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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estruturas residenciais para pessoas idosas: Relação entre qualidade dos cuidados e qualidade do emprego]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Residential structures for older people: the relation between care quality and employment quality]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this article is to analyse how working conditions from care workers interfere daily in the care provided in older people homes, in Portugal, and what solutions should be implemented in order to dignify care and the care worker profession. This paper is based on 150 questionnaires and 40 semi-structured interviews with care workers, in 16 Portuguese care homes, in one council in the metropolitan area of Lisbon. Findings revealed that excessive workloads and poor working conditions, coupled with high staff turnover and poor training and pay have consequences not only the quality of the care that these care workers can offer, but also their physical and mental health, job satisfaction. The high demand for social care, due to the ageing of the Portuguese population, will require better working conditions, professionalisation and the dignification of care work.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Estruturas residenciais para pessoas idosas: Rela&ccedil;&atilde;o entre qualidade dos cuidados e qualidade do emprego</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Residential structures for older people: the relation between care quality and employment quality</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Ana Paula Gil<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">NOVA FCSH, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas; CICS.NOVA, Portugal. e-mail: <a href="mailto:anapgil@fcsh.unl.pt" target="_blank">anapgil@fcsh.unl.pt</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>O objetivo deste artigo &eacute; analisar de que forma as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos auxiliares de a&ccedil;&atilde;o direta interferem quotidianamente nos cuidados que s&atilde;o prestados em estruturas residenciais para pessoas idosas em Portugal e que solu&ccedil;&otilde;es a implementar de modo a dignificar os cuidados e a profiss&atilde;o. Este artigo baseia-se num question&aacute;rio autoadministrado a 150 auxiliares e em 40 entrevistas semiestruturadas, ambos aplicados em 16 estruturas residenciais para pessoas idosas na &aacute;rea metropolitana de Lisboa. Os resultados revelam que a sobrecarga laboral, as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, associadas &agrave; falta de forma&ccedil;&atilde;o e &agrave; excessiva rotatividade dos recursos humanos t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias nefastas na qualidade dos cuidados que esses profissionais prestam, mas tamb&eacute;m na sua sa&uacute;de f&iacute;sica e mental, e no emprego. A necessidade crescente de cuidados de longa-dura&ccedil;&atilde;o devido ao envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o exigir&aacute; a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, a profissionaliza&ccedil;&atilde;o e a dignifica&ccedil;&atilde;o do trabalho de cuidados.</p> <b>Palavras-chave:</b> Trabalho de cuidados, estruturas residenciais para pessoas idosas, cuidadores formais, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, qualidade do emprego, qualidade dos cuidados.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">The aim of this article is to analyse how working conditions from care workers interfere daily in the care provided in older people homes, in Portugal, and what solutions should be implemented in order to dignify care and the care worker profession. This paper is based on 150 questionnaires and 40 semi-structured interviews with care workers, in 16 Portuguese care homes, in one council in the metropolitan area of Lisbon. Findings revealed that excessive workloads and poor working conditions, coupled with high staff turnover and poor training and pay have consequences not only the quality of the care that these care workers can offer, but also their physical and mental health, job satisfaction. The high demand for social care, due to the ageing of the Portuguese population, will require better working conditions, professionalisation and the dignification of care work.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> nursing homes, care workers, working conditions, job quality, quality care, care work.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> Com as altera&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas que temos vindo a assistir em toda a Europa, o cuidado surge como categoria anal&iacute;tica, mas tamb&eacute;m pol&iacute;tica. Significa dizer que o cuidado assume hoje um entendimento ampliado, encarado n&atilde;o apenas como pertencente &agrave; esfera privada e dom&eacute;stica, mas tamb&eacute;m &agrave; esfera p&uacute;blica. O cuidado remete para as atividades de gest&atilde;o do quotidiano, da sa&uacute;de e do bem-estar (Comas-d&rsquo;Argemir, 2016) e envolve duas dimens&otilde;es: uma relacional e uma outra que abarca os aspetos instrumentais ou t&eacute;cnicos, &laquo;o fazer&raquo;. </p>     <p> O conceito de cuidar tem sido substitu&iacute;do por um outro, o de trabalho de cuidados, preconizado e inserido num movimento liderado por um grupo de feministas, nos finais da d&eacute;cada de 80 e in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90 (Guberman et. al, 1992; Twigg Atkin, 1994; Corbin, 1992), que veio fazer a rutura com uma conce&ccedil;&atilde;o que concebe os cuidados uma pr&aacute;tica essencialmente feminina. Este movimento veio chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a vertente do trabalho que est&aacute; inerente aos cuidados, um processo que envolve um sistema organizativo, recursos e compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas. </p>     <p> O trabalho de cuidados &eacute; analiticamente decomposto entre cuidados formais e cuidados informais; contudo, a sua utiliza&ccedil;&atilde;o mais recorrente refere-se ao cuidador como o profissional, com v&iacute;nculo contratual, que acompanha a pessoa cuidada numa institui&ccedil;&atilde;o ou no domic&iacute;lio, desempenhando fun&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave;s atividades pessoais e instrumentais da vida di&aacute;ria. </p>     <p> Em Portugal, o termo utilizado &eacute; &laquo;auxiliar de a&ccedil;&atilde;o direta&raquo;, correspondendo aos trabalhadores de cuidados pessoais que prestam cuidados diretos, incluindo atividades como alimenta&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia na higiene pessoal e tarefas b&aacute;sicas de sa&uacute;de. O cuidador informal &eacute; um membro da fam&iacute;lia direta e/ou alargada, ou ainda um elemento da comunidade (amigos, vizinhos) que presta cuidados, de forma parcial ou integral. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Maheu e Guberman (1992) vieram tamb&eacute;m chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a amplitude, complexidade e organiza&ccedil;&atilde;o que os cuidados na depend&ecirc;ncia envolvem, quer eles sejam prestados na esfera dom&eacute;stica ou institucional. Associado ao trabalho de cuidados, surgem outros conceitos como &laquo;prestar cuidados&raquo;, &laquo;tratar de&raquo;, ambos com significa&ccedil;&otilde;es diferentes entre si. O &laquo;prestar cuidados&raquo; adquire uma dimens&atilde;o de tecnicidade e o &laquo;tratar de&raquo; reenvia-nos para o campo m&eacute;dico, o tratamento de um corpo doente e para o saber m&eacute;dico. O tratar do corpo pressup&otilde;e cura e, quando a cura falha ou n&atilde;o existe, a gest&atilde;o do corpo deixa de pertencer ao campo m&eacute;dico, para ser considerado como pertencente &agrave; esfera familiar e dom&eacute;stica. (Gil, 2010; Gil, 2020). </p>     <p> O cuidar &eacute;, assim, encarado como um conjunto de tarefas (higiene, o dar o banho ou o vestir) pertencentes &agrave; esfera dom&eacute;stica, desprestigiante socialmente e desqualificante, designado como um &laquo;trabalho sujo&raquo; (Hayes, 2017). O n&atilde;o-reconhecimento do trabalho de cuidados tem inerente, assim, uma subestima&ccedil;&atilde;o do valor que a sociedade atribui ao trabalho com popula&ccedil;&atilde;o idosa, o que se estende tamb&eacute;m, consequentemente, &agrave; profiss&atilde;o. </p>     <p> Algumas propostas t&ecirc;m sido lan&ccedil;adas, no sentido da profissionaliza&ccedil;&atilde;o e da requalifica&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho no sector dos cuidados, passando pela flexibiliza&ccedil;&atilde;o do trabalho, benef&iacute;cios sociais, utiliza&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias, campanhas de <i>marketing</i> sobre a profiss&atilde;o (Hussein et.al., 2011; Theobald, 2017; Gil et.al., 2019b). A escassez da m&atilde;o de obra para fazer face a estas necessidades tem suscitado na Europa m&uacute;ltiplas reflex&otilde;es sobre o papel dos migrantes no sector dos cuidados, passando por articular as pol&iacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o, migra&ccedil;&atilde;o e emprego (Anderson, 2012; ILO, 2019; King-Dejardin, 2019) e a quest&atilde;o da qualidade do emprego emerge como quest&atilde;o central. </p>     <p> Os termos qualidade do emprego, qualidade do trabalho (Bustillo, 2009), ambiente de trabalho atraente e de apoio (Wiskow et al. 2010), trabalho decente (proposto por Eurofound, ILO, 2018) e cuidado decente (ILO, 2018; 2019) ou bom cuidado (Tronto, 2010; 2013) ilustram diferentes formas de reconhecimento da interdepend&ecirc;ncia entre a qualidade dos cuidados de longa-dura&ccedil;&atilde;o e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos seus prestadores. </p>     <p> Entende-se por cuidados de longa-dura&ccedil;&atilde;o a presta&ccedil;&atilde;o de um conjunto de servi&ccedil;os a indiv&iacute;duos que est&atilde;o limitados na sua capacidade em viver de forma independente, num per&iacute;odo de tempo prolongado – geralmente, seis meses ou mais (Rodrigues, 2017). Estes servi&ccedil;os podem contemplar v&aacute;rias respostas, desde os servi&ccedil;os prestados em estruturas residenciais para pessoas idosas, servi&ccedil;os de apoio domicili&aacute;rio, a solu&ccedil;&otilde;es residenciais, com uma componente de sa&uacute;de e/ou social. </p>     <p> Importa, pois, questionar de que modo as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos trabalhadores de cuidados se refletem na qualidade da presta&ccedil;&atilde;o e de que forma est&atilde;o garantidas as condi&ccedil;&otilde;es para um emprego decente. Como se caraterizam as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos auxiliares de a&ccedil;&atilde;o direta em meio institucional? Que impactes t&ecirc;m ao n&iacute;vel dos cuidados prestados? Que medidas a implementar de modo assegurar a qualidade, quer do cuidado, quer do emprego? Estas s&atilde;o algumas quest&otilde;es que pretendemos responder ao longo deste artigo. </p>     <p> A primeira parte deste artigo aborda conceptualmente os dois conceitos centrais, qualidade dos cuidados e qualidade no emprego. De seguida, e de modo a enquadrar o sistema de respostas sociais existentes em Portugal pretende-se, com base em estat&iacute;sticas (Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD), Gabinete de Estrat&eacute;gia e Planeamento (GEP), caraterizar a for&ccedil;a de trabalho e identificar algumas problem&aacute;ticas associadas &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de cuidados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o idosa. Em seguida, e partindo dos resultados do projeto mais amplo &laquo;Envelhecer em institui&ccedil;&atilde;o: uma perspetiva interacionista da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados&raquo;, que utiliza metodologias mistas (question&aacute;rio e entrevistas semi-estruturadas), s&atilde;o exploradas algumas das problem&aacute;ticas associadas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e ao mundo &laquo;subterr&acirc;neo&raquo; do trabalho de cuidados. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>No trilho da rela&ccedil;&atilde;o entre qualidade dos cuidados e do emprego</b></font> </p>     <p> A qualidade dos cuidados &eacute; definida como o acesso a cuidados efetivos de acordo com as necessidades dos residentes (de sa&uacute;de, de apoio social) e a sua avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; feita em termos da estrutura, processos e os resultados desse cuidado (Donabedian, 1980; Campbell et al, 2000; Eurofound, 2019). Esta proposta, baseada em Donabedian (1980) tem sido criticada pela excessiva valora&ccedil;&atilde;o dos aspetos cl&iacute;nicos (n&uacute;mero de quedas, &uacute;lceras de press&atilde;o, a perda de peso, entre outras) em detrimento das quest&otilde;es relacionadas com o bem-estar e a qualidade de vida de quem necessita de cuidados (OCDE, 2013; Z&uacute;&ntilde;iga et al., 2015). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Algumas propostas t&ecirc;m surgido para associar a qualidade do cuidado com o conceito de qualidade de vida nos cuidados de longa-dura&ccedil;&atilde;o (Nolker and Harel, 2001; Kane, 2003; Towers et.al. 2016). Dimens&otilde;es como o conforto, a seguran&ccedil;a, a ocupa&ccedil;&atilde;o, as rela&ccedil;&otilde;es sociais, a funcionalidade, a autonomia, a privacidade, a dignidade e o bem-estar (psicol&oacute;gico, espiritual) surgem associadas &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades f&iacute;sicas e de sa&uacute;de (Kane, 2003). A distin&ccedil;&atilde;o entre qualidade do cuidado e cuidado de qualidade, implica reconhecer tamb&eacute;m a natureza do trabalho de cuidado, bem como as intera&ccedil;&otilde;es entre quem presta cuidados (prestadores de cuidados) e os residentes (quem recebe). </p>     <p> Drenann et al. (2012) identifica alguns fatores que influenciam a qualidade dos cuidados institucionais. Fatores de contexto (condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do lar e equipamentos dispon&iacute;veis), fatores organizacionais (bom ambiente de trabalho, o trabalho em equipa multidisciplinar); motivacionais (tipo de tarefas, gratifica&ccedil;&atilde;o do trabalho, valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho) e os fatores de ordem contratual e materiais (sal&aacute;rio, ter um contrato, benef&iacute;cios sociais, flexibilidade de hor&aacute;rios, ter acesso a forma&ccedil;&atilde;o). </p>     <p> Joan Tronto (2010) lan&ccedil;a uma quest&atilde;o pertinente relativamente ao cuidado de qualidade: quando &eacute; que podemos dizer que uma institui&ccedil;&atilde;o presta um bom ou um mau cuidado? A autora, ao definir cuidado como um elemento central da vida humana que se d&aacute; de forma relacional, entende que estas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tamb&eacute;m imbu&iacute;das de conflito, de poder e de desigualdade, afetando todo o processo de cuidados. Como o trabalho de cuidados &eacute; desvalorizado socialmente e, por isso, subestimado, em termos de valor social e econ&oacute;mico, as pessoas que sofrem de discrimina&ccedil;&atilde;o social tornam-se mais facilmente trabalhadoras no sector dos cuidados, pelo facto de serem mulheres, menos qualificadas, desempregadas ou por serem imigrantes (Tronto, 2010). Assim, o trabalho de cuidados &eacute;, ele pr&oacute;prio, desigual, e &eacute; determinado pelo g&eacute;nero, classe, ra&ccedil;a e nacionalidade (Tronto, 2013). </p>     <p> Nesse sentido, para se avaliar a qualidade das pr&aacute;ticas de cuidados formais &eacute; necess&aacute;rio concentrar nas necessidades dos residentes – clientes – mas tamb&eacute;m nas necessidades de quem cuida e nas suas condi&ccedil;&otilde;es do emprego. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Qualidade do emprego </b> </p>     <p> Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho ou ambiente de trabalho s&atilde;o termos utilizados como sin&oacute;nimos, embora o ambiente de trabalho tenha uma abordagem mais ampla, incluindo aspetos que influenciam a vida e o trabalho, as dimens&otilde;es organizacionais e culturais. </p>     <p> Wiskow et al. (2010) prop&otilde;em um modelo que relaciona o ambiente de trabalho e a qualidade dos servi&ccedil;os que s&atilde;o prestados. As caracter&iacute;sticas do ambiente de trabalho afetam e s&atilde;o parcialmente afetadas pela din&acirc;mica organizacional: satisfa&ccedil;&atilde;o organizacional; equil&iacute;brio fam&iacute;lia-trabalho; desenvolvimento pessoal (profissional e educacional) e a cultura organizacional. &ldquo;As tr&ecirc;s primeiras dimens&otilde;es t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias na qualidade dos cuidados por meio de erros, desgaste e rotatividade&rdquo; (Wiskow et al. 2010:4). Um bom ambiente de trabalho incentiva o ingresso (recrutamento) e que os faz permanecer (reten&ccedil;&atilde;o) e que contribui para um desempenho eficaz, que alia conhecimentos, compet&ecirc;ncias e recursos. </p>     <p> Baseados na perspetiva de Bustillo (2009), os autores distinguem qualidade do trabalho (autonomia no trabalho, a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho incluindo r&aacute;cios de pessoal e a divis&atilde;o do trabalho, a cultura organizacional, a higiene e a seguran&ccedil;a no trabalho e o ambiente) e qualidade do emprego (sal&aacute;rios, o tipo de contrato, horas de trabalho, benef&iacute;cios sociais, o desenvolvimento profissional (forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de compet&ecirc;ncias) (Wiskow, et al., 2010:4). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a07f1.jpg"/>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> No sector dos cuidados, s&atilde;o v&aacute;rios os estudos que t&ecirc;m vindo a chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a rela&ccedil;&atilde;o entre condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e qualidade dos cuidados (Colombo et al., 2011; OECD 2013; Schulmann et al., 2016; Hussein, 2018; Bauer, Rodrigues, Leichsenring, 2018; Woolham et al., 2019). A precariedade no trabalho de cuidados (sal&aacute;rios baixos, sem prote&ccedil;&atilde;o social, sem direitos a f&eacute;rias ou de apoio em caso de doen&ccedil;a, o n&uacute;mero excessivo de horas de trabalho) (ILO, 2018; 2019) &eacute; geradora de problemas de recrutamento e de excessiva rotatividade, e de uma maior incid&ecirc;ncia de problemas de sa&uacute;de e de <i>burnout</i> laboral, levando ao abandono precoce da profiss&atilde;o (Cangiano and Shutes, 2010; Colombo et al. 2011&cedil; Filipova, 2011). </p>     <p> A precariedade laboral agudiza-se em pa&iacute;ses com sistemas de longa-dura&ccedil;&atilde;o, menos desenvolvidos, nomeadamente nos pa&iacute;ses mediterr&acirc;nicos (Salis, 2014). </p>     <p> De seguida, iremos enquadrar o sistema de respostas sociais existentes em Portugal bem como alguns indicadores de carateriza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho no sector dos cuidados, tem&aacute;tica j&aacute; abordada em trabalhos anteriores (Gil, 2018; Gil, 2019a). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Respostas sociais para a popula&ccedil;&atilde;o idosa em Portugal: dos equipamentos &agrave; for&ccedil;a de trabalho </b> </p>     <p> Desde a d&eacute;cada de 90 que, em Portugal, tem existido um investimento nas respostas de apoio &agrave; popula&ccedil;&atilde;o idosa, atrav&eacute;s de v&aacute;rios programas nacionais (PARES [<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>], Programa de Apoio a Idosos (PAII) e a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) com o objetivo de alargar a rede de equipamentos sociais, o n&uacute;mero de lugares dispon&iacute;veis e a popula&ccedil;&atilde;o abrangida. </p>     <p> Em 2001, a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas a viver em alojamentos coletivos em Portugal era de 3,6% (correspondendo a 50.607 pessoas), valor que aumentou em 2011, para 71.219 pessoas idosas (4%). Destes, 72% eram mulheres com mais de 80, com incapacidades cognitivas e f&iacute;sicas (INE, 2011), perfil similar ao tra&ccedil;ado pela <i>Carta Social</i> (72,5% +80 anos) (GEP, 2017). Os servi&ccedil;os de apoio domicili&aacute;rio e as estruturas residenciais para pessoas idosas foram as respostas que, neste dom&iacute;nio, mais cresceram no per&iacute;odo 1998-2018 (108% e 105%, respetivamente), em termos de oferta de servi&ccedil;os. Em 2018, contabilizaram-se cerca de 7300 respostas de ERPI, SAD e Centro de Dia, no territ&oacute;rio continental, das quais 37 % correspondiam a SAD (GEP, 2018). </p>     <p> De 2000 a 2015 houve um aumento de 65% no n&uacute;mero de ERPIS (de 1,469 em 2000 e 2,418 em 2015) e um aumento significativo no n&uacute;mero de popula&ccedil;&atilde;o abrangida (69%) (de 55,523 a 94,067 (GEP, 2017) (cit. Gil, 2018, p.554). Em 2017, a taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o nas ERPIS atingia os 93%, enquanto que as respostas SAD e Centro de Dia registaram ocupa&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias de 70 % e 64 %, respetivamente (GEP, 2018). </p>     <p> A procura de respostas de alojamento coletivo (ERPIS, RNCCI) refletem o envelhecimento acelerado da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa e um aumento significativo das pessoas com mais de 80 anos (5% em 2013 e 16% em 2060) (Eurostat, 2015), sobretudo uma maior preval&ecirc;ncia de dem&ecirc;ncia [<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>] (OCDE, 2018) e, por consequ&ecirc;ncia, necessidades acrescidas de cuidados. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os programas nacionais permitiram alargar a taxa de cobertura nacional e a popula&ccedil;&atilde;o abrangida, e a legisla&ccedil;&atilde;o existente [<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>] permitiu regulamentar as condi&ccedil;&otilde;es em termos de organiza&ccedil;&atilde;o e funcionamento das estruturas residenciais para idosos, no setor lucrativo e n&atilde;o lucrativo. No entanto, a an&aacute;lise das den&uacute;ncias de irregularidades em ERPIS, apresentadas aos servi&ccedil;os nacionais de inspe&ccedil;&atilde;o, entre 2009 e 2016, revelou que o sistema de monitoriza&ccedil;&atilde;o e inspe&ccedil;&atilde;o dos equipamentos sociais ainda se baseia em padr&otilde;es m&iacute;nimos. O sistema de inspe&ccedil;&atilde;o foca-se, essencialmente, nas quest&otilde;es estruturais e de processo, em detrimento do bem-estar da pessoa idosa (sinais cl&iacute;nicos, sa&uacute;de mental, atividades b&aacute;sicas e de conforto, medica&ccedil;&atilde;o e cuidados de sa&uacute;de, entre outros) ou das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e das compet&ecirc;ncias profissionais (Gil, 2019a). </p>     <p> A falta de compet&ecirc;ncias profissionais dos trabalhadores de cuidados &eacute; uma das &aacute;reas que revela uma pior satisfa&ccedil;&atilde;o por parte dos cidad&atilde;os portugueses, de acordo com a Eurofound (2019). Portugal &eacute; um dos pa&iacute;ses da Europa 28 que revelou uma satisfa&ccedil;&atilde;o global menor face &agrave; qualidade dos cuidados que s&atilde;o prestados nos cuidados de longa -dura&ccedil;&atilde;o. A falta de qualidade dos equipamentos, o tipo de informa&ccedil;&atilde;o prestada sobre os cuidados, as compet&ecirc;ncias do <i>staff</i>, bem como os cuidados prestados, constituem alguns dos indicadores alvo de maior insatisfa&ccedil;&atilde;o. Estes resultados seguem a mesma tend&ecirc;ncia j&aacute; identificada no Eurobar&oacute;metro em 2008, para uma perce&ccedil;&atilde;o coletiva insatisfat&oacute;ria relativamente ao desempenho destes servi&ccedil;os, com manifestas defici&ecirc;ncias de ordem organizacional e humana (Gil, 2010), sobretudo nos cuidados institucionais. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>For&ccedil;a de trabalho no sector dos cuidados em Portugal </b> </p>     <p> A maioria da for&ccedil;a de trabalho nos cuidados de longa-dura&ccedil;&atilde;o &eacute; composta por trabalhadores que prestam cuidados pessoais e dom&eacute;sticos, em servi&ccedil;os para pessoas idosas (SAD, ERPIS, RNCCI), em domic&iacute;lios particulares ou, mediados atrav&eacute;s de empresas privadas, por vezes como trabalhadores dom&eacute;sticos. </p>     <p> Um dos indicadores que reflete a escassez de recursos humanos no sector dos cuidados &eacute; proposto pela OCDE, &laquo;densidade de trabalhadores&raquo; significa o n&uacute;mero de trabalhadores por cada 100 pessoas com 65 anos ou mais. Portugal tem a menor concentra&ccedil;&atilde;o de trabalhadores de cuidados na OCDE (0,8), ou seja, &ldquo;menos de 1 trabalhador por cada 100 pessoas com mais de 65 anos&rdquo; (Noruega, 12,7 e a Su&eacute;cia, 12,4, por 100), valores de refer&ecirc;ncia muito abaixo do que se considera uma presta&ccedil;&atilde;o adequada de cuidados (variando entre 4,1 e 4,5) (Scheil-Adlung, 2016: 20-21; OCDE, 2019: 235). </p>     <p> Scheil-Adlung (2015) estimou que existe uma insuficiente cobertura, no sistema de cuidados portugu&ecirc;s, devido &agrave; insufici&ecirc;ncia de pessoal. As diferen&ccedil;as aumentam em contexto institucional (0,6) e no domic&iacute;lio (0,1) (OCDE, 2018; Gil, 2018). De acordo com a OCDE, a maioria dos trabalhadores portugueses nos LTC s&atilde;o prestadores de cuidados diretos (70%) e 30% s&atilde;o enfermeiras (OCDE, 2016; 2019). Os cuidados institucionais s&atilde;o prestados por pessoal sem forma&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o (64%) (OCDE, 2019, Gil, 2018). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Metodologia</b></font></p>     <p> Os resultados apresentados inserem-se no projeto &laquo;Envelhecer em institui&ccedil;&atilde;o: uma perspetiva interacionista da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados&raquo;. O trabalho de campo decorreu durante 2017, num concelho da &aacute;rea metropolitana de Lisboa, envolveu a participa&ccedil;&atilde;o de 16 estruturas residenciais num universo de 31 estruturas (privados e IPSS). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os dados que se apresentam s&atilde;o oriundos de um question&aacute;rio autoadministrado e referem-se ao seu perfil sociodemogr&aacute;fico, educacional e laboral dos prestadores, bem como &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o dos aspetos que mais e menos influenciam o trabalho de cuidados: fatores de contexto (condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do lar e equipamentos dispon&iacute;veis); interpessoais (bom ambiente de trabalho, avalia&ccedil;&atilde;o do trabalho, o trabalho em equipa multidisciplinar); motivacionais (tipo de tarefas, gratifica&ccedil;&atilde;o do trabalho, valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho) e contratuais e materiais (sal&aacute;rio, ter um contrato, benef&iacute;cios sociais, flexibilidade de hor&aacute;rios, ter acesso a forma&ccedil;&atilde;o). Os 13 itens foram respondidos mediante numa escala tipo Likert de 6 pontos (0 = n&atilde;o valoriza; 5 = valoriza muit&iacute;ssimo). </p>     <p> Para avaliar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e as perspetivas de futuro considerou-se os seguintes indicadores: o n&uacute;mero de horas de trabalho, r&aacute;cios de pessoal, satisfa&ccedil;&atilde;o face ao trabalho e a inten&ccedil;&atilde;o de abandonar a profiss&atilde;o (Filipova, 2011). </p>     <p> No total foram entregues 280 question&aacute;rios e recebidos 186. Foram anulados 36 question&aacute;rios por estarem incompletos e por mais de metade das quest&otilde;es contidas no question&aacute;rio n&atilde;o terem sido respondidas. No total foram considerados 150 question&aacute;rios, o que equivaleu a uma taxa de resposta de 57%. A an&aacute;lise dos dados foi realizada atrav&eacute;s do software SPSS (vers&atilde;o 17.0), utilizando uma an&aacute;lise estat&iacute;stica descritiva, univariada, bivariada e fez-se a an&aacute;lise da associa&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis categ&oacute;ricas atrav&eacute;s dos testes de Qui-quadrado e de Fishers. O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de testes foi estabelecido em 5%. </p>     <p> Adicionalmente, nas 40 entrevistas realizadas, participaram 39 mulheres e 1 homem, sendo que as suas idades variaram entre os 24 anos e os 64 anos. O tempo m&eacute;dio na profiss&atilde;o corresponde a 10 anos, num intervalo que varia entre 3 meses a 25 anos de profiss&atilde;o. As habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias dos entrevistados variam entre a 4&ordf; classe e o ensino superior. Do total das 40 entrevistas, 9 destas iniciaram a sua fun&ccedil;&atilde;o nos servi&ccedil;os de limpeza e 35 foram contratados como auxiliares de a&ccedil;&atilde;o direta. </p>     <p> Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas na &iacute;ntegra. A cada entrevistado(a) foi atribu&iacute;do um nome fict&iacute;cio e a identifica&ccedil;&atilde;o da nacionalidade (PT- Portugal; BR- Brasil; UKR – Ucr&acirc;nia e MDA – Mold&aacute;via). A transcri&ccedil;&atilde;o teve como objetivo preservar a forma original da linguagem oral usada pelos entrevistados de modo a retratar as suas experi&ecirc;ncias, identificar um conjunto de problem&aacute;ticas associadas aos cuidados e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, bem como o modo como os mesmos s&atilde;o prestados nas institui&ccedil;&otilde;es. </p>     <p> A an&aacute;lise de conte&uacute;do tem&aacute;tica desenrolou-se em tr&ecirc;s etapas: (1) codifica&ccedil;&atilde;o, o processo de designa&ccedil;&atilde;o de categorias e subcategorias que refletem temas previamente definidos e novos; (2) armazenamento, a compila&ccedil;&atilde;o de todos os extratos da entrevista subordinado &agrave; mesma categoria para permitir a compara&ccedil;&atilde;o; e (3) interpreta&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de um m&eacute;todo de indu&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica (Patton, 2002). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b>Resultados do question&aacute;rio: olhares da profiss&atilde;o </b> </p>     <p> A maioria dos inquiridos &eacute; do sexo feminino, com idade compreendida entre os 21 e os 68 anos, apresentando a idade m&eacute;dia de 47 anos (<a href="#q1">tabela 1</a>). A maioria dos respondentes (84,7%) &eacute; de nacionalidade portuguesa e 15,3% nasceu no estrangeiro (pa&iacute;ses africanos, Brasil, pa&iacute;ses de Leste e Europa). A maioria possu&iacute;a uma escolaridade b&aacute;sica, correspondendo ao 2/3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico (58,5%) e ensino secund&aacute;rio (23,8%). O ensino superior era exclusivo dos respondentes de nacionalidade n&atilde;o portuguesa. O tempo m&eacute;dio a trabalhar na profiss&atilde;o s&atilde;o 10 anos e o tempo m&eacute;dio a trabalhar na institui&ccedil;&atilde;o decresce para 7 anos. A maioria (77,3%) trabalha por conta de outrem e possui um v&iacute;nculo permanente e a maioria dos entrevistados com contrato a termo, trabalha h&aacute; menos de 5 anos no lar. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1" id="q1"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a07q1.jpg"/>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> Os resultados do question&aacute;rio evidenciam que a falta de pessoal, os sal&aacute;rios baixos, a pouca forma&ccedil;&atilde;o, a press&atilde;o com os hor&aacute;rios face ao volume de trabalho, as poucas regalias sociais e os turnos alternados s&atilde;o considerados os fatores de &acirc;mbito contratual que mais influenciam a qualidade do trabalho de cuidados (<a href="#f2">figura 2</a>). Ao n&iacute;vel interpessoal, o mau ambiente laboral, a falta de <i>feedback</i>, as cr&iacute;ticas ao trabalho e a falta de supervis&atilde;o t&eacute;cnica constituem, por ordem decrescente, os fatores que os inquiridos privilegiam como tendo mais impacto na qualidade da presta&ccedil;&atilde;o. Como fatores motivacionais, de acordo com a ordem de maior import&acirc;ncia, destacam-se a falta de valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho, o trabalho f&iacute;sico duro pelas tarefas, o lidar com a doen&ccedil;a/morte e as poucas experi&ecirc;ncias de sucesso. Os fatores de contexto, as condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do lar e os equipamentos dispon&iacute;veis constituem os fatores que, segundo os inquiridos, menos influenciam o trabalho de cuidados. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a07f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> O inqu&eacute;rito veio tamb&eacute;m evidenciar que um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o inquirida est&aacute; razoavelmente satisfeita com o seu local de trabalho, mas a maioria desta n&atilde;o recomendaria o local de trabalho, verificando-se assim uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a satisfa&ccedil;&atilde;o do local de trabalho e a recomenda&ccedil;&atilde;o do lar (p &lt;0.001). </p>     <p> Outra vari&aacute;vel que &eacute; indicadora do n&iacute;vel de compromisso organizacional &eacute; o cen&aacute;rio hipot&eacute;tico de deixar o trabalho relacionado com a popula&ccedil;&atilde;o idosa. O n&uacute;mero de inquiridos descontentes aumenta em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o laboral, quase um ter&ccedil;o (28,9%) j&aacute; pensou em abandonar a profiss&atilde;o. As raz&otilde;es primordiais de um poss&iacute;vel abandono prendem-se com a natureza do trabalho (um trabalho duro f&iacute;sica e psicologicamente), pelas m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e pelo conflito organizacional. Entre o subgrupo dos que nunca pensaram em deixar a profiss&atilde;o, sendo este maiorit&aacute;rio (71,1%), est&atilde;o raz&otilde;es que se prendem com a gratifica&ccedil;&atilde;o do trabalho e realiza&ccedil;&atilde;o pessoal/profissional. No entanto, &eacute; transversal &agrave; maioria dos inquiridos a perce&ccedil;&atilde;o de que deveriam existir melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e um outro reconhecimento social da profiss&atilde;o, conclus&atilde;o que vai ao encontro das entrevistas realizadas. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Olhares sobre o quotidiano do trabalho de cuidados</b></font></p>     <p> A maioria dos entrevistados desempenhou outras profiss&otilde;es no passado e s&atilde;o relatadas trajet&oacute;rias profissionais conturbadas de precariedade. O desemprego de longa dura&ccedil;&atilde;o, a doen&ccedil;a, os problemas familiares, a mudan&ccedil;a de resid&ecirc;ncia s&atilde;o algumas das problem&aacute;ticas associadas &agrave; decis&atilde;o de procurar emprego na &aacute;rea. A decis&atilde;o de trabalhar numa estrutura residencial para pessoas idosas surge tamb&eacute;m ap&oacute;s longos per&iacute;odos de cuidados de familiares e a decis&atilde;o de retorno ao mercado de trabalho alia-se &agrave; descoberta de que se tem apet&ecirc;ncia para desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o de cuidadora(o). </p>     <p> As mais qualificadas, em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego, s&atilde;o encaminhadas para o centro de emprego e o &laquo;lar&raquo; surge entre as ofertas de trabalho dispon&iacute;veis. As menos qualificadas, as imigrantes (sobretudo brasileiras, ucranianas, moldava, guineenses) come&ccedil;am a sua carreira nos servi&ccedil;os de limpeza ou de cozinha, em casas particulares ou ainda em empresas de servi&ccedil;os de apoio domicili&aacute;rio ou em lares, quase sempre sem alvar&aacute;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Foi o caso de Amanda, Helena, Arlete, Rosa e Maria, sendo todas elas imigrantes, qualificadas, com forma&ccedil;&atilde;o superior (enfermagem, biologia, gest&atilde;o de empresas), iniciaram a sua atividade primeiramente em lares ilegais ou empresas de apoio domicili&aacute;rio, experi&ecirc;ncias de curta dura&ccedil;&atilde;o, que antecedem a atual. Todas as entrevistadas relatam que as habilita&ccedil;&otilde;es iniciais eram desprezadas e minimizadas, tal como o seguinte trecho poder&aacute; demonstrar: </p>     <p> &ldquo;Eu trabalhei como enfermeira l&aacute; na minha terra (&hellip;) e eu aqui (em Portugal) simplesmente fui ignorada. Fiquei muito ofendida naquela altura, mas eu era auxiliar, eu n&atilde;o podia dizer nada. (&hellip;) Eu dei uma opini&atilde;o minha l&aacute; (&agrave; enfermeira) e ela disse-me logo, &laquo;tu est&aacute;s no teu lugar e eu estou no meu&raquo;&rdquo; (Helena, UKR). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b>A passagem por lares privados ilegais</b> </p>     <p> A primeira experi&ecirc;ncia de Amanda, proveniente da Mold&aacute;via, foi num lar privado e &eacute; recordada negativamente, pelo excesso de trabalho e pelas m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. </p>     <p> &ldquo;&Eacute;ramos muito castigadas em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho, t&iacute;nhamos que fazer tudo e n&atilde;o &eacute;ramos reconhecidas e quanto mais faz&iacute;amos mais exigiam e havia dias que eu ia almo&ccedil;ar &agrave;s 15h e depois soube que havia vaga, aceitei e fiquei&rdquo; (Amanda, MDA). </p>     <p> O mesmo aconteceu com Manuela (PT), rececionista de profiss&atilde;o, que come&ccedil;ou a trabalhar em lares, em <i>part-time</i>, primeiro na cozinha e depois a cuidar de idosos. A sua decis&atilde;o de trabalhar a tempo inteiro fez-se de forma tardia, ao fim de 5 anos. A participante qualifica a passagem por mais dois lares como chocante. </p>     <p> &ldquo;Chocou-me. Foi um choque para mim. A forma como as pessoas dormiam, onde dormiam, o comer, as instala&ccedil;&otilde;es. Tudo. Desisti, deixei de comer. Nada passava. Foi um choque!&rdquo; (Manuela, PT). </p>     <p> Tamb&eacute;m Rita come&ccedil;ou a sua carreira como cuidadora num lar privado (numa vivenda) aos 15 anos. Relativamente a esta sua experi&ecirc;ncia, compara duas realidades bastante distintas: </p>     <p> &ldquo;Aqui temos condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas (instala&ccedil;&otilde;es) muito boas e l&aacute; n&atilde;o t&iacute;nhamos condi&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel do trabalho. Aqui cada pessoa tem uma casa de banho para si. L&aacute; t&iacute;nhamos uma WC conjunta. Aqui cada um tem uma toalha de rosto e 1 copo. L&aacute; era uma toalha para todos. Era uma esponja para todos. L&aacute; n&atilde;o t&iacute;nhamos hor&aacute;rios para almo&ccedil;ar, &agrave;s vezes almo&ccedil;&aacute;vamos &agrave;s 15h30. O sal&aacute;rio era muito menor. Era tudo pior!&rdquo;. (Rita, PT) </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Helena, imigrante ucraniana, recorda a sua experi&ecirc;ncia nos primeiros anos, quando chegou a Portugal: </p>     <p> &ldquo;Eu trabalhei um m&ecirc;s, s&oacute;, num lar ilegal, numa vivenda, s&oacute; para experimentar, e depois decidi, &laquo;quero ir embora daqui&raquo;, n&atilde;o se conseguia trabalhar. Porqu&ecirc;? Ent&atilde;o, mesmo nos cuidados de higiene, tudo, uma bacia para lavar 10 utentes (&hellip;) e os idosos pagavam 300 ou 400 euros (&hellip;) fui-me embora dali!&rdquo;. </p>     <p> Tamb&eacute;m D&aacute;lia (PT), passou por um lar ilegal. Recorda a experi&ecirc;ncia: </p>     <p> &ldquo;As pessoas pagavam 600, 700 euros e estive uns dias e n&atilde;o gostei. Fui t&atilde;o mal acolhida e fui-me embora. N&atilde;o &eacute; justo, n&atilde;o eram maltratados, mas tamb&eacute;m n&atilde;o eram bem tratados&rdquo; (Helena, UKR). </p>     <p> O mesmo sentimento foi partilhado por Arlete (BR). Atrav&eacute;s de um an&uacute;ncio no jornal chegou a v&aacute;rios lares privados: </p>     <p> &ldquo;Passei por dois para ver de emprego. Era um odor, as pessoas n&atilde;o eram bem cuidadas, percebi que as pessoas estavam jogadas naquelas macas e pronto, n&atilde;o tinha qualquer atividade de reabilita&ccedil;&atilde;o (&hellip;) Entrava-se &agrave;s 7h00 e saia &agrave;s 21-22h e o sal&aacute;rio era 540 euros (sem direito a seguran&ccedil;a social e a recibos verdes) e com 2 folgas/semana&rdquo;. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>A passagem por empresas privadas: as malhas da informalidade </b> </p>     <p> Arlete, imigrante brasileira, t&eacute;cnica de enfermagem e com o curso de biologia, veio para Portugal, h&aacute; 3 anos, para realizar um sonho: &ldquo;fazer um mestrado numa universidade portuguesa&rdquo;. A dificuldade de suportar uma propina de 168&euro; m&ecirc;s f&ecirc;-la procurar trabalho num mercado &agrave; partida dif&iacute;cil por n&atilde;o ter o atestado de resid&ecirc;ncia assegurado. Contactou uma empresa privada, com alvar&aacute;, e a contrata&ccedil;&atilde;o foi realizada por telefone, sem qualquer entrevista pr&eacute;via de recrutamento. N&atilde;o existem visitas de supervis&atilde;o t&eacute;cnica, segundo esta: </p>     <p> &ldquo;N&atilde;o tive entrevista nenhuma. S&oacute; me perguntaram se eu tinha no&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea da sa&uacute;de, perguntaram o que &eacute; que eu sabia fazer (&hellip;) s&oacute; perguntaram se sabia trocar fralda, colocar sonda e pronto.&rdquo;(Arlete, BR) </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Arlete optou por ser empregada interna em casas particulares, mediada pela empresa, para n&atilde;o suportar o pagamento de um quarto. Fazia de tudo: </p>     <p> &ldquo;Limpava a casa, fazia de tudo o que tem que ser feito numa casa e cuidava da pessoa&rdquo;. </p>     <p> Arlete (BR) relata uma experi&ecirc;ncia dura e crua, recorda as diversas experi&ecirc;ncias por onde passou: </p>     <p> &ldquo;Eu n&atilde;o tinha um quarto, eu dormia com o paciente&hellip; Pois, numa caminha ao lado e em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, tinha direito a &frac12; refei&ccedil;&atilde;o. &frac12; dose para os dois (Arlete e a pessoa idosa). </p>     <p> &Agrave; medida que vai relatando a sua experi&ecirc;ncia, Arlete recorda a sua primeira experi&ecirc;ncia com a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados: </p>     <p> &ldquo;A primeira experi&ecirc;ncia, a senhora tinha Alzheimer, tinha que dormir com ela, numa cama mesmo pegada a ela (&hellip;) ent&atilde;o era complicado. Eu n&atilde;o almo&ccedil;ava, eu n&atilde;o jantava, eu n&atilde;o conseguia sequer fazer a minha limpeza. Eu passei 5 dias sem conseguir fazer a minha limpeza (&hellip;) Eu sa&iacute; dessa casa fugida, praticamente! Foram 5 dias de horror. Esse foi o meu primeiro trabalho aqui.&rdquo; (Arlete, BR). </p>     <p> Ap&oacute;s esta primeira experi&ecirc;ncia, Arlete ligou para a empresa a relatar, mas n&atilde;o existem visitas, &ldquo;eles n&atilde;o fazem as visitas &agrave;s casas. Essa empresa n&atilde;o faz visita &agrave;s casas antes de a gente entrar, nem para saber como &eacute; que est&aacute; o paciente, nem para saber como &eacute; que est&aacute; o cuidador, se est&aacute; correndo tudo bem, nunca!&rdquo;. Nas v&aacute;rias experi&ecirc;ncias relatadas, Arlete descreve as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho: </p>     <p> &ldquo;Nessa &eacute;poca eu fiquei como interna, sem f&eacute;rias, era 1000,00&euro;, mas a gente &eacute; que pagava a Seguran&ccedil;a Social e todas as outras coisas. Se tinha 1 folga por semana, pagavam 800 euros. Sem folgas, 1000 euros. Era feito por interm&eacute;dio da Empresa? &ldquo;&Eacute;&rdquo; Era a fam&iacute;lia que pagava &agrave; Empresa? A fam&iacute;lia paga &agrave; empresa e a empresa me paga. Tinha um contrato? N&atilde;o, mas passava recibos verdes e n&atilde;o tenho direito a nada (subs&iacute;dio de natal, f&eacute;rias, baixa)&rdquo; (Arlete, BR). </p>     <p> Por causa de um problema grave de sa&uacute;de (uma infe&ccedil;&atilde;o pulmonar) fez com que parasse e abandonasse o trabalho. Sem dinheiro, sem direito a baixa, apesar de pagar mensalmente seguran&ccedil;a social (aproximadamente 180 euros), regressou ao Brasil, com a ajuda de familiares, para recuperar fisicamente. Nesse per&iacute;odo que mediou a sua recupera&ccedil;&atilde;o, foi substitu&iacute;da por &ldquo;uma menina, rec&eacute;m-chegada do Brasil, que n&atilde;o era da &aacute;rea de sa&uacute;de e que n&atilde;o sabia de nada!&rdquo;. Arlete considera que estas empresas privadas vivem &ldquo;&agrave; custa sobretudo dos imigrantes brasileiros, algumas s&atilde;o licenciadas outras n&atilde;o, os guineenses n&atilde;o gostam de trabalhar com idosos, preferem as limpezas.&rdquo; Arlete tra&ccedil;a um cen&aacute;rio enegrecido destas empresas: N&atilde;o existe forma&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o h&aacute; supervis&atilde;o t&eacute;cnica dos cuidados. </p>     <p> Confrontada com a pergunta &ldquo;O que &eacute; que tem sido mais dif&iacute;cil para si?&rdquo;, Arlete responde: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &ldquo;Tem sido uma experi&ecirc;ncia dolorosa... &Eacute; ficar longe da minha fam&iacute;lia e n&atilde;o ter direitos. Eu n&atilde;o tenho direitos, s&oacute; tenho deveres, eu n&atilde;o recebo aqui nenhum direito porque no Brasil a gente tem um sindicato que voc&ecirc; s&oacute; trabalha at&eacute; determinada hora, tem folga determinada hora, tem direito a 13&ordm;, tem direito ao s&aacute;bado, f&eacute;rias, al&eacute;m do seu sal&aacute;rio, e tem direitos, n&atilde;o tem somente deveres&rdquo;. </p>     <p> Arlete, relativamente &agrave; sua trajet&oacute;ria profissional, considera que o trabalho de cuidado, &ldquo;&eacute; um trabalho de escravo&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o existe um pingo de respeito pelo cuidador, pelos profissionais que trabalham&rdquo; neste setor. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b> Como &eacute; que os trabalhadores de cuidados perspetivam hoje a profiss&atilde;o </b> ? &ldquo;Uma profiss&atilde;o nada valorizada&rdquo; </p>     <p> A maioria das entrevistadas perspetiva o trabalho de cuidados como um trabalho manual desvalorizado socialmente, dif&iacute;cil pela for&ccedil;a f&iacute;sica e mental requerida, e mal remunerado. Nat&aacute;lia (PT) adjetiva a profiss&atilde;o como: &ldquo;mal paga, injusta e muito triste. Nada valorizada&rdquo;. Aida sentiu-se ofendida quando ouviu um dia a descri&ccedil;&atilde;o da sua profiss&atilde;o &ldquo;quem n&atilde;o sabe fazer mais nada vai para os lares&rdquo; (Aida, PT). A mesma perspetiva &eacute; partilhada por in&uacute;meras entrevistadas (Isabel, Rita, Nat&aacute;lia) entre as quais Rita fala de &ldquo;um trabalho que &eacute; visto como &laquo;s&oacute; mudar fraldas e limpar, &eacute; um trabalho sujo&raquo; e acho que a maioria das pessoas n&atilde;o tem a no&ccedil;&atilde;o do quanto se trabalha nos lares&rdquo;. </p>     <p> O trabalho de cuidados significa executar um conjunto de tarefas, tais como apoiar nas atividades da vida di&aacute;ria (lavar, limpar, dar banho, vestir, fazer a cama) e cumprir um hor&aacute;rio pr&eacute;-estabelecido: &ldquo;Fa&ccedil;o tudo, lavar, dar banho, limpeza, ajudar na cozinha, tudo um pouco&rdquo; (Guiomar, PT). Para al&eacute;m das atividades de cuidar, em alguns lares, &eacute; acrescido a limpeza dos quartos, corredores, casas de banho e colabora&ccedil;&atilde;o na cozinha (Alzira, PT) e lavandaria (&ldquo;as tarefas na lavandaria s&atilde;o efetuadas &agrave; tarde&rdquo;, Lu&iacute;sa, PT). &ldquo;&Eacute; muito, muito trabalho. Na parte da manh&atilde;, h&aacute; os banhos, as camas, as higienes (&hellip;) &agrave; noite fazemos as rondas, a mudan&ccedil;a de fraldas&rdquo; (Augusta, PT). </p>     <p> Para Guilhermina (PT), o mais dif&iacute;cil neste trabalho &eacute; o risco da rotiniza&ccedil;&atilde;o e do trabalho se tornar um trabalho mec&acirc;nico devido &agrave; &ldquo;corrida contra o tempo&rdquo;, &eacute; o tempo para estarmos com eles, n&oacute;s temos que trabalhar apressadamente. Eles s&atilde;o muitos e n&oacute;s precis&aacute;vamos de estar mais tempo, estar com eles, darmos aquela aten&ccedil;&atilde;o (...) Isso falta. Tornamo-nos mec&acirc;nicas&rdquo; (Manuela, PT). </p>     <p> Tarefas e hor&aacute;rios a cumprir s&atilde;o a primeira prioridade di&aacute;ria. Em caso de incumprimento toda a rotina da manh&atilde; &eacute; desestruturada. Manuela d&aacute; o exemplo do pequeno-almo&ccedil;o. </p>     <p> &ldquo;Todos t&ecirc;m que estar prontos at&eacute; &agrave;s 10h00 pois ao meio-dia as pessoas que precisam de n&oacute;s, que necessitam que se lhe d&ecirc; a comida &agrave; boca (&hellip;) e ao meio-dia e meia entram os aut&oacute;nomos e tudo isto &eacute; acelerado (&hellip;) tem que ser tudo a correr.&rdquo; (Manuela, PT). </p>     <p> A falta de tempo e o r&aacute;cio de pessoal n&atilde;o permite fazer atividades extra: simplesmente conversar, treinar a marcha ou colaborar em atividades ocupacionais. A necessidade de fazerem mais exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; tamb&eacute;m sentida por Ana (PT) como uma lacuna, condicionada pela insufici&ecirc;ncia de recursos humanos (&ldquo;imposs&iacute;vel porque n&atilde;o h&aacute; tempo&rdquo;). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O trabalho de cuidados faz emergir um conjunto de problem&aacute;ticas associadas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da presta&ccedil;&atilde;o: muitas horas de trabalho, rotatividade dos turnos, absentismo e abandono precoce.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Problem&aacute;ticas associadas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho</b> </p>     <p> As m&uacute;ltiplas tarefas que surgem associadas ao ato de cuidar, s&atilde;o geradoras de sobrecarga laboral, tendo como efeito direto as flutua&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias no pessoal. O elevado absentismo tem consequ&ecirc;ncias inevit&aacute;veis nos elementos que s&atilde;o mais ass&iacute;duos, maior concentra&ccedil;&atilde;o de tarefas, mais horas de trabalho e menos tempos de descanso (&ldquo;j&aacute; tive 8 dias sem descanso por falta de pessoal&rdquo; Deolinda (PT); &ldquo;H&aacute; anos que eu nem sei o que &eacute; um fim-de- semana&rdquo; Isaura, PT). Como encarregada de turno, Filomena (PT) faz em m&eacute;dia 10 a 12 horas di&aacute;rias, para al&eacute;m de todas as tarefas acrescidas (manuten&ccedil;&atilde;o de equipamentos, listagem de material em falta). </p>     <p> Turnos alternados significam entrar &agrave;s 8h, sair &agrave;s 16h ou entrar &agrave;s 16h e sair &agrave; meia noite e entrar &agrave; meia noite e sair &agrave;s 8h. </p>     <p> &ldquo;Hoje comecei &agrave;s 8h00, saio &agrave;s 16h. Amanh&atilde; come&ccedil;o &agrave;s 16h00 e saio &agrave; meia noite e depois tenho as noites, entre &agrave; 0h00 e saio &agrave;s 8h&rdquo; (Elvira, PT). </p>     <p> Os turnos rotativos e as (muitas) horas de trabalho agudizam-se nos lares privados. &Eacute; o caso de N&aacute;dia: </p>     <p> &ldquo;Trabalho 47 horas por semana e com poucas folgas. Hoje, por exemplo, fa&ccedil;o 13 horas. Entrei &agrave;s 8 da manh&atilde; e saio &agrave;s 21h. Entro sempre &agrave;s 8h. Na ter&ccedil;a-feira entro &agrave;s 8h00 e saio &agrave;s 15h00, na quarta-feira saio &agrave;s 14h, quinta-feira &agrave;s 15h, sexta-feira folgo, s&aacute;bado entro &agrave;s 8h e saio &agrave;s 16h e no domingo saio &agrave;s 14h (&hellip;) h&aacute; anos que n&atilde;o tenho um fim-de-semana&rdquo; (N&aacute;dia, PT). </p>     <p> Outra das problem&aacute;ticas associadas &agrave;s pr&aacute;ticas de cuidados diz respeito aos r&aacute;cios desadequados e &agrave; escassez de pessoal face &agrave;s necessidades acrescidas da popula&ccedil;&atilde;o residente. </p>     <p> Em m&eacute;dia, segundo Nat&aacute;lia no turno da manh&atilde; est&atilde;o &ldquo;7, 8 e raramente 9 para 68 utentes&rdquo; e no turno da tarde &ldquo;s&atilde;o menos ainda, 6, 7 para os mesmos. &Agrave; noite ficam 3 ou 2, para 3 pisos (68 idosos)&rdquo;. R&aacute;cio esse que aumenta em f&eacute;rias, &eacute;pocas festivas. Nat&aacute;lia, qualifica os turnos como &ldquo;muito complicado porque se algu&eacute;m vai para o hospital, como j&aacute; tem acontecido, fica c&aacute; s&oacute; uma sozinha. Ningu&eacute;m tem consci&ecirc;ncia disso!&rdquo; (Nat&aacute;lia, PT). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O desequil&iacute;brio entre r&aacute;cios de pessoal/residentes &eacute; vari&aacute;vel de acordo com um conjunto de condicionantes: o abandono precoce, faltas por doen&ccedil;a, motivos de ordem familiar, &eacute;pocas festivas e f&eacute;rias, o que faz avolumar o trabalho para os que ficam no turno, gerando sobrecarga laboral. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Impactos no trabalho de cuidados</b></font></p>     <p> As condi&ccedil;&otilde;es adversas em que o trabalho de cuidados &eacute; realizado t&ecirc;m consequ&ecirc;ncia direta na qualidade da presta&ccedil;&atilde;o &agrave; pessoa idosa, quer em termos das atividades realizadas (banho, a higiene, a mudan&ccedil;a de fralda), bem como da prioriza&ccedil;&atilde;o dos cuidados que &eacute; feita consoante o grau de depend&ecirc;ncia da pessoa idosa (<a href="#f3">figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a07f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> <b></b> </p>     <p> <b>O banho</b> </p>     <p> A inadequa&ccedil;&atilde;o da propor&ccedil;&atilde;o entre residentes e auxiliares faz com que o banho seja dado de 7 em 7 dias. &Eacute; o caso do lar onde trabalha Isaura (PT): </p>     <p> &ldquo;Tomar banho &eacute; uma vez por semana porque s&atilde;o muitos utentes e &eacute; muita gente para tomar banho (&hellip;) Isso d&aacute; muito trabalho. Se fossemos dar banho a todos os 26 utentes nem &agrave;s 17h da tarde nos despach&aacute;vamos&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Banho di&aacute;rio, s&oacute; excecionalmente, mediante autoriza&ccedil;&atilde;o da diretora. O mesmo se passa na institui&ccedil;&atilde;o de Alzira (PT). Para uns o banho &eacute; dia sim, dia n&atilde;o, outros de 8 em 8 dias, de &ldquo;acordo com o que a institui&ccedil;&atilde;o estabelece&rdquo;. A falta de pessoal faz com que o banho seja planeado de 8 em 8 dias. Caso contr&aacute;rio, o plano de cuidado fica comprometido: &ldquo;sen&atilde;o n&atilde;o damos conta do recado&rdquo; (Nat&aacute;lia, PT). No caso dos acamados, os banhos s&atilde;o espa&ccedil;ados de 15 em 15 dias. Teresa (PT) explica: &ldquo;os acamados v&atilde;o ao duche de 15 em 15 dias porque as pessoas est&atilde;o muito fr&aacute;geis&rdquo;. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Mudan&ccedil;a de fraldas</b> </p>     <p> A falta de pessoal condiciona tamb&eacute;m os cuidados b&aacute;sicos e o recurso &agrave; fralda serve para colmatar aus&ecirc;ncias ou escassez de recursos. O uso da fralda &eacute; algo normalizado e faz parte da rotina institucional, com tempos pr&eacute;-determinados: em manh&atilde;; depois do almo&ccedil;o (&agrave;s 15h) e &agrave; noite. </p>     <p> &ldquo;Por vezes, aqueles utentes pedem para ir &agrave; WC e n&oacute;s dizemos &laquo;espere um bocadinho&raquo;. Ele responde, eu estou aflito e dizemos &laquo;espere um bocadinho&raquo;, porque n&atilde;o podemos deixar a coisa a meio e depois n&atilde;o compreendem ou deixamos a pessoa na sanita e depois quando acabamos de fazer a higiene voltamos ou esquecemo-nos de l&aacute; deles. Isso acontece! (&hellip;) por vezes estou a dar de comer e algu&eacute;m se lembra de ir &agrave; WC, chama, chama e estamos 1 ou 2 a dar os almo&ccedil;os, &eacute; muito complicado&rdquo; (Nat&aacute;lia, PT). </p>     <p> A incapacidade e a n&atilde;o verbaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; indicadora de desvantagens: </p>     <p> Oos acamados, como n&atilde;o falam, ficam para mais tarde e acaba por ser injusto e ficam com a mesma fralda at&eacute; mais tarde&rdquo; (Nat&aacute;lia, PT). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Problemas de sono</b> </p>     <p> Para Margarida (PT), o pior nos turnos da noite, na altura da mudan&ccedil;a de fraldas, &eacute; ter que acordar os residentes que partilham dos mesmos quartos, o que inevitavelmente tem implica&ccedil;&otilde;es no sono: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &ldquo;Abrimos a luz para mudar as fraldas e acabamos por incomodar os outros que n&atilde;o precisam mudar (&hellip;). (Acha que &eacute; perturbador do sono?) Acho. Por vezes est&atilde;o a dormir t&atilde;o sossegados, que come&ccedil;am: que horas s&atilde;o? S&atilde;o horas de acordar? Eu n&atilde;o me quero levantar ainda? Ficam desnorteados. &Eacute; suficiente para ficarem destabilizados&rdquo; (Margarida, PT). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>A falta de movimento e a utiliza&ccedil;&atilde;o da conten&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica</b> </p>     <p> A necessidade de fazerem mais exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; tamb&eacute;m sentido como uma lacuna, condicionada pela insufici&ecirc;ncia de recursos humanos. No entanto, D&aacute;lia (PT) considera que fazer exerc&iacute;cio f&iacute;sico ou treino da marcha: &ldquo;imposs&iacute;vel porque n&atilde;o h&aacute; tempo&rdquo;. Justifica: &ldquo;por mais boa vontade que n&oacute;s tenhamos, n&atilde;o conseguimos. S&atilde;o muitos e n&oacute;s, somos poucas&rdquo;. O uso da conten&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, como fonte de seguran&ccedil;a para prevenir quedas, constitui pr&aacute;tica normalizada e aceite institucionalmente. </p>     <p> &ldquo;O nosso medo &eacute; o ca&iacute;rem. Por isso, usam os cintos e &eacute; o medo de se tentarem levantar e ca&iacute;rem. As pessoas t&ecirc;m os cintos e vamos ao wc com eles e depois t&ecirc;m que voltar. Est&atilde;o de manh&atilde; e &agrave; tarde presos? Sim, &eacute; por causa das quedas. &Eacute; o nosso grande problema. A senhora x anda e custa-me muito t&ecirc;-la presa a uma cadeira de rodas. N&oacute;s n&atilde;o temos uma empregada para cada um! Agora, por exemplo, estamos todas ocupadas e eles seguem-nos e n&oacute;s temos medo das quedas nestas idades&rdquo;. (D&aacute;lia, PT) </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b>Movimentos bruscos</b> </p>     <p> A sobrecarga laboral, o <i>burnout</i> f&iacute;sico e mental s&atilde;o fatores que propiciam o surgimento de condutas que indiciam maus-tratos, tais como os movimentos bruscos, a falta de paci&ecirc;ncia, o gritar, o ignorar, o tipo de linguagem utilizada (infantil ou o uso de cal&atilde;o), a coloca&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada de fraldas, o deixar pessoas acamadas muitas horas s&oacute;s e sem cuidados, a conten&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica constituem alguns dos indicadores que emergem das entrevistas, o que torna as fronteiras entre maus cuidados, aceites institucionalmente como inadequados mas pouco combatidos na pr&aacute;tica, e a quest&atilde;o do abuso e da neglig&ecirc;ncia, como problem&aacute;ticas n&atilde;o associadas aos cuidados, mas com fronteiras muito t&eacute;nues entre si (Gil, 2018). </p>     <p> O problema da rotatividade do pessoal, as aus&ecirc;ncias injustificadas, os turnos rotativos, os anos consecutivos de trabalho, s&atilde;o algumas das problem&aacute;ticas associadas ao trabalho de cuidados e que interferem na sa&uacute;de f&iacute;sica e mental de quem presta cuidados, ap&oacute;s longos per&iacute;odos de trabalho &aacute;rdua: &ldquo;a parte psicol&oacute;gica&rdquo; (Augusta, PT); &ldquo;&eacute; muito duro f&iacute;sica e psicologicamente&rdquo; (Guilhermina, PT); &ldquo;um chama, o outro chama. Saio daqui e vou a p&eacute; para aliviar a cabe&ccedil;a&rdquo; (Aida, PT). As depress&otilde;es, as tendinites, os problemas de coluna, essencialmente devido ao peso e aos maus posicionamentos, constituem os principais problemas de sa&uacute;de. </p>     <p> A &uacute;ltima quest&atilde;o colocada aos entrevistados diz respeito a que medidas a implementar para requalificar a profiss&atilde;o de cuidador. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Rumo &agrave; requalifica&ccedil;&atilde;o do trabalho de cuidados</b></font></p>     <p> Mariana (PT) &eacute; apologista de processos de recrutamento e de forma&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria. A profissionaliza&ccedil;&atilde;o e uma melhor remunera&ccedil;&atilde;o do trabalho seria uma forma de proteger o trabalhador e dignificar a profiss&atilde;o. Uma ideia que emerge das entrevistas &eacute; para a n&atilde;o uniformiza&ccedil;&atilde;o do modelo formativo, muitas vezes designado por &laquo;forma&ccedil;&atilde;o no posto de trabalho&raquo; <i>a la carte</i>. </p>     <p> O tempo de forma&ccedil;&atilde;o &ldquo;depende de pessoa para pessoa. Pode ser 1 m&ecirc;s, 2 ou 3 meses&rdquo; (Concei&ccedil;&atilde;o, PT), traduzido num acompanhamento de uma auxiliar com mais tempo de servi&ccedil;o. &ldquo;Aprendi a maneira como se deve levantar a pessoa, a dar banho. Como aprendo r&aacute;pido, ao fim do 2&ordm; m&ecirc;s j&aacute; estava a dar a medica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Isabel, PT). No entanto, o n&uacute;mero de dias que os novos elementos permanecem em forma&ccedil;&atilde;o varia na pr&aacute;tica de institui&ccedil;&atilde;o para institui&ccedil;&atilde;o, condicionado tamb&eacute;m pelas flutua&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias de pessoal. Pode variar desde 3, 2, 1 m&ecirc;s a de 1, 2 semanas, at&eacute; a 5, 3, 2 dias e 1 dia. </p>     <p> Francisca (PT) descreve a forma como o processo formativo se desenrola: </p>     <p> - Entrevistador(a) [inicial]: As pessoas quando chegam t&ecirc;m forma&ccedil;&atilde;o? </p>     <p> - Francisca: N&atilde;o. H&aacute; cursos, mas n&atilde;o aparecem pessoas com cursos. </p>     <p> - Entrevistador (a): Porqu&ecirc;? </p>     <p> - Francisca: Na minha opini&atilde;o porque chegam &agrave; conclus&atilde;o que n&atilde;o querem. Tem que se gostar. Caso contr&aacute;rio, n&atilde;o se vai conseguir. </p>     <p> - Entrevistador(a): Como &eacute; que &eacute; feita a integra&ccedil;&atilde;o? </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> - Francisca: A pessoa nova acompanha a chefe de turno e vai andar com a colega. Mostra a casa, o funcionamento e depois mostra o dia-a-dia. O trabalho direto e faz tudo do turno. Acompanha a colega durante 1 ou 2 dias para fazer aquelas tarefas e assim, conseguir absorver o nosso modo de funcionar. </p>     <p> - Entrevistador(a): Acha que &eacute; suficiente para quem n&atilde;o tem experi&ecirc;ncia? </p>     <p> - Francisca: Acho que &eacute; um passo porque nesses 2, 3 dias a pessoa apercebe-se do trabalho, se &eacute; capaz, se quer este tipo de trabalho e se quer continuar. Se &eacute; suficiente, &eacute; obvio que n&atilde;o &eacute; suficiente. Devia haver pessoal, que n&atilde;o h&aacute;! </p>     <p align="right"> (Excerto de transcri&ccedil;&atilde;o da entrevista com Francisca, PT). </p>     <p> Por exemplo, quando Alexandra (PT) chegou ao lar n&atilde;o teve forma&ccedil;&atilde;o, s&oacute; a experi&ecirc;ncia adquirida ap&oacute;s um longo per&iacute;odo de cuidados. Aprendeu com colegas mais velhas e com o tempo foi participando em algumas a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o organizadas pela institui&ccedil;&atilde;o. A&ccedil;&otilde;es que iam desde, &ldquo;como dev&iacute;amos mudar as fraldas aos idosos, como dev&iacute;amos fazer as higienes e quando e como dev&iacute;amos dar a alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Hoje, h&aacute; mais de 12 meses que n&atilde;o tem forma&ccedil;&atilde;o, pois &ldquo;ficou adiada&rdquo;. Al&eacute;m disso, de modo a n&atilde;o colidir com a rotina di&aacute;ria e com o volume de trabalho, os momentos formativos s&atilde;o feitos fora do hor&aacute;rio de trabalho, retirando tempo &agrave;s horas de descanso (&ldquo;segundo a doutora somos obrigadas a ter certas horas de forma&ccedil;&atilde;o por ano, mas &eacute; sempre fora do hor&aacute;rio de trabalho&rdquo;) (Raquel, PT). </p>     <p> Ap&oacute;s frequentar um curso de geriatria atrav&eacute;s do centro de emprego, Ilda (PT) considera que a forma&ccedil;&atilde;o deveria ser obrigat&oacute;ria. As pessoas que aprendem atrav&eacute;s da pr&aacute;tica trazem v&iacute;cios e &ldquo;n&atilde;o &eacute; a mesma coisa&rdquo;. A mesma experi&ecirc;ncia teve Catarina (PT). No seu caso, frequentou um curso de geriatra atrav&eacute;s do centro de emprego, que qualifica de &ldquo;uma boa forma&ccedil;&atilde;o&rdquo;. No entanto, o que chocou mais Catarina, foram os requisitos para o curso. &ldquo;Um curso de florista &eacute; necess&aacute;rio ter o 9&ordm; ano e um curso de geriatria &eacute; s&oacute; preciso a 4&ordf; classe&rdquo; (Catarina, PT). Na sua perspetiva o que est&aacute; subjacente &ldquo;&eacute; o valor da profiss&atilde;o. N&atilde;o &eacute; s&oacute; o vestir, &eacute; muito mais do que isso, &eacute; saber compreender o olhar do outro&rdquo; (Catarina, PT). </p>     <p> O perfil de compet&ecirc;ncias &eacute; outro dos requisitos necess&aacute;rios. Para estas entrevistadas, definidas como um misto de tra&ccedil;os de personalidade, compet&ecirc;ncias interpessoais, aptid&otilde;es e gosto por conhecimentos, na &aacute;rea da sa&uacute;de (os posicionamentos, saber dar alimenta&ccedil;&atilde;o normal ou por sonda nasog&aacute;strica, ou aplica&ccedil;&atilde;o de insulina e administrar medica&ccedil;&atilde;o). </p>     <p> Para Francisca (PT), a requalifica&ccedil;&atilde;o passaria por &ldquo;testes psicot&eacute;cnicos obrigat&oacute;rios&rdquo;. Segundo esta entrevistada, &ldquo;os testes permitiram aferir se a pessoa tem o dom para trabalhar com pessoas idosas ou n&atilde;o. Eu acho que a pessoa tem ou n&atilde;o tem&rdquo;. Na sua perspetiva existem muitas auxiliares que n&atilde;o t&ecirc;m dom para cuidar. Segundo esta entrevistada, as auxiliares mais jovens demonstram mais, &ldquo;disponibilidade para aprender&rdquo;, &ldquo;est&atilde;o a 0&rdquo;, &ldquo;n&oacute;s moldamos conforme n&oacute;s queremos&rdquo;. As auxiliares mais velhas s&atilde;o perspetivadas como tendo mais v&iacute;cios e s&atilde;o mais adversas a fazer novas aprendizagens. </p>     <p> Sem perspetivas de carreira profissional e sem reconhecimento social dentro e fora das institui&ccedil;&otilde;es, e sem diferencia&ccedil;&atilde;o em termos financeiros, a forma como s&atilde;o, por vezes, chamadas aten&ccedil;&atilde;o pelas chefias indicia a falta de valoriza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o. </p>     <p> &ldquo;H&aacute; sempre coisas desagrad&aacute;veis que nos dizem a forma como somos abordadas para nos chamarem aten&ccedil;&atilde;o. A&iacute; sinto! Sinto que &agrave;s vezes, o valor que n&oacute;s temos n&atilde;o &eacute; nada porque &agrave;s vezes n&atilde;o d&atilde;o valor. D&atilde;o mais valor &agrave;s coisas negativas do que a coisas positivas, isso entristece-me. N&atilde;o s&atilde;o as chamadas de aten&ccedil;&atilde;o, &eacute; a forma como as pessoas nos dizem as coisas. &Eacute; o modo porque toda a gente erra, h&aacute; modos e modos!&rdquo; (Manuela, PT). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Para Elvira (PT), &ldquo;ningu&eacute;m quer vir para esta profiss&atilde;o. J&aacute; vi passar colegas, colegas. V&ecirc;m um dia e d&atilde;o meia volta. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil trabalhar numa profiss&atilde;o destas. Temos que gostar do que se faz porque temos que trabalhar porque n&atilde;o &eacute; certamente pelo que a pessoa leva ao final do m&ecirc;s&rdquo;. O mesmo sentimento &eacute; partilhado por Raquel, trabalha h&aacute; 20 anos na &aacute;rea e aufere uma remunera&ccedil;&atilde;o equivalente ao ordenado m&iacute;nimo nacional (&ldquo;levo menos que o ordenado m&iacute;nimo e tenho um dia de folga&rdquo;). Um dos grandes problemas que Raquel identifica no trabalho de cuidados &eacute; a excessiva rotatividade do pessoal, devido ao desgaste da profiss&atilde;o, o n&atilde;o reconhecimento da profiss&atilde;o e, na sua perspetiva, acabam por ser menosprezadas e minimizadas as boas pr&aacute;ticas de cuidar. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p> O inqu&eacute;rito permitiu obter um retrato social do trabalhador de cuidados, maioritariamente composto por mulheres, de nacionalidade portuguesa, com baixas qualifica&ccedil;&otilde;es, em condi&ccedil;&otilde;es contratuais regularizadas, em termos de contrato de trabalho, e remunera&ccedil;&atilde;o mensal [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>]. No entanto, as entrevistas permitiram desvendar qualitativamente o que os n&uacute;meros ocultaram. Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dif&iacute;ceis, r&aacute;cios desajustados face ao n&uacute;mero de residentes, longas horas de trabalho, a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o fragmentadas e irregulares (por ex. utiliza&ccedil;&atilde;o de extintores e outros equipamentos, doen&ccedil;as, cuidados parcelares), realizadas fora do tempo de trabalho e, por vezes, at&eacute; mesmo, inexistentes. Embora exista uma regulamenta&ccedil;&atilde;o laboral sobre horas de forma&ccedil;&atilde;o (35h/ por ano), na pr&aacute;tica essa exig&ecirc;ncia &eacute; imputada &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es, sem que exista um controle p&uacute;blico sobre o exerc&iacute;cio dessa forma&ccedil;&atilde;o e muito menos da profiss&atilde;o. Este resultado vai ao encontro da tend&ecirc;ncia identificada pela ILO (2018), em que a maioria dos trabalhadores de cuidados n&atilde;o t&ecirc;m forma&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o e, mesmo quando a forma&ccedil;&atilde;o existe, a maioria destes n&atilde;o possui uma certifica&ccedil;&atilde;o acreditada (ILO, 2018, 2019). </p>     <p> As entrevistadas vieram revelar que o trabalho de cuidados tem por base um plano de tarefas a cumprir, num hor&aacute;rio pr&eacute;-estabelecido, em que os cuidados b&aacute;sicos se tornam mecanizados e rotinizados em detrimento da individualiza&ccedil;&atilde;o dos mesmos. A escassez de m&atilde;o de obra tem inevitavelmente consequ&ecirc;ncias nefastas na qualidade dos cuidados, mas tamb&eacute;m na sa&uacute;de f&iacute;sica e mental, na satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal dos que permanecem no sector dos cuidados. </p>     <p> Se o trabalho de cuidados se estrutura e &eacute; marcado por mecanismos de diferencia&ccedil;&atilde;o social, pelo g&eacute;nero, idade, classe, ra&ccedil;a, nacionalidade (Tronto, 2013), ele pr&oacute;prio oculta desigualdades sociais, como &eacute; o caso dos imigrantes, mais vulner&aacute;veis a sofrerem de processos de explora&ccedil;&atilde;o e de abuso (Figueiredo et al., 2018, Abrantes, 2012). Explora&ccedil;&atilde;o essa traduzida em mais horas de trabalho, sem prote&ccedil;&atilde;o social (sa&uacute;de, f&eacute;rias, descontos para a seguran&ccedil;a social) e sem reconhecimento social (Woolham et al. 2019, Salis, 2014; Cangiano et al., 2010). </p>     <p> Os entrevistados, ao descreverem o seu quotidiano laboral, mencionam de forma transversal a sobrecarga laboral, os turnos alternados, a excessiva rotatividade, o absentismo, colocando em causa n&atilde;o s&oacute; a qualidade do emprego, mas a qualidade do cuidado. A proposta de Wiskow et al. (2010) ganha especial relev&acirc;ncia num sector que premeia pouco os trabalhadores de cuidados e em que a cultura organizacional e o contexto social incentivam pouco o desenvolvimento pessoal e as compet&ecirc;ncias profissionais e interpessoais. Dimens&otilde;es estas que v&atilde;o ter impactos, em termos de pr&aacute;ticas, de bons <i>versus</i> maus cuidados, no desgaste f&iacute;sico e mental, na rotatividade e no abandono precoce da profiss&atilde;o. Como refere Wiskow et al. (2010), a qualidade do emprego &eacute; indissoci&aacute;vel da qualidade de um ambiente de trabalho que incentive o ingresso (recrutamento) e que fa&ccedil;a permanecer (reten&ccedil;&atilde;o) os seus trabalhadores e que contribua para um desempenho que alie conhecimentos, compet&ecirc;ncias e recursos. </p>     <p> Timonen and Lolich (2019) v&atilde;o mais longe ao preconizarem uma cultura de confian&ccedil;a e de autonomia profissional no exerc&iacute;cio do trabalho de cuidados (maior controle do tempo, maior capacidade de decis&atilde;o, mais tempo despendido no apoio emocional e em sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o e de <i>feedback</i>, mais claros), baseada na forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua, em melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de carreira. Propostas que poderiam atenuar as ambival&ecirc;ncias estruturais que existem em torno da profiss&atilde;o. Dignificar a profiss&atilde;o, atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria e da profissionaliza&ccedil;&atilde;o, a defini&ccedil;&atilde;o de um plano de carreira, de modo a premiar perfis de compet&ecirc;ncias e boas pr&aacute;ticas, constituem medidas poss&iacute;veis de modo a tornar a profiss&atilde;o mais atrativa, criar incentivos entre os mais jovens, e combater o abandono precoce. A requalifica&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o, inserida numa estrat&eacute;gia nacional para o emprego mais digno, torna-se premente, num mercado em franca expans&atilde;o onde as necessidades de cuidados ser&atilde;o crescentes numa sociedade envelhecida, e onde as profiss&otilde;es ligadas aos cuidados e &agrave;s pessoas foram identificadas pelo World Economic F&oacute;rum (2020) como uma das profiss&otilde;es de futuro. </p>     <p> <b></b> </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>Bibliografia</b></font> </p>     <p> Abrantes, M. (2012) &ldquo;A densidade da sombra: trabalho dom&eacute;stico, g&eacute;nero e imigra&ccedil;&atilde;o&rdquo; (In the depth of shadows: domestic work, gender and immigration), <i>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</i>, n.&ordm; 70, 91-110. </p>     <p> Anderson, B. (2012) &ldquo;Who needs them? Care work, migration and public policy&rdquo;, <i>Cadernos de Relaciones Laborales</i>, vol. 30, n&ordm; 1, 45-61. </p>     <!-- ref --><p> Bauer, G., Rodrigues, E., Leichsenring (2018) <i> Working conditions in long-term care in Austria: the perspective of care professionals </i> , European Centre for Social Welfare Policy and Research.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699748&pid=S2182-3030202000010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Campbell, S., Roland, O., Buetow, S. (2000) &ldquo;Defining quality of care&rdquo;, <i>Social Science &amp; Medicine</i>, 51(11), 1611-1625. </p>     <p> Cangiano, A., Shutes, I. (2010) &ldquo;Ageing, Demand for care and the role of migrant care workers in the UK&rdquo;, <i>Population Ageing</i>, 3, 39-57. </p>     <p> Colombo, F., Nozal. A.L., Mercier, J., Tjadens, F. (2011) &ldquo;Help wanted? Providing and paying for long-term care&rdquo;, <i>OECD Health Policy Studies</i>, OECD Publishing, Paris. </p>     <p> Corbin, J. (1992) &ldquo;Le soin: cadre th&eacute;orique pour un cheminement interactif&rdquo;, <i>Revue Internationale d&acute;action communautaire</i>, vol.28 (68), 39-49. </p>     <!-- ref --><p> Donabedian, A. (1980) <i>Explorations in quality assessment and monitoring</i>, AnnArbor, MI: Health Administration Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699754&pid=S2182-3030202000010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Drennan, J., Lafferty, A., Treacy, M., Fealy, G., Phelan, A., Lyons, I., Hall, P. (2012) <i> Older people in residential care settings: Results of a national survey of staff–resident interactions and conflicts </i> , Dublin: University College Dublin and National Centre for the Protection of Older People.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699756&pid=S2182-3030202000010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Eurofound (2019) <i>Quality of health and care services in the EU</i>, Publications Office of the European Union, Luxembourg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699758&pid=S2182-3030202000010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Figueiredo, M.C., Suleman, F., Botelho, M.C. (2018) &ldquo;Workplace Abuse and Harassment: The Vulnerability of Informal and Migrant Domestic Workers in Portugal&rdquo;, <i>Social Policy &amp; Society</i>, 17(1), 65–85. </p>     <p> Filipova, A.A. (2011) &ldquo;Ethical climates in for-profit, nonprofit, and government skilled nursing facilities: managerial implications for partnerships&rdquo;, <i>JONA&rsquo;S Healthcare Law, Ethics, and Regulation</i>, 13(4),125-31. </p>     <!-- ref --><p> Gabinete de Estrat&eacute;gia e Planeamento (2018) <i>Carta Social</i>, Gabinete de Estrat&eacute;gia e Planeamento, Minist&eacute;rio da Solidariedade, Emprego e Seguran&ccedil;a Social, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699762&pid=S2182-3030202000010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Gil, A P. M., (2010) &ldquo; <i>Her&oacute;is do quotidiano: din&acirc;micas familiares na depend&ecirc;ncia&rdquo;,</i> no &acirc;mbito do protocolo entre a Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian &amp; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, ISBN 978-972-31-1314-3. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Gil, A.P. (2018) &ldquo;Care and mistreatment – two sides of the same coin? An exploratory study of three Portuguese care homes&rdquo;, <i>International Journal of Care and Caring</i>, 2 (4), 551-73. </p>     <p> <a name="m_1782094042003019792__Hlk38035351"> Gil, A.P. (2019a) &ldquo;Quality procedures and complaints: nursing homes in Portugal&rdquo;, <i>The Journal of Adult Protection</i>, Vol. 21 No. 2: 126-143. </a> <a href="https://doi.org/10.1108/JAP-09-2018-0018" target="_blank"> https://doi.org/10.1108/JAP-09-2018-0018</a>. </p>     <p> Gil, A.P, Moniz, A., S&atilde;o, Jos&eacute; S&atilde;o (2019b) <i>Technologies in care for older people - EPTA report</i> 2019, <a         href="https://eptanetwork.org/images/documents/minutes/EPTA_report_2019.pdf" target="_blank"     > https://eptanetwork.org/images/documents/minutes/EPTA_report_2019.pdf </a> </p>     <p> Gil, A.P., Capelas, L. (2019c) &ldquo;Elder mistreatment in Portuguese care homes: intersections with organisational and professional factors – a mixed methods study&rdquo;, <i> 4th Transforming Care Conference – Copenhagen Changing priorities: The making of care policy and practices </i> , Copenhague, Denmark. Copenhague, Denmark: <a         href="http://www.transforming-care.net/wp-content/uploads/2019/06/BoA-master-7.pdf" target="_blank"     > http://www.transforming-care.net/wp-content/uploads/2019/06/BoA-master-7.pdf</a>. </p>     <p> Gil, A.P. (2020) &ldquo;Os cuidados familiares &agrave; luz da teoria da ambival&ecirc;ncia sociol&oacute;gica: &ldquo;Os dois lados da moeda&rdquo; in Quartilho, M. (org.) <i>Psiquiatria Social e Cultural: Di&aacute;logos e Converg&ecirc;ncia</i>, Imprensa da Universidade de Coimbra, DOI <a href="https://doi.org/10.14195/978-989-26-1928-6" target="_blank"> https://doi.org/10.14195/978-989-26-1928-6</a>.399-420 </p>     <p> Guberman, N., Maheu, P., Maill&eacute;, C. (1992) &ldquo;Women as family caregivers: why do they care&rdquo;, <i>The Gerontologist</i>, vol. 32, n&ordm; 5, 607-617. </p>     <!-- ref --><p> Hayes, L.J.B. (2017) <i>Stories of care: a labour of law – Gender and class at work</i>. London: Palgrave.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699771&pid=S2182-3030202000010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Hussein, S., Manthorpe, J., Stevens, M. (2011) &ldquo;Social care as first work experience in England: a secondary analysis of the profile of a national sample of migrant workers&rdquo;, <i>Health and Social Care in the Community</i>, 19 (1), 83-97. </p>     <p> Hussein, S. (2017) &ldquo;Job demand, control and unresolved stress within the emotional work of long-term care in England&rdquo;, <i>International Journal of Care and Caring</i>, 2 (1), 89-107. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> International Labour Office (ILO) (2018) <i>Care work and care jobs for the future of decent work</i>, International Labour Office, Geneva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699775&pid=S2182-3030202000010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Kane, R.A., Kling, K.C., Bershadsky, B., Kane, R.L., Giles, K., Degenholtz, H.B., Liu, J., Cutler, L.J., (2003) &ldquo;Quality of life measures for nursing home residents&rdquo;, <i>Journal of Gerontology</i>, 58A (3), 240-248. </p>     <!-- ref --><p> King-Dejardin, A. (2019) <i> The social construction of migrant care work - At the intersection of care, migration and gender </i> , International Labour Office, Geneva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699778&pid=S2182-3030202000010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Maheu, P., Guberman, N. (1992) &ldquo;Familles, personnes adultes d&eacute;pendantes et aide &laquo; naturelle &raquo;: Entre le mythe et la r&eacute;alit&eacute;&rdquo;, <i>Revue Internationale d&acute;action communautaire</i>, vol.28, 51-62. </p>     <p> Noelker, L.S., Harel, Z., (2001) &ldquo;Humanizing long-term care: forging a link between quality of care and quality of life&rdquo; in L.S. Noelker, Z. Harel (eds), <i>Linking Quality of Long-Term Care and Quality of Life</i>, Canada: Springer Publishing Company. </p>     <p> Organisation for Economic Co-operation and Development (2013) &ldquo;A good life in old age? Monitoring and improving quality in long-term care&rdquo;, <i>OECD Health Policy Studies</i>, OECD Publishing. </p>     <p> Organisation for Economic Co-operation and Development (2016) &ldquo;Long-term care data: Progress in data collection and proposed next steps&rdquo;, <i>DELSA/HEA/HD</i> 3, Directorate for Employment, Labour and Social Affairs Health Committee, Paris. </p>     <!-- ref --><p> Organisation for Economic Co-operation and Development (2017) <i>Health at a glance 2017</i>, OECD indicators: Paris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699784&pid=S2182-3030202000010000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Organisation for Economic Co-operation and Development (2019) <i>Health at a glance 2019</i>, OECD indicators: Paris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699786&pid=S2182-3030202000010000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Patton, M.Q. (2002) <i>Qualitative research and evaluation methods</i>, Thousand Oaks, CA: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699788&pid=S2182-3030202000010000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> PORDATA (2019) <i>Database of Contemporary Portugal</i>, Francisco Manuel dos Santos Foundation, Lisbon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699790&pid=S2182-3030202000010000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Rodrigues, R. (2017) &ldquo;Cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o para idosos no contexto europeu: m&uacute;ltiplas solu&ccedil;&otilde;es para um problema comum?&rdquo; in Ferreira, P., Cabral, M., Moreira, A. (eds.), <i> Envelhecimento na Sociedade Portuguesa – Pens&otilde;es, Fam&iacute;lia e Cuidados </i> , Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, Lisboa, 165-179. </p>     <p> Scheil-Adlung, X. (2015) &ldquo;Long-term care protection for older persons: A review of coverage deficits in 46 countries&rdquo;, <i>Extension of Social Security Working Paper</i> n&ordm; 50, International Labour Office: Geneva. </p>     <p> Scheil-Adlung, X. (2016) &ldquo;Health Workforce: A Global Supply Chain Approach. New Data on the Employment Effects of Health Economies in 185 Countries&rdquo;, <i>Extension of Social Security Working Paper</i> n&ordm; 55, International Labour Office: Geneva. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Shulmann, K., Gasior, K., Fuchs, M., Leichsenring, K. (2016) &ldquo;The view from within: ‘Good&rsquo; care from the perspective of care professionals – lessons from an explorative study&rdquo;, <i>Policy Brief</i> 2, European Centre, Vienna. </p>     <p> Theobald, H. (2017) &ldquo;Care workers with migrant backgrounds in formal care services in Germany: a multi-level intersectional analysis&rdquo;, <i>Internationl Journal of Care and Caring</i>, 1 (2), 209-226. </p>     <p> Timonen, V., Lolich, L. (2019) &ldquo;The poor carer: ambivalent social construction of the home care worker in elder care services&rdquo;, <i>Journal of Gerontological Social Work</i>, 21,1-21. </p>     <p> Towers, A-M., Smith, N., Palmer, S. Welch, E., Netten A. (2016) &ldquo;The acceptability and feasibility of using the Adult Social Care Outcomes Toolkit (ASCOT) to inform practice in care homes&rdquo;, <i>BMC Health Services Research,</i> 516-523, BMC. </p>     <p> Tronto, J. (2010) &ldquo;Creating caring institutions: Politics, plurality and purpose&rdquo;, <i>Ethics and Social Welfare</i>, 4, 2, 158-171. </p>     <!-- ref --><p> Tronto, J. (2013) <i>Caring democracy: markets, equality, and justice</i> , New York: New York University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699800&pid=S2182-3030202000010000700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Twigg, J., Atkin, K. (1994) <i>Carers perceived: policy and practice in informal care</i>, Buckingham, Pen University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699802&pid=S2182-3030202000010000700044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Wiskow, C., Albreht, T., Pietro, C. (2010) <i> How to create an attractive and supportive working environment for health professionals </i> , World Health Organization Euro, Copenhagen.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699804&pid=S2182-3030202000010000700045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> World Health Organization (2016) &ldquo;Health workforce requirements for universal health coverage and the Sustainable Development Goals&rdquo;, <i>Human Resources for Health Observer Series</i> No. 17, World Health Organization. </p>     <!-- ref --><p> World Economic Forum (2020) <i>Jobs of tomorrow – mapping opportunity in the new economy</i>, WEF: Geneve.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699807&pid=S2182-3030202000010000700047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Z&uacute;&ntilde;iga, D., Ausserhofer, M., Simon, C. S., Schwendimann, R. (2015) <i>L‘enqu&ecirc;te SHURP Follow-Up 2015</i>. Universit&auml;t Basel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1699809&pid=S2182-3030202000010000700048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> Received: 31-01-2020; Accepted: 23-06-2019.     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">NOTAS</font></p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>] </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">O Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais tem por finalidade apoiar o desenvolvimento e consolidar a rede de equipamentos sociais no territ&oacute;rio continental, nomeadamente aumentar o n&uacute;mero de lugares em Lares de Idosos associados a situa&ccedil;&otilde;es de maior depend&ecirc;ncia (<a                 href="http://www.seg-social.pt/programa-de-alargamento-da-rede-de-equipamentos-sociais-pares" target="_blank"             >http://www.seg-social.pt/programa-de-alargamento-da-rede-de-equipamentos-sociais-pares</a>); O Programa Integrado de Apoio para Idosos (PAII) permitiu alargar a rede nacional de servi&ccedil;os de apoio domicili&aacute;rio (atualmente encerrado). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] Segundo o OCDE (2019), estima-se que existam mais de 20 pessoas com dem&ecirc;ncia em Portugal por 1000 indiv&iacute;duos em 2019, e estima-se que esse n&uacute;mero aumentar&aacute; para 40.52% em 2050. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Portaria no. 67/2012 e Decreto-lei no. 33/2014. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] Sal&aacute;rio m&iacute;nimo nacional, 607&euro;/ m&ecirc;s, sem descontos. A confedera&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos fornece uma lista, com taxas salariais de todas as categorias de trabalhadores, no Minist&eacute;rio do Trabalho, Solidariedade e Seguran&ccedil;a Social (2018). </font> </p>      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Who needs them?: Care work, migration and public policy]]></article-title>
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