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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Impacte do Aumento das Taxas Moderadoras na Procura dos Cuidados de Saúde Primários na USF do Parque]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732013000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732013000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732013000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objectivos: Averiguar o impacte do aumento das taxas moderadoras na procura dos cuidados de saúde primários na USF do Parque. Comparar as afluências às consultas na USF do Parque nos períodos homólogos de 1 de Janeiro a 31 de Maio dos anos 2011 e 2012. Identificar outros factores relevantes na afluência dos utentes às consultas da USF. Tipo de Estudo: Longitudinal retrospectivo, Observacional e Analítico. Local: USF do Parque, ACES Lisboa Norte. População: Utentes utilizadores da USF do Parque. Métodos: Amostragem por conveniência. Colheita de dados realizada através de questionário e consulta dos registos informáticos da USF. Análise dos resultados através do programa SPSS Statistics versão 19, com nível de significância estatística de 5%, com recurso aos testes t de Student, Anova, correlação de Pearson e correlação de Spearman. Resultados: Foram analisados 338 doentes com predomínio do sexo feminino (n = 241; 71,3%), com uma média de idades de 57 anos (DP = 18,92). Registou-se um aumento do número de consultas de 2011 para 2012 de 0,87 consultas por utente (IC95%: 0,623-1,129) (p < 0,01). Utentes mais idosos, com mais patologias e medicação diária apresentam maior afluência às consultas (p < 0,05). Houve menos consultas em utentes cujo rendimento mensal do agregado é elevado (p < 0,05). Verificou-se ainda uma correlação positiva superior entre o número total de patologias e consultas na população isenta, em 2012 (p < 0,05). Conclusões: O número de consultas em 2012 foi superior a 2011. A idade avançada, a multipatologia e a medicação diária justificam um maior número de consultas de seguimento. Um maior rendimento económico contribuiu para uma menor afluência em ambos os períodos. O aumento das taxas moderadoras não apresentou um impacte negativo no recurso às consultas da USF do Parque.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To assess the impact of the increase in user fees on the demand for primary health care in the Parque Family Health Unit, to compare consultation rates in the Parque FHU between January 1and May 31, 2011, and the same period in 2012, and to identify factors associated with patient demand for care in this unit. Design: Retrospective longitudinal, observational and analytical. Setting: Parque Family Health Unit, North Lisbon Health Centres Group (ACES Lisboa Norte) Population: Patients of the Parque Family Health Unit. Methods: A convenience sample of patients was selected from the health records of the Family Health Unit. The Student’s t-test, Anova, Pearson correlation and Spearman correlation were used with statistical significance set at the 5% level. Results: We analyzed the records of 338 patients. The majority were female (n = 241; 71,3%), with a mean age of 57 years (standard deviation = 18,92). There was an increase in the consultation rate from 2011 to 2012. The mean number of visits was 0.87 (IC95% 0.623-1.129, p < 0.01). Older patients, patients with more illnesses, and those taking daily medication had higher visiting rates (p < 0.05). There were fewer visits made by patients with a higher monthly income (p < 0.05). A positive correlation between the number of illnesses and the number of medical visits was observed in patients exempt from user fees. Conclusions: In 2012 the number of visits to the Health Unit increased. Advanced age, a larger number of illnesses and daily medication use were associated with a greater number of visits. Higher economic status was associated with lower visiting rates in both study periods. The increase in user fees did not have a negative impact on patient demand for primary health care in the Parque Family Health Unit.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Taxas Moderadoras]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ESTUDOS ORIGINAIS</b></p>      <p><font size="4"><b>Impacte do Aumento das Taxas Moderadoras na     Procura dos Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios na USF do Parque</b></font></p>       <p><font size="3"><b>The impact of the increase in user fees on   the demand for primary health care in the parque family health unit</b></font></p>       <p><b>Ant&#243;nio Ramos,<sup>1</sup> Catarina R&#250;bio,<sup>2</sup> Diogo Rodrigues,<sup>2</sup> Gon&#231;alo Nunes,<sup>2</sup> Joana Bettencourt,<sup>3</sup> Samuel &#194;ngelo,<sup>4</sup> S&#243;nia Coelho,<sup>2</sup> Vasco Maria<sup>5</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>Licenciado     em Medicina Veterin&#225;ria pela Universidade de &#201;vora. Mestre em Patologia     Experimental pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Aluno do 6&#186;     ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade     de Lisboa.</p>       <p><sup>2</sup>Aluno     do 6&#186; ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina da     Universidade de Lisboa.</p>       <p><sup>3</sup>Aluno     do 5&#186; ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina da     Universidade de Lisboa.</p>       <p><sup>4</sup>Licenciado     em Medicina Dent&#225;ria pela Faculdade de Medicina Dent&#225;ria da Universidade de     Lisboa. Aluno do 6&#186; ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de     Medicina da Universidade de Lisboa.</p>       <p><sup>5</sup>Professor     Auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Instituto de     Medicina Preventiva. Regente da Disciplina de Medicina Geral e Familiar.</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Objectivos:</b> Averiguar o impacte do     aumento das taxas moderadoras na procura dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios na USF     do Parque. Comparar as aflu&#234;ncias &#224;s consultas na USF do Parque nos per&#237;odos     hom&#243;logos de 1 de Janeiro a 31 de Maio dos anos 2011 e 2012. Identificar outros     factores relevantes na aflu&#234;ncia dos utentes &#224;s consultas da USF.</p>       <p><b>Tipo de Estudo:</b> Longitudinal     retrospectivo, Observacional e Anal&#237;tico.</p>       <p><b>Local:</b> USF do Parque, ACES Lisboa     Norte.</p>       <p><b>Popula&#231;&#227;o:</b> Utentes utilizadores da USF     do Parque.</p>       <p><b>M&#233;todos:</b> Amostragem por conveni&#234;ncia.     Colheita de dados realizada atrav&#233;s de question&#225;rio e consulta dos registos     inform&#225;ticos da USF. An&#225;lise dos resultados atrav&#233;s do programa SPSS Statistics     vers&#227;o 19, com n&#237;vel de signific&#226;ncia estat&#237;stica de 5%, com recurso aos testes <i>t de Student,</i> <i>Anova,</i> correla&#231;&#227;o de <i>Pearson     e correla&#231;&#227;o de Spearman.</i></p>       <p><b>Resultados:</b> Foram analisados 338     doentes com predom&#237;nio do sexo feminino (n = 241; 71,3%), com uma m&#233;dia de     idades de 57 anos (DP = 18,92). Registou-se um aumento do n&#250;mero de consultas     de 2011 para 2012 de 0,87 consultas por utente (IC95%: 0,623-1,129) (<i>p</i> &lt; 0,01). Utentes mais idosos, com     mais patologias e medica&#231;&#227;o di&#225;ria apresentam maior aflu&#234;ncia &#224;s consultas (<i>p</i> &lt; 0,05). Houve menos consultas em     utentes cujo rendimento mensal do agregado &#233; elevado (<i>p</i> &lt; 0,05). Verificou-se ainda uma correla&#231;&#227;o positiva superior     entre o n&#250;mero total de patologias e consultas na popula&#231;&#227;o isenta, em 2012 (<i>p</i> &lt; 0,05).</p>       <p><b>Conclus&#245;es:</b> O n&#250;mero de consultas em     2012 foi superior a 2011. A idade avan&#231;ada, a multipatologia e a medica&#231;&#227;o     di&#225;ria justificam um maior n&#250;mero de consultas de seguimento. Um maior     rendimento econ&#243;mico contribuiu para uma menor aflu&#234;ncia em ambos os per&#237;odos.     O aumento das taxas moderadoras n&#227;o apresentou um impacte negativo no recurso     &#224;s consultas da USF do Parque.</p>       <p><b>Palavras-Chave:</b> Taxas Moderadoras;     Acessibilidade; Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios.</p>     <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Objectives:</b> To assess the impact of the     increase in user fees on the demand for primary health care in the Parque     Family Health Unit, to compare consultation rates in the Parque FHU between     January 1and May 31, 2011, and the same period in 2012, and to identify factors   associated with patient demand for care in this unit.</p>       <p><b>Design:</b> Retrospective longitudinal,     observational and analytical.</p>       <p><b>Setting:</b> Parque Family Health Unit,     North Lisbon Health Centres Group (ACES Lisboa Norte)</p>       <p><b>Population:</b> Patients of the Parque     Family Health Unit.</p>       <p><b>Methods:</b> A convenience sample of     patients was selected from the health records of the Family Health Unit. The     Student&#8217;s t-test, Anova, Pearson correlation and Spearman correlation were used     with statistical significance set at the 5% level.</p>       <p><b>Results:</b> We analyzed the records of 338     patients. The majority were female (n = 241; 71,3%), with a mean age of 57     years (standard deviation = 18,92). There was an increase in the consultation     rate from 2011 to 2012. The mean number of visits was 0.87 (IC95% 0.623-1.129,     p &lt; 0.01). Older patients, patients with more illnesses, and those taking     daily medication had higher visiting rates (p &lt; 0.05). There were fewer     visits made by patients with a higher monthly income (p &lt; 0.05). A positive     correlation between the number of illnesses and the number of medical visits     was observed in patients exempt from user fees.</p>       <p><b>Conclusions:</b> In 2012 the number of     visits to the Health Unit increased. Advanced age, a larger number of illnesses     and daily medication use were associated with a greater number of visits.     Higher economic status was associated with lower visiting rates in both study     periods. The increase in user fees did not have a negative impact on patient     demand for primary health care in the Parque Family Health Unit.</p>       <p><b>Key Words:</b> User Fees; Accessibility;     Primary Health Care.</p>     <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>O acesso a     cuidados de sa&#250;de constitui um dos pilares fundamentais das sociedades modernas     e revela-se essencial na promo&#231;&#227;o do bem-estar dos cidad&#227;os mediante a     preven&#231;&#227;o, diagn&#243;stico e terap&#234;utica de m&#250;ltiplas patologias. Assim,     circunst&#226;ncias econ&#243;micas, sociais, organizacionais ou culturais n&#227;o deveriam     constituir barreiras efectivas a este processo.<sup>1</sup></p>       <p>Os cuidados     de sa&#250;de prim&#225;rios s&#227;o o primeiro n&#237;vel de contacto dos doentes com o sistema     de sa&#250;de, desempenhando um papel central como orientadores do doente dentro     desta rede complexa e abrangente de cuidados m&#233;dicos. A evolu&#231;&#227;o mais     significativa dos &#250;ltimos anos, na reforma dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios em     Portugal, traduziu-se na cria&#231;&#227;o de Agrupamentos de Centros de Sa&#250;de (ACES) e     Unidades de Sa&#250;de Familiar (USF). Esta altera&#231;&#227;o tem como objectivo aproximar     dos cidad&#227;os a estrutura de presta&#231;&#227;o de cuidados de sa&#250;de, ao mesmo tempo que     introduz uma flexibiliza&#231;&#227;o de organiza&#231;&#227;o e gest&#227;o face &#224; estrutura de     presta&#231;&#227;o de cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios at&#233; ent&#227;o existente.<sup>2</sup></p>       <p>O Servi&#231;o     Nacional de Sa&#250;de (SNS) vigente em Portugal, desde o seu estabelecimento e     expans&#227;o, tem-se pautado por princ&#237;pios fundamentais, destacando-se o seu     car&#225;cter universal e tendencialmente gratuito. A par dos in&#250;meros avan&#231;os     cient&#237;ficos, m&#233;dicos e tecnol&#243;gicos que podem contribuir para a melhoria da     qualidade dos servi&#231;os, surgem quest&#245;es relativas &#224; efici&#234;ncia e sustentabilidade     do SNS, sobretudo no contexto actual de crise econ&#243;mica e financeira, em que se     verifica uma escassez significativa de recursos.<sup>3</sup></p>       <p>As taxas     moderadoras constituem um instrumento financeiro, cujo objectivo prim&#225;rio     consiste em racionalizar a procura de cuidados m&#233;dicos. O aparecimento de novas     taxas de internamento e cirurgia de ambulat&#243;rio, bem como os recentes     incrementos que t&#234;m sofrido, podem colocar em causa o princ&#237;pio da equidade     econ&#243;mica e social do acesso ao SNS<sup>4</sup>. A &#250;ltima actualiza&#231;&#227;o do valor     das taxas moderadoras (Portaria n.<sup>o</sup> 306-A/2011, de 20 de Dezembro)<sup>5</sup> entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2012, registando-se um aumento de 2,25&#8364; para     5&#8364; nas consultas de Medicina Geral e Familiar, e de 9,60&#8364; para 20&#8364; no     atendimento em Servi&#231;o de Urg&#234;ncia Polivalente.<sup>6</sup></p>       <p>Neste     contexto, torna-se pertinente uma reavalia&#231;&#227;o dos factores que influenciam o     acesso dos doentes aos cuidados de sa&#250;de, podendo o montante das taxas     moderadoras tornar-se um par&#226;metro potencialmente impeditivo desse acesso,     nomeadamente ao n&#237;vel dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios e sobretudo em indiv&#237;duos     com baixo n&#237;vel socio-econ&#243;mico.</p>       <p>Assim, o     presente trabalho prop&#245;e averiguar o impacte do aumento das taxas moderadoras     na procura dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios na Unidade de Sa&#250;de Familiar (USF)     do Parque, integrada no ACES Lisboa Norte. Como objectivos secund&#225;rios     pretende-se comparar as aflu&#234;ncias &#224;s consultas na USF nos per&#237;odos hom&#243;logos     de 1 de Janeiro a 31 de Maio dos anos 2011 e 2012, bem como identificar outros     factores relevantes na aflu&#234;ncia dos utentes &#224;s mesmas.</p>       <p><b>M&#233;todos</b></p>       <p>Realizou-se     um estudo do tipo longitudinal retrospectivo, observacional e anal&#237;tico. A     popula&#231;&#227;o alvo foi constitu&#237;da pelos utentes utilizadores da USF do Parque.     Recorreu-se a uma amostragem de conveni&#234;ncia, constitu&#237;da pelos utentes que se     dirigiram &#224; USF no per&#237;odo compreendido entre 22 e 31 de Maio de 2012. A     dimens&#227;o inicial da amostra foi calculada em 384 utentes, com recurso &#224; f&#243;rmula <i>n</i> = <i>p</i>(1-<i>p</i>)/(<i>E</i>/1.96)<sup>2</sup> (sendo <i>n</i> a dimens&#227;o m&#237;nima da amostra, <i>p</i> a m&#225;xima preval&#234;ncia esperada da     principal vari&#225;vel dependente (aflu&#234;ncia &#224; USF) &#8211; 50% e E o erro de     precis&#227;o da estimativa &#8211; 5%).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As vari&#225;veis     utilizadas para o estudo, avaliadas por resposta a um question&#225;rio foram:     idade; sexo; habilita&#231;&#245;es liter&#225;rias; n&#250;mero de elementos do agregado familiar;     rendimento m&#233;dio mensal do agregado familiar; acessibilidade &#8211; vari&#225;vel     composta avaliada pela dist&#226;ncia m&#233;dia da resid&#234;ncia &#224; USF, meio de transporte     utilizado na desloca&#231;&#227;o &#224; USF (a p&#233;; autocarro; metro; t&#225;xi; viatura pr&#243;pria) e     capacidade de locomo&#231;&#227;o (sem auxiliares de marcha; recurso a auxiliares de     marcha; cadeira de rodas; alectua&#231;&#227;o); isen&#231;&#227;o actual de taxa moderadora     (gravidez; doen&#231;a; insufici&#234;ncia econ&#243;mica; outro motivo n&#227;o especificado; sem     isen&#231;&#227;o); rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente (muito boa; boa; satisfat&#243;ria; insatisfat&#243;ria;     m&#225;); doen&#231;as cr&#243;nicas (hipertens&#227;o arterial; diabetes mellitus; dislipid&#233;mia;     depress&#227;o; doen&#231;a reum&#225;tica; cancro; outras n&#227;o especificadas) e n&#250;mero de     medicamentos tomados diariamente. As vari&#225;veis dependentes foram: n&#250;mero de     consultas no per&#237;odo de 1 de Janeiro a 31 de Maio de 2011 e n&#250;mero de consultas     no per&#237;odo de 1 de Janeiro a 31 de Maio de 2012.</p>       <p>O     question&#225;rio foi aplicado aos utentes de ambos os sexos e com idade igual ou     superior a 16 anos que recorreram &#224;s consultas de Sa&#250;de do Adulto, Planeamento     Familiar, Sa&#250;de Materna, bem como a consultas de urg&#234;ncia durante o per&#237;odo do     estudo. Definiu-se como &#250;nico crit&#233;rio de exclus&#227;o do estudo a n&#227;o indica&#231;&#227;o do     n&#250;mero de benefici&#225;rio do SNS (face &#224; impossibilidade inerente de acesso aos     dados do sistema inform&#225;tico da USF). Todavia, os utentes que, apesar de terem preenchido     o question&#225;rio, n&#227;o responderam &#224; totalidade das quest&#245;es, foram posteriormente     eliminados da an&#225;lise dos resultados. Mediante a consulta dos respectivos     processos cl&#237;nicos informatizados, compararam-se as aflu&#234;ncias &#224;s consultas     m&#233;dicas nos per&#237;odos hom&#243;logos de 1 de Janeiro a 31 de Maio dos anos de 2011 e     2012. Todos os inquiridos deram o seu consentimento informado para a     participa&#231;&#227;o no estudo. Foi ainda solicitada e obtida autoriza&#231;&#227;o do     coordenador da USF para a realiza&#231;&#227;o do estudo e redigida uma declara&#231;&#227;o, onde     todos os elementos do grupo de investiga&#231;&#227;o se comprometeram a manter a     confidencialidade dos dados obtidos.</p>       <p>Para a     presente an&#225;lise de resultados recorreu-se ao programa <i>SPSS Statistics</i> vers&#227;o 19, utilizando-se um n&#237;vel de signific&#226;ncia     estat&#237;stica de 5% (<i>p</i> &lt; 0,05).     Realizou-se uma an&#225;lise descritiva dos resultados obtidos em termos de     frequ&#234;ncias e percentagens, obtendo uma vis&#227;o geral dos mesmos. Recorreu-se     tamb&#233;m a testes de estat&#237;stica inferencial, de modo a analisar a signific&#226;ncia     das rela&#231;&#245;es existentes entre as vari&#225;veis em estudo e o n&#250;mero de consultas em     2011 e 2012. Para tal foi analisada a normalidade da distribui&#231;&#227;o dos     resultados obtidos ao n&#237;vel dos grupos com n&#250;mero mais reduzido de elementos,     tendo em considera&#231;&#227;o os pressupostos do teorema do limite central. Uma vez que     esses resultados apresentam uma distribui&#231;&#227;o normal, recorreu-se a testes     param&#233;tricos para analisar a sua signific&#226;ncia estat&#237;stica. Assim, de forma a     comparar as diferen&#231;as entre o n&#250;mero de consultas de 2011 e 2012, recorreu-se     ao <i>teste t de Student</i> para amostras     emparelhadas e independentes. Para comparar mais que 2 grupos utilizou-se o <i>teste Anova</i> com o respectivo teste <i>LSD (Least Significant Difference)</i> para     posterior compara&#231;&#227;o m&#250;ltipla de m&#233;dias. Utilizou-se o teste de correla&#231;&#227;o de <i>Spearman</i> (n&#227;o param&#233;trico) para     verificar a correla&#231;&#227;o entre vari&#225;veis ordinais e intervalares e o teste de     correla&#231;&#227;o de <i>Pearson</i> para vari&#225;veis     quantitativas.</p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>Foram     analisados dados relativos a 338 utentes que recorreram &#224; consulta durante o     per&#237;odo do estudo (ap&#243;s anula&#231;&#227;o de 46 por se verificarem os crit&#233;rios de     exclus&#227;o) com uma m&#233;dia de idades de 57 anos (<i>DP</i> = 18,92) e com um m&#237;nimo de 16 e um m&#225;ximo de 91 anos.</p>       <p>A maioria     dos elementos &#233; do sexo feminino (<i>n</i> =     241; 71,3%). Um n&#250;mero maior de participantes possui o ensino superior (<i>n</i> = 91; 26,9%), seguindo-se os que tem     apenas o 1.<sup>o</sup> ciclo (<i>n</i> =     84, 24,9%) e os que tem o ensino secund&#225;rio (<i>n</i> = 76; 22,5%). Um n&#250;mero mais reduzido tem apenas o 3.<sup>o</sup> ciclo (<i>n</i> = 40; 11,8%), o 2.<sup>o</sup> ciclo (<i>n</i> = 37, 10,9%) ou s&#227;o     analfabetos (<i>n</i> = 10; 3%). A maioria     dos inquiridos pertence a um agregado familiar constitu&#237;do por dois elementos (<i>n</i> = 98; 29%).</p>       <p>Em rela&#231;&#227;o     ao rendimento mensal auferido pelo agregado, a maior parte dos utentes afirma     receber entre 500 a 1000 euros (<i>n</i> =     110; 32,5%). Um n&#250;mero inferior recebe entre 2000 a 2500 euros mensais (<i>n</i> = 24; 7,1%).</p>       <p>No que se     refere &#224; dist&#226;ncia m&#233;dia percorrida pelos utentes da resid&#234;ncia at&#233; &#224; USF, os     resultados indicam que a maioria (<i>n</i> =     273; 80,8%) percorre menos de 5 km, seguindo-se em menor n&#250;mero os que     percorrem entre 5 a 15 km (<i>n</i> = 51;     15,1%), entre 15 a 30 km (<i>n</i> = 10; 3%)     e aqueles que se deslocam mais de 30 km (<i>n</i> = 4; 1,2%). Quanto ao meio de transporte utilizado pelos utentes na desloca&#231;&#227;o     &#224; respectiva USF, os resultados revelam que a maioria ou vai a p&#233; (<i>n</i> = 122; 36,1%) ou desloca-se em viatura     pr&#243;pria (<i>n</i> = 120; 35,5%). Um n&#250;mero     mais reduzido refere ir de autocarro (<i>n</i> = 74; 21,9%), de metro (<i>n</i> = 12; 3,6%)     ou de t&#225;xi (<i>n</i> = 10; 3%). Em rela&#231;&#227;o &#224;     capacidade de locomo&#231;&#227;o, os resultados apontam para um n&#250;mero superior de     indiv&#237;duos que se encontram aut&#243;nomos sem recurso a qualquer tipo de auxiliares     de marcha (<i>n</i> = 314; 92,9%). Um n&#250;mero     bem mais reduzido recorre a auxiliares de marcha (<i>n</i> = 22; 6,5%), anda em cadeira de rodas (<i>n</i> = 1; 0,3%) ou n&#227;o tem capacidade de locomo&#231;&#227;o (<i>n</i> = 1; 0,3%).</p>       <p>Relativamente     ao modo como os indiv&#237;duos avaliam a dificuldade de acesso &#224; USF em termos de     dist&#226;ncia, meio de transporte e facilidade de locomo&#231;&#227;o, constata-se que a     maior parte considera a acessibilidade f&#225;cil (<i>n</i> = 156; 46,2%), seguindo-se os que a consideram muito f&#225;cil (<i>n</i> = 103; 30,5%), razo&#225;vel (<i>n</i> = 53; 15,7%), dif&#237;cil (<i>n</i> = 24; 7,1%) e muito dif&#237;cil (<i>n</i> = 2; 0,6%).</p>       <p>A an&#225;lise do     tipo de isen&#231;&#227;o das taxas moderadoras, observada na <a href="#f1">figura 1</a>, indica que um     n&#250;mero superior de participantes n&#227;o est&#227;o isentos (<i>n</i> = 213; 63%), seguindo-se em n&#250;mero consideravelmente inferior os     isentos por insufici&#234;ncia econ&#243;mica (<i>n</i> = 65; 19,2%), por doen&#231;a (<i>n</i> = 41;     12,1%), por outro motivo n&#227;o especificado (<i>n</i> = 10; 3%) ou por gravidez (<i>n</i> = 9;     2,7%).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a04f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Na an&#225;lisef     da rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente, os resultados apontam para um n&#250;mero elevado de     inquiridos que consideram a mesma muito boa (<i>n</i> = 172; 50,9%). Em n&#250;mero mais reduzido encontram-se os que a     consideram boa (<i>n</i> = 124; 36,7%),     satisfat&#243;ria (<i>n</i> = 35; 10,4%) e     insatisfat&#243;ria (<i>n</i> = 7; 2,1%).</p>       <p>A an&#225;lise da     <a href="#f2">figura 2</a> mostra que a maior parte dos utentes sofrem de hipertens&#227;o arterial     (37,9%), seguindo-se os que tem doen&#231;as reum&#225;ticas (30,2%), dislipid&#233;mia     (29,9%), depress&#227;o (16,3%), diabetes mellitus (11,8%) e cancro, estes &#250;ltimos     em percentagem mais reduzida (8%).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a04f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Da     observa&#231;&#227;o dos resultados referentes &#224; medica&#231;&#227;o di&#225;ria (<a href="#q1">Quadro I</a>), podemos     concluir que cerca de um ter&#231;o dos inquiridos (<i>n</i> = 105; 31,1%) n&#227;o consomem nenhum medicamento.</p>       <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a04q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Nos     elementos da amostra em estudo, verificou-se um total de 672 consultas no     per&#237;odo referente ao ano 2011: M = 1,99; (IC95%: 1,76-2,22) e 968 consultas em     per&#237;odo hom&#243;logo de 2012: M = 2,86; (IC95%: 2,62-3,11). Os resultados do <i>teste t de Student</i> para amostras     emparelhadas revelaram existir diferen&#231;as estatisticamente significativas entre     o n&#250;mero de consultas realizadas em 2011 e em 2012: M = 0,87 (IC95%:     0,623-1,129) (<i>p</i> &lt; 0,05).</p>       <p>Em rela&#231;&#227;o &#224;     idade, o <i>teste de correla&#231;&#227;o de Spearman</i> revela uma correla&#231;&#227;o positiva e estatisticamente significativa entre a idade     dos pacientes inquiridos e o n&#250;mero de consultas, quer em 2011 (r = 0,23; <i>p</i> &lt; 0,01), quer em 2012 (r = 0,28; <i>p</i> &lt; 0,01), o que significa que a     idades mais avan&#231;adas correspondem tamb&#233;m um maior n&#250;mero de consultas.     Contudo, a idade n&#227;o se revelou um factor significativo quando comparada com a     diferen&#231;a em rela&#231;&#227;o ao n&#250;mero de consultas nos dois per&#237;odos (<i>p</i> &#8805; 0,05).</p>       <p>Verificou-se     um menor n&#250;mero de consultas nos indiv&#237;duos com maior rendimento m&#233;dio mensal,     quer em 2011 quer em 2012 (<i>p</i> &lt;     0,05), contudo quanto &#224; diferen&#231;a entre o n&#250;mero de consultas nos dois     per&#237;odos, este factor n&#227;o se revelou estatisticamente significativo (<i>p</i> &#8805; 0,05).</p>       <p>Nas     vari&#225;veis relativas &#224; acessibilidade (dist&#226;ncia m&#233;dia da resid&#234;ncia &#224; USF, meio     de transporte utilizado, capacidade de locomo&#231;&#227;o) n&#227;o se verificaram diferen&#231;as     estatisticamente significativas na varia&#231;&#227;o do n&#250;mero de consultas nos dois     per&#237;odos em estudo (<i>p</i> &#8805; 0,05).     O tipo de isen&#231;&#227;o (<a href="#q2">Quadro II</a>), a que os utentes inquiridos est&#227;o sujeitos tamb&#233;m     est&#225; relacionado com o n&#250;mero de consultas na USF, tanto no ano de 2011 como no     ano de 2012 (<i>p</i> &lt; 0,05),     registando-se um n&#250;mero superior de consultas nos isentos por insufici&#234;ncia     econ&#243;mica, por doen&#231;a e por gravidez (<i>p</i> &lt; 0,05). Contudo as diferen&#231;as observadas entre 2012 e 2011 n&#227;o podem ser     atribu&#237;das ao tipo de isen&#231;&#227;o (<i>p</i> &#8805; 0,05), sendo os valores semelhantes nos diversos grupos.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a04q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A an&#225;lise     comparativa do n&#250;mero de consultas, face a exist&#234;ncia ou n&#227;o de qualquer tipo     de doen&#231;a, n&#227;o revela diferen&#231;as estatisticamente significativas nos dois anos     em estudo, de acordo com o <i>teste t de     Student</i> para amostras independentes (<i>p</i> &#8805; 0,05). Todavia, no <i>teste de     Correla&#231;&#227;o de Pearson</i> constatou-se que o n&#250;mero total de patologias por     utente correlaciona-se positivamente com o n&#250;mero de consultas em 2011 e 2012 (<i>p</i> &lt; 0,01), sem que a diferen&#231;a entre     os dois per&#237;odos tivesse sido estatisticamente significativa (<i>p</i> &#8805; 0,05).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A rela&#231;&#227;o     entre o n&#250;mero de medicamentos consumidos diariamente e o n&#250;mero de consultas     apresentou-se positiva e estatisticamente significativa em 2011 (r = 0,29; p     &lt; 0,01) e 2012 (r = 0,405; p&lt;0,01), assim como no que se refere &#224;     diferen&#231;a verificada entre os dois anos (r = 0,405; <i>p</i> &lt; 0,05).</p>       <p>Podemos     ainda constatar pelo <i>teste de Correla&#231;&#227;o     de Pearson,</i> cujos resultados est&#227;o patentes no <a href="#q3">Quadro III</a>, que existe uma     correla&#231;&#227;o positiva entre o n&#250;mero total de patologias e o n&#250;mero de consultas,     tendo esta sido mais forte no ano de 2011 nos utentes n&#227;o isentos, e em 2012     nos isentos do pagamento de taxas moderadoras (<i>p</i> &lt; 0,05).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a04q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>As vari&#225;veis     anteriores foram ainda correlacionadas nos utentes em que o rendimento do     agregado &#233; inferior a 1000 euros, verificando-se uma correla&#231;&#227;o positiva e     significativa em ambos os anos no grupo n&#227;o isento (<i>p</i> &lt; 0,05), e apenas em 2012 no grupo de isentos (<i>p</i> &lt; 0,01).</p>       <p><b>Discuss&#227;o</b></p>       <p>A introdu&#231;&#227;o     de taxas moderadoras tem como finalidade racionalizar a procura de cuidados de     sa&#250;de. Assim sendo, ap&#243;s o recente aumento do montante das referidas taxas,     seria de esperar um decr&#233;scimo na aflu&#234;ncia &#224;s consultas na USF do Parque, o     que n&#227;o se verificou, de acordo com os resultados obtidos neste estudo. De     acordo com dados estat&#237;sticos disponibilizados pela USF do Parque, entre 1 de     Janeiro e 31 de Maio de 2011, realizaram-se nesta unidade 4827 consultas de     adultos, e no per&#237;odo hom&#243;logo de 2012, 5571 consultas. Esta realidade, que     corrobora os resultados da amostra estudada, pode ser justificada pelo facto da     USF do Parque ser uma institui&#231;&#227;o recente, inaugurada no ano de 2009, com a     atribui&#231;&#227;o de m&#233;dicos de fam&#237;lia a todos os inscritos. Por outro lado, uma     atitude pr&#243;-activa da unidade na divulga&#231;&#227;o de informa&#231;&#227;o sobre os diferentes     tipos de servi&#231;os disponibilizados pode ter contribu&#237;do para uma melhoria na     acessibilidade e consequentemente para uma maior aflu&#234;ncia.</p>       <p>Os utentes     que se deslocaram com maior frequ&#234;ncia, por motivo de consulta, &#224; USF nos     per&#237;odos em estudo s&#227;o os mais idosos, e aqueles que tomam maior n&#250;mero de     medicamentos, tal como se pode observar pelos resultados estatisticamente     significativos que se observaram nas vari&#225;veis <i>&#171;idade&#187;, &#171;doen&#231;as cr&#243;nicas&#187;</i> e <i>&#171;medica&#231;&#227;o     di&#225;ria&#187;.</i> Estes dados poder&#227;o ser explicados pelo facto do aumento da idade     ser um factor predisponente para os indiv&#237;duos apresentarem multipatologia que     justifique o recurso a v&#225;rios f&#225;rmacos e deste modo, ser necess&#225;rio um maior     n&#250;mero de consultas de seguimento e com intervalos mais curtos. Os elementos da     amostra pertencentes a agregados familiares de rendimento mais elevado     recorreram com menor frequ&#234;ncia &#224;s consultas nos anos 2011 e 2012, o que se     pode justificar pela j&#225; conhecida exist&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o positiva entre o     n&#237;vel socio-econ&#243;mico e a sa&#250;de individual.<sup>7</sup> Adicionalmente, &#233;     poss&#237;vel que indiv&#237;duos com capacidade econ&#243;mica superior possam recorrer com     maior facilidade a servi&#231;os de sa&#250;de privados, e deste modo com menor     frequ&#234;ncia ao seu m&#233;dico de fam&#237;lia, aspecto que poderia explicar at&#233; certo     ponto os resultados obtidos. Comparando os utentes isentos e n&#227;o isentos de     pagamento de taxas moderadoras, com n&#250;mero de patologias id&#234;ntico, verifica-se     um comportamento similar no ano de 2011, sendo que em 2012, essa correla&#231;&#227;o     positiva apenas se observa na popula&#231;&#227;o isenta. Este achado faz-nos supor que estes     utentes, dada a aus&#234;ncia de taxa&#231;&#227;o, n&#227;o sentiram qualquer impacte econ&#243;mico     directo em rela&#231;&#227;o aos custos inerentes aos cuidados de sa&#250;de prestados, que     justificasse uma diminui&#231;&#227;o da aflu&#234;ncia.</p>       <p>Na     realiza&#231;&#227;o deste estudo, a utiliza&#231;&#227;o de uma amostra de conveni&#234;ncia constituiu     uma limita&#231;&#227;o relevante na extrapola&#231;&#227;o dos resultados obtidos para a popula&#231;&#227;o     alvo. Por outro lado, todo o estudo foi baseado no pressuposto de que a &#250;nica     vari&#225;vel, alvo de an&#225;lise estat&#237;stica inferencial, que sofreu altera&#231;&#227;o de 2011     para 2012 foi o valor da taxa moderadora. Adicionalmente, n&#227;o foi levada em     considera&#231;&#227;o a recente altera&#231;&#227;o das normas de atribui&#231;&#227;o de isen&#231;&#227;o que     entretanto se operou no SNS, podendo ter-se introduzido um vi&#233;s de     confundimento. Reconhece-se ainda que o apuramento do rendimento econ&#243;mico,     apenas com base no rendimento m&#233;dio mensal e dimens&#227;o do agregado familiar,     pode ser redutor e insuficiente para a caracteriza&#231;&#227;o do mesmo.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente     estudo demonstra que o n&#250;mero de patologias cr&#243;nicas e o n&#250;mero de medicamentos     di&#225;rios constituem os principais determinantes na aflu&#234;ncia &#224;s consultas na USF     do Parque. Apesar da aus&#234;ncia de diferen&#231;as estatisticamente significativas     entre os dois per&#237;odos hom&#243;logos em estudo, regista-se uma maior correla&#231;&#227;o dos     factores supracitados com o n&#250;mero de consultas realizadas entre Janeiro e Maio     de 2012 na popula&#231;&#227;o isenta.</p>     <p>Em suma, o     aumento das taxas moderadoras n&#227;o teve um impacte negativo directo no recurso     &#224;s consultas na USF do Parque, com base na contagem total de consultas     efectuadas pelos elementos da amostra. Para tal facto, pode ter contribu&#237;do o     aumento ainda mais preponderante das taxas moderadoras nos servi&#231;os de urg&#234;ncia     hospitalares e a atitude pr&#243;-activa de uma USF constitu&#237;da recentemente. O     achado de que indiv&#237;duos isentos apresentam uma aflu&#234;ncia superior     comparativamente a indiv&#237;duos n&#227;o isentos com id&#234;ntico n&#250;mero de patologias     sugere que estudos adicionais dever&#227;o ser efectuados, por per&#237;odos de tempo     mais longos e recorrendo a amostras aleatorizadas e de maior dimens&#227;o, de forma     a aferir o real impacte do aumento das taxas moderadoras no acesso aos cuidados     de sa&#250;de prim&#225;rios.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Furtado     C, Pereira J. Equidade e Acesso aos Cuidados de Sa&#250;de: documento de trabalho.     Lisboa: Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica da Universidade Nova de Lisboa; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S2182-5173201300020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Barros     PP. Economia da Sa&#250;de &#8211; conceitos e comportamentos. 2&#170; ed. rev. Coimbra:     Almedina; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S2182-5173201300020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Miguel     JP, Bugalho M. Economia da sa&#250;de: novos modelos. An&#225;lise Social 2002; 38 (166):     51-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S2182-5173201300020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. Barbosa     AP. Implica&#231;&#245;es &#233;ticas das taxas moderadoras face &#224; escassez de recursos em     sa&#250;de [disserta&#231;&#227;o de mestrado]. Porto: Faculdade de Medicina da Universidade     do Porto; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S2182-5173201300020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>5.     Minist&#233;rios das Finan&#231;as e da Sa&#250;de. Portaria n&#186; 306-A/2011, de 20 de Dezembro.     Di&#225;rio da Rep&#250;blica n&#186; 242/2011 - I S&#233;rie.</p>     <!-- ref --><p>6.     Administra&#231;&#227;o Regional de Sa&#250;de. Circular Normativa n&#186; 3/2006, de 14 de Agosto.     Devolu&#231;&#227;o de Taxas Moderadoras &#8211; Porto: ARS Norte; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S2182-5173201300020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Oliveira     DG. Determinantes do estado de sa&#250;de dos portugueses (disserta&#231;&#227;o de mestrado).     Lisboa: Instituto Superior de Estat&#237;stica e Gest&#227;o de Informa&#231;&#227;o da     Universidade Nova de Lisboa; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S2182-5173201300020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>       <p>Gon&#231;alo     Filipe Domingos Nunes</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alameda     Salgueiro Maia, N&#186; 15 9&#186;B &#8211; Flamenga; </p>     <p>2660-329     &#8211; Santo Ant&#243;nio dos Cavaleiros</p>       <p><a href="mailto:gon&#231;alo.n@hotmail.com">gon&#231;alo.n@hotmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>Os autores     agradecem ao Professor Doutor Lu&#237;s Rebelo, coordenador da USF do Parque, a     disponibilidade demonstrada, essencial na recolha dos dados necess&#225;rios &#224;     elabora&#231;&#227;o do presente trabalho.</p>       <p><b>Conflitos   de interesse</b></p>       <p>Os autores     declaram n&#227;o possuir conflitos de interesse.</p>     <p><b>Financiamento</b></p>       <p>O trabalho     n&#227;o foi objecto de qualquer tipo de financiamento externo (incluindo bolsas de     investiga&#231;&#227;o).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 26/09/2012</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 26/03/2013</b></p>      ]]></body><back>
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