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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O cinema e a cidade a interatuar: Trajetórias cruzadas entre a exibição cinematográfica e a transformação dos modos de vida em São Paulo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cinema and the city interacting: Crossing paths between the film exhibition and the transformation of the ways of life in São Paulo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to explore the relationships between the film exhibition activity and the transformation of the urban ways of life in São Paulo. Under a historiographical approach, different contexts of interaction between movie consumption and urban habits are outlined, drawing a chronological path that has as its destination and purpose, the debate about the virtualization of ways of life in contemporary cities, which was particularly accentuated by the Covid-19 pandemic. Based on this context, the text is organized into three moments. The first one explores the role of the movie theaters in modeling the modern São Paulo city, in a process that leads to the rise of both the film exhibition activity and the urbanity conditions. The second moment contemplates the reconfiguration of the movie theaters circuit, which changes itself from a city definer to be defined by it, both guided by a tendency of urban life privatization. Finally, the third moment, still in progress, refers to the digital environment consolidation and the new perspectives that derives from it, for both cinema and the city. Considering the inevitable impacts in face of the virtualization of urban life, fundamental issues must intrigue the contemporary urban studies, among which one should be specially highlighted: the relationship between current cinematographic consumption and the emptying of public spaces in the big cities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">O cinema e a cidade a interatuar. Trajet&oacute;rias cruzadas entre a exibi&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica e a transforma&ccedil;&atilde;o dos modos de vida em S&atilde;o Paulo </font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Cinema and the city interacting. Crossing paths between the film exhibition and the transformation of the ways of life in S&atilde;o Paulo</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Ana Carolina Louback Lopes<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra, Portugal. e-mail: <a href="mailto:a.loubacklopes@gmail.com" target="_blank">a.loubacklopes@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>Este artigo busca explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre a atividade de exibi&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica e as din&acirc;micas de transforma&ccedil;&atilde;o dos modos de vida na cidade de S&atilde;o Paulo. A partir de uma abordagem historiogr&aacute;fica, s&atilde;o delineados diferentes contextos de intera&ccedil;&atilde;o entre o consumo de cinema e os h&aacute;bitos urbanos na cidade, em um percurso cronol&oacute;gico que tem como destino, e prop&oacute;sito, o debate acerca da virtualiza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida nas metr&oacute;poles contempor&acirc;neas, contexto particularmente acentuado pela pandemia do Covid-19. Para tanto, o texto constr&oacute;i-se em tr&ecirc;s momentos. No primeiro, explora a participa&ccedil;&atilde;o das salas de cinema na modelagem da S&atilde;o Paulo moderna, em um processo que desemboca na ascens&atilde;o tanto da atividade exibidora, quanto das pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es de urbanidade. O segundo momento contempla um per&iacute;odo de reconfigura&ccedil;&atilde;o do circuito de exibi&ccedil;&atilde;o, que passa de definidor da cidade a ser ent&atilde;o definido por ela, ambos pautados por uma tend&ecirc;ncia de privatiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana. O terceiro momento, ainda em curso, remete finalmente &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o do ambiente digital e &agrave;s novas perspectivas que dele derivam, tanto para o cinema, quanto para a cidade. Em um cen&aacute;rio de inevit&aacute;vel impacto frente &agrave; virtualiza&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos de vida urbanos, emergem quest&otilde;es fundamentais aos estudos urbanos contempor&acirc;neos, dentre as quais destaca-se particularmente uma: as rela&ccedil;&otilde;es entre as atuais pr&aacute;ticas de consumo cinematogr&aacute;fico e o esvaziamento do espa&ccedil;o p&uacute;blico das grandes cidades. </p> <b>Palavras-chave:</b> salas de cinema, modos de vida urbanos, espa&ccedil;o p&uacute;blico, h&aacute;bitos culturais.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">This article aims to explore the relationships between the film exhibition activity and the transformation of the urban ways of life in S&atilde;o Paulo. Under a historiographical approach, different contexts of interaction between movie consumption and urban habits are outlined, drawing a chronological path that has as its destination and purpose, the debate about the virtualization of ways of life in contemporary cities, which was particularly accentuated by the Covid-19 pandemic. Based on this context, the text is organized into three moments. The first one explores the role of the movie theaters in modeling the modern S&atilde;o Paulo city, in a process that leads to the rise of both the film exhibition activity and the urbanity conditions. The second moment contemplates the reconfiguration of the movie theaters circuit, which changes itself from a city definer to be defined by it, both guided by a tendency of urban life privatization. Finally, the third moment, still in progress, refers to the digital environment consolidation and the new perspectives that derives from it, for both cinema and the city. Considering the inevitable impacts in face of the virtualization of urban life, fundamental issues must intrigue the contemporary urban studies, among which one should be specially highlighted: the relationship between current cinematographic consumption and the emptying of public spaces in the big cities..</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> movie theatres, urban ways of life, public space, cultural habits.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" />     <p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p> Diferente de outras linguagens art&iacute;sticas, o cinema surge como uma express&atilde;o essencialmente vinculada &agrave; tecnologia. Como apontou Walter Benjamin, em seu &ldquo;A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t&eacute;cnica&rdquo;, escrito em 1936, diferente do que ocorre na pintura ou mesmo na literatura, na obra cinematogr&aacute;fica a reprodu&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica constitui &ldquo;fundamento imediato na t&eacute;cnica de sua produ&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Benjamin, 1936; 1987: 172). Desse modo, n&atilde;o &eacute; surpreendente que, ao longo da hist&oacute;ria, a cadeia do cinema tenha sempre buscado alinhar-se, ou at&eacute; mesmo antecipar-se, &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas dispon&iacute;veis, seja nas formas de produ&ccedil;&atilde;o, seja nas suas formas de difus&atilde;o. Portanto, n&atilde;o &agrave; toa &eacute; que a trajet&oacute;ria da exibi&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica em S&atilde;o Paulo demonstra um estreito di&aacute;logo com a atualiza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida na metr&oacute;pole, em uma intera&ccedil;&atilde;o onde por vezes o cinema aparece como indutor, por outras, induzido, podendo chegar at&eacute; mesmo a ser descartado, frente &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es dos h&aacute;bitos urbanos. </p>     <p> Na virada para o s&eacute;culo XX, a vida moderna era &ldquo;s&oacute; um sonho&rdquo; para a cidade de S&atilde;o Paulo e, em particular, para as elites paulistanas. Situada entre as fazendas de caf&eacute; do interior do pa&iacute;s e o Porto de Santos, S&atilde;o Paulo n&atilde;o passava de um entreposto comercial. Apesar do crescimento econ&ocirc;mico gerado pela produ&ccedil;&atilde;o cafeeira, das possibilidades de transa&ccedil;&otilde;es comerciais surgidas com a implanta&ccedil;&atilde;o da estrada de ferro e do acentuado incremento populacional verificado na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX[<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a>], o n&uacute;cleo urbano era marcado por caracter&iacute;sticas essencialmente provincianas, resqu&iacute;cio da recente vida no campo. As d&eacute;cadas que se seguiram assistiriam, no entanto, a uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o: a cidade viria a vivenciar um processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o intenso, impulsionado por um forte desejo modernizador das elites locais e por estrat&eacute;gias urban&iacute;sticas arrojadas [<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>]. Neste cen&aacute;rio, equipamentos culturais, e principalmente as salas de cinema, assumiriam a importante miss&atilde;o de imprimir &agrave; cidade os tra&ccedil;os simb&oacute;licos daquele tal &ldquo;sonho&rdquo; de modernidade. Modernidade esta que viria d&eacute;cadas depois a ditar suas pr&oacute;prias regras. Em um processo de privatiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana, o cinema iniciaria um percurso de abandono do espa&ccedil;o p&uacute;blico, migrando das ruas da cidade para os <i>shopping centers</i>. </p>     <p> Tomando tal contexto como ponto de partida, este artigo busca explorar as din&acirc;micas de intera&ccedil;&atilde;o entre o consumo de cinema e a transforma&ccedil;&atilde;o dos modos de vida urbanos, com vistas a apreender o processo hist&oacute;rico que trouxe a cidade contempor&acirc;nea a um momento de profunda interioriza&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos de vida, viabilizado pela ascens&atilde;o do ambiente digital e particularmente acentuado, em 2020, pelo contexto pand&ecirc;mico do Covid-19. Frente &agrave; perspectiva de virtualiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana, em que medida o ambiente dom&eacute;stico disputar&aacute; as fun&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o coletivo? Ser&aacute; o consumo de cinema, outrora indutor da cidade cosmopolita, um dos vetores de esvaziamento do espa&ccedil;o p&uacute;blico nas cidades contempor&acirc;neas?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>O cinema como indutor da cidade moderna</b></font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Louis Wirth, um dos primeiros te&oacute;ricos a dedicar-se a uma defini&ccedil;&atilde;o acerca dos modos de vida caracter&iacute;sticos da cidade moderna, associou os tempos modernos a uma concentra&ccedil;&atilde;o populacional em &ldquo;gigantescos agregados, a partir do qual irradiar-se-ia a civiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Wirth, 1938; 1997: 46). A estes agregados chamaria cidades. As cidades, por sua vez, seriam determinadas por tr&ecirc;s crit&eacute;rios estruturantes &ndash; a dimens&atilde;o, a densidade e a heterogeneidade &ndash;, os quais confeririam a elas conte&uacute;dos culturais espec&iacute;ficos. Assim, a cultura urbana se proporia como modo de vida &ndash; &quot;<i>urbanism as a way of life</i>&quot;[<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>]&ndash;, sendo t&atilde;o mais acentuada quanto maior, mais densa, mais heterog&ecirc;nea fosse a comunidade. </p>     <p> A partir de Wirth, a S&atilde;o Paulo do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX ainda ensaiava constituir-se cidade: um n&uacute;cleo populacional recente, calcado no sucesso econ&ocirc;mico de uma atividade agr&iacute;cola, que financiara ali o desenvolvimento de uma promissora ind&uacute;stria local. Se por um lado os tra&ccedil;os da urbaniza&ccedil;&atilde;o come&ccedil;avam a aparecer, os modos de vida na segunda metade do s&eacute;culo XIX ainda eram muito apegados aos h&aacute;bitos rurais e, sobretudo, ao recente passado escravagista, conjuntura esta que, ao manter a sociedade homog&ecirc;nea e com baixa expectativa de mobilidade, configurava-se como um importante empecilho ao estabelecimento da cultura urbana nos moldes de que fala Wirth. Seduzida pelos modos de vida dos grandes centros urbanos da Europa, a elite paulistana, ansiosa por uma cidade moderna, dedicava-se &agrave; importa&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e ideais europeus, numa pr&aacute;tica que Roberto Schwarz viria a nomear de &ldquo;ideias fora do lugar&rdquo; [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>]. </p>     <p> &ldquo;Desse modo, os estratos sociais que mais benef&iacute;cios tiravam de um sistema econ&ocirc;mico baseado na escravid&atilde;o e destinado exclusivamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola procuravam criar, para seu uso, artificialmente, ambientes com caracter&iacute;sticas urbanas e europeias, cuja opera&ccedil;&atilde;o exigia o afastamento dos escravos e onde tudo ou quase tudo era produto de importa&ccedil;&atilde;o.&rdquo; (Schwarz, 2001: 73-74) </p>     <p> Assim, o que se percebe &eacute; um n&iacute;tido descompasso entre a cidade real e a cidade pretendida. No espa&ccedil;o urbano paulistano, o encontro entre o social e o espacial &ldquo;n&atilde;o [foi] nem fundado, nem interrompido, pelo aglomerado urbano&rdquo; (Stefani, 2009: 91), sendo as formas urbanas significadas a partir do interesse dos envolvidos. Ou seja, a constru&ccedil;&atilde;o da cidade de S&atilde;o Paulo deu-se a partir de uma imagem de sociedade que se queria ter, e n&atilde;o da sociedade que se tinha. Neste processo, os equipamentos urbanos, principalmente os p&uacute;blicos e de uso coletivo, foram assumidos como pe&ccedil;as estrat&eacute;gicas, constru&iacute;dos n&atilde;o exclusivamente por sua funcionalidade, mas tamb&eacute;m por sua simbologia, de modo a criar um cen&aacute;rio urbano prop&iacute;cio ao &ldquo;florescimento&rdquo; da vida moderna (Santoro, 2004). </p>     <p> Segundo Paula Santoro (2004), embora a exibi&ccedil;&atilde;o de cinema em S&atilde;o Paulo tenha tido in&iacute;cio ainda nos primeiros anos do s&eacute;culo XX, de forma ambulante e com sess&otilde;es eventuais em locais improvisados, foi s&oacute; entre as d&eacute;cadas de 10 e 20 que surgiram as primeiras salas de uso fixo, embora ainda em edif&iacute;cios adaptados. Este per&iacute;odo, no entanto, teria se configurado como um momento de transi&ccedil;&atilde;o, entre o que a autora define como a &ldquo;cidade provinciana&rdquo; e a &ldquo;cidade cosmopolita&rdquo;. &Eacute; somente a partir da d&eacute;cada de 20 que a implanta&ccedil;&atilde;o de salas de cinema na cidade vem a ganhar, de fato, novos contornos, n&atilde;o s&oacute; no que se refere &agrave; escala e &agrave; qualidade, como tamb&eacute;m &agrave; carga simb&oacute;lica que imprimia ao espa&ccedil;o urbano. </p>     <p> A d&eacute;cada de 20 marca, portanto, um per&iacute;odo de estrutura&ccedil;&atilde;o do mercado exibidor em S&atilde;o Paulo, fundado na constru&ccedil;&atilde;o de suntuosas salas, com plateias que comumente ultrapassavam os 1.000 lugares, o que caracteriza a chamada &ldquo;era dos cinemas dos engenheiros&rdquo; (Souza, 2016). O suposto &ldquo;retrato da modernidade&rdquo; era refor&ccedil;ado pela transi&ccedil;&atilde;o do cinema mudo para o cinema falado [<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>] e pelo pr&oacute;prio formato das salas, projetadas &ldquo;sob a &oacute;tica dos <i>movie palaces</i> norte-americanos, por&eacute;m sem sua pomposidade arquitet&ocirc;nica&rdquo; (Souza, 2016: 236). Foi tamb&eacute;m neste momento que se deu a entrada das distribuidoras norte-americanas no mercado cinematogr&aacute;fico brasileiro, numa experi&ecirc;ncia que se consolidou rapidamente, vindo a condicionar o consumo de cinema no pa&iacute;s at&eacute; os dias atuais. De modo geral, n&atilde;o se pode negar que tal contexto tenha contribu&iacute;do para a constru&ccedil;&atilde;o de uma cultura urbana paulistana, como se pretendia, embora os tra&ccedil;os da influ&ecirc;ncia externa tenham sido profundamente demarcados. </p>     <p> Apesar da multiplica&ccedil;&atilde;o expressiva do n&uacute;mero de salas de cinema na cidade neste per&iacute;odo, havia ainda um descompasso claro entre o desejo de urbanidade e a realidade cultural paulistana. Embora os cinemas trouxessem inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, conte&uacute;do estrangeiro e a perspectiva de uma alternativa de entretenimento capaz de abrigar as grandes plateias que se espera de uma metr&oacute;pole, a cultura da cidade mantinha bases provincianas. Em termos est&eacute;ticos, as pr&oacute;prias salas, muitas delas instaladas em antigos teatros ou galp&otilde;es remodelados, ainda preservavam desenhos arquitet&ocirc;nicos ultrapassados, numa miscel&acirc;nea de estilos que em nada dialogava com o ide&aacute;rio vanguardista que a atividade cin&eacute;fila se propunha a oferecer. </p>     <p> A partir dos anos 20, novas configura&ccedil;&otilde;es urbanas fizeram com que S&atilde;o Paulo passasse por uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o espacial, fruto de grandes planos remodeladores, voltados a alavancar de vez a almejada modernidade. &Eacute; deste per&iacute;odo o convite a Prestes Maia para elaborar seu ambicioso Plano de Avenidas (1927-1930) [<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>], que veio a promover a substitui&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o franc&ecirc;s at&eacute; ent&atilde;o predominante na cidade, pelo modelo urban&iacute;stico adotado por centros urbanos norte-americanos, sob influ&ecirc;ncia direta de Daniel Burnham, respons&aacute;vel pelo plano de expans&atilde;o desenvolvido para a moderna Chicago. O plano de Prestes Maia consistia, sobretudo, numa incisiva interven&ccedil;&atilde;o vi&aacute;ria, a qual permitiu, a partir da reformula&ccedil;&atilde;o do sistema de transportes e da abertura de grandes eixos de circula&ccedil;&atilde;o, a expans&atilde;o horizontal da cidade. Com a implementa&ccedil;&atilde;o do Plano de Avenidas e as novas oportunidades de conex&atilde;o, o parque exibidor da cidade passou por uma &ldquo;relocaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, expandindo-se rumo aos bairros numa escala surpreendente. Em termos socioculturais, este rearranjo espacial representou a populariza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia cinematogr&aacute;fica na cidade. </p>     <p> Com as interven&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas ocorridas ao longo da d&eacute;cada de 30 e o consequente espraiamento da cidade, o Centro de S&atilde;o Paulo passou a desempenhar um novo papel no contexto urbano, afirmando-se como principal polo cultural das elites da cidade. Assumia, assim, as caracter&iacute;sticas do que Manuel Castells viria a chamar de centro l&uacute;dico: &ldquo;&Eacute; o centro enquanto n&uacute;cleo l&uacute;dico, concentra&ccedil;&atilde;o de lazeres e base espacial das &lsquo;luzes da cidade&rsquo;. N&atilde;o se trata apenas do aspecto diretamente funcional dos espet&aacute;culos e centros de divers&atilde;o, mas da sublima&ccedil;&atilde;o do ambiente urbano, atrav&eacute;s de toda uma gama de escolhas poss&iacute;veis e a valoriza&ccedil;&atilde;o de uma disponibilidade de &lsquo;consumo&rsquo;, no sentido pr&oacute;prio do termo.&rdquo; (Castells, 1972; 2009: 313) </p>     <p> Foi neste contexto que surgiu a Cinel&acirc;ndia Paulistana, numa analogia &agrave; bem-sucedida Cinel&acirc;ndia carioca, que j&aacute; h&aacute; alguns anos movimentava a vida cultural do Rio de Janeiro, ent&atilde;o capital do pa&iacute;s. Num momento em que o cinema tornava-se uma atividade cultural habitual [<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>], com salas espalhadas pelos diversos bairros da cidade [<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>], a Cinel&acirc;ndia Paulistana propunha o Centro de S&atilde;o Paulo como um &ldquo;polo exibidor vip&rdquo;, ou seja, que oferecesse uma experi&ecirc;ncia privilegiada, com salas lan&ccedil;adoras, tem&aacute;ticas, com alta qualidade tecnol&oacute;gica e, sobretudo, muito <i>glamour</i>, em edif&iacute;cios especificamente projetados por expoentes arquitetos modernistas [<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>]. As d&eacute;cadas de 30 a 50 vivenciaram, sem d&uacute;vida, tempos &aacute;ureos para o mercado exibidor paulistano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>A metr&oacute;pole imp&otilde;e as suas regras</b></font> </p>     <p> O apogeu da atividade exibidora em S&atilde;o Paulo teve, no entanto, vida curta. A partir dos anos 60, o mercado exibidor paulistano passou a vivenciar um per&iacute;odo de forte decl&iacute;nio, ao qual poucos dos cinemas em atividade sobreviveram [<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>]. Se por um lado, os novos tempos representaram para os exibidores uma derrota, para a cidade, no entanto, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a perspectiva de consolida&ccedil;&atilde;o de um modo de vida cosmopolita fora alcan&ccedil;ada. E o cinema figurou como um ator fundamental neste processo. Fato &eacute; que o urbano passou de tal forma a caracterizar as formas de viver da popula&ccedil;&atilde;o paulistana, que ao cinema restou naquele momento n&atilde;o mais ditar os modos de vida da cidade, mas sim adaptar-se a eles. Como afirma Adri&aacute;n Gorelik, estudioso das cidades como arenas culturais, &ldquo; <i>las ciudades y sus representaciones se producen mutuamente</i>&rdquo; (Gorelik &amp; Peixoto, 2016: 367). </p>     <p> &ldquo;N&atilde;o seria exagero afirmar que o cinema nos colocou em contato com a t&eacute;cnica moderna do s&eacute;culo XX, determinando nosso ingresso na esfera da ind&uacute;stria cultural, a partir da&iacute; influenciando os h&aacute;bitos e padr&otilde;es de comportamento da popula&ccedil;&atilde;o, copiando penteados ou perfis de bigodes, maneiras de andar, beijar, de sorrir, antecipando como se fosse um <i>trailer</i> o que ocorreria d&eacute;cadas depois sob o poder acachapante da televis&atilde;o.&rdquo; (Sim&otilde;es, 1990: 11) </p>     <p> Diversos s&atilde;o os fatores que podem ter contribu&iacute;do para o decl&iacute;nio da atividade exibidora, mas um dos principais foi, de fato, a chegada da televis&atilde;o. Em 1950 surgira o primeiro canal de televis&atilde;o brasileiro, a TV Tupi. A possibilidade de lazer privado ofertada pela nova tecnologia chegava em um momento oportuno, quando a falta de seguran&ccedil;a, o tr&acirc;nsito e a pr&oacute;pria dimens&atilde;o que a cidade havia tomado, come&ccedil;avam a incomodar o p&uacute;blico que buscava entretenimento. Se no per&iacute;odo anterior, o fasc&iacute;nio estava na grandiosidade do espa&ccedil;o urbano, a partir dos anos 60 a cidade come&ccedil;a a se voltar para dentro de seus edif&iacute;cios. </p>     <p> Nesse sentido, vale retomar a intr&iacute;nseca rela&ccedil;&atilde;o do parque exibidor paulistano com as din&acirc;micas imobili&aacute;rias da cidade, assim como com seus deslocamentos. Ao carregar a simbologia de um modo de vida cosmopolita, t&atilde;o almejado pelas elites paulistanas, as salas de cinema, associadas &agrave;s tantas estrat&eacute;gias de moderniza&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica implementadas, foram pe&ccedil;as fundamentais no processo de valoriza&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria da &aacute;rea central de S&atilde;o Paulo, numa rela&ccedil;&atilde;o de interesse rec&iacute;proco, precisamente definida pela no&ccedil;&atilde;o de economia simb&oacute;lica. </p>     <p> &ldquo;A economia simb&oacute;lica apresenta, portanto, dois sistemas de produ&ccedil;&atilde;o paralelos que s&atilde;o cruciais para o crescimento econ&ocirc;mico de uma cidade: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, com sua sinergia de investimento de capital e significados culturais, e a produ&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos, o que molda tanto uma moeda de troca comercial, quanto uma linguagem de identidade social.&rdquo; (Zukin, 1996: 45; tradu&ccedil;&atilde;o da autora) </p>     <p> Neste casamento de interesses, coube ao circuito exibidor paulistano aliar-se &agrave;s din&acirc;micas imobili&aacute;rias da cidade, seja acompanhando os vetores de expans&atilde;o, seja espelhando as formas de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e as novas &ldquo;modas&rdquo; da vida urbana. Se na d&eacute;cada de 50 o mercado exibidor ensaiou a consolida&ccedil;&atilde;o de um circuito de cinemas de arte no Centro da cidade, voltado a atender a uma elite intelectual restrita, com o estabelecimento da Avenida Paulista como o novo eixo cultural e econ&ocirc;mico da cidade, esse circuito veio a migrar para a nova centralidade. Da mesma forma &ndash; numa escala muito mais acentuada &ndash;, com a interioriza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida da popula&ccedil;&atilde;o paulistana, a solu&ccedil;&atilde;o encontrada tanto pelo mercado imobili&aacute;rio quanto pelas salas de cinema ditas comerciais, foi o <i>shopping center</i> , tipologia urbana que passaria a se difundir pela cidade a partir dos anos 70 [<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>]. </p>     <p> Importante notar que o contexto do Centro de S&atilde;o Paulo a partir dos anos 60 n&atilde;o &eacute; exatamente de abandono, mas sim de altera&ccedil;&atilde;o de uso. Com a consolida&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o como um n&oacute; vi&aacute;rio, o fluxo de pessoas a transitar pelo Centro multiplicou exponencialmente. Com isso, o local do <i>glamour</i> e da distin&ccedil;&atilde;o passou a abrigar as multid&otilde;es. O perfil residencial foi substitu&iacute;do por usos comerciais e de servi&ccedil;os. Assim, a ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o passou a se concentrar prioritariamente no per&iacute;odo diurno, o que tornou o cen&aacute;rio noturno inseguro e, portanto, pouco atrativo aos equipamentos culturais. </p>     <p> &ldquo;Pessoas mais velhas se lembram com saudades da formalidade envolvida no uso do espa&ccedil;o p&uacute;blico, as luvas e as gravatas, a distin&ccedil;&atilde;o dos velhos cinemas, as &lsquo;boas&rsquo; ruas do centro velho em que se podia passear entre gente elegante [&hellip;]. H&aacute; muitos anos atr&aacute;s, quando o centro era usado pelas classes altas, poder se juntar &agrave; multid&atilde;o (atrav&eacute;s do uso de algumas roupas e acess&oacute;rios, por exemplo) poderia ser uma quest&atilde;o de identifica&ccedil;&atilde;o com os socialmente superiores [&hellip;]. Hoje, no entanto, as mesmas pessoas sentem a necessidade de promover a dist&acirc;ncia mais do que a identifica&ccedil;&atilde;o com os que usam o centro, pessoas mais pobres e marginalizadas &ndash; vendedores, crian&ccedil;as de rua, travestis e prostitutas.&rdquo; (Caldeira, 2003: 324) </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nesse novo cen&aacute;rio, raros cinemas conseguiram se manter em funcionamento na regi&atilde;o. Pomposos edif&iacute;cios cederam lugar a estacionamentos, igrejas, bingos, lojas de departamento, ou foram simplesmente demolidos. Algumas salas, na tentativa de se adaptar &agrave; alcunha &ldquo;marginal&rdquo; que se atribu&iacute;a a este novo Centro, passaram a exibir conte&uacute;do pornogr&aacute;fico, o que, apesar do movimento dos trabalhadores em hor&aacute;rio de almo&ccedil;o, garantiu uma sobrevida economicamente pouco digna &agrave;queles espa&ccedil;os outrora t&atilde;o badalados. Houve ainda as salas que viraram ru&iacute;nas. No eixo na Avenida S&atilde;o Jo&atilde;o, cora&ccedil;&atilde;o da Cinel&acirc;ndia, num trajeto de apenas 100 metros, &eacute; poss&iacute;vel deparar-se com o que restou do Art-Pal&aacute;cio e do Cine Ipiranga &ndash; projetados por Rino Levi &ndash;, do Cine Paissandu e do majestoso Cine Marrocos, que chegou a ser ocupado, de 2013 a 2016, por um movimento sem-teto [<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>]. </p>     <p> &ldquo;De um ponto de vista material, as zonas centrais e perif&eacute;ricas da cidade est&atilde;o hoje em liga&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima, promovida pelos transportes e os modernos meios tecnol&oacute;gicos de comunica&ccedil;&atilde;o. De um ponto de vista das sociabilidades e das suas espacialidades, os dom&iacute;nios do p&uacute;blico e do privado tamb&eacute;m se encontram em situa&ccedil;&atilde;o de contamina&ccedil;&atilde;o e m&uacute;tua influ&ecirc;ncia. De um ponto de vista cultural, aquilo que &eacute; central num dado momento ou perspectiva pode tornar-se marginal no momento seguinte ou noutra perspectiva. Mais do que um jogo de dualidades, este &eacute; um jogo de recombina&ccedil;&otilde;es de refer&ecirc;ncias, estilos e pr&aacute;ticas sociais que conduz &agrave; experi&ecirc;ncia da incoer&ecirc;ncia cultural como condi&ccedil;&atilde;o moderna da vida urbana (Simmel, 1949).&rdquo; (Fortuna &amp; Silva, 2001: 424) </p>     <p> A d&eacute;cada de 60 marcou tamb&eacute;m o in&iacute;cio do que alguns te&oacute;ricos definiram como &ldquo;Era da Cultura&rdquo; (Arantes, 1998): um per&iacute;odo em que predominou a funcionalidade da cultura, posta em sua &ldquo;forma-publicidade&rdquo;, a cargo da sedenta sociedade do espet&aacute;culo, na qual &ldquo;tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Debord, 1967, 2003: 13). Neste per&iacute;odo, a no&ccedil;&atilde;o de cultura foi revista, passando, nos termos definidos por Ot&iacute;lia Arantes, de um &ldquo;suplemento para a alma&rdquo; a uma &ldquo;anima&ccedil;&atilde;o sem alma&rdquo; (Arantes, 1998: 153). Nesta perspectiva, a cultura passou n&atilde;o s&oacute; a dedicar-se a satisfazer um mercado cada vez mais exigente e com motiva&ccedil;&otilde;es das mais diversas, como tamb&eacute;m se converteu em um instrumento indispens&aacute;vel de governabilidade. </p>     <p> Se o per&iacute;odo anterior foi o palco para o cinema, a Era da Cultura foi o momento de gl&oacute;ria para os museus, centros culturais e grandes salas de espet&aacute;culo. &Eacute; a partir desse momento que as estrat&eacute;gias de publiciza&ccedil;&atilde;o e de <i>marketing</i> urbano se acentuam, demarcando o que Christine Boyer (1994) classifica como a transi&ccedil;&atilde;o da &ldquo;cidade como panorama&rdquo; (a cidade moderna, voltada aos fluxos e fun&ccedil;&otilde;es) para a &ldquo;cidade do espet&aacute;culo&rdquo;, para a qual os grandes equipamentos culturais s&atilde;o instrumentos estrat&eacute;gicos em um processo no qual a cultura e as artes s&atilde;o tomadas enquanto meras ferramentas, no entanto fundamentais em uma jornada de ressignifica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica &ndash; e consequente valoriza&ccedil;&atilde;o urbana &ndash; dos territ&oacute;rios. A imagem das cidades passa, portanto, a assumir acentuada relev&acirc;ncia e passa a nortear pol&iacute;ticas urbanas, em particular aquelas voltadas &agrave; requalifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas centrais degradadas. </p>     <p> Confiantes na transforma&ccedil;&atilde;o urbana que equipamentos de renome poderiam propiciar, ascendentes centros urbanos pelo mundo entraram em disputa para hospedar iniciativas grandiosas, como, por exemplo, o Museu Guggenheim [<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>]. Na esteira desse <i>glamour</i>, as salas de cinema concentraram esfor&ccedil;os em inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, buscando qualificar circuitos de exclusividade, como salas 3D, IMAX, transmiss&otilde;es ao vivo, embora nenhuma das op&ccedil;&otilde;es viesse a bastar para colocar tamb&eacute;m o cinema na pauta dos grandes investimentos p&uacute;blicos [<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>]. </p>     <p> Com a readequa&ccedil;&atilde;o do parque exibidor &agrave;s novas demandas da vida urbana, novas rela&ccedil;&otilde;es entre cinema e cidade come&ccedil;aram a ser tecidas. Ao remodelarem-se as formas de apropria&ccedil;&atilde;o territorial e simb&oacute;lica do espa&ccedil;o urbano, as salas de cinema passaram a sugerir novas territorialidades na cidade: de um lado, as salas multiplex em <i>shopping centers</i>; de outro, as salas de arte em edif&iacute;cios independentes, popularmente nomeadas como &ldquo;cinemas de rua&rdquo; (Stefani, 2009: 211). Esta dualidade de tipologias expressa-se de m&uacute;ltiplas maneiras, seja nos tipos de p&uacute;blico, de conte&uacute;do ou de h&aacute;bitos de vida: p&uacute;blico de conveni&ecirc;ncia <i>versus</i> p&uacute;blico habitual, cultura de massa <i>versus</i> cinema de nicho, filmes comerciais americanos <i>versus</i> filmes de arte europeus, asi&aacute;ticos e latino-americanos, busca por seguran&ccedil;a <i>versus</i> desejo de liberdade. </p>     <p> Embora nos cinco anos anteriores o parque exibidor brasileiro tenha crescido a uma taxa anual m&eacute;dia de 4,3%, em 2018, 88,9% das salas de cinemas do pa&iacute;s localizavam-se em <i>shopping</i> <i>centers</i>, enquanto apenas 11,1% eram salas de rua (ANCINE, 2019: 8; 12). Dos 69 complexos de salas situados na cidade de S&atilde;o Paulo (os quais abrigam um total de 349 salas), apenas 10 s&atilde;o cinemas de rua [<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>]. A luta cotidiana destas salas pela sobreviv&ecirc;ncia fica evidente frente aos constantes an&uacute;ncios de fechamento, como o emblem&aacute;tico caso do Cine Belas Artes, que, gra&ccedil;as a uma farta mobiliza&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, pode manter-se em funcionamento mediante patroc&iacute;nios. O gradual desaparecimento dessas salas, ao mesmo tempo que corresponde a novas orienta&ccedil;&otilde;es do mercado de consumo cultural, reflete uma din&acirc;mica socioespacial de rejei&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o p&uacute;blico e concomitante privatiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana. Assim, os cinemas de rua passam a figurar como uma pr&aacute;tica de resist&ecirc;ncia n&atilde;o s&oacute; ao dom&iacute;nio do mercado audiovisual pelas grandes distribuidoras americanas, mas tamb&eacute;m &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano por um mercado imobili&aacute;rio cada vez mais agressivo. </p>     <p> &ldquo;A desertifica&ccedil;&atilde;o das ruas nas cidades contempor&acirc;neas &eacute; um dos sintomas mais graves da decad&ecirc;ncia da civiliza&ccedil;&atilde;o urbana. A morte dos cinemas de rua &eacute; um dos resultados mais graves desse processo. Embora nos &uacute;ltimos anos o n&uacute;mero de salas tenha se elevado significativamente em S&atilde;o Paulo, em decorr&ecirc;ncia do aumento das salas multiplex nos shoppings, &eacute; not&aacute;vel o encerramento das atividades dos cinemas que se abrem diretamente para as cal&ccedil;adas ou localizados nas galerias tradicionais.&rdquo; (Bonduki, 2003) </p>     <p> Se a rela&ccedil;&atilde;o entre din&acirc;mica urbana e perfil cultural marca o processo de decad&ecirc;ncia das salas de rua, &eacute; tamb&eacute;m a partir dela que se esbo&ccedil;am alguns ensejos de retomada. Amparados por recentes pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e iniciativas privadas pontuais de est&iacute;mulo ao uso do espa&ccedil;o p&uacute;blico em S&atilde;o Paulo, cinemas de rua t&ecirc;m conseguido, embora ainda de modo bastante t&iacute;mido, investir em algumas tentativas de requalifica&ccedil;&atilde;o de uso. Em 2019, empreendedores culturais paulistanos anunciaram a retomada de tr&ecirc;s antigas salas de cinema do Centro [<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>] &ndash; Cine Ipiranga, Bijou e Rex &ndash;, com propostas direcionadas a p&uacute;blicos de nicho, que v&atilde;o do cinema de arte a um espa&ccedil;o voltado &agrave; contempor&acirc;nea cultura <i>gamer</i> [<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>]. Tais interven&ccedil;&otilde;es complementam outras iniciativas de retomada da vida noturna na regi&atilde;o, como a abertura de novos bares, restaurantes e at&eacute; mesmo lan&ccedil;amentos imobili&aacute;rios residenciais voltados ao mercado jovem [<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>O cinema e a cidade sob a Era Digital</b></font> </p>     <p> Apesar de tanto a amplia&ccedil;&atilde;o do parque exibidor quanto a intensifica&ccedil;&atilde;o do uso do espa&ccedil;o p&uacute;blico terem constitu&iacute;do, em anos recentes, temas priorit&aacute;rios para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas setoriais, uma tend&ecirc;ncia global parece estar a conduzir os modos de vida urbanos em uma dire&ccedil;&atilde;o oposta a tais objetivos: a consolida&ccedil;&atilde;o do ambiente digital. Embora o mercado exibidor tenha crescido no Brasil nos &uacute;ltimos anos, amparado sobretudo por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de incentivo &agrave; abertura e digitaliza&ccedil;&atilde;o de salas, a chegada dos servi&ccedil;os audiovisuais sob demanda e do <i>streaming</i>, ainda n&atilde;o regulamentado no pa&iacute;s, formatam um ambiente de &aacute;rdua competi&ccedil;&atilde;o [<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20">20</a>]. Da mesma forma, embora a&ccedil;&otilde;es de est&iacute;mulo ao uso do espa&ccedil;o p&uacute;blico em S&atilde;o Paulo tenham sido promovidas, particularmente pela gest&atilde;o municipal de Fernando Haddad (2013 &ndash; 2016) [<a name="top21" id="top21"></a><a href="#21">21</a>], a oferta cada vez mais ampla de servi&ccedil;os digitais desponta como um impulso irrevers&iacute;vel &agrave; virtualiza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida urbanos. </p>     <p> J&aacute; em 1996, Castells, em seu <i>Sociedade em Rede</i>, apontava que &ldquo;a &lsquo;centralidade da casa&rsquo; [era] uma tend&ecirc;ncia importante da nova sociedade&rdquo; (Castells, 1996; 2008: 487). Se a privatiza&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos urbanos j&aacute; era uma realidade evidente na segunda metade do s&eacute;culo XX, tendo por seu principal s&iacute;mbolo o <i>shopping center</i>, com o surgimento da internet, muitas das fun&ccedil;&otilde;es exclusivas ao espa&ccedil;o coletivo passaram a ser oferecidas dentro do ambiente dom&eacute;stico, em uma din&acirc;mica que Castells classifica como a transi&ccedil;&atilde;o do &ldquo;espa&ccedil;o de lugares&rdquo; &ndash; a cidade &ndash; para o &ldquo;espa&ccedil;o de fluxos&rdquo; &ndash; a rede. Neste contexto virtual, a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; revista, assumindo uma forma n&atilde;o-espacial, no entanto, palco de forte intera&ccedil;&atilde;o social. </p>     <p> &ldquo;A vida na cidade se tornar&aacute; cada vez mais n&atilde;o-espacial e virtual. &ldquo;(&hellip;) Tamb&eacute;m pode ser &uacute;til considerar o car&aacute;ter n&atilde;o espacial do &lsquo;espa&ccedil;o p&uacute;blico&rsquo;. Os estudiosos h&aacute; muito consideram o &lsquo;dom&iacute;nio p&uacute;blico&rsquo; um fen&ocirc;meno do s&eacute;culo XIX: o am&aacute;lgama de formas de comunica&ccedil;&atilde;o que permitem ao p&uacute;blico dialogar sem estar cara a cara. Hoje, o dom&iacute;nio p&uacute;blico passou a incluir formas n&atilde;o geogr&aacute;ficas de intera&ccedil;&atilde;o, como meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa modernos, aparelhos de fax, p&aacute;ginas virtuais e email. O <i>cyberspace</i> se tornou a encarna&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna da &lsquo;pra&ccedil;a p&uacute;blica&rsquo;&rdquo;. (Herzog, 2006: 223, 224; tradu&ccedil;&atilde;o da autora) </p>     <p> Se por um lado a virtualiza&ccedil;&atilde;o dos modos de vida remete ao risco de esvaziamento do espa&ccedil;o coletivo das cidades, por outro, surge como uma op&ccedil;&atilde;o &agrave;s mais diversas restri&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; vida urbana. Como aponta Lawrence Herzog, na falta de um equipamento cultural para se reunir em seu bairro, moradores urbanos passam a buscar &ldquo;ref&uacute;gio no mundo artificial do entretenimento eletr&ocirc;nico&rdquo; (Herzog, 2006: 224). Com a economia de tempo ocasionada pela aus&ecirc;ncia de deslocamento, com custos reduzidos e alheio &agrave;s mazelas dos grandes centros urbanos (como tr&acirc;nsito e viol&ecirc;ncia), o entretenimento digital encontrou na cidade contempor&acirc;nea um ambiente f&eacute;rtil, onde passou a ganhar terreno conforme o acesso &agrave; internet expandia-se pelo espa&ccedil;o urbano. </p>     <p> Embora o estado de S&atilde;o Paulo concentre 32,8% das salas de cinema do pa&iacute;s, o munic&iacute;pio apresenta um alto &Iacute;ndice de Habitantes por Cinema (IHC): s&atilde;o 43 mil habitantes/ sala, o que o coloca na 14&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no <i>ranking</i> entre as capitais brasileiras. Al&eacute;m da oferta reduzida, cabe ressaltar que o parque exibidor paulistano est&aacute; fortemente concentrado nos bairros mais centrais da cidade, sendo escassas as op&ccedil;&otilde;es nas periferias, regi&otilde;es que abrigam grandes contingentes populacionais (Lopes, 2017). De acordo com a pesquisa por amostragem &ldquo;H&aacute;bitos Culturais dos Paulistas: Cultura em SP&rdquo;, publicada em 2014, 29,7% da popula&ccedil;&atilde;o das classes D+E declarava nunca ter ido ao cinema at&eacute; o momento (Leiva, 2014). </p>     <p> Em 2020, com o contexto moldado pela pandemia do Covid-19, a privatiza&ccedil;&atilde;o e a virtualiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana consolidaram-se como caminhos irrevers&iacute;veis. Da mesma forma que a casa passou a reabrigar fisicamente uma ampla gama de fun&ccedil;&otilde;es sociais &ndash; trabalho, escola, entretenimento, entre outras &ndash;, o espa&ccedil;o virtual afirmou-se como o lugar onde as conex&otilde;es se estabelecem. Segundo uma pesquisa realizada em junho de 2020 pela Nielsen Brasil em parceria com a Toluna, com foco em h&aacute;bitos e tend&ecirc;ncias do consumo digital, 42,8% dos brasileiros entrevistados declararam assistir conte&uacute;dos por <i>streaming</i> todos os dias, enquanto 43,9% disseram faz&ecirc;-lo ao menos uma vez por semana. Apenas 2,5% das pessoas declararam nunca assistir conte&uacute;dos por esse meio. O levantamento apontou ainda o v&iacute;deo por <i>streaming</i> como meio preferido entre os entrevistados, que transitam entre diversas plataformas: 73,5% afirmaram usar plataformas como Netflix, Globoplay e Amazon Prime, enquanto 63,8% disseram utilizar sites de v&iacute;deos como YouTube e Vimeo, 61,5%, TV aberta e 54,9%, TV a cabo (Teletime, 2020). </p>     <p> Com salas fechadas por quase sete meses [<a name="top22" id="top22"></a><a href="#22">22</a>], o parque exibidor em S&atilde;o Paulo lida com contundentes riscos a sua sobreviv&ecirc;ncia, tend&ecirc;ncia esta verificada globalmente [<a name="top23" id="top23"></a><a href="#23">23</a>]. Embora ainda restem d&uacute;vidas quanto &agrave; viabilidade econ&ocirc;mica de lan&ccedil;amentos de grandes produ&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas no <i>streaming</i>, a pandemia veio a antecipar, de forma inevit&aacute;vel, tal verifica&ccedil;&atilde;o. Ou seja, o contexto pand&ecirc;mico, apesar de seu impacto particularmente enf&aacute;tico no &acirc;mbito dos equipamentos culturais, veio a acentuar, mais do que determinar, um trajeto gradativo de decl&iacute;nio da atividade exibidora, verificado, grosso modo, desde o advento da televis&atilde;o. </p>     <p> &ldquo;Em uma vis&atilde;o de longo prazo, pode-se perceber as mudan&ccedil;as abruptas ocasionadas pelos fechamentos oriundos do coronav&iacute;rus como mais um passo na longa eros&atilde;o da hegemonia do cinema, que come&ccedil;ou com a venda dos cat&aacute;logos de filmes de Hollywood para redes de televis&atilde;o, continuou com o advento da TV a cabo e servi&ccedil;os de <i>pay-per-view</i>, intensificou-se com o surgimento de videocassetes, DVDs e Blu-rays, e floresce agora por meio de todas essas tecnologias acrescidas pelos servi&ccedil;os de <i>streaming</i> de alta resolu&ccedil;&atilde;o e monitores de tela plana.&rdquo; (Sterritt, 2020: 505; tradu&ccedil;&atilde;o da autora) </p>     <p> Se por um lado o v&iacute;nculo tecnol&oacute;gico da linguagem cinematogr&aacute;fica torna-a mais suscet&iacute;vel &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es do mercado de tecnologia, o fato de o cinema ser produzido com vistas &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica em massa, converte-o em um produto essencialmente vocacionado para a difus&atilde;o digital. Diferente de express&otilde;es art&iacute;sticas como a m&uacute;sica, o teatro ou a dan&ccedil;a, nas quais se verifica, no contexto da pandemia, um grande esfor&ccedil;o dos criadores para adapta&ccedil;&atilde;o de suas obras &ndash; e da pr&oacute;pria linguagem &ndash; ao formato digital, ao cinema confere-se tecnicamente a possibilidade de antecipar a carreira do filme, a dita &ldquo;cauda longa&rdquo;, recorrendo ao lan&ccedil;amento no <i>streaming</i> sem que haja necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o do produto f&iacute;lmico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Por terem sido, em muitos pa&iacute;ses, dos primeiros espa&ccedil;os coletivos a fechar e dos &uacute;ltimos a abrir, as salas de cinema precisar&atilde;o, no contexto de retomada p&oacute;s-pand&ecirc;mico, provarem-se n&atilde;o s&oacute; como uma atividade atrativa, como tamb&eacute;m segura <a         href="https://iscteiul365-my.sharepoint.com/personal/mcalb_iscte-iul_pt/Documents/CIDADES,%20COMUNIDADES%20E%20TERRIT%C3%93RIOS/bases%20de%20dados%20de%20indexa%C3%A7%C3%A3o/SciELO/SISTEMA%20ANTIGO/_ENVIADOS/Scielo/Serial/CCT/n41/source/n41a18.docx#_ftn23"         name="_ftnref23"         title=""     > [23] </a> . Enquanto lidam com o desafio de representarem neste momento o pior lugar para se estar, curiosamente uma solu&ccedil;&atilde;o a que recorreram diversos exibidores foi o uso do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Na contram&atilde;o dos anos anteriores, a pandemia for&ccedil;ou alguns cinemas a se deslocarem dos <i>shopping centers</i> para a cidade, seja com sess&otilde;es ao ar livre ou resgatando o formato nost&aacute;lgico do <i>drive-in</i>, numa esp&eacute;cie de movimento de retorno. Embora tais experi&ecirc;ncias sejam marginais e n&atilde;o representem economicamente uma alternativa de reconfigura&ccedil;&atilde;o da atividade exibidora frente aos atuais desafios, &eacute; simb&oacute;lico notar o contraponto entre os duetos cinema e cidade versus <i>streaming</i> e casa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font> </p>     <p> Como aponta Benjamin, &ldquo;no interior de grandes per&iacute;odos hist&oacute;ricos, a forma de percep&ccedil;&atilde;o das coletividades humanas se transforma ao mesmo tempo que seu modo de exist&ecirc;ncia&rdquo; (Benjamin, 1936; 1987: 169). De s&iacute;mbolo da cidade cosmopolita a reflexo dos novos h&aacute;bitos de consumo cultural da era da tecnologia, a trajet&oacute;ria das salas de cinema de S&atilde;o Paulo narra o processo de transforma&ccedil;&atilde;o dos modos de vida urbanos. Enquanto salas em ru&iacute;nas espalhadas pelo Centro simbolizam a ascens&atilde;o e o decl&iacute;nio da vida moderna e os multiplexes aparecem como retrato da p&oacute;s-modernidade, o <i>streaming</i> , por sua vez, demarca a consolida&ccedil;&atilde;o da Era Digital, sob a qual ergue-se um universo de possibilidades que amparam um processo de virtualiza&ccedil;&atilde;o da vida urbana. Ao passo que o ambiente digital responde a demandas cada vez mais individualizadas de seus usu&aacute;rios, assiste-se a um gradativo esvaziamento das esferas coletivas nas grandes cidades. Diante deste cen&aacute;rio, ser&atilde;o os novos h&aacute;bitos de consumo cinematogr&aacute;fico respons&aacute;veis pelo decl&iacute;nio do espa&ccedil;o p&uacute;blico ou apenas um reflexo dele? De que forma a virtualiza&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos urbanos pode impactar as condi&ccedil;&otilde;es de urbanidade nas cidades contempor&acirc;neas? </p>     <p> A sala de cinema, mais do que um recinto tecnicamente preparado para exibir uma obra f&iacute;lmica com qualidade particular, tem como atributo o encontro. O modo como um espectador percepciona a obra cinematogr&aacute;fica em um ambiente coletivo, n&atilde;o ser&aacute; o mesmo com que o far&aacute; de forma solit&aacute;ria. As trocas entre os espectadores, seja no antes, no decorrer ou ap&oacute;s a exibi&ccedil;&atilde;o, somam ao filme elementos capazes de multiplicar as percep&ccedil;&otilde;es da obra a cada nova reprodu&ccedil;&atilde;o. A esta atualiza&ccedil;&atilde;o do objeto, Benjamin atribui o que classifica como valor de exposi&ccedil;&atilde;o. Portanto, e recorrendo a um paralelo com o conceito de rua (Delgado e Malet, 2007), &eacute; o fato de a sala de cinema configurar-se como um territ&oacute;rio de exposi&ccedil;&atilde;o, tanto no sentido do exibir-se quanto do arriscar-se, que a diferencia da exibi&ccedil;&atilde;o por <i>streaming</i>. Nesse sentido, poder-se-ia dizer que o que contrap&otilde;e o bin&ocirc;mio &ldquo;cinema-cidade&rdquo; ao &ldquo;<i>streaming</i>-casa&rdquo; &eacute;, portanto, a pr&aacute;tica da cidadania. </p>     <p> Se no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX o cinema serviu ao papel de convidar a popula&ccedil;&atilde;o a vivenciar o espa&ccedil;o p&uacute;blico e, com isso, aderir aos modos de vida citadinos, seu movimento de retorno &agrave; casa coloca em revis&atilde;o nosso pr&oacute;prio entendimento de cidade. Em um momento em que pr&aacute;ticas urbanas deslocam-se do espa&ccedil;o p&uacute;blico para o ambiente digital, mais do que uma altera&ccedil;&atilde;o das formas de consumo, o que pode estar em jogo &eacute; a pr&aacute;tica da cidadania e, numa perspectiva mais alargada, a op&ccedil;&atilde;o pela democracia como modo de vida. Em uma entrevista recente, o diretor de fotografia Luca Bigazzi, colocava a desapari&ccedil;&atilde;o dos cinemas como uma &ldquo;arma de controle social&rdquo; (Koch, 2019). Tomando tal afirma&ccedil;&atilde;o enquanto uma provoca&ccedil;&atilde;o, fica a pergunta: seriam as novas formas de consumo cinematogr&aacute;fico uma amea&ccedil;a ao esp&iacute;rito democr&aacute;tico que emana do espa&ccedil;o p&uacute;blico?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font> </p>     <!-- ref --><p> ANCINE (2019) Salas de Exibi&ccedil;&atilde;o 2018 — Informe de Mercado. ANCINE. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://oca.ancine.gov.br/sites/default/files/repositorio/pdf/informe_salas_de_exibicao_2018.pdf" target="_blank"     > https://oca.ancine.gov.br/sites/default/files/repositorio/pdf/informe_salas_de_exibicao_2018.pdf </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705612&pid=S2182-3030202000020001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Arantes, O. B. F. (1998) <i> Urbanismo em fim de linha: E outros estudos sobre o colapso da moderniza&ccedil;&atilde;o arquitet&ocirc;nica </i> . S&atilde;o Paulo: Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705613&pid=S2182-3030202000020001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Benjamin, W. (1987) <i>Magia e t&eacute;cnica, arte e pol&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705615&pid=S2182-3030202000020001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Bonduki, N. (2003, junho 13) &ldquo;O cinema e a cidade&rdquo;, <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1306200310.htm" target="_blank"> https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1306200310.htm </a> </p>     <!-- ref --><p> Boyer, M. C. (1994) <i> The city of collective memory: Its historical imagery and architectural entertainments </i> . Cambridge, Mass: MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705618&pid=S2182-3030202000020001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Caldeira, T. P. do R. (2003) <i>Cidade de muros: Crime, segrega&ccedil;&atilde;o e cidadania em S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705620&pid=S2182-3030202000020001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Castells, M. (1996; 2008) <i>A sociedade em rede</i>. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705622&pid=S2182-3030202000020001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Castells, M. (1972; 2009) <i>A quest&atilde;o urbana</i>. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705624&pid=S2182-3030202000020001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Debord, G. (1967; 2003) <i> A sociedade do espet&aacute;culo: Coment&aacute;rios sobre a sociedade do espet&aacute;culo </i> . Rio de Janeiro: Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705626&pid=S2182-3030202000020001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Delgado, M., &amp; Malet, D. (2007) &ldquo;El espacio p&uacute;blico como ideologia&rdquo;, <i>Jornadas Marx siglo XXI Universidad de la Rioja</i>, Logro&ntilde;o. </p>     <p> Folha de S&atilde;o Paulo (2001, maio 27) &ldquo;Revitaliza&ccedil;&atilde;o traz investimento&rdquo;, <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2705200110.htm" target="_blank"> https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2705200110.htm </a> </p>     <p> Fortuna, C., Silva, A. S. (2001) &ldquo;A cidade do lado da cultura: Espacialidades sociais e modalidades de intermedia&ccedil;&atilde;o cultural&rdquo;, in B. de S. Santos (Org.), <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o: Fatalidade ou utopia?</i>, Porto: Ed. Afrontamento, pp. 409&ndash;461. </p>     <!-- ref --><p> Gorelik, A., Peixoto, F. A. (Orgs.) (2016) <i> Ciudades sudamericanas como arenas culturales: Artes y medios, barrios de &eacute;lite y villas miseria, intelectuales y urbanistas: c&oacute;mo ciudad y cultura se activan mutuamente </i> . Buenos Aires: Siglo Veintiuno Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705631&pid=S2182-3030202000020001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Guilherme, G. (2020, outubro 6) &ldquo;A&ccedil;&otilde;es de cinema despencam mais de 50% &ndash; e James Bond &eacute; o culpado&rdquo;, <i>Exame</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://exame.com/mercados/acoes-de-cinema-despencam-mais-de-50-e-james-bond-e-o-culpado/" target="_blank"     > https://exame.com/mercados/acoes-de-cinema-despencam-mais-de-50-e-james-bond-e-o-culpado/ </a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Herzog, L. A. (2006) <i> Return to the center: Culture, public space, and city building in a global era </i> (1st ed) Austin: University of Texas Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705634&pid=S2182-3030202000020001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Izeli, R. L. (2018) &ldquo;Pr&aacute;ticas e redes: A ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico na cidade de S&atilde;o Paulo&rdquo;, <i>42o Encontro Anual da ANPOCS</i>, pp. 1&ndash;26. </p>     <p> Koch, T. (2019, junho 12) &ldquo;La desaparici&oacute;n de los cines es un arma de control social&rdquo;, <i>El Pa&iacute;s</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://elpais.com/cultura/2019/06/11/actualidad/1560253541_899653.html?%20id_externo_rsoc=FB_CM&amp;fbclid=IwAR1uuHMkBYFl6cGBA65wI1aihuz39198mHfbsqXNZjMbTgiAzcdJzw_1S5o" target="_blank"     > https://elpais.com/cultura/2019/06/11/actualidad/1560253541_899653.html? id_externo_rsoc=FB_CM&amp;fbclid=IwAR1uuHMkBYFl6cGBA65wI1aihuz39198mHfbsqXNZjMbTgiAzcdJzw_1S5o </a> </p>     <p> Koljonen, J. (2018) <i>Nostradamus Report: Do or Die?</i> (p. 47 p.) G&ouml;teborg: G&ouml;teborg Film Festival; Lindhomen Science Park. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://goteborgfilmfestival.se/wp-content/uploads/2018/02/GFF18_nostradamus-web.pdf" target="_blank"     > https://goteborgfilmfestival.se/wp-content/uploads/2018/02/GFF18_nostradamus-web.pdf </a> </p>     <!-- ref --><p> Landry, C. (2006) <i>The art of city-making</i>. Sterling, VA: Earthscan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705639&pid=S2182-3030202000020001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Leiva, J. (2014) <i>Cultura SP: H&aacute;bitos culturais dos paulistas</i>. S&atilde;o Paulo: Tuva Editora. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pesquisasp.com.br/" target="_blank">http://www.pesquisasp.com.br</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705641&pid=S2182-3030202000020001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Lopes, A. C. L. (2017) &ldquo;O papel das pol&iacute;ticas culturais na democratiza&ccedil;&atilde;o das cidades: O Circuito Spcine de Cinema&rdquo;, <i>Anais do VIII Semin&aacute;rio Internacional de Pol&iacute;ticas Culturais</i>, pp. 192&ndash;201. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Casa de Rui Barbosa.</p>     <p> Mengue, P. (2019, abril 27) &ldquo;Cinemas de rua ressurgem em S&atilde;o Paulo, entre projetos saudosistas e <i>gamers</i>&rdquo;, <i>O Estado de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,cinemas-de-rua-ressurgem-em-sp-entre-projetos-saudosistas-e-gamers,70002806939?fbclid=IwAR0pBf2e-GAjjP21jQmlOHQrHsNneX1dQTd-A-E39_QRZj2U10a6xpcmGAk" target="_blank"     > https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,cinemas-de-rua-ressurgem-em-sp-entre-projetos-saudosistas-e-gamers,70002806939?fbclid=IwAR0pBf2e-GAjjP21jQmlOHQrHsNneX1dQTd-A-E39_QRZj2U10a6xpcmGAk </a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nobre, L. (2003) &ldquo;Guggenheim-Rio &eacute; vis&atilde;o estereotipada do Brasil&rdquo;, <i>F&oacute;rum Permanente</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="http://www.forumpermanente.org/rede/numero/rev-numero2/ligia-nobre" target="_blank"     > http://www.forumpermanente.org/rede/numero/rev-numero2/ligia-nobre </a> </p>     <p> Oliveira, J. (2019, dezembro 7) &ldquo;Ok, &lsquo;<i>boomers</i>&rsquo;, explicamos a Comic Con Experience, a festa &lsquo;<i>geek</i>&rsquo; milion&aacute;ria que arrebata S&atilde;o Paulo&rdquo;, <i>El Pa&iacute;s</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-07/ok-boomers-explicamos-a-comic-con-experience-a-festa-geek-milionaria-que-arrebata-sao-paulo.html" target="_blank"     > https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-07/ok-boomers-explicamos-a-comic-con-experience-a-festa-geek-milionaria-que-arrebata-sao-paulo.html </a> </p>     <!-- ref --><p> Reis Filho, N. G. (1994) <i>Algumas Experi&ecirc;ncias Urban&iacute;sticas do In&iacute;cio da Rep&uacute;blica: 1890-1920</i>. S&atilde;o Paulo: FUPAM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705646&pid=S2182-3030202000020001800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Santoro, P. F. (2004) A rela&ccedil;&atilde;o da sala de cinema com o espa&ccedil;o urbano em S&atilde;o Paulo: Do provinciano ao cosmopolita, Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, S&atilde;o Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705648&pid=S2182-3030202000020001800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Schwarz, R. (1977; 2000) <i>Ao vencedor as batatas</i>. S&atilde;o Paulo: Livraria Duas Cidades.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705650&pid=S2182-3030202000020001800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Schwarz, R. (2001) <i>Cultura e pol&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705652&pid=S2182-3030202000020001800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Sim&otilde;es, I. F. (1990) <i>Salas de cinema de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Secretaria municipal de Cultura/ Secretaria de Estado de Cultura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705654&pid=S2182-3030202000020001800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Souza, J. I. de M. (2016) <i> Salas de cinema e hist&oacute;ria urbana de S&atilde;o Paulo (1895-1930): O cinema dos engenheiros </i> . S&atilde;o Paulo: Editora Senac S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705656&pid=S2182-3030202000020001800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Stefani, E. B. (2009) A geografia dos cinemas no lazer paulistano contempor&acirc;neo: Redes e territorialidades dos cinemas de arte e multiplex, Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Geografia Humana, Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade de S&atilde;o Paulo - Departamento de Geografia. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-04022010-151528/publico/EDUARDO_BAIDER_STEFANI.pdf" target="_blank"     > https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-04022010-151528/publico/EDUARDO_BAIDER_STEFANI.pdf </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705658&pid=S2182-3030202000020001800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Sterritt, D. (2020) &ldquo;Virtual Cinema&rdquo;, <i>Quarterly Review of Film and Video</i>, 37(6), pp. 505&ndash;507. <a href="https://doi.org/10.1080/10509208.2020.1772655" target="_blank"> https://doi.org/10.1080/10509208.2020.1772655 </a> . </p>     <p> Sychowski, P. von. (2020, outubro 19) &ldquo;CJ Analysis: The Number of COVID-19 Outbreaks Traced to Cinemas is Zero&rdquo;. <i>Celluloid Junkie</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://celluloidjunkie.com/%202020/10/19/cj-analysis-the-number-of-covid-19-outbreaks-traced-to-cinemas-is-zero/" target="_blank"     > https://celluloidjunkie.com/ 2020/10/19/cj-analysis-the-number-of-covid-19-outbreaks-traced-to-cinemas-is-zero/ </a> . </p>     <!-- ref --><p> Tela (2015) <i>Diretor recria cl&aacute;ssicos do cinema com moradores de ocupa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: TV Carta Capital. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=FsJ2sG1L_JU" target="_blank"> https://www.youtube.com/watch?v=FsJ2sG1L_JU </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705661&pid=S2182-3030202000020001800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Teletime. (2020, setembro 24) &ldquo;Consumo de <i>streaming</i> &eacute; h&aacute;bito di&aacute;rio para 42,8% dos brasileiros durante a pandemia&rdquo;, <i>Teletime</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://teletime.com.br/24/09/2020/consumo-de-streaming-e-habito-diario-para-428-dos-brasileiros-durante-a-pandemia/" target="_blank"     > https://teletime.com.br/24/09/2020/consumo-de-streaming-e-habito-diario-para-428-dos-brasileiros-durante-a-pandemia/ </a> </p>     <!-- ref --><p> Toledo, B. L. de. (1996) <i>Prestes Maia e as origens do urbanismo moderno em S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Empresa das Artes Projetos e Edi&ccedil;&otilde;es Art&iacute;sticas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1705663&pid=S2182-3030202000020001800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Wirth, L. (1938; 1997) &ldquo;O urbanismo como modo de vida&rdquo;, in C. Fortuna (Org.), <i>Cidade, cultura e globaliza&ccedil;&atilde;o: Ensaios de sociologia</i>. Oeiras: Celta Editora, pp. 46&ndash;66. </p>     <p> Zanatta, B. (2020, agosto 9) &ldquo;Centro de S&atilde;o Paulo atrai novos moradores, mas vazio habitacional ainda preocupa&rdquo;, <i>O Estado de S&atilde;o Paulo</i>. Dispon&iacute;vel em <a         href="https://economia.estadao.com.br/blogs/radar-imobiliario/centro-de-sao-paulo-atrai-novos-moradores-mas-vazio-habitacional-ainda-preocupa/" target="_blank"     > https://economia.estadao.com.br/blogs/radar-imobiliario/centro-de-sao-paulo-atrai-novos-moradores-mas-vazio-habitacional-ainda-preocupa/ </a> </p>     <p> Zukin, S. (1996) &ldquo;Space and Symbols in an Age of Decline&rdquo;, in A. D. King (Org.), <i> Re-presenting the city: Ethnicity, capital and culture in the twenty-first century metropolis </i> . London: Macmillan Press Ltd., pp. 43&ndash;59.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     <p><a name="2" id="2"></a>[<a href="#top2">2</a>]A popula&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo quase quadruplicou no per&iacute;odo de virada do s&eacute;culo XIX para o s&eacute;culo XX, passando de 64.934 habitantes em 1890 para 239.820 habitantes em 1900 (PMSP; IBGE, 2010).      <p><a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>]De 1899 a 1910, a administra&ccedil;&atilde;o de Ant&ocirc;nio Prado implementou uma s&eacute;rie de remodela&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas na cidade de S&atilde;o Paulo, tais como alargamento de vias e passeios, cria&ccedil;&atilde;o de pra&ccedil;as e jardins, reforma e constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios, numa declarada tentativa de delinear uma nova identidade &agrave; &aacute;rea central da cidade. Entre 1911 e 1914, a gest&atilde;o de Raimundo Duprat daria continuidade a este anseio, com a implementa&ccedil;&atilde;o do Plano Bouvard, concebido pelo urbanista franc&ecirc;s Joseph-Antoine Bouvard, cuja execu&ccedil;&atilde;o seria paralisada com a eclos&atilde;o da 1&ordf; Guerra Mundial. Sobre as interven&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas no per&iacute;odo, ver Reis Filho (1994).      <p><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>]A express&atilde;o se refere ao texto de mesmo nome (Wirth, 1938; 1997).      <p><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>]A no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;ideais fora do lugar&rdquo;, sugerida por Schwarz (1977; 2000), refere-se a uma constru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que resulta da disparidade entre uma sociedade escravagista e socialmente ultrapassada e o ide&aacute;rio do liberalismo europeu.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>]O cinema falado, al&eacute;m do fasc&iacute;nio gerado pela inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, permitiu uma nova representa&ccedil;&atilde;o da cidade moderna e dos modos de vida urbanos. Como aponta Landry (2006), estando a urbaniza&ccedil;&atilde;o intrinsecamente vinculada &agrave; prolifera&ccedil;&atilde;o de som, a cidade moderna &eacute; tamb&eacute;m definida, portanto, por sua paisagem sonora, assim como pelos h&aacute;bitos sonoros de seus habitantes.      <p><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>]Sobre o Plano de Avenidas de Prestes Maia, ver Toledo (1996).      <p><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>]Segundo Sim&otilde;es (1990), em 1940, quando a popula&ccedil;&atilde;o paulistana era de 1.317.396 habitantes, a oferta de assentos nos cinemas da capital se aproximava dos 100 mil, ocupados por 19.526.224 espectadores, o que conferia uma frequ&ecirc;ncia per capita de 15 sess&otilde;es ao ano. Nos cinco anos seguintes, as taxas de crescimentos de p&uacute;blico superariam as taxas de crescimento demogr&aacute;fico.      <p><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>]Dentre as dez salas de maior frequ&ecirc;ncia em 1945, seis delas estavam na Cinel&acirc;ndia. Outras tr&ecirc;s no Br&aacute;s e uma na Pra&ccedil;a da S&eacute;, o dito &ldquo;Centro antigo&rdquo; (Sim&otilde;es, 1990).      <p><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>]Sobre a arquitetura das salas de cinema deste per&iacute;odo, vale mencionar a presen&ccedil;a de Rino Levi, importante representante da escola moderna de arquitetura paulistana, respons&aacute;vel por emblem&aacute;ticas salas de cinema deste per&iacute;odo. Seu projeto para o Ufa-Palace &ndash; mais tarde nomeado Art-Pal&aacute;cio -, constru&iacute;do em 1936, elevou o referencial de qualidade para os edif&iacute;cios que o seguiram. Com 3.139 lugares, distribu&iacute;dos em plateia t&eacute;rrea e mezanino, esta sala inaugurava padr&otilde;es de visibilidade, ac&uacute;stica e conforto impec&aacute;veis, al&eacute;m de um tra&ccedil;ado arquitet&ocirc;nico ousado, condizente com o novo contexto urbano que se pretendia delinear.      <p><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>]Nos anos 60 a Cinel&acirc;ndia tinha 30 cinemas em funcionamento. Em 1985, restavam 14 (Santoro, 2004).      <p><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>]O primeiro shopping center de S&atilde;o Paulo, o Iguatemi, foi inaugurado em 1966, representando a primeira experi&ecirc;ncia deste tipo de estabelecimento na Am&eacute;rica Latina.      <p><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>]A ocupa&ccedil;&atilde;o do Cine Marrocos foi retratada pelo document&aacute;rio &ldquo;Cine Marrocos&rdquo; (2018), de Ricardo Calil, que explora a dualidade entre a glamour e a pobreza simbolizada pelo edif&iacute;cio. Para mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o filme, ver Tela (2015).      <p><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>]A proposta do Museu Guggenheim para S&atilde;o Paulo, apresentada em 2001 e que envolvia um investimento de US$ 150 milh&otilde;es, foi recusada pelo ent&atilde;o Secret&aacute;rio de Planejamento do munic&iacute;pio, o arquiteto Jorge Wilheim, que defendia que a regi&atilde;o precisava era &ldquo;de gente&rdquo;, &ldquo;de vizinhos para os 60 mil moradores que teimam contra a di&aacute;spora&rdquo; (Folha de S&atilde;o Paulo, 2001). O projeto do Museu Guggenheim-Rio, apresentado em 2003, de autoria do arquiteto Jean Nouvel, ocasionou uma ampla discuss&atilde;o em torno da pertin&ecirc;ncia de tamanho investimento no contexto da capital carioca, optando-se, ao final, pelo abandono da proposta (Nobre, 2003).      <p><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>]Segundo dados da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema - ANCINE, somente em 2009, mediante uma pol&iacute;tica p&uacute;blica de incentivos &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o do parque exibidor no pa&iacute;s, &eacute; que o Brasil veio a retomar o n&uacute;mero de salas existentes no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970 (ANCINE, 2019).      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>]Dado fornecido pela Empresa de Cinema e Audiovisual de S&atilde;o Paulo &ndash; Spcine, em publica&ccedil;&atilde;o no Facebook em 30 de outubro de 2019, relativa &agrave; entrega de Placas de Mem&oacute;ria Paulistana aos cinemas de rua da cidade.      <p><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>]A cultura geek em S&atilde;o Paulo &eacute; um nicho farto e em forte ascens&atilde;o. Atualmente a Comic Con Experience S&atilde;o Paulo &eacute; a maior do mundo, tendo reunido em 2019 (6&ordf; edi&ccedil;&atilde;o), 280.000 pessoas. O evento &eacute; promovido pela Omelete, atualmente uma das marcas mais relevantes do Brasil em cultura pop, e uma das respons&aacute;veis pela retomada do Cine Ipiranga. Sobre a CCXP-SP, ver Oliveira (2019).      <p><a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>]Segundo a Abrainc - Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Incorporadoras Imobili&aacute;rias, mesmo com o contexto pand&ecirc;mico, os investimentos imobili&aacute;rios no Centro de S&atilde;o Paulo seguem em ascens&atilde;o. No segundo trimestre de 2020, dados apontam a concess&atilde;o de 10 alvar&aacute;s para constru&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios residenciais na regi&atilde;o, 150% a mais do que no mesmo per&iacute;odo do ano anterior. Em 12 meses, foram ao todo 37 alvar&aacute;s para a regi&atilde;o central (Zanatta, 2020).      <p><a name="19" id="19"></a>[<a href="#top19">19</a>]J&aacute; em 2018, o Nostradamus Report (Koljonen, 2018), relat&oacute;rio voltado &agrave;s tend&ecirc;ncias do mercado audiovisual global, elaborado pelo Festival de Gotemburgo (Su&eacute;cia) e apresentado anualmente no Festival de Cannes, apontava para a avalanche que se configurava com a chegada do streaming. Em cap&iacute;tulo intitulado &ldquo; All Swept Into the Stream&rdquo;, previu a supera&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o pelos servi&ccedil;os de streaming (SVOD), assim como o surgimento de modelos transacionais mais arrojados. Em cap&iacute;tulo seguinte, enfatizou o desafio a ser encarado pelo mercado exibidor nos anos seguintes, enfatizando a prioriza&ccedil;&atilde;o dos investimentos em exclusividade e experi&ecirc;ncia.      <p><a name="20" id="20"></a>[<a href="#top20">20</a>]A referida gest&atilde;o assumiu como um dos focos priorit&aacute;rios de atua&ccedil;&atilde;o a ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico, implementando a&ccedil;&otilde;es diversas neste sentido, dentre as quais a mais emblem&aacute;tica foi o programa Ruas Abertas, que previa, aos finais de semana, o fechamento tempor&aacute;rio aos carros de vias da cidade. O programa teve in&iacute;cio com a simb&oacute;lica &ldquo;abertura&rdquo;, em 2015, da Avenida Paulista, um dos principais eixos vi&aacute;rios da cidade. Ver Izeli (2018).      <p><a name="21" id="21"></a>[<a href="#top21">21</a>]Em virtude da pandemia do Covid-19, as salas de cinema de S&atilde;o Paulo ficaram fechadas de 20 de mar&ccedil;o a 10 de outubro de 2020.      <p><a name="22" id="22"></a>[<a href="#top22">22</a>]Desde o in&iacute;cio de 2020, as a&ccedil;&otilde;es da CineWorld acumulam perdas de 87,3%, enquanto as da rede americana Cinemark ca&iacute;ram 74,6% e as da AMC, a maior cadeia de cinemas do Estados Unidos, depreciaram-se 50,4% (Guilherme, 2020).      <p><a name="23" id="23"></a>[<a href="#top23">23</a>]Embora uma pesquisa publicada em 19/10/2020 tenha comprovado, por rastreamento de cont&aacute;gio e acompanhamento de relat&oacute;rios p&uacute;blicos, que as salas de cinema n&atilde;o se configuraram como vetores de cont&aacute;gio - como as igrejas, por exemplo -, o que se verifica s&atilde;o taxas de ocupa&ccedil;&atilde;o das salas extremamente baixas nos primeiros meses de reabertura (Sychowski, 2020).</p> </font>     ]]></body><back>
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