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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A política urbana no Brasil e em Portugal: contexto e evolução histórica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Two urban intervention projects in comparison: The trajectory in the SAAL and IBC processes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article seeks to contribute to the analysis of the trajectory of urban intervention projects in Portugal implemented from the 1970s onwards from three fields of analysis. The first axis presents the main aspects of SAAL and the possible influences of Brazilian participatory experiences in its design. The second axis identifies the experiences in the housing field after SAAL and observes the changes in the participatory processes between SAAL and the IBC Critical Neighborhoods Initiative. The third axis deepens the analysis at IBC, with emphasis on the main objectives, organizational structure, identification of the different territories of intervention and participatory processes, especially in the experience of Bairro do Lagarteiro. As it is a historical process that incorporates different historical contexts, social, economic and political dimensions, the research selects the most relevant characteristics of SAAL and IBC that contribute to an attempt to understand the main similarities and differences between the respective experiences.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">A pol&iacute;tica urbana no Brasil e em Portugal: contexto e evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Two urban intervention projects in comparison: The trajectory in the SAAL and IBC processes</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Mariana Cicuto Barros<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Universidade Nove de Julho e Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia de S&atilde;o Paulo, Brasil. e-mail: <a href="mailto:marianacicuto@gmail.com" target="_blank">marianacicuto@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>Esse artigo busca contribuir com a an&aacute;lise da trajet&oacute;ria dos projetos de interven&ccedil;&atilde;o urbana em Portugal implementados a partir da d&eacute;cada de 1970 a partir de tr&ecirc;s campos de an&aacute;lise. O primeiro eixo apresenta os principais aspectos do Servi&ccedil;o de Apoio Ambulat&oacute;rio Local (SAAL) e as poss&iacute;veis influ&ecirc;ncias das experi&ecirc;ncias participativas brasileiras na sua concep&ccedil;&atilde;o. O segundo eixo identifica as experi&ecirc;ncias no campo habitacional posteriores ao SAAL e observa as altera&ccedil;&otilde;es dos processos participativos entre o SAAL e a Iniciativa Bairros Cr&iacute;ticos (IBC). O terceiro eixo aprofunda a an&aacute;lise na IBC, com destaque aos principais objetivos, estrutura organizacional, identifica&ccedil;&atilde;o dos distintos territ&oacute;rios de interven&ccedil;&atilde;o e processos participativos, sobretudo na experi&ecirc;ncia do Bairro do Lagarteiro. Por se tratar de um processo que incorpora diferentes contextos hist&oacute;ricos, dimens&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas, a pesquisa seleciona as caracter&iacute;sticas mais relevantes do SAAL e da IBC que contribuem para uma tentativa de compreens&atilde;o entre as principais semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre as respectivas experi&ecirc;ncias.</p> <b>Palavras-chave:</b> interven&ccedil;&atilde;o urbana, participa&ccedil;&atilde;o, IBC, SAAL, Pol&iacute;tica social de habita&ccedil;&atilde;o.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">This article seeks to contribute to the analysis of the trajectory of urban intervention projects in Portugal implemented from the 1970s onwards from three fields of analysis. The first axis presents the main aspects of SAAL and the possible influences of Brazilian participatory experiences in its design. The second axis identifies the experiences in the housing field after SAAL and observes the changes in the participatory processes between SAAL and the IBC Critical Neighborhoods Initiative. The third axis deepens the analysis at IBC, with emphasis on the main objectives, organizational structure, identification of the different territories of intervention and participatory processes, especially in the experience of Bairro do Lagarteiro. As it is a historical process that incorporates different historical contexts, social, economic and political dimensions, the research selects the most relevant characteristics of SAAL and IBC that contribute to an attempt to understand the main similarities and differences between the respective experiences..</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> urban intervention, participation, IBC, SAAL, social housing policy.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> O ponto de partida deste artigo baseia-se no interesse do percurso hist&oacute;rico das pol&iacute;ticas habitacionais em Portugal e seus desmembramentos nos processos participativos. A motiva&ccedil;&atilde;o inicial para reunir e divulgar parte desse processo est&aacute; relacionada com o desenvolvimento de um segmento da tese de Doutoramento da autora que foi realizada em Lisboa no ano de 2017 no Laborat&oacute;rio Nacional de Engenharia Civil (LNEC). A aproxima&ccedil;&atilde;o da tese de doutoramento com a realidade portuguesa no campo habitacional trouxe elementos que impulsionaram o in&iacute;cio dessa pesquisa sobre as principais diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as das experi&ecirc;ncias portuguesas de interven&ccedil;&otilde;es urbanas e seus processos participativos entre os agentes envolvidos. </p>     <p> No entanto, esse artigo n&atilde;o inclui em suas metas relacionar todos os contornos que envolvem os processos participativos, estruturas organizacionais e desenhos operacionais das interven&ccedil;&otilde;es urbanas e programas habitacionais apresentados. Para desenvolver os objetivos da presente pesquisa, foram consideradas as an&aacute;lises de entrevistas semi-estruturadas realizadas em 2017 com t&eacute;cnicos que atuaram na Iniciativa Bairros Cr&iacute;ticos (IBC) no per&iacute;odo que a autora esteve em Lisboa elaborando parte da sua tese de Doutorado. Al&eacute;m das fontes das entrevistas, foi realizada uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica de produ&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que abordam sobre as experi&ecirc;ncias relatadas em teses de doutoramento e em revistas cient&iacute;ficas. </p>     <p> O primeiro campo de an&aacute;lise apresenta as principais caracter&iacute;sticas do desenho operacional do Servi&ccedil;o de Apoio Ambulat&oacute;rio Local (SAAL) e as poss&iacute;veis contribui&ccedil;&otilde;es da experi&ecirc;ncia participativa brasileira na sua concep&ccedil;&atilde;o. O segundo campo de an&aacute;lise dedica-se &agrave; observa&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es das pol&iacute;ticas habitacionais entre o SAAL e a IBC e destaca dois programas de realojamento (PIMP e PER) e as altera&ccedil;&otilde;es nos processos participativos ao longo do tempo. Em seguida, o terceiro campo aborda as distintas dimens&otilde;es dos processos participativos da IBC, sobretudo na experi&ecirc;ncia do Bairro do Lagarteiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>1. SAAL: Principais aspectos</b></font> </p>     <p> Em Portugal, a partir da d&eacute;cada de 1970, s&atilde;o inaugurados projetos habitacionais constru&iacute;dos no &acirc;mbito do Programa Habitacional Servi&ccedil;o de Apoio Ambulat&oacute;rio Local (SAAL). Criado a partir da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos[<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>], o SAAL era destinado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o residente[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>] que se encontrava alojada em situa&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias. Para al&eacute;m do objetivo da habita&ccedil;&atilde;o, havia, em simult&acirc;neo, salvaguardar o direito ao lugar e o direito &agrave; cidade. </p>     <p> De acordo com Antunes (2018: 260), na d&eacute;cada de 1950, a popula&ccedil;&atilde;o de Lisboa aumentou em raz&atilde;o do &ecirc;xodo rural. A aus&ecirc;ncia de infraestruturas e de transportes resultou na prolifera&ccedil;&atilde;o dos bairros de barracas nas periferias. O arquiteto Paulo Tormenta Pinto, em entrevista concedida &agrave; autora[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], tamb&eacute;m destaca que os problemas habitacionais em Portugal surgem na d&eacute;cada de 1950 decorrentes do mesmo fator. </p>     <p> Os problemas habitacionais em Portugal iniciam nos anos 50. Quando chegamos ao per&iacute;odo da Revolu&ccedil;&atilde;o nos anos 70 houve um desinvestimento muito grande na agricultura e come&ccedil;ou a haver um investimento nas &aacute;reas das ind&uacute;strias e das cidades. E as pessoas, a partir da d&eacute;cada de 50, come&ccedil;aram a vir &agrave;s cidades. Quando chegamos &agrave; d&eacute;cada de 70, a&iacute; sim havia aglomerados de favelas muito grandes em volta das cidades (&hellip;). Depois quando se deu a Revolu&ccedil;&atilde;o se deu tamb&eacute;m a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de muitas pessoas que viviam em &Aacute;frica, duplicou a popula&ccedil;&atilde;o e os problemas de car&ecirc;ncia habitacional. (Pinto, 2017). </p>     <p> De acordo com Bandeirinha (2014: 250), o SAAL, que surgiu como uma resposta aos graves e acumulados problemas da crise de alojamento que explodiram s&uacute;bita e espontaneamente, foi uma institui&ccedil;&atilde;o paralela menos burocr&aacute;tica e, sobretudo preenchida com funcion&aacute;rios identificados com a revolu&ccedil;&atilde;o. Sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos, o autor destaca que era considerada a cumplicidade com a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas da popula&ccedil;&atilde;o, embora tenham atra&iacute;do tamb&eacute;m profissionais mais dispostos a um papel de neutralidade t&eacute;cnica. </p>     <p> Dessa forma, foi criada uma estrutura de elevada autonomia que pretendia contornar a burocracia (Antunes, 2018: 357) por meio de equipes t&eacute;cnicas &ndash; em sua maioria compostas por arquitetos, engenheiros e estudantes, denominadas brigadas t&eacute;cnicas &ndash;, que prestavam apoio local e faziam a identifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o, a defini&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es, o projeto e a constru&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Os residentes dos bairros de habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias deveriam se organizar, discutir os problemas e deliberar as poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es. As brigadas eram chamadas ao local e, caso as propostas fossem exequ&iacute;veis, iniciava-se a interven&ccedil;&atilde;o. Esse m&eacute;todo possibilitava a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o, com m&atilde;o de obra, recursos monet&aacute;rios ou combina&ccedil;&otilde;es de ambos. O Estado, tanto central como local, era respons&aacute;vel pela organiza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do SAAL pela aquisi&ccedil;&atilde;o de terrenos e materiais de constru&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o de obras de infraestrutura. </p>     <p> Bandeirinha (2014: 238) identifica 93 projetos, dos quais 73 foram parcialmente constru&iacute;dos distribu&iacute;dos em diferentes regi&otilde;es de Portugal: SAAL Algarve (Barlavento, Centro, Sotavento), SAAL Lisboa e Centro-Sul (Distritos de Beja, Set&uacute;bal, Lisboa, Santar&eacute;m, Coimbra) e SAAL Norte (Distrito de Aveiro e Distrito do Porto). </p>     <p> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s equipes t&eacute;cnicas, v&aacute;rios arquitetos e engenheiros participaram na elabora&ccedil;&atilde;o dos projetos e nas brigadas e cada opera&ccedil;&atilde;o SAAL manifestava-se com m&eacute;todos participativos e projetos diversos entre si. Segundo o autor, essa diversidade se, por um lado, revelava certa dificuldade de express&atilde;o de uma inten&ccedil;&atilde;o coletiva, por outro, comprovava que a participa&ccedil;&atilde;o dos moradores, o grau de convic&ccedil;&atilde;o no processo e a pluralidade dos seus desejos foram determinantes para uma parte significativa dos resultados obtidos. </p>     <p> Al&eacute;m dos atributos sobre os processos participativos com uma &ldquo;perspectiva transformadora&rdquo; (Bandeirinha, 2014:251), o SAAL tamb&eacute;m &eacute; caracterizado pela presen&ccedil;a de uma gera&ccedil;&atilde;o de arquitetos que, posteriormente, tornaram-se refer&ecirc;ncias para a arquitetura portuguesa e mundial, com destaque para &Aacute;lvaro Siza Vieira e Fernando T&aacute;vora. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Este plano se constitui como uma esp&eacute;cie de caso de refer&ecirc;ncia relativamente a v&aacute;rios fatores, n&atilde;o s&oacute; aos fatores participativos, com uma rapidez na constru&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o como tamb&eacute;m a integra&ccedil;&atilde;o neste programa de arquitetos que eram novos na altura e que vieram mais tarde a revelar-se e que a partir deste plano a consagrar e refor&ccedil;ar ainda mais a sua relev&acirc;ncia no panorama da arquitetura (Pinto, 2017). </p>     <p> De certa forma, a experi&ecirc;ncia do SAAL revela o protagonismo das equipes t&eacute;cnicas com a popula&ccedil;&atilde;o, por meio da aproxima&ccedil;&atilde;o na resolu&ccedil;&atilde;o dos projetos, com uma &ldquo;negocia&ccedil;&atilde;o dial&eacute;ctica&rdquo; (Bandeirinha, 2014: 252) potencializada pela virtude de &ldquo;se trabalhar com o povo&rdquo; na concep&ccedil;&atilde;o das casas &ldquo;para o povo&rdquo; (Bandeirinha, 2014: 253).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>2. Uma aproxima&ccedil;&atilde;o aos processos participativos no SAAL: Brasil e Portugal </b></font> </p>     <p> As discuss&otilde;es dos processos participativos no campo habitacional em Portugal podem ser apresentadas a partir do per&iacute;odo p&oacute;s-guerra na d&eacute;cada de 1960. Esse per&iacute;odo revela um grupo de arquitetos que &ldquo;acreditava que a arquitetura tinha a capacidade de transformar o comportamento das pessoas e de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de habita&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o de menor renda&rdquo; (Sanches, 2015: 80). Segundo Sanches (2015), &eacute; nesse contexto que se iniciam debates e experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o dos futuros moradores em projetos habitacionais no atelier de arquitetura de Nuno Teot&oacute;nio Pereira[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>]. Nuno Portas, outro arquiteto fundamental na hist&oacute;ria da habita&ccedil;&atilde;o em Portugal, relata que seu interesse por habita&ccedil;&atilde;o social se iniciou no contato com o atelier de Teot&oacute;nio Pereira e &ldquo;que aquele era o local da discuss&atilde;o da pol&iacute;tica da habita&ccedil;&atilde;o daquele momento no pa&iacute;s&rdquo; (Sanches, 2015: 86). </p>     <p> Ainda na d&eacute;cada de 1960 &eacute; realizado o col&oacute;quio sobre o problema da habita&ccedil;&atilde;o &ldquo;Aspectos sociais na constru&ccedil;&atilde;o do Habitat&rdquo; pelo Sindicato Nacional dos Arquitetos, em Lisboa. Segundo Bandeirinha (2014), nesse col&oacute;quio o arquiteto Nuno Portas apresentou o texto &ldquo;Problemas da c&eacute;lula familiar&rdquo;, que destacou o campo da sociologia e a cr&iacute;tica espacial dos projetos. A principal recomenda&ccedil;&atilde;o do col&oacute;quio foi a de que os novos projetos de habita&ccedil;&atilde;o fossem programados em fun&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias particularizadas de cada um dos grupos humanos a que se destinam (Bandeirinha, 2014: 66). </p>     <p> Entre as d&eacute;cadas de 1960 e 1970, ao observar e denunciar realojamentos e demoli&ccedil;&atilde;o de &ldquo;barracas&rdquo;[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>] que impediam o acesso &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma nova ponte sobre o Rio Tejo, Teot&oacute;nio Pereira questiona a forma como as remo&ccedil;&otilde;es foram realizadas: &ldquo;a violenta mudan&ccedil;a de um local mais central, onde os moradores tinham j&aacute; a sua vida e as suas ra&iacute;zes, para uma zona mais perif&eacute;rica, mais complicada do ponto de vista das acessibilidades&rdquo; (Bandeirinha, 2014: 67). Tamb&eacute;m denuncia a falta de coordena&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia &agrave;s fam&iacute;lias e descrimina&ccedil;&atilde;o relativa ao tipo de realojamento. </p>     <p> Na sequ&ecirc;ncia desse acontecimento, Teot&oacute;nio Pereira participa de mais dois col&oacute;quios e apresenta o texto intitulado &ldquo;Habita&ccedil;&otilde;es para o maior n&uacute;mero&rdquo; que trata &ldquo;sobre as inaproveitadas possibilidades de resolu&ccedil;&atilde;o do problema da habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Esclarece quem &eacute; o &ldquo;maior n&uacute;mero&rdquo;, para quem &eacute; necess&aacute;rio construir: &ldquo;a crescente mole dos mal alojados, mantidos &agrave; margem do meio urbano que os atraiu; sem recursos para obter uma habita&ccedil;&atilde;o adequada dentro dos esquemas convencionais&rdquo; (Bandeirinha, 2014:67). </p>     <p> No que se refere &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos moradores na constru&ccedil;&atilde;o das habita&ccedil;&otilde;es, o texto destaca o n&atilde;o aproveitamento do potencial da autoconstru&ccedil;&atilde;o. Para o autor, h&aacute; &ldquo;recursos n&atilde;o aproveitados&rdquo; nessa modalidade que, erguida como processo marginal aos sistemas convencionais de mercado, n&atilde;o &eacute; aproveitada como alternativa de resolu&ccedil;&atilde;o do problema habitacional. Aponta ainda que h&aacute; a prefer&ecirc;ncia por parte do Estado de resolu&ccedil;&otilde;es do tipo &ldquo;paternalista ou autorit&aacute;rio&rdquo; em detrimento do incentivo ao empenho da popula&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Al&eacute;m disso, embora de um modo gen&eacute;rico, apresenta as experi&ecirc;ncias realizadas no Norte de &Aacute;frica, no M&eacute;dio Oriente e na Am&eacute;rica Latina, citando a experi&ecirc;ncia do Brasil na urbaniza&ccedil;&atilde;o da favela Br&aacute;s de Pina, no Rio de Janeiro. &Eacute; nesse contexto que se iniciam, ou se fortalecem, os contatos entre as realidades brasileiras e portuguesas, visto que, de acordo com Sanches (2015: 95), a experi&ecirc;ncia do Br&aacute;s de Pina j&aacute; era conhecida pelo Arquiteto Nuno Portas desde a d&eacute;cada de 1960. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Mas &eacute; na d&eacute;cada de 1970 que a experi&ecirc;ncia do Grupo Quadra &eacute; apresentada de maneira mais significativa em Portugal. Nesse per&iacute;odo Teot&oacute;nio Pereira recebeu em Lisboa, em confer&ecirc;ncia no Laborat&oacute;rio Nacional de Engenharia Civil (LNEC)[<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>], o arquiteto brasileiro Carlos Nelson Ferreira dos Santos, representante do Grupo Quadra de Arquitetos Associados, que apresentou as experi&ecirc;ncias participativas realizadas na favela Br&aacute;s de Pina na d&eacute;cada de 1960 no Rio de Janeiro. </p>     <p> Esteve por diversas vezes em Portugal e, em Janeiro de 1972, veio ao Laborat&oacute;rio Nacional de Engenharia Civil apresentar algumas das suas experi&ecirc;ncias enquanto arquitecto consultor da Federa&ccedil;&atilde;o das Associa&ccedil;&otilde;es de Favelados do Estado de Guanabara, FAFEG, e enquanto &ldquo;executor&rdquo; de planos de infraestrutura&ccedil;&atilde;o de favelas para a Companhia de Desenvolvimento de Comunidades, Codesco (Bandeirinha, 2014: 48). </p>     <p> No que diz respeito &agrave;s refer&ecirc;ncias internacionais relacionadas &agrave;s teorias e pr&aacute;ticas dos processos participativos do SAAL, Bandeirinha (2014) menciona, entre outras refer&ecirc;ncias, o trabalho desenvolvido na favela Br&aacute;s de Quina pelo Grupo Quadra: &ldquo;Pela import&acirc;ncia da sua obra e pela sua proximidade pontual com a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa destaca-se a de Carlos Nelson Ferreira dos Santos&rdquo; (Bandeirinha, 2014: 48). </p>     <p> Diante desse tema, Bandeirinha refere-se &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o do trabalho desenvolvido por Carlos Nelson Ferreira dos Santos e John Turner (1976). O que se coloca como proximidade &eacute; a vertente social como forma de compreens&atilde;o e resposta &agrave; situa&ccedil;&atilde;o, uma vez que divergiam na interpreta&ccedil;&atilde;o e respectiva proposta. Turner defendia total liberdade na constru&ccedil;&atilde;o das moradias, j&aacute; Carlos Nelson reconhecia que a atua&ccedil;&atilde;o do arquiteto poderia servir como acompanhamento e distribui&ccedil;&atilde;o de conhecimento aos moradores, mas sem a finalidade de estabelecer solu&ccedil;&otilde;es r&iacute;gidas. Durante a constru&ccedil;&atilde;o das habita&ccedil;&otilde;es na favela Br&aacute;s de Pina, sempre que moradores solicitavam os arquitetos, havia a postura de deix&aacute;-los livres para construir &ndash; dentro dos limites da compatibilidade do plano urban&iacute;stico desenvolvido &ndash; e n&atilde;o de inibir ou criar proibi&ccedil;&otilde;es. </p>     <p> Turner advogava a inteira liberdade de op&ccedil;&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o da moradia pr&oacute;pria, principio ao qual correspondia tamb&eacute;m uma certa demiss&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o do arquitecto, incapaz de introduzir mais-valias t&eacute;cnicas ou arquitect&oacute;nicas no desenrolar do processo construtivo (&hellip;) Carlos Nelson, por seu lado, e talvez pelas especificidades sociol&oacute;gicas que identificava nos &ldquo;seus&rdquo; moradores, reconhecia ao seu trabalho e ao dos seus colegas a possibilidade de se assumir como um processo de acompanhamento e de introdu&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios racionais que n&atilde;o pressupunha, de forma alguma, a imposi&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es ou a rigidez normativa, nem por raz&otilde;es de ordem funcional, sobretudo, jamais por raz&otilde;es de ordem est&eacute;tica. A infraestrutura&ccedil;&atilde;o urbana foi, em Br&aacute;s de Pina, a raz&atilde;o primeira e &uacute;ltima do intervencionismo t&eacute;cnico, mas a possibilidade de intervir ao n&iacute;vel das op&ccedil;&otilde;es de conforma&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o dos fogos nunca foi imposta nem renegada. Era uma assist&ecirc;ncia a que os moradores tinham direito e &agrave; qual recorreriam de livre arb&iacute;trio (Bandeirinha, 2014: 51). </p>     <p> Ao desenvolver o plano da favela Br&aacute;s de Pina, o Grupo Quadra privilegiou a rela&ccedil;&atilde;o arquiteto-morador, e a gest&atilde;o do processo revelou-se &ldquo;transgressora&rdquo; (Pulhez, 2008: 111). No decorrer desse projeto, Carlos Nelson desviou a sua aten&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es pr&aacute;ticas, projetuais e construtivas e empenhou-se na compreens&atilde;o das vontades dos futuros moradores. </p>     <p> (&hellip;) ficou decidido que os pr&oacute;prios moradores trabalhariam em campo sob nossa orienta&ccedil;&atilde;o e nos forneceriam o material bruto que interpretar&iacute;amos no escrit&oacute;rio (&hellip;). Ainda que parecesse l&oacute;gico o contr&aacute;rio, &eacute; muito raro que urbanistas tenham contatos face a face com as pessoas para quem fazem planos. Viv&iacute;amos com o escrit&oacute;rio cheio de favelados que o invadiam para ver o que faz&iacute;amos e ficavam para discuss&otilde;es que varavam a noite. Era emocionante ir recebendo aqueles peda&ccedil;os dos mais diversos pap&eacute;is e ir vendo um trabalho que surgia aos poucos (Santos apud Pulhez, 2008: 112). </p>     <p> Segundo Carvalho (2012: 197), esse processo foi defendido pelo arquiteto Nuno Portas, um dos respons&aacute;veis pela implementa&ccedil;&atilde;o do SAAL. Enquanto esteve no LNEC, viajou por pa&iacute;ses como Brasil, Col&ocirc;mbia, Peru, entre outros e, nesse per&iacute;odo, conheceu Carlos Nelson e John Turner. O arquiteto mencionou essa metodologia no seu relat&oacute;rio &ldquo;Habita&ccedil;&atilde;o Evolutiva&rdquo; desenvolvido em 1970 em conjunto com o arquiteto Francisco Silva Dias e posteriormente chegou a test&aacute;-la no SAAL. Al&eacute;m disso, Sanches (2015: 102) salienta que Portas refere-se &agrave; favela Br&aacute;s de Pina como modelo para a organiza&ccedil;&atilde;o, descentraliza&ccedil;&atilde;o de poderes, comunica&ccedil;&atilde;o das pessoas e autogest&atilde;o dos moradores nas etapas de diagn&oacute;stico, projeto e obra SAAL[<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>]. </p>     <p> Porque comecei a perceber depois de uma viagem que o LNEC me fez ir ao Brasil, eu comecei a perceber que no Brasil havia as solu&ccedil;&otilde;es, que se iam tornar problemas, que eram as do dinheiro americano para fazer bairros sociais, portanto Cidade de Deus, um caso t&iacute;pico. E que havia problemas que podiam vir a ser a solu&ccedil;&atilde;o, porque no Brasil conheci o Carlos Nelson dos Santos, que era uma esp&eacute;cie John Turner do Brasil. Depois conheci o John Turner, andei pela Am&eacute;rica Latina tudo isso devo ao LNEC. Essa &eacute; a terceira fase que atirava para o problema dos bairros de lata/clandestinos e que vai formar o SAAL (Portas <i>apud</i> Carvalho, 2012: 314). </p>     <p> A participa&ccedil;&atilde;o incorporada pelo SAAL pareceu, assim, uma alternativa te&oacute;rica e pr&aacute;tica para um novo processo de pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o em Portugal. Antunes (2018: 494) destaca que o SAAL &ldquo;pressupunha alterar o modo como a habita&ccedil;&atilde;o social era conceptualizada no nosso pa&iacute;s&rdquo; e que a metodologia &ldquo;rejeitava os processos <i>top-down</i> e privilegiava a abordagem <i> bottom-up</i>[<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>]e pretendia fomentar o <i>empowerment</i> da popula&ccedil;&atilde;o residente em bairros com habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>3. Do SAAL &agrave; Iniciativa Bairros Cr&iacute;ticos: Altera&ccedil;&otilde;es nas din&acirc;micas da pol&iacute;tica habitacional </b></font> </p>     <p> As experi&ecirc;ncias que sucederam o SAAL n&atilde;o obtiveram a mesma influ&ecirc;ncia dos processos participativos brasileiros e foram constitu&iacute;das em diferentes contextos hist&oacute;ricos, dimens&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas. A abordagem <i>bottom-up</i> implementada no SAAL, assim como as discuss&otilde;es dos processos participativos, n&atilde;o obteve continuidade significativa nos programas habitacionais posteriores. Segundo Antunes (2018: 503), ap&oacute;s o SAAL, &ldquo;Portugal percorreu um longo per&iacute;odo em que o Estado demonstrou dificuldades em compreender o problema da habita&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre&rdquo;. O autor ainda destaca que entre 1974 e 1985 as interven&ccedil;&otilde;es centraram-se &ldquo;quase exclusivamente no apoio &agrave; pessoa&rdquo; (Antunes, 2018:503) e que as pol&iacute;ticas habitacionais passaram por momentos de indefini&ccedil;&atilde;o, especialmente na imprecis&atilde;o da descentraliza&ccedil;&atilde;o de poderes e que n&atilde;o contribuiu para fomentar o desenvolvimento das pol&iacute;ticas habitacionais. </p>     <p> J&aacute; na transi&ccedil;&atilde;o das d&eacute;cadas de 1980 e 1990 s&atilde;o lan&ccedil;ados os programas de realojamento. O Plano de Interven&ccedil;&atilde;o a M&eacute;dio Prazo (PIMP) foi realizado entre 1987 e 1993, com o objetivo de erradicar os &ldquo;bairros de barracas&rdquo; nos munic&iacute;pios do pa&iacute;s. Em 1993, o PIMP foi ampliado com a &ldquo;necessidade de o poder central criar uma pol&iacute;tica alargada, de escala metropolitana ou regional, que permitisse realojar toda a popula&ccedil;&atilde;o residente nos bairros de barracas&rdquo; (Antunes, 2018: 438). Foi nesse contexto que se deu a cria&ccedil;&atilde;o do Programa Especial de Realojamento (PER) que previa apoio financeiro para os munic&iacute;pios para a constru&ccedil;&atilde;o ou aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o, destinadas ao realojamento na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa e Porto. </p>     <p> As 3 experi&ecirc;ncias apresentam diferen&ccedil;as significativas em v&aacute;rios aspectos. Em rela&ccedil;&atilde;o ao SAAL e o PER[<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>], enquanto o primeiro buscou reconstruir e requalificar bairros e realojar a popula&ccedil;&atilde;o preferencialmente nas proximidades dos locais que residiam, o PER investiu em realojamentos das popula&ccedil;&otilde;es muitas vezes distantes do local onde residiam anteriormente (Cachado, 2013; Antunes, 2018). Em rela&ccedil;&atilde;o aos processos participativos entre as equipes t&eacute;cnicas e os moradores, Cachado (2013) destaca que, enquanto o SAAL investiu em saber t&eacute;cnico atrav&eacute;s do contato entre arquitetos, engenheiros e os moradores procurando compreender as melhores condi&ccedil;&otilde;es habitacionais, o PER, por outro lado, &ldquo;construiu para realojar, em massa e baixos custos, com a pretens&atilde;o de acabar com as barracas&rdquo; (Cachado, 2013:138). </p>     <p> Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da equipe t&eacute;cnica no PER, o Arquiteto Paulo Tormenta Pinto, que colaborou no programa na &eacute;poca, relata, em entrevista concedida &agrave; autora, a baixa intera&ccedil;&atilde;o social entre moradores e arquitetos e engenheiros: </p>     <p> Houve ao longo do PER uma intera&ccedil;&atilde;o social relativamente curta. Ou seja, os projetos na maior parte dos casos foram desenvolvidos pelos pr&oacute;prios munic&iacute;pios, portanto n&atilde;o houve tanta participa&ccedil;&atilde;o de uma classe de arquitetos com relev&acirc;ncia. Os projetos foram desenvolvidos nos pr&oacute;prios munic&iacute;pios, eu pr&oacute;prio trabalhei nestes projetos ainda como arquiteto muito jovem e que tive a oportunidade de trabalhar neste per&iacute;odo. (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> O arquiteto ainda destaca que no PER houve uma &ldquo;lacuna&rdquo; do processo participativo e que poderia ter sido uma oportunidade para criar mecanismos de maior integra&ccedil;&atilde;o social para a popula&ccedil;&atilde;o: </p>     <p> Mas de facto houve essa lacuna naquilo que foi uma oportunidade de lan&ccedil;ar uma pol&iacute;tica tamb&eacute;m de desenvolvimento social, ou seja, h&aacute; todo um desenvolvimento baseado nas quest&otilde;es f&iacute;sicas, dar uma boa qualidade de casa, um melhorar o ambiente para as pessoas morarem, mas todo o projeto de realojamento das pessoas foi feito de certa maneira, ou por ordem de chegada ou simplesmente realojando as pessoas sem um acompanhamento de proximidade que pudesse ser visto como uma esp&eacute;cie de oportunidade para que estas interven&ccedil;&otilde;es fossem tamb&eacute;m n&atilde;o s&oacute; melhorias de condi&ccedil;&otilde;es do territ&oacute;rio ou acabar com a habita&ccedil;&atilde;o de barracas e aproveitar tamb&eacute;m para lan&ccedil;ar alguns mecanismos para que estas pessoas pudessem se integrar socialmente, ter mais acesso ao emprego por exemplo, que s&atilde;o fatores relevantes (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> Vale destacar que as diferen&ccedil;as apresentadas entre as duas experi&ecirc;ncias decorrem das distintas conjunturas sociais e pol&iacute;ticas de cada &eacute;poca. Cachado (2013:139) recorda que o ambiente pol&iacute;tico do SAAL &ldquo;era prop&iacute;cio ao desenvolvimento de projetos participativos.&rdquo; J&aacute; no caso do PER, as condi&ccedil;&otilde;es territoriais revelavam uma press&atilde;o urban&iacute;stica sobre os terrenos dos bairros informais e assim &ldquo;limitavam as escolhas pol&iacute;ticas para a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de melhoria das condi&ccedil;&otilde;es habitacionais a larga escala&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ap&oacute;s as pol&iacute;ticas de erradica&ccedil;&atilde;o de barracas inseridas nas opera&ccedil;&otilde;es de realojamento PIMP e PER, observa-se um novo cen&aacute;rio das pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o, marcado pelo prop&oacute;sito de realizar interven&ccedil;&otilde;es de &ldquo;regenera&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo; (Antunes, 2018:521) em distintos territ&oacute;rios[<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>]. Nesse contexto h&aacute; a implementa&ccedil;&atilde;o do programa nacional experimental e interministerial[<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>] &ldquo;Iniciativa Opera&ccedil;&otilde;es de Qualifica&ccedil;&atilde;o e Reinser&ccedil;&atilde;o Urbana de Bairros Cr&iacute;ticos&rdquo; (IBC). A IBC foi criada em 2005 (RCM n&ordm; 143/2005, de 2 de Agosto), no quadro da Pol&iacute;tica de Cidades, com o objetivo de &ldquo;estimular e testar pr&aacute;ticas institucionais, procedimentais e tecnol&oacute;gicas inovadoras em termos de concep&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em &aacute;reas urbanas cr&iacute;ticas&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>4. Iniciativa Bairros Cr&iacute;ticos (IBC): Novas abordagens nas opera&ccedil;&otilde;es de realojamento </b></font> </p>     <p> Respeitando a sua natureza experimental, dura&ccedil;&atilde;o e &acirc;mbito territorial limitado, a IBC foi circunscrita a dois bairros na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (Vale da Amoreira, na Moita, e Cova da Moura, na Amadora) e um bairro na &Aacute;rea Metropolitana do Porto (Lagarteiro, no Porto). Embora o fato de terem em comum a vulnerabilidade cr&iacute;tica e alguma estrutura organizacional preexistente, constituem realidades com diferentes especificidades. O Vale da Amoreira e o Lagarteiro s&atilde;o bairros de habita&ccedil;&atilde;o social de promo&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e a Cova da Moura &eacute; um bairro de constru&ccedil;&otilde;es autoproduzidas em terrenos privados e do Estado. </p>     <p> De acordo com Sousa (2008:69) a IBC procurou capitalizar experi&ecirc;ncias anteriores de programas nacionais e comunit&aacute;rios (como o Programa de Iniciativa Comunit&aacute;ria Urban (I e II), o Polis ou Programa de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana, entre outros)[<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>], e ser um passo &agrave; frente no desenvolvimento da &ldquo;governan&ccedil;a multin&iacute;veis&rdquo;, com modelos de interven&ccedil;&atilde;o inovadores, que passam &ldquo;pelo refor&ccedil;o das din&acirc;micas locais para o desenvolvimento e pelo encorajamento de fortes parcerias entre a administra&ccedil;&atilde;o central, regional e local, mas tamb&eacute;m entre organiza&ccedil;&otilde;es governamentais e n&atilde;o governamentais.&rdquo; </p>     <p> Segundo a soci&oacute;loga Maria Jo&atilde;o Freitas, que acompanhou o processo de implementa&ccedil;&atilde;o da IBC, em entrevista concedida &agrave; autora[<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>], &ldquo;o n&iacute;vel local estava em conflito nos tr&ecirc;s bairros&rdquo; e a IBC funcionaria como uma &ldquo;administra&ccedil;&atilde;o central&rdquo; para mediar os atores envolvidos. A IBC distingue-se, assim, pelo seu car&aacute;ter interministerial, pela estrutura de agentes que envolve &ndash; desde o n&iacute;vel ministerial a um n&iacute;vel mais informal &ndash;, pelo seu modelo de gest&atilde;o, modelo de financiamento e ativa&ccedil;&atilde;o de recursos e pela metodologia de desenvolvimento e participa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Dessa forma, a interven&ccedil;&atilde;o de cada bairro obedeceu a um modelo organizacional (Barros; Campos, 2017: 14): </p>     <p> &middot; Constitui&ccedil;&atilde;o de grupo de trabalho integrando a administra&ccedil;&atilde;o central (representantes dos ministros de tutela das &aacute;reas de pol&iacute;tica setorial pertinentes para a interven&ccedil;&atilde;o), a administra&ccedil;&atilde;o local (c&acirc;mara municipal e junta de freguesia) e outras entidades com experi&ecirc;ncia de trabalho relevante no bairro; </p>     <p> &middot; Identifica&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e projetos a desenvolver e prepara&ccedil;&atilde;o de um protocolo de parceria entre as entidades relevantes para a opera&ccedil;&atilde;o, estabelecendo: os objetivos e metas a atingir e o programa de a&ccedil;&atilde;o a desenvolver; os compromissos assumidos por cada parceiro; os meios financeiros; e o modelo e composi&ccedil;&atilde;o de uma unidade de a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica local, estrutura de anima&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das a&ccedil;&otilde;es a desenvolver e &oacute;rg&atilde;o t&eacute;cnico local da opera&ccedil;&atilde;o; </p>     <p> &middot; Assinados os protocolos de parceria, constitui&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;comiss&atilde;o de acompanhamento&rdquo;, com os representantes dos ministros e da c&acirc;mara municipal, incumbida de acompanhar e emitir parecer na execu&ccedil;&atilde;o do programa de a&ccedil;&atilde;o e avaliar a opera&ccedil;&atilde;o; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &middot; Coordena&ccedil;&atilde;o geral e apoio metodol&oacute;gico das opera&ccedil;&otilde;es pelo Instituto Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o/ Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e da Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana &ndash; INH/IHRU), respons&aacute;vel por apoiar a elabora&ccedil;&atilde;o dos protocolos de parceria e as unidades de a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica local; assegurar os procedimentos administrativos para obten&ccedil;&atilde;o de financiamentos, o relacionamento com as entidades financiadoras[<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>] e a articula&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os da Administra&ccedil;&atilde;o central; avaliar as experi&ecirc;ncias e incorporar os resultados nas pol&iacute;ticas de qualifica&ccedil;&atilde;o e reinser&ccedil;&atilde;o urbana. </p>     <p> O Instituto Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o (atualmente Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e da Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana) coordenou a montagem do plano de a&ccedil;&atilde;o para cada territ&oacute;rio. Freitas (2017), que esteve no Instituto entre 2005 e 2010, relata sua experi&ecirc;ncia inicial no processo de implementa&ccedil;&atilde;o da IBC: </p>     <p> Estive no INH e IHRU entre 2005 e 2010 (&hellip;) O processo teve basicamente duas fases, a primeira foi a de prepara&ccedil;&atilde;o que culminou com uma carta de compromissos entre os parceiros para cada um dos territ&oacute;rios. E a carta de compromisso era o que se iria privilegiar, o que se iria fazer, como buscar o dinheiro, quem &eacute; que fazia o qu&ecirc;, era no fundo o plano de a&ccedil;&atilde;o. E depois, a partir da assinatura da carta de compromisso, foi por isto a andar. E h&aacute; claramente, e &eacute; importante perceber que a IBC teve claramente essas duas fases, teve uma fase que foi de prepara&ccedil;&atilde;o, at&eacute; porque o modelo de gest&atilde;o antes da carta de compromisso &eacute; um e depois da carta de compromisso &eacute; outro. H&aacute; este marco. O meu papel foi ajudar a montar a carta de compromisso e ajudar a concretizar. (Freitas, 2017). </p>     <p> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de financiamento, vale destacar que a Iniciativa tinha a especificidade de n&atilde;o contar com uma fonte de recurso j&aacute; estabelecida. De acordo com Sousa (2008: 72), essa abordagem traduz a intencionalidade da metodologia adotada, &ldquo;de fazer depender os planos de interven&ccedil;&atilde;o locais da focaliza&ccedil;&atilde;o no diagn&oacute;stico do territ&oacute;rio, em lugar de os fazer depender de planos e montantes de financiamento previamente delimitados&rdquo;. Nesse sentido, o plano experimental tinha v&aacute;rias fontes de financiamento e a articula&ccedil;&atilde;o para a capta&ccedil;&atilde;o de recursos exigia tamb&eacute;m a participa&ccedil;&atilde;o e responsabilidade do conjunto de agentes envolvidos. </p>     <p> No que se refere ao car&aacute;ter das interven&ccedil;&otilde;es, deveria ser dada prioridade: &ldquo;a novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o para a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os essenciais (incluindo a gest&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e do edificado); &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de oportunidades de emprego para os residentes e integra&ccedil;&atilde;o social de crian&ccedil;as e jovens; ao desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o e acompanhamento no acesso ao emprego; &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para atividades dos residentes (incluindo as econ&ocirc;micas); a iniciativas arquitet&ocirc;nicas, urban&iacute;sticas e ambientais inovadoras; e &agrave; reinser&ccedil;&atilde;o funcional e urban&iacute;stica do bairro na cidade envolvente&rdquo; (Barros; Campos, 2017: 17). </p>     <p> J&aacute; a a&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos na IBC foi incumbida &agrave;s unidades de a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica local com apoio dos servi&ccedil;os t&eacute;cnicos do IHRU. Estas unidades eram, todavia, estruturas reduzidas, cuja fun&ccedil;&atilde;o primordial foi a dinamiza&ccedil;&atilde;o, facilita&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o dos processos locais. A elabora&ccedil;&atilde;o de estudos e projetos de maior envergadura foi normalmente contratada a t&eacute;cnicos particulares na modalidade de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de consultoria. </p>     <p> A estrutura das interven&ccedil;&otilde;es, composta principalmente pela Comiss&atilde;o de Acompanhamento, que integra representantes dos oito Minist&eacute;rios, entidades governamentais e n&atilde;o governamentais, foi respons&aacute;vel: pelo monitoramento na implementa&ccedil;&atilde;o do projeto; pela Comiss&atilde;o Executiva com representantes do IHRU, C&acirc;mara Municipal, Minist&eacute;rios e entidades; e pelas Equipes Locais de Projeto, que incluem um chefe de projeto, equipe t&eacute;cnica local e parcerias executivas, que trabalham conjuntamente com a equipe t&eacute;cnica. </p>     <p> Em 2012, cessaram as opera&ccedil;&otilde;es ao abrigo da IBC por iniciativa unilateral do IHRU, tendo as a&ccedil;&otilde;es no terreno prosseguido de forma limitada, nos bairros do Vale da Amoreira e do Lagarteiro, por vontade e iniciativa dos moradores e das autoridades locais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b> 5. Iniciativa Bairros Cr&iacute;ticos: Dimens&otilde;es dos processos participativos &ndash; O Bairro do Lagarteiro (Porto)</b></font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Conforme j&aacute; apresentado, no per&iacute;odo da implementa&ccedil;&atilde;o dos programas de reabilita&ccedil;&atilde;o PIMP e PER observa-se uma certa &ldquo;lacuna&rdquo; (Tormenta Pinto, 2017) na continuidade dos processos participativos realizados entre as equipes t&eacute;cnicas e os moradores no SAAL. </p>     <p> Segundo Paulo Tormenta Pinto, arquiteto que atuou em uma das interven&ccedil;&otilde;es da IBC[<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>], os programas habitacionais promovidos a partir da d&eacute;cada de 1980 foram alvo de cr&iacute;ticas pela aus&ecirc;ncia de processos participativos. </p>     <p> Com a entrada de Portugal na Comunidade Econ&oacute;mica Europeia (posteriormente, Uni&atilde;o Europeia) em 1986, os programas habitacionais realizados e promovidos pelos governos s&atilde;o criticados por t&eacute;cnicos mais relacionados com as &aacute;reas da economia, sociais, sociologia, etc., por uma falta, certa lacuna no fator participativo (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> A tentativa de compreender as din&acirc;micas e estruturas participativas entre equipes t&eacute;cnicas e moradores no SAAL e tamb&eacute;m na IBC &ndash; em especial o Bairro do Lagarteiro &ndash; tem por objetivo destacar as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas em diferentes contextos e contornos da pol&iacute;tica habitacional em Portugal e buscar poss&iacute;veis semelhan&ccedil;as dos dois processos. </p>     <p> Considerando os diferentes contextos econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e sociais, a tentativa de retomada desses processos participativos atrav&eacute;s da proximidade da popula&ccedil;&atilde;o e dos agentes locais pode ser apresentada na IBC nas a&ccedil;&otilde;es no Vale da Amoreira (Moita), na Cova da Moura (Amadora) e no Lagarteiro (Porto). Cada projeto da IBC realizou din&acirc;micas pr&oacute;prias de acordo com as caracter&iacute;sticas do territ&oacute;rio, equipe t&eacute;cnica e moradores. </p>     <p> A interven&ccedil;&atilde;o no Vale da Amoreira foi dividida em cinco eixos principais, com enfoque em inser&ccedil;&atilde;o de hortas urbanas, interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, forma&ccedil;&atilde;o profissional, empreendedorismo juvenil e requalifica&ccedil;&atilde;o do bairro. A atua&ccedil;&atilde;o de arquitetos e engenheiros no Vale da Amoreira &eacute; realizada principalmente nos Eixos 1 e 2, com interven&ccedil;&otilde;es crom&aacute;ticas para as edifica&ccedil;&otilde;es, desenvolvida pelo Laborat&oacute;rio da Cor da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, assim como a introdu&ccedil;&atilde;o de rede vi&aacute;ria no interior do Bairro e inser&ccedil;&atilde;o de estacionamento. Al&eacute;m disso, foi realizado o projeto para instala&ccedil;&atilde;o de um Centro de Experimenta&ccedil;&otilde;es Art&iacute;sticas (Sousa, 2012). </p>     <p> J&aacute; a interven&ccedil;&atilde;o na Cova da Moura foi dividida em oito eixos principais, a maioria com enfoque em medidas de integra&ccedil;&atilde;o social, quest&otilde;es ambientais, experi&ecirc;ncias art&iacute;sticas e apoio ao emprego. A participa&ccedil;&atilde;o de arquitetos e engenheiros na Cova da Moura &eacute; realizada principalmente na operacionaliza&ccedil;&atilde;o do Eixo &ldquo;Levantamento e caracteriza&ccedil;&atilde;o do edificado e da ocupa&ccedil;&atilde;o: residencial, associativa e comercial/empresarial&rdquo; do Plano de A&ccedil;&atilde;o do Bairro iniciado pelo LNEC em 2007. Foram constitu&iacute;das equipas mistas compostas por t&eacute;cnicos do IHRU, mas tamb&eacute;m por alguns t&eacute;cnicos juniores (estudantes universit&aacute;rios de Arquitetura e/ou Engenharia), coordenadas e supervisionadas por t&eacute;cnicos do LNEC (Arqt.&ordm; Ant&oacute;nio Batista Coelho, Arqt.&ordm; Jo&atilde;o Branco Pedro e Eng.&ordm; Ant&oacute;nio Vilhena) e coordenadas por um t&eacute;cnico do IHRU e pela Chefe de Projeto. A interven&ccedil;&atilde;o na Cova da Moura tamb&eacute;m tinha como objetivo a elabora&ccedil;&atilde;o do Plano de Pormenor e a resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o fundi&aacute;ria (Sousa, 2012). </p>     <p> Sobre os processos participativos na Cova da Moura, Freitas (2017) destaca que havia um &ldquo;n&iacute;vel de maturidade participativo presente, com associa&ccedil;&otilde;es de moradores&rdquo;. Apesar disso, constatou-se dificuldades de di&aacute;logo entre os moradores e a c&acirc;mara municipal e a IBC &ldquo;atua na intermedia&ccedil;&atilde;o desse di&aacute;logo para implementar o projeto de interven&ccedil;&atilde;o.&rdquo; </p>     <p> De acordo com o relat&oacute;rio &ldquo;Registo do Processo&rdquo; (Sousa, 2012), a interven&ccedil;&atilde;o no bairro correspondia &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;stico pelo LNEC, desenho do Plano de Pormenor, melhorias nos equipamentos sociais existentes e vi&aacute;rio, projeto art&iacute;stico, experimenta&ccedil;&atilde;o de um modelo de empregabilidade, entre outras. </p>     <p> Ao contr&aacute;rio das a&ccedil;&otilde;es no Vale da Amoreira e na Cova da Moura, o Bairro do Lagarteiro contou com dois eixos principais de interven&ccedil;&atilde;o. O primeiro concentrou a interven&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter urban&iacute;stico e o segundo focou no desenvolvimento de um conjunto de din&acirc;micas imateriais. De acordo com Tomenta Pinto (2017), as interven&ccedil;&otilde;es sociais realizadas com a popula&ccedil;&atilde;o concentraram-se mais nos grupos jovens, tentando aproxim&aacute;-los por meio de uma variedade de <i>workshops</i>, como jornalismo, fotografia, m&uacute;sica e outros relacionados a esportes e treinamentos para inclus&atilde;o social. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O arquiteto ressalta a import&acirc;ncia de as interven&ccedil;&otilde;es sociais realizadas pelo Gabinete do IHRU[<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>] terem ocorrido antes das interven&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas, o que foi &ldquo;fundamental para montar esse grupo&rdquo;, pois resultou no conhecimento dos moradores sobre as altera&ccedil;&otilde;es futuras no bairro e &ldquo;teve como fun&ccedil;&atilde;o agregar a popula&ccedil;&atilde;o&rdquo;: </p>     <p> O IHRU nesta altura, antes do projeto de reabilita&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica se iniciar, montou um gabinete de bairro com uma t&eacute;cnica do pr&oacute;prio IHRU que esteve no interior do bairro e que esteve a fazer trabalho com a popula&ccedil;&atilde;o, portanto um trabalho de proximidade, essencialmente um trabalho feito com as crian&ccedil;as. Houve um trabalho de reconhecimento daquela popula&ccedil;&atilde;o e eu considero que a exist&ecirc;ncia deste gabinete foi essencial para a prepara&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com o quadro de mudan&ccedil;a que iria ocorrer (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> A interven&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica no Bairro do Lagarteiro foi composta por altera&ccedil;&otilde;es nas &aacute;reas p&uacute;blicas, com um novo sistema vi&aacute;rio para articular o bairro com seu entorno, por meio de novas conex&otilde;es vi&aacute;rias para autom&oacute;veis e pedestres; o redimensionamento das &aacute;reas verdes com novo desenho para permitir maior &aacute;rea dispon&iacute;vel entre os arruamentos e os edif&iacute;cios; a constru&ccedil;&atilde;o de muros de conten&ccedil;&atilde;o devido &agrave; topografia irregular do terreno e tamb&eacute;m como recurso para ordenar os espa&ccedil;os e equipamentos existentes e a reabilita&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios. </p>     <p> Ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o social realizada pelo gabinete local do IHRU, s&atilde;o lan&ccedil;ados concursos para a escolha de arquitetos e projetos no Bairro do Lagarteiro. Nesse caso, o agente contratante foi a C&acirc;mara Municipal do Porto[<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>], que atuou como mediadora dos arquitetos e das a&ccedil;&otilde;es do bairro. </p>     <p> Conforme j&aacute; apresentado, o Arquiteto Paulo Tormenta Pinto participou da maioria das interven&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas realizadas no Bairro do Lagarteiro. Ap&oacute;s vencer o concurso, as a&ccedil;&otilde;es concentraram-se na requalifica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e, em momento posterior, ap&oacute;s o cancelamento da IBC, na reabilita&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios. O concurso para a reabilita&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios foi dividido em duas fases: a primeira, prevista para iniciar entre 2010 e 2011, e a segunda, que deveria ocorrer em 2012, foi cancelada devido &agrave; finaliza&ccedil;&atilde;o da Iniciativa. A interven&ccedil;&atilde;o nas edifica&ccedil;&otilde;es s&oacute; foi poss&iacute;vel ap&oacute;s o financiamento do projeto pela C&acirc;mara Municipal. </p>     <p> Os edif&iacute;cios, n&oacute;s n&atilde;o ganh&aacute;mos, a primeira parte. Eu fiz o espa&ccedil;o p&uacute;blico todo e depois ganh&aacute;mos a segunda parte dos edif&iacute;cios. A parte edificada foi dividida em 2 concursos. E depois h&aacute; um dado que &eacute; muito interessante: quando n&oacute;s fizemos o segundo concurso para o Edificado, j&aacute; era a &uacute;ltima fase de reabilita&ccedil;&atilde;o do bairro e a&iacute; houve a crise financeira de Portugal, o IHRU cancelou todo o financiamento. O espa&ccedil;o p&uacute;blico foi constru&iacute;do, a primeira fase do edificado foi constru&iacute;da e, na segunda fase da reabilita&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, houve o concurso, entreg&aacute;mos os projetos e neste momento cancelou a IBC, foi radical, acabou. O Gabinete de bairro fechou e os projetos ficaram na gaveta. Depois houve elei&ccedil;&otilde;es para a C&acirc;mara do Porto e o executivo municipal decidiu com fundos da pr&oacute;pria c&acirc;mara financiar o projeto (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> Tormenta Pinto (2017) destaca que nesse segundo momento da interven&ccedil;&atilde;o houve maior possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o no projeto desenvolvido, fato que n&atilde;o ocorreu no momento da interven&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos. </p>     <p> (&hellip;) O que &eacute; muito interessante, que depois, n&atilde;o existindo mais o gabinete de bairro, houve um contato promovido pela C&acirc;mara, agora do arquiteto com a popula&ccedil;&atilde;o. E a&iacute; n&oacute;s discutimos com a popula&ccedil;&atilde;o as quest&otilde;es arquitet&ocirc;nicas, e a&iacute; j&aacute; foi um debate mais participativo. Antes n&atilde;o t&iacute;nhamos nenhum contato com a popula&ccedil;&atilde;o, somente no dia a dia da execu&ccedil;&atilde;o da obra, etc., mas n&atilde;o houve discuss&atilde;o do projeto (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> A interven&ccedil;&atilde;o no Bairro do Lagarteiro revela algumas diferen&ccedil;as de atua&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos, em especial do arquiteto, relacionadas &agrave;s experi&ecirc;ncias anteriores em Portugal, como o SAAL. De acordo com Tormenta Pinto (2017), ao contr&aacute;rio da proximidade entre arquitetos e a popula&ccedil;&atilde;o no SAAL, no Bairro do Lagarteiro os arquitetos foram convocados em uma fase posterior, no &ldquo;segundo momento&rdquo; do processo, ap&oacute;s o desenvolvimento do trabalho social. J&aacute; no caso dos programas PIMP e PER, a diferen&ccedil;a &eacute; ainda maior, a intera&ccedil;&atilde;o entre arquitetos e a popula&ccedil;&atilde;o foi praticamente inexistente. </p>     <p> Aqui n&oacute;s percebemos uma grande diferen&ccedil;a da a&ccedil;&atilde;o, por exemplo, no caso do SAAL, o que se verifica nos relatos que existem s&atilde;o os arquitetos junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o a debater as quest&otilde;es arquitet&ocirc;nicas, a fazer maquetes para a popula&ccedil;&atilde;o perceber como v&atilde;o a ser as casas, etc., isto &eacute; significante. No caso dos outros programas, o PIMP e o PER, o arquiteto est&aacute; completamente afastado, mas ele de certa maneira &eacute; um protagonista, &eacute; uma figura &ldquo;iluminada&rdquo;, que com seu conhecimento disciplinar sobre a arquitetura, sobre a hist&oacute;ria da arquitetura, sobre as experi&ecirc;ncias arquitet&oacute;nicas, sua cultura arquitet&oacute;nica, &eacute;-lhe dada a confian&ccedil;a para desenhar o quadro da mudan&ccedil;a. E, portanto, passamos para um &ldquo;terceiro est&aacute;gio&rdquo; onde o arquiteto est&aacute; fora e h&aacute; todo um debate sobre a implementa&ccedil;&atilde;o deste modelo que est&aacute; na esfera da economia social, da sociologia e da geografia (Tormenta Pinto, 2017). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A participa&ccedil;&atilde;o dos arquitetos na fase posterior no Bairro do Lagarteiro &eacute; analisada por Tormenta Pinto (2017) como o &ldquo;efeito de uma ressaca&rdquo; do protagonismo dos arquitetos estabelecido principalmente na d&eacute;cada de 1990 na Europa, com grandes nomes da arquitetura mundial. Assim, em eventos como o Congresso da UIA em Barcelona, em 1996, por exemplo, &ldquo;as pessoas na altura queriam tocar na Zaha Hadid, era uma coisa, arquiteto um pouco estrela de rock&rdquo;. Dessa forma, &ldquo;a IBC seria certo efeito desta ressaca em Portugal, um processo onde &eacute; altamente criticado este certo protagonismo dos arquitetos&rdquo;. </p>     <p> Eu acho que na IBC a a&ccedil;&atilde;o dos arquitetos num momento secund&aacute;rio n&atilde;o &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o deliberada, &eacute; toda uma discuss&atilde;o que se vai iniciando dentro de outro setor que n&atilde;o reconhece a necessidade e a relev&acirc;ncia. E tamb&eacute;m porqu&ecirc;? Porque deixou de haver da parte dos arquitetos uma afirma&ccedil;&atilde;o social e ideol&oacute;gica sobre o problema que eles pr&oacute;prios tratam. Por exemplo, no caso do SAAL, h&aacute; arquitetos que est&atilde;o muito na linha da frente do debate pol&iacute;tico, s&atilde;o figuras intranspon&iacute;veis que, para al&eacute;m da sua atividade como arquiteto, s&atilde;o pessoas que est&atilde;o na linha da frente de toda a ideologia que envolve a Revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de abril. De certo modo, o sucesso de &ldquo;disciplinariedade&rdquo; que a profiss&atilde;o foi adquirindo nos anos que seguiram acabou por potenciar um discurso muito mais &ldquo;para dentro&rdquo;, da pr&oacute;pria profiss&atilde;o do que para fora. N&atilde;o quer dizer que os arquitetos n&atilde;o tivessem uma opini&atilde;o, n&atilde;o tivessem estas preocupa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o fossem sens&iacute;veis. Mas o que &eacute; certo &eacute; que tem a ver com o pr&oacute;prio posicionamento, digamos, c&iacute;vico em torno destas mat&eacute;rias (Tormenta Pinto, 2017). </p>     <p> Nesse contexto, o arquiteto afirma que essa &ldquo;lacuna&rdquo; estabelecida na IBC revelou a necessidade de aproxima&ccedil;&atilde;o com a popula&ccedil;&atilde;o. O contrato do trabalho com a C&acirc;mara do Porto n&atilde;o previa a interven&ccedil;&atilde;o de trabalho social, e a a&ccedil;&atilde;o limitada nas interven&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas foi considerada insuficiente como pr&aacute;tica participativa. </p>     <p> No meu contrato estava para eu desenvolver o estudo da interven&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, precisamos de voc&ecirc; &ldquo;assim e assim&rdquo; e pronto. &ldquo;Voc&ecirc; &eacute; arquiteto e faz o projeto e responda &agrave;s nossas necessidades&rdquo;. Para mim era pouco. Foi importante um envolvimento ainda que n&atilde;o tenha resultado, num primeiro momento, num envolvimento direto com a popula&ccedil;&atilde;o, que eu acho que aqui pode ser considerada certa lacuna da IBC, que foi esta integra&ccedil;&atilde;o dos arquitetos numa fase posterior (Tormenta Pinto, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>6. Reflex&otilde;es finais</b></font> </p>     <p> Esse artigo buscou contribuir para a compreens&atilde;o da trajet&oacute;ria dos projetos de interven&ccedil;&atilde;o urbana em Portugal implementados a partir da d&eacute;cada de 1970 a partir de campos de an&aacute;lise relacionados com as principais diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as entre as experi&ecirc;ncias de interven&ccedil;&otilde;es urbanas SAAL e IBC. As duas experi&ecirc;ncias t&ecirc;m estruturas complexas e cada interven&ccedil;&atilde;o do SAAL e da IBC possuem caracter&iacute;sticas particulares que envolveram a atua&ccedil;&atilde;o de diferentes equipes t&eacute;cnicas, interlocutores e territ&oacute;rios. As din&acirc;micas nos territ&oacute;rios de interven&ccedil;&atilde;o no SAAL (SAAL Algarve, SAAL Lisboa e Centro-Sul, SAAL Norte) foram distintas entre si e as a&ccedil;&otilde;es realizadas nos tr&ecirc;s territ&oacute;rios da IBC (Vale da Amoreira, Cova da Moura e Bairro do Lagarteiro), tamb&eacute;m assumiram caracter&iacute;sticas particulares. </p>     <p> No caso do SAAL, observa-se as poss&iacute;veis interlocu&ccedil;&otilde;es com as experi&ecirc;ncias participativas realizadas entre equipes t&eacute;cnicas e moradores no Brasil atrav&eacute;s da atua&ccedil;&atilde;o do Grupo Quadra no Rio de Janeiro. Nesse contexto inauguram-se espa&ccedil;os de debates a partir das proposi&ccedil;&otilde;es apontadas pela luta dos movimentos sociais pelo direito &agrave; cidade e pelas novas formas de interven&ccedil;&atilde;o do Estado. A metodologia do trabalho desenvolvida pelo SAAL integrava um modelo pioneiro de processo participativo entre t&eacute;cnicos e moradores. </p>     <p> J&aacute; na IBC n&atilde;o constatamos a continuidade ou desmembramentos das influi&ccedil;&otilde;es das experi&ecirc;ncias brasileiras. De certa forma, os programas de realojamento implementados ap&oacute;s o SAAL at&eacute; meados da d&eacute;cada de 1980, no contexto de &ldquo;indefini&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica habitacional&rdquo; (Antunes, 2018: 503) revelam que os processos participativos e o protagonismo dos t&eacute;cnicos com a popula&ccedil;&atilde;o se alteraram ao longo do tempo. </p>     <p> Outra caracter&iacute;stica relaciona-se com a escala de interven&ccedil;&atilde;o e os momentos distintos da participa&ccedil;&atilde;o. No SAAL, foram 169 opera&ccedil;&otilde;es em diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s enquanto na IBC as interven&ccedil;&otilde;es foram realizadas em 3 regi&otilde;es localizadas na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa e no Porto. De acordo com os registros e pesquisas j&aacute; realizadas, no SAAL os moradores acompanharam os processos junto &agrave;s equipes t&eacute;cnicas desde o in&iacute;cio, fato que n&atilde;o ocorreu em todas as experi&ecirc;ncias da IBC. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Como apresentado, nas 3 interven&ccedil;&otilde;es da IBC h&aacute; diferentes eixos de a&ccedil;&otilde;es com medidas que percorreram aspectos sociais, urban&iacute;sticos, ambientais, econ&ocirc;micos e de moradia. Al&eacute;m disso, foram constitu&iacute;das equipes mistas e diferenciadas em cada interven&ccedil;&atilde;o, compostas por t&eacute;cnicos do IHRU, estudantes de arquitetura e engenharia, agentes das C&acirc;maras Municipais, e cientistas sociais. </p>     <p> Na interven&ccedil;&atilde;o do Bairro do Lagarteiro destaca-se a integra&ccedil;&atilde;o dos arquitetos numa fase posterior &ndash; no &ldquo;segundo momento&rdquo; &ndash; do processo, ap&oacute;s o desenvolvimento do trabalho social pelo Gabinete do IHRU. No SAAL, a participa&ccedil;&atilde;o dos arquitetos ocorre desde o in&iacute;cio e contou com a atua&ccedil;&atilde;o de equipes multidisciplinares integrando tamb&eacute;m engenheiros civis, matem&aacute;ticos, soci&oacute;logos, assistentes sociais e profissionais de outras &aacute;reas. </p>     <p> As experi&ecirc;ncias das interven&ccedil;&otilde;es urbanas SAAL e IBC e dos programas de realojamento PIMP e PER apresentadas nesse artigo evidenciam a necessidade da continuidade de novos estudos e avalia&ccedil;&otilde;es que considerem a an&aacute;lise dos demais agentes das pol&iacute;ticas habitacionais &ndash; moradores, demais t&eacute;cnicos do IHRU, C&acirc;maras Municipais &ndash; como forma de promover maiores reflex&otilde;es sobre seus processos participativos, estruturas organizacionais e desenhos operacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Bibliografia</b></font> </p>     <p> Antunes, G. (2018) <i>Pol&iacute;ticas de Habita&ccedil;&atilde;o &ndash; 200 anos</i>, Lisboa: Caleidosc&oacute;pio. </p>     <!-- ref --><p> Bandeirinha, J. A. (2014) <i>O Processo SAAL e a Arquitectura no 25 de Abril de 1974</i>, 3. reimpress&atilde;o. Coimbra: Imprensa Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1704553&pid=S2182-3030202000020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Barros, M. C., Campos, V.(2017) &ldquo;Participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os nos programas habitacionais com interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Brasil e em Portugal: um estudo comparado&rdquo;, in <i>Congresso Internacional Projetar a Cidade com a Comunidade</i>. Lisboa. Faculdade de Arquitetura, Universidade de Lisboa. </p>     <p> Cachado, R. &Aacute;. (2013) &ldquo;O Programa Especial de Realojamento. Ambiente hist&oacute;rico, pol&iacute;tico e social&rdquo;, <i>An&aacute;lise Social</i>, v. 48, n. 206, p. 134-152. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Carvalho, M. (2012) Investiga&ccedil;&atilde;o em Arquitectura. A contribui&ccedil;&atilde;o de Nuno Portas no LNEC. 1963-1974. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) &ndash; Universidade de Coimbra. </p>     <!-- ref --><p> Freitas, M J. (2017) Entrevista concedida &agrave; autora em 6 abril 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1704558&pid=S2182-3030202000020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Jorge, S. B. (2011) &ldquo;Qualifica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico de loteamentos de g&ecirc;nese iIlegal na grande &aacute;rea metropolitana de Lisboa&rdquo; in L. B&oacute;gus, I. Raposo, S. Pasternak (org.) <i> Da irregularidade fundi&aacute;ria urbana &agrave; regulariza&ccedil;&atilde;o: an&aacute;lise comparativa Portugal &ndash; Brasil </i> , S&atilde;o Paulo. </p>     <p> Pulhez, M. M. (2008) &ldquo;Fronteiras da desordem: saber e of&iacute;cio nas experi&ecirc;ncias de H&eacute;lio Oiticica no Morro da Mangueira e de Carlos Nelson Ferreira dos Santos em Br&aacute;s de Pina&rdquo;, <i>Revista do Instituto de Estudos Brasileiros</i>, v. 47, p. 93-114. </p>     <p> Sanches, D. (2015) Processo participativo como instrumento de moradia digna: uma avalia&ccedil;&atilde;o dos projetos da &aacute;rea central de S&atilde;o Paulo (1990-2012). Tese (Doutorado) &ndash; Universidade Presbiteriana Mackenzie, S&atilde;o Paulo. </p>     <!-- ref --><p> Santos, C. N. F. (1981) <i>Movimentos urbanos no Rio de Janeiro</i>, Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1704563&pid=S2182-3030202000020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Sousa, S. (2008) &ldquo;Iniciativa Bairros Cr&iacute;ticos: Uma experi&ecirc;ncia em torno de modelos de governan&ccedil;a na gest&atilde;o do territ&oacute;rio&rdquo;, <i>CIDADES, Comunidades e Territ&oacute;rios</i>, Lisboa, n. 16, pp. 69-75, </p>     <!-- ref --><p> Sousa, S. (coord.) (2012) <i> Registos do Processo. Iniciativa Opera&ccedil;&otilde;es de Qualifica&ccedil;&atilde;o e Reinser&ccedil;&atilde;o Urbana de Bairros Cr&iacute;ticos </i> , Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1704566&pid=S2182-3030202000020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Tormenta Pinto, P. (2013) &ldquo;Social Participation in the context of the Urban Public Space Renewal: The Case of Lagarteiro Neighborhood in Porto&rdquo;, <i>Journal of Civil Engineering and Architecture</i>, v. 7, n. 11, p. 1445-1457. </p>     <!-- ref --><p> Tormenta Pinto, P. (2017) Entrevista concedida a autora em 24 abril 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1704569&pid=S2182-3030202000020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Turner, J. F.C. (1976) <i>Housing by people: Towards autonomy in building environments</i>, New York: Pantheon Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1704571&pid=S2182-3030202000020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 25-06-2020; Aceite: 09-10-2020</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>]A Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos p&ocirc;s fim ao per&iacute;odo ditatorial do Estado Novo, dando origem ao &ldquo;Programa dos tr&ecirc;s D: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver&rdquo;. Em 25 de abril de 1975, ocorreram elei&ccedil;&otilde;es livres para a Assembleia Constituinte, que elaborou uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o, com fortes caracter&iacute;sticas socialistas, que instituiu o regime de democracia parlamentar, no qual a habita&ccedil;&atilde;o digna foi apresentada como um direito da popula&ccedil;&atilde;o e inscreveu o direito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o e ao urbanismo entre os direitos e deveres sociais.         <p><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>]Nuno Portas (1986: 636) salienta que as ideias do SAAL j&aacute; estavam delineadas alguns anos antes da Revolu&ccedil;&atilde;o desde o final da d&eacute;cada de 1960, aguardando condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para espoletar a vontade dos pr&oacute;prios interessados &ndash; as popula&ccedil;&otilde;es &ndash; de aceitarem um acordo com o aparelho do Estado detentor de parte de meios imprescind&iacute;veis.           <p><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Entrevista realizada em 24/04/2017.             <p><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>]Ao longo da d&eacute;cada de 1960, Nuno Teot&oacute;nio Pereira ser&aacute; o impulsionador da constitui&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica habitacional de Portugal.               <p><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>]Segundo Rita &Aacute;vila Cachado (2013: 137), a partir da d&eacute;cada de 1970, a constru&ccedil;&atilde;o clandestina aumentou em toda a &aacute;rea metropolitana de Lisboa. Um dos fatores que contribuiu para este crescimento foi um vazio da promo&ccedil;&atilde;o legal da habita&ccedil;&atilde;o. Em face das aus&ecirc;ncias de alternativas e programas habitacionais, a constru&ccedil;&atilde;o dos bairros clandestinos permitiu satisfazer as necessidades familiares. Uma parte dos bairros clandestinos &eacute; conhecida pela designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;bairros de barracas&rdquo;, que cresceram muito nesse momento, n&atilde;o s&oacute; em virtude da crise financeira, como tamb&eacute;m devido ao afluxo de imigrantes na sequ&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia das ex-col&oacute;nias africanas.                 <p><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>]O LNEC teve papel importante na pesquisa sobre cidade e habita&ccedil;&atilde;o e, entre 1963 e 1980, contava com a presen&ccedil;a de Nuno Portas como funcion&aacute;rio e investigador do laborat&oacute;rio, que estudava a quest&atilde;o do habitat.                   <p><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>]Entrevista de Nuno Portas concedida a Sanches (2015).                     <p><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>]As rela&ccedil;&otilde;es top-down monopolizaram as opera&ccedil;&otilde;es de realojamento habitacional entre 1933 e 1974, durante o Estado Novo portugu&ecirc;s (Antunes, 2018).                       <p><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>]Vale destacar o projeto de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Experts&rdquo; realizado desde 2016 por meio da parceria entre o ICS-ULisboa , o IGOT-ULisboa , e o CIES-ISCTE e financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (FCT). A pesquisa pretende compreender o papel dos t&eacute;cnicos nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas por interm&eacute;dio do Programa Especial de Realojamento (PER). Para detalhes sobre a pesquisa, ver: <a href="https://expertsproject.org/about/" target="_blank">https://expertsproject.org/about/</a>.                         <p><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>]Destacamos o Programa de Requalifica&ccedil;&atilde;o Urbana e Valoriza&ccedil;&atilde;o Ambiental das Cidades (POLIS) e o Programa Integrado de Qualifica&ccedil;&atilde;o das &Aacute;reas Suburbanas da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (PROQUAL).                           ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>]Minist&eacute;rio do Ambiente, do Ordenamento do Territ&oacute;rio e do Desenvolvimento Regional, Minist&eacute;rio do Trabalho e da Solidariedade Social, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Minist&eacute;rio da Cultura, Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Presid&ecirc;ncia de Conselho de Ministros e Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.                             <p><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>]A Iniciativa Comunit&aacute;ria Urban foi realizada em dois per&iacute;odos, entre 1994 e 1999 e entre 2000 e 2006 em diversas cidades europeias. O Polis XXI &eacute; a designa&ccedil;&atilde;o que a Pol&iacute;tica de Cidades assumiu em Portugal entre 2007 e 2013.                               <p><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>]Entrevista realizada em 06/04/2017.                                 <p><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>]Incluindo o envolvimento de financiadores privados.                                   <p><a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>]A IBC contou com tr&ecirc;s interven&ccedil;&otilde;es: Bairro do Lagarteiro (Porto), Vale da Amoreira (Lisboa, Amadora) e Cova da Moura (Lisboa, Moita). O arquiteto atuou na interven&ccedil;&atilde;o no Bairro do Lagarteiro.                                     <p><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>]Segundo Freitas (2017), os funcion&aacute;rios dos gabinetes locais eram formalmente contratados pelo IHRU, mas respondiam &agrave; Comiss&atilde;o Executiva. Pinto (2017) tamb&eacute;m afirma que eram funcion&aacute;rios p&uacute;blicos: &ldquo;Embora a a&ccedil;&atilde;o mais vis&iacute;vel na prepara&ccedil;&atilde;o do bairro para a interven&ccedil;&atilde;o corresponde essencialmente a presen&ccedil;a deste gabinete. O nome &eacute; Gabinete do IHRU com t&eacute;cnicos sociais e que tiveram durante um per&iacute;odo a fazer este trabalho.&rdquo; (Entrevistas concedidas &agrave; autora em 06/04/2017 e 24/04/2017, respectivamente).                                       <p><a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>]Vale destacar as diferen&ccedil;as do Brasil. Em Portugal, &eacute; eleito um presidente da C&acirc;mara Municipal e uma equipe executiva. O presidente &eacute; eleito com uma equipe de vereadores, portanto, os vereadores n&atilde;o s&atilde;o votados separadamente como no Brasil. Al&eacute;m disso, h&aacute; a Assembleia Municipal, local, para debates para as a&ccedil;&otilde;es da C&acirc;mara.  </font>     ]]></body><back>
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