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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A empatia na intersubjectividade da relação clínica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Empathy in the doctor-patient relationship]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Medicina ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732012000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732012000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732012000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A entrevista clínica é um momento chave na construção da relação médico-doente e desta dependerá largamente a adesão terapêutica futura. Sobejamente se têm debatido as questões éticas relativas à relação clínica, bem como as formas de comunicação verbal e não-verbal utilizadas na consulta médica e principais erros a evitar a este nível. Não obstante, apesar de aparentemente consensual, a prática da empatia por parte do médico tem sido um aspecto raramente explorado e muitas vezes mal interpretado ou gerador de confusões nos campos semântico e lexical.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The clinical interview is a key element in the construction of the doctor patient relationship. It can influence adherence to therapy. Ethical issues in the doctor-patient relationship, verbal and non-verbal communication, and errors to avoid in clinical communication have been widely discussed. However, despite agreement regarding its importance, the concept of physician empathy is rarely explored and may be misinterpreted or cause confusion.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Relação Clínica]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Physician-patient Relations]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>OPINI&#195;O E DEBATE</b></p>       <p><font size="4"><b>A empatia na intersubjectividade da rela&#231;&#227;o     cl&#237;nica </b></font></p>       <p><font size="3"><b>Empathy   in the doctor-patient relationship </b></font></p>       <p><b>Sofia Baptista* </b></p>       <p>*Licenciada     em Ci&#234;ncias B&#225;sicas da Sa&#250;de pela Faculdade de Medicina da Universidade do     Porto e aluna do 6.<sup>o</sup> ano do Mestrado Integrado em Medicina da mesma     Institui&#231;&#227;o.</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <hr/>       <p><b>RESUMO </b></p>       <p>A entrevista     cl&#237;nica &#233; um momento chave na constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente e desta     depender&#225; largamente a ades&#227;o terap&#234;utica futura. Sobejamente se t&#234;m debatido     as quest&#245;es &#233;ticas relativas &#224; rela&#231;&#227;o cl&#237;nica, bem como as formas de     comunica&#231;&#227;o verbal e n&#227;o-verbal utilizadas na consulta m&#233;dica e principais     erros a evitar a este n&#237;vel. N&#227;o obstante, apesar de aparentemente consensual,     a pr&#225;tica da empatia por parte do m&#233;dico tem sido um aspecto raramente     explorado e muitas vezes mal interpretado ou gerador de confus&#245;es nos campos     sem&#226;ntico e lexical.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Empatia; Entrevista;     Rela&#231;&#227;o Cl&#237;nica.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr/>       <p><b>ABSTRACT </b></p>       <p>The clinical     interview is a key element in the construction of the doctor patient     relationship. It can influence adherence to therapy. Ethical issues in the     doctor-patient relationship, verbal and non-verbal communication, and errors to     avoid in clinical communication have been widely discussed. However, despite     agreement regarding its importance, the concept of physician empathy is rarely   explored and may be misinterpreted or cause confusion.</p>       <p><b>Keymords:</b> Empathy; Interview;     Physician-patient Relations.</p>         <p>&nbsp;</p> <hr/>       <p><b>Definindo     empatia </b></p>       <p>Segundo     Coulehon et al. a empatia &#233; a &#171;capacidade de perceber a situa&#231;&#227;o, perspectiva e     sentimentos do doente e comunicar-lhe essa compreens&#227;o&#187;.<sup>1</sup> Uma     quest&#227;o central prende-se com o papel da compreens&#227;o neste conceito,     encontrando-se autores que inferem que esta significa sentir<sup>2</sup> o     mesmo que o doente e outros que defendem que a empatia poder&#225; constituir uma     t&#233;cnica perfeitamente objectiva e neutral.<sup>3</sup> Daqui decorrem tamb&#233;m     tr&#234;s aspectos a distinguir no plano da compreens&#227;o cl&#237;nica:</p>       <p><b>1) Qual o grau de envolvimento emocional     necess&#225;rio a essa compreens&#227;o? </b></p>       <p>O psiquiatra     Harry Wilmer enfatiza que &#171;se h&#225; empatia, h&#225; entendimento verdadeiro do outro     enquanto pessoa.&#187;<sup>5</sup> Assim, ao ser emp&#225;tico usamos o pr&#243;prio enquanto     instrumento de compreens&#227;o, conseguindo ao mesmo tempo manter a identidade.     Para ser emp&#225;tico &#233; necess&#225;rio, pois, encontrar um ponto de equil&#237;brio entre o     cont&#225;gio emocional, num extremo, e a sobreintelectualiza&#231;&#227;o, no outro. De notar     que a empatia n&#227;o se op&#245;e &#224; objectividade, &#233; antes uma &#171;forma de conhecimento     relacional&#187; (Ellen S. More).<sup>6</sup></p>       <p><b>2) Qual o papel da subjectividade do m&#233;dico? </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma     compreens&#227;o adequada exige uma an&#225;lise cr&#237;tica por parte do m&#233;dico em rela&#231;&#227;o a     si mesmo e &#224;s suas atitudes, emo&#231;&#245;es, expectativas e vieses.<sup>4</sup> No     fundo, trata-se de atender ao princ&#237;pio socr&#225;tico: &#171;conhece-te a ti mesmo&#187;. N&#227;o     &#233;, pois, desej&#225;vel &#8211; nem poss&#237;vel &#8211; uma subtrac&#231;&#227;o das     caracter&#237;sticas do m&#233;dico na complexa equa&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o emp&#225;tica. Pelo     contr&#225;rio, esse auto-conhecimento refor&#231;ar&#225; as compet&#234;ncias de compreens&#227;o t&#227;o     necess&#225;rias &#224; empatia, mantendo a independ&#234;ncia do ju&#237;zo cl&#237;nico.</p>       <p><b>3) Qual o envolvimento da moralidade? </b></p>       <p>Entendida na     esfera da moral, a empatia &#233;, simultaneamente, atitude e instrumento para     colocar boa inten&#231;&#227;o na pr&#225;tica m&#233;dica.<sup>4</sup> &#201; compreender o doente e     torn&#225;-lo consciente dessa compreens&#227;o com a inten&#231;&#227;o de, no seu melhor     interesse, colher a sua hist&#243;ria e tra&#231;ar um plano diagn&#243;stico/terap&#234;utico     conseguindo da parte do doente melhor informa&#231;&#227;o e ades&#227;o.</p>       <p><b>Empatia     e Simpatia: dois conceitos distintos </b></p>       <p>Regressando     &#224;s ra&#237;zes etimol&#243;gicas do Grego, simpatia, derivada de <i>sympatheia,</i> no seu sentido literal, significa sofrer pelo outro e     empatia, com origem em <i>empatheia,</i> significa sofrer por dentro. Apesar dos significados terem evolu&#237;do com o     tempo, a distin&#231;&#227;o nuclear est&#225; patente desde a Antiguidade. Actualmente,     entende-se por simpatia a partilha da emo&#231;&#227;o expressa pelo outro, que tamb&#233;m     pode ocorrer na rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente, quando o cl&#237;nico partilha das     preocupa&#231;&#245;es ou esperan&#231;as do doente. No entanto, no contexto da rela&#231;&#227;o     cl&#237;nica, a simpatia &#233; claramente inapropriada, podendo afectar o julgamento     cl&#237;nico.<sup>3</sup> Com efeito, a simpatia, ao radicar-se no terreno da emo&#231;&#227;o     e compaix&#227;o, furta-se &#224; exig&#234;ncia de compreens&#227;o inerente e absolutamente     necess&#225;ria ao conceito de empatia.</p>       <p>Por outro     lado, de forma cada vez mais consistente, o conceito de empatia &#233; encontrado em     documentos oficiais de associa&#231;&#245;es e col&#233;gios m&#233;dicos. No documento <i>Skills for Health,</i> criado em conjunto     pela OMS (Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de), UNICEF, UNESCO (Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es     Unidas para a Educa&#231;&#227;o, Ci&#234;ncia e Cultura), Banco Mundial e Fundo das Na&#231;&#245;es     Unidas para a Popula&#231;&#227;o (UNFPA), a empatia &#233; definida como a capacidade de     ouvir e compreender as necessidades e circunst&#226;ncias do outro, expressando essa     mesma compreens&#227;o. &#201; dado particular destaque &#224; import&#226;ncia do treino da     empatia pelos estudantes de medicina, quer atrav&#233;s da discuss&#227;o, quer atrav&#233;s     do m&#233;todo de <i>role play.</i><sup>7</sup> Outro exemplo &#233; encontrado na opini&#227;o publicada pelo Comit&#233; de &#201;tica do Col&#233;gio     Americano de Ginecologistas e Obstetras (ACOG) sobre a empatia no cuidado da     mulher, onde se enfatiza que a empatia &#233; t&#227;o importante para a boa pr&#225;tica     cl&#237;nica como outras compet&#234;ncias t&#233;cnicas.<sup>8</sup></p>       <p><b>Os     cl&#237;nicos devem ser emp&#225;ticos? </b></p>       <p>Num estudo     publicado em Janeiro de 2011 no <i>Journal     of the American Board of Family Medicine,</i> envolvendo 40 m&#233;dicos     especialistas em Medicina Geral e Familiar e procedendo-se &#224; grava&#231;&#227;o das     consultas e &#224; aplica&#231;&#227;o de dois question&#225;rios aos doentes no final das mesmas     com perguntas relacionadas com a sua satisfa&#231;&#227;o e autonomia, conseguiu estudar-se     mais aprofundadamente aquilo que facilmente se intui.<sup>9</sup> As conclus&#245;es     principais foram duas: o recurso &#224; empatia associou-se a uma maior satisfa&#231;&#227;o e     autonomia por parte dos doentes, o que em pot&#234;ncia representa uma melhor ades&#227;o     terap&#234;utica e motiva&#231;&#227;o para a mudan&#231;a de comportamentos. De notar que a     empatia, recorrendo, entre outras t&#233;cnicas, &#224; utiliza&#231;&#227;o de frases reflexivas,     resultou num maior suporte e autonomia percepcionados pelos doentes. A t&#237;tulo     de exemplo, se um m&#233;dico pergunta: &#171;est&#225; desapontado por n&#227;o ter perdido     peso?&#187;, o doente responder&#225;, provavelmente, com um &#171;sim&#187; e, a partir deste     ponto, ter&#225; de ser o m&#233;dico a retomar a conversa&#231;&#227;o; por outro lado, se o     m&#233;dico afirmar: &#171;&#233; de facto dif&#237;cil perder peso&#8230;&#187;, o doente ter&#225; a oportunidade     de comentar esta frase, o que lhe confere mais autonomia e confian&#231;a.</p>       <p>&#201; importante     ressalvar que a rela&#231;&#227;o emp&#225;tica resulta positivamente, n&#227;o s&#243; para o doente,     mas tamb&#233;m para o m&#233;dico, conduzindo a um maior sentido de realiza&#231;&#227;o     profissional, menores n&#237;veis de stress, menor taxa de erros, facilitando ainda     a comunica&#231;&#227;o com doentes &#224; partida mais dif&#237;ceis.<sup>9</sup></p>       <p>A empatia     n&#227;o significa colocar-se no &#171;lugar&#187; do doente, ali&#225;s importa real&#231;ar que, de     facto, a compreens&#227;o e comunica&#231;&#227;o dessa compreens&#227;o por parte do cl&#237;nico n&#227;o     implicam que este &#250;ltimo experimente ou alguma vez tenha experienciado os     mesmos sentimentos que o doente. N&#227;o obstante, n&#227;o sendo uma aptid&#227;o cl&#237;nica     inata, a empatia exige treino e esfor&#231;o para n&#227;o se cair na pr&#225;tica da simpatia     ou do paternalismo. Desde logo, a empatia requer do m&#233;dico concentra&#231;&#227;o,     dependendo de dois elementos n&#227;o verbais que o cl&#237;nico deve treinar: por um     lado, a descodifica&#231;&#227;o da linguagem n&#227;o verbal do doente e, por outro, a     expressividade, codificando, por assim dizer, de um modo n&#227;o verbal as suas     pr&#243;prias emo&#231;&#245;es.<sup>9</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No contexto     da entrevista cl&#237;nica, algumas das estrat&#233;gias para a comunica&#231;&#227;o emp&#225;tica     passam pelo recurso a frases e quest&#245;es abertas (por exemplo, &#171;Conte--me um     pouco mais sobre isso&#8230;&#187; ou &#171;Como se sente em rela&#231;&#227;o a isso?&#187;), bem como     express&#245;es que validem os sentimentos do doente e lhe abram uma possibilidade     de continuidade discursiva (&#171;Compreendo que esta situa&#231;&#227;o est&#225; a ser muito     dif&#237;cil para si&#187;).<sup>8</sup> &#201; importante recordar que as pausas no discurso,     a escuta terap&#234;utica e a oferta de suporte se constituem tamb&#233;m como fulcrais     para a empatia na rela&#231;&#227;o cl&#237;nica. Assim, barreiras &#224; empatia tantas vezes     presentes, como um local inadequado para a consulta, pouca disponibilidade de     tempo ou linguagem contendo muitos termos t&#233;cnicos, dever&#227;o ser prontamente     identificadas e evitadas.<sup>3</sup></p>       <p><b>Ila&#231;&#245;es     finais </b></p>       <p>No encontro     de subjectividades que &#233; o terreno da rela&#231;&#227;o cl&#237;nica, a empatia, na sua     defini&#231;&#227;o essencial, funda-se sobre dois alicerces fundamentais: um deles &#233; a compreens&#227;o,     por parte do m&#233;dico, do doente, suas emo&#231;&#245;es, viv&#234;ncias, d&#250;vidas e medos, o que     corresponde a um processo que, sendo intraps&#237;quico, n&#227;o &#233; observ&#225;vel; o outro,     a dimens&#227;o observ&#225;vel da empatia, refere-se &#224; capacidade do m&#233;dico reflectir e     expressar essa mesma compreens&#227;o ao doente.</p>       <p>Quer a n&#237;vel     sem&#226;ntico quer pr&#225;tico, por vezes &#233; erroneamente assumida a exist&#234;ncia de     sinon&#237;mia entre empatia e simpatia. Interessa, portanto, marcar com clareza a     distin&#231;&#227;o entre os dois conceitos: na simpatia, existe a partilha de um     sentimento; n&#227;o obstante, tal partilha n&#227;o obriga ao esfor&#231;o da compreens&#227;o nem     &#224; comunica&#231;&#227;o dessa mesma compreens&#227;o, aspectos que definem de modo fundamental     a empatia.</p>       <p>Com efeito,     a empatia constitui um instrumento e atitude basilares para o modelo de     entrevista cl&#237;nica centrada no doente. Uma entrevista aberta em que se fa&#231;a uso     de comunica&#231;&#227;o emp&#225;tica permite um conhecimento mais aprofundado por parte do     m&#233;dico de todo o espectro de factores de risco, sintomas e problemas de cada doente     e, deste modo, refor&#231;a a autonomia, satisfa&#231;&#227;o e confian&#231;a do doente no m&#233;dico,     aumentando a probabilidade de ades&#227;o &#224;s recomenda&#231;&#245;es para modifica&#231;&#227;o de     factores de risco e/ou ao plano terap&#234;utico delineado. A pr&#225;tica da empatia     tamb&#233;m se repercute positivamente no cl&#237;nico, que poder&#225; sentir-se mais     realizado profissionalmente e menos suscept&#237;vel aos efeitos do <i>stress.</i></p>       <p>Em suma, a     empatia, enquanto demonstra&#231;&#227;o de entendimento por parte do m&#233;dico das     perspectivas do doente, revela-se uma ferramenta poderosa, que constitui um     refor&#231;o da rela&#231;&#227;o terap&#234;utica e facilita a gest&#227;o de emo&#231;&#245;es. Como refere Jos&#233;     Nunes, baseado no m&#233;todo cl&#237;nico de Carl Rogers, &#171;a sensa&#231;&#227;o de ser     compreendido pelo outro &#233;, em si, intrinsecamente terap&#234;utica: quebra as     barreiras do isolamento da doen&#231;a ou do mal-estar e restaura a sensa&#231;&#227;o de se     sentir como um todo.&#187;<sup>10</sup></p>     <p>Assim     entendida, a pr&#225;tica da empatia deveria, claramente, estar inclu&#237;da de modo     sistematizado no curriculum m&#233;dico.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS </b></p>       <!-- ref --><p>1. Coulehan     JL, Platt FW, Egener B, Frankel R, Lin CT, Lown B, et al. &#8216;&#8216;Let me see if I     have this right&#8230;&#8217;&#8217;: words that help build empathy. Ann Intern Med 2001 Aug 7;     135 (3): 221-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000042&pid=S2182-5173201200030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Marchand     M. Should family physicians be empathetic? No. Can Fam Physician 2010 Aug; 56     (8): 745-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000044&pid=S2182-5173201200030001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Lussier     MT, Richard C. Should family physicians be empathetic? Yes. Can Fam Physician     2010 Aug; 56 (8): 741-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000046&pid=S2182-5173201200030001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Gelhaus     P. The desired moral attitude of the physician: (I) empathy. Med Health Care     Philos 2012 May; 15 (2): 103-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000048&pid=S2182-5173201200030001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Wilmer     HA. The doctor-patient relationship and the issues of pity, sympathy and     empathy. Br J Med Psychol 1968 Sep; 41 (3): 243-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S2182-5173201200030001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. More ES.     Empathy as a hermeneutic practice. Theor Med 1996 Sep; 17 (3): 243-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000052&pid=S2182-5173201200030001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. WHO /     UNESCO/UNICEF/UNFPA/World Bank. Skills for health: skills-based health     education including life skills: an important component of a     child-friendly/health-promoting school. 2003. Dispon&#237;vel em: <a href="http://www.who.int/school_youth_health/media/en/sch_skills4health_03.pdf" target="_blank">http://www.who.int/school_youth_health/media/en/sch_skills4health_03.pdf</a> [acedido em 31/05/2012].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S2182-5173201200030001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. American     College of Obstetricians and Gynecologists Committee on Ethics. Committee     Opinion No. 480: Empathy in women&#8217;s health care. Obstet Gynecol 2011 Mar; 117     (3): 756-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S2182-5173201200030001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Pollak     KI, Alexander SC, Tulsky JA, Luyna P, Coffman CJ, Dolor RJ, et al. Physician empathy     and listening: associations with patient satisfaction and autonomy. J Am Board     Fam Med 2011 Nov-Dec; 24 (6): 665-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S2182-5173201200030001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Nunes     JM. Comunica&#231;&#227;o em Contexto Cl&#237;nico. Lisboa: Bayer Health Care; 2007. pp.     53-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S2182-5173201200030001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;    ]]></body>
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