação cidadã faça    parte do enunciado legislativo como princípio central da organização das políticas    - como acontece no Programa 1º Direito -, a garantia da sua efetivação no quadro    da execução das políticas não poderá ser assumida de forma inequívoca. O exposto    representa um desafio para as instâncias de governo, bem como para os agentes    académicos e da sociedade civil, na medida em que se afigura importante acompanhar    a fase de execução da NGPH, por forma a compreender como se assegura a passagem    da participação enquanto princípio à participação enquanto prática. </p>     <p> É importante sublinhar como a abordagem participativa presente na NGPH é convergente    com um contexto que em Portugal, sobretudo na última década, se tem mostrado    mais favorável à criação de novos espaços de participação dos cidadãos em matérias    tradicionalmente circunscritas à reflexão e decisão por parte das elites políticas    e dos órgãos eleitos. </p>     <p> Esta dinâmica saiu reforçada nos anos de maior agudez da crise económico-financeira    de 2008, em que o Estado, sobretudo a nível local, se mostrou sensível à criação    voluntária de espaços deliberativos para construir algumas decisões de interesse    coletivo. Apesar da Constituição Portuguesa de 1976 estabelecer o dever do Estado    de Direito de &ldquo;aprofundar a democracia participativa&rdquo; (art.º 2), a administração    pública não tem sido forjada em torno de objetivos visando um sólido envolvimento    direto dos cidadãos nas decisões estratégicas tomadas às diferentes escalas    de governo. Na última década, porém, o país assistiu a uma rápida multiplicação    de diferentes tipologias de processos participativos que – especialmente a partir    das autarquias locais – tem vindo a enriquecer o debate sobre as necessidades    e as aspirações dos habitantes, e sobre a transformação das políticas públicas,    que gradualmente se vão abrindo a uma maior descentralização de competências.    Entre as diferentes tipologias de dispositivos participativos experimentadas    em Portugal na última década, os Orçamentos Participativos têm ocupado um espaço    preponderante, reavivando gradualmente, e depois substituindo, precedentes experimentações    de cunho mais consultivo (como as Agendas XXI) ou soluções em rede de co-construção    das políticas públicas de âmbito socioeducativo e cultural realizadas através    de uma concertação entre estruturas organizadas da sociedade civil (as chamadas    &ldquo;redes sociais&rdquo;). </p>     <p> Hoje, uma boa parte dos municípios – e também várias freguesias – tem experimentado    ciclos de OP baseados em competências e recursos próprios (Dias, 2018) ou tem-se    empenhado nos diferentes processos de OP nacional que o governo despoletou a    partir de 2017, chegando a criar o Despacho n.º 436-A/2017, que obriga as escolas    públicas do terceiro ciclo e secundárias a envolver os alunos em experiências    de orçamentação participativa sobre uma pequena parte dos fundos transferidos    pelo Ministério da Educação (Falanga, 2018). Apesar deste dinamismo trans-escalar,    quase todas as experiências de OP em Portugal impactaram de forma pontual os    espaços públicos e os sistemas de mobilidade, mas raramente envolveram os habitantes    num leque de atividades participativas visando formular coletivamente escolhas    estratégicas e visões de médio-longo prazo. Aliás, aconteceu frequentemente    (especialmente em municípios da área metropolitana de Lisboa) que o &ldquo;alento    participativo&rdquo; que animava o OP tivesse, simultaneamente, sido renegado noutras    decisões de corte mais autoritário relativas à recuperação (ou ao planeamento    de novos) assentamentos habitacionais ou à localização e avaliação da oportunidade    de grandes investimentos (públicos, mas sobretudo privados) com forte impacto    na vida da cidade. </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>Uma conclusão em aberto</b></font> </p>     <p> Portugal está, provavelmente, face a uma &ldquo;bifurcação&rdquo;. Por um lado, regista-se    um aumento exponencial (especialmente à escala local) de experimentações de    cunho participativo mais institucionalizadas em múltiplos sectores do investimento    público, visando ir além de uma cultura de mera negociação com os <i>stakeholders</i>    mais poderosos. Por outro, o país passou recentemente por uma parcial reestruturação    de muitas das normativas nacionais relativas às políticas de habitação, onde    algumas experiências importantes de diálogo social foram tentadas mas sem ultrapassar    de um modo significativo as tradicionais formas de consulta dos principais portadores    de interesses organizados e sem disponibilizar montantes de recursos capazes    de serem atrativos para a maioria dos cidadãos e suscitarem modificações sólidas    nos espaços habitacionais e nos bairros mais vulneráveis. Essa bifurcação não    é, felizmente, um caminho irremediável, na medida em que existe a possibilidade,    no âmbito da NGPH, de se abrirem novos espaços para formas de decisão mais partilhadas    num setor tão estratégico para a qualidade de vida dos cidadãos. A municipalização    de algumas tarefas sobre a habitação, nas fases de diagnóstico e de planeamento    das soluções, constitui uma oportunidade fundamental para alinhar as modalidades    de debate e decisão sobre este tema com as experiências locais de diálogo social,    aumentando, assim, a intensidade destas duas vertentes e o contágio positivo    entre ambas. </p>     <p> Enquanto esta transformação não ganhar corpo, a área da habitação mantém-se    como um espaço privilegiado, onde se concentra a atenção de muitos dos atores    fortes do mercado e da política, assim como a emersão de formas de participação    cívica oriundas de movimentos sociais que estão a reorganizar-se em torno das    emergências habitacionais que marcam fortemente a vida do país, e nomeadamente    das áreas metropolitanas de Porto e Lisboa. Contudo, apostar nos dispositivos    participativos nas políticas de habitação é indispensável, ainda mais depois    das modificações institucionais introduzidas nos anos 1990 (como a do artigo    2 da Constituição), que reforçam a centralidade que a democracia participativa    deverá ter na ação diária de todos os organismos que compõem o Estado de Direito.    Para poder satisfazer estes objetivos, é, sem dúvida, necessário que os todos    os atores públicos nacionais e locais, bem como os agentes sociais, se empenhem,    dentro dos respetivos campos de ação, para que os conteúdos do artigo n.º 65    da Constituição sejam traduzidos em ações concretas, entre as quais a implementação    efetiva da NGPH. Isto significa não apenas assegurar o respeito pelo direito    a uma habitação digna, mas também fomentar o apoio às &ldquo;iniciativas das comunidades    locais e das populações, tendentes a resolver os respetivos problemas habitacionais&rdquo;    (art.º 65 - 2d) e incentivar a &ldquo;participação dos interessados na elaboração    dos instrumentos (&hellip;) de planeamento físico do território&rdquo; (art.º 65.5), aquando    da tradução destes enunciados constitucionais em ações públicas locais, assegurando    que sejam implementados sem fortes assimetrias em diferentes partes do país.  </p>     <p> Nesta perspetiva, a saudável convivência entre ações participativas &ldquo;por irrupção&rdquo;    (formas auto-organizadas e reativas, a partir de baixo) e &ldquo;por convite&rdquo; (no    contexto de programas institucionalizados e apoiados pelas autarquias e pelo    Estado) deveria abrir espaço a uma interação programática entre as duas. Esta    interação resulta indispensável para evitar a consolidação de uma &ldquo;bifurcação&rdquo;    entre discurso e práticas, que enfraqueceria o respeito pelos imperativos constitucionais    e também a manutenção do lugar central que Portugal tem vindo a conquistar na    última década no mapa mundial das experimentações participativas. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Referências bibliográficas</b></font> </p>     <p> Allegretti, G. (2013), &ldquo;Participatory Budgeting and Social Justice - Implications    of Some Cases in Spain and Italy&rdquo;, in R. Traub-Merz, Y. Sintomer, J. Zhang (Orgs.),    <i> Participatory Budgeting in Asia and Europe: Key Challenges of Participation    </i> , Basingstoke: Palgrave-McMillan, pp. 166-178 </p>     <p> Allegretti, G. (2017), &ldquo;When Citizen Participation Unexpectedly Grows in Quality    and Quantity&rdquo;, in I. David (Org.), <i> Crisis, Austerity, and Transformation.    How Disciplinary Neoliberalism is Changing Portugal </i> , London: Lexington    Books, pp. 157-178. </p>     <p> Allegretti, G. (2018), &ldquo;Cercando radici di futuro? Recupero di memoria di    un &lsquo;sistema partecipativo&rsquo; incompleto&rdquo;, in A. Coppola, G. Punziello (Orgs.),    <i> Roma in transizione. Governo, strategie, metabolismi e quadri di vita di    una metropoli </i> , Roma: Planum, pp. 317-335. </p>     <p> Blas, A., Ibarra, P. (2006), &ldquo;La participación: estado de la cuestión&rdquo;, <i>Cuadernos    Hegoa</i> 39, pp. 5-35. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Dias, N. (Org.) (2018), <i>Hope for Democracy - 30 Years of Participatory    Budgeting Worldwide</i>, Faro: Oficina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694067&pid=S2182-3030201900010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Falanga, R. (2018), Como aumentar a escala dos orçamentos participativos?    O Orçamento Participativo Portugal (OPP) e o Orçamento Participativo Jovem Portugal    (OPJP). <i>Policy Brief Observa</i>. Disponível em: <a href="http://repositorio.ul.pt/handle/10451/34461" target="_blank">    http://repositorio.ul.pt/handle/10451/34461</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694069&pid=S2182-3030201900010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Guerra, I. (2011), &ldquo;As políticas de habitação em Portugal: à procura de novos    caminhos&rdquo;, <i>Cidades, Comunidades e Territórios</i>, 22, pp. 41-68. </p>     <p> Marini, S. (Org.) (2015), <i>Giancarlo De Carlo. L&rsquo;architettura della partecipazione</i>,    Macerata: Quodlibet. </p>     <!-- ref --><p> Morais, P. (2013), <i>Da Corrupção à Crise</i>, Lisboa: Gradiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694073&pid=S2182-3030201900010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Moreno, C. (2010), <i>Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro</i>, Alfragide:    Caderno.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694075&pid=S2182-3030201900010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Osmont, A. (1995), <i>La Banque Mondiale et les villes. Du développement à    l'ajustement</i>, Paris : Karthala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1694077&pid=S2182-3030201900010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Parkinson, J. (2004), &ldquo;Why deliberate? The encounter between deliberation    and new public man-agers&rdquo;, <i>Public Administration</i>, 82 (2), pp. 377–395  </p>     <p> Raposo, I., Valente, A. (2010), &ldquo;Diálogo social ou dever de reconversão? As    Áreas Urbanas de Génese Ilegal (AUGI) na Área Metropolitana de Lisboa&rdquo;, <i>Revista    Crítica de Ciências Sociais</i>, 91, pp. 221-235. </p>     <p> Sintomer, Y. (2010), &ldquo;Saberes dos cidadãos e saber político&rdquo;, <i>Revista Crítica    de Ciências Sociais</i>, 91, pp. 135-153. </p>     <p> Sintomer, Y., Blondiaux, L. (2002), «L&rsquo;impératif délibératif », <i>Politix.    </i> <i>Revue des sciences sociales du politique</i>, 57, pp. 17-35.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTES:</p> </font>      <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>]    Quénia, África do Sul e Moçambique são os países que mais têm vindo a integrar    os dois instrumentos, a partir de uma tradição anglo-saxónica de &ldquo;planeamento    integrado&rdquo;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>]    Desde o 1970, o &ldquo;<i>twin approach</i>&rdquo; do Banco Mundial (Osmont, 1995) forçou    muitos países a legislar sobre regularização fundiária dos assentamentos autoproduzidos:    países como Brasil ou Peru emergiram por terem reconhecido a componente participativa    desta produção habitacional como uma mais-valia. Em Portugal, a aplicação da    Lei das AUGI em muitos assentamentos autoproduzidos representou uma componente    não secundária da política habitacional e de ordenamento territorial de algumas    câmaras municipais (Raposo e Valente, 2010). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="52"></a>[<a href="#top5">5</a>]    Ver <a href="https://www.pep-net.org/about-cbms" target="_blank"> https://www.pep-net.org/about-cbms</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>]    Ver <a                 href="http://www.resilience.org/stories/2017-03-29/community-land-trust-models-housing-coops-around-world/" target="_blank"             > www.resilience.org/stories/2017-03-29/community-land-trust-models-housing-coops-around-world/</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>]    Ver <a href="http://www.uclg-cisdp.org/es/printpdf/4206" target="_blank"> www.uclg-cisdp.org/es/printpdf/4206    </a> e <a                 href="http://www.uclg-cisdp.org/sites/default/files/PP_Habitabilidad Calle_Bogotá.pdf" target="_blank"             > www.uclg-cisdp.org/sites/default/files/PP_Habitabilidad%20Calle_Bogot%C3%A1.pdf</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>]    Ver <a                 href="http://www.pbh.gov.br/comunicacao/pdfs/publicacoesop/revista__15anos_portugues.pdf" target="_blank"             > http://www.pbh.gov.br/comunicacao/pdfs/publicacoesop/revista__15anos_portugues.pdf</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>]    Ver <a href="https://socdemasia.com/news-items/38-latest/175-the-gender-responsive-and-participatory-budgeting-programme-in-penang" target="_blank">https://socdemasia.com/news-items/38-latest/175-the-gender-responsive-and-participatory-budgeting-programme-in-penang</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>]    Ver <a                 href="http://www.torontohousing.ca/residents/getting-involved/participatory-budgeting" target="new"             > www.torontohousing.ca/residents/getting-involved/participatory-budgeting</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>]    Ver <a                 href="http://www.revue-economie-et-humanisme.eu/bdf/docs/r382_24_poitiers.pdf" target="_blank"             > http://www.revue-economie-et-humanisme.eu/bdf/docs/r382_24_poitiers.pdf</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>]    <a href="http://www.paris.fr/budgetparticipatif" target="_blank"> www.paris.fr/budgetparticipatif</a>;    <a href="https://www.budget-participatif.rivp.fr/budgets" target="_blank"> https://www.budget-participatif.rivp.fr/budgets</a>;    <a href="https://budgetparticipatif.e logie-siemp.paris" target="_blank">https://budgetparticipatif.e    logie-siemp.paris</a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>]    Ver <a href="https://intransito.comune.palermo.it/" target="_blank"> https://intransito.comune.palermo.it</a>.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>]    Nesta mesma direção vale a pena citar o Programa Bairro Melhor de Canoas, em    que os cidadãos podiam escolher as áreas para as quais devolver parte do Imposto    sobre Propriedade Imobiliária (IPTU): <a                 href="https://www.youtube.com/watch?v=nmtHa2RiUYo&amp;app=desktop" target="_blank"             > https://www.youtube.com/watch?v=nmtHa2RiUYo&amp;app=desktop</a>.    </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>]  Ver <a href="http://www.facebook.com/RochesterPB" target="_blank">www.facebook.com/RochesterPB</a>.</font>      ]]></body>
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