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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relevância do VANT no Processo de Representação e Produção de Arquitetura]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The emergence of the airplane as an influential element for architects of the twentieth century's modern movement, has transformed the knowledge and modes of interpreting the landscape, which has a reflection in planning and interacting with the territory. In the 21st Century, the relevance of the aircraft is perpetuated with the emergence of the Unmanned Aerial Vehicles (UAV) - commonly designated as drones - in the airspace of the city. The democratization of this technology transforms the urban airspace, promoting a paradigm shift from contemporary reality and influencing aspects such as privacy, security, urban planning and regulations of airspace utilization. On the professional scope, the relevance of the UAV in the process of representing and producing Architecture becomes one of its most influential points by enabling new forms of action by the architect and expanding his autonomy, technical capacity and awareness of the scenarios where he intervenes. With the aim of framing the relevance of these vehicles in the process of representation and production of architecture, this work exposes the main valences of UAVs in architecture, by investigating their specifications and applications in different areas. The development of a case study with a UAV and aerial digital photogrammetry made it possible to test the developed premises.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Relev&acirc;ncia do VANT no Processo de Representa&ccedil;&atilde;o e Produ&ccedil;&atilde;o de Arquitetura</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Relevance of UAV in the process of representation and production of architecture</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Jo&atilde;o Antunes<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Sara Eloy<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Pedro Luz Pinto<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">III</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:joaodoresantunes@gmail.com" target="_blank">joaodoresantunes@gmail.com</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">II</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISTAR - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:sara.eloy@iscte-iul.pt" target="_blank">sara.eloy@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">III</a>]</font><font size="2" face="Verdana">DIN&Acirc;MIA&rsquo;CET-ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:pedro.pinto@iscte-iul.pt" target="_blank">pedro.pinto@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>O surgimento do avi&atilde;o como elemento influente na vis&atilde;o dos arquitetos do movimento moderno do s&eacute;culo XX transformou a forma de conhecer e interpretar a paisagem, refletindo-se numa metodologia distinta de planeamento e intera&ccedil;&atilde;o com o territ&oacute;rio. No seculo XXI, esta relev&acirc;ncia da aeronave perpetua-se com a emerg&ecirc;ncia do ve&iacute;culo a&eacute;reo n&atilde;o tripulado (VANT), vulgarmente designado como &ldquo;drone&rdquo;, no espa&ccedil;o a&eacute;reo da Cidade. A democratiza&ccedil;&atilde;o desta tecnologia transforma o espa&ccedil;o a&eacute;reo urbano, promovendo uma mudan&ccedil;a de paradigma da realidade contempor&acirc;nea e influenciando aspetos como a privacidade, a seguran&ccedil;a, o planeamento urbano e os regulamentos de utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o a&eacute;reo. No &acirc;mbito profissional de utiliza&ccedil;&atilde;o do VANT, a relev&acirc;ncia deste no processo de representa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de Arquitetura torna-se um dos seus pontos de maior influ&ecirc;ncia, possibilitando novas formas operativas de a&ccedil;&atilde;o do arquiteto e ampliando a sua autonomia, capacidade t&eacute;cnica e consci&ecirc;ncia sobre os cen&aacute;rios onde interv&eacute;m. Com a premissa de enquadrar a relev&acirc;ncia destes ve&iacute;culos no processo de representa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de arquitetura, este trabalho procura expor as principais val&ecirc;ncias dos VANT na Arquitetura, atrav&eacute;s de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre as suas especifica&ccedil;&otilde;es e aplica&ccedil;&otilde;es em diferentes &aacute;reas. A realiza&ccedil;&atilde;o de um caso de estudo de utiliza&ccedil;&atilde;o de um VANT e de fotogrametria digital a&eacute;rea tornou ainda poss&iacute;vel testar as premissas desenvolvidas. </p> <b>Palavras-chave:</b> arquitetura, tecnologia, representa&ccedil;&atilde;o, ve&iacute;culo a&eacute;reo n&atilde;o tripulado, VANT.     <p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">The emergence of the airplane as an influential element for architects of the twentieth century&rsquo;s modern movement, has transformed the knowledge and modes of interpreting the landscape, which has a reflection in planning and interacting with the territory. In the 21st Century, the relevance of the aircraft is perpetuated with the emergence of the Unmanned Aerial Vehicles (UAV) - commonly designated as drones - in the airspace of the city. The democratization of this technology transforms the urban airspace, promoting a paradigm shift from contemporary reality and influencing aspects such as privacy, security, urban planning and regulations of airspace utilization. On the professional scope, the relevance of the UAV in the process of representing and producing Architecture becomes one of its most influential points by enabling new forms of action by the architect and expanding his autonomy, technical capacity and awareness of the scenarios where he intervenes. With the aim of framing the relevance of these vehicles in the process of representation and production of architecture, this work exposes the main valences of UAVs in architecture, by investigating their specifications and applications in different areas. The development of a case study with a UAV and aerial digital photogrammetry made it possible to test the developed premises.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> architecture, technology, representation, Unmanned Aerial Vehicles (UAV).</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> Com vista a analisar a evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica no &acirc;mbito disciplinar da arquitetura, este trabalho surge da inten&ccedil;&atilde;o de enquadrar uma realidade contempor&acirc;nea em transforma&ccedil;&atilde;o a partir de uma revisita&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica contextualizando a evolu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o do presente atrav&eacute;s do passado. A constru&ccedil;&atilde;o de uma narrativa que retrata a import&acirc;ncia do ve&iacute;culo a&eacute;reo n&atilde;o tripulado (VANT) no &acirc;mbito disciplinar da representa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de Arquitetura, &eacute; o objetivo primeiro a que se submete este ensaio, assumindo, enquanto produto de uma observa&ccedil;&atilde;o e &ldquo;ponto de vista&rdquo; particular, a representa&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea como g&eacute;nese deste estudo. </p>     <p> Numa busca pelo reencontro de uma evid&ecirc;ncia da &ldquo;vista a&eacute;rea&rdquo; na hist&oacute;ria da arquitetura, procura-se conciliar com esta uma realidade tecnol&oacute;gica de progresso e &ldquo;vanguarda&rdquo;. O ensaio pressup&otilde;e o arquiteto enquanto mediador deste tipo de observa&ccedil;&atilde;o, assumindo com isto que, atrav&eacute;s de uma posi&ccedil;&atilde;o relativa, o papel deste, enquanto mediador, &eacute; profusamente influenciado pelas conting&ecirc;ncias naturais ou tecnol&oacute;gicas da sua realidade presente. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Este trabalho ambiciona uma compreens&atilde;o da import&acirc;ncia dos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, no caso espec&iacute;fico da observa&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea em arquitetura, procurando compreender simultaneamente, quais as transforma&ccedil;&otilde;es a que este modo de &ldquo;visitar&rdquo; a cidade levou e continua a levar no campo de a&ccedil;&atilde;o conceptual e construtiva da Arquitetura. Neste sentido, a import&acirc;ncia da tecnologia &eacute; tamb&eacute;m predominante; intuindo que, no processo de avan&ccedil;o e progresso do homem e da sociedade, os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos est&atilde;o cont&iacute;nua e simultaneamente ligados a um retrato da evolu&ccedil;&atilde;o humana e social (Giedion, 1969). Sendo este o elo entre a tecnologia e a pr&aacute;tica disciplinar da Arquitetura, o enunciado para este trabalho parte da ideia de entender o VANT enquanto &laquo;artefacto&raquo;, ou seja, objeto e instrumento de apoio. Neste ensaio &eacute; predominante a ideia de uma determinada habilidade do corpo poder ser ampliada por um progresso tecnol&oacute;gico que, enquanto &ldquo;extens&atilde;o&rdquo; do pr&oacute;prio corpo, se reflete enquanto capacidade tecnol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m e simultaneamente enquanto capacidade humana. &ldquo;(&hellip;) Darwin, por exemplo, usou o desenvolvimento dos telesc&oacute;pios como met&aacute;fora para a evolu&ccedil;&atilde;o dos olhos (&hellip;)&rdquo; (Forty, 2006: 22) &ldquo;(&hellip;), uma das implica&ccedil;&otilde;es do debate biol&oacute;gico foi a de que o ser humano &eacute; de alguma forma &laquo;incompleto&raquo;. (&hellip;) parte do objectivo da produ&ccedil;&atilde;o de bens materiais &eacute; dar ao homem a integridade de que carece. (&hellip;)&rdquo; (Forty, 2006: 25) </p>     <p> O artigo retrata em tr&ecirc;s &acirc;mbitos diferentes as problem&aacute;ticas em discuss&atilde;o respondendo assim aos tr&ecirc;s objetivos do estudo. Numa primeira fase, que corresponde &agrave;s se&ccedil;&otilde;es dois e tr&ecirc;s, responde-se ao objetivo de identificar a import&acirc;ncia dos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos na observa&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea em arquitetura. Para tal, atrav&eacute;s da contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, analisa-se o surgimento e a evolu&ccedil;&atilde;o da vista a&eacute;rea desde uma g&eacute;nese mais t&eacute;cnico-militar, at&eacute; outra, relacionada com uma vertente art&iacute;stica ou t&eacute;cnico-art&iacute;stica. Na segunda fase do artigo, com o objetivo de identificar as possibilidades da tecnologia VANT na representa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de Arquitetura, apresenta-se uma vertente mais operativa incidindo no VANT e nos seus m&eacute;todos e processos de levantamento em Arquitetura. Numa terceira fase do artigo, com o objetivo de analisar os impactos que os VANT trar&atilde;o no futuro, faz-se uma reflex&atilde;o acerca do futuro desta tecnologia, assim como considera&ccedil;&otilde;es sobre &eacute;tica e tecnologia, nomeadamente sobre a atual mudan&ccedil;a de paradigma do espa&ccedil;o a&eacute;reo, onde a democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso e uso deste tipo de tecnologia pode potenciar inesperados constrangimentos e press&otilde;es em temas como &laquo;seguran&ccedil;a&raquo; e &laquo;privacidade&raquo;. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica</b></font></p>     <p> <b>Vista a&eacute;rea, Arquitetura e Cidade</b> </p>     <p> Nos s&eacute;culos XIX e XX, a par com um conjunto de novas ideologias, tamb&eacute;m avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos se evidenciaram como fundadores da realidade &laquo;moderna&raquo; tal como a revisitamos nos dias de hoje. A cria&ccedil;&atilde;o de novos instrumentos e o aparecimento de novos materiais construtivos, como o bet&atilde;o, o vidro ou o a&ccedil;o, tornaram-se evid&ecirc;ncias de uma nova realidade que se revelou f&eacute;rtil em novas oportunidades, quer a um n&iacute;vel t&eacute;cnico, quer num campo art&iacute;stico. </p>     <p> Alguns fen&oacute;menos hist&oacute;ricos, como o processo de revolu&ccedil;&atilde;o industrial, t&ecirc;m a capacidade de alterar por completo o quotidiano das cidades, condicionando muito do futuro expectante da vida urbana e as reflex&otilde;es que se estabelecem sobre esta. Embora podendo-se questionar as condi&ccedil;&otilde;es de progresso nestas din&acirc;micas de transforma&ccedil;&atilde;o, menos discut&iacute;vel &eacute; o facto de estes fen&oacute;menos introduzirem uma profunda altera&ccedil;&atilde;o nas realidades em que sucedem. A ocorr&ecirc;ncia de uma resposta a estes fen&oacute;menos em &acirc;mbitos mais t&eacute;cnicos e/ou art&iacute;sticos, por cadeia, acabam por representar um conjunto de determinantes rea&ccedil;&otilde;es multidisciplinares, onde a Arquitetura enquanto disciplina e &aacute;rea t&eacute;cnico-art&iacute;stica, n&atilde;o se isenta de agir. </p>     <p> No caso do movimento moderno, para al&eacute;m das novas e determinantes tecnologias de constru&ccedil;&atilde;o, o avi&atilde;o – inven&ccedil;&atilde;o anterior ao nascimento do movimento moderno – acabou tamb&eacute;m por construir os princ&iacute;pios ideol&oacute;gicos desta pr&aacute;tica arquitet&oacute;nica, que ganhou voz na primeira metade do s&eacute;culo XX. A vis&atilde;o dos arquitetos modernos acabou profundamente influenciada pela presen&ccedil;a do avi&atilde;o enquanto ve&iacute;culo a&eacute;reo integrante da cidade moderna, por&eacute;m, tamb&eacute;m e essencialmente enquanto facilitador de um novo e revolucion&aacute;rio olhar sobre a cidade – a vista a&eacute;rea (Lista, 1994: 206-211). </p>     <p> Apesar das experi&ecirc;ncias realizadas no final do s&eacute;culo XIX relativas &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um ve&iacute;culo que tornasse poss&iacute;vel a ambi&ccedil;&atilde;o humana de voar, j&aacute; em 1783, pelas m&atilde;os dos irm&atilde;os Montgolfier (Joseph-Michel Montgolfier (1740-1810) e Jacques-&Eacute;tienne Montgolfier (1745-1799)), o bal&atilde;o de ar quente surgiu como parte da concretiza&ccedil;&atilde;o deste sonho. Tornando-se pela primeira vez poss&iacute;vel sobrevoar um determinado territ&oacute;rio, a inven&ccedil;&atilde;o do bal&atilde;o de ar quente e o desenvolvimento da fotografia na segunda metade do s&eacute;culo XIX foram os dois fatores determinantes que tornaram poss&iacute;vel aquelas que viriam a ser as primeiras fotografias a&eacute;reas. Levadas a cabo por Gaspard-F&eacute;lix Tourmachon (1820-1910), de pseud&oacute;nimo &ldquo;Nadar&rdquo;, estas primeiras fotografias a&eacute;reas foram captadas na cidade de Paris, em 1868. Nesta altura recorrendo ao engenho t&eacute;cnico do bal&atilde;o de ar quente e &agrave; sua t&eacute;cnica fotogr&aacute;fica, bastante avan&ccedil;ada para a &eacute;poca, Nadar realizou os primeiros registos a&eacute;reos de uma cidade. At&eacute; esta altura, os registos sobre um ponto de vista superior resultavam sempre de posicionamentos elevados, recorrendo a fotografia a&eacute;rea obl&iacute;qua a partir de constru&ccedil;&otilde;es altas como os monumentos emblem&aacute;ticos das cidades (Espuche, 1994: 108-111). </p>     <p> Todas as experi&ecirc;ncias realizadas no decorrer da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX acabariam por marcar aquilo que veio a ser o desenvolvimento da ind&uacute;stria aeron&aacute;utica no decorrer do s&eacute;culo. O conceito e a presen&ccedil;a do avi&atilde;o enquanto instrumento e &iacute;cone da era &ldquo;moderna&rdquo; acabaria por se estabelecer e se, por um lado, esta inven&ccedil;&atilde;o passou a ocupar a paisagem, por outro, conceptualmente, esta mesma acabou por moldar a forma como a pr&oacute;pria paisagem passou a ser conhecida e pensada. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p><b><i>O avi&atilde;o e o movimento moderno</i></b> </p>     <p> Enquanto novo elemento da vida urbana das cidades, no s&eacute;culo XX o avi&atilde;o serviu tanto a inspira&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o associada aos conflitos armados. Novas presen&ccedil;as como o autom&oacute;vel passaram tamb&eacute;m a construir a realidade urbana da cidade do s&eacute;culo XX. A cidade, agora vista a partir da janela do autom&oacute;vel e projetada a partir da janela do avi&atilde;o, tornou-se reflexo destes dois olhares. &ldquo;(...), Mies foi dos primeiros a pensar a torre de arquitectura moderna vista a partir do carro (...)&rdquo; (Montaner, 2006: 60). </p>     <p> Na 1&ordf; e 2&ordf; Guerra Mundial, o uso extensivo do avi&atilde;o, potenciado pelas fun&ccedil;&otilde;es militares que assumiu, levou a que a fotografia a&eacute;rea, enquanto instrumento de registo e an&aacute;lise, fosse alvo de um desenvolvimento exponencial. A import&acirc;ncia e efic&aacute;cia da conjuga&ccedil;&atilde;o do avi&atilde;o com a fotografia acabou por se perpetuar na extensa produ&ccedil;&atilde;o de registos fotogr&aacute;ficos a&eacute;reos que se deram durante este per&iacute;odo. </p>     <p> Representando muita da ess&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios &laquo;modernos&raquo;, como o conceito de &laquo;m&aacute;quina&raquo;, o avi&atilde;o surge como um dos elementos fundadores do modernismo da primeira metade do s&eacute;culo XX. Ganhando este protagonismo principalmente no discurso de Le Corbusier (1887-1965), esta inven&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica acabou por fundar um novo olhar sobre a cidade. Para Le Corbusier, o avi&atilde;o assumia-se como uma das pe&ccedil;as centrais do seu discurso, evocando princ&iacute;pios como o pragmatismo e o funcionalismo e representando para este &ldquo; <i>the precise new anatomy of architecture</i>&rdquo; (Le Corbusier, 1987: 25). </p>     <p> O papel do avi&atilde;o no movimento moderno acabaria por ser profundamente retratado com a primeira viagem de Le Corbusier &agrave; Am&eacute;rica do Sul em 1929, onde teve oportunidade de visitar de avi&atilde;o cidades como Buenos Aires, S&atilde;o Paulo e o Rio de Janeiro. Testemunhamos hoje este seu fasc&iacute;nio pelo avi&atilde;o atrav&eacute;s dos seus esbo&ccedil;os. Esta metodologia utilizada por Le Corbusier de conhecer e interpretar o territ&oacute;rio tornou-se respons&aacute;vel pelos seus primeiros registos relativos ao plano urban&iacute;stico para a cidade do Rio de Janeiro. Le Corbusier acabaria por associar este modo de observar o territ&oacute;rio &agrave; express&atilde;o &laquo;<i>bird&rsquo;s eye view</i>&raquo;, intuindo que esta &laquo;vista de p&aacute;ssaro&raquo; mostrava o que era &laquo;invis&iacute;vel&raquo; na observa&ccedil;&atilde;o feita a um n&iacute;vel t&eacute;rreo (Le Corbusier, 2017: 75). </p>     <p> Se o avi&atilde;o acelerou o ritmo de mobilidade e reconhecimento do territ&oacute;rio, acabou igualmente por aumentar a consci&ecirc;ncia dos arquitetos sobre a paisagem tornando-a mais perme&aacute;vel ao planeamento urbano durante todo o s&eacute;culo XX. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b><i>A cidade &ldquo;objeto&rdquo;</i></b> </p>     <p> A presen&ccedil;a do avi&atilde;o na realidade do s&eacute;culo XX produziu a sua marca no esp&iacute;rito conceptual da arquitetura do Movimento Moderno, assim como no panorama art&iacute;stico fundado nas vanguardas deste s&eacute;culo. Por esta altura os artistas desenvolviam a plasticidade do voo e os arquitetos o novo olhar sobre a cidade. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Complementando os h&aacute;bitos de observa&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o do arquiteto e do artista, a vista a&eacute;rea imprimiu uma mudan&ccedil;a de consci&ecirc;ncia e a consolida&ccedil;&atilde;o de um pensamento &agrave; escala da paisagem e da cidade. Embora no s&eacute;culo XVII a escala da cidade fosse j&aacute; potenciada por representa&ccedil;&otilde;es em planta emblem&aacute;ticas, como o mapa iconogr&aacute;fico de Roma produzido em 1748 por Giambattista Noli (1701-1756), a cidade enquanto &ldquo;elemento abstrato&rdquo; revelou-se mais evidente e clara no s&eacute;culo XX; a sua perce&ccedil;&atilde;o ampla permitiu que esta ganhasse uma maior presen&ccedil;a na imagina&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-art&iacute;stica desta &eacute;poca, perpetuando-se at&eacute; aos dias de hoje. </p>     <p> As vis&otilde;es urbanas a partir de um ponto de vista superior passaram a servir as produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, refletindo a influ&ecirc;ncia e emancipa&ccedil;&atilde;o do voo neste per&iacute;odo da hist&oacute;ria (Espuche, 1994; 108-111). As produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas inspiradas no &ldquo;voo&rdquo; sobre a cidade resultaram como mem&oacute;ria das realidades destru&iacute;das pela guerra. A pintura, fotografia e outras formas de express&atilde;o tornaram-se documentos hist&oacute;ricos de revisita&ccedil;&atilde;o de algumas realidades que desapareceram durante as duas guerras mundiais do s&eacute;culo XX. </p>     <p> As cidades tornaram-se o objeto de contempla&ccedil;&atilde;o por excel&ecirc;ncia. A aproxima&ccedil;&atilde;o conceptual da escala da cidade a um objeto acabou por ser motivada pela nova posi&ccedil;&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o do arquiteto. A nova perspetiva de observa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio ofereceu um maior poder de s&iacute;ntese na sua leitura, imagina&ccedil;&atilde;o e planeamento. Tal como no filme <i>Power of ten&rsquo;s</i>, lan&ccedil;ado em 1977 com autoria de Ray Eames (1912-1988) e de Charles Eames (1907-1978), esta relativiza&ccedil;&atilde;o da escala da cidade disponibilizou uma nova forma de esta se apresentar aos olhos atentos dos arquitetos e artistas do s&eacute;culo XX. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>A amplia&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica</b> </p>     <p> <b><i>Biologia e inven&ccedil;&atilde;o</i></b> </p>     <p> No processo de questionamento cr&iacute;tico da tecnologia a dicotomia entre o &laquo;natural&raquo; e a &laquo;m&aacute;quina&raquo; d&aacute; aso ao in&iacute;cio de um entendimento sobre a rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre o ser humano e os objetos. Recorrendo ao exemplo do papel desempenhado pelo avi&atilde;o no s&eacute;culo XX, a condi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o natural ou intr&iacute;nseca ao ser humano relativa &agrave; observa&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea tornou n&iacute;tida a gest&atilde;o complexa da adapta&ccedil;&atilde;o a esta nova possibilidade. A condi&ccedil;&atilde;o deste novo tipo de observa&ccedil;&atilde;o permitiu a amplia&ccedil;&atilde;o da perce&ccedil;&atilde;o da realidade. A forma como este fen&oacute;meno de transforma&ccedil;&atilde;o alterou a realidade acabou, simultaneamente, por transformar a pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia dos arquitetos atrav&eacute;s da possibilidade de uma apreens&atilde;o sobre um ponto de vista estranho &agrave; natureza do ser humano. </p>     <p> A estreita rela&ccedil;&atilde;o entre biologia e inven&ccedil;&atilde;o, no ato de amplia&ccedil;&atilde;o das capacidades do ser humano, desde sempre alimentou grande parte da sua ambi&ccedil;&atilde;o e a evolu&ccedil;&atilde;o enquanto esp&eacute;cie. O car&aacute;cter individual e coletivo promovido pela sua condi&ccedil;&atilde;o natural e amplamente criativa tornou t&eacute;nue a diferencia&ccedil;&atilde;o entre &laquo;&oacute;rg&atilde;o&raquo; e &laquo;m&aacute;quina&raquo;. </p>     <p> Fundador e autor fundamental da biologia moderna, Charles Robert Darwin (1809-1882) retratou a import&acirc;ncia dos artefactos a partir da &laquo;Teoria da Evolu&ccedil;&atilde;o das Esp&eacute;cies&raquo;. Recorrendo a uma das analogias de Darwin, Adrian Forty (n.1948) escreve: &ldquo;Na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas, a distin&ccedil;&atilde;o entre artefactos como extens&otilde;es literais ou metaf&oacute;ricas dos membros surgiu nos debates sobre evolu&ccedil;&atilde;o. (...), muitos bi&oacute;logos usaram analogias do mundo dos artefactos para elucidar as suas ideias sobre a evolu&ccedil;&atilde;o natural: Darwin, por exemplo, usou o desenvolvimento dos telesc&oacute;picos como met&aacute;fora para a evolu&ccedil;&atilde;o dos olhos (...)&rdquo;. (Forty, 2006: 22). </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Objeto e corpo</i></b> </p>     <p> &ldquo;(&hellip;) Numa passagem claramente evocativa de Samuel Butler (&hellip;) Le Corbusier escreve: &ldquo;Nascemos nus e com prote&ccedil;&atilde;o insuficiente. Assim, as m&atilde;os em concha de Narciso levaram-nos a inventar a garrafa&rdquo; (&hellip;)&rdquo;. (Le Corbusier, 1925; 1987: 72). </p>     <p> Perante a ideia de a tecnologia ser uma extens&atilde;o do Homem e os objetos uma extens&atilde;o ou pr&oacute;tese do corpo, Adrian Forty assume que os objetos s&atilde;o como uma inven&ccedil;&atilde;o que tenta anular &ldquo;defici&ecirc;ncias corporais&rdquo;. Forty d&aacute; como exemplo a Ergonomia, a ci&ecirc;ncia que tornando mais pr&oacute;xima a conex&atilde;o entre o corpo e os objetos, torna simultaneamente mais presente a ideia de um objeto ser uma extens&atilde;o do corpo: &ldquo;(&hellip;) muitos dos membros do homem est&atilde;o dispersos e encontram-se separados (&hellip;) – alguns sempre &agrave; m&atilde;o para uso eventual e outros, ocasionalmente, a quil&oacute;metros de dist&acirc;ncia. A m&aacute;quina &eacute; apenas um membro suplementar&rdquo; (Forty, 2006: 27-28). </p>     <p> Enquanto m&aacute;quina funcional, o avi&atilde;o tornou-se assim uma extens&atilde;o do corpo, facultando-o da capacidade de &laquo;voar&raquo;. Por&eacute;m, enquanto instrumento conceptual e disruptor, este tamb&eacute;m acabou por produzir um conjunto de rea&ccedil;&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es que transpareceram na forma de &laquo;projeto urbano&raquo; ou &laquo;produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica&raquo; inspiradas na concretiza&ccedil;&atilde;o e plasticidade do voo. A tecnologia pode ainda imprimir no seu utilizador os valores que lhe est&atilde;o associados. Caracter&iacute;sticas qualitativas, mesmo que recrutadas a partir de uma ferramenta tecnol&oacute;gica, podem ser associadas &agrave;s capacidades pessoais de quem lhe d&aacute; uso. Neste seguimento de ideias, Neil Leach introduz a no&ccedil;&atilde;o de &laquo;propriocep&ccedil;&atilde;o&raquo; entre a tecnologia (ou seja a &laquo;pr&oacute;tese&raquo;) e o corpo humano (Leach, 2006:78-79). </p>     <p> A tecnologia do ve&iacute;culo a&eacute;reo n&atilde;o tripulado (VANT) &eacute; exemplo desta imin&ecirc;ncia evolutiva do ser humano. Promovendo uma mudan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o de proximidade entre os objetos e o ser humano, o caso espec&iacute;fico do VANT refor&ccedil;a uma realidade onde o controlo da tecnologia e dos objetos se passa a fazer atrav&eacute;s de uma intera&ccedil;&atilde;o e manipula&ccedil;&atilde;o mais remota, &agrave; dist&acirc;ncia. Os aspetos t&eacute;cnicos destes dispositivos pressup&otilde;em uma nova din&acirc;mica na realidade urbana, bem como nas rela&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es que o corpo estabelece com esta. Este ve&iacute;culo de mobilidade remota relativiza a dist&acirc;ncia entre o corpo e a sua envolvente, revelando e potenciando a posi&ccedil;&atilde;o que o ser humano pode assumir no espa&ccedil;o. </p>     <p> O &laquo;objeto&raquo; e o &laquo;corpo&raquo; por um lado caminham para um afastamento f&iacute;sico induzido, enquanto que por outro, complementam-se, ampliando o car&aacute;ter h&iacute;brido que esta tecnologia evidencia. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>O ve&iacute;culo a&eacute;reo n&atilde;o tripulado (VANT)</b></font></p>     <p> Neste ensaio o entendimento conceptual sobre o que &eacute; um VANT baliza-se na identifica&ccedil;&atilde;o de um conjunto de caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas pr&oacute;prias de um ve&iacute;culo a&eacute;reo, por forma a permitir ao seu utilizador a possibilidade de o pilotar atrav&eacute;s de um controlo remoto. </p>     <p> Este tipo de ve&iacute;culos apresenta essencialmente dois m&eacute;todos de pilotagem: i) o controlo remoto manual em tempo real, baseado na emiss&atilde;o de um sinal entre o ve&iacute;culo a&eacute;reo e um comando na posse do agente utilizador; ii) o controlo remoto programado de sistemas integrados mais complexos, normalmente utilizado para voos com trajet&oacute;rias e coordenadas muito especificas. Em ambos os m&eacute;todos, a utiliza&ccedil;&atilde;o de sensores, radares e sat&eacute;lites pode ocorrer. Contudo, &eacute; no m&eacute;todo de pilotagem baseado numa programa&ccedil;&atilde;o de sistemas integrados que ocorre um maior recrutamento destes componentes. Recentemente t&ecirc;m surgido formas inovadoras de controlar estes ve&iacute;culos (Silva, 2018: 47-48). A empresa DJI [<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>] tem desenvolvido fun&ccedil;&otilde;es de voo que revelam a possibilidade de controlar estes ve&iacute;culos a partir do reconhecimento de gestos corporais realizados pelo utilizador. A pilotagem de VANT tamb&eacute;m pode recorrer &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de &oacute;culos FPV (&laquo;<i>First Person View</i>&raquo;). &Agrave; semelhan&ccedil;a de &oacute;culos de realidade virtual, estes permitem ao operador do VANT uma maior imersividade no voo, permitindo assistir &agrave; transmiss&atilde;o das imagens registadas por uma c&acirc;mara acoplada ao VANT (DJI, 2017). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p><b>Os &ldquo;objetos suspensos&rdquo;</b> </p>     <p> A presen&ccedil;a cada vez mais pronunciada do VANT no contexto a&eacute;reo urbano &eacute; um fen&oacute;meno muito comentado e debatido dos &uacute;ltimos anos no que respeita &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es das din&acirc;micas do espa&ccedil;o a&eacute;reo e da cidade. </p>     <p> Desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI que a popularidade e a crescente presen&ccedil;a do VANT no espa&ccedil;o a&eacute;reo tem-se caracterizado como exemplo paradigm&aacute;tico da altera&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;quelas que s&atilde;o as din&acirc;micas impostas pela intera&ccedil;&atilde;o entre o homem e o espa&ccedil;o a&eacute;reo. </p>     <p> Um dos passos essenciais para esta realidade de apropria&ccedil;&atilde;o social foi o in&iacute;cio da comercializa&ccedil;&atilde;o destes ve&iacute;culos para um uso pessoal e l&uacute;dico. A empresa 3DR [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>] desempenhou um papel determinante neste processo de apropria&ccedil;&atilde;o emergente – aplicando pela primeira vez, em 2012, esta tecnologia ao uso civil (Silva, 2018). </p>     <p> Atualmente o VANT estabelece uma democratiza&ccedil;&atilde;o da observa&ccedil;&atilde;o dos ambientes a v&aacute;rias escalas, antecipando um aumento da consci&ecirc;ncia das realidades urbanas constru&iacute;das ou ainda por construir. &Eacute; a partir da vista a&eacute;rea disponibilizada por estes objetos que a consci&ecirc;ncia da realidade urbana se altera, principalmente no campo de a&ccedil;&atilde;o da arquitetura, onde esta observa&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea facilitada permite construir um conjunto de novos ju&iacute;zos e premoni&ccedil;&otilde;es sobre a cidade. </p>     <p> Tal como afirma Paula Mel&acirc;neo (2019), &ldquo;a vista a&eacute;rea introduz na arquitetura uma nova fachada vis&iacute;vel, a cobertura vai com certeza deixar de ser um mero elemento t&eacute;cnico para passar a ser uma nova fachada de desenho cuidado, sen&atilde;o um novo portal de ingresso &agrave;s edifica&ccedil;&otilde;es, quando o drone se difundir como meio de transporte. A arquitectura ter&aacute; de responder &agrave; funcionalidade destas m&aacute;quinas.&rdquo; De entre estas adapta&ccedil;&otilde;es, a cada vez maior exist&ecirc;ncia de entregas comerciais a&eacute;reas feitas com recurso a estes ve&iacute;culos poder&aacute; tornar imperativa a necessidade de criar &ldquo;droneports&rdquo;, facilitando a aterragem destes ve&iacute;culos em cidades bastante densificadas. </p>     <p> No <i>Elevation documentary: how drones will change cities</i> (Dezzen, 2018), o debate sobre o surgimento de uma nova &laquo;cidade vis&iacute;vel&raquo; tamb&eacute;m &eacute; abordado, apresentando a cobertura como a nova e relevante face vis&iacute;vel da cidade que precisa de ser valorizada. Tamb&eacute;m S&oacute;la-Morales afirma que &ldquo;(...) os corpos voadores, libertos de peso e de gravita&ccedil;&atilde;o, surgem cada vez mais nas fotomontagens destes anos. (...) a rela&ccedil;&atilde;o entre o corpo e a sua envolvente f&iacute;sica se liberta, pode &ldquo;incorporar-se&rdquo; em qualquer situa&ccedil;&atilde;o, em qualquer espa&ccedil;o (...).&rdquo; (Sola-Morales, 2006: 42). Esta mudan&ccedil;a de paradigma, onde a presen&ccedil;a cada vez mais emergente destes objetos com capacidade de ficarem suspensos no ar conforma e confirma novas realidades e din&acirc;micas urbanas, provoca uma renova&ccedil;&atilde;o de oportunidades e desafios inesperados com os quais a cidade e os seus organismos se deparam. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>&Aacute;reas de aplica&ccedil;&atilde;o e potencialidades</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A quantidade de usos atribu&iacute;dos &agrave; tecnologia do VANT tem aumentado nos &uacute;ltimos anos. Sendo atualmente utilizada em planeamento e constru&ccedil;&atilde;o de arquitetura, como ve&iacute;culo de transporte ou ferramenta de entretenimento e marketing, esta tecnologia tem-se adaptado a muitas &aacute;reas profissionais. </p>     <p> O VANT foi inicialmente utilizado como recurso militar. Em 1935, o aparecimento do &laquo;Havilland DH82B Queen Bee biplane&raquo; consagrou a cria&ccedil;&atilde;o do primeiro ve&iacute;culo a&eacute;reo militar n&atilde;o tripulado e remotamente pilotado. O VANT tem sido cada vez mais utilizado em cen&aacute;rios de conflito armado, permitindo um aumento da efic&aacute;cia das opera&ccedil;&otilde;es e uma diminui&ccedil;&atilde;o expectante das perdas humanas (Rouse, 2009). </p>     <p> Com a empresa 3D Robotic Inc, esta tecnologia foi introduzida pela primeira vez num contexto civil em 2012. Inicialmente foi essencialmente utilizada por empresas de seguran&ccedil;a privada, tirando partido da tecnologia militar, facilitando a observa&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia de pequenas e grandes &aacute;reas a partir de um ponto de vista facilitador (Silva, 2018: 56). Pouco tempo depois, algumas empresas de transportes passaram igualmente a investigar novas oportunidades associadas &agrave;s caracter&iacute;sticas destes ve&iacute;culos. Uma das inesperadas aplica&ccedil;&otilde;es surgiu pelas m&atilde;os da empresa Amazon, em 2013 quando esta lan&ccedil;ou um servi&ccedil;o inovador que consistia num novo m&eacute;todo de entregas realizadas por drone que disponibilizava a entrega de encomendas num curto per&iacute;odo de tempo, que se revela em alguns casos, inferior a 30 minutos (Amazon, s.d.). </p>     <p> Com a realidade atual dos VANT, um conjunto de novas e inesperadas intera&ccedil;&otilde;es vai ocorrer cada vez com maior frequ&ecirc;ncia. Tal como evidenciado por Paula Mel&acirc;neo (2019), estas novas din&acirc;micas poder&atilde;o influenciar a conce&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, levantando quest&otilde;es relativas &agrave; acessibilidade e &agrave; privacidade das atuais e futuras constru&ccedil;&otilde;es que ter&atilde;o de se adaptar a esta nova mobilidade a&eacute;rea emergente. </p>     <p> Influenciando o conceito de edif&iacute;cio com o qual a cidade se formou e consolidou, a habitual mobilidade terrestre da cidade foi determinante na constru&ccedil;&atilde;o do conceito padr&atilde;o de edif&iacute;cio a que nos habitu&aacute;mos, contudo, complementando a circula&ccedil;&atilde;o urbana terrestre, o VANT surge como elemento fundador da mobilidade a&eacute;rea da cidade. </p>     <p> No caso espec&iacute;fico da Arquitetura, a utiliza&ccedil;&atilde;o destes ve&iacute;culos surge em dois momentos indissoci&aacute;veis – o projeto e a constru&ccedil;&atilde;o. Ao possibilitarem a recolha de um conjunto de dados sobre o territ&oacute;rio e locais de interven&ccedil;&atilde;o, estes ve&iacute;culos tornam-se uma ferramenta &uacute;til &agrave; pr&aacute;tica de projeto de arquitetura. O mapeamento digital de grandes &aacute;reas &eacute; um dos recursos mais procurado associados a esta tecnologia. </p>     <p> No &acirc;mbito construtivo da arquitetura, o VANT tamb&eacute;m tem ganho destaque. Atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o desta tecnologia pela &aacute;rea da constru&ccedil;&atilde;o robotizada, os VANT t&ecirc;m sido testados em tarefas onde a sua agilidade de movimento constitui uma vantagem revolucion&aacute;ria relativamente aos processos construtivos atuais. Nesta &aacute;rea t&ecirc;m surgido diversas experi&ecirc;ncias que revelam a capacidade do VANT realizar tarefas &uacute;teis &agrave; pr&aacute;tica construtiva, tais como no projeto &laquo;Flight assembled architecture&raquo;, resultado de uma colabora&ccedil;&atilde;o entre Gramazio Kohler Research, Raffaello D&rsquo; Andrea e a ETH de Zurique (Etherington, 2011; Rawn, 2015). </p>     <p> As rela&ccedil;&otilde;es que se t&ecirc;m criado entre o VANT e a ind&uacute;stria audiovisual t&ecirc;m gerado um conjunto de novos enquadramentos fotogr&aacute;ficos e videogr&aacute;ficos que se t&ecirc;m repercutido nas telas de cinema, nos registos comerciais e tamb&eacute;m nas mais recentes fotografias de arquitetura [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>]. Assumindo o VANT como uma nova ferramenta de trabalho, alguns fot&oacute;grafos de arquitetura, como os portugueses Fernando Guerra e Jo&atilde;o Morgado, t&ecirc;m usufru&iacute;do da versatilidade de enquadramentos que esta tecnologia pode disponibilizar (Taylor-Foster, 2015). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>M&eacute;todos e processos de levantamento em Arquitetura</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A forma como se regista e representa a arquitetura tem vindo a transformar-se continuamente, sendo que o surgimento de novas ferramentas &eacute; a principal causa desta transforma&ccedil;&atilde;o. De facto, a evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica disponibilizou novos e mais eficientes instrumentos de medi&ccedil;&atilde;o, como o medidor de dist&acirc;ncias laser ou tecnologias automatizadas como a fotogrametria digital ou o varrimento laser 3D. </p>     <p> Baseando-se numa recolha manual de um conjunto de dados m&eacute;tricos destinados a informar uma representa&ccedil;&atilde;o habitualmente planim&eacute;trica e bidimensional, os m&eacute;todos de levantamento de arquitetura tradicionais apresentam uma efici&ecirc;ncia reduzida e um conjunto de caracter&iacute;sticas que tornam os dados recolhidos subjetivos e incompletos. Ao imprimir tamanha simplifica&ccedil;&atilde;o da realidade, as representa&ccedil;&otilde;es geradas por processos de recolha como estes contribuem para uma imprecis&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o gerada. </p>     <p> Nos m&eacute;todos mais recentes de levantamento de arquitetura, a recolha de dados sobre uma matriz tridimensional tem diminu&iacute;do a perda de informa&ccedil;&atilde;o e aumentado o dom&iacute;nio e consci&ecirc;ncia das realidades arquitet&oacute;nicas. Por via do desenvolvimento tecnol&oacute;gico, o surgimento destas ferramentas mais otimizadas, relativas &agrave; recolha e registo de dados sobre constru&ccedil;&otilde;es e espa&ccedil;os de arquitetura, tem gerado um conjunto de mudan&ccedil;as e oportunidades que possibilitam uma mais rigorosa representa&ccedil;&atilde;o da realidade e intera&ccedil;&atilde;o entre esta e o processo de projeto. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>M&eacute;todos terrestres</b> </p>     <p> Tendo como principal intuito o aumento do conhecimento sobre as realidades que se documentam, a ado&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos baseados em Fotogrametria Digital Terrestre (FDT) ou Varrimento Laser 3D (VL3D) constitui a mais-valia de fornecer uma informa&ccedil;&atilde;o mais completa e que requer menor grau de interpreta&ccedil;&atilde;o subjetiva, em contraste com os m&eacute;todos tradicionais de levantamento. </p>     <p> A &laquo;democratiza&ccedil;&atilde;o&raquo; deste tipo de tecnologia, atrav&eacute;s de aplica&ccedil;&otilde;es que permitem facilmente realizar FDT a partir da c&acirc;mara de um <i>smartphone</i> e da&iacute; fazer um modelo 3D de um objeto, tem ajudado no processo de familiariza&ccedil;&atilde;o destes novos sistemas tecnol&oacute;gicos. </p>     <p> A FDT pode &ldquo;(...) ser classificada de acordo com v&aacute;rios crit&eacute;rios: i) a rela&ccedil;&atilde;o e dist&acirc;ncia entre a c&acirc;mara e o objecto, ii) o n&uacute;mero de imagens utilizadas, iii) o princ&iacute;pio operativo, iv) pelo tempo de disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos resultados da medi&ccedil;&atilde;o, e v) a &aacute;rea disciplinar de aplica&ccedil;&atilde;o (...)&rdquo;. (Mateus, 2012: 132). O aux&iacute;lio de <i>software</i> recente permite a intersec&ccedil;&atilde;o de um conjunto de pontos determinados em fotografias, com o objetivo de realizar uma restitui&ccedil;&atilde;o planim&eacute;trica ou tridimensional na forma de nuvem de pontos (&laquo;<i>Point Cloud Model</i>&raquo; - PCM). Este processo tornou a fotogrametria um m&eacute;todo ainda mais r&aacute;pido e automatizado. </p>     <p> Como o registo atrav&eacute;s de fotogrametria se baseia em levantamentos fotogr&aacute;ficos, a depend&ecirc;ncia de uma boa ilumina&ccedil;&atilde;o torna este m&eacute;todo pouco eficaz em determinados contextos menos iluminados. Neste &acirc;mbito de a&ccedil;&atilde;o, os levantamentos realizados a partir de VL3DT tornam-se mais convenientes. Revelando-se uma fonte de energia aut&oacute;noma, o varrimento laser torna-se capaz de dispensar qualquer tipo de ilumina&ccedil;&atilde;o natural ou artificial. Considerada uma das tecnologias mais poderosas de entre os m&eacute;todos de levantamento de arquitetura, o VL3DT torna-se capaz de realizar recolhas de dados bastante precisas, tornando-se vers&aacute;til em registos de pequena e grande escala. A utiliza&ccedil;&atilde;o de uma esta&ccedil;&atilde;o de <i>scan laser</i> com um n&iacute;vel de alcance maior pode permitir a capta&ccedil;&atilde;o de dados relativos a componentes espaciais posicionados a quil&oacute;metros de dist&acirc;ncia. </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>M&eacute;todos a&eacute;reos</b> </p>     <p> A exist&ecirc;ncia de novos m&eacute;todos que recorrem &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de plataformas a&eacute;reas tem-se mostrado uma mais-valia, permitindo uma maior rapidez e efic&aacute;cia em situa&ccedil;&otilde;es de grandes &aacute;reas urbanas ou ambientes exteriores de dif&iacute;cil acesso e registo. Facilitando trabalhos onde a necessidade de se fazer um conjunto de fotografias a&eacute;reas se torna significativa, a Fotogrametria Digital A&eacute;rea (FDA) ou o LiDAR ( <i>Light Detection and Ranging</i>) com o VANT, tornam poss&iacute;veis enquadramentos fotogr&aacute;ficos favor&aacute;veis a uma recolha mais completa de dados sobre uma determinada realidade. Enquanto a FDA usa v&aacute;rias fotografias para com elas obter as caracter&iacute;sticas geom&eacute;tricas e espaciais de um objeto, o LiDAR usa, para o mesmo efeito, tecnologia laser que permite detetar a dist&acirc;ncia entre o emissor e uma superf&iacute;cie. As restitui&ccedil;&otilde;es tridimensionais e bidimensionais realizadas a partir destes registos a&eacute;reos alteraram o tipo de escalas suportadas pela Fotogrametria Digital Terrestre, criando nuvens de pontos de grandes &aacute;reas urbanas. </p>     <p> Quando ainda o VANT n&atilde;o era um recurso tecnol&oacute;gico t&atilde;o acess&iacute;vel como hoje, os registos fotogr&aacute;ficos a partir de altitude eram realizados a partir de avi&otilde;es, planadores ou bal&otilde;es (quando se pretendiam fotografias de alta altitude) ou com o apoio de instrumentos extraordin&aacute;rios ao processo habitual de FDT como gruas ou mastros de m&atilde;o (em situa&ccedil;&otilde;es de fotografia de muito baixa altitude). </p>     <p> As imagens a&eacute;reas registadas atrav&eacute;s destes equipamentos tornam poss&iacute;vel a reconstitui&ccedil;&atilde;o de modelos bidimensionais e tridimensionais. Com base nestes, uma quantidade elevada de informa&ccedil;&atilde;o pode informar o projeto e a pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia do arquiteto enquanto agente respons&aacute;vel pela interven&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio. </p>     <p> Mesmo ap&oacute;s a conce&ccedil;&atilde;o do projeto de arquitetura, esta tecnologia mostra compet&ecirc;ncias no que diz respeito &agrave; monotoriza&ccedil;&atilde;o do projeto em constru&ccedil;&atilde;o. Tirando partido do processo r&aacute;pido de registo e mapeamento, a confirma&ccedil;&atilde;o gradual da realidade do projeto baseada na compara&ccedil;&atilde;o deste com a realidade constru&iacute;da pode ajudar a minimizar incoer&ecirc;ncias entre o projeto e a sua constru&ccedil;&atilde;o de forma r&aacute;pida e eficiente. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Aplica&ccedil;&otilde;es</b> </p>     <p> A utiliza&ccedil;&atilde;o desta tecnologia como m&eacute;todo de documenta&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre edif&iacute;cios amplia a relev&acirc;ncia deste tipo de tecnologias no &acirc;mbito da arquitetura, nomeadamente no que respeita ao planeamento de interven&ccedil;&otilde;es de restauro e reabilita&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&otilde;es. De facto, Rocha et al. (2020) referem que as geometrias complexas (n&atilde;o param&eacute;tricas) presentes em muito do patrim&oacute;nio constru&iacute;do tiveram, at&eacute; ao aparecimento destas tecnologias de levantamento, muita dificuldade em serem representadas de modo correto com as t&eacute;cnicas tradicionais. </p>     <p> Sobretudo em sistemas construtivos mais complexos, como constru&ccedil;&otilde;es em pedra, a partir do registo de todas as nervuras e juntas entre outras caracter&iacute;sticas construtivas como revestimentos, a recolha destas informa&ccedil;&otilde;es auxilia e contribui, por exemplo, para a avalia&ccedil;&atilde;o de anomalias e planeamentos de conserva&ccedil;&atilde;o. Associado ao elevado rigor que este tipo de levantamentos possui, a obten&ccedil;&atilde;o de curvas de n&iacute;vel atrav&eacute;s destes levantamentos pode possibilitar ainda a realiza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises de deforma&ccedil;&otilde;es de superf&iacute;cies entre outros problemas estruturais. </p>     <p> Os dados presentes nos modelos tridimensionais produzidos atrav&eacute;s destas tecnologias possibilitam o estudo aprofundado das realidades que s&atilde;o registadas. A possibilidade de converter as nuvens de pontos em superf&iacute;cies tridimensionais, mapas de an&aacute;lise ou interpreta&ccedil;&otilde;es de projeto dita a conveni&ecirc;ncia da utiliza&ccedil;&atilde;o destas bases na pr&aacute;tica de registo, estudo e projeto em arquitetura. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A representa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e das pr&eacute;-exist&ecirc;ncias (curvas de n&iacute;vel, perfis topogr&aacute;ficos, plantas, cortes e al&ccedil;ados) baseadas no seccionamento destes modelos de nuvem de pontos em software CAD ( <i>Computer Aided Design</i>) ou BIM (<i>Building Information Model</i>) torna a rela&ccedil;&atilde;o entre estas tecnologias recentes e a pr&aacute;tica de projeto mais clara e direta, contribuindo para a autonomia da pr&aacute;tica profissional do arquiteto. </p>     <p> Como base de estudo, atrav&eacute;s da inser&ccedil;&atilde;o do modelo tridimensional de um projeto numa nuvem de pontos do contexto real de implanta&ccedil;&atilde;o – onde se verificam informa&ccedil;&otilde;es relativas a volumetrias, altimetrias, cores, texturas ou sombras –, estes PCM, produzidos atrav&eacute;s de FDA/LiDAR, facilitam a visualiza&ccedil;&atilde;o do projeto no seu contexto a pequena, m&eacute;dia e grande escala urbana. </p>     <p> Toda a informa&ccedil;&atilde;o digital georreferenciada destes modelos permite ainda associar ao projeto de arquitetura a sua orienta&ccedil;&atilde;o, altitude, latitude e longitude, estabelecendo uma matriz clara de caracteriza&ccedil;&atilde;o da envolvente e de avalia&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&otilde;es solares, brisas e ventos predominantes. </p>     <p> O caso da &laquo;<i>Plaza de Toros Real de San Carlos</i>&raquo;, onde foi realizado um mapeamento a&eacute;reo com VANT, revela a efici&ecirc;ncia desta tecnologia na documenta&ccedil;&atilde;o de uma constru&ccedil;&atilde;o – &ldquo;(&hellip;), <i> con el material producido, se realizar&aacute;n maquetas a escala, tanto conceptuales como de detalle, a los efectos de complementar la informaci&oacute;n gr&aacute;fica y fotogr&aacute;fica </i> (&hellip;)&rdquo; (Alvarez, 2014: 351). J&aacute; a reabilita&ccedil;&atilde;o da Catedral de Notre Dame, ap&oacute;s o inc&ecirc;ndio ocorrido em abril de 2019, &eacute; um exemplo de um projeto informado atrav&eacute;s de um modelo de nuvem de pontos tridimensional (realizado com recurso &agrave; tecnologia VL3D). A exist&ecirc;ncia de um modelo de nuvem de pontos tridimensional realizado antes deste incidente por Andrew Tallon permitiu a consulta, estudo e reconstru&ccedil;&atilde;o das estruturas danificadas na catedral. (Pinto, 2019). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Exemplo de levantamento</b> </p>     <p> Nesta sec&ccedil;&atilde;o apresenta-se um exerc&iacute;cio pr&aacute;tico de FDA, que coloca em evid&ecirc;ncia os meios tecnol&oacute;gicos, uma metodologia de trabalho e os resultados que se obt&ecirc;m atrav&eacute;s desta. Este exerc&iacute;cio decorreu num contexto urbano situado na freguesia da Trafaria, em Set&uacute;bal. </p>     <p> O prop&oacute;sito de criar um modelo de nuvem de pontos tridimensional atendeu a possibilidade de disponibilizar uma base digital de informa&ccedil;&atilde;o sobre esta realidade, com a capacidade de gerar um conjunto de pe&ccedil;as gr&aacute;ficas &uacute;til a uma metodologia de projeto de Arquitetura. Essencial na fundamenta&ccedil;&atilde;o de alguns dos conceitos expostos no decorrer deste trabalho, esta intera&ccedil;&atilde;o direta com a tecnologia VANT procurou ainda testemunhar as potencialidades operativas destes ve&iacute;culos a&eacute;reos num processo de representa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de arquitetura, evidenciando um conjunto de fen&oacute;menos caracterizadores das reais potencialidade e fragilidades desta tecnologia. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b><i>Metodologia</i></b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A metodologia adotada neste exerc&iacute;cio assumiu tr&ecirc;s fases essenciais que estruturaram todas as etapas deste levantamento. Inicialmente, o reconhecimento do <i>hardware</i> e <i>software</i> necess&aacute;rio ao exerc&iacute;cio que se pertencia realizar. Nesta primeira fase foram utilizados: um equipamento VANT com uma c&acirc;mara fotogr&aacute;fica integrada - DJI Mavic 2 Pro; duas baterias substitutas; uma unidade de armazenamento de dados micro sd de 128GB; um <i>smartphone</i> Android; e um computador. </p>     <p> Numa segunda fase, ap&oacute;s proporcionadas as circunst&acirc;ncias adequadas para o processo de fotogrametria, atrav&eacute;s do <i>software</i> de fotogrametria a&eacute;rea DroneDeploy, iniciou-se o projeto de levantamento da zona que se pretendia restituir. Nesta etapa programou-se o mapeamento: </p>     <p> &middot; realiza&ccedil;&atilde;o do voo no dia 15-07-2019, &agrave;s 15:00 horas </p>     <p> &middot; condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas: c&eacute;u limpo, sem precipita&ccedil;&atilde;o, com vento moderado (12 km/h). </p>     <p> &middot; altitude de voo do VANT - 60 metros </p>     <p> &middot; resolu&ccedil;&atilde;o do sensor: 1&rsquo;&rsquo; CMOS, 20 megapixels </p>     <p> &middot; per&iacute;metro do mapeamento: 1,7 quil&oacute;metros </p>     <p> &middot; &aacute;rea do mapeamento: 14,2 hectares </p>     <p> &middot; percentagem de sobreposi&ccedil;&atilde;o das imagens: frontal - 75%; lateral - 65% </p>     <p> Este conjunto de par&acirc;metros definidos dentro da aplica&ccedil;&atilde;o de mapeamento DroneDeploy permitiram calcular outros aspetos como: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &middot; tempo de voo: 33 minutos </p>     <p> &middot; a velocidade do voo de mapeamento: 5m/s </p>     <p> &middot; resolu&ccedil;&atilde;o nativa da nuvem de pontos final: 1,3 cm/px </p>     <p> &middot; o n&uacute;mero de registos fotogr&aacute;ficos: 587 </p>     <p> Ap&oacute;s a recolha fotogr&aacute;fica realizada pelo VANT pode-se constatar dois tipos de registos fotogr&aacute;ficos: registos obl&iacute;quos ao solo (145 dos 585 registos – 25%) e ortogonais ao solo (442 dos 585 registos – 75%). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> A aquisi&ccedil;&atilde;o dos dados foi feita de forma automatizada. Todo o trajeto a&eacute;reo do VANT e os registos fotogr&aacute;ficos foram obtidos de forma aut&oacute;noma pelo <i>software</i> DroneDeploy instalado no sistema do <i>smartphone</i> utilizado no mapeamento. Estando ligado ao comando do VANT, o <i>software</i> presente no <i>smartphone</i> controlou de forma integral a descolagem, aterragem, identifica&ccedil;&atilde;o/contorno de obst&aacute;culos, dire&ccedil;&otilde;es das trajet&oacute;rias e a localiza&ccedil;&atilde;o/enquadramento das fotografias a&eacute;reas adquiridas. </p>     <p> Ap&oacute;s a recolha de todos os dados necess&aacute;rios no local, deu-se in&iacute;cio &agrave; fase de processamento dos mesmos. Recorrendo ao servi&ccedil;o de <i>cloud</i> da mesma aplica&ccedil;&atilde;o (DroneDeploy), fez-se o carregamento de todas as fotografias para o <i>site online</i> – respons&aacute;vel pelo processamento e modela&ccedil;&atilde;o dos dados adquiridos. O carregamento de todas as fotografias no <i>site</i> da aplica&ccedil;&atilde;o permitiu, no prazo de 5-20 horas, que o modelo fosse disponibilizado para visualiza&ccedil;&atilde;o na forma de mapas e/ou modelos tridimensionais. </p>     <p> Conforme as condi&ccedil;&otilde;es previstas na al&iacute;nea b), do n.&ordm; 3, do art.&ordm; 4.&deg; da Lei n.&deg; 28/2013, de 12 de abril, foi pedida e deferida a autoriza&ccedil;&atilde;o de voo do VANT no portal &ldquo;e-AAN&rdquo;, gerido pela Autoridade A&eacute;rea Nacional (AAN). Ainda devido ao peso de 907g do equipamento Mavic 2 Pro utilizado, foi feito o seguro de responsabilidade civil obrigat&oacute;rio para qualquer VANT com peso superior a 900g. Apesar de nos termos da lei estar tamb&eacute;m previsto o registo de equipamentos na Autoridade Nacional A&eacute;rea Civil (ANAC), cujo peso exceda os 250g, &agrave; data da realiza&ccedil;&atilde;o deste exerc&iacute;cio e submiss&atilde;o deste artigo, a plataforma destinada a estes registos ainda n&atilde;o se encontrava dispon&iacute;vel. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Resultados</i></b> </p>     <p> A disponibiliza&ccedil;&atilde;o do modelo da nuvem de pontos tornou evidentes as mais-valias que estes tipos de registos podem assumir em trabalhos de Arquitetura. Elementos gr&aacute;ficos como plantas, al&ccedil;ados ou cortes ou a pr&oacute;pria interpreta&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio pode informar-se atrav&eacute;s do conjunto de informa&ccedil;&atilde;o que este modelo gerado congregava. O modelo final apresentou um elevado rigor. Uma das vantagens identificadas neste levantamento foi a georreferencia&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica do modelo gerado, inclu&iacute;da atrav&eacute;s dos dados recolhidos pelo VANT. </p>     <p> Na plataforma <i>online</i> de visualiza&ccedil;&atilde;o do modelo, um conjunto de an&aacute;lises autom&aacute;ticas demonstraram as potencialidades que estes m&eacute;todos de trabalho podem ter, complementando o grau de informa&ccedil;&atilde;o que um arquiteto possui sobre um determinado territ&oacute;rio e rentabilizando o seu tempo de an&aacute;lise. O <i>software</i> disponibilizou a visualiza&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de um conjunto de mapas de an&aacute;lise, processados e produzidos atrav&eacute;s do servi&ccedil;o de <i>cloud</i>: </p>     <p> &middot; Ortofotomapa – obtido atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica de um conjunto de registos fotogr&aacute;ficos ortogonais ao solo. </p>     <p> &middot; Mapa de eleva&ccedil;&otilde;es (&laquo;<i>elevation map</i>&raquo;) – permite visualizar as eleva&ccedil;&otilde;es de um mapa a partir do modelo de superf&iacute;cie digital (DSM) – eficaz no mapeamento de topografia, combinando-a com vegeta&ccedil;&otilde;es e estruturas antropom&oacute;rficas – e do modelo digital de terreno (DTM) – eficaz no mapeamento de topografia da superf&iacute;cie terrestre, descartando interfer&ecirc;ncias como a vegeta&ccedil;&atilde;o e estruturas antropom&oacute;rficas. Estas informa&ccedil;&otilde;es geoespaciais s&atilde;o apresentadas pelo <i>software</i> DroneDeploy no sistema &laquo;WGS 84 Global Reference&raquo;. [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>] </p>     <p> &middot; Mapa da &laquo;sa&uacute;de vegetal&raquo; – ferramenta direcionada para a agricultura. A partir de dados NDVI (Normalize Diference Vegetation Index), que tradicionalmente mede e analisa os infravermelhos pr&oacute;ximos e a presen&ccedil;a de tonalidades azuis. Este m&eacute;todo &eacute; habitualmente utilizado para medir a vegeta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel entre outras condicionantes. Na aplica&ccedil;&atilde;o DroneDeploy, est&atilde;o dispon&iacute;veis outros tipos de an&aacute;lise com: ENDVI, SAVI, OSAVI e RDVI – otimizadas para an&aacute;lises espec&iacute;ficas. [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>] </p>     <p> &middot; O modelo tridimensional – apresentado sob a forma de nuvem de pontos ou superf&iacute;cie interpolada. Este modelo permite visualizar em tr&ecirc;s dimens&otilde;es a realidade mapeada em formato xyz, lase ou rcp. A densidade (cm/px) e as texturas da nuvem de pontos traduzem a quantidade de informa&ccedil;&atilde;o adquirida, apresentando maior informa&ccedil;&atilde;o um modelo em que se verifica uma maior densidade de pontos e presen&ccedil;a de texturas. Estes modelos, tal como o ortofotomapa, s&atilde;o obtidos atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica de um conjunto de registos fotogr&aacute;ficos que podem ser ortogonais e/ou obl&iacute;quos ao solo. [<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>] </p>     <p> Enquanto base de trabalho, os modelos de nuvens de pontos resultantes destes m&eacute;todos de levantamento (FDA, LiDAR ou FDT) s&atilde;o um instrumento cada vez mais importante na atividade de projeto em arquitetura, desde o programa preliminar ao p&oacute;s-obra. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f5" id="f5"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f5.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f6" id="f6"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f6.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f7" id="f7"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f7.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f8" id="f8"></a><img src="/img/revistas/cct/n40/n40a11f8.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Constitu&iacute;da maioritariamente por massas arb&oacute;reas e estradas, a composi&ccedil;&atilde;o urbana da zona do levantamento influenciou em grande medida a qualidade do modelo gerado. Em situa&ccedil;&otilde;es como copas de &aacute;rvores, a dificuldade de registar as zonas inferiores (em sombra) produziu algumas lacunas na restitui&ccedil;&atilde;o tridimensional. Pode-se concluir que o tipo de ambiente da zona de levantamento pode implicar uma maior aten&ccedil;&atilde;o e algumas estrat&eacute;gias de complementa&ccedil;&atilde;o dos dados obtidos atrav&eacute;s do registo a&eacute;reo automatizado. O registo complementar de fotografias, atrav&eacute;s de uma recolha manual de fotografias espec&iacute;ficas, poderia tornar a quantidade de dados mais rica e, por sua vez, o modelo mais completo e pormenorizado; por&eacute;m, o tempo gasto nesta recolha manual torna o processo menos r&aacute;pido quando comparado com uma recolha totalmente automatizada realizada unicamente atrav&eacute;s de uma programa&ccedil;&atilde;o em <i>software</i>. Atendendo a possibilidade de combinar t&eacute;cnicas de fotogrametria, a fotogrametria terrestre pode tornar-se um complemento &uacute;til para a riqueza e detalhe destas restitui&ccedil;&otilde;es tridimensionais. A utiliza&ccedil;&atilde;o de marcas auxiliares no terreno (artificiais ou naturais), vulgarmente denominados de pontos de controlo, permite maior precis&atilde;o na georreferencia&ccedil;&atilde;o, associando a esta fatores complementares de escala e orienta&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> O c&aacute;lculo autom&aacute;tico baseado nos par&acirc;metros que s&atilde;o inicialmente definidos pelo usu&aacute;rio dentro do <i>software</i> – como a altitude de voo do VANT, a &aacute;rea do mapeamento ou a percentagem de sobreposi&ccedil;&atilde;o das imagens – permitem obter uma estimativa do modelo final resultante. Devido a estas estimativas, antes do in&iacute;cio da obten&ccedil;&atilde;o de dados no local, torna-se poss&iacute;vel o conhecimento do tempo de voo necess&aacute;rio para a aquisi&ccedil;&atilde;o de imagens, o n&uacute;mero total de registos fotogr&aacute;ficos, bem como a resolu&ccedil;&atilde;o nativa do futuro PCM. Este facto possibilita realizar um planeamento mais exato e controlado do mapeamento, evitando algumas corre&ccedil;&otilde;es posteriores e tornando a a&ccedil;&atilde;o mais eficiente e eficaz. Desta forma, os resultados obtidos neste exerc&iacute;cio aproximaram-se bastante dos objetivos propostos. </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>Especula&ccedil;&atilde;o futura</b></font></p>     <p> <b>Evolu&ccedil;&atilde;o e sucess&atilde;o</b> </p>     <p> A aplica&ccedil;&atilde;o de conhecimento da &aacute;rea da neuroci&ecirc;ncia tem-se fundindo com as atuais formas de controlo destes ve&iacute;culos a&eacute;reos, equacionando a possibilidade de controlar e pilotar estes ve&iacute;culos atrav&eacute;s de est&iacute;mulos cerebrais (Dearen, 2016). Por outro lado, ambicionando uma cada vez maior seguran&ccedil;a no que diz respeito &agrave; presen&ccedil;a destes ve&iacute;culos nas cidades, a exist&ecirc;ncia de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o mais completo que contemple um maior n&uacute;mero de vari&aacute;veis relativas ao tr&aacute;fego a&eacute;reo poder&aacute; ajudar a tornar a circula&ccedil;&atilde;o e autonomia de voo destes ve&iacute;culos menos dependentes de uma pilotagem humana manual. &Agrave; semelhan&ccedil;a do que j&aacute; acontece com os sistemas de condu&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma de ve&iacute;culos autom&oacute;veis, procurando uma cada vez maior autonomia relativa &agrave; circula&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea destes ve&iacute;culos, t&ecirc;m-se desenvolvido aplica&ccedil;&otilde;es de intelig&ecirc;ncia artificial aplicadas &agrave; an&aacute;lise e previs&atilde;o de obst&aacute;culos, com o objetivo de diminuir cada vez mais a margem de erro humano e por sua vez os acidentes que dai decorrem. As aplica&ccedil;&otilde;es inesperadas em que estas aeronaves t&ecirc;m sido utilizadas t&ecirc;m revelado um conjunto de possibilidades rizom&aacute;ticas, abrindo um leque de oportunidades ainda por descobrir (Cheng, et al., 2018: 4). </p>     <p> Refletindo sobre a crescente facilidade de aquisi&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o deste tipo de ve&iacute;culos, os sistemas de privacidade que hoje conhecemos tamb&eacute;m ser&atilde;o afetados. O uso &laquo;livre&raquo; destas aeronaves e a possibilidade de observar e alcan&ccedil;ar s&iacute;tios indevidos poder&aacute; constituir um problema na forma como as cidades hoje est&atilde;o pensadas. Tornando-se poss&iacute;vel a observa&ccedil;&atilde;o do interior de qualquer casa a partir de uma janela, mesmo que situada num andar alto, os sistemas de privacidade tornam-se fraud&aacute;veis e inesperados face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o at&eacute; agora vigente. Em pontos como este, os arquitetos desempenhar&atilde;o um importante papel, repensando e equacionando as novas formas de intera&ccedil;&atilde;o entre VANT, cidad&atilde;os e arquitetura. </p>     <p> Muito embora as restitui&ccedil;&otilde;es tridimensionais realizadas a partir da fotogrametria ou do varrimento laser n&atilde;o tenham ainda associadas uma intelig&ecirc;ncia artificial direcionada para a an&aacute;lise dos registos, algumas marcas de <i>software</i> t&ecirc;m tentado desenvolver algoritmos capazes de realizar uma interpreta&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica destas nuvens de pontos. Uma das ambi&ccedil;&otilde;es &eacute; que, no futuro, o <i>software</i> consiga introduzir informa&ccedil;&otilde;es em alguns segmentos de nuvem – indicando a exist&ecirc;ncia de paredes, corredores, compartimentos, etc. </p>     <p> Tamb&eacute;m ao n&iacute;vel da integra&ccedil;&atilde;o com o BIM, a efici&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o dos dados obtidos em modelos param&eacute;tricos BIM &eacute; ainda uma &aacute;rea com muitos aspetos por resolver. Este assunto &eacute; de particular interesse para a &aacute;rea da reabilita&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio para a qual &eacute; urgente o desenvolvimento de um <i>Historic Building Information Modelling</i> (HBIM) que permita o desenvolvimento de modelos BIM consistentes e que tragam reais benef&iacute;cios para este tipo de interven&ccedil;&atilde;o (Rocha, 2020). </p>     <p> A integra&ccedil;&atilde;o destes modelos com a Realidade Aumentada (RA) e a Realidade Virtual (RV) revela hoje um conjunto de possibilidades inovadoras que permitem, por exemplo, navegar de modo imersivo numa nuvem de pontos experimentando o modelo com uma no&ccedil;&atilde;o de presen&ccedil;a em escala real (Gomes et al, 2020). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>&Eacute;tica e tecnologia</b> </p>     <p> Na avalia&ccedil;&atilde;o &eacute;tica relativa &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de novos recursos tecnol&oacute;gicos, a rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre a tecnologia e a sociedade evidencia-se como um dos grandes t&oacute;picos relevantes. A hesita&ccedil;&atilde;o da sociedade sobre as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e, particularmente, sobre o potencial que estas t&ecirc;m de alterar as circunst&acirc;ncias onde ocorrem, torna-se um importante ponto de discuss&atilde;o, sobretudo quando a utiliza&ccedil;&atilde;o da tecnologia denuncia a sua capacidade de violar liberdades individuais, entre outros direitos estabelecidos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Fundamentada pela ambi&ccedil;&atilde;o social de aumentar a qualidade de vida por via da mobilidade, seguran&ccedil;a, higiene urbana, entre outros fins, as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas sempre se relacionaram com os grandes avan&ccedil;os da sociedade. Contudo, o seu questionamento revela-se importante e necess&aacute;rio na evid&ecirc;ncia dos seus desequil&iacute;brios. &Eacute; necess&aacute;ria uma avalia&ccedil;&atilde;o relativa &agrave;s tecnologias emergentes, onde t&oacute;picos como a &laquo;seguran&ccedil;a p&uacute;blica&raquo;, a &laquo;privacidade&raquo;, a &laquo;lei&raquo; e a &laquo;prote&ccedil;&atilde;o de dados&raquo; se mostram amea&ccedil;ados (Nelson and Gorichanaz, 2016: 3). </p>     <p> Na discuss&atilde;o sobre &eacute;tica associada &agrave; tecnologia s&atilde;o habitualmente abordadas tem&aacute;ticas relativas &agrave; forma como a tecnologia interage com os sistemas quotidianos. De acordo com Salvini, (2017: 283), a concord&acirc;ncia da realidade tecnol&oacute;gica com um conjunto de &acirc;mbitos sociais torna-se t&atilde;o ou mais significante do que as capacidades t&eacute;cnicas intr&iacute;nsecas &agrave; tecnologia. </p>     <p> No caso espec&iacute;fico dos VANT, a sua natureza formal e a forma de atua&ccedil;&atilde;o distante do operador &eacute; uma quest&atilde;o potencialmente problem&aacute;tica (Salvini, 2017: 279). A desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o do utilizador baseada na dist&acirc;ncia f&iacute;sica entre ele e estas aeronaves torna necess&aacute;ria a exist&ecirc;ncia de sistemas otimizados para a identifica&ccedil;&atilde;o e responsabiliza&ccedil;&atilde;o de utilizadores que ajam fora dos pressupostos &eacute;ticos e legais (Finn e Wright, 2016). No debate sobre a regula&ccedil;&atilde;o da tecnologia e a normaliza&ccedil;&atilde;o do seu uso sobre um ponto de vista &eacute;tico, a privacidade e a seguran&ccedil;a relevam-se como as duas problem&aacute;ticas fundamentais que, principalmente no caso espec&iacute;fico do VANT, se tornam predominantes. </p>     <p> Para Salvini (2017), ao potenciar um conjunto de eventos imprevistos, a tecnologia do VANT torna evidente a vulnerabilidade da sociedade e dos seus organismos a novos contextos potenciados por inova&ccedil;&otilde;es tecnologias t&atilde;o disruptivas como esta. O impacto que os VANT t&ecirc;m na privacidade e seguran&ccedil;a de todos &eacute; revelador de uma mudan&ccedil;a de paradigma, onde a presen&ccedil;a destes equipamentos disponibiliza novas formas de registo e intera&ccedil;&atilde;o. O impacto na privacidade torna-se claro com o surgimento de uma grande quantidade de registos que, intencionais ou involunt&aacute;rios, caracterizam uma recolha abusiva de informa&ccedil;&atilde;o na grande maioria dos casos. </p>     <p> A &eacute;tica exerce a sua influ&ecirc;ncia nas decis&otilde;es do poder pol&iacute;tico e legislativo, questionando e elevando a consci&ecirc;ncia sobre tem&aacute;ticas como as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e a forma como estas interagem com os contextos sociais. A cria&ccedil;&atilde;o de regulamentos sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de tecnologias (como os VANT) torna-se fulcral para a aprova&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do seu uso, tornando mais otimista a confian&ccedil;a que a sociedade tem na tecnologia. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p> Neste estudo, a analogia entre o surgimento dos primeiros ve&iacute;culos a&eacute;reos e a transforma&ccedil;&atilde;o do olhar do Arquiteto sobre o territ&oacute;rio contextualiza o VANT como o produto de uma evolu&ccedil;&atilde;o continua relativa aos ve&iacute;culos a&eacute;reos desde o s&eacute;culo XIX. Promovendo um enquadramento hist&oacute;rico sobre o posicionamento espec&iacute;fico desta tecnologia na &aacute;rea disciplinar da Arquitetura, este trabalho revela os principais pontos onde os ve&iacute;culos a&eacute;reos efetivam uma mudan&ccedil;a de paradigma, configurando uma transforma&ccedil;&atilde;o da atividade conceptual do arquiteto atrav&eacute;s de uma circunst&acirc;ncia de locomo&ccedil;&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea. </p>     <p> Podendo assumir-se como parte integrante da metodologia de trabalho em Arquitetura, a utiliza&ccedil;&atilde;o de equipamentos como o VANT ir&aacute; generalizar-se ainda mais nos pr&oacute;ximos anos, assumindo uma import&acirc;ncia cada vez maior no conjunto de ferramentas de um profissional de arquitetura. </p>     <p> &ldquo;As simula&ccedil;&otilde;es disponibilizadas pelos novos suportes e tecnologias significam, pela primeira vez na hist&oacute;ria da representa&ccedil;&atilde;o arquitect&oacute;nica, a possibilidade de ter um projecto, de modo integral, pass&iacute;vel de experimenta&ccedil;&atilde;o na escala 1:1 (em lugar da constru&ccedil;&atilde;o de uma maquete/prot&oacute;tipo &agrave; escala real)&rdquo; (Mel&acirc;neo, 2019). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O facto de se poderem extrair rapidamente desenhos t&eacute;cnicos (como plantas, cortes e al&ccedil;ados) de uma forma expedita, ou mesmo visualizar modelos tridimensionais de forma imersiva (p.e. atrav&eacute;s de RV) ainda numa fase de estudo pr&eacute;vio do projeto, revoluciona os processos convencionais de interven&ccedil;&atilde;o. A acrescentar a isto, o facto de nestes modelos se verificarem pistas sobre texturas e estados de conserva&ccedil;&atilde;o, revoluciona tamb&eacute;m a capacidade de importar para o &acirc;mbito digital dos nossos computadores uma realidade mais pr&oacute;xima do mundo real – alterando a forma como vemos e reconhecemos as coisas que nos rodeiam. Ainda a espec&iacute;fica compatibilidade destas restitui&ccedil;&otilde;es tridimensionais com <i>software</i> CAD ou BIM aumenta a prospe&ccedil;&atilde;o do seu uso nas pr&aacute;ticas profissionais de Arquitetura onde estes dois tipos de <i>software</i> s&atilde;o amplamente utilizados. Abrem-se assim novas possibilidades e permite-se a integra&ccedil;&atilde;o de uma maior intelig&ecirc;ncia nas restitui&ccedil;&otilde;es de modela&ccedil;&atilde;o tridimensional. </p>     <p> A fotogrametria a partir de VANT permite uma maior versatilidade assim como possibilita registos detalhados e completos, mesmo em situa&ccedil;&otilde;es onde n&atilde;o existe ilumina&ccedil;&atilde;o. Ainda, a rapidez aliada ao grande rigor da execu&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do processo de fotogrametria torna tamb&eacute;m este processo economicamente favor&aacute;vel apesar do custo da tecnologia. </p>     <p> No caso da fotografia a&eacute;rea de arquitetura, o &laquo;olho&raquo; do arquiteto ou do fot&oacute;grafo de arquitetura torna-se essencial na comunica&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica do projeto ou do contexto que se pretenda retratar, i.e. toda a tecnologia utilizada nestas aeronaves &eacute; complementada pela experi&ecirc;ncia do utilizador que, antecipando cen&aacute;rios de aplica&ccedil;&atilde;o desta, torna o seu uso mais adequado e eficaz. </p>     <p> Hoje, a democratiza&ccedil;&atilde;o desta tecnologia revela-a como uma ferramenta exponencialmente mais acess&iacute;vel, promovendo processos de trabalho mais r&aacute;pidos e com resultados surpreendentes onde o registo e an&aacute;lise de informa&ccedil;&atilde;o &uacute;til com um elevado rigor se torna mais f&aacute;cil de obter, interpretar e comunicar. </p>     <p> A concilia&ccedil;&atilde;o da liberdade de interpreta&ccedil;&atilde;o com o rigor de tecnologias como o VANT pode assumir novas metodologias de trabalho em Arquitetura, desenvolvendo novas formas de conceber e comunicar o projeto. Uma das &aacute;reas em maior evid&ecirc;ncia neste processo de comunica&ccedil;&atilde;o de arquitetura por via do VANT &eacute; a Fotografia, dando destaque &agrave; vista a&eacute;rea como um dos modos basilares de representa&ccedil;&atilde;o realizada atualmente por estes ve&iacute;culos. Premiado com um Le&atilde;o de Ouro em 2018, Eduardo Souto de Moura socorreu-se de duas fotografias a&eacute;reas para representar um dos seus projetos de arquitetura localizado no Alentejo – uma fotografia da sua pr&eacute;-exist&ecirc;ncia e outra do projeto j&aacute; conclu&iacute;do. A sua premia&ccedil;&atilde;o refletiu sobre a simplicidade adotada na representa&ccedil;&atilde;o do projeto, cingindo-se ao ponto de vista a&eacute;reo como leitura total do edif&iacute;cio em que interveio (Salema, 2018). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p> Os autores gostariam de agradecer os coment&aacute;rios construtivos dos revisores que permitiram aumentar a qualidade do artigo. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Amazon (s.d.) <i>Amazon Prime Air</i>, dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.amazon.com/Amazon-Prime-Air/b?ie=UTF8&amp;node=8037720011" target="_blank"     > https://www.amazon.com/Amazon-Prime-Air/b?ie=UTF8&amp;node=8037720011</a>. Acedido em 30 de abril de 2020.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700710&pid=S2182-3030202000010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Alvarez, M.P. (2014) Relevamiento con drones; el caso Real de San Carlos. Drone mapping; case study: Real de San Carlos, Facultad de Arquitectura de la Universidad de la Rep&uacute;blica, dispon&iacute;vel em <a href="http://papers.cumincad.org/cgi-bin/works/paper/sigradi2014_271" target="_blank"> http://papers.cumincad.org/cgi-bin/works/paper/sigradi2014_271</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700712&pid=S2182-3030202000010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Cheng, N., Xu (et al.) (2018) &ldquo;Air-Ground Integrated Mobile Edge Networks: Architecture, Challenges and Opportunities&rdquo;, <i>arXiv</i>, dispon&iacute;vel em <a href="https://arxiv.org/pdf/1804.04763.pdf" target="_blank"> https://arxiv.org/pdf/1804.04763.pdf</a>. </p>     <!-- ref --><p> Le Corbusier (1987) <i>Aircrafts</i>, Marseille: Parenth&egrave;ses.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700715&pid=S2182-3030202000010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Le Corbusier (1925; 1987) <i>The Decorative Art of Today</i>, Londres, The Architectural Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700717&pid=S2182-3030202000010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Dearen, J. (2016) &ldquo;Mind-controlled drones race to the future&rdquo;, Florida: Herbert Wewtheim College of Engineering, dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.eng.ufl.edu/newengineer/news/mind-controlled-drones-race-to-the-future/" target="_blank"     > https://www.eng.ufl.edu/newengineer/news/mind-controlled-drones-race-to-the-future/</a>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Decreto Lei n&ordm; 28 de Juho de 2018. <i>Di&aacute;rio da R&eacute;publica</i>, S&eacute;rie I – N&ordm;140. </p>     <p> DJI (2017) &ldquo;Introducing the DJI Digital FPV System&rdquo;, Youtube, dispon&iacute;vel em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PKggf17m4SE" target="_blank"> https://www.youtube.com/watch?v=PKggf17m4SE</a>. </p>     <p> Espuche, A.G. (1994) &ldquo;La Ciudad como &ldquo;Object Trouv&eacute;&rdquo;, in J. Dethier, A. Guiheux (eds.), <i> Visiones Urbanas Europa 1870-1993: La ciudade del artista, La ciudade del arquitecto </i> , Barcelona: Centre de Cultura Contempor&agrave;nia de Barcelona, Madrid, Electra. </p>     <p> Etherington, R. (2011) &ldquo;Flight Assembled Architecture by Gramazio &amp; Kohler and Raffaello d&rsquo;Andrea&rdquo;, <i>DEZEEN</i>, dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.dezeen.com/2011/11/24/flight-assembled-architecture-by-gramazio-kohler-and-raffaello-dandrea/" target="_blank"     > https://www.dezeen.com/2011/11/24/flight-assembled-architecture-by-gramazio-kohler-and-raffaello-dandrea/</a>. </p>     <p> Finn, R.L., Wright, D. (2016) &ldquo;Privacy, data protection and ethics for civil drone practice: A survey of industry, regulators and civil society organisations&rdquo;, London: Trilateral Research Ltd., dispon&iacute;vel em <a href="https://daneshyari.com/article/preview/467426.pdf" target="_blank"> https://daneshyari.com/article/preview/467426.pdf</a>. </p>     <p> Forty, A. (2006) &ldquo;Design industrial e pr&oacute;tese&rdquo;, in R. Afonso, G. Furtado (eds.) <i>Arquitectura: M&aacute;quina e Corpo</i>, Porto: FAUP. </p>     <!-- ref --><p> Giedion, S. (1969) <i>Mechanization takes command</i>, New York: W.W. Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700726&pid=S2182-3030202000010001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Guiheux, A. (eds.), <i> Visiones Urbanas Europa 1870-1993: La ciudade del artista, La ciudade del arquitecto </i> , Barcelona: Centre de Cultura Contempor&agrave;nia de Barcelona, Madrid, Electra. </p>     <!-- ref --><p> Gomes, J., Eloy, S., Silva, N.P., Resende, R., Dias, L. (2020, forthcoming) <i>A quasi-real virtual reality experience: point cloud navigation. </i> <i> In Artificial Realities: Virtual as an aesthetic medium in architecture ideation </i> .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700729&pid=S2182-3030202000010001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Leach, N. (2016) &ldquo;Esque&ccedil;amos Heidegger&rdquo;, in R. Afonso, G. Furtado (eds.), <i>Arquitectura: M&aacute;quina e Corpo</i>, Porto: FAUP. </p>     <!-- ref --><p> Lei n&ordm; 23 de abril de 2018. <i>Di&aacute;rio da R&eacute;publica</i>, S&eacute;rie I.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700732&pid=S2182-3030202000010001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Lista, G. (1994) &ldquo;Visiones Aeropict&oacute;ricas&rdquo;, in J. Dethier, A. Guiheux (eds.), <i> Visiones Urbanas Europa 1870-1993: La ciudade del artista, La ciudade del arquitecto </i> , Barcelona: Centre de Cultura Contempor&agrave;nia de Barcelona, Madrid, Electra. </p>     <p> Mateus, L.M.C. (2012) Contributo para o Projecto de Conserva&ccedil;&atilde;o, Restauro e Reabilita&ccedil;&atilde;o: Uma Metodologia Documental baseada na Fotogrametria e no Varrimento Laser 3D Terrestres - volume 1 e 2, Douturamento em Arquitectura, Lisboa, Faculdade de Arquitectura da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. </p>     <p> Mel&acirc;neo, P. (2019) &ldquo;Ferramentas para a arquitectura na 4.&ordf; revolu&ccedil;&atilde;o industrial&rdquo;, <i>J–A</i>, n&ordm; 259, dispon&iacute;vel em <a         href="http://www.jornalarquitectos.pt/pt/jornal/projeccoes-de-futuro/ferramentas-para-a-arquitectura-na-4-revolucao-industrial" target="_blank"     > http://www.jornalarquitectos.pt/pt/jornal/projeccoes-de-futuro/ferramentas-para-a-arquitectura-na-4-revolucao-industrial</a>. </p>     <p> Montaner, J.M. (2006) &ldquo;Sistemas de objectos: organismos e m&aacute;quinas&rdquo;, in R. Afonso, G. Furtado (eds.), <i>Arquitectura: M&aacute;quina e Corpo</i>, Porto: FAUP. </p>     <p> Nelson, J., Gorichanaz, T. (2016) &ldquo;Trust as an ethical value in emerging technology governance: The case of drone regulation&rdquo;, London: Trilateral Research Ltd., dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160791X18301854?via%3D%20ihub" target="_blank"     > https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160791X18301854?via%3D ihub</a>. </p>     <p> Pinto, P. (2019) &ldquo;Modelo 3D ajudar&aacute; a reconstruir a Catedral de Notre Dame de Paris&rdquo;, <i>PPLWARE</i>, dispon&iacute;vel em <a         href="https://pplware.sapo.pt/informacao/modelo-3d-notre-dame/?fbclid=IwAR3FuDIT-TCQHAZvDu4WMBrSifPDbccmj1Mk_TokT3io_2HRwtm9F8CaMko" target="_blank"     > https://pplware.sapo.pt/informacao/modelo-3d-notre-dame/?fbclid=IwAR3FuDIT-TCQHAZvDu4WMBrSifPDbccmj1Mk_TokT3io_2HRwtm9F8CaMko</a>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Rawn, E. (2015) &ldquo;The Three-Dimensional City: How Drones Will Impact the Future Urban Landscape&rdquo;, <i>Archdaily</i>, dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.archdaily.com/583398/the-three-dimensional-city-how-drones-will-impact-the-future-urban-landscape/" target="_blank"     > https://www.archdaily.com/583398/the-three-dimensional-city-how-drones-will-impact-the-future-urban-landscape/</a>. </p>     <p> Rocha, G. et al. (2020) &ldquo;A Scan-to-BIM Methodoloy Applied to Heritage Buildings&rdquo;, <i>Heritage</i>, pp 47-65. </p>     <p> Rouse, M. (2009) &ldquo;drone (UAV)&rdquo;, <i>Techtarget</i>, dispon&iacute;vel em <a href="https://internetofthingsagenda.techtarget.com/definition/drone" target="_blank"> https://internetofthingsagenda.techtarget.com/definition/drone</a>. </p>     <!-- ref --><p> Salema, I. (2018) <i> Bienal de Veneza atribui Le&atilde;o de Ouro a Souto de Moura pela radicalidade de um gesto simples </i> , Veneza: P&uacute;blico.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700743&pid=S2182-3030202000010001100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Salvini, P. (2017) &ldquo;Urban robotics: Towards responsible innovations for our cities&rdquo;, Pisa: The BioBiotics Institute, Scuola Superiore Sant&rsquo;Anna, dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.sciencedirect.com/sdfe/pdf/download/eid/1-s2.0-S0921889016303505/first-page-pdf" target="_blank"     > https://www.sciencedirect.com/sdfe/pdf/download/eid/1-s2.0-S0921889016303505/first-page-pdf</a>. </p>     <!-- ref --><p> Silva, N.P. (2018) A constru&ccedil;&atilde;o robotizada em Arquitectura. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Arquitectura, Lisboa, ISCTE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1700746&pid=S2182-3030202000010001100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Sol&aacute;-Morales, I. (2006) &ldquo;Corpos ausentes&rdquo;, in R. Afonso, G. Furtado (eds.), <i>Arquitectura: M&aacute;quina e Corpo</i>, Porto: FAUP. </p>     <p> Taylor-Foster, J. (2015) &ldquo;The Power Of The Plan: Drones And Architectural Photography&rdquo;, <i>Archdaily</i>, dispon&iacute;vel em <a     href="https://www.archdaily.com/591341/the-power-of-the-plan-drones-and-architectural-photography/" target="_blank" >https://www.archdaily.com/591341/the-power-of-the-plan-drones-and-architectural-photography/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> Received: 07-02-2020; Accepted: 18-06-2020.     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] <a href="https://www.dji.com/pt/company" target="_blank"> https://www.dji.com/pt/company </a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] <a href="https://www.3dr.com/">https://www.3dr.com/</a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] Exemplos destes casos s&atilde;o, entre outros, os trabalhos de v&iacute;deo tur&iacute;stico de diversas &aacute;reas como de Portugal (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=vuRGpPfLSe8" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=vuRGpPfLSe8</a>), e Lisboa (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=V2Vp-b6jrmA" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=V2Vp-b6jrmA </a> )</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>] <a                 href="https://support.dronedeploy.com/docs/calibrate-elevation-3" target="_blank"             > https://support.dronedeploy.com/docs/calibrate-elevation-3 </a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>] <a href="https://support.dronedeploy.com/docs/plant-health-2" target="_blank"> https://support.dronedeploy.com/docs/plant-health-2 </a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>] <a href="https://support.dronedeploy.com/docs/3d-point-clouds-1" target="_blank"> https://support.dronedeploy.com/docs/3d-point-clouds-1 </a> </font></p>      ]]></body><back>
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