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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Das pedras mortas às práticas vivas: Do património material à relevância do património imaterial]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Important changes associated with the concept of heritage occurred in Portuguese society after the 25th of April. To its extent, Portugal followed and integrated in its practices of safeguarding and enhancing heritage the main European cultural perspectives in reformulation since the 1960s, and which deepened especially in the 1970s and 1980s. In the last two decades, monumentalist conceptions of heritage and centralist state policies that monopolize the safeguarding and definition of heritage, as a symbol of national power and identity, have been challenged. As a cultural institution, not only does heritage no longer concern only monumental buildings, but also the perspectives of other social actors are now part of the definition of heritage. Heritage boom - an expression that dramatizes the social phenomenon of the explosion of heritage sites, considered as the “modern obsession” for the past idealized due to the accelerated loss of solid references in a globalized world in constant change (Hewison, 1987; Lowenthal, 2002- 1985]) -, also arrived in Portugal. In the past 20 years, Portugal has also been involved in the discussion about the new categories of heritage, symbols and representations of the distant or recent past that the advance of modernity put at risk of destruction or oblivion. Thus, forms of erudite or vernacular architecture, urban and rural, public and private or monumental and non-monumental buildings, old industrial buildings, cities or urban complexes, landscapes and ecological environments at risk, skills, techniques, marginalized and regressing activities and cultures tend to become heritage. The growth and certification of the “intangible heritage” category is a powerful weapon of political pressure for the extension of heritage assets. It is, however, a form of ambivalent political pressure. It can either provide communities, particularly rural communities, with instruments to minimize the marginalization they have suffered, or mask it through artificial processes to safeguard heritage assets that have already lost the social actors that supported them.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Política do património]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Das pedras mortas &agrave;s pr&aacute;ticas vivas: Do patrim&oacute;nio material &agrave; relev&acirc;ncia do patrim&oacute;nio imaterial </font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> From dead stones to living practices: from material heritage to the relevance of intangible heritage</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Manuela Reis<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">CIES-Iscte, Portugal. e-mail: <a href="mailto:manuela.reis@iscte-iul.pt" target="_blank">manuela.reis@iscte-iul.pt</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>Acompanhando perspectivas culturais europeias, em reformula&ccedil;&atilde;o desde os anos 1960, que se aprofundaram sobretudo nos anos 1970/80, importantes transforma&ccedil;&otilde;es associadas ao conceito de patrim&oacute;nio ocorreram na sociedade portuguesa do p&oacute;s-25 de Abril. Herdeira de concep&ccedil;&otilde;es monumentalistas do patrim&oacute;nio e de pol&iacute;ticas centralistas que concentraram no Estado a exclusividade da sua preserva&ccedil;&atilde;o, cabendo-lhe enunciar o patrim&oacute;nio a proteger e consagrar para o usar como s&iacute;mbolo do poder e da identidade nacional, a sociedade portuguesa foi nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas desafiada por aquelas concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas patrimoniais. Enquanto institui&ccedil;&atilde;o cultural, n&atilde;o s&oacute; o patrim&oacute;nio deixou de confinar-se aos edif&iacute;cios de car&aacute;cter hist&oacute;rico-monumental, como tamb&eacute;m a sua defini&ccedil;&atilde;o passou a integrar perspectivas de outros protagonistas al&eacute;m do Estado. Express&atilde;o inventada para dramatizar o fen&oacute;meno social da explos&atilde;o de s&iacute;tios patrimoniais, considerado como a &ldquo;obsess&atilde;o moderna&rdquo; pelo passado idealizado perante a acelerada perda de refer&ecirc;ncias s&oacute;lidas de um mundo globalizado em constante muta&ccedil;&atilde;o (Hewison, 1987; Lowenthal, 2002- [1985]), o heritage boom trouxe tamb&eacute;m &agrave; sociedade portuguesa a discuss&atilde;o sobre novas categorias de bens culturais patrimonializ&aacute;veis, s&iacute;mbolos e representa&ccedil;&otilde;es do passado long&iacute;nquo ou mais recente que o avan&ccedil;o da modernidade coloca em risco de destrui&ccedil;&atilde;o ou esquecimento. Formas de arquitectura erudita ou vernacular, urbana e rural, edif&iacute;cios p&uacute;blicos e privados, monumentais e n&atilde;o monumentais, velhos edif&iacute;cios industriais, cidades ou conjuntos urbanos, paisagens e contextos ecol&oacute;gicos em risco, saberes, t&eacute;cnicas, actividades e culturas em regress&atilde;o ou subalternizadas convertem-se tendencialmente em patrim&oacute;nio. O crescimento e a certifica&ccedil;&atilde;o da categoria &ldquo;patrim&oacute;nio imaterial&rdquo; constitui-se como um poderoso meio de press&atilde;o pol&iacute;tica para a extens&atilde;o dos bens patrimonializ&aacute;veis. Press&atilde;o pol&iacute;tica, contudo, ambivalente, que tanto pode dotar as comunidades, nomeadamente rurais, de instrumentos para minimizar o processo de marginaliza&ccedil;&atilde;o a que foram sendo sujeitas, quanto, pelo contr&aacute;rio, mascarar essa marginaliza&ccedil;&atilde;o, ou, at&eacute;, exponenci&aacute;-la, atrav&eacute;s da imposi&ccedil;&atilde;o de processos artificiais de salvaguarda de patrim&oacute;nios que perderam os actores principais da sua sustenta&ccedil;&atilde;o. </p> <b>Palavras-chave:</b> Pol&iacute;tica do patrim&oacute;nio, patrim&oacute;nio material e imaterial, comunidades.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">Important changes associated with the concept of heritage occurred in Portuguese society after the 25th of April. To its extent, Portugal followed and integrated in its practices of safeguarding and enhancing heritage the main European cultural perspectives in reformulation since the 1960s, and which deepened especially in the 1970s and 1980s. In the last two decades, monumentalist conceptions of heritage and centralist state policies that monopolize the safeguarding and definition of heritage, as a symbol of national power and identity, have been challenged. As a cultural institution, not only does heritage no longer concern only monumental buildings, but also the perspectives of other social actors are now part of the definition of heritage. Heritage boom - an expression that dramatizes the social phenomenon of the explosion of heritage sites, considered as the &ldquo;modern obsession&rdquo; for the past idealized due to the accelerated loss of solid references in a globalized world in constant change (Hewison, 1987; Lowenthal, 2002- 1985]) -, also arrived in Portugal. In the past 20 years, Portugal has also been involved in the discussion about the new categories of heritage, symbols and representations of the distant or recent past that the advance of modernity put at risk of destruction or oblivion. Thus, forms of erudite or vernacular architecture, urban and rural, public and private or monumental and non-monumental buildings, old industrial buildings, cities or urban complexes, landscapes and ecological environments at risk, skills, techniques, marginalized and regressing activities and cultures tend to become heritage. The growth and certification of the &ldquo;intangible heritage&rdquo; category is a powerful weapon of political pressure for the extension of heritage assets. It is, however, a form of ambivalent political pressure. It can either provide communities, particularly rural communities, with instruments to minimize the marginalization they have suffered, or mask it through artificial processes to safeguard heritage assets that have already lost the social actors that supported them.</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> heritage policy, material and immaterial heritage, communities.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Internacionaliza&ccedil;&atilde;o, descentraliza&ccedil;&atilde;o, diversidade: os &uacute;ltimos 40 anos</b></font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> Internacionaliza&ccedil;&atilde;o, descentraliza&ccedil;&atilde;o, diversidade s&atilde;o as tr&ecirc;s express&otilde;es que melhor caracterizam os processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o ocorridos na sociedade portuguesa nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas. </p>     <p> Em primeiro lugar, abrindo o pa&iacute;s ao espa&ccedil;o europeu, a progressiva consolida&ccedil;&atilde;o do regime democr&aacute;tico permitiu beneficiar de ajuda financeira primordial que foi aplicada em grandes interven&ccedil;&otilde;es no patrim&oacute;nio edificado e na moderniza&ccedil;&atilde;o dos museus existentes. Atrav&eacute;s dos fundos canalizados pelos II e III Quadros Comunit&aacute;rios de Apoio, respectivamente, entre 1994-99 e 2000-2006, a sociedade portuguesa conheceu decisivo movimento de renova&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o do seu patrim&oacute;nio cultural, que se acentuou a partir dos primeiros anos do s&eacute;culo XXI, gra&ccedil;as ao POC-Programa Operacional da Cultura, primeiro e &uacute;nico programa europeu inteiramente dedicado ao desenvolvimento do sector cultural. Profunda reorganiza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es estatais que tinham a seu cargo a gest&atilde;o do patrim&oacute;nio, eis outra consequ&ecirc;ncia da aplica&ccedil;&atilde;o desses programas (Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio II/POC, 1994-99; Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio III/POC, 2000-06). </p>     <p> Por&eacute;m, &eacute; na partilha de pol&iacute;ticas e orienta&ccedil;&otilde;es relativas ao patrim&oacute;nio que se destacam as consequ&ecirc;ncias da exposi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &agrave; influ&ecirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es europeias e internacionais sobre esse dom&iacute;nio, influ&ecirc;ncia que se consolida com a plena integra&ccedil;&atilde;o na Uni&atilde;o Europeia. </p>     <p> Por entre o conjunto das transforma&ccedil;&otilde;es que internacionalmente foram moldando a filosofia sobre a conserva&ccedil;&atilde;o dos bens culturais, salienta-se o interesse pelo patrim&oacute;nio n&atilde;o monumental ou por manifesta&ccedil;&otilde;es, mem&oacute;rias e tradi&ccedil;&otilde;es culturais que expressam mais o &ldquo;esp&iacute;rito do lugar&rdquo; e menos a monumentalidade dos edif&iacute;cios, demasiado associada &agrave; cultura ocidental. Organismos internacionais, como a Unesco e os seus departamentos, procurando atrav&eacute;s da cultura e da educa&ccedil;&atilde;o disseminar a doutrina dos direitos humanos, voltam as suas pol&iacute;ticas, timidamente desde os anos 70, de modo mais assertivo no final da d&eacute;cada de 90, para os pa&iacute;ses e as culturas cujo patrim&oacute;nio, feito de poucos monumentos e ru&iacute;nas, &eacute; mais &ldquo;um passado de palavras e n&atilde;o de pedras&rdquo; (Lowenthal, 2003: 20). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &ldquo;A reconstru&ccedil;&atilde;o do discurso hist&oacute;rico na Europa consiste em <b>desnacionalizar</b> a patrimonializa&ccedil;&atilde;o para em simult&acirc;neo a<b> generalizar</b> (descobrir o maior n&uacute;mero de denominadores comuns) e a <b>regionalizar</b> (marcar o maior n&uacute;mero de diferen&ccedil;as) segundo crit&eacute;rios sempre fluidos porque se a generaliza&ccedil;&atilde;o pode conduzir &agrave; abstrac&ccedil;&atilde;o mais desencarnada, a fragmenta&ccedil;&atilde;o pode criar diferen&ccedil;a onde ela n&atilde;o existia&rdquo; (Karnoouh 2003: 37, realces nossos). </p>     <p> Certeiras do entendimento sobre as finalidades do patrim&oacute;nio cultural no espa&ccedil;o europeu, estas observa&ccedil;&otilde;es captadas em documento do Conselho da Europa denunciam bem os objectivos pol&iacute;ticos do patrim&oacute;nio no momento de aprofundamento da constru&ccedil;&atilde;o europeia. Contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de uma identidade comum &agrave; custa da despolitiza&ccedil;&atilde;o dos patrim&oacute;nios nacionais &ndash; aqueles que dividem porque identificam na&ccedil;&otilde;es &ndash;, protegendo e incorporando ao mesmo tempo minorias culturais sem ressuscitar dissentimentos que as mesmas na&ccedil;&otilde;es (ou estados-na&ccedil;&atilde;o) apagaram. Evocados pelo talento liter&aacute;rio de Cl&aacute;udio Magris, nos anos 80, no preciso per&iacute;odo de alargamento da Uni&atilde;o Europeia, o mosaico &eacute;tnico-cultural da <i>Mitteleuropa</i> e o complexo xadrez pol&iacute;tico em que historicamente se equilibra recordam bem quantas fragilidades de natureza cultural espreitam a unifica&ccedil;&atilde;o europeia (Magris, 2010- [1986]). </p>     <p> Embora o problema das minorias culturais ou subculturas em Portugal n&atilde;o se revista da mesma natureza, nem das mesmas propor&ccedil;&otilde;es, as filosofias daquelas recomenda&ccedil;&otilde;es europeias n&atilde;o deixaram de ser seguidas entre n&oacute;s. </p>     <p> Depois de cuidados e renovados os principais conjuntos monumentais e devidamente enquadrados por uma nova ret&oacute;rica identit&aacute;ria, os mesmos s&iacute;mbolos usados pelo Estado Novo, subsumidos na &eacute;poca dos Descobrimentos, projectavam agora a imagem de uma sociedade cosmopolita e precursora no contacto e na difus&atilde;o multiculturais (Santos, 1998; Sobral, 2006). Por&eacute;m, a menor monumentalidade do seu patrim&oacute;nio, em compara&ccedil;&atilde;o com o de algumas capitais europeias, refor&ccedil;ava a valoriza&ccedil;&atilde;o de outros bens desaparecidos de outras metr&oacute;poles &ndash; &ldquo;a singularidade do seu pitoresco, do intimismo dos seus bairros antigos, dos seus quadros panor&acirc;micos&rdquo; (Gon&ccedil;alves, 2008: 143) &ndash;, e, do mesmo passo, em sintonia com v&aacute;rias regi&otilde;es perif&eacute;ricas ou rurais da Europa, a capacidade de revelar e exibir manifesta&ccedil;&otilde;es culturais de territ&oacute;rios e actividades em perda, mas ainda recuper&aacute;veis para a patrimonializa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> A sociedade portuguesa chegar&aacute;, contudo, mais tarde a este processo. </p>     <p> Dotando-se de novas estruturas org&acirc;nicas e administrativas para a gest&atilde;o do patrim&oacute;nio, sustentadas nos fundos comunit&aacute;rios, a Administra&ccedil;&atilde;o concentrou os esfor&ccedil;os, nas primeiras d&eacute;cadas a seguir ao 25 de Abril, no patrim&oacute;nio edificado dos monumentos, centros hist&oacute;ricos ou conjuntos urbanos. Outros protagonistas, nomeadamente associa&ccedil;&otilde;es de defesa do patrim&oacute;nio ou interesses locais atrav&eacute;s dos seus munic&iacute;pios, cultural e socialmente dispon&iacute;veis para a valoriza&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nios menos reconhecidos, pouco ou raramente foram mobilizados durante o &ldquo;per&iacute;odo de obras&rdquo; que marcou essas d&eacute;cadas. A leitura dos relat&oacute;rios e balan&ccedil;os que a Administra&ccedil;&atilde;o foi publicando sobre as pol&iacute;ticas do patrim&oacute;nio nesse &iacute;nterim atesta bem quanto a insistentemente apregoada &ldquo;mudan&ccedil;a de paradigma&rdquo; n&atilde;o foi al&eacute;m dos assuntos t&eacute;cnicos associados &agrave; dimens&atilde;o f&iacute;sica e monumental do patrim&oacute;nio reconhecido (IPPAR, 1993, 1995, 2000; IGESPAR, 2010; Pereira, 2010). </p>     <p> Com efeito, a percep&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio que n&atilde;o se confina aos especialistas em arte e engenharia ou economia do turismo, que envolve outros territ&oacute;rios para al&eacute;m dos tecidos urbanos, incorporando a vertente ambiental e imaterial, e que inclui outros actores sociais para al&eacute;m da Administra&ccedil;&atilde;o, s&oacute; mais tarde se instalou na sociedade portuguesa. Tradi&ccedil;&otilde;es populares, rituais e festas, gastronomia, feiras, pequeno com&eacute;rcio e certifica&ccedil;&atilde;o de produtos artesanais, museus rurais, s&iacute;tios industriais tomaram tamb&eacute;m corpo e express&atilde;o no processo de patrimonializa&ccedil;&atilde;o, embora apenas nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;c. XXI encontrassem apoio e reconhecimento dos poderes p&uacute;blicos centrais. </p>     <p> No que respeita aos seus impactos p&uacute;blico-medi&aacute;ticos, esta outra face do patrim&oacute;nio desenvolveu-se de forma mais surda, embora com maior entrela&ccedil;amento social e gra&ccedil;as sobretudo &agrave; descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que a veio beneficiar. Como v&aacute;rios estudos confirmam, a expans&atilde;o das actividades culturais, incluindo a cria&ccedil;&atilde;o de novos equipamentos e espa&ccedil;os, mas tamb&eacute;m a promo&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nios locais, n&atilde;o se conta entre as menores do conjunto das realiza&ccedil;&otilde;es do poder aut&aacute;rquico (Mozzicaffredo <i>et al</i>, 1989; Fortuna e Silva, 2002, Silva e Santos, 2010). </p>     <p> A diversifica&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas culturais, entre as quais sobressaem as relativas ao patrim&oacute;nio, e a sua extens&atilde;o aos espa&ccedil;os locais, nomeadamente &agrave;s cidades de m&eacute;dia dimens&atilde;o, articulam-se, pois, com tr&ecirc;s per&iacute;odos fundamentais de desenvolvimento da sociedade portuguesa: &ldquo;a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da democracia, a integra&ccedil;&atilde;o europeia e as pol&iacute;ticas culturais dos munic&iacute;pios, sobretudo a partir dos anos 80&rdquo; (Silva e Santos, 2010: 13). Mas, o ciclo do <i>heritage boom</i> em Portugal n&atilde;o ficaria conclu&iacute;do sem refer&ecirc;ncia &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o das comunidades em torno do seu patrim&oacute;nio. Dif&iacute;cil de avaliar, porquanto tamb&eacute;m neste dom&iacute;nio h&aacute; diversidade quanto &agrave; capacidade para manter projectos auto-sustent&aacute;veis. No entanto, &eacute;, pelo menos, justa a men&ccedil;&atilde;o a algumas estruturas associativas que, no terreno, foram sobrevivendo &agrave; custa de metamorfoses, ora dos objectivos iniciais &ndash; velhas associa&ccedil;&otilde;es recreativas que se transformam em associa&ccedil;&otilde;es de defesa do patrim&oacute;nio, como aconteceu, por exemplo, a prop&oacute;sito da descoberta das gravuras rupestres no Vale do C&ocirc;a &ndash;, ora dos seus activistas e colaboradores, desde os que tendo emigrado para os grandes centros urbanos, mant&eacute;m &ldquo;liga&ccedil;&otilde;es &agrave; terra&rdquo;, at&eacute; &agrave;s novas classes m&eacute;dias que o dinamismo de algumas autarquias foi conseguindo atrair (Lima e Reis, 2001; Reis, 2016). </p>     <p> Assim, a descentraliza&ccedil;&atilde;o que envolve este tipo de patrim&oacute;nio &eacute; importante n&atilde;o tanto no sentido da sua liga&ccedil;&atilde;o aos &oacute;rg&atilde;os do poder local, mas sobretudo na acep&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o menos despicienda, do regionalizar acima conceptualizado pelo t&eacute;cnico do Conselho da Europa. Envolvendo pr&aacute;ticas sociais ainda em uso ou que a mem&oacute;ria actualiza sem esfor&ccedil;o, contextualizando-se nos mais variados tipos de espa&ccedil;os, urbanos, rurais, ou de obsolesc&ecirc;ncia industrial, tecnol&oacute;gica ou agr&iacute;cola, a preserva&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o de objectos, actividades, saberes, mem&oacute;rias tem a particularidade de permitir inscrever fora dos grandes centros urbanos paisagens culturais que complementam, pela sua diferen&ccedil;a, os patrim&oacute;nios nacionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>A relev&acirc;ncia do patrim&oacute;nio material em Portugal</b></font> </p>     <p> Bastar&aacute; comparar o Art.&ordm; 1 da Carta de Veneza, de 1964, com os Art.&ordm; 1 e 2&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o para a Protec&ccedil;&atilde;o do Patrim&oacute;nio Mundial, Cultural e Natural, de 1972, para se entender o que mudou na d&eacute;cada de 70 nas concep&ccedil;&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es internacionais. Em 1972, aparece, pela primeira vez, a designa&ccedil;&atilde;o de Patrim&oacute;nio em substitui&ccedil;&atilde;o da denomina&ccedil;&atilde;o preferencial de Monumento que se encontrava inscrita nos dois documentos anteriores, Carta de Atenas, de 1931, e Carta de Veneza de 1964[<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>]. </p>     <p> Inicia-se, neste per&iacute;odo, uma nova fase na concep&ccedil;&atilde;o dos bens culturais a proteger, enquanto se esbo&ccedil;a o pre&acirc;mbulo de uma nova cultura pol&iacute;tica de interven&ccedil;&atilde;o no patrim&oacute;nio. A &ecirc;nfase recai agora nos lugares ou s&iacute;tios que se expressam materialmente em espa&ccedil;os urbanos e n&atilde;o urbanos, contendo ou n&atilde;o monumentos, ou paisagens naturais. Do mesmo passo, ao prever a atribui&ccedil;&atilde;o de valor universal para qualquer dos tipos de patrim&oacute;nio, independentemente da sua origem, esta Conven&ccedil;&atilde;o promove, ainda que timidamente, a aproxima&ccedil;&atilde;o e a integra&ccedil;&atilde;o de tradi&ccedil;&otilde;es ou universos culturais, nomeadamente n&atilde;o europeus, de que a no&ccedil;&atilde;o ocidental de monumento se achava mais afastada. Finalmente, conforme o Art.&ordm; 5 a) da mesma Conven&ccedil;&atilde;o, ao &ldquo;adoptar uma pol&iacute;tica geral que vise determinar uma <b>fun&ccedil;&atilde;o ao patrim&oacute;nio cultural e natural na vida colectiva</b> e integrar a protec&ccedil;&atilde;o do referido patrim&oacute;nio nos programas de planifica&ccedil;&atilde;o geral&rdquo; (realce nosso), deixa-se sinalizada a porta por onde mais tarde haver&aacute; de entrar o envolvimento c&iacute;vico e pol&iacute;tico das popula&ccedil;&otilde;es e comunidades na defini&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio patrim&oacute;nio. </p>     <p> Embora no Portugal democr&aacute;tico se fosse impondo progressivamente uma no&ccedil;&atilde;o alargada e englobante de patrim&oacute;nio, consagrada nos textos oficiais dos organismos da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica com essa atribui&ccedil;&atilde;o e responsabilidade, a verdade &eacute; que, em termos financeiros, t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos e jur&iacute;dicos, as prioridades da recupera&ccedil;&atilde;o e salvaguarda patrimoniais continuaram &ndash; como nos per&iacute;odos &aacute;ureos dessa op&ccedil;&atilde;o durante o Estado Novo &ndash; concentradas nos grandes monumentos nacionais ou em infra-estruturas de bens culturais associados &agrave;s grandes obras-primas da pintura e das artes decorativas. &Eacute; assim que, decorridos quase 20 anos depois do 25 de Abril, em 1993, na Exposi&ccedil;&atilde;o &laquo;Dar futuro ao passado&raquo;, organizada pela Secretaria de Estado da Cultura, se apresenta como balan&ccedil;o da actividade de protec&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio a &laquo;recupera&ccedil;&atilde;o e revitaliza&ccedil;&atilde;o dos grandes Pal&aacute;cios Nacionais, [do] Mosteiro dos Jer&oacute;nimos e [da] Torre de Bel&eacute;m [al&eacute;m de] outras interven&ccedil;&otilde;es em curso em mais de 70 monumentos nacionais&raquo; (IPPAR, 1993: 10). Publica&ccedil;&otilde;es posteriores da Administra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fazem mais do que sublinhar esse percurso, ainda que alargado a um conjunto mais vasto de im&oacute;veis classificados (IPPAR, 1995; IPPAR, 2000). </p>     <p> &Eacute; certamente no quadro das op&ccedil;&otilde;es patrimonialistas identificadas que se encontrar&aacute; explica&ccedil;&atilde;o para a efic&aacute;cia da capacidade t&eacute;cnico-cient&iacute;fica e pol&iacute;tico-administrativa daqueles mesmos Institutos do Patrim&oacute;nio, conseguindo, logo em 1983, colocar simultaneamente cinco s&iacute;tios patrimoniais nas listas do Patrim&oacute;nio Mundial da Unesco[<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>], apesar de a Conven&ccedil;&atilde;o da Unesco de 1972 ter sido ratificada somente em 1979 (Decreto n&ordm; 49/79, de 6 de Junho) e ter entrado em vigor um ano depois. </p>     <p> Tamb&eacute;m n&atilde;o deixa de ser significativo o facto de, em Dezembro de 2013, em f&oacute;rum de discuss&atilde;o radiof&oacute;nica[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>] destinado a debater &laquo;Os 30 Anos de Patrim&oacute;nio Mundial em Portugal&raquo;, os especialistas convidados, com fun&ccedil;&otilde;es de direc&ccedil;&atilde;o em organismos governamentais do patrim&oacute;nio cultural, terem concentrado a discuss&atilde;o nos cinco monumentos assinalados. Entretanto, entre 1995 e 2013, o pa&iacute;s qualificara mais nove s&iacute;tios nas listas do Patrim&oacute;nio Mundial[<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>], aos quais se acrescentou o Fado, classificado em 2011 nas listas do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial, e a Dieta Mediterr&acirc;nica, na mesma categoria de bens culturais, certifica&ccedil;&atilde;o que viria a ser obtida no m&ecirc;s de Dezembro de 2013. Por&eacute;m, nenhum destes bens patrimoniais suscitou qualquer refer&ecirc;ncia ou coment&aacute;rio aos intervenientes no debate. </p>     <p> A ret&oacute;rica sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do conceito de patrim&oacute;nio, que o descentraria do Estado e das elites pol&iacute;tico-culturais para o partilhar com o p&uacute;blico e as comunidades, dessacralizando o poder pericial da Hist&oacute;ria e da Arquitectura, n&atilde;o chegou afinal t&atilde;o cedo &agrave;s pr&aacute;ticas patrimoniais do Portugal democr&aacute;tico. Plasmada nos textos com poder normativo e definit&oacute;rio, essa ret&oacute;rica que percorre os discursos emitidos a partir dos v&aacute;rios n&iacute;veis institucionais &ndash; das conven&ccedil;&otilde;es internacionais ao quadro normativo nacional, das filosofias e recomenda&ccedil;&otilde;es impl&iacute;citas nas ac&ccedil;&otilde;es dos protagonistas da interven&ccedil;&atilde;o patrimonial &agrave;s teorias dos especialistas &ndash; n&atilde;o parece, de facto, ter-se incorporado nas disposi&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es de boa parte dos profissionais do patrim&oacute;nio, apesar das suas proclama&ccedil;&otilde;es sobre &ldquo;a dissipa&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o monumentalista do patrim&oacute;nio &hellip; [que pressuporia a compet&ecirc;ncia] de o enunciar cada vez mais como um problema das comunidades e do bem-estar e cada vez menos como um problema de arquitectos ou historiadores&rdquo; (Pereira, 1997: 23). </p>     <p> A hist&oacute;ria dos Institutos que em Portugal foram tendo a incumb&ecirc;ncia de regular e gerir o patrim&oacute;nio, e das sucessivas remodela&ccedil;&otilde;es na sua org&acirc;nica, &eacute; outro testemunho da traject&oacute;ria das reconceptualiza&ccedil;&otilde;es a que o patrim&oacute;nio foi estando associado. Nessa traject&oacute;ria est&atilde;o tamb&eacute;m inscritas importantes recomposi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-profissionais que deram lugar a altera&ccedil;&otilde;es do estatuto e do poder das classes profissionais associadas a esta esfera cultural. Do que n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, por&eacute;m, &eacute; do poder instalado na Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, nos diferentes servi&ccedil;os e institutos que foram tutelando o patrim&oacute;nio, de uma classe de profissionais, engenheiros primeiro, arquitectos e historiadores da arte mais tarde, cuja vis&atilde;o monumentalista, na perspectiva, e, positivista, na metodologia, &ldquo;contaminou&rdquo; e condicionou duradouramente, em diferentes sectores da sociedade portuguesa, a constitui&ccedil;&atilde;o do campo do patrim&oacute;nio, tanto nos seus usos e significados quanto nas suas formas de abordagem. </p>     <p> O Instituto Portugu&ecirc;s do Patrim&oacute;nio Cultural (IPPC) foi o primeiro a ser criado, entre 1980-1992 (Dec. Lei 34/80, 2 Agosto). Como a pr&oacute;pria designa&ccedil;&atilde;o sugere, albergava desde a sua constitui&ccedil;&atilde;o a vis&atilde;o integrada do patrim&oacute;nio, estendendo-a a &ldquo;todos os bens materiais e imateriais que pelo seu reconhecido valor pr&oacute;prio, devam ser considerados como de interesse relevante para a perman&ecirc;ncia e identidade da cultura portuguesa atrav&eacute;s do tempo&rdquo; (Lei 13/85, 6 de Julho, Art.&ordm;1), centralizando num &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o as compet&ecirc;ncias relativas a todos os tipos de patrim&oacute;nio: arquivos, museus, pal&aacute;cios, monumentos, restauro, arqueologia, etnologia, etc.. Naquele documento fundador, encontramos o que a linguagem jur&iacute;dica designa por princ&iacute;pio da unidade do regime de protec&ccedil;&atilde;o aplicado aos bens culturais, destinado a assegurar uma base jur&iacute;dica comum para todos os tipos de bens culturais patrimonializ&aacute;veis, sem diferenciar regimes de protec&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o, ainda que a especificidade de alguns desses bens pudesse vir a justificar excep&ccedil;&otilde;es. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Por&eacute;m, cedo se perde esta vis&atilde;o integrada do patrim&oacute;nio. Por dificuldades de gest&atilde;o, a que certamente n&atilde;o ser&aacute; alheia a incomensurabilidade de paradigmas[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>] em presen&ccedil;a, inicia-se, ainda dentro deste Instituto, at&eacute; 1992, o processo de separa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios sectores, sobretudo bibliotecas, arquivos e museus. Sucede-lhe o Instituto Portugu&ecirc;s do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico e Arqueol&oacute;gico (IPPAR), que, entre 1992-97, fazendo jus &agrave; pr&oacute;pria designa&ccedil;&atilde;o, passa apenas a integrar os monumentos e s&iacute;tios classificados, incluindo s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos. Em 1997, sofre a primeira grande reestrutura&ccedil;&atilde;o, na sequ&ecirc;ncia da descoberta das gravuras rupestres do Vale do C&ocirc;a e da forte contesta&ccedil;&atilde;o que a alian&ccedil;a entre arque&oacute;logos &ldquo;activistas&rdquo; e os <i>media</i>, in&eacute;dita na sociedade portuguesa, moveu contra o IPPAR e a EDP (Gon&ccedil;alves <i>et al</i>, 2001). Deste processo resultou a cis&atilde;o do IPPAR, dando lugar, entre 1997-2006, a dois Institutos que passaram a gerir o patrim&oacute;nio arqueol&oacute;gico (IPA) e o patrim&oacute;nio arquitect&oacute;nico (IPPAR), em estruturas diferenciadas, embora a este &uacute;ltimo &ndash; que aparentemente n&atilde;o perdera a fun&ccedil;&atilde;o de paradigma dominante &ndash; continuassem a caber as compet&ecirc;ncias de classifica&ccedil;&atilde;o, desclassifica&ccedil;&atilde;o, protec&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o dos im&oacute;veis ou s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos (Decreto-Lei 120/97, 16 de Maio). </p>     <p> A comprovar a for&ccedil;a e autoridade do patrim&oacute;nio constru&iacute;do est&aacute; a fus&atilde;o que, em 2007, junta de novo os dois institutos numa mesma estrutura, Instituto de Gest&atilde;o do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico e Arqueol&oacute;gico (IGESPAR), a que se associam, desta vez, alguns servi&ccedil;os da extinta Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Edif&iacute;cios e Monumentos Nacionais (DGEMN) (Decreto-Lei 96/2007, 29 de Mar&ccedil;o)[<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>]. Esta nova estrutura mant&eacute;m-se at&eacute; 2012, ano em que &eacute; transformada em Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio Cultural (DGPC), agregando outros sectores do patrim&oacute;nio [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>]. </p>     <p> A &uacute;ltima estrutura criada parece indiciar na sua recomposi&ccedil;&atilde;o o retorno &agrave; perspectiva do patrim&oacute;nio integrado que norteara, embora sem sucesso, o primeiro instituto (IPPC) nesta &aacute;rea constitu&iacute;do no p&oacute;s-25 de Abril. O rec&eacute;m-criado Departamento do Patrim&oacute;nio Imaterial aparenta configurar uma nova pol&iacute;tica do patrim&oacute;nio, desta vez apontando para a integra&ccedil;&atilde;o das suas dimens&otilde;es materiais e imateriais. </p>     <p> O quadro institucional que h&aacute; mais de meio s&eacute;culo tutela a defesa e valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural na sociedade portuguesa, composto e recomposto por estruturas herdadas do regime anterior, parece indiciar disposi&ccedil;&otilde;es longamente adquiridas e incorporadas no <i>habitus</i> t&eacute;cnico-cient&iacute;fico e administrativo dos recursos humanos dessas institui&ccedil;&otilde;es. Especialmente orientadas para a interven&ccedil;&atilde;o em edif&iacute;cios monumentais, as pr&aacute;ticas patrimoniais s&oacute; mais tardiamente, e talvez apenas na ret&oacute;rica, se dirigiram a outras categorias e dimens&otilde;es do patrim&oacute;nio[<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>]. </p>     <p> Com efeito, que outro significado se pode retirar do balan&ccedil;o sobre as estrat&eacute;gias da pol&iacute;tica patrimonial do IPPAR, quando, em 2000 e ap&oacute;s 26 anos de gest&atilde;o em democracia nesse sector, os seus dirigentes se prop&otilde;em desenvolver &ldquo;uma nova pol&iacute;tica patrimonial&rdquo; assente, nas palavras dos seus autores, &ldquo;em tr&ecirc;s pilares: 1) uma nova atitude perante o patrim&oacute;nio; 2) um novo relacionamento com os demais agentes e entidades ligadas directa ou indirectamente com o patrim&oacute;nio; 3) a reconcilia&ccedil;&atilde;o da Sociedade com o patrim&oacute;nio&rdquo; (IPPAR, 2000: 18/ss)? </p>     <p> Tr&ecirc;s pilares, sem d&uacute;vida, que resumem de forma exemplar a disson&acirc;ncia de que temos procurado dar conta entre as reconceptualiza&ccedil;&otilde;es operadas no campo do patrim&oacute;nio, de pronto assumidas na ret&oacute;rica, e as pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas dos agentes a quem tem cabido a fun&ccedil;&atilde;o de as executar. Com efeito, de que se trata quando se refere a necessidade de &ldquo;reconcilia&ccedil;&atilde;o&rdquo; da sociedade com o patrim&oacute;nio? Da parte de quem &eacute; suposto hav&ecirc;-la? </p>     <p> Estudos sobre as atitudes dos portugueses relativamente ao patrim&oacute;nio revelam com clareza que a reconcilia&ccedil;&atilde;o da sociedade com o patrim&oacute;nio se tem gradualmente consolidado &ndash; se &eacute; que alguma vez se desla&ccedil;ou &ndash;, para al&eacute;m de identificarem a ades&atilde;o social generalizada aos valores de protec&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural e ambiental e a exist&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&atilde;o associativa neste sector, evidenciando crescimento continuado e progressivo desde os anos 80 ((Reis, 2004; Reis, 2016)[<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>]. O &acirc;mbito local e regional de actua&ccedil;&atilde;o da maior parte dessas associa&ccedil;&otilde;es testemunha bem da efic&aacute;cia no terreno do alargamento da no&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nio. Se, em Portugal, essa efic&aacute;cia se pode relacionar com o aumento, verificado nos &uacute;ltimos 40 anos, do desenvolvimento da arqueologia e respectiva valoriza&ccedil;&atilde;o dos seus achados, tamb&eacute;m n&atilde;o pode deixar de resultar da explos&atilde;o dos patrim&oacute;nios locais, em boa parte dos casos tipificando mem&oacute;rias, saberes, pr&aacute;ticas da sociedade rural em acelerada decomposi&ccedil;&atilde;o, mas onde ainda &eacute; poss&iacute;vel encontrar e mobilizar os detentores desse patrim&oacute;nio. </p>     <p> Com base no balan&ccedil;o sobre os processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o que at&eacute; agora identific&aacute;mos, torna-se evidente a necessidade de convocar para a discuss&atilde;o outros entendimentos e pr&aacute;ticas sobre o patrim&oacute;nio. Herdeira de uma concep&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nio fortemente associada, por um lado, &agrave; ideia de monumentos de grande valor arquitect&oacute;nico ou de objectos art&iacute;sticos singulares de elevado simbolismo hist&oacute;rico, por outro, &agrave; ideia de que a sua preserva&ccedil;&atilde;o est&aacute; reservada &agrave; administra&ccedil;&atilde;o exclusiva do Estado e ao parecer das elites em cuja compet&ecirc;ncia t&eacute;cnico-cient&iacute;fica se baseia, a sociedade portuguesa desafiou, nos &uacute;ltimos anos, esse entendimento. &Agrave; semelhan&ccedil;a, ali&aacute;s, do resto da Europa, de onde afinal esta ideia &eacute; origin&aacute;ria e no seio da qual tamb&eacute;m surgiram os factores da sua supera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Controv&eacute;rsias sobre o patrim&oacute;nio imaterial</b></font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, haveria de chegar mais uma categoria de patrim&oacute;nio. Consagrada internacionalmente na Conven&ccedil;&atilde;o para a Salvaguarda do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial e adoptada pela Confer&ecirc;ncia Geral da Unesco em 2003, essa categoria institucionalizou definitivamente a abrang&ecirc;ncia do conceito. Depois do patrim&oacute;nio arquitect&oacute;nico e monumental, depois dos conjuntos hist&oacute;ricos, urbanos e rurais ou arqueol&oacute;gicos, depois dos jardins hist&oacute;ricos e das paisagens naturais, depois do patrim&oacute;nio rural e das paisagens culturais, chegava finalmente o patrim&oacute;nio imaterial ou intang&iacute;vel, aquele que &eacute; afinal o constituinte comum de todos os bens culturais, incluindo o patrim&oacute;nio edificado, mas que o racionalismo da cultura ocidental, ao transform&aacute;-lo em categorias, foi diferenciando e expurgando das suas manifesta&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas (imateriais). </p>     <p> Todo o patrim&oacute;nio, independentemente da sua express&atilde;o f&iacute;sica, material, tem uma dimens&atilde;o imaterial. &Eacute; a dimens&atilde;o do sentido, a dimens&atilde;o do significado que os actores sociais historicamente lhe v&atilde;o atribuindo e com a qual, atrav&eacute;s de reinterpreta&ccedil;&otilde;es sucessivas, seleccionam e criam patrim&oacute;nio. Por conseguinte, o acto de objectivar um bem como patrim&oacute;nio &ndash; definir, classificar, preservar, valorizar, usufruir &ndash; &eacute; um processo de constru&ccedil;&atilde;o social que se joga sempre num quadro de rela&ccedil;&otilde;es de poder em que diferentes sectores lutam para impor a sua vis&atilde;o, a vis&atilde;o leg&iacute;tima, para usar as palavras de Bourdieu, sobre o patrim&oacute;nio (Reis, 2009). A aten&ccedil;&atilde;o a esse processo de constru&ccedil;&atilde;o social permite compreender os processos, os actores sociais, as estrat&eacute;gias e os contextos implicados nos processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o at&eacute; agora dominantes na sociedade portuguesa. Com a consagra&ccedil;&atilde;o internacional do patrim&oacute;nio cultural imaterial, outros protagonistas, outros profissionais e outros saberes, outros patrim&oacute;nios e outras estrat&eacute;gias de media&ccedil;&atilde;o entram agora no terreno. </p>     <p> Em Portugal, a ratifica&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o foi validada pelo Decreto-Lei n.&ordm; 139/2009, sendo no ano seguinte complementada pela Portaria n.&ordm; 196/2010, embora o processo de prepara&ccedil;&atilde;o dos instrumentos normativos de regula&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial, com vista &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a sua salvaguarda, se tenha iniciado desde 2007. O primeiro diploma, colocando em estreita articula&ccedil;&atilde;o as normas da Conven&ccedil;&atilde;o com a Lei de Bases do Patrim&oacute;nio Cultural (Lei 107/2001), que j&aacute; continha directrizes sobre o patrim&oacute;nio imaterial, embora n&atilde;o tivessem sido postas em pr&aacute;tica, concedeu ao Instituto dos Museus e da Conserva&ccedil;&atilde;o a fun&ccedil;&atilde;o de tutela deste patrim&oacute;nio, dotando-o dos recursos e instrumentos necess&aacute;rios, nomeadamente o Invent&aacute;rio Nacional do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial (INPCI). Atrav&eacute;s do segundo diploma (Portaria n.&ordm; 196/2010), definiam-se as condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de identifica&ccedil;&atilde;o, estudo e documenta&ccedil;&atilde;o que deveriam orientar a inscri&ccedil;&atilde;o no invent&aacute;rio (Costa, 2013a: 45/ss; Costa, 2013b). </p>     <p> Antes de encetarmos uma leitura cr&iacute;tica destes documentos e discutir os efeitos da constitui&ccedil;&atilde;o legal e administrativa de mais um campo no patrim&oacute;nio, tr&ecirc;s coment&aacute;rios se imp&otilde;em. </p>     <p> Em primeiro lugar, o facto de caber aos museus e &agrave;s suas estruturas administrativas o acolhimento deste tipo de patrim&oacute;nio. H&aacute; quem argumente estarem as pr&aacute;ticas museol&oacute;gicas, habituadas &agrave; gest&atilde;o de invent&aacute;rios das suas colec&ccedil;&otilde;es, mais pr&oacute;ximas da especificidade, de natureza t&eacute;cnico-metodol&oacute;gica, que o patrim&oacute;nio imaterial coloca quanto ao seu registo e protec&ccedil;&atilde;o. Posi&ccedil;&atilde;o defendida, nomeadamente, no seio do Instituto dos Museus e da Conserva&ccedil;&atilde;o (Costa, 2013a). No entanto, esta &eacute; uma quest&atilde;o controversa n&atilde;o tanto, todavia, por causa da intangibilidade deste patrim&oacute;nio. Na verdade, como se deixou expl&iacute;cito, todo o patrim&oacute;nio tem um valor imaterial, independentemente das suas manifesta&ccedil;&otilde;es serem materiais ou imateriais. O problema &eacute; que, tendo sido duradoura e consistentemente ignorado ou menorizado pelas concep&ccedil;&otilde;es dominantes, mesmo as museol&oacute;gicas, esse valor reaparece agora em todas as vertentes do patrim&oacute;nio, pressionando os profissionais encarregados da sua media&ccedil;&atilde;o &agrave; reformula&ccedil;&atilde;o das suas pr&aacute;ticas. Atendendo aos crit&eacute;rios de defini&ccedil;&atilde;o destes bens[<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>], agora orientados para inventariar e catalogar pr&aacute;ticas sociais, simb&oacute;lico-culturais, e n&atilde;o objectos, estar&atilde;o os museus preparados para o seu acolhimento? H&aacute; v&aacute;rios n&iacute;veis de resposta, que guardaremos para mais tarde. </p>     <p> Em segundo lugar, os dois grandes protagonistas sociais que as recomenda&ccedil;&otilde;es desta Conven&ccedil;&atilde;o fazem emergir, quer pela mat&eacute;ria sobre a qual incidem, quer pelos agentes a quem se destinam, repartem-se entre os antrop&oacute;logos &ndash; reconhecidos pela experi&ecirc;ncia metodol&oacute;gica de lidar com as culturas populares &ndash;, e as pr&oacute;prias comunidades ou grupos detentores do patrim&oacute;nio imaterial suscept&iacute;vel de ser classificado. Com efeito, cumprindo as recomenda&ccedil;&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o, a Lei Portuguesa (Decreto-Lei n.&ordm; 139/2009, Art.&ordm; 22) desde logo instituiu uma Comiss&atilde;o, dotada de autonomia administrativa, t&eacute;cnica e cient&iacute;fica, com fun&ccedil;&otilde;es consultivas e deliberativas, que deveria ser composta, para al&eacute;m dos elementos da Direc&ccedil;&atilde;o do Instituto dos Museus e da Conserva&ccedil;&atilde;o, por cinco &ldquo;individualidades de reconhecido m&eacute;rito no &acirc;mbito da salvaguarda do patrim&oacute;nio cultural imaterial&hellip;e&hellip;duas individualidades &hellip;designadas pela Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Munic&iacute;pios Portugueses&rdquo;[<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>]. </p>     <p> Em terceiro lugar, vale a pena salientar que &ldquo;o esp&iacute;rito&rdquo; desta Conven&ccedil;&atilde;o fez retomar na sociedade portuguesa, ao menos no plano das inten&ccedil;&otilde;es, a vis&atilde;o integrada do patrim&oacute;nio que, entretanto, se perdera logo nos anos 80 com o desmembramento do IPPC e a separa&ccedil;&atilde;o em institutos aut&oacute;nomos que sectorizaram o patrim&oacute;nio cultural. Ademais, na aus&ecirc;ncia de um quadro legislativo que definisse princ&iacute;pios e orienta&ccedil;&otilde;es comuns para todos os tipos de patrim&oacute;nio. Essa lei &ndash; Lei de Bases do Patrim&oacute;nio Cultural &ndash; haveria de aparecer em 2001, conforme acima referido, embora sem efeitos pr&aacute;tico-legais por n&atilde;o ter sido regulamentada. S&oacute; em 2009 foi reapropriada, conjugada com o articulado da Conven&ccedil;&atilde;o da Unesco de 2003 e originou o decreto que hoje regula a salvaguarda do patrim&oacute;nio cultural imaterial. No seu pre&acirc;mbulo, finalmente reconhece-se: </p>     <p> &ldquo;(&hellip;) a import&acirc;ncia do patrim&oacute;nio cultural imaterial na articula&ccedil;&atilde;o com outras pol&iacute;ticas sectoriais, e na pr&oacute;pria internacionaliza&ccedil;&atilde;o da cultura portuguesa, e estabelece-se, de forma pioneira, um sistema de inventaria&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de uma base de dados de acesso p&uacute;blico que permite a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades, dos grupos ou dos indiv&iacute;duos na defesa e valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural imaterial, designadamente do patrim&oacute;nio que criam, mant&ecirc;m e transmitem.&rdquo; </p>     <p> &Agrave; luz deste enquadramento e dada a sua recente exist&ecirc;ncia na sociedade portuguesa, n&atilde;o h&aacute; experi&ecirc;ncias de patrim&oacute;nio imaterial classificado suficiente para dele extrair vis&atilde;o global e sistem&aacute;tica.[<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>]</p>     <p> O Fado, desde 2011 e a Dieta Mediterr&acirc;nica, desde 2013, esta em conjunto com mais seis pa&iacute;ses da bacia mediterr&acirc;nica (Cro&aacute;cia, Chipre, Espanha, It&aacute;lia, Gr&eacute;cia e Marrocos), e o Cante Alentejano, em 2014, e mais recentemente, desde 2019, os Caretos de Podence fazem parte da lista de Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial da Unesco. Um pedido de inscri&ccedil;&atilde;o para a Capeia Arraiana nas mesmas listas aguarda resposta das inst&acirc;ncias internacionais. As candidaturas das Festas do Esp&iacute;rito Santo, nos A&ccedil;ores, As Tradi&ccedil;&otilde;es Galaico-Portuguesas, respectivamente em 2002 e 2004 foram rejeitadas. &Agrave; excep&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o taurom&aacute;quica do Sabugal, e da Festa de Carnaval dos Caretos de Podence, nenhuma das outras manifesta&ccedil;&otilde;es culturais passou pelo processo de inscri&ccedil;&atilde;o no Invent&aacute;rio Nacional, considerado pela DGPC como o instrumento primordial para a identifica&ccedil;&atilde;o e recolha de informa&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial, tendo sido organizadas todas as candidaturas no quadro de sinergias e protocolos entre os munic&iacute;pios, as universidades, as associa&ccedil;&otilde;es culturais e os pr&oacute;prios grupos sociais directamente envolvidos nessas pr&aacute;ticas culturais. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> &Eacute; cedo para concluir sobre o desinteresse ou a indiferen&ccedil;a da sociedade por tais processos burocr&aacute;ticos de registo e cataloga&ccedil;&atilde;o, cuja complexidade t&eacute;cnica, dizem alguns, os pode tornar inacess&iacute;veis quer ao p&uacute;blico em geral, quer &agrave;s entidades no terreno interlocutoras dos grupos ou comunidades de quem se pretende inventariar as dimens&otilde;es culturais (Bortolotto, 2013). Do que n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, por&eacute;m, e bastante importar&aacute; a esta discuss&atilde;o, &eacute; que se estendermos a an&aacute;lise para l&aacute; do patrim&oacute;nio classificado ou com pretens&otilde;es &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o internacional n&atilde;o faltar&atilde;o exemplos em todo o pa&iacute;s de iniciativas de valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial, de &acirc;mbito regional ou local, que tra&ccedil;aram o seu caminho, antes da recente institucionaliza&ccedil;&atilde;o, ou fora dela. Quem investiga temas como os da sociedade rural, do ordenamento do territ&oacute;rio, do ambiente, do desenvolvimento local, h&aacute; muito se familiarizou com a mobiliza&ccedil;&atilde;o desses factores culturais para revitalizar espa&ccedil;os sociais marginalizados, em alguns casos, at&eacute;, com a inevitabilidade de a sua mobiliza&ccedil;&atilde;o poder vir a tornar-se em uma das poucas condi&ccedil;&otilde;es sociais de exist&ecirc;ncia desses espa&ccedil;os (CER, 2010; Lima, 2006; Reis e Lima, 1998; Reis, 2004). Quem, por outro lado, investiga espa&ccedil;os urbanos de m&eacute;dia ou grande dimens&atilde;o, apesar da relev&acirc;ncia do patrim&oacute;nio f&iacute;sico nesses lugares, n&atilde;o deixou tamb&eacute;m de se confrontar com a dimens&atilde;o imaterial tecida nas sociabilidades de bairro, colectividades, feiras, mercados, artesanato, festas populares (Costa, 1999; Fortuna e Silva, 2002; Lopes, 1998; Peralta e Anico, 2006; Silva e Santos, 2010; Santos, 2005). </p>     <p> &Agrave; antropologia, actualmente investida do poder de enuncia&ccedil;&atilde;o do &ldquo;patrim&oacute;nio imaterial&rdquo;, tem cabido a miss&atilde;o de estudar a tradi&ccedil;&atilde;o, o folclore ou a cultura popular[<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>], conceitos fundadores do seu campo disciplinar. N&atilde;o falta quem saliente ser a reconceptualiza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio, agora incluindo a dimens&atilde;o imaterial, decalcada do conceito antropol&oacute;gico de cultura, que nunca se confundiu com a no&ccedil;&atilde;o elitista de &ldquo;alta cultura&rdquo;. Pese embora as descontinuidades na investiga&ccedil;&atilde;o etnogr&aacute;fica portuguesa, sobretudo a partir de um dos per&iacute;odos mais prof&iacute;cuos da etnografia portuguesa &ndash; a equipa de investiga&ccedil;&atilde;o liderada por Jorge Dias que fundou o Museu Nacional de Etnologia em 1965 &ndash;, reconhece-se, todavia, no seio da Antropologia Portuguesa, que n&atilde;o ter&aacute; havido espa&ccedil;o institucional para patrimonializar o que era h&aacute; muito patrim&oacute;nio da disciplina: </p>     <p> &ldquo;(&hellip;) o conceito de Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial [recobre] de forma significativa aquele que foi ao longo de mais de cem anos o objecto privilegiado da antropologia portuguesa: o estudo das culturas populares. Nesse sentido, os antrop&oacute;logos portugueses deveriam reclamar para si o Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial e ter uma interven&ccedil;&atilde;o activa nos processos sociais e institucionais a ele ligados&rdquo; (Leal, 2013:137). </p>     <p> De facto, se as estruturas internacionais de certifica&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio, desde a Conven&ccedil;&atilde;o de 1972, abriam caminho para a valoriza&ccedil;&atilde;o de outros patrim&oacute;nios, nomeadamente na considera&ccedil;&atilde;o da sua intangibilidade, reflectindo as mudan&ccedil;as da rela&ccedil;&atilde;o que a modernidade foi construindo com a sua pr&oacute;pria mem&oacute;ria[<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>], a sociedade portuguesa s&oacute; tardiamente, desde 2009, conferiu dignidade institucional &agrave;s culturas, saberes e tecnologias populares, dotando-as de estruturas jur&iacute;dicas e administrativas equipar&aacute;veis &agrave;s que criou para o patrim&oacute;nio constru&iacute;do desde o s&eacute;culo passado. </p>     <p> Por&eacute;m, no seguimento da aprova&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o em Portugal e dos tr&acirc;mites que conduziram &agrave; consagra&ccedil;&atilde;o legal desta categoria de patrim&oacute;nio, a controv&eacute;rsia acerca dos seus modos de preserva&ccedil;&atilde;o desde logo se instalou. N&atilde;o foram, nem s&atilde;o, consensuais os conceitos e crit&eacute;rios a mobilizar para identificar, registar, classificar, preservar, valorizar a especificidade dos bens culturais de natureza intang&iacute;vel, associados ao &ldquo;subtexto&rdquo; pol&iacute;tico que os acompanha na formula&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o. Trata-se, por um lado, de princ&iacute;pios pol&iacute;ticos, consoante s&atilde;o expressos no Pre&acirc;mbulo, e que derivam da articula&ccedil;&atilde;o directa com os princ&iacute;pios existentes em mat&eacute;ria de direitos humanos, enquadrados pela Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos do Homem, de 1948, e posteriores Pactos Internacionais, de 1966, sobre direitos civis e pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos, sociais e culturais. Por outro lado, da conjuga&ccedil;&atilde;o desses princ&iacute;pios com os da Declara&ccedil;&atilde;o Universal sobre a Diversidade Cultural, de 2002.[<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>] A universalidade dos direitos humanos e a diversidade cultural nem sempre s&atilde;o f&aacute;ceis de conciliar. H&aacute;, por isso, quem pergunte como se podem respeitar, e patrimonializar, tradi&ccedil;&otilde;es culturais que n&atilde;o respeitam os direitos humanos? (Schapira, 2013). </p>     <p> A dificuldade acentua-se quando se apreciam outros obst&aacute;culos conceptuais que parecem colidir com as pr&oacute;prias inten&ccedil;&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o. Referimo-nos &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas culturais, atrav&eacute;s da sua recria&ccedil;&atilde;o, que podem colidir com din&acirc;micas sociais que j&aacute; n&atilde;o se rev&ecirc;em nesse quadro cultural (Schapira, 2013) e, de igual forma, &agrave; contradi&ccedil;&atilde;o entre a promo&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural &agrave; escala global e a normaliza&ccedil;&atilde;o dessa diversidade atrav&eacute;s de um quadro legislativo comum. De facto, &ldquo;tentar padronizar o patrim&oacute;nio &lsquo;imaterial&rsquo;, tornando tang&iacute;vel o que &eacute; intang&iacute;vel&hellip;pode ter como impacto mais duradouro a destrui&ccedil;&atilde;o dos patrim&oacute;nios de ideias que se pretende salvaguardar&rdquo; (Ramos, 2003: 56). </p>     <p> Outros sectores culturais v&ecirc;em na abrang&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios pol&iacute;ticos e culturais que esta Conven&ccedil;&atilde;o p&ocirc;s a circular uma amea&ccedil;a aos valores fundadores da identidade cultural europeia. Assentes n&atilde;o s&oacute; na diversidade mas tamb&eacute;m na des-hierarquiza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio, tais princ&iacute;pios levam alguns autores a temer que &ldquo;o capital de toler&acirc;ncia e de saber &hellip; [que a Europa]&hellip; conseguiu acumular [possa] tolerar que o politicamente correcto&hellip; equipare um tot&eacute;m da Papu&aacute;sia e um quarteto de Beethoven ou a uma obra de Piero della Francesca&rdquo; (Moura, 2013: 33). E, surpreendentemente, esta vis&atilde;o n&atilde;o andar&aacute; longe das objec&ccedil;&otilde;es &agrave; des-hierarquiza&ccedil;&atilde;o por parte de quem estuda culturas africanas e da&iacute; &eacute; origin&aacute;rio. Com efeito, tal objec&ccedil;&atilde;o faz igualmente sentido para quem critica fortemente os sectores europeus que se t&ecirc;m oposto &agrave; categoria de obra-prima do patrim&oacute;nio imaterial, com base no argumento de que tal introduziria a perspectiva elitista num conjunto de bens que merece ser preservado por igual: </p>     <p> &ldquo;Negar a hierarquiza&ccedil;&atilde;o &eacute; negar &agrave;s comunidades a capacidade de discernimento est&eacute;tico e o direito de fazer julgamentos de valor sobre o seu patrim&oacute;nio. Assim, supremo paradoxo, facilmente se entende que os mais elitistas s&atilde;o exactamente os que se proclamam contra o elitismo&rdquo; (Yai, 2003: 6). </p>     <p> As sociedades hierarquizam as suas produ&ccedil;&otilde;es culturais, incluindo o seu patrim&oacute;nio, mediante a escala de valores que orienta as suas pr&aacute;ticas. Ser&aacute;, de facto, elitismo infundado pretender tratar de forma horizontal todas as manifesta&ccedil;&otilde;es ou os s&iacute;mbolos culturais que n&atilde;o se expressam fisicamente, nivelando-as pelo mesmo valor. </p>     <p> Os processos de preserva&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es parecem tamb&eacute;m expressar sentimentos iconoclastas, no sentido em que, para alguns autores, a salvaguarda &eacute; o &uacute;ltimo acto sobre culturas que perderam sentido e autenticidade (Medeiros e Ramos, 2009). No sentido inverso, pontos de vista menos radicais v&ecirc;m sublinhar a necessidade de distinguir entre duas l&oacute;gicas presentes nos processos de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio etnol&oacute;gico: a do patrim&oacute;nio elaborado pela Antropologia/ Etnologia na base do discurso <i>etic</i>, distanciado e exterior ao objecto de estudo, e a do patrim&oacute;nio imaterial reactivado atrav&eacute;s do discurso <i>emic</i>, suportado pelos pr&oacute;prios detentores desse patrim&oacute;nio (Cald&eacute;ron, 2013; Costa, 2013a). Salvaguardadas pela l&oacute;gica <i>emic</i>, as comunidades ou os grupos seriam quem define os conte&uacute;dos do que querem ver preservado, ainda que coadjuvados por especialistas e poderes p&uacute;blicos. Desta forma se acautelaria &ldquo;a tend&ecirc;ncia para a expropria&ccedil;&atilde;o dos bens culturais por porta-vozes que falam em nome de colectivos&rdquo; e se colocaria a esses mesmos porta-vozes o desafio de fazer do patrim&oacute;nio imaterial &ldquo;n&atilde;o um lugar de imobiliza&ccedil;&atilde;o da cultura (&hellip;), mas de mobiliza&ccedil;&atilde;o das pessoas&rdquo; (Leal, 2013: 140/s). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Em que medida, pois, &eacute; poss&iacute;vel deixar a decis&atilde;o de patrimonializa&ccedil;&atilde;o aos principais detentores de pr&aacute;ticas culturais que se pretendem preservar, para al&eacute;m dos especialistas ou das inst&acirc;ncias que a certificam?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Operacionalidade do conceito de patrim&oacute;nio imaterial e implica&ccedil;&otilde;es sociais</b></font> </p>     <p> As controv&eacute;rsias que se v&ecirc;m recenseando a prop&oacute;sito da patrimonializa&ccedil;&atilde;o dos bens imateriais anunciam tamb&eacute;m uma nova rela&ccedil;&atilde;o entre patrim&oacute;nio e cidadania. &Agrave; medida que damos conta da evolu&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos do patrim&oacute;nio verifica-se a desloca&ccedil;&atilde;o do seu centro de legitima&ccedil;&atilde;o, pericialmente sustentada, que vai do car&aacute;cter hist&oacute;rico, ou da relev&acirc;ncia art&iacute;stica, para a intangibilidade dos processos culturais que d&atilde;o ou deram sentido a pr&aacute;ticas sociais em dificuldade de reprodu&ccedil;&atilde;o, consequ&ecirc;ncia quer dos tr&acirc;nsitos que atravessaram na modernidade, quer da falta de protec&ccedil;&atilde;o institucional por n&atilde;o lograrem o reconhecimento da sua pertin&ecirc;ncia cultural. Tal processo cria condi&ccedil;&otilde;es para a interven&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e pol&iacute;tica de novos protagonistas ou mediadores habitualmente afastados das decis&otilde;es sobre processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rios testemunhos confirmam, n&atilde;o por acaso, as press&otilde;es dos pa&iacute;ses do Sul (&Aacute;frica, &Aacute;sia e Pac&iacute;fico) na amplia&ccedil;&atilde;o do conceito de patrim&oacute;nio e da inclus&atilde;o da imaterialidade nas suas dimens&otilde;es, por terem mais patrim&oacute;nio intang&iacute;vel a preservar do que os pa&iacute;ses europeus (Costa <i>apud</i> Ramos, 2003:82; Cabral, 2011). </p>     <p> Ora, se o novo enquadramento jur&iacute;dico-pol&iacute;tico internacional parece querer afastar-se da no&ccedil;&atilde;o euroc&ecirc;ntrica de patrim&oacute;nio, dando protagonismo a outros contextos s&oacute;cio-culturais alheios &agrave; sua mundivis&atilde;o, a verdade &eacute; que a Europa tamb&eacute;m tem os seus &ldquo;pa&iacute;ses do Sul&rdquo;. Sociedades que conservaram por mais tempo formas de sociabilidade, tecnologias e saberes, actividades como a agricultura familiar, modos de vida, em suma, patrim&oacute;nios que quase nunca precisaram da media&ccedil;&atilde;o material de objectos imponentes para constitu&iacute;rem os seus imagin&aacute;rios. &Eacute; sobretudo a sociedade rural do Sul da Europa, longa e profundamente estudada pela Sociologia e Antropologia, que agora se candidata &agrave;s listas do Patrim&oacute;nio Imaterial da Humanidade, discutindo, reformulando, reciclando terminologias com que aquelas ci&ecirc;ncias constru&iacute;ram o aparato de leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o dessas culturas e sociabilidades locais. </p>     <p> O <i>heritage boom</i> que as sociedades europeias vinham conhecendo em extensividade e des-monumentaliza&ccedil;&atilde;o, desde os anos 70 (Choay, 1996; Guillaume, 2003; Lowenthal, 2003), tamb&eacute;m acontece em Portugal, em menor escala, mais tardiamente, sobretudo centrado na heran&ccedil;a rural, dependente dos voluntarismos locais e sem articula&ccedil;&atilde;o com pol&iacute;ticas territoriais consistentes de recupera&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os sociais desvitalizados pela sua popula&ccedil;&atilde;o envelhecida e pelo abandono de actividades estruturantes desses espa&ccedil;os. Confirmado pelo primeiro estudo sobre o tecido museol&oacute;gico nacional no p&oacute;s-25 de Abril, 59% dos museus existentes nasceram nos &uacute;ltimos 25 anos. O seu crescimento acentuado deve-se principalmente ao impulso dos Munic&iacute;pios (Silva e Santos, 2000). A explos&atilde;o museol&oacute;gica at&eacute; ao princ&iacute;pio do s&eacute;culo XXI tem forte express&atilde;o local e regional, sobretudo em museus de car&aacute;cter etnogr&aacute;fico, e associa-se claramente &agrave; estrat&eacute;gia pol&iacute;tica dos munic&iacute;pios de valoriza&ccedil;&atilde;o cultural e ambiental dos seus contextos de ac&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> A explos&atilde;o do patrim&oacute;nio, fruto de altera&ccedil;&otilde;es substanciais respeitantes &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida, &eacute; tamb&eacute;m a assun&ccedil;&atilde;o das in&uacute;meras associa&ccedil;&otilde;es que p&otilde;em na agenda pol&iacute;tica a discuss&atilde;o dos pequenos patrim&oacute;nios, que at&eacute; &agrave; data da Conven&ccedil;&atilde;o de 2003, e muito antes da lei portuguesa que a ratifica (Decreto-Lei n.&ordm; 139/2009), n&atilde;o tinham colhido dignidade suficiente para merecer protec&ccedil;&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o. O enraizamento local de muitas associa&ccedil;&otilde;es de defesa do patrim&oacute;nio - sobrevivendo quantas vezes do voluntariado e da articula&ccedil;&atilde;o com &ldquo;especialistas&rdquo; origin&aacute;rios do territ&oacute;rio, ou a eles ainda ligados por la&ccedil;os familiares, a par do envolvimento das comunidades que participaram no seu pr&oacute;prio invent&aacute;rio cultural -, testemunha bem do dinamismo patrimonialista pr&eacute;-existente ao enquadramento legislativo dos bens imateriais (Reis, 2016). Se a import&acirc;ncia do patrim&oacute;nio imaterial e o trajecto para a sua classifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o resultaram exclusivamente de iniciativas pol&iacute;ticas de cidad&atilde;os ou de associativismos de base local, poder&aacute; ser este um dos campos onde as sociedades contempor&acirc;neas jogam uma das principais condi&ccedil;&otilde;es de afirma&ccedil;&atilde;o do crescimento da cidadania cultural. </p>     <p> Retomando as cr&iacute;ticas mais comuns apontadas ao conceito de patrim&oacute;nio imaterial, a principal &eacute; justamente dirigida ao instrumento de protec&ccedil;&atilde;o, simultaneamente concebido como instrumento de pol&iacute;tica cultural &ndash; o invent&aacute;rio de registo e classifica&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es culturais imateriais[<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>]. </p>     <p> Embora prevendo no articulado jur&iacute;dico que o determina a participa&ccedil;&atilde;o dos detentores de patrim&oacute;nio em todos os processos e todas as fases do registo, vale a pena insistir em d&uacute;vidas anteriormente colocadas. Expostas &agrave;s conting&ecirc;ncias do seu car&aacute;cter imaterial, que sentido far&aacute; preservar, atrav&eacute;s de um invent&aacute;rio, pr&aacute;ticas vivas, mut&aacute;veis, sujeitas &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es de sentido dos seus pr&oacute;prios protagonistas, ancoradas na vontade destes e nos condicionalismos sociais que moldam essa vontade? </p>     <p> Do radicalismo &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es mais moderadas, &eacute; poss&iacute;vel reconhecer a desconfian&ccedil;a em boa parte do discurso antropol&oacute;gico, quer quanto &agrave; epistemologia da cultura e das tradi&ccedil;&otilde;es populares que o invent&aacute;rio proporciona, quer quanto &agrave; deontologia dos profissionais que nela s&atilde;o chamados a participar. Preocupados com o etnocentrismo da divis&atilde;o material/imaterial, com o &ldquo;congelamento&rdquo; de pr&aacute;ticas e saberes fluidos e reinvent&aacute;veis, com o aproveitamento tur&iacute;stico de culturas patrimonializ&aacute;veis, com o artificialismo com que se tomam por reais pr&aacute;ticas que s&atilde;o apenas representa&ccedil;&otilde;es de pr&aacute;ticas extintas, os mais radicais rejeitam a responsabilidade de consentir e participar no que avaliam como a intencionalidade pol&iacute;tica de domina&ccedil;&atilde;o/domestica&ccedil;&atilde;o de culturas marginalizadas (Medeiros e Ramos, 2009; Ramos, 2009). Outros antrop&oacute;logos, comungando daquelas preocupa&ccedil;&otilde;es, consideram como um desafio a possibilidade de inventaria&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de quadros culturais integrantes da sociedade portuguesa e tamb&eacute;m da antropologia nacional, desde que reflectindo, reformulando e adaptando &agrave; realidade nacional (e europeia) o quadro normativo derivado da Conven&ccedil;&atilde;o cuja abrang&ecirc;ncia &eacute; de n&iacute;vel internacional (Brito, 2006; Cabral, 2011; Leal, 2013). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> De todo o modo, cremos que parte das controv&eacute;rsias e do debate que em Portugal tem suscitado a categoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial, ao contr&aacute;rio do que se p&ocirc;de apurar para o patrim&oacute;nio constru&iacute;do, deriva fundamentalmente de tr&ecirc;s factores. </p>     <p> Em primeiro lugar, do facto de n&atilde;o haver pr&aacute;tica regulada de invent&aacute;rio no pa&iacute;s, al&eacute;m da que continuou a renovar a tradi&ccedil;&atilde;o dos fundadores do Museu Nacional de Etnologia, estritamente subordinada aos paradigmas antropol&oacute;gicos. </p>     <p> Em segundo lugar, o duplo esfor&ccedil;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gico e pol&iacute;tico-administrativo para verter juridicamente para a realidade nacional um normativo pensado internacionalmente para culturas, comunidades ou minorias mais distantes da matriz cultural ocidental. S&oacute; assim se compreende, na terminologia da Conven&ccedil;&atilde;o, a refer&ecirc;ncia ao respeito pelos direitos humanos como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o esfor&ccedil;o de salvaguarda de qualquer cultura ou tradi&ccedil;&atilde;o, ainda que, num passado n&atilde;o muito long&iacute;nquo de algumas tradi&ccedil;&otilde;es rurais europeias, sobretudo mediterr&acirc;nicas, se pudessem ter encontrado contextos sociais prop&iacute;cios &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o daquela mat&eacute;ria jur&iacute;dica. Recordam-se, por exemplo, as for&ccedil;as marginais ou n&atilde;o transfer&iacute;veis. Conceito desenvolvido por Tepicht (1976), a partir dos contributos de Tchaynov (Shanin, 1976), para a compreens&atilde;o da racionalidade econ&oacute;mica da agricultura familiar europeia, incidindo sobre crian&ccedil;as, mulheres e velhos como fonte de trabalho penoso, gratuito e sem alternativas, quer no quadro familiar, quer no quadro da sociabilidade alde&atilde;. Outro exemplo reside nos c&oacute;digos culturais de conduta das sociedades rurais mediterr&acirc;nicas abrangidos pelo conceito de honra e vergonha, desenvolvido por Peristiany (1988) e Pitt-Rivers (1988), segundo os quais, para recuperar a dignidade, s&atilde;o toleradas formas violentas de retalia&ccedil;&atilde;o masculina sobre os transgressores da moral sexual vigente nessas sociedades. N&atilde;o tardar&atilde;o, por outro lado, a emergir conflitos no Portugal contempor&acirc;neo quanto &agrave; possibilidade de concilia&ccedil;&atilde;o, no quadro de certas pr&aacute;ticas culturais, entre os princ&iacute;pios dos direitos humanos e os princ&iacute;pios contidos na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos dos Animais, de 1978, declara&ccedil;&atilde;o na qual existe a transposi&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade de defesa dos animais para a pr&oacute;pria lei dos direitos humanos. &Eacute; o que acontece, por exemplo, com a diversidade de tradi&ccedil;&otilde;es taurom&aacute;quicas e respectivos graus de viol&ecirc;ncia associados, tamb&eacute;m express&atilde;o da cultura mediterr&acirc;nica, que se manifestam em diferentes contextos culturais na sociedade portuguesa[<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>]. Recolhem bastante ades&atilde;o popular, em confronto com a contesta&ccedil;&atilde;o em crescendo de movimentos sociais de matriz urbana que se colocam na &oacute;rbita dos valores de defesa do ambiente, da natureza e dos animais. </p>     <p> Em terceiro lugar, porque a patrimonializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se dirige ao objecto f&iacute;sico, mas ao gesto que a torna poss&iacute;vel, aos modos de vida e aos agentes que lhes d&atilde;o exist&ecirc;ncia. N&atilde;o &eacute; mais um debate apenas entre especialistas de arte, de hist&oacute;ria, de arqueologia, de antropologia. &Eacute; um debate de peritos, mas tamb&eacute;m entre estes, os detentores e representantes do patrim&oacute;nio cultural e natural de um territ&oacute;rio, os poderes institucionais que os enquadram, para al&eacute;m de outros actores sociais, &ldquo;exteriores&rdquo; ao territ&oacute;rio, mas cujo <i>habitus</i> cultural conserva a familiaridade com estes modos de vida ou revela interesse em conhec&ecirc;-los. Por outras palavras, chegamos ao chamado tri&acirc;ngulo da nova museologia: territ&oacute;rio-patrim&oacute;nio-comunidade (Desvall&eacute;es et al, 2010) e &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o dos actores implicados na sua defini&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o. Do ecomuseu ao museu comunit&aacute;rio, do museu integral ao museu inclusivo s&atilde;o designa&ccedil;&otilde;es que ao museu tradicional, percepcionado como um lugar de colec&ccedil;&atilde;o de objectos, acrescentaram a ideia de institui&ccedil;&atilde;o associada ao desenvolvimento local, representativa de um modo de vida ancorado num territ&oacute;rio. O &ldquo;museu de territ&oacute;rio como instrumento central para o desenvolvimento&hellip; n&atilde;o tem edif&iacute;cio, n&atilde;o tem colec&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem um p&uacute;blico, tem um territ&oacute;rio, uma comunidade como actor e o patrim&oacute;nio global como acervo&rdquo; (Varine, 2012). </p>     <p> Este contexto te&oacute;rico e sociogr&aacute;fico &eacute; bastante perme&aacute;vel &agrave; leitura sociol&oacute;gica sobre as metamorfoses da sociedade rural, olhando quer para o seu decl&iacute;nio, quer para a sua persist&ecirc;ncia e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; modernidade. A Dieta Mediterr&acirc;nica, inscrita nas listas do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial da Humanidade, aprovada, desde 2013, em Portugal, Cro&aacute;cia, Chipre, Espanha, It&aacute;lia e Gr&eacute;cia, Marrocos, e A Rede das Aldeias do Xisto, um projecto de desenvolvimento de &acirc;mbito regional, iniciado em 2003, s&atilde;o dois exemplos que ajudam a completar o quadro plural em que se t&ecirc;m desenrolado e discutido os processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o na sociedade portuguesa com base nos bens culturais intang&iacute;veis. Nem o primeiro, apesar de ser um projecto classificado pelos crit&eacute;rios da Unesco, nem o segundo, liderado pela Ag&ecirc;ncia para o Desenvolvimento Tur&iacute;stico das Aldeias do Xisto (ADXTUR)[<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a>], t&ecirc;m as suas actividades inscritas no Invent&aacute;rio Nacional do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial, sendo ambos coordenados por soci&oacute;logos em equipas pluridisciplinares. </p>     <p> A fundamenta&ccedil;&atilde;o que os respons&aacute;veis dos dois projectos apresentam &eacute; bastante consent&acirc;nea com a perspectiva do espa&ccedil;o rural enquanto reserva ambiental (Lima et al, 2000; Lima e Guerra, 2004; Lima, 2006), perspectiva herdeira de filosofias do desenvolvimento que come&ccedil;aram a desenhar-se nos anos 80 e que, desde ent&atilde;o, pugnam pela sustentabilidade ecol&oacute;gica dos sistemas econ&oacute;micos (Reis e Lima, 1998). A preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente e da natureza, dimens&otilde;es intr&iacute;nsecas ao espa&ccedil;o rural, articula-se com os actuais padr&otilde;es e estilos de vida urbanos que associam a esses espa&ccedil;os a qualidade de alguns desses padr&otilde;es. &ldquo;Os conceitos de natureza e de paisagem identificam-se, nas sociedades modernas contempor&acirc;neas, com o &lsquo;mundo rural&rsquo;&rdquo; (Lima, 2006: 152). </p>     <p> &quot;A Dieta Mediterr&acirc;nica n&atilde;o &eacute; s&oacute; alimenta&ccedil;&atilde;o, tem a ver com convivialidade, estilos de vida, sociabilidades, baixo <i>stress</i>, coopera&ccedil;&atilde;o, entreajuda entre os agricultores, &hellip; est&aacute; na moda porque est&aacute; muito sintonizada com as quest&otilde;es actuais do planeta: a agricultura familiar, agricultura de proximidade, o apoio &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local, &hellip; as quest&otilde;es da sa&uacute;de, da nutri&ccedil;&atilde;o, &hellip; o mito mundial da obesidade&hellip; a Unesco apreciou n&atilde;o um modelo alimentar mas um modelo cultural&quot;[<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20">20</a>]. </p>     <p> &Agrave; percep&ccedil;&atilde;o dos novos riscos globais para os cidad&atilde;os, e da impot&ecirc;ncia de estruturas globais para deles os proteger (Beck, 1992), bem como das pequenas mudan&ccedil;as que individualmente podem contribuir para a sua minimiza&ccedil;&atilde;o (alimenta&ccedil;&atilde;o, &ldquo;estilo de vida saud&aacute;vel&rdquo;), associa-se tamb&eacute;m a estes projectos o des&iacute;gnio cultural de compensar os ritmos urbanos, numa esp&eacute;cie de retorno a uma nova solidariedade mec&acirc;nica, espa&ccedil;o de recupera&ccedil;&atilde;o da perda de la&ccedil;os de proximidade, s&oacute;lidos e solid&aacute;rios, que equilibre as rela&ccedil;&otilde;es sociais ef&eacute;meras, a individualiza&ccedil;&atilde;o crescente, a inseguran&ccedil;a e a incerteza induzidas pela fluidez e imaterialidade das institui&ccedil;&otilde;es da modernidade l&iacute;quida (Bauman, 2006). Depois de longa ruptura, a reconcilia&ccedil;&atilde;o da modernidade com a tradi&ccedil;&atilde;o, depois de domesticado o passado, apagando dele as mem&oacute;rias mais obscuras e dolorosas (Lowenthal, 2002), a sociedade rural pode agora conviver com outras actividades, nomeadamente com os projectos de recupera&ccedil;&atilde;o do seu patrim&oacute;nio, sem se fechar na experi&ecirc;ncia da sua pr&oacute;pria cultura, nem remet&ecirc;-la &agrave; mera folcloriza&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Mentores e agentes &ldquo;end&oacute;genos&rdquo; desta dinamiza&ccedil;&atilde;o cultural recordam-nos que o patrim&oacute;nio imaterial destes lugares sempre esteve l&aacute;, n&atilde;o foi inventado pelo turismo, nem pelas inst&acirc;ncias internacionais, embora possa ter sido apropriado por outras designa&ccedil;&otilde;es como tradi&ccedil;&atilde;o, cultura popular ou folclore que lhe emprestaram outros sentidos. Esta nova forma de enuncia&ccedil;&atilde;o, tal como as anteriores, faz parte do discurso que as sociedades contempor&acirc;neas t&ecirc;m elaborado para falar de si pr&oacute;prias e da sua rela&ccedil;&atilde;o com os processos mais relevantes que as atravessam. </p>     <p> Na sociedade portuguesa, as altera&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o urbano e dos respectivos modos de vida, aliadas &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino e &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o cultural, tamb&eacute;m &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o crescente da cultura de massas, t&ecirc;m-se constitu&iacute;do como poderosos trituradores das culturas populares rurais e urbanas. Por&eacute;m, n&atilde;o tanto quanto o foram em sociedades europeias onde essa ruptura se iniciou mais cedo e foi mais longe. A sobreviv&ecirc;ncia do mundo rural na sociedade portuguesa &ndash; na agricultura familiar e nas economias familiares, na arquitectura vernacular, nas paisagens, at&eacute; nas varandas e nos quintais das cidades e dos seus bairros, em m&uacute;ltiplas festividades urbanas[<a name="top21" id="top21"></a><a href="#21">21</a>] &ndash; transforma-se hoje no lugar privilegiado onde se projectam valores e aspira&ccedil;&otilde;es &ldquo;p&oacute;s-modernos&rdquo;, associados &agrave; natureza e ao ambiente e &agrave; revitaliza&ccedil;&atilde;o dos processos sociais e culturais com que se inscreveram nessa paisagem. Alguns lugares conservaram, at&eacute; pelo abandono a que foram sujeitos, muito do seu &ldquo;esp&iacute;rito&rdquo;, ou da sua &ldquo;aura&rdquo;, &ndash; no sentido em que Walter Benjamim falava da mensagem que os objectos ou os s&iacute;tios transmitem para l&aacute; da sua materialidade &ndash; e convertem-se agora em lugares de mem&oacute;ria, n&atilde;o contemplativos nem simplesmente comemorativos de um passado simb&oacute;lico, ao qual n&atilde;o se retornar&aacute;, nem &eacute; desej&aacute;vel regressar, mas que se constituem como o ponto de partida para a sua renova&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O facto de algumas destas iniciativas n&atilde;o partirem em primeira inst&acirc;ncia das comunidades, ganhando o seu envolvimento depois, n&atilde;o retira a import&acirc;ncia &agrave;s din&acirc;micas pol&iacute;ticas dos processos de participa&ccedil;&atilde;o locais associados &agrave; salvaguarda deste patrim&oacute;nio. A identifica&ccedil;&atilde;o com o patrim&oacute;nio imaterial de base local escora-se em elos socialmente mais fortes e tecnicamente menos distanciados do que com o patrim&oacute;nio nacional, materialmente representado por artefactos que se situam fora do tempo e do espa&ccedil;o vividos, a exigir conhecimento dos processos imateriais que lhes deram origem e os constituem. Em virtude do passado simbolizado nestes patrim&oacute;nios, a interven&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos que, numa esp&eacute;cie de anamnese, ajudam a trazer &agrave; mem&oacute;ria experi&ecirc;ncias sociais com as quais se v&atilde;o reconstituir os elementos estruturantes da heran&ccedil;a cultural, poder&aacute;, a nosso ver, ser considerada n&atilde;o como intromiss&atilde;o do Estado nos processos de salvaguarda do patrim&oacute;nio imaterial, &agrave; revelia das popula&ccedil;&otilde;es, mas antes como um dos parceiros do envolvimento pol&iacute;tico para o qual se convocam os seus detentores. </p>     <p> Por outro lado, afigura-se infundado o rep&uacute;dio que provoca a alguns especialistas a sua colabora&ccedil;&atilde;o em processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o de culturas marginalizadas (Ramos, 2009), uma vez que a interven&ccedil;&atilde;o de peritos e o papel da investiga&ccedil;&atilde;o para reconstruir esses processos, inventariando origens, evolu&ccedil;&atilde;o, factos, conte&uacute;dos, significados, etc., parece antes poder traduzir-se como procedimento de objectiva&ccedil;&atilde;o da autenticidade e n&atilde;o como acto de domestica&ccedil;&atilde;o dessas culturas (Macdonald, 2013). A exist&ecirc;ncia de reabilita&ccedil;&atilde;o de disposi&ccedil;&otilde;es culturais destinadas &agrave; mercadoriza&ccedil;&atilde;o &eacute; ineg&aacute;vel, mas conv&eacute;m distinguir experi&ecirc;ncias patrimoniais que n&atilde;o partilham desses objectivos, ou n&atilde;o se desvirtuam pela sua exposi&ccedil;&atilde;o ao turismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Notas Finais</b></font> </p>     <p> &Agrave; semelhan&ccedil;a da patrimonializa&ccedil;&atilde;o dos monumentos e s&iacute;tios, nem todo o patrim&oacute;nio imaterial traz por si s&oacute; qualifica&ccedil;&atilde;o para os contextos sociais da sua proximidade. N&atilde;o faltam exemplos de requalifica&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os monumentais, s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos, museus etnol&oacute;gicos, centros hist&oacute;ricos, aldeias hist&oacute;ricas, a demonstrar que &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o que procuraram preservar valores hist&oacute;ricos, paisag&iacute;sticos, ambientais ou da tradi&ccedil;&atilde;o popular se seguiram estrat&eacute;gias s&oacute;cio-econ&oacute;micas que os desvirtuaram, quer por excesso de ac&ccedil;&otilde;es exclusivamente destinadas &agrave; atrac&ccedil;&atilde;o de actividades tur&iacute;sticas, &agrave; instrumentaliza&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos patrimoniais para actividades de lazer, &agrave; estetiza&ccedil;&atilde;o permanente para capta&ccedil;&atilde;o de visitantes (Peixoto, 2002), quer por d&eacute;fice de actividades, de investimento e envolvimento local e nacional na manuten&ccedil;&atilde;o da sua preserva&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Os Itiner&aacute;rios Arqueol&oacute;gicos do Alentejo e Algarve, programa lan&ccedil;ado entre 1997-2002 pelo IPPAR e Instituto de Apoio e Financiamento ao Turismo, que visava preservar e valorizar 12 s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos naquelas duas regi&otilde;es, s&atilde;o um esses exemplos. De todos os s&iacute;tios, dotados de condi&ccedil;&otilde;es de acolhimento aos visitantes, num itiner&aacute;rio em rede com intuito de atrair visitantes e mobilizar agentes locais, apenas se mant&ecirc;m os circuitos do Algarve, estando o mais monumental de todos &ndash; as ru&iacute;nas romanas de S. Cucufate que se localizam no concelho de Vidigueira -, fechado por falta de manuten&ccedil;&atilde;o e visitantes. O programa das Aldeias Hist&oacute;ricas de Portugal, lan&ccedil;ado entre 1995-2002, numa ac&ccedil;&atilde;o conjunta do IPPAR, Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o da Regi&atilde;o Centro, (CCRC), autarquias ligadas &agrave;s 12 aldeias envolvidas na reabilita&ccedil;&atilde;o e requalifica&ccedil;&atilde;o dos seus monumentos, centros hist&oacute;ricos e s&iacute;tios paisag&iacute;sticos[<a name="top22" id="top22"></a><a href="#22">22</a>], tamb&eacute;m n&atilde;o revelou o dinamismo que era suposto desencadear na regi&atilde;o. Desde logo e indelevelmente marcado por objectivos tur&iacute;sticos, com vista &agrave; extensividade do mercado a partir da reabilita&ccedil;&atilde;o patrimonial dos edif&iacute;cios mais emblem&aacute;ticos, mas n&atilde;o pelo envolvimento pol&iacute;tico e a ades&atilde;o cultural das popula&ccedil;&otilde;es locais, mostra bem a sua discrep&acirc;ncia com o projecto das Aldeias de Xisto. </p>     <p> Se &eacute; em parte verdade que os grandes museus hist&oacute;ricos e de arte, assim como os edif&iacute;cios monumentais a que se associam s&iacute;mbolos da identidade nacional, apesar dos esfor&ccedil;os para a sua valoriza&ccedil;&atilde;o e relev&acirc;ncia no turismo, n&atilde;o parecem afirmar-se como geradores inequ&iacute;vocos das principais din&acirc;micas culturais na sociedade portuguesa[<a name="top23" id="top23"></a><a href="#23">23</a>], tamb&eacute;m &eacute; certo que nem todas as iniciativas museol&oacute;gicas locais ou estrat&eacute;gias de valoriza&ccedil;&atilde;o patrimonial baseadas na salvaguarda e mobiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos culturais end&oacute;genos e territorializados &eacute; garantia de igual ou superior dinamismo. </p>     <p> As gravuras rupestres do Vale do C&ocirc;a que tanto inspiraram a opini&atilde;o p&uacute;blica nacional e internacional, organismos de salvaguarda do patrim&oacute;nio, associa&ccedil;&otilde;es de defesa do patrim&oacute;nio, profissionais do patrim&oacute;nio, associa&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento local, mobilizando as op&ccedil;&otilde;es e alian&ccedil;as pol&iacute;ticas necess&aacute;rias ao sucesso do paradigma &ldquo;end&oacute;geno&rdquo; de desenvolvimento, alicer&ccedil;ado naquele tesouro paleol&iacute;tico que faria desencadear outras heran&ccedil;as culturais (Gon&ccedil;alves, 2001; Lima e Reis, 2001; Reis, 2009), revelaram-se, ao fim de 20 anos, igualmente pouco significativas na invers&atilde;o das din&acirc;micas econ&oacute;mico-sociais e culturais da regi&atilde;o, pese embora o seu Museu estar nomeado, em 2012, como um dos museus do ano pelo <i>European Museum Forum</i>. </p>     <p> Assim, imp&otilde;e-se pensar criticamente o patrim&oacute;nio imaterial, sem euforias, nem radicalismos, sobretudo quando nele se vislumbram oportunidades de reabilita&ccedil;&atilde;o de viv&ecirc;ncias urbanas ou rurais. &Eacute; preciso mais do que uma paisagem ou um museu, mais do que um conjunto de pr&aacute;ticas culturais certificadas para sustentar o desenvolvimento de um espa&ccedil;o rural, de uma cidade de m&eacute;dia dimens&atilde;o ou mesmo de uma regi&atilde;o. </p>     <p> Sobretudo, &eacute; preciso tamb&eacute;m n&atilde;o atribuir ao sector cultural, patrim&oacute;nio &agrave; cabe&ccedil;a, a fun&ccedil;&atilde;o primordial de resolver problemas demogr&aacute;ficos e econ&oacute;micos, dele fazendo depender a restrutura&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os rurais ou urbanos, do emprego, do turismo ou de outras actividades de sustenta&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os. Ainda que contribua para essas din&acirc;micas, a sustentabilidade das ac&ccedil;&otilde;es sobre o patrim&oacute;nio est&aacute; em primeiro lugar no reconhecimento que os actores sociais fazem dele para o bem-estar colectivo e individual e na capacidade de envolvimento que disponibilizem e mobilizem para a sua protec&ccedil;&atilde;o, valoriza&ccedil;&atilde;o e frui&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b> </p>     <!-- ref --><p> Almeida, J.F. (1999) <i>Classes sociais nos campos</i>, Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705336&pid=S2182-3030202000020001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Bauman, Z. (2001) <i>Modernidade L&iacute;quida</i>, Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705338&pid=S2182-3030202000020001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Beck, U. (1992) <i>Risk society. Towards a new modernity</i>, London: Sage (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1986).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705340&pid=S2182-3030202000020001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Bortolotto, C. (2013), &ldquo;Les inventaires du patrimoine immat&eacute;riel en Italie: &Eacute;tat, r&eacute;gions et associations&rdquo;, in P.F. Costa (coord.) <i> Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas para o Patrim&oacute;nio Imaterial na Europa do Sul: percursos, concretiza&ccedil;&otilde;es, perspectivas </i> , Col&oacute;quio Internacional organizado por Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio Cultural- DGPC, Lisboa, pp.27-41. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Brito, J.P. (2006) &ldquo;Patrim&oacute;nios e identidades: a dif&iacute;cil constru&ccedil;&atilde;o do presente&rdquo;, in E. Peralta, M. Anico (orgs.), <i>Patrim&oacute;nios e Identidades: Fic&ccedil;&otilde;es Contempor&acirc;neas</i>, Oeiras: Celta, pp. 43-51. </p>     <p> Cabral, C.B. (2011) <i>Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial &ndash; Conven&ccedil;&atilde;o da Unesco e seus contextos</i> , Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 323 p. </p>     <!-- ref --><p> Cald&eacute;ron, J.L.M. (2013) (coord.) <i> Patrimonio inmaterial, museos y sociedad: balances y perspectivas de futuro </i> , Madrid: Ministerio de Educaci&oacute;n, Cultura y Deporte de Espa&ntilde;a. 298 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705345&pid=S2182-3030202000020001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Congresso de Estudos Rurais (2010) <i> V Congresso de Estudos Rurais: Mundos Rurais em Portugal: M&uacute;ltiplos Olhares, M&uacute;ltiplos Futuros, Livro de Actas </i> , Universidade de Aveiro, 1576 p. Dispon&iacute;vel em <a href="http://sper.pt/oldsite/4cer/LivroActasFinal_corrigido.pdf" target="_blank"> http://sper.pt/oldsite/4cer/LivroActasFinal_corrigido.pdf </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705347&pid=S2182-3030202000020001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Choay, F. (1996) <i>L&rsquo;All&eacute;gorie du Patrimoine</i>, Paris: Seuil. </p>     <!-- ref --><p> Costa, A.F. (1999) <i>Sociedade de Bairro</i>, Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705349&pid=S2182-3030202000020001700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Costa, P.F. (2013a) &ldquo;Salvaguarda do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial em Portugal (2007-2011): enquadramentos, paradigmas e instrumentos estrat&eacute;gicos&rdquo;, in J.L.M. Calder&oacute;n, (ed.), <i> Patrimonio inmaterial, museos y sociedad: balances y perspectivas de futuro </i> , Madrid: Ministerio de Educaci&oacute;n, Cultura y Deporte de Espa&ntilde;a, p. 44-72. Dispon&iacute;vel em <a href="http://es.calameo.com/read/000075335489f789a44ae" target="_blank"> http://es.calameo.com/read/000075335489f789a44ae </a> </p>     <p> Costa, P.F. (2013b) &ldquo;O &laquo;Invent&aacute;rio Nacional do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial&raquo;: da pr&aacute;tica etnogr&aacute;fica &agrave; voz das comunidades&rdquo;, in DGPC-Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio Cultural, P.F. Costa (coord.), <i> Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas para o Patrim&oacute;nio Imaterial na Europa do Sul: percursos, concretiza&ccedil;&otilde;es, perspectivas </i> , Col&oacute;quio Internacional organizado por DGPC-Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio Cultural, Lisboa, pp. 93-116. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Cust&oacute;dio, J. (1993) &ldquo;De Alexandre Herculano &agrave; Carta de Veneza (1837-1964)&rdquo;, <i>Dar Futuro ao Passado</i>, Minist&eacute;rio da Cultura/IPPAR-Instituto Portugu&ecirc;s do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico e Arqueol&oacute;gico, pp.34-72. </p>     <p> Desvall&eacute;es, A., Mairesse, F. (2010) (dir.) <i>Concepts cl&eacute;s de mus&eacute;ologie</i>, Paris, Armand Colin et ICOM-International Council on Museums, 87 p. Dsispon&iacute;vel em: <a href="https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/11327.pdf" target="_blank"> https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/11327.pdf </a> </p>     <!-- ref --><p> Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Monumentos e Edif&iacute;cios Nacionais (1999) <i>Caminhos do Patrim&oacute;nio</i>, Lisboa: DGMEN - Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Monumentos e Edif&iacute;cios Nacionais /Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705355&pid=S2182-3030202000020001700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio, Cartas e Conven&ccedil;&otilde;es internacionais, <a         href="http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/cartas-e-convencoes-internacionais-sobre-patrimonio/" target="_blank"     > http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/cartas-e-convencoes-internacionais-sobre-patrimonio/ </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705357&pid=S2182-3030202000020001700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio, Ficha de Invent&aacute;rio Nacional do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial (PCI) em <a href="http://www.matrizpci.dgpc.pt/" target="_blank">http://www.matrizpci.dgpc.pt</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705358&pid=S2182-3030202000020001700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Fortuna, C., Santos Silva, A. (2002) (orgs.) <i>Projecto e Circunst&acirc;ncia. Culturas Urbanas em Portugal</i>, Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705359&pid=S2182-3030202000020001700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Gon&ccedil;alves, M.E. (org.) (2001) <i>O Caso de Foz C&ocirc;a: um laborat&oacute;rio de an&aacute;lise sociopol&iacute;tica</i>, Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705361&pid=S2182-3030202000020001700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Gon&ccedil;alves, M.E.M.D. (2008) <i>A Lisboa dos e nos Guias Tur&iacute;sticos. Lisboa a compor-se ao espelho</i>, Tese de Mestrado, Antropologia, ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, 196 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705363&pid=S2182-3030202000020001700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Guillaume, M. (2003) <i>A Pol&iacute;tica do Patrim&oacute;nio</i>, Porto: Campo das Letras, 150 p. (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1980).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705365&pid=S2182-3030202000020001700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Hewison, R. (1987) <i>The heritage industry: Britain in a climate of decline</i>, Londres: Methuen.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705367&pid=S2182-3030202000020001700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Instituto de Gest&atilde;o do Patrim&oacute;nio Arqueol&oacute;gico e Arquitect&oacute;nico (2010) <i>100 Anos de Patrim&oacute;nio. Mem&oacute;ria e Identidade</i>, IGESPAR/Minist&eacute;rio da Cultura (coord. Jorge Cust&oacute;dio).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705369&pid=S2182-3030202000020001700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Instituto dos Museus e da Conserva&ccedil;&atilde;o (2009) <i>Museus e Patrim&oacute;nio Imaterial: agentes, fronteiras, identidades</i>, Coord. Paulo Ferreira da Costa, Lisboa: Instituto dos Museus e da Conserva&ccedil;&atilde;o, Softlimits, 400 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705371&pid=S2182-3030202000020001700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (2009) <i>Estat&iacute;sticas da Cultura 2008</i>, INE, I.P., Lisboa (A&ccedil;ores e Madeira).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705373&pid=S2182-3030202000020001700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Instituto do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico (1993) <i>Dar Futuro ao Passado</i>, Lisboa: IPPAR.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705375&pid=S2182-3030202000020001700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Instituto do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico (1995) <i>Crit&eacute;rios - Classifica&ccedil;&atilde;o de Bens Im&oacute;veis</i>, Secretaria de Estado da Cultura/IPPAR.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705377&pid=S2182-3030202000020001700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Instituto do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico (1997) <i>Interven&ccedil;&otilde;es no Patrim&oacute;nio, 1995-2000</i>, Lisboa: IPPAR.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705379&pid=S2182-3030202000020001700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Instituto do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico (2000) <i>Patrim&oacute;nio - Balan&ccedil;o e Perspectivas (2000-2006)</i>, Minist&eacute;rio da Cultura/IPPAR.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705381&pid=S2182-3030202000020001700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Karnoouh, C. (2003) &laquo;Europe: patrimoine commun et diff&eacute;rences&raquo;, in Conseil de l&rsquo;Europe, <i> Prospective: Fonctions du patrimoine culturel dans une Europe en changement </i> , Conseil de L&rsquo;Europe/Division du patrimoine culturel, pp. 31-53. </p>     <!-- ref --><p> Kirshenblatt-Gimblett, B. (1998) <i>Destination Culture. Tourism, Museums and Heritage</i>, Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705384&pid=S2182-3030202000020001700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Leal, J. (2013) &ldquo;Cultura, Patrim&oacute;nio Imaterial, Antropologia&rdquo;, in DGPC-Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio Cultural, <i> Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas para o Patrim&oacute;nio Imaterial na Europa do Sul: percursos, concretiza&ccedil;&otilde;es, perspectivas </i> , Col&oacute;quio Internacional organizado por DGPC, Lisboa, pp. 131-145. </p>     <p> Lima, A.V. (1986) &ldquo;A agricultura a tempo parcial em Portugal &ndash; uma primeira aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; sua quantifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, <i>An&aacute;lise Social</i>, vol. XXII, n&ordm;91, pp.371-379. </p>     <p> Lima, A.V. (1990) &ldquo;Agricultura de pluriactividade e integra&ccedil;&atilde;o espacial&rdquo;, <i>Sociologia &ndash; Problemas e Pr&aacute;ticas</i>, n&ordm; 8, Lisboa: CIES/ISCTE. </p>     <p> Lima, A.V., Coimbra, E., Figueiredo, A. (2000) &ldquo;Representa&ccedil;&otilde;es e valores sobre a natureza e ambiente&rdquo;, in J. Ferreira de Almeida (org.), <i> Os Portugueses e o Ambiente &ndash; I Inqu&eacute;rito Nacional &agrave;s Representa&ccedil;&otilde;es e Pr&aacute;ticas dos Portugueses sobre o Ambiente </i> , Oeiras, Celta. </p>     <p> Lima, A.V., Reis, M. (2001) &ldquo;O Culto Moderno dos Monumentos. Os P&uacute;blicos do Parque Arqueol&oacute;gico do Vale do C&ocirc;a&rdquo;, in M.E. Gon&ccedil;alves (org.), <i>O Caso de Foz C&ocirc;a: um laborat&oacute;rio de an&aacute;lise sociopol&iacute;tica</i>, Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, pp. 145-192. </p>     <p> Lima, A.V., Guerra, J. (2004) &ldquo;Degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, representa&ccedil;&otilde;es e novos valores ecol&oacute;gicos&rdquo;, in J. Ferreira de Almeida (org.), <i> Os Portugueses e o Ambiente &ndash; II Inqu&eacute;rito Nacional &agrave;s Representa&ccedil;&otilde;es e Pr&aacute;ticas dos Portugueses sobre o Ambiente </i> , Oeiras, Celta. </p>     <p> Lima, A.V. (2006) &ldquo;A Valoriza&ccedil;&atilde;o Social e Econ&oacute;mica dos Recursos dos Territ&oacute;rios Rurais no Contexto das Sociedades Modernas&rdquo;, <i>CIDADES. Comunidades e Territ&oacute;rios</i>, n&ordm;12/13, pp. 151-158. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Lopes, J.T. (1988) <i>A Cidade e a Cultura. Um estudo sobre as pr&aacute;ticas culturais urbanas</i>, Universidade do Porto, Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento, Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.bocc.ubi.pt/" target="_blank">http://www.bocc.ubi.pt</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705393&pid=S2182-3030202000020001700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Lowenthal, D. (2002) <i>The Past is a Foreign Country</i>, Cambridge: University Press (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1985).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705394&pid=S2182-3030202000020001700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Lowenthal, D. (2003) <i> Possessed by the Past: The Heritage Crusade and the Spoils of History </i> , Cambridge: University Press (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1997).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705396&pid=S2182-3030202000020001700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Macdonald, S. (2013) <i>Memorylands. Heritage and Identity in Europe today</i>, Londres/Nova Iorque: Routledge, 293 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705398&pid=S2182-3030202000020001700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Magris, C. (2010) <i>Dan&uacute;bio</i>, Lisboa: Quetzal (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1986).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705400&pid=S2182-3030202000020001700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Medeiros, A., Ramos, M.J. (2009) (orgs.) &ldquo;Introdu&ccedil;&atilde;o&rdquo;, in A. Medeiros, M.J. Ramos (orgs.), <i>Mem&oacute;ria e Artif&iacute;cio. Mat&eacute;ria do Patrim&oacute;nio II</i>, Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, pp.11-16. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Moura, V.G. (2013) <i>A Identidade Cultural Europeia</i>, Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, Lisboa, Rel&oacute;gio d&acute;&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705403&pid=S2182-3030202000020001700045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Mozzicafreddo, J., Guerra, I., Fernandes, M.A., Quintela, J. (1989) &ldquo;Modelos de gest&atilde;o e legitimidade no sistema pol&iacute;tico local&rdquo;, <i>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</i>, n&ordm; 6: 51 - 80. </p>     <p> Neto, M.J.B. (1999) &ldquo;A Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Edif&iacute;cios e Monumentos Nacionais e a Interven&ccedil;&atilde;o no Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico em Portugal (1929-1999)&rdquo;, <i>Caminhos do Patrim&oacute;nio</i>, Lisboa: DGMEN-Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Monumentos e Edif&iacute;cios Nacionais/Livros Horizonte, pp. 23-43. </p>     <p> Peixoto, P. (2002) &ldquo;Os meios rurais e a descoberta do patrim&oacute;nio&rdquo;, Coimbra: Centro de Estudos Sociais/Oficina do CES. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.bocc.ubi.pt/" target="_blank">http://www.bocc.ubi.pt</a> </p>     <!-- ref --><p> Peralta, E., Anico, M. (2006) <i>Patrim&oacute;nios e Identidades: Fic&ccedil;&otilde;es Contempor&acirc;neas</i>, Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705408&pid=S2182-3030202000020001700049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Pereira, P. (1997) &ldquo;Acerca das interven&ccedil;&otilde;es no Patrim&oacute;nio Edificado. Alguma Hist&oacute;ria&rdquo;, in <i>Interven&ccedil;&otilde;es no Patrim&oacute;nio, 1995-2000</i>, IPPAR- Instituto do Patrim&oacute;nio Arquitect&oacute;nico, Minist&eacute;rio da Cultura/IPPAR. </p>     <p> Pereira, P. (2010), &ldquo;Sob o signo de S&iacute;sifo. Pol&iacute;ticas do patrim&oacute;nio edificado em Portugal, 1980-2010&rdquo;, in <i>100 anos de Patrim&oacute;nio. Mem&oacute;ria e Identidade</i>, IGESPAR-Instituto de Gest&atilde;o do Patrim&oacute;nio Arqueol&oacute;gico e Arquitect&oacute;nico, Minist&eacute;rio da Cultura, pp. 261-280. </p>     <!-- ref --><p> Peristiany, J.G. (1988) (org.) <i>Honra e Vergonha: valores das sociedades Mediterr&acirc;neas</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705412&pid=S2182-3030202000020001700052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Pinto, J.M. (1985) <i> Estruturas sociais e pr&aacute;ticas simb&oacute;lico-ideol&oacute;gicas nos campos: elementos de teoria e de pesquisa emp&iacute;rica </i> , Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705414&pid=S2182-3030202000020001700053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Pitt-Rivers, J. (1988) &ldquo;Honra e posi&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, in J.G. Peristiany (org.) <i>Honra e Vergonha: valores das sociedades Mediterr&acirc;neas</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1988. </p>     <!-- ref --><p> Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio II, 1994-1999, Programas Operacionais, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.qca.pt/mapa_site/mapa.asp" target="_blank"> http://www.qca.pt/mapa_site/mapa.asp </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705417&pid=S2182-3030202000020001700055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Quadro Comunit&aacute;rio de Apoio III, 2000-2006/ POC, Programa Operacional da Cultura, EU/Minist&eacute;rio da Cultura, 79 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705418&pid=S2182-3030202000020001700056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p> Ramos, M.J. (2003) &ldquo;E Tudo o Fumo Levou: As Mem&oacute;rias e as Identidades&rdquo;, in M.J. Ramos (coor.), <i>A Mat&eacute;ria do Patrim&oacute;nio. Mem&oacute;rias e Identidades</i>, Lisboa: Colibri/Departamento de Antropologia do ISCTE, pp. 47-57. </p>     <p> Ramos, M.J. (2009) &ldquo;O Patrim&oacute;nio &eacute; um roubo intang&iacute;vel&rdquo; in A. Medeiros, M.J. Ramos (orgs.), <i>Mem&oacute;ria e Artif&iacute;cio. Mat&eacute;ria do Patrim&oacute;nio II</i>, Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, pp. 275-300. </p>     <p> Reis, M., Lima, A.V. (1998) &ldquo;Desenvolvimento, Territ&oacute;rio e Ambiente&rdquo;, in J.M.L. Viegas, A.F. Costa (orgs.), <i>Portugal, que modernidade?</i> Oeiras: Celta, pp. 329-363. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Reis, M. (2004) &ldquo;Patrim&oacute;nio e Ambiente: duas dimens&otilde;es da cidadania moderna. Resultados do Inqu&eacute;rito &agrave;s Atitudes dos Portugueses sobre o Patrim&oacute;nio&rdquo;, in L. Lima, M. Villaverde Cabral, J. Vala (orgs), <i>Atitudes Sociais dos Portugueses 4 - Ambiente e Desenvolvimento</i>, Lisboa: Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, pp.193-238. </p>     <p> Reis, M. (2009) &ldquo;No&ccedil;&otilde;es de Patrim&oacute;nio na Sociedade Portuguesa&rdquo;, in A. Medeiros, M.J. Ramos (orgs.), <i>Mem&oacute;ria e Artif&iacute;cio. Mat&eacute;ria do Patrim&oacute;nio II</i>, Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, pp.185-200. </p>     <!-- ref --><p> Reis, M. (2016) <i> Cidadania e patrim&oacute;nio: os novos direitos de cidadania, o espa&ccedil;o p&uacute;blico e os processos de patrimonializa&ccedil;&atilde;o na sociedade portuguesa </i> , Tese de Doutoramento, Lisboa: ISCTE-IUL, dispon&iacute;vel em <a href="https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/12365" target="_blank"> https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/12365 </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705425&pid=S2182-3030202000020001700062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Rodrigues, J. (1999) &ldquo;A Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Edif&iacute;cios e Monumentos Nacionais e restauro dos monumentos medievais durante o Estado-Novo&rdquo;, in AA.VV, <i>Caminhos do Patrim&oacute;nio</i>, DGEMN-Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Edif&iacute;cios e Monumentos Nacionais/ Livros do Horizonte: Lisboa, pp. 69-82. </p>     <!-- ref --><p> Santos, M.L.L. (1988) (coord.) <i>As Pol&iacute;ticas Culturais em Portugal</i>, Lisboa: Observat&oacute;rio das Actividades Culturais, pp. 65-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705427&pid=S2182-3030202000020001700064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Santos, M.L.L. (2005) (coord.) <i> Contribui&ccedil;&otilde;es para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no horizonte 2013 relativas ao tema Culturas, Identidade e Patrim&oacute;nio </i> , Lisboa: ICS/Observat&oacute;rio das Actividades Culturais, 154 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705429&pid=S2182-3030202000020001700065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Shanin, T. (1976) <i>Peasants and Peasant Societies</i>, Londres: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705431&pid=S2182-3030202000020001700066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Schapira, S.M. (2013) &ldquo;La funci&oacute;n social del patrimonio cultural inmaterial y los desafios de su preservaci&oacute;n en Chile&rdquo;, in J.L.M. Calder&oacute;n, (ed.), <i> Patrimonio inmaterial, museos y sociedad: balances y perspectivas de futuro </i> , Madrid: Ministerio de Educaci&oacute;n, Cultura y Deporte de Espa&ntilde;a, p. 174-179, dispon&iacute;vel em <a href="http://es.calameo.com/read/000075335489f789a44ae" target="_blank"> http://es.calameo.com/read/000075335489f789a44ae </a> </p>     <!-- ref --><p> Silva, R.H., Santos, M.L. (2000) <i>Inqu&eacute;rito aos Museus em Portugal</i>, Minist&eacute;rio da Cultura/Instituto Portugu&ecirc;s de Museus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705434&pid=S2182-3030202000020001700068&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Silva, A.S., Santos, H. (2010) &ldquo;A transforma&ccedil;&atilde;o cultural de cidades m&eacute;dias, segundo os seus agentes culturais&rdquo;, <i>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</i> , n&ordm; 62, pp. 11-34. </p>     <p> Sobral, J.M. (2006) &ldquo;Mem&oacute;ria e Identidade Nacional: considera&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter geral e o caso portugu&ecirc;s&rdquo;, ICS/Universidade de Lisboa-Working Papers, 33 p. </p>     <!-- ref --><p> Tepicht, Y. (1973) <i>Marxisme et agriculture: le paysan polonais</i>, Paris: Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705438&pid=S2182-3030202000020001700071&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Varine, H. (2012) &ldquo;Reflex&otilde;es sobre um museu de territ&oacute;rio&rdquo;, dispon&iacute;vel em <a href="http://museudodouro.pt/tpls/mu/files/encontros/pdf/hugues.pdf" target="_blank"> http://museudodouro.pt/tpls/mu/files/encontros/pdf/hugues.pdf </a> </p>     <!-- ref --><p> Ya&iuml;, O.B.J. (2003) &laquo;Perspectives Africaines sur le patrimoine culturel&raquo; (Communication inaugurale), in <i> Place-Memory-Meaning: preserving intangible values in monuments and sites </i> , ICOMOS-International Council on Monuments and Sites, 14th General Assembly and Scientific Symposium, Victoria Falls, Zimbabwe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705441&pid=S2182-3030202000020001700073&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     <p><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>]Os instrumentos de pol&iacute;tica internacional para a gest&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural, concebidos sobretudo pela Unesco mas tamb&eacute;m por outras organiza&ccedil;&otilde;es de &acirc;mbito europeu e mundial, bem como o reflexo das suas orienta&ccedil;&otilde;es e recomenda&ccedil;&otilde;es nos quadros legislativos e nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do patrim&oacute;nio adoptadas por Portugal, podem consultar-se no site da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio <a href="http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/cartas-e-convencoes-internacionais-sobre-patrimonio/" target="_blank">http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/cartas-e-convencoes-internacionais-sobre-patrimonio/</a>.         <p><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>]Mosteiro dos Jer&oacute;nimos e Torre de Bel&eacute;m, Convento de Cristo, em Tomar e Mosteiro de Sta. Maria Vit&oacute;ria, na Batalha e Angra do Hero&iacute;smo, a que se seguiriam, ainda na d&eacute;cada de 80, o Centro Hist&oacute;rico de &Eacute;vora, em 1986, e o Mosteiro de Alcoba&ccedil;a, em 1989.           <p><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>]Encontros com o Patrim&oacute;nio, 13-12-2013, programa radiof&oacute;nico emitido pela TSF em parceria com a Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Patrim&oacute;nio. <a href="https://www.tsf.pt/programa/encontros-com-o-patrimonio.html" target="_blank">https://www.tsf.pt/programa/encontros-com-o-patrimonio.html</a>     <p><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>]Paisagem Cultural de Sintra, Centro Hist&oacute;rico do Porto, S&iacute;tios Pr&eacute;-hist&oacute;ricos de Arte Rupestre do Vale do Coa e Floresta Laurissilva da Madeira, entre 1995-99; Centro Hist&oacute;rico de Guimar&atilde;es, Alto-Douro Vinhateiro, Paisagem da Cultura da Vinha na Ilha do Pico e Cidade Fronteiri&ccedil;a e de Guarni&ccedil;&atilde;o de Elvas e Suas Fortifica&ccedil;&otilde;es e Universidade de Coimbra &ndash; Alta e Sofia, entre 2001-2013.               <p><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>]Retoma-se aqui a express&atilde;o de Thomas Kuhn que, na sua referencial obra dos anos 60, A Estrutura das Revolu&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas, recorrendo ao conceito marxista de revolu&ccedil;&atilde;o, explicou o progresso do conhecimento cient&iacute;fico a partir de rupturas entre paradigmas conflituantes que se tornam incompat&iacute;veis entre si at&eacute; que um deles se se converte, provisoriamente, no paradigma dominante.                 <p><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>]Criada em 1929 (Decreto-Lei 16 791, 30 Abril) durante o per&iacute;odo do Estado Novo, no seio do Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, a Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Edif&iacute;cios e Monumentos Nacionais (DGEMN) foi a &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o at&eacute; 25 Abril de 1974 com compet&ecirc;ncia para intervir em im&oacute;veis classificados, tendo como objectivo desde o primeiro momento servir o nacionalismo do regime, que via na conserva&ccedil;&atilde;o e no restauro de certos monumentos nacionais condi&ccedil;&atilde;o sine qua non para refor&ccedil;ar a identidade nacional. Sobrevivendo ao Estado Novo, relacionando-se nem sempre da forma mais pac&iacute;fica com as novas institui&ccedil;&otilde;es do patrim&oacute;nio surgidas com a democracia, a escassos anos da sua extin&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de alguns dos seus servi&ccedil;os no IGESPAR, ao comemorar 70 anos de participa&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica do patrim&oacute;nio e sublinhar o contributo t&eacute;cnico e cultural que trouxe a essa pol&iacute;tica, a DGEMN afirma, perempt&oacute;ria, pelas palavras do seu Director-Geral, &ldquo;falar do patrim&oacute;nio arquitect&oacute;nico &eacute;, em Portugal, falar da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Edif&iacute;cios e Monumentos Nacionais&rdquo; (DGEMN, 1999: 12). Sobre o papel desta Direc&ccedil;&atilde;o-Geral na interven&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio em Portugal, bem como sobre a influ&ecirc;ncia que legou a diferentes fases da sua abordagem, cf. Cust&oacute;dio, 1993;DGEMN, 1999; Neto, 1999; Rodrigues, 1999.                   <p><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>]Al&eacute;m do IGESPAR, tamb&eacute;m a Direc&ccedil;&atilde;o Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo (DRCLVT) e o Instituto dos Museus e da Conserva&ccedil;&atilde;o (IMC) fazem agora parte da org&acirc;nica de um dos mais recentes instrumentos de pol&iacute;tica patrimonial (Lei 115/2012 de 25 de Maio).                     <p><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>]A DGEMN, para apenas referir aquela que sobreviveu mais tempo, pelos conceitos com que nomeou as interven&ccedil;&otilde;es no patrim&oacute;nio e protocolos que estabeleceu com institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, mas sobretudo pelo recurso organizado e sistem&aacute;tico de divulga&ccedil;&atilde;o do seu trabalho, regularmente publicado, ter-se-&aacute; tornado uma escola no sentido acad&eacute;mico do termo. Escola que teoriza, debate, observa e interv&eacute;m sobre o patrim&oacute;nio constru&iacute;do, no quadro da circula&ccedil;&atilde;o de conhecimento inter pares e da sua transforma&ccedil;&atilde;o em pol&iacute;ticas pouco ou quase nunca articuladas com outras esferas de ac&ccedil;&atilde;o que cada vez mais se cruzam no campo do patrim&oacute;nio.                       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>]&Eacute; not&oacute;ria a percep&ccedil;&atilde;o de alguns profissionais do patrim&oacute;nio a este respeito: &ldquo;&hellip; a 1&ordf; d&eacute;cada de 70 e 80 fez nascer muitas associa&ccedil;&otilde;es, que tiveram um papel motor das quest&otilde;es do patrim&oacute;nio, na medida em que no per&iacute;odo anterior fazia-se a discuss&atilde;o do monumento hist&oacute;rico e art&iacute;stico&hellip;as associa&ccedil;&otilde;es trouxeram &agrave; baila a discuss&atilde;o de novos aspectos ligando o patrim&oacute;nio cultural com o natural &rdquo;, Jorge Cust&oacute;dio, historiador, TSF, Encontros com o patrim&oacute;nio, 26-04-/2014.                         <p><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>]De acordo com o par&aacute;grafo 2, do Art.&ordm; 2&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o de 2003, o &laquo; patrim&oacute;nio imaterial &hellip; manifesta-se nos seguintes dom&iacute;nios:&ldquo;(a) tradi&ccedil;&otilde;es e express&otilde;es orais, incluindo a l&iacute;ngua como vector do patrim&oacute;nio cultural imaterial; (b) artes do espect&aacute;culo;(c) pr&aacute;ticas sociais, rituais e actos festivos;(d) conhecimentos e usos relacionados com a natureza e o universo; (e) t&eacute;cnicas artesanais tradicionais&rdquo; .                           <p><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>]O IMC reconhece ainda como interlocutores privilegiados, com autoridade cient&iacute;fica na investiga&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial, as seguintes entidades institucionais: Museu Nacional de Etnologia, FCSH da Universidade Nova de Lisboa, ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, FCT da Universidade de Coimbra, Universidade do Minho e Centro em Rede de Investiga&ccedil;&atilde;o em Antropologia (CRIA), centro que agrega todas as entidades anteriores, menos o Museu Nacional de Etnologia (Costa, 2013a: 54).                             <p><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>]No &acirc;mbito do IMC, o Invent&aacute;rio est&aacute; a decorrer, aguardam-se os resultados do anunciado Inqu&eacute;rito ao Patrim&oacute;nio Imaterial em Portugal para detectar projectos de salvaguarda. O Inqu&eacute;rito que, de acordo com a informa&ccedil;&atilde;o na sua p&aacute;gina electr&oacute;nica, o IMC teve em curso em 2010 e de que foi alvo um total de 494 entidades, assim repartido entre as seguintes tipologias: Museus (139), Munic&iacute;pios (308), Direc&ccedil;&otilde;es Regionais de Cultura (7) e Unidades de Investiga&ccedil;&atilde;o consideradas de potencial relev&acirc;ncia para a actua&ccedil;&atilde;o no sector (40 ). Em 2009, o IMC reuniu em extenso volume as Actas do Ciclo de Col&oacute;quios Museus e Patrim&oacute;nio Imaterial: agentes, fronteiras, identidades , 6 col&oacute;quios em que se reflecte sobre o papel dos museus e os procedimentos de invent&aacute;rio na preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio imaterial, bem como dos (novos) mediadores e protagonistas desse processo (IMC, 2009). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/File/DownLoadFile?idFicheiro=3079" target="_blank">http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/File/DownLoadFile?idFicheiro=3079</a>     <p><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>] Os conceitos n&atilde;o t&ecirc;m, como se sabe, o mesmo significado nas tradi&ccedil;&otilde;es antropol&oacute;gicas europeias. Enquanto o termo anglo-sax&oacute;nico folclore se refere a pr&aacute;ticas sobreviventes, nas sociedades avan&ccedil;adas, de estados de evolu&ccedil;&atilde;o cultural anteriores, na Alemanha, volkskunde, e traditions populaires, em Fran&ccedil;a, referem-se &agrave; &ldquo; pureza da cultura nacional preservada nas &aacute;reas rurais, fora do cosmopolitismo das metr&oacute;poles &rdquo; (Kirshenblatt-Gimblett, 1998: 304). </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>] Cf. A Recomenda&ccedil;&atilde;o para a Salvaguarda da Cultura Tradicional e do Folclore , de 1989, a Declara&ccedil;&atilde;o Universal sobre a Diversidade Cultural, de 2001 e a Declara&ccedil;&atilde;o de Istambul de 2002, conforme declara o pr&oacute;prio Pre&acirc;mbulo da Conven&ccedil;&atilde;o de 2003. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>] </font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">&ldquo;Ningu&eacute;m pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance&rdquo; (Art.&ordm;4); &ldquo;toda pessoa deve poder participar na vida cultural que escolha e exercer suas pr&oacute;prias pr&aacute;ticas culturais, dentro dos limites que imp&otilde;e o respeito aos direitos humanos e &agrave;s liberdades fundamentais&rdquo; (Art.&ordm;5). </font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>]Cf. Ficha de Invent&aacute;rio Nacional do Patrim&oacute;nioCultural Imaterial (PCI) em <a href="http://www.matrizpci.dgpc.pt" target="_blank">http://www.matrizpci.dgpc.pt</a>     <p><a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>]Para al&eacute;m da corrida de touros &agrave; portuguesa, registam-se as seguintes tradi&ccedil;&otilde;es taurom&aacute;quicas: a capeia arraiana, da raia Beir&atilde; &ndash; j&aacute; classificada no Invent&aacute;rio de PCI &ndash;, a tourada &agrave; corda nos A&ccedil;ores, a chega de bois em Montalegre, a vaca das cordas em Ponte de Lima, as esperas de toiros no Ribatejo e Vale do Tejo e os touros de morte em Barrancos e Reguengos de Monsaraz.           <p><a name="19" id="19"></a>[<a href="#top19">19</a>]Resultado da coopera&ccedil;&atilde;o de 21 Munic&iacute;pios da Regi&atilde;o Centro, abrangendo 14 concelhos: Arganil, Castelo Branco, Figueir&oacute; dos Vinhos, Fund&atilde;o, G&oacute;is e Lous&atilde;, Miranda do Corvo, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Penela, Sert&atilde; e Proen&ccedil;a-a-Nova, Vila de Rei e Vila Velha de R&oacute;d&atilde;o.           ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="20" id="20"></a>[<a href="#top20">20</a>]Jorge Queir&oacute;s, soci&oacute;logo, coordenador da candidatura da Dieta Mediterr&acirc;nica, TSF, Encontros com o Patrim&oacute;nio, 7-06-2014.           <p><a name="21" id="21"></a>[<a href="#top21">21</a>]Para al&eacute;m da abundante bibliografia sobre os mecanismos de sobreviv&ecirc;ncia da agricultura e do espa&ccedil;o rural atrav&eacute;s da pluriactividade (Almeida, 1999), (Lima, 1986; 1990), (Pinto, 1985), (Silva, 1998), cf. Sociedade de Bairro, (Costa (1999), onde se desvenda a origem rural e a presen&ccedil;a do habitus adquirido nesse espa&ccedil;o social na cultura popular urbana do emblem&aacute;tico bairro lisboeta de Alfama.           <p><a name="22" id="22"></a>[<a href="#top22">22</a>]Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Pi&oacute;d&atilde;o e Sortelha, a que se juntaram em 2003, Trancoso e Belmonte.           <p><a name="23" id="23"></a>[<a href="#top23">23</a>]74% dos visitantes dos principais monumentos e museus nacionais s&atilde;o estrangeiros (INE, 2009).  </font>     ]]></body><back>
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