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Universidade Nova de Lisboa.</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <hr/>       <p>No Reino     Unido, mas tamb&#233;m a n&#237;vel europeu, poucos m&#233;dicos de fam&#237;lia ter&#227;o tido uma     influ&#234;ncia t&#227;o decisiva e t&#227;o marcante sobre aquilo que &#233; hoje a actual     Medicina Geral e Familiar como John Horder. &#201; unanimemente considerado como um     dos fundadores da moderna Medicina Familiar. No seu 50.<sup>o</sup> anivers&#225;rio     a revista <i>Pulse</i> incluiu-o na lista     dos 50 m&#233;dicos de fam&#237;lia mais influentes e mais admirados. Esta lista inclui     os m&#233;dicos de fam&#237;lia que marcaram, marcam e se espera venham a marcar a     Medicina de Fam&#237;lia no Reino Unido. </p>       <p>Estava a     terminar o seu curso de Medicina quando o <i>National     Health Service</i> foi fundado em 1948. Esteve envolvido na cria&#231;&#227;o do <i>Royal College of General Practitioners</i> (RCGP) em 1952, tendo sido seu presidente entre 1979 e 1982. Foi um dos fundadores     do Grupo de Leeuwenhorst que ficou conhecido pela defini&#231;&#227;o de Medicina     Familiar e pela descri&#231;&#227;o daquilo que era o trabalho e as fun&#231;&#245;es de um m&#233;dico     de Cl&#237;nica Geral em 1974. Foi o primeiro m&#233;dico de Cl&#237;nica Geral ingl&#234;s a ser     nomeado consultor da Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de. Ajudou a criar e a     desenvolver, em v&#225;rios pa&#237;ses europeus, estruturas de apoio ao ensino da     Medicina Geral e Familiar, mas a sua influ&#234;ncia foi mais marcante na Jugosl&#225;via     e em Portugal.<sup>1</sup></p>       <p>John Horder     visitou Portugal v&#225;rias vezes entre 1979 e 2004. Marcou profundamente o in&#237;cio     da nossa especialidade e deixou muitos amigos e admiradores do seu trabalho e     da sua personalidade. Na sua primeira visita, de 18 a 29 de Abril de 1979, foi     acompanhado por Marshall Marinker, Julian Tudor Hart e John Walker para     participar numa semana de debates organizados pela Escola Nacional de Sa&#250;de     P&#250;blica a convite do Prof. Lu&#237;s Cayolla da Mota.&nbsp; O grande objectivo da visita a Lisboa e da participa&#231;&#227;o no     semin&#225;rio era dar a conhecer o Servi&#231;o Nacional de Sa&#250;de Brit&#226;nico. John Horder     era na altura secret&#225;rio do grupo de Leeuwenhorst (foi-o entre 1974 e 1981) que     elaborou uma defini&#231;&#227;o do papel do m&#233;dico de fam&#237;lia, subscrita por onze pa&#237;ses     europeus, incluindo tr&#234;s da Europa de leste. Deste semin&#225;rio e desta visita de     trabalho a Portugal resultou o Relat&#243;rio Horder &#171;O papel do m&#233;dico de Cl&#237;nica     Geral nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios&#187;. Este relat&#243;rio abordava o papel e a     organiza&#231;&#227;o da pr&#225;tica da Medicina Geral em Portugal, mas tamb&#233;m o seu estatuto     em rela&#231;&#227;o &#224; Medicina hospitalar, debatendo a cria&#231;&#227;o de uma carreira atraente     para jovens m&#233;dicos e o seu prest&#237;gio e influ&#234;ncia junto da profiss&#227;o m&#233;dica e     do Governo. O relat&#243;rio original est&#225; dispon&#237;vel no arquivo do RCGP, mas existe     uma tradu&#231;&#227;o no livro sobre os primeiros 10 anos da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de     M&#233;dicos de Cl&#237;nica Geral (APMCG).<sup>2</sup> John Horder esteve novamente em     Portugal no 1.<sup>o</sup> Encontro Nacional de Cl&#237;nica Geral organizado pela     ent&#227;o APMCG em Janeiro de 1984, em &#201;vora, e onde ficou impressionado com o     excelente n&#237;vel organizativo e o grau de desenvolvimento da jovem carreira de     Cl&#237;nica Geral. &#192; margem do Encontro teve oportunidade de pintar e tocar &#243;rg&#227;o     na S&#233; Catedral de &#201;vora. Em 1984 voltou a estar em Portugal, em Lisboa e Porto,     e em Mar&#231;o de 1994 regressa ao Encontro Nacional na P&#243;voa do Varzim onde &#233;     homenageado pelo jornal M&#233;dico de Fam&#237;lia. A sua &#250;ltima visita ao nosso pa&#237;s     registou-se em 2004, em Vilamoura, onde participou nas celebra&#231;&#245;es dos 20 anos     da APMCG e no lan&#231;amento do Livro &#171;Da vontade&#187; onde tem uma colabora&#231;&#227;o.<sup>3</sup> Com 85 anos demonstra uma enorme lucidez, uma curiosidade enorme sobre o que se     fazia em Portugal e como tinha evolu&#237;do a Medicina Familiar no nosso Pa&#237;s. Com     a esposa Elizabeth June, tamb&#233;m ela m&#233;dica de fam&#237;lia, aproveita a ocasi&#227;o para     alugar um carro e conhecer melhor Portugal.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>John Horder     escreveu as suas mem&#243;rias, <i>An account of     my life,</i><sup>4</sup> originalmente escritas para serem lidas pelos seus     netos, onde considera &#171;basicamente eu sou um artista de uma fam&#237;lia de artistas&#187;.     A m&#250;sica sempre foi uma parte central da sua vida, e ele sempre foi um artista     s&#233;rio e talentoso. Tinha igual prazer a tocar &#243;rg&#227;o e piano. Teve oportunidade     de tocar em pelo menos 30 &#243;rg&#227;os em toda a Europa, incluindo Portugal, e em     tr&#234;s dos mais famosos &#243;rg&#227;os do s&#233;culo XVII na Holanda. Como pianista, estudou     m&#250;sica em Paris, teve o privil&#233;gio de acompanhar cantores profissionais, mas     tamb&#233;m violinistas e violoncelistas. </p>       <p>John gostava     de salientar a import&#226;ncia e o valor de ter outras preocupa&#231;&#245;es e ocupa&#231;&#245;es     para al&#233;m da Medicina, porque esta pode ser emocionalmente desgastante e pode     facilmente ocupar o tempo que poderia e deveria ser gasto com a fam&#237;lia, com os     amigos ou no exerc&#237;cio de outras compet&#234;ncias.</p>       <p>As suas     outras ocupa&#231;&#245;es para al&#233;m da m&#250;sica, foram a pintura e a escrita. Qualquer uma     delas j&#225; era importante muito antes de a perspectiva de uma segunda guerra     mundial com a Alemanha o fazer empreender uma forma&#231;&#227;o m&#233;dica em detrimento da     sua forma&#231;&#227;o cl&#225;ssica em Oxford. Estas actividades vieram a revelar-se     particularmente valiosas desde que se aposentou da pr&#225;tica m&#233;dica e do ensino.</p>       <p>Foi um     defensor incans&#225;vel da aprendizagem inter-disciplinar e fundou o Centro para o     Progresso da Educa&#231;&#227;o Inter-profissional (CAIPE) em 1987. O CAIPE foi planeado     para ser uma organiza&#231;&#227;o destinada a apoiar e estimular uma rede nacional de     indiv&#237;duos e organiza&#231;&#245;es, que compartilham o prop&#243;sito de promover a educa&#231;&#227;o     interprofissional para as profiss&#245;es envolvidas na &#225;rea social e da sa&#250;de.     Acredita que, aprendendo juntas, diferentes profiss&#245;es podem entender-se melhor     umas &#224;s outras, e trabalhar melhor em conjunto. </p>       <p>Por um curto     per&#237;odo de tempo foi presidente da divis&#227;o local da <i>British Medical Association.</i> Escreveu: &#171;Fiquei chocado com o     cinismo, a preocupa&#231;&#227;o com o dinheiro, as intermin&#225;veis queixas. Vi     comportamentos entre os meus colegas m&#233;dicos, que eram profundamente     perturbadores&#187;.<sup>4</sup></p>       <p>Como m&#233;dico     eminente, lutou incansavelmente para o reconhecimento da Cl&#237;nica Geral, como     uma especialidade, contra a indiferen&#231;a da academia e dos m&#233;dicos da &#233;poca.</p>       <p>O meu &#250;ltimo     encontro com John Horder foi em Londres, no Jantar de Gala no RCGP em Novembro     de 2007, quando recebi o t&#237;tulo de <i>Honorary     Fellow</i> do RCGP. Na ocasi&#227;o teve a gentileza de me oferecer, com am&#225;vel     dedicat&#243;ria, o seu livro de mem&#243;rias, publicado em Maio de 2007, e o livro com     imagens de aguarelas publicado em Julho de 2007. Este inclui uma aguarela     pintada em 1994 sobre Valen&#231;a no Minho e uma outra, pintada em 2004,     representando o Mosteiro dos Templ&#225;rios em Tomar. </p>       <p>Morreu um     bom homem, um bom m&#233;dico de fam&#237;lia, um bom educador e um defensor de uma     Medicina Familiar de qualidade. O seu trabalho e a sua mem&#243;ria permanecer&#227;o     sempre connosco.</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Marinker     M. John Horder. J r Soc Med 2004 Dec; 97 (12): 590-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000023&pid=S2182-5173201200030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Tavares J     F. Os Primeiros Dez Anos da Associa&#231;&#227;o Portuguesa dos M&#233;dicos de Cl&#237;nica Geral,     1983-1993. Lisboa: Departamento Editorial da APMCG; 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000025&pid=S2182-5173201200030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Horder J.     Cl&#237;nica Geral / Medicina Familiar: Portugal e o mundo. In: Alves MV,     Ramos V, editores. Da Vontade. Lisboa: MVA Invent; 2004. p. 17-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000027&pid=S2182-5173201200030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Horder J.     An account of my life. Privately printed. France; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000029&pid=S2182-5173201200030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rua Paulo     Renato, n.<sup>o</sup> 7</p>       <p>2500-296     Caldas da Rainha</p>     <p><a href="mailto:luispisco@mail.telepac.pt">luispisco@mail.telepac.pt</a></p>     </body> </html>      ]]></body><back>
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