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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Agricultura familiar urbana: limites da política pública e das representações sociais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article describes the obstacles to the application of family farming public policy in urban areas in Brazil. We show that a series of representations associated with rural-agricultural have been shaping the classification criteria of rural technical assistance technicians (ATER) and in practice define the limits of application of this policy in urban areas. The mobilization of social movements linked to urban agriculture, specifically in the city of Rio de Janeiro, resulted in the construction of a public arena that denounced the lack of access of Rio de Janeiro family farmers to agrarian policies. As a result of this reciprocal effort between debate and action, the criteria for urban agrarian classification were made explicit, and urban family farming was recognized as a public problem and the possibility of intersection between family and urban agriculture policies, designing the theme nationally.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Agricultura familiar urbana: limites da pol&iacute;tica p&uacute;blica e das representa&ccedil;&otilde;es sociais</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Urban family agriculture: limits of public policy and social representations</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Annelise Caetano Fraga Fernandez<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a>; </font></b><b><font face="Verdana" size="2">Almir Cezar Baptista Filho<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil. e-mail: <a href="mailto:annelisecff@yahoo.com.br" target="_blank">annelisecff@yahoo.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">II</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento/Servi&ccedil;o de Agricultura Familiar/Superint&ecirc;ndencia Federal da Agricultura no Rio de Janeiro, Brasil. e-mail: <a href="mailto:almircezarfilho@gmail.com" target="_blank">almircezarfilho@gmail.com</a></font><br /> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo descreve os entraves para a aplica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica p&uacute;blica da agricultura familiar em meio urbano no Brasil. Mostramos que uma s&eacute;rie de representa&ccedil;&otilde;es associadas ao rural-agr&iacute;cola tem moldado os crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica rural (ATER), do mesmo modo que define na pr&aacute;tica os limites de aplica&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;tica em meio urbano. A mobiliza&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais ligados &agrave; agricultura urbana, especificamente no munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, resultou na constru&ccedil;&atilde;o de uma arena p&uacute;blica que denunciou a falta de acesso de agricultores familiares cariocas &agrave;s pol&iacute;ticas agr&aacute;rias. Como resultado deste esfor&ccedil;o rec&iacute;proco entre debate e a&ccedil;&atilde;o, os crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o da agrariedade em meio urbano foram explicitados e o reconhecimento da agricultura familiar urbana foi dado como um problema p&uacute;blico e, junto &agrave; possibilidade de interse&ccedil;&atilde;o entre as pol&iacute;ticas de agricultura familiar e agricultura urbana, o tema ganhou proje&ccedil;&atilde;o nacional.</p> <b>Palavras-chave:</b> agroecologia, arena p&uacute;blica, Rio de Janeiro, agricultura urbana, seguran&ccedil;a alimentar.     <p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">The article describes the obstacles to the application of family farming public policy in urban areas in Brazil. We show that a series of representations associated with rural-agricultural have been shaping the classification criteria of rural technical assistance technicians (ATER) and in practice define the limits of application of this policy in urban areas. The mobilization of social movements linked to urban agriculture, specifically in the city of Rio de Janeiro, resulted in the construction of a public arena that denounced the lack of access of Rio de Janeiro family farmers to agrarian policies. As a result of this reciprocal effort between debate and action, the criteria for urban agrarian classification were made explicit, and urban family farming was recognized as a public problem and the possibility of intersection between family and urban agriculture policies, designing the theme nationally.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> agroecology, public arena, Rio de Janeiro, urban agriculture, food safety.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> O presente artigo analisa as tens&otilde;es e potencialidades da aplica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica nacional de agricultura familiar em meio urbano no Brasil. Pretende-se demonstrar que parte importante desses impasses deve-se &agrave; dificuldade dos aplicadores da Pol&iacute;tica Nacional de Agricultura Familiar em identificar a agrariedade em meio urbano, informados por expectativas ideais de agricultura familiar e de estabelecimentos rurais que n&atilde;o se encontram de modo recorrente em espa&ccedil;os urbanos. Posto desta forma, j&aacute; se trata do encaminhamento de um problema p&uacute;blico, constru&iacute;do em uma arena argumentativa que procuramos descrever neste artigo. As quest&otilde;es aqui apresentadas s&atilde;o efeitos de dois processos simult&acirc;neos: a press&atilde;o de movimentos sociais do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro em defesa da agricultura, vinculados &agrave; agroecologia e &agrave; agricultura urbana (AU), e, em parte, reagindo a esta demanda, o reconhecimento do &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico federal a respeito da reduzida efetividade das pol&iacute;ticas agr&aacute;rias no estado do Rio de Janeiro, confirmando em alguma medida a fragilidade da atividade econ&ocirc;mica exclusivamente rural no estado. Ainda que o debate aqui presente traga evidentes contornos locais, procura-se mostrar que o Rio de Janeiro (sobretudo o munic&iacute;pio) p&ocirc;de contribuir para a adequa&ccedil;&atilde;o nacional da pol&iacute;tica p&uacute;blica orientada &agrave; agricultura familiar em contextos de complexidade metropolitana. Al&eacute;m disso, contribuiu para evidenciar a constru&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Nacional de Agricultura Urbana reivindicada pelo Coletivo Nacional de Agricultura Urbana (CNAU)[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>]. </p>     <p> Com base na produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre defini&ccedil;&atilde;o de agenda (Kingdon, 2001, Hannigan, 2009, Fuks, 2001), descrevemos o debate p&uacute;blico estabelecido no Rio de Janeiro (em diferentes inst&acirc;ncias federativas) em torno do qual se deu o reconhecimento da agricultura familiar urbana como um problema p&uacute;blico merecedor de aten&ccedil;&atilde;o pelos &oacute;rg&atilde;os estatais. Queremos chamar aten&ccedil;&atilde;o para dois aspectos deste debate. O primeiro &eacute; sua capacidade de revelar as oposi&ccedil;&otilde;es e resist&ecirc;ncias de t&eacute;cnicos e institui&ccedil;&otilde;es que constitu&iacute;ram seu campo de atua&ccedil;&atilde;o profissional sob a &eacute;gide do agr&iacute;cola rural e, neste sentido, t&ecirc;m pouca afinidade por aquilo que poderia ser uma agricultura da cidade ou agricultura urbana. O segundo aspecto busca demonstrar os resultados e potencialidades do refor&ccedil;o rec&iacute;proco entre debate e a&ccedil;&atilde;o nessas arenas (Fuks, 2001), possibilitando a interse&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;ticas p&uacute;blicas distintas, a converg&ecirc;ncia de agendas dos movimentos sociais e as pr&aacute;ticas da agricultura urbana. </p>     <p> O que definimos como arena p&uacute;blica tem se constitu&iacute;do a partir da atua&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais em territ&oacute;rio fluminense[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>] h&aacute; cerca de uma d&eacute;cada, de sua inser&ccedil;&atilde;o em conselhos participativos e, recentemente, de uma frente parlamentar municipal[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>]. Optamos, no entanto, por descrever a articula&ccedil;&atilde;o entre atores, organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es a partir de um f&oacute;rum de debates espec&iacute;fico, o F&oacute;rum Permanente da Agricultura Urbana, constitu&iacute;do em 2017, como consequ&ecirc;ncia de uma pauta do Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar - em sua inst&acirc;ncia municipal (CONSEA-RIO) - demandada &agrave; Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>]. Os dois autores deste texto, como representantes de suas respectivas institui&ccedil;&otilde;es, v&ecirc;m acompanhando este e outros f&oacute;runs de debate sobre a agricultura carioca[<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>], o que faz desta produ&ccedil;&atilde;o resultado de uma pesquisa-participante, aquela na qual participam pesquisadores e pesquisados e h&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o concomitante da investiga&ccedil;&atilde;o e da a&ccedil;&atilde;o (Haguette, 1992).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>1. </b> <b> Desruraliza&ccedil;&atilde;o, desagriculturaliza&ccedil;&atilde;o e agricultura urbana no Rio de Janeiro </b></font> </p>     <p> De acordo com Baptista Filho (2018), o estado do Rio de Janeiro, localizado na Regi&atilde;o Sudeste do Brasil, possui 0,5% do territ&oacute;rio nacional. Possui a terceira maior popula&ccedil;&atilde;o estadual do pa&iacute;s (16 milh&otilde;es de habitantes). Com base em dados de 2015[<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>], aponta como o segundo maior PIB[<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>] estadual (556,4 bilh&otilde;es), representando 12% do PIB brasileiro, o que equivale a 35% maior do que a m&eacute;dia nacional. Justificando esses n&uacute;meros, identifica-se uma forte concentra&ccedil;&atilde;o da atividade produtiva no setor de servi&ccedil;os, equivalente a 75,9%. J&aacute; a ind&uacute;stria corresponde a 23,6%, enquanto o setor agropecu&aacute;rio contribui com 0,54%, o que corresponde a R$3 bilh&otilde;es anuais. Com base nesses n&uacute;meros do setor agropecu&aacute;rio fluminense, observa-se, por um lado, que a agricultura e o espa&ccedil;o rural fluminense s&atilde;o maiores do que se sup&otilde;e, demonstrando sua potencialidade para o desenvolvimento do estado. Por outro lado, este n&uacute;mero &eacute; dez vezes menor do que os indicadores nacionais da agropecu&aacute;ria, que correspondem a 5,7% do PIB brasileiro. Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel observar uma tend&ecirc;ncia crescente de desagriculturaliza&ccedil;&atilde;o e perda de territ&oacute;rios rurais, j&aacute; que em 2011 a atividade agropecu&aacute;ria fluminense correspondia a 0,9% do PIB nacional, em contraste com 0,54% j&aacute; apontado em 2015. Historicamente, os baixos indicadores da agricultura fluminense encontram justificativas no colapso da grande monocultura tradicional e o car&aacute;ter rudimentar da pequena agricultura, al&eacute;m do fato de que o Rio de Janeiro, nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas, foi pioneiro na industrializa&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o e hoje passa por uma p&oacute;s-industrializa&ccedil;&atilde;o precoce. </p>     <p> Em um total de 43,6 mil km&sup2; de extens&atilde;o territorial estadual, apenas dois milh&otilde;es de hectares correspondem aos estabelecimentos agropecu&aacute;rios e, deste total, 56% t&ecirc;m menos de 10 ha. Deste modo, a fragilidade da atividade agr&iacute;cola fluminense contribui para um perfil de forte pluriatividade com o desenvolvimento de atividades n&atilde;o-agr&iacute;colas, tipicamente rurais ou n&atilde;o. </p>     <p> Confirmando o quadro de pluriatividade, Medeiros, Souza e Alentejano (2002), Novicki (1994) e Grynspan (1998) destacam o perfil rural-urbano dos trabalhadores que se envolveram nos conflitos de terra e na constitui&ccedil;&atilde;o dos assentamentos rurais na Regi&atilde;o Metropolitana na &uacute;ltima metade do s&eacute;culo XX. Ao mesmo tempo que tinham origem rural, possu&iacute;am tamb&eacute;m inser&ccedil;&atilde;o em atividades consideradas urbanas, tais como a constru&ccedil;&atilde;o civil, com&eacute;rcio, etc. N&atilde;o tinham, deste modo, a pretens&atilde;o de tornarem-se agricultores t&iacute;picos. Viam na luta pela terra, uma forma de concilia&ccedil;&atilde;o entre trabalho e moradia. </p>     <p> A imprecis&atilde;o entre territ&oacute;rios e usos rurais-urbanos acabou por refletir-se tamb&eacute;m na pol&iacute;tica de cr&eacute;dito rural do estado. Segundo estudo de 2011 (Baptista Filho, 2018), 94% dos agricultores familiares n&atilde;o tomaram financiamento de qualquer fonte naquele ano. A incapacidade do poder p&uacute;blico em aplicar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas agr&aacute;rias, seja pela baixa demanda ou por inadequa&ccedil;&atilde;o dos demandantes aos crit&eacute;rios de enquadramento dessas pol&iacute;ticas, acaba por contribuir para a consolida&ccedil;&atilde;o de tais processos em curso. Dito de outro modo, a desassist&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas agr&aacute;rias ao longo de d&eacute;cadas tem contribu&iacute;do para o &ldquo;decl&iacute;nio do peso do setor agr&iacute;cola no cen&aacute;rio econ&ocirc;mico e social fluminense&rdquo; (SEAD, 2017). </p>     <p> Este cen&aacute;rio &eacute; ainda mais grave na capital. O plano diretor do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro n&atilde;o reconhece nenhuma &aacute;rea como territ&oacute;rio rural e desde a d&eacute;cada de 1960 extinguiu a Secretaria Municipal de Agricultura. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a12f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, houve um crescente processo de invisibiliza&ccedil;&atilde;o da atividade agr&iacute;cola do munic&iacute;pio que, embora n&atilde;o tenha desaparecido, coexiste amea&ccedil;ada por processos de expans&atilde;o urbana, por instala&ccedil;&atilde;o de grandes empreendimentos ou por pol&iacute;ticas excludentes de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Este &eacute; o caso da Zona Oeste da cidade. Ali se desenvolveu uma pequena agricultura de base familiar. Imigrantes, migrantes, descendentes de ex-escravos estabeleceram seus cultivos em terras menos valorizadas. Algumas delas, &aacute;reas de encostas, grotas, &aacute;reas pr&oacute;ximas aos rios e lagoas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O mapa abaixo, de 1957, quando a cidade era ainda Distrito Federal (capital do pa&iacute;s), mostra como a agricultura de base familiar concentrou-se em morros e baixadas, at&eacute; ent&atilde;o &aacute;reas menos ocupadas da Zona Oeste do Rio de Janeiro. No alto identifica-se o Maci&ccedil;o de Gericin&oacute;-Mendanha, abaixo o Maci&ccedil;o da Pedra Branca e &agrave; direita, o Maci&ccedil;o da Tijuca[<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>]. Pode-se observar tamb&eacute;m, pela localiza&ccedil;&atilde;o dos mercados, que essa agricultura possu&iacute;a escala para o abastecimento da cidade. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a12f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Posteriormente, essas terras tornaram-se alvo de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria ou foram transformadas em &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o ambiental, sobretudo do tipo parque[<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>]. </p>     <p> N&atilde;o foram apenas as din&acirc;micas territoriais que afetaram a agricultura carioca, mas tamb&eacute;m o processo mais amplo de tecnifica&ccedil;&atilde;o e racionalidade capitalista que alterou a posi&ccedil;&atilde;o que outrora esta agricultura ocupava no abastecimento da cidade. Progressivamente abandonada pelas institui&ccedil;&otilde;es, com baixos recursos tecnol&oacute;gicos e restri&ccedil;&otilde;es de manejo, a produ&ccedil;&atilde;o da Zona Oeste tornou-se perif&eacute;rica, abastecendo feiras e estabelecimentos comerciais locais ou intermedi&aacute;rios que buscam a produ&ccedil;&atilde;o &ldquo;na porta&rdquo;. Ainda que historicamente fragilizada, esta agricultura apresenta express&atilde;o econ&ocirc;mica, sendo respons&aacute;vel pelo sustento de algumas centenas de fam&iacute;lias no munic&iacute;pio e est&aacute;, portanto, apta &agrave; cobertura das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas agr&aacute;rias. </p>     <p> No entanto, havia den&uacute;ncias dos agricultores de que desde 2005 tentavam conseguir, sem sucesso, o documento oficial da pol&iacute;tica agr&aacute;ria (DAP)[<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>]emitido pelo governo federal que confere n&atilde;o apenas o reconhecimento pol&iacute;tico da identidade de agricultor familiar, como, por meio deste t&iacute;tulo, permite acessar mercados institucionais[<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>], direitos sociais e outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas relevantes. </p>     <p> A interface entre conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, meio urbano e agricultura familiar com caracter&iacute;sticas fortemente tradicionais do Maci&ccedil;o/Parque Estadual da Pedra Branca foi aos poucos sendo anunciada por mediadores de organiza&ccedil;&otilde;es, pesquisadores e t&eacute;cnicos que atuaram em pesquisas e projetos com os agricultores. Os tra&ccedil;os hist&oacute;ricos da agricultura do Sert&atilde;o Carioca[<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>] ganharam visibilidade, e assim, suas rela&ccedil;&otilde;es com o espa&ccedil;o urbano e mercados e os conflitos das comunidades tradicionais com a gest&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os ambientais[<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>]. </p>     <p> Nos anos 2000, os agricultores do Maci&ccedil;o passaram por um processo de convers&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica/agroecol&oacute;gica, gra&ccedil;as &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de mediadores e inser&ccedil;&atilde;o em projetos, resultando tamb&eacute;m na entrada em mercados alternativos e f&oacute;runs de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. O ano de 2010 marcou a aproxima&ccedil;&atilde;o dos agricultores do Maci&ccedil;o da Pedra Branca com a Rede Carioca de Agricultura Urbana (Rede CAU), que neste per&iacute;odo se constitu&iacute;a como tal[<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>]. </p>     <p> As organiza&ccedil;&otilde;es que neste momento conformaram a Rede CAU, a partir de princ&iacute;pios agroecol&oacute;gicos, vinham desenvolvendo desde o in&iacute;cio dos anos 2000 a&ccedil;&otilde;es de est&iacute;mulo &agrave;s express&otilde;es da agricultura nos m&uacute;ltiplos espa&ccedil;os urbanos (hortas, quintais, escolas, creches, espa&ccedil;os comunit&aacute;rios), em suas conex&otilde;es com a sa&uacute;de, cultura, ambiente, seguran&ccedil;a alimentar. Na inst&acirc;ncia federal, o marco desta mobiliza&ccedil;&atilde;o em torno da agricultura urbana &eacute; o ano de 2003, durante o Governo Lula, com a campanha de combate &agrave; fome e &agrave; pobreza, quando houve o incentivo &agrave;s hortas comunit&aacute;rias em espa&ccedil;os urbanos, por sua vez,fomentadas pelo Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome[<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>]. A agricultura urbana, nesta perspectiva, era compreendida como parte de uma Pol&iacute;tica de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional capaz de produzir alimentos saud&aacute;veis e acess&iacute;veis aos moradores da cidade (Mattos et al, 2015). Neste contexto, os CONSEAS tornaram-se inst&acirc;ncias participativas fundamentais para a discuss&atilde;o de temas relacionados &agrave; fome, nutri&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o escolar. </p>     <p> Em sintonia a essas din&acirc;micas na capital, em 2006 se constitu&iacute;a a Articula&ccedil;&atilde;o de Agroecologia do Rio de Janeiro, reunindo experi&ecirc;ncias de agricultura familiar de base agroecol&oacute;gica nos munic&iacute;pios fluminenses de Serop&eacute;dica, Nova Igua&ccedil;u, Barra do Pira&iacute;, Mag&eacute;, Campos, Maric&aacute;, Paraty, Regi&atilde;o Serrana, Vale do Para&iacute;ba. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A constitui&ccedil;&atilde;o, portanto, de um territ&oacute;rio-rede (Haesbaert, 2004) de agroecologia na capital e Regi&atilde;o Metropolitana do Rio de Janeiro, teve como resultados a mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de grupos em torno da agricultura familiar e agroecol&oacute;gica e a conquista de mercados alternativos e institucionais para os agricultores. Um marco importante deste processo de acesso &agrave;s feiras na capital fluminense foi a cria&ccedil;&atilde;o, em 2010, do Circuito Carioca de Feiras Org&acirc;nicas pela Prefeitura. </p>     <p> O mapa abaixo demonstra os espa&ccedil;os de comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos (as feiras org&acirc;nicas, agroecol&oacute;gicas, da ro&ccedil;a), o mercado institucional[<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>](escola p&uacute;blica), os locais de produ&ccedil;&atilde;o e suas associa&ccedil;&otilde;es, e um grupo de consumidores de alimentos org&acirc;nicos (Rede Ecol&oacute;gica). Trata-se de um retrato importante do processo de recomposi&ccedil;&atilde;o territorial que est&aacute; em curso na Zona Oeste da cidade com o objetivo de afirmar que &ldquo;a agricultura existe e resiste no Rio de Janeiro&rdquo;[<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a>]. Esta din&acirc;mica pode ser interpretada como express&atilde;o dos novos movimentos sociais econ&ocirc;micos, nos quais o mercado &eacute; agenciado como uma pr&aacute;tica pol&iacute;tica e identit&aacute;ria (Picolloto, 2008). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a12f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>2. </b> <b>Agricultura na cidade e agricultura da cidade</b></font> </p>     <p> A agricultura do Maci&ccedil;o da Pedra Branca, pelas suas caracter&iacute;sticas hist&oacute;ricas[<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20">20</a>], tem sido apresentada por diferentes atores - tanto como uma agricultura com fei&ccedil;&otilde;es rurais, quanto uma agricultura com perfil urbano - &agrave; medida em que sofre altera&ccedil;&otilde;es em suas formas de organiza&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m carrega as contradi&ccedil;&otilde;es vivenciadas em meio urbano, inclusive de desassist&ecirc;ncia das pol&iacute;ticas agr&aacute;rias. </p>     <p> A aproxima&ccedil;&atilde;o da Rede CAU com os agricultores do Maci&ccedil;o da Pedra Branca e com organiza&ccedil;&otilde;es atuantes no local promoveu uma agenda comum de lutas. A agricultura com caracter&iacute;sticas familiares da Zona Oeste passa a ter forte representa&ccedil;&atilde;o na Rede CAU e &eacute; incorporada tamb&eacute;m como uma das express&otilde;es da agricultura na cidade e da cidade do Rio de Janeiro. Seus impedimentos para acessar as pol&iacute;ticas agr&aacute;rias em um contexto de forte urbaniza&ccedil;&atilde;o deram visibilidade a uma das dimens&otilde;es poss&iacute;veis da agricultura urbana – a agricultura familiar urbana. No entanto, &eacute; apenas por ocasi&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Permanente de Agricultura Urbana que o termo &eacute; explicitado. </p>     <p> Agricultura na cidade e agricultura da cidade s&atilde;o express&otilde;es de entendimento comum que se encaixam no termo agricultura urbana. Contudo, para Mougeot (2000), a agricultura urbana <i>stricto sensu</i> &eacute; aquela que est&aacute; integrada no sistema econ&ocirc;mico e ecol&oacute;gico urbano. Em uma perspectiva pr&oacute;xima, Daniela Almeida (2016: 185) afirma que &eacute; preciso pensar a agricultura urbana como pr&aacute;tica da cidade e n&atilde;o na cidade, j&aacute; que esta &uacute;ltima pode ser vista como estranha &agrave; cidade, como um res&iacute;duo ou forma arcaica determinada a desaparecer. Para a autora, &eacute; preciso pensar a agricultura urbana como uma pr&aacute;tica que produz novos espa&ccedil;os, que reinventa a cidade e cria novos pontos de vista sobre ela, conforme pode ser lido no <i>folder</i> de divulga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Agriculturas e Resist&ecirc;ncias na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte&rdquo; (ER&Ecirc;,2017): </p>     <p> &quot;&Eacute; preciso combater os estere&oacute;tipos de que ela &eacute; irrelevante (se comparada a outras quest&otilde;es sociais e ambientais urbanas[<a name="top21" id="top21"></a><a href="#21">21</a>]), invi&aacute;vel (do ponto de vista de outros espa&ccedil;os com mais retorno econ&ocirc;mico) e incompat&iacute;vel (devido aos impactos ambientais que pode causar ou sofrer).&quot; </p>     <p> Nos termos de Mougeot (2000) e Almeida (2016), a agricultura praticada no Maci&ccedil;o da Pedra Branca poderia ser classificada como uma express&atilde;o da agricultura na cidade, ou seja, uma agricultura familiar praticada em moldes tradicionais, em vias de desaparecimento e que foi englobada pelo processo de expans&atilde;o urbana. Ainda que localizada na cidade, preserva fortes tra&ccedil;os de uma paisagem e modos de vida rurais. No entanto, essa agricultura da forma como &eacute; apresentada pela Rede CAU, passa a ser tamb&eacute;m da cidade, &agrave; medida que se reinventa no movimento agroecol&oacute;gico e passa a ser pensada politicamente em conjunto com outras express&otilde;es de agricultura. A face p&uacute;blica deste movimento busca, portanto, afirmar que a cidade &eacute; um espa&ccedil;o leg&iacute;timo para a agricultura que, por sua vez, deve ser protegida por um conjunto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ainda pouco sens&iacute;veis a essas pr&aacute;ticas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os coletivos que atuam na cidade em defesa da agricultura, al&eacute;m de apontarem a necessidade de di&aacute;logo entre pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, denunciam os instrumentos de ordenamento urbano - tais como os planos de estrutura&ccedil;&atilde;o urbana (PEU) e a Lei de uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo (LUOS) - que incentivam o parcelamento do solo, a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas alagadi&ccedil;as e diminui&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas agr&iacute;colas (Confer&ecirc;ncia, 2018). Uma importante estrat&eacute;gia tem sido o di&aacute;logo dos movimentos com t&eacute;cnicos urbanistas da Prefeitura que comp&otilde;em o Comit&ecirc; de acompanhamento do Plano Diretor (em revis&atilde;o at&eacute; 2021). O objetivo desta aproxima&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentar informa&ccedil;&otilde;es e &ldquo;modos de ver&rdquo; que permitam aos t&eacute;cnicos propor instrumentos de salvaguarda de pr&aacute;ticas agr&iacute;colas hist&oacute;ricas, assim como reconhecer experi&ecirc;ncias pouco convencionais de agricultura. </p>     <p> Almeida e Costa (2014) apresentam tr&ecirc;s matrizes te&oacute;ricas de compreens&atilde;o da agricultura urbana. A primeira, vista pela perspectiva da espolia&ccedil;&atilde;o urbana, analisa as pr&aacute;ticas agr&iacute;colas nas periferias como estrat&eacute;gias de subsist&ecirc;ncia das popula&ccedil;&otilde;es mais pobres. Esta perspectiva tem o m&eacute;rito de trazer uma vis&atilde;o politizada das desigualdades do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista no espa&ccedil;o urbano. Todavia, fica restrita a um &uacute;nico sentido de explica&ccedil;&atilde;o da heterogeneidade de espa&ccedil;os e motiva&ccedil;&otilde;es dos atores, al&eacute;m de considerar que tais condi&ccedil;&otilde;es devem ser superadas pelo crescimento econ&ocirc;mico. A segunda leitura compreenderia a agricultura urbana sob um ponto de vista tecnicista ou paliativo dos impactos ambientais da cidade, de promo&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar e luta contra a pobreza sem, contudo, fazer o enfrentamento de quest&otilde;es relacionadas &agrave; desigualdade e &agrave; insustentabilidade do desenvolvimento urbano. </p>     <p> Por fim, as autoras apresentam a contribui&ccedil;&atilde;o de Lefebvre (2011) para pensar o urbano n&atilde;o apenas como express&atilde;o da sociedade industrial, mas como um tecido que &eacute; resultado da supera&ccedil;&atilde;o desta realidade. Trata-se de pensar o direito &agrave; cidade como uma proposta que entende o urbano como virtualidade iluminadora; como uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que ressalta os atributos pr&oacute;prios da cidade e que recusa os processos de homogeneiza&ccedil;&atilde;o impostos pelo modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista. </p>     <p> A partir deste balan&ccedil;o, Almeida e Costa (2014) entendem que muitos estudos ainda demonstram estranhamento no uso da express&atilde;o agricultura urbana, porque o termo revela algo que n&atilde;o se encaixa no pensamento moderno, que op&otilde;e cidade ao campo e ao mesmo tempo sinaliza para a concilia&ccedil;&atilde;o da cidade com a agricultura. As autoras, assim, defendem cultivar o conceito da agricultura urbana: </p>     <p> Justifica-se o uso do termo em si para provocar o estranhamento e colocar em debate a dial&eacute;tica do urbano como virtualidade e como tecido urbano estendido; a possibilidade de um ambiente urbano onde coexistem natureza e sociedade. Esclarecer os sentidos impl&iacute;citos e expl&iacute;citos de cada termo permite identificar o que une e o que separa cada um dos posicionamentos encontrados e avaliar cen&aacute;rios poss&iacute;veis para a agricultura urbana como um novo campo de estudos e como um campo de articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. </p>     <p> Em di&aacute;logo com as autoras, nos parece importante reconstituir a g&ecirc;nese de um conceito em constru&ccedil;&atilde;o - agricultura urbana - em um campo de disputas que &eacute; sempre din&acirc;mico e relacional. Neste sentido, &eacute; relevante mostrar como, do ponto de vista das pr&aacute;ticas, das representa&ccedil;&otilde;es dos atores sociais e dos agentes de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, s&atilde;o percebidas as muitas qualidades da agricultura urbana e seus efeitos sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. De acordo com Bourdieu (2006:107), &ldquo;trata-se de fazer a hist&oacute;ria social das categorias de pensamento do mundo social&rdquo;. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>3. </b> <b>O F&oacute;rum Permanente de Agricultura Urbana</b></font> </p>     <p> O F&oacute;rum Permanente da Agricultura Urbana foi criado em 2017, atrav&eacute;s da articula&ccedil;&atilde;o de conselheiros do CONSEA-RIO com a DFDA–RJ/ SEAD. </p>     <p> As dificuldades reiteradas enfrentadas pelos agricultores cariocas para conseguirem a DAP, documento que oficialmente atesta a agricultura familiar e os permite acessar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de compras governamentais, em especial o Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PNAE), tornaram-se o tema gerador a partir do qual o f&oacute;rum foi pensado e orientado. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Por um lado, a cria&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum foi resultado da nova configura&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Desenvolvimento Agr&aacute;rio no Rio de Janeiro a partir de 2016[<a name="top22" id="top22"></a><a href="#22">22</a>], que demonstrou abertura para a constru&ccedil;&atilde;o participativa de caminhos para o fortalecimento da agricultura no munic&iacute;pio carioca. Por outro, &eacute; tamb&eacute;m resultado de um fato pol&iacute;tico: o desaparecimento do registro da DAP de um agricultor no ano de 2015. Tratava-se da DAP de um agricultor, residente no PEPB, ligado ativamente &agrave; Rede CAU, e presidente do CONSEA-RIO no per&iacute;odo 2014-2015. Este fato sobre o qual nos debru&ccedil;aremos a seguir foi respons&aacute;vel pelo reconhecimento de um problema p&uacute;blico – a falta de acesso da agricultura carioca &agrave;s pol&iacute;ticas agr&aacute;rias – confrontando a Emater[<a name="top23" id="top23"></a><a href="#23">23</a>], a SEAD e a Prefeitura. </p>     <p> Sustentamos como hip&oacute;tese que parte importante das resist&ecirc;ncias institucionais e o mal-estar causado pelas cobran&ccedil;as &agrave; Emater advinham do fato de que a luta pela DAP estava sendo pautada por um movimento de agricultura urbana, a Rede CAU. Em um plano simb&oacute;lico, pautada pelos ideais que o movimento aciona de uma cidade agricult&aacute;vel em suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es e em contraste com o <i>habitus</i> (Bourdieu, 2006) dos funcion&aacute;rios da Ag&ecirc;ncia estadual de ATER, conformado pelo rural-agr&iacute;cola. Al&eacute;m disso, a politiza&ccedil;&atilde;o dos movimentos de agricultura urbana, com inser&ccedil;&atilde;o nas articula&ccedil;&otilde;es de agroecologia, expunha, a despeito do ineg&aacute;vel sucateamento da Emater, as pr&aacute;ticas pouco transparentes e ineficientes do &oacute;rg&atilde;o. O chancelamento deste debate pela inst&acirc;ncia federal respons&aacute;vel pela pol&iacute;tica p&uacute;blica de agricultura familiar constrangeu a Emater a dar satisfa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre suas a&ccedil;&otilde;es no munic&iacute;pio. </p>     <p> Ao longo do ano de 2017, foram realizados cinco encontros[<a name="top24" id="top24"></a><a href="#24">24</a>] com a presen&ccedil;a de representantes de diferentes organiza&ccedil;&otilde;es: a Emater, CONSEA-RIO, IBGE[<a name="top25" id="top25"></a><a href="#25">25</a>], pesquisadores, agricultores, associa&ccedil;&atilde;o de agr&ocirc;nomos, t&eacute;cnicos, representantes da Prefeitura, entre outros. As reuni&otilde;es eram sempre coordenadas pela Secretaria Executiva do CONSEA-RIO e pela SEAD. A din&acirc;mica das reuni&otilde;es baseou-se na apresenta&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas, do hist&oacute;rico da agricultura municipal e dos principais entraves sofridos pelos agricultores para acessar mercados. Como encaminhamento de solu&ccedil;&otilde;es, foi feita a apresenta&ccedil;&atilde;o e o debate de casos espec&iacute;ficos, avaliados ap&oacute;s a visita conjunta de um t&eacute;cnico da SEAD e da Emater, sobre a possibilidade ou n&atilde;o de concess&atilde;o das DAPs. </p>     <p> A reuni&atilde;o do dia 24 de junho de 2017 contou com a participa&ccedil;&atilde;o de um representante do SEAD de Bras&iacute;lia, respons&aacute;vel pela emiss&atilde;o das DAPs em &acirc;mbito nacional, e de todas as regulamenta&ccedil;&otilde;es sobre o tema. Nesta ocasi&atilde;o, o representante da sede do &Oacute;rg&atilde;o explana sobre as altera&ccedil;&otilde;es que em breve ocorrer&atilde;o no cadastro[<a name="top26" id="top26"></a><a href="#26">26</a>] e pontua que identificar a agricultura urbana &eacute; uma quest&atilde;o nova e envolve &ldquo;sentar junto&rdquo; e fazer a discuss&atilde;o com todos os t&eacute;cnicos da Emater. E conclui: &ldquo;esta &eacute; a primeira vez que sou convidado a discutir uma situa&ccedil;&atilde;o sobre a qual n&atilde;o existe normatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas destaca a import&acirc;ncia deste debate para pensar o futuro da agricultura familiar frente &agrave;s novas din&acirc;micas do rural e a outras formas de agricultura que n&atilde;o s&atilde;o mais rurais. Al&eacute;m disso, diz ele: &ldquo;estamos trabalhando com um instrumento que traz v&iacute;cios de origem, j&aacute; que tem como base uma resolu&ccedil;&atilde;o do Banco Central para fins de cr&eacute;dito rural e posteriormente foi utilizado como uma pol&iacute;tica p&uacute;blica&rdquo;. Ap&oacute;s esta explana&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o apresentados alguns casos espec&iacute;ficos com a finalidade de identificar se encaixam-se ou n&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o vigente. Entre esses casos, encontram-se aqueles considerados limites - que s&atilde;o os quintais produtivos. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>4. </b> <b>O urbano na aplica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas agr&aacute;rias</b></font> </p>     <p> Dentre os quatro crit&eacute;rios para a aquisi&ccedil;&atilde;o da DAP (renda, domic&iacute;lio em mesmo munic&iacute;pio, tamanho da propriedade e documentos que comprovem o controle da terra), n&atilde;o consta nenhum impedimento para a sua concess&atilde;o em meio urbano. No entanto, a Lei 11.326/2006, que estabelece as diretrizes para a Pol&iacute;tica Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, considera no Art. 3 como agricultor familiar aquele que pratica atividades em meio rural. O que d&aacute; a entender, portanto, que n&atilde;o existe agricultor em meio urbano. </p>     <p> A negativa recorrente da emiss&atilde;o do documento aos agricultores, por parte da Emater, p&ocirc;s em evid&ecirc;ncia um conjunto de entraves estruturais das institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pela aplica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. Al&eacute;m disso, evidenciou os princ&iacute;pios pr&aacute;ticos de classifica&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos de ATER, relacionados a representa&ccedil;&otilde;es dominantes sobre o rural como l&oacute;cus espec&iacute;fico de atua&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas agr&aacute;rias. </p>     <p> A justificativa de que o meio urbano era um impedimento para a concess&atilde;o da DAP &eacute; colocada expressamente por um delegado do MDA[<a name="top27" id="top27"></a><a href="#27">27</a>] em reuni&atilde;o com os agricultores do Maci&ccedil;o da Pedra Branca, no ano de 2011. Esta informa&ccedil;&atilde;o foi checada por mediadores envolvidos em projetos com os agricultores na Zona Oeste. Segundo foi averiguado &agrave; &eacute;poca, o zoneamento rural era de fato um pr&eacute;-requisito para a concess&atilde;o da DAP com a finalidade de acesso ao cr&eacute;dito rural, mas n&atilde;o para a simples concess&atilde;o do documento, que confere o reconhecimento formal do agricultor familiar. Paralelamente, outra suspeita difusa que circulava entre os diferentes atores, era o boato de que os agricultores n&atilde;o conseguiam o documento pelo fato de suas propriedades encontrarem-se em uma &aacute;rea de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Embora ambas as hip&oacute;teses tenham se mostrado parcialmente infundadas, elas demonstram que muitas vezes as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas consolidam-se a partir de vers&otilde;es ou interpreta&ccedil;&otilde;es de seus agentes em suas pr&aacute;ticas profissionais. </p>     <p> Decididos a superar as barreiras institucionais, em 2012, t&eacute;cnicos, pesquisadores, consumidores e agricultores do Maci&ccedil;o da Pedra Branca e Mendanha organizaram o que foi chamado de um mutir&atilde;o pr&oacute;-DAP. Foram levantados os agricultores que se encaixavam nas regras relativas ao tamanho da propriedade, renda e documentos de comprova&ccedil;&atilde;o do controle da terra. O pr&oacute;prio grupo responsabilizou-se pelas visitas t&eacute;cnicas e levantamento de dados de produ&ccedil;&atilde;o e renda. Com visita pr&eacute;-agendada &agrave; Emater, este coletivo dirigiu-se ao seu escrit&oacute;rio e as tr&ecirc;s primeiras DAPs foram concedidas aos agricultores. A partir desta data, algumas outras DAPs foram emitidas, mas ainda com bastante dificuldade. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Em 2014, houve o desaparecimento do registro da DAP de um agricultor do Maci&ccedil;o da Pedra Branca no sistema e a altera&ccedil;&atilde;o da matr&iacute;cula do primeiro agricultor a obter a DAP no ano de 2012. Este &uacute;ltimo passava a constar agora como um agricultor quilombola[<a name="top28" id="top28"></a><a href="#28">28</a>] e tinha novo n&uacute;mero de matr&iacute;cula. Ato cont&iacute;nuo ao desaparecimento do registro do documento, a mesma t&eacute;cnica da Emater, respons&aacute;vel pelas DAPs aos quilombolas do PEPB, escreve um e-mail ao MDA, em junho de 2015, perguntando se poderia conceder DAP a agricultores que exploravam no PEPB. O respons&aacute;vel do MDA posiciona-se negativamente, acionando a lei de crimes ambientais Lei 9.605/1998. O que antes era uma hip&oacute;tese infundada e sem registro escrito, tornou-se um impedimento formal para a concess&atilde;o de DAPs aos agricultores do parque (excetuando-se os quilombolas, protegidos de modo expresso na Constitui&ccedil;&atilde;o). Este incidente, transformado em fato pol&iacute;tico pela Rede CAU, d&aacute; origem a uma s&eacute;rie de manifesta&ccedil;&otilde;es de protesto em eventos e atos p&uacute;blicos. A reda&ccedil;&atilde;o de documentos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos avalizando as pr&aacute;ticas agr&iacute;colas no Maci&ccedil;o da Pedra Branca e o acionamento de legisla&ccedil;&otilde;es mais apropriadas para interpretar a perman&ecirc;ncia dos agricultores em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o[<a name="top29" id="top29"></a><a href="#29">29</a>] foram, em seguida, encaminhados &agrave; superintend&ecirc;ncia da SEAD. Por fim, em dezembro de 2015, a SEAD produziu uma nota t&eacute;cnica (MDA, 2015), na qual se posicionava favoravelmente &agrave; concess&atilde;o da DAP aos agricultores residentes no PEPB. </p>     <p> Embora o problema relatado gire em torno de quest&otilde;es relacionadas &agrave;s legisla&ccedil;&otilde;es ambientais e crit&eacute;rios de tradicionalidade, a quest&atilde;o de fundo diz respeito ao processo de evolu&ccedil;&atilde;o urbana carioca, que disp&ocirc;s dos territ&oacute;rios agr&iacute;colas para a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria ou para a cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas protegidas. Ainda que esta agricultura tenha fei&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias mais pr&oacute;ximas de modelos convencionais, ela foi reivindicada pela Rede CAU em um contexto de luta pelas diversas express&otilde;es da agricultura na cidade e da cidade. Para os t&eacute;cnicos da Emater, apenas a chamada agricultura convencional seria merecedora de aten&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o no contexto de um pacote interpretativo vinculado &agrave; agricultura urbana. </p>     <p> As reuni&otilde;es do F&oacute;rum evidenciaram o fato de que as representa&ccedil;&otilde;es sobre o urbano, embora n&atilde;o fossem um impedimento expl&iacute;cito, materializavam-se em crit&eacute;rios espec&iacute;ficos de julgamento sobre a poss&iacute;vel concess&atilde;o ou n&atilde;o para a DAP. De acordo com Baptista Filho, economista da DFDA-RJ[<a name="top30" id="top30"></a><a href="#30">30</a>] e respons&aacute;vel pelo encaminhamento institucional da quest&atilde;o, a agricultura em meio urbano ou periurbano apresenta caracter&iacute;sticas que ele define como de n&atilde;o-convencionalidade, quando comparada &agrave; agricultura familiar no meio rural. Para o economista, uma forma dessas pr&aacute;ticas urbanas alcan&ccedil;arem a pol&iacute;tica p&uacute;blica da agricultura familiar &eacute; o crit&eacute;rio da agrariedade que deve ser identificado a partir dos seguintes crit&eacute;rios elencados nas notas t&eacute;cnicas 007/2017 e posteriormente 005/2018, produzidas pela Secretaria: a) vizinhan&ccedil;a prop&iacute;cia: propriedades localizadas em zonas de baixa densidade demogr&aacute;fica ou vizinhas a unidades de conserva&ccedil;&atilde;o; b) dimens&atilde;o e uso da propriedade: em geral tendem a ser menores do que 1 m&oacute;dulo fiscal, mas esta limita&ccedil;&atilde;o pode ser equacionada com uma produ&ccedil;&atilde;o intensiva, confinada ou de valor agregado; c) culturas exploradas; d) casos em que o foco seja a comercializa&ccedil;&atilde;o, beneficiamento e processamento: produtos processados podem se tornar os principais produtos comercializados, desde que a maior parte venha da propriedade; e) rela&ccedil;&atilde;o com os recursos naturais do im&oacute;vel: o im&oacute;vel cont&eacute;m recursos naturais? &Aacute;gua, solo, ilumina&ccedil;&atilde;o; f) rela&ccedil;&otilde;es de identidade e paisagem: ainda que em espa&ccedil;o urbano, a atividade agr&iacute;cola pode criar uma ambi&ecirc;ncia espec&iacute;fica de ruralidade e de rela&ccedil;&otilde;es humanas entre fornecedores, produtores e consumidores, al&eacute;m da presen&ccedil;a de culturas, t&eacute;cnicas e tecnologias tradicionais; g) fonte de renda da Unidade de Produ&ccedil;&atilde;o Familiar: deve ser preponderantemente egressa da comercializa&ccedil;&atilde;o dos produtos cultivados na propriedade e; h) finalidade do im&oacute;vel: deve ser majoritariamente voltada para a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais; j) quando a &aacute;rea do estabelecimento for maior do que quatro m&oacute;dulos fiscais: deve-se considerar crit&eacute;rios de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental que imp&otilde;em limites &agrave; &aacute;rea cultivada. </p>     <p> Com base nesses crit&eacute;rios, os presentes na reuni&atilde;o do F&oacute;rum no dia 24 de junho de 2017 dispuseram-se a analisar os resultados da visita t&eacute;cnica, realizada em conjunto pelo engenheiro agr&ocirc;nomo da SEAD-RJ e da Emater, ao quintal de uma agricultora, que aqui ser&aacute; denominada como Andreia[<a name="top31" id="top31"></a><a href="#31">31</a>]. Ap&oacute;s in&uacute;meras pondera&ccedil;&otilde;es, julgou-se por bem conceder a DAP &agrave; agricultora. Mas seu caso foi considerado um caso limite para a concess&atilde;o do documento, com grande parte de crit&eacute;rios eleg&iacute;veis, mas outros tantos, n&atilde;o. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>5. </b> <b> Quintais produtivos e o limite da pol&iacute;tica p&uacute;blica da agricultura familiar em meio urbano </b></font> </p>     <p> Segundo a descri&ccedil;&atilde;o dos dois engenheiros agr&ocirc;nomos, o quintal da Andreia possui 162 m&sup2;[<a name="top32" id="top32"></a><a href="#32">32</a>]. Em sua &aacute;rea explorada, a maior parte dos cultivos &eacute; em vasos e mudas. A renda dela vem de produtos processados que ela obt&eacute;m na propriedade: faz sucos, sorvetes e biscoitos de chaya[<a name="top33" id="top33"></a><a href="#33">33</a>]. Ela adquire parte das mat&eacute;rias-primas de terceiros e tamb&eacute;m comercializa produtos org&acirc;nicos de terceiros. Tem uma renda total de cerca de R$4.700,00. Assim, eles descrevem a visita, revelando uma avalia&ccedil;&atilde;o negativa de conformidade da agricultora urbana: </p>     <p> N&oacute;s visitamos, fotografamos toda a propriedade. Ela nos relatou que sua renda gira em torno de quatro mil reais. Na hora de calcularmos, observamos que cerca de mil e quatrocentos reais v&ecirc;m de produtos de fora. A agricultura seria maior parte da renda entre aspas. N&atilde;o &eacute; um com&eacute;rcio convencional; 70%, 80% vem do beneficiamento. </p>     <p> O representante da SEAD/DF argumenta com os t&eacute;cnicos respons&aacute;veis pela visita a respeito do beneficiamento: &ldquo;mas quando voc&ecirc; visita um agricultor que est&aacute; na &aacute;rea rural e faz queijo, a renda dele vem do queijo e ele &eacute; enquadrado&rdquo;. O t&eacute;cnico da Emater, n&atilde;o satisfeito com a argumenta&ccedil;&atilde;o, contrap&otilde;e: &ldquo;162m&sup2;! Vasos! A pessoa n&atilde;o se enquadra! Tira folhas de uma planta!&rdquo; </p>     <p> O representante pondera: &ldquo;tudo que foge ao convencional &eacute; dif&iacute;cil. N&atilde;o queremos que voc&ecirc;s se comprometam, mas sim que partilhem esta responsabilidade com a SEAD. H&aacute; mecanismos de se precaver, comprovar dados de renda e crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Por fim, o representante da SEAD/DF[<a name="top34" id="top34"></a><a href="#34">34</a>] avalia em conjunto com os t&eacute;cnicos da ag&ecirc;ncia RJ a possibilidade de concess&atilde;o da DAP para a Andreia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Observa-se que, neste caso, as caracter&iacute;sticas urbanas causaram desconforto aos t&eacute;cnicos e ganharam materialidade nos crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o empregados. Na visita, os t&eacute;cnicos problematizaram o tamanho da propriedade, os cultivos em vasos, a necessidade de aquisi&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias primas externas, a maior parte da renda adquirida com produtos processados. A despeito das retic&ecirc;ncias dos avaliadores, o respaldo dos agentes em inst&acirc;ncia federal (respons&aacute;veis pela regulamenta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica) e o ambiente de controle social promovido pelo F&oacute;rum permitiram a valida&ccedil;&atilde;o do quintal da Andreia como eleg&iacute;vel &agrave; concess&atilde;o da DAP. Comprovou-se assim a finalidade produtiva da propriedade, com o aproveitamento pleno dos espa&ccedil;os, apesar de sua microextens&atilde;o (quando se considera um estabelecimento agr&aacute;rio) e a explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola como principal fonte de renda. Quanto aos recursos naturais do im&oacute;vel, a &aacute;gua e o solo s&atilde;o oriundos de fontes externas e, a despeito de uma vizinhan&ccedil;a bastante urbanizada e de um sistema produtivo diferenciado do agr&iacute;cola, h&aacute; uma paisagem agroflorestal e rela&ccedil;&otilde;es de troca entre os produtores, fornecedores e consumidores. </p>     <p> Um conjunto de notas t&eacute;cnicas produzidas pela SEAD no per&iacute;odo entre 2017 e 2018 produziu um corpus argumentativo em defesa da agrariedade como o crit&eacute;rio distintivo para a concess&atilde;o da DAP. Podendo ser concedida tanto em meio rural, como urbano. No entanto, avalia-se que os quintais produtivos, na grande maioria dos casos, n&atilde;o se enquadram de modo satisfat&oacute;rio aos crit&eacute;rios da pol&iacute;tica p&uacute;blica da agricultura familiar. Trata-se de uma situa&ccedil;&atilde;o limite e, justamente por isso, &eacute; preciso pensar outros mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e incentivo para os quintais produtivos. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Conclus&atilde;o </b></font> </p>     <p> No campo de estudo das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, tanto o referencial de defini&ccedil;&atilde;o de agenda, quanto de arenas sociais enfatizam a necessidade de compreens&atilde;o das conjunturas, esquemas argumentativos e janelas de oportunidades que permitem que um problema seja reconhecido ou torne-se p&uacute;blico. </p>     <p> Podemos definir a seguinte quest&atilde;o que emerge desta arena (F&oacute;rum Permanente de Agricultura Urbana): em que medida &eacute; poss&iacute;vel a aplica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica agr&aacute;ria em meio urbano? Esta quest&atilde;o nasce como resultado da confronta&ccedil;&atilde;o entre atores envolvidos com as pr&aacute;ticas de agricultura urbana, da agricultura familiar e de um &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico federal de aplica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica agr&aacute;ria. Esta arena exp&ocirc;s as limita&ccedil;&otilde;es de acesso a pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a aus&ecirc;ncia de mecanismos do planejamento urbano para a prote&ccedil;&atilde;o de ambas as pr&aacute;ticas na realidade carioca. Exp&ocirc;s tamb&eacute;m como tais restri&ccedil;&otilde;es legais conformam e s&atilde;o conformadas pelos crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o da vida social. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, uma vez confinadas &agrave;s regras de aplica&ccedil;&atilde;o em caixinhas do rural, do urbano, tornam-se incapazes de se adequar &agrave; complexidade e &agrave; intersetorialidade dos fen&ocirc;menos da vida real. </p>     <p> O seguinte percurso tem&aacute;tico e pol&iacute;tico precisou ser trilhado para colocar a pauta da agricultura urbana na agenda das pol&iacute;ticas agr&aacute;rias: o debate sobre seguran&ccedil;a alimentar, nutricional e combate &agrave; fome que inicialmente encontrou abrigo nas ag&ecirc;ncias de Desenvolvimento Social e nos CONSEAS. &Eacute; no &acirc;mbito deste conselho que s&atilde;o feitos esfor&ccedil;os para dar forma &agrave; Pol&iacute;tica Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PNAE). O atendimento a esta pol&iacute;tica p&uacute;blica, no entanto, tem como primeiro requisito a aquisi&ccedil;&atilde;o da DAP pelos agricultores; um documento da pol&iacute;tica agr&aacute;ria (PRONAF) regulado por outra pasta. </p>     <p> O caso em quest&atilde;o revelava, portanto, a necessidade de interlocu&ccedil;&atilde;o entre tr&ecirc;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas distintas: PRONAF, PNAE e PNAUP, respectivamente voltadas para a agricultura familiar, alimenta&ccedil;&atilde;o escolar e agricultura urbana. A &uacute;ltima delas ainda em constru&ccedil;&atilde;o. As reivindica&ccedil;&otilde;es da Rede CAU foram acolhidas como leg&iacute;timas pela SEAD naquilo que &eacute; pr&oacute;prio ao seu campo de atua&ccedil;&atilde;o: as pol&iacute;ticas agr&aacute;rias. </p>     <p> A formula&ccedil;&atilde;o do termo agricultura familiar urbana, embora possa parecer &oacute;bvia ou autoevidente, foi concebida na din&acirc;mica do F&oacute;rum Permanente de AU e teve um car&aacute;ter de inova&ccedil;&atilde;o institucional no &acirc;mbito da SEAD e no escopo de atua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de agricultura familiar. Como desdobramento deste processo, foi criada a portaria n.523/2018 que disciplina a emiss&atilde;o de DAPs no Brasil e, explicitamente no seu Art.3&ordm;., afirma que a atividade agr&aacute;ria pode ser desenvolvida em ambiente rural ou urbano. No &acirc;mbito interno, procurou-se relativizar a associa&ccedil;&atilde;o confusa entre agr&aacute;rio e rural e a &ecirc;nfase naquilo que &eacute; essencial ao exerc&iacute;cio do &oacute;rg&atilde;o, que &eacute; a atividade agr&aacute;ria. </p>     <p> Nos termos de Fuks (2001), a disponibilidade de mecanismos institucionais permite que determinadas condi&ccedil;&otilde;es percebidas difusamente como inc&ocirc;modas ou injustas sejam redefinidas como problemas p&uacute;blicos. Segundo o autor, a Lei, para al&eacute;m da sua instrumentalidade, &eacute; tamb&eacute;m um &ldquo;evento comunicativo&rdquo; capaz de criar significados e novas formas de interpreta&ccedil;&atilde;o da realidade. Embora a agricultura familiar urbana esbarre nos limites de atua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica agr&aacute;ria da SEAD, a proje&ccedil;&atilde;o deste debate permite que tais experi&ecirc;ncias sejam reconhecidas e posteriormente encaixadas em outros programas de alcance nacional ou que possam contribuir para a formula&ccedil;&atilde;o de novas pol&iacute;ticas. Acreditamos ser esta a grande contribui&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A agricultura familiar urbana n&atilde;o abarca todas as formas de AU, mas no contexto aqui apresentado, dada a sua express&atilde;o econ&ocirc;mica, deu visibilidade pol&iacute;tica &agrave; agricultura urbana como um todo, ao mesmo tempo que denunciou a incapacidade de a pol&iacute;tica p&uacute;blica de agricultura familiar acolher todas as suas manifesta&ccedil;&otilde;es na vida real, sobretudo aquelas que se realizam nas regi&otilde;es metropolitanas. </p>     <p> Quintal produtivo &eacute;, portanto, a delimita&ccedil;&atilde;o territorial que exprime o estado da arte do debate sobre agricultura urbana no Rio de Janeiro; exprime tamb&eacute;m o limite das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e das representa&ccedil;&otilde;es a respeito do rural e do urbano. Definido no dicion&aacute;rio como pequeno terreno na parte posterior de uma casa, &eacute; uma modalidade residencial t&iacute;pica do espa&ccedil;o urbano. Contudo, dadas as condi&ccedil;&otilde;es de espolia&ccedil;&atilde;o urbana em muitas cidades, o que torna os espa&ccedil;os livres dispon&iacute;veis ao capital, os quintais s&atilde;o met&aacute;foras do urbano que se deseja preservar ou reinventar. O adjetivo produtivo assume a fun&ccedil;&atilde;o comunicativa de anunciar sua ressignifica&ccedil;&atilde;o: acionando sentidos de subsist&ecirc;ncia, produ&ccedil;&atilde;o da vida, seguran&ccedil;a alimentar, gera&ccedil;&atilde;o de renda, entre outros. &Eacute;, portanto, met&aacute;fora de &ldquo;morar e plantar na metr&oacute;pole&rdquo;[<a name="top35" id="top35"></a><a href="#35">35</a>] ou de como encaminhar o problema p&uacute;blico da agricultura urbana no Rio de Janeiro. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font> </p>     <!-- ref --><p> Abreu, S. F. (1957) <i>O Distrito Federal e seus recursos naturais</i>, Rio de Janeiro: IBGE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697719&pid=S2182-3030201900020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Almeida, D. A. (2016) Isto e aquilo: agriculturas e produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Tese de Doutorado em Geografia, Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697721&pid=S2182-3030201900020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Almeida, D. A., Costa, H. S. de M. (2014) &ldquo;Agricultura urbana: uma aproxima&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel entre a quest&atilde;o ambiental e a quest&atilde;o urbana&rdquo;. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada in III Semin&aacute;rio Nacional sobre o tratamento de &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente em meio urbano e restri&ccedil;&otilde;es ambientais ao parcelamento do solo, UFPA,10/13 set. 2014, Bel&eacute;m do Par&aacute;. </p>     <p> Baptista Filho, A. C. (2018) &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o da Agricultura e do meio rural do RJ e a pol&iacute;tica agr&aacute;ria&rdquo;, in <i>Confer&ecirc;ncia Municipal de Desenvolvimento Rural do Rio de Janeiro</i>, 11 e 12 jun., 2018, pp. 41-47. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Bourdieu, P. (2006) <i>O poder simb&oacute;lico</i>, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697725&pid=S2182-3030201900020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> DFDA-RJ/SEAD - Delegacia Federal de Desenvolvimento Agr&aacute;rio do Rio de Janeiro Secretaria Especial de Agricultura e Desenvolvimento Rural (2017) &ldquo;N&atilde;o-convencionalidade da atividade agr&aacute;ria urbana e crit&eacute;rios para reconhecimento do agricultor familiar urbano&rdquo;, <i>Nota t&eacute;cnica</i> n.07. </p>     <p> ER&Ecirc; (2017) &ldquo;Agriculturas e resist&ecirc;ncias na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte&rdquo;, <i>Encontro Regional Sudeste de Agroecologia</i>, Folder. </p>     <!-- ref --><p> Fuks, M. (2001) <i> Conflitos ambientais no Rio de Janeiro: a&ccedil;&atilde;o e debate nas arenas p&uacute;blicas </i> , Rio de Janeiro: UFRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697729&pid=S2182-3030201900020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Grynspan, M. (1998) &ldquo;Luta pela terra e identidades sociais&rdquo;, <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de Manguinhos</i> (5), pp. 255-272 jul. </p>     <p> Haesbaert, R. (2004) <i> O mito da desterritorializa&ccedil;&atilde;o: do &ldquo;fim dos territ&oacute;rios&rdquo; &agrave; multiterritorialidade </i> . Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. </p>     <!-- ref --><p> Haguette, T. M. F. (1992) <i>Metodologias qualitativas na Sociologia</i>, Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697733&pid=S2182-3030201900020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Hannigan, J. (2009) <i>Sociologia ambiental</i>, Petr&oacute;polis-RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697735&pid=S2182-3030201900020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Kingdon, W. J. (2001) &ldquo;A model of agenda-setting, with applications&rdquo;, <i>Law Review</i>, pp. 331-337. </p>     <!-- ref --><p> Lefebvre, H. (1968; 2011) <i>O direito &agrave; cidade</i>, S&atilde;o Paulo: Centauro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697738&pid=S2182-3030201900020001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Mattos, C. et al. (2015) &ldquo;Panorama da agricultura urbana e a constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no Brasil&rdquo;, <i>Revista Advir</i>, n.34, pp.7-17. </p>     <!-- ref --><p> Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (2015) Emiss&atilde;o da Declara&ccedil;&atilde;o de Aptid&atilde;o ao Pronaf para Agricultores Familiares Parque Estadual da Pedra Branca, Rio de Janeiro/RJ, Nota T&eacute;cnica, 15 dez. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1697741&pid=S2182-3030201900020001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Medeiros, L. S. de, Souza, I. C. de, Alentejano, P. R. (2002). &ldquo;Os efeitos pol&iacute;ticos locais dos assentamentos rurais: reflex&otilde;es a partir do estado do Rio de Janeiro&rdquo;, in R. J. Moreira, L. F. de C. Costa. (Eds.), <i>Mundo rural e cultura</i>, S&atilde;o Paulo: Mauad/Pronex. </p>     <p> Monte-M&oacute;r, R. L. de M. (1994) &ldquo;Urbaniza&ccedil;&atilde;o extensiva e l&oacute;gicas de povoamento: um olhar ambiental&rdquo;, in M. Santos; M. A. A. de Souza; M. L. S. (Eds.), <i>Territ&oacute;rio, globaliza&ccedil;&atilde;o e fragmenta&ccedil;&atilde;o</i>, S&atilde;o Paulo: Hucitec/Anpur. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Mougeot, L. (2000) &ldquo;Agricultura urbana: conceitos e defini&ccedil;&otilde;es&rdquo;, <i>Revista de agricultura urbana: conceitos e defini&ccedil;&otilde;es</i>. Dispon&iacute;vel em: <a         href="https://pt.scribd.com/document/91451973/Mougeot-Luc-Agricultura-urbana-conceito-e-definicao" target="_blank"     > https://pt.scribd.com/document/91451973/Mougeot-Luc-Agricultura-urbana-conceito-e-definicao</a>. </p>     <p> Novicki, V. de A. (1994) &ldquo;Governo Brizola, movimentos de ocupa&ccedil;&atilde;o de terras e assentamentos rurais no Rio de Janeiro. (1983-1987)&rdquo;, in L. S. de Medeiros et al (Eds.), <i>Assentamentos rurais: uma vers&atilde;o interdisciplinar</i>. S&atilde;o Paulo: Unesp. </p>     <p> Picolloto, E. L. (2008) &ldquo;Novos movimentos sociais econ&ocirc;micos: economia solid&aacute;ria e com&eacute;rcio justo&rdquo;, <i> Otra Economia: Revista Latino Americana de Economia Solid&aacute;ria y Social </i> , 2 (3), 2&ordm; semestre, pp. 74-92. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p>LISTA DE SIGLAS: </p>     <p> ANA: Articula&ccedil;&atilde;o Nacional de Agroecologia. </p>     <p> AARJ: Articula&ccedil;&atilde;o de Agroecologia do Rio de Janeiro. </p>     <p> AU: agricultura urbana </p>     <p> CAF: Cadastro da Agricultura familiar </p>     <p> CNAU: Coletivo Nacional de Agricultura Urbana </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> CONSEA: Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional </p>     <p> DAP: Declara&ccedil;&atilde;o de Aptid&atilde;o ao PRONAF </p>     <p> DFDA: Delegacia Federal de Desenvolvimento Agr&aacute;rio </p>     <p> EMATER: Empresa de Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural </p>     <p> IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica </p>     <p> MDA: Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio </p>     <p> PEPB: Parque Estadual da Pedra Branca </p>     <p> PIB: Produto Interno Bruto </p>     <p> PNAE: Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar </p>     <p> PRONAF: Programa Nacional de Agricultura Familiar </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Rede CAU: Rede Carioca de Agricultura Urbana </p>     <p> SEAD: Secretaria Especial de Agricultura e Desenvolvimento Rural</p>     <p>&nbsp;</p> Received: 02-08-2019; Accepted: 27-11-2019.     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] O CNAU foi criado em maio de 2014 no III Encontro Nacional de Agroecologia realizado em Juazeiro -BA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Tudo que &eacute; referente ao estado do Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] A Frente Parlamentar de Agricultura Urbana foi lan&ccedil;ada em 26 de junho de 2017 pelo Vereador Renato Cinco na C&acirc;mara Municipal do Rio, com objetivo de fortalecer a tem&aacute;tica da agricultura urbana e seguran&ccedil;a alimentar e, em especial, aprovar a LOSAN – Lei Org&acirc;nica de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional, pela via legislativa, dados os in&uacute;meros obst&aacute;culos para encaminh&aacute;-la via poder executivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] DFDA-RJ/SEAD - Trata-se da Delegacia Federal de Desenvolvimento Agr&aacute;rio (Rio de Janeiro) da Secretaria Especial de Agricultura e Desenvolvimento Rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>] Gent&iacute;lico do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>] Ano anterior ao in&iacute;cio da crise econ&ocirc;mica e, portanto, com dados menos enviesados e contaminados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>] Produto interno bruto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>] Todos os tr&ecirc;s maci&ccedil;os tiveram partes do seu territ&oacute;rio transformadas em parques em per&iacute;odos hist&oacute;ricos distintos. O Parque Nacional da Tijuca foi criado em 1961, mas j&aacute; era uma floresta com objetivos de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e visita&ccedil;&atilde;o, desde 1861, por ato do Imperador D. Pedro II. O Parque Estadual da Pedra Branca foi criado em 1974 e o Parque Estadual do Mendanha em 2013.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>] Em especial destaca-se o Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), na Zona Oeste da cidade, com um territ&oacute;rio que corresponde a 12% do munic&iacute;pio carioca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>] A DAP - Declara&ccedil;&atilde;o de Aptid&atilde;o ao PRONAF (Programa Nacional de Agricultura Familiar) permite aos agricultores acessarem cr&eacute;dito rural e mercados institucionais entre outros benef&iacute;cios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>] Um desses mercados, a venda de alimentos para escolas p&uacute;blicas faz parte da pol&iacute;tica p&uacute;blica chamada Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PNAE).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>] Sert&atilde;o Carioca no passado era o nome atribu&iacute;do &agrave; Zona Rural do Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>] A partir de 2014, houve o reconhecimento de tr&ecirc;s comunidades quilombolas residentes no Parque Estadual da Pedra Branca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>] A Rede CAU foi formada em outubro de 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>] &Eacute; importante destacar que neste per&iacute;odo, apesar de uma perspectiva favor&aacute;vel &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma Pol&iacute;tica Nacional de Agricultura Urbana, houve poucos avan&ccedil;os. E, com as mudan&ccedil;as no Governo Federal, em 2012/2013, houve a interrup&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es do MDS orientadas &agrave; agricultura urbana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>] Venda de alimentos para as escolas, pelo Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PNAE).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="19" id="19"></a>[<a href="#top19">19</a>] Lema criado pela Rede CAU.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="20" id="20"></a>[<a href="#top20">20</a>] Localizada em &aacute;rea do munic&iacute;pio que no passado compunha a sua zona rural, ainda mant&eacute;m a rusticidade dos modos de vida e o uso de t&eacute;cnicas agr&iacute;colas tradicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="21" id="21"></a>[<a href="#top21">21</a>] Pode-se acrescentar tamb&eacute;m o estere&oacute;tipo de que &eacute; irrelevante para as pol&iacute;ticas agr&aacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="22" id="22"></a>[<a href="#top22">22</a>] Com o <i>Impeachment</i> da Presidenta Dilma Rousseff, o Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (MDA) foi extinto e posteriormente substitu&iacute;do por uma secretaria: a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agr&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="23" id="23"></a>[<a href="#top23">23</a>] Empresa de Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural. Trata-se de um &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico em inst&acirc;ncia estadual e respons&aacute;vel pela emiss&atilde;o da DAP.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="24" id="24"></a>[<a href="#top24">24</a>] Em 2018 houve apenas uma reuni&atilde;o, porque grande parte de seus membros estavam envolvidos em agendas comuns, entre elas a reativa&ccedil;&atilde;o do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e organiza&ccedil;&atilde;o de sua Confer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="25" id="25"></a>[<a href="#top25">25</a>] Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="26" id="26"></a>[<a href="#top26">26</a>] O cadastro de DAPs passar&aacute; a ser chamado de CAF: Cadastro da Agricultura Familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="27" id="27"></a>[<a href="#top27">27</a>] Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (MDA), que em 2017 foi transformado em Secretaria (SEAD).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="28" id="28"></a>[<a href="#top28">28</a>] Quilombolas s&atilde;o aqueles que residem em quilombos, comunidades descendentes de negros escravizados e que s&atilde;o benefici&aacute;rias de pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o reconhecidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira de 1988.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="29" id="29"></a>[<a href="#top29">29</a>] Lei 9.985/2000 – Sistema Nacional de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o; Lei 11. 428/2006 - Lei da Mata Atl&acirc;ntica; Lei 23.93/1995 – Lei de Popula&ccedil;&otilde;es Nativas; Decreto 6040/2007 – Pol&iacute;tica Nacional de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="30" id="30"></a>[<a href="#top30">30</a>] Com a posse do Governo Bolsonaro em 2019 houve o esvaziamento das pol&iacute;ticas para a agricultura familiar no Brasil, a SEAD foi extinta e parte de seus funcion&aacute;rios foi transferida para o Minist&eacute;rio de Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="31" id="31"></a>[<a href="#top31">31</a>] Nome fict&iacute;cio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="32" id="32"></a>[<a href="#top32">32</a>] Tamanho, portanto, muito menor que 1 m&oacute;dulo fiscal, crit&eacute;rio espacial m&iacute;nimo considerado para o acesso &agrave; pol&iacute;tica p&uacute;blica de agricultura familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="33" id="33"></a>[<a href="#top33">33</a>] Chaya (<i>Cnidoscolus aconitifolius</i>), &eacute; um vegetal folhoso mesoamericano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="34" id="34"></a>[<a href="#top34">34</a>] Distrito Federal (Bras&iacute;lia).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="35" id="35"></a>[<a href="#top35">35</a>] Lema do movimento de agroecologia Articula&ccedil;&atilde;o Plano Popular das Vargens (APP Vargens), na Zona Oeste do Rio. </font></p>     <p></p>      ]]></body><back>
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