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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Retalhos de uma cidade confinada em 2020: entre realidade e utopia. Ensaio coletivo em tempos de Pandemia</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Fragments of a confined city in 2020: between reality and utopia. Collective essay in Pandemic times</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Laura Sobral<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Marta Vicente<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Rui Mendes<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">III</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Sara Jacinto<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">IV</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Susana Rego<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">V</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Ylia Barssi<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">VI</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:laura_sobral@iscte-iul.pt" target="_blank">laura_sobral@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">II</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:marta_alexandra_vicente@iscte-iul.pt" target="_blank">marta_alexandra_vicente@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">III</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:rui_mendes@iscte-iul.pt" target="_blank">rui_mendes@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">IV</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:sara_jacinto_silva@iscte-iul.pt" target="_blank">sara_jacinto_silva@iscte-iul.pt</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">V</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:usana_rego@iscte-iul.pt" target="_blank">usana_rego@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">VI</a>]</font><font size="2" face="Verdana">ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:arq.yliabarssi@gmail.com" target="_blank">arq.yliabarssi@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> Nos tempos incertos que vivemos s&atilde;o muitas as quest&otilde;es que se colocam. Quase todas prontas a vestirem-se de inquieta&ccedil;&otilde;es e perguntas de partida para os mais atuais e fraturantes projetos de investiga&ccedil;&atilde;o. Todas elas representantes de d&uacute;vidas inquietantes de quem anseia compreender o que se segue, como se segue, onde se segue... Como que numa tentativa, mais ou menos frustrada e mais ou menos frustrante, de estar um passo &agrave; frente. Por agora n&atilde;o parecem existir respostas, apenas hip&oacute;teses. Tudo parece estar numa moment&acirc;nea adapta&ccedil;&atilde;o a esta nova e desconhecida realidade. </p>     <p> Dentro da normalidade, a cidade era passagem. Caminho entre a casa e o trabalho, passagem entre a casa e a escola, percurso entre a casa e as compras, espa&ccedil;o para encontrar com os amigos. Instalada a pandemia ficou clara a metamorfose de uma cidade que causa grande estranhamento. </p>     <p> As ruas t&ecirc;m menos movimento, o ar est&aacute; mais limpo, a cidade mais silenciosa. As pessoas parecem estar mais atentas umas &agrave;s outras porque, al&eacute;m das preocupa&ccedil;&otilde;es partilhadas, tamb&eacute;m sabem que se podem contaminar mutuamente. Sobressaem as sensibilidades na mesma propor&ccedil;&atilde;o que as solidariedades. O que se pode aprender sobre o valor da colabora&ccedil;&atilde;o e da solidariedade num tempo de uma crise in&eacute;dita, da procura de compreender o outro apesar das dist&acirc;ncias e das m&aacute;scaras, de um olhar sist&eacute;mico e controlador sobre a estranheza do que nos rodeia? </p>     <p> H&aacute; medidas emergenciais por parte do Estado, como a regulariza&ccedil;&atilde;o de imigrantes, o refor&ccedil;o do Sistema Nacional de Sa&uacute;de e a ampla valoriza&ccedil;&atilde;o do seu papel na gest&atilde;o desta pandemia, o assegurar de rendimentos m&iacute;nimos para os que mais precisam, a flexibiliza&ccedil;&atilde;o no pagamento de rendas habitacionais devido &agrave; quebra de rendimento das fam&iacute;lias, entre outros. Por&eacute;m, cada cidad&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; chamado a assumir a sua quota parte de responsabilidade na gest&atilde;o quotidiana desta crise sanit&aacute;ria. Al&eacute;m do cumprimento das regras decretadas pela sucess&atilde;o de estados de &rsquo;emerg&ecirc;ncia&rsquo; e &rsquo;calamidade&rsquo;, o cuidado com os vizinhos &eacute; fundamental e at&eacute; n&atilde;o comprar mais do que se necessita se tornou um ato humanit&aacute;rio t&atilde;o importante como manter as necess&aacute;rias &rsquo;dist&acirc;ncias sociais&rsquo;, sublinhando-se o paradoxo desta situa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> O estado de exce&ccedil;&atilde;o colocou a vida em suspenso, como se o tempo pudesse ser parado. A cidade, tamb&eacute;m ela em suspenso, permite que se valorizem os encontros, os espa&ccedil;os desses encontros, a qualidade dos espa&ccedil;os desses encontros. Descobriu-se tamb&eacute;m o (hiper)local. Agora &eacute; mais seguro ir s&oacute; at&eacute; onde os p&eacute;s nos podem levar. Caminhar perto de casa tornou-se uma novidade e at&eacute; permitiu descobrir novos mundos, micro-espa&ccedil;os, mas n&atilde;o menos importantes devido &agrave; sua escala. Confinados &agrave;s nossas pequenas cidades-casas n&atilde;o nos resta muito mais do que explorar as suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es e novas formas de habitar, tanto no seu sentido f&iacute;sico, como no seu sentido ontol&oacute;gico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> J&aacute; se passou pela fase de viver na cidade sem sair de casa e ningu&eacute;m tem a certeza se a ela voltaremos em breve. Esta altera&ccedil;&atilde;o &agrave; forma de viver (n)a cidade obrigou, naturalmente, a uma nova rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o da casa, que nas &uacute;ltimas semanas tamb&eacute;m ter&aacute; mudado substancialmente. A casa &eacute; agora escrit&oacute;rio, restaurante, rua e at&eacute; cidade... Espa&ccedil;o de m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es executadas quase sempre em fam&iacute;lia, mesmo quando a fam&iacute;lia passou a estar ainda mais absorta no ecr&atilde; do telem&oacute;vel, ou quando se brinda com os amigos de sempre, ainda que tamb&eacute;m por via dos mesmos dispositivos eletr&oacute;nicos. </p>     <p> Dentro da casa tanto se redescobrem como reinventam novos espa&ccedil;os. Cada janela &eacute; agora muito mais do que uma simples fonte de luz e de ar. A partir da janela vemos, ouvimos, cheiramos e sentimos a cidade. &Eacute; assim que se percebe como ela est&aacute; diferente e se tenta adivinhar o curso das mudan&ccedil;as. De cada janela questionam-se os direitos que se consideraram garantidos e que tiveram de ser suspensos em nome de um bem maior. Entretanto anseia-se por uma nova normalidade e que venha r&aacute;pido para nos resgatar da janela e devolver a cidade. </p>     <p> Lendo e discutindo Lefebvre pens&aacute;mos conhecer de cor os contornos do <i>Direito &agrave; Cidade</i> (1968). Talvez tamb&eacute;m tenhamos considerado esse direito como garantido, ainda que conscientes da fragilidade que acompanha as nossas democracias e os valores econ&oacute;micos pelos quais se regem. Ainda que conscientes da intemporalidade desta obra, n&atilde;o pensar&iacute;amos que um dia, sentados &agrave; janela, poder&iacute;amos questionar sobre a dimens&atilde;o representativa do direito &agrave; cidade quando n&atilde;o se pode sair de casa. Que direito a que cidade quando tamb&eacute;m ela aguarda, expectante, por uma nova realidade? E que direito a que cidade para aqueles que nem casa t&ecirc;m? Neste per&iacute;odo em que tudo parece subitamente diferente e em simult&acirc;neo igual, &eacute; um desafio conseguir olhar para o futuro com otimismo, com capacidade de mudan&ccedil;a. Ser&aacute; que a cidade, a sociedade e n&oacute;s pr&oacute;prios, iremos agir em continuidade ou, ao inv&eacute;s disso, observaremos uma rutura? </p>     <p> Diariamente, procuram-se respostas provis&oacute;rias, reinventam-se formas de estar e de viver (n)a cidade. Por todo o lado surgem press&aacute;gios de revolu&ccedil;&atilde;o, imperativos de construir um mundo alternativo, um novo sistema. O tempo abrandou e finalmente parece ter surgido uma oportunidade para pensar, dizem-nos. Mas a pandemia do medo que o v&iacute;rus trouxe consigo turva a vis&atilde;o do caminho e a incerteza que alimenta esse mesmo medo faz-nos recuar. O paradoxo de que tudo permane&ccedil;a igual e que nada ser&aacute; como antes congela-nos. At&eacute; onde estaremos dispostos a mudar? </p>     <p> Tanto o medo do futuro, como a ansiedade pela mudan&ccedil;a acabam por desfocar os problemas do agora. O mundo em suspenso afinal &eacute; s&oacute; para alguns e, apesar de n&atilde;o aparecerem nas not&iacute;cias, sabemos que os imigrantes continuam a naufragar no Mediterr&acirc;neo, as crian&ccedil;as continuam a morrer no I&eacute;men, os s&iacute;rios continuam presos ao seu destino de guerra. O medo tem esse poder, reduz-nos &agrave; nossa pr&oacute;pria bolha tapando-nos os olhos para o que n&atilde;o pertence ao problema que enfrentamos. Nesse sentido, provoca a mesma aliena&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao &rsquo;outro&rsquo; que existia antes, agora justificada por um v&iacute;rus que n&atilde;o escolhe classe, ra&ccedil;a ou g&eacute;nero, dizem. Sabemos que isso n&atilde;o &eacute; verdade, que o v&iacute;rus n&atilde;o &eacute; democr&aacute;tico, no sentido em que a exposi&ccedil;&atilde;o ao mesmo n&atilde;o &eacute; controlada por todos de igual forma. Por aqui, o mesmo sentido agregador que a pandemia parece ter trazido parece ocultar ainda mais as diferen&ccedil;as sob o des&iacute;gnio de que &rsquo;estamos todos juntos&rsquo; e &rsquo;vai ficar tudo bem&rsquo;. Mas como estamos todos juntos se h&aacute; pessoas sem um teto e quando a casa parece ser a arma mais poderosa contra a doen&ccedil;a? Se o teletrabalho &eacute; s&oacute; para uns, enquanto outros t&ecirc;m de se sujeitar &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de sobrelota&ccedil;&atilde;o dos transportes p&uacute;blicos? </p>     <p> O v&iacute;rus n&atilde;o &eacute; democr&aacute;tico hoje, e talvez seja esse o ponto de partida para uma discuss&atilde;o sobre essa &rsquo;democracia por vir&rsquo; derridiana (Derrida, 2009), o &rsquo;por vir&rsquo; como promessa, como impossibilidade que gera caminhos, que se abre ao &rsquo;outro&rsquo; e &agrave; diferen&ccedil;a, ao que est&aacute; fora do radar da pandemia, para cogitar a alternativa. Ao questionar a condi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do v&iacute;rus questionamos a sociedade como um todo. N&atilde;o apenas a forma de habitar, de fazer cidade, de fazer pol&iacute;tica, de criar rela&ccedil;&otilde;es, mas uma sociedade que aceita o isolamento pelo medo de algo invis&iacute;vel e, ao mesmo tempo, parece ignorar a exist&ecirc;ncia bem vis&iacute;vel da desigualdade social em democracia. </p>     <p> Nesta fase de repensar tudo e especialmente a nossa forma de comunicar, deve-se considerar que nos fragmentamos em telas muito antes da pandemia ser declarada. Aderimos ao escudo do nosso ecr&atilde; como uma forma de nos apresentar ao mundo. Temos a ilus&atilde;o de saber mais dos indiv&iacute;duos atrav&eacute;s das suas redes sociais, do que pela sua pr&oacute;pria personalidade e car&aacute;cter, presencialmente e sem c&acirc;maras a gravar. </p>     <p> Assim vamos tamb&eacute;m redescobrindo ambientes dentro de n&oacute;s. Quando privados de contato com os demais, de rotinas que sempre preencheram os nossos dias longos, dispensamos parte da nossa individualidade para fazer o que &eacute; melhor para o bem comum. Antes quer&iacute;amos mais horas para os hobbies, visitar mais museus, conhecer mais de outras culturas, viajar, ler livros, ter mais tempos para amores e amigos. Hoje continuamos a sonhar com tudo isso porque o tempo se esgota de igual forma, ainda que confinados em casa. </p>     <p> Este confinamento &agrave; casa permitiu ainda redescobrir novos significados para os espa&ccedil;os <i>in-between</i>, entre espa&ccedil;os constitu&iacute;dos por portas, janelas, varandas, terra&ccedil;os e quintais. Estes elementos interm&eacute;dios de liga&ccedil;&atilde;o parecem ter ganhado uma renovada import&acirc;ncia, que n&atilde;o s&oacute; confortam no meio da incerteza, como se permitem a novas apropria&ccedil;&otilde;es, como um pequeno jardim, uma esplanada ou uma bancada de espet&aacute;culo fict&iacute;cia onde podemos aplaudir her&oacute;is, manifestar ideias, posi&ccedil;&otilde;es e outros estados de alma. Esta consci&ecirc;ncia facilita a compreens&atilde;o do potencial que estes espa&ccedil;os t&ecirc;m na configura&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o real e m&uacute;ltiplo. Neles, o interior (casa) coexiste com o exterior (cidade), tal como o individual coexiste com o coletivo, sem necessidade de recorrer &agrave; acentua&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria de um em fun&ccedil;&atilde;o do outro, ou deformar o seu significado. Talvez fosse importante refletir sobre estas aprendizagens e procurar estender &agrave; cidade as caracter&iacute;sticas destes entre espa&ccedil;os. </p>     <p> Estas quest&otilde;es n&atilde;o se podem dissociar das reflex&otilde;es sobre n&oacute;s mesmos e sobre a nossa rela&ccedil;&atilde;o com os m&uacute;ltiplos ecossistemas com os quais interagimos. Observamos a diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de polui&ccedil;&atilde;o e a natureza aparenta ganhar espa&ccedil;o com a nossa aus&ecirc;ncia. Ao associarmos o termo coletivo apenas &agrave; nossa esp&eacute;cie, n&atilde;o estaremos a sobrevalorizar o termo individual em detrimento de um coletivismo mais amplo, mais verdadeiro? Parece faltar na nossa rela&ccedil;&atilde;o com o mundo uma posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria – como uma janela ou varanda – um entre espa&ccedil;o entre o coletivo e o individual. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Perante tantas medidas emergenciais que fazem repensar o mundo em que vivemos e, sobretudo, reequacionar o futuro pr&oacute;ximo, importar&aacute; questionar tamb&eacute;m de que forma iremos superar esta situa&ccedil;&atilde;o e o que vamos aprender com ela quando chegar a &rsquo;nova&rsquo; normalidade? Neste refazer do dia a dia parece que descobrimos maior proximidade nos quotidianos partilhados. A colabora&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses mostrou que a humanidade tamb&eacute;m pode n&atilde;o ter fronteiras e a maior solid&atilde;o fez-nos valorizar os momentos de comunh&atilde;o e encontro com quem nos &eacute; pr&oacute;ximo. </p>     <p> Estamos todos – ou n&atilde;o estamos – em fotografias (como as de Paulo Catrica) onde habitualmente n&atilde;o se vislumbram pessoas, mas onde toda a perten&ccedil;a humana est&aacute; nos vest&iacute;gios, nos restos que habitam as imagens da geometria n&atilde;o exata das cidades. A imperfei&ccedil;&atilde;o e a incompletude das cidades s&atilde;o o territ&oacute;rio que nos habitu&aacute;mos a reivindicar cada vez mais nosso. &Eacute; preciso continuar a construir os espa&ccedil;os da sociabilidade e da proximidade, da justi&ccedil;a e da democracia. Ouvem-se perspetivas sobre a volta da normalidade e questionamos as palavras que n&atilde;o parecem fazer j&aacute; grande sentido. </p>     <p> Entretanto, a rua e o espa&ccedil;o p&uacute;blico das nossas lutas v&atilde;o ganhando outras geometrias e emo&ccedil;&otilde;es. O futuro &eacute; incerto, mas a capacidade de sonhar a alternativa e de redescobrir a beleza permanece. Pois tal como disse Lefebvre, &ldquo;Quem, nos dias de hoje, n&atilde;o &eacute; ut&oacute;pico?&rdquo; </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font> </p>     <!-- ref --><p> Derrida, J. (2009) <i>Vadios</i>, Palimage, ISBN 9789728999773.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1701837&pid=S2182-3030202000010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Lefebvre, H. (2012 [1968]) <i>O Direito &agrave; Cidade</i>, 1&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o, ed. Lisboa Est&uacute;dio e Livraria Letra Livre, ISBN 9789898268750.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1701839&pid=S2182-3030202000010001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> </font>     ]]></body><back>
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