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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fundo para o Fomento à Habitação de quem?: Análise do seu impacto a partir do caso da Área Metropolitana de Maputo, Moçambique]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Fund for Housing Promotion for whom?: Analysis of its impact from the case of the Metropolitan Area of Maputo, Mozambique]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Considered one of the poorest countries in the world, a significant part of the population of Mozambique remains without access to decent housing and basic infrastructure, as electricity, water and sanitation. Created in 1995 with the aim of to supply the severe housing deficit and to ensure better living conditions, the Fund for Housing Promotion opened a window of opportunity especially for groups with lower resources and young couples and, from 2010, also for state officials / agents and former combatants. 25 years after its creation, we make a balance and critically and reflexively analyse of the interventions developed with the support of the Fund at the level of the Metropolitan Area of Maputo, in order to understand their role, identify the main beneficiaries and evaluate their impact on access to decent housing by groups with lower resources. The analysis is supported by recent fieldwork carried out under the project “Africa Habitat: from habitat sustainability to the quality of inhabiting on the urban margins of Luanda and Maputo”, as well as in previous researches and experiences, both in terms of research and professional practice, crossing different approaches and perspectives.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Fundo para o Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o de quem? An&aacute;lise do seu impacto a partir do caso da &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, Mo&ccedil;ambique </font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Fund for Housing Promotion for whom? Analysis of its impact from the case of the Metropolitan Area of Maputo, Mozambique</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">S&iacute;lvia Jorge<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a>; Jo&atilde;o Tique<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Gestual-CIAUD/FAUL, Portugal. e-mail: <a href="mailto:aivlisjorge@gmail.com" target="_blank">aivlisjorge@gmail.com</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">II</a>]</font><font size="2" face="Verdana">FAPF-UEM, Mo&ccedil;ambique. e-mail: <a href="mailto:joaottique@yahoo.com.br" target="_blank">joaottique@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considerado um dos pa&iacute;ses mais pobres do mundo, uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique permanece sem acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna e a infraestruturas b&aacute;sicas, como eletricidade, &aacute;gua e saneamento. Criado em 1995 com o intuito de suprir o forte d&eacute;fice habitacional e garantir melhores condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade, o Fundo para o Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o abriu uma janela de oportunidades sobretudo para os grupos de menores recursos e jovens casais e, a partir de 2010, tamb&eacute;m a funcion&aacute;rios/agentes do Estado e antigos combatentes. Decorridos 25 anos desde a sua cria&ccedil;&atilde;o, faz-se um balan&ccedil;o e an&aacute;lise cr&iacute;tica e reflexiva das interven&ccedil;&otilde;es desenvolvidas com o apoio do Fundo ao n&iacute;vel da &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, no sentido de compreender o seu papel, identificar os principais benefici&aacute;rios e avaliar o seu impacto no acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna por parte dos grupos de menores recursos. A an&aacute;lise apoia-se em trabalho de campo recente, realizado no &acirc;mbito do projeto &ldquo;&Aacute;frica Habitat: da sustentabilidade do habitat &agrave; qualidade do habitar nas margens urbanas de Luanda e Maputo&rdquo;, bem como em pesquisas e experi&ecirc;ncias anteriores, quer ao n&iacute;vel da investiga&ccedil;&atilde;o, quer da pr&aacute;tica profissional, cruzando diferentes abordagens e perspetivas.</p> <b>Palavras-chave:</b> Mo&ccedil;ambique, &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, Fundo para o Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o condigna.     <p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Considered one of the poorest countries in the world, a significant part of the population of Mozambique remains without access to decent housing and basic infrastructure, as electricity, water and sanitation. Created in 1995 with the aim of to supply the severe housing deficit and to ensure better living conditions, the Fund for Housing Promotion opened a window of opportunity especially for groups with lower resources and young couples and, from 2010, also for state officials / agents and former combatants. 25 years after its creation, we make a balance and critically and reflexively analyse of the interventions developed with the support of the Fund at the level of the Metropolitan Area of Maputo, in order to understand their role, identify the main beneficiaries and evaluate their impact on access to decent housing by groups with lower resources. The analysis is supported by recent fieldwork carried out under the project &ldquo;Africa Habitat: from habitat sustainability to the quality of inhabiting on the urban margins of Luanda and Maputo&rdquo;, as well as in previous researches and experiences, both in terms of research and professional practice, crossing different approaches and perspectives..</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> Mozambique, Metropolitan Area of Maputo, Fund for Housing Promotion, decent housing.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p> </font> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> Em processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerada, Mo&ccedil;ambique enfrenta v&aacute;rios desafios ao n&iacute;vel do acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna, em particular nos grandes aglomerados urbanos. Contudo, face aos escassos recursos do pa&iacute;s, ainda considerado um dos mais pobres do mundo (World Bank, 2016), o tema da habita&ccedil;&atilde;o continua a ser ignorado ou adiado por parte dos decisores pol&iacute;ticos, que dirigem cada vez mais a aten&ccedil;&atilde;o e o apoio do Estado a uma pretensa classe m&eacute;dia (Mazzolini, 2016). Criado em 1995 com o intuito de promover habita&ccedil;&atilde;o aos grupos de menores recursos e jovens casais, o Fundo para o Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o (FFH) tem revelado, por um lado, uma capacidade de interven&ccedil;&atilde;o limitada (Jenkins, 2000: 144; Raposo e Salvador, 2007: 135), por outro, sobretudo a partir de 2010, um gradual distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o aos seus objetivos e diretrizes iniciais, seguindo uma orienta&ccedil;&atilde;o neoliberal, assente na l&oacute;gica de mercado e na gera&ccedil;&atilde;o de mais-valias (Melo, 2015: 114). </p>     <p> Segundo dados do Censo de 2017[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>], Mo&ccedil;ambique tem hoje mais de 27 milh&otilde;es de habitantes, na sua maioria a residir ainda em zonas rurais (67%), uma tend&ecirc;ncia que se tem vindo a inverter ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. S&oacute; a &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, que engloba os munic&iacute;pios de Maputo, Matola, Boane e Marracuene[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>], registou, entre 2007 e 2017, um crescimento populacional na ordem dos 60%, reflexo da crescente atra&ccedil;&atilde;o exercida pelo espa&ccedil;o e vida urbanos. A maioria da popula&ccedil;&atilde;o nacional vive nas denominadas &lsquo;palhotas&rsquo;[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>](70%), que nos &uacute;ltimos dez anos (2007-2017) sofreram um acr&eacute;scimo de mais de 20%, e possui casa pr&oacute;pria (90%), embora o regime de arrendamento tenha sofrido um aumento de 2% em igual per&iacute;odo[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>]. Apesar do investimento crescente na extens&atilde;o da rede de abastecimento de &aacute;gua e eletricidade, uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o continua sem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel (49%) e a recorrer a combust&iacute;veis f&oacute;sseis, como lenha e petr&oacute;leo (20%). Por fim, em rela&ccedil;&atilde;o ao saneamento, ainda h&aacute; quem n&atilde;o tenha latrina (23%) ou, se a possui, n&atilde;o &eacute; melhorada (37%)[<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>]. </p>     <p> Na &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, paralelamente &agrave; expans&atilde;o da rede de servi&ccedil;os e infraestruturas b&aacute;sicos, assiste-se nos &uacute;ltimos anos a uma forte aposta na elabora&ccedil;&atilde;o de novos planos, nomeadamente planos de estrutura e planos parciais de urbaniza&ccedil;&atilde;o[<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>], sem impacto direto no acesso generalizado a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna. Como destacam Melo e Jenkins (2019: 14), os interesses e for&ccedil;as de mercado tendem a sobrepor-se a qualquer objetivo social subjacente ao planeamento, beneficiando sobretudo os grupos de maiores recursos. Uma nova gera&ccedil;&atilde;o de planos acaba assim por promover sobretudo o aumento do valor da terra e, consequentemente, processos de gentrifica&ccedil;&atilde;o e reassentamento, viabilizando diferentes interven&ccedil;&otilde;es imobili&aacute;rias, algumas delas apoiadas pelo pr&oacute;prio FFH, como a paradigm&aacute;tica Vila Ol&iacute;mpica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Face ao atual contexto, que papel desempenha o FFH? Quem dele beneficia? Qual o seu impacto no acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna por parte dos grupos de menores recursos? O presente artigo procura encontrar resposta a estas quest&otilde;es a partir de uma an&aacute;lise cr&iacute;tica e reflexiva em torno das interven&ccedil;&otilde;es realizadas ao n&iacute;vel da &Aacute;rea Metropolitana de Maputo. A an&aacute;lise apoia-se em trabalho de campo recente (2018-2020) &ndash; entrevistas semiestruturadas, atualiza&ccedil;&atilde;o e recolha documental &ndash;, realizado no &acirc;mbito do projeto &ldquo;&Aacute;frica Habitat: da sustentabilidade do habitat &agrave; qualidade do habitar nas margens urbanas de Luanda e Maputo&rdquo;[<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>], em pesquisas anteriores (Tique, 2007; Jorge, 2017) e na experi&ecirc;ncia profissional do segundo autor, que exerceu o cargo de Presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o do FFH entre 1995 e 2005. Parte-se de um breve apanhado dos acontecimentos que antecederam a cria&ccedil;&atilde;o do FFH, abordando numa segunda parte os objetivos, diretrizes e interven&ccedil;&otilde;es realizadas nos seus primeiros dez anos de exist&ecirc;ncia. De seguida, analisam-se as mudan&ccedil;as e reorienta&ccedil;&otilde;es operadas sobretudo a partir de 2010, reflexo da consolida&ccedil;&atilde;o do atual quadro neoliberal. Por fim, reflete-se sobre o impacto das interven&ccedil;&otilde;es realizadas desde a origem do FFH at&eacute; &agrave; atualidade, tendo em conta os objetivos tra&ccedil;ados pela Agenda das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel at&eacute; 2030, dos quais se destacam: acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; e tornar as cidades e os assentamentos urbanos inclusivos, seguros, resilientes e sustent&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>No encalce de uma habita&ccedil;&atilde;o condigna</b></font> </p>     <p> O acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna por parte dos grupos de menores recursos representou desde sempre um problema em Mo&ccedil;ambique, nomeadamente ao n&iacute;vel das grandes cidades e, especificamente, da capital. Durante o per&iacute;odo colonial, o problema foi sendo progressivamente ignorado e protelado pelo regime praticamente at&eacute; &agrave;s portas da independ&ecirc;ncia, em 1975. Anos antes, na sequ&ecirc;ncia do Plano Diretor de Urbaniza&ccedil;&atilde;o de 1969, o Gabinete de Urbaniza&ccedil;&atilde;o e Habita&ccedil;&atilde;o da ent&atilde;o Louren&ccedil;o Marques (GUHARLM) promoveu um conjunto de a&ccedil;&otilde;es nunca antes realizadas nas suas margens urbanas, tanto ao n&iacute;vel dos acessos e infraestruturas b&aacute;sicas, como da dota&ccedil;&atilde;o de equipamentos (ver, e.g., Jorge, 2017; Mazembe, 2006). Contudo, s&oacute; com o fim do regime colonial o tema do acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna ganhou destaque. </p>     <p> Nos primeiros anos ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, o regime de inspira&ccedil;&atilde;o socialista, erguido pela Frelimo[<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>], proclamou maior equidade, o fim da opress&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o coloniais e o progresso cultural e social, baseado numa ideia de na&ccedil;&atilde;o, unificada, homog&eacute;nea e assente no paradigma da moderniza&ccedil;&atilde;o (Cahen, 1987). Por um lado, em benef&iacute;cio sobretudo da popula&ccedil;&atilde;o urbana, nacionalizaram-se os principais bens e servi&ccedil;os (Oppenheimer e Raposo, 2002: 16). Por outro lado, a nacionaliza&ccedil;&atilde;o da terra e dos pr&eacute;dios de rendimento[<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>], para al&eacute;m de travar o mercado fundi&aacute;rio e imobili&aacute;rio e acelerar a fuga de grande parte dos colonos e estrangeiros do pa&iacute;s, possibilitou o acesso de milhares de pessoas ao centro da cidade e a uma habita&ccedil;&atilde;o plurifamiliar. Simultaneamente, as margens autoproduzidas, que albergavam e albergam a maioria da popula&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m registaram mudan&ccedil;as profundas, nomeadamente na sequ&ecirc;ncia do acesso a infraestruturas b&aacute;sicas e da gradual substitui&ccedil;&atilde;o das constru&ccedil;&otilde;es em cani&ccedil;o pelo bloco de cimento (Carrilho e Lage, 2009: 320). Erigidas sobretudo pelos seus habitantes e nem sempre reconhecidas pelos poderes locais, estas margens constituem um universo heterog&eacute;neo, mais ou menos prec&aacute;rio e em constante muta&ccedil;&atilde;o, caracterizado por uma malha progressivamente mais densa, ora regular, ora org&acirc;nica (Melo, 2015; Jorge, 2017). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n41/n41a14f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> O avan&ccedil;o de programas de autoconstru&ccedil;&atilde;o assistida foi uma das principais medidas lan&ccedil;adas no III Congresso da Frelimo, em 1977, e na Primeira Reuni&atilde;o Nacional sobre Cidades e Bairros Comunais, dois anos depois, a par de outras, como a cria&ccedil;&atilde;o de cooperativas e mecanismos de acesso ao cr&eacute;dito, dif&iacute;ceis de operacionalizar devido aos escassos recursos financeiros e t&eacute;cnicos dispon&iacute;veis na altura (Tique, 2007: 90). Para al&eacute;m disso, criaram-se novas estruturas da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica direcionadas para a habita&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o dos centros urbanos. Em 1977, o GUHARLM foi convertido em Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m ela convertida, em 1983, em Instituto Nacional de Planeamento F&iacute;sico (Raposo, 2007: 223-224; Mazembe, 2006). No entanto, estas estruturas foram perdendo progressivamente capacidade de a&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o devido ao in&iacute;cio da guerra [<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>], em 1977, aos fortes constrangimentos t&eacute;cnicos e financeiros com que o pa&iacute;s se deparou, bem como, segundo Lachartre (2000: 13), a muitos outros fatores, como o pr&oacute;prio dirigismo do Estado. Apesar disso, destaca-se, em 1979, o lan&ccedil;amento do projeto de saneamento centrado na constru&ccedil;&atilde;o de latrinas melhoradas em grande escala, que esteve na origem, anos mais tarde, do Programa Nacional de Saneamento de Baixo Custo, apoiado pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com forte impacte em todo o pa&iacute;s (ver WSP-AF, 2002). </p>     <p> A partir de 1985, assistiu-se a uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica do investimento do Estado, na sequ&ecirc;ncia da intensifica&ccedil;&atilde;o da guerra, mas tamb&eacute;m da escassez de materiais de constru&ccedil;&atilde;o, cada vez mais dif&iacute;ceis de importar (Jenkins, 1998: 186). A crise econ&oacute;mica e financeira instalada e a extens&atilde;o do conflito armado a quase todo o territ&oacute;rio nacional ditaram o aumento do fluxo de pessoas em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; capital, que oferecia maior seguran&ccedil;a e facilidade de acesso a bens e servi&ccedil;os b&aacute;sicos, comparativamente com as &aacute;reas rurais. Entre 1970 e 1991, a popula&ccedil;&atilde;o mais que duplicou, registando-se durante a d&eacute;cada de 1980 a maior taxa de crescimento anual alguma vez registada: 4,5% [<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>] (Lopes et al., 2007: 44). Segundo v&aacute;rios autores, como Raposo e Salvador (2007) e Vivet (2012), para al&eacute;m da expans&atilde;o das zonas perif&eacute;ricas, subdividiram-se talh&otilde;es e ocuparam-se terrenos n&atilde;o aptos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, como a barreira natural de Polana Cani&ccedil;o, espa&ccedil;os de reserva destinados a equipamentos e infraestruturas, caminhos e vias de acesso, de forma a acolher os deslocados de guerra. Este processo conduziu &agrave; precariza&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o e a situa&ccedil;&otilde;es de sobrelota&ccedil;&atilde;o, &agrave; satura&ccedil;&atilde;o e deteriora&ccedil;&atilde;o das infraestruturas e equipamentos, bem como ao agravamento dos problemas ambientais, principalmente devido &agrave; eros&atilde;o dos solos e &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o dos len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos. </p>     <p> Na segunda metade da d&eacute;cada de 1980, ap&oacute;s o Acordo de Nkomati [<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>], o pa&iacute;s viu-se obrigado a aderir a programas de ajustamento estrutural apoiados pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional, gerando profundas mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas, com forte impacte na capital. Como destaca Faur&eacute; (2012), as altera&ccedil;&otilde;es constitucionais introduzidas em 1990 e 2004 refletem parte dessas mudan&ccedil;as. Enquanto a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1975 consagrava o regime de partido &uacute;nico e uma economia centralizada e planificada, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1990 introduziu o Estado de direito democr&aacute;tico e reconheceu a economia de mercado, estimulando a iniciativa privada e a liberdade de empreendimento e investimento, embora a terra, especificamente, se mantivesse propriedade do Estado. Por sua vez, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 2004 veio reafirmar as orienta&ccedil;&otilde;es enunciadas em 1990, refor&ccedil;ando, como mostra Serra (2013: 56-57), a dimens&atilde;o do valor da terra e a sua especula&ccedil;&atilde;o. A abertura ao multipartidarismo e livre associa&ccedil;&atilde;o, a par do in&iacute;cio do processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o e municipaliza&ccedil;&atilde;o, acabariam por estabelecer uma nova constela&ccedil;&atilde;o de poderes, responsabilidades e interesses ao n&iacute;vel dos agentes que operam em contexto urbano e, especificamente, no setor da habita&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A assinatura do Acordo de Paz, em 1992, e as primeiras elei&ccedil;&otilde;es multipartid&aacute;rias, presidenciais e parlamentares, dois anos mais tarde, deram a promotores e investidores privados, incluindo empresas multinacionais, as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; sua entrada e estabelecimento no pa&iacute;s e, em particular, na capital, onde v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais se vinham instalando desde a d&eacute;cada de 1980 (ver Ribeiro e Cunha, 2001; Raposo e Ribeiro, 2002; Eys, 2002). Ao n&iacute;vel governamental, o Instituto Nacional de Planifica&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica continuou a desempenhar fun&ccedil;&otilde;es, tendo sido integrado em 2000 no Minist&eacute;rio da Coordena&ccedil;&atilde;o Ambiental, com a designa&ccedil;&atilde;o de Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Planeamento e Ordenamento Territorial (DINAPOT), sobrepondo fun&ccedil;&otilde;es com a Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o e Urbaniza&ccedil;&atilde;o (DNHU) do Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas e Habita&ccedil;&atilde;o (ver Raposo, 2007). Multiplicavam-se os programas de desenvolvimento urbano e habitacional, financiados e apoiados por ag&ecirc;ncias internacionais, mas a falta de capacidade t&eacute;cnica a n&iacute;vel nacional e a dificuldade de articula&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es impedia ou dificultava a sua implementa&ccedil;&atilde;o (Jenkins, 2001: 52; Castel-Branco, 2011: 418). Entre as diferentes iniciativas lan&ccedil;adas, destaca-se o projeto de assist&ecirc;ncia para a defini&ccedil;&atilde;o de uma Pol&iacute;tica Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o (1987-1998), financiado pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que, apesar de nunca ter sido aprovado, anunciou algumas das diretrizes seguidas, como a privatiza&ccedil;&atilde;o do parque habitacional do Estado &ndash; efetivada em 1991 [<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>], a par da descriminaliza&ccedil;&atilde;o do arrendamento &ndash; e a promo&ccedil;&atilde;o de novas unidades habitacionais por via do mercado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Uma resposta: criar um Fundo para o Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o</b></font> </p>     <p> Paralelamente &agrave; reabertura e promo&ccedil;&atilde;o do mercado imobili&aacute;rio, foi criado em 1995 o FFH (Decreto n.&ordm; 24/1995, de 6 de Junho), destinado a apoiar o desenvolvimento de programas de habita&ccedil;&atilde;o dirigidos sobretudo aos grupos de menores recursos e jovens t&eacute;cnicos qualificados mo&ccedil;ambicanos (artigos 2, 3 e 12). Enquanto instrumento financeiro de apoio &agrave; promo&ccedil;&atilde;o habitacional, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, assumia como objetivos gerais: (1) promover a constru&ccedil;&atilde;o de &ldquo;habita&ccedil;&atilde;o social&rdquo;; (2) bonificar as taxas de juro do cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o concedido pela banca; (3) conceder cr&eacute;ditos para a constru&ccedil;&atilde;o, repara&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es; (4) financiar a promo&ccedil;&atilde;o de estudos e interven&ccedil;&otilde;es de urbaniza&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rios ao desenvolvimento das suas atividades; e (5) financiar os organismos p&uacute;blicos respons&aacute;veis pela implementa&ccedil;&atilde;o de programas habitacionais do Estado (n.&ordm; 2 do artigo 3). As suas receitas proviriam, n&atilde;o s&oacute; das dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais atribu&iacute;das pelo governo, mas tamb&eacute;m da venda de im&oacute;veis do Estado (cerca de 50%), dos im&oacute;veis em ru&iacute;nas ou inacabados [<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>] e dos erigidos pelo pr&oacute;prio Fundo, bem como do reembolso dos cr&eacute;ditos concedidos e respetivos juros aplicados, de donativos e de juros de dep&oacute;sitos (Tique, 2007: 97). </p>     <p> Atrav&eacute;s do estabelecimento de contratos-programa, o FFH responsabilizava-se pelo cumprimento do programa e o Estado pela consigna&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o do seu or&ccedil;amento, viabilizando-se desta forma a sua implementa&ccedil;&atilde;o. Contudo, como mostra Tique (2007) [<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>] , os valores atribu&iacute;dos ao FFH revelaram-se desde cedo manifestamente insuficientes [<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>], o que significa que as suas iniciativas acabaram por ser demasiado t&iacute;midas face &agrave;s expetativas inicialmente criadas. Durante os dez primeiros anos de atividade (1995-2005), demarcaram-se em todo o territ&oacute;rio nacional cerca 6.000 talh&otilde;es [<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a>], com acesso a ruas de terra batida e liga&ccedil;&atilde;o &agrave; rede de abastecimento de &aacute;gua, garantindo-se gradualmente o acesso &agrave; eletricidade, ficando ausente a liga&ccedil;&atilde;o &agrave; rede de esgotos e a drenagem das &aacute;guas pluviais. Parte destas urbaniza&ccedil;&otilde;es deram lugar a empreendimentos habitacionais &ndash; num total de 2000 fogos, geralmente de car&aacute;ter evolutivo [<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20">20</a>] &ndash; tamb&eacute;m financiados pelo FFH, adquiridos com recurso a cr&eacute;dito e essencialmente dirigidos a jovens t&eacute;cnicos qualificados. No total, concederam-se perto de 1.000 cr&eacute;ditos para a constru&ccedil;&atilde;o de novas habita&ccedil;&otilde;es e cerca de 950 para a repara&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es preexistentes. Estas linhas de cr&eacute;dito seriam cobertas por 20 anos, aplicando-se uma taxa de juro anual de 8% [<a name="top21" id="top21"></a><a href="#21">21</a>].</p> A maioria dos projetos apoiados pelo FFH neste per&iacute;odo concentrou-se na &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, representando 45% do investimento total realizado a n&iacute;vel nacional [<a name="top22" id="top22"></a><a href="#22">22</a>] , em &aacute;reas de uso at&eacute; ent&atilde;o predominantemente rural, nomeadamente: (1) nas Mahotas (1996-1999), em Maputo, em colabora&ccedil;&atilde;o com a DNHU; (2) em Congolote (1997-1999), na Matola, tamb&eacute;m em colabora&ccedil;&atilde;o com a DNHU; (3) em Cumbeza (2001-2003), em Marracuene, em proximidade com a DINAPOT; e (4) no Picoco (2003-2005), em Boane, em articula&ccedil;&atilde;o com a Dire&ccedil;&atilde;o Provincial das Obras P&uacute;blicas e Habita&ccedil;&atilde;o (ver <a href="#f2">figura 2</a>). A maioria dos terrenos foi cedida pelos respetivos munic&iacute;pios, a quem coube a contrata&ccedil;&atilde;o da empreitada e a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do processo de execu&ccedil;&atilde;o das obras. Realizadas entre 1996 e 2005, estas interven&ccedil;&otilde;es potenciaram a abertura de novas vias e a expans&atilde;o das redes de abastecimento de &aacute;gua e eletricidade [<a name="top23" id="top23"></a><a href="#23">23</a>], promovendo a expans&atilde;o e densifica&ccedil;&atilde;o urbana, bem como a constru&ccedil;&atilde;o de novos equipamentos.        <p>&nbsp;</p>    <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n41/n41a14f2.jpg"/>        
<p>&nbsp;</p>        <p> No total, a maior fatia de investimento na prov&iacute;ncia de Maputo foi dirigida para a constru&ccedil;&atilde;o de novos conjuntos habitacionais (73%), cujo acesso estava limitado aos cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos, seguida da atribui&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;dito para repara&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es preexistentes (22%), que exigia tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos, e por fim da urbaniza&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica (6%), sem qualquer teto m&iacute;nimo e, dessa forma, orientado para os estratos mais pobres da popula&ccedil;&atilde;o. Mesmo nestes &uacute;ltimos casos, o acesso ao talh&atilde;o estava dependente do pagamento, no ato da assinatura do contrato, de 20% do valor cobrado pelas benfeitorias realizadas. Embora corresponda &agrave; menor fatia do investimento realizado, a atribui&ccedil;&atilde;o de um talh&atilde;o infraestruturado e a autoconstru&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o, de acordo com os recursos e necessidades de cada agregado familiar, representou a resposta habitacional mais eficiente do ponto de vista financeiro.</p>        <p> Ap&oacute;s dez anos de atividade, o FFH viu-se confrontado com problemas graves que colocavam em risco a sua continuidade. Os principais destinat&aacute;rios, os jovens t&eacute;cnicos qualificados e os grupos de menores recursos, n&atilde;o revelavam capacidade de endividamento/investimento para aceder &agrave;s linhas de cr&eacute;dito criadas ou &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas exigidas. Simultaneamente, o FFH n&atilde;o possu&iacute;a capacidade financeira para cobrir a totalidade dos custos inerentes &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o dos projetos e &agrave; sua execu&ccedil;&atilde;o, nem reunia os meios e o apoio t&eacute;cnico e institucional suficientes para continuar a desenvolver programas de habita&ccedil;&atilde;o. Por um lado, a aus&ecirc;ncia de uma Pol&iacute;tica Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o dificultava a defini&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de m&eacute;dio-longo prazo e, consequentemente, o estabelecimento de prioridades. Por outro lado, a incapacidade de gest&atilde;o e cobran&ccedil;a dos cr&eacute;ditos atribu&iacute;dos havia conduzido a n&iacute;veis de incumprimento na ordem dos 60%, que, juntamente com a forte redu&ccedil;&atilde;o das receitas provenientes da aliena&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio do Estado, inviabilizavam a estrutura de financiamento originalmente concebida. A estas dificuldades juntava-se o efeito da infla&ccedil;&atilde;o sobre o pre&ccedil;o dos materiais de constru&ccedil;&atilde;o, a fraca capacidade t&eacute;cnica e financeira dos empreiteiros e a dificuldade em garantir infraestruturas m&iacute;nimas, nomeadamente &aacute;gua e eletricidade. </p>        <p> Neste sentido, a concess&atilde;o de cr&eacute;ditos com uma taxa de juro reduzida, comparativamente com as cobradas pela banca, a fraca capacidade de endividamento dos principais benefici&aacute;rios e o aumento da infla&ccedil;&atilde;o impediram progressivamente o financiamento de novas habita&ccedil;&otilde;es, que, como referimos anteriormente, absorveram a maioria dos recursos despendidos nos dez primeiros anos de atividade do FFH. De acordo com Tique (2007), este facto refor&ccedil;ava a certeza de que a manuten&ccedil;&atilde;o do FFH passaria pelo financiamento sobretudo da urbaniza&ccedil;&atilde;o de novas &aacute;reas habitacionais, atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de talh&otilde;es infraestruturados, recaindo sobre a popula&ccedil;&atilde;o a autoconstru&ccedil;&atilde;o das suas habita&ccedil;&otilde;es, para as quais se poderia vir a estimular a produ&ccedil;&atilde;o de materiais de constru&ccedil;&atilde;o com par&acirc;metros de qualidade que contribu&iacute;ssem para a redu&ccedil;&atilde;o dos custos. Revelava-se urgente a aprova&ccedil;&atilde;o de uma Pol&iacute;tica Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o que orientasse as a&ccedil;&otilde;es e prioridades do setor, bem como uma estrat&eacute;gia clara para a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas habitacionais concentrados sobretudo nos grupos de menores recursos, historicamente exclu&iacute;dos do acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna. Para tal, a habita&ccedil;&atilde;o precisaria voltar a assumir um papel central na agenda pol&iacute;tica nacional, tal como havia acontecido, em parte, nos primeiros anos ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, a par do planeamento territorial.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>        <p> <font size="3"><b>Uma alternativa: reorientar a a&ccedil;&atilde;o do Fundo para aos interesses de mercado</b></font> </p>        <p> Face &agrave; quase extin&ccedil;&atilde;o do FFH, o Decreto n.&ordm; 65/2010 de 31 de Dezembro, publicado em 2010, anunciava uma viragem pol&iacute;tica (Melo, 2015: 14). O FFH passaria a abranger diferentes dom&iacute;nios da promo&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o e a priorizar uma hipot&eacute;tica classe m&eacute;dia nacional, alterando os seus objetivos e diretrizes iniciais, quer ao n&iacute;vel do financiamento dos programas, reflexo do processo de financeiriza&ccedil;&atilde;o em curso (Jorge, 2020), quer da gest&atilde;o dos investimentos, execu&ccedil;&atilde;o e controlo da sua gest&atilde;o. Eram agora objetivos do FFH: (1) coordenar os mecanismos que visem atrair financiamento interno e externo destinados a programas habitacionais do governo central e local; (2) negociar e outorgar acordos e parcerias com vista ao financiamento desses mesmos programas; (3) contrair empr&eacute;stimos, em moeda nacional ou estrangeira; (4) constituir fundos de garantia de investimento de forma onerosa; (5) participar em sociedades que visem o financiamento de programas habitacionais; (6) conceder subs&iacute;dios e proceder ao pagamento de juros bonificados praticados pelas institui&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito para constru&ccedil;&atilde;o e aquisi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;habita&ccedil;&atilde;o social&rdquo;; e (7) recomendar financiamentos externos para projetos de &ldquo;habita&ccedil;&atilde;o social&rdquo; (artigo 2). </p>        <p> Passou a caber igualmente ao FFH gerir os recursos financeiros do governo destinados &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, bem como definir planos de investimento e aprovar as respetivas linhas estrat&eacute;gicas. Por fim, ao n&iacute;vel da execu&ccedil;&atilde;o e controlo da gest&atilde;o, ficou respons&aacute;vel por: (1) assegurar a implementa&ccedil;&atilde;o dos planos de investimento inerentes &agrave; promo&ccedil;&atilde;o habitacional; (2) financiar os programas habitacionais do governo central e local; (3) outorgar contratos com promotores e/ou implementadores dos projetos; (4) acompanhar, monitorar e avaliar a execu&ccedil;&atilde;o dos mesmos; (5) assegurar o reembolso dos fundos de investimento; (6) propor a aprova&ccedil;&atilde;o do valor de venda dos produtos oferecidos pelos programas habitacionais do governo; e (7) desenvolver estudos e pesquisas direcionados para o mercado habitacional (artigo 2). As iniciativas antes dirigidas aos grupos de menores recursos e jovens t&eacute;cnicos qualificados ficavam dependentes do estabelecimento de parcerias com o setor privado e a banca, cobertos pelos recursos e benef&iacute;cios estatais. Os p&uacute;blicos alvo passaram a ser os jovens no geral, funcion&aacute;rios e agentes do Estado, bem como antigos combatentes. </p>        <p> Paralelamente, a Pol&iacute;tica e Estrat&eacute;gia de Habita&ccedil;&atilde;o (Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 19/2011, de 8 de Junho) foi finalmente publicada em 2011. Apresentava-se como um &ldquo;instrumento impulsionador da ind&uacute;stria da constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o, com vista a responder ao d&eacute;fice de habita&ccedil;&atilde;o adequada em Mo&ccedil;ambique&rdquo; (Introdu&ccedil;&atilde;o), prevendo entre as suas linhas de atua&ccedil;&atilde;o: a promo&ccedil;&atilde;o da rede habitacional, sobretudo nas &aacute;reas urbanas; e o est&iacute;mulo de pol&iacute;ticas de constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o a baixo custo, &ldquo;de modo a atender grupos vulner&aacute;veis&rdquo;. No entanto, n&atilde;o especificava os meios dispon&iacute;veis para o efeito, enumerando apenas um conjunto alargado de princ&iacute;pios e inten&ccedil;&otilde;es, tais como: a participa&ccedil;&atilde;o de diferentes segmentos da sociedade; a articula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas intersectoriais; a identifica&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o de recursos financeiros; e a promo&ccedil;&atilde;o de materiais de constru&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do aperfei&ccedil;oamento de t&eacute;cnicas e tecnologias locais. A implementa&ccedil;&atilde;o e financiamento da nova pol&iacute;tica implicavam a cria&ccedil;&atilde;o de um &oacute;rg&atilde;o de coordena&ccedil;&atilde;o interministerial ainda expectante. </p>        <p> Como destaca Melo (2015: 134), o realinhamento do FFH coincidiu, n&atilde;o s&oacute; com a publica&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica e Estrat&eacute;gia de Habita&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m com a estrutura&ccedil;&atilde;o do sistema de planeamento e gest&atilde;o urbana [<a name="top24" id="top24"></a><a href="#24">24</a>] e a expetativa de um forte crescimento econ&oacute;mico, decorrente da descoberta e explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais globalmente estrat&eacute;gicos, com forte impacto na promo&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o habitacional ao n&iacute;vel da &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, alvo de maior press&atilde;o imobili&aacute;ria. A partir desta altura, as aten&ccedil;&otilde;es passaram a cingir-se sobretudo &agrave; entrada de capital estrangeiro e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do mercado imobili&aacute;rio, nomeadamente atrav&eacute;s: da cria&ccedil;&atilde;o de grandes infraestruturas, como a Grande Circular de Maputo e a ponte entre Maputo e a KaTembe, j&aacute; previstas no Plano de Estrutura Urbana do Munic&iacute;pio de Maputo de 2008; e da constru&ccedil;&atilde;o de novos empreendimentos imobili&aacute;rios, parte deles apoiados pelo FFH e dirigidos sobretudo a uma hipot&eacute;tica classe m&eacute;dia (Jorge, 2019, 2020).</p>    Entre 2011 e 2018, o FFH atribuiu 1.372 fogos e 1.666 talh&otilde;es infraestruturados, atrav&eacute;s do acesso ao cr&eacute;dito, mantendo igualmente abertas as linhas de cr&eacute;dito destinadas &agrave; autoconstru&ccedil;&atilde;o, amplia&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o, o que significa que todo e qualquer benefici&aacute;rio passou a ter de garantir capacidade de endividamento (atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o do extrato banc&aacute;rio dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses e da declara&ccedil;&atilde;o da entidade patronal confirmando o sal&aacute;rio l&iacute;quido auferido e o tipo de v&iacute;nculo contratual celebrado)[<a name="top25" id="top25"></a><a href="#25">25</a>]. A &Aacute;rea Metropolitana de Maputo continuou a concentrar grande parte das interven&ccedil;&otilde;es realizadas (ver <a href="#f3">figura 3</a>), destacando-se uma vez mais no topo dos investimentos a constru&ccedil;&atilde;o de novos conjuntos habitacionais, nomeadamente: (1) a paradigm&aacute;tica Vila Ol&iacute;mpica (2011), financiada inicialmente pelo Fundo de Investimento do Estado Portugu&ecirc;s e duas empresas de constru&ccedil;&atilde;o portuguesas, num total de 848 fogos (ver Melo, 2015), e numa segunda fase pelo grupo de Macau Charlestrong, com mais 240 unidades habitacionais (ver <a href="#f4">figura 4</a>); (2) a Vila Sol (2015), em parceria com a empresa chinesa China Jiang Su, no bairro do Triunfo, em Maputo, com 100 fogos conclu&iacute;dos e mais 108 projetados; (3) a Cidade Ideal da Guoji (2012), em parceria com o grupo chin&ecirc;s Hena Gouji, na Matola, estimando-se um total de 5.000 casas, 500 das quais j&aacute; constru&iacute;das (ver <a href="#f5">figura 5</a>); e (4) o empreendimento Misau (2015-2018), em parceria com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, tamb&eacute;m na Matola, com 32 fogos conclu&iacute;dos.     <p>&nbsp;</p> <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n41/n41a14f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n41/n41a14f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f5" id="f5"></a><img src="/img/revistas/cct/n41/n41a14f5.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ao n&iacute;vel da atribui&ccedil;&atilde;o de talh&otilde;es infraestruturados, destaca-se a iniciativa realizada no Picoco, em Boane, j&aacute; objeto de interven&ccedil;&atilde;o nos primeiros anos de atividade do FFH. Do ponto de vista da atribui&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos &agrave; autoconstru&ccedil;&atilde;o e &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o, o investimento recaiu em outros dois bairros tamb&eacute;m j&aacute; intervencionados, nomeadamente as Mahotas, em Maputo, e Congolote, na Matola. Por fim, a &uacute;nica iniciativa dirigida ao cr&eacute;dito &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o foi desencadeada em Cumbeza, em Marracuene. Mais recentemente, destaca-se ainda o projeto Renascer, lan&ccedil;ado em 2019 na Feira Internacional de Maputo, dirigido a quem pretende construir uma moradia unifamiliar a custos controlados, tem talh&atilde;o pr&oacute;prio, com t&iacute;tulo de direito de uso e aproveitamento da terra, e aufere de um rendimento mensal entre um e cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos[<a name="top26" id="top26"></a><a href="#26">26</a>]. Numa primeira fase, o projeto visa a dissemina&ccedil;&atilde;o do conceito de habita&ccedil;&atilde;o condigna e acess&iacute;vel, prevendo-se a constru&ccedil;&atilde;o de 100 casas na vila da Manhi&ccedil;a, especificamente nos bairros de Cambeve (50) e Balucuene (50). Os benefici&aacute;rios poder&atilde;o suportar os custos inerentes atrav&eacute;s de presta&ccedil;&otilde;es mensais por um per&iacute;odo de at&eacute; 20 anos, a uma taxa de juro de 0%, e sem quaisquer taxas adicionais ao custo de constru&ccedil;&atilde;o da casa.</p>     <p> Em complemento, o FFH lan&ccedil;ou um inqu&eacute;rito on-line sobre necessidades de habita&ccedil;&atilde;o em Mo&ccedil;ambique [<a name="top27" id="top27"></a><a href="#27">27</a>], com vista a avaliar os n&iacute;veis de procura dos &ldquo;produtos disponibilizados&rdquo; e estabelecer uma base de dados de apoio &agrave; tomada de decis&atilde;o sobre a distribui&ccedil;&atilde;o de projetos habitacionais a n&iacute;vel nacional e a avalia&ccedil;&atilde;o da capacidade de endividamento dos interessados. Para al&eacute;m da indica&ccedil;&atilde;o dos rendimentos auferidos, solicita-se ao inquirido a identifica&ccedil;&atilde;o do projeto-tipo da sua prefer&ecirc;ncia (habita&ccedil;&atilde;o &ldquo;chaves na m&atilde;o&rdquo;, terra infraestruturada ou constru&ccedil;&atilde;o assistida atrav&eacute;s de acesso a cr&eacute;dito), do modelo habitacional (vivenda ou apartamento) e respetiva tipologia (T0 a T4), bem como do valor que estaria disposto a pagar mensalmente e por quanto tempo (10, 15 ou 20 anos). Ao se tratar de um inqu&eacute;rito on-line, o seu alcance ser&aacute; &agrave; partida limitado e pouco representativo, n&atilde;o permitindo uma avalia&ccedil;&atilde;o alargada do tipo de resposta habitacional mais procurada e da real capacidade de endividamento dos benefici&aacute;rios, em particular dos de menores recursos, em grande parte dependentes da economia informal e, por isso, sem fontes de rendimento fixo e est&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Conclus&atilde;o: um olhar sobre o passado, o presente e os desafios do futuro</b></font> </p>     <p> Fazendo um balan&ccedil;o do caminho percorrido, na primeira d&eacute;cada de atividade, a resposta dirigida aos grupos de menores recursos cingiu-se &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, caracterizada pela atribui&ccedil;&atilde;o de um talh&atilde;o infraestruturado e pela autoconstru&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o, correspondendo a uma &iacute;nfima parte do investimento total realizado (6%). Mesmo nestes casos, o acesso a um talh&atilde;o esteve dependente do pagamento pr&eacute;vio de 20% do valor cobrado pelas benfeitorias realizadas, sendo o remanescente coberto atrav&eacute;s de pagamentos mensais at&eacute; 20 anos e da aplica&ccedil;&atilde;o de uma taxa de juro de 8%. Nos &uacute;ltimos dez anos, ap&oacute;s as altera&ccedil;&otilde;es introduzidas em 2010 no dom&iacute;nio do financiamento dos programas e da gest&atilde;o dos investimentos, manteve-se a atribui&ccedil;&atilde;o de talh&otilde;es apenas no Picoco, em Boane. Contudo, passou a ser exigida capacidade de endividamento, impedindo o acesso a uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o, sem conta banc&aacute;ria, nem contrato de trabalho, por exemplo. Em contrapartida, o projeto Renascer lan&ccedil;ado em 2019 dissemina o conceito de habita&ccedil;&atilde;o digna e acess&iacute;vel, dirigindo-se aos que ganham entre um e cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos. A cria&ccedil;&atilde;o de uma linha de cr&eacute;dito com uma taxa de juro de 0% para aceder a uma habita&ccedil;&atilde;o evolutiva abriria o leque de benefici&aacute;rios, mas a exig&ecirc;ncia de talh&atilde;o pr&oacute;prio com t&iacute;tulo de direito de uso e aproveitamento da terra pode torn&aacute;-la, uma vez mais, inacess&iacute;vel para muitos. De acordo com a l&oacute;gica de mercado dominante, o acesso &agrave; terra e a um t&iacute;tulo, sobretudo nos meios urbanos, &eacute; cada vez mais restrito e condicionado. </p>     <p> Face &agrave; incapacidade t&eacute;cnica e financeira para suprir o d&eacute;fice habitacional, mas tamb&eacute;m &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica seguida nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, Mo&ccedil;ambique enfrenta hoje v&aacute;rios desafios ao n&iacute;vel do acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna, nomeadamente ao n&iacute;vel da &Aacute;rea Metropolitana de Maputo, sobre a qual se centrou a an&aacute;lise. Mesmo concentrando a&iacute; uma parte substancial das interven&ccedil;&otilde;es desencadeadas com o apoio do FFH, a resposta habitacional dirigida aos grupos de menores recursos revelou-se insignificante, n&atilde;o representando a sua principal linha de atua&ccedil;&atilde;o, como revela a distribui&ccedil;&atilde;o dos investimentos realizados e as condi&ccedil;&otilde;es de acesso exigidas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica [<a name="top28" id="top28"></a><a href="#28">28</a>], at&eacute; 2030 estima-se que o n&uacute;mero de habitantes da prov&iacute;ncia de Maputo aumente cerca de 37% e, at&eacute; 2050, 62%, comparativamente com os dados do Censo de 2017. Face a este cont&iacute;nuo processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, as iniciativas do FFH reiteram, em 2010, um alinhamento com as necessidades e expetativas de uma pretensa classe m&eacute;dia, com comprovada capacidade de endividamento, beneficiando igualmente o setor empresarial e a banca, que passam a beneficiar diretamente de recursos e apoios estatais. Tudo indica que este aumento demogr&aacute;fico continue a refletir-se na densifica&ccedil;&atilde;o das margens urbanas, atrav&eacute;s da subdivis&atilde;o de talh&otilde;es e do aumento da &aacute;rea constru&iacute;da, quer em extens&atilde;o, quer em altura, bem como na expans&atilde;o das &aacute;reas mais perif&eacute;ricas, consumindo reminisc&ecirc;ncias da vida rural de outrora (Beja e Jorge, 2019). </p>     <p> A densifica&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o do espa&ccedil;o urbano trazem consigo desafios acrescidos, n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista do acesso &agrave; terra e &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, requerendo o emprego de materiais, t&eacute;cnicas e tecnologias construtivas mais acess&iacute;veis e sustent&aacute;veis, mas tamb&eacute;m do acesso a infraestruturas b&aacute;sicas, nomeadamente &aacute;gua, eletricidade e saneamento, equipamentos e transportes. Neste sentido, o acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna implicar&aacute; sempre a coordena&ccedil;&atilde;o intersectorial de um vasto leque de agentes e institui&ccedil;&otilde;es (p&uacute;blicos, privados e do terceiro setor), que, desde o in&iacute;cio da cria&ccedil;&atilde;o do FFH, se tem revelado dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar ou manter. Simultaneamente, implicar&aacute; um trabalho de continuidade e proximidade com as comunidades locais, de forma a aferir as reais necessidades, capacidades e expectativas dos benefici&aacute;rios de interven&ccedil;&otilde;es ou programas de promo&ccedil;&atilde;o habitacional, principalmente no caso dos grupos de menores recursos. Se a problem&aacute;tica habitacional se limitar &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a oferta e a procura, seguindo a l&oacute;gica de mercado dominante, grande parte da popula&ccedil;&atilde;o urbana continuar&aacute; impossibilitada de aceder nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas a uma habita&ccedil;&atilde;o condiga. </p>     <p> A garantia do direito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, consagrado na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica de Mo&ccedil;ambique (artigo 91), implicar&aacute; assim uma mudan&ccedil;a de paradigma e uma invers&atilde;o dos investimentos realizados ao n&iacute;vel do FFH. Face ao atual contexto e &agrave; experi&ecirc;ncia do passado, destacam-se tr&ecirc;s n&iacute;veis de atua&ccedil;&atilde;o considerados priorit&aacute;rios e cumulativos: a promo&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o e, principalmente, de solo urbaniz&aacute;vel aos grupos de menores recursos, exigindo-se contrapartidas dos neg&oacute;cios e projetos imobili&aacute;rios realizados; a cria&ccedil;&atilde;o de novas centralidades que garantam espa&ccedil;os e servi&ccedil;os coletivos de qualidade, nomeadamente transportes, equipamentos e &aacute;reas perme&aacute;veis de recrea&ccedil;&atilde;o e lazer, contrariando a periferiza&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o da pobreza; e a promo&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o de materiais, t&eacute;cnicas e tecnologias construtivas sustent&aacute;veis e acess&iacute;veis, capazes de garantir maior qualidade construtiva e durabilidade face a poss&iacute;veis futuros eventos climat&eacute;rios extremos, como ciclones ou temporais. A quem cabe essa responsabilidade? Parafraseando Forjaz, &ldquo;a toda a sociedade&rdquo;, que, ao estar esclarecida, deve exigir o cumprimento dos seus direitos (2018: 144).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Beja, A., Jorge, S. (2019) &ldquo;Uma paisagem em muta&ccedil;&atilde;o: o caso do Bairro dos Pescadores em Maputo, Mo&ccedil;ambique&rdquo;, <i>Finisterra</i>, LIV(112), pp. 145-162. </p>     <p> Cahen, M. (1987) <i> Mozambique, l&aacute; r&eacute;volution implos&eacute;e : &eacute;tudes sur 12 ans d&rsquo;ind&eacute;pendance (1975-1987) </i> , Paris: L&rsquo;Harmattan. </p>     <p> Carrilho, J., Lage, L. (2009) &ldquo;Desafios no dom&iacute;nio da habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, in L. Brito, C. Castel-Branco, S. Chichava, A. Francisco (orgs.), <i>Desafios para Mo&ccedil;ambique, 2010</i>. Maputo: Instituto de Estudos Sociais e Econ&oacute;micos, pp. 319-322. </p>     <p> Castel-Branco, C. (2011) &ldquo;Depend&ecirc;ncia da ajuda externa, acumula&ccedil;&atilde;o e <i>ownership</i> contribui&ccedil;&atilde;o para um debate de economia pol&iacute;tica&rdquo;, in L. Brito, C. Castel-Branco, S. Chichava, A. Francisco (orgs.), <i>Desafios para Mo&ccedil;ambique, 2010</i>. Maputo: Instituto de Estudos Sociais e Econ&oacute;micos, pp. 401-466. </p>     <p> Eys, T. (2002) &ldquo;Solidariedade com os pobres ou com&eacute;rcio no mercado de desenvolvimento? As organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais em Mo&ccedil;ambique&rdquo;, <i>Lusotopie</i>, pp. 145-159. </p>     <p> Faur&eacute;, Y. (2012) &ldquo;Angola e Mo&ccedil;ambique: de uma descentraliza&ccedil;&atilde;o prometida a uma descentraliza&ccedil;&atilde;o t&iacute;mida&rdquo;, in Y. Faur&eacute;, C. Rodrigues (orgs.), <i> Descentraliza&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Local em Angola e Mo&ccedil;ambique: Processos, Terrenos e Atores </i> . Coimbra: Almedina, pp. 295-354. </p>     <!-- ref --><p> Forjaz, J. (2018) <i>Pensar Arquitetura</i>, Casal de Cambra/Maputo: Caleidosc&oacute;pio/Kapicua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703093&pid=S2182-3030202000020001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Geffray, C. (1991) <i> A causa das armas: antropologia da guerra contempor&acirc;nea em Mo&ccedil;ambique </i> . Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703095&pid=S2182-3030202000020001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) (2019) IV Recenseamento Geral da Popula&ccedil;&atilde;o e Habita&ccedil;&atilde;o 2017: Resultados Definitivos Mo&ccedil;ambique, Maputo: Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703097&pid=S2182-3030202000020001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Jenkins, P. (1998) National and International shelter policy initiatives in Mozambique: housing the urban poor at the periphery, Tese de doutoramento em Planning and Housing. Edimburgo: School of Planning &amp; Housing Edinburgh College of Art, Heriot-Watt University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703099&pid=S2182-3030202000020001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Jenkins, P. (2000) &ldquo;Urban management, urban poverty and urban governance: planning and land management in Maputo&rdquo;, <i>Environment and Urbanization</i>, 12(1), pp. 137-152. </p>     <!-- ref --><p> Jenkins, P. (2001) <i> Mercados de terras urbanas no Mo&ccedil;ambique p&oacute;s-socialismo, Seu impacto sobre a popula&ccedil;&atilde;o vulner&aacute;vel: alternativas para melhorar o acesso &agrave; terra e o processo de desenvolvimento urbano </i> , Edimburgo/Maputo: Centre for Environment &amp; Human Settlements, Centro de Estudos e Desenvolvimento do Habitat, da Faculdade de Arquitetura e Planeamento F&iacute;sico da Universidade Eduardo Mondlane.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703102&pid=S2182-3030202000020001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Jorge, S. (2016) &ldquo;A lei e sua exce&ccedil;&atilde;o: o caso dos bairros pericentrais autoproduzidos de Maputo&rdquo;, <i>Direito da Cidade</i>, 5(8), pp. 1543-83. </p>     <!-- ref --><p> Jorge, S. (2017) Lugares interditos: os bairros pericentrais autoproduzidos de Maputo, Tese de Doutoramento em Urbanismo. Lisboa: Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703105&pid=S2182-3030202000020001400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Jorge, S. (2019) &ldquo;Prohibited Places: the pericentral self-produced neighbourhoods of Maputo in the neoliberal context&rdquo;, in E. Leary-Owhin, P. MCarthy (eds.) <i>The Routledge handbook of Henri Lefebvre, the city and urban society</i> , Londres/Nova Iorque: Routledge, pp. 99-107. </p>     <p> Jorge, S. (2020) &ldquo;The financialization process of land and housing in the Mozambican capital: The case of pericentral self-produced spaces&rdquo;, <i>Housing Policy Debate: Financialization of Home in the Global South</i>, 30. </p>     <!-- ref --><p> Lachartre, B. (2000) <i>Enjeux urbains au Mozambique. </i> <i>De Louren&ccedil;o Marques &agrave; Maputo</i>, Paris: Karthala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703109&pid=S2182-3030202000020001400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Lopes, C., Amado, F., Muanamoha, R. (2007) &ldquo;Din&acirc;micas populacionais em Luanda e Maputo&rdquo;, in J. Oppenheimer, I. Raposo (coords.) <i>Sub&uacute;rbios de Luanda e Maputo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri. </p>     <!-- ref --><p> Mazembe, A. (2006) <i> GUHARLM, Experi&ecirc;ncia de gest&atilde;o de terras metropolitanas no Grande Maputo no per&iacute;odo anterior &agrave; Independ&ecirc;ncia Nacional </i> , Maputo: Estudo para o Programa de Apoio &agrave; Estrat&eacute;gia de Gest&atilde;o Ambiental para a &Aacute;rea da Grande Maputo, Mo&ccedil;ambique.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703112&pid=S2182-3030202000020001400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Mazzolini, A. (2016) &ldquo;The Rising &ldquo;Floating Class&rdquo; in Sub-Saharan Africa and Its Impact on Local Governance: Insights from Mozambique&rdquo;, in C. Silva (ed.) <i>Governing Urban Africa</i>, Londres: Palgrave, pp. 213-246. </p>     <p> Melo, V., Jenkins, P. (2019) &ldquo;Between normative product-oriented and alternative process-oriented urban planning praxis: how can these jointly impact on the rapid development of metropolitan Maputo, Mozambique?&rdquo;, <i>International Planning Studies</i>, pp. 1-19. </p>     <!-- ref --><p> Melo, V. (2015) A produ&ccedil;&atilde;o recente de periferias urbanas africanas. Discursos, pr&aacute;ticas e configura&ccedil;&atilde;o espacial: Maputo versus Luanda e Joanesburgo, Tese de doutoramento em Urbanismo. Lisboa: Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703116&pid=S2182-3030202000020001400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Oppenheimer, J., Raposo, I. (2002) A coopera&ccedil;&atilde;o direcionada para os grupos vulner&aacute;veis no contexto da concentra&ccedil;&atilde;o urbana acelerada, 1. A pobreza em Maputo, Lisboa: Minist&eacute;rio do Trabalho e da Solidariedade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703118&pid=S2182-3030202000020001400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Raposo, I. (2007) &ldquo;Instrumentos e pr&aacute;ticas de planeamento e gest&atilde;o dos bairros peri-urbanos de Luanda e Maputo&rdquo;, in J. Oppenheimer, I. Raposo (coords.) <i>Sub&uacute;rbios de Luanda e Maputo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, pp. 219-246. </p>     <p> Raposo, I., Ribeiro, M. (2007) &ldquo;As ONG, um novo actor do desenvolvimento urbano em Luanda e Maputo&rdquo;, in J. Oppenheimer, I. Raposo (coords.) <i>Sub&uacute;rbios de Luanda e Maputo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, pp. 175-218. </p>     <p> Raposo, I., Salvador, C. (2007) &ldquo;H&aacute; diferen&ccedil;a: ali &eacute; cidade, aqui &eacute; sub&uacute;rbio: urbanidade dos bairros, tipos e estrat&eacute;gias de habita&ccedil;&atilde;o em Luanda e Maputo&rdquo;, in J. Oppenheimer, I. Raposo (coords.) <i>Sub&uacute;rbios de Luanda e Maputo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, pp. 105-138. </p>     <p> Ribeiro, M., Cunha, N. (2001) &ldquo;Efeitos Urbanos das ONGs. As experi&ecirc;ncias da gest&atilde;o urbana e do microcr&eacute;dito em Maputo&rdquo;, <i>Cadernos de Estudos Africanos</i>, pp. 85-97. </p>     <p> Serra, C. (2013) &ldquo;Transmissibilidade dos direitos de uso e aproveitamento da terra em Mo&ccedil;ambique&rdquo;, in C. Serra, J. Carrilho (coords.) <i>Din&acirc;mica da Ocupa&ccedil;&atilde;o e do Uso da Terra em Mo&ccedil;ambique</i>, Maputo: Escolar Editora, pp. 51-73. </p>     <!-- ref --><p> Tique, J. (2007) Habita&ccedil;&atilde;o e meio ambiente. Crit&eacute;rios operativos e instrumentos metodol&oacute;gicos para o planeamento de empreendimentos habitacionais de interesse social (Estudos de caso do Fundo de Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o), Tese de doutoramento em Tecnologia energetiche e ambiental per lo sviluppo, Roma: Universit&agrave; degli Studi di Roma La Sapienza.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703125&pid=S2182-3030202000020001400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Vivet, J. (2012) <i> D&eacute;plac&eacute;s de guerre dans la ville : La citadinisation des deslocados &agrave; Maputo (Mozambique) </i> , Paris: Karthala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703127&pid=S2182-3030202000020001400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Water and Sanitation Program-Africa Region (WSP-AF), <i> Programa Nacional de Saneamento em Mo&ccedil;ambique: pioneiro no Saneamento Suburbano </i> , Nairobi: WSP-AF, World Bank,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1703129&pid=S2182-3030202000020001400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> World Bank Group (2016) <i> Accelerating Poverty Reduction in Mozambique: Challenges and Opportunities </i> &rdquo;, Washington: World Bank.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 08-04-2020; Aceite: 21-09-2020</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>]Dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica relativos aos Censos de 2017 (INE, 2019) e ao respetivo cruzamento com os recolhidos em 2007, dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ine.gov.mz/iv-rgph-2017/mocambique/apresentacao-resultados-do-censo-2017-1" target="_blank">http://www.ine.gov.mz/iv-rgph-2017/mocambique/apresentacao-resultados-do-censo-2017-1</a> [acesso em Outubro de 2019]. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>]Seguimos a leitura de &Aacute;rea Metropolitana de Maputo realizada por Melo e Jenkins (2019: 4). </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>]A designa&ccedil;&atilde;o de palhota &eacute; descrita como &ldquo;casa cujo material predominante na constru&ccedil;&atilde;o &eacute; de origem vegetal (cani&ccedil;o, capim, palha, palmeira, colmo, bambu, etc.)&rdquo; (INE, 2019: 13) <a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>]Esta percentagem engloba as casas ocupadas por inquilinos da Administra&ccedil;&atilde;o do Parque Imobili&aacute;rio do Estado.      <p><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>]Considera-se que &ldquo;a casa n&atilde;o tem retrete/latrina quando os seus ocupantes utilizam o mato, praia, rios, etc., para fazer as suas necessidades&rdquo; (INE, 2019: 14). Uma latrina n&atilde;o melhorada corresponde a uma fossa coberta de bambu e troncos para proporcionar suporte ao utente, geralmente vedada (Ibidem). </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>]O Plano de Estrutura Urbana do Munic&iacute;pio de Maputo foi aprovado em 2008 e o da Matola em 2010, ambos elaborados pelo Centro de Estudos e Desenvolvimento do Habitat, da Faculdade de Arquitetura e Planeamento F&iacute;sico da Universidade Eduardo Mondlane. Posteriormente, desenvolveram-se v&aacute;rios planos parciais de urbaniza&ccedil;&atilde;o, sobretudo ao n&iacute;vel do munic&iacute;pio de Maputo (ver, e.g., Jorge, 2017; Melo e Jenkins, 2019). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>]Projeto coordenado por Isabel Raposo, com financiamento da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e da Aga Khan Development Network (IC&amp;DT/PALOP/FCT-AKDN/333121392/2018). Mais informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em: <a href="http://africahabitat.gestual.fa.ulisboa.pt" target="_blank">http://africahabitat.gestual.fa.ulisboa.pt</a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>]A Frelimo &ndash; Frente de Liberta&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique &ndash; &eacute; o partido no poder desde a independ&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>]Segundo o artigo 8.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Popular de Mo&ccedil;ambique de 1975 e o Decreto-Lei n.&ordm; 5/76, de 5 de Fevereiro, respetivamente. Mais tarde, em 1979, foi publicada a Lei de Terras &ndash; Lei n.&ordm; 6/79, de 3 de Julho. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>]Conflito armado, conhecido como &ldquo;guerra dos dezasseis anos&rdquo; ou &ldquo;guerra de desestabiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, travado entre o partido no poder &ndash; Frelimo &ndash; e a Renamo (ver Geffray, 1991). Terminou a 4 de Outubro de 1992, com a assinatura do Acordo de Paz.</font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>]Dados relativos apenas ao munic&iacute;pio de Maputo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>]Acordo de n&atilde;o-agress&atilde;o e de boa vizinhan&ccedil;a assinado a 16 de Mar&ccedil;o de 1984 entre Mo&ccedil;ambique e a vizinha &Aacute;frica do Sul. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>]Atrav&eacute;s da publica&ccedil;&atilde;o da Lei n.&ordm; 5/1991, de 9 de Janeiro. Passou a ser poss&iacute;vel construir im&oacute;veis para venda ou arrendamento, bem como exercer qualquer atividade imobili&aacute;ria, desde que devidamente autorizada (artigo 1.&ordm;). Simultaneamente, os inquilinos que ocupavam im&oacute;veis do Estado ou fra&ccedil;&otilde;es aut&oacute;nomas desses im&oacute;veis passaram a pode adquiri-los (artigo 2.&ordm;). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>]Ao abrigo do Diploma Ministerial n.&ordm; 97/92, de 8 de Julho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>]Os dados apresentados nos pr&oacute;ximos par&aacute;grafos desta parte do artigo s&atilde;o retirados da tese de doutoramento desenvolvida por Tique (2007), sobre crit&eacute;rios operativos e instrumentos metodol&oacute;gicos para o planeamento de empreendimentos habitacionais de interesse social, tomando precisamente como caso de estudo o FFH. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>]As dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais atribu&iacute;das ao Fundo pelo Estado ascenderam, at&eacute; 2004, os 162 milh&otilde;es de meticais. Tendo em conta que as receitas arrecadadas atrav&eacute;s da aliena&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nio do Estado se aproximaram dos 1.038 mil milh&otilde;es de meticais, significa que apenas 15% deste valor serviu para financiar as atividades o Fundo. Neste sentido, o Estado contribui com perto de 60% do or&ccedil;amento do Fundo, sendo os restantes 40% conseguidos a partir da venda dos im&oacute;veis constru&iacute;dos pelo Fundo, do reembolso dos cr&eacute;ditos e da venda de im&oacute;veis inacabados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="19" id="19"></a>[<a href="#top19">19</a>]Cada talh&atilde;o tinha em m&eacute;dia 15 metros de largura por 30 de profundidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="20" id="20"></a>[<a href="#top20">20</a>]Cada habita&ccedil;&atilde;o custou, em m&eacute;dia, 230 d&oacute;lares por m<sup>2</sup>, variando o seu valor final entre os 6.000 e os 10.000 d&oacute;lares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="21" id="21"></a>[<a href="#top21">21</a>]Entre 1995 e 2005, o sistema financeiro nacional operou nos cr&eacute;ditos &agrave; habita&ccedil;&atilde;o com taxas de juro entre os 18 e os 40%. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p><a name="22" id="22"></a>[<a href="#top22">22</a>]C&aacute;lculo realizado a partir dos dados recolhidos no Relat&oacute;rio Final do Fundo para o Fomento &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o, relativo ao Terceiro Contrato-Programa acordado com o governo. </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="23" id="23"></a>[<a href="#top23">23</a>]O FFH geralmente garantia o acesso &agrave; rede de &aacute;gua e eletricidade nos tro&ccedil;os principais, cabendo aos moradores a liga&ccedil;&atilde;o aos respetivos talh&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="24" id="24"></a>[<a href="#top24">24</a>]Em 2007, foi publicada a Pol&iacute;tica Nacional de Ordenamento do Territ&oacute;rio (Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 18/2007, de 30 de Maio), seguindo-se a aprova&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias leis, decretos, regulamentos e diretivas complementares (ver, e.g., Jorge, 2016), que passaram a enquadrar os planos e projetos entretanto elaborados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="25" id="25"></a>[<a href="#top25">25</a>]De acordo com informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ffh.gov.mz/sobre-o-ffh" target="_blank">https://www.ffh.gov.mz/sobre-o-ffh</a> (acesso realizado em Mar&ccedil;o de 2020). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="26" id="26"></a>[<a href="#top26">26</a>]De acordo com informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ffh.gov.mz/noticias-eventos/implementacao-do-projecto-renascer" target="_blank">https://www.ffh.gov.mz/noticias-eventos/implementacao-do-projecto-renascer</a> (acesso realizado em Mar&ccedil;o de 2020). </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="27" id="27"></a>[<a href="#top27">27</a>]Dispon&iacute;vel em: <a href="http://bit.ly/formularioFFH" target="_blank">http://bit.ly/formularioFFH</a> (acesso realizado em Mar&ccedil;o de 2020).     <p><a name="28" id="28"></a>[<a href="#top28">28</a>]Dados dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.ine.gov.mz/iv-rgph-2017/projeccoes-da-populacao-2017-2050/maputo-provincia.xls/view" target="_blank">http://www.ine.gov.mz/iv-rgph-2017/projeccoes-da-populacao-2017-2050/maputo-provincia.xls/view</a> (acesso realizado em Mar&ccedil;o de 2020).                                                                               </font>     ]]></body><back>
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