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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recensão do livro "A Future History of Water"]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>RESENHA</b></font></p>     <p align="right"></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4"><b>Recens&atilde;o do livro &ldquo;A Future History of Water&rdquo;</b></font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"><b>Review of &ldquo;A Future History of Water&rdquo;</b></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="2">M&aacute;rcia R. Lopes<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b>     <p></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font></font><font size="2" face="Verdana">Iscte e Universidade Nova de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:mrlsa@iscte-iul.pt." target="_blank">mrlsa@iscte-iul.pt</a></font>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Future History of Water</font></b></p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Andrea Ballestero</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durham: Duke University Press, 2019</font><br/>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> </font>     <p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <p>     <p> A etnografia <i>A Future History of Water</i>, de Andrea Ballestero, foi conduzida na Costa Rica e no estado brasileiro do Cear&aacute;. Os dois pa&iacute;ses n&atilde;o reconhecem oficialmente a &aacute;gua como um direito humano e no caso do Brasil alguns sistemas de abastecimentos foram recentemente privatizados. Por isso, segundo a antrop&oacute;loga, garantir sua provis&atilde;o envolve negociar constantemente teores de reformas administrativas e constitucionais, protocolos de ajustes de pre&ccedil;os e a gest&atilde;o dos sistemas de abastecimento. H&aacute; quase duas d&eacute;cadas Ballestero interage com funcion&aacute;rios p&uacute;blicos de todos os escal&otilde;es, gestores e trabalhadores de ONGs, pesquisadores de universidades e consultores em reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, viagens de trabalho, oficinas e noutros encontros comunit&aacute;rios. S&atilde;o tamb&eacute;m, a autora inclu&iacute;da, ativos participantes de eventos internacionais que discutem a quest&atilde;o do acesso adequado &agrave; &aacute;gua em escala global. </p>     <p> Com boa parte desses interlocutores uma diferencia&ccedil;&atilde;o se sobressa&iacute;a nas intera&ccedil;&otilde;es: a &aacute;gua direito humano e a &aacute;gua mercadoria. Estes destacavam dispositivos tecno-legais e calculativos de grande import&acirc;ncia na garantia do direito humano (2019: 10). Ao manterem a conversa atrav&eacute;s de uma justificativa t&eacute;cnica, produziam um enquadramento para onde se canalizavam disputas pol&iacute;ticas e onde se dificultavam as investidas mais mercantilizantes (2019: 58). O principal argumento de Ballestero &eacute; que a fronteira definindo &aacute;gua direito humano e &aacute;gua mercadoria n&atilde;o &eacute; fixa. Essas margens s&atilde;o negoci&aacute;veis e envolvem sensibilidades contraintuitivas mais do que se imaginaria. A hist&oacute;ria &eacute; resultado de conjunturas dependentes das m&uacute;ltiplas for&ccedil;as negociantes. Ballestero deixa entrever essa negocia&ccedil;&atilde;o nos detalhes dos aparatos t&eacute;cnicos-calculativos por ela isolados. Segundo a autora, esse trabalho t&eacute;cnico &eacute;, principalmente na Costa Rica, potencializado pelos resqu&iacute;cios de pol&iacute;ticas de bem-estar social preservados na Constitui&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> O primeiro cap&iacute;tulo, <i>Formula</i>, apresenta parte da estrutura gerenciadora do abastecimento de &aacute;gua costarriquenho. Enquanto as companhias de abastecimento s&atilde;o respons&aacute;veis por mensurar o consumo, cabe &agrave; <i>Autoridad Reguladora de los Servicios P&uacute;blicos</i> (ARESEP) regulamentar as tarifas. Apesar das reformas neoliberais dos anos 1990 (2019: 47), esses servi&ccedil;os permaneceram sob controle p&uacute;blico. Ballestero questiona se um servi&ccedil;o pago, cujo pre&ccedil;o cada vez mais se baseia nas tecnologias de financeiriza&ccedil;&atilde;o, pode continuar preenchendo os requisitos de um direito humano. A autora entende que a Costa Rica tem estado na vanguarda dentre os pa&iacute;ses latino-americanos na garantia do direito &agrave; &aacute;gua. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As tarifas da &aacute;gua direito humano devem incorporar qualidades como equil&iacute;brio e harmonia &ndash; aludindo a um relacionamento justo com a sociedade herdado das pol&iacute;ticas de bem-estar social que remontam aos anos de 1980 (2019: 46). Por&eacute;m, o sistema evoluiu da tarifa fixa para outra que assegura super&aacute;vit entre 3% e 7%. Uma taxa acima disso ocasionaria lucro, a &aacute;gua passaria a ser mercadoria e as rela&ccedil;&otilde;es sociais deixariam de ser harmoniosas. Nessas regras, portanto, as tens&otilde;es se concentrariam nas revis&otilde;es de pre&ccedil;o. Entretanto, em 2007 a dire&ccedil;&atilde;o do <i>Water and Environment Department</i> (WED) da ARESEP, encarregado dos reajustes, &eacute; trocada e o novo diretor sinaliza mudan&ccedil;as metodol&oacute;gicas &ndash; da perspectiva contabil&iacute;stica para a financeiriza&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Parte dessa metodologia previa agregar todos os servi&ccedil;os de abastecimento, criando um mercado. As tarifas seriam ent&atilde;o unificadas numa f&oacute;rmula de super&aacute;vit fixado em 5%. Essa mudan&ccedil;a n&atilde;o ocorreu, mas ocasionou intenso debate entre os t&eacute;cnicos da ARESEP dispostos a encontrar na nova f&oacute;rmula brechas que garantiriam o direito humano &agrave; &aacute;gua. Se fosse aprovada, essa altera&ccedil;&atilde;o implicaria enfatizar o valor da efici&ecirc;ncia ao inv&eacute;s da prud&ecirc;ncia. Para defensores da mudan&ccedil;a, simp&aacute;ticos &agrave; economia cl&aacute;ssica, a nova metodologia &ndash; um claro exemplo da crescente adapta&ccedil;&atilde;o dos c&aacute;lculos e regras &agrave;s leis de mercado &ndash; abra&ccedil;ava os mesmos princ&iacute;pios de harmonia e justi&ccedil;a do per&iacute;odo anterior ao avan&ccedil;o do capitalismo financeiro. </p>     <p> O segundo cap&iacute;tulo, <i>Index</i>, introduz algumas das mudan&ccedil;as na presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o na Costa Rica em curso desde 2012. Ballestero chama-as de disciplinamento para uma nova rela&ccedil;&atilde;o com as companhias abastecedoras. Essas mudan&ccedil;as afetaram a toler&acirc;ncia a atrasos no pagamento, os prazos de corte e reestabelecimento do servi&ccedil;o e procedimentos de pagamento. Apesar disso, desde 2000, a ARESEP tenta manter pre&ccedil;os acess&iacute;veis, como recomenda o <i>Committee on Economic, Social, and Cultural Rights</i> (CESCR) do <i>Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights</i> (ACNUDH) (2019: 80). Para o <i>United Nations Development Programme</i> (UNPD), um servi&ccedil;o acess&iacute;vel n&atilde;o deve comprometer mais que 3% da renda domiciliar (2019: 80-81). Em 2015, na Costa Rica a conta de &aacute;gua representou 1,41% enquanto pizza significou 0,35% dos custos da cesta b&aacute;sica e a &aacute;gua engarrafada passou a integr&aacute;-la pela primeira vez (2019: 92, 95). Ou seja, o pre&ccedil;o praticado estava com folga dentro dos crit&eacute;rios de um direito humano. </p>     <p> Ballestero n&atilde;o negligencia a rela&ccedil;&atilde;o entre direito humano e objetos mercadorias t&iacute;picas. De fato, o seu trabalho procura revelar essa rela&ccedil;&atilde;o pouco vis&iacute;vel mas fundamental, explanando acerca da moralidade da precifica&ccedil;&atilde;o e da propriedade privada da &aacute;gua. Neste cap&iacute;tulo destaca que &iacute;ndices historiciz&aacute;veis como a taxa de infla&ccedil;&atilde;o e o &Iacute;ndice de Pre&ccedil;o ao Consumidor (IPC) s&atilde;o utilizados no c&aacute;lculo mais recente dos reajustes de tarifa para reduzir margens de incertezas e controlar eventos futuros. O c&aacute;lculo do IPC era baseado no poder de compra de um domic&iacute;lio mononuclear (de classe m&eacute;dia ou da classe trabalhadora) com o tempo passou a basear-se num conjunto de produtos e servi&ccedil;os consumidos por pessoas abstratas, cujas caracter&iacute;sticas s&atilde;o irrelevantes para o c&aacute;lculo do &iacute;ndice. Tamb&eacute;m n&atilde;o passou despercebido para a autora que os dados p&uacute;blicos invoquem cada vez mais potentes recursos estat&iacute;sticos. Isso significa ades&atilde;o a an&aacute;lises agregadas e, portanto, privilegiar a demografia em detrimento das singularidades individuais que surgem noutros tipos de recursos anal&iacute;ticos como a etnografia ou a mem&oacute;ria social. Desse modo, fica latente que as fronteiras do direito humano s&atilde;o constantemente atualizadas por novos c&aacute;lculos o que pode contribuir para perder de vista os limites que preconizam a supremacia do que &eacute; inerentemente prerrogativa dos seres humanos. </p>     <p> O cap&iacute;tulo <i>List</i> explica como textos constitucionais s&atilde;o produzidos na Costa Rica e interroga que novas subst&acirc;ncias devem ser acrescentadas &agrave; existente lista de bens de propriedade p&uacute;blica. Segundo Ballestero, ainda que pol&iacute;ticas neoliberais tenham modificado muitas facetas da vida urbana no pa&iacute;s, os costarriquenhos orgulham-se de administrar um legado democr&aacute;tico remanescente da efervesc&ecirc;ncia pol&iacute;tica de anos pr&eacute;vios. Entretanto, nem tudo s&atilde;o flores, visto que recursos que visam salvaguardar o texto constitucional de abusos &ndash; por dificultarem mudan&ccedil;as que caracterizariam a perda de direitos adquiridos &ndash; podem tamb&eacute;m impedir a conquista de mais direitos. Diversas propostas de emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o foram frustradas pelos conservadores do <i>Libertarian Party</i>, impedindo o acr&eacute;scimo da &aacute;gua &agrave; lista de bens inalien&aacute;veis, ontologicamente de usufruto universal. A obstru&ccedil;&atilde;o, que &eacute; um recurso t&eacute;cnico de natureza legislativa, foi distorcida e tem sido manejada para adiar o que setores progressistas identificam como uma mudan&ccedil;a contempor&acirc;nea crucial e inevit&aacute;vel no debate sobre o acesso &agrave; &aacute;gua e que garantiria a vanguarda do pa&iacute;s latino-americano em quest&otilde;es-chaves do desenvolvimento sustent&aacute;vel. </p>     <p> O &uacute;ltimo cap&iacute;tulo, <i>Pact</i>, aborda a hist&oacute;ria do acesso &agrave; &aacute;gua no estado brasileiro do Cear&aacute; e as nuances sociais e materiais do Pacto das &Aacute;guas (<i>Water Pact</i>). No relato de Ballestero, a hist&oacute;ria do Cear&aacute; &eacute; marcada pelo coronelismo e clientelismo. Todavia, desde 1990 reformas administrativas e infraestruturas inteligentes para lidar com a sazonalidade da seca associadas a pol&iacute;ticas sociais e ao gerenciamento democr&aacute;tico dos recursos, transformaram-no num estado-modelo na condu&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas h&iacute;dricas (2019: 148-149). O pacto surge em 2007, quando o Legislativo cria o <i>Council for Advanced Studies and Strategic Issues</i> e nomeia um novo diretor-executivo que organiza uma equipe de consultores para a elabora&ccedil;&atilde;o conjunta do pacto, cujo objetivo era romper com o legado pol&iacute;tico e com a l&oacute;gica da comodifica&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua assegurando-a como direito humano. Ballestero, entretanto, v&ecirc; nos princ&iacute;pios filos&oacute;ficos, nas coliga&ccedil;&otilde;es e no andamento do trabalho a manuten&ccedil;&atilde;o da velha pol&iacute;tica olig&aacute;rquica. Findados quatro anos (2007-2010) os resultados do projeto foram p&iacute;fios (2019: 166). </p>     <p> Boa parte do cap&iacute;tulo &eacute; sobre inculcar nos moradores do semi&aacute;rido cearense a obriga&ccedil;&atilde;o moral intransfer&iacute;vel de cuidar da &aacute;gua. Para Ballestero, &eacute; question&aacute;vel o personalismo que rondava os atores envolvidos no pacto e o fato de ele ter ficando restrito a grupos da estrutura da burocracia estatal, numa clara postura <i>top-down</i> sem verdadeira viv&ecirc;ncia democr&aacute;tica (2019: 155, 165). As &uacute;ltimas se&ccedil;&otilde;es discorrem sobre a metodologia do pacto destacando dela efeitos sociais positivos como a liberdade pol&iacute;tica. Al&eacute;m da forte carga fenomenol&oacute;gica, a narrativa de Ballestero tamb&eacute;m se aventura a analisar a vida material da metodologia empregada pelos consultores, destacando a gest&atilde;o do conhecimento. Para a autora, aparatos como tiras de papel colorido transformadas em folha de relat&oacute;rios impressos agregadas e apresentadas em sess&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados d&atilde;o a ideia de conclus&atilde;o do trabalho que, na verdade, foi apenas iniciado. </p>     <p> N&atilde;o se pode prever o que desse imenso trabalho integrar&aacute; o futuro, porque t&eacute;cnicos, ativistas e outras lideran&ccedil;as produzem eventos, mas tamb&eacute;m quase-eventos e, ao contr&aacute;rio do que sup&otilde;e, acolhem a contradi&ccedil;&atilde;o e a multiplicidade de poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es mantidas atrav&eacute;s de for&ccedil;as duradouras, vindouras ou que se esvanecem em curtos per&iacute;odos de tempo (2019: 155). Ou seja, produzem a hist&oacute;ria e tamb&eacute;m &ldquo; <i> lists put together without ever becoming law, percentages of surplus never increased, promises aggregated without having their fulfillment verified </i> &rdquo; (2019: 29). O que ter&aacute; valor no porvir &eacute; um exame reservado ao futuro, da&iacute; a ado&ccedil;&atilde;o do artigo indefinido para compor o t&iacute;tulo de seu livro. </p>     <p> <i>A Future History of Water</i> &eacute; uma narrativa agrad&aacute;vel repleta de bons e bem-intencionados argumentos e de vibrantes an&aacute;lises multifacetadas. Alcan&ccedil;a tal feito por desentranhar a etnografia dos temas e perspectivas antropol&oacute;gicos mais conhecidos e propor no seu lugar sondar a hist&oacute;ria dos aparatos tecno-legais e calculativos manejados por seus interlocutores. Al&eacute;m disso, contribui para seu sucesso valer-se de referenciais da sociologia do valor e da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica ao inv&eacute;s do, ainda que consagrado, costumeiro c&acirc;none antropol&oacute;gico. </p>     <p> Membro do corpo docente da Rice University em Houston, no estado do Texas, Andrea Ballestero destaca-se como acad&ecirc;mica em di&aacute;logo inovador com v&aacute;rios campos do conhecimento &ndash; das artes &agrave; engenharia e mais recentemente passando tamb&eacute;m pela geologia &ndash;, o que lhe permite uma abordagem multifacetada e transdisciplinar para analisar assuntos bastante centrais para o futuro da vida no planeta, como o direito a provis&otilde;es de &aacute;gua pot&aacute;vel. O caminho escolhido pela autora foi o de interrogar sutilezas que previnem a perda de direitos adquiridos. Ainda que sob suposi&ccedil;&otilde;es de harmonia social e boa governan&ccedil;a, censurando tentativas mais abertas de mercantiliza&ccedil;&atilde;o, o fato &eacute; que reestrutura&ccedil;&otilde;es mais recentes desses sistemas p&uacute;blicos de abastecimento para uso dom&eacute;stico t&ecirc;m seguido acordos neoliberais, tanto na Costa Rica quanto no Cear&aacute;. Essa &eacute; mat&eacute;ria para mais debates p&uacute;blicos, tendo em conta as j&aacute; conhecidas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos nos subcontinentes da Am&eacute;rica Central e Am&eacute;rica do Sul, atenuadas por desafios contempor&acirc;neos como mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e pandemias. A obra inaugural de Ballestero, dispon&iacute;vel para <i>download</i> gratuito, ser&aacute; apreciada por funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, ativistas e pesquisadores em estudos urbanos e &aacute;reas afins.</p> </font>    ]]></body>
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