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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recensão do livro "Espaço de Urbanização: o Urbano a partir da Teoria Crítica]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>RESENHA</b></font></p>     <p align="right"></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4"><b>Recens&atilde;o do livro "Espa&ccedil;o de Urbaniza&ccedil;&atilde;o: o Urbano a partir da Teoria Cr&iacute;tica"</b></font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"><b>Review of "Espa&ccedil;o de Urbaniza&ccedil;&atilde;o: o Urbano a partir da Teoria Cr&iacute;tica"</b></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="2">Carolina Henriques<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b>     <p></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font></font><font size="2" face="Verdana">DIN&Acirc;MIA'CET-IUL, Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:carolina_henriques@iscte-iul.pt" target="_blank">carolina_henriques@iscte-iul.pt</a></font>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Espa&ccedil;o de Urbaniza&ccedil;&atilde;o: o Urbano a partir da Teoria Cr&iacute;tica</font></b></p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neil Brenner </font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rio de Janeiro: Letra Capital, Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles, 2018</font><br/>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> </font>  <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <p>     <p> Em <i>Espa&ccedil;os da Urbaniza&ccedil;&atilde;o: o Urbano a partir da Teoria Cr&iacute;tica </i> (2018), Neil Brenner apresenta-nos o olhar da teoria cr&iacute;tica urbana sobre o processo da urbaniza&ccedil;&atilde;o, a que assistimos hoje a n&iacute;vel planet&aacute;rio, enquanto rev&ecirc; as bases epistemol&oacute;gicas, te&oacute;rico-conceptuais e metodol&oacute;gicas desta abordagem &agrave; luz das condi&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas do s&eacute;c. XXI. </p>     <p> Publicado em l&iacute;ngua portuguesa com o apoio do Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles (Rio de Janeiro), este livro re&uacute;ne um conjunto de ensaios publicados anteriormente, num esfor&ccedil;o de co-autoria com nomes de refer&ecirc;ncia como Margit Mayer e Peter Marcuse (cap&iacute;tulo 2), Bob Jessop e Martin Jones (cap&iacute;tulo 6) ou Jamie Peck e Nik Theodore (cap&iacute;tulo 7), para orientar a reflex&atilde;o em torno das quest&otilde;es da urbaniza&ccedil;&atilde;o capitalista e da teoria cr&iacute;tica urbana. </p>     <p> O livro est&aacute; estruturado em quatro partes, cada uma correspondente a um momento importante da investiga&ccedil;&atilde;o do autor, desde o in&iacute;cio dos anos 2000. Estas quatro partes organizam 12 cap&iacute;tulos, introduzidos por um pref&aacute;cio escrito pelo autor e um ep&iacute;logo que enquadra um di&aacute;logo entre este e Mart&iacute;n Arboleda, colega do Urban Theory Lab (UTL), que Brenner fundou na Universidade de Harvard em 2011 – um breve manifesto associado ao UTL pode ser lido no cap&iacute;tulo 3. </p>     <p> A primeira parte introduz a quest&atilde;o &ldquo;<i>o que &eacute; teoria cr&iacute;tica urbana?</i>&rdquo; e responde em detalhe, particularmente na sua rela&ccedil;&atilde;o com a Escola (cr&iacute;tica) de Frankfurt e nas suas aplica&ccedil;&otilde;es aos estudos urbanos, tendo em considera&ccedil;&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es iniciais do s&eacute;c. XXI num contexto que o autor chama de &ldquo;<i>capitalismo neoliberal</i>&rdquo; (p. 10). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A segunda parte apresenta uma s&eacute;rie de reflex&otilde;es sobre a restrutura&ccedil;&atilde;o urbana como um processo de reescalonamento. Na concep&ccedil;&atilde;o do autor, o &ldquo;urbano&rdquo; n&atilde;o &eacute; apenas um tipo ou unidade territorial delimitada, mas incorpora uma dimens&atilde;o de desenvolvimento desigual, que &eacute; &ldquo; <i> constitu&iacute;do interactivamente, contestado politicamente, al&eacute;m de constitu&iacute;do historicamente por escalas mut&aacute;veis que se estendem dos nossos corpos &agrave; cidade, &agrave; regi&atilde;o, ao territ&oacute;rio nacional e ao planeta </i> &rdquo; (p. 11). Nesta parte, Brenner discute ainda a necessidade de pensar quest&otilde;es de governa&ccedil;&atilde;o urbana com uma abordagem reflexiva e escalar. </p>     <p> A terceira parte deste livro introduz o contexto dos debates sobre as geografias regulat&oacute;rias do capitalismo depois da d&eacute;cada de 1970 e da forma&ccedil;&atilde;o da crise urbana. Nesta parte, o autor apresenta a necessidade de incluir uma economia pol&iacute;tica espacializada para estudar o urbanismo neoliberal, conceptualizando este &uacute;ltimo como um processo h&iacute;brido, variado e desigual. Especificamente, no cap&iacute;tulo 6, Brenner, Theodore e Peck elaboram um manancial te&oacute;rico espec&iacute;fico para &ldquo; <i> decifrar a din&acirc;mica espacial, pol&iacute;tico-regulat&oacute;ria e discursiva irregular dos processos de neoliberaliza&ccedil;&atilde;o </i> &rdquo; (p. 13). </p>     <p> A quarta parte deste livro apresenta produ&ccedil;&otilde;es mais recentes do autor sobre os processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o planet&aacute;ria no sentido de ampliar a perspectiva cr&iacute;tica das abordagens herdadas da teoria urbana do s&eacute;c. XX e de questionar os seus pressupostos &ldquo;metageogr&aacute;ficos&rdquo; – como a dicotomia &ldquo;<i>urbano</i>&rdquo; versus &ldquo;<i>rural</i>&rdquo;. O desenvolvimento da no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;urbaniza&ccedil;&atilde;o planet&aacute;ria&rdquo; tem vindo a ser desenvolvido por Brenner em colabora&ccedil;&atilde;o com Christian Schmid. </p>     <p> No final do livro, um ep&iacute;logo escrito em forma de di&aacute;logo com Arboleda, explora algumas perspectivas sobre os estudos urbanos contempor&acirc;neos, sobre a hist&oacute;ria do capitalismo e sobre a quest&atilde;o urbana. </p>     <p> A leitura integral deste livro proporciona uma excelente introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria cr&iacute;tica urbana e a sua escrita clara em tom pedag&oacute;gico torna-o &uacute;til a estudantes das &aacute;reas de estudos urbanos, planeamento urbano, economia, geografia, sociologia ou outras &aacute;reas que queiram aprofundar os seus conhecimentos sobre a condi&ccedil;&atilde;o urbana e sobre a proposta da teoria cr&iacute;tica. </p>     <p> Aqueles que defendem a abordagem da teoria cr&iacute;tica urbana hoje consideram-se descendentes dos trabalhos de acad&eacute;micos do urbanismo &ldquo; <i>radical ou de esquerda</i>&rdquo; (p. 21) durante o per&iacute;odo p&oacute;s-1968, tais como Henri Lefebvre, Manuel Castells ou David Harvey, entre outros. </p>     <p> Segundo o autor, atrav&eacute;s da &ldquo; <i> rejei&ccedil;&atilde;o de formas de compreens&atilde;o urbana estatais, tecnocr&aacute;ticas e orientadas pelo e para o mercado </i> &rdquo; (p. 21) a teoria cr&iacute;tica urbana difere de abordagens ou correntes dominantes, como podem ser aquelas herdadas pela sociologia urbana da Escola de Chicago. A teoria cr&iacute;tica urbana enfatiza o car&aacute;cter pol&iacute;tico, ideologicamente mediado e socialmente contestado do espa&ccedil;o urbano e, por isso, procura tamb&eacute;m alternativas ao modelo existente em busca de outras formas de urbaniza&ccedil;&atilde;o, mais democr&aacute;ticas e justas, que s&atilde;o poss&iacute;veis, mas que t&ecirc;m sido reprimidas por arranjos institucionais e ideol&oacute;gicos dominantes. </p>     <p> Neil Brenner &eacute; professor de Teoria Urbana na <i>Graduate School of Design</i> da Universidade de Harvard. Com uma licenciatura em filosofia, um mestrado em geografia e outro em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, e ainda um doutoramento em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, Brenner personifica a interdisciplinaridade reclamada pelos estudos urbanos e transfere uma outra <i>indisciplinaridade</i> para as suas produ&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas em torno das quest&otilde;es urbanas. </p>     <p> Das &uacute;ltimas produ&ccedil;&otilde;es de Brenner vale a pena destacar o trabalho que tem desenvolvido com alunos e outros(as) investigadores(as) no Urban Theory Lab[<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>] em Harvard, inspirados pela hip&oacute;tese Lefebvriana de que a nossa sociedade seria, a dado momento, urbanizada por completo. Em conjunto, este grupo tem desenvolvido projectos, publica&ccedil;&otilde;es, exposi&ccedil;&otilde;es e <i>podcasts</i> com o pressuposto de que os enquadramentos te&oacute;ricos que herd&aacute;mos para produzir conhecimento sobre o &ldquo;urbano&rdquo; dever&atilde;o ser radicalmente reinventados se quisermos compreender as formas de urbaniza&ccedil;&atilde;o capitalistas emergentes no s&eacute;c. XXI. </p>     <p> Neste contexto, e como obra inspirada por todo este trabalho que a antecede, <i>Espa&ccedil;os da Urbaniza&ccedil;&atilde;o: o Urbano a partir da Teoria Cr&iacute;tica &eacute; </i>no m&iacute;nimo provocador e afigura-se como uma leitura incontorn&aacute;vel para todos(as) aqueles(as) que se dedicam aos estudos urbanos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>NOTES</p> <a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>] <a href="http://www.urbantheorylab.net/publications/" target="_blank"> http://www.urbantheorylab.net/ </a>     <p></p> </font>     ]]></body>
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