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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[consulta@mgf.pt: um caso de comunicação médico-utente via correio electrónico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[consulta@mgf.pt: A case report of doctor-patient communication using e-mail]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732012000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732012000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732012000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: Novas abordagens de comunicação, como a utilização do correio electrónico, podem complementar a consulta de Medicina Geral e Familiar. Descrição do caso: Mulher de 28 anos, pouco frequentadora de consultas no centro de saúde, tem, em consulta oportunista, diagnóstico de depressão, com baixa auto-estima e fraco suporte familiar, em situação de crise. O plano terapêutico, discutido com a utente, implicou a rejeição, pela paciente, da opção farmacológica e adesão a processo de introspecção orientado, com recurso ao correio electrónico para comunicação com o médico de família, após explicação do processo. Verificou-se sucesso das estratégias de coping desenvolvidas, com resolução progressiva dos sintomas depressivos em 4 meses. Comentário: A utilidade do correio electrónico na comunicação com a utente, promovendo a adesão ao plano terapêutico, a sua capacitação e o reforço da relação médico-doente, numa perspectiva de prevenção quaternária, foi verificada com boa adaptação aos tempos e necessidades da paciente, sem sobrecarga para o médico.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: New methods of communication, such as electronic mail, can complement the General practice/Family medicine consultation. The case: A 28 year old woman who rarely consulted with her family doctor was diagnosed with depression and low self-esteem in a consultation requested for other reasons. She had low family support and was found to be in crisis. The patient rejected the offer of drug treatment. The treatment proposed consisted of introspection-oriented work through written texts sent by email to her family doctor. Coping was enhanced with progressive resolution of the depressive symptoms noted over a four month period. Commentary: E-mail communication with the patient was found to promote adherence to treatment, patient empowerment, and the doctor-patient relationship. This met the patient’s needs in a timely way without extra work for the doctor.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Correio Electrónico]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Depressão]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RELATOS DE CASOS</b></p>       <p><font size="4"><b>consulta@mgf.pt: um caso de comunica&#231;&#227;o     m&#233;dico-utente via correio electr&#243;nico </b></font></p>           <p><font size="3"><b>consulta@mgf.pt: A case report of doctor-patient communication using e-mail</b></font></p>       <p><b>Philippe Botas,* Luiz Miguel Santiago,**     Liliana Constantino,* Paula Miranda* </b></p>       <p>*MD,     Interno(a) de Medicina Geral e Familiar, Centro de Sa&#250;de de Eiras</p>       <p>**MD PhD, Assistente     Graduado S&#233;nior de Medicina Geral e Familiar, Centro de Sa&#250;de de     Eiras</p>      <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p>  <hr/>    <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO </b></p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> Novas abordagens de     comunica&#231;&#227;o, como a utiliza&#231;&#227;o do correio electr&#243;nico, podem complementar a     consulta de Medicina Geral e Familiar.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Mulher de 28 anos,     pouco frequentadora de consultas no centro de sa&#250;de, tem, em consulta     oportunista, diagn&#243;stico de depress&#227;o, com baixa auto-estima e fraco suporte     familiar, em situa&#231;&#227;o de crise. O plano terap&#234;utico, discutido com a utente,     implicou a rejei&#231;&#227;o, pela paciente, da op&#231;&#227;o farmacol&#243;gica e ades&#227;o a processo     de introspec&#231;&#227;o orientado, com recurso ao correio electr&#243;nico para comunica&#231;&#227;o     com o m&#233;dico de fam&#237;lia, ap&#243;s explica&#231;&#227;o do processo. Verificou-se sucesso das     estrat&#233;gias de coping desenvolvidas, com resolu&#231;&#227;o progressiva dos sintomas     depressivos em 4 meses.</p>       <p><b>Coment&#225;rio:</b> A utilidade do correio     electr&#243;nico na comunica&#231;&#227;o com a utente, promovendo a ades&#227;o ao plano     terap&#234;utico, a sua capacita&#231;&#227;o e o refor&#231;o da rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente, numa     perspectiva de preven&#231;&#227;o quatern&#225;ria, foi verificada com boa adapta&#231;&#227;o aos     tempos e necessidades da paciente, sem sobrecarga para o m&#233;dico.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Correio Electr&#243;nico;     Rela&#231;&#227;o M&#233;dico-Doente; Depress&#227;o.</p>   <hr/>       <p><b>ABSTRACT </b></p>       <p><b>Introduction:</b> New methods of     communication, such as electronic mail, can complement the General     practice/Family medicine consultation.</p>       <p><b>The case:</b> A 28 year old woman who     rarely consulted with her family doctor was diagnosed with depression and low     self-esteem in a consultation requested for other reasons. She had low family     support and was found to be in crisis. The patient rejected the offer of drug     treatment. The treatment proposed consisted of introspection-oriented work     through written texts sent by email to her family doctor. Coping was enhanced     with progressive resolution of the depressive symptoms noted over a four month     period.</p>       <p><b>Commentary:</b> E-mail communication with     the patient was found to promote adherence to treatment, patient empowerment,     and the doctor-patient relationship. This met the patient&#8217;s needs in a timely     way without extra work for the doctor.</p>       <p><b>Keywords:</b> Electronic Mail;     Doctor-Patient Relationship; Depression.</p>   <hr/>       <p>Segundo a     defini&#231;&#227;o Europeia de Medicina Geral e Familiar (MGF), as caracter&#237;sticas desta     disciplina est&#227;o inter-relacionadas e agrupam-se em seis categorias     independentes de compet&#234;ncias nucleares do Especialista em Medicina Geral e     Familiar (EMGF).<sup>1</sup> Ao reflectir sobre os aspectos chave da disciplina     de MGF, compreende-se a import&#226;ncia da consulta como pilar central da pr&#225;tica     cl&#237;nica. &#171;A consulta &#233; a principal e a mais complexa actividade do m&#233;dico de     fam&#237;lia e &#233; a partir dela que se elabora o restante edif&#237;cio da sua actividade     profissional&#187;.<sup>2</sup></p>       <p>Os avan&#231;os     tecnol&#243;gicos, que aparecem a um ritmo fren&#233;tico, promovem modifica&#231;&#245;es     din&#226;micas na actividade m&#233;dica em geral e mesmo da pr&#225;tica cl&#237;nica di&#225;ria. O     papel do EMGF adapta-se ao papel do utente, ao papel dos colegas de trabalho,     &#224;s necessidades da comunidade e aos recursos existentes. Novas realidades     permitem, e muitas vezes exigem, uma modifica&#231;&#227;o do m&#233;todo de trabalho,     destacando-se a informatiza&#231;&#227;o de registos e o f&#225;cil acesso a conhecimento     atrav&#233;s da internet.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aspectos     negativos e positivos s&#227;o relatados quanto ao advir desta nova realidade. O     EMGF deve ter uma atitude cr&#237;tica e tolerante, considerando novos instrumentos     que o auxiliem na concretiza&#231;&#227;o das compet&#234;ncias que definem a sua actividade.     O desenvolvimento tecnol&#243;gico n&#227;o &#233; incompat&#237;vel com os direitos e deveres     intemporais inerentes &#224; profiss&#227;o. Pelo contr&#225;rio, a capacidade de acompanhar     os avan&#231;os tecnol&#243;gicos, avaliar criticamente e percepcionar que utilidade     poder&#227;o ter para a actividade profissional, &#233; essencial para uma melhoria da     qualidade da actividade do m&#233;dico, quer em seu benef&#237;cio quer em benef&#237;cio do     utente.</p>       <p>O livro &#171;A     consulta em 7 passos&#187; delineia um guia estrutural e contextual para a     realiza&#231;&#227;o de consultas em MGF.<sup>3</sup> Os autores destacam a utilidade     sugestiva das novas tecnologias da informa&#231;&#227;o e comunica&#231;&#227;o, quer na &#243;ptica do     racioc&#237;nio cl&#237;nico e da decis&#227;o m&#233;dica, quer na &#243;ptica do apoio e da     capacita&#231;&#227;o do utente.<sup>3</sup></p>       <p>A utiliza&#231;&#227;o     do correio electr&#243;nico na comunica&#231;&#227;o m&#233;dico-doente &#233; fundamentada por normas     de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica,<sup>4,5</sup> que estabelecem recomenda&#231;&#245;es para uma     comunica&#231;&#227;o adequada, sustentada em aspectos &#233;ticos que devem ser ponderados na     pr&#225;tica cl&#237;nica. As vantagens inerentes &#224; comunica&#231;&#227;o via endere&#231;o electr&#243;nico     s&#227;o contrabalan&#231;adas com desvantagens que n&#227;o devem ser descuradas e que se     relacionam predominantemente com quest&#245;es de garantia da seguran&#231;a e     privacidade, de acessibilidade e de gest&#227;o da actividade cl&#237;nica.<sup>4-7</sup></p>       <p>Em Portugal,     e em particular no &#226;mbito da MGF, a utiliza&#231;&#227;o do correio electr&#243;nico, como meio     de comunica&#231;&#227;o complementar &#224; consulta presencial, come&#231;a a ser adoptada com     maior frequ&#234;ncia.<sup>7-9</sup></p>       <p>O caso     cl&#237;nico aqui relatado evidencia que, em casos seleccionados, o recurso a outros     meios de comunica&#231;&#227;o, neste caso espec&#237;fico o correio electr&#243;nico, pode     contribuir positivamente na actividade do EMGF. A comunica&#231;&#227;o m&#233;dico-doente     estabelecida via endere&#231;o electr&#243;nico revelou-se um importante instrumento na     abordagem preventiva quatern&#225;ria, definida pela WONCA como &#171;a detec&#231;&#227;o de     indiv&#237;duos em risco de tratamento excessivo para os proteger de novas     interven&#231;&#245;es m&#233;dicas inapropriadas e sugerir-lhes alternativas eticamente     aceit&#225;veis&#187;.<sup>10,11</sup></p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o     do caso</b></p>       <p><b>Identifica&#231;&#227;o, antecedentes e     caracteriza&#231;&#227;o familiar </b></p>       <p>L.L., sexo     feminino, 28 anos, solteira, ra&#231;a caucas&#243;ide, natural e residente em Coimbra,     com 9.<sup>o</sup> ano de escolaridade e auxiliar de ac&#231;&#227;o m&#233;dica.</p>       <p>Antecedentes     ginecol&#243;gicos de menarca aos 13 anos com interl&#250;nios de 25 dias e catam&#233;nios de     5 dias. Refere a toma irregular de contraceptivos orais, por esquecimento.     Presentemente, a realizar contracep&#231;&#227;o hormonal oral. Nega utiliza&#231;&#227;o de outros     m&#233;todos contraceptivos, &#224; excep&#231;&#227;o de m&#233;todos barreira. Gesta I Para I (2008,     parto eut&#243;cico sem complica&#231;&#245;es, &#224;s 39 semanas de gesta&#231;&#227;o sem     intercorr&#234;ncias). Para al&#233;m da contracep&#231;&#227;o hormonal oral, toma diazepam 10 mg,     ao deitar. Em rela&#231;&#227;o a h&#225;bitos pessoais refere tabagismo (16 UMA) e nega     h&#225;bitos et&#237;licos ou toxic&#243;manos. Destaca que realiza uma alimenta&#231;&#227;o pouco     equilibrada e escassa actividade f&#237;sica, que atribui em parte ao trabalho por     turnos que a profiss&#227;o exige. O calend&#225;rio vacinal est&#225; actualizado.</p>       <p>Escassas     consultas na unidade de sa&#250;de em anos anteriores a 2011, com apenas duas     consultas em 2010, por sinusite cr&#243;nica/aguda. Sem registo em processo de outros     problemas activos/inactivos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&#231;&#227;o     aos antecedentes familiares, a utente faz refer&#234;ncia ao diagn&#243;stico de diabetes     tipo 2 no av&#244; paterno, no pai e em dois tios paternos. O pai j&#225; sofreu tr&#234;s     epis&#243;dios de acidente vascular cerebral (AVC), com 52 anos de idade. O av&#244;     paterno faleceu de enfarte agudo do mioc&#225;rdio (EAM), com 82 anos, e a av&#243;     paterna faleceu com 69 anos, em sequ&#234;ncia de AVC.</p>       <p>Ambiente     familiar definido por fam&#237;lia monoparental (vive com o filho de 3 anos), de     classe m&#233;dia. A <a href="#f1">figura 1</a> mostra o genograma familiar, com representa&#231;&#227;o de     antecedentes pessoais e familiares, e com psicofigura de <i>Mitchell</i> &#8211; completado com dados colhidos durante as consultas     realizadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n1/28n1a08f1.jpg"/></p>       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Epis&#243;dios     de atendimento desde a primeira consulta com a utente </b></p>       <p><b>Consulta em 27 de Abril de 2011</b> (centro     de sa&#250;de)</p>       <p>Recorre ao     centro de sa&#250;de da &#225;rea de resid&#234;ncia em regime de consulta aberta solicitando     preenchimento de declara&#231;&#227;o para efeitos de pr&#233;-requisito tipo B, pois pretende     realizar provas de ingresso em curso de enfermagem. Tamb&#233;m traz carta relativa     a epis&#243;dio de urg&#234;ncia hospitalar por traumatismo do tornozelo e p&#233; direitos,     com les&#227;o de tecidos moles.</p>       <p>Durante a     consulta, a utente revelou alguns problemas familiares e fragilidade emocional,     com choro f&#225;cil. Refere que tem per&#237;odos de tristeza e isolamento, sintomas que     se t&#234;m agravado recentemente, acompanhados de falta de prazer nas coisas     habituais da sua vida. Relata que teve um relacionamento h&#225; tr&#234;s anos, que     considerava est&#225;vel, mas o seu parceiro abandonou-a, sem grandes explica&#231;&#245;es,     durante a fase inicial da gravidez e foi viver com outra mulher. Desde ent&#227;o,     tentou abordar o ex-companheiro, mas este n&#227;o se mostrou receptivo, na sua     opini&#227;o por manipula&#231;&#227;o da actual companheira. O ex-companheiro nunca conheceu     o filho e n&#227;o manifesta esse interesse. Este epis&#243;dio tamb&#233;m teve marcas no     relacionamento com os pais, pois estes nunca aceitaram a separa&#231;&#227;o, de tal     forma que a rela&#231;&#227;o que tinha com a m&#227;e, j&#225; anteriormente pouco harmoniosa,     ficou mais conflituosa. Por esse motivo, decidiu sair de casa dos pais, vivendo     h&#225; dois anos com o filho, em casa alugada.</p>       <p>Procedeu-se     &#224; colheita de dados para completar os registos do processo, atrav&#233;s da anamnese     e exame objectivo. Ao exame f&#237;sico apresentava um IMC de 34 kg/m<sup>2</sup>. A     press&#227;o arterial e a frequ&#234;ncia card&#237;aca eram de 108/66 mmHg e 64 bpm,     respectivamente. Na ausculta&#231;&#227;o card&#237;aca era aparente um sopro sist&#243;lico no     foco mitral de grau I/VI. O exame do p&#233; direito revelou um pequeno hematoma em     regress&#227;o e dor ligeira &#224; palpa&#231;&#227;o do bordo externo, sem limita&#231;&#245;es da marcha e     dos movimentos. Sem outras altera&#231;&#245;es no exame f&#237;sico realizado. Exame     ginecol&#243;gico e citologia do colo uterino realizados pela &#250;ltima vez h&#225; tr&#234;s     anos. No momento da consulta em fase menstrual, pelo que se agendou esta     avalia&#231;&#227;o para consulta procedente.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante a     entrevista, revelou um humor deprimido, acompanhado de labilidade emocional,     baixa auto-estima, des&#226;nimo em rela&#231;&#227;o ao futuro e baixa toler&#226;ncia ao stress e     ao fracasso. Sem objectivos de vida concretos, com expectativas que se centram     na possibilidade do ex-companheiro regressar. Segundo L.L. este pensamento &#233; a     base da sua vida, constituindo um conflito intr&#237;nseco n&#227;o resolvido (&#171;o meu     filho faz-me lembrar dele [ex-companheiro]. &#201; muito parecido com ele, at&#233; na     maneira de ser&#187; [sic]; &#171;se eu conseguisse falar com ele [ex-companheiro], podia     ser que conseguisse que pelo menos visitasse o filho&#187; [sic]).</p>       <p>A orienta&#231;&#227;o     integrada desta situa&#231;&#227;o consistiu na elabora&#231;&#227;o de um plano conjunto com a     utente, com aconselhamento terap&#234;utico e discuss&#227;o de diferentes abordagens     poss&#237;veis, entre as quais a farmacol&#243;gica que se colocou em compara&#231;&#227;o com as     restantes. Rejeitou a necessidade de terap&#234;utica farmacol&#243;gica ou de consulta     com psic&#243;loga, afirmando &#171;quero tentar com a vossa ajuda&#187; (sic). Nesta     perspectiva, aconselhou-se a reflex&#227;o sobre a conversa na consulta e sobre os     motivos causadores destes sentimentos, sugerindo a escrita dos mesmos,     principalmente em per&#237;odos de maior fragilidade emocional. Se desejasse partilhar     os textos, poderia optar por enviar essas reflex&#245;es via correio electr&#243;nico.</p>       <p>O plano     incluiu o pedido de an&#225;lises de sangue e de urina consideradas necess&#225;rias,     electrocardiograma, assim como conselhos pr&#225;ticos para altera&#231;&#227;o dos h&#225;bitos     alimentares e incentivo &#224; realiza&#231;&#227;o de actividade f&#237;sica regular, discutindo     de que modo se poderiam adaptar estas modifica&#231;&#245;es ao estilo de vida da utente.     Agendou-se consulta de planeamento familiar para o dia 2 de Maio.</p>       <p>Na <a href="#f2">figura 2</a>     est&#225; representada a avalia&#231;&#227;o pela escala de readapta&#231;&#227;o social de <i>Holmes</i> e <i>Rahe,</i> demonstrando situa&#231;&#245;es de crise, incluindo os acontecimentos     significativos no presente.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n1/28n1a08f2.jpg"/></p>       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Consulta em 2 de Maio de 2011 </b>(centro     de sa&#250;de)</p>       <p>Comparece &#224;     consulta programada com o resultado de an&#225;lises. Ainda n&#227;o realizou o ECG.     Refere co&#225;gulos sangu&#237;neos durante a menstrua&#231;&#227;o, negando menorragias ou outros     sintomas/sinais de foro ginecol&#243;gico. Dos resultados anal&#237;ticos destaca-se uma     dislipid&#233;mia com valor de &#237;ndice aterog&#233;nico de 5,2. Na reavalia&#231;&#227;o card&#237;aca     por ausculta&#231;&#227;o, n&#227;o foram aparentes sopros. Realizado exame ginecol&#243;gico com     citologia do colo uterino. Detectou-se leucorreia, pelo que se procedeu &#224;     colheita de amostra para estudo bacteriol&#243;gico e micol&#243;gico. Procedeu-se ao     refor&#231;o oportunista de h&#225;bitos higieno-diet&#233;ticos saud&#225;veis.</p>       <p>Refere que     reflectiu sobre a &#250;ltima consulta, mas que n&#227;o teve tempo para escrever. Agora     j&#225; define melhor os sentimentos: mant&#233;m m&#225;goa de ex-companheiro &#171;n&#227;o contactar     com o filho&#187; (sic); tem esperan&#231;as que no futuro fiquem mais pr&#243;ximos. Quando     questionada sobre a probabilidade de tal acontecer, perante os factos reais, o     discurso torna-se menos optimista, transferindo a culpa para a actual parceira     do seu ex-companheiro. Apresenta um discurso mais cr&#237;tico, analisando de modo     mais racional a sua situa&#231;&#227;o pessoal e familiar, mas mant&#233;m e perspectiva     objectivos de vida em torno da possibilidade de reconcilia&#231;&#227;o conjugal: &#171;Se     conseguisse falar com ele!&#187; (sic).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O     aconselhamento volta a incidir na import&#226;ncia de reflectir sobre os seus     sentimentos, sugerindo-se a escrita como aux&#237;lio nesta tarefa pessoal.     Estabelece-se um compromisso de que a pr&#243;xima consulta ser&#225; por sua iniciativa     e informamos que se for detectada alguma anomalia nos restantes exames, ser&#225;     contactada.</p>       <p><b>17 de Maio 2011</b> (<a href="mailto:consulta@mgf.pt">consulta@mgf.pt</a>)     </p>       <p>Recebido     correio electr&#243;nico da utente. Denuncia uma maior reflex&#227;o em rela&#231;&#227;o &#224;     situa&#231;&#227;o, revelando fragilidades a abordar:</p>       <p>&#171;Tenho     pensado muito na minha vida passada e presente. E aos poucos descobri que     durante estes anos vivia na ilus&#227;o que o amor do passado um dia voltasse. (&#8230;)     Pensava que se fosse atr&#225;s do que ficou mal resolvido conseguisse ter mais     felicidade por juntar o pai e o filho. (&#8230;) s&#243; queria ter algu&#233;m que me amasse a     mim e ao meu filho de verdade. (&#8230;) Gostava de ter uma borracha para apagar tudo     o que eu passei, mas eu n&#227;o o consigo esquecer (&#8230;) como posso eu ser feliz se a     minha ferida ainda me d&#243;i, como &#233; poss&#237;vel eu saber que ele n&#227;o quer nada     comigo (&#8230;) d&#243;i tanto, como fa&#231;o para acabar com essa dor ou at&#233; esquec&#234;-lo.&#187;     (sic)</p>       <p>&nbsp; A nossa resposta:</p>       <p>&#171;Suponha que     algu&#233;m lhe mandou este <i>e-mail,</i> o que     lhe dizia? Releia e reflicta sobre o que sente.&#187; (sic)</p>       <p><b>18 de Junho 2011</b> (<a href="mailto:consulta@mgf.pt">consulta@mgf.pt</a>)</p>       <p>&#171;Tenho     andado muito nervosa&#8230; pois fiz o exame dos maiores de 23 para entrar para a     faculdade de enfermagem&#8230; Andei sob press&#227;o pois os meus pais diziam que me     ajudavam em ficar com o meu filho, mas na verdade foi tudo ao contr&#225;rio&#8230;&#187;.     (sic)</p>       <p>&nbsp; A nossa resposta:</p>       <p>&#171;Se precisar     de falar, esteja &#224; vontade&#187;. (sic)</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>9 de Julho 2011</b> (<a href="mailto:consulta@mgf.pt">consulta@mgf.pt</a>)</p>       <p>&#171;Desculpe o     inc&#243;modo, mas precisava falar com algu&#233;m&#8230; chumbei no exame com 8.15, sinto que     sou um fracasso (&#8230;) quem nasce sem sorte, morre sem ela (&#8230;) e essa &#233; a minha     vida. Quando era crian&#231;a e adolescente, era e sou muito sonhadora&#8230; sonhava com     uma vida est&#225;vel linda, uma fam&#237;lia unida, um marido impec&#225;vel (&#8230;) casar e ter     filhos. Tudo o que uma pessoa sonha para a vida. E o que foi que eu tive&#8230;     sofrimento, dor, m&#225;goa, solid&#227;o, tudo o que eu n&#227;o queria. Quanto mais eu luto     para ser algu&#233;m feliz, ter uma vida est&#225;vel, &#233; quando mais depressa tudo desaba     (&#8230;) Tento, tento e s&#243; levo cabe&#231;adas. Talvez seja uma forma de aprender com a     vida.&#8221; (sic)</p>       <p>&nbsp; A nossa resposta:</p>       <p>&#171;O que     consigo perceber &#233; que o grande objectivo era o curso. Mas seria o &#250;nico? Para     construir um objectivo &#233; preciso criar submetas. Estariam reunidas as condi&#231;&#245;es     para o sucesso no exame? Com isto refiro-me a Tempo, Relacionamentos, Fam&#237;lia.     Para o sucesso devemos construir o caminho que o permita. Prender-se no que     corre mal, poder&#225; fazer tudo correr ou parecer correr pior? Certo?&#187; (sic)</p>       <p><b>13 de Julho 2011</b> (<a href="mailto:consulta@mgf.pt">consulta@mgf.pt</a>)</p>       <p>A resposta a     este correio electr&#243;nico permitiu perceber outros dados sobre a din&#226;mica     familiar.</p>       <p>&#171;O exame foi     tudo muito em cima do tempo e sem no&#231;&#227;o alguma do que poderia aparecer. (&#8230;) j&#225;     tive mais apoio da parte do meu pai, em que convers&#225;vamos muito, agora tudo o     que digo passa ao lado&#8230; com a m&#227;e nunca tive um relacionamento bom e desde os     meus quinze anos ficou pior&#8230; houve uma pessoa da minha fam&#237;lia que tentou abusar     de mim, quando contei &#224; minha m&#227;e ela n&#227;o acreditou em mim (&#8230;) ela nunca me     apoiou em nada, s&#243; sabe dizer que eu n&#227;o presto entre outras coisas&#8230; p&#245;e o meu     pai contra mim&#8230; enfim luto pela minha vida sozinha&#8230; se eu tivesse entrado na     faculdade seria um pouco diferente&#8230; pois dava-me mais luta para n&#227;o depender     tanto deles.&#187; (sic)</p>       <p>Tamb&#233;m se     verifica a refer&#234;ncia a objectivos futuros:</p>       <p>&#171;Eu sei que     ele (ex-companheiro) n&#227;o vale nada, mas n&#227;o deixa de ser o pai do meu filho (&#8230;)     ele &#233; que me demonstrou o que era realmente o amor e ser amada. Agora s&#243; quero     ter uma nova vida e isso inclui o meu futuro profissional e o meu filho. O     resto, enfim, tento p&#244;r numa caixa para enterrar, mas que seja tudo junto&#8230;&#187;     (sic).</p>       <p>Na abordagem     posterior, enviou-se um correio electr&#243;nico a sugerir a leitura de todo o     di&#225;logo desde a primeira mensagem.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Consulta em 8 de Agosto de 2011 </b>(centro     de sa&#250;de)</p>       <p>Comparece a     consulta n&#227;o programada, manifestando interesse em colocar implante hormonal.     Determinou-se o grau de conhecimento sobre os diferentes m&#233;todos     contraceptivos, refor&#231;ando esse conhecimento, ao que manteve a op&#231;&#227;o pelo     implante.</p>       <p>Naturalmente,     abordaram-se as quest&#245;es psicol&#243;gicas e familiares. Apresenta uma m&#237;mica facial     expressiva, sorrindo frequentemente, o que &#233; concordante com um humor est&#225;vel,     contrastando com o car&#225;cter depressivo detectado nas consultas anteriores.     Revela uma vis&#227;o mais realista da vida. Releu todas as mensagens de correio     electr&#243;nico e partilhou com uma amiga, afirmando que esta reflex&#227;o a tem ajudado     muito. Tem um grupo de amigos recente que a tem ajudado, quer por partilha de     sentimentos e experi&#234;ncias, quer na viv&#234;ncia social. Tamb&#233;m refere que j&#225; n&#227;o     sente necessidade de tomar diazepam. Apresenta um discurso optimista e uma     postura mais calma, revelando uma melhor reflex&#227;o sobre si mesma e satisfa&#231;&#227;o     pelo momento que vive. Persiste a rela&#231;&#227;o conflituosa com os pais, sendo de     momento a situa&#231;&#227;o que a desmotiva mais, revelando m&#225;goa pelas atitudes destes.     As estrat&#233;gias de <i>coping</i> desenvolvidas t&#234;m revelado efeitos positivos, com resolu&#231;&#227;o progressiva dos     sintomas depressivos: &#171;Os pontos negativos d&#227;o for&#231;a para seguir em frente&#187;     (sic).</p>       <p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>Como     referido na introdu&#231;&#227;o, a utiliza&#231;&#227;o do correio electr&#243;nico na comunica&#231;&#227;o     m&#233;dico-doente &#233; alvo de orienta&#231;&#245;es espec&#237;ficas que pretendem gerir de forma     equilibrada a controv&#233;rsia que emerge com este instrumento de apoio &#224;     actividade cl&#237;nica.<sup>4,5</sup> A utiliza&#231;&#227;o do correio electr&#243;nico est&#225;     dependente de um acordo m&#250;tuo entre o m&#233;dico e o utente, no qual se definem o     conte&#250;do das mensagens, o tempo de resposta e quem vai ler as mensagens,     preservando a privacidade.<sup>4,5</sup> Esta abordagem corresponde a um plano     que assegura a continuidade de cuidados e deve ser escrita no registo cl&#237;nico.</p>       <p>O caso     descrito ilustra a utilidade do correio electr&#243;nico na comunica&#231;&#227;o com utentes,     em casos seleccionados. O estudo realizado por <i>Christensen H. et al.,</i><sup>13</sup> na Austr&#225;lia, incluiu     indiv&#237;duos com depress&#227;o e idades compreendidas entre os 18 e 52 anos, com o     objectivo de avaliar a utilidade das abordagens cognitiva comportamental e     educacional via internet. Os investigadores relataram resultados positivos     associados a estas interven&#231;&#245;es.</p>       <p>Em muitas     consultas percebemos que o utente tem necessidade de falar e esse pode ser o     plano terap&#234;utico mais efectivo. Noutras consultas, percebemos que a pessoa tem     dificuldade em verbalizar acontecimentos e sentimentos. Em ambos os casos o     tempo de consulta que o EMGF disp&#245;e, pode n&#227;o ser compat&#237;vel com as     necessidades do utente. O correio electr&#243;nico &#233; um meio de comunica&#231;&#227;o     complementar com evidentes vantagens e a sua utiliza&#231;&#227;o na pr&#225;tica cl&#237;nica em     MGF come&#231;a a ser divulgada em Portugal como um importante instrumento de gest&#227;o     do ficheiro de utentes e de apoio da consulta, compat&#237;vel com as caracter&#237;sticas     da especialidade.<sup>7-9</sup> Um estudo realizado numa USF em Portugal,     relativa &#224; utiliza&#231;&#227;o do correio electr&#243;nico na comunica&#231;&#227;o com os utentes,     obteve resultados compar&#225;veis a outras investiga&#231;&#245;es noutros pa&#237;ses, destacando     que numa maior percentagem de casos os utentes abordam um &#250;nico assunto por     mensagem.<sup>8</sup></p>       <p>A relev&#226;ncia     da utiliza&#231;&#227;o deste instrumento de comunica&#231;&#227;o, neste caso, &#233; caracterizada     pelos seguintes aspectos pr&#225;ticos: utente de faixa et&#225;ria jovem; pouco     frequentadora de consultas na unidade de sa&#250;de; refor&#231;o da rela&#231;&#227;o de confian&#231;a     e percep&#231;&#227;o pela utente da disponibilidade para atendimento; ades&#227;o ao plano de     cuidados delineado, capacitando e envolvendo a utente na constru&#231;&#227;o do plano     segundo as suas necessidades; gest&#227;o do tempo de consulta.</p>       <p>As duas     primeiras consultas foram realizadas com um intervalo de uma semana, o que,     numa situa&#231;&#227;o de utente com escasso historial de consultas, pode representar     uma abordagem vantajosa, determinando o grau de motiva&#231;&#227;o, refor&#231;ando a rela&#231;&#227;o     m&#233;dico-doente e minimizando a probabilidade de perder o seguimento. O recurso     ao correio electr&#243;nico revelou-se bastante &#250;til como complemento da consulta, o     que foi verbalizado pela utente, sem comprometer a rela&#231;&#227;o estabelecida, antes     pelo contr&#225;rio. Tamb&#233;m se revelou um elemento fundamental no plano terap&#234;utico.</p>       <p>O caso     descrito demonstra a utilidade atribu&#237;da ao correio electr&#243;nico na perspectiva     de capacitar a utente e permitir um investimento sustent&#225;vel por parte do     m&#233;dico, sem necessidade de optar pela &#171;medicaliza&#231;&#227;o&#187;, logo na primeira     abordagem. Estas considera&#231;&#245;es v&#227;o de encontro com o emergir do conceito de     preven&#231;&#227;o quatern&#225;ria.<sup>11,14</sup> Actualmente, a prescri&#231;&#227;o farmacol&#243;gica     assume um papel primordial na pr&#225;tica cl&#237;nica. Muitas vezes n&#227;o constitui a     abordagem mais indicada, mas a mais f&#225;cil e imediata para o m&#233;dico e a mais     aceite pelo utente. Esta circunst&#226;ncia deve ser alvo de uma consciencializa&#231;&#227;o     da comunidade m&#233;dica, alertando para a import&#226;ncia de uma abordagem integrada e     personalizada. A ideia de que o medicamento &#233; sempre a solu&#231;&#227;o &#233; err&#243;nea. Quem     sofre transfere as suas queixas a algu&#233;m que elaborar&#225; um racioc&#237;nio     diagn&#243;stico, passando o sofredor a ter um papel passivo perante as queixas e     esperando que na receita esteja l&#225;, n&#227;o o que pode aliviar as suas queixas ou a     doen&#231;a que o m&#233;dico encontrou, mas o necess&#225;rio para a melhoria da sua sa&#250;de.<sup>15</sup> Perante o diagn&#243;stico cl&#237;nico de perturba&#231;&#227;o depressiva, a op&#231;&#227;o pela     prescri&#231;&#227;o farmacol&#243;gica ser&#225; a adoptada com maior frequ&#234;ncia. Contudo, outras     abordagens poss&#237;veis s&#227;o evidentes, n&#227;o sendo equacionadas t&#227;o rotineiramente,     denunciando uma actividade cl&#237;nica que, cada vez mais, se rege por normas,     muitas vezes no campo da medicina defensiva.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O desenrolar     do caso cl&#237;nico descrito foi marcado pela elabora&#231;&#227;o de um plano terap&#234;utico     conjunto, competindo ao m&#233;dico capacitar a utente para gerir a sua situa&#231;&#227;o. O     saber ouvir foi primordial para a abordagem deste caso, evitando uma atitude     paternalista que frequentemente culmina na prescri&#231;&#227;o farmacol&#243;gica e transfer&#234;ncia     de responsabilidade pelo paciente. Mais do que rotular com um diagn&#243;stico,     procurou-se ajudar a utente a compreender os seus sentimentos, e aos poucos     desenvolver estrat&#233;gias de <i>coping</i> e     delinear objectivos concretos. Este &#233; o ponto forte do caso apresentado.     Perante as alternativas colocadas, a escolha foi da utente, compreendendo-se     que a sua responsabiliza&#231;&#227;o pela mudan&#231;a da din&#226;mica mental e da sua situa&#231;&#227;o     beneficiou do recurso ao correio electr&#243;nico como meio de comunica&#231;&#227;o. Esta     abordagem adaptou-se aos tempos e necessidades da paciente, refor&#231;ando a     rela&#231;&#227;o de confian&#231;a com o m&#233;dico, que soube perceber a sua agenda de     problemas.<sup>16</sup></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Refer&#234;ncias     bibliogr&#225;ficas</b></p>       <!-- ref --><p>1. Allen J,     Gay B, Crebolder H, Heyrman J, Svab I, Ram P. A defini&#231;&#227;o europeia de Medicina     Geral e Familiar (Cl&#237;nica Geral/Medicina Familiar). Rev Port Clin Geral 2005     Set-Out; 21 (5): 511-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S2182-5173201200010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Ramos V.     A consulta em 7 passos. A consulta &#8211; pilar central da medicina geral e     familiar. Lisboa: VFBM Comunica&#231;&#227;o; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S2182-5173201200010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Ramos V.     A consulta em 7 passos. Instrumentos / ferramentas de apoio &#224; consulta. Lisboa:     VFBM Comunica&#231;&#227;o; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S2182-5173201200010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Kane B,     Sands DZ. Guidelines for the clinical use of electronic mail with patients. J     Am Med Inform Assoc. 1998 Jan- Feb; 5 (1): 104-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S2182-5173201200010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Canadian     Medical Association. Physician guidelines for online communication with     patients. Ottawa: Canadian Medical Association; 2005. Dispon&#237;vel em:     <a href="http://policybase.cma.ca/dbtw-wpd/PolicyPDF/PD05-03.pdf" target="_blank">http://policybase.cma.ca/dbtw-wpd/PolicyPDF/PD05-03.pdf</a> [acedido em     02/02/2012].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S2182-5173201200010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Car J,     Sheikh A. Email consultations in health care: 2 &#8211; acceptability and safe     application. BMJ 2004 Aug 21; 329 (7463): 439-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S2182-5173201200010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Pinh&#227;o R,     Calisto M, Pimentel MA, Fernandes R. Implementa&#231;&#227;o da comunica&#231;&#227;o m&#233;dico-doente     via endere&#231;o electr&#243;nico na consulta de MGF. Rev Port Clin Geral 2009 Nov-Dez;     25 (6): 634-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S2182-5173201200010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Ponte C.     A utiliza&#231;&#227;o do correio electr&#243;nico na comunica&#231;&#227;o com os utentes da USF Porta     do Sol. Rev Port Clin Geral 2011 Mai-Jun; 27 (3): 274-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S2182-5173201200010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Granja M.     O uso de e-mail na comunica&#231;&#227;o com o m&#233;dico de fam&#237;lia: catorze meses de experi&#234;ncia.     Rev Port Clin Geral 2009 Nov-Dez; 25 (6): 639-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-5173201200010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10. Bentzen     N, editor. WONCA Dictionary of General/Family Practice. Wonca International     Classification Committee: Copenhagen; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S2182-5173201200010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>11. Melo M.     A preven&#231;&#227;o quatern&#225;ria contra os excessos da medicina. Rev Port Clin Geral     2007 Mai-Jun; 23 (3): 289-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S2182-5173201200010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>12. Caeiro     RT. Registos cl&#237;nicos em Medicina Familiar. Lisboa: Instituto de Cl&#237;nica Geral     da Zona Sul; 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S2182-5173201200010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>13. Christensen     H, Griffiths KM, Jorm AF. Delivering interventions for depression by using the internet:     randomized controlled trial. BMJ 2004 Jan 31; 328 (7434): 265.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S2182-5173201200010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>14. UEMO     position on Disease Mongering / Quaternary Prevention. 2008. Dispon&#237;vel em:     <a href="http://www.uemo.eu/uemo-policy/123-uemo-position-on-disease-mongering&#8212;quaternary-prevention.html" target="_blank">http://www.uemo.eu/uemo-policy/123-uemo-position-on-disease-mongering&#8212;quaternary-prevention.html</a>     [acedido em 18/08/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S2182-5173201200010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>15. Santiago     LM, Neves C, Constantino L. A rela&#231;&#227;o dos doentes com a receita m&#233;dica - Um     Estudo Observacional em Popula&#231;&#245;es Urbanas no Centro de Portugal. Acta Med Port     2010 Set-Out; 23 (5): 755-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S2182-5173201200010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>16. Santiago     LM, Neves C, Constantino L, Leon-Rodr&#237;guez E. La agenda de problemas del     paciente: por que v&#225;n a consulta y qu&#233; quieren saber sobre sus enfermedades o     dolencias: un estudio de observaci&#243;n en poblaciones urbanas del Centro de     Portugal en el &#224;mbito de Medicina General y Familiar. Aten Primaria 2009 nov;     41 (11): 654-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S2182-5173201200010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>    <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>       <p>Philippe     Jos&#233; Couto Botas</p>       <p>Rua das     Arroteias, N.<sup>o</sup> 1</p>       <p>3105-303     Redinha</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="mailto:philippe_botas@hotmail.com">philippe_botas@hotmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 31/08/2011 </b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 22/11/2011 </b></p>      ]]></body><back>
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